sábado, 16 de maio de 2026

O Homem-Aranha 3 (2007)



A maior força é paradoxalmente a maior fraqueza de "Spider-Man 3", ou pelo menos o factor responsável pela quebra de ritmo de um grande filme que podia ser extraordinário, isto é, o próprio esforço da produção para escapar aos estereótipos presentes na maioria das adaptações de BDs minou o equilíbrio de uma película que pedia mais acção. A solução teria passado por não incluir tantas linhas narrativas paralelas, optar por apenas um vilão: Homem-Areia ou Venom. Ao incluir as histórias dos dois vilões não conseguiram desenvolver satisfatoriamente as histórias desses homens, cujos destinos se acabam por unir na conclusão da película, onde estão presentes ainda Harry – o novo Duende Verde – e Mary Jane Watson.

Encontramos um Peter Parker/Homem-Aranha mais confiante e um pouco deslumbrado pela fama e reconhecimento que alcançou em Nova Iorque. Depois da simbiose com a gosma alienígena (que convenientemente, caiu do espaço a alguns metros de Peter e Mary Jane) os seus poderes aumentam, assim como os traços mais negativos da sua personalidade, nomeadamente a agressividade. E pois, em Hollywood, quando alguém fica “mau” passa a vestir-se sempre de negro.

O Homem-Areia – Flint Marko, um ladrão que se descobre ser o real assassino do tio Ben – protagoniza o momento mais emocionante do filme, quando se esforça para materializar com areia o corpo desintegrado instantes antes numa experiência científica.

Quanto ao Venom, temos um monstro menos musculoso que na versão da BD, que é mais interessante em forma humana – antes da união ao alienígena rejeitado por Peter – o inescrúpuloso repórter fotográfico Eddie Brock, rival de Peter no jornal Daily Bugle (dirigido pelo tempestuoso e divertido J.J.Jameson).

Em relação a Harry Osborn (filho de Norman Osborn, o Duende Verde original) foi conseguida uma boa resolução para esta personagem, a clássica história de redenção. Confronta novamente Peter em busca da vingança pela morte do pai, mas no final ajuda na batalha contra os vilões que (surpresa!) raptaram Mary Jane. A bela Gwen Stacy foi uma adição interessante ao elenco, mas um pouco subaproveitada.

Mary Jane, a eterna amada de Peter, atravessa uma fase de frustração profissional ao mesmo tempo que se sente carente de atenção, procurando conforto junto de Harry.

O carismático actor Bruce Campbell (a estrela de Army of Darkness), a exemplo das entregas anteriores da saga do aracnídeo, protagonizou um cameo divertidíssimo, o melhor dos três filmes, no papel de um maître de um restaurante chique.

O pior: A aparição especial de Stan Lee. O Homem-Aranha a aterrar em frente de uma ENORME bandeira dos E.U.A. Demasiados momentos de humor. Nem vou referir todas as coincidências, porque é de esperar isso mesmo que histórias baseadas em BDs.

O melhor: As cenas de acção. A aparição de monsieur Bruce Campbell. A bela Gwen Stacy.

O veredicto: um bom filme, com demasiadas personagens e situações explicadas, que relegou a acção para segundo plano. 

"Spider-Man" (2002)

"Spider-Man 2" (2004).


Homem-Aranha 2 (2004)



O "Império Contra-Ataca" da saga Spider-Man, (a seguinte entrega é definitivamente o "Regresso de Jedi") "Spider-Man 2" constrói, desenvolve e melhora sobre o estabelecido no primeiro capitulo de Toby Maguire como o Cabeça de Teia: "Spider-Man" (2002). A premiere na América aconteceu em 22 de Junho de 2004, com grande sucesso e aceitação da crítica e do público, que quase unanimemente considera o filme uma melhoria em relação ao capítulo original, com  mais emoção e personagens interessantes. O elenco principal regressou, mas sem o Green Goblin, surge outro grande da galeria de vilões do Homem Aranha: o icónico Doctor Octopus aka o brilhante cientista Octo Octavius, humanizado e desempenhado com gosto por Alfred Molina ("Species", "Boogie Nights", etc). Regressaram também o realizador, Sam Raimi ("Darkman"), o compositor Danny Elfman, e John Dykstra que foi galardoado com o Oscar pelos efeitos especiais nesta sequela do êxito de 2002. Deste vez, a cinematografia ficou á responsabilidade de Bill Pope ("The Matrix", "Scott Pilgrim vs The World" e muito mais). O plot gira em redor do choque entre a vida de superherói e a vida profissional e amorosa de Peter Parker que gera um crescente distanciamento entre Peter e Mary Jane (Kirsten Dunst); a busca de Harry Osborn (James Franco) para vingar a morte do pai;  e a transformação do benevolente cientista Octo Octavius num amoral o e obcecado super criminoso, controlado pela sua própria criação. 

Em 2004, por altura da estreia na Lusitânia descrevi essa chegada com grande entusiasmo:

"Finalmente chegou aos nossos écrans a aguardadíssima sequela de Spiderman. Confesso que quando vi o primeiro no cinema fiquei um pouco desiludido, devido ao excesso de publicidade e antecipação(tal como X-Men1), mas depois já em formato caseiro tornou-se um dos meus filmes de acção favoritos (também como X-Men1).
Relativamente ao recém estreado, é mais divertido e tem mais acção do que o primeiro, um excelente filme, com actores bem dirigidos. Momento cómico: A sequência no elevador é hilariante.  Pouco mais me resta dizer a não ser: vaiam ver o filme, já!"

A "analise" foi curta, mas no essencial continuo a aconselhar o visionamento. É um belo e equilibrado capítulo da história das adaptações de super-heróis ao grande écran, concentrado nas relações pessoais mas sem fugir das batalhas épicas, que parecem saltar das páginas dos comics, com arte, coração e visuais coloridos sem vergonha do que é.





Homem-Aranha (2002)


Peter Parker (Tobey Maguire, "Pleasantville", "The Ice Storm"; na época com 27 anos a interpretar um adolescente graças ao seu look jovial) é o típico nerd da cultura pop: óculos, fisicamente fraco, sem sorte ao amor e nulas capacidades sociais. Um dia, quase como nos comics, é mordido por uma aranha geneticamente alterada e ganha capacidades sobre-humanas depois de uma noite de metamorfose. A transformação imediatamente leva a eterna vitima de bulling a ser um "macho alfa", até os seus seres queridos sofrerem as consequências. Depois da vazia vingança consumada, nasce verdadeiramente o super-herói que todo o Mundo ama (excepto J.J. Jameson). O principal nemesis de Peter Parker é Norman Osborn (Willem Dafoe"Platoon", "The Last Temptation of Christ") o maníaco Green Goblin, e pai do único amigo de Peter, Harry Osborn (James Franco, "Freaks and Geeks", "Milk") e o seu interesse amoroso é Mary Jane (Kirsten Dunst, "The Virgin Suicides", "Anastasia") que de imponente top model foi reimaginada como a vizinha adorável.

"Spider-Man" estreou na sua terra natal a 3 de Maio de 2002. Houve antes uma grande campanha de marketing por parte da Sony Pictures, incluindo o infame e magnífico teaser trailer com as Torres Gémeas (do World Trade Center), que foi rapidamente expurgado depois do ataque terrorista de 11 de Setembro 2001 (não consigo recordar se vi o trailer primeiro numa sala de cinema, ou na Internet) que também obrigou a refilmagens de algumas cenas. Mas, the show must go on, e a crescente comunidade nerd online esperava em antecipação, assim como os plebeus que também queriam ver o primeiro filme "a sério" com a origem, metamorfose e triunfo do herói mais conhecido que Jesus Cristo. 

Em Fevereiro de 2004, escrevinhei este post de apreciação da primeira entrada do Aranha do grande Sam Raimi: "Spider-Man", o "Homem-Aranha":

"Aproveitei que me ofereceram o DVD no meu aniversário, para rever um filme, que gosto mais, cada vez que tenho oportunidade de ver. Confesso que fiquei desiludido quando fui assistir á estreia no grande ecran, esperava um filme com mais acção, mas depois de vê-lo em versão pirata, apercebi-me dos seus pontos fortes, uma história ligeira, bem desenvolvida e que não se deixou embriagar pelos CGIs, e tem a Kirsten Dunst! O DVD trás uma quantidade apreciável de extras, que recordam as origem do personagem na BD. E para quem tem um computador decente (ao contrário de mim...) ficará agradado com o jogo de acção incluído (julgo que será só uma demo, tenho que confirmar isso...).
Agradável e entretido, recomendo vivamente!!
Ah, e está lá a Kirsten Dunst (não sei se já tinha mencionado esse facto...)"

Tenho pouco a adicionar aos meus rascunhos 2000s, mas, bem, eu estava mesmo com um crush pela querida Kirsten. Mas isso foi meia vida atrás...
Entre os pontos altos, a vitalidade da direcção e humor de Sam Raimi (Evil Dead), a cinematografia de Don Burgess (Contact, Castaway), a edição por Bob Murawski (um habitual colaborador de Raimi) e Arthur Coburn. E claro, em categorias igualmente importantes, banda sonora do genial Danny Elfman (Batman, Sleepy Hollow, etc) e efeitos especiais computorizados de ultima geração (supervisionados pelo lendário John Dykstra, que trabalhou em projectos como "Star Wars", "Battlestar Galactica", "Star trek: The Motion Picture", etc ) misturados com os efeitos práticos do agrado do realizador. E um elenco perfeito, desde os principais aos secundários. 
Não querendo repetir, mas realmente cada vez mais aprecio a maestria com que Sam Raimi nos brindou neste filme que dois anos depois de "X-Men" e seis antes do "Iron Man" escancarou a porta à enxurrada de filmes com as aventuras de super-heróis das seguintes décadas. Na época deixei-me também levar por algumas reações negativas ao uniforme do vilão ao estilo dos Super Sentai, mas tantos anos depois não consigo imaginar outra versão além da que foi filmada.
Pessoalmente, esta película continua a ser versão definitiva da origem do Spider-Man. Sim, não sou grande fã das versões com o Andrew Garfield e do Tom Holland.


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