segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Uma Mulher de Sucesso (1988)

por Paulo Neto

Os anos 80 foram por excelência os anos do capitalismo e não é de estranhar que ao longo da década Hollywood tenha virado as suas atenções para o santuário dessa quasi-religião, Wall Street em Nova Iorque. A começar no oscarizado filme precisamente intitulado "Wall Street" (1987) e passando por outras variações mais cómicas como  "O Segredo do Meu Sucesso" (1987). Mas em 1988, o universo de Wall Street foi abordado com uma perspectiva feminina em "Uma Mulher de Sucesso" ("Working Girl") realizado por Mike Nichols e protagonizado por Melanie Griffith, Harrison Ford e Sigourney Weaver.


Tess McGill (Melanie Griffith) é uma secretária de Staten Island que trabalha para um corretor que sonha com um cargo executivo. Depois de se envolver numa situação comprometedora ao recusar os avanços do amigo do seu patrão, Tess passa a trabalhar para Katherine Parker (Sigourney Weaver). Quando Katherine parte a pena a esquiar, Tess aceita olhar pela sua casa e descobre que a sua chefe, aparentemente tão amiga e incentivadora, afinal planeia usar uma das ideias de Tess para um grande negócio como se fosse sua. E para piorar ainda a situação, Tess apanha o seu namorado Mick (Alec Baldwin) na cama com outra.


Tess decide então mudar de visual e usar a ausência e as conexões de Katherine para defender a sua própria ideia. Pelo caminho e por entre situações embaraçosas, ela acaba por se envolver tanto pessoal como profissionalmente com Jack Trainer (Harrison Ford), que teve um caso mal resolvido com Katherine. Esta, quando regressa, descobre os planos de Tess e acusa-a de ser uma impostora. Mas quando tudo parece perdido, Tess tem uma inesperada oportunidade de se defender, de desmascarar Katherine e de alcançar os seus sonhos.


O elenco ainda inclui nomes sonantes como Joan Cusack no papel de Cynthia, a melhor amiga de Tess, personagem cujo penteado e roupas define os anos 80, Oliver Platt, Kevin Spacey, Olympia Dukakis e David Duchovny

Com a sua equilibrada mistura de drama, comédia e romance e hábil realização de Mike Nichols, "Uma Mulher de Sucesso" foi um êxito na bilheteira e na crítica. Venceu quatro Globos de Ouro e foi nomeado para seis Óscares - incluindo nomeações para Griffith, Cusack e Weaver (que nesse ano também foi nomeada em "Gorilas na Bruma") - tendo somente ganho o de Melhor Canção, "Let the River Run", escrito e interpretado por Carly Simon, um tema que ilustre a excelente sequência inicial dos trabalhadores de Staten Island na sua comuta diária de ferryboat até aos seus empregos em Manhattan. Em Portugal, foi campeão de alugueres nos clubes de vídeo e teve honras de exibição na RTP na mítica "Sessão da Noite", o mítico espaço cinematográfico de sextas à noite no início dos anos 90.

Trailer:

   

sábado, 30 de Agosto de 2014

Os Garotos do Mar (1980-1984)


"Os Garotos do Mar", título português de "Sea Urchins" (literalmente "Ouriços do Mar") foi uma série direccionada a jovens e adultos, produzida pelo canal neo-zelandês "Television New Zealand" entre 1980 e 1984,a  longo de três temporadas. A informação sobre a série é escassa, mas creio que correspondam a uma das temporadas os 13 episódios exibidos à sexta-feira à tarde, entre 22 de Abril e 12 de Agosto de 1988 na rubrica "Brinca Brincando" da RTP-1, em substituição da "Brigada Falcão" ("TerraHawks").
"Diário de Lisboa" 27/05/1988

Os "Ouriços do Mar" do título são os jovens irmãos Peter (Freddie Hemara), Nik (Huru Rakete) e Hape (Jason Pirihi); que durante as férias com o tio Roger (Ian Mune) em locais como a Península Mahurangi no Golfo de Hauraki, ou em Marlborough Sounds (para a terceira temporada); vivem diversas aventuras por terra, mar e ar. Eram portantos frequentes as perseguições de barco, e hidroavião. 

Os jovens contavam ainda com o auxílo de Karen [Rebecca Gibney ((The Flying Doctors, Packed To The Rafters)- no seu primeiro papel na TV] para contrariar os planos de bandidos, contrabandistas de animais protegidos, e até para participar em caças ao tesouro. Tudo ingredientes para cativar o público mais jovem e mesmo o mais velho.
O líder dos vilões, Carl (Jeremy Stephens)

A base de dados do IMDB tem apenas a indicação como um telefilme de 75 minutos, mas é possivel encontrar os nomes de elenco e equipa de produção: "Sea Urchins" (1980). Mais informação: "NZOnscreen". No mesmo site também é possível assistir a 3 clips do Episódio 5 da 3ª Temporada: "Sea Urchins - Series Three Episode Five (1983)".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Dartacão e os Três Moscãoteiros (1981)

por Paulo Neto

A haver uma série de desenhos animados que tenha marcado os anos 80, só pode ser "Dartacão e os Três Moscãoteiros". Foi provavelmente a primeira série televisiva que me lembro de acompanhar regularmente, o primeiro programa de televisão de que me tornei um fã absoluto. Daí que eu tenha pedido expressamente ao David Martins que o meu ícone aqui no blogue fosse o Dartacão.

A série foi concebida por Cláudio Biern Boyd (o senhor também responsável pelo igualmente mítico "Volta ao Mundo em 80 Dias com Willy Fogg") e foi uma produção hispano-japonesa, com 26 episódios produzidos em 1981. A série estreou em Portugal em 1983 e depressa cativou o imaginário de todos os portugueses.

A série é uma adaptação razoavelmente fiel da obra "Os Três Mosqueteiros" de Alexandre Dumas, mas tinha a particularidade de ser protagonizada por animais antropomórficos, na maioria cães, daí a alteração de alguns nomes para uma sonoridade mais canina. A ideia assim de repente não parecia ser a mais digna mas o certo é que cativou desde logo a miudagem um pouco por todo o mundo. Dartacão (voz de João Lourenço) é um jovem e impetuoso espadachim que ruma até Paris com o seu cavalo Rofty para se tornar um membro da guarda real do rei de França, os Moscãoteiros. Após vários contratempos, acaba por se tornar amigo de três bravos moscãoteiros, Mordos (voz de João Perry), Dogos (Manuel Cavaco) e Arãomis (António Montez), além de se perder de amores por Julieta (Isabel Ribas), uma aia da Rainha. Outros companheiro habituais são o metediço rato Pom (João Perry) e  leal Planchet (José Gomes).



 À medida que Dartacão vai adquirindo a destreza e a maturidade para ser um Moscãoteiro, ele e os seus 
amigos vão descobrindo os planos do pérfido Cardeal Richelião (António Montez) para usurpar o trono de França, que passam por expor uma ligação perigosa entre a Rainha Ana e o Duque de Buckingham,  uma intriga que vai testar como nunca as capacidades dos Moscãoteiros. Entre os aliados de Richelião estão o abrutalhado Widimer (José Gomes), o Conde de Rocãoforte (Manuel Cavaco) e a misteriosa Milady (Maria Emília Correia). 



Quando a série estreou na televisão, eu ainda somente tinha três anos pelo que a história passou-me ao lado mas os bonecos eram de tal forma apelativos e engraçados que não perdia um episódio. Além da série, o universo do Dartacão gerou um vasto merchandising que englobava uma inevitável colecção de cromos, bonecos de PVC, figuras monocromáticas, livros de colorir, discos e posteriormente edições em VHS e DVD. Mas para mim, nenhum produto foi mais marcante que os gelados Dá Cá que tinham como embalagem as cabeças das personagens do Dartacão. Como eu também sempre gostei de gelados, na altura eu achei que não podia haver ideia mais estratosférica do que essa, se bem que o gelado em si fosse de um banalíssimo sabor de baunilha e que em retrospectiva, existisse algo de tétrico em comer gelado através da cabeça do Dartacão ou do Dogos. Seja como for, lembro de fazer a colecção e de ter as cabeças dos quatro Moscãoteiros.

Igualmente incontornável é o tema da série composta pelos irmãos Guido e Maurizio De Angelis (autores de temas de séries animadas como "Marco Polo" e "Bobobobs" e filmadas como "Orzowei" e "Cinderella 80") e que nunca mais ninguém esqueceu.

Era uma vez os três, os famosos Moscãoteiros
Do pequeno Dartacão tão bons companheiros
Os melhores amigos são os três Moscãoteiros
Quando em aventuras vão, são sempre os primeiros

Quando eles vão combater, já não há rival algum
O seu lema é um por todos e todos por um
O amor da Julieta é o Dartacão
E ela é a predilecta do seu coração

(Dartacan, Dartacan*) Correndo grandes perigos   
(Dartacan, Dartacan) Perseguem os bandidos
(Dartacan, Dartacan) E os três Moscãoteiros longe vão chegar
(Dartacan, Dartacan) És tu e os três amigos
(Dartacan, Dartacan)Em jogos divertidos
(Dartacan, Dartacan)Vocês são Moscãoteiros a lutar!

(*Sim, porque mesmo na versão portuguesa, por razões misteriosas, mantiveram os coros espanhóis a entoar "Dartacan, Dartacan")

A série tem sido reposta várias vezes, não só na RTP mas também na TVI, no Canal Panda e no Disney Channel, continuando assim a encantar novas gerações. Em 1989, foi produzida uma segunda série, "O Regresso de Dartacão" onde Dartacão, agora casado com Julieta e pai de dois filhos e a viver uma calma vida na província, volta a ser chamado pelos Moscãoteiros para novas aventuras.

Genérico:




  

sábado, 23 de Agosto de 2014

Maio Maduro Maio - José Afonso

Depois de algúm tempo sem vinis, vamos desenjoar de séries de televisão com um single do cantautor Zeca Afonso, aliás José Afonso, aliás José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (1929-1987).
O single "Maio Maduro Maio" foi retirado do álbum "Cantigas do Maio" (produzido por outro grande vulto da música nacional, José Mário Branco) de 1971. O álbum incluia também a mítica "Grândola, Vila Morena".

A capa frontal:

A capa do verso:
Em grande destaque o nome da editora "Orfeu", criada por Arnaldo Trindade. [ATEP 6487]
A Face A era composta de duas faixas:
  • "Maio Maduro Maio" (letra e música: José Afonso; arranjos: José Mário Branco)




  • "Milho Verde" (letra e música: popular; arranjos:José Afonso)

Duas grandes músicas!

A Face B era ocupada pela faixa mais longa, dedicada a recordar Catarina Eufémia:
  • "Cantar Alentejano" (poema de António Vincente Campina; música: José Afonso)


Não sou especialista em música, e muito menos em música de intervenção, mas este single é uma bela amostra do álbum, que fiquei curioso para conhecer. Desconheço se este single (ou EP, segundo a Wikipedia) de que publiquei as imagens corresponde à edição de 1971 (ainda durante a ditadura!) ou alguma eventual edição posterior.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Top 5 Memórias de Verão (Paulo Neto)

Quando se é criança e adolescente existem dois momentos no ano que são aguardados com colossal expectativa: o Natal e o início das férias de Verão, vulgo Férias Grandes pois compreendiam três meses sem escola. Ao início do mês de Junho começava-se a contar os dias para o fim das aulas, numa expectativa gulosa apenas refreada pelo stress dos testes finais e para alguns, o receio de chumbar o ano. Mas uma vez resolvidas as questões escolares, era tempo de abraçar o tempo de sol e descanso, alternando entre brincadeiras na rua durante horas a fio e momentos de dolce fare niente em casa, sobretudo a ver televisão ou jogar no computador ou na consola. Ao princípio, todas aquelas semanas a fio pareciam uma eternidade porém, mais depressa do que julgávamos, chegava o mês de Setembro e não tardava a começar o novo ano lectivo. Neste artigo vou recordar cinco das minhas mais queridas memórias de viver o Verão nos anos 80 e 90.


#5 Colónias de Férias: Nos meses de Julho de 1988, 1989 e 1990, as minhas Férias de Verão arrancaram com a minha integração na Colónia de Férias da Zona Alta. A bem dizer não era uma colónia pois ficava na minha cidade e não se pernoitava por lá, ia-se para casa depois das cinco. Era essencialmente um programa de ocupação de tempos livres no âmbito da iniciativa governamental Férias Desportivas que um clube desportivo da minha cidade (a União Desportiva e Recreativa da Zona Alta) levava a cabo por essa altura.


Entre as diversas actividades incluíam-se alguns exercícios desportivos, visitas de estudo (por exemplo à Barragem de Castelo do Bode), gincanas, idas às Piscinas Municipais e expressão plástica. Às quatro horas, era servido o lanche de pão com manteiga ou doce e groselha ou sumo de laranja. Durante a Colónia costumava reencontrar vários rapazes e raparigas da minha escola pelo que por vezes parecia um prolongamento da escola, inclusive no facto dos mais rufias continuarem a fazer das suas. Mas a sensação que guardo é que até o bullying em tempo de férias acabava por ser bem menos aziago do que o de tempo escolar. A cada ano, a colónia tinha dois ciclos de quinze dias e no final de cada um, havia um espectáculo onde apresentávamos teatrinhos e cantigas aos nossos pais e amigos. Como eu sempre gostei de cantar e era bem mais afinado em petiz, claro que aproveitava sempre para mostrar os meus dotes vocais nessas galas.  


#4 A programação da TV: Sendo viciado em televisão desde a mais tenra idade, claro que um dos meus maiores prazeres das Férias de Verão era poder ver toda a televisão que eu queria. Até porque em quase todos os anos lectivos, eu tinha a chatice de ter mais aulas de tarde do que de manhã, o que implicava quase sempre só sair das aulas depois das seis e perder o mítico "Brinca, Brincando". Entre os inúmeros programas que abrilhantaram meus Verões passados contam-se "O Verão Azul", "Gladiadores Americanos", "Os Marretinhas", a primeira série do "Tsubasa", "Crossbow - Guilherme Tell", "Cheers - Aquele Bar" e um remake eighties da "Missão: Impossível" que foi filmado na Austrália. O Verão de 1993, no breve período onde a minha família foi proprietária de uma antena parabólica, ficou marcado pela descoberta da MTV e do mundo dos videojogos, graças a um programa da cadeia britânica SKY, "Games World" que era semelhante ao nosso conhecido "Templo dos Jogos" mas que também tinha uma rubrica de competição onde cinco concorrentes jogavam vários tipos de jogos até só restar um, que depois ia jogar contra os jogadores residentes, cada um assumindo uma personagem. Foi assim que fiquei a saber que existia uma consola o NEOGEO que nunca chegou a Portugal mas que em vários países rivalizava com a Sega Mega Drive e o Super Nintendo.

Mas ainda assim, quando se fala em programação televisiva de Verão, um programa é imbatível e esse só podia ser...


#3 Jogos Sem Fronteiras: "O" programa de Verão por excelência eram os "Jogos Sem Fronteiras". Eu era novo demais para recordar a primeira vaga em que Portugal esteve envolvido entre 1979 e 1982, pelo que para mim os JSF eram algo totalmente novo para mim quando regressaram em 1988 após seis anos de interregno. Claro que um programa mítico como este merece futuramente o seu próprio cromo por isso não vou entrar em muitos detalhes aqui. Mas sem dúvida que um dos pontos altos em cada semana dos meus Verões de petiz e adolescente passava por apoiar a equipa portuguesa (tristemente nunca houve nenhuma da Torres Novas!) ao longo de um mão cheia de jogos divertidos e emocionantes, muitos deles envolvendo quedas numa piscina, e ouvir o árbitro suíço Denis Pettieux anunciar "Attention! Prêts?" antes de soprar o apito. E claro, via o Eládio Clímaco e a Ana do Carmo como quase membros da minha família e ainda hoje sou incapaz ouvir este tema sem um saudoso sorriso de orelha a orelha. 



   
#2 As Piscinas Municipais: Sem praia por perto e com um rio impróprio para consumo, para os cidadãos de Torres Novas a maneira mais acessível de ir a banhos foi durante Verões a fio nas antigas Piscinas Municipais que funcionaram entre 1973 e 2004. Foi nessas piscinas que aprendi a nadar, evoluindo gradualmente da piscina infantil para as duas piscinas principais, a coberta (a única que também funcionava de Inverno para as aulas e treinos de natação do clube local) e a "destapada", e depois para a piscina das pranchas (apesar de nunca ter ido além da prancha 3m, as duas mais altas eram demasiada areia para a minha camioneta).
Também recordo com saudade o bar onde ia comprar gelados, a voz circunspecta mas afável da funcionária que volta e meia advertia sempre com a mesmíssima entoação: "Atenção senhor banhista: na zona de banho é proibido fumar, comer, beber e andar calçado. O duche inicial é obrigatório.", o piso instável dos balneários e como no Verão de 1991, pareciam passar o primeiro álbum dos Enigma em loop, deixando-me para sempre com uma bizarra associação das piscinas àqueles cantos gregorianos em batida pop. (Tenho um amigo quarentão que uma vez me disse que as músicas que ele mais se lembrava de ouvir nas piscinas nos anos 70 eram os épicos "Whiter Shade Of Pale" e "Je T'Aime Moi Non Plus"!)


Um novo complexo de piscinas foi inaugurado em 2006, mais moderno e sobretudo direccionado à vertente desportiva, mas sem possuir infelizmente a mesma magia e a apetência para a vertente lúdica das instalações anteriores. Do antigo recinto, só resistiu a piscina das pranchas.  



#1 As idas ao Algarve:  Apesar da minha família ir Domingo sim, Domingo não às praias do Oeste como a Vieira de Leiria e o Pedrógão ao longo de Julho e Agosto, o ponto alto das minhas Férias Grandes entre 1986 e 1990 (excepto em 1988 em devido à tenra idade do meu irmão, nascido em Janeiro desse ano) chegava em Setembro quando rumávamos até Altura. Para já, havia o seu quê de contra-corrente em começar as férias em Setembro quando a maioria já estava de regresso. Depois porque tinha o aliciante de a família arrancar a viagem a meio da noite. Como eu nunca consegui adormecer a andar de carro, nem sequer em bebé, ficava desperto a ver o sol nascer pela estrada, como que um preâmbulo do glorioso período que estava para vir.


E era de facto glorioso. Os banhos de praia da Alagoa, as brincadeiras na areia, as mini lagoas formadas na maré baixa, os jogos de cartas com outras crianças da minha terra que também iam lá passar férias, os passeios de gaivota, os baloiços enferrujados da Fabrigimno junto à praia, os jantares de cataplana no Restaurante das Marés, os bolos apregoados pelos vendedores que iam das inevitáveis bolas de Berlim (com creme e sem creme, pois claro!) a pastéis de nata e feijão e os deliciosos jesuítas. Como na altura ainda não se notava a sobre-exploração turística que infelizmente começava a alastrar um pouco por toda a costa algarvia, eu ficava com a sensação que o Algarve era um lugar mágico e cheguei a sentir inveja de quem morava lá. A minha família regressou a Altura em 1995 e 2000 mas embora ainda tenhamos passado férias bem agradáveis, já tinha perdido muita da magia e do sossego de outrora. Mas para sempre ficaram as memórias...
 

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

A Pedra dos Sonhos (1990-1995)



"The Dreamstone", "A Pedra dos Sonhos" (em Portugal e no Brasil) foi uma série de animação que estreou na RTP-1 a 2 de Junho de 1991, Domingo, no "Canal Jovem" no horário das 10h15 (substituindo "Adventures on Kythera"). O último episódio foi para o ar a 8 de Setembro do mesmo ano, sendo substituida por "Comandante Migalha".
De origem britânica, totalizou 52 episódios divididos ao longo de 4 temporadas de 13 episódios cada; em 1990, 1992, 1994 e 1995. Portanto em 1991 a RTP emitiu a primeira temporada, desconheço se as próximas passaram pelos ecrãs portugueses.

A introdução do primeiro episódio, com a canção "Better Than A Dream":

Veja também o genérico, mas na versão cantada em português do Brasil: "A Pedra dos Sonhos - Abertura TV Cultura".

Um Trailer:


O plot é a típica luta das forças do Bem contra as do Mal, desta feita no universo fantástico de "The Land Of Dreams" (A Terra dos Sonhos), no Planeta Dreamstone. Os vilões da "Land Of Nightmares" (Terra dos Pesadelos), os Urpneys - liderados pelo monstruoso Zordrak ( O Senhor dos Pesadelos, com a voz de Gary Martin) e os lacaios Urpgor (Leonard Whiting) e Sargento Blob (Richard Tate) - tentam constatemente atravessar as "Brumas de Limbo" para invadir a pacífica "Terra dos Sonhos".

Zordrak
O objectivo é capturar e destruir a "Dreamstone" do título - a "Pedra dos Sonhos" - para que os Pesadelos reinem supremos. Obviamente, todos os planos mirabolantes são contrariados pelos heroicos Wuts, os defensores da "Terra dos Sonhos" e dos seus outros habitantes, os Noops (criaturas antropomórifcas verdes e cabelos ruivos). O líder do Bem é o poderoso ancião Dream Maker - Senhor dos Sonhos, na tradução brasileira - (voz de John Franklyn-Robbins), protector da Dreamstone e dono de um peixe voador de estimação.
Dream Maker e o peixe Albert, Rufus e Amberley.

O protagonista da série é o noop chamado Rufus (Stuart Lock), o bravo mas desastrado asssistente do Dream Maker, e melhor amigo da desenrascada Amberley ( Nancy Hendry). Mais sobre estes e outros personagens na Wikipedia (em inglês: "The_Dreamstone").
Urpneys ao ataque

A Wikipédia destaca a banda sonora, composta por Mike Batt (Wombling Free, Caravans) que foi gravada com recurso à conceituada London Philharmonic Orchestra. Incluia ainda canções com vozes como Ozzy Osbourne, Frank Bruno, Billy Connolly, Joe Brwon e Bonnie Tyler (numa canção não utilizada).

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

domingo, 17 de Agosto de 2014

Adventures on Kythera (1991-1992)


"Adventures on Kythera", literalmente "Aventuras em Kythera", foi uma série australiana, dedicada ao público mais jovem.
A "Kythera" (Citera) do título, é a rochosa ilha grega onde decorre as aventuras de um grupo de crianças. O genérico começa com imagens e acordes que todos associamos ás aldeias típicas da Grécia à beira-mar para saltar logo para ritmos electrónicos e uma montagem frenética de cenas de perseguições, corridas e mergulhos no mar. Pelas imagens parece ser uma mistura de "Verão Azul" com "Os Cinco". No Youtube estão disponíveis vários episódios. Nesta época já me interessava por história, arqueologia, e ainda por cima combinado com aventura eu deveria adorar isto. No entanto, não me recordo desta série, provavelmente porque nesta época do ano já estaria a passar os fins de semana na ilha e portanto longe da televisão, para minha grande angústia... A produção decorreu entre 1988 e 1989, mas só foi exibida pela primeira vez em 1991. As cinco crianças exploravam a  ilha em busca de aventuras, tais como o plano para roubar um valioso ícone local, resgatar um  arquelogista raptado, resolver o roubo de antiguidades do museu, uma expedição de mergulho que é complicada por explosões ilegais, e num episódio até se perdem em cavernas.

O genérico inicial:

Curiosamente, o genérico acima é diferente do que está no inicio dos episódios no Youtube (pelos menos os que vi rapidamente):

Em Portugal a exibição de "Adventures on Kythera" começou em 14 de Abril de 1991, em substituição de neozelandesa "As Crianças da Montanha" (na rubrica juvenil de Domingo de manhã "Canal Jovem") e espremida entre os "Harlem Globetrotters" e "Os Jovens Tarta-Heróis"; e estendeu-se até 26 de Maio do mesmo ano, o que segundo as minhas contas representam apenas 7 dos 13 episódios com 26 minutos produzidos. Substituida (na RTP) pela animação "A Pedra dos sonhos".

O elenco principal:
Tik - Rebekah Elmaloglou ("Neighbours", "Mad Max III", "Home and Away")
Zenton - Zenton Chorny ("Deadly Chase")
Molly - Amelia Frid ("Neighbours")
Spike - Garry Perazzo ("Super Esquadra", "Neighbours")
Johnny - George Lekkas
Vincent (o tio da Molly) - Richard Aspel ("Prisoner", "Super Esquadra", "Neighbours")
Philippas - Tassos Ioannides ("In To Deep") que também foi um dos produtores e o compositor da banda sonora.


Surpreendentemente, não parecem ter a tradicional figura do "gordinho" como comic relief. Fiquei curioso para ver alguns dos episódios que estão online no Youtube, e quem sabe talvez depois actualize o artigo com mais detalhes.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...