quinta-feira, 14 de junho de 2018

Cerimónia de Abertura do Mundial de Futebol 1994

por Paulo Neto

No que diz respeito ao futebol, sempre me interessei mais por competições de selecções nacionais do que de clubes. Embora seja assumidamente do Benfica (e retire o ocasional regozijo dos desaires do Sporting e do FC Porto), nunca perdi sono por causa de períodos de maus resultados dos encarnados ou fui de clubismos desenfreados (e agora muito menos). No entanto, vibro quando joga a selecção nacional (ainda não acredito que já não morro sem ver Portugal a ganhar um grande título!) e sempre gostei de seguir os Europeus e os Mundiais de Futebol, mesmo nos tempos em que era costume Portugal ficar de fora da festa, o que felizmente deixou de ser hábito.

Espanha 1982 foi o primeiro Mundial (ou como também se diz, a primeira Copa) da minha existência mas o meu eu de dois anos não guardou qualquer memória do certame, nem sequer a do mítico Naranjito. As minhas primeiras memórias de uma Copa remontam portanto ao México 1986, o dos  Saltillos de Portugal e da Mão de Deus de Maradona. Seguiu-se Itália 1990, que muitos consideram o pior Mundial de sempre, em que somente a irreverência dos Camarões contrariou o futebol pouco emocionante e demasiado agressivo que foi jogado em terras transalpinas.



Porém creio que o Mundial que mais me terá marcado foi o de 1994 nos Estados Unidos, do qual guardo várias memórias. Por exemplo, o belíssimo golo do saudita Al-Owairan à Bélgica, os equipamentos ultra-fluorescentes do guarda-redes mexicano Jorge Campos, a poderosa dupla Romário-Bebeto e na final Brasil-Itália, o desalento de Roberto Baggio ao falhar a penalidade decisiva e a homenagem dos brasileiros ao recém-falecido Ayrton Senna. Também houve memórias menos boas como a de Maradona apanhado nas malhas do doping (não sem antes marcar um belo golo à Grécia) ou o assassínio do colombiano Andrés Escobar, que marcara um autogolo que ditou a eliminação de uma selecção da Colômbia que prometia tanto, quando este regressou ao país.

Oprah Winfrey conduziu a cerimónia de abertura
do Mundial de Futebol de 1994 em Chicago


Uma das minhas principais memórias do Mundial do Futebol de 1994 foi precisamente a cerimónia de abertura, que decorreu em Chicago no dia 17 de Junho antes do jogo inaugural entre a Alemanha e a Bolívia. Na altura, o soccer era um desporto de segunda linha (se tanto!) nos States mas não foi por isso que os americanos deixaram de montar um espectáculo de arromba, conduzido por Oprah Winfrey. Para mim continua a ser a cerimónia inaugural de um Mundial que mais se aproximou da espectacularidade uma cerimónia de abertura de uns Jogos Olímpicos. O que não quer dizer que não tenha tido vários momentos cromos, bem pelo contrário.
Eis o vídeo da cerimónia através da transmissão da televisão chilena:



- A cerimónia começou com centenas de voluntários a formar o logótipo oficial da competição no relvado do Estádio Soldier Field em Chicago do qual são largados centenas de balões azuis e vermelhos.

- Oprah Winfrey dá as boas vindas aos 60 mil espectadores presentes no estádio (incluindo Bill e Hilary Clinton, o chanceler alemão Helmut Kohl e o presidente boliviano Gonzalo Sanchez de Lozada) e aos milhões de telespectadores de todo o mundo.
- Diana Ross corre pelo relvado para cantar uma medley dos seus êxitos, começando com "I'm Coming Out". Ao lado vêem-se muitos voluntários/bailarinos vestidos de branco segurando círculos com um lado branco e um lado preto para algo a ser utilizado num quadro posterior. Antes de subir ao palco, um momento caricato: Diana Ross deveria marcar um golo de penalti numa baliza à frente do palco que se partiria em duas mas...não é que ela rematou bem ao lado?



Uma vez em palco, Miss Ross continuou a sua medley com "Why Do Fools Fall In Love", "Chain Reaction" e "Ain't No Mountain High Enough", acompanhada por bailarinos e alguns habilidosos da bola devidamente equipados. 


O palco estava decorado com faixas com as bandeiras e os nomes dos 24 países participantes: Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Bélgica, Bolívia, Brasil, Bulgária, Camarões, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Grécia, Holanda, República da Irlanda, Itália, Marrocos, México, Nigéria, Noruega, Roménia, Rússia, Suécia, Suíça e Estados Unidos
- Alan Rothenberg, presidente do comité organizador do Mundial de Futebol de 1994, faz o seu discurso de boas-vindas.

- Oprah Winfrey anuncia a parada das 24 nações participantes da competição através das suas respectivas danças tradicionais, executadas por um grupo de bailarinos de cada país e com uma espécie de pavão humano com uma cauda gigante das cores da bandeira do respectivo país. Claro que a Argentina foi representada pelo tango, o Brasil pelo samba, a Itália pela tarantela e Espanha pelas sevilhanas. Mas também há que destacar para a performance "Andes meets Las Vegas" da Bolívia, a alegria dos ritmos africanos de Camarões e Nigéria, as jovens bailarinas da Irlanda (1994 foi o ano em que surgiu o fenómeno "Riverdance"), as rotações coreográficas da Coreia do Sul e as espadas da Arábia Saudita.

No relvado, os voluntários usam os círculos com um lado preto e um lado branco para "escrever" o respectivo código FIFA de três letras de cada país (por exemplo BRA para Brasil, NGA para Nigéria ou SUI para Suíça), rodeados pelas bandeiras dos países. Após a sua actuação em palco, a trupe de cada país e o "pavão" dirige-se para sua respectiva bandeira.

- O brasileiro João Havelange, então presidente da FIFA, convida (em portunhol) o então presidente americano Bill Clinton a declarar o Mundial oficialmente aberto.
- O cantor Richard Marx (de "Hazard" e "Right Here Waiting") canta o hino americano.
- Segue-se a actuação do cantor cubano-americano Jon Secada que apresentava dois temas do seu repertório: "If You Go" e "Do You Believe In Us". E eis outro momento caricato com a imagem de Secada a cantar dentro de um buraco. Veio-se a saber mais tarde que o cantor caiu acidentalmente lá para dentro (o mesmo aconteceu a Oprah Winfrey depois de anunciar Diana Ross) tendo mesmo deslocado um braço. Mas imbuído pelas máximas de "quem canta seus males espanta" e "the show must go on", Jon Secada não se deixou abater pelo percalço (nem com um pequeno enredamento no fio do microfone) e deu tudo na sua actuação, enquanto os bailarinos dos países davam a volta ao estádio. 
- Por fim, a canção oficial do torneio "Gloryland" interpretada por Daryl Hall (conhecido sobretudo pelos seus êxitos em dupla com John Oates) e The Sounds Of Blackness.
Durante a actuação, alguns bailarinos com fatos dourados formam uma espécie de réplica gigante do troféu da FIFA (e por pouco que a bola não caía do topo!)
Por fim, Franz Beckenbauer, seleccionador da Alemanha vencedora da Copa anterior em 1990, sobe ao palco trazendo consigo o verdadeiro troféu.


- Depois foi o jogo em que a Alemanha venceu a Bolívia por 1-0. Os alemães venceriam o grupo C e chegariam até aos quartos de final onde perderam para a Bulgária (que seria uma surpreendente quarta classificada) e os bolivianos (que tinham surpreendido na qualificação ao ganharem 2-0 ao Brasil) deixaram os Estados Unidos após a fase do grupos, após nova derrota com a Espanha e um empate com a Coreia do Sul, e desde então nunca mais se qualificaram para um Mundial. O único golo da Bolívia foi marcado contra a Espanha por Erwin Sanchez que na altura jogava no Boavista e também passaria pelo Benfica.

Cerimónia de abertura do Mundial de 1994 na televisão brasileira:
(a qualidade de imagem não é muito boa)


Daryl Hall & The Sounds Of Blackness "Gloryland"



quarta-feira, 6 de junho de 2018

Dossier Pelicano (1993)

por Paulo Neto

Julia Roberts é porventura a actriz da qual eu terei visto mais filmes. Embora eu tenho uma ligeira preferência por ver a eterna "Pretty Woman" em papéis cómicos, também gosto de a ver noutros registos, como é o caso deste filme.


"Dossier Pelicano" ("The Pelican Brief") é um thriller de 1993 realizado por Alan J. Pakula, adaptado de um romance de John Grisham. Eu recordo-me de ter visto este filme no cinema em princípios de 1994 (o ano em que passei ir regularmente ao cinema) mas confesso já tinha esquecido grande parte da história até um revisionamento recente no canal AXN. Os direitos da adaptação do livro foram postos à venda ainda antes de ser escrito e Grisham escreveu a personagem de Darby já com a ideia de Roberts (que aceitou o papel mesmo antes do livro ser editado) desempenhá-la no filme.  



Quando dois juízes do Supremo Tribunal são assassinados, Darby Shaw (Roberts), uma estudante de Direito de Nova Orleães, elabora um dossier com a sua teoria. Victor Mattiece, um magnata do petróleo e amigo próximo do Presidente dos Estados Unidos (Robert Culp), descobriu um valiosíssimo jazigo de petróleo numa área protegida no estado do Louisiana que é um santuário para aves raras, incluindo o pelicano castanho. Por causa disso, a exploração nessa zona protegida foi inviabilizada em primeira instância. Recorrendo para o Supremo Tribunal, as mortes dos dois juízes terá sido encomendada por pessoas ligadas a Mattiece para assegurar uma decisão favorável, uma vez que os dois tinham em comum serem defensores das causa ambientalistas que provavelmente vetariam a exploração.


Thomas Callahan (Sam Shepard), o professor com quem Darby tem uma relação secreta, acha a teoria interessante e entrega uma cópia do dossier ao seu amigo do FBI Gavin Verheek (John Heard). Quando Callahan morre numa explosão de uma bomba no seu carro e Darby é perseguida por um desconhecido e o seu computador e disquetes são roubados, a jovem percebe que a sua teoria está certa e que corre perigo de vida, decidindo viver clandestinamente. A sua situação ainda se complica mais quando Khamel (Stanley Tucci), o assassino dos juízes, mata Verheek e faz-se passar por ele para se encontrar com Darby, sendo abatido a tiro no momento em que ia para matá-la.


Entretanto, Gray Grantham (Denzel Washington), um jornalista de Washington, é contactado por alguém que revela informações sobre os assassinatos que confirmar a teoria de Darby. Gray e Darby encontram-se em Nova Iorque e concluem que o informador é Curtis Morgan (Jake Weber), um advogado da firma que representa Mattiece, cujos sócios terão encomendado os assassinatos dos juízos. Quando descobrem que Morgan está morto, a estudante e o jornalista lançam-se numa corrida contra o tempo para reunir as provas que comprovam a teoria, certos que há gente poderosa que fará tudo para os impedir. Até porque as revelações do Dossier Pelicano podem acabar com as hipóteses de reeleição do Presidente.  



Do elenco fazem ainda parte Tony Goldwyn como ochefe de gabinete da Casa Branca; Cynthia Nixon, como a colega e amiga de Darby; James B. Sikking como o director do FBI; e John Lithgow, como o director do jornal de Gray. 




Ao contrário do livro de Grisham, em que Darby e Gray (que na obra é caucasiano) acabam por se envolver, no filme não existe romance entre os dois protagonistas, apenas a sugestão que tal possa vir a acontecer no futuro. Consta que Julia Roberts era a favor de fazer par romântico com Denzel Washington, mas este seria da opinião que assim o romance interracial eclipsaria a história em si. 
O filme teve ainda a particularidade de ser filmado em sequência e de não haver qualquer aparição do vilão principal (Victor Mattiece). 

Trailer:


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Runaway Bay - Detectives Em Férias (1992-1993)


por Paulo Neto

Uma das melhores partes de escrever neste blogue é sem dúvida interacção com os seus leitores e seguidores da página no Facebook e já por algumas vezes surgiram cromos a partir das sugestões ou questões deles. É o caso deste texto que surgiu quando uma leitora denominada Anne perguntou no blogue por uma série que lhe deixara boas memórias mas da qual não se conseguia lembrar do título ou de mais pormenores. Através das pistas que ela deixou das suas recordações, consegui chegar à conclusão que se tratava desta série, que Anne confirmou.



E tal como Anne, eu também eu guardei boas recordações de "Runaway Bay", uma co-produção franco-britânico-americana, que passou na RTP1 sob o título "Detectives Em Férias" num espaço infanto-juvenil matinal de segunda a sexta no Verão de 1994, o mesmo onde por exemplo foram exibidos pela primeira vez em Portugal os primeiros episódios da franchise anime do Tsubasa, na versão original japonesa legendada em português. 

A série não andava muito longe de uma espécie de "Uma Aventura" ou "Os Cinco" algures nas Caraíbas, já que era sobre um grupo de jovens, alguns turistas e outros locais, que em cada episódio se deparavam com um mistério qualquer e viviam uma aventura para os desenvolver e claro que o cenário paradisíaco era um ingrediente extra na emoção dessas aventuras. Apesar de em teoria a série
decorrer na baía jamaicana que dá nome ao título original, na verdade foi filmada na ilha de Martinica, que é território francês. (Sabiam que foi nessa ilha que nasceu a Josefina do Napoleão?)

Diana Eskill (Alex), Eric Fried (Dion), Jeremy Lynch (Chan), Naomie Harris (Shuku)
Jade Magri (Zoe), Andrew Fraser (Jojo) 

Infelizmente encontrei muito pouca informação sobre a série: a Wikipedia e o IMDB não ajudaram muito e o meu principal recurso foram os episódios disponíveis no YouTube. A série teve duas temporadas cada uma com treze episódios, exibidos originalmente no canal britânico ITV entre 1992 e 1993. 
Na primeira temporada, por aquilo que recordo, havia um núcleo duro de protagonistas composto por Dion (Eric Fried), Chan (Jeremy Lynch), Alex (Diana Eskill), Shuku (Naomie Harris) e Jojo (Andrew Fraser), com o Inspector Grant (Carl Bradshaw) como a personagem adulta mais recorrente. Mas pelo que vi dos episódios do YouTube, na segunda temporada, deixou de haver esse núcleo duro, com alguns episódios em que só apenas alguns dos cinco protagonistas apareciam sem explicações para a ausência dos outros, havendo em alternativa outras personagens para colmatar essas ausências temporárias como Zoe (Jade Magri) ou Lola (Marlaine Gordon).  



Pelo que me recordo, era uma série bastante prazerosa de se ver e que devia ser mais bem recordada, mas infelizmente se ainda existe alguma memória dela é sem dúvida pelo facto de ter sido um dos primeiros papéis da actriz britânica Naomie Harris, que mais tarde viria a ter uma bem-sucedida carreira em filmes como o segundo e terceiro tomos de "Piratas das Caraíbas", "Skyfall" e "Spectre" (foi a primeira Moneypenny negra da saga 007), "Miami Vice", "Um Traidor dos Nossos", "Rampage" e "Moonlight", para o qual foi nomeada para um Óscar. Harris tinha começado de facto como actriz infantil e recordo-me dela nas séries "Simon e a Bruxa" e "Os Meninos do Amanhã" que deu no canal Panda. 



O tema que se ouvia no genérico da abertura era uma versão instrumental de "Romantic World" de Dana Dawson, sendo que nos créditos finais ouvia-se uma versão cantada por outra intérprete com uma outra letra, alusiva ao cenário da série.




Episódio "Going For Gold" (1.ª e 3.ª partes)




Episódio "Race Like The Wind"


Episódio "The Secret Garden"


  Episódio "Masquerade" 




quinta-feira, 24 de maio de 2018

Arca de Noé (1990-1995)

por Paulo Neto

Para começar, vamos à música:



Vamos fazer amigos entre os animais
Que amigos destes não são demais
Na vida
E vêm aqui mostrar
Que têm uma família como eu e tu
Só que esta mora numa outra casa
Que se chama (DIGAM!)
Arca de Noé
Vamos lá ver como é
Na Arca de Noé
Há animais que falam como nós
Como eu e tu
Há animais que falam como nós
Como eu e tu



Sim, vamos hoje falar sobre o concurso "Arca de Noé", exibido em cinco temporadas na RTP entre 1990 e 1995. As três primeiras temporadas foram apresentadas por Fialho Gouveia e exibidas na RTP 2, a quarta temporada já na RTP1 foi apresentada por Ana do Carmo e a quinta por Carlos Alberto Moniz.

Este concurso sobre o mundo dos animais fora inicialmente concebido no Japão nos anos 70 e exportado com sucesso para vários países. Era composto por diversas rondas de perguntas e respostas onde os concorrentes teriam de adivinhar o comportamento de um determinado animal diante de uma determinada situação, através de imagens filmadas pela televisão japonesa, mediante quatro hipóteses de resposta. (Por exemplo, foi assim que eu fiquei a saber que quando uma fêmea koala quer rejeitar os avanços de um macho, ela urina sobre ele). Também existiam algumas perguntas sobre as características de uma determinada espécie. (Por exemplo, sabiam que as girafas têm tantas vértebras no pescoço como o ser humano? Têm sete como nós!)



Segundo o site "Brinca Brincando" (a quem mais uma vez presto agradecimento pelas imagens neste texto) no modelo original japonês e na maioria dos países em que o programa foi adaptado, os concorrentes eram figuras públicas. Contudo em Portugal, nas temporadas de Fialho Gouveia, cada sessão tinha três concorrentes anónimos e uma figura pública que, caso vencesse, doaria o prémio monetário em jogo (que estou em crer que eram 250 contos, 1250 euros) a uma instituição de apoio aos animais. Os concorrentes anónimos também cediam habitualmente uma percentagem do valor ganho a uma instituição, geralmente o Jardim Zoológico de Lisboa ou a União Zoófila.



Durante a temporada apresentada por Ana do Carmo, o concurso passou a ser disputado por três equipas compostas por um adulto e uma criança. Na quinta e última temporada, num cenário a fazer lembrar um barco e até a própria Arca de Noé, os concorrentes eram crianças entre os 8 e 12 anos.


Outra figura marcante do concurso era a assistente Maria Arlene, que mais tarde veio-se a saber ser a primeira esposa de José Castelo Branco e a mãe do seu filho Guilherme. Arlene participou no programa nas suas quatro primeiras temporadas e era frequente ouvir-se assobios na assistência sempre que ela surgia em palco com mascotes do programa que assinalavam a pontuação dos concorrentes. Estas mascotes correspondiam aos patrocinadores principais do programa: primeiro o Vitinho da Milupa, mais tarde os Orelhudos da Mimosa.


Outra rubrica regular do programa era a presença de um determinado animal no estúdio, acompanhado em palco por alguém responsável por ele que era entrevistado pelos apresentadores. 

Outro ponto alto do programa eram as canções, cada semana sobre um determinado animal, com música de Carlos Alberto Moniz e letra de José Jorge Letria, interpretadas por Moniz ou então por um convidado especial. Recordo-me por exemplo de Fernando Correia Marques a cantar sobre o choco, Fernando Mendes sobre o arganaz e Wanda Stuart (então apenas Wanda) sobre a borboleta. 
Várias dessas canções foram gravadas por Carlos Alberto Moniz em dois discos e pelo menos uma delas ficou na memória colectiva: "O sonho do elefante é ser elegante, é ser elegante..."




O "Brinca Brincando" refere ainda que um dos critérios de pré-selecção dos concorrentes era escrita correcta do português, sendo que aqueles que dessem erros ortográficos seriam eliminados, já que as respostas do programa eram dadas por escrito em cartolinas. O que não impediu um episódio que Nuno Markl relembrou quando dedicou um cromo ao programa na "Caderneta de Cromos". Consta que, confrontado com a pergunta sobre o que iria fazer um gorila com uma garrafa de cerveja, o futebolista Jorge Cadete, que era o convidado daquela sessão, terá escrito... "Vai beber a mine".

"Arca de Noé" era sem dúvida um programa extremamente divertido e didáctico e acho que ainda podia ser recuperado para a televisão.

Promo com Ana do Carmo...e uma águia calçada:


 Sessões do programa: 





  



Cromo da "Caderneta de Cromos" da Rádio Comercial sobre "O Arca de Noé" (22.9.2011)

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Masters do Universo - Pastilhas Elásticas Dutlim (1988)





Em 2014 já tínhamos visto na Enciclopédia a colecção de calendários de bolso dos Masters do Universo lançado pelas pastilha elásticas Dutlim, desta vez vamos ver as pastilhas que essa colecção promovia. Quer dizer, não a pastilha que parecia uma tira de borracha cor-de-rosa, mas o seu invólucro exterior e o cromo autocolante que vinha de brinde, enrolado na pastilha/bubble gum.

O invólucro das pastilhas elásticas Dutlim "Masters do Universo".

Este autocolantes são diferentes da outra colecção de autocolantes Dutlim com a mesma temática do universo de He-Man e os seu compatriotas, e que podem ver no excelente blog "My Best Toys": "Caderneta-Poster Masters do Universo da Dutlim".

Um dos três autocolantes recém chegados à minha coleção utiliza  a mesma imagem que um dos calendários:"He-Man e os Masters do Universo - Calendários das Pastilhas Elásticas Dutlim (1988)".
Três dos autocolantes brindes das pastilhas elásticas Dutlim "Masters do Universo".
No invólucro, como nos autocolantes da data de copyright é 1983, "Mattel. Inc/JA". Olhando ao resto das informações, o peso líquido da pastilha era 6 gramas. "Fabricado por Dutlim, Leião - 2780 Oeiras - Portugal". Os ingredientes: açúcar, glucose, goma base, glicerina, aromas naturais e artificiais e corante orgânico sintético (E-124).

Infelizmente não encontrei indicação do preço de venda ao público.
Se algum dos nossos leitores tiver algum dos outros autocolantes ou memórias de colecções relacionadas deixe comentários abaixo!

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr" e nosso Youtube: "Enciclopédia TV".

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Festival da Eurovisão 1998

por Paulo Neto

Na semana em que decorre em Lisboa o Festival da Eurovisão deste ano (nem acredito que finalmente está a acontecer!), nada como recuar mais uma vez até uma edição anterior, desta vez a de há 20 anos.

Em virtude da quinta vitória do Reino Unido no ano anterior, o 43.º Festival da Eurovisão realizou-se a 9 de Maio 1998 na cidade inglesa de Birmingham no National Indoor Arena, com apresentação de Terry Wogan e Ulrica Jonsson. Rui Unas fez os comentários para a RTP e Lúcia Moniz foi a porta-voz dos votos de Portugal.

Na altura, a participação de um país no Festival estava dependente da média dos resultados nas últimas cinco edições, sendo que aqueles com coeficiente mais baixos teriam de ficar um ano de fora. Foi devido aos bons resultados em anos anteriores (sobretudo os top 10 de 1993, 1994 e 1996) que Portugal participou neste ano apesar de ter ficado em último lugar em 1997 com zero pontos. A mesma sorte não tiveram Áustria, Bósnia-Herzegovina, Dinamarca, Islândia e Rússia que tiveram de ficar de fora este ano. A Itália, quarta classificada no ano anterior, também não regressou. Em contrapartida, cinco países ausentes no ano transacto - Bélgica, Eslováquia, Finlândia, Israel e Roménia - puderam regressar este ano e a Macedónia participou pela primeira vez.
Esta edição marcou como que um ponto de viragem na história do certame, já que foi o último ano em que uma orquestra foi utilizada e em que se aplicou a regra da obrigatoriedade dos países cantarem nas suas línguas nacionais. Depois de uma experiência em quatro países no ano anterior, este foi o primeiro ano em que os votos da maioria dos países  foram decididos por televoto.

Os postcards que antecediam cada actuação eram bastante interessantes, recriando cenas da vida britânica no passado e no presente ao som de conhecidos temas da britpop, terminando com a bandeira de cada país a surgir de uma maneira diferente. No de Portugal, vemos uma escola do início do século XX a dar lugar a uma escola moderna de 1998 onde os alunos fazem a bandeira portuguesa a partir de um arranjo com papel colorido, tudo isto ao som de "The Beautiful Ones" dos Suede.

Este Festival foi também marcado por algumas controvérsias e gaffes. Por exemplo o compositor da canção da Grécia foi bastante crítico dos planos da realização britânica, os ensaios da Turquia faziam a canção exceder os três minutos obrigatórios, a apresentadora Ulrica Jonsson fez um comentário sobre a porta-voz da Holanda Conny Van Den Bos (esta disse que já tinha participado no Festival ao que Jonsson respondeu: "Deve ter sido há muito tempo"e foi apupada pela assistência presente no local, embora Van Den Bos tenha confirmado que de facto tinha sido há muito tempo, em 1965). Mas claro que a grande história desta edição foi sem dúvida a cantora que acabou por ganhar. 
Porém vamos por partes e analisar as 25 canções concorrentes, como é hábito, pela ordem inversa da classificação.

Gunvor (Suíça)

É sempre triste quando um país não leva nem sequer um pontito para a amostra e foi o que nesse ano aconteceu à Suíça. Gunvor Guggisberg cantou "Lass ihn" ("deixa-o") acompanhada ao violino por Egon Egemann que representara o país oito anos antes. Na canção, Gunvor aconselhava uma amiga a deixar de vez o namorado mulherengo. A meu ver, a canção helvética (que foi a última até agora cantada em alemão que a Suíça trouxe ao certame) não merecia de todo tão nefasto resultado. Gunvor lançou mais alguns singles e um álbum em 2000, mas segundo a Wikipedia, em 2014 foi presa por furto e fraude fiscal.
Marie-Line (França)

O 24.º e penúltimo lugar com somente três pontos foi até então o pior resultado da França, país até então mais habituado aos lugares cimeiros. E também acho que o resultado foi algo injusto para o tema afro-reggae "Où aller" ("para onde ir") interpretado por Marie-Line, naquele que foi o seu único momento notório como solista principal. Depois do Festival, Marie-Line retomou o seu trabalho como cantora de coro para outros artistas e compositora. 

Charlie  (Hungria)

Quatro pontos deram à Hungria o 23.º lugar com "A holnap már nem lasz szomorú" ("a tristeza acaba amanhã") por Karoly Horvath, mais conhecido por Charlie. Este veterano do rock magiar tinha iniciado uma carreira a solo em 1994 marcada pelos blues e essas sonoridades estavam bem patentes na canção que levou a Birmingham. Depois desta participação, a Hungria só voltaria à Eurovisão em 2005. (Aliás a desistência da Hungria, a par da Letónia ter optado por só se estrear no certame em 2000, permitiu a Portugal participar em 1999).

Malina Olinescu (Roménia)

A Roménia tinha-se estreado na Eurovisão em 1994, mas tendo sido afastada da pré-eliminatória de 1996 (tal como em 1993), esta foi apenas a segunda participação deste país. Malina Olinescu cantou a romântica balada "Eu cred" ("eu acredito") que ficou em 22.º lugar com seis pontos, dados por Israel. Infelizmente, Malina cometeu suicídio em 2011, aos 37 anos, ao que parece devido a um desgosto amoroso. 
Katarina Hasprová (Eslováquia)

A terceira participação da Eslováquia fez-se na voz de Katarina Hasprová, que interpretou "Modlitba" ("oração"). O primeiro país a votar, Croácia, deu oito pontos mas mais nenhum pontuou a canção eslovaca, ficando assim em 21.º lugar. Tal como a Hungria, após este ano, a Eslováquia fez um hiato na participação na Eurovisão, apenas regressando em 2009. Filha de pais ligados ao mundo do  espectáculo, Katarina Hasprová dedica-se actualmente ao teatro musical.

Thalassa (Grécia)

Os 12 pontos da nação-irmã de Chipre foram apenas aqueles conseguidos pela canção da Grécia, que se fazia representar com a canção "Mia krifi evesthisia" ("uma sensibilidade escondida") interpretada pelo grupo Thalassa, cuja vocalista era Dionysia Karoki. Houve uma controvérsia por Yannis Valvis, o compositor da canção, descontente com a forma como a actuação estava a ser filmada nos ensaios, ter atitudes agressivas. Por causa disso, o grupo esteve quase a desistir mas acabou por decidir continuar a sua participação sem a presença de Valvis. Os Thalassa separaram-se após a participação eurovisiva e actualmente, Dionysia Karoki é professora de música.

Vlado Janevski (Macedónia)

A Antiga República Jugoslava da Macedónia (assim denominada na Eurovisão - e não só - para evitar confusões com a região grega da Macedónia e as tensões socio-culturais entre os dois países) quis estrear-se em 1996, mas a sua canção não passou na pré-eliminatória e assim só em 1998 é que este país pôde finalmente fazer a sua estreia num palco eurovisivo. Vlado Janevski foi então o primeiro representante deste país, que cantou "Ne Zori, Zoro" ("não amanheças, manhã"), obtendo o 19.º lugar com 16 pontos. 

Vili Resnik (Eslovénia)

Um lugar acima e com mais um ponto ficou a Eslovénia, com Vili Resnik a cantar a balada "Naj bogovi slisjo" ("que os deuses ouçam"). Uma das cantoras do coro era Karmen Stavec, que seria a representante deste país em 2003.

Sixteen (Polónia)

Por seu turno, a Polónia fez-se representar pelo grupo Sixteen, cuja vocalista era Renata Dabkowska, com a canção "To takie proste" ("É tão fácil"). Tratava-se de um tema pop-rock com alguns recortes de música celta que valeu às cores polacas o 17.º lugar com 19 pontos.

Mikel Herzog (Espanha)

O basco Mikel Herzog foi o representante da Espanha, com um look que parecia uma antevisão de como seria o Harry Potter à beira dos quarenta anos. A Birmingham levou a balada "Que voy a hacer sin ti" que ficou em 16.º lugar com 21 pontos. Nos anos 80, Herzog integrou a formação das bandas Cadillac e La Decada Prodigiosa mas não durante o período em que estas foram à Eurovisão (1986 e 1988 respectivamente). Mikel Herzog participou na primeira edição de "Operación Triunfo" com o director da pós-academia que continuava a formação dos concorrentes eliminados. 

Edea (Finlândia)

Havia quem apontasse a canção new-age da Finlândia como uma das favoritas, mas ficou-se apenas pelo 15.º lugar com 22 pontos. "Aava" do grupo Edea, cuja vocalista principal era Marika Krook, detém ainda hoje o recorde como a canção com menos palavras na letra, somente seis, até porque a frase "aava maa avara" ("paisagem aberta e extensa") era repetida dez vezes ao longo da canção.

Tüzmen (Turquia)

Apesar de nos ensaios, a actuação da Turquia ter tido problemas em cumprir a regra dos três minutos de duração, durante a actuação ao vivo tudo correu dentro dos parâmetros requeridos. Tarkan Tüzmen defendeu a balada "Unutamazsin" ("não podes esquecer"), que tinha o dramatismo de um tema de musical tipo "Fantasma de Ópera". Tüzmen lançou dois álbuns em 1996 e 2003, curiosamente intitulados "T1" e "T2" mas é mais conhecido sobretudo por esta participação na Eurovisão (que valeu à Turquia o 14.º lugar com 25 pontos) e por ser irmão de um ex-ministro do seu país.

Koit Toome (Estónia)

Originalmente, Chipre, Estónia e Portugal ficaram empatados em 11.º lugar com 37 pontos, mas mais tarde veio-se a saber que a Espanha tinha comunicado incorrectamente os seus votos, omitindo que os seus 12 pontos eram para a Alemanha. Mas após descoberto o erro, foi deduzido um ponto a Portugal e Estónia que ficaram então ambos em 12.º lugar com 36 pontos.
A Estónia fez-se representar por Koit Toome, então com 19 anos, cantando ao piano "Mere lapsed" ("meninos do mar") que agradou sobretudo aos finlandeses que lhe deram 12 pontos. A partir daí, Koit tornou-se um dos cantores mais populares no seu país. Em 2017, regressou à Eurovisão em dueto com Laura Polvedere (sendo portanto um dos adversários dos nosso Salvador Sobral) mas apesar do tema "Verona" ser um fan favourite, não passou à final.     

Alma Lusa (Portugal)

O grupo Alma Lusa foi o representante de Portugal. Este colectivo foi criado propositadamente para a participação no Festival da Canção de 1998, que acabou por ganhar com a pontuação máxima graças ao tema "Se eu te pudesse abraçar"). Os dois membros mais notórios eram Inês Santos (famosa por ter ganho a segunda edição do "Chuva de Estrelas" imitando Sinead O'Connor) e José Cid (que assim regressava à Eurovisão dezoito anos depois do seu "Adio adieu") sendo os outros componentes Pedro Soares (gaita de foles), Carlos Jesus (guitarra portuguesa), Carlos Ferreirinha (cavaquinho) e Henrique Lopes (adufe). Com tantos instrumentos tradicionais portugueses, era de facto um tema étnico cheio de alma lusa que bem podia ser tema da Expo 98. José Cid gravou também uma versão desta canção para a banda sonora da telenovela "Terra Mãe". 

Michalis Hatzgiannis (Chipre)

Como já foi referido, Chipre ficou em 11.º lugar, com um total de 37 pontos. O seu representante foi Michalis Hatzgiannis (que para esta participação viu o seu nome convertido para Michael Hajiyanni), então com 19 anos que cantou o épico tema "Genesis", que é uma das minhas canções cipriota favoritas na Eurovisão. Hatzgiannis tornou-se nos mais tarde um dos cantores mais populares de língua grega, com enorme popularidade tanto em Chipre como na Grécia. 

Jill Johnson (Suécia)

A morte da princesa Diana em Agosto de 1997 ainda estava bem presente na memória dos europeus, daí que não havia de estranhar que houvesse uma canção dedicada a ela, que foi a da Suécia. Jill Johnson cantou "Kärleken är" ("o amor é"), uma emotiva balada que conquistou 53 pontos que lhe valeu o 10.º lugar. A sua participação no Festival abriu caminho a uma bem-sucedida carreira de Johnson no seu país. Ela tentou regressar à Eurovisão em 2003 mas ficou em quarto lugar na final sueca. 
Dawn Martin (Irlanda)

A Irlanda foi o país mais bem-sucedido na Eurovisão nos anos 90, com quatro vitórias e dois segundos lugares. Desta vez ficou-se por um respeitável nono lugar com 64 anos com o tema "Is Always Over Now" interpretado por Dawn Martin. Esta foi acompanhada em palco por um coro que incluía Paul Harrington, um dos membros do dueto que vencera em 1994. 

Lars Fredriksen (Noruega)

A canção da Noruega teve a particularidade de ter ganho na sua final nacional com a versão em inglês mas como ainda vigorava a regra de obrigatoriedade da língua nacional (que seria removida para o ano seguinte), foi a versão em norueguês que teve de ser apresentada para a Eurovisão. Lars Fredriksen cantou "Altiid Sommer" ("sempre Verão") e obteve o nono lugar com 79 pontos. Um dos cantores do coro, Havard Grytting, voltaria a fazer coro na Eurovisão em mais cinco canções norueguesas. 
Guildo Horn (Alemanha)

A Alemanha apresentou aquela que de longe foi a actuação mais louca da noite. Se o tema "Guildo hat euch Liebe" ("O Guildo ama-te") de Guildo Horn & Die Orthopadischen Strumpfe já era por si só bastante, digamos, surpreendente, em Birmingham Horn não parou quieto durante a actuação, desde subir a um poste de iluminação até descer à assistência, passando por um solo de chocalhos. No final, Rui Unas comentou: "Se isto é o que a Alemanha tinha de melhor, nem quero saber o que ficou de fora." (Eu só não concordo completamente com o Unas porque entretanto ouvi algumas canções da final alemã de 1998 que conseguiam ser piores.) Aliás a escolha de Guildo Horn para representante germânico tinha sido criticado pela imprensa do seu país, mas o factor choque acabou por resultar já que, após a adição dos 12 pontos que os votos de Espanha tinham omitido, ficou em sétimo lugar com 86 pontos e ajudou a renovar o interesse da Eurovisão na Alemanha. O autor da canção, o comediante Stefan Raab, participaria ele próprio no Festival em 2000 com um tema do mesmo estilo.

Mélanie Cohl (Bélgica)

A Bélgica obteve um honroso sexto lugar com 122 pontos. Com 16 anos, Mélanie Cohl era a mais nova cantora em competição mas interpretou o tema "Dis oui" ("diz sim") com bastante segurança. Nesse ano, Mélanie participou na versão francesa do filme "Mulan" da Disney, cantando o tema da personagem principal. Em 2005, deixou a vida artística para se dedicar à família tendo tido dois filhos em 2013, participou no The Voice da Bélgica.       

Danijela (Croácia)

A Croácia foi o primeiro país a actuar e abriu em beleza com o épico e étnico tema "Neka mi ne svane" ("que o sol nunca nasça") interpretado por Danijela Martinovic, que já tinha representado a Croácia em 1995 com o grupo Magazin. O ponto alto da actuação foi quando Danijela deixou cair a capa preta que trazia revelando o vestido branco. Ficou em 5.º lugar com 122 pontos.

Edislia (Holanda)

Em 1997, a holandesa Edsilia Rambley venceu a final europeia do Chuva de Estrelas com a sua imitação de Oleta Adams e no ano seguinte, representou o seu país na Eurovisão com o tema "Hemel en aarde" ("Céu e terra"), um tema pop r&b bem ao som da época. Com 150 pontos e o 4.º lugar, foi o melhor resultado da Holanda desde a sua última vitória em 1975. Edsilia voltou a representa os Países Baixos na Eurovisão em 2007 com o tema "On top of the world", mas não passou da semifinal.     
Chiara (Malta)

Este foi mais um ano em que a votação foi bastante renhida e o pódio só foi decidido na última votação. Antes do último país, a Macedónia, revelar os seus votos, Israel e Malta estavam empatados no primeiro lugar e o Reino Unido a nove pontos. Mas o televoto macedónio deu 8 pontos a Israel, 10 ao Reino Unido e...nenhum a Malta, que se viu assim baixar do primeiro para terceiro lugar no sprint final com 165 pontos. Chiara Siracusa foi a representante maltesa cantando "The one that I love". Esta seria a primeira de três participações de Chiara na Eurovisão, regressando em 2005 (onde foi segunda, igualando o melhor resultado de sempre de Malta) e em 2009 (onde se qualificou para a final mas ficou-se aí pelo 22.º lugar). 

Imaani (Reino Unido)

Foi neste ano que o Reino Unido alargou o seu recorde como o país com mais segundos lugares, obtendo um décimo quinto (e até agora último) título de vice-campeão. Imaani Saleem interpretou o tema house-pop "Where are you?" (pessoalmente o meu favorito deste ano) que obteve 166 pontos.
Desde então, Imaani tem colaborado em vários projectos de jazz e de música de dança, mas só em 2014 é que editou um álbum em nome próprio.

Dana International (Israel)
  
No ano do 50.º aniversário do estado, Israel obteve a sua terceira vitória no Festival da Eurovisão com 172 pontos (12 de Portugal), graças ao tema dance-pop "Diva". Mas se a canção por si só já era material vencedor, o grande furor foi o facto de a sua intérprete Sharon Cohen, mais conhecida pelo seu stagename Dana International, ser a primeira intérprete transsexual a participar na Eurovisão. Nascida com o sexo masculino e o nome de Yaron, em 1993 Cohen tornou-se um indivíduo do sexo feminino após uma operação de mudança de sexo realizada em Londres. Um popular figura da comunidade LGBT de Tel Aviv e já com uma assinalável carreira de popstar no seu país, Dana International foi escolhida directamente pela televisão israelita para ser a representante da nação, uma escolha que indignou os sectores mais conservadores da sociedade israelita, sobretudo a comunidade judia mais ortodoxa e a cantora chegou a Birmingham rodeada de um grande dispositivo de segurança. No entanto, nada de grave aconteceu e a sua vitória foi bem-recebida em Israel e "Diva" (que exaltava mulheres poderosas como Cleópatra e a deusa Afrodite) foi um hit em toda a Europa.
No Festival do ano seguinte, Dana protagonizou um momento caricato ao cair em palco quando ia a entregar o troféu à interprete vencedora desse ano. Tal como os representantes da Holanda e Estónia, Dana International teve um regresso infeliz à Eurovisão, não passando da semifinal quando representou novamente Israel em 2011 com o tema "Ding Dong". Foi também co-autora da canção israelita de 2008. 

O triunfo de Dana International no Festival da Eurovisão em 1998 é particularmente notável se tivermos em conta que na altura, não havia quase nenhuma visibilidade junto do grande público relativamente a pessoas transgénero e a questão da transsexualidade era abordada sobretudo de forma circense e/ou à laia da chacota (antes da actuação israelita, Rui Unas não resistiu a martelar uma piada: "Boa sorte para ela...ou para ele."). Aliás terá sido por isso que Dana optou por usar um convencional vestido prateado para a sua actuação e vestir apenas o exuberante vestido de penas de pássaros de Jean-Paul Gaultier que envergara nos ensaios para a reprise vitoriosa.
Ainda assim, muitos apontam este acontecimento como o primeiro grande marco rumo à aceitação e integração de pessoas transgénero no mundo. Um rumo que sem dúvida conduziu à vitória na Eurovisão de outra personalidade transgénero, Conchita Wurst, em 2014.   

Festival da Eurovisão 1998 (comentários em alemão):

  
Todos os postcards do Festival da Eurovisão de 1998


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