sábado, 29 de novembro de 2014

Publicidade da Sumol com cães chamados Alex (1993-1997)

por Paulo Neto



Confesso que nunca fui grande apreciador de Sumol. Embora apreciasse várias bebidas gaseificadas em petiz (não tanto agora) como as colas (nunca tomei partido na rivalidade Coca-Cola/Pepsi), as bebidas de lima-limão (idem aspas Sprite/7Up) e até mesmo a gasosa Rical, quanto a sumos de fruta sempre preferi aqueles sem gás como TriNaranjus ou Sucol aos gaseificados como Sumol e Frisumo. No entanto, a Sumol é daquelas marcas que fazem parte do nosso crescimento, quer pelo consumo propriamente dito. quer pelas várias campanhas de publicidade que apareciam na televisão ao longo dos anos. Já falei aqui em como a minha mãe reparou num doppelganger meu num anúncio da Sumol no Natal de 1987 e o David já relembrou o magnífico brinquedo que podíamos adquirir com três caricas de Sumol e cinquenta escudos.

Já nos anos 90, os dois anúncios mais marcantes da marca dessa década tinham como protagonistas dois cães, ambos chamados Alex.

O primeiro era de 1993 e era um de uma série de anúncios protagonizados pelo mesmo actor (cujo nome não me recordo). Lembro-me que no primeiro deles, o actor fazia de conta que estava a fazer surf mas no fim vinha-se a saber que estava num cenário com uma prancha de surf suspensa. Mas o mais lendário dos anúncios dessa campanha foi sem dúvida aquele em que o actor apresenta um cão chamado Alex que ficava num pé de vento diante da simples visão de latas de Sumol. Porém, o clímax surgia no final quando o actor perguntava-lhe "Certo, Alex?" para depois se ouvir um "Certo!" supostamente vindo da boca do canídeo. Devido a esse anúncio, os rapazes de nome Alexandre decerto tiveram que aturar centenas de vezes gente que lhes vinha dizer: "Certo, Alex?"


Quatro anos, foi a vez de outro cão chamado Alex protagonizar outro anúncio. Na praia, depois de um rapaz (um então desconhecido Diogo Morgado) atirar um pau para que o cão dele o possa trazer de volta, o outro rapaz mostra uma lata de Sumol ao seu próprio cão e diz-lhe: "Alex, busca!" Então o animal lança-se num percurso desenfreado de regressa a casa do rapaz, apanhando diversos transportes públicos no caminho, regressando à praia com duas latas de Sumol só para que o dono lhe aponte uma máquina onde se vendem latas do dita bebida, deixando o pobre Alex desmaiado com o choque e o esforço.

 

E uma vez mais, os Alexandres da altura foram forçados a ouvir "Alex, busca!" milhentas vezes.



  

Capas TV Guia - Parte 4


A Enciclopédia de Cromos volta à carga com mais uma dose de capas vintage da revista "TV Guia"! Nesta quarta entrega, vamos ver as capas dos Nº 25 a 32.

"TV Guia" Nº 25 [28 de Julho a 3 de Agosto 1979]
Uma espectacular capa com destaque para o filme "Moonraker" (em Portugal "007 - Aventura No Espaço") o quarto filme protagonizado por Roger Moore no papel do espião mais famoso de todos os tempos. Moore ainda voltaria a encarnar James Bond mais 3 vezes. Nota de "Ultima Hora" para a decisão do Governo de utilizar o sistema PAL (Phase Alternating Line) para a TV a Cores em Portugal. [Mais detalhes.] Ainda menção á "nova série das 4ªs feiras na RTP 1", "Serpico" que já abordamos na Parte 3. E na RTP 2 "a série policial de Outubro", a mítica "Zé Gato" (melhor que o título previsto: "Um Gato no Caixote do Lixo") protagonizada por Orlando Costa, Zé Gato himself. Segundo a Wikipedia, foi dos primeiros programas destinados a promover a RTP 2 como uma canal autónomo e não apenas um canal de repetições.
"TV Guia" Nº 26 [ 4 a 10 de Agosto 1979]
As emissões regulares a cores só começaram no ano seguinte (com o Festival da Canção de 1980 ) mas anuncia-se "RTP com cor e melhor equipamento" nas emissões experimentais que avançariam no mês seguinte com os Jogos Sem Fronteiras a cores ( apresentados por Eládio Clímaco e Fialho Gouveia, na Praça de Touros de Cascais). Sobre os Jogos sem Fronteiras dessa semana: "Funchal <> para Bona". E a pergunta no topo: "Teledramáticos: O  que são?". Apesar de ser um termo (geralmetne pejorativo) muito utilizado para classificar desde sitcoms a telenovelas, apurei que podemos definir "teledramáticos" como "telefilmes" ou melhor, um tipo de série de telefilmes "reagrupando os episódios sob um mesmo tema". Maria Elisa, na RTP desde 1973, onde entrou como locutora, fixando-se depois na área da informação, nomeadamente em entrevistas. A capa desta revista "do Lumiar para S. Bento", faz referência à jornalista ter sido nesse ano a porta-voz do Governo de curta-duração encabeçado por Maria de Lourdes Pintasilgo
"TV Guia" Nº 27 [ 11 a 17 de Agosto 1979]
Quando publiquei esta capa no Facebook da Enciclopédia, tivemos direito a um comentário da própria retratada: Fátima Medina, uma das caras mais famosas da TV nacional, tendo a apresentadora dedicado quase três décadas a trabalhar na RTP, onde entrou no concurso de locutores de 1978 (Margarida Mercês de Melo, Fernanda Bizarro, Helena Ramos, Manuela Moura Guedes, Teresa Cruz, Isabel Bahia,...). Veja um vídeo recente da SIC que recorda a carreira: "Fátima Medina, uma cara da televisão".   
"TV Guia" Nº 28 [ 18 a 24 de Agosto 1979]
Dominando a capa duas figuras sorridentes: Herman José e Sandra Barsotti, juntos em "Música e Mergulhos". Até ao momento não encontrei informação sobre esse programa (?). Se algúm leitor de boa memória quiser partilhar, agradecemos! Herman José dispensa apresentações, e  Sandra Barsotti é uma actriz brasileira  famosa nos anos 70 pelas participações no género cinematográfico de "pornochanchada" (filmes eróticos ou pornográficos geralmente com grande dose de comédia) e que em Portugal era conhecida do pequeno ecrã como uma das protagonistas da telenovela de sucesso "O Casarão".
Na foto mais pequena "Will Shakespeare" (Life of Shakespeare / William Shakespeare: His Life & Times) mini-série de 1978, co-produzida entre o Reino Unido e a Itália, e protagonizada por Tim Curry. Cada episódio era uma dramatização do processo de criação de uma das famosas peças do bardo. Assinala-se também o sétimo aniversário da RTP Madeira.
"TV Guia" Nº 29 [ 25 a 31 de Agosto 1979]
Grande destaque para a locutora da RTP Isabel Bahia (foi uma das figuras públicas que em 1984 recordou o seu melhor Natal na revista Maria). O famoso escritor brasileiro Jorge Amado, que nas ultimas décadas viu tantos trabalhos seus adaptados à televisão, cinema e teatro, falou em 1979 com a TV Guia sobre telenovelas, sem dúvida abordando o ainda recente êxito de "Gabriela". Dez anos depois desta entrevista outro grande sucesso foi adaptado na novela "Tieta".
Num canto: "Jogos de Verão" (não confundir com o concurso homónimo de 1989)
"TV Guia" Nº 30 [ 1 a 7 de Setembro 1979]
Uma personalidade incontornável da TV nacional: Fialho Gouveia "o impulsionador dos 'Jogos' de Cascais", que - indica o leitor Rui Craveiro, se refere à "8ª e última emissão dos Jogos Sem Fronteiras 1979 realizada em Cascais - antes da finalíssima em Bordéus, França". Na foto pequena "a última revelação do 'Écran Mágico', o concurso sobre cinema que já falámos antes.

"TV Guia" Nº 31 [ 8 a 14 de Setembro 1979]
Outra figura incontornável do espectaculo português, desta feita na área musical: a lendária Simone de Oliveira. "Uma mulher chamada Simone". Sobre este  programa apenas encontrei menção numa biografia do escritor António Gomes D'Almeida: Guião de 12 programas para a RTP, de parceria com Varela Silva e Rogério Bracinha: “Uma Mulher chamada Simone". Varela Silva era actor e marido de Simone. Em sites como o IMDB, e a Wikipédia, no ano de 1979, o único programa atribuído a Simone é "O Espelho dos Acácios" (comédia com nomes como Nicolau Breyner, Camilo de Oliveira, etc). Curiosamente, em 2003 foi lançada uma biografia da cantora: "Um País Chamado Simone". "Santo Antero - Vida e Obra de Antero de Quental" prevista estrear em Outubro de 1979 (Ver recorte).
"TV Guia" Nº 32 [ 15 a 21 de Setembro 1979]
Duas lendas do pequeno ecrán, uma do Brasil outra de Portugal: Jô Soares e Vasco Granja. O primeiro regressa com "Planeta dos Homens" e Vasco Granja é descrito como "animador" de crianças e adultos. Num canto da revista pode-se ler a interrogação: "Nova telenovela a cores já em Outubro?", que era o futuro êxito "Dancin' Days" (1978-79). Podem ler algumas curiosidades sobre a emissão da novela aqui, cortesia do leitor Rui Craveiro.




Para breve, mais capas da TV Guia! Novamente, agradecimentos ao leitor Miguel Meira, que gentilmente nos enviou o seu espólio de capas desta revista, e claro, aos outros leitores que forneceram detalhes importantes sobre os assuntos em discussão!

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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

As Gémeas Voltam Ao Colégio (1982)


"Todas as amigas da Lilly já leram os livros da Colecção Gémeas". A Lilly que é mencionada no anúncio é a amiguinha do Sport-Billy.
Há uns anos aproveitei uma feira das velharias para adquirir por uma pechincha cinco livros da autora Enid Blyton. Não conhecia os títulos, mas imaginava algo na linha de "Os Cinco" ou "A Aventura". Afinal, "O Colégio das Quatro Torres" ("Malory Towers") não era bem o que eu estava à espera. Basicamente, é Hogwarts sem magia, dragões, vilões e Harry Potter. E pela descrição dos livros, a anterior série de livros "As Gémeas no Colégio de Santa Clara" ("The Twins At St. Clare's") é dentro do mesmo género: raparigas a serem educadas em colégios internos para serem exemplares senhoras. Ao contrário das publicidades anteriores Editoral Notícias aos "Os Cinco" e "Os Sete", esta "Colecção Gémeas" não é constituida por extensão póstumas escritas por outros autores, mas da própria Enid Blyton. No original, foram publicados 6 livros, entre 1941 e 1945. Já no século XXI, mais três titulos foram escritos por Pamela Cox.

  1. "As Gémeas no Colégio de Santa Clara" ("The Twins At St. Clare's" - 1941)
  2. "As Gémeas Voltam ao Colégio" ("The O'Sullivan Twins" - 1942)
  3. "O 3º Período em Santa Clara" ("Summer Term at St. Clare's" - 1943)
  4. "O Segundo Ano no Colégio de Stª Clara" ("Second Form at St. Clare's" - 1944)
  5. "Claudina no Colégio de Santa Clara" ("Claudine at St.Clare's" - 1944)
  6. "Cinco Raparigas de Stª Clara" ("Fifth Formers at St. Clare's" - 1945)

Capa do Nº 2: "As Gémeas Voltam ao Colégio":
Como o meu colega Paulo Neto bem em recordou, também passou nos nossos pequenos ecrãs a série de anime inspirada nos livros, "As Gémeas de Santa Clara":
O genérico da altura da exibição do Canal 1, em 1994, um par de anos depois da estreia da RTP2:


Anúncio retirado da revista "Sport Billy" Nº 5 (de 1982). Imagem editada por Enciclopédia de Cromos. Créditos ao uploader original.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Sport-Billy - Cadernos Escolares (1982)


A franquia "Sport-Billy" nasceu na banda desenhada, mas ao ser desenvolvida a série animada foi criado um enorme sucesso na primeira metade dos anos 80. Todo o tipo de merchandising foi comercializado, incluindo os obrigatórios calendários, cromos e também estes caderno escolares, para os míudos poderem levar para a escola o seu personagem favorito e exibi-lo aos outros colegas. A imagem acima é, basicamente, a capa de um dos cadernos, com o personagem título, Sport-Billy, a acelerar num carros de Fórmula 1.
Entretanto, consegui encontrar online os ditos cadernos escolares com oito capas diferentes, cada qual com a sua modalidade desportiva:
Podem ver também esta colecção de 8 cadernos no blog "O Brinquedo Antigo":

 Vela, Equitação, Mergulho e Asa Delta:
"O Brinquedo Antigo"
Escalada, Fórmula 1, Judo e Windsurf:
"O Brinquedo Antigo"
Se me enganei a nomear os desportos não se zanguem, para mim desporto é chinês...

Segundo o blog, a colecção é da Firmo, dimensões A5, datados de 1981.

Anúncio retirado da revista "Sport Billy" Nº 7 (de 1982). Imagem editada por Enciclopédia de Cromos. Créditos ao uploader original.

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terça-feira, 25 de novembro de 2014

"Love Changes (Everything)" Climie Fisher (1987)

por Paulo Neto

Existem várias músicas dos anos 80 que ainda ouço com o mesmo prazer que as ouvia na altura. É o caso desta, o maior êxito do duo britânico Climie Fisher composto por Simon Climie e Rob Fisher. Os dois conheceram-se em 1986 nos célebres estúdios Abbey Road em Londres, quando tocavam para outros grupos. Decidiram então enveredar por um projecto comum e em 1987 editaram o álbum "Everything". O sucesso surgiu devido a dois factores: Simon Climie alcançou um grande hit como compositor de "I Knew You Were Waiting For Me", um dueto entre George Michael e Aretha Franklin que foi n.º1 em vários países, e o quarto single do grupo, "Rise To The Occasion", finalmente lhes deu alguma notoriedade, sobretudo devido a um remix hip hop da faixa, alcançando algum sucesso internacional, sobretudo na África do Sul onde foi n.º 1.    


"Love Changes (Everything)" tinha sido o segundo single do duo mas tinha passado despercebido. Porém após "Rise To The Occasion", uma nova versão foi editada em 1988 e rapidamente tornou-se um clássico dos anos 80. Na canção, Simon Climie canta que aos dezassete anos, o que parecia ser uma curte fugaz tornou-se um paixão de caixão à cova e aí descobriu como o amor tem tanto de maravilhoso como de lixado (para não dizer o termo escolhido por Miguel Esteves Cardoso). E para a história ficou o refrão que sintetiza tudo, polvilhado com uns inesquecíveis "tu-ruu-ruu-ruu-ruu-tum":

"Love changes, changes everything,
Love makes you fly and breaks your wings.
Love changes, changes everything,
Love makes the rules from fools to kings.
Love changes, love changes everything."  

O respectivo videoclip a preto e branco também é sobejamente conhecido, cheio de imagens icónicas como o rapazinho da bateria, as cantoras do coro - uma negra com turbante e blusão de ganga e outra caucasiana com um corpete e mini saia, a modelo de vestido preto com uma menininha loura pela mão e sobretudo Simon Climie cantar segurando uma toalha enrolada com ambas as mãos. Pelo vídeo é notório que Simon Climie assumia claramente o protagonismo na banda enquanto Rob Fisher contentava-se com um foco mais secundário, normalmente escondido atrás de óculos escuros. "Love Changes (Everything)" esteve no top 10 de vários países e foi o único hit da banda nos Estados Unidos. Ganhou também o prestigiado prémio Ivor Novello. 



Ainda nesse ano, como era habitual com todos os hits da época, os Ministars também versionaram o tema para o álbum "É Altamente" com o título "Nave Azul". Infelizmente não encontrei na net essa versão mas lembro-me do refrão: "Já fomos argonautas, hoje somos astronautas, fazemos descobertas, galáxias incertas, ilhas desertas, já fomos argonautas" e que o disco, que recebi no Natal de 1988, tinha também uma versão instrumental de "Nave Azul" para que pudéssemos cantar em karaoke avant-la-lettre.

Quanto aos Climie Fisher, seguiram-se mais uns quantos singles mas que ficaram aquém das expectativas e após o fracasso do segundo álbum, Simon e Rob seguiram caminhos separados e passaram a compor para outras pessoas. Rob Fisher compôs para nomes como Rick Astley mas em 1999, faleceu aos 42 anos de cancro nos intestinos. Simon Climie ainda grava ocasionalmente álbuns a solo mas obteve mais sucesso como compositor e produtor, trabalhando com artistas como Eric Clapton, B.B. King, Rod Stewart, Lara Fabian e Michael McDonald.

Uma versão de dança de "Love Changes (Everything)" teve algum sucesso em 2004 nos países nórdicos. A versão original foi incluída no jogo "Grand Theft Auto IV".

    


  

  

domingo, 23 de novembro de 2014

Cicciolina na Assembleia da República (1987)



A Internet é mesmo um reservatório de memórias! Recentemente deparei-me com este vídeo da comunidade de Facebook "Tesouros da TV Portuguesa". Estou chocado - não pela exibição dos seios de Cicciolina (aka Ilona Staller, aka Elena Anna Staller), a na altura deputada do italiano Partido Radical - mas por não ter memória deste evento! Em 1987, tinha apenas 8 anos, mas já era um míudo atento aos assuntos da vida política. Basta ver que no ano anterior rabisquei a porta de casa com slogans das campanhas de Mário Soares e "Foreitas" do Amaral. Espero sinceramente que me tenham dado umas bolachadas por causa disso.

O Palácio de S. Bento, a casa da Assembleia da República Portuguesa tem sido palco das mais diversas situações além de debates, tais como discussões acesas, ministros a fazerem corninhos, anedotas de gosto duvidoso, mas em 19 de Novembro de 1987, deve ter sido a primeira e última vez que seios foram descobertos em público (embora fora da câmara principal) qual  versão mais atrevida do busto da república francesa (ou mesmo da portuguesa).



A deputada poetisa Natália Correia não perdeu a oportunidade de dedicar um poema ao acontecimento e o seu impacto na ala mais conservadora e púdica da política portuguesa. Encontrei o texto no blog "Folha de Poesia":
"Estava o Parlamento em tédio morno
Do Processo Penal a lei moendo
Quando carnal a deputada porno
Entra em S. Bento. Horror! Caso tremendo!

Leda à tribuna dos solenes sobe
A lasciva onorevole Cicciolina
E seus pares saudando ali descobre
O botão rosado da tettina.

Para que dos pais da Pátria o pudor vença,
Do castro bracarense o verbo chispa:
«Cesse a sessão em nome da decência
Antes que a Messalina mais se dispa.»

Mas - ó partidas que prega a estatuária! -
Que fazer no hemiciclo avesso ao nu
Ali ostenta sem pudor nenhum?

Eis que o demo-cristão então concebe
As vergonhas velar da escultura.
Honesta inspiração do céu recebe
E moção apresenta de censura:

«Poupado seja à nudez viciosa
O olhar parlamentar votado ao bem.
Da estátua tapem-se as partes vergonhosas.
Ponham-lhe cuequinhas e soutiens.»"

Cicciolina abraça Natália Correia

As provas do "crime":


A "Rua Sésamo" podia ter usado as imagens para ensinar a contar:

Ou então se calhar, não...

Provavelmente o dia mais excitante da vida da Assembleia da República.

Naturalmente, a imprensa agarrou a história.
Uma reportagem da RTP, com as imagens 'ao vivo' e a cores, não censuradas:


E na imprensa escrita, uma descrição dos acontecimentos protagonizados pela "pornodeputada" e o "jogo do empurra" sobre a responsabilidade do convite que deu origem a esta "pedrada no marasmo da sessão":
"Diário de Lisboa" [20 Novembro 1987]
"Diário de Lisboa" [20 Novembro 1987]
A visita a Portugal devia-se à outra carreira de Cicciolina, a de cantora, com actuação no Coliseu dos Recreios,e a imprensa também lhe dedica algumas palavras: "Cicciolina descobre: homens portugueses são muito tímidos."
"Diário de Lisboa" [20 Novembro 1987]
"Diário de Lisboa" [21 Novembro 1987]
 Tenho pena do sentinela, que nem pode olhar...


Actualização: Enquanto Cicciolina se encontrava por terras de Camões, ainda participou no programa "Já Está", exibido na RTP2 dia 26 de Novembro de 1987:


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sábado, 22 de novembro de 2014

Socidel (1982)

Curiosamente, nos desenhos é um homem de idade que pratica as modalidades normalmente associadas com a juventude radical, publicado numa revista direccionada aos mais jovens.
"Presente em todas as modalidades desportivas"




Veja também:


Anúncio retirado das revista "Sport Billy" Nº 8 (de 1982). Imagem editada por Enciclopédia de Cromos. Créditos ao uploader original.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Tintin On The Moon - Spectrum (1989)


Livremente baseada nas bandas desenhadas "Objectivo Lua" ("Objectif Lune") e "Explorando a Lua" ("On a marché sur la Lune") das famosas aventuras de Tintin, este videojogo "Tintin On The Moon" foi lançado em 1989 para a plataforma Spectrum. Os títulos são auto-explicativos, mas basicamente, Tintin - o herói criado por Hergé - tem que salvar os seus amigos, prisioneiros do Coronel Jorgen. E para cumprir o objectivo, Tintin tem que chegar à Lua, ultrapassando obstáculos como asteróides e naves inimigas na primeira fase estilo shoot-em up, seguido por uma fase ao estilo plataforma. Para mais detalhes, vejam o video mais abaixo.

A capa frontal da caixa do jogo:

Junto á caixa, as instruções e a cassete com o jogo propriamente dita:


Vídeo do decorrer do jogo:


O site "World Of Spectrum" tem uma página dedicada ao jogo, com detalhes técnicos, ficheiros para download e recortes da imprensa e publicidade:"WOS - Tintin On The Moon"

Estas imagens foram capturadas e enviadas pelo meu caro sócio do CINE31, o Bruno Duarte, ao qual agradeço! Recordo novamente o site dele, o Grand Temple, onde o Bruno fala de cinema e tem "Videos Caseiros de Qualidade Duvidosa". True story!

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Armazéns do Chiado (1982)

Neste anúncio de 1982, os "Armazéns do Chiado" tentam alcançar o público mais jovem (visto que é uma revista de BD para os mais novos) com uma linguagem mais directa e "moderna". Nada contra, mas parece um velhote a tentar ser fixe à força: "Olá Juventude! Convidamo-los a virem à descoberta dos Armazéns do Chiado, temos tantas coisas giras para vocês". Pontos pela utilização de "coisas giras"! Entre essas coisas giras constam: vestuário, calçado, fatos de treino, tudo para desporto, relógios, fabulosa discoteca, modernas capas para chuva, jogos e brinquedos. Segue-se um alerta: "ATENÇÃO! Aproxima-se a abertura das aulas, nós já estamos preparados para os receber" E rematam: "Venham até cá. Os preços do Chiado também são para vocês!"

Anúncio retirado da revista "Sport Billy" Nº 6 (de 1982). Imagem editada por Enciclopédia de Cromos. Créditos ao uploader original.

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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dragão 5 (1982)



Tenho ideia de ter lido na minha adolescência algum dos títulos desta colecção "Dragão 5", o que era inevitável, visto a minha obsessão com ficção-científica. Esta série de novelas de "aventuras no espaço" direccionadas às crianças, têm o título original de "Dragonfall 5" e foram escritas pelo britânico Brian Earshaw entre 1972 e 1979. As capas foram ilustradas por Simon Stern, segundo a Wikipedia e a Rede de Bibliotecas de Lisboa. Acredito, apesar de as ilustrações em inglês de edições diferentes terem um estilos de ilustração completamente diferente. A capa acima é de "Dragão 5 no planeta das florestas".
O assunto dos livros? Basicamente, uma familia de quatro humanos e suas mascotes viajam a bordo do "Dragão 5", uma velharia em forma de nave, que usam para transporte de bens e passageiros entre vários planetas. Presumo que devido a acontecimentos inesperados, surjam aventuras!

Este anúncio usa os heróis da própria revista do Sport Billy, que é um herói extraterrestre, para recomendar esta colecção: "Giríssima! Já li os quatro primeiro títulos, e sei que vão publicar mais!". E os números publicados estão listados a seguir:
"Dragão 5 e o Planeta Deserto" - Dragonfall 5 and the Empty Planet (1976)
"Dragão 5 e os Raptores"- Dragonfall 5 and the Hijackers (1979)
"Dragão 5 e os Cow-Boys do Espaço" - Dragonfall 5 and the Space Cowboys (1972)
"Dragão 5 no Planeta das Florestas" - Dragonfall 5 and the Royal Beast (1972)

Posteriormente a este anúncio e como previsto pelo Sport Billy, os restante livros foram traduzidos para a língua portuguesa:
"Dragão 5 e o master mind" - Dragonfall 5 and the Master Mind (1975)
"Dragão 5 e o Super Cavalo" - Dragonfall 5 and the Super Horse (1977)
"Dragão 5 e o mundo assombrado" - Dragonfall 5 and the Haunted World (1979)

Anúncios retirado das revistas "Sport Billy" Nº 2 e 7 (de 1982). Imagens editadas por Enciclopédia de Cromos. Créditos ao uploader original.

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terça-feira, 18 de novembro de 2014

A Minha Madrasta É Um Extraterrestre (1988)

por Paulo Neto

Custa a acreditar que Kim Basinger já é sexagenária. Não só porque não está nada mal para alguém prestes a soprar 61 velas como todo o seu legado de sensualidade que espalhou ao longo dos anos 80 e início dos anos 90 ainda permanece bem vivo no imaginário colectivo.
Mas se é verdade que Basinger tornou-se um ícone de sensualidade graças a filmes como "Desejos Finais", "Sem Perdão" e sobretudo "Nove Semanas e Meia", também ela soube subverter essa imagem para a comédia como é o caso de "Encontro Inesquecível" como a parceira de encontro de Bruce Willis sem nenhuma tolerância ao álcool e "Esta Loira Mata-Me" e o seu divertido casa-descasa com Alec Baldwin (algo que seria semi-premonitório para ambos).



Porém o momento mais cómico de Kim Basinger será porventura o seu papel em "A Minha Madrasta É Um Extraterrestre", filme de 1988, realizado por Richard Benjamin com Dan Aykroyd, Jon Lovitz e uma bem jovem Alyson Hannigan.
Steven Mills (Aykroyd) é um cientista viúvo que trabalha num projecto que envia ondas sonoras para o espaço. Uma dessas emissões atinge um planeta longínquo, desestabilizando a gravidade. Os regentes do planeta decidem enviar Celeste (Basinger) à Terra para investigar se essa emissão foi um ataque terrestre. Para ajudá-la Celeste tem consigo uma mala que contém uma estranha criatura com um olho num tentáculo que lhe transmite a informação e é capaz de criar instantaneamente objectos como roupas ou diamantes. 


Steven fica apaixonado por Celeste mal a vê na festa do seu irmão Ron (Lovitz) que é obcecado pela Princesa Stephanie do Mónaco. De tal modo que nem estranha o facto de ela só fazer referências a filmes e programas antigos e que pareça não saber coisas tão elementares como beijar ou cozinhar. Por seu turno, a própria Celeste também deixa-se encantar por Steven e pelas sensações humanas como o amor, o sexo e os espirros, que não existem no seu planeta, e aceita casar-se com ele, esquecendo a sua missão.
Quem não fica muito satisfeita é Jessie (Hannigan), a filha de Steven, não só por ver o pai apaixonado por outra mulher que não a mãe mas sobretudo porque apanha Celeste a fazer coisas incríveis como ler livros com o braço, beber óleo de baterias de carros ou tirar ovos cozidos de uma panela a ferver sem se queimar. Jessie tenta em vão avisar o pai de que Celeste não é o que parece.
Steven só acredita na filha quando Celeste usa os seus poderes para a salvar, pouco depois Celeste pede-lhe ajuda para convencer os seus superiores a não destruírem a Terra...


Do elenco fazem parte também uns bem jovenzinhos Seth Green e Juliette Lewis.



Apesar de ter ficado aquém do esperado no EUA, o filme acabou por conhecer mais sucesso internacionalmente. Em Portugal, a sua edição em vídeo foi campeã de alugueres e ainda hoje "A Minha Madrasta É Um Extraterrestre" se vê com agrado e piada. 

Trailer:


A cena de sexo:



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