segunda-feira, 14 de junho de 2021

Mundial de Futebol Sub-20 de 1991


por Paulo Neto


Há 30 anos, Portugal recebia um dos maiores eventos desportivos até então, ao organizar o Mundial de Futebol de Juniores, actualmente denominado Campeonato Mundial de Sub-20. Ainda estávamos a treze anos do Euro 2004 e a um quarto de século do nosso primeiro grande troféu sénior, aliás Portugal ainda não era o freguês habitual das grandes competições que viria a ser mas os alicerces da afirmação internacional do futebol português já estavam a ser estabelecidos. Além disso, as expectativas estavam altas em relação à seleção nacional sub-20 até porque Portugal era o então detentor do título após a excelente campanha na edição anterior, disputada dois anos antes na Arábia Saudita. 

O antigo Estádio da Luz em Lisboa, o Estádio das Antas no Porto, o Estádio D. Afonso Henriques em Guimarães, o Estádio 1.º de Maio de Braga e o Estádio São Luís em Faro receberam os jogos da competição que decorreu entre 14 e 30 de Junho de 1991. Além de Portugal, apuraram-se Espanha, Inglaterra, Suécia, República da Irlanda e União Soviética pela Europa, Brasil, Argentina e Uruguai pela América do Sul, México e Trinidad & Tobago pela América do Norte/Central, Egipto e Costa do Marfim por África e pela Ásia, Síria e uma equipa unificada das duas Coreias, competindo sob uma bandeira branca com um mapa azul da Península Coreana, com 10 jogadores do Sul e 8 do Norte. 



Inserido no Grupo A, Portugal venceu a República da Irlanda por 2-0 nas Antas, e depois a Coreia por 3-0 e a Argentina por 1-0 na Luz. Mesmo com nomes como Mauricio Pochettino e Juan Esnaider (que passaria pelo FC Porto), a prestação da Argentina foi bastante fraca, ficando em último lugar do grupo.  

Todos os jogos do Grupo B se disputaram nas Antas, com Brasil e México a superiorizarem-se à Suécia e à Costa do Marfim. Entre a selecção canarinha, destaque para Roberto Carlos, que integraria o Brasil campeão mundial de 2002, e Paulo Nunes, que passou pelo Benfica.
Braga e Guimarães repartiram os jogos do Grupo C onde a Austrália surpreendeu vencendo os três jogos do grupo contra a União Soviética, o Egipto e o Trinidad & Tobago (com um jovem Dwight Yorke). O Grupo D, com os jogos realizados em Faro, Espanha e Síria apuraram-se face a Inglaterra e Uruguai. Os uruguaios aliás não marcariam qualquer golo e ainda sofreram meia-dúzia da Espanha.

Nos quartos-de-final, Portugal bateu o México por 2-1 no prolongamento na Luz, o Brasil goleou a Coreia por 5-1 nas Antas, a Austrália superou a Síria nos penáltis em Braga após empate a uma bola, e os soviéticos venceram a Espanha por 3-1.

Momento tenso entre Luís Figo e Roberto Carlos


Com cinco golos, Sergey Cherbakov (URSS)
foi o melhor marcador do torneio


Nas meias-finais, o Brasil venceu a URSS por 3-0 em Guimarães e um golo de Rui Costa na Luz foi suficiente para apurar Portugal para a final, eliminando a Austrália. No jogo de apuramento do terceiro lugar, os soviéticos vingaram-se da derrota infligida pela Austrália na fase de grupos ao vencer nos penáltis após 1-1. O jogador mais em destaque desta jovem selecção soviética foi o ucraniano Sergey Cherbakov que com cinco golos, foi o melhor marcador do torneio e que viria a assinar com o Sporting no ano seguinte até que um acidente de automóvel em 1993 interrompeu bruscamente a sua carreira aos 22 anos, deixando os membros inferiores paralisado. 


Por fim, no dia 30 de Junho de 1991, o antigo Estádio da Luz, quando ainda tinha o terceiro anel, encheu-se por completo e mais de 120 mil pessoas assistiram à final entre Brasil e Portugal. Mas o jogo acabou por ser algo morno terminando sem golos após os 120 minutos de jogo pelo que a vitória foi decidida nas grandes penalidades e aí os portugueses foram os mais certeiros acertando quatro vezes na baliza canarinha enquanto os brasileiros falharam duas vezes as redes defendidas por Fernando Brassard. E assim Portugal se sagrava bicampeão mundial de sub-20 e se confirmavam os alicerces de uma geração que poria como nunca antes o futebol português no mapa e cujo legado as gerações seguintes souberam continuar. 



Comandados por Carlos Queiroz, os dezoito campeões mundiais de júnior foram Fernando Brassard, Gil, Luís Figo, Emílio Peixe (eleito o melhor jogador do torneio), Rui Costa, Jorge Costa, Abel Xavier, Paulo TorresLuís Miguel, Nelson, Rui Bento, Tó Ferreira, Capucho, João Vieira Pinto, Tulipa, Cao1, João Oliveira Pinto e Toni. Brassard e João Vieira Pinto também integraram a selecção campeã de 1989. 

1 Em 2002, vir-se-ia a descobrir que Carlos Fortes a.k.a Cao tinha na verdade 24 anos na altura do torneio, fora da idade do escalão júnior, mas nem o jogador (à parte ser-lhe retirada a nacionalidade portuguesa) nem a Federação Portuguesa de Futebol sofreram sanções




Mas mais até do que os jogos, a minha maior memória do Mundial de juniores de 1991 foi o hino que a equipa portuguesa gravou para o evento. Eis a letra para cantarem com os nossos craques:

O futebol é para nós a nossa festa
Foi com ele que aprendemos a sorrir
Fazemos golos com os pés e com a testa
Vamos em frente, não podemos desistir

Vamos viver, vamos sorrir
Vamos vibrar com nova emoções
Vamos cantar, vamos ganhar
Pois queremos ser de novo campeões.

Neste mundo de injustiças e de guerras
Nós escolhemos a melhor situação
Viver em paz, amor e harmonia
No seio da nossa selecção

Vamos viver, vamos sorrir
Vamos vibrar com nova emoções
Vamos cantar, vamos ganhar
Pois queremos ser de novo campeões.

Como se pode ver e ouvir, das duas uma, ou os nossos jogadores eram particularmente afinados ou então neste outro desporto das cantigas, foram feitas algumas "substituições". 

A campanha da selecção portuguesa:


Vídeo de um canal espanhol sobre a vitória portuguesa de 1991:


Episódio do "Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio




quarta-feira, 2 de junho de 2021

A Super Avozinha (1985-87)

 por Paulo Neto

Na minha infância, posso dizer que tive três avós. A minha avó materna, a Avó Ana, que foi a maior mestra de todos os tempos na confeção de broas de Todos-Os-Santos e que foi imortalizada no genérico da série "1986" onde surge numa foto com o meu eu petiz, precisamente a moldarmos a massa das broas. Já com a minha avó paterna, de seu nome Maria, não tive tanta convivência já que desde muito cedo foi afectada por graves problemas de saúde que a deixaram praticamente sem mobilidade e ela faleceu quando eu tinha oito anos. No entanto, pode-se dizer que eu devo duplamente a minha existência à minha Avó Maria, por trazer ao mundo o meu pai e por ter-lhe salvo a vida quando ainda muito petiz o meu pai caiu num tanque e, movida pelo instinto materno, ela lançou-se lá para dentro para o tirar mesmo sem saber nadar. E houve ainda mais uma senhora de origem madeirense para quem fui praticamente um neto, a Dona Corina, madrinha do meu tio Jorge, que tomava conta de mim enquanto a minha mãe trabalhava até aos meus cinco anos. Guardo duas memórias particulares da Dona Corina: os passarinhos que ela criava e de vermos televisão, num aparelho a preto e branco, onde por exemplo vi pela primeira vez o "Dartacão". Infelizmente, a Dona Corina nunca chegou a conhecer o meu irmão, falecendo um mês depois de ele nascer. 

Mas o facto de ter tido três avós, tal não me impedia de "adoptar" também avós fictícias como por exemplo a Avó Chica da "Rua Sésamo". E quando a RTP exibiu uma série britânica no ano de 1986, eu e muitos outros petizes sentimo-nos netos da "Super Avozinha". 

Baseada nos livros de Forrest Wilson e adaptada para televisão por Jenny McDade, a série (no original "Supergran") narrava as aventuras de uma senhora idosa que ao ser atingida por um raio, ganha super poderes e combate o crime numa pequena vila da Escócia. A série teve duas temporadas de treze episódios cada mais um episódio especial de Natal, exibidos no Reino Unido entre 1985 e 1987. Em Portugal, a série foi exibida na RTP em 1986 aos sábados à tarde. 

Granny Smith (Gudrun Ure) é uma idosa que vive na vila escocesa de Chiselton, a quem já faltam as forças e a audição para tomar conta do neto Willard (Iam Tomwell). Mas certo dia, enquanto assiste a um jogo de futebol do neto, é atingida por um raio que lhe confere poderes que transformam a frágil velhinha numa autêntica super heroína com força e velocidade sobrehumanas. O raio mágico era uma das invenções do excêntrico Inventor Black (Bill Shine), auxiliado pela sua neta Edison (Holly English). Graças aos seus novos poderes, Granny Smith, decide combater o crime em Chiselton, nomeadamente as malfeitorias de Scunner Campbell (Iain Cuthbertson) e do seu gang composto pelo jovem Tub (Lee Marshall) e os gunas The Muscles (Alan Snell e Brian Lewis), geralmente na companhia de Willard, Edison e do Inventor. Aliás foi Scunner e os seus capangas que fizeram disparar o raio que atingiu a Super Avozinha. Há ainda o narrador, na voz de Bill McAllister
Na segunda temporada, os papéis de Willard, Edison e Tub foram desempenhados por outros jovens actores, respectivamente Michael Graham, Samantha Duffy e Jason Carrelles

A Super Avozinho salvando o neto Willard e Edison.

Scunner Campbell e Tub com a máquina
que lançou o raio que deu puderes a Granny Smith.
A Super Avozinha detectando perigo nas redondezas
perante o olhar do Inventor Black.

O atractivo da série residia pois em ver aquela senhora idosa de boina e de saia em tartan toda cheia de destreza e força a aviar forte e feio nos bandidos e a levantar objetos pesados. Outro poder da Super Avozinha era a capacidade de ouvir se alguém estava em perigo, levantando os dedos mindinhos e indicadores até à altura da cabeça. Na verdade, Gudrun Ure não era assim tão idosa, pois tinha 59 anos quando a série começou e ela fez muitos dos seus stunts. Apesar da acção se passar na Escócia, a série foi filmada no Noroeste de Inglaterra e muitos dos actores eram da zona de Newcastle. A série teve ainda as participações especiais de nomes como a cantora Lulu, a antiga glória do futebol George Best e o actor Billy Connolly que também cantava o tema do genérico da série. A série inspirou ainda dois jogos de computador.  

George Best, o lendário futebolista da Irlanda do Norte,
numa participação especial na série

Gudrun Ure ainda é viva, tendo completado 95 anos no passado mês de Março. 

Genérico:


1.º episódio






segunda-feira, 31 de maio de 2021

Tarzan: The Epic Adventures / As Aventuras de Tarzan (1996-1997)

 


A voz-off do genérico de  "Tarzan: The Epic Adventures" faz um bom trabalho ao descrever a série:

"Tarzan! Órfão ao nascer na África mais escura. Criado pelos grandes macacos. Ele cresceu no mundo primitivo da selva até que o destino o colocou cara a cara com seu passado. Tomando o seu lugar de direito como Conde de Greystoke, Tarzan logo se desencantou com a civilização. Ele voltou para casa em África. Tarzan, Senhor da Selva!"

Portanto, no inicio da série Tarzan (Joe Lara, de "American_Cyborg: Steel Warrior", "Steel Frontier") vive entre a civilização mas ainda não casou com Jane. Vai regressar a África para lidar com ameaças como o Conde Rokoff e a Raínha Mora, e acaba por ficar para viver mais aventuras.

Segundo o IMDB chegou aos ecrãs portugueses em 16 de Fevereiro de 1997, mas não encontrei confirmação dessa data, apenas a partir de 16 de Março de 1997, com o título "O Regresso de Tarzan" ás 15:55 da tarde de Domingo. Deve ter sido o episódio piloto duplo, porque têm o mesmo nome, "Tarzan Returns". 


E os próximos episódios que encontro nas programações são já a 25 e 26 de Abril de 1997, sexta-feira e sábado, respectivamente com o nome "As Aventuras de Tarzan". De qualquer forma, manteve o horário do Sábado à tarde. Por uma semanas, até regressar ao Domingo (depois de "O Caminho das Estrelas") e na quinta-feira anterior. Como é possível acompanhar algo na TV assim? Felizmente actualmente os canais já não fazem coisas dessas... 


Alguns fãs online elogiam a adaptação dos livros originais, até na vertente de ficção cientifica e muita fantasia, e de crossovers com outros personagens do mesmo criador, e foi das poucas produções dedicadas ao Homem-Macaco que foram gravadas no continente africano

Joe Lara (que faleceu em 2021 num acidente de avião) já tinha interpretado Tarzan num filme não relacionado com a série: "Tarzan in Manhattan" (1989). Curiosamente, Lydie Denier ("Conan The Adventurer") a "Olga de Coude" já tinha feito de Jane numa série do inicio dos anos 90: "Tárzan" (1991-94), uma co-produção francesa, canadiana e mexicana.


O Tarzan que conheço melhor é o "Tarzan Boy" dos Baltimora, estou a brincar... Recordo também de ver action figures com o logo da série à venda, e até consegui um par delas numa feira de velharias alguns ano atrás. E pelo estilo das figuras, julguei que pertencessem a alguma série animada que eu desconhecesse. 

Nem um mês depois da emissão do ultimo episódio; em 1999 estreou a animação da Disney que redefiniu o personagem para uma nova geração, "Tarzan" (1999), com uma "ajudinha" das canções de Phil Collins para a banda sonora, incluindo a vencedora de Óscar e Globo de Ouro "You'll Be in My Heart"; que em Portugal, na versão do filme foi cantada por Luís Represas e Rita Guerra. Mas isso, é outra história...

terça-feira, 25 de maio de 2021

Europa TV e o "Europa Countdown" com Adam Curry (1985-86)

 por Paulo Neto

Depois de décadas a fio de isolamento face ao resto do continente, nos anos 80 Portugal abraçava como nunca a sua identidade de país europeu. E em 1986, o ano em que aderiu à então CEE / futura União Europeia, Portugal integraria o primeiro grande projecto televisivo pan-europeu. 


A Europa TV consorciava cinco estações públicas europeias: a NOS dos Países Baixos (o país onde foi sediada), a ARD da Alemanha Ocidental, a RAI da Itália, a RTÉ da Irlanda e a RTP de Portugal. Em 1982, existiu um projecto-piloto, o Eurikon, que transmitiu em circuito fechado durante cinco semanas.



As emissões da Europa TV iniciaram-se a 5 de Outubro de 1985, apenas para holandês ver. Mas gradualmente estenderam-se aos outros países parceiros, via cabo e satélite. Já em Portugal, por ainda não ter televisão por cabo e a TV por satélite ainda ser pouco expressiva, optou-se por integrar as emissões da Europa TV na programação da RTP2. Durante a semana, a Europa TV ocupava a emissão desde a abertura do segundo canal às 16 horas até 20 horas e aos fins-de-semana, tinha um espaço durante a noite, por volta das 21:30, geralmente com cinema ou as artes de palco. 




Exactamente sete meses depois do seu início, a Europa TV estreava-se em Portugal no dia 5 de Maio de 1986. Segundo o Diário de Lisboa, foi esta a programação do primeiro dia:

16:30 Um boletim meteorológico. "Sem palavras, mas perfeitamente entendível" segundo a crónica de Mário Castrim no DL.
16:35 Alô Europa, Aqui Portugal: Um documentário que pretendia mostrar aos europeus os encantos de Portugal, então ainda algo desconhecidos lá fora. E pelos vistos, segundo a mesma crónica de Castrim, o encanto principal foi o fado.
16:50 Tempo Dos Mais Pequeninos: Espaço de desenhos animados com "Tik Tak", "Emília" e "Atenção Biótopo". Sobre estas últimas séries não me lembro de nada, mas de "Tik Tak", as minhas memórias estão mais vivas, até porque foi reposta na RTP 2 em 2004. Tratava-se de uma série belga produzida no início dos anos 80 destinada a crianças até aos 4 anos, sem diálogos, com várias sequências animadas, quer com desenhos, stopmotion ou imagem real. Cada episódio começava com uma ovelha numa plataforma giratória e terminava com uma sequência em que uma sombra feminina (da actriz Ann Ricour) a interagir com cenas desenhadas. Pelo meio, havia planos de uma criança envolvida numa qualquer brincadeira enquanto se ouvia o tiquetaque de um relógio. Ao todo foram produzidos 366 episódios que foram produzidos para serem exibidos um por dia ao longo de um ano. Na Bélgica flamenga, "Tik Tak" foi repetidamente exibida entre 1981 e 1991 e foi um dos programas belgas mais exportados chegando a 30 países, incluindo a Arábia Saudita e a África do Sul. Segundo o criador Mil Lessens, ele teve a ideia para a série ao observar um grupo de crianças fascinadas com uma transmissão da lotaria na televisão. Alguns episódios estão disponíveis no YouTube Kids.


17:15 Europa Countdown: com um subtítulo português "Contagem Rock"
18:00 Agenda Semanal com a programação para a semana em curso.
18:30 O Mundo Amanhã: no original "World Watch", era o espaço informativo. Segundo a crónica do fórum "A Televisão" sobre a Europa TV, havia também outro bloco informativo, o "Europa Report", percursor do EuroNews na forma como divulgava as notícias sem pivots. 
18:40 Culinária Europeia: Os Chefs de Lisboa: Neste dia com Portugal em destaque, Sandy Lesberg foi conhecer alguns dos mais badalados restaurantes da capital como o Ritz, o Tavares, o Aviz e o Pajem.   
19:10 A terminar, um documentário sobre o lendário grupo de folk irlandês The Chieftains e a sua digressão pela China.   

Como eu já referia algumas vezes neste blogue, eu passei os primeiros doze anos da vida sem a RTP2 sintonizada na televisão da minha casa, como tal as minhas visualizações da Europa TV foram em casa alheia, nomeadamente em casa da minha avó Ana e na casa da Dona Corina, madrinha do meu tio Jorge e que foi para mim como uma terceira avó. Mas mesmo assim, lembro-me do meu eu de seis anos acompanhar sobretudo o espaço infantil e o "Europa Countdown", sobretudo durante as férias grandes. 

Entre as outras séries que passaram pelo espaço infantil havia "Bojan", uma série da então república jugoslava da Eslovénia sobre um gato que fazia desenhos num fundo branco que ganhavam vida, "Plastinots" série de animação em stop-motion com divertidas figuras de plasticina, "A Volta Ao Mundo de Willy Fogg" que dispensa apresentações e até uma reposição do "D'Artacão", onde curiosamente os primeiros episódios foram exibidos em versão legendada mas depois regressou a dobragem portuguesa original de 1983. 

Outra série que me lembro de seguir na Europa TV no Verão de 1986 era a série anime japonesa "O Mundo Mágico De Gigi" ("Mahou no Princess Minky Momo", de 1982) sobre uma princesa, a titular Gigi, de um mundo encantado que vem à Terra com a missão de devolver os sonhos aos terrestres. Gigi tinha uma varinha mágica que a fazia transformar-se numa versão dela com uma profissão adequada à situação e tinha vários amigos animais, um cão, um macaco, um pássaro e um gato. Eu lembro-me de ter ficado chocado com o final em que Gigi morre atropelada por uma carrinha cheia de brinquedos, reencarnando mais tarde como o bebé do casal terrestre que ela tinha enfeitiçado para que eles a tomassem como sua filha. A série depois teve um filme e uma série-sequela que passou no Canal Panda.




Mas o ex-libris da Europa TV era sem dúvida do "Europa Countdown" (que na verdade era uma versão europeia do programa holandês do mesmo nome), um híbrido de programa de videoclips e de actuações ao vivo. Numa altura em que a MTV era uma miragem (aliás a MTV europeia só iniciaria em 1987), foi através deste programa que a juventude tuga da altura ficava a par da música que se fazia lá fora. O apresentador era Adam Curry, um americano natural do estado de Virgínia expatriado nos Países Baixos, que depressa se tornou um ídolo em Portugal. E não tardou para que o nosso país deixasse a sua marca no programa: no dia de estreia nacional da Europa TV, a crónica de Mário Castrim no "Diário de Lisboa" refere que durante uma entrevista à cantora Princess (conhecida pelo tema "Say I'm Your Number One"), Curry referiu que a partir de então já podiam ser vistos em Portugal (apesar de que ao parece, essa primeira emissão foi emitida sem legendas).

 
Adam Curry entrevistando a cantora Kim Wilde


Não tardaria até que o apartado do programa na cidade de Hilversum era inundado com cartas de portugueses com pedidos de videoclips (chegaram a ser 300 por dia!) e sempre que um tuga era mencionado no programa, havia regozijo geral tal era o esparso reconhecimento internacional que Portugal tinha altura. Aliás, a minha primeira memória do "Countdown" foi a de Adam Curry a ler uma carta de duas portuguesas chamadas Vera e Lúcia que pediam a exibição do videoclip de "Sex Crime (Nighteen Eighty-Four)" dos Eurythmics
Adam Curry veio algumas vezes a Portugal onde foi recebido com honras de superestrela. Segundo Nuno Markl na "Caderneta De Cromos", ele gravou alguns segmentos para o "Countdown" no nosso país, como por exemplo na discoteca Kiss em Albufeira, e entrevistou Lena D'Água que nesse Verão de 1986 teve um enorme hit com "Dou-te Um Doce" e o respectivo videoclip filmado nas Azenhas Do Mar com um cameo do irmão Rui Águas foi exibido no programa para a Europa ver. Markl refere ainda um episódio em que o Canal Zero, uma televisão pirata de Odivelas, conseguiu descobrir Adam Curry quando ele almoçava numa típica tasca lisboeta e fazer com que ele dissesse algo atónito "kahnall zerrow". 

No seu auge, a cobertura da Europa TV chegou a 4,5 milhões de espectadores (um terço dos quais em Portugal). Porém em Novembro de 1986, a Europa TV chegou ao fim quando esgotou o seu orçamento de 30 milhões de ECUs (materializados em 35 milhões de francos suíços), financiados pela Comissão Europeia, o governo holandês, as estações parceiras e contratos publicitários, que era suposto durar até 1988. A última exibição em Portugal foi a 29 de Novembro de 1986 com o clássico do cinema europeu "Metrópolis". 


Contudo a RTP2 ainda exibiria depois um equivalente do "Countdown" produzido pelo canal de cabo Music Box. Adam Curry regressaria à sua América natal no final dos anos 80 onde passou pela MTV americana e anos mais tarde seria um dos inventores do conceito de podcasting. 


sexta-feira, 21 de maio de 2021

O Cristal Encantado / The Dark Crystal (1982)

“The Dark Crystal” estreou nos EUA a 17 de Dezembro de 1982, e em Portugal apenas a 6 de Abril de 1984 - segundo o IMDB - com o título "O Cristal Encantado".

 


Confesso que não sou super-fã dos Marretas como parece ser o caso da minha geração. Gostava do Fraggle Rock e dos Marretinhas (Muppet Babies - 1984-91), via a Rua Sésamo (1989-96), mas a série principal com o sapo Cocas e a Miss Piggy nunca ressoou comigo. 

 


Talvez por causa disso ainda não tenha visto esta fita realizada pelo Criador (dos Marretas), o mítico Jim Henson e por Frank Oz (o lendário Yoda e muitos Marretas). Mas, tenho em cassete VHS, em espanhol… Ao contrário do que o magnifico poster de Richard Amsel no topo do artigo sugere, não é uma animação, mas um filme em imagem real com Marretas, está claro. Os personagens não têm relação com os das séries e filmes anteriores do universo Henson, e os designs e ambientação tem um tom mais tétrico que o habitual filme de aventuras e jornada dos heróis para os mais pequenos, apesar de ser vendido como filme família. 

Em 2019 estreou uma continuação para televisão, que não é uma continuação,mas uma prequela do filme: ”The Dark Crystal: Age Of Resistance”.

O trailer:

 

Texto original no Tumblr da Enciclopédia "O Cristal Encantado".

domingo, 16 de maio de 2021

Programação TV 2 a 8 Maio 1981

Programação TV 2 a 8 Maio 1981 extraída da TV Guia Nº 117, com Raul Solnado em destaque na capa. Pela proximidade temporal, obviamente tem uma grelha com muito em comum com a de Fevereiro de 1981.


Sábado, 2 de Maio de 1981.


 Domingo, 3 de Maio de 1981.


 

Segunda, 4 de Maio de 1981.


 

Terça, 5 de Maio de 1981.


 

Quarta, 6 de Maio de 1981.


 

Quinta, 7 de Maio de 1981.


 

Sexta, 8 de Maio de 1981.


 

 

 

 

sábado, 15 de maio de 2021

Brincadeiras (1981)

 

Espaço na RTP-1, parte do mítico "Tempo Dos Mais Novos" dos Domingos de manhã, "Brincadeiras" foi apresentado pela educadora infantil Conceição Lopes.
A emissão do dia 15 de Fevereiro de 1981 incluía uma história contada aos mais pequenos pelo saudoso actor António Feio.

Na secção de programação TV do dia 3 de Maio de 1981, a TV Guia descrevia assim:
"... e "Brincadeiras" hoje com uma história contada e ilustrada por José Viana.
O programa "Brincadeiras" tem, também, canções, jogos, trabalhos manuais, uma entrevista a uma professora primária, e ainda, a leitura de noticias enviadas pelos telespectadores.
Produção de Maria do Sameiro Souto. Realização de Maria de Lurdes de Carvalho."

Em 2015 numa entrevista, a Doutora Maria da Conceição Oliveira Lopes recorda:
"No inicio de 1980 apresentei uma proposta de programa para crianças, ao canal de televisão pública, a RTP, fiz provas e comecei a gravar “histórias contadas”, ao fim do dia que escrevia e apresentava. Ao domingo de manhã às 11 horas, a série de programas “brincadeiras”. A audiência era elevada e as criticas do Mário Castrim, favoráveis, um incentivo a continuar a estudar, criar e produzir."


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