terça-feira, 28 de junho de 2016

Os Patinhos (1999-2005)

por Paulo Neto

Ao longo das décadas, houve várias cantigas em que a televisão mandava as crianças irem fazer óó. Dos os Meninos Rabinos e o Topo Gigio nos anos 60 e 70 até ao inevitável Vitinho nos anos 80 e 90 (recordo-me também de "Quando o Sono Espreita" com personagens dos desenhos animados de "O Ouriço" e cantada por Eugénia Melo e Castro nos idos de 1990), foram diversas as cantilenas com que a RTP convencia as crianças a irem para a caminha. Mas no final do século XX, parecia que essa era uma tradição passada e a haver uma nova canção com bonecos animados, dificilmente seria capaz de se tornar tão mítica como os opus do Vitinho.



Mas em 1999, essas suposições foram simplesmente deitadas por terra, quando nesse ano, um pequeno filme de minuto e meio que conquistou miúdos e graúdos.
Numa grande sala de espectáculos, um simpático patinho cantava de olhos fechados e em bicos de pés uma variante da célebre canção infantil "Todos os patinhos sabem bem nadar", mas com a letra adaptada à hora de dormir.




Todos os patinhos acabam de brincar
Acabam de brincar
Os pijamas vão vestir e os dentes vão levar
Os pijamas vão vestir e os dentes vão levar

É que esta hora é hora de ir dormir
É hora de ir dormir
Mas ainda há tempo para uma história ouvir  
Mas ainda há tempo para uma história ouvir

Pais, mães ou avós, à cama lhes vão dar
À cama lhes vão dar
Um beijo de boa noite e a luz apagar
Um beijo de boa noite e a luz apagar

Enquanto o patinho cantava, três patas bailarinas dançavam ballet trajadas com toda a toilette de dormir e um pato verde tocava xilofone até ser levado de palco com uma bengala. (A provar que isto do politicamente correcto não é só de hoje, recordo-me da altura haver quem se queixasse da violência dessa parte.)

Produzido pela produtora Animanostra, o filme foi realizado por Rui Cardoso, que também criou as personagens. A voz do Patinho era de Teresa Sobral, actriz conhecida pelos seus trabalhos em programas infantis da RTP como por exemplo, "Juventude E Família" onde foi Maria Bliskova, a amiga eslava do Lecas. A curta-metragem foi originalmente concebida para o programa "O Jardim Da Celeste", onde se cantava a música original, (chegou mesmo a ser exibida uma versão onde as patas bailarinas apareciam de fato de banho em vez de camisa de dormir), mas Teresa Paixão, então directora da programação infantil da RTP, propôs que fosse adaptada como uma nova canção para dar as boas-noites aos telespectadores mais pequeninos.








Embora eu esteja em crer que não seriam muitas as crianças, pelo menos com mais de cinco anos, que iam-se deitar após a exibição diária dos Patinhos, até porque costumava dar bastante cedo (por vezes até antes do Telejornal), a qualidade da animação e dos bonecos conquistou tudo e todos. Em 2000, saiu o primeiro disco que continha não só a canção do filmezinho como versões de outras imortais cantigas infantis, que vendeu que nem pãezinhos quentes e que gerou mais discos. Aliás, tem sido apontado como o disco que ressuscitou o interesse do mercado discográfico nacional no público infantil.







Para além dos discos, os Patinhos tiveram um vastíssimo merchandising: bonecos de PVC, peluches, roupas, cortinados, lençóis, mochilas, DVDs, material escolar, livros de colorir e um suplemento destacável na revista de domingo do Correio da Manhã. 

Além do filme original, também passaram na RTP outros filmes com as mesmas personagens, nomeadamente um que se passava numa feira e onde era cantada uma versão da "Minha Machadinha" e outro de temática natalícia. Com os diversos filmes, os Patinhos marcaram presença no pequeno ecrã até 2005.





Mas não se pense que os Patinhos foram um sucesso somente junto da criançada. Por exemplo, na altura era uma das canções obrigatórias no repertório dos caloiros durante as praxes académicas e há relatos de discotecas onde a música era tocada quando era hora de encerrar o estaminé.  


terça-feira, 21 de junho de 2016

Colectânea N.º 1 (1993)

por Paulo Neto

No ano passado, analisámos aqui todo o alinhamento da colectânea N.º 1, editada no Verão de 1995, que tinha na capa o simpático Fido Dido, a mascote da Seven Up. Aliás embora nem todos os volumes tivessem o boneco na capa, havia quem se referisse aos discos da série como "as colectâneas do Fido Dido". Era minha intenção, por alturas do Natal passado, fazer uma semelhante análise a este volume da série, até porque foi uma das primeiras cassetes que eu tive, mas não consegui encontrá-la na arrecadação. 
Porém, descobri recentemente na internet imagens da capa e do alinhamento do disco pelo que agora já é possível recordar através dele 27 das músicas que marcaram o ano de 1993. Esse foi o ano em que comecei realmente a interessar-me por música e por alargar os meus gostos a diversos géneros, em boa parte por ter sido nesse ano que descobri a MTV graças ao breve período em que a minha família foi proprietária de uma antena parabólica. Foi também a partir daí que comecei a prestar mais atenções às tabelas de vendas mundiais, nomeadamente a britânica e a elaborar os meus primeiros tops pessoais em cada semana.
De tal forma, que quando no Natal desse ano saiu esta compilação que continha tantas das canções que eu ouvi e vi os respectivos videoclips, tornou-se logo o presente que eu mais desejava receber na minha quadra natalícia. Aliás, nem tive que esperar até ao Natal, já que o meu tio ofereceu-me a dupla cassete logo no início de Dezembro. 

Este era o quinto volume da série de colectâneas N.º 1, cujo primeiro volume foi editado dois anos antes. Até 1996, eram editados dois volumes da série por ano, um no início do Verão e outro por alturas do Natal, todos eles campeões de vendas e vários discos de platina. Estas colectâneas tinham a colaboração de várias editoras nacionais (Warner Music, Sony Music, BMG, EMI-Valentim de Carvalho). No caso deste volume, a edição esteve a cargo da Sony Music com a cooperação das restantes editoras.     




CD 1
1. "What's Up?" 4 Non Blondes: E começamos com uma das canções que marcaram o ano de 1993, com o refrão "And I say hey, hey, hey! I say hey, what's goin' on?" a andar na boca de toda a gente. Os 4 Non Blondes formaram-se em 1989 em San Francisco e editaram apenas um único álbum "Bigger! Better! Faster! More!" em 1992. De acordo com a líder da banda Linda Perry (filha de pai português e mãe brasileira), o título "What's Up" foi usado para evitar confusões com o "What's Goin' On" de Marvin Gaye. A balada rock acabou por ser um sucesso mundial tendo chegado ao n.º 1 do top em vários países e o álbum foi n.º 1 em Portugal. Recordo-me também que até saber o nome dela, fiquei na dúvida sobre se a baixista Christa Millhouse era homem ou mulher. No auge da fama do grupo, correu o boato de que Linda Perry tinha morrido de overdose e até a cantora que a imitou nos "Chuva de Estrelas" mencionou isso, o que levou a SIC a passar uma nota de rodapé a confirmar que Perry estava viva. Após a dissolução dos 4 Non Blondes em 1994, Linda Perry editou um álbum a solo e notabilizou-se a compôr hits para outros artistas, nomeadamente Pink e Christina Aguilera.   
2. "Cose Della Vita" Eros Ramazzotti: Já falámos aqui do período em que Eros Ramazzotti reinou nos tops e nas rádios portuguesas como o fazia na sua Itália natal (o mesmo sucedendo com a sua compatriota Laura Pausini), com o álbum "Tutte Storie" a somar discos de platina em Portugal. "Cose Della Vita" foi o mais famoso single do álbum, com o videoclip realizado por Spike Lee. Em 1998, Ramazzotti regravou o tema em dueto com Tina Turner. E por falar nela...
3. "I Don't Wanna Fight" Tina Turner: Também já falámos aqui do filme biográfico de Tina Turner de 1993, que tinha o mesmo título do seu mais conhecido hit "What's Love Got To Do With It". A banda sonora continha alguns dos conhecidos temas da Miss Hot Legs, mas também alguns temas inéditos, como este "I Don't Wanna Fight", escrito pela cantora Lulu e inicialmente oferecido a Sade Adu. Mas sem dúvida que a canção assentava a Tina Turner como uma luva, bem como ao final do filme. 
4. "Pray" Take That: Outra canção já aqui mencionada no blogue, por ter feito parte do meu top 5 de canções de boybands dos anos 90. O primeiro single do segundo álbum do quinteto de Manchester, "Pray" era um tema pop bem fresquinho, perfeito para os calores do Verão de 1993 e continua a ser a minha preferida dos Take That, que estabeleceu o molde para as boybands vindouras. Também gosto muito do videoclip, filmado no México e onde quatro membros representavam os elementos: terra (Robbie Williams), ar (Mark Owen), fogo (Jason Orange), água (Howard Donald), com Gary Barlow a representar o ser humano.  
5. "Can't Help Falling In Love" UB40: a banda de "Red, Red Wine" obtiveram um inesperado êxito mundial nesse ano com esta versão pop-reggae de um dos mais emblemáticos temas de Elvis Presley, apresentando-o a toda uma nova geração. A versão dos UB40 também fez parte da banda sonora do filme "Sliver - Violação de Privacidade", com Sharon Stone e William Baldwin. 
6. "Runaway Train" Soul Asylum: Os Soul Asylum era outra banda que na altura vivia os seus 15 minutos de fama, graças ao tema "Runaway Train" que falava sobre jovens fugitivos e sobretudo o respectivo videoclip que tinha fotos de crianças e adolescentes desaparecidos, com o respectivo nome e data de desaparecimento. Várias versões do videoclip foram feitas em diversos países, incluído em Portugal, com fotos de jovens desaparecidos no respectivo país (a versão portuguesa incluiu uma foto da jovem Ana Cristina, desaparecida nesse ano na Costa da Caparica e cujo corpo seria encontrado em 1995, tendo sido a única vítima mortal do Gangue do Multibanco). Segundo o realizador Tony Kaye, pelo menos 26 dos jovens desaparecidos que apareceram nas três versões americanas do videoclip foram encontrados. 
7. "Condemnation" Depeche Mode: os Depeche Mode foram provavelmente a banda dos anos 80 que teve a transição mais confortável para os anos 90, com a sua popularidade e qualidade de repertório ainda em alta. Pelo menos nesse aspecto, já que em meados da década, o vocalista Dave Gahan quase perdia a batalha contra os seus demónios e as tensões foram constantes no seio da banda. O álbum de 1993 "Songs Of Faith And Devotion", o último da banda enquanto quarteto com saída de Alan Wilder, mostrava uma sonoridade mais dark, com claras influências da cena alternativa e do grunge. Porém este "Condemnation" era como que uma excepção, já que era um tema quase acapella, onde predominava a voz de Gahan sobre um coro gospel. 
8. "Life" Haddaway: foi em 1993 que Nestor Alexander Haddaway, um tobaguenho radicado na Alemanha tornou-se o príncipe do euro-dance graças ao clássico do género "What Is Love" (de que já falámos) e a expectativa era alta para o single seguinte, que foi este "Life" que tinha todos os elementos do sucesso do seu predecessor
9. "Go West" Pet Shop Boys: sem dúvida o ponto alto dos Pet Shop Boys nos anos 90, a banda de "West End Girls" e "Domino Dancing" pegou no semi-obscuro hit dos Village People e transformou-o num esmagador hino electro-pop, que se ouviu em todo o lado das pistas de dança aos estádios de futebol. Confesso que ainda hoje me arrepio ao ouvir os coros no refrão final.  
10. "Otro Dia Mas Sin Verte" Jon Secada: depois de vários anos a fazer coro para Gloria Estefan, o cubano Jon Secada teve a oportunidade de brilhar como cantor principal, com o seu primeiro álbum em 1992, do qual gravou uma versão em inglês e outra em castelhano. Em Portugal, foi a versão em castelhano que teve mais sucesso, por isso é esta a versão do tema principal do álbum que foi incluído nesta compilação, ao passo que a versão em inglês, "Just Another Day", fez sucesso nos países fora da Península Ibérica e América Latina. Jon Secada viria a somar mais algum sucesso ao longo da década, tendo cantado na cerimónia de abertura do Mundial de Futebol de 1994, na banda sonora do filme "Pocahontas" e em 1997, actuou em Portugal nos Globos de Ouro.
11. "Mr. Vain" Culture Beat: Outro dos grandes sucessos euro-dance do ano de 1993. Os Culture Beat era um colectivo de produtores e compositores alemães mas cujas faces eram as da cantora britânica Tania Evans e do rapper americano Jeffrey "Jay Supreme" Carmichael. "Mr. Vain" foi o maior hit do grupo, atingido o primeiro lugar do top em 13 países e deixando no ouvido de todos o refrão: "Calling Mr. Raider, calling Mr. Wrong, calling Mr. Vain". Também nunca esqueci o videoclip que passava insistentemente na MTV, cuja minha parte preferida é aquele em que os figurantes desatam a comer fruta com a maior javardice possível. Infelizmente, ainda em 1993, em Novembro, os Culture Club perderiam o seu membro fundador Thorsten Fenslau num acidente de viação, mas o grupo continuou por mais uns anos. O videoclip do single seguinte "Got To Get It" foi parcialmente filmado em Portugal e por cá, o tema de 1996 "Inside Out" teve algum sucesso. Em 2003, uma regravação de "Mr. Vain" intitulada "Mr. Vain Recall" teve algum êxito na Alemanha. Os Culture Club ainda editam música e actuam ao vivo ocasionalmente, desta vez com Jacky Sangster como vocaista residente.  
12. "Right Here" SWV: As SWV (Sister With Voices) formavam a santíssima trindade de grupos r&b femininos americanos do inícios dos anos 90, juntamente com as En Vogue e as TLC. O trio formado por Cheryl Gamble, Tamara Johnson e Leanne Lyons desde logo conheceu sucesso com o seu primeiro álbum, "It's About Time", que incluía este "Right Here", que continua a ser o hit mais famoso do grupo. Esta compilação continha a versão original, porém a versão mais famosa do tema é aquela é o "Human Nature Remix", que continha um sample de "Human Nature" de Michael Jackson e um breve solo de rap de um então muito jovem Pharrell Williams. As SWV continuam no activo, apesar de um interregno entre 1998 e 2005.   
13. "Forever In Love" Kenny G.: Kenneth Gorelick, mais conhecido como Kenny G., já era bem conhecido pelos seus temas instrumentais de saxofone multi-usos, que tanto serviam para bandas sonoras de filmes como para tocar em elevadores ou servir de música ambiente em salas de espera. Por exemplo na China, ainda é costume as lojas e até empresas tocarem o tema "Going Home" na hora de encerrar o expediente. Mas foi apenas com o seu álbum de "Breathless" de 1993 que Kenny G. tornou-se um campeão de vendas, com 12 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos. Portugal também deixou-se convencer, chegando a disco de ouro. O tema principal do álbum era este "Forever In Love", que tornou-se outro tema emblemático do repertório de Kenny G., que no passado dia 5 de Junho completou 60 anos (já?) e que foi um dos investidores iniciais da empresa Starbucks.

CD 2
1. "Creep" Radiohead: Hoje visto como uma das canções mais marcantes da geração nineties, "Creep" foi o primeiro single dos Radiohead, ainda em 1992. A primeira edição passou despercebida no Reino Unido mas aos poucos o tema foi ganhando atenção noutros países, a começar em Israel até que tornou-se um hit global e um hino de toda a teenage angst dos anos 90, catapultando os Radiohead para o estatuto de uma das maiores bandas do mundo. Nada mau para uma canção que, dizem eles, os membros da banda não gostavam por aí além. Aquele riff de guitarra antes do refrão continua a causar arrepios. 
2. "To Love Somebody" Michael Bolton: Admito, em meados dos anos 90, fui um grande fã de Michael Bolton. Não só por ser dono de um grande vozeirão como por razões infatomáveis, transmitia-me o seu quê de figura paternal. Tendo iniciado a sua carreira no heavy metal nos anos 70, Bolton alcançou o sucesso nos anos 90 quando trocou as guitarradas pela baladaria e pelas versões de temas dos anos 60 como "When A Man Loves A Woman" e "Sittin' In The Dock Of The Bay", o que sem dúvida inspirou o seu álbum de covers de 1992 "Timeless", do qual o tema de maior sucesso foi esta versão de "To Love Somebody", um original dos Bee Gees, que apresentou o tema à minha geração. No final de 1993, Bolton editaria o álbum "The One Thing" que teria particular sucesso em Portugal. 
3. "Tribal Dance" 2 Unlimited: No início de 1993, os 2 Unlimited, encabeçados pelos holandeses Anita Dels e Ray Slijngaard, somaram o seu maior hit até então como "No Limit" iniciando uma fase de enorme sucesso para o grupo com os temas do álbum "No Limits". "Tribal Dance" foi  segundo single e foi outro hit por toda a Europa. No Reino Unido, este foi o primeiro single dos 2 Unlimited onde o rap do Slijngaard não foi cortado na edição britânica, algo que tinha acontecido com os singles anteriores, já que a editora britânica do grupo não era fã dos seus raps. O videoclip também é um dos mais famosos ds 2 Unlimited com o seu cenário de selva e reproduzindo alguma da estética dos jogos de vídeo. Para mim, "Tribal Dance" ficou para sempre associado à escola de condução Santa Maria de Óbidos, já que o tema foi utilizado no anúncio da respectiva escola que passava nas rádios locais do Norte do Ribatejo.  
4. "O Baile" Sitiados: o principal defeito deste volume da série N.º 1 é a escassez de temas nacionais do seu alinhamento, apenas dois, quando até tinha três em espanhol. Para a banda que anos antes conquistou tudo e todos com o grande hit "Vida de Marinheiro", era tempo de segundo disco. Este "O Baile", que pegava emprestado em vários elementos do célebre "Bailinho da Madeira", esteve quase para ser também o título desse álbum, que acabou por se chamar "E Agora?", quiçá reflectindo as dúvidas dos Sitiados sobre o que fazer a seguir ao estrondoso sucesso do primeiro álbum. Dúvidas essas foram dissipadas com outro grande hit, "O Circo".  
5. "A Un Minuto De Ti" Mikel Erentxun: Em 1992, o espanhol nascido em Caracas Mikel Erentxun dava o seu primeiro passo numa carreira a solo, após o sucesso como parte dos Dunca Dhu no país vizinho ao longo dos anos 80. O seu primeiro álbum a solo, "Naufragios" acabou por ser um caso raro de sucesso também neste lado da Península, muito por culpa deste "A Un Minuto De Ti" (não deixa de ser bastante estranho como  tão pouca música espanhola consegue passar para cá e ainda muito menos música portuguesa atravessa a fronteira). Erentxun continua no activo (o seu último álbum é de 2010) mas nunca mais conseguiu repetir o sucesso de "A Un Minuto De Ti" por cá. 
6. "Cherish The Day" Sade: Em exactidão, Sade foi sempre na sua essência mais uns "eles" do que propriamente uma "ela", embora seja fácil confundir e pensar que o repertório do grupo liderado pela anglo-nigeriana Helen Folasade Adu é o de uma artista a solo, tal o seu domínio e o pouquíssimo destaque dado aos restantes membros da banda, alguns deles presentes desde o início do projecto. Este "Cherish The Day" era o single final do álbum de 1992 "Love Deluxe" e também marcaria o fim do período mais prolífico de Sade Adu e companhia, uma vez que desde então só editaram mais dois álbuns originais em 2000 e 2010.  
7. "Nuestros Nombres" Heroes Del Silencio: Mesmo cantando exclusivamente em castelhano, o grupo rock espanhol alcançou um inusitado sucesso em vários países europeus como Alemanha, Bélgica, Suíça e Jugoslávia, em grande parte devido ao hit de 1990 "Entre Dos Tierras". Por isso, o lançamento do álbum de 1993 "El Espiritu Del Vino" teve honras de lançamento à escala mundial, com o videoclip de "Nuestros Nombres" a passar frequentemente na MTV. O grupo lançou mais um álbum até à sua dissolução em 1996, com o carismático vocalista Enrique Bunbury a enveredar por uma carreira a solo. Os Heroes Del Silencio tiveram uma breve reunião em 2007 para um série de onze concertos em Espanha e alguns países da América Latina. 
8. "Everybody Hurts" R.E.M.: Se eu tivesse de escolher qual é o disco da minha vida, eu diria "Automatic For The People" dos R.E.M. Cada uma das suas faixas parece que toca profundamente em mim e de apesar da morte ser um dos temas recorrentes do disco, ao mesmo tempo sinto tanta vida nessas canções. Vindos do sucesso do álbum "Out Of Time" que lhe transformou de ídolos da cena alternativa em campeões de vendas em todo o mundo, "Automatic For The People" conseguiu prolongar esse ponto alto da banda de Michael Stipe. Muito por culpa daquela que é a mais famosa e menos complexa faixa do álbum, "Everybody Hurts". Segundo o guitarrista Peter Buck, ao contrário das letras enigmáticas e metafóricas que são o apanágio da banda, a letra desta canção é tipicamente clara e directa para que a mensagem da canção chegasse facilmente a adolescentes. Tão inesquecível quanto a própria canção é o videoclip em que uma multidão de pessoas presas num engarrafamento começam a sair dos carros e a caminhar pela estrada sem mais.   
9. "Love Scenes" Beverley Craven: Depois do seu sucesso do seu álbum homónimo de estreia, que incluía o hit "Promise Me" que por cá foi muito cantado nos anos seguintes em programas como "Chuva De Estrelas" e "Cantigas Da Rua", a britânica Beverley Craven regressava aos discos após uma pausa para maternidade com o álbum "Love Scenes", do qual a faixa-título foi o primeiro single. O disco continha também uma versão de "The Winner Takes It All" dos ABBA. Beverley Craven continua no activo, ainda que só tenha editado mais três álbuns de originais desde então (o mais recente de 2014), até porque em 2006 fez uma pausa na carreira para tratar um cancro da mama. Craven foi uma das convidadas musicais da primeira cerimónia dos Globos de Ouro da SIC em 1996. 
10. "Fora De Tempo" Luís Represas: Depois de quase década e meio com os Trovante, Luís Represas editava em 1993 o seu primeiro álbum a solo, originalmente intitulado "Represas", do qual este "Fora Do Tempo" foi o primeiro single. Do mesmo disco, saíram os hits "Neva Sobre A Marginal" e "Feiticeira". 
11. "Shock To The System" Billy Idol: O mais célebre punk oxigenado dos anos 80, Billy Idol tinha novas as aspirações no dealbar dos anos 90: pretendia ser um "Cypberpunk", conforme o título do seu álbum de 1993. Como tal, foi um dos primeiros álbuns de um artista de topo a ser promovido amplamente na internet e nele, Idol abraçava sonoridades mais electrónicas e/ou alternativas, e nem faltou um piscar de olhos ao grunge. Este "Shock To The System" foi o primeiro single e pretendia dar uma no cravo e outro na ferradura: tanto fazia lembrar os seus temas dos anos 80 como mostrava as suas novas influências. 
12. "Housecall" Shabba Ranks featuring Maxi Priest: Esta era a única canção da colectânea que eu nunca tinha ouvido antes de ter a cassete e tive que ouvir de novo no YouTube para saber como era. Isto apesar de reunir dois dos nomes mais consagrados da música jamaicana. Com a música dancehall a ganhar então grande popularidade na Europa, Rexton Gordon, mais conhecido como Shabba Ranks, viu alguns dos seus singles de 1991 re-editados com renovado sucesso, sobretudo "Mr. Loverman", cuja nova versão continha curiosamente um sample deste "Housecall", quando Maxi Priest diz "Shabba!".  
13. "Delicate" Terence Trent D'Arby featuring Des'Ree: O artista agora conhecido como Sananda Maitreya e a quem o meu tio Jorge chamava de "o Terence da Arábia" continuava em alta no início dos anos 90, com o álbum de 1993 "Terence Trent D'Arby's Symphony Or Damn" a ser bem recebido pelo público e pela crítica. O tema mais famoso do álbum era esta balada, em dueto com a então desconhecida cantora Des'Ree que viria fazer grande sucesso durante o resto da década de 90 com temas como "U Gotta B", "I'm Kissing You" e "Life". 
14. "I'd Do Anything For Love (But I Won't Do That)" Meat Loaf: E terminamos com chave de ouro com o hit mais gloriosamente épico do ano de 1993. 15 anos após o mega-clássico álbum "Bat Out Of Hell", Marvin Lee Aday, mais conhecido como Meat Loaf, e Jim Steinman voltavam a reunir forças para o segundo tomo, "Bat Out Of Hell 2: Back Into Hell". A grande canção do disco foi sem dúvida "I'd Do Anything For Love (But I Won't Do That)", a primeira faixa do álbum que na versão LP tem doze minutos. Aqui nesta compilação foi utilizada a versão do single de 7 minutos e 50 segundos. Todo um épico vagneriano cheio de drama, Meat Loaf canta que fará tudo por amor menos uma coisa, o "that" que a canção nunca explica claramente. (A minha teoria é a da parte da voz feminina quando ela prediz que "You'll see that it's time move on" e "You'll be screwing around", ao que Meat responde "I won't do that", que eu interpreto como ele a afirmar que não a vai deixar mesmo se achar que vai haver uma altura para seguir em frente nem vai andar atrás de outras). A misteriosa voz feminina simplesmente creditada como "Ms. Loud" foi identificada como sendo de Lorraine Crosby. Igualmente épico é o videoclip realizado por Michael Bay, um recontar de "A Bela E O Monstro" com Meat no papel de monstro e a modelo e actriz Dana Patrick como a Bela. Uma das razões pela qual Dana Patrick foi escolhida para o papel foi por ter experiência a fazer playback, como ela o fez no vídeo das partes cantadas por Crosby. Mas muita gente pensou que era mesmo ela a cantar e depois até recebeu várias proposta para um contrato discográfico. "I'd Do Anything For Love (But I Won't Do That)" foi n.º 1 em 28 países, foi o single mais vendido de 1993 no Reino Unido e ganhou o Grammy para Melhor Interpretação Rock Individual. 




sexta-feira, 17 de junho de 2016

Karate Kid - O Momento da Verdade: Parte 2 (1986)

por Paulo Neto

E já agora, porque não também recordar o segundo opus da saga "Karate Kid"? Até porque esta primeira sequela teve ainda mais sucesso em termos de bilheteira e um tema principal ainda mais famoso. Eu vi os dois primeiros "Karate Kid" na "Sessão da Noite", o mítico espaço de cinema das sextas-feiras da RTP 1 que durou entre 1990 e 1993 e onde quase sempre podia-se esperar um bom filme para começar bem o fim-de-semana. E não tenho bem a certeza mas estou em crer que os "Karate Kid" 1 e 2 até deram em semanas consecutivas. 
No entanto, nunca vi a terceira parte de 1989, nem o quarto tomo de 1994 onde Hilary Swank era a nova discípula de Miyagi nem o reboot de 2010 com Jaden Smith e Jackie Chan. Mas algo me diz que não perco nada por não ver esses filmes...



"Karate Kid - O Momento da Verdade: Parte 2" voltava a ter John G. Avildsen ao leme da realização e Ralph Macchio e Pat Morita como Daniel Larusso e Mr. Miyagi. O filme começa onde o primeiro filme acabava. Depois de vencer o torneio de karaté, Daniel é atacado por um desvairado John Kreese (Martin Kove), o mestre dos Cobra Kai, no parque de estacionamento mas Miyagi neutraliza-o e humilha-o à frente dos discípulos. (Aliás, esta era a última cena do primeiro filme no guião original, tendo sido reaproveitada para a sequela.)




Seis meses depois, Miyagi recebe uma carta a dizer que o seu pai está às portas da morte. Daniel acompanha o seu mentor até à sua terra natal na ilha de Okinawa e fica a saber a razão pela qual Miyagi deixou o Japão. Na sua juventude era apaixonado por Yumie, que apesar de lhe corresponder, estava prometida em casamento a Sato, o melhor amigo de Miyagi. Quando Sato soube das suas intenções, tomou isso como uma traição e desafiou-o para um combate até à morte. Em vez de combater, Miyagi decidiu fugir para os Estados Unidos.





Mal chegam a Okinawa, Daniel e Miyagi percebem logo que o rancor de Sato (Danny Kamekona) continua forte, ao caírem numa emboscada organizada pelo seu sobrinho Chozen (Yuji Okumoto), que se revela um brutamontes que faz Johnny Lawrence do primeiro filme parecer inofensivo. Chozen e seus esbirros provocam vários confrontos com Daniel enquanto Sato insiste com Miyagi para levarem a cabo o combate invocado há vários anos.




Na aldeia, Daniel e Miyagi são recebidos por Yumie (Nobu McCarthy), que recusou casar-se com Sato por amor a Miyagi e pela sobrinha desta, Kumiko (Tamlyn Tomita). Uma vez que Ali, o seu interesse amoroso do primeiro filme tinha-o trocado por outro, Daniel encanta-se com Kumiko e os dois vivem momentos românticos. Yumie e Kumiko contam-lhes que Sato tornou-se um rico industrial que deu cabo dos pequenos negócios piscatórios da região e que apoia as manobras corruptas e aterrorizadoras do gang de Chozen.



Após as honras fúnebres ao seu pai, Miyagi aceita combater com Sato à condição de que ele devolva as terras que saqueou aos aldeões, qualquer que seja o resultado. Mas no dia do combate, um tufão assola a ilha. Depois de ser salvo pelo ex-amigo quando fica preso nos escombros do seu dojo, Sato perdoa Miyagi e ajuda este e Daniel a auxiliar a população da aldeia. Já Chozen recusa prestar auxílio e mesmo deserdado pelo tio, não desiste da sua vingança contra Daniel, raptando Kumiko e desafiando-o para um combate. No confronto final, Daniel vence graças à técnica secreta da família Miyagi.



Embora com críticas menos favoráveis que as do primeiro filme, o segundo "Karate Kid" teve ainda mais sucesso comercialmente. Além do interesse em acompanhar a nova aventura dos dois protagonistas, outro factor do sucesso do filme foi sem dúvida o tema principal, "Glory Of Love" de Peter Cetera, que foi um dos grandes hits internacionais de 1986 e foi nomeado para o Óscar de Melhor Canção, sendo ainda hoje a mais famosa canção a solo do vocalista dos Chicago. E tal como o tema "You're The Best" do primeiro filme tinha sido originalmente pensado para "Rocky III", "Glory Of Love" esteve quase para ser usado em "Rocky IV". 

Apesar de já ter tido uma carreira activa no cinema e na televisão ("Happy Days", "M*A*S*H"), foi a franchise de "Karate Kid" que fez de Noryuki "Pat" Morita uma estrela. Até à sua morte em 2005, Morita continuou a representar, ocasionalmente parodiando o seu papel mais famoso, como por exemplo no videoclip de "Movies" dos Alien Ant Farm (2001). Curiosamente, Morita nunca tinha praticado artes marciais e aprendeu de propósito para estes filmes.  

E pergunto-me se ainda hoje há muito jovem enfezado por esse mundo fora que, devido à saga "Karate Kid", terá procurado por um velhote asiático em restaurantes ou lojas dos chineses para que lhes ensinasse artes marciais para enfrentarem os bullies das redondezas.

Trailer:


"Glory Of Love" Peter Cetera





Karate Kid - O Momento da Verdade (1984)

por Paulo Neto

Certamente que todo aquele que em menino e moço foi vítima de bullying e transformado em saco de pancada pelos rufiões da escola e/ou do bairro teve a fantasia de aprender artes marciais e depois dar a provar os bullies um pouco do seu próprio veneno. Não sei se é verdade, mas não me admiraria se o argumentista Robert Mark Kamen tivesse sido uma vítima de bullying e tivesse escrito o filme que materializava, como nunca antes tinha sido feito, essa fantasia vingativa. Falo claro, de "Karate Kid" (em português "O Momento da Verdade"), filme de 1984 realizado por John G. Avildsen (famoso por outro famoso filme sobre a história de um underdog, "Rocky"). 



Daniel Larusso (Ralph Macchio) é um jovem que se muda com a sua mãe Lucille (Randee Heller) de Nova Jérsia para Los Angeles, para um prédio onde o empregado de manutenção é um excêntrico mas simpático senhor japonês, Kesuke Miyagi (Pat Morita).


Como se a mudança da Costa Leste para a Costa Oeste já não fosse difícil por si só, Daniel vê a sua vida a complicar-se quando se interessa por Ali Mills (Elisabeth Shue), causando a fúria do ex-namorado desta, Johnny Lawrence (William Zabka). Johnny é um talentoso mas extremamente bruto lutador de karaté que começa a aterrorizar Daniel com os seus colegas do dojo Cobra Kai, dirigido por John Kreese (Martin Kove), um veterano da guerra do Vietname, notório pelos seus ensinamentos extremamente violentos e pouco éticos do karaté e do uso da força bruta.



Revoltado com os ataques a Daniel dos quais Kreese é conivente, Miyagi decide transmitir ao rapaz os seus conhecimentos de karaté que aprendeu em jovem na ilha japonesa de Okinawa. Alguns dos seus métodos são estranhos, tais como fazer tarefas rotineiras para o idoso, mas aos poucos Daniel vai adquirindo os conhecimentos, percebendo que mais do que dar tareias nos outros, as artes marciais servem para promover um equilíbrio entre o corpo e o espírito. Ao mesmo tempo, a relação entre discípulo e mentor também torna-se um pouco semelhante à de pai e filho.



No torneio de karaté, Daniel surpreende todos, em especial os Cobra Kai, com a sua espantosa evolução. Irritado, Kreese ordena a Bobby Brown (Ron Thomas) que cause uma grave lesão na perna de Daniel, ao que o discípulo relutantemente obedece. Graças a massagem miraculosa de Miyagi, Daniel recupera a tempo do combate da final contra Johnny, o derradeiro momento da verdade.



"Karate Kid" foi mais um dos diversos filmes de 1984 que se tornaram icónicos. Não só gerou mais três sequelas, duas das quais também protagonizadas por Ralph Macchio, como toda uma linha de merchadising que incluía figuras de acção, bandanas, T-shirts, jogos de vídeo e uma novelização em livro. Pat Morita foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário. 

Revelado no filme de 1983 "Os Marginais" juntamente com outras estrelas ascendentes como Tom Cruise, Rob Lowe, Emilio Estevez, Matt Dillon e Patrick Swayze, a saga "Karate Kid" foi de longe o ponto alto da carreira de Ralph Macchio e nunca mais nada que fez se aproximou de tamanha dimensão, embora a sua carreira tenha continuada activa no cinema e na televisão ("O Meu Primo Vinny", "Betty Feia"). E é engraçado como, ao contrário de vários teen movies americanos vê-se habitualmente actores claramente com vinte e muitos anos a fazerem de adolescentes, e Macchio, com 22 anos à estreia do filme, passava bem por um puto de quinze.  
William Zabka continuou a fazer papéis de vilão em filmes adolescentes dos anos 80 como "A Maria Rapaz" e "De Volta Às Aulas", mas a par da carreira como actor, também tem se dedicado bastante a funções atrás das câmaras, como realizador, produtor e argumentista. A curta metragem checa "Most", escrita e produzida por Zabka, foi nomeada para um Óscar em 2004. Recentemente, William Zabka autoparodiou-se na série "Foi Assim Que Aconteceu", em que Barney Stinson defendia que o verdadeiro herói de "Karaté Kid" era Johnny Lawrence. (Alias este é um dos mais frequentes exemplos da moda cinéfila na internet de teorias de virar o bico ao prego e dizer que os heróis dos filmes são na verdade os maus da fita e vice-versa).  




Na banda sonora, destaca-se o tema final, "You're The Best" de Joe Esposito que esteve para ser o tema principal de "Rocky III", mas Sylvester Stallone preferiu o célebre "Eye Of The Tiger" dos Survivor. Que curiosamente, eram os intérpretes do tema de abertura, "Moment Of Truth" (que certamente terá sido a inspiração para o título português).



E já agora, o protagonista de "Karaté Kid" foi a inspiração para o tema "Daniel" de 2008 da cantora britânica Bat For Lashes, cujo vídeo até continha um look-alike de Ralph Macchio.


 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Férias no Algarve - Onda-Choc (1987)



Como algarvio, não podia ignorar por mais tempo esta canção dos Onda-Choc (e depois de há uns dias recordar-mos alguns clássicos da banda incluidos no "Vitinho: 30 Grandes Êxitos"), apesar de a minha zona do Algarve ser um pouco distante das realidades conhecidas há décadas pelas hostes de turistas que rumam ao Sul do país, ao Reino dos Algarves, para as férias de descanso de um ano de trabalho e para ficarem na cor das lagostas.



"Férias no Algarve" - segundo o Blog Onda-Choc - é da autoria de Ana Faria, e interpretada por Tiago Pinto e Pedro Leitão; incluído no álbum "Onda Choc" (1987).





Também podem ver e  ouvir aqui: "Onda-Choc - Ferias no Algarve (1987)".


Com certeza reconhecem os acordes do tema,  versão do "Holyday Rap", o êxito internacional de MC Miker G e DJ Sven. E enquanto a versão original era bem pateta, e indicando a compra de drogas em Amesterdão, a versão tuga juvenil era bem mais complexa:
Os temas: os amores de Verão, traição, cinema de acção e provavelmente a única canção que inclui o termo "densidade populacional" como crítica social ao turismo de massas, ou então só por causa da chatice das praias sobre-lotadas. 


Vamos então ver a letra, publicada no Blog Onda-Choc, que retrata um diálogo entre dois rapazes que passaram - adivinhem - férias no Algarve em Agosto, fizeram amigos novos e arranjaram namorada. O twist adivinhava-se à distância, mas continua divertido ouvir os miúdos descreveram a lourinha que lhes conquistou o coração, enquanto cantam os prós e contras de passar o Verão no Sul do país.
- Fui passar as férias perto de Albufeira.

Era o mês de Agosto, uma segunda-feira.

Estava aquilo tudo cheio de turismo.

Acampei num belo parque de campismo.

- Que coincidência! Também pra lá fui.

Conheci um Vasco, um Becas e um Rui

e uma miúda cá com uma estaleca!

De cabelo louro. parecia sueca

-Também eu lá arranjei uma namorada.

loura, loura, loura e muito engraçada.

- E a que eu te disse, a de cabelo louro.

vê lá tu também me aceitou namoro!

- A minha miúda não era de lá, não.

- A minha também só estava lá no Verão.

- A minha namorada mora nas Picoas.

- E a minha também sei que é de Lisboa.



Refrão:

Faça férias no Algarve, passe lá um mês.

Tudo muito fino, só se fala inglês.

Férias no Algarve. É tudo bestial

fora a densidade populacional.

Faça férias no Algarve. Passe um bom bocado...

com o bitoque ao preço do salmão fumado.

Faça férias no Algarve, passe um bom bocado...

bichas de 100 metros no supermercado.



Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!

Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!



- Fomos ao cinema ver uns filmezitos

numa esplanada com meigas e mosquitos.

A minha miúda (imagina tu)

só queria ver filmes sobre kung-fu.

- Mas que giro! A minha também se decide

sempre pelo Rambo ou o Karate Kid.

Adora o Stallone (é mesmo fanatismo)

e até queria que eu fizesse culturismo.



Refrão:

Faça férias no Algarve, passe lá um mês.

Tudo muito fino, só se fala inglês.

Férias no Algarve. É tudo bestial

fora a densidade populacional.

Faça férias no Algarve. Passe um bom bocado...

com o bitoque ao preço do salmão fumado.

Faça férias no Algarve, passe um bom bocado...

bichas de 100 metros no supermercado.



-Combinei com ela no último dia

encontro em Lisboa, na geladaria.

Está quase na hora, não deve demorar.

Jà agora espera, vou-te apresentar.



- Está bem, eu fico. Sempre quero ver

se a tua miúda é bonita a valer.

Sempre ouvi dizer que quem o feio ama...

É verdade, como é que ela se chama?



- Chama-se Cristina o meu borrachinho.

Vais ver como é gira, espera um bocadinho.

- Que coincidência tão engraçada!

Também é Cristina a minha namorada!

- Já são horas. É ela que está a chegar.

Anda aqui ao pé para a cumprimentar.

- Não posso acreditar! Mas que desaforo!

Essa e a miúda com quem eu namoro!



Refrão:

Faça férias no Algarve, passe lá um mês.

Tudo muito fino, só se fala inglês.

Férias no Algarve. É tudo bestial

fora a densidade populacional.

Faça férias no Algarve. Passe um bom bocado...

com o bitoque ao preço do salmão fumado.

Faça férias no Algarve, passe um bom bocado...

bichas de 100 metros no supermercado.



Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!

Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu.



Refrão:

Faça férias no Algarve, passe lá um mês.

Tudo muito fino, só se fala inglês.

Férias no Algarve. É tudo bestial

fora a densidade populacional.

Faça férias no Algarve. Passe um bom bocado...

com o bitoque ao preço do salmão fumado.

Faça férias no Algarve, passe um bom bocado...

bichas de 100 metros no supermercado.



Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

ficar bronzeado, castanho, torrado

Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

ficar bronzeado, castanho, torrado



Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!

Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".




sábado, 11 de junho de 2016

Wacky Races (1968-70)

por Paulo Neto

Apesar desta série ser originalmente dos anos 60, faz parte do imaginário de todos aqueles que foram crianças nos anos 80 pois a partir de 1985, a RTP passava-a frequentemente, quer nos habituais espaços dedicados à animação, quer como tapa-buracos na programação. E era uma série tão divertida e com bonecos tão carismáticos que era o tipo de desenhos animados que conseguia atrair miúdos e graúdos e lembro-me que os meus pais gostavam tanto de ver como eu.




Criada pelos estúdios Hanna-Barbera, "Wacky Races" era inspirada pelo filme de 1965 "A Louca Corrida À Volta Do Mundo". Em Portugal, teve o título de "A Corrida Mais Louca Do Mundo" na versão legendada e "A Mais Louca Corrida Do Mundo" na versão dobrada. Na série, um grupo de personagens distribuídas por 11 carros competem pela América pelo título do "corredor mais louco do mundo" em corridas onde tudo é permitido. Por incrível que pareça, tal a quantidade de vezes que era exibida na televisão, a série teve apenas 17 episódios com duas corridas cada, num total de 34.



Estes eram os competidores:



Carro n.º 1: Boulder Mobile / Pedramóvil, um carro feito de pedra, conduzido pelos irmãos Slag/Rocha e Calhau Moca, dois homens da caverna, que fazem mover o veículo à custa de darem com mocas na cabeça um do outro. Se o carro ficasse destruídos, eles usavam as mocas para construir um novo carro com qualquer rocha que achassem. Foi o carro que ficou mais vezes no pódio: 3 vitórias, 8 segundos lugares e 3 terceiros lugares. O visual dos irmãos Moca foi depois aproveitado para a personagem-título da série "Capitan Caveman".



Carro n.º 2: Creepy Coupe/Coupé Assombrado, era conduzido pelo Gruesome Twosome/Duo Fantasma, composto por uma criatura tipo Frankenstein e um vampiro de cara púrpura. A viatura era uma espécie de mansão assombrada ambulante e nela surgiam de repente várias criaturas: bruxas, cobras e um dragão que era praticamente o terceiro elemento da equipa e era quem fazia o carro voar. O Creepy Coupe venceu 3 vezes, ficou outras três em segundo e seis vezes em terceiro.



Carro n.º 3:  Convert-A-Car/Transforma-Car, conduzido pelo Professor Pat Pendig/Professor Patente, um cientista tresloucado mas cheio de humor. O carro transformava-se em avião, barco ou o quer quer fosse preciso em qualquer situação e por isso era o meu preferido. Normalmente era o Professor quem livrava todos os carros das armadilhas de Dick Dastardly. Venceu três vezes, ficou duas vezes em segundo e cinco em terceiro.



Carro n.º 4: Crimson Haybaler/ Lata Escarlate, um híbrido de carro e avião conduzido por Red Max/Max Vermelho, um ás da aviação. Porém, o carro tem apenas a capacidade de fazer pequenos voos, normalmente para ultrapassar os outros competidores ou saltar obstáculos. O carro também é munido de uma metralhadora que é usada ocasionalmente, geralmente para disparar pimenta. A Lata Escarlate venceu 3 vezes, ficou quatro vezes em segundo lugar e três em terceiro.



Carro n.º 5: Compact Pussycat/Gato Compacto, era a viatura da deslumbrante Penélope Pitstop, a única competidora feminina. O carro era basicamente um salão de beleza ambulante, cheio de máquinas que ajudavam a retocar a maquilhagem para que Penélope se mantivesse sempre no auge da sua beleza. Os outros corredores por cavalheirismo costumam ajudá-la. Penélope venceu 4 vezes, e ficou duas vezes em segundo e cinco em terceiro. O sucesso da personagem levou a que ela tivesse a sua própria série spin-off: "The Perils Of Penelope Pistop".



Carro n.º 6: Army Surplus Special/Carro de Assalto Alto, um híbrido de jipe e tanque militar, conduzido pelo Soldado Meekly e o Sargento Bombarda. O canhão do tanque é usado para dar mais propulsão ao veículo. Ganhou três vezes e ficou uma vez segundo.



Carro n.º 7: Bulletproof Bomb/Bomba À Prova de Bala, uma limusina conduzida pela Ant Hill Mob/ Quadrilha Maravilha, uma simpática quadrilha de sete anões gangsters, liderados por Clyde. Quando era preciso acelerar, a técnica principal da quadrilha era porem todos os pés no chão e correrem dentro do carro, como nos Flintstones. A Quadrilha Maravilha também apareceu em "The Peril of Penelope Pitstop" e venceu quatro vezes, ficando 5 vezes em segundo e duas em terceiro.



Carro n.º 8: Arkansas Chugbugg/Carroça Alentejana, uma geringonça de madeira conduzida pelo campónio Lazy Luke/Lucas e o seu companheiro urso Blubber Bear/Urso Piúrso. Lucas é tão preguiçoso que consegue conduzir apenas com um pé no volante. Este carro venceu quatro vezes, ficou em segundo lugar um vez e quatro vezes em terceiro.    



Carro n.º 9: Turbo Terrific/Turbo Terrível, conduzido por Pete Perfect/Pedro Perfeito. Apesar de parecer uma grande máquina, na verdade era uma viatura bastante frágil que se desmantelava por muito pouco. Mesmo assim, ganhou 4 corridas, ficou duas vezes em segunda e outras duas em terceiro. Pete Perfect também é notório por ter uma paixoneta por Penélope Pitstop.



Carro n.º 10: Buzzwagon/Põe-Ta-Pau, conduzido pelo portentoso Rufus Ruffcut/Rufus Lenhador, acompanhado pelo seu companheiro, o castor Sawtooth/Serra Dentuças. O carro é todo feito de lenha e tem serras como rodas que cortam tudo o que encontram pelo caminho. Ganhou três vezes, ficou seis vezes em segundo lugar e quatro em terceiro.




Carro n.º 00: The Mean Machine/Máquina Malvada, conduzida por aqueles que são os vilões, mas também as estrelas da série: o pérfido Dick Dastardly/Dick Detestável e o cão Muttley (com o seu inesquecível riso). A cada corrida Dastardly recorre sempre a meios sujos para ganhar e/ou livrar-se dos outros competidores, mas os seus planos saem sempre furados e muitas vezes nem terminava as corridas. Só cruzou a linha de meta cinco vezes e nunca conseguiu melhor que um quarto lugar. Embora obedeça fielmente a todas as ordens do seu dono, Muttley por vezes também regozija-se dos azares de Dastardly.

A popularidade das duas personagens levou a uma série spin-off: "Dastardly & Muttley and The Flying Machines" ou "Os Malucos das Máquinas Voadoras". A personagem Mumbly, um cão detective, que teve uma série com o seu nome, tem bastantes semelhanças com o Muttley.

Em Portugal, a série foi inicialmente exibida na versão legendada, mas uma versão dobrada surgiu nos anos 90, com as vozes de Carlos Freixo, Paulo B., António Montez, Rui Paulo e Paula Fonseca. E foi essa versão que foi editada em DVD. A série também já foi adaptada para diversos jogos de vídeo. Existe também um festival em Inglaterra onde são apresentadas réplicas em tamanho real dos carros da série.




terça-feira, 7 de junho de 2016

As Noivas de Copacabana (1992)

por Paulo Neto

Além das inevitáveis telenovelas, de vez em quando outras obras de ficção televisiva brasileira eram exibidas em Portugal. Foi o caso da série policial "As Noivas de Copacabana", estreada no Brasil em 1992 e exibida pela RTP em 1993, creio eu que às terças-feiras à noite na grelha de Verão. O seriado de 16 episódios era da autoria de Dias Gomes com realização de Roberto Farias e era inspirado num caso real.  



Aparentemente, Donato Menezes (Miguel Fallabella) parece um cidadão exemplar do bairro de Copacabana. É um conceituado restaurador de obras de arte, carinhoso para com a sua tia Eulália (Yara Lins) com quem vive e foi sempre uma figura materna para ele, tem uma grande amizade com Paulão (Ricardo Petraglia) e um sólido namoro com a bonita e simpática psicóloga Cinara (Patrícia Pilar). Aparentemente o seu único segredo será a sua impotência, que o impede de ter relações com a namorada. 

Mas na verdade, Donato Menezes é um serial killer que se dedica a matar mulheres vestidas de noiva para depois largar os cadáveres à porta de uma igreja. O ritual é sempre o mesma: contacta as vítimas através de anúncios para venda de um vestido de noiva, ganha a confiança delas para seduzi-las e acaba por estrangulá-las em pleno acto sexual quando estão a usar o vestido. (É só assim que ele não tem impotência.) No entanto as vítimas são de vários quadrantes sociais, como por exemplo Maryrose (Patrícia Novaes), cantora de um clube nocturno, Marilene (Tássia Camargo), professora suburbana que ainda sofre pelo marido Amaury (João Camargo) tê-la trocado por outro homem, Fátima (Ana Beatriz Nogueira), filha de um pastor evangélico e Kátia de Sá Montese (Christiane Thorloni), uma conhecida socialite carioca. 



O detective Jorge França (Reginaldo Faria) é encarregado do caso e aos poucos, vai juntando indícios que o conduzem até Donato. Entretanto, com o seu casamento com Mariana (Zézé Polessa) em crise, o detective envolve-se com Leiloca (Branca de Camargo), uma vendedora de artesanato da praia e amiga de Maryrose. Leiloca aceita colaborar na investigação servindo de isco para capturar Donato. 
No entanto, no seu julgamento, a família e amigos declaram a sua inocência, sobretudo Cinara que chega a cometer perjúrio e Donato é ilibado por falta de provas.



A origem da psicopatia de Donato provém de há uns anos antes, quando a sua então noiva Helena (Lala Deheinzelin) lhe revelou que se apaixonara por outro e ele tentou matá-la quando estava a experimentar o vestido de noiva, tendo ela conseguido fugir. Ao saber do julgamento pelos jornais, Helena decide colaborar com a polícia para capturar Donato em flagrante, quando este está prestes a casar com Cinara. Helena surge diante do ex-noivo vestida de noiva e ele é capturado ao tentar matá-la outra vez. Donato é condenado em tribunal e enviado para uma instituição psiquiátrica. Porém a série acaba com Donato evadido do manicómio e de novo a contactar alguém sobre um anúncio de venda de um vestido de noiva. 

Do elenco da série também fizeram parte nomes como Hugo Caravana, Maria Gladys, Nelson Dantas, Chica Xavier, Marcelo Faria, Marieta Severo, Raúl Cortez, Milton Gonçalves, Lady Francisco e Ruy Resende.



Lembro-me de ter acompanhado a série e ficar na expectativa para saber quando é que apanhariam o assassino. Apesar de já o ter visto no papel do divertido homossexual Zé Maria em "Mico Preto", durante algum tempo achei Miguel Fallabella algo assustador devido ao seu papel nesta série e o da telenova "Cara & Coroa". Mesmo quando mais tarde ele foi o impagável Caco Antibes em "Sai De Baixo", eu ainda me lembrava das cenas dele a estrangular a Christiane Torloni e as outras vítimas.



A série foi inspirada por um caso real: nos anos 80, o mecânico Heraldo Madureira assassinou várias mulheres vestidas de noiva que contactava através de anúncios de jornal e tal como o protagonista, foi condenado a cumprir pena numa manicómio jurídico do qual fugiu várias vezes.

Genérico:


Excertos da série:







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