quinta-feira, 19 de julho de 2018

Com A Verdade M'Enganas (1994)

por Paulo Neto

Após o (literalmente) explosivo final de "Roda da Sorte", transmitido no último dia de 1993, Herman José estreou pouco depois, no início de 1994, o seu novo concurso, "Com A Verdade M'Enganas" (sim, com o pronome apostrofado), onde fez-se acompanhar com os seus comparsas da "Roda da Sorte", Cândido Mota e Ruth Rita no mesmo horário de fim de tarde da RTP1 onde nos três anos anteriores girou a Roda.



Ao contrário da "Roda" que era adaptado de um original americano, este concurso era um conceito original, num cenário cheio de referências à banda desenhada e à pop-art de Roy Lichtenstein e afins. 
Cada programa tinha duas equipas de dois concorrentes formadas por sorteio prévio, pois cada um dos quatro concorrentes inscrevia-se individualmente e era constituído por cinco jogos e um puzzle final. Existem vários episódios do concurso no YouTube mas para servir de exemplo, vamos recorrer à prata da casa e utilizar o programa disponibilizado na Enciclopédia TV (subscrevam no YouTube, SFF!), que foi precisamente a primeira sessão do concurso a ser exibido na RTP. Trata-se da primeira de cinco sessões experimentais exibidas na semana de estreia, onde dois convidados famosos formava equipas com pessoas anónimas, neste caso Ana Bola e um rapaz chamado Miguel formaram a equipa A e Vítor de Sousa e uma rapariga chamada Cristina compunham a equipa B.



Jogo 1: Com A Verdade M'Enganas



No primeiro jogo, os membros de uma equipa tinham de adivinhar se duas afirmações sobre cada um dos concorrentes da equipa adversária eram verdade ou mentira. Cada resposta acertada valia 20 pontos.
Neste jogo, ficámos a saber que Ana Bola odeia feijão verde, que Miguel trazia boxers às riscas cor-de-rosas (que obviamente mostrou), que Vítor de Sousa tem mais de 200 miniaturas de cavalos e que Cristina odeia a cor lilás e arroz de polvo.

Jogo 2: Perguntas de cultura geral



O segundo jogo eram perguntas de cultura geral com três hipóteses de resposta. Para serem os primeiros a responder, as equipas usavam um botão que simulava um manípulo detonador de bombas. Cada resposta certa valia 20 pontos.

Leilões de letras


Depois de cada jogo, tinham lugar os leilões de letras. Ruth Rita surgia trazendo letras ora dentro de um carrinho de gelados ora de um carrinho de cabides e Herman escolhia um ou duas letras que fariam (ou talvez não) parte do puzzle final. As equipas licitavam os pontos que tinham até então sendo as letras arrematadas pela equipa que oferecesse mais pontos.

Jogo 3: Erros do Texto

No terceiro jogo, Cândido Mota lia um texto no original (neste caso um poema) e depois uma versão com erros, que as equipas tinham de detectar e corrigir e cada correcção acertada valia 20 pontos.
Neste programa por exemplo, em vez de "viu-se num outeiro com casas e árvores espalhadas", a nova versão dizia "sentou-se num outeiro com vacas e árvores empalhadas". 

Jogo 4: Sala das torturas
Um dos elementos de cada equipa seguia para outro parte do cenário onde se sentavam numas cadeiras a fazer lembrar as cadeiras eléctricas para jogar o quarto jogo em que à vez, um concorrente tinha 30 segundos para fazer rir o outro.
Nesta sessão experimental, Vítor de Sousa conseguiu resistir às tentativas de Ana Bola mas esta desmanchou-se a rir mal o seu colega proferiu o seu mítico bordão "Sobral do Monte Agraço já tem um parque infantil!", vindo de um anúncio do detergente Tide.
Neste jogo o concorrente que fizesse o adversário rir em menos tempo ganhava 40 pontos para a sua equipa. Caso nenhum dos concorrentes se risse ao fim dos 30 segundos, seria a assistência do programa a desempatar.
Nas sessões iniciais, os concorrentes geralmente não iam além de contarem anedotas ou dizer insistentemente "ri-te lá!" mas com o tempo, e sob apelo do Herman, os concorrentes começaram a preparar melhor este jogo, alguns trazendo alguns adereços. Recordo-me de uma concorrente que tentou recriar um anúncio de champô (o "Cabeça e Ombros", em alusão à marca "Head & Shoulders" - actual "H&S"- então recentemente chegada ao mercado português) pegando num frasco enorme e deitando partículas de esferovite sobre o cabelo.

Jogo 5: Letras aldrabadas

O quinto jogo era de longe o meu preferido e uma das principais razões porque mantive memórias deste concurso. Em cada sessão, um convidado musical, acompanhado ao piano por Pedro Duarte (que dava os apontamentos musicais ao vivo ao longo do programa), cantava uma canção do seu repertório e depois uma versão com erros na letra que os concorrentes tinham de detectar e corrigir, ganhando 20 pontos por cada correcção. Escusado será dizer que estas letras aldrabadas eram extremamente hilariantes e quase sempre os cantores ficavam perdidos de riso (e de algum embaraço) a tentar cantar as novas palavras. Para completar a farra, os membros da assistência que se viam ao fundo neste jogo costumavam fazer umas coreografias para acompanhar a canção.
Nesta sessão experimental, o convidado foi Clemente que cantou um dos seus temas mais emblemáticos, "Vais Partir" e viu-se depois a cantar "vais dormir (partir) naquela estrada" e "nuvens de alegria e mil gaitas (ventos) a cantar".     

Eis algumas das mais famosas letras aldrabadas que me recordo
Paulo Gonzo "Jardins Proibidos": "Rasga-se o Abreu (o céu) e lá vou eu"
Anabela "A Cidade (Até Ser Dia)": "De madrugada saio para a rusga (rua)", "entre um tiro (gin) e um beijo", "parto (sinto) tudo o que vejo, há um sarilho (brilho) no ar."
Dulce Pontes "Os Índios da Meia-Praia": "Vou fazer uma chinesa (casinha)", "com sete palmos de whisky (terra) se constrói uma bezana (cabana)"
Armando Gama "Esta Balada Que Te Dou": "Um sonho, uma curte (um livro)" (Aliás, foi neste programa que descobri que afinal ele não dizia "um sonho lindo".)
Manuela Bravo "Sobe Sobe Balão Sobe": "Nem uso preservativo (passaporte)"
Ágata "Perfume de Mulher": "Que eu morro de urticária (ciúme)", "Leva o soutien (perfume) da outra mulher."

Outras memórias:
- Quando Simara foi ao programa, Herman não resistiu em aproveitar o facto de ela ser brasileira para na versão aldrabada de uma canção que ela cantou substituir "saudades" por uma célebre palavra utilizada para definir um estado de excitação sexual que é semi-palavrão em Portugal mas que não tem essa conotação no Brasil (e que aliás os portugueses tinham ouvido regularmente na música do genérico da telenovela "Tieta"). E numa outra sessão com Dina, esta viu-se a cantar uma palavra semelhante mas que não é asneira e aliás faz parte da mitologia grega.
- Da mesma forma, quando Io Apolloni foi ao programa, Herman aproveitou as origens dela para introduzir palavras em italiano na versão aldrabada que ele retirou de uma revista de automóveis, como "sospensioni" e "servo freno".


Puzzle final

A equipa com mais pontos ao fim dos cinco jogos jogava o puzzle final onde tinha de adivinhar uma palavra-chave formada a partir de outras sete palavras que um dos concorrentes tinha de explicar por mímica, tendo como ajuda as letras que adquiriu durante os leilões, em 120 segundos.
Nesta sessão, Ana Bola fez a mímica das palavras (eram permitidos sons, como o que ela usou para a palavra "surdo" mas não podia dizer quaisquer palavras) que Miguel adivinhou correctamente, sendo que a palavra-chave do puzzle era corifeu.
Caso a equipa acertasse na chave-final, cada um dos elementos ganhava 600 contos (cerca de 3000 euros), caso contrário ganhavam os pontos que tinham acumulado em contos. A outra equipa recebia como prémio de consolação pequenos electrodomésticos (ou não fosse o concurso patrocinado pelas então inevitáveis Lojas Singer) como walkmans ou máquinas de pregar botões.



Ao contrário da "Roda da Sorte", "Com A Verdade M'Enganas" durou apenas alguns meses mas mesmo assim era um concurso agradável de se ver e ao qual Herman José imprimia todo o seu génio.
E já agora, o que será feito de Ruth Rita? Em 2008, quando a SIC recuperou brevemente a "Roda da Sorte", Herman José referiu que ela estava a tirar um curso de enfermagem e um artigo de 2011 do site do Correio da Manhã refere que ela tinha uma loja de roupa em Telheiras.

Ruth Rita em 2008 no programa Episódio Especial da SIC: Link
Além do Youtube, as sessões do programa estão disponíveis na RTP Play

domingo, 15 de julho de 2018

Whitney Houston na final do Mundial de Futebol 1994


por Paulo Neto

Depois de um artigo sobre a cerimónia de abertura do Mundial de Futebol de 1994 nos Estados Unidos, porque não outro sobre a cerimónia de encerramento do mesmo certame? Especialmente se a protagonista dessas festividades era nada menos que Whitney Houston.

O Estádio Rose Bowl em Pasadena recebeu a final do Mundial de Futebol de 1994


No dia 17 de Julho de 1994, após 51 jogos disputados, Brasil e Itália disputavam a final do Mundial de Futebol no Estádio Rose Bowl na cidade californiana de Pasadena, um dos municípios do condado de Los Angeles. Quem quer que ganhasse seria o primeiro país a alcançar o tetra já que tanto os canarinhos como os azzuri contavam com três vitórias no palmarés. Pelo lado do Brasil, estavam jogadores como Romário, Bebeto, Dunga, Cafu e Tafarel enquanto a Itália tinha no seu plantel nomes como Baresi, Maldini, Donadoni e Roberto Baggio (que não tinha qualquer parentesco com o colega de selecção Dino Baggio).

Mas antes do jogo, e tal como aconteceu na cerimónia de abertura, o ambiente do estádio foi preenchido com música e dança. Na altura, Whitney Houston ainda colhia os frutos do sucesso do filme "O Guarda-Costas", estava prestes a rodar o seu segundo filme, "Quatro Mulheres Apaixonadas" e tinha dado à luz a sua filha no ano anterior. Decerto que ninguém imaginaria que ela estaria apenas mais dezoito anos neste mundo.

Whitney Houston entrou no estádio de mão dada com Pelé


Whitney Houston entrou no Rose Bowl de mão dada com Pelé himself e subiu ao palco para interpretar uma medley de algumas das suas canções mais conhecidas. Eis o vídeo da sua actuação na transmissão da televisão italiana:



- Houston começou com aquele que foi talvez o seu maior hit dos anos 80, "I Wanna Dance With Somebody". Tal como no espectáculo de abertura, o relvado estava cheio de bailarinos e de figurantes. Estes seguravam bandeiras coloridas que continham o código FIFA de cada um dos vinte e quatro países participantes no Mundial. A certa altura entram mais figurantes cada um trazendo uma bandeira de cada um dos 147 países que disputaram a qualificação para este Mundial (aos 3:38 é visível a bandeira de Portugal).

- A actuação e a coreografia continuou ao som "How Will I Know".
- E claro que não podia faltar um dos temas mais emblemáticos, "I Will Always Love You". (Atenção ao rapaz de boné e T-shirt atrás de Houston que no clímax da canção, desata a fazer lipsynching).


- Ao som de "I'm Every Woman", o relvado enche-se agora de bolas insufláveis. Os bailarinos no círculo central do campo formaram também uma bola com painéis pretos e brancos.
- O espectáculo continuava com "So Emotional" e aos 11:52 vê-se novamente a bandeira de Portugal.



- Segue-se um momento UNICEF com Houston a cantar "The Greatest Love Of All" rodeada de crianças com equipamento de futebol (nem sequer faltou um petiz com uma camisola mega-fluorescente semelhante àquelas envergadas por Jorge Campos, o guarda-redes da selecção mexicana).
- A terminar em beleza, seiscentas crianças correm pelo relvado fora, são formadas duas bandeiras do Brasil e de Itália e milhares de balões coloridos são largados no estádio ao som de foguetes



Quanto ao jogo em si, esteve longe de ter a emoção deste início de festa, uma vez que não se registaram golos ao fim dos 90 minutos regulamentares e dos 30 de prolongamento, sendo por isso a primeira final de um campeonato do Mundo a ser decidida nas grandes penalidades.
Franco Baresi e Márcio Santos falharam os primeiros penaltis mas os cinco que se seguiram foram convertidos por brasileiros e italianos até que o remate de Daniele Massaro foi defendido por Taffarel ao passo que Dunga facilmente marcou na baliza de Gianluca Pagliuca. As esperanças italianas estavam agora na sua maior estrela, Roberto Baggio, que na altura ostentava o seu icónico look do rabo de cavalo com trancinhas (naqueles tempos, só mesmo um italiano para usar um penteado desses e mesmo assim exalar virilidade por todos os poros). Mas Baggio remataria ao alto e o tetra foi para o Brasil.
Enquanto um Baggio destroçado permanecia imóvel diante da baliza, os canarinhos comemoravam no relvado não faltando sequer uma homenagem a Ayrton Senna, falecido a 1 de Maio desse ano.   

Roberto Baggio foi o resto da tristeza italiana pela derrota
A homenagem da selecção brasileira ao então recém-falecido Ayrton Senna







quinta-feira, 5 de julho de 2018

Top 5 Canções de Cyndi Lauper

por Paulo Neto

Cyndi Lauper é sem dúvida uma das cantoras mais icónicas dos anos 80 e mesmo sem nunca mais se aproximar do auge da fama que teve nessa década, onde chegou a andar taco-a-taco em níveis de popularidade com Madonna, continua a ter uma carreira bem activa na música, para além de algumas incursões na representação e no activismo de várias causas que defende como os direitos da comunidade LGBT. É daquelas cantoras que, mesmo sem o êxito de outrora, toda a gente gosta de saber que ainda anda por aí a cantar e muitos artistas da actualidade citam-na como influência. Eu tenho o seu álbum de 2008, "Bring Ya To The Brink" e tenho imensa pena que este disco não tenho sido um renascimento para Lauper como "Believe" foi para Cher. 



Para este top 5 restringi-me à discografia da carreira de Cyndi Lauper no século XX, mas mesmo assim tive de deixar algumas canções na categoria de menção honrosa: "The Goonies R Good Enough" (1985), "True Colours" (1986), "The World Is Stone" (1992), "Sally's Pigeons" (1993), "I'm Gonna Be Strong" (1994) e "You Don't Know" (1996). Também não vou incluir o "We Are The World", embora as partes que ela canta sejam uma das minhas favoritas de toda a canção


5 "I Drove All Night" (1989)

Primeiro single do seu terceiro álbum "A Night To Remember", "I Drove All Night" foi o último grande hit de Cyndi Lauper nos Estados Unidos, recebendo uma nomeação para um Grammy. Escrita pela dupla Billy Steinberg e Tom Kelly, a mesma que lhe compôs "True Colours", o tema foi originalmente gravado por Roy Orbinson em 1987 mas a sua versão só seria editada em single postumamente em 1992 (com um vídeo protagonizado por Jason Priestley e Jennifer Connelly). 
No vídeo, Lauper surgia com uma imagem mais polida, abandonando as roupas espampanantes e os cabelos de cores garridas, mas mantendo alguns elementos que eram a sua imagem de marca como os seus movimentos espalhafatosos a dançar. Outra versão bastante conhecida é aquela gravada por  Céline Dion em 2003, num registo dance-pop.





4 "Change Of Heart" (1986)

O segundo single do álbum "True Colours" contava com umas convidadas bem conhecidas, as Bangles, que gravaram os coros para este "Change Of Heart", onde Cyndi Lauper canta a possibilidade de que uma amizade se torne algo mais a alguém que hesita em dar esse passo. O videoclip foi filmado na Praça Trafalgar em Londres, mas apesar disso "Change Of Heart" não fez muito sucesso em terras britânicas; em contra-partida, foi um dos seus singles mais bem-sucedidos em França. O tema continua a ser um favorito dos fãs, pelo que Lauper canta-o frequentemente nos seus concertos numa versão acústica. 



3 "She Bop" (1984)

Os anos 80 popularizaram uma mão cheia de canções sobre... o amor solitário ("Turning Japanese", "Dancing With Myself", "Shock The Monkey") e Cyndi Lauper adicionou uma perspectiva feminina a esse rol com "She Bop", um dos singles do icónico álbum "She's So Unusual". Apesar as alusões a masturbação serem facilmente perceptíveis e de até ter sido incluído na lista das quinze canções mais condenáveis pela comissão PMRC liderado por Tipper Gore, o tema passou nas rádios sem grandes censuras. O respectivo videoclip é um dos mais emblemáticos da cantora nova-iorquina com participações especiais dos wrestlers Lou Albano e Wendy Richter (na altura, Lauper era presença regular em eventos da WWF), um cenário em que um restaurante de fast food transforma pessoas em clones zombie e uma sequência em animação. Anos mais tarde, Cyndi Lauper revelou que gravou esta canção em topless e que os risos que se ouvem resultaram de cócegas auto-infligidas. 


2 "Time After Time" (1984)

Indubitavelmente uma das grandes referências na baladaria dos anos 80, "Time After Time" foi uma das últimas canções a serem escritas para o álbum "She's So Unusual". A editora inicialmente queria que este fosse o primeiro single mas Lauper opôs-se, não querendo que a sua primeira imagem junto do público fosse a de uma cantora romântica. Segundo ela, a ideia para o título surgiu-lhe enquanto folheava uma revista de televisão e deparou-se com o filme de ficção científica de 1979 "Time After Time" (título em Portugal "Os Passageiros do Tempo"). 
A canção foi escrita por Cyndi Lauper em parceria com Rob Hyman dos The Hooters, que também providenciou a voz masculina que se ouve no refrão. O videoclip contava com a participação da sua mãe Cathy, do seu irmão Butch e David Wolff, então seu namorado e manager. Tanto a escrita da canção como as lágrimas reais de Cyndi no final videoclip resultaram das dificuldades da sua relação com Wolff, que terminou em 1988. (Lauper encontraria a felicidade conjugal pouco tempo depois junto do actor David Thornton, com quem é casada desde 1991 e de quem tem um filho).

"Time After Time" foi n.º 1 nos Estados Unidos e no Canadá e é a canção de Lauper mais versionada por outros artistas, como por exemplo Miles Davis, INOJ, Novaspace, Everything But The Girl, Willie Nelson, Eva Cassidy e Anna Kendrick.



1 "Girls Just Wanna Have Fun" (1983)

Sem surpresas, a canção de Cyndi Lauper que ocupa o n.º 1 na minha lista é aquela que é sem dúvida a sua canção-assinatura. Mas sabiam que aquele que é tido como um dos grandes hinos femininas da música pop é uma versão e foi inicialmente gravada por um homem?
Robert Hazard escreveu "Girls Just Wanna Have Fun" (reza a lenda que a ideia surgiu-lhe quando estava numa banheira) e gravou-a num estilo punk-rock em 1979. Nesta versão, o ponto de vista é masculino e a "diversão" que as raparigas querem era um tempo bem passado no quarto dele. Por causa disso, Cyndi Lauper estava renitente em gravar uma versão até que ela e o produtor Rick Chertoff tiveram a ideia de, com alguns retoques na letra, convertê-la num hino feminista, com Lauper a cantar a plenos pulmões que as mulheres têm tanto ou mais direito à diversão que os homens. Certos do sucesso que o tema teria, Lauper e David Wolff convenceram a editora a lançar "Girls Just Wanna Have Fun" como o primeiro single em vez de "Time After Time" e a opção resultou, tendo sido n.º 1 na Austrália, Irlanda, Noruega e Nova Zelândia e n.º 2 nos Estados Unidos e no Reino Unido e nomeado para dois Grammys. O respectivo videoclip, vencedor de um Grammy e de um Prémio MTV, é igualmente lendário, com Cyndi Lauper a conduzir um grupo de raparigas que se transforma numa multidão para uma festa privada no seu quarto, para desespero dos seus pais (novamente Lou Albano e Catrine Dominique, a mãe de Cyndi). A roupa que ela usa no vídeo era de Screaming Mimi's uma loja de roupa vintage onde trabalhou antes de assinar o contracto discográfico.
Em 1994, Cyndi Lauper regravou a canção num estilo reggae sob o título "Hey Now (Girls Just Wanna Have Fun)" para promover o seu álbum best of "Twelve Deadly Cyns". O tema foi ainda versionado por mais de trinta artistas e foi usado em inúmeros filmes e programas de televisão.


Bónus: "Into The Nightlife" (2008)




terça-feira, 26 de junho de 2018

Saber Amar (2003)


por Paulo Neto

Sem dúvida que um dos trunfos da TVI na sua revolução do panorama televisivo no início do século XXI foi a sua aposta em telenovelas nacionais que a partir de títulos como "Jardins Proibidos", "Olhos de Água" e "Anjo Selvagem" começaram a enfrentar e eventualmente derrubar o até então inabalável domínio das telenovelas brasileiras. Em 2003, a máquina de telenovelas da TVI já estava bem oleada e por entre as estreias do género desse ano, destaca-se "Saber Amar" cuja exibição atravessou todo esse ano civil (20 de Janeiro a 6 de Dezembro).



Da autoria de Maria João Mira e do colectivo Casa De Criação, a trama da novela inspirava-se na história de "Sabrina", uma peça teatral de Samuel A. Taylor famosamente adaptada em filme em 1954 com Humphrey Bogart, Audrey Hepburn e William Holden, e na remake de 1995. 

Depois de seis anos a estudar Biologia Marinha nos Estados Unidos, Diana Alfarroba (Leonor Seixas) regressa ao Algarve onde cresceu para trabalhar no Zoo Marinho (na verdade, o famoso parque oceanográfico ZooMarine em Albufeira) onde pretende desenvolver uma terapia de golfinhos para crianças problemáticas.

Rodrigo (Rodrigo Menezes) e
Diana (Leonor Seixas)


Em tempos, Diana era uma menina sonhadora, filha dos caseiros da abastada família Macedo Vaz, que costumava assistir do alto de uma árvore às faustosas festas dadas pelo clã e com uma paixoneta especial pelo jovem Rodrigo (Rodrigo Menezes). Agora uma mulher bonita e determinada, o seu regresso vai desencadear um teia de paixões e intrigas.

Jorge (Ruy de Carvalho), o patriarca dos Macedo Vaz é conhecido tanto pelo seu olho para os negócios como pela sua excentricidade. Tem um longo e feliz casamento com Helena (Maria Emília Correia) embora esta, mais ligada ao status quo, fique frequentemente exasperada com a exuberância do marido, piorando a sua gaguez. Aposentado, Jorge passa o comando dos seus negócios ao filho mais velho João Pedro (Marcantónio Del Carlo), que herdou o talento do pai. Já os outros filhos têm outras ideias: Carolina (Patrícia Ribeiro) quer traçar o seu próprio rumo e Rodrigo não tem intenção de abandonar a sua vida irresponsável de playboy.

Rita (Dina Costa Félix)


Rodrigo está noivo de Rita Higgins (Dina Félix da Costa), filha de Mary Higgins (Ana Zanatti) uma inglesa snob há muito radicada em Portugal. O noivado dos dois jovens é essencial para selar um importante negócio e salvar os Higgins da ruína. Rita é apaixonada por Rodrigo mas este não lhe liga muito, preferindo continuar a sua vida desregrada. Contudo quando reencontra Diana, Rodrigo fica fascinado por ela e decide ir contra a família, tentando conquistá-la e rompendo o noivado, para choque de Helena e Mary. Mas vai ter um rival de peso: o próprio irmão!

João Pedro (Marcantónio Del Carlo)

Desde que a sua mulher Carmo (Ana Nave) desapareceu anos antes, João Pedro tornou-se um homem frio e taciturno, vivendo apenas para o trabalho e para os filhos. Mas Diana vai mexer com o seu coração. E com Diana dividida entre a antiga paixão por Rodrigo e os inesperados sentimentos por João Pedro, a jovem passará por alguns tormentos pessoais e profissionais, sobretudo quando Carmo regressa, tornando-se a sua principal antagonista.

Outro par romântico de destaque é o de Tião (Sérgio Praia) e Lúcia (Lúcia Moniz). Sebastian Higgins, mais conhecido como Tião, jovem empreendedor, não liga nada a convenções sociais, ao contrário da mãe e da irmã. Por isso, apaixona-se por Lúcia Vidal, prima de Diana, que trabalha como guia turística. Lúcia faz parte da divertida família Vidal que também é composta pelos pais Gracinda (Ângela Pinto) e Tolentino (Pompeu José) e os seus irmãos João (Ricardo Pereira), Joana (Joana Dias) e Óscar (Manuel Melo), mais conhecido como o "Girafa".

Girafa (Manuel Melo)


"Girafa" é uma espécie de mini Zezé Camarinha que gosta de lançar o seu bizarro mas eficiente charme às turistas, mas é Íris (Sílvia Rizzo), a dona do bar da praia, uma mulher misteriosa vinda de Lisboa quem o impressiona mais.
O actor Manuel Melo obteve este papel devido à sua participação no programa "Academia de Estrelas" sendo que duas outras concorrentes, Cláudia Marques e Vanessa Silva, tiveram também pequenos papéis na telenovela. 

Outra personagem cómica é Ana Simão, a Nicas (Inês Rosado), estudante de Arqueologia que trabalha nas ruínas da Boca do Mar. Nicas interessa-se por Tião e pretende subir na vida através dos Higgins mas os seus planos saem sempre furados, muito por culpa da atracção incontrolável que nasce entre ela e o bonitão Luís Miguel (Rui Santos), cujo fulgor fá-los passar por algumas situações comprometedoras...
O elenco da telenovela contou ainda com Milton Lopes (Zé Café), Orlando Costa (Emanuel), Ângela Ribeiro (Josefa), Margarida Cardeal (Elisete), Marco Delgado (Guga) e Gonçalo Diniz (Rui).   

Com uma trama romântica com vários laivos de humor e bonitas paisagens algarvias filmadas no Burgau, "Saber Amar" foi outra telenovela da TVI que fez sucesso na altura e cimentou o triunfo da sua aposta na teledramturgia nacional. Segundo a Wikipedia, é a telenovela mais exportada da TVI, tendo sido exibida na Rússia, na Ucrânia e em vários países da América Latina.







Além do tema do genérico que também dava nome à telenovela, "Saber Amar" dos Delfins - uma versão de 1997 de um original dos brasileiros Paralamas do Sucesso - a banda sonora incluía um tema do actor Rodrigo Menezes, "Se Tu Existes", que ilustrava as cenas românticas da sua personagem com Diana. Uns meses antes, o actor tinha editado aquele que seria o seu único álbum em vida, "Um Amor Não Morre Assim", tendo desde então preterido a música a favor da representação, tendo entrado em várias outras telenovelas da TVI (por exemplo "Doce Fugitiva" e "Meu Amor") até ao seu falecimento prematuro em 2014 aos 40 anos. Um segundo álbum foi editado postumamente. 

Rodrigo Menezes (1974-2014)
    Genérico de abertura:


Promos da estreia





Excertos da telenovela:







quinta-feira, 14 de junho de 2018

Cerimónia de Abertura do Mundial de Futebol 1994

por Paulo Neto

No que diz respeito ao futebol, sempre me interessei mais por competições de selecções nacionais do que de clubes. Embora seja assumidamente do Benfica (e retire o ocasional regozijo dos desaires do Sporting e do FC Porto), nunca perdi sono por causa de períodos de maus resultados dos encarnados ou fui de clubismos desenfreados (e agora muito menos). No entanto, vibro quando joga a selecção nacional (ainda não acredito que já não morro sem ver Portugal a ganhar um grande título!) e sempre gostei de seguir os Europeus e os Mundiais de Futebol, mesmo nos tempos em que era costume Portugal ficar de fora da festa, o que felizmente deixou de ser hábito.

Espanha 1982 foi o primeiro Mundial (ou como também se diz, a primeira Copa) da minha existência mas o meu eu de dois anos não guardou qualquer memória do certame, nem sequer a do mítico Naranjito. As minhas primeiras memórias de uma Copa remontam portanto ao México 1986, o dos  Saltillos de Portugal e da Mão de Deus de Maradona. Seguiu-se Itália 1990, que muitos consideram o pior Mundial de sempre, em que somente a irreverência dos Camarões contrariou o futebol pouco emocionante e demasiado agressivo que foi jogado em terras transalpinas.



Porém creio que o Mundial que mais me terá marcado foi o de 1994 nos Estados Unidos, do qual guardo várias memórias. Por exemplo, o belíssimo golo do saudita Al-Owairan à Bélgica, os equipamentos ultra-fluorescentes do guarda-redes mexicano Jorge Campos, a poderosa dupla Romário-Bebeto e na final Brasil-Itália, o desalento de Roberto Baggio ao falhar a penalidade decisiva e a homenagem dos brasileiros ao recém-falecido Ayrton Senna. Também houve memórias menos boas como a de Maradona apanhado nas malhas do doping (não sem antes marcar um belo golo à Grécia) ou o assassínio do colombiano Andrés Escobar, que marcara um autogolo que ditou a eliminação de uma selecção da Colômbia que prometia tanto, quando este regressou ao país.

Oprah Winfrey conduziu a cerimónia de abertura
do Mundial de Futebol de 1994 em Chicago


Uma das minhas principais memórias do Mundial do Futebol de 1994 foi precisamente a cerimónia de abertura, que decorreu em Chicago no dia 17 de Junho antes do jogo inaugural entre a Alemanha e a Bolívia. Na altura, o soccer era um desporto de segunda linha (se tanto!) nos States mas não foi por isso que os americanos deixaram de montar um espectáculo de arromba, conduzido por Oprah Winfrey. Para mim continua a ser a cerimónia inaugural de um Mundial que mais se aproximou da espectacularidade uma cerimónia de abertura de uns Jogos Olímpicos. O que não quer dizer que não tenha tido vários momentos cromos, bem pelo contrário.
Eis o vídeo da cerimónia através da transmissão da televisão chilena:



- A cerimónia começou com centenas de voluntários a formar o logótipo oficial da competição no relvado do Estádio Soldier Field em Chicago do qual são largados centenas de balões azuis e vermelhos.

- Oprah Winfrey dá as boas vindas aos 60 mil espectadores presentes no estádio (incluindo Bill e Hilary Clinton, o chanceler alemão Helmut Kohl e o presidente boliviano Gonzalo Sanchez de Lozada) e aos milhões de telespectadores de todo o mundo.
- Diana Ross corre pelo relvado para cantar uma medley dos seus êxitos, começando com "I'm Coming Out". Ao lado vêem-se muitos voluntários/bailarinos vestidos de branco segurando círculos com um lado branco e um lado preto para algo a ser utilizado num quadro posterior. Antes de subir ao palco, um momento caricato: Diana Ross deveria marcar um golo de penalti numa baliza à frente do palco que se partiria em duas mas...não é que ela rematou bem ao lado?



Uma vez em palco, Miss Ross continuou a sua medley com "Why Do Fools Fall In Love", "Chain Reaction" e "Ain't No Mountain High Enough", acompanhada por bailarinos e alguns habilidosos da bola devidamente equipados. 


O palco estava decorado com faixas com as bandeiras e os nomes dos 24 países participantes: Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Bélgica, Bolívia, Brasil, Bulgária, Camarões, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Grécia, Holanda, República da Irlanda, Itália, Marrocos, México, Nigéria, Noruega, Roménia, Rússia, Suécia, Suíça e Estados Unidos
- Alan Rothenberg, presidente do comité organizador do Mundial de Futebol de 1994, faz o seu discurso de boas-vindas.

- Oprah Winfrey anuncia a parada das 24 nações participantes da competição através das suas respectivas danças tradicionais, executadas por um grupo de bailarinos de cada país e com uma espécie de pavão humano com uma cauda gigante das cores da bandeira do respectivo país. Claro que a Argentina foi representada pelo tango, o Brasil pelo samba, a Itália pela tarantela e Espanha pelas sevilhanas. Mas também há que destacar para a performance "Andes meets Las Vegas" da Bolívia, a alegria dos ritmos africanos de Camarões e Nigéria, as jovens bailarinas da Irlanda (1994 foi o ano em que surgiu o fenómeno "Riverdance"), as rotações coreográficas da Coreia do Sul e as espadas da Arábia Saudita.

No relvado, os voluntários usam os círculos com um lado preto e um lado branco para "escrever" o respectivo código FIFA de três letras de cada país (por exemplo BRA para Brasil, NGA para Nigéria ou SUI para Suíça), rodeados pelas bandeiras dos países. Após a sua actuação em palco, a trupe de cada país e o "pavão" dirige-se para sua respectiva bandeira.

- O brasileiro João Havelange, então presidente da FIFA, convida (em portunhol) o então presidente americano Bill Clinton a declarar o Mundial oficialmente aberto.
- O cantor Richard Marx (de "Hazard" e "Right Here Waiting") canta o hino americano.
- Segue-se a actuação do cantor cubano-americano Jon Secada que apresentava dois temas do seu repertório: "If You Go" e "Do You Believe In Us". E eis outro momento caricato com a imagem de Secada a cantar dentro de um buraco. Veio-se a saber mais tarde que o cantor caiu acidentalmente lá para dentro (o mesmo aconteceu a Oprah Winfrey depois de anunciar Diana Ross) tendo mesmo deslocado um braço. Mas imbuído pelas máximas de "quem canta seus males espanta" e "the show must go on", Jon Secada não se deixou abater pelo percalço (nem com um pequeno enredamento no fio do microfone) e deu tudo na sua actuação, enquanto os bailarinos dos países davam a volta ao estádio. 
- Por fim, a canção oficial do torneio "Gloryland" interpretada por Daryl Hall (conhecido sobretudo pelos seus êxitos em dupla com John Oates) e The Sounds Of Blackness.
Durante a actuação, alguns bailarinos com fatos dourados formam uma espécie de réplica gigante do troféu da FIFA (e por pouco que a bola não caía do topo!)
Por fim, Franz Beckenbauer, seleccionador da Alemanha vencedora da Copa anterior em 1990, sobe ao palco trazendo consigo o verdadeiro troféu.


- Depois foi o jogo em que a Alemanha venceu a Bolívia por 1-0. Os alemães venceriam o grupo C e chegariam até aos quartos de final onde perderam para a Bulgária (que seria uma surpreendente quarta classificada) e os bolivianos (que tinham surpreendido na qualificação ao ganharem 2-0 ao Brasil) deixaram os Estados Unidos após a fase do grupos, após nova derrota com a Espanha e um empate com a Coreia do Sul, e desde então nunca mais se qualificaram para um Mundial. O único golo da Bolívia foi marcado contra a Espanha por Erwin Sanchez que na altura jogava no Boavista e também passaria pelo Benfica.

Cerimónia de abertura do Mundial de 1994 na televisão brasileira:
(a qualidade de imagem não é muito boa)


Daryl Hall & The Sounds Of Blackness "Gloryland"



quarta-feira, 6 de junho de 2018

Dossier Pelicano (1993)

por Paulo Neto

Julia Roberts é porventura a actriz da qual eu terei visto mais filmes. Embora eu tenho uma ligeira preferência por ver a eterna "Pretty Woman" em papéis cómicos, também gosto de a ver noutros registos, como é o caso deste filme.


"Dossier Pelicano" ("The Pelican Brief") é um thriller de 1993 realizado por Alan J. Pakula, adaptado de um romance de John Grisham. Eu recordo-me de ter visto este filme no cinema em princípios de 1994 (o ano em que passei ir regularmente ao cinema) mas confesso já tinha esquecido grande parte da história até um revisionamento recente no canal AXN. Os direitos da adaptação do livro foram postos à venda ainda antes de ser escrito e Grisham escreveu a personagem de Darby já com a ideia de Roberts (que aceitou o papel mesmo antes do livro ser editado) desempenhá-la no filme.  



Quando dois juízes do Supremo Tribunal são assassinados, Darby Shaw (Roberts), uma estudante de Direito de Nova Orleães, elabora um dossier com a sua teoria. Victor Mattiece, um magnata do petróleo e amigo próximo do Presidente dos Estados Unidos (Robert Culp), descobriu um valiosíssimo jazigo de petróleo numa área protegida no estado do Louisiana que é um santuário para aves raras, incluindo o pelicano castanho. Por causa disso, a exploração nessa zona protegida foi inviabilizada em primeira instância. Recorrendo para o Supremo Tribunal, as mortes dos dois juízes terá sido encomendada por pessoas ligadas a Mattiece para assegurar uma decisão favorável, uma vez que os dois tinham em comum serem defensores das causa ambientalistas que provavelmente vetariam a exploração.


Thomas Callahan (Sam Shepard), o professor com quem Darby tem uma relação secreta, acha a teoria interessante e entrega uma cópia do dossier ao seu amigo do FBI Gavin Verheek (John Heard). Quando Callahan morre numa explosão de uma bomba no seu carro e Darby é perseguida por um desconhecido e o seu computador e disquetes são roubados, a jovem percebe que a sua teoria está certa e que corre perigo de vida, decidindo viver clandestinamente. A sua situação ainda se complica mais quando Khamel (Stanley Tucci), o assassino dos juízes, mata Verheek e faz-se passar por ele para se encontrar com Darby, sendo abatido a tiro no momento em que ia para matá-la.


Entretanto, Gray Grantham (Denzel Washington), um jornalista de Washington, é contactado por alguém que revela informações sobre os assassinatos que confirmar a teoria de Darby. Gray e Darby encontram-se em Nova Iorque e concluem que o informador é Curtis Morgan (Jake Weber), um advogado da firma que representa Mattiece, cujos sócios terão encomendado os assassinatos dos juízos. Quando descobrem que Morgan está morto, a estudante e o jornalista lançam-se numa corrida contra o tempo para reunir as provas que comprovam a teoria, certos que há gente poderosa que fará tudo para os impedir. Até porque as revelações do Dossier Pelicano podem acabar com as hipóteses de reeleição do Presidente.  



Do elenco fazem ainda parte Tony Goldwyn como ochefe de gabinete da Casa Branca; Cynthia Nixon, como a colega e amiga de Darby; James B. Sikking como o director do FBI; e John Lithgow, como o director do jornal de Gray. 




Ao contrário do livro de Grisham, em que Darby e Gray (que na obra é caucasiano) acabam por se envolver, no filme não existe romance entre os dois protagonistas, apenas a sugestão que tal possa vir a acontecer no futuro. Consta que Julia Roberts era a favor de fazer par romântico com Denzel Washington, mas este seria da opinião que assim o romance interracial eclipsaria a história em si. 
O filme teve ainda a particularidade de ser filmado em sequência e de não haver qualquer aparição do vilão principal (Victor Mattiece). 

Trailer:


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Runaway Bay - Detectives Em Férias (1992-1993)


por Paulo Neto

Uma das melhores partes de escrever neste blogue é sem dúvida interacção com os seus leitores e seguidores da página no Facebook e já por algumas vezes surgiram cromos a partir das sugestões ou questões deles. É o caso deste texto que surgiu quando uma leitora denominada Anne perguntou no blogue por uma série que lhe deixara boas memórias mas da qual não se conseguia lembrar do título ou de mais pormenores. Através das pistas que ela deixou das suas recordações, consegui chegar à conclusão que se tratava desta série, que Anne confirmou.



E tal como Anne, eu também eu guardei boas recordações de "Runaway Bay", uma co-produção franco-britânico-americana, que passou na RTP1 sob o título "Detectives Em Férias" num espaço infanto-juvenil matinal de segunda a sexta no Verão de 1994, o mesmo onde por exemplo foram exibidos pela primeira vez em Portugal os primeiros episódios da franchise anime do Tsubasa, na versão original japonesa legendada em português. 

A série não andava muito longe de uma espécie de "Uma Aventura" ou "Os Cinco" algures nas Caraíbas, já que era sobre um grupo de jovens, alguns turistas e outros locais, que em cada episódio se deparavam com um mistério qualquer e viviam uma aventura para os desenvolver e claro que o cenário paradisíaco era um ingrediente extra na emoção dessas aventuras. Apesar de em teoria a série
decorrer na baía jamaicana que dá nome ao título original, na verdade foi filmada na ilha de Martinica, que é território francês. (Sabiam que foi nessa ilha que nasceu a Josefina do Napoleão?)

Diana Eskill (Alex), Eric Fried (Dion), Jeremy Lynch (Chan), Naomie Harris (Shuku)
Jade Magri (Zoe), Andrew Fraser (Jojo) 

Infelizmente encontrei muito pouca informação sobre a série: a Wikipedia e o IMDB não ajudaram muito e o meu principal recurso foram os episódios disponíveis no YouTube. A série teve duas temporadas cada uma com treze episódios, exibidos originalmente no canal britânico ITV entre 1992 e 1993. 
Na primeira temporada, por aquilo que recordo, havia um núcleo duro de protagonistas composto por Dion (Eric Fried), Chan (Jeremy Lynch), Alex (Diana Eskill), Shuku (Naomie Harris) e Jojo (Andrew Fraser), com o Inspector Grant (Carl Bradshaw) como a personagem adulta mais recorrente. Mas pelo que vi dos episódios do YouTube, na segunda temporada, deixou de haver esse núcleo duro, com alguns episódios em que só apenas alguns dos cinco protagonistas apareciam sem explicações para a ausência dos outros, havendo em alternativa outras personagens para colmatar essas ausências temporárias como Zoe (Jade Magri) ou Lola (Marlaine Gordon).  



Pelo que me recordo, era uma série bastante prazerosa de se ver e que devia ser mais bem recordada, mas infelizmente se ainda existe alguma memória dela é sem dúvida pelo facto de ter sido um dos primeiros papéis da actriz britânica Naomie Harris, que mais tarde viria a ter uma bem-sucedida carreira em filmes como o segundo e terceiro tomos de "Piratas das Caraíbas", "Skyfall" e "Spectre" (foi a primeira Moneypenny negra da saga 007), "Miami Vice", "Um Traidor dos Nossos", "Rampage" e "Moonlight", para o qual foi nomeada para um Óscar. Harris tinha começado de facto como actriz infantil e recordo-me dela nas séries "Simon e a Bruxa" e "Os Meninos do Amanhã" que deu no canal Panda. 



O tema que se ouvia no genérico da abertura era uma versão instrumental de "Romantic World" de Dana Dawson, sendo que nos créditos finais ouvia-se uma versão cantada por outra intérprete com uma outra letra, alusiva ao cenário da série.




Episódio "Going For Gold" (1.ª e 3.ª partes)




Episódio "Race Like The Wind"


Episódio "The Secret Garden"


  Episódio "Masquerade" 




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