quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Força de Intervenção (1981-82)


"Força de Intervenção" ("Strike Force" no original) foi uma série norte-americana de 1981, que em Portugal passava em 1982-1983 na RTP1, nas sextas à noite a partir de 12 de Novembro de 1982, logo a seguir ao clássico da comédia "Gente Fina É Outra Coisa", em substituição de "Hill Street". A série incluia-se no género "equipa especial que resolve os crimes que mais ninguém consegue". E os criminosos do pior geralmente acabavam falecidos com alergia a chumbo, cortesia desta força da Polícia de Los Angeles. E segundo a Wikipedia, "Strike Force" chegou a ser considerada a série mais violenta na televisão norte-americana na altura.

Além do episódio piloto de 90 minutos de duração, 19 episódios (ou 20 se contarmos o episódio "The Judge" que nunca foi confirmado se foi sequer filmado e que contaria com a participação especial do Dr. McCoy da Star Trek original: DeForest Kelley) foram produzidos para o canal ABC, pela produtora ASP (Aaron Spelling Television - que nos trouxeram, entre outros: "Beverly Hills 902010", "Dinastia", "O Barco do Amor" ou "Os Anjos de Charlie").


Do que vi, parece-me na linha de "Brigada Especial/Special Squad", e a Wiki ainda fala num mix de Dirty Harry e Missão Impossível.

O genérico inicial de "Força de Intervenção":


No elenco Robert Stack ("Aeroplano", a série "The Untouchables") como o incorruptível capitão Frank Murphy, Dorian Harewood ("Vidas Em Jogo", ) como o destemido sargento Paul Strobber, Richard Romanus ("Os Cavaleiros do Asfalto") como o mulherengo tenente Charlie Gunzer, Michael Goodwin como o novato - pelo menos em idade - sargento Mark Osborne, Trisha Noble (a estrela pop adolescente australiana nos ano 60 Patsy Ann Noble, mas com muitas participações em série e filme até recentemente, num cameo no Episódio III da Guerra das Estrelas) no papel da viúva e durona sargento Rosie Johnson e Herbert Edelman ("Crime, disse ela", "Sarilhos com elas") como comissário Herb Klein.



A cena inicial do episódio piloto, com a equipa undercover:



Voltando ao conteúdo violento da série, pesquisando na imprensa da época, no "Diário de Lisboa", além de algumas fotos de promoção, encontrei vários textos pela caneta do critico da casa, Mário Castrim, que como seria de esperar atribui a causa de todos os males da sociedade ás séries provenientes do demónio imperialista americano (os termos são meus, mas basicamente é isso que escorre da prosa de Mário Castrim).

"Os responsáveis da RTP não ignoram que estão induzindo ao crime, como na publicidade estão induzindo à compra."
Diário de Lisboa - 13 Novembro 1983
"Não há interesse que motive a atenção do espectador - o envolvimento inteligente da história, a caracterização dos ambientes, uma certa realidade humana das personagens. Nada. Só a vertigem do crime(...)", resume-se a pouco mais que isto a critica propriamente dita. O resto é o habitual histrionismo e alarmismo mergulhado em propaganda.
Diário de Lisboa - 28 Janeiro 1983
 "E depois admiram-se que as crianças tenham pesadelos"."Posso garantir: a actual programação da RTP é responsável em certa medida pela onde de crimes que por aí vai".
Diário de Lisboa - 12 Fevereiro 1983
Da critica à estrutura de Força de Intervenção "Trata-se de uma série com os rodriguinhos americanos, em pleno. Não exige do telespectador (...) um mínimo esforço de adesão inteligente. Pretende convencer pela brutalidade, pela violência, pela vertigem dos golpes, das perseguições, das agressões" até à generalização vai apenas uns parágrafos: "as séries (...) são conscientemente falsificadoras da realidade."
Diário de Lisboa - 7 Janeiro 1983

Diário de Lisboa - 21 Janeiro 1983
Nota: Na rádio M80, a rubrica "Máquina do Tempo" abordou a "Força de Intervenção" no episódio de 15 de Janeiro, fazendo referência aqui à Enciclopédia de Cromos. Podem ouvir/fazer download do podcast aqui: "Força de Intervenção,uma série do inicio dos anos 80 que passou pela RTP.".


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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Natal na Enciclopédia - Parte 2

 
Mais um Natal que se aproxima, e Enciclopédia de Cromos não podia ficar indiferente. Nos tempos de criança, era época mais esperada do ano. Além de claro não haver aulas, era o tempo de roer as unhas à espera dos presentes, as refeições em familia, etc. E, seguindo o exemplo do Paulo Neto, aproveito este post para desejar a todos os nossos leitores, colaboradores e amigos: Boas Festas!
Como não há dinheiro para prendas, ofereço um apanhado dos artigos relacionados ao Natal que fomos publicando nos últimos dias:


Clássicos do Natal:
Artigos de revistas:

Publicidade:


E os do ano passado: "Natal na Enciclopédia - Parte 1".

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Viagens de Natal (1995)

A revista Maria não propunha apenas prendas ou receitas de Natal aos seus leitores, as dicas também incluiam também destinos de viagens para quem está disposto a "passar com a sua família um Natal diferente do habitual".
As sugestões em 1995 foram as seguintes: Nova Iorque, Paris e Serra da Estrela.

"Nova Iorque, uma das cidades mais famosas"

"Paris, A Cidade-Luz"
"Serra da Estrela: Muita neve e boa comida à portuguesa"

Paris e Nova Iorque nunca visitei, mas a Serra da Estrela foi das viagens mais interessantes que fiz dentro do nosso país, algures nos anos 90. Felizmente, apesar de ser altura de neve conseguimos subir ao topo.

Artigo retirado da revista Maria Nº 893, da semana de 20 a 26 Dezembro de 1995.

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Sugestões de Prendas de Natal (1995)


Hoje é Dia de Reis, quando os nuestros hermanos tradicionalmente trocam os presentes, portanto  vamos ver o que a revista Maria sugeria como ofertas para o Natal de 1995.
O artigo está divido nas secções "Para ela", "Para ele" e "Para os mais pequenos".

"Para ela" - "Ofertas com carinho"
Não surpreendentemente, a maioria das sugestões para as senhoras eram para a casa ou adereços de vestuário. "Objectos pessoais ou para enfeitar a casa, eis uma montra de prendas, entre as quais pode escolher as que quer oferecer à mulher da sua vida". Imagino que o objectivo seria que ela deixasse a revista aberta nesta página ao pé do homem da casa. Discretamente, claro.

(clique sobre a imagem para a aumentar)
 
"Para ele" - "Ofertas com Amor"
Aqui, as sugestões já são mais variadas, passando pela obrigatória gravata, os boxers e perfume. Saúdo a inclusão de um livro!


"Para os mais pequenos"
Para as crianças "existem pequenos presentes que, sem serem muito dispendiosos, fazem as suas alegrias": brinquedos e livros. Vê-se bem que na revista se lembraram que as crianças não gostam de receber roupa!
Livros sugeridos: "Se Eu Fosse Comerciante", "Se Eu Fosse Agricultor","Dinossauros", "Na Floresta", todos da Impala. A nível de brinquedos: o Busto da Barbie, uma Casa com som, Patins em linha com capacete e joelheiras, ursinho guardapeças da LEGO e o carro Dakota.

Artigo retirado da revista Maria Nº 893, da semana de 20 a 26 Dezembro de 1995.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Ana "Laranja, Laranjinha" (1985)

por Paulo Neto

No outro dia, no meio de uma das minhas várias reflexões profundamente estupidificantes, pus-me a pensar que a laranja (tanto a cor como o fruto) proliferou na década de 80. E nem sequer precisava de viver no Algarve, para ter a laranja pluripresente nos meus anos de infância.



Por acaso, até foi fruto que nunca gostei muito - o meu consumo de citrinos raramente foi além de uma ou outra tangerina ou clementina (que também conhecia com a designação "marroquina") de vez em quando - mas os meus pais sempre gostaram muito de laranja, pelo que era presença regular na fruteira lá de casa. Mas em alternativa, nos anos 80, eram inúmeros os sumos e as guloseimas com esse sabor. Recordo-me por exemplo dos sumos em pó como o ainda existente Tang e os desaparecidos Dawa e Clic e do efémero período em que o Super Maxi da Olá teve outros sabores que não o clássico creme de baunilha, incluindo o sabor a laranja.





Depois se olharmos para o futebol nos anos 80, constatamos que a principal figura do Mundial de 1982 em Espanha, é capaz de não ter sido Paolo Rossi que conduziu a Itália à vitória final, muito menos os consagrados Zico e Michel Platini, mas sim a mascote do certame, o Naranjito. Apesar de Portugal não ter participado nesse Mundial, lembro-me de ver o Naranjito em vários sítios e formas: bonecos, autocolantes e porta-chaves e ainda hoje permanece como a mais mítica mascote de um Mundial de Futebol.


Depois em 1988, a selecção holandesa de futebol, de célebre epíteto "a Laranja Mecânica", treinada por Rinus Michels, o mesmo que conduziu a revolucionária selecção holandesa dos anos 70, e onde pontificavam nomes como Frank Rijkaard, Ruud Gullitt e Marco Van Basten, chegava àquele continua a ser o seu único grande título, o do Europeu desse ano que teve lugar na Alemanha.




Falar da cor laranja em Portugal acaba por sempre resvalar no facto desta ser a cor política do PSD. E foi em 1985, que após a ascensão meteórica no congresso dos "laranjas" na Figueira da Foz, que Cavaco Silva chegou a primeiro-ministro da nação, cargo que ocuparia por dez anos.




Tudo isto para falar naquela que é a minha canção preferida da cantora Ana. A cantora nascida em Sintra em 1954 de nome Ana Bela Alves esteve bastante presente nos anos 80. Em 1985, ela já se fizera notar com temas como "Quanto Mais Te Bato" e "Sonha Comigo" e, como era hábito para qualquer cantor da época, marcou presença no Festival da Canção, a saber o de 1983, com o tema "Parabéns, Parabéns a Você", escrito por Luís Jardim (sim, esse mesmo, o júri dos "Ídolos" e de "A Tua Cara Não Me É Estranha") - destacando-se pela sua ginástica vocal e a sua capacidade invulgar para atingir notas agudas. No fundo, podia-se dizer que Ana era a Kate Bush do nacional-cançonetismo.

Mas em 1985, Ana editou um single que tomou de assalto as ondas médias nacionais e que eu não resistia em parar para ouvir assim que soava no éter. "Laranja, Laranjinha" é todo um épico de metáforas cítricas sobre uma trepidante batida electro-pop, onde não podiam faltar os indispensáveis agudos de Ana, que nem a minha vozinha imberbe de cinco anos conseguia reproduzir. Quem não se recorda do refrão:

"Sou laranja, laranjinha 
Tão corada, coradinha
Tenho o Sol do Verão em mim guardado.

Sou laranja, laranjinha
Laranjada tão fresquinha
Para matar a sede ao meu namorado!"

(Vistas bem as coisas, isto podia ser uma declaração de amor entre militantes do PSD!)

Eis Ana a interpretar o tema no programa da RTP "Deixem Passar A Música":


Ao pesquisar para este artigo, vim a descobrir que o tema é na verdade uma versão de um original em italiano, "Abbronzati Dai Miraggi", editado em 1983 pela cantora Giuni Russo, uma diva do pop-rock transalpino que infelizmente faleceu de cancro em 2004. Eis aqui o original:


 

Quanto a Ana, continuou a somar outros êxitos nos anos seguintes como "Tapete Voador", "Isso Já Não Se Faz", "Não Digas Mais Nada" e já nos anos 90, "Filha do Vento" e "Quando a Rádio Toca Esta Canção". Nos últimos anos, a carreira de Ana tem sido bem mais discreto ainda que continue bem activa, cantando pelo país fora. Em 2004, editou um álbum best of para comemorar 25 anos de carreira que incluiu uma gravação actualizada de "Quanto Mais Te Bato".

   

Guia Astrológico do Amor (1995)

Estranhamente, neste inicio de ano, pouco ouvi falar sobre horóscopos, previsões e etc. Por isso, fiquem com um anúncio com os números de 1995 do "Guia Astrológico do Amor". E pensar que 20 anos depois, as revistas e jornais continuam inundadas desta fantochada....

Publicidade retirada da revista Maria Nº 893, da semana de 20 a 26 Dezembro de 1995.

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sábado, 3 de janeiro de 2015

Donna Donna (1995)


A primeira publicidade do ano é cheirosa (eu espero!): o perfume  ou eau de toilette ou o que quer que seja "Donna Donna".


Publicidade retirada da revista Maria Nº 893, da semana de 20 a 26 Dezembro de 1995.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Balanço do Ano 2014

Feliz 2015!!


No final e inicio do ano a blogosfera é invadida por listas, tops e estatísticas. Para manter a tradição, vamos dar uma rápida olhada aos artigos mais lidos no blog durante o ano de 2014:
  1. "Na Cama Com..." (1993-94) - O artigo das atrevidas entrevistas com Alexandra Lencastre é o mais lido do Paulo Neto - e o 2º mais lido do blog - é um êxito desde o ínicio de 2013*.
  2. "Água na Boca" - no TOP 5 dos mais lidos de sempre, os leitores adoram recordar o programa de malandragem made in Italia.
  3. "Chuva de Estrelas" (1993-2000) - mais um clássico da SIC, que mais que imitadores, descobriu vários talentos musicais com carreira até hoje.
  4. "Bollycao" - Depois do domínio dos programas de TV, uma das guloseimas pela qual os nossos leitores salivavam, pelo recheio de chocolate e pelos brindes de antigamente!
  5. "Ai Os Homens!" (1996-1999) - Regressamos à TV, com o concurso que pôs o país a suspirar por olimpianos musculados e em trajes menores. Ah, e havia uns concorrentes que tinham que impressionar as mulheres e comparar-se a esses deuses dos músculos.
  6. "Riscos" (1997-98) - Da RTP, o "pai" dos "Morangos com Açucar", um microcosmo escolar onde TUDO podia acontecer.
  7. "D'artagnan e os Três Mosqueteiros" (1987-89) - A versão livre da obra de Dumas em anime que chocou a criançada ao revelar que Aramis era... uma mulher.
  8. "He-Man e os Mestres do Universo" - este artigo - o mais lido de sempre na Enciclopédia - continua com a Força do Homem Mais Poderoso do Universo!
  9. "Foram Cardos Foram Prosas/Flor Sonhada" (1981) - O magnum opus de Manuela Moura Guedes continuou forte em 2014.
  10. "Big Show SIC" (1995-2001) - Este frenezim de lantejoulas, gorilas e movimento era a imagem de marca da SIC na segunda metade dos anos 90.
 As páginas - que agrupam as diferentes categorias - mais lidas foram as seguintes:
  1. Televisão
  2. Comidas e Bebidas
  3. Brinquedos e Jogos
  4. Música
  5. Cinema
Actualização: 
Faltou um pormenor no balanço de 2014, vermos os artigos mais lidos de entre os publicados em 2014. Seguindo a sugestão do Paulo Neto, cá estão eles: 
  1. Capas TV Guia - Parte 2
  2. Capas TV Guia - Parte 4
  3.  Médico de Família (1998-2000)
  4. Programação de um Sábado de 1991
  5. Filmes de Natal na TV - Anos 80 e 90
  6. O Jogo do Ganso (1993-98)
  7. Os Melhores Anos (1990 e 1992)
  8. Nancy Kerrigan vs. Tonya Harding (1994)
  9. Mafalda - Série animada (1982)
  10. Claxon (1990-91)

Gostava de apresentar os mais lidos na nossa página no Facebook, mas ainda não consegui esses dados.
Entretanto, por curiosidade, vamos ver as palavras mais pesquisadas nos motores de busca e que conduziram leitores à Enciclopédia de Cromos:
  • hello kitty cesto bola
  • lilian ramos
  • enciclopedia de cromos
  • he man
  • www.enciclopediadecromos.blogspot.com
  • turma da monica
  • lilian ramos itamar
Estou a perceber aqui uma tendência*:
*[Este escândalo já tem mais de 20 anos: a foto de Lilian Ramos, sem calcinhas, ao lado de Itamar Franco, o Presidente do Brasil, nas cerimónias do Carnal de 1994]
Um Bom Ano Novo, tudo de bom para os nossos leitores e amigos!

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