quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Caixa Geral de Depósitos (1983)

No tempo que os bancos pagavam juros por usarem o dinheiro dos clientes para negócios, a CGD ("Caixa Geral de Depósitos") apresenta-se nesta publicidade como o mealheiro onde fazer o dinheiro crescer sem riscos, em cerca de 300 localidades.

Publicidade retirada da revista "Nova Gente" nº 336, de 23 de Fevereiro de 1983.

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quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Jogo do Mico e Jogo da Memória Mico Sagüi (1987)

Um anúncio que decerto trará nostalgia aos nossos leitores do Brasil, este jogo duplo: "Jogo do Mico" e "Jogo da Memória" do "Mico Sagüi", o macaco fofinho que ilustra a caixa e o jogo de cartas da marca "Promojog". Quem souber mais detalhes, partilhe connosco nos comentários!
"Sou o Mico Sagüi...pito pítou!"
"Um antigo jogo com nova mentalidade"

Publicidade retirada da revista "Fantasma Extra" nº2, de Abril de 1987.

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quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Adeus, Pai (1996)

por Paulo Neto

Depois do sucesso de "Adão e Eva", o cinema português passou a ter maior aceitação do grande público e durante o resto da década de 90, havia pelo menos um filme nacional a registar uma grande afluência do público. Em 1996, foi o caso de "Adeus, Pai", realizador por Luís Filipe Rocha.


Filipe (José Afonso Pimentel) é um rapaz solitário de treze anos. O seu pai Manuel (João Lagarto) é um homem de negócios constantemente ocupado e ausente da vida do filho. Mas um dia, Manuel surpreende o filho ao levá-lo de férias para os Açores.


Nessas férias, Filipe vive algumas aventuras, trava amizade com Pedro (João Aboim), apaixona-se por Joana (Adriana Aboim) e sobretudo, pai e filho vão se redescobrindo e restabelecendo a relação, embora nem sempre da forma mais confortável. Como na famosa cena em que Manuel se embaraça ao responder às questões do filho sobre sexo. Porém, no final das férias, Manuel revela que o principal motivo por que quis passar as férias com o filho é porque tem pouco tempo de vida. Mas num inesperado plot twist, o espectador acaba por descobrir que tudo isto não passou da imaginação de Filipe e que, descendo das alturas da fantasia, é tempo de voltar a encarar a realidade. Eu vi o filme na televisão e lembro-me de ficar muito baralhado com este plot twist e só algum tempo depois é que percebi. 


Mas sem dúvida que "Adeus, Pai" é um filme tocante e enternecedor mas sem apelar à lágrima fácil, polvilhado com belas imagens dos Açores. João Lagarto é, como sempre, bastante competente mas sem dúvida que a estrela é mesmo José Afonso Pimentel que desde aí demonstrou que tinha bastante futuro como actor, tendo sido mesmo nomeado para o Globo de Ouro. Tal como os child actors de Hollywood, também por vezes custa acreditar que o miúdo de "Adeus, Pai" já é trintão e com uma extensa carreira no cinema e na televisão.   

O elenco também incluía Natália Luísa, Laura Soveral, Lurdes Norberto e José Fanha.  

Outro factor que contribuiu para o sucesso do filme foi o tema principal, "Não Vou Ficar", o primeiro tema inédito dos Delfins após o colossal sucesso do seu álbum best of "O Caminho da Felicidade".

Filme completo no YouTube:




quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Rebéubéu Pardais ao Ninho (1986-1988)


A maioria dos portugueses recorda facilmente a carreira de Herman José com os seus numerosos sucessos na televisão ("Herman Enciclopédia", "Humor de Perdição", "O Tal Canal", etc). Mas o artista não se limitou ao pequeno ecrã. Um dos seus projectos que eu só conhecia de nome - provavelmente mencionado nalguma entrevista - é este "Rebéubéu Pardais ao Ninho", estreado na rádio Comercial - em 1982 ou 1986 conforme as fontes, mas a maioria delas opta pelo ano de 1986, o mesmo do êxito "Bamos Lá cambada".
A foto acima, foi apanhada no Facebook do "Herman José Blog", com a legenda:
"Em exclusivo, uma fotografia de bastidores de um dos maiores sucessos da Rádio Comercial: "Rebéubéu Pardais ao Ninho".
Escrito por Herman José e interpretador por Ana Bola, Herman José, Lídia Franco e Vitor de Sousa."
Da pouca informação relevante que consegui colectar, muitos fãs recordam o programa com saudades. Em comentários em blogs, é apontado o horário das manhã de Sábado. Tentei confirmar, mas os jornais que encontrei com a programação de rádio, só mostravam os programas a partir da hora de almoço.
Actualização: Entretanto, continuei a investigar e consegui confirmar que era emitido aos Sábados, no horário das 10 ás 13 horas, portanto com uma duração de três horas. Apesar das lacunas nos jornais que consultei, terá sido substituido em 1988 (Março?) pelo regresso do "Pão Com Manteiga" com Carlos Cruz para esse horário.
Alguns dos comentários aos programas da secção Rádio, escrita por Rui Cartaxo no suplemento semanal "Cartaz", do jornal "Diário de Lisboa":
"Com anedotas picantes. roçando amíude a brejeirice e o mau gosto, salva-se o inigualável talento como humorista de Herman José"
"(...) há que reconhecer que ele está a <<perder>> a sua capacidade crítica."
"É um espanto que sempre que Herman José foge á tentação do abuso da brejeirice e decide <<escavacar>> convenções, tiques e gostos; e isso faz a diferença entre o riso óbvio e o riso mais subtil." 
"Um autêntico <<one man show>>."
Curiosamente,a  causa deste post foi o  leitor "egli", que gentilmente forneceu à Enciclopédia os links para dois episódios da radionovela "O Regresso de Fedora", parte integrante do programa que os fãs mais recordam. Na dita novela, ou folhetim, passa-se uma sátira aos clichés do género melodramático, com direito a crítica social e política (da época) e com os obrigatórios trocadilhos com duplo sentido. Pelo que percebi dos episódios que ouvi, a Fedora do título é actriz, filha de António de Vinhais Capucho, e casada com o idiota (e corno) fascinado por palavras Iliodor. Vivem todos ás custas da velha e rica Condessa da Carapinhata, alojada em casa da familia e que sucumbe à sedução do Sr. António, que a troco de dinheiro a acompanha em escaldantes sessões de.. "footing".


Podem ouvir os dois episódios aqui:

O Regresso de Fedora - Episódio 2:



O Regresso de Fedora - Episódio 3:



Segundo o site Memorivm, Herman José desempenhava na novela "O Regresso de Fedora" os papéis de Narrador, António de Vinhais Capucho e a Cadela Lady. Lídia Franco interpretava Maria Fedora Fedoreva; Vítor de Sousa era Iliodor Kakerkas, e Margarida Carpinteiro a Condessa da Carapinhata, Sever do Vouga e de Duas Oliveiras.

Curiosamente, hoje em dia existe outro programa radiofónico homónimo, na rádio "mais oeste". A expressão "Rebéubéu, pardais ao ninho" é definida na Wikipédia e outros sites de língua portuguesa apenas  como "grande alvoroço", mas pela minha investigação,  também é usado como o famoso "blá, blá, blá".
Caro "egli", obrigado pela dica, omissão corrigida!

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sábado, 19 de Julho de 2014

Jurassic Park (1993)

Podia jurar que já tinha colocado online um post sobre um dos meus filmes favoritos de todo os tempo. Mas agora é a hora de corrigir essa falta grave: "Jurassic Park", o "Parque Jurássico" em Portugal e "Parque dos Dinossauros" no Brasil.



Aproveito o  meu relato foi publicado aqui: "O Meu Primeiro Filme" no "Um Dia Fui ao Cinema", em 2010.
"Comecei a ir ao cinema de forma regular apenas na adolescência. O primeiro filme que me recordo de ter assistido numa sala de cinema foi "Tartarugas Ninja 2", em 1991 ou 1992, portanto tinha eu doze ou treze anos. Como não tinha leitor de VHS, os únicos filmes que tinha assistido antes eram na TV.




Mas o filme que começou a minha paixão pelos filmes, só vi em 1993 e marcou-me para a vida. O seu título é "Jurassic Park" e lançou-me em duas obsessões: dinossauros e cinema! A dos dinossauros passou (e eu sabia de cor o nome de dezenas de espécies de dinossauros) mas a do cinema ficou, manifestando-se finalmente em 2005 no blog CINE31.


O filme continua a ser um dos meus preferidos, um clássico do cinema de aventura, quase perfeito tanto a nível da harmoniosa integração de efeitos computorizados, mecânicos e seres humanos, num patamar ainda difícil de ultrapassar ainda hoje. Tem uma série de personagens carismáticos, bem interpretados e dirigidos por Steven Spielberg no seu melhor. As sequências de acção estão extremamente bem planeadas, num crescente de tensão e adrenalina, juntando ainda elementos de humor. A cena do filme que me conquistou foi aquela em os arqueólogos vêm pela primeira vez o gigantesco braquiossauro; os efeitos fotorealistas, a reacção dos actores e a música do mestre John Williams proporcionam um efeito de deslumbramento que me acompanha até hoje. Um filme que continuo a ver regularmente!




Voltando na máquina do tempo ao dia em que vi Jurassic Park, recordo que fui assisti-lo acompanhado pela família à única sala de cinema de Olhão, o Cinalgarve, com cerca de 400 lugares, no centro da cidade, perto do antigo Cinema-Teatro (que nessa altura já não passava filmes, e hoje está em ruínas na principal avenida da terra) e da Sociedade Recreativa Olhanense (soube anos mais tarde - para inveja minha - que alguns colegas meus, anos antes, iam lá assistir a projecções de filmes ao ar-livre num esplanada interior). Uma sala que depois de Jurassic Park, visitei muito mais vezes, até á sua relocalização recente num centro comercial. Entretanto, meses depois de ter visto o filme de Spielberg, consegui convencer a minha mãe a comprar uma revista (custou 750$, bastante para uma revista!) sobre os bastidores do Parque Jurássico. Li-a vezes sem conta e ainda a tenho religiosamente guardada. Além das reportagens sobre efeitos especiais, animatronics e CGI, um dos artigos falava precisamente da evolução do cinema e dos primeiros filmes com dinossauros. E pronto, estava despoletada a minha paixão pelos filmes! "


E para quem esteve a servir de cobaia de extraterrestres nas ultimas décadas, e não sabe de que filme falei, fiquem com o trailer:



Recordo também a fenomenal revista dedicada ao filme, que podem fazer download (baixar) gratuitamente no cromo da Enciclopédia: "Revista Jurassic Park Edição Especial" (1993).

Foi com grande pena que descobri que a versão exibida no grande ecrã, em 3D de 2013, por altura do 20º Aniversário, só esteve um dia no cinema mais perto de casa e tarde demais para eu o rever em toda a sua glória...

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sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Centro Nacional de Numerologia (1987)

Não há muito a dizer sobre mais uma charlatanice como esta - desta vez oriunda do Brasil - agora do "Centro Nacional de Numerologia"...

Publicidade retirada da revista "Fantasma Extra" nº2, de Abril de 1987.

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quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Herman Enciclopédia (1997-98)

por Paulo Neto

Depois de ter passado toda a primeira metade da década de 90 a desdobrar-se na apresentação entre os concursos "Parabéns", "A Roda da Sorte" e "Com a Verdade M'Enganas" (sic) e depois de uma revisão da carreira no programa Herman Total em 1996 (no qual foram exibidos os dois últimos episódios de "Humor de Perdição", que na altura não foram para o ar devido a uma suspensão abrupta do programa), Herman José estava pronto a demonstrar mais uma vez que era o rei do humor nacional. E em 1997, regressou com mais um programa que marcou toda uma época: "Herman Enciclopédia". Foram duas temporadas, exibidas na RTP entre 1997 e 1998, que deixaram um sem-fim de skteches e personagens míticas.


O programa era uma espécie de "enciclopédia virtual" onde a cada episódio se analisava um tema que dava a azo a uma quantidade de sketches: "Portugal", "Homem/Mulher", "Grandes Tragédias". Foi também aqui que a empresa Produções Fictícias, encabeçada por Nuno Artur Silva,  revelou-se um viveiro de novos talentos na escrita humorística, revelando nomes como Nuno Markl e João Quadros. No elenco fixo do programa estavam Maria Rueff, José Pedro Gomes, Miguel Guilherme, Joaquim Monchique, Lídia Franco, Cristina Cavalinhos e Alice Pires


Uma das rábulas recorrentes era que envolvia um grupo de ferrenhos tripeiros furiosos com a Expo 98 ir ter lugar em Lisboa, preparam secretamente a "Expo Nobenta e Seite" para envergonhar os "mouros". São eles o Engenheiro Paços de Ferreira (Herman), o Dr. Mega Ribeira (Gomes), Dra. Antonieta Antas Afonso (Rueff) e Arquitecto Jorge Towney (Guilherme). Este último tinha a sua condição portuense constantemente questionada, sobretudo por Mega Ribeira que ao menor faux-pas, acusava: "ESTE HOMEM NUM É DO NORTE!" 


Igualmente inesquecível era a Melga Shop, que parodiava o universo das televendas. Em cada semana, o inventor Melga e o apresentador Mike apresentavam um novo e fabuloso (?) produto, sempre em dobragem devidamente fora de sincronia e repetindo amiúde: "Fantástico, Melga!" "Fantástico, Mike!" 


Com o ascendente interesse sobre a vida do jet-set nacional documentada na imprensa cor-de-rosa, impunha-se uma paródia às tias cá do burgo. E assim surgiu a "Supertia" Batata Prelada Capelo, na missão de tornar Portugal mais chique. Um dos episódios contou com a participação da tia-mor Lili Caneças, no papel de outra "super-heroína" que vem ajudar a Supertia quando é atingida por uma bola de golfe de marca branca (pois a "possidonite" era a sua kriptonite da Supertia). 


Na segunda temporada, a personagem do fadista Felisberto Desgraçado teve direito a uma telenovela, "Mãezinha, Não T'Apagues", onde o pobre Desgraçado sofria com o estado vegetativo da sua Mãezinha (Alice Pires) e o cancro da próstata da sua Felismina.

Os "Monólogos Secretos" acabaram por ser mais lendários que o programa que os inspirou ("Conversas Secretas"  programa de entrevistas conduzido por Baptista Bastos que passava na altura na SIC). Nestes sketches, Artista Bastos monopolizava as conversas entrevistava vários convidados, invariavelmente perguntando-lhes onde estavam no 25 de Abril.   

Lauro Dérmio apresentava o espaço cinematográfico, sempre com tradução simultânea de português para um diz-que-é-uma-espécie-de-inglês. No final, havia sempre oportunidade de vermos um trailer de um filme, ou como diria o próprio Lauro Dérmio, "Lesse luque éte da treila!". Um episódio marcante foi aquele em que Herman desmancha o sketch num incontrolável ataque de riso ao tentar dizer: "Não pirilamparás a mulher do próximo!" 



Mas claro está que os momentos mais lendários eram aqueles em que surgia o Diácono Remédios, que rapidamente se juntou ao rol das personagens mais míticas de Herman José, no mesmo pedestal dos José Estebes e da Maximiana. Na qualidade de provedor da Enciclopédia, acérrimo defensor da moral e dos bons costumes (e subtilmente anti-comunista), o Diácono não se fazia arrogado em interromper a emissão do programa sempre que entendia que o conteúdo dos "soquetes" resvalava para níveis pouco apropriados. Sempre proferindo o bordão: "O artista é um bom artista, não havia necessidade".


Mas para desgosto do Diácono, na segunda temporada apareceu a sua mãe, a Dra. Ruth Remédios, sexóloga credenciada e desinibida (inspirada na célebre sexóloga americana Ruth Westheimer), também ela com o seu bordão. "As opiniões são como as vaginas: cada tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la." Certo? Certo.

Outros sketches inesquecíveis:

Diácono Remédios contra o baladeiro de intervenção ("eu gosto de panquecas, quecas, quecas...")


O Juiz Decide: Pai Natal contra Menino Jesus


O "Big Show Chique"


Os Óscares da Pornografia


Herman Geographic - "O Português"
 

Direito de Antena - Os Partidos P.E.N.I.S e P.E.I.D.A.



  
  


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