sábado, 29 de junho de 2019

"Ride On Time" Black Box, "Pump Up The Jam" Technotronic, "French Kiss" Lil' Louis (1989)

por Paulo Neto

Hoje vamos ter um cromo 3 em 1 em que analisamos três temas que foram editados há trinta anos e que desde então têm feito sucesso nas pistas de dança por esse mundo fora. Os três temas têm em comum duas coisas: primeiro, cada qual foi um tema percursor de uma subvertente da música house e segundo, havia uma onde de mistério quanto à dona da voz feminina ouvida em cada um deles.

Mas primeiro, um pouco de história. A house é um subgénero da música electrónica de dança caracterizada pelas batidas repetitivas 4/4, ritmos providenciados por caixas de ritmo e pratos de choque e linhas de baixo de sintetizador. É considerado um género que evoluiu a partir do disco-sound, mas com uma configuração mais electrónica e minimalista. Os primeiros registos de produção de temas house terão nascido nos circuitos de discotecas de Chicago no início dos anos 80, mas foi a partir da segunda metade da década que o género chegou ao público em geral, quer através do sucesso de temas produzidos pelos principais DJs e produtores, quer através da sua influência no repertório de artistas como Madonna e Janet Jackson.

"Ride On Time" Black Box




A Itália sempre foi um país que deixava o seu cunho particular em todos os géneros de música de dança (como o italo-disco e o italo-dance), pelo que o italo-house foi uma inevitabilidade, conferindo ao género um travo de ritmos latinos e de acordes de piano electrónico. Um dos principais nomes ligados ao italo-house é Daniele Davoli que após anos a trabalhar como DJ e produtor, estabeleceu como seu projecto prioritário o grupo Black Box, em parceria com Valerio Semplici e Mirko Limoni. O primeiro tema produzido pelo trio foi "Ride On Time", baseado no tema disco de 1980, "Love Sensation" de Loleatta Holloway. O título era uma corruptela de um dos versos da canção "because you're right on time...". A dar a cara pelo tema no videoclip e nas actuações em televisão, estava uma ex-namorada de Davoli, a modelo francesa Katrine Quinol, cuja beleza era de tal forma deslumbrante que fazia o facto de ela não saber cantar, falar inglês ou sequer ser muito exímia a fazer playback parecer de somenos importância para o público.


Quem achou isso de muita importância foi Loleatta Holloway e o compositor da canção original Dan Hartman, que processaram a banda pelo uso não-autorizado dos samples de "Love Sensation". Enquanto o processo estava a decorrer e para evitar mais prejuízos, uma cantora inglesa foi contratada para gravar novos vocais (de preferência o mais próximo possível dos originais) para "Ride On Time" e essa nova versão substituiu aquela com a voz de Holloway na distribuição comercial do single e nas emissões na rádio. Essa cantora foi nada menos que Heather Small, que anos mais tarde ficaria famosa como a vocalista dos M-People.
Eventualmente os Black Box cederam grande parte dos royalties aos autores do original (reza a lenda que Loleatta Holloway aceitou um casaco de peles como compensação) e a versão com a voz de Holloway viria a ser reactivada e nos dias de hoje, tanto a versão original como aquela com a voz de Small estão disponíveis.

No entanto, nem estes problemas judiciais impediram o sucesso de "Ride On Time" que foi um dos maiores hits de 1989, sendo o single mais vendido do ano no Reino Unido e chegando ao top 5 das tabelas em países como Austrália, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Islândia, Irlanda, Noruega, Nova Zelândia, Suécia e Suíça. 

Na mesma altura, Davoli, Semplici e Limoni também editaram outras temas nesse ano de 1989 sob outros nomes como Starlight ("Numero Uno") e Mixmasters ("Grand Piano", que também tinha um sample de "Love Sensation") antes de estabelecerem os Black Box como seu projecto principal. O seu primeiro álbum, "Dreamland", surgiu em 1990 contendo outros hits como "Everybody Everybody", "I Don't Want Anybody Else" e "Fantasy", com Katrine Quinol a continuar a dar a cara e o playback pelo projecto e com a cantora Martha Wash (uma das cantoras de "It's Raining Men") a dar a voz. Curiosamente Wash viria também a processar os autores de um outro conhecido tema que por cause de uma modelo a fazer playback da sua voz. A partir de 1993, foi a cantora Charvoni Woodson que deu a cara e a voz pelos singles subsequentes como "Rockin' To The Music" e "Positive Vibration". Embora já não editem material novo desde o final dos anos 90, Daniele Davoli ainda actua ocasionalmente sob o nome de Black Box. 

"Pump Up The Jam" Technotronic feat. Felly MC Ya Kid K



Envolvido na música electrónica since o início dos anos 80, o belga Jo Bogaert foi um dos pioneiros do New Beat, uma variante da música techno baseada na Holanda e na Bélgica. Entre os vários projectos que encabeçou, o principal foi os Technotronic, baseado no nome inicial dado a um tema instrumental em que estava a trabalhar. Esse instrumental viria a ser reintitulado como "Pump Up The Jam", quando foi adicionado o rap de um jovem prodígio chamado Manuela Kamosi, sob o nome de MC Ya Kid K. Nascida no Zaire, Kamosi viveu a sua vida entre a Bélgica e os Estados Unidos (nomeadamente em Chicago onde descobriu as cenas hip hop e house locais que a levaram a este projecto). Porém, na altura Kamosi ainda era menor de idade e Bogaert concordou com os pais da jovem que ela ainda era demasiado nova para participar na promoção do single.
Então, tal como fizeram os Black Box, uma modelo franco-congolesa, Felly Kilingi, para dar a cara no videoclip e fazer playback nas actuações ao vivo. Nas primeiras edições do single, Felly foi mesmo creditada como intérprete.


Seja como for, isso pouco importou, já que "Pump Up The Jam" foi um sucesso mundial chegando ao n.º 1 do top em Bélgica, Espanha e Portugal, e n.º 2 na Alemanha, nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde foi o oitavo single mais vendido de 1989. Uma cover do conjunto alemão MC Sar & Th Real McCoy obteve algum êxito na Alemanha.

Entretanto, Manuela Kamosi/MC Ya Kid K viria por fim a dar cara, tanto como a voz, e a receber crédito como intérprete no single seguinte, o igualmente bem sucedido "Get Up (Before The Night Is Over)". Os Technotronic viriam a editar singles até ao ano 2000, vários deles com a colaboração de Ya Kid K. Uma nova versão de "Pump Up The Jam" foi editada em 1996.
E os que seguiram a "Caderneta de Cromos" decerto que ainda se recordarão de "Bomba A Compota", a versão que Nuno Markl fez com os líricos em tradução literal para português.

"French Kiss" Lil' Louis



Tal como nos outros dois temas, uma das principais questões de "French Kiss" envolvia a voz de uma mulher, mas desta vez não foi por causa da dona da voz, mas sim os sons emitidos por essa voz. 
O DJ Marvin Burns foi um dos nomes pioneiros da cena house de Chicago. Em 1987 começou a editar música sob o pseudónimo de Lil' Louis, mas foi em 1989 que uma composição da sua autoria, de nome "French Kiss". Um épico quasi-instrumental com um batida frenética e repetitiva que precisamente a meio vai ficando cada vez mais e mais lenta, e é então aí que entram os sensuais gemidos de uma voz feminina (que decididamente recebeu bem mais que um beijo à francesa). Assim que a voz atinge o clímax e retoma o fôlego, a batida volta a arrancar e acelerar. 

Curiosamente, assim que o tema foi editado em single, foi um sucesso de vendas, mesmo que inicialmente só estivesse disponível a versão de dez minutos (o lado B era outro tema, "Wargames"). E mais curioso ainda, é que "French Kiss" passou nas rádios sem qualquer censura, mesmo com o conteúdo literalmente orgásmico. Até a BBC, que anos antes recusou-se a passar o clássico "Relax" dos Frankie Goes To Hollywood assim que um radalista percebeu o significado da letra, passou a sua própria versão de quatro minutos, com a parte gemida intacta. 
E o mais curioso de tudo, o videoclip era composto por imagens brinquedos de corda e de crianças a brincarem, mais uma vez sem alterações à parte dos gemidos. (Imaginem a revolta se fosse hoje...) 
Era como se as pessoas se recusassem a acreditar no que acabavam de ouvir. 



Entretanto várias versões de "French Kiss" foram disponibilizadas comercialmente, sobretudo uma versão cantada interpretada pela cantora Shawn Christopher.

"French Kiss" foi n.º 1 na Holanda e n.º 2 no Reino Unido, Alemanha, Grécia, Suíça e Espanha.  

Quanto à dona da voz dos gemidos, a sua origem nunca foi revelada. A versão mais consensual é a que foi retirada de um filme pornográfico, mas também existem as teses de que são os vocais alterados de Donna Summer em outro clássico do gemidão, "Love To Love You Baby", ou que terá sido a co-compositora do tema, Karlana Johnson, a providenciá-los.
O single seguinte de Lil' Louis, "I Called U (But You Weren't There)", chegou também ao top 20 do Reino Unido em 1990. Nos anos que seguiram, Lil' Louis continuou activo como DJ e produtor. Se segundo diz a Wikipedia, em 2015 perdeu a audição do ouvido esquerdo durante um teste de som em Manchester quando uma buzina de ar comprimido foi tocada mesmo ao pé dele.   

   

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Carteiras de fósforos "Amor é..."


O simpático casal naturista de "Love Is..." ("Amor é...") criado nos anos 60, conquistou o Mundo na década seguinte e nos anos 80 ainda estavam em todo o lado. A criadora Kim Casali faleceu em 1997 mas a marca continuou, e até hoje a tira diária é publicada em jornais, desenhada por Bill Asprey desde 1975. De modas esta até não é das piores, como aqueles amaldiçoados Pierrots...enfim voltando ao assunto, nestas carteirinhas de fósforos de colecção surgem com o título "Amor é..." ou "Amar é...", porque no lugar da terceira letra está um coração. Podia jurar que sempre tinha lido "O Amor É...", com "O" no inicio. Será um novo Efeito Mandella? (não pesquisem, é o meu conselho...). Tem piada que a maioria dos sites que vi com "Amar é..." são sites do Brasil e poucos encontrei como "Amor é...". Mistérios à parte, como não sou filumenista para adiantar mais detalhes, apreciem estas fofinhas carteiras de fósforos, enviadas pelo leitor Fernando Rosa.


Esta série "Amor é..." da Sociedade Nacional de Fósforos terá pelo menos 11 diferentes. As mensagens destes quatro cartoons em particular são:
1 -  "Amor é...ser a sua beldade na praia"
2 -  "Amor é...esperar ansiosamente por ele"
7 -  "Amor é...pôr-lhe nas costas o óleo de bronzear" 
11 -  "Amor é...preparar-lhe refeições ligeiras".


Nota: O blog Santa Nostalgia regista a presença dos dois títulos em Portugal.
Os nossos agradecimentos ao leitor Fernando Rosa pelas imagens!

quinta-feira, 20 de junho de 2019

"Amores e Rebeldia" (1994-1999) e "Paradise Beach" (1993-94)

por Paulo Neto

Entre as várias séries adolescentes exibidas nos canais nacionais nos anos 90, houve duas séries australianas dedicadas ao público jovem que passaram na RTP1. Uma delas só me lembro de ver um ou outro episódio, a outra sucedeu eu acompanhar com um pouco mais de atenção. Mas curiosamente aquela que eu menos vi, foi a que foi mais popular tanto cá como no país de origem.



"Amores e Rebeldia" (no original "Heartbreak High") foi uma série australiana que teve sete temporadas exibidas naquele país entre 1994 e 1994. A série estreou em Portugal a 18 Janeiro de 1997 e pelo que me recordo, a série dava aos sábados a seguir ao "Top +" e pelo menos as três primeiras temporadas foram exibidas. 
Como já disse, não sei porque motivo, eu não acompanhei a série, mas sei que vários colegas na minha escola viam.
A série era uma spin-off de um filme de 1993, "The Heartbreak Kid" sobre o romance proibido entre uma professora de 22 anos e um aluno de 17, ambos pertencentes à comunidade grega na Austrália. O protagonista do filme, Alex Dimitriades, desempenhou na série uma versão reciclada da sua personagem na série, Nick Poulos.



A acção passava-se no Liceu Hartley, situado numa zona multicultural de Sydney, onde estudam alunos de várias origens. Embora, como o título indica, as tramas principais estavam nas histórias de amores desencontrados dos jovens, mas a série também falava de problemas sérios como as drogas, a criminalidade e os sem-abrigo, bem como o choque cultural dos jovens entre as tradições dos seu países de origem e a vida na Austrália.
No início, o par romântico principal é vivido por Nick e por Jodie Cooper (Abi Tucker), que sonha em ser cantora. Os dois apaixonam-se quase à primeira vista, mas entre as ambições dela e os problemas dele, como a sua revolta pela morte da sua mãe num acidente, existem sempre obstáculos à relação e tudo termina em tragédia, quando no final da primeira temporada, Nick morre num combate de boxe devido a um aneurisma. Outro parzinho é o de Steve Wiley (Corey Page) e Danielle Miller (Emma Roche) que passa por muitos altos e baixos. Danielle é amiga de Rose Malouf (Katherine Halliday) e Chaka Cardenas (Isabella Gutierrez), cujas famílias vieram respectivamente do Líbano e de El Salvador. Peter Rivers (Scott Major) a princípio é o antagonista, mas aos poucos vai mudando de atitude e é ele que vive a história original do filme, ao apaixonar-se por uma professora. 

Nas últimas temporadas, a série passou a focar menos no núcleo escolar e mais na vida fora das aulas dos alunos. Entre as várias mexidas no elenco, destaque para as participações de Simon Baker ("O Mentalista") e Dominic Purcell ("Prison Break"). Callan Mulvey, no papel Bogdan Danzic, foi o actor que entrou em mais episódios, protagonizando as duas últimas temporadas.   
Além de Portugal, "Amores e Rebeldia" foi exibida em mais de trinta países.      




Já "Paradise Beach" durou apenas duas temporadas, apesar das suas ambições de ser um mash-up australiano de "Beverly Hills 90210" e "Marés Vivas", com todos os seus clichés: gente jovem e bonita, cenas de praia, desportos radicais e sequências expressamente filmadas para focar nas curvas esculturais da raparigas e nos músculos dos rapazes. A trama baseava-se na rivalidade (ora amistosa, ora nem tanto) entre dois rapazes da Gold Coast - o louro Sean Hayden (Ingo Rademacher) e o moreno Kirk Barsby (Manu Bennett) - para ver quem era o melhor no surf e em outros desportos e o rapaz mais popular das redondezas. As coisas se complicam quando Sean começa a namorar com Cassie (Kimberley Joseph), a irmã de Kirk e este decide então arrastar a asa a Tori (Megan Connolly), a irmã de Sean. A completar o grupo, geralmente a providenciar os alívios cómicos às tensões, estão a ruivíssima Loretta Taylor (Raelee Hill) e Roy McDermott (John Holding). 




"Paradise Beach" passou na RTP1 de segunda à sexta à tarde durante o Verão de 1997 e eu lembro-me de ver porque nesse Verão, o meu irmão andou a fazer terapia para um problema pulmonar e como ele ainda era novo, eu ia acompanhá-lo ao hospital. Quando chegávamos a casa, costumava estar a dar essa série na televisão e eu ficava a ver. A ideia geral de que me recordo é que a trama era demasiado básica e superficial e as interpretações a dar para o fraco, mas suficiente para entreter o meu eu de dezassete anos. Do elenco também fizeram parte Matt Lattanzi (ex-marido de Olivia Newton-John), Jaason Simons ("Marés Vivas") e uma bem jovem Isla Fisher. Infelizmente, Megan Connolly morreu de overdose em 2001, mas os três outros jovens protagonistas tiveram carreiras bem-sucedidas. Ingo Rademacher tem feito carreira nos Estados Unidos, sobretudo na telenovela "General Hospital", Manu Bennett foi Crixus em "Spartacus" e Azog na trilogia de filmes de "O Hobbit" e Kimberley Joseph é sobretudo conhecida como a hospedeira Cindy Chandler em "Lost". 

Genérico "Amores e Rebeldia" (1.ª temporada)


"Amores e Rebeldia" - excerto do 1.º episódio:


Genérico "Paradise Beach"


Excerto:



          

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Anúncios dos anos 80 - Marcas de hoje, anúncios de outrora

por Paulo Neto

Neste artigo, voltamos a explorar o espólio do canal do YouTube 1980s90stv, que teve o seu auge no tempo da Enciclopédia de Cromos. No artigo anterior, recordámos produtos e marcas existentes dos anos 80 que ou desapareceram completamente do mercado ou já não têm tanto destaque como tinham na altura. Desta vez, vamos recordar anúncios de marcas e produtos que ainda hoje existem, alguns deles com tão ou mais força do que nos anos 80, e (re)descobrir como é que a TV os anunciava então.





 Pelos vistos nos idos de 1985, uma das modas dos anúncios televisivos eram jingles adaptados de conhecidas canções da altura. É o caso destes anúncios da Scheweppes, da 7Up e do desodorizante 8x4 cujos jingles adaptavam respectivamente "Every Breath You Take" dos Police, "Bette Davis Eyes" de Kim Carnes (pareceu-me a voz da Lara Li no jingle?) e "Xanadu" de Olivia Newton-John com os Electric Light Orchestra.



 A cerveja Sagres continua em força, batendo-se eternamente com a Super Bock pelo título da mais popular cerveja nacional. De 1985, vem este anúncio melodramático com jingle a condizer, com o drama de um casal em vias de separação com o homem a sair porta fora e a mulher lavada em lágrimas. Felizmente, logo a seguir dá-se o final feliz com ele a voltar para casa e ela a correr para os seus braços. No entanto, o anúncio termina numa nota algo dúbia com a mulher a olhar para a câmara enquanto segura uma garrafa de cerveja na mão, e embora ela esteja aparentemente feliz e sorridente, não custa nada a imaginar ela a dar-lhe com a garrafa na cabeça, a fazê-lo pagar pelo desgosto.



E já que falamos de cervejas, depois da dicotomia Sagres/Super Bock, a cerveja Cristal será porventura a terceira cerveja nacional mais popular. Em 1985, promovia-se com este anúncio com gente a fazer "rafting" e o slogan "cerveja leve para gente activa"! 





Em 1985 tal como hoje, a Coca-Cola continua a ser amplamente consumida em Portugal e no mundo inteiro. Nos anos 80, o slogan era "Coca-Cola é que é." Primeiro vemos dois anúncio bem veranejos numa praia cheia de gente jovem e bonita. Depois outro alusivo a uma colecção de "Copos Sem Fronteiras" com as várias designações de "Coca-Cola" por esse mundo fora, com cada copo a ser obtido após reunir seis tampas de garrafas de litro. Algum de vós teve estes copos?


Do Brasil vinha este anúncio às Chiclets Adams onde uma beldade do país irmão descreve com subliminar sensualidade o seu consumo das ditas pastilhas.



As origens do licor holandês Pisang Ambon remontam à receita à base de banana de uma antiga destilaria indonésia, quando esse país fora colonizado pelos Países Baixos. Pisang quer dizer banana nas línguas indonésia e malaia e Ambon é a capital de uma província da Indonésia. Apesar de ainda hoje seja consumido por todo o mundo, incluindo em Portugal (embora nos anos 90 houve quem promovesse um boicote ao licor por causa da questão de Timor), este foi o único anúncio televisivo (1988) ao Pisang Ambon que me recordo: num cenário exótico, uma elegante senhora de cabelo curto (que me faz lembrar a cantora Enya) recebe uma garrafa de licor e um bilhete vindo de um homem que a observa a distância com um olhar algo creepy.  



As Ruffles da Matutano continuam a ser uma das marcas de batatas fritas mais populares por cá, mas eu ainda sou do tempo em que batatas fritas com um corte ondulado eram uma surpreendente novidade. Foi em 1987 que as Ruffles chegaram cá e é curioso que inicialmente eram designadas como "Pala-Pala Ruffles", recordando a outra marca clássica. A cereja em cima do bolo era este anúncio super jovem com acrobacias bicicletas e um jingle cantado por dois veteranos deste género: Gustavo Sequeira e Nucha.   



Old Spice continua a ser uma marca líder nos after-shave e durante anos a fio um dos seus bastiões eram os anúncios ao som de "Carmina Burana" de Carl Orff, geralmente envolvendo uma actividade marítima bem viril. É o caso deste anúncio de 1987 com uma homem a fazer surf e uma mulher loura com uma expressão extasiada.  



Para terminar e porque foi anos 80 que começaram a surgir em Portugal os primeiros hipermercados, um anúncio de 1988 do Continente. Na altura, creio que só havia três desta franchise do grupo Sonae: na Amadora, em Matosinhos e em Vila Nova de Gaia. Mas rapidamente foram-se as médias e grandes superfícies comerciais do grupo foram-se massificando um pouco por todo o país. Mas em 1988, o conceito de um supermercado gigante com todo o tipo de produtos era esmagador, ainda para mais com anúncio de encher o olho como este.


Anúncios dos anos 80 - Produtos e marcas desaparecidos (ou quase)

por Paulo Neto

Nos tempos da "Caderneta de Cromos" da Rádio Comercial, o canal do YouTube 1980s90stv era amiúde referido na rubrica pela quantidade de arqueologia audiovisual que disponibilizava de excertos de programas e sobretudo anúncios dos anos 80. No entanto, com o fim da "Caderneta de Cromos", já lá vão sete anos, esse canal deixou de fornecer mais vídeos mas os existente continuam disponíveis para visualização.

Neste artigo, vamos recordar alguns desses vídeos de anúncios desse canal, destacando sobretudo anúncios a produtos e/ou marcas que hoje em dia já desapareceram ou então persistem ainda à venda mas bem longe do fulgor desses tempos.


Em 1983, este anúncio aos televisores Newcolor apregoava ser "o melhor da técnica". Não fosse o facto de ser, como o nome indica, um televisor a cores (Portugal começara a ter emissões de televisão a cores apenas três anos antes) e a música apresentada, e eu até acharia que o modelo apresentado era dos anos 70.


Hoje com as questões de blackface e whiteface, anúncios como este de 1988 ao chocolate "Branco e Negro" da Regina dificilmente seriam feitos. Não sei se cheguei alguma vez a provar este chocolate enquanto ele foi produzido mas acho que uma barra que combinava chocolate branco e chocolate negro ainda seria hoje uma ideia vencedora.


Outro chocolate de efémera vida no mercado foi o chocolate Crown, com este anúncio de 1987 protagonizado por uma alegada jovem dos Alpes.



Quando se pensa em marcas de óleo em Portugal, hoje em dia tal como nos anos 80, pensamos logo nas duas marcas líderes, Fula e Vegê. Mas ao longo dos tempos, outras marcas quiseram desafiar desse domínio binómico. Em 1987, temos o óleo Tianica que como não podia deixar de ser, é ao som de uma versão instrumental de "Tia Anica de Loulé". Em 1988, temos o óleo de amendoim Sol do Campo com garantia de qualidade. Também evocando a sua qualidade (premiada em concurso) em jeito de arraial, eis o óleo Pima em 1985. (Será que estas marcas ainda existem para aí?)
Mas ainda em 1988, e sem nomear uma marca específica, temos este anúncio épico de dois minutos com uma visão do futuro (quiçá do então longínquo ano de 2019?) que elevava o óleo de soja ao "óleo do futuro". Adoro como o computador falante a certa altura perde a compostura para exclamar "Oh, que maionese!". 



Um clássico dos anos 80, as sandálias de plástico coloridas. Havia até quem ia tomar banho à praia com elas calçadas para evitar picadas do peixe-aranha. Eu acho que cheguei ter umas azuis quando eu tinha para aí uns quatro ou cinco anos. Entre os fabricantes deste tipo de calçado estava a Jhol que vencia com este anúncio de 1985 onde várias crianças brincam numa réplica gigante de uma sandália enquanto se ouve o apelativo jingle: "É lindinho, tem cheirinho, é fofinho, Jhol!/ Sapatinhos Jhol é bom!"


Em 1985, os lençóis bordados "Ninho" ("o lençol do lar feliz") tinham um concurso destinado às noivas de Portugal. E estes oito segundos do anúncio deixam tantas questões no ar: que prémios estavam em jogo nesse concurso? Será que os lençóis Ninho eram mesmo um factor importante na felicidade conjugal dos casais portugueses da altura? E seria possível um anúncio assim hoje? 


Dois anúncios a uma marca de vestuário que me recordo dos anos 80: a Traffic. Um de 1985, muito estiloso numa pedreira com modelos em poses dramáticas que a certa altura desatam a fugir sabe-se lá para onde, até pegando bruscamente nas duas crianças ali presentes.
Outro de 1987 que mesclava estáticas americanas dos anos 50 e 80, tendo o filme "Grease" como óbvia inspiração. A minha parte preferida é quando uma das raparigas pretende rebentar à chapada o enorme balão de pastilha elástica que um dos rapazes fabrica.


Outro clássico dos anos 80 e que me recordo ver na minha casa e nas dos meus familiares: as embalagens cúbicas e bicolores do gel de banho Tahiti Duche. E anúncios alegres, coloridos e cheios de belas moçoilas como este de 1985 eram um apelo extra.


Assim que cliquei no play, recordei-me logo deste anúncio ao perfume Audace, em que uma jovem mulher de écharpe azul e vestido cor-de-rosa desperta a atenção de um homem pensativo numa varanda ao som de "I wanna be loved by you" de Marilyn Monroe. 


Como já disse aqui antes, nutro um fascínio forasteiro por anúncios a pensos higiénicos e tampões por serem produtos que eu nunca tive nem alguma vez terei de usar na vida. Na minha casa, apenas a minha mãe era consumidora de tais produtos mas não me recordo de alguma vez ela ter comprado pensos higiénicos da marca Stayfree mas recordo-me de ver as embalagens com uma mulher a correr numa praia nas prateleiras dos supermercados nos anos 80. Quanto este anúncio de 1985 aos "pensos da mulher activa", é daqueles que grita "ESTAMOS NOS ANOS 80, POÇA!". 



 Outro produto que me lembro dos anos 80: a embalagem em forma de sapato de Búfalo Sport, um detergente especial para calçado. A marca Búfalo continua por aí na sua gama de graxas e ceras para calçado, mas nunca mais vi esta icónica embalagem.


 

Em 1985, um marido atrasa um pouco a sua ida para ao trabalho para apreciar mais uma vez a suavidade da pele da sua esposa, devidamente lavada com o sabonete com óleo de amêndoas doces Bedum, perdão, Cadum!


Por acaso lembro-me vagamente na altura de uma marca de produtos para a barba chamada Williams, mas já há décadas que nunca mais vi nada. Fica este simpático anúncio de 1983, onde num convento franciscano, um monge confia na espuma de barbear Williams para deixar a sua careca bem rapada sem cortes. (Outros monges provavelmente usaram outra marca e não tiveram tanta sorte). 




Ainda hoje existem pelo país fora vários contentores destinados à reciclagem de matérias como o vidro, o papel e o plástico (os chamados Ecopontos ou Ilhas Ecológicos). Mas em 1985, Portugal dava os primeiros passos para este processo essencial para a preservação do meio ambiente e foi por essa altura que começaram a surgir no país os primeiros contentores para a reciclagem do vidro, os chamados vidrões, que eram arredondados, bastante avolumados e eram brancos para o vidro transparente e verdes para o vidro tingido desta cor. Nos anos seguintes os vidrões fizeram parte da paisagem urbano-rural nacional até serem substituídos por outros de formato mais moderno e integrados com outros destinados à reciclagem de outros materiais. Para a história fica este anúncio, o primeiro que alertou os portugueses para a reciclagem, com o slogan "vidro velho vira novo". Ó mãe, olhó vidrão!    









Para terminar, ainda hoje existe a Lotaria Nacional, mas tirando a tradicional Lotaria do Natal, não me recordo de fazerem actualmente anúncios televisivos. Porém nos anos 80, havia quase um anúncio todas as semanas dedicados aos mais variados temas. Lembro-me por exemplo de haver lotarias dedicadas a cada um dos signos do Zodíaco. Nestes cinco exemplos acima referidos, temos: a Lotaria de Santo António de 1985 com, como não podia deixar de ser, um manjerico e uma quadra alusiva; a Lotaria Especial de Agosto de 1985 com o actor Carlos Miguel, o eterno "Fininho", com fato de mergulhador à beira de uma piscina; a Lotaria do Verão de 1985 com um alegre casalinho a veranear pela praia (na altura a taluda era de 54 mil contos, uns ainda hoje apetecíveis 270 mil euros); a Lotaria do Coração de 1988 relembrando todas as actividade solidárias da Santa Casa da Misericórdia que os apostadores apoiam ao jogar na lotaria; e para terminar a Lotaria das Férias Grandes de 1988 com um anúncio de animação em que uma família em partida de férias não só fica mais rica ao ganhar a lotaria como se transformam todos em super-heróis (incluindo o gato, o pássaro e o carro!). Será que com 100 mil contos (cerca de 500 mil euros), dá para comprar superpoderes? (Resultou com o Batman!) 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Mulheres Apaixonadas (2003)

por Paulo Neto

Tempo para recordar mais uma telenovela brasileira, neste caso já deste século, e esta foi mais um novelão com um elenco de luxo com mais de cem personagens! Exibida tanto no Brasil como em Portugal ao longo do ano de 2003, "Mulheres Apaixonadas" era mais uma telenovela da autoria de Manoel Carlos, célebre por dar o nome de Helena às protagonistas das suas telenovelas. A Helena desta telenovela foi interpretada por Christiane Torloni, mas ao contrário das outras Helenas, não era uma protagonista muito central, era mais como que o principal elo de ligação entre as várias histórias que exploravam os diferentes papel da mulher na sociedade (outro tema recorrente do autor) e algumas dessas histórias acabaram por ser mais marcantes que o percurso da protagonista.
Para manter a actualidade das temáticas abordadas da telenovela, era frequente algumas cenas serem gravadas no dia em que o respectivo episódio era exibido. 



Helena Moraes (Torloni) é professora de História e directora da Escola Ribeiro Alves, um reputado colégio liceal, casada há vários anos com Téo Ribeiro Alves (Tony Ramos), um músico de jazz com quem adoptou Lucas (Victor Curgula). Mas sob essa aparente felicidade, Helena passa por uma fase de dúvidas em questiona se é realmente feliz. E o reencontro com César Andrade Melo (José Mayer), uma paixão antiga, vai desencadear mudanças na vida de Helena e dos que a rodeiam. Viúvo no início da novela, César é pai de dois filhos, o problemático Rodrigo (Leonardo Miggiorin) e a alegre Marcinha (Pitty Webo), que estuda na Escola Ribeiro Alves. Tem também uma ligação extraconjugal com uma colega da clínica, Laura (Carolina Kasting), que espera que César assuma a relação após a viuvez. Mas a reaproximação entre Helena e César estraga-lhe os planos, e após várias reviravoltas, no final da telenovela, Helena e César casam-se e Téo e Laura acabam por ficar juntos.

Téo (Tony Ramos) e Helena (Christiane Torloni)

Durante este período de mudanças, Helena descobre um segredo de Téo: Lucas é seu filho biológico com Fernanda (Vanessa Garbelli), uma ex-prostituta. A ligação de ambos foi breve mas Téo e Fernanda ficaram amigos e cada um costuma recorrer ao outro quando está com problemas. Fernanda é também mãe da encantadora Salete (Bruna Marquezine), que sente uma ligação especial com Téo e Lucas. Numa das cenas mais marcantes da telenovela, Fernanda morre e Téo fica paraplégico devido a balas perdidas num tiroteio no trânsito, deixando Salete à mercê da sua avó Inês (Manoelita Lustosa), uma mulher pérfida e insensível, que negligencia a neta e que só a acolheu com olho na fortuna de Téo. Mas apoiada por visões do espírito da sua mãe e de anjos, Salete sonha com uma vida melhor e tudo muda quando fica provado que ela também é filha de Téo, que prontamente a assume e que passa a viver com Lucas e Laura. Este foi o primeiro papel da actriz Bruna Marquezine aos oito anos, ela que mais tarde viria a ser uma grande celebridade no Brasil, tanto dentro das novelas, como fora delas, nomeadamente devido à sua relação intermitente com o futebolista Neymar.

César (José Mayer) e Helena (Christiane Torloni)

Laura (Carolina Kasting)

Salete (Bruna Marquezine) e Fernanda (Vanessa Garbelli)


Lorena Ribeiro Alves (Suzana Vieira), irmã de Téo e dona do colégio dirigido por Helena, é uma mulher alegre e de muitas paixões. Tem dois filhos, Diogo (Rodrigo Santoro) e Vidinha (Júlia Almeida) do seu ex-marido Rafael (Cláudio Marzo), com quem continua a se dar bem. Um dia ao encontrar Expedito (Rafael Calomeni), filho do caseiro da sua fazenda, Lorena acaba por viver uma história ao estilo de Pigmaleão, onde ela transforma o jovem provinciano num belo modelo pronto a fazer sucesso no mundo da moda carioca e os dois acabam por se envolver romanticamente.

Lorena (Suzana Vieira) e Expedito (Rafael Calomeni)

Marina (Paloma Duarte)
Diogo (Rodrigo Santoro) e Luciana (Camila Pitanga)

Além de Lucas e Salete, Téo é pai de Luciana (Camila Pitanga), fruto de uma relação com a cantora Pérola (Elisa Lucinda), anterior ao seu casamento com Helena. Luciana é estagiária na clínica de César (com quem terá um breve envolvimento) e foi sempre apaixonada pelo primo Diogo, apesar do rapaz ser um mulherengo bon-vivant. Por isso, Luciana não se conforma quando Diogo aceita casar com Marina (Paloma Duarte) quando esta revela que está grávida dele e as duas chegam a ter várias cenas de briga. Porém o casamento fica logo condenado ao fracasso, sobretudo depois de Marina perder o bebé. Desesperada, Marina acaba por seduzir Expedito, roubando-o à sogra, enquanto Diogo conclui que Luciana foi sempre a mulher da sua vida. Lorena acabará por encontrar consolo nos braços de outro jovem (participação especial de Reynaldo Gianechini).
Na altura em gravava esta telenovela, Rodrigo Santoro fazia sucesso em Hollywood pois nesse ano de 2003, estrearam três filmes em que ele entrou: "Os Anjos de Charlie 2", "300" e "O Amor Acontece."

Hilda (Maria Padilha), Helena (Christiane Torloni)
e Heloísa (Giulia Gama)
Leandro (Eduardo Lago) e Hilda (Maria Padilha)

Helena tem duas irmãs, Hilda (Maria Padilha) e Heloísa (Giulia Gam). As três irmãs são muito unidas e confidentes umas das outras. Hilda vive um casamento longo e feliz com o seu marido Leandro (Eduardo Lago) de quem tem uma filha, Elisa (Gisele Policarpo) e é dona de um delicatessen num hotel de luxo, mas a vida prega-lhe um enorme golpe quando descobre que sofre de cancro da mama. Heloísa é mais problemática das três, já que sofre de ciúmes doentios do marido, Sérgio (Marcelo Antony), acusando-o constantemente de traição e desconfiando de todas as mulheres que se aproximam dele. Apesar dos conselhos das irmãs e das juras de amor e de fidelidade do marido, Heloísa entra numa espiral de obsessão cada vez maior cometendo actos cada vez mais tresloucados e o inevitável acontece: Sérgio acaba por deixá-la e envolve-se com Vidinha. A Heloísa chega a ser internada num hospital psiquiátrico e no fim, só lhe resta fazer terapia num grupo de apoio a mulheres que amam demais.

Heloísa (Giulia Gam) e Sérgio (Marcelo Antony)

Raquel (Helena Ranaldi) e Marcos (Dan Stulbach)


Outra história marcante desta telenovela foi a de Raquel (Helena Ranaldi), vinda de São Paulo para recomeçar a vida no Rio de Janeiro, dando aulas de Educação Física na Escola Ribeiro Alves. Na verdade, ela fugiu do seu marido abusivo, Marcos (Dan Stulbach), que a certa altura vai ter com ela, jurando estar mudado e pedindo reconciliação. Mas cedo se descobre que Marcos não mudou nada e volta a agredir a mulher, tendo uma raquete de ténis como sua arma de eleição. Para complicar as coisas, Raquel tinha-se entretanto envolvido com um dos seus alunos, Fred (Pedro Furtado). Marcos acaba por atrair o rapaz para um emboscada em que ambos morre, deixando Raquel sozinha e grávida de Fred.

Fred (Pedro Furtado)

Cláudio (Erik Marmo) e Edwiges (Carolina Dieckman)
Edwiges (Carolina Dieckman), irmã de Expedito, é uma jovem simpática e dinâmica que se desdobra em vários empregos para ajudar a família. Um deles é a tomar conta de cães e é durante uma situação atribulada que ela conhece Cláudio (Erik Marmo), um amigo de Diogo e os dois rapidamente se apaixonam, vivendo algumas das cenas mais românticas da telenovela ao som de "Velha Infância" dos Tribalistas. No entanto, não só a mãe do rapaz é contra o namoro por a rapariga ser pobre, como Edwiges insiste em manter-se virgem até ao casamento. A moçoila acaba por não resistir às pressões e termina o namoro e Cláudio acaba por ceder aos avanços de Gracinha (Carol Castro), a filha dos empregados da família, que volta e meia arrasta a asa ao rapaz. Gracinha acaba por engravidar, o que complica a vida do rapaz. Mesmo assim no final, Cláudio e Edwiges acabam por casar e a rapariga tem finalmente a sua primeira vez. 

Leopoldo (Oswaldo Louzada), Dóris (Regiane Alves)
e Flora (Carmem Silva)
Dóris (Regiane Alves) e Carlão (Marcos Caruso)

Uma das personagens mais odiadas da telenovela foi Dóris (Regiane Alves), com a qual o autor quis retratar o tema dos maus-tratos a idosos. Furiosa pelo seu pai Carlão (Marcos Caruso), sem dinheiro para pagar um lar, ter decidido acolher os seus pais Leopoldo (Oswaldo Louzada) e Flora (Carmem Silva) no já pequeno apartamento da família, obrigando-a a ter de partilhar um quarto com o irmão Carlinhos (Daniel Zettel), a rapariga maltrata constantemente os avós, chamando-os de estorvos e chegando a roubar-lhes o dinheiro da reforma. Por amor à neta, o casal de idoso esconde tudo do filho e da nora, até que Carlão descobre as patifarias de Dóris e numa das cenas mais marcantes, chega a bater nela com um cinto. No final, Leopoldo e Flora vão para um lar para artistas aposentados.

Por fim, houve a história de amor entre duas alunas do colégio, Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli). Apesar da oposição dos pais da primeira, as duas lutam para assumir a relação e no final, trocam um beijo durante uma actuação de "Romeu e Julieta" no colégio. 

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli)

Outras histórias:
- Santana (Vera Holtz), professora de Geografia na Escola Ribeiro Alves, e os seus problemas de alcoolismo.
- Sílvia (Natália do Valle), mãe de Marina, descontente com a negligência do marido, dá por si num tórrido e hilariante affair com o taxista Caetano (Paulo Coronato).
- Estela (Lavínia Vlasak), prima de Helena e suas irmãs, é uma socialite que vive uma vida de luxo até que reencontra o padre Pedro (Nicola Siri), que lhe dera a primeira comunhão, no casamento de Diogo e Marina e acaba por se apaixonar por ele, levando-a pôr em causa a futilidade com que vivia a sua vida. Embora obviamente ao início o sacerdote recuse os avanços da jovem, mais tarde acabará por lhe corresponder.
- Depois de Dóris e Heloísa, a personagem mais irritante era Paulinha (Ana Roberta Gualda), outra aluna do colégio, sempre de sete pedras na mão, que despreza o pai Oswaldo (Tião D'Avila) por ser o porteiro da escola e que insulta Clara e Rafaela pela sua ligação.

Santana (Vera Holtz)

Sílvia (Natália do Valle) e Caetano (Paulo Coronato)

Estela (Lavínia Vlasak) e Padre Pedro (Nicola Siri)
Paulinha (Ana Roberta Gualda) e Oswaldo (Tião D'Ávila)


Do elenco, ainda fizeram parte nomes como Serafim Gonzales (Onofre), Marly Bueno (Marta), Chaguinha (Ivan), Paulo Figueiredo (Afrânio), Guilhermina Guinle (Rosinha), Walderez de Barros (Alzira) e Regina Braga (Ana). Três dos jovens actores do consagrado filme "A Cidade Do Deus" - Roberta Rodrigues (Zilda), Diego Gonçalves (Jairo) e o já referido Daniel Zettel - estrearam-se aqui em termos de televisão.

O genérico tinha a particularidade de ter várias fotografias de pessoas comuns em cenas familiares. Algumas dessas fotos foram enviadas por telespectadores e chegou a haver 15 versões diferentes do genérico.

"Mulheres Apaixonadas" foi a primeira telenovela da SIC a ser exibida com uma legendagem adaptada para surdos. A autora dessa legendagem era a Prof.ª Maria Auta de Barros, que na altura também leccionava a minha pós-graduação em Legendagem de Audiovisuais na UAL.  

A banda sonora da telenovela teve Rodrigo Santoro na capa da edição brasileira e Carolina Dieckman na da edição portuguesa, que incluía temas de artistas portugueses como Paulo Gonzo, Pedro Miguéis e EZ Special. 


Genérico de abertura:



Tribalistas "Velha Infância" (cenas de Cláudio e Edwiges):




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