terça-feira, 26 de novembro de 2013

Vidas Em Jogo (1984)

por Paulo Neto

Creio que nem mesmo George Orwell poderia prever no seu tempo que o ano de 1984 a quem ele conferiu toda uma mitologia seria um dos anos mais emblemáticos da cultura pop. Por exemplo, poucos anos podem se gabar de uma lista tão extensa de filmes e músicas que hoje são considerados verdadeiros clássicos. E o filme que hoje analisamos, deixou a sua marca em ambas as frentes. 



Confesso que este é daqueles filmes que nunca vi do princípio ao fim, mas que fui apanhando aos pedaços, sempre que algum canal de televisão (sobretudo o Hollywood) o exibia. Na sua estreia, "Vidas Em Jogo" ("Against All Odds" no original) já tinha diante de si toda uma grande promoção atrás de si. Para começar o realizador era Taylor Hackford, que vinha do sucesso de "Oficial e Cavalheiro", a comunicação social tinha amplamente divulgados os principais ingredientes do filme - acção, intriga e erotismo e numa prática na altura ainda não muito vista, o tema principal do filme "Against All Odds (Take A Look At Me Now)", interpretado por Phil Collins, já era um hit e vinha acompanhado de um videoclip que era basicamente um trailer avant la lettre




"Vidas Em Jogo" é um dos mais célebres exemplos de uma breve tendência em Hollywood de modernizar clássicos da era do film noir com a estética dos anos 80 e uma generosa dose de erotismo. O outro famoso exemplo é "Noites Escaldantes" que readaptou o clássico noir "Pagos A Dobrar". No caso de "Vidas Em Jogo", a inspiração foi o filme "O Arrependido" ("Out Of The Past", 1947) com Robert Mitchum, Jane Grier e Kirk Douglas



Terry Brogan (Jeff Bridges) é um jogador de futebol americano no ocaso da sua carreira. Falido e dispensado da sua equipa, Terry aceita a proposta de um seu conhecido, Jake Wise (James Woods), um dono de um bar nocturno envolvidos em negócios obscuros. Wise contrata-o para encontrar a sua namorada Jessie Wyler (Rachel Ward, no seu primeiro papel após a série "Pássaros Feridos") que lhe roubou 50 mil dólares e fugiu sem deixar rasto. Coincidentemente, Jessie é também a filha da nova dona da antiga equipa (Jane Grier, a protagonista feminina de "O Arrependido"). 



Terry descobre Jessie no México, mas intrigado por ela, não a denuncia imediatamente. Após um breve jogo de gato e rato, Terry e Jessie tornam-se amantes e vivem momentos idílicos e sensuais naquele cenário paradisíaco (incluindo sexo no interior de uma pirâmide azteca). O idílio termina abruptamente quanto são surpreendidos por Hank Sully (Alex Karras), o antigo treinador de Terry, que foi contratado por Jake para os encontrar. O confronto termina com Jessie a matar Sully, o que leva Terry a terminar a relação e voltar para Los Angeles.



Quando regressa, Terry fica estupefacto ao ver Jessie de novo com Jake como se nada tivesse passado, descobre que Ben Caxton (Richard Widmark) o sócio da mãe de Jessie é o líder da rede de corrupção desportiva em que Jake está envolvido e que é o alvo de uma cilada para o incriminarem da morte de um advogado corrupto. E mais do que nunca, Terry e Jessie vêem as suas vidas em jogo...


Onde a história de "Vidas Em Jogo" mais diverge de "O Arrependido" é no final, bem menos trágico ainda que não seja o mais feliz para os protagonistas.


Pelo que pude ver do filme, ele ainda hoje cumpre plenamente a função de entretenimento. Bridges e Ward formam um par extremamente sensual (até pelos cânones actuais) e cheio de química e James Woods consegue habilmente que a sua personagem fuja do vilão estereotipado. Richard Widmark,  antiga estrela do noir e dos filmes de gangsters, é um secundário de luxo. Além das cenas quentes entre os protagonistas, ficou  também na retina uma frenética cena de corrida automóvel entre as personagens de Bridges e Woods ao volante de um Porsche e de um Ferrari respectivamente pelas ruas de Los Angeles. E como em vários outros casos, o efeito de nostalgia e "cápsula do tempo" também têm jogado a favor do filme.



Como é óbvio, o tema principal do filme, na voz de Phil Collins, também ajudou ao sucesso do filme e ainda hoje é visto como um dos pontos altos do repertório de Collins. E o videoclip-trailer é um dos mais emblemáticos do género, com Phil Collins a cantar no meio de uma plataforma luminosa rodeado de água e com uma cascata atrás dele. Curiosamente a banda sonora também inlcuía temas a solo de Peter Gabriel e Mike Rutherford, dois colegas de Collins nos Genesis. Também fizeram parte da banda sonora temas de Stevie Nicks, Big Country e Kid Creole & The Coconuts, sendo que estes últimos também aparecem no filme.



Trailer:










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