terça-feira, 11 de maio de 2021

Os Marretinhas (1984-1991)

 por Paulo Neto


Eu ainda não era nascido quando Os Marretas chegaram à televisão nacional no final dos anos 70, embora tenha vista uma reposição aos fins da tarde do Verão de 1989 na RTP1 (quando também foi exibida a mininovela brasileira "O Vento Do Mar Aberto", a única produção da TV Cultura exibida em Portugal), pelo que a minha introdução às deliciosas personagens criadas por Jim Henson foi com esta série animada spin-off. 
"Os Marretinhas" (no original "Muppet Babies") retratava aventuras de versões infantis dos nossos Marretas preferidos. Ao todo teve oito temporadas exibidas nos Estados Unidos entre 1984 e 1991. Em Portugal, a RTP exibiu as duas primeiras temporadas aos sábados à tarde na RTP1 a partir de 12 de Abril de 1986, e nos anos seguintes foi exibindo temporadas subsequentes nos seus vários espaços infantis. 

Em "Os Marretinhas", nós víamos o Cocas, a Miss Piggy, o Gonzo, o Fozzie, o Rowlf, o Animal e o Scooter em versão infantil, bem como Skeeter, uma personagem inédita que era a irmã gémea do Scooter. Aqui eles são crianças numa creche, ao cuidado de uma humana a quem eles se referem apenas como Nanny e da qual nunca vemos a cara (na maior parte dos episódios só se viam os sapatos e as meias às riscas). 



Mas mesmo criancinhas, estes Marretinhas tinham as mesmas características dos seus equivalentes adultos: o Cocas é o líder introspectivo, a Piggy é a diva temperamental enamorada do Cocas, o Gonzo mete-se em esquemas mirabolantes, o Fozzie continua a ser um comediante incompreendido, o Rowlf é inseparável do seu piano, o Scooter gosta de engenhocas e o Animal comporta-se de forma… animalesca. Já a Skeeter, ao contrário do irmão, gosta mais de actividade física. Em alguns episódios, também apareciam versões infantis do Dr. Bunsen Honeydew e do Beaker. Outros Marretas também surgiram nas últimas temporadas como Janice e os Statler & Waldorf.  


Em cada episódio, os Marretinhas deixavam-se levar pela imaginação e viviam várias aventuras sem nunca sair da série, geralmente só voltando à realidade quando a Nanny aparecia para ver como estavam as coisas. Também era comum eles recriarem filmes e histórias conhecidos como "A Guerra Das Estrelas" e o "O Feiticeiro De Oz" e a série frequentemente incluía excertos de filmes e séries e um momento musical em cada episódio.

Alguns episódios de que me recordo:
- Ao tentarem fazer uma canção para dedicar à Nanny, os Marretinhas organizam uma espécie de Festival da Canção, mas no final devido a um acidente com a fita da gravação, o resultado final é uma mistura de todas as canções.
- Os Marretinhas decidem recriar a história da Branca de Neve e a Piggy fica furiosa quando os outros decidem que, em vez de Branca de Neve, ela deve fazer de Rainha Má e porque isso implica que o Cocas, no papel de Prinícipe, terá de beijar Skeeter. Mas no fim, a Piggy admite que foi mais divertido fazer de Rainha Má. 
- Uma estranha criatura chega na creche e os Marretinhas acham que é um extraterrestre vindo de Neptuno (porque foi para esse planeta que ele apontou quando lhe mostraram um desenho do sistema solar), mas na verdade era um koala bebé. 
- Os Marretinhas ficam em pânico quando ouvem a Nanny dizer que se quer livrar de um deles, sobretudo quando acham que vai ser o Fozzie. Mas afinal, a Nanny referia-se a um dos sofás da creche que queria doar para uma instituição. 

A série teve um total de 107 episódios e em 2018 teve uma reboot com animação em CGI.  


Genérico de abertura:


Excerto:






segunda-feira, 10 de maio de 2021

As Gárgulas / Gargoyles (1994-97)

 


Já várias vezes disse - e escrevi - que a minha série favorita da Disney foi o clássico dos anos 80 “Duck Tales” (1987-90). Mas corrijo agora, com este clássico dos anos 90: “As Gárgulas” (”Gargoyles”, estreou nos EUA a 24 de Outubro de 1994, e entre nós em 1997, na SIC) que apesar de produzido pela Disney é tão distante do tradicional universo de patos e ratos antropomórficos que durante anos nem fiz essa ligação. Gargoyles inovou com uma trama mais adulta e sombria que o habitual nas animações norte-americanas para TV; o drama, violência, alguma comédia, personagens, mitologias e arcos interessantes garantiram a esta série um lugar no coração dos fãs. Algumas cenas mais violentas e sangrentas até foram editadas a partir da sua segunda exibição nos States. Não sei ao certo que versão tivemos por cá, mas provavelmente antes de ser censurada.

O plot envolve uma série de criaturas - as gárgulas do título - que durante o dia se transformam em pedra e que de noite retornam à actividade. Este grupo específico - liderado por Goliath (Golias) - vive no século X num castelo escocês, até serem atacados e mortos por humanos. Os sobreviventes são amaldiçoados a permanecerem em forma de pedra até que mil anos depois, em 1994, ressuscitam e continuam a proteger o seu castelo - entretanto transladado para Nova Iorque - e as pessoas dos arredores.


Os primeiros cinco episódios foram recortados e editados num filme lançado no ano seguinte: "Gargoyles the Movie: The Heroes Awaken" (1995).


A Wikipedia indica que apesar do sucesso das 2 primeiras temporadas não consegui fazer frente comercialmente ao fenómeno dos 90: “Batman The Animated Series” (1992-1995); e com uma terceira temporada (com o título ”Gargoyles: The Goliath Chronicles”) com baixas audiências que ajudou a colocar a pedra em cima da produção de novos episódios. O criador da série, Greg Weisman, aponta numa entrevista como causa das fracas audiências as interrupções das emissões para transmitir directos do julgamento de O.J. Simpson, mais tarde a saída de produtores para a concorrência e na recta final a transferência do programa para o mesmo horário do colosso "Power Rangers".
Revejam o inesquecível genérico que apresenta todos os pontos chaves do argumento e personagens. E aquela banda sonora! Era de arrepiar! LINK
A versão do genérico que passou em Portugal (segundo este vídeo, que confirmou a minha memória) era bem mais interessante, sem narração para podermos ouvir o tema:


Sou tão fã dessa composição que mais de 2 décadas depois ainda cá anda no meu leitor de Mp3. E claro que está no meu "TOP15 de Genéricos de Desenhos Animados". 
 
Texto original: Gargoyles.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Festival da Eurovisão 1986

 por Paulo Neto


Na virtude da primeira vitória da Noruega no ano anterior, o 31.º Festival da Eurovisão teve lugar a 3 de Maio de 1986 no Grieg Hall de Bergen, a segunda maior cidade do país. Na assistência estava o Príncipe Harald, a cinco anos de ascender ao trono norueguês, com a sua esposa e os seus filhos.  Participaram vinte países, destacando-se a estreia da Islândia. Ausentes no ano anterior, Jugoslávia e Países Baixos regressaram enquanto Itália e Grécia ficaram de fora. A Grécia chegou a selecionar uma canção e chegou a ser sorteada para actuar em 18.º lugar mas acabou por não participar porque a data do Festival coincidia com a Páscoa ortodoxa.

A apresentação esteve a cargo de Ase Kleveland, que representara a Noruega em 1966 na Eurovisão, conseguindo o terceiro lugar, o melhor resultado do país até à vitória das Bobbysocks em 1985. O palco foi desenhado a lembrar um palácio de gelo. No intervalo entre as actuações e as votações, foi apresentado um número baseado na música tradicional norueguesa, na voz de Sissel Kykrjebo, que viria a tornar-se uma cantora com alguma notoriedade internacional. Antes de cada actuação foi apresentado um postal ilustrado com várias paisagens da Noruega onde no fim surgia um postal com a bandeira do país e o respectivo intérprete a interagir com uma imagem. Os comentários para a RTP estiveram a cargo de Fialho Gouveia, com Margarida Mercês de Melo como porta-voz dos votos de Portugal. 

Como é habitual, analisaremos as canções por ordem inversa à classificação:

Elpida (Chipre)

Nesse ano, foi Chipre que teve a infelicidade do último lugar, obtendo somente quatro pontos. Elpida Karayiannopolou tinha representado o seu país natal a Grécia em 1979 com "Sokratis" e agora representava a pátria-irmã de Chipre com o tema "Tora Zo" ("agora eu vivo"). Mas apesar do ritmo animado a fazer lembrar o samba, não conseguiu convencer e foi até ao momento a única lanterna de vermelha de Chipre. 

Moti Giladi & Sarai Tzuriel (Israel)

Israel não é um país muito habituado ao fundo da tabela, mas nesse ano não conseguiu melhor que o 19.º lugar com sete pontos. Moti Giladi e Sarai Tzuriel cantaram em dueto "Yavo Yom" ("chegará um dia"), acompanhados em palco por duas bailarinas e dois cantores de coro, um deles Reuven Gvritz, tinha feito parte do grupo Milk & Honey, que venceu em 1979 com "Hallelujah". Giladi e Tzuriel dividiam-se ambos entre a música e a representação: ele, entre vários filmes, entrou num dos tomos da famosa saga "O Gelado De Limão" e ela integrou o elenco da versão israelita da "Rua Sésamo" e do filme "Polícia Demolidor" com Chuck Norris. 

Timna Brauer (Áustria)

A Áustria foi o último país a sair do zero, mas lá arrecadou doze pontos, valendo o 18.º lugar. Filha do artista plástico israelita Arik Brauer, Timna Brauer cantou "Die Zeit Ist Einsam" ("o tempo é solitário"). Se a maioria das canções guardam o melhor para o fim, esta canção guardava o melhor para o meio. 

Cocktail Chic (França)


Com o 17.º lugar e 13 pontos, a França obteve nesse ano o seu pior resultado até então. O quarteto feminino Cocktail Chic cantou "Européennes" ("europeias"), louvando as belezas do Velho Continente e até mencionando Boy George e a Lady Di. O grupo era composto pelas irmãs Dominique Poulain e Catherine Bonnevay e as suas primas Martine Latorre e Francine Chantereau que no final dos anos 60 gravaram vários singles sob o nome de Les Fléchettes. Francine e Martine também fizeram coros para várias actuações anteriores da Eurovisão, sobretudo em quatro canções de 1978 em Paris. 


ICY (Islândia)

Com a sua televisão estatal RÚV a estabelecer finalmente as suas ligações de satélite com o resto da Europa, a Islândia por fim pôde participar no Festival da Eurovisão, que transmitia o certame em directo desde 1982 (e em diferido desde 1970). A defender pela primeira vez as cores islandeses, esteve o grupo ICY, formado por Palmi Gunarsson, Helga Moller e o ruivíssimo Eirikur Hauksson com o tema "Gleðibankinn" ("banco da alegria"). Na final nacional, o tema tinha sido interpretado a solo por Gunnarsson mas para a Eurovisão optou-se por ser cantado em trio. A Islândia ficou em 16.º lugar com 19 pontos. Eirikur Hauksson regressaria à Eurovisão em 1991 pela Noruega e em 2007 de novo pela Islândia. Ao que parece, esta é uma daquelas canções que na Islândia ainda hoje é trauteada pelo povo. 

Kari Kuivalainen (Finlândia)

A Finlândia ficou em 15.º lugar com 22 pontos. Kari Kuivalainen interpretou uma canção da sua autoria, originalmente intitulada "Päivä Kahden Ihmisen" ("o dia de duas pessoas") mas que para a Eurovisão optou-se por utilizar um título em inglês "Never The End", embora as únicas palavras em inglês da letra fossem só "the end". 

Dora (Portugal)


Nesse ano, Portugal foi o último país a actuar, algo que até agora só aconteceu duas vezes, (a outra em 1984) e para fechar o desfile com chave de ouro, tivemos a nossa Dora a cantar o "Não Sejas Mau Para Mim" com um look que ficaria para a história com a saia verde-alface e umas botas Doc Martens. (No seu comentário para a RTP, Fialho Gouveia fez questão de dizer que não gostou.) Escrita por Guilherme Inês, Luís Oliveira e Zé da Ponte e orquestrada em Bergen pelo inglês Colin Frechter, a canção vencera uma edição sui generis do Festival da Canção, que nesse ano foi intitulado "Uma Canção Para A Noruega". Em vez do modelo habitual de actuações ao vivo num único local, os quatro centros de produção da RTP (Lisboa, Porto, Açores e Madeira) concorreram cada um com três canções e apresentaram actuações gravadas. Ainda assim, participaram nomes sonantes como Carlos Alberto Moniz, Luís Filipe, Sérgio Borges (vencedor de 1970), Os Trabalhadores Do Comércio, Gabriela Schaaf, Né Ladeiras (que cantou "Dessas Juras Que Se Fazem" que viria a ser mais conhecida como "Jura" nas versões de Lara Li e Rui Veloso), Lara Li e a ex-Doce Fá Padinha. Perante uma escolha interna de 43 funcionários da RTP, sabe-se apenas que os três finalistas foram "O Vapor Da Madrugada" do grupo Rimanço (Açores), "Os Tigres da Bengala" dos Trabalhadores Do Comércio (Porto) e "Não Sejas Mau P'ra Mim" (Lisboa), com a escolha final a recair sobre esta.
Em Bergen, Portugal obteve 28 pontos, ficando em 14.º lugar. Quanto a Dora, viria a ter grande notoriedade  nos anos seguintes, regressando mesmo à Eurovisão em 1988. Após um período fora do país, regressou a Portugal no início dos anos 2000 e desde então tem aparecido em vários eventos musicais e programas de televisão, e no Festival da Canção deste ano, voltou a cantar "Não Sejas Mau P'ra Mim". Uma menção final a Mário Gramaço, responsável pelo solo de saxofone.

Frizzle Sizzle (Países Baixos)

Tal como a França, os Países Baixos também se fizeram representar por um quarteto feminino, mas este teve uma classificação melhor, o 13.º lugar com 40 pontos. O grupo Frizzle Sizzle era composto por Mandy Huydts, Marjon Keller e as irmãs Karin e Laura Vlasblom, com idades entre os 15 e os 18 anos. As quatro cantaram "Alles Heeft Ritme" ("tudo tem ritmo"). As Frizzle Sizzle continuaram a gravar música até 1990, com cada uma a dedicar-se a projectos diferentes. Laura Vlasblom tornou-se sobretudo conhecida por ser a voz neerlandesa de personagens animadas como Ariel de "A Pequena Sereia", a Princesa Jasmine de "Aladino", a Gloria de "Madagáscar" e a "Polegarzinha". 

Ketil Stokkan (Noruega)

Com 44 pontos, a Noruega, o país anfitrião, ficou em 12.º lugar. Ketil Stokkan cantou "Romeo", acompanhado em palco por um Romeu e uma Julieta trajados a rigor, encarnados por dois membros de uma trupe de drag queens, com os três a fazerem uma coreografia sincronizada. Ketil Stokkan voltaria à Eurovisão quatro anos mais tarde.  

Doris Dragovic (Jugoslávia)


A Jugoslávia ficou em 11.º lugar com 49 pontos (incluindo um 12 de Chipre). Depois de ter integrado o grupo More, a croata Doris Dragovic iniciava  a sua carreira a solo. Em Bergen cantou "Zeljo Moja" ("meu desejo"). Doris continuou a ter bastante sucesso nos anos seguintes e em 1999, regressou à Eurovisão, desta vez pela Croácia independente.  

Cadillac (Espanha)


A vizinha Espanha teve 51 pontos e ficou em 10.º lugar. O grupo Cadillac foi fundado em Madrid em 1976 e editou o seu primeiro disco em 1981. O seu quarto álbum Funkyllac, de 1985, teve bastante sucesso e abriu caminho ao convite para a banda representar Espanha no Festival. A Bergen levaram o tema "Valentino" e a actuação teve um momento caricato quando as duas cantoras do coro simularam dar um estalo no membro masculino do coro. Contudo ainda em 1986, os Cadillac terminariam com a saída do baixista. 

Klips ve Onlar (Turquia)


À sua nona participação, a Turquia conseguiu por fim um lugar no top 10, mais precisamente no nono lugar com 53 pontos (incluindo um 12 da Jugoslávia). O grupo Klips ve Onlar levou a canção "Halley" que aludia à passagem pela Terra do famoso cometa nesse ano de 1986 ao fim de 76 anos. O tema foi conduzida por duas vocalistas Sevingul Bahadir e Candan Erçetin, com esta a substituir vocalista original Seden Kutlubay perante a indisponibilidade desta.  

Ingrid Peters (Alemanha)

Ingrid Peters foi a representante da Alemanha com o tema "Uber die Brücke geh'n" ("atravessando a ponte"). Peters vinha tendo algum sucesso no seu país, onde dividia a sua carreira musical com a profissão de professora de Educação Física, e algumas das suas canções até tiveram versões portuguesas como "Viva La Mamma" ("Viva A Vida" por Suzy Paula) e "Tango" (por Manuela Bravo). A Alemanha ficou em oitavo lugar com 62 pontos, com um 12 do Reino Unido.

Ryder (Reino Unido)


E por falar no Reino Unido, este país ficou na posição logo a seguir com 72 pontos. O grupo Ryder defendeu o tema "Runner In The Night", que foi o único que não teve orquestração, utilizando apenas os instrumentos tocados pela banda. O vocalista Maynard Williams também teve algumas incursões na representação.
Lise Haavik (Dinamarca)


A Dinamarca ficou em sexto lugar com 77 pontos e nem por acaso fez-se representar por uma cantora norueguesa, Lise Haavik. Ela tinha-se mudado para a Dinamarca para estudar na Universidade de Odense em 1982 e no ano seguinte respondeu a um anúncio que procurava uma voz feminina para um duo musical. O autor do anúncio era John Hatting com que Lise formou o duo Trax e rapidamente também passaram a ser um casal na vida real. O título da canção era "Du Er Ful Af Logn" ("estás cheio de mentiras") e embora na edição do disco seja creditada aos Trax, a participação no Festival foi creditada como uma actuação a solo de Lise Haavik, com o seu marido, que escreveu a canção, no coro. Também presentes em palco estavam dois bailarinos, David e Mary Johnson, que tinham actuado no ano anterior na canção da Suécia. A Noruega, o país natal de Lise, atribuiria dez pontos à canção dinamarquesa.
Monica Törnell & Lasse Holm (Suécia)

Um lugar acima, com mais um ponto ficou a Suécia, com Lasse Holm e Monica Törnell a cantar "E De' Det Här Du Kaller Kärlek?" ("é isto que tu chamas de amor?"). Lasse Holm tinha sido o compositor das canções suecas de 1982, 1983 e 1985 mas desta feita também quis ser um dos intérpretes. Mas Lasse e Monica foram um pouco eclipsados durante a actuação pelos três membros do coro, todos trajados a rigor: um senhor com um fato, gravata e chapéu de coco, a senhora com fato de empregada e o outro senhor com um maiô amarelo e fita na cabeça, que a dada altura desatou aos pulos pelo palco. E durante o solo de guitarra, surgiu em palco um quarto elemento de peito nu e de guitarra em riste à volta do qual todos se juntaram.    

Luv Bug (Irlanda)


O grupo Luv Bug representou a Irlanda com o tema "You Can Count On Me", obtendo 96 pontos e o quarto lugar. Oriunda da Irlanda do Norte, a banda (da qual três dos cinco membros eram irmãos: Max, Hugh e a vocalista June Cunningham) vinha tendo alguns singles de sucesso na República da Irlanda. Aparentemente a banda ainda existe, tocando covers em eventos particulares. 

Sherisse Laurence (Luxemburgo)


O grão-ducado do Luxemburgo recorreu uma vez mais à importação de cantores e nesse ano foi representado pela cantora canadiana Sherisse Laurence, que apesar de ser da província anglófona de Manitoba, cantou em francês "L'Amour De Ma Vie". Aliás, foi a canção luxemburguesa a primeira a actuar, ficando em terceiro lugar com 117 pontos. Sherisse Laurence ainda continua no activo, agora sob o nome de casada Sherisse Stevens. 

Daniela Simmons (Suíça)


Trinta anos depois de ter vencido a primeira edição, a Suíça esperava conseguir a segunda vitória mas ficou em segundo lugar com 140 pontos. Sentada ao piano, Daniela Simmons cantou "Pas Pour Moi", uma balada sofisticada. O compositor da canção era Attila Sereftug, com quem Simmons veio a casar e que também comporia a canção que dois anos mais tarde finalmente traria o segundo triunfo na Eurovisão para as cores helvéticas.


Sandra Kim (Bélgica)


E o top 3 foi todo cantando em francês. Até então, a Bélgica era o único país dos sete que participaram no primeiro Festival da Eurovisão que ainda não tinha vencido o certame, mas nesse ano venceu de forma incontestável com 176 pontos, com Portugal a ser um dos cinco países que lhe deram os 12 pontos e a canção "J'Aime La Vie", na voz da bem jovem Sandra Kim, tornou-se rapidamente um dos grandes clássicos eurovisivos. (Aliás segundo o Fialho Gouveia no comentário da RTP, a delegação belga estava tão confiante na vitória que até já se debatia qual cidade do país iria receber o Festival no ano seguinte: Ostende era então a opção mais falada, contudo o evento seria na capital Bruxelas.)  
Embora na letra, Sandra cantasse que tinha quinze anos, na verdade na altura ainda não tinha sequer completado os catorze, pelo que com treze anos e meio, tornou-se a mais jovem vencedora de sempre da Eurovisão. Um recorde que certamente nunca mais será batido até porque a partir de 1990 foi imposta a idade mínima de 16 anos para um intérprete participar no Festival (para não falar que desde 2003 que existe uma spin-off júnior para cantores sub-16). Se Portugal tivesse escolhido a canção dos Trabalhadores do Comércio, João Médicis, o jovem membro da banda, seria outro cantor de treze anos presente no palco de Bergen.  


Após o triunfo na Eurovisão, Sandra Kim também cantou a versão original em francês do tema da série animada "Era Uma Vez A Vida" e ainda hoje continua activa na música. Em 2010, eu vi-a a actuar em Setúbal no Eurovision Live Concert onde além de "J'Aime La Vie" cantou uma medley de várias canções eurovisivas e nesse mesmo ano, recriou cena por cena o videoclip da canção. 
Eu lembro-me de nesse ano ter celebrado a vitória da canção belga como se fosse a do meu país e ainda hoje "J'Aime La Vie" é uma das minhas canções eurovisivas favoritas de sempre. 

Festival da Eurovisão 1986 (Transmissão da RTP) 




"Bergensiana" (interval act) 




domingo, 25 de abril de 2021

Óscar de Melhor Canção Original (1980-1989)

 por Paulo Neto


Depois das categorias principais (Filme, Realizador e as quatro categorias de representação), creio que a categoria dos Óscares que suscita mais interesse é o de Melhor Canção Original. E como os anos 80 foram a década onde a música teve um papel determinante no cinema como nunca o tivera até então, tive a ideia de analisar os vencedores e os nomeados de cada ano dessa década.

Antes de começar, há que referir duas coisas: primeiro, o ano que vou usar no texto é referente ao ano correspondente aos filmes nomeados e não o do ano em que cerimónia se realizou (por exemplo, a cerimónia referente de 1980 teve lugar a 31 de Março de 1981); segundo, o galardão nesta categoria é entregue aos autores e compositores da canção e o intérprete só o recebe se fez parte da sua composição. É por isso que por exemplo, Madonna e Céline Dion nunca ganharam um Óscar nesta categoria apesar de ambas terem interpretado cada uma duas canções que venceram o prémio.  

1980 "Fame" (Fama)



O filme que acompanha o percurso académico de um grupo de jovens alunos de uma escola de artes em Nova Iorque foi um dos filmes de maior sucesso de 1980 e claro, deu origem a uma série televisiva de ainda maior sucesso. No filme, o tema principal é tocado numa cena em que o pai taxista de Bruno Martelli (Lee Currieri) põe-o a tocar no meio da rua, e os alunos decidem dançar ali mesmo causando o pânico no trânsito. O tema era interpretado por Irene Cara, no papel da ambiciosa Coco Hernandez, cujos sonhos de fama a fazem cair em algumas armadilhas.
Apesar de, ao contrário de muito do elenco, Irene Cara não ter transitado para a série de televisão (o seu papel foi aí desempenhado por Erica Gimple), também interpretou a versão utilizada no genérico.
O Óscar foi entregue ao letrista Dean Pitchford e ao compositor Martin Gore, irmão da estrela dos anos 60 Lesley Gore, a cantora de "It's My Party" e "You Don't Own Me". Quanto a Irene Cara, não seria a última vez que cantaria uma canção oscarizada.

Outra canção de "Fama", também interpretada por Irene Cara, "Out Here On My Own", também esteve nomeada, assim como "9 To 5" (do filme Das Nove Às Cinco), uma das canções mais emblemáticas de Dolly Parton, "On The Road Again" do filme "Honey Suckle Road - Música Pelo Caminho" com Willie Nelson e "People Alone" de "A Competição" com Richard Dreyfuss e Amy Irving, composta por Lalo Schiffrin, famoso pelo tema de "Missão:Impossível"

1981 "Arthur's Theme (The Best You Can Do)" (Arthur - O Alegre Conquistador)



Christopher Cross é considerado a última grande estrela musical pré-MTV, quando ainda se podia ser um popstar tendo o aspecto do vizinho do terceiro esquerdo. O seu álbum homónimo de estreia de 1980, com um flamingo na capa, tornou-se um clássico do soft-rock e foi um campeão de vendas, graças a faixas como "Sailing" e "Ride Like The Wind", tendo até conquistado o Grammy de Álbum do Ano contra "The Wall" dos Pink Floyd. 
Mas no mesmo ano em que 1981 marcou o início da era musical onde imperavam os mais vistosos, Cross teve mais um fogacho de glória com "The Best You Can Do", tema principal do filme "Artur, O Alegre Conquistador" com Dudley Moore e Liza Minnelli. Além do n.º 1 do top americano e lugar cativo nos "Oceanos Pacíficos" dessas rádios pelo mundo fora, a canção valeu a Cross também o Óscar, que compôs em parceria com os lendários Burt Bacharach, Carol Bayer Sager e Peter Allen.

Christopher Cross, Burt Bacharach e Carol Bayer Sager


Os outros nomeados foram: "Endless Love" de Lionel Richie e Diana Ross (do filme "Um Amor Infinito" com Brooke Shields), "For Your Eyes Only", na voz de Sheena Easton, foi o segundo tema de um filme da saga 007 ("Missão Ultra Secreta") a ser nomeado para o Óscar, quatro anos depois de "Nobody Does It Better", o lendário Randy Newman foi nomeado para "One More Hour" do filme "Ragtime" e Joe Raposo, o luso descendente autor do tema da "Rua Sésamo", foi nomeado por "The First Time It Happens" de "Os Marretas Contra-Atacam".

1982 "Up Where We Belong" (Oficial E Cavalheiro)



O filme "Oficial E Cavalheiro" foi um dos filmes de 1982 e a sequência final em que Richard Gere carrega Debra Winger ao colo enquanto toca a balada "Up Where We Belong" tornou-se lendária.
Interpretada por Joe Cocker e Jennifer Warnes, "Up Where We Belong" venceu o Óscar que foi entregue a Jack Nietzsche e Buffy Sainte-Marie pela música e Will Jennings pela letra. (Jennings receberia outro Óscar em 1997 por "My Heart Will Go On".) "Oficial E Cavalheiro" também valeu um Óscar de Melhor Actor Secundário para Louis Gossett Jr. no papel do severo sargento instrutor. 

Os outros nomeados foram: "How Do You Keep The Music Playing" ("Loucuras De Um Casal"), "Eye Of The Tiger" ("Rocky III"), "It Might Be You" ("Tootsie") e "If We Were In Love" ("Yes, Giorgio" onde Luciano Pavarotti tentou dar uma de actor.)

1983 "What A Feeling" (Flashdance)



Um daqueles filmes que definiram a década de 80, "Flashdance" é tido como o primeiro filme (não baseado numa peça musical) pensado para uma banda sonora em vez do contrário. De entre as várias cenas de antologia, a mais emblemática é aquela em que a protagonista, interpretada por Jennifer Beals, faz a sua audição para entrar numa escola de dança ao som de "What A Feeling". Uma cena em que além de Beals, foram utilizados três duplos: Marine Jahan, que a substituiu em todas as sequências de dança do filme, a ginasta Sharon Shapiro para o plano de voo com cambalhota e Crazy Legs para o movimento de breakdance. "What A Feeling" era excepcionalmente interpretado por Irene Cara que assim cantava uma segunda canção oscarizada. E desta vez, co-creditada como autora da letra, Irene Cara recebeu a estatueta em conjunto com Keith Forsey e Giorgio Moroder.


O outro grande hit de "Flashdance", "Maniac" de Michael Sembello também foi nomeado, assim como duas canções do filme "Yentl", "Papa Can You Hear Me" e "The Way He Makes Me Feel" interpretadas por Barbra Streisand, que protagonizou e realizou o filme. A quinta nomeada foi "Over You" do filme "Amor E Compaixão" 

1984 "I Just Called To Say I Love You" (A Mulher De Vermelho)



A meu ver, 1984 é um dos anos mais lendários da cultura pop, com uma extensa quantidade filmes e canções icónicas que saíram nesse ano. Como tal, não é de admirar que as cinco canções fossem grandes hits desse ano, vindas da banda sonora de quatro filmes que fizeram sucesso. Mas a vitória foi indiscutivelmente para "I Just Called To Say I Love You" do filme "A Mulher De Vermelho". Mesmo para alguém que já tinha uma carreira tão gloriosa como Stevie Wonder, o tema foi todo um sucesso estrondoso, chegando ao primeiro lugar de tudo o que era top. 



Os outros nomeados foram dois temas de "Footloose", o tema-título de Kenny Loggins e "Let's Hear For The Boy" na voz de Deniece Williams, "Against All Odds (Take A Look At Me Now)" (de "Vidas Em Jogo") um marco no repertório baladeiro de Phil Collins e o tema de "Os Caça Fantasmas" interpretado por Ray Parker Jr. "Who you gonna call? Ghostbusters!"

1985 "Say You, Say Me" (O Sol Da Meia-Noite)



Abordando temas como a dança, a Guerra Fria e espionagem política, "O Sol Da Meia-Noite" era protagonizado por Mikhail Baryshnikov, Gregory Hines, Helen Mirren e Isabella Rossellini. Algumas cenas do filme foram filmadas em Lisboa. A sua banda sonora produziu dois temas que foram n.º1 nos Estados Unidos e ambos nomeados para o Óscar, tendo a vitória ido para "Say You, Say Me", escrito e interpretado por Lionel Richie, que toca nos créditos finais do filme. O outro nomeado de "O Sol Da Meia-Noite foi "Separate Lives", um dueto entre Phil Collins e Marilyn Martin.


Os outros três nomeados foram "The Power Of Love" de Huey Lewis & The News ("Regresso Ao Futuro"), "Miss Celie's Blues (Sister)" ("A Cor Púrpura" que celebremente não ganhou nenhum dos onze Óscares para que foi nomeado) e "Surprise Surprise" da adaptação cinematográfica do musical "A Chorus Line".  

1986 Take My Breath Away (Top Gun - Ases Indomáveis)



Contactado pelo produtor Jerry Bruckheimer para contribuir com uma canção para um tal filme chamado "Top Gun", Giorgio Moroder escreveu "The Danger Zone" para ser interpretado por Kenny Loggins e, sendo-lhe proposto também criar um canção para uma cena romântica. Essa canção seria "Take My Breath Away" que Moroder escreveu em parceria com letrista Tom Whitlock (que Moroder conheceu quando Whitlock, que trabalhava também como mecânico, arranjou os travões do seu Ferrari). A banda rock Berlin gravou a canção que foi um sucesso global e que se tornou um clássico da baladaria dos anos 80. Infelizmente, o seu sucesso ditaria o fim da banda, já que só a vocalista Terri Nunn gostava da canção e os outros membros achavam que não tinha nada a ver com o resto do seu repertório nem com o som da banda.  

As outras canções nomeadas foram "Somewhere Out There" ("Fievel - Um Conto Americano"), "Glory Of Love" ("O Momento Da Verdade 2"), "Mean Green Mother From Outer Space" ("A Lojinha Dos Horrores") e "Life In A Looking Glass" ("A Vida É Assim")

1987 "(I've Had) The Time Of My Life" (Dirty Dancing - Dança Comigo)



Apesar da acção do filme se passar em 1963 e de incluir várias canções dos anos 60, a banda sonora de "Dirty Dancing" também tinha algumas canções que soavam claramente a anos 80. Mas mesmo com esses anacronismos, ou se calhar por causa deles, essa fusão resultou, sobretudo na apoteótica sequência na final ao som de "(I've Had) The Time Of My Life", interpretado por Bill Medley (a metade mais grave dos Righteous Brothers, em contraponto com a metade aguda de Bobbie Hatfield que cantou "Unchained Melody") e Jennifer Warnes (que assim cantava mais uma canção oscarizada). A estatueta foi entregue aos três compositores da canção: Frank Previte (que também assinou a letra), John De Nicola e Donald Markowitz

Os outros nomeados foram "Shakedown" ("O Caça-Polícias 2"), "Cry Freedom" ("Grita Liberdade"), "Nothing's Gonna Stop Us Now" ("Manequim") e "Storybook Love ("A Princesa Prometida").

1988 "Let The River Run" (Uma Mulher De Sucesso)



Um olhar feminino sobre Wall Street, "Uma Mulher De Sucesso" foi nomeado para seis Óscares mas só venceria o de Melhor Canção, com "Let The River Run", escrita e interpretada por Carly Simon, que se ouve na belíssima sequência inicial que mostra vários trabalhadores na sua comuta diária para os seus diversos empregos em Nova Iorque.


Todas as canções que venceram o Óscar de Melhor Canção Original nesta década também venceram o correspondente Globo de Ouro, mas neste ano, "Let The River Run" partilhou o Globo de Ouro com "Two Hearts" do filme Buster, protagonizado por Phil Collins, na única vez que se registou um empate nesta categoria.
Estranhamente nesse ano, em vez das habituais cinco nomeações nesta categoria, houve apenas três, sendo que a terceira canção nomeada foi "Calling You" do filme "Café Bagdade"

1989 "Under The Sea" (A Pequena Sereia)



Depois de anos de tensões internas, flops de bilheteira e crises financeiras, "A Pequena Sereia" deu início àquela que seria conhecida como a Era do Renascimento da Disney, que se prolongaria pelos anos seguintes. Marcou também o início do domínio dos filmes da Disney nesta categoria do Óscar. "Under The Sea" a canção com a qual o caranguejo Sebastião tenta convencer a Ariel a deixar de lado o seu fascínio pelos humanos e apreciar a vida no fundo do mar foi a vencedora neste ano. Aqueles que cresceram com a versão dobrada em português do Brasil já estão a trautear: "Aqui no mar, aqui no mar, até a sardinha entra na minha e vem cantar…"

Outra canção de "A Pequena Sereia", "Kiss The Girl" foi nomeada, assim como "After All" ("Como O Céu Se Enganou"), "I Love To See You Smile" ("Lar Doce Lar... Às Vezes"), "The Girl That Used To Be Me" ("Shirley Valentine") 


sexta-feira, 16 de abril de 2021

Os Smoggies (1991)

por Paulo Neto

Há dias lembrei-me desta série que não parece ser muito recordada hoje em dia, mas que eu me lembro de achar piada. "Os Smoggies" era uma série animada de 52 episódios de produção franco-canadiana e o seu tema principal era a protecção do ambiente. Em Portugal, passou na RTP entre 1991 e 1992 no espaço "A Hora Do Lecas".



Apesar de darem título à série, os Smoggies eram os vilões, um grupo de gananciosos caçadores de tesouros em confronto com os Suntots, os pequenos e simpáticos habitantes da Ilha do Coral, que utilizam energias não poluentes no seu dia-a-dia e que defendem a ilha dos constantes ataques poluidores dos Smoggies. (Talvez para se evidenciar o facto que, apesar do título, os Smoggies serem os vilões e que não se devia torcer por eles, nos Estados Unidos, a série foi exibida com o título "Stop The Smoggies!")

Emma, Clarence e Polluto


Os Smoggies, que vivem no altamente poluidor barco movido a carvão, o SS Stinky Poo são três: Emma, a vaidosa e malvada líder obcecada com o seu aspecto e com medo de envelhecer; Clarence, o capitão do barco e marido pau-mandado de Emma por quem é totalmente embeiçado; e Polluto, que apesar de pouco inteligente (e de sabe-se lá como, comer carvão e petróleo) bem lá no fundo até nem é mau. Polluto tem um pássaro de estimação, Ralph Robin, que anda sempre em cima da cabeça dele e cujos piares só ele entende. 



De entre os Suntots, dois têm principal destaque: a Princesa Lila que costuma liderar os seus súbditos nas acções para neutralizar os ataques poluidores dos Smoggies, e Speed (na legendagem portuguesa  teve o nome de Rápido), um corajoso Suntot de cabelo azul, com a capacidade de nadar com rapidez, que é o principal aliado da Princesa. Outros Suntots incluem Chip, o engenhocas da ilha, Little, o mais pequeno dos Suntots, Miss Doctor, a médica/veterinária da ilha e Uncle Boom, o mais velho dos Suntots e autoproclamado presidente da Câmara de Suntot Town, que adora fazer discursos formais.

Speed e a Princesa Lila


Um dos principais motivos do confronto entre os Suntots e os Smoggies é devido ao Coral Mágico, que Emma acredita ter o poder de a tornar eternamente jovem e que quer encontrar a todo o custo, embora a Princesa Lila tente em vão convencer-lhe que tal não existe e não passa de uma lenda.

Como já referi, em Portugal a série passou na versão em inglês com legendas em português. O tema da série na versão anglófona era da autoria de Joe Raposo (1937-1989), compositor americano lusodescendente, sobretudo conhecido por ter composto o tema da "Rua Sésamo". 


Alguns episódios em inglês:






quinta-feira, 8 de abril de 2021

Blocos Publicitários RTP 1 (Abril 1987)

por Paulo Neto

Regressando a uma das nossas rubricas preferidas, a análise a blocos publicitários de antanho, desta feita recuamos a 8 de Abril de 1987 para analisar três blocos de intervalo da RTP1 emitidos durante a exibição do filme "My Fair Lady" no famoso espaço "Lotação Esgotada", disponibilizado do YouTube pelo canal PT Archive com conteúdo facultado por Afonso Gageiro
Eu estava então a dezassete dias de completar sete anos e numa fase atribulada em termos de saúde, pois em meados do mês anterior eu tinha sido atropelado (felizmente sem mais do que um enorme susto e umas quantas nódoas negras) e cerca de uma semana ou duas depois eu apanhei papeira, o que significou passar o meu sétimo aniversário doente. 
Seja como for, vamos então embarcar numa viagem pela publicidade dos anos 80, (re)descobrindo anúncios e produtos da época.  




0:00 Excerto de "My Fair Lady" e Vinheta RTC
0:05 Este um dos muito raros anúncios televisivos a testes de gravidez de que me lembro, a saber o  Predictor Color, com uma mulher pensativa à janela a desenhar um ponto de interrogação, em que a mudança de cor de roxo para branco indicava uma gravidez. 
0:26 Um dos primeiros anúncios ao WC Pato, com um pato de verdade e um senhor de bigode com ar respeitável. E não era a tua que tinha aquele embalagem com uma extremidade a fazer lembrar a cabeça e o pescoço de um pato, já que essa forma permitia um maior acesso aos recantos escondidos da sanita "onde mais nenhum chega".  
0:45 Num escritório, vários empregados com um ar enfastiado são surpreendidos pela chegada de um senhor que chega com um maço de livros e declara: "Tudo o procuram está no Guia-Mor." Suponho que esse Guia-Mor era um conjunto de livros especializados no apoio às diversas actividades profissionais, pois além do volume de "Escritório", vêem-se também outros dedicados a áreas como agricultura e pecuária, electroténica ou têxteis e confecção. Gostei sobretudo do slogan: "Não fala mas diz tudo!"
1:16 Anúncio da Camport, uma das mais célebres marcas do calçado nacional com duas mãos com luvas brancos segurando um sapato da marca, surgindo no fim uma etiqueta em forma de pé onde está escrito "Garantia". Fundada em 1955 pelo grupo têxtil Campeão Português, a Camport foi durante anos a fio o maior fabricante e exportador nacional (como é dito no anúncio) mas em 2014, esse grupo declarou insolvência e a marca foi adquirida pelo grupo Valerius no ano seguinte.  
1:31 O produto Vim mais célebre é o Vim Limão em pó, utilizado para limpar banheiras e outros tipos de cerâmicas, mas também esta variante do Vim Líquido
1:39 Os anos 80 foram os anos da ganga com muitas marcas a pontificar como a eterna Levi's, mas também a Lois, a Marlboro e a Wrangler, que neste anúncio emulava a iconografia da capa do álbum "Born In The USA" de Bruce Springsteen, ouvindo-se o hino americano e vendo-se ao fundo as riscas da bandeira americana. Na altura, na compra de um par de calças ganhava-se um estiloso isqueiro.
1:48 Momento ternurento entre mãe e filha fazendo um bolo com os preparados da Oetker. E rejubila a petiza: "Hmm, eu e a minha mãe fazemos bolos tão bons!"
1:57 Um tipo de anúncio já extinto, em frame estático, neste caso às Páginas Amarelas (também elas em vias de extinção), apenas com o célebre logótipo, as palavras "Pense Amarelo…" e uma versão instrumental do jingle. 
2:05 Lendária marca de cerveja, a Carlsberg apostava então também na ginger ale
2:11 Um dos primeiros anúncios da gama Studio Line da L'Oreal com lacas e gel para dar aquele estilo à trunfa. E claro, o mítico jingle: "Studio Line, esculpindo o seu cabelo ao seu estilo."
2:41 Brise Mar, as fragrâncias da brisa marinha. Ainda se vendem ambientadores Brise?
2:50 Na altura, a margarina Pastora tentava romper com o triunvirato Flora/Planta/Becel. Neste anúncio, ao pegar numa embalagem, uma mulher embarca numa tripe alucinogénia onde a visão de um senhor que surge na embalagem lhe fala sobre o concurso onde seriam sorteadas viagens à Terra Santa e dezenas de eletrodomésticos. 
3:05 O disco "Simon And Garfunkel Collection" que reunia dezassete dos mais famosos êxitos desta dupla, podendo-se ouvir no anúncio temas como "El Condor Pasa (If I Could)", "Mrs. Robinson" e "Cecilia". 
3:27 António Ribeiro Cristóvão, então o apresentador do "Domingo Desportivo" num espaço de autopromoção ao programa, enaltecendo o esforço de todos aqueles envolvidos na sua produção. Serve esta autopromoção para uma campanha que a RTP promovia na altura para os telespectadores actualizarem os pagamentos das suas taxas, onde se destacava este boneco animado com fato futurístico montando numa câmara voadora que dizia: "Ponha a sua taxa em dia, custa tão pouco por dia." Isto porque até ao início dos anos 90, a taxa da televisão era paga em separado. Taxa essa que regressou em 2003, como  a Taxa de Contribuição Audiovisual, incluída na factura da electricidade. 
4:13 Uma das mais famosas vinhetas da RTP1 com formas geométricas, estreada a 13 de Outubro de 1986 e que duraria até à rentrée de 1988, sendo adicionado o logótipo do 30.º aniversário da RTP. 
4:18 Vinheta Lotação Esgotada
4:26 Vinheta de agradecimento a Afonso Gageiro.



0:00 Após um breve excerto de "My Fair Lady", um corte algo demorado até à...
0:09 Vinheta RTC
0:14 Lembro-me deste anúncio do Braz & Braz, com uma bailarina vestida como dona de casa. Desde 1777 que vende produtos para a casa: cutelaria, objectos de cozinha, material de decoração, têxteis-lar, electrodomésticos…"Braz & Braz tem!". Actualmente existem três lojas Braz & Braz em Lisboa (na Rua dos Anjos), São João da Talha e Almancil.
0:35 Outro clássicos dos anos 80, o Dystron! Venha de lá a ladainha: "Na sua higiene íntima, a mulher moderna usa Dystron. Em casa, Dystron líquido. Fora de casa, Dystron em toalhetes. PAM!"
0:44 Este anúncio à Gilette Blue II grita "ANOS 80!", não grita? Um homem barbeia-se com a dita lâmina antes de se encontrar com uma babe bem eighties de vestido azul que o espera num bar. E logo quando a babe se cansa de esperar, eis que ele surge a correr ter com ela. Tudo isto enquanto canta o rei dos jingles nacionais Gustavo Sequeira. 
1:05 Este não é o mítico anúncio do Quitoso, com uma sala de aulas repleta de petizes até que se vê um deles a coçar a cabeça com ar inquieto, mas sim apenas com um miúdo numa sala de aulas a coçar a cabeça. Mas a famosa ladainha é ouvida: "Piolhos? Lêndeas? Quitoso elimina-os totalmente. Quitoso, loção e champô."
1:13 No outro bloco tivemos o WC Pato, neste temos uma marca rival, Express, afirmando "onde os outros param, Express continua".
1:33 Um jovem Miguel Guilherme neste anúncio à Maionese Hellmann's.
1:54 A inconfundível voz da actriz Lídia Franco neste anúncio aos chocolates Favorita.
2:15 Num artigo que fizemos sobre anúncios a tintas, referimos este das Tintas Dyrup protagonizado por um arlequim rodopiante. A Dyrup nesse ano comemorava "40 anos a pintar Portugal".
2:45 Um animado anúncio da Coca-Cola, numa livre recriação de uma cena do filme "Os Amigos Do Alex", em que um grupo de amigos prepara todo o tipo de comida numa cozinha enquanto todos dançam ao som de "Freeway of Love" de Aretha Franklin e, claro, vão bebericando o referido néctar.  
3:13 Trailer ao filme "Over The Top - O Lutador" onde Sylvester Stallone faz de um camionista que aspira a tornar-se campeão de luta braço de ferro. Claro está, com a inconfundível voz de João David Nunes. E a estreia deste filme nos cinemas portugueses foi em grande, pois a mítica frase "Sexta-feira estreia" não se limitava a Lisboa e Porto mas incluindo isso sim um então invulgar número de outras cidades: Coimbra, Setúbal, Vilamoura, Portimão, Évora, Braga, Mem Martins e Torres Vedras! 
3:35 Outro clássico da publicidade dos anos 80, os anúncios a produtos de tratamento agrícola. Claro que a marca (e o anúncio) mais célebre era o Rubigan 12, mas também Bayfidan, do grupo Bayer, prometia a eliminação do oídio por essas vinhas de Portugal adentro. 
3:49 Vinheta RTP1 30 Anos
3:52 Vinhetas Lotação Esgotada e Afonso Gageiro



0:00 A gargalhada do actor Rex Harrison em "My Fair Lady" (filme pelo qual ganharia o Óscar de Melhor Actor) antes da...
0:04 Vinheta RTC
0:10 Um anúncio ao Martini com o glamour dos anos 80, que começa por uma beldade a passear numa praia até que encontra uma televisão no areal que parece funcionar mesmo sem aparentemente haver tomadas eléctricas por perto e até quando uma onda percorre o ecrã. 
0:40 Outra vez o anúncio aos jeans Wrangler.
0:49 E outra vez o anúncios aos preparados para bolos da Oetker.
0:56 Já tivemos o anúncio à Carlsberg em modo ginger ale, agora temos um à cerveja Carlsberg propriamente dita. E este é um dos mais famosos, que se passa durante a representação da cena da célebre ópera "Carmen". 
1:18 Alguns champôs são apenas suaves, outros são apenas de tratamento. Mas qual Hannah Montana dos produtos capilares, a Elséve apresentava um champô que prometia o melhor dos dois mundos. E claro, com uma beldade morena a mostrar os resultados. 
1:50 Mais um anúncio a um produto de tratamento agrícola, desta vez o Polycur para combater o míldio e fazer crescer deliciosas batatas, com um coro de batatinhas a cantar: "Polycur, Polycur, não há cá míldio que dure."
2:00 Anúncio ao vinho do Porto Offley, em que um senhor de farta barba aplica um ferro em brasa em forma do logótipo numa pipa. 
2:29 O sabão Migo torna-se um boneco animado para mostrar que lava bem a roupa, ao ponto de uma camisola o vir abraçar depois. E por fim, o rotundo slogan: "Migo, dá cabo do sujo."
2:38 Numa biblioteca, o espirro de uma jovem mulher perturba o silêncio do local. Felizmente, o homem a seu lado tem  Halls Mentolypthus
3:09 Um senhor com um ar muito british afirma em inglês e com as legendas em português: "Se aprecia o que está dentro da garrafa, peça um Grant's" e logo a seguir uma voz-off repete precisamente o mesmo, o que torna a legendagem inútil. 
3:19 Mais um anúncio de autopromoção da RTP inserido na campanha de actualização das taxas de televisão, desta vez  sobre o programa "7 Folhas" apresentado pela saudosa Alice Cruz, que na altura ia aos sábados à tarde e que apresentava os principais destaques da programação da RTP para a semana que se seguia. Nele pode ser ver a tecnologia de ponta utilizada em televisão na altura. 
4:11 Em garrafa, meia-garrafa ou à taça, havia muita maneira de apreciar o espumante Danúbio das Caves Aliança.
4:19 E para terminar este bloco especialmente dedicado a anúncios a bebidas alcoólicas, este anúncio à Cerveja Sagres, uma das grandes instituições da cervejaria nacional, com vários homens tuga a assobiar o famoso jingle num bar.  
4:39 Vinheta RTP1 30 Anos
4:42 Vinhetas Lotação Esgotada e Afonso Gageiro

No canal PT Archive, existe ainda um outro bloco mas este só tem um anúncio aos televisores Singer. (O espectáculo da cor!)



Espero que tenham gostado desta análise. Eu pessoalmente recordei muitos anúncios dos quais já não me lembrava. Deixem os vossos comentários! E uma vez mais, obrigado ao PT Archive e a Afonso Gageiro. 


domingo, 4 de abril de 2021

Festival da Eurovisão 1981

por Paulo Neto



Dez anos depois, Dublin voltou a receber o Festival da Eurovisão. A 26.ª edição do evento teve lugar na capital irlandesa, no RDS Simmonscourt a 4 de Abril de 1981. As dimensões do recinto, que costumava receber certames hípicos e agrícolas, proporcionou a criação de três áreas no palco: uma para as atuações, outra para a orquestra e outra para o quadro das votações, conduzidas pela apresentadora  Doireann Ni Bhriain.     


Este foi o primeiro Festival da Eurovisão da minha existência, já que nasci seis dias depois da edição do ano anterior.
Vinte países participaram, com destaque para a estreia de Chipre e os regressos de Israel e da Jugoslávia, enquanto Itália ficou de fora e Marrocos não mais regressou após a sua única participação no ano anterior. Antes da actuação de cada canção, foi exibido um breve filme dos respectivos intérpretes a descobrirem por vários recantos de Dublin. (Por exemplo, o nosso Carlos Paião e o seu coro foram passear num jardim.) No intervalo entre as actuações e as votações foi exibido um número de bailado chamado "Timedance", dedicado à música e dança tradicional irlandesa.  
Os comentários da RTP estiveram a cargo de Eládio Clímaco e a porta-voz dos votos de Portugal foi Margarida Mercês de Melo (então conhecida como Margarida Andrade).       

Como é habitual, analisaremos as canções por ordem inversa à classificação. 

Finn Kalvik (Noruega)


Nesse ano, a fava calhou à Noruega que ficou em último lugar, corrida a zeros. Finn Kalvik cantou "Aldri I Livet" ("nunca na minha vida") e este insucesso não fez mossa na sua carreira, que conhecia bastante sucesso no seu país desde o início dos anos 70. Aliás, a versão em inglês, "Here In My Heart" teve nos coros nada menos que Agnetha e Frida dos ABBA.

Aysegül Aldinç & Modern Folk (Turquia)


Com nove pontos, Turquia e Portugal partilharam o 18.º lugar. Na sua quarta participação, a Turquia fez-se representar por uma colaboração entre o trio Modern Folk Üçlüsu e cantora e actriz Aysegül Aldinç com a canção "Dönme Dolap" ("o carrossel"), uma interessante fusão entre folk turco e disco.

Carlos Paião (Portugal)


Este foi mais um ano em que a canção portuguesa não foi ouvida com ouvidos de ouvir pela Europa, não angariando mais do que 8 pontos da Alemanha e 1 ponto da Grécia. O que é lamentável pois o "Playback" de Carlos Paião não só tinha uma sonoridade bem moderna como era um ácida crítica às estrelas manufaturadas desta vida para quem basta ter bom ar e ser forte no lipsync, para não falar na performance irreverente e colorida (mas infelizmente outra actuação irreverente e colorida imediatamente antes de Portugal é que encheu o olho aos júris europeus). Em palco, Carlos Paião foi acompanhado no coro por Ana Bola, Pedro Calvinho, Cristina Águas (sim, filha desse José e irmã desses Rui e Lena) e o nórdico Peter Peterson e a orquestração esteve a cargo de Shegundo Galarza. "Playback" foi o primeiro grande marco na carreira de Carlos Paião, que quer no seu próprio repertório quer no que compôs para outros, soube navegar com genialidade a linha entre o erudito e o popularucho. Carreira essa que foi cruelmente interrompida em 1988 quando Carlos Paião perdeu a vida num acidente de viação com apenas 30 anos. Aliás, não deixa de ser curioso como até 2017, ano em que Portugal finalmente ganhou a Eurovisão, Carlos Paião era o único falecido dos nossos intérpretes eurovisivos, como se a Divina Providência apiedando-se de tão triste perda nacional, fez com que os restantes vivessem o suficiente para ver Portugal ganhar. 
Ah! E convém não esquecer que no Festival da Canção, desse ano Carlos Paião bateu concorrência ilustre como José Cid, Maria Guinot, Carlos Alberto Moniz & Maria Do Amparo, Samuel, Cocktail e o "Ali Babá" das Doce.   
Marty Brem (Áustria)

Depois de ano anterior ter representado a Áustria como parte do grupo Blue Danube, Marty Brem regressou por este país, agora a solo, sendo parte da actuação mais bizarra da noite. Não por causa da canção em si, já que "Wenn Du Da Bist" ("quando tu estás aqui") era uma simples balada romântica, mas por causa da coreografia executada pelas quatro bailarinas em palco, uma delas vestida de odalisca e outra, que também fazia coro, com um capacete de futebol americano, um fato de banho e perneiras. A Áustria ficaria em 17.º lugar com 20 pontos. Entretanto Marty Brem virou-se para o ramo empresarial da indústria musical no seu país.

Riki Sorsa (Finlândia)


Evocando ares de Rod Stewart, Riki Sorsa representou a Finlândia com "Reggae OK", provavelmente a única canção reggae com um solo de acordeão. Mas a Europa não achou que estava lá muito OK e a Finlândia ficou-se pelo 16.º lugar com 27 pontos. Riki Sorsa faleceu em 2016.  

Seid Memic Vajta (Jugoslávia)


Ausente desde 1976, a Jugoslávia regressou ao Festival neste ano, representada pelo cantor bósnio Seid Memic Vajta com "Lejla" que ficou em 15.º lugar com 35 pontos. Após a guerra na ex-Jugoslávia, Vajta mudou-se para a Alemanha, onde vive desde então embora ainda actue ocasionalmente nos Balcãs. 
Curiosamente, o melhor resultado da Bósnia-Herzegovina independente na Eurovisão foi com uma canção igualmente intitulada "Lejla", que ficou em terceiro lugar em 2006.
Durante as votações houve um momento caricato quando após alguns problemas na ligação à Jugoslávia, Doireann Ni Bharain perguntou à porta-voz Helga Vlahovic pelos votos jugoslavos e esta respondeu "Eu não os tenho", para gargalhada geral da assistência. 

Bachelli (Espanha)

José Maria Bachelli foi o representante da vizinha Espanha com o tema "Y Solo Tu", no qual eu não consigo deixar de ouvir o "A Veces Tu, A Veces Yo" de Julio Iglesias. Espanha ficou no 14.º lugar com 38 pontos. Quando a sua carreira posterior não descolou em Espanha, Bachelli mudou-se para o Equador no início dos anos 90, onde chegou a entrar numa telenovela. 

Emly Starr (Bélgica)

Em 1981, o disco-sound queimava os seus últimos cartuchos, mas ainda esteve em evidência na actuação da Bélgica, representada pela rainha do disco da Flandres, Emly Starr (verdadeiro nome Marie-Christine Mareels). E foi trajada como uma Dalila que cantou "Samson", ficando em 13.º lugar com 40 pontos.  

Tommy Seebach & Debbie Cameron (Dinamarca)


E o disco foi também o ritmo da canção da Dinamarca, "Kroller Eller Ej" ("com ou sem caracóis") interpretado por Tommy Seebach e Debbie Cameron. Seebach já tinha sido o representante dinamarquês em 1979 com "Disco Tango", no qual Cameron, americana radicada na Dinamarca, fizera coro. A meio da actuação, Debbie Cameron mostrou também os seus dotes para a dança, acompanhada por duas bailarinas. A Dinamarca ficou em 11.º lugar com 41 pontos.

Jean-Claude Pascal (Luxemburgo)


Com os mesmos pontos ficou o Luxemburgo, que se fez representar pelo francês Jean-Claude Pascal. Em 1961, Pascal tinha alcançado a primeira vitória para o grão-ducado com "Nous Les Amoureux" (que o próprio viria admitir que falava sobre uma relação homossexual). Vinte anos depois cantou "C'est Pas Peut-Être L'Amérique" ("poderá não ser a América"). Jean-Claude Pascal faleceu em 1992. Além da música, teve uma longa carreira como actor tento contracenado com Anouk Aimée e Romy Schneider. 

Björn Skifs (Suécia)


A Suécia foi o último país a actuar, tendo ficado no 10.º lugar com 50 pontos. Tal como em 1978, o seu representante foi Björn Skifs  que cantou "Fangad I En Dröm" ("apanhado num sonho"). Além de uma longa carreira a solo, Skifs foi vocalista de várias bandas, nomeadamente os Blue Swede que em 1974 chegaram ao n.º1 do top americano com uma versão de "Hooked On A Feeling". 

Linda Williams (Países Baixos)


Os Países Baixos ficaram na posição acima com mais um ponto. Linda Williams cantou "Het Is Een Wunder" ("é uma maravilha"). Aparentemente na final holandesa, era outro cantor que era suposto defender esta canção, e Williams foi uma substituição de última hora e acabou por ser ela a representar o país em Dublin. Após a sua participação, Linda Williams não teve grande sucesso na sua carreira, mas voltaria à Eurovisão em 1999 com a sua filha Eva no coro da canção belga desse ano.

Yannis Dimitras (Grécia)


A Grécia apostou no romantismo, com a balada "Fegari Kalokerino" ("lua de Verão"), interpretada por Yannis Dimitras, acompanhado ao piano por Sofia Houndra. Os arranjos faziam lembrar a banda sonora de "Love Story". A Grécia ficou em oitavo lugar com 55 pontos, o seu melhor resultado desde 1977.  

Hakol Over Habibi (Israel)


Depois da ausência no ano interior, Israel regressou ao Festival, fazendo representar-se pelo grupo Hakol Over Habibi. Ao que consta, foi a eles que foi originalmente oferecido "Hallelujah" a canção vencedora do Festival da Eurovisão de 1979. Em Dublin, cantaram "Halayla"("esta noite"), que ficou em sétimo lugar com 56 pontos. Na altura, Shlomit Aharon, a parcela feminina do grupo, estava grávida. O grupo ainda actua junto ocasionalmente. 

Island (Chipre)

Chipre participou pela primeira vez nesse ano, representado pelo grupo Island que cantou "Monika", obtendo um impressionante sexto lugar com 69 pontos. (Melhor que o melhor resultado de Portugal até então!) Alexia Bassilou, um dos componentes do grupo, voltaria a representar Chipre a solo em 1987.

Sheeba (Irlanda)


O país-anfitrião, a Irlanda, ficou em quinto lugar com 105 pontos (embora a certa altura o quadro das pontuações registasse 310 pontos!). A representá-lo esteve o grupo Sheeba, composto por Frances Campbell, Marion Fossett e Irene "Maxi" McCoubrey (que já representara a Irlanda em 1973). Vestidas com uns trajes a lembrar o filme "Flash Gordon", elas cantaram "Horoscopes", mas apesar do título e da menção a dez dos doze signos do zodíaco (de fora ficaram Gémeos e Sagitário), a letra não era apologista da astrologia, afirmando que o nosso destino depende de nós próprios e não dos astros.

Peter, Sue & Marc (Suíça)


O trio Peter, Sue & Marc representou pela quarta vez a Suíça e depois do francês em 1971, o inglês em 1976 e do alemão em 1979, voltaram a apostar numa outra língua, desta feita o italiano, cantando "Io Senza Te". Era uma balada romântica com um solo de flauta de pan. O trio igualou o quarto lugar obtido em 1976, mas com mais pontos: 121. Aliás a Suíça foi o país que mais 12 pontos recebeu, num total de cinco.

Jean Gabilou (França)

E chegámos ao pódio. Em terceiro ficou a França com 125 pontos, representada por Jean Gabilou, cantor natural do Tahiti. O tema "Humanhum" falava de uma galáxia distante algures no ano 3000, onde um ancião conta a um grupo de crianças a história de um belo planeta cheio de vida, mas que foi sendo completamente destruído quando as suas gentes inventaram a guerra. Claro que esse tal planeta era a Terra! 

Lena  Valaitis (Alemanha)


A votação esteve bastante renhida e quando só faltavam votar dois países, Alemanha, Reino Uniudoe e Suíça estavam empatados com 120 pontos. No final das contas, a Alemanha repetiu o segundo lugar do ano anterior com 132 pontos, incluindo 12 de Portugal. A sua representante, Lena Valaitis, nasceu no então território alemão de Memel, mas que hoje pertence à Lituânia sob o nome de Klaipeda. O tema "Johnny Blue" falava de um rapaz cego que sofria bullying das outras crianças por causa disso, mas que graças ao seu talento musical alcança o sucesso e inspira os outros. Os autores desta canção também criaram aquela que no ano seguinte traria finalmente a vitória à Alemanha.

Bucks Fizz (Reino Unido)

Mas nesse ano, a vitória foi pela quarta vez para o Reino Unido, com o grupo Bucks Fizz, composto por Mike Nolan, Bobby Gubby, Jay Aston e Cheryl Baker (que fizera parta do grupo Co-Co que representou o Reino Unido em 1978), com "Making Your Mind Up". A sua actuação tornou-se uma das mais icónicas da história do Festival da Eurovisão no momento em que Nolan e Gubby puxaram as saias às suas companheiras, revelando as saias mais curtas que elas tinham por baixo. Apesar de só ter tido 12 pontos de dois países (Israel e Países Baixos), o Reino Unido reuniu 136 pontos suficiente para bater a Alemanha, até porque foi o único país a receber pontos dos outros países. Entre aqueles que competiram com os Bucks Fizz na final britânica desse ano, esteve o grupo Headache, liderado nada menos por Luís Jardim! Os Bucks Fizz viriam a conhecer mais sucesso nos anos seguintes, com os singles "My Camera Never Lies" e "Land Of Make-Believe" a chegarem ao primeiro lugar no top britânico. Actualmente existem duas versões do grupo: uma com Bobby Grubby e outros três membros que mantém o nome Bucks Fizz, e outra com os outros três membros originais que actua sob o nome The Fizz. 

Mike Nolan, Cheryl Baker, Jay Aston e Robert Grubby 
celebrando a vitória.

Festival da Eurovisão de 1981 (comentários em inglês):



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