sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ai, os Homens (1996-1999)

por Paulo Neto

Continuamos a viagem pela produção nacional televisiva nos anos 90. Na área do entretenimento, um dos programas mais recordados da época é o "Ai, os Homens", que a SIC exibiu em cinco temporadas entre 1996 e 1999. O programa era apresentado por José Figueiras e produzido por Teresa Guilherme, adaptado de um formato australiano que já fazia sucesso em vários países .



Tratava-se de um concurso onde dez candidatos teriam de impressionar uma audiência composta por 150 mulheres, incluindo uma convidada famosa presente em cada sessão, ao longo de uma série de provas. No final de cada prova, elas davam os seus votos e os concorrentes eliminados eram atirados a uma piscina pelas assistentes. 
Era crucial causar uma boa primeira impressão, pois logo à partida três concorrentes eram logo eliminados.


Seguia-se a prova livre onde os concorrentes davam largas à imaginação para impressionar a assistência: cantar, dançar, representar, contar anedotas, exibir as suas capacidades físicas, valia de tudo. Como exemplo, eis o concorrente Vítor Grade que colocou no YouTube a sua prova onde encarnou Lionel Richie e Diana Ross num verdadeiro dueto 2 em 1!



Depois de se eliminarem mais dois candidatos, avançava-se para a prova de dança, onde cada concorrente tinha de dançar com uma das assistentes um determinado estilo de dança. Após mais um concorrente eliminado, era a vez da prova de declaração de amor, onde os concorrentes teriam de gastar o latim para impressionar a convidada VIP. Alguns optavam por palavras românticas, outros por abordagens mais cómicas. Tomemos como exemplo este vídeo onde os concorrentes galantearam a cantora Nucha. (Sim, o primeiro concorrente é o Jimmy dos D'Arrasar!)




O programa teve outras provas que com o avançar das temporadas foram descontinuadas, como a prova de canto, uma prova onde tinham de responder a perguntas das mulheres na assistência e uma prova de role-play onde tinham de interagir com as assistentes numa determinada situação.

Depois de mais um concorrente eliminado, os três finalistas seguiam para a dupla prova mais ansiada pelas cento e cinquenta juradas e pelas telespectadoras: primeiro, os candidatos subiam ao palco com um disfarce para fazerem um strip-tease e depois teriam de comparar o seu belo caparro com o do bodybuilder residente. O mais famoso foi o Ulisses  cujo vocabulário consistia apenas da palavra: "NÃO!" A personagem era desempenhada por Joaquim Guerreiro que desde então tem feito alguns trabalhos como actor, por exemplo nas telenovelas "Terra Mãe" e "Anjo Meu". Mas também houve por exemplo, o Hércules, encarnado por Victor Júnior (Viktor-Viktor), que curiosamente tinha participado previamente como concorrente, e que mais tarde entraria no primeiro Big Brother Famosos e que chegou a tentar a sua sorte como cantor.

Joaquim Guerreiro, o "Ulisses"



Igualmente mítica era a personagem do Johnny Bigode, interpretada pelo saudoso António Feio. Johnny Bigode costumava interromper o programa com as suas pretensões de possível concorrente e ilusório conquistador de corações femininos. À parte o Tony da "Conversa da Treta", foi a mais popular personagem interpretada por António Feio. Um dos autores destes sketches era um então ainda desconhecido Nuno Markl.

O vencedor de cada sessão ganhava mil contos em dinheiro (como se pode ver neste vídeo onde o concorrente João Véstia documenta o momento da sua vitória) e qualificava-se para a finalíssima da temporada, onde a convidada VIP era Teresa Guilherme. O vencedor absoluto da primeira temporada foi nada mais nada menos que Jorge Kapinha, que também viria a integrar os D'Arrasar. Eis alguns momentos da sua participação:



Além de Kapinha e Jimmy, outros concorrentes que viriam a tornar-se posteriormente conhecidos do grande público foram Fernando Melão dos Excesso e Sérgio Vicente da segunda edição do Big Brother. 



Regra geral, as juradas tendiam a eleger aqueles que primassem mais por um palminho de cara e de corpo, mas recordo-me da sensacional vitória de Pedro Feio numa sessão da segunda temporada. Com cabelo desgrenhado, óculos de massa, um princípio de barriga e pêlos do peito mal semeados, este concorrente fazia jus ao apelido mas acabou por cativar tudo e todas com o seu sentido de humor e talento musical, vencendo a sua sessão e chegando ao top 3 da finalíssima.

Mas o programa também tinha motivos para o público masculino regalar a vista, uma vez que entre as belas assistentes do programa estavam beldades como Marta Pereira, Sónia Antão, Mónica Sofia, Raquel Loureiro, Vera Deus, Adriana Iria e a britânica Joanne Iverson

Para terminar, de referir que uma sessão especial do programa com famosos foi para o ar durante a passagem de ano 1996/97. Descubram neste vídeo quem foram esses destemidos concorrentes VIP:



No seu livro "Isso Agora Não Interessa Nada" de 2005, que reúne crónicas que ela escreveu para a TV Guia sobre os bastidores dos programas que apresentou e produziu, Teresa Guilherme conta um episódio tragicómico sobre um concorrente do "Ai Os Homens" que quase ia desta para melhor durante o programa devido ao seu orgulho de macho. 
Uma das perguntas que figurava no questionário de inscrição no programa que os candidatos a concorrentes era se eles sabiam nadar. Uma resposta negativa ditava a eliminação automática, porque a piscina do programa não tinha pé. Porém, cientes de que por vezes o ego masculino fala mais alto do que a voz do bom-senso, os elementos da produção voltavam a repetir essa pergunta aos concorrentes, desde os castings até aos momentos antes do provável banho forçado. E de vez em quando, alguns, vendo a profundidade da piscina, acabavam por admitir que as suas habilidades de nadador deixavam muito a desejar e desistiam.  
Porém, ao fim de tantos programas e tantas temporadas, a produção foi relaxando e confiando na palavra dos concorrentes. Até que certo dia... Conta a TG:

"Tinham acabado as provas livres. Estavam todos perfilados à beira da piscina e aguardavam o veredicto supremo das cento e cinquenta juízas. Era sempre um momento de grande tensão. Mas nem nós imaginávamos que para um dos dez a tensão era mais profunda que a piscina do estúdio.
Depois de todas as mulheres dizerem da sua justiça, as lindinhas (...) salvam com um beijo os preferidos da maioria da plateia e atiram para a piscina o que tem menos votos.
Cheio de ritmo, o José Figueiras apresenta desde logo a próxima prova. As meninas aplaudem e todos os olhos se fixam no palco que fica no lado oposto da piscina.
Nos bastidores, sigo atentamente tudo o que se passa dentro do estúdio, até que sinto alguém a puxar-me timidamente a manga. Era a senhora da limpeza:«Dona Teresa, a senhora desculpe, mas aquele rapaz que atiraram mesmo agora para dentro da piscina ainda não saiu.» 
Sem parar a gravação, discretamente, fui até à beirinha da piscina preparada para dar um raspanete ao concorrente eliminado e perguntar-lhe se tinha vindo a banhos. Quando olhei para dentro de água, lá estava o rapaz todo vestidinho. Ora vinha à tona, ora ia ao fundo. Não foi difícil perceber que ele não estava armado em parvo, estava era armado em afogado. 
Esqueci-me por um momento que era a responsável máxima por aquela produção e gritei como grita qualquer mulher que vê uma pessoa a afogar-se: «ACUDAM QUE ELE AFOGA-SE!» Ora quando uma mulher grita com altivez, gritam logo duas ou três...ou cento e cinquenta.
Foi um verdadeiro pandemónio."   


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4 comentários:

  1. Já não me lembrava do Johnny Bigodes :D !

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  2. Não havia uma espanholita que se chamava raquel também?!

    Lembro-me que ela era muito bonita, mas não consigo saber quem era...

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    Respostas
    1. Olá, pelo nome não me lembro, talvez algum dos meus colegas ou leitores saiba acrescentar algo!
      Obrigado pelo comentário :)

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    2. Sim, tenho ideia que havia duas espanholas: uma morena chamada Raquel e uma loura chamada Virginia.

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