segunda-feira, 21 de setembro de 2020

As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim (1986)

Mais uma para a secção "Filmes que eu vi na "Sessão Da Noite", o espaço de cinema da RTP1 nas noites de sexta-feira no inícios dos anos 90. 

Este "Big Trouble In Little China", que em Portugal recebeu o extenso título "As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim", é um misto de thriller sobrenatural, comédia de acção e filme de artes marciais, realizado por John Carpenter, o realizador de "Halloween", "The Thing" e "Starman", naquela que foi a sua quarta colaboração com Kurt Russell depois de "Elvis" "Fuga De Nova Iorque" e "The Thing - Veio De Outro Mundo". 



Russell interpretou a personagem-título Jack Burton, um camionista que ao visitar o seu amigo Wang Chi (Dennis Dun), que tem um restaurante na Chinatown de São Francisco, se vê arrastado para todo um pandemónio chinês de mafiosos e guerreiros sobrenaturais. Tudo começa quando Miao Yin (Suzee Pai), a noiva chinesa de Wang é raptada por um gangue, aparentemente para fins de tráfico sexual. 




Mas a verdade é ainda mais sombria. Lo Pan (James Hong) fora há séculos um grande guerreiro e feiticeiro mas quando se rebelou contra o Imperador, foi castigado com uma maldição que o impede sobreviver apenas dentro de um corpo velho e decrépito. Para quebrar a maldição, Lo Pan terá de casar uma mulher de olhos verdes (como Miao Yin) e depois sacrificá-la aos deuses. Lo Pan também comanda três temíveis guerreiros com poderes sobrehumanos: Thunder (Carter Wong) que consegue expandir o seu corpo, Rain (Peter Kwong) que manobra habilmente uma espada mágica e Lightning (James Pax) que consegue soltar relâmpagos das mãos. 


Auxiliados por Gracie (Kim Cattrall), uma advogada que se envolveu na confusão do rapto de Miao Yin no aeroporto, Eddie Lee (Donald Li) e Egg Shen (Victor Wong), outro camionista que afinal é um feiticeiro e conhecedor das histórias mágicas da China antiga, Jack e Wang descem a um submundo para enfrentar Lo Pan e os seus guerreiros. A certa altura, Gracie também é raptada e ao descobrir que ela também tem olhos verdes, Lo Pan decide também sacrificá-la. Graças a uma poção de Egg, Jack e Wang rumam ao confronto final durante a cerimónia de casamento para salvar Gracie e Miao Yin. 

O mais engraçado neste filme é que apesar de a história se focar sobretudo no ponto de vista de Jack, na verdade o herói é Wang Chi (Jackie Chan chegou a estar equacionado para esse papel) - é ele o lutador sagaz e corajoso que salva a sua amada -  e Burton é na realidade o sidekick e um autêntico peixe fora de água que pouco percebe do que se passa, mas que é tão americanamente convencido que pensa que ele é que vai resolver aquilo tudo. E Kurt Russell é exímio a encarnar esse "boneco". 


Com a pressão do estúdio para acelerar a produção do filme devido ao facto de outro filme de temática semelhante, "O Menino De Ouro" com Eddie Murphy, também estar para estrear na mesma altura, "As Aventuras de Jack Burton Nas Garras do Mandarim" foi um fracasso de bilheteira e deixou John Carpenter desiludido com Hollywood e decidido a regressar ao cinema independente. O flop também abortou planos para possíveis sequelas, que o final do filme deixava antever. 
No entanto, nos anos seguintes, com o mercado de vídeo e as emissões televisivas, o filme foi ganhando um estatuto de culto que tem crescido com o tempo, ao ponto de hoje ter um merchandising que vai de livros de banda desenhada a figuras de PVC e jogos de tabuleiro e de cartas. O filme também é citado como uma influência dos criadores da saga de jogos de "Mortal Kombat", nomeadamente para a criação das personagens Raiden e Shang-Tsung. 

 


Trailer:

sábado, 19 de setembro de 2020

The Flash (1990)

O primeiro episódio desta série de curta duração - apenas uma temporada de 22 episódios - foi exibido  nos States a 20 de Setembro de 1990. Mas apesar de não ter durado muito tempo nos ecrãs, é das séries do género super-herói mais recordadas, anterior à avalanche mais recente. 
Estreou em Portugal já depois de ter terminado, no dia 6 de Março de 1993, no Canal-1 da RTP. A exibição terminou a 31 de Julho de 1993, dando lugar, uma semana depois às "Marés Vivas".

O genérico de "The Flash", o Relâmpago da Justiça:


Que belíssimo tema musical o da abertura, a recordar os clássicos instrumentais do cinema de aventuras, e mais recentes como o "Batman" do ano anterior. E claro, que o autor do tema é o mesmo desse Batman, o grande Danny Elfman (Eduardo Mãos de Tesoura, The Simpsons, etc). 



Logo a abrir o genérico, um vislumbre do acidente com um relâmpago e químicos que deu os fabulosos poderes a Barry Allen (John Wesley Shipp), o que agora chamamos um CSI, um cientista forense da Polícia de Central City que adopta a identidade secreta de "The Flash" para combater o crime com a sua super-velocidade. Esta adaptação do personagem criou um misto do Barry Allen da banda desenhada e o seu sucessor Wally West, o "Flash" na BD da época da série de TV, visto que "Barry Allen" fora supostamente destruído alguns anos antes no mega evento "Crise nas Infinitas Terras" que revolucionou todas as histórias em banda desenhada da DC Comics.
Um elemento que o distanciou de séries anteriores foi a fidelidade do uniforme em relação ao herói da BD, que apesar da tecnologia aplicada na sua criação e arrefecimento era extremamente desconfortável para o actor.


Algum tempo antes eu tinha comprado uma revista em banda desenhada com a (nova) origem do Flash e dos seus mais famosos vilões, e portanto na época sentia-me um pouco desapontado com os inimigos apresentados na série, o que o orçamento permitia. E falando nisso, segundo a Wikipedia o episódio duplo que serviu de piloto custou mais de 6 milhões de dólares, e cada seguinte foi da ordem do milhão e meio. Apenas os quatro uniformes de latex do herói, necessários para as filmagens [inspirador por arte conceptual de Dave Stevens (o criador de Rocketeer), desenhados por Robert Short e construídos pelos Stan Winston Studios ] foram 100.000 dólares (segundo outras fontes, foram 8 uniformes para o actor e duplos a custar 100.000 cada um). Mas como disse um dos escritores da série, Danny Bilson, depois de "Batman" não podiam ter um fulano a correr num par de collants.
Mais que o conteúdo concreto dos episódios, recordo bem a minha aflição de poder perder a aventura da semana, sempre a dar pressa à família para regressar a casa antes da "hora do Flash" se a minha memória não me atraiçoa, ás 17 horas do Sábado. Infelizmente, eu não tinha gravador de VHS e como não podia correr tão rápido como o Flash para chegar a casa a horas, se perdesse o episódio, estava perdido, para sempre. Como disse, não tinha VHS e só há poucos anos soube que existiu distribuição em homevideo no nosso país, quando consegui numa feira de velharias um conjunto das cassetes originais da edição portuguesa em VHS. 


Além de mafiosos, e criminosos "comuns", dos vilões da BD que marcaram presença, o melhor recordado foi o maníaco Trapaceiro (Trickster) interpretado com garra pelo próprio Luke Skywalker, o actor Mark Hamill, dois anos antes de se tornar a voz definitiva do Joker nas várias séries de animação da DC Comics. Mas não faltaram á chamada clássicos da galeria de vilões do Flash como o Capitão Frio ou o Mestre dos Espelhos.



Do lado dos bons, o "Flash" era auxiliado por Tina McGee (Amanda Pays) uma cientista dos S.T.A.R. Labs que além de despertar o interesse romântico de Barry o auxilia com invenções para controlar melhor os seus poderes e capturar os vilões da semana; e  Julio Mendez (Alex Désert) amigo e colega de Barry no laboratório da Polícia.




Se ignorarmos o terrível tele-fime/piloto de "Justice League of America" de 1997, o Homem Mais Rápido do Mundo só regressou ao pequeno ecrã na série "The Flash" de 2014*, que curiosamente recupera o actor principal da dos anos 90 (John Wesley Shipp) como o pai do novo Barry Allen/Flash. E - alerta de spoilers - além de desempenhar (graças aos universos paralelos mostrados nessa série) o pai do Flash, John Wesley Shipp também é o Flash original (Jay Garrick) e o Barry Allen desta mesma série dos anos 90, com uso do icónico uniforme e tudo. Foi um grande presente para os fãs:
 



* "Smallville" não conta, não era o Barry Allen!

Texto original publicado no Tumblr da enciclopédia de Cromos: "The Flash".

domingo, 13 de setembro de 2020

Golo! Golo! Golo! (1995)

 por Paulo Neto

Ora aqui está um tesourinho televisivo esquecido dos anos 90. Lembro-me que dava na RTP1 ao fim da tarde de segunda a sexta e que estreou em 1995 mas não me lembro quanto tempo durou. 

A premissa do programa "Golo! Golo! Golo!" era bem simples. Num cenário que replicava a grande área de um campo de futebol com uma baliza em evidência, um telespectador em casa inscrito via telefone interagia carregando com a tecla 5 do seu telefone fixo (ainda estávamos a uns anitos da massificação dos telemóveis), fazendo disparar a bola embutida num canhão robótico, tentando marcar golo na baliza defendida por um guarda-redes convidado, muitas vezes de uma equipa do escalão principal do futebol nacional (na altura, ainda denominado de 1.ª Divisão).


  

Ao que eu pude apurar, a ideia original do programa era da Turquia e foi depois vendida a vários países como Argentina, Espanha, Indonésia, Brasil e claro, Portugal. A apresentação estava a cargo de Jorge Correia, secundado pela inconfundível voz-off de António Macedo e por um grupo de oito cheerleaders (duas delas eram Filomena Nascimento, que viria a apresentar "O Templo Dos Jogos" na SIC, e Sofia Cerveira, que viria tornar-se uma conhecida apresentadora, primeiro na RTP e depois na SIC). E, numa daquelas coincidências boas demais para ser verdade, elas eram coreografadas por João Frango! O programa era filmado em directo no Zona Mais, uma discoteca em Lisboa que na altura a RTP converteu como um dos seus estúdios. 

Mas vamos lá esmiuçar este episódio de "Golo! Golo! Golo!" onde o guarda-redes convidado era Ivo, que então defendia as cores do Sporting Clube Farense e na assistência estava a claque do clube algarvio, os South Side Boys. Na altura, o Farense era presença assídua na 1.ª Divisão e vinha da sua melhor classificação de sempre na época anterior, um quinto lugar e o acesso à Taça UEFA, com o histórico Paco Fortes nos comandos da equipa. 

Estando nós nos anos 90, estávamos na era das linhas de valor acrescentado, e o número de telefone para participar no programa era daqueles com o célebre indicativo 0641, com cada minuto chamada a custar 186 escudos e o valor mínimo da chamada de 460 mérreis (cerca de 2,30 euros). 

Ivo Soares ou Ivo tout-court, o guarda-redes convidado, era uma figura do futebol algarvio. Natural de Moncarapacho, começara nas escolas do Olhanense, passou no escalão juvenil para o Farense e também jogou emprestado noutros clubes da região como os Leões de Tavira e o Louletano. (O único clube fora do Algarve onde jogaria na sua carreira foi no Sporting de Espinho). Então com 24 anos, Ivo era na altura o guarda-redes titular do Farense, face à lesão do guardião principal, o nigeriano Peter Rufai. 

Valter Santos, de 14 anos e residente em Pinhel, foi o primeiro telespectador concorrente. Os seus três remates pelo canhão robótico (Nuno Markl quando do episódio da "Caderneta de Cromos" dedicado a este programa, chamou-lhe de "caranguejola") entraram na baliza, não dando hipóteses a Ivo de se mexer. Com cada golo a valer dez contos da moeda antiga (cerca de 50 euros), Valter ganhou 30 contos.

O segundo concorrente, José Nuno Martins de Guimarães (que a julgar pela voz, devia ter uma idade semelhante à do concorrente anterior), marcou os dois primeiros golos no canhão mas o terceiro remate foi parar às mãos de Ivo.   


Mas não foram só os telespectadores manobrando o canhão que tiveram oportunidade de marcar golo à baliza defendida por Ivo. "Golo! Golo! Golo!" tinha também convidados em estúdio para fazer o gosto ao pé e neste programa, o convidado era nada mais nada menos que a lenda da música nacional Fernando Tordo, que na altura lançava o seu 19.º álbum. Equipado com uma camisola da Bélgica (?), o cantor de "Cavalo À Solta" e "Adeus Tristeza" fez três remates, tendo marcado o primeiro e chutado os outros dois para cima. 
Também um membro da assistência presente em estúdio teve a hipótese de rematar para marcar um golo a Ivo, mas ao contrário de Fernando Tordo, o espectador de seu nome Nuno também manobrava a caranguejola com um telemóvel existente no estúdio. Mas ao contrário dos telespectadores, Ivo defendeu dois remates e só deixou escapara o terceiro.

Para terminar, mais um telespectador para rematar no canhão-caranguejola. António Moreira marcou dois golos, com o terceiro a ser defendido por Ivo. Por ter sido o único a marcar três golos, o primeiro telespectador, Valter Santos de Pinhel, recebeu um prémio adicional de 200 contos (cerca de 1000 euros) em compras nas Lojas Singer (que já se sabe que patrocinavam tudo quanto era concurso nos anos 90). O guarda-redes Ivo, por ter feito quatro defesas, ganhou cinco contos por cada uma, num total de 20 contos que declarou oferecer à Casa de Rapazes Aboim-Ascensão de Faro. 

Na ficha técnica, pode-se ler "Consultor Especial: Humberto Coelho". Como puderam comprovar, foi um tesourinho com uma boa dose de cringe. Jorge Correia, mais conhecido como jornalista desportivo, não estava muito à vontade na apresentação de entretenimento. Os espectadores no estúdio estavam um tanto atolados e as cheerleaders não faziam muito mais do que agitar os pompons com o entusiasmo de uma couve de Bruxelas.  

Quanto a Ivo Soares, como muitos outros futebolistas, transitou de jogador para treinador, começando no Juventude Campinense (onde na época 2007/08, ainda defendeu a baliza) e passou por outros clubes algarvios como o Olhanense, o Lusitano de Vila Real de Santo António, o Louletano, treinando actualmente o clube da sua localidade natal, o Moncaparachense, onde joga o seu filho João Soares, não como guarda-redes, mas como médio-avançado esquerdo. 

De acordo com este vídeo do canal YouTube brasileiro Switcher, o programa fez muito mais sucesso no Brasil sob o nome de "Gol Show", apresentado pelo eterno mago da televisão brasileira Sílvio Santos. As dinâmicas eram diferentes em relação a outros países porque os telespectadores ganhavam mais ou menos prémios consoante acertassem na baliza, não só quando marcavam golos aos guarda-redes convidados (como por exemplo o lendário José Luís Chilavert do Paraguai), mas também se acertassem na trave, na barra ou num pequeno orifício no canto superior da baliza que era o que dava direito ao prémio maior. Além disso, os telespectadores não carregavam nas teclas de telefone para disparar a bola do canhão mas sim dizendo Gol. E em 1998, alguém conseguiu que a bola acertasse no orifício que dava a o prémio maior e pela primeira vez num concurso televisivo do país-irmão, foi atribuído um prémio de um milhão de reais. 


A estreia de "Gol Show" no Brasil em 1997, com a presença de José Luis Chilavert,
onde Sílvio Santos explica como trouxe o programa para o Brasil e mostra imagens das versões de outros países, incluindo Portugal. 


Cromo da "Caderneta de Cromos" sobre "Golo! Golo! Golo!": (Soundcloud)

domingo, 6 de setembro de 2020

Filha Do Mar (2001-02)

por Paulo Neto




Com o sucesso de "Todo O Tempo Do Mundo", "Jardins Proibidos" e sobretudo "Olhos De Água", em 2001 as telenovelas portuguesas emitidas pela TVI tinham finalmente destronado o longo reinado das telenovelas brasileiras da Globo no pináculo das audiências. Percebendo que aí havia um filão a expandir, a TVI apostou em grande para a rentrée de 2001 e no dia 3 de Setembro desse ano fez estrear três novas telenovelas portuguesas, "Anjo Selvagem" para o horário do fim da tarde e "Filha Do Mar" e "Nunca Digas Adeus" para o horário nobre onde também se encaixaria a terceira edição do Big Brother. Ao contrário das outras duas, que eram adaptações de duas telenovelas latino-americanas ("Anjo Selvagem" da argentina "Muñeca Brava", "Nunca Digas Adeus" da mexicana "Mirada de Mujer", que por sua vez era uma adaptação de um original colombiano), "Filha Do Mar" era uma trama original de Manuel Arouca, o mesmo autor de "Jardins Proibidos", em parceria com Tomás Múrias.

O paralelismo com "Jardins Proibidos" também se verificou em muitos actores do elenco também entrarem nesta telenovela e que a protagonista juvenil foi seleccionado através de um casting promovido pela TVI entre centenas de candidatas.
"Filha Do Mar" foi exibida em 169 episódios entre 3 de Setembro de 2001 e 12 de Abril de 2002, tendo desde então sido reposta algumas vezes quer na TVI Ficção, quer nas madrugadas da TVI generalista e pôs em evidência duas regiões emblemáticas do nosso país: os Açores e o Ribatejo.

Salvador e Marta

Em 1991, Salvador Valadas (Marcantónio Del Carlo), oriundo de uma abastada família ribatejana, decide fazer uma viagem de veleiro em travessia do Atlântico com os seus amigos Guilherme (José Neves) e António Augusto, mais conhecido por Tutas (José Meireles). Chegados à ilha do Faial, Tutas entra em coma alcoólico e é socorrido por Marta Barquinho (Dalila Carmo), uma jovem médica natural da ilha. A partir desse momento, Salvador e Marta apaixonam-se loucamente um pelo outro e o que era apenas para ser uma curta estadia de poucos dias nos Açores acaba por se prolongar por um mês. Quando por fim, Salvador e os amigos partem, ele e Marta trocam promessas de amor e casamento.

Maria e Marta

Guilherme e Tutas

Mas é então que Guilherme se revela um amigo da onça. Com olho nas terras da família de Salvador, em especial a valiosa herdade A Lusitana, ele pretendia apresentar-lhe Sofia (Fernanda Serrano), uma gestora financeira recém-formada e que serve os seus interesses, em Nova Iorque e o amor que nasceu entre Salvador e Marta empecilhou-lhe os planos. Guilherme também controla Tutas ao instigar-lhe o trauma de uma suposta impotência sexual que o levou ao alcoolismo. Quando Salvador confia a Guilherme e Tutas uma carta e um anel para entregar a Marta, o veterinário decide mentir e dizer à jovem que Salvador morreu. Marta fica em choque, até porque está grávida de Salvador e pensa em se suicidar, mas acaba por decidir ter o bebé, dando à luz uma menina chamada Maria (Diana Marquês Guerra), a quem dirá que é filha do mar.

Dez anos depois em 2001, após a morte do seu pai Augusto (José Martins), Marta decide deixar os Açores com Maria e as duas partem para Santarém, onde Marta conseguiu uma colocação. Numa vila do concelho, alugam casa  a Francisca Nogueira (Noémia Costa), conhecida como Chica dos Provérbios, que tal como Marta criou sozinha a sua filha Diana (Vera Kolodzig). Na escola, Maria faz logo amizade com Tomás (Luís Simões) e será  através dele que Marta descobrirá a verdade, já que o petiz é filho de Salvador, que afinal estava vivo.

Diana
Chica

Tomás e Sofia


Convencido por Guilherme que Marta rejeitara o anel, Salvador acabou por se casar com Sofia que, independentemente dos ardis de Guilherme, se apaixonou verdadeiramente pelo marido. Embora não tenham tido um casamento infeliz, Salvador e Sofia vivem um momento tenso na relação já que ela tem se dedicado demais ao trabalho, descurando o marido e o filho.

Eduardo


Augusta

Alberto


Salvador é filho de Alberto Valadas (Luís Alberto), o dono da próspera herdade Lusitana, e de Augusta (Irene Cruz), que renega as suas origens humildes e é a prova do ditado "nunca sirvas a quem já serviu". Tem ainda dois irmãos, Eduardo (Rogério Jacques), com quem sempre teve um relacionamento tenso e Constança (Daniela Ruah), ainda adolescente. Salvador também é muito próximo da sua tia Concha (Lurdes Norberto), a quem o conservadorismo da família cortou o seu sonho de se tornar artista, tendo buscado conforto na academia de dança que fundou na zona e que é frequentada pelos jovens locais, como Diana e Constança.

Inevitavelmente Marta e Salvador acabam por se encontrar e apesar dos ressentimentos, a paixão entre ambos, que acreditavam extinta, renasce mais forte do que nunca. Mas não só Guilherme semeia mais mentiras e mal-entendidos como Sofia está disposta a tudo para lutar pelo marido. Com tudo isso, Marta acaba por desanimar e ceder às atenções de Eduardo que se apaixona por ela, criando ainda mais conflito entre os dois irmãos.

Constança e Manel do Coice

Outra história de amor proibido é aquela vivida por Constança e o jovem campino Manel do Coice (Hugo Sequeira). Os pais da jovem opõem-se ao romance aparentemente devido às diferenças sociais, mas existe um motivo é outro: Manel é filho ilegítimo de Alberto, perfilhado pelo seu braço direito Zé do Coice (José Eduardo). Mas mais tarde, vem-se a saber que Constança é na verdade filha de Eduardo com Fernanda (Ana Nave), uma paixão antiga. Só que esta tem um segredo: na verdade o pai da sua filha é Guilherme.

Entretanto Tutas, arrependido por ter contribuído para separar Salvador e Marta e descobrindo que nunca foi impotente, revolta-se contra as intrigas de Guilherme e expõe todas as mentiras e esquemas do veterinário. Guilherme vem também a perder o emprego quando Tomé Vieira (Almeno Gonçalves), o outro veterinário local que tinha sido desacreditado por Guilherme, salva o valioso cavalo Lafões. Rejeitado por todos, Guilherme acaba por morrer num acidente de automóvel. Depois de esclarecida a verdade, Marta e Salvador ficam livres para amar mas surge mais um obstáculo: Sofia espera um segundo filho do marido numa gravidez de alto risco.

Tomé


Migalhas


Ângela

Entre outras personagens, destaque para: Cajó Antunes (Luís Aleluia), o dono do restaurante local, conhecido como o Migalhas por ser obcecado em limpar as migalhas deixadas pelos clientes; Leonel Espiga (Eurico Lopes), o empregado engatatão da academia de dança; Samuel (Gonçalo Neto), um colega de Diana secretamente apaixonado por ela; e Ângela (Maya Booth), a amiga geek de Constança e Diana que disputa as atenções de Bernardo (Nuno Aramac), um garboso empregado da Lusitana, com a presunçosa Mariana (Inês Castel-Branco). O elenco da telenovela contou ainda com nomes como Fernando Ferrão, Rosa Villa, Natalina José, Licínio França, Manuela Cassola e uma participação especial de Ruy de Carvalho.

"Filha Do Mar" teve a particularidade de ter sido o público a escolher o final da novela entre os três que foram gravados: no primeiro, Marta ficava com Salvador e os dois criavam o filho de Sofia, que morre ao dar à luz; no segundo, Marta escolhia ficar com Eduardo e Salvador reconstruía a vida familiar com Sofia e os dois filhos; no terceiro, Marta voltava aos Açores com Maria. O primeiro final, que era também aquele que o autor queria, venceu esmagadoramente.
O autor editou também uma novelização da telenovela em livro (com apenas a trama principal), algo raro na teledramturgia portuguesa. Tanto quanto sei a única outra telenovela nacional com uma respectiva novelização foi "O Olhar da Serpente".



Na banda sonora, de onde destacaram-se o tema do genérico "Que É De Ti", interpretado por Dina e "Não Há" de João Pedro Pais (que mais tarde serviria como tema de genérico e inspiração para o título da telenovela "Ninguém Como Tu"). Tal como acontecera com Vera Kolodzig em "Jardins Proibidos", Diana Marquês Guerra foi escolhida para a jovem protagonista da telenovela através de um casting aberto promovido pela TVI, voltando à representação já adulta em trabalhos como a série "Os Filhos Do Rock", as telenovelas "O Sábio" e "Alma E Coração" e o filme "Leviano".



Com "Anjo Selvagem" inicialmente pensada para os fins da tarde e "Nunca Digas Adeus" a abordar alguns temas fortes, "Filha Do Mar" era tida entre as três novas telenovelas como a maior aposta para continuar o sucesso de "Olhos de Água". Porém, foi um pouco eclipsada pelo sucesso inesperado (e julgo eu extrapolado) de "Anjo Selvagem" que passou também para o horário nobre, mas pelo que me lembro acho que "Filha Do Mar" era a melhor telenovela de entre as três.  

Genérico:



Promo ao último episódio:



"Filha Do Mar" está disponível para visualização na TVI Player.


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Hits do Eurodance - Parte 2

por Paulo Neto


Hoje consagramos um segundo artigo para recordar êxitos do eurodance. Depois de no primeiro artigo termos analisado quatro temas de 1994, hoje vamos viajar por diferentes anos para recordar mais quatro canções que dançámos nos anos 90, fosse na discoteca, em festas em casa de amigos ou nos nossos quartos.


"It's My Life" Dr. Alban (1992)



E começamos com aquele que é um dos meus temas de eurodance preferidos de sempre. Reza a lenda que o nigeriano Alban Uzoma Nwapa teve a oportunidade de estudar medicina dentária na Suécia (daí que ele seja de facto um doutor). Para financiar os estudos e depois a sua clínica, foi fazendo alguns trabalhos como DJ e pelo meio, ia fazendo alguns improvisos de rap. Em 1990, um encontro com o produtor Denniz Pop levou-o um contrato discográfico e nesse ano lançou o seu primeiro álbum "Hello Afrika", cuja faixa-título conheceu algum êxito nos tops Europeus.


O segundo álbum "One Love", editado em 1992 teve ainda mais sucesso devido a temas como "Sing Hallelujah" e sobretudo "It's My Life". Este acabou por se tornar a canção mais emblemática de Dr. Alban, com a sua atmosfera algo dark das partes do rap a darem largas ao triunfante refrão de sing-along, para além da letra dedicada a todos aqueles que metem sempre o bedelho onde não são chamados e que dão opiniões que ninguém pediu. O sucesso de "It's My Life" nos tops europeus prolongou-se até bem dentro de 1993 devido ao seu uso num anúncio ao Tampax.
Em 2014, Dr. Alban colaborou com o cantor marroquino Chawki para uma nova versão, produzida pelo conhecido produtor sueco RedOne.

"Another Night" (MC Sar &) The Real McCoy (1993)



Como em muitos projectos de eurodance, também neste caso o que parecia não era bem assim. The Real McCoy era inicialmente um projecto dos produtores alemães Frank Hassas e Juergen Wind que obteve algum sucesso na Alemanha com versões de temas dos Technotronic como "Pump Up The Jam" e "It's On You". Já o MC Sar era basicamente fictício. No início esse papel foi atribuído ao francês George Mario, que fazia playback das partes de rap interpretado por Olaf Jeglitza, com Patsy Petersen como vocalista feminina. Mas chegados a 1993 e o lançamento de "Another Night", os papéis inverteram-se: Jeglitza passou a dar a cara pelo projecto sob o nome de O-Jay enquanto Petersen passou a fazer playback, já que a vocalista recrutada para a gravação da faixa foi  Karin Kasar. Mas como esta alegadamente não tinha interesse em fazer promoções e contentava-se em ser cantora de estúdio, Patsy Petersen permaneceu no projecto para os videoclips e actuações ao vivo.

Versão europeia (1993)


Versão americana (1994)



A primeira edição "Another Night" de 1993 fez algum sucesso na Alemanha e quando o tema começou a alcançar alguma notoriedade no Canadá, chamou a atenção de Clive Davis, o célebre dono da editora Arista, que à semelhança do que fizer com os Ace Of Base, ofereceu ao colectivo um contrato discográfico e grandes veículos para promover a música na América. Uma nova versão foi editada em 1994, conhecendo um êxito global, chegando mesmo ao n.º 1 do top na Austrália.
O projecto, que entretanto fez cair o MC Sar da sua denominação, somou mais alguns hit singles em 1995 com "Run Away", "Love & Devotion", "Come And Get Your Love" e "Automatic Lover", se bem que as coisas ficaram ainda mais confusas em termos das caras de projecto, pois embora Karin Kasar continuasse a ser a vocalista feminina desses temas, além de Olaf Jeglitza e Patsy Petersen, também Vanessa Mason surgiu como uma terceira cara do projecto, o que resultou na bizarria de de haver duas mulheres a fazer playback nos videoclips e actuações televisivas, quando era claro que só havia uma voz feminina...que não era de nenhuma delas. (Aparentemente Vanessa Mason foi recrutada por ter uma voz mais parecida com a de Karin Kasar para as actuações ao vivo.)
Depois do fracasso do segundo álbum e respectivos singles e de uma tentativa de reciclagem do projecto com novas caras, Olaf Jeglitza adquiriu os direitos ao nome de The Real McCoy e passou a actuar sob esse nome. Em 2006, colaborou com o grupo polaco Ich Troje para a canção que representou a Polónia no Festival da Eurovisão desse ano. E desde 2016 que Jeglitza e Karin Kasar têm actuado juntos como The Real McCoy e afirmaram que estiveram em estúdio para gravar mais material novo.

"Max Don't Have Sex With Your Ex" E-Rotic (1995)



Também vindo da Alemanha, este projecto de euro-dance fez-se notar por um elemento muito particular: referências sexuais nos títulos e nas letras (daí o nome). Com o produtor David Brandes ao leme da produção, as caras iniciais do projecto eram a cantora Liane "Lyane Leigh" Hegmann e o rapper Richard "Raz-Ma-Taz" Smith. O primeiro single dos E-Rotic foi "Max Don't Have Sex With You Ex", com Smith a fazer o papel do titular Max que, apesar da fogosidade da companheira actual, sente-se muito tentado em fazer revisão de matéria dada com a ex, ao que Leigh responde, pedindo encarecidamente para que ele não ceda à tentação. Pelo meio existe ainda espaço para uns gemidos profundos de Leigh (o que leva a pensar que este diálogo está a ocorrer na cama).



O single seguinte "Fred Come To Bed" era uma sequela, em que a namorada do Max decide vingar-se do pulo de cerca do amante com o amigo dele Fred. Seguiu-se depois o álbum "Sex Affairs" e mais singles como "Sex On The Phone", "Billy Use A Willy" e "Fritz Love My Titz". Mais tarde veio-se a saber que a voz do rap de "Max..." não era de Richard Smith, mas sim Marcus "Deon Blue" Thomas.
Embora Lyane Leigh continuasse a ser a voz em estúdio, a partir do segundo álbum, esta e Smith foram substituídos por outros como as caras do projecto. Entre os discos subsequentes, destaque para um álbum com músicas dos ABBA de 1997. Em 2000, os E-Rotic participaram na pré-selecção da Alemanha para o Festival da Eurovisão desse ano com "Queen Of Light", ficando em sexto lugar.
Desde 2014, Lyane Leigh tem actuado sob o nome de E-Rotic acompanhada ora por Stephen Appleton ora por James Allan.


"Captain Jack" Captain Jack (1995)



Este projecto também era da Alemanha e tal como os E-Rotic se destacaram pela temática sexual, os Captain Jack iam pela vertente militar.
Um primeiro tema "Dam Dam Dam" passou despercebido, mas o single seguinte do projecto, a faixa homónima, gerou mais atenção pelos seus cantos militares combinadas com a batida dance e, vá-se lá saber porquê um solo de guitarra de flamenco. "Captain Jack" foi um hit europeu, chegando ao n.º 1 do top na Holanda e na Hungria. As caras do projecto (e desta vez, parece que também eram mesmo as vozes) eram Franky Gee (um cubano-americano nascido com o nome de Francisco Gutierrez) no papel da personagem Captain Jack e a vocalista feminina Liza Da Costa.




O primeiro álbum "The Mission" foi editado em 1996 e continha mais hits como "Soldier Soldier" e "Drill Instructor", e colaboraram no disco de tributo aos Queen por parte de vários grupos de eurodance com uma versão de "Another One Bites The Dust". Seguiram-se mais álbuns e singles, incluindo uma colaboração com os Gypsy Kings em 1997, que não repetiram o sucesso inicial, mas o projecto Captain Jack continua activo. Liza Da Costa deixou o colectivo em 1999 e Franky Gee continuou a assumir o papel de Captain Jack até à sua morte em 2005 em Espanha, vítima de uma hemorragia cerebral aos 43 anos. Desde 2012, que Bruce Lacy e Michelle Stanley dão a cara pelo projecto.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

MacGyver: Conspiração Internacional (1994)

No primeiro texto ( e no segundo) sobre a clássica série "MacGyver" mencionei brevemente os dois telefilmes de 1994. Comentei que me recordava de vê-los na RTP, mas o que consegui confirmar ao certo é que "MacGyver: Conspiração Internacional" ("MacGyver: Trail To Doomsday") foi exibido na SIC no dia 14 de Fevereiro de 1998, na rubrica de cinema dos Sábados à tarde,"Sessão Aventura. E segundo a TV Mais, já tinha passado antes. Independentemente de ter passado no canal público ou no canal privado, praticamente a minha única lembrança sobre os telefilmes é que me decepcionaram. Este "Conspiração Internacional" foi o segundo a estrear nos States, em Novembro de 1994, mas curiosamente a capa VHS oferecida na revista "TV Mais" indica a data de estreia como 1993.


A dita capa VHS faz uma boa descrição do argumento de "Conspiração Internacional":
"Mais uma aventura televisiva de MacGyver, conhecido "engenhocas", capaz de transformar instrumentos vulgares em armas que lhe permitem sair das situações mais perigosas.
Desta feita, o gerói envolve-se em mais uma aventura quando decide ir a Londres para reencontrar um amigo que, pouco tempo depois da sua visita, é assassinado.
Resolvido a descobrir os autores do crime, MacGyver alia-se a uma ex-agente do KGB e acaba por descobrir uma tenebrosa conspiração e desmatelar uma rede de espionagem internacional."
O IMDB acrescenta que em Londres MacGyver descobre uma fábrica secreta de armas nucleares. Portanto, ainda o cadáver da guerra fria não tinha esfriado e já havia saudades de uma boa velha ameaça nuclear.
O espectador actual pode encontrar no elenco uma jovem Lena Headey, a futura rainha Cersei do mega êxito "Game Of Thrones". A realização esteve a cargo de Charles Correll (que dirigiu 19 episódios de MacGyver, e mais tarde "Melrose Place", "Febre em Beverly Hills", etc )
 
No verso da capa da "TV Mais" mais algumas informações:


"Aventuras Engenhosas.
Quando, há alguns meses, a SIC passou #MacGyver - Conspiração Internacional", o telepúblico, saudoso da série de aventuras protagonizada pelo herói engenhoso interpretado por Richard Dean Anderson, colocou este telefilme na lista dos programas mais vistos.
Para os que não o viram na altura, ei-lo de novo. A história: desta vez, o intrépido norte-americano, que é capaz de transformar um cordel e uns quantos pauzinhos numa geringonça temível, vai até Londres e, fazendo concorrência desleal à Scotlnd Yard, alia-se a uma agente do KGB para desmascarar uma tenebrosa conspiração e desmantelar uma rede de espionagem. Recorde-se que o herói faz ponto de honra em nunca empunhar uma arma. A melhor defesa, pensa ele, é a inteligência.
 
O Trailer (feito por um fã) de  "MacGyver: Conspiração Internacional":


sábado, 22 de agosto de 2020

Feita Por Encomenda (1993)

por Paulo Neto

As questões raciais estão na ordem do dia, sobretudo na América mas um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal, e devo dizer que me entristece que em 2020 ainda haja um enorme caminho a percorrer para que se entenda as reais dimensões e que sanem as consequências de séculos de racismo institucional.
Mas hoje não vamos falar de coisas tristes mas sim recordar um filme que aborda as questões raciais numa história que até podia ser dramática se não fosse contada com humor.



"Feita Por Encomenda" (no original "Made In America") é uma comédia de 1993 realizada por Richard Benjamin e protagonizada por Whoopi Goldberg e Ted Danson.



Zora Matthews (Nia Long) é uma adolescente que é o orgulho da sua mãe Sarah (Goldberg), uma especialista da cultura afro-americana, que a criou sozinha. No entanto, mãe e filha não estão numa fase de grande entendimento, já que a Sarah pretende que a filha estude na Universidade de Berkeley como ela mas Zora pretende estudar ciências no MIT na Costa Leste. Após uma discussão, Zora acaba por saber que o seu pai não é Charlie, o companheiro de Sarah que morreu antes de ela nascer, mas sim que resultou de uma inseminação artificial, em que a sua mãe pediu que o doador fosse um homem alto, inteligente e negro.


Com a ajuda do seu namorado Tea Cake (Will Smith), Zora decide entrar na clínica de inseminação e procurar na base de dados a identidade do doador. A jovem fica estupefacta ao saber que o nome que surge é o de Hal Jackson (Danson), que não só é branco, como é um emproado dono de um stand de automóveis, famoso na região pelos seus anúncios com animais de circo, cheios de vergonha alheia. Homem mulherengo, algo bronco e o oposto do intelectualismo da mãe, a princípio parece impossível que Hal seja o pai de Zora, mas os dois vão descobrindo que tem algumas coisas em comum e Hal descobre em si instintos paternais que julgava não ter. Mais surpreendentemente ainda, Hal e Sarah acabam por se apaixonar. (Curiosamente, durante a rodagem do filme, Whoopi Goldberg e Ted Danson iniciaram um romance na vida real que durou até 1994.)



No entanto, quando Sarah tem um acidente e precisa de uma transfusão sanguínea, descobre-se que nem ela nem Hal têm um grupo sanguíneo compatíveis com Zora, o que significa que Hal não é o seu pai e que o registo da clínica resultou de um erro ao informatizar os ficheiros antigos. Mas os três concluem que tal não importa porque entretanto já se sentem como uma família.



Embora seja a típica comédia de domingo à tarde para ver sem procurar grandes feitos, "Feita Por Encomenda" vale pelo seu humor, por vezes bem burlesco, e por abordar o tema das relações interraciais, algo que Hollywood tem tido sempre alguma relutância em abordar. Pessoalmente, o melhor de filme é a personagem de Will Smith que rouba todas as cenas em que entra. Destaque ainda para Jennifer Tilly no papel da namorada de Hal, uma típica loura burra, porém bastante ágil!


Trailer:



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