domingo, 23 de setembro de 2018

Rosa Mota campeã olímpica (1988)

por Paulo Neto




Atenas, 1982. Rosa Maria Correia dos Santos Mota é uma atleta determinada e batalhadora, já com bastantes barreiras quebradas. Desde problemas de asma e ciática a fazer orelhas moucas ao insultos que ouvia quando começou a competir, vinda de mentes tacanhas incapazes de aceitar a simples ideia de uma mulher praticar desporto. Mas aos 24 anos, ainda não tinha atingido o seu verdadeiro potencial. As provas de pista são-lhe demasiado curtas e limitadoras e as provas de estrada ainda não estão bem estabelecidas no panorama do atletismo feminino.

Mas eis que na capital grega, um porta se abre. Pela primeira vez numa grande competição, vai ter lugar uma maratona feminina. Algo que não deixa de ser extremamente ambicioso, até porque décadas antes acreditava-se que era impossível as mulheres correrem distâncias longas sem efeitos nocivos para a saúde e nos últimos Jogos Olímpicos, disputados dois anos antes, a prova mais longa do atletismo feminino foram os 1500m.
Depois de ter sido décima segunda nos 3000m, Rosa Mota decide tenta a sua sorte na maratona só para experimentar. O facto de ela nunca antes ter corrido mais de 20 quilómetros, nem mesmo em treino, é um mero detalhe. Mas para surpresa geral, é ela a primeira a cortar a meta no famoso Estádio Panteanaico. Já não restam dúvidas: a maratona é o espaço ideal para Rosa desabrochar e tornar-se uma lenda do desporto português e mundial. Das vinte e uma maratonas em que participará nos próximos dez anos, vencerá catorze delas. De permeio, também vencerá por seis vezes a célebre Corrida de São Silvestre em São Paulo.

Rosa Mota e José Pedrosa

Em 1983, venceu a maratona de Roterdão e foi quarta nos Campeonatos Mundiais em Helsínquia e no ano seguinte, foi terceira na primeira maratona olímpica feminina. Em 1984 venceu ainda a maratona de Chicago.
Chegados a 1986 e Rosa Mota confirma-se como a maior maratonista do mundo: não só ganhou as maratonas em que participou como fê-lo por larga margem. Tanto o seu segundo título europeu em Estugarda como o triunfo na Maratona da Tóquio foram conquistados por mais de quatro minutos face às segundas classificadas. E em 1987, nos Campeonatos Mundiais em Roma, indiferente ao calor abrasador que se fazia sentir na Cidade Eterna, Rosa vence o título mundial com mais de sete minutos de vantagem sobre a soviética Zoya Ivanova.

Com tantos argumentos, Rosa Mota era a principal favorita ao título olímpico de Seul em 1988. Mas o seu percurso teve um inesperado obstáculo: em 1987, a Federação Portuguesa de Atletismo convocou-a para o Campeonato Mundial de Estrada no Mónaco, mas a atleta recusou participar, alegando que tal iria comprometer a sua preparação para a maratona olímpica em Seul.
Não aceitando as suas razões, a FPA manteve-a sobre alçada disciplinar e Rosa chegou a estar impedida de competir, ao ponto da atleta considerar passar a representar Macau. Foi preciso o caso chegar às altas instâncias nacionais, nomeadamente Mário Soares e Roberto Carneiro (então respectivamente Presidente da República e Ministro da Educação) para que o diferendo não impedisse Rosa Mota de ir a Seul por Portugal e assim perder a sua maior hipótese de obter uma medalha para as cores nacionais na Coreia do Sul. Porém o diferendo só ficaria definitivamente resolvido em 1990.

O pódio da maratona feminina de 1988:
Lisa Martin (AUS), Rosa Mota (POR) e Katrin Dörre (RDA)


E assim Rosa Mota seguiu na comitiva portuguesa para Seul e foi uma das 69 atletas que no dia 23 de Setembro de 1988 se apresentaram na partida da segunda maratona olímpica feminina. Aos 30 quilómetros, apenas quatro atletas seguiam na frente: Rosa Mota, a australiana Lisa Martin, a leste-alemã Katrin Dörre e a soviética Tatyana Polovynska. Quatro quilómetros depois, Polovynska perdeu o contacto com a frente e tornou-se evidente que as medalhas iriam ser discutidas entre Rosa Mota, Martin e Dörre. Como a australiana e a alemã estavam relutantes em tomar a dianteira da prova, Rosa foi comandando e por volta dos 37km, num entendimento com José Pedrosa, o seu treinador e companheiro que entretanto surgiu de bicicleta, avançou para a estratégia final combinada por ambos: atacar na próxima subida e dar tudo até ao final. O golpe foi certeiro e Rosa Mota cortou a meta em primeiro lugar ao fim de 2 horas, 25 minutos e 40 segundos. Lisa Martin reagiu tarde ao ataque da portuguesa, conseguindo apenas garantir a medalha de prata e reduzir a sua desvantagem face a Rosa Mota para 13 segundos. Katrin Dörre ficou com a medalha de bronze enquanto Polovynska foi quarta a um centésimo da chinesa Zhao Youfeng.





Quatro anos depois do triunfo de Carlos Lopes em Los Angeles, "A Portuguesa" voltava a tocar em solo olímpico e a bandeira portuguesa subia ao poste mais alto de um pódio olímpico da maratona. 1990 foi o último grande ano de Rosa Mota onde não só conquistou o seu terceiro título europeu em Split (Jugoslávia) como venceu pela terceira vez em Boston, tendo também sido primeira em Osaka. Em 1991, abandonou a prova nos Campeonatos do Mundo de Tóquio mas venceu a maratona de Londres. Ainda existiam esperanças que pudesse obter a sua terceira medalha olímpica em 1992, mas desmotivada pela sua desistência da maratona de Londres desse ano e condicionada por uma lesão, acabou não só por não ir a Barcelona como também por terminar a carreira.



Desde então, Rosa Mota tem-se dedicado às causa desportivas e assumindo com bonomia o seu estatuto de lenda viva do desporto nacional. Já tive a honra de a encontrar em pessoa algumas vezes e revelou ser uma pessoa extremamente acessível e terra-a-terra.
Em 1995, foi eleita para Assembleia da República nas listas do PS para os círculos emigrantes. Desde 2013 é vice-presidente do Comité Olímpico de Portugal. O mundo do desporto internacional também não esquece os seus grandes feitos e Rosa Mota tem sido alvo de várias homenagens um pouco por todo o mundo. Por exemplo a Grécia não esquece a sua vitória nos Europeus de 1982 e já foi por duas vezes convidada a transportar a chama olímpica naquele país: em 2004 em Atenas, que acolhia os Jogos Olímpicos desse ano, e em 2016 na cidade de Maratona.
Em 2012, a Associação Internacional de Maratonas e Corridas de Longa Distância elegeu-a como a maior maratonista feminina de todos os tempos.

Com a tocha olímpica dos Jogos Olímpicos de 2016 na cidade grega de Maratona


Rosa Mota comenta a sua vitória em Seul: 


Documentário "Rosa Mota - Uma Vida de Maratonas" (RTP, Junho 1988)



   

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Morangos Com Açúcar (1.ª série) (2003-04)

por Paulo Neto




Caros leitores millenials, querem sentir-se velhos? No passado dia 30 de Agosto, fez quinze anos que a primeira temporada dos "Morangos Com Açúcar" estreou na TVI. (Esperem lá, o ano de 2003 já foi há DÉCADA E MEIA? Chiça penico!). Encorajada pelo sucesso de telenovelas como "Jardins Proibidos", "Olhos de Água" e "Anjo Selvagem", a estação da Queluz procurava alargar a sua oferta de teledramturgia nacional e para a grelha da rentrée de 2003, a sua grande aposta foi uma série virada para o público adolescente. Sem dúvida que a telenovela brasileira de longa duração "Malhação" que na altura era exibida na SIC com título de "New Wave" terá sido a grande inspiração, mas a verdade é que desde "Riscos" que não havia um produto de ficção nacional dirigido aos adolescentes e era uma lacuna que se impunha preencher. No entanto, creio que nem nas perspectivas mais optimistas da TVI imaginariam que seria o primeiro passo de uma verdadeira instituição que marcaria toda uma geração, que seria uma enorme referência da cultura popular nacional e um viveiro para novos talentos da representação em Portugal ao longo de nove temporadas (compartimentadas entre a respectiva série de ano lectivo e série de Verão). Mas para os efeitos deste texto, vamos recordar a primeira série, aquela que fundou os alicerces para o que viria depois. 

Pipo (João Catarré) e Joana (Benedita Pereira)

Catarina (Joana Solnado) e Rafa (Rodrigo Saraiva)
Ricardo (Diogo Amaral)

Filipe "Pipo" Gomes (João Catarré) é um jovem de 20 anos e o mais velho de quatro irmãos que perderam os pais num trágico acidente de viação. Quando Pipo descobre que os seus irmãos Catarina (Joana Solnado), Tiago (João Queiroga) e Susana (Carolina Castelinho) sofrem nas mãos da tia Vitória Guimarães (Carmen Santos), uma mulher interesseira e cruel, decide deixar os seus estudos na Holanda e assumir a tutela legal dos irmãos. Com a ajuda de Martim Moura Bastos (Luís Zagallo), os quatro irmãos mudam-se para Cascais, com Pipo a gerir o bar da Praia dos Rebeldes e os três irmãos a frequentar o Colégio da Barra. Martim tem um filho, Ricardo (Diogo Amaral), um velho amigo de infância de Pipo. Mas ao contrário deste, Ricardo tornou-se um rapaz presunçoso e irresponsável. E a amizade de ambos será definitivamente desfeita por causa de Joana Duarte (Benedita Pereira). 

Joana namora com Ricardo e julgava ser feliz no amor até que na festa do seu 18.º aniversário, surpreende o namorado aos beijos com uma convidada. Desnorteada, a rapariga dirige-se ao mar e é salva por Pipo. E assim começa uma história de amor que vai ter bastantes obstáculos, sobretudo porque, apesar dos seus pulos de cerca, Ricardo sente-se traído pelo amigo e fará tudo para os separar, desde seduzir Catarina a sabotar o noivado de ambos. E as coisas só pioram quando Martim morre e é revelado que Pipo é filho de um caso dele com a mãe dos irmãos Gomes e o herdeiro da fortuna em detrimento de Ricardo. 
O amor de Pipo e Joana também não é bem visto pelo pai da jovem, Daniel (Luís Esparteiro) que contava com o casamento da filha com Ricardo para os seus negócios (como o ginásio Aquabody) que já viram melhores dias. O seu casamento com Teresa (Helena Isabel) há muito que se tornou baseado em aparências e os dois já nem disfarçam os desentendimentos diante dos filhos. Joana tem um irmão mais novo, Dani (Diogo Martins), um miúdo inteligente e metediço que rapidamente se torna o melhor amigo de Susana.

Helena (Sofia de Portugal) e Sapinho (Guilherme Filipe)
Carlos Vieira (Nuno) e Madalena (Dalila Carmo)
Eduardo (Almeno Gonçalves) e Teresa (Helena Isabel)


O Colégio da Barra, do qual Martim é proprietário, é um colégio reputado pela qualidade do seu ensino e pelos seu inovadores métodos pedagógicos. A directora é Constança Meireles (Rita Salema), professora do ensino primário, que exerce as suas funções de modo exemplar, sem desconfiar que Rogério Sapinho (Guilherme Felipe), o terrível professor de Inglês, pretende o seu posto. Eduardo Nogueira (Almeno Gonçalves), o professor de Português, está nas mãos de Sapinho porque este sabe do seu terrível segredo: foi ele o culpado da morte dos pais dos irmãos Gomes. Sapinho tem ainda mais dois aliados no corpo docente: o seu sobrinho Gil (Rodrigo Menezes) e Helena Fernandes (Sofia de Portugal), a professora de História, que tem um fraco por ele. Pelo contrário, Nuno Sacramento (Carlos Vieira) é o seu principal opositor de Sapinho e o seu completo oposto: jovem, simpático, preocupado com os alunos e com um inovador método de ensino de Matemática. Nuno vai-se apaixonar por Madalena Soares (Dalila Carmo), a professora de Educação Física, e embora esta lhe corresponda, ela ainda recupera de um grande desilusão amorosa. 

Mónica (Teresa Tavares), Joana (Benedita Pereira)
e Carla (Filomena Cautela)

No Colégio da Barra, as melhores amigas de Joana são Mónica Rebelo (Teresa Tavares) e Carla Silva (Filomena Cautela). Prima de Ricardo, Mónica é aparentemente uma rapariga e aluna exemplar mas que gradualmente vai questionar a sua existência para além daquilo que os outros esperam dela e essa crise de identidade levar-lhe-à a uma obsessão doentia pelo professor Nuno mas também encontrar inesperadamente o amor em Pedro (João Baptista), um rapaz de um bairro desfavorecido. Carla esconde de todos que é pobre, chegando ao ponto de proibir a sua mãe Idalina (Ilda Roquete), a empregada do bar da escola, de revelar que ela é sua filha. Mas o pior que tudo, tem um caso com Daniel, o pai da sua amiga!  

Lara (Sofia) Arruda e Rodas (Tiago Aldeia)


Tiago é o mais tímido dos irmãos Gomes e por isso fica impressionado com a rebeldia de Rodolfo Damião (Tiago Aldeia), mais conhecido por Rodas. Os dois formam uma inesperada amizade, complementando-se um ao outro. Mas Lara Queirós (Sofia Arruda), a colega por quem ambos se vão interessar, será talvez o maior teste à amizade de Tiago e Rodas.

Dani (Diogo Martins), Patrícia (Núria Real)
e Susana (Carolina Castelinhos)


As cenas mais divertidas eram frequentemente aquelas protagonizadas por Dani, Susana e Patrícia (Núria Real) cuja imaginação infantil leva-os a várias aventuras como as de descobrir se Sofia (Ana Rocha), uma amiga de Eduardo, é uma extra-terrestre, vingarem-se da Tia Vitória fazendo-lhe um bolo com laranjas (às quais ela é alérgica) ou quererem organizar um rave para alunos da primária (onde as pastilhas consumidas são as de mastigar e nada alucinogénas)!

Outros alunos do Colégio são Rafa Brandão (Rodrigo Saraiva), o entusiasta director da rádio do colégio, Rui (Manuel Moreira), um jovem amante de cinema que se apaixona por Catarina, e Sara (Patrícia Candoso), a filha de Constança que vivia com o pai nos Estados Unidos, que, convencida pelo pai que a mãe a abandonara e nunca quis saber dela, pretende fazer a vida negra à mãe e acaba por se aliar às vilanias de Ricardo. Porém é em Portugal que ela descobre o seu talento para cantar.

A primeira temporada contou ainda com participações especiais de Sara Moniz, Maria José Pascoal, Filipe Crawford, Rogério Jacques, Jorge Corrula, Sylvie Dias, Márcia Leal e Gustavo Santos. Os diálogos eram da autoria do colectivo da Casa Da Criação, liderado por Maria João Mira, e a realização de Atílio Riccó. O tema de abertura era cantado por Berg.




O sucesso da primeira série de "Morangos Com Açúcar" tornou-se rapidamente um sucesso (para muitos jovens portugueses tornou-se um ritual diário pós-escola) e estabeleceu alguns paradigmas para as temporadas vindouras: um par romântico protagonista, a criação de uma mini-temporada para as férias de Verão que apresentaria algumas personagens para a temporada seguinte; uma banda sonora que mesclava vários hits nacionais e internacionais com futuros êxitos; aparições especiais de alguns cantores e grupos nacionais e estrangeiros (por exemplo, nesta primeira série vieram cá os alemães Reamonn e as britânicas Sugababes); a revelação de um talento musical (neste caso Patrícia Candoso cujo álbum "O Outro Lado" foi disco de ouro); todo o tipo de marcas comerciais a acotovelarem-se para ter cenas com product placement e claro está, todo o tipo de merchandising (roupas, material escolar, livros, perfumes...). O Governo chegou mesmo a aproveitar o sucesso da telenovela para promover o pedido de facturas com número de contribuinte por parte dos consumidores, pedindo aos guionistas para incluírem diálogos onde os clientes do Bar dos Rebeldes e de outros estabelecimentos pediam sempre factura.

CD da banda sonora
CD "O Outro Lado" de Patrícia Candoso


Claro que nos temporadas seguintes (sobretudo a segunda que revelou nomes como Cláudia Vieira, Pedro Teixeira, Rita Pereira e os D'ZRT e a terceira em que inclusivamente uma storyline de um vírus perigoso que assolava o Colégio gerou um dos maiores casos diagnosticados de histeria colectiva neste século) os "Morangos Com Açúcar" tornar-se-iam ainda mais estratosféricos. Mas muitos fãs ainda recordam com saudade a primeira temporada e Pipo/Joana ainda é um dos mais acarinhados casais protagonistas. (Espanta-me que a TVI nunca se tenha lembrado de recuperar a química de João Catarré e Benedita Pereira para um novo par romântico numa telenovela).   

Em 2011, o canal Panda Biggs repôs a primeira temporada  de "Morangos Com Açúcar" e em 2016, foi reposta na TVI Ficção. Chegou ainda a ser exibida ainda num canal brasileiro (com dobragem em português do Brasil!) mas foi cancelada ao fim de dois meses. Neste ano, começou também a ser exibida na TV Galicia e no final de cada episódio existe uma vinheta educativa onde se utiliza cenas da telenovela para ensinas português aos jovens galegos. (E ainda diziam que os "Morangos" era deseducativos!)

1.º episódio



Pipo e Joana in love




Músicas da banda sonora:

"Morangos Com Açúcar" Berg



"Pele Salgada" Berg



"Somebody" Belinda More


"I Thought You'd Leave Your Heart With Me" Rita Guerra


"Electric Mind" André Indiana


Ensinando português aos galegos com "Morangos Com Açúcar"


terça-feira, 4 de setembro de 2018

Knock Off (1998)





Foi com este filme que aprendi o termo em inglês para bens contrafeitos, as imitações: knock-off que deram título a este veículo de Van Damme. E décadas depois ainda vejo os coleccionadores debaterem-se online sobre qual o termo mais adequado, knock-off ou bootleg. Sinceramente recordo pouquíssimo da fita realizada por Tsui Hark, chinês nascido no Vietname. Creio que foi mais ou menos nesta época que o Canal 2 passou vários filmes de Tsui Hark e fiquei super-fã do Os Guerreiros da Montanha (1983) e dos "Era Uma Vez Na China". "Knock Off" foi o segundo filme de Hark em terras do Tio Sam, onde não trabalhou mais depois das desilusões deste e do anterior "Double Team" (também com Van Damme, em dupla com o excêntrico Dennis Rodman).
Regressando ao título, imitações abundam, mas diz a Wikipedia que knock-off é também um eufemismo para assassinato. Acção desenrola-se na Hong Kong actual de 1998, com a antiga colónia a ser devolvida aos chineses. Van Damme é apanhado no fogo cruzado entre criminosos e terroristas, há bombas escondidas em todo o tipo de aparelhos e objectos para permitir o assassinato selectivo à distância, há CIA, mafiosos, porrada e tiros a montes.

Tive que rever o trailer, e oh, entrava o Rob Schneider... Já estou a ver porque isto é tão bom que me esqueci do filme...


 Confesso que agora até fiquei com vontade de rever!


Estreou em Portugal como o título "Embate", no dia 4 de Setembro de 1998, a mesma data que estreou nos EUA. Durante muitos anos os portugueses tiveram que aguardar meses e ás vezes anos pelas estreias de filmes, mas em finais dos anos 90 o intervalo entre as estreias na América e em Portugal era cada vez menor.

Termino com o poster (knock-off) ganês de Knock Off. Até não é dos piores que já vi...



segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Blocos Publicitários RTP1 (Agosto 2000)

por Paulo Neto





Já se sabe que aqui na Enciclopédia gostamos volta e meia de analisar a publicidade que passava na televisão no passado, através de vídeos dos blocos que surgem no YouTube. Desta vez, vamos passar pela primeira vez além dos anos 90 (uma vez que dizer "século XXI" não seria tecnicamente correcto já que o dito só começou de facto em 2001) e vamos analisar blocos emitidos pela RTP 1 no dia 27 de Agosto de 2000, por entre a emissão do "Domingo Desportivo", disponibilizados pelo canal de Vasco Ferreira. Por esta altura, a época 2000/01 da I Liga de Futebol - que viria a ser surpreendentemente vencida pelo Boavista - estava na segunda jornada e estávamos a poucas semanas do início dos Jogos Olímpicos de Sydney cuja abertura seria a 15 de Setembro.


0:00 Uma excelente promo à cobertura da RTP dos Jogos Olímpicos de 2000 cheia de imagens dos Jogos anteriores em Atlanta nos diversos desportos com um poderoso jingle (alguém sabe quem é o cantor dono daquele vozeirão que surge a meio da canção?) e onde claro não podiam faltar alguns dos nossos maiores atletas portugueses que iriam competir em terras australianas: Carla Sacramento, Manuela Machado, Rui Silva, António Pinto e claro a nossa campeã Fernanda Ribeiro. Como se sabe, em Sydney Portugal obteve duas medalhas de bronze: Fernanda Ribeiro nos 10000m (com um tempo mais rápido do que aquele que lhe valeu o ouro em Atlanta) e Nuno Delgado no judo, na categoria de -81 quilos.
1:00 O Domingo Desportivo era então patrocinado por Vasenol Deo For Men e Redex Bala.
1:10 Pedro Martins era o apresentador do Domingo Desportivo e entre os destaques desportivos do dia estavam a derrota do FC Porto contra o Belenenses por 2-0 e a goleada do Benfica ao Beira Mar por 4-1. Segue-se um resumo deste jogo em que os golos dos encarnados foram marcados por Sabri, Poborsky, Maniche e Van Hooijdonk e a baliza do Benfica era defendida pelo malogrado Robert Enke. Este seriam um dos poucos momentos auspiciosos do Benfica nessa época, já que as águias terminariam apenas no sexto lugar, a sua pior classificação de sempre.




0:00 Esta jornada também correu bem ao Sporting vencendo no reduto do Vitória de Guimarães, com o argentino Acosta em destaque.
0:10 Promo à estreia da telenovela "Ajuste de Contas", a última telenovela produzida pela NBP (actual Plural) para a RTP, antes de ajudar a tornar a TVI no bastião das telenovelas nacionais.
0:23 Como na altura ainda não havia a RTP Memória, a RTP1 passava então em reposição um dos seus programas mais míticos "Sabadabadú", dezanove anos após a sua estreia em televisão e treze anos após o falecimento de Ivone Silva, com as novas gerações a descobrirem os Agostinhos e outras personagens lendárias. O episódio a ser exibido na terça-feira seguinte era o nono (originalmente exibido a 13 de Fevereiro de 1982) e tinha as participações de Lara Li, Vítor de Sousa e Carlos Quintas.
1:04 O regresso do "Quem Quer Ser Milionário?" era uma das apostas da RTP para o rentrée de Setembro desse ano. Na imagem via-se Renata Morgado, a única concorrente que atingira o prémio máximo na primeira temporada, apresentada por Carlos Cruz.
1:11 Porque, tanto ou mais que as mulheres, os homens também lutam com problemas de transpiração e maus odores ao longo do dia, a Vasenol tinha então lançado um desodorizante a pensar nas peles masculinas. (E claro que se impunha a imagem de torso masculino bem torneado).
1:40 Para limpar as sujidades dos pára-brisas do popó, nada como usar Redex Limpa-Vidros...perfumado.
1:51 Os actores Marco Delgado e Pedro Górgia protagonizavam então uma série de anúncios à cerveja Carlsberg, cujas personagens chamavam-se precisamente Carls e Berg. Neste anúncio, os dois aderiam a uma forma digamos, diferente, de fazer exercício na praia.
2:26 Outro ícone do tele-esoterismo nacional: Miguel de Sousa mais conhecido como o senhor do Oráculo de Bellini, que estava disponível para consultas a uma chamada de 538 escudos (2,69 euros) por minuto. (Duração máxima de 20 minutos).
2:56 Rumo aos Jogos Olímpicos de Sydney, a RTP emitia alguns anúncios em parceria com o Comité Olímpico de Portugal e o iogurte Yop Energy onde se recordavam grandes feitos olímpicos do passado, com o título "Na Vida Como No Desporto". Neste caso, recordávamos a passagem do testemunho do japonês Sawao Kato para o soviético Nikolay Andrianov como o melhor ginasta do mundo nos Jogos Olímpicos de 1976 em Montreal.
3:58 Anúncio à cerveja Sagres onde alguns jovens efabulam futuras carreiras e conquistas (MTV Awards, Óscares, medalhas olímpicas, explorações no Ártico) num cenário de praia por entre goles da dita cerveja.
4:29 Sofia Cerveira apresentava então na RTP um programa de viagens apropriadamente intitulado "As Viagens de Sofia" e surgia aqui promovendo um concurso via chamada de valor acrescentado onde era preciso dizer uma frase sobre Itália para ganhar uma viagem...à Turquia?
4:50 (Falar com sotaque britânico) Um anúncio de uma campanha do Gin Bosford's capturando algumas características tipicamente british.
5:00 Não terá sido icónica quanto Maya ou Alcina Lameiras, mas Nelly Montserrat também era presença assídua nos anúncios de tele-esoterismo. Mas desta vez Montserrat não promovia uma linha de valor acrescentado para as suas consultas mas sim um sorteio onde era possível ganhor o seu curso de tarot.
5:30 Lembro-me que a RTP teve um sucedâneo do "Cantigas da Rua" chamado "Nasci Para A Música" apresentado pelos Anjos, mas antes disso teve outro chamado "Estrelas Do Mar", apresentado por Miguel Gameiro e Miguel Dias. O programa divulgado nesta promo teve lugar em Vila Real de Santo António e teve como convidados os D'Arrasar. (Patrocinado pela água de Carvalhelhos).
6:27 Hoje em dia não se pode com tanto programa de debate futebolístico onde os níveis de discussão nivelam pelo mais baixo possível e onde se discute mais o que se acontece fora do que dentro das quatro linhas. Mas nos idos de 2000, este tipo de programas já existia e na RTP tinha o título de "Jogo Falado" (que ainda hoje subsiste na RTP3) e tinha no seu painel Fernando Seara, Pedro Santana Lopes e o já falecido Pôncio Monteiro. 


0:00 Para depois do intervalo, o Domingo Desportivo iria analisar a jornada na II Liga (que nessa época seria vencida pelo Santa Clara e que daria ao Vitória de Setúbal e ao Varzim o regresso ao escalão principal). 
0:09 Depois de Carlos Cruz, seria agora Maria Elisa a apresentar a segunda temporada do "Quem Quer Ser Milionário". Diogo Infante, Jorge Gabriel, José Carlos Malato e Manuela Moura Guedes também apresentariam o concurso em ocasiões vindouras. Entretanto nessa altura, Carlos Cruz tinha-se transferido para a SIC para apresentar outro concurso "A Febre do Dinheiro". 
0:23 No dia seguinte, estava prevista a exibição do thriller "Brincadeiras Perigosas" na "Lotação Esgotada". Este filme austríaco de 1997 foi um inesperado sucesso do cinema europeu, revelando o realizador Michael Haneke que viria depois assinar obras como "A Pianista", "O Laço Branco" e "Amor". O filme teve uma remake americana em 2007 também realizada por Haneke, com Tim Roth e Naomi Watts.
1:03 "Lotação Esgotada" era então patrocinada pela pomada Sperti H, pela Worten e Sumol Néctar.
1:17 Nova promo à telenovela "Ajuste de Contas" com os actores Pedro Lima e Anabela Teixeira.
1:21 Outra vez o anúncio do Oráculo de Bellini.
1:55 O IAPMEI promovia um concurso das melhores PME do país.
2:10 Anúncio à Revista TV Guia que na altura celebrava 20 anos de publicação. Na altura ainda era vista como a principal publicação sobre televisão mas actualmente, e à semelhança das outras revistas do género, vai subsistindo nos moldes da imprensa tablóide/cor-de-rosa. O que tendo em conta o seu legado, é profundamente lamentável.
2:19 De novo o passatempo promovido pelo programa "As Viagens de Sofia".
2:40 (Falar com sotaque britânico) Outro anúncio ao gin Bosford's. The British spirit.
2:49 O mítico "Hugo" continuava no ar, agora apresentado por Fernando Martins, famoso pela sua participação na série "Riscos". Este anúncio promovia o lançamento de "Huganiversário" que continha alguns dos mais famosos jogos do Hugo e oferecia grátis uma máquina fotográfica.
3:10 De novo o curso de tarot de Nelly Montserrat.
3:41 Mais um passatempo via linha de valor acrescentado onde era possível ganhar um estágio de um fim-de-semana a pilotar um verdadeiro carro de Fórmula 1, para além de computadores com ligação à internet.
4:10 De novo a promo ao Jogos Olímpicos de Sydney. Uma vez que já falámos dos atletas portugueses, que tal identificar os estrangeiros? Eis aqueles que notei: Fu Mingxia (China, saltos para a água), Javier Sottomayor (Cuba, salto em altura), Michael Johnson (EUA, 200 e 400m), Tomas Dvorak (República Checa, decatlo), Claudia Poll (Costa Rica, natação), Carl Lewis (EUA, salto em comprimento), Robert Korzeniowski (Polónia, marcha).



0:00 Após o "Domingo Desportivo" seria possível ver o resumo do Grande Prémio da Bélgica em Fórmula 1, disputado nesse dia com a vitória do finlandês Mika Hakkinen no mítico autódromo de Spa-Francochamps. O apresentador refere ainda que não foi possível transmitir imagens do jogo Paços de Ferreira - Desportivo das Aves. 
0:59 De novo a promo ao regresso do "Quem Quer Ser Milionário" com Maria Elisa. Se não estou em erro, houve dois vencedores do prémio final nessa temporada. E já agora, uma menção especial a um dos seguidores da "Enciclopédia de Cromos" no Facebook, Sérgio Ferreira Silva, que venceu o concurso em 2015.    
1:13 Uma jovem de frondoso cabelo castanho e olhos azuis confidencia: "Sinto que o estou a perder". Cabelo, diga-se. Felizmente a Pantene desenvolveu um champô que ajuda reduzir a queda de cabelo até 81%. Se repararam a voz-off era de José Carlos Malato, na altura ainda mais conhecido das lides radiofónicas do que das televisivas. 
1:44 De novo o gin Bosford's. 
1:54 E o concurso das PME.
2:12 Já sabem como são os anúncios do desodorizante AXE. Um homem ou rapaz comum aplica o dito cujo na sovaqueira e no peitoril e quando de dá por si, tem uma ou mais jeitosonas à perna. Neste anúncio em específico, um rapaz assiste a um combate de wrestling e a bela morena ao seu lado fica logo interessada. Os dois vão partilhando umas pipocas até que a morena é esmagada por um dos lutadores que fora lançado do ringue pelo seu rival. O que vale é que do outro lado estava uma loura... 
2:40 No ano 2000, o que é que ainda se podia fazer por um escudo (meio cêntimo)? Cozinhar um esparguete ou os bigodes de um camarão...Mas graças ao poder concentrado de Fairy (quatro vezes mais do que um detergente normal segundo constava), podia-se lavar uma forte pratada de louça gastando a quantidade de detergente equivalente a um escudo!      
3:15 Reconheceram a heroína deste anúncio à pasta de dentes Aquafresh Action, que entre outras coisas, combatia 99% das bactérias? É Soraia Chaves, então com apenas 18 anos. 
3:31 A vinheta "vintage" dos filmes Castello Lopes anunciam a transmissão de um filme. (Mas não sei dizer qual). 



Para terminar, devo confessar que apesar destes serem os blocos mais recentes todos aqueles já analisados neste blogue, não me lembrava da maioria dos anúncios aqui analisados. Acho que os únicas que eu me lembrava minimamente foram os das cervejas Carlsberg e Sagres e o do Comité Olímpico de Portugal. E sobretudo, não consigo perceber como é que eu, que sou vidrado em tudo o que diz respeito aos Jogos Olímpicos, não me recordava daquela grandiosa promo. 



sábado, 25 de agosto de 2018

Incêndio do Chiado (1988)

Incêndio do Chiado - 25 Agosto 1988




Em finais de Agosto de 1988, os portugueses colavam-se aos ecrãs dos televisores, não para assistir aos Jogos Olímpicos ou algo do género, mas para testemunhar atónitos à destruição do Chiado, celebre zona comercial da Baixa da capital do país. Na época estava de férias na ilha, e a minha família acompanhou o drama do fogo a avançar pela televisão a bateria dos nossos vizinhos do lado. Além dos edifícios de comércio e serviços, também foram perdidos bastantes edifícios seculares. Infelizmente também são de lamentar duas vítimas mortais, e mais de 50 feridos causados por num incêndio que lavrou quase sem controlo durante vários dias e que mesmo depois de extinto deu ainda trabalho aos bombeiros durante dois meses na remoção de escombros. Apesar de todas as perdas materiais, a zona foi lentamente reconstruída e reanimada.


Parte de cobertura da RTP:



Reportagem da SIC de 2008:



As 2 edições do Diário de Lisboa de 25 de Agosto de 1988 davam destaque à "maior catástrofe  ocorrida na capital desde 1775":




Publicado originalmente no Tumblr da Enciclopédia em 2013 (Incêndio do Chiado - 25 Agosto 1988).

sábado, 18 de agosto de 2018

A Cidade dos Anjos (1998)

por Paulo Neto

Quando se recorda o ano de 1998 no cinema, as primeiras lembranças serão provavelmente de blockbusters de acção e afins: "Titanic", "Armageddon", "Impacto Profundo", "Hora de Ponta", "Inimigo do Estado", "Perdidos No Espaço", "Godzilla", "A Máscara de Zorro"... Mas é óbvio que filmes de outros géneros também fizeram sucesso nesse ano. Foi por exemplo o caso de "A Cidade dos Anjos", um melodrama sobrenatural realizado por Brad Sieberling e protagonizado por Nicolas Cage e Meg Ryan. O filme era uma adaptação livre do filme alemão de 1987 "As Asas do Desejo" de Wim Wenders. Ambos os filmes são sobre um anjo fascinado com a vida dos humanos e com uma mulher em particular, mas as histórias tomam rumos diferentes.



Em Los Angeles, vários anjos velam sobre os habitantes da cidade. Dois deles, Seth (Cage) e Cassiel (Andre Braugher) têm como função acolher os humanos que estão perto da morte e a ajudá-los a passar para o Além, tornando-se visíveis para os moribundos, a quem costumam perguntar qual foi a melhor coisa de terem vivido. Como os anjos não têm sensações nem emoções, Seth é particularmente fascinado pelos relatos dos humanos que acolhe e por aquilo que experimentam.





Quando se prepara para aparecer a um homem que morreu de ataque cardíaco, Seth fica impressionado com o esforço da cirurgiã Maggie Rice (Ryan) para salvar a vida do homem e decide tornar-se visível para ela para a ajudar a separar a angústia de ter perdido o paciente. Os dois rapidamente estabelecem uma ligação que depressa se transforma em atracção mútua.
Entretanto Seth descobre que Nathaniel Messinger (Dennis Franz), um dos pacientes de Maggie, foi outrora um anjo que se tornou humano para ficar com Teresa (Joanna Merlin), com quem casou, e que por livre-arbítrio, os anjos podem tornar-se humanos através de um processo designado como "queda". Seth decide então tentar a "queda" por amor a Maggie, mas será que valerá a pena?



Apesar de não ter convencido a crítica e das inevitáveis comparações com a obra-prima de Wenders, "A Cidade dos Anjos" foi um êxito junto do público e recebeu alguns elogios nomeadamente quanto à interpretação de Meg Ryan e à fotografia, com belíssimos planos da cidade dos Los Angeles. Outro ponto forte do filme foi a banda sonora que aliava a partitura de Gabriel Yared com canções de vários artistas como U2, Jimi Hendrix, Paula Cole, Eric Clpaton e Peter Gabriel. Três canções tornar-se-iam clássicos radiofónicos: "Angel" de Sarah McLachlan, "Uninvited" de Alanis Morissette (nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Canção) e sobretudo "Iris" dos Goo Goo Dolls

Trailer


"Iris" Goo Goo Dolls


    

 

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ABBA "Gold:Greatest Hits" (1992)

por Paulo Neto

Com a estreia da sequela de "Mamma Mia" dez anos depois do primeiro filme e o anúncio surpresa de que os quatro membros do grupo se reuniram ao fim destes anos todos para gravar duas canções inéditas a serem lançadas no final deste ano, porque não recordar aqui na Enciclopédia de Cromos a música dos ABBA, que sem dúvida redefiniram a música pop nos anos 70 e inícios dos anos 80?


Em 1983, Agnetha Faltskog, Bjorn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lynstaad anunciavam que o grupo iria fazer uma pausa na actividade para se dedicarem a outros projectos. Agnetha e Frida recuperaram as carreiras a solo, Benny e Bjorn direccionaram os seus talentos de songwriting para outras paragens (como o musical "Chess") e paulatinamente ia ficando claro que a pausa temporária dos ABBA era na verdade permanente.
Entretanto o seu repertório continuava a ser ocasionalmente tocado nas rádios e começava a ser objecto de tributos como o musical "Abbacadabra", a banda de tributo Bjorn Again ou, já nos anos 90, o EP "ABBA-esque" dos Erasure. Mas em 1992, quando a Polygram adquiriu a editora dos ABBA (Polar Music) e com ela os direitos ao catálogo do grupo, editou uma compilação reunindo dezanove dos maiores sucessos do quarteto sueco intitulada "Gold: The Greatest Hits".


Editada já a pensar no mercado natalício desse ano, "Gold" tornou-se um campeão de vendas e apresentou a música dos ABBA a uma nova geração enquanto permitiu às anteriores recordarem as canções daquele tempo. Nas suas mais diversas edições e reedições, "Gold" vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo. (A edição que eu tenho é a de 1999, comemorativa dos 25 anos da vitória no Festival da Eurovisão com "Waterloo", que contém as assinaturas dos quatro membros impressas na caixa do CD.) A edição desta compilação foi também importante pois nessa altura as anteriores compilações do grupo tinham sido descontinuadas e apenas os álbuns de originais continuavam à venda, pelo que era então a oportunidade única para novos e velhos fãs terem reunidos num só disco os principais êxitos dos ABBA.
Claro está que sendo os ABBA uma banda tão prolífica, reduzir para dezanove as canções a serem incluídas em "Gold" foi tarefa complicada e implicou deixar de fora alguns hits e/ou canções favoritas dos fãs como por exemplo "Summer Night City", "When I Kissed The Teacher", "I Do, I Do, I Do, I Do, I Do" ou "Angeleyes", que seriam incluídas na compilação subsequente "More Gold". Mas sem dúvida que as 19 canções de "Gold" são sem dúvida uma boa amostra das canções mais emblemáticas dos ABBA e da sua mestria para a composição de música pop em vários registos.
Vamos então analisá-las uma a uma, pela ordem de alinhamento do disco:



1. Dancing Queen (1976, "Arrival"): Começamos em beleza com aquela que é sem dúvida uma das canções mais emblemáticas dos ABBA. "Dancing Queen" é uma daquelas canções que é uma alegria ouvir da primeira à última nota, com a harmonia das vozes de Agnetha e Frida a soar divinal por entre as camadas de arranjos instrumentais e de sintetizadores, bebendo influências ao "Wall Of Sound" de Phil Spector e aos ritmos do disco-sound americano. Os quatro membros afirmaram que se havia canção da qual tinham certeza de que seria um grande hit enquanto a gravavam era "Dancing Queen". E não se enganaram, já que o tema foi n.º1 em mais de uma dúzia de países, notavelmente sendo o seu único single n.º 1 nos Estados Unidos. Em alguns países como o Reino Unido, "Dancing Queen" foi reeditado em single para promover "Gold". E claro está, teve imensas versões de Kylie Minogue aos U2 e foi um dos singles dos A Teens no seu álbum de versões dos ABBA. A revista Rolling Stone colocou-o em n.º 174 das 500 melhores canções de sempre.
Apropriadamente, os ABBA interpretaram pela primeira vez "Dancing Queen" na gala que antecedeu o casamento do Rei Carlos Gustavo da Suécia com a futura rainha Sílvia. A primeira vez que me recordo ter ouvido "Dancing Queen" foi no especial "ABBAcadabra", na canção da Rainha Má interpretada por Lenita Gentil.     
2. Knowing Me, Knowing You (1977, "Arrival"): Eu ouvi pela primeira vez "Knowing Me, Knowing You" pela primeira vez no 7.º ano porque uma colega de turma tinha "Gold" em cassete e ela costumava fazer coreografias com as canções do ABBA com outras raparigas da turma, algumas delas para serem apresentadas durante as festas da 100.ª lição das disciplinas.
Na altura, os dois casais dos ABBA ainda estavam juntos mas já sabiam como cantar o fim de uma relação e todos os dramas inerentes. Mais uma vez, as harmonias de Agnetha e Frida são um ponto alto (completadas no refrão pelos "hã hã" de Bjorn e Benny) mas a minha parte preferida são os solos de guitarra. Foi o sexto n.º 1 consecutivo dos ABBA na Alemanha Ocidental, tendo chegado ao lugar cimeiro no Reino Unido, Irlanda, México e África do Sul. Entre os nomes que já o cantaram ao vivo ou em disco, estão Elvis Costello, Evan Dando e Right Said Fred. 


3. Take A Chance On Me (1978, "ABBA-The Album"): Famoso pelo seu início em acapella, "Take A Chance On Me" foi o principal sucesso do álbum que acompanhou "ABBA - O Filme", a longa-metragem semi-documentário, semi-ficção realizado pelo conhecido realizador Lasse Halstrom, que realizou vários dos videoclips do grupo. Fazendo jus à letra da canção que fala de uma mulher que decide mostrar ao objecto da sua afeição que ela é aquela que ele procura numa parceira, o videoclip mostrava Agnetha e Frida mais sedutoras que nunca, dançando para os respectivos parceiros sentados numa cadeira e piscando os olhos sensualmente para a câmara.
Graças à sua actuação num especial de Olivia Newton-John para a televisão americana, "Take A Chance On Me" foi o segundo maior sucesso dos ABBA nos Estados Unidos, chegando ao n.º 3 do top americano, tendo sido n.º 1 no Reino Unido, Áustria, Bélgica, Irlanda e México. Foi ainda a mais popular das quatro canções do EP "Abba-Esque" dos Erasure que foi n.º 1 do top britânico. 


4. Mamma Mia (1975, "ABBA"): Se este já era uma das canções mais emblemáticas dos ABBA, após a edição "Gold", "Mamma Mia" tornou-se ainda mais mítica, dando o nome ao famoso musical que viria a ser convertido em filme e foi o primeiro single dos A Teens (que chegaram a editar o single na Suécia sob o nome de ABBA Teens ao que rapidamente os ABBA originais objectaram) em 1999. O famoso hino às relações "nem contigo nem sem ti" não estava previsto ser editado em single mas a exibição do videoclip na Austrália gerou tanto interesse que a edição não se fez esperar e o sucesso nos Antípodas alastrou-se ao resto do mundo, tendo chegado ao n.º 1 no Reino Unido, Irlanda, Suíça e Alemanha.
Tal como "Knowing Me, Knowing You", eu ouvi pela primeira vez "Mamma Mia" durante os ensaios de uma coreografia de umas colegas da minha turma do 7.º ano.
5. Lay All Your Love On Me (1980, "Super Trouper"): Um dos temas mais dançáveis dos ABBA, com uma letra que fala sobre como ninguém está imune de ser assolado por ciúmes, "Lay All Your Love On Me" foi editado apenas como um single de 12 polegadas, o que não impediu de chegar ao n.º 7 do top britânico, onde tornou-se até então o single mais vendido neste formato. De entre as versões existentes, duas em particular firmaram o tema com um clássico do ABBA: a dos Erasure em 1992, incluída no EP "Abba-Esque" e a de Amanda Seyfried e Dominic Cooper no filme "Mamma Mia".

6. Super Trouper (1980, "Super Trouper"): Isto da fama e da fortuna não são só rosas, e foi também o lado mais solitário da fama que os ABBA evocaram na faixa-título do álbum de 1980. Embora Frida fosse a vocalista principal no tema, sem dúvida que os sentimentos da letra diziam sobretudo mais a Agnetha, que nunca escondeu que preferia o processo criativo das gravações à azáfama das digressões. "Super Trouper" foi o último dos nove n.º 1s dos ABBA no Reino Unido.
A primeira vez que ouvi o "Super Trouper" foi num clube de vídeo em finais de 1992 onde tinha ido com o meu pai, uma vez que o dono tinha posto o CD de "Gold" a tocar. Meses mais tarde, no final do meu 8.º ano, houve na minha escola um desfile de moda em que vários alunos do 9.º ano desfilaram com roupas das diferentes décadas e apesar de já ser de 1980, "Super Trouper" foi a música utilizada para o desfile dos anos 70.
Confesso também ter um fraco pela versão dos A Teens, que foi o seu segundo single.
7. I Have A Dream (1979, "Voulez-Vous"): Uma das mais amadas canções do ABBA, a balada "I Have A Dream" destaca-se também por ser o único tema a incluir vozes que não as dos quatro membros do grupo, já que o ponto alto da canção é o coro de crianças da Escola Internacional de Estocolmo que se ouve a partir do segundo refrão. (O verso "I beliiiiiiiiiiieve...in angels!" é mítico).
O tema foi n.º 1 na Bélgica, Áustria, Holanda e Suíça e n.º 2 do Reino Unido onde outra canção com um famoso coro infantil ("Another Brick In The Wall") impediu-o de ser o último n.º 1 dos anos 70 em terras britânicas. Mas em 1999, a boyband irlandesa Westlife gravou uma versão que foi n.º 1 no Natal desse ano, tornando-se o último n.º 1 dos anos 90 (e do século XX, se se ignorar que de facto o século XXI começou em 2001 e não em 2000) no Reino Unido. 


8. The Winner Takes It All (1980, "Super Trouper"): Agnetha e Bjorn separaram-se em 1979 ao fim de oito anos de casamento e por isso era irresistível querer associar a temática desta canção ao fim da união de ambos. Claro que os dois sempre negaram que "The Winner Takes It All" seria algum reflexo do que se passara entre eles e fizeram sempre por afirmar que, para bem dos filhos, o divórcio de ambos foi pacífico e civilizado, sem vencedores nem vencidos.
Mas não só a letra fala de uma mulher que por muito afirme ao ex-amado que já superou o fim do amor comum, acaba por admitir que não é bem assim, a voz de Agnetha soa profundamente emotiva e melancólica, e a mudança para um ritmo mais rápido ao longo da canção só acentua mais essas emoções. Assim como o videoclip, que mostrava Agnetha a cantar para a câmara com ar taciturno e com várias cenas em que ela aparece com ar triste enquanto os outros três estão todos risonhos. Foi aliás através do videoclip (no espaço da MTV com Catarina Furtado nos primórdios na SIC) que eu ouvi "The Winner Takes It All" pela primeira vez e desde então que é uma das minhas canções preferidas dos ABBA. Também é o meu momento preferido do filme "Mamma Mia" quando uma Meryl Streep à beira das lágrimas canta a canção a Pierce Brosnan.   
9. Money Money Money (1976, "Arrival"): É certo e sabido que o dinheiro não traz felicidade, mas que ajuda bastante, ajuda. É sobre essa arreigada premissa que os ABBA compuseram "Money Money Money", sobre uma mulher que sonha que um dia há de encontrar um homem rico ou ganhar uma fortuna no jogo e deixar para trás os seus tormentos financeiros. O tema proporcionou uma das mais poderosas interpretações de Frida, com a sua voz a imprimir todo o dramatismo que se impõe.


10. S.O.S. (1975, "ABBA"): "S.O.S." é tido como o primeiro grande hit mundial dos ABBA após "Waterloo". Os singles que se seguiram tiveram sucesso relativo em alguns países (por exemplo, gerando já algum culto na Austrália e na Nova Zelândia) mas foi com "S.O.S." que voltaram a conhecer o sucesso global, atingindo o n.º 1 no Reino Unido, Austrália, Irlanda, Alemanha, Bélgica, França e Nova Zelândia e ao top 20 dos Estados Unidos. O tema tem alguns fãs inesperados: por exemplo, Björn Ulvaeus referiu que Pete Townsend dos The Who lhe disse certa vez que era sua canção pop preferida. Agnetha Faltskog gravou também uma versão a solo em sueco e das muitas covers e recriações de "S.O.S." que existem (por nomes que vão desde Peter Cetera aos Portishead), destaco "Bring Me Edelweiss" de 1989, do grupo austríaco Edelweiss, uma mistura ultra-louca de house, hip hop e canto tirolês.   
11. Chiquitita (1979, "Voulez-Vous"): O primeiro single do álbum "Voulez-Vous", "Chiquitita" é uma das baladas mais famosas dos ABBA, em que Agnetha canta para alegrar a amiga que sofre de um desgosto amoroso. Quer na versão em inglês, quer em espanhol, "Chiquitita" tornou-se um dos seus singles mais vendidos do grupo. Foi esta canção que o quarteto cantou na gala da UNICEF para o Ano Internacional da Criança e ainda hoje, 50% dos lucros da canção são revertidos a favor da UNICEF. A primeira vez que ouvi esta canção foi na versão dos Onda Choc, "A Mais Bonita".


12. Fernando (1976, "Greatest Hits"): Inicialmente "Fernando" estava apenas pensado para ser uma faixa em sueco para o álbum a solo de Frida, mas o sucesso local encorajou-os a gravar uma versão em inglês para o primeiro álbum "Greatest Hits" da banda. Se na versão em sueco, a temática da letra é semelhante à de "Chiquitita", na versão em inglês, invoca-se as memórias de dois combatentes na Revolução Mexicana. (Na sua rubrica "As Baladas do Doutor Paixão, Nuno Markl sugeriu que estes dois antigos combatentes poderão ter tido um momento "Brokeback Mountain"). Seja como for "Fernando" vendeu mais de seis milhões de cópias só no ano de 1976. No segundo filme de "Mamma Mia", Cher canta uma versão acompanhado por Andy Garcia.     
13. Voulez-Vous (1979, "Voulez-Vous"): Um dos mais populares temas disco dos ABBA, "Voulez-Vous" é única canção do grupo que foi gravada fora da Suécia: foi composto durante uma viagem às Bahamas e gravada em Miami, o que sem dúvida se reflecte na atmosfera quente do tema. Em alguns países, "Voulez-Vous" também foi reeditado como single durante o lançamento de "Gold" e eu lembro-me de ser o vídeo mais escolhido para representar a compilação no "Top +". 


14. Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight) (1979, "Greatest Hits vol. 2"): Hoje em dia é conhecida como a canção que foi utilizada como sample em "Hung Up" de Madonna, mas "Gimme Gimme Gimme..." (muito gostavam os ABBA de títulos repetitivos!) já era uma das suas mais populares faixas dançáveis. Um dos temas inéditos do seu segundo álbum de "Greatest Hits" o tema foi mais um hit global para o grupo e o seu single mais bem-sucedido no Japão. A versão dos A Teens foi o terceiro single do seu álbum de covers dos ABBA e a actriz Amanda Seyfried gravou uma versão para promover a banda sonora de "Mamma Mia", embora não seja essa a versão incluída no filme. E serei o único a pensar em música de câmara quando ouço o famoso solo de sintetizador?

15. Does Your Mother Know (1979, "Voulez-Vous"): O mais famoso single dos ABBA em que o vocalista principal é Björn, com Frida e Agnetha a limitarem-se aos coros, "Does Your Mother Know" é capaz de ter sido uma das primeiras canções dos ABBA que eu ouvi, já que estava incluído numa compilação que os meus pais tinham em casa, que também tinha por exemplo canções de Elton John, Gemini e Sidney Magal. A letra fala sobre um homem hesitante entre ceder aos avanços de uma rapariga bem mais jovem ou de pôr um termo à situação. No filme "Mamma Mia", esses papéis são famosamente invertidos evidenciando o caso da personagem de Christine Baranski com um jovem.


16. One Of Us (1981, "The Visitors"): O derradeiro álbum de originais do grupo, "The Visitors" é o único álbum dos ABBA que me recordo de ver em minha casa. (A minha mãe disse-me certa vez que ela e o meu pai tinham outros, mas que estes foram emprestados e nunca mais devolvidos.) O único tema deste álbum a ser incluído em "Gold" é a balada "One Of Us". Nesta altura, os dois casais estavam separados, com o divórcio de Benny e Frida a ser oficializado nesse ano e é um dos temas do álbum que reflectem o tema da separação amorosa. Tal como o outro casal, também Benny e Frida asseguraram que a separação em nada afectava a amizade e a parceria musical entre ambos. No entanto, embora seja Agnetha a voz principal em "One Of Us" e a protagonista do videoclip, a imagem mais impactante deste é a de uma Frida invulgarmente tristonha, mostrando que a sua vida passava por um mau bocado. "One Of Us" foi o último single dos ABBA a chegar ao n.º1 algures (Alemanha, Bélgica, Holanda e Irlanda). Nas suas actuações ao vivo, era costume os Silence 4 iniciarem o seu hit "Borrow" com David Fonseca a cantar o refrão de "One Of Us". Recomendo também a versão orquestral do grupo alemão Dune.   
17. The Name Of The Game (1977, ABBA - The Album"): "The Name Of A Game" foi a primeira canção dos ABBA a ter autorização para ser usada como sample, a saber em "Rumble In The Jungle" dos Fugees. É uma das suas composições mais elaboradas, com Agnetha e Frida a terem cada uma parte cantada a solo além do refrão com as harmonias de ambas.
18. Thank You For The Music (1977, ABBA - The Album"): Originalmente incluída em "ABBA - The Album", "Thank You For The Music" era uma das quatro canções que compunham o mini-musical "The Girl With Golden Hair" que os ABBA interpretavam durante a digressão deste álbum. Em 1983, quando já sentia que a pausa dos ABBA era na verdade o seu cair do pano, alguns países resolveram editar o tema como single à laia da despedida e para promover uma compilação da Epic Records. E de facto, "Thank You For The Music" já cumpriu por diversas vezes a função de fecho com chave de ouro: no filme "ABBA-The Movie", era tocado nas cenas finais, era a canção final do musical "ABBAcadabra" (que em português teve o curioso título de "Não Basta Ralhar"), mas aqui em Portugal recordamos sobretudo a imagem do final de cada sessão do "Chuva de Estrelas" em que cada um dos concorrentes cantava à vez: "Vivo para a música, canções que canto, com a alegria e o encanto...

19. Waterloo (1974, "Waterloo"): E o disco termina com o princípio. Em 1973, os ABBA tentaram a sua sorte em representar a Suécia no Festival da Eurovisão com "Ring Ring" (então ainda sobre o nome de Bjorn & Benny, Agnetha & Anni-Frid). Mas foi em 1974 que então já com o nome que se lhes conhecem que foram à Eurovisão, dando à Suécia o seu primeiro triunfo no certame (que nesse ano se disputou na cidade inglesa de Brighton) com "Waterloo". Os figurinos da banda, inspirados no glam-rock, não deixaram ninguém indiferente e nem sequer faltou o chefe da orquestra Sven-Olof Waldoff vestido como Napoleão. No seu livro "Eurovisão: de ABBA a Salvador Sobral", Nuno Galopim refere um facto curioso: embora a vitória dos ABBA tivesse sido concludente, liderando desde o princípio e terminando a seis pontos da Itália que ficou em segundo lugar, não foi propriamente esmagadora, pois "Waterloo" não recebeu nenhuns pontos da Bélgica (o país onde actualmente fica Waterloo) nem do Reino Unido (o país vencedor da dita batalha). Seja como for, "Waterloo" tornar-se-ia a canção mais icónica do Festival da Eurovisão (em 2005, venceu uma eleição da melhor canção de sempre do certame) e tornou-se um êxito global, chegando mesmo ao top 10 americano. Eu não tenho a certeza se ouvi primeiro o original dos ABBA ou a versão de 1986 dos Doctor & The Medics, cujo videoclip parodiava a actuação dos ABBA na Eurovisão e que passou várias vezes no "Countdown" do Adam Curry. 

Depois da primeira edição de 1992, "Gold" teve quatro reedições: a edição remasterizada de 1999 (que é a que eu tenho), a do 10.º aniversário em 2002, a de 2008 por ocasião da estreia do primeiro filme de "Mamma Mia", a de 2010 com um DVD com os videoclips e a edição especial de 2014 que inclui os dois discos "Gold" e "More Gold", além de um terceiro disco com vinte lados B.



Em Abril deste ano, foi anunciado que os ABBA gravaram duas canções novas a serem apresentadas num especial televisivo no final deste ano. Sabe-se que os títulos são "I Still Have Faith In You" e "Don't Shut Me Down". Serão elas dignas de figurar no panteão das canções que os ABBA no deram no passado?

Anúncio a "ABBA Gold" na televisão brasileira:


Bónus: ABBA "The Last Video" (2004)


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