sábado, 10 de janeiro de 2015

Lendas da Paixão (1994)

por Paulo Neto

Se hoje em dia é assaz consensual o talento de Brad Pitt como actor, o simples facto de ser abençoado com óptimos genes - que até mesmo hoje, aos 51 anos, lhe garantem lugar irrevogável nas listas dos homens mais sexy do planeta - fez com que durante muito tempo tivesse sido visto apenas como um galã, sex-symbol e ídolo das pitas, tal como sucedera antes com Tom Cruise. Isto apesar do actor natural do estado do Oklahoma ter sempre pautado por escolher frequentemente papéis que fugiam ao rótulo de galã (por exemplo "Clube de Combate", "Sntach - Porcos & Diamantes" ou "Doze Macacos"). 


Embora já tivesse sido notado em filmes como "Thelma & Louise", "Duas Vidas e Um Rio" e sobretudo "Entrevista Com Um Vampiro", é seguro afirmar que o momento em que Pitt se afirmou como uma estrela de Hollywood e sex-symbol mundial foi com o seu desempenho em "Lendas da Paixão", o melodrama de época de 1994, realizado por Edward Zwick e cujo elenco contava também com Anthony Hopkins, Julia Ormond, Aidan Quinn e Henry Thomas, o eterno Elliott de "E.T.", naquele que permanece como o seu mais célebre papel como adulto.





O filme baseado na obra de Jim Harrison, conta a saga da família Ludlow ao longo da primeira metade do século XX. Desiludido com a desconsideração do governo americano para com os índios nativo-americanos, o coronel William Ludlow (Hopkins) assenta residência num rancho em Montana. A sua esposa Isabel (Christina Pickles), mulher citadina, não se adapta à vida no rancho e aos seus agrestes Invernos e acaba por se ir embora. Alfred (Quinn), o filho mais velho é responsável e zeloso enquanto Tristan (Pitt), o do meio, é um espírito bravio e indomável, versado nos costumes ameríndios desde que em pequeno teve um confronto com um urso. Uma das poucas coisas que Alfred e Tristan têm em comum é o amor que nutrem pelo irmão mais novo Samuel (Thomas), que cresce protegido pelo pai e pelos irmãos, levando a que seja um pouco ingénuo apesar de ser o mais instruído dos três.



Quando Samuel regressa ao rancho depois de terminar os seus estudos em Harvard, traz consigo a sua noiva Susannah Fitzcannon (Ormond) uma bonita e simpática jovem de Boston, que acabará por ter um lar longe do seu lar no rancho e no seio dos Ludlow. Apesar do seu amor a Samuel, Susannah sente-se atraída por Tristan. Este será o início de uma teia de paixões cruzadas, tragédias e culpas que atravessará as décadas seguintes, passando pela Primeira Guerra Mundial, a lei seca dos anos 20 e a grande depressão dos anos 30. Para complicar ainda mais o quadrado amoroso de Susannah e dos três irmãos, existe Isabel Two (Karina Lombard), a filha mestiça do capataz dos Ludlow, apaixonada por Tristan desde menina e que ao crescer, se torna numa bela mulher.


Embora sejam notórios alguns tiques de drama épico concebido com olho claramente fisgado nos Óscares, "Lendas da Paixão" é um filme bem-conseguido, graças à competente realização de Edward Zwick e ao bom desempenho de todo o elenco, embora alguns críticos tenham referido que esta é uma das interpretações mais discutíveis da indiscutível carreira de Anthony Hopkins. Apesar das suas ambições e do sucesso comercial, o filme só foi nomeado para três Óscares em 1995 em categorias técnicas, tendo ganho a estatueta para Melhor Fotografia de John Toll, que é de facto belíssima. Mas sem dúvida que quem mais brilhou foi Brad Pitt, assaz competente encarnando o herói constantemente perseguido pela tragédia além de que a imagem da sua personagem com longos cabelos louros e aura virilmente selvagem (e umas quantas cenas sem roupa) o cimentou como o novo eye-candy do público feminino e o maior sex-symbol da década de 90, um estatuto que Pitt sempre teve relutância em aceitar.    

Trailer:
       

    

Capas TV Guia - Parte 6



Capas TV Guia - Parte 6 com os Nº 41 a 48.
Recorde as edições anteriores: Capas TV Guia - Parte 1, Capas TV Guia - Parte 2, Capas TV Guia - Parte 3, Capas TV Guia Parte 4, Capas TV Guia Parte 5.


Curiosamente, nos números 41 e 42, o logotipo da revista perdeu a perspectiva isométrica, e ganhou uma fonte arredondada, mas no número 43 voltou o antigo logo, mntendo no entanto o padrão colorido das duas anteriores, substituindo o logo a duas cores que acompanhava a revista desde o inicio.

TV Guia Nº 41 de 17 a 23 Novembro 1979
Em proeminência na capa deste número, Cândida Gerardo, uma das locutoras da fornada de 1978. Quando publiquei a foto no Facebook pesquisei sem sorte pelo citado "Breakfast in Cascais", mas fui esclarecido pelo leitor Rui Craveiro sobre os britânicos Supertramp que  "até tinham destaque aqui devido ao concerto que iriam dar em Cascais para promoção do álbum "Breakfast in America" (portanto - a TV Guia, aproveitando esse acontecimento, oferecia 50 albums num passatempo):" Tal como no número anterior, uma figura famosa "convida 3 leitores" para um passatempo que desconheço. Desta vez, a figura em questão era Manuela Melo, que Rui Craveiro indica como jornalista, e que surgirá na TV Guia num dos números seguintes. No topo uma chamada de atenção: "as caras mais populares da TV".

TV Guia Nº 42 de 24 a 30 Novembro 1979
Neste número, quem "convida 3 leitores" é o jornalista e escritor Mário Zambujal ( "Pão com Manteiga", "Crónica dos Bons Malandros", "Lá em Casa Tudo Bem"). Mas o passatempo mais vistoso consistia na oferta de 50 albuns do cantor e compositor Carlos Mendes. O álbum escolhido para publicitar o concurso é o ainda recente disco infantil "Jardim Jaleco" (1978). A Caderneta de Cromos abordou esse disco e o programa de TV homónimo no Cromo Nº 509 - Jardim Jaleco [Ouvir/Fazer Download MP3]. É possível ouvir o disco na íntegra aqui. A figura central da capa é Eládio Clímaco, o Sr. Jogos Sem Fronteiras e Festiviais da Canção e Eurovisão; que certamente ganhará um cromo próprio aqui na Enciclopédia. Entretanto, em Dancin' Days, Beto troca Vera por Marisa. Coitada da Vera...
TV Guia Nº 43 de 1 a 7 Dezembro 1979
Na revista dessa semana, os 50 álbuns oferecidos no passatempo eram da cantora luso-suiça Gabriela Schaaf. O seu disco de estreia foi precisamente o que adorna a capa: "Vídeo", com o tema de êxito "Homem muito Brasa". Noutra foto, o Hélio de Dancin' Days e cara familiar de tantas outras novelas, o actor brasileiro Reginaldo Faria, baptizado de Reginaldo Farias (um erro comum da imprensa na época, afirma Rui Craveiro). Ao telefone, na foto maior, a jornalista Manuela Melo (ver número 41) comentou que o programa de informação diário "'País, País' aproximou mais a RTP das pessoas". Ainda nesta revista, "Alice Cruz convida 3 leitores". [A apresentadora Alice Cruz foi o destaque do Nº 40 da TV Guia]

TV Guia Nº 44 de 8 a 14 Dezembro 1979
Os 50 albuns oferecidos neste número da revista foram "José Cid canta Coisas Suas" (1979), que inclui precisamente o tema "Na Cabana junto à praia", com que José Cid levou o bronze ao classificar-se em terceiro lugar no Festival da OTI desse ano (o vencedor foi o argentino Daniel Riolobos com "Cuenta Conmigo"). Ainda podia ler na revista uma entrevista a Sura Berditchevsky, a "Inês" da novela "Dancin' Days", que se afirmava uma mulher independente na vida real. Com direito a foto e tudo, anuncia-se "um dia com <>  de Tal & Qual", o famosa rubrica do programa liderado por Joaquim Letria (a que a TV Guia dedicou o Nº 37).
TV Guia Nº 45 de 15  a 21 Dezembro 1979
A preparar-se para o Natal de 1979, a TV Guia oferecia nesta semana não 50 discos mas 20 cabazes de Natal. Se alguém se recorar do conteúdo do cabaz, partilhe connosco! Em grande destaque na capa, o primeiro filme para cinema dos Marretas, "As Aventuras dos Marretas" (1979), que retrata as primeiras tropelias das personagens criadas por Jim Henson, e que estrou em Portugal nessa semana [trailer]. O tema mais famoso do filme, "The Rainbow Connection" este envolvido nalguma polémica, recordada pelo Rui Craveiro: "a canção em si era a grande favorita para vencer o Oscar de Melhor Canção na altura - mas foi preterida por uma canção vinda do filme "Norma Rae" ("It goes like it goes"), interpretada por Jennifer Warnes ("Up where we belong" em dueto com Joe Cocker para "Oficial e cavalheiro" e "(I've had) the time of my life" em dueto com Bill Medley para "Dança comigo (aka. Dirty Dancing)"). Uma vitória totalmente contestada pelos críticos nesse ano". Além disso, o filme foi recordado na "Caderneta da Cromos Nº 517 - Os Marretas [Ouvir/Download Mp3]". A apresentadora e locutora da RTP Maria Margarida Gaspar ("Domingo á Noite", "Jogos Sem Fronteiras") confessou à TV Guia gostar "de um trabalho variado". O actor Milton Moraes ("Cabocla", "Água Viva", "Rainha da Sucata", etc) considerava o seu personagem de Dancin' Days, Jofre, "o D. Juan da TV Brasileira".
TV Guia Nº 46 de 22 a 28 Dezembro 1979
Em plena semana de Natal, um passatempo que oferecia 600 álbuns "com música variada". Nas capas dos discos que enfeitam a árvore de Natal temos: "Born to be alive" de Patrick Hernandez [vídeo]; "Satisfied" de Rita Coolidge; "Eat to the Beat" dos Blondie, "Campolide" de Sérgio Godinho; "Platinum" de Mike Oldfield [vídeo] e "Blue Kentucky Girl" de Emmylou Harris [vídeo]. Mais detalhes do passatempo aqui.
Recordava-se também o actor e realizador  Charlie Chaplin, o inesquecível Charlot, que "morreu há dois anos" (no dia de Natal de 1977). E na época natalicia não podia faltar a rubrica em que "figuras da TV falam do Natal". Espaço ainda para o "Esturro e Companhia" , apresentado por Fátima Freitas, o fantoche Esturro e a voz off de Maria de Lourdes Modesto, era "...um programa que procura transmitir às crianças aspectos sobre diversos alimentos e as regiões que lhes dizem respeito.". Saiba mais no excelente site "Brinca Brincando".
TV Guia Nº 47 de 29 Dezembro 1979 a 4 de Janeiro 1980
Eis que chegámos a 1980! O maior destaque para Nicolau Breyner com novo projecto, provavelmente a primeira temporada de "Eu Show Nico". A TV Guia estava neste número a oferecer bilhetes para o filme dos Marretas, que falámosdois parágrafos acima. A outra foto é a do actor Gordon Jackson que depois de ser o "mordomo dos <<Bellamy>> é polícia em <<Os Profissionais>>. Essas séries eram respectivamente, "A Família Bellamy"("Upstairs, Downstairs") e "Os Profissionais" ("The Professionals"). Menção ainda para uma entrevista com José Hermano Saraiva.

TV Guia Nº 48 de 5 a 11 de Janeiro 1980
Vamos então analisar a última capa de hoje.O centro do palco está dedicado à actriz brasileira Joana Fomm e a sua persongem Yolanda - aptamente descrita por Rui Craveiro como a antagonista e não a vilã da novela "Dancin' Days" - que na semana a que a revista dizia respeito se divorciou. Ainda na novela: "Desastre mata D. Celina e Anibal. Júlia disposta a casar com Ubirajara.". A foto mais pequena diz respeiro ao telefilme "Mar Livre", um "marco nas produções da RTP". O IMDB tem a indicação de um único membro do elenco: Antonino Solmer. Espaço ainda para uma pequena menção a uma entrevista ao engenheiro Sousa Veloso que "fala da TV Rural".

Leia ou releia as edições anteriores: Capas TV Guia - Parte 1, Capas TV Guia - Parte 2, Capas TV Guia - Parte 3, Capas TV Guia Parte 4, Capas TV Guia Parte 5.

Brevemente, mais capas da TV Guia. Reitero, novamente, o nosso obrigado ao leitor Miguel Meira, que gentilmente enviou o seu precioso espólio de capas, e a todos os leitores que forneceram detalhes importantes sobre os assuntos em discussão!

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Força de Intervenção (1981-82)


"Força de Intervenção" ("Strike Force" no original) foi uma série norte-americana de 1981, que em Portugal passava em 1982-1983 na RTP1, nas sextas à noite a partir de 12 de Novembro de 1982, logo a seguir ao clássico da comédia "Gente Fina É Outra Coisa", em substituição de "Hill Street". A série incluia-se no género "equipa especial que resolve os crimes que mais ninguém consegue". E os criminosos do pior geralmente acabavam falecidos com alergia a chumbo, cortesia desta força da Polícia de Los Angeles. E segundo a Wikipedia, "Strike Force" chegou a ser considerada a série mais violenta na televisão norte-americana na altura.

Além do episódio piloto de 90 minutos de duração, 19 episódios (ou 20 se contarmos o episódio "The Judge" que nunca foi confirmado se foi sequer filmado e que contaria com a participação especial do Dr. McCoy da Star Trek original: DeForest Kelley) foram produzidos para o canal ABC, pela produtora ASP (Aaron Spelling Television - que nos trouxeram, entre outros: "Beverly Hills 902010", "Dinastia", "O Barco do Amor" ou "Os Anjos de Charlie").


Do que vi, parece-me na linha de "Brigada Especial/Special Squad", e a Wiki ainda fala num mix de Dirty Harry e Missão Impossível.

O genérico inicial de "Força de Intervenção":


No elenco Robert Stack ("Aeroplano", a série "The Untouchables") como o incorruptível capitão Frank Murphy, Dorian Harewood ("Vidas Em Jogo", ) como o destemido sargento Paul Strobber, Richard Romanus ("Os Cavaleiros do Asfalto") como o mulherengo tenente Charlie Gunzer, Michael Goodwin como o novato - pelo menos em idade - sargento Mark Osborne, Trisha Noble (a estrela pop adolescente australiana nos ano 60 Patsy Ann Noble, mas com muitas participações em série e filme até recentemente, num cameo no Episódio III da Guerra das Estrelas) no papel da viúva e durona sargento Rosie Johnson e Herbert Edelman ("Crime, disse ela", "Sarilhos com elas") como comissário Herb Klein.



A cena inicial do episódio piloto, com a equipa undercover:



Voltando ao conteúdo violento da série, pesquisando na imprensa da época, no "Diário de Lisboa", além de algumas fotos de promoção, encontrei vários textos pela caneta do critico da casa, Mário Castrim, que como seria de esperar atribui a causa de todos os males da sociedade ás séries provenientes do demónio imperialista americano (os termos são meus, mas basicamente é isso que escorre da prosa de Mário Castrim).

"Os responsáveis da RTP não ignoram que estão induzindo ao crime, como na publicidade estão induzindo à compra."
Diário de Lisboa - 13 Novembro 1983
"Não há interesse que motive a atenção do espectador - o envolvimento inteligente da história, a caracterização dos ambientes, uma certa realidade humana das personagens. Nada. Só a vertigem do crime(...)", resume-se a pouco mais que isto a critica propriamente dita. O resto é o habitual histrionismo e alarmismo mergulhado em propaganda.
Diário de Lisboa - 28 Janeiro 1983
 "E depois admiram-se que as crianças tenham pesadelos"."Posso garantir: a actual programação da RTP é responsável em certa medida pela onde de crimes que por aí vai".
Diário de Lisboa - 12 Fevereiro 1983
Da critica à estrutura de Força de Intervenção "Trata-se de uma série com os rodriguinhos americanos, em pleno. Não exige do telespectador (...) um mínimo esforço de adesão inteligente. Pretende convencer pela brutalidade, pela violência, pela vertigem dos golpes, das perseguições, das agressões" até à generalização vai apenas uns parágrafos: "as séries (...) são conscientemente falsificadoras da realidade."
Diário de Lisboa - 7 Janeiro 1983

Diário de Lisboa - 21 Janeiro 1983
Nota: Na rádio M80, a rubrica "Máquina do Tempo" abordou a "Força de Intervenção" no episódio de 15 de Janeiro, fazendo referência aqui à Enciclopédia de Cromos. Podem ouvir/fazer download do podcast aqui: "Força de Intervenção,uma série do inicio dos anos 80 que passou pela RTP.".


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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Natal na Enciclopédia - Parte 2

 
Mais um Natal que se aproxima, e Enciclopédia de Cromos não podia ficar indiferente. Nos tempos de criança, era época mais esperada do ano. Além de claro não haver aulas, era o tempo de roer as unhas à espera dos presentes, as refeições em familia, etc. E, seguindo o exemplo do Paulo Neto, aproveito este post para desejar a todos os nossos leitores, colaboradores e amigos: Boas Festas!
Como não há dinheiro para prendas, ofereço um apanhado dos artigos relacionados ao Natal que fomos publicando nos últimos dias:


Clássicos do Natal:
Artigos de revistas:

Publicidade:


E os do ano passado: "Natal na Enciclopédia - Parte 1".

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Viagens de Natal (1995)

A revista Maria não propunha apenas prendas ou receitas de Natal aos seus leitores, as dicas também incluiam também destinos de viagens para quem está disposto a "passar com a sua família um Natal diferente do habitual".
As sugestões em 1995 foram as seguintes: Nova Iorque, Paris e Serra da Estrela.

"Nova Iorque, uma das cidades mais famosas"

"Paris, A Cidade-Luz"
"Serra da Estrela: Muita neve e boa comida à portuguesa"

Paris e Nova Iorque nunca visitei, mas a Serra da Estrela foi das viagens mais interessantes que fiz dentro do nosso país, algures nos anos 90. Felizmente, apesar de ser altura de neve conseguimos subir ao topo.

Artigo retirado da revista Maria Nº 893, da semana de 20 a 26 Dezembro de 1995.

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Sugestões de Prendas de Natal (1995)


Hoje é Dia de Reis, quando os nuestros hermanos tradicionalmente trocam os presentes, portanto  vamos ver o que a revista Maria sugeria como ofertas para o Natal de 1995.
O artigo está divido nas secções "Para ela", "Para ele" e "Para os mais pequenos".

"Para ela" - "Ofertas com carinho"
Não surpreendentemente, a maioria das sugestões para as senhoras eram para a casa ou adereços de vestuário. "Objectos pessoais ou para enfeitar a casa, eis uma montra de prendas, entre as quais pode escolher as que quer oferecer à mulher da sua vida". Imagino que o objectivo seria que ela deixasse a revista aberta nesta página ao pé do homem da casa. Discretamente, claro.

(clique sobre a imagem para a aumentar)
 
"Para ele" - "Ofertas com Amor"
Aqui, as sugestões já são mais variadas, passando pela obrigatória gravata, os boxers e perfume. Saúdo a inclusão de um livro!


"Para os mais pequenos"
Para as crianças "existem pequenos presentes que, sem serem muito dispendiosos, fazem as suas alegrias": brinquedos e livros. Vê-se bem que na revista se lembraram que as crianças não gostam de receber roupa!
Livros sugeridos: "Se Eu Fosse Comerciante", "Se Eu Fosse Agricultor","Dinossauros", "Na Floresta", todos da Impala. A nível de brinquedos: o Busto da Barbie, uma Casa com som, Patins em linha com capacete e joelheiras, ursinho guardapeças da LEGO e o carro Dakota.

Artigo retirado da revista Maria Nº 893, da semana de 20 a 26 Dezembro de 1995.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Ana "Laranja, Laranjinha" (1985)

por Paulo Neto

No outro dia, no meio de uma das minhas várias reflexões profundamente estupidificantes, pus-me a pensar que a laranja (tanto a cor como o fruto) proliferou na década de 80. E nem sequer precisava de viver no Algarve, para ter a laranja pluripresente nos meus anos de infância.



Por acaso, até foi fruto que nunca gostei muito - o meu consumo de citrinos raramente foi além de uma ou outra tangerina ou clementina (que também conhecia com a designação "marroquina") de vez em quando - mas os meus pais sempre gostaram muito de laranja, pelo que era presença regular na fruteira lá de casa. Mas em alternativa, nos anos 80, eram inúmeros os sumos e as guloseimas com esse sabor. Recordo-me por exemplo dos sumos em pó como o ainda existente Tang e os desaparecidos Dawa e Clic e do efémero período em que o Super Maxi da Olá teve outros sabores que não o clássico creme de baunilha, incluindo o sabor a laranja.





Depois se olharmos para o futebol nos anos 80, constatamos que a principal figura do Mundial de 1982 em Espanha, é capaz de não ter sido Paolo Rossi que conduziu a Itália à vitória final, muito menos os consagrados Zico e Michel Platini, mas sim a mascote do certame, o Naranjito. Apesar de Portugal não ter participado nesse Mundial, lembro-me de ver o Naranjito em vários sítios e formas: bonecos, autocolantes e porta-chaves e ainda hoje permanece como a mais mítica mascote de um Mundial de Futebol.


Depois em 1988, a selecção holandesa de futebol, de célebre epíteto "a Laranja Mecânica", treinada por Rinus Michels, o mesmo que conduziu a revolucionária selecção holandesa dos anos 70, e onde pontificavam nomes como Frank Rijkaard, Ruud Gullitt e Marco Van Basten, chegava àquele continua a ser o seu único grande título, o do Europeu desse ano que teve lugar na Alemanha.




Falar da cor laranja em Portugal acaba por sempre resvalar no facto desta ser a cor política do PSD. E foi em 1985, que após a ascensão meteórica no congresso dos "laranjas" na Figueira da Foz, que Cavaco Silva chegou a primeiro-ministro da nação, cargo que ocuparia por dez anos.




Tudo isto para falar naquela que é a minha canção preferida da cantora Ana. A cantora nascida em Sintra em 1954 de nome Ana Bela Alves esteve bastante presente nos anos 80. Em 1985, ela já se fizera notar com temas como "Quanto Mais Te Bato" e "Sonha Comigo" e, como era hábito para qualquer cantor da época, marcou presença no Festival da Canção, a saber o de 1983, com o tema "Parabéns, Parabéns a Você", escrito por Luís Jardim (sim, esse mesmo, o júri dos "Ídolos" e de "A Tua Cara Não Me É Estranha") - destacando-se pela sua ginástica vocal e a sua capacidade invulgar para atingir notas agudas. No fundo, podia-se dizer que Ana era a Kate Bush do nacional-cançonetismo.

Mas em 1985, Ana editou um single que tomou de assalto as ondas médias nacionais e que eu não resistia em parar para ouvir assim que soava no éter. "Laranja, Laranjinha" é todo um épico de metáforas cítricas sobre uma trepidante batida electro-pop, onde não podiam faltar os indispensáveis agudos de Ana, que nem a minha vozinha imberbe de cinco anos conseguia reproduzir. Quem não se recorda do refrão:

"Sou laranja, laranjinha 
Tão corada, coradinha
Tenho o Sol do Verão em mim guardado.

Sou laranja, laranjinha
Laranjada tão fresquinha
Para matar a sede ao meu namorado!"

(Vistas bem as coisas, isto podia ser uma declaração de amor entre militantes do PSD!)

Eis Ana a interpretar o tema no programa da RTP "Deixem Passar A Música":


Ao pesquisar para este artigo, vim a descobrir que o tema é na verdade uma versão de um original em italiano, "Abbronzati Dai Miraggi", editado em 1983 pela cantora Giuni Russo, uma diva do pop-rock transalpino que infelizmente faleceu de cancro em 2004. Eis aqui o original:


 

Quanto a Ana, continuou a somar outros êxitos nos anos seguintes como "Tapete Voador", "Isso Já Não Se Faz", "Não Digas Mais Nada" e já nos anos 90, "Filha do Vento" e "Quando a Rádio Toca Esta Canção". Nos últimos anos, a carreira de Ana tem sido bem mais discreto ainda que continue bem activa, cantando pelo país fora. Em 2004, editou um álbum best of para comemorar 25 anos de carreira que incluiu uma gravação actualizada de "Quanto Mais Te Bato".

   

Guia Astrológico do Amor (1995)

Estranhamente, neste inicio de ano, pouco ouvi falar sobre horóscopos, previsões e etc. Por isso, fiquem com um anúncio com os números de 1995 do "Guia Astrológico do Amor". E pensar que 20 anos depois, as revistas e jornais continuam inundadas desta fantochada....

Publicidade retirada da revista Maria Nº 893, da semana de 20 a 26 Dezembro de 1995.

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