segunda-feira, 19 de junho de 2017

Masterplan (2002)

por Paulo Neto

O panorama televisivo nacional no início deste século foi indelevelmente marcado pelos reality shows. Depois de três triunfantes edições do "Big Brother", um polémico "Bar da TV" e uns não tão bem sucedidos "Acorrentados", "Confiança Cega" e "Survivor", no início de 2002 seria legítimo perguntar quando chegaria o próximo programa-choque. E a 4 de Março desse ano, a SIC deu a resposta com o "Masterplan - O Grande Mestre".



"Masterplan" tinha a particularidade de ser o primeiro reality show da Endemol a ter a sua edição pioneira em Portugal, estando então previstas adaptações posteriores em outros países. A premissa do programa tinha algumas semelhanças com os filmes "EdTV" e "The Truman Show": dois concorrentes, um masculino e outro feminino, teriam a sua vida acompanhada por câmaras ao longo da sua permanência no programa. Cada um possuía um telemóvel, onde através de SMS, recebiam ordens do Grande Mestre para executar algumas tarefas e provas (estávamos portanto perante um antepassado da Voz do "Secret Story"), podendo sofrer alguma punição caso não obedecessem. Muitas dessas tarefas teriam como objectivo levar os concorrentes a explorar situações nunca antes vivenciadas (como por exemplo trabalhar por um dia num determinado ofício) e desenvolver potencialidades que eles não pensariam ter.
Além disso a cada semana, cada concorrente tinha o seu desafiador que interagia com ele. O público votaria então online e SMS num dos dois e consoante os resultados revelados a cada sexta-feira em directo, o/a concorrente continuaria no programa ou o/a desafiadora(a) tomaria o seu lugar. A apresentação esteve a cargo de Herman José nos directos e Marisa Cruz, que se estreava como apresentadora após ter feito sensação com o anúncio da revista Maxmen, nos blocos diários após o Jornal da Noite.
A duração do programa estava tentativamente prevista para ser de um ano, mas acabou por durar seis meses, de 4 de Março a 6 de Setembro.



Marisa Cruz apresentava os blocos diários


Os dois primeiros concorrentes foram Nelson Rodrigues, um estudante de 24 anos de Leiria e Gisela Serrano, uma lisboeta então com 29 anos e a trabalhar numa loja de telemóveis. Nas duas primeiras semanas, o programa limitava-se a acompanhar as vidas de Gisela e Nelson e às situações a que o Grande Mestre os sujeitava. Só a partir da terceira semana é que os dois começaram a enfrentar os desafiadores.

 
E sim, não há como o negar, Gisela Serrano foi a principal figura do programa e a razão pela qual ainda hoje as pessoas se lembram dele. Por isso mesmo, pretendo deixar ela para o fim e começar por falar sobre os outros concorrentes e desafiadores que ao contrário dela, caíram no esquecimento. O pior é que, uma vez mais, existe pouquíssima informação na internet sobre o programa pelo que mais uma vez tive de recorrer àquilo que consegui reter na memória sobre o "Masterplan". E não consegui encontrar fotografias da grande maioria dos participantes.

Uma das coisas interessantes sobre a competição em si foi as discrepâncias entre a competição feminina e a masculina, com a primeira a ser de longe a que causou mais impacto, tanto a nível de concorrentes como de desafiadoras. A vertente masculina foi bem mais discreta e entre Nelson Rodrigues e Gabriel Gonçalves (28 anos, Ermesinde), o concorrente que mais tempo resistiu, o posto principal masculino no programa foi passando sucessivamente a cada semana entre outros concorrentes. Recordo-me particularmente dois: Bruno Lopes (22 anos, Lisboa), filho de Virgílio, jogador do Sporting nos anos 70 e 80 e José Pedro aka Toty (28 anos, Carnaxide) que trabalhava em part-time como travesti. Os outros concorrentes que consegui apurar foram Miguel (24 anos, Matosinhos), Joaquim (24 anos, Lisboa), Guy (24 anos, Póvoa de Santa Iria), Vítor (23 anos, Tomar), Eduardo (29 anos, Vila Nova de Gaia) e Miguel Madureira (29 anos, Porto).

Gabriel Gonçalves


Vera Alves e Guy

A vertente feminina da competição acabou por ter somente quatro concorrentes. Após a desistência de Gisela Serrano, Sandra Leonardo (28 anos, Camarate) tomou o lugar sendo duas semanas depois sucedida por Vera Alves (22 anos, Leiria) e algumas semanas depois esta foi sucedida por Gisela Ildefonso (30 anos, Almada). Sim, houve outra Gisela no Masterplan e tão polémica como a original.
Aliás no final do programa, Gisela Ildefonso foi a vencedora, com Gabriel em segundo lugar, Nelson em terceiro lugar e Vera em quarto.

Antes de abordarmos por fim a Gisela Serrano, eis algumas coisas que me recordo sobre o programa.
- A primeira desafiadora de Gisela Serrano foi Raquel Broegas, que nesse ano também tinha participado em "A Ilha da Tentação" e que nos anos seguintes, viria a aparecer esporadicamente na imprensa cor-de-rosa, nomeadamente devido a um alegado romance com o célebre Dr. Tallon. Raquel Broegas conseguiu mesmo a proeza de ficar empatada com Gisela na primeira semana, continuando como desafiadora na semana seguinte, onde seria eliminada.
- Entre concorrentes e desafiadoras, aquela que eu me lembro de achar a rapariga mais bonita que entrou na competição foi a segunda desafiadora de Gisela Serrano, que se chamava Patrícia.
- Durante o concurso, foi revelado que Nelson tinha um crush por uma colega de curso chamada Vera e o Grande Mestre até tentou criar um romance entre os dois, mas a rapariga só o via como amigo.
- Em alguns dos programas em directo, esteve presente um pastor brasileiro (acho que da IURD) que incendiou a assistência com as suas acusações de imoralidade aos concorrentes e até mesmo aos envolvidos no programa.
- Antes de entrar como concorrente, Sandra Leonardo esteve no programa como membro da assistência e trocou algumas palavras inflamadas com Gisela Serrano.
- Gabriel teve alguns momentos escaldantes com uma stripper brasileira chamada Carol que lhe apareceu em casa sob ordens do Grande Mestre. Outro momento cómico foi quando ele e Vera tiveram de pernoitar juntos e esta passou a noite toda a queixar-se do chulé do rapaz.
- À parte o núcleo familiar de Gisela Serrano, o parente mais marcante do programa foi a avó de Gabriel, a Dona Nídia, uma adorável idosa que se notava ter uma forte ligação ao neto.
- Um amigo meu participou no programa como árbitro numa luta entre Vera e Gisela Ildefonso no Parque dos Índios em Monsanto. (Se alguém tiver em vídeo essa cena, ele gostava muito de ter uma cópia).    
- A mais marcante desafiadora de Gisela Ildefonso foi Isabel ou Becas, uma mulher orgulhoso dos seus quilinhos a mais e que tinha um namorado bem magrinho que ela decidiu, segundo contava, conquistá-lo assim que o viu.
- A entrada de Gisela Ildefonso foi logo a matar criticando logo Vera e a então desafiadora Mafalda (que ela chamou de "tonhó", palavra que Herman José amiúde repetiu).
- O momento mais polémico do programa (não relacionado com Gisela Serrano) foi o último directo onde uma altercação entre Gisela Ildefonso e vários dos ex-concorrentes acabou por se tornar bastante feia com muitas trocas de insultos, culminando no desmaio de Dona Nídia.
-  A certa altura, começou a haver uma vertente paralela do programa, com uma figura famosa a estar a ordem do Grande Mestre durante uma semana para angariar dinheiro por uma causa. A primeira concorrente VIP foi a própria Marisa Cruz. Outros como Maya, Kapinha e Maria João Simões (que é feito de si?) também participaram nessa vertente.
- O tema do programa era "Sigo A Viagem", escrito e produzido por Augusto "Gutto" Armada (o Bantú dos Black Company) e interpretada pelas gémeas Carina e Tânia Rodrigues que tinham participado no programa "Popstars" onde foram escolhidos os membros de girlband Non Stop. Carina e Tânia iniciavam então uma carreira de duo pop com o originalíssimo nome de Gémeas, tendo editado um álbum em 2003. Quem se lembra do refrão?

Sigo a viagem que me vai fazer mudar
Contigo a teu lado ganho asas para voar
Faço parte do teus planos, o teu caminho é o meu
Estás em todo o lado, vamos juntos tu e eu 




E eis-nos chegados à Gisela Serrano, aquela que também viria a ser conhecida como a "mulher-furacão". Desde praticamente o início do programa que Gisela roubou as atenções com o seu pêlo na venta e também o seu companheiro de então Luís Mendes, a sua mãe Dilar Relvas e o companheiro desta, conhecido como Quinquinhas, se tornaram rostos reconhecíveis. Para além das várias discussões com Luís, destacam-se a chinelada que deu a um stripper que foi a sua casa para lhe dar uma massagem e um alívio fisiológico numa piscina natural dos Açores. Mas claro que o ponto alto foi o seu confronto desenfreado com a desafiadora Sandra Leão. Esta lançou logo assim que surgiu no programa um ataque cerrado a Gisela, instando a agressões verbais e físicas, mas a situação culminou durante uma viagem até Peniche, quando as duas seguiam num carro com Luís. No advento do YouTube, essa cena foi um dos primeiros vídeos portugueses virais.

Sandra Leão





Gisela Serrano viria a desistir do programa no dia 1 de Junho de 2002, alegando cansaço e não querer enfrentar outra Sandra. Anos mais tarde, declarou que o fez porque lhe disseram que os resultados iriam ser manipulados para ela não ganhar, porque estava previsto que o prémio final fosse proporcional ao tempo em que o concorrente vencedor estivesse em jogo e o prémio final dela caso ganhasse estouraria com o orçamento. Em 2012, nos "Perdidos & Achados" Gisela ainda afirmou que nunca tivera uma relação com Luís, que era apenas um amigo, mas apesar do casamento de ambos durante o programa ter sido falso, a imprensa cor-de-rosa apurou que de facto houve um casamento real entre ambos após o fim do programa no Registo Civil. 
Gisela Serrano capitalizou a sua fama nos tempos que se seguiram, mudando-se para a TVI onde entrou no "Big Brother Famosos 2" e apresentando um efémero programa, "A Hora da Gi". Desde então. ela tem aparecido esporadicamente na televisão, como por exemplo em "O Poder Do Amor" e "A Quinta". Luís Mendes concorreu na quinta edição de "A Casa dos Segredos" com a sua actual esposa Cinthia, que estava grávida na altura. A Dona Dilar chegou a fazer parte de um painel de comentadoras do programa de Fátima Lopes na SIC. 


Após a edição portuguesa, o "Masterplan" chegou a ter edições na Holanda e na Suécia, mas ambas fracassaram. Especulou-se em 2003 um regresso com uma edição com famosos, mas nunca se concretizou.

Selecção de vídeos:


Gabriel vai a uma academia de hip hop


Vídeo promocional com Vera Alves e Miguel Madureira



Luta na lama entre Gisela Serrano e Carla, uma das suas desafiadoras

 

Bruno aprende capoeira


Strip-tease de Guy e Bruno, com aparição de Marko dos "Acorrentados" (vídeo sem som)



Excerto da participação de Maya (vídeo sem som)


Convívio dos concorrentes na festa de encerramento do programa



Genérico e excertos dos programa:

segunda-feira, 12 de junho de 2017

"A Bela Portuguesa" Diapasão (1994)

por Paulo Neto


Na música, como na vida, existem bons e maus exemplos em todas as áreas. Por isso, não gosto nada quando ouço alguém dizer que só género musical X é bom e/ou que todo o género Y não presta. Pessoalmente, embora eu tenha os meus géneros musicais preferidos, faço por ter uma mente aberta quanto aos géneros a que estou menos familiarizado. Por exemplo, não sou apreciador de heavy metal mas por entre vários temas que me deixaram entre a indiferença e a desaprovação, existem também alguns temas de heavy metal que eu gosto ou até que me emocionam. Por exemplo, gosto da maioria do repertório dos Moonspell. 

Algo semelhante se sucede com a música que cai sobre esse termo complexo e abrangente que é a "música pimba", termo esse convencionado nos anos 90 para definir a aglutinação (quando não mesmo fusão) entre o nacional cançonetismo/música ligeira e a música popular-brejeira que se verificou nessa década e que resultou num fenómeno sócio-cultural a nível nacional. Embora eu defenda que esse termo tem as costas demasiado largas e por vezes é mal aplicado, eu admito que uma boa parte da música produzida nessa área é atreita a me causar vergonha alheia. Mas isso não significa que não possa haver qualidade e profissionalismo por parte daqueles que interpretam e produzem esse tipo de música nos mais diversos matizes. E o tema de que falo hoje é um desses bons exemplos.




Há já várias décadas que o cantor António Marante percorre Portugal inteiro de fio a pavio (bem como as comunidades portuguesas além fronteiras) quer na liderança do agrupamento musical Diapasão, formado em Gondomar em 1980, quer na sua carreira paralela a solo, e para as gentes do Norte, Marante é todo um ícone. A restante formação dos Diapasão, que se manteve mais ou menos inalterada é composta por Manuel Bessa (baixo), Francisco Marques (guitarra), António Filipe (teclados), Armando Mendes (bateria) e Jorge Marante (percussão). 
Com mais de vinte discos editados (alguns deles galardoados a ouro e platina), os Diapasão são uma daquelas bandas que sabem como ninguém animar arraiais, bailaricos e festas populares neste país. Em 1994, já contavam com quase década e meia de actividade quando editaram o tema que se tornou a piéce de resistance do seu repertório, o hit que lhes trouxe a maior notoriedade: a faixa-título do álbum "A Bela Portuguesa". A fórmula do tema era bastante habitual nos Diapasão: um ritmo que apela a dar ao pé sozinho ou alegremente agarrado a alguém e uma letra que evocava a arreigada temática do regresso dos emigrantes a Portugal e elogiava os encantos da mulher portuguesa. Mas essa composição tão singela e sincera beneficiou do fenómeno da música pimba que explodia na altura e "A Bela Portuguesa" acabou por se tornar um hit das massas, com o povo a trautear alegremente o refrão:


Eu sei, eu sei
És a linda portuguesa
Com quem me quero casar
Já corri mundo 
E não encontrei outra igual
Com quem eu queira ficar
A mais formosa
Mais gostosa das mulheres 
Que Deus pode criar
Ai a saudade
E a esperança de um dia
Voltar para te abraçar



O videoclip também era bastante singelo mas eficaz na sua simplicidade, com imagens intercaladas dos Diapasão a tocar num comboio ou a passear numa estação ou no campo e as de uma bela portuguesa de longos cabelos castanho, blazer amarelo e vestido preto, com paisagens nortenhas de premeio.  



"A Bela Portuguesa" ganhou uma segunda vida em 2006, graças a um divertido anúncio do detergente Skip alusivo às festas dos santos populares, com Marante a gravar uma nova versão do tema, interpretado em playback pelo actor protagonista do anúncio. O Skip chegou a ter uma promoção onde oferecia um CD com as versões do tema (a original e a do anúncio) na compra de uma caixa de detergente, 

E em 2011, o tema foi mais uma vez lembrado por Fanny Rodrigues no seu vídeo de apresentação na entrada de "A Casa dos Segredos 2", que cantou uma versão pseudo-francesa: "Je sais, je sais, tu es la belle portugaise, com quem eu quero caser..." Por causa disso, os media apelidaram Fanny, não sem alguma ironia, de "la belle portugaise".



Enquanto isso, os Diapasão continuaram sempre bem activos quer em concertos quer na gravação de discos ao longo destes anos (o seu álbum mais recente é de 2015) e é certo sabido que nenhum concerto dos Diapasão, ou até mesmo de Marante a solo, fica completo sem que se toque "A Bela Portuguesa". 

terça-feira, 6 de junho de 2017

A Visita da Cornélia (1977)




Na TV portuguesa existiu uma meia dúzia de programas míticos que as gerações mais novas só conhecem de conversas com os mais velhos da família ou graças a imagens de arquivo vistas em ocasiões especiais - quando sobreviveram ao tempo (ou mais recentemente na RTP Memória, que vai impedindo que a poeira assente no vasto arquivo da televisão pública). Emissões marcantes como as do "Zip Zip" com o trio Solnado, Fialho e Cruz; "Se Bem Me Lembro" com Vitorino Nemésio, a chegada do Homem à Lua, e o que nos ocupa hoje: "A Visita da Cornélia".
Foto "Diário de Lisboa". Colorida por Enciclopédia de Cromos.

Na época só não teve mais sucesso que a gigante "Gabriela" o maior êxito das primeiras 2 décadas da RTP. É complicado falar de programas que nunca vi, mas entretanto já fiz bastante pesquisa, portanto aqui ficam alguns pontos sobre o êxito congeminado por Raul Solnado e Fialho Gouveia.

Fonte: Logopedia


Em 23 de Maio de 1977 a RTP exibiu a sessão experimental de "A Visita da Cornélia". (1)
Mas foi na noite de 6 de Junho de 1977 que a primeira sessão "a sério" do concurso chegou aos ecrãs a preto e branco nacionais e a TV nunca mais foi a mesma depois das conversas de Raul Solnado com a Vaca Cornélia (voz de Ana Mayer, "O Fungagá da Bicharada") e das exibições de concorrentes talentosos. Foi tal o sucesso junto do público que a partir de 16 de Agosto repetia-se a emissão na noite do dia seguinte no "II Programa". A finalíssima foi ao ar em 28 de Novembro de 1977, mas ainda se conseguiu esticar até ao fim de Dezembro com as emissões dos espectáculos extra-concurso.

Cada programa era gravado alguns dias antes no Teatro Vilarett (teatro lisboeta fundado 13 anos antes por Raul Solnado, que entretanto já lá gravara o "Zip, Zip"), e como tal, a imprensa já sabia antecipadamente os vencedores de cada emissão, e não se coibiam de o colocar na página da programação TV:
["Diário de Lisboa" 10-10-1977]

Ao contrário da tendência da maioria dos formatos de concurso, os concorrentes não tinham que ser apenas os mais sábios ou os mais atléticos, o que estava em causa era a sua capacidade de "representação e interpretação musical"  conforme indica o blog "A Visita da Cornélia" - que aliás aconselho vivamente a que descubram, com tempo para ler a bela colecção de textos e fotos dedicadas ao concurso e seus intervenientes.

No mesmo local reproduz-se um texto de António Melo para o jornal Público "O Concurso que brincava com coisas sérias":

"As provas dividiam-se por três grupos disciplinares, que valorizavam a aprendizagem, a destreza e a criatividade. No primeiro, os concorrentes deviam demonstrar, antes de tudo, os seus conhecimentos de cultura geral. (...) O segundo grupo de provas aferia da habilidade manual, posta à prova num jogo da feira, onde com uma bola se têm de derrubar os bonecos expostos numa prateleira. (...)

Por fim, vinham as provas criativas, onde os pares de concorrentes exibiam os seus dotes na dança, no canto, no teatro e dispunham de um tema livre, onde podiam expandir-se à vontade. "


Uma das curiosidades que descobri no blog é que a Vaca Cornélia ia ter o nome de Vaca Margarida. As Margaridas de Portugal agradeceram a mudança para um nome menos comum...

Vários dos concorrentes da "Cornélia" tornaram-se conhecidos do público, e toda a visibilidade facilitou a descolagem de carreiras artísticas. Os mais destacados: o arquitecto, escritor e poeta José Fanha; o também arquitecto Francisco (Pitum) Keil do Amaral; um jovem Tozé Martinho e a sua mãe TarekaFernando Assis Pacheco, Gonçalo de Lucena, Lucilina SantosCarlos Fragateiro, Francisca Meneses Ferreira, Rui Guedes, Maria do Carmo Ruella Ramos, Vitor (Ninéu) Sobreiro, Lira KeilHugo Maia Loureiro, o vencedor Vasco Raimundo, entre outros, como Victor Espadinha que interpretou um palhaço numa rábula e graças à participação na Cornélia começou a gravar discos, por exemplo.

Este video faz em poucos minutos um bom apanhado do espírito do concurso, dos bastidores e do seu impacto, ao som do tema principal:


Durante muito tempo li e ouvi que a RTP teria gravado outros programas por cima das fitas d'A Visita da Cornélia. Seria mito urbano ou estas filmagens foram recuperadas de outra fonte?
Em Portugal o PREC tinha terminado há pouco mais de um ano, mas os ânimos ainda estavam exaltados e lendo as críticas da época e textos de tributo ao programa estes revelam outra dimensão que ajuda a compreender a popularidade do concurso: as ideologias em conflito, as polémicas nos conteúdos e reacções dos concorrentes, dos júris, da crítica e claro as leituras feitas pelos espectadores.

Os júris que avaliavam as prestações dos concorrentes ao longo das semanas incluía nomes como o escritor Luís de Sttau Monteiro, a jornalista Maria João Seixas, Raul Calado, o actor Paulo Renato e a locutora Maria Leonor.

Nos anos 90 a televisão do Estado exibiu a continuação "A Filha da Cornélia" - apresentada por Fialho Gouveia - que obviamente não conheceu o sucesso da "mãe".


Fiquei pasmado quando descobri que existiu até uma colecção de cromos! Podem ver a capa a cores no blog "Santa Nostalgia". Cada envelope surpresa tinha 3 cromos e custava 1$50. A colecção completa era de 235 cromos. Era coisa para gastar um tubo de cola!
["Diário de Lisboa" 12-11-1977]

Outro produto derivado foi a  revista semanal "Vacavisão". A seguinte imagem encontrei no blog do próprio José Fanha, "Queridas Bibliotecas":


segunda-feira, 5 de junho de 2017

O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997)

por Paulo Neto

Olhando agora para trás parece um pouco estranho dado o seu estatuto de megaestrela de Hollywood, mas em meados dos anos 90 a carreira de Julia Roberts não estava em muitos bons lençóis. Depois de uma ascensão fulgurante ao estrelato graças a filmes como "Flores de Aço", "Linha Mortal", "Dormindo Com O Inimigo" e sobretudo "Pretty Woman", depois de "Dossier Pelicano" que os seus filmes subsequentes oscilaram entre o sucesso modesto e o flop total ("A Escolha do Amor", "Adoro Sarilhos", "Mary Reilly", "Michael Collins", "Amor E Mentiras") e Roberts parecia estar a perder o fulgor que fizera com que o mundo se apaixonasse por ela. Ainda por cima, sua vida amorosa real (romances com Kiefer Sutherland e Jason Patric e um efémero casamento com Lyle Lovett) parecia suscitar mais interesse que os seus filmes. 



Porém em 1997, Julia Roberts regressou à comédia romântica num filme que seria creditado como o ponto de viragem de regresso à boa forma e o fim deste período mais negativo da sua carreira. O filme é "O Casamento Do Meu Melhor Amigo", realizado por PJ Hogan.



Julianne Potter (Roberts) é uma crítica culinária que recebe uma chamada telefónica do seu grande amigo Michael O'Neal (Dermot Mulroney), um jornalista do desportivo. Na Universidade, os dois tinham feito uma jura de se casarem quando ambos tivessem 28 anos caso não encontrassem mais ninguém com quem fazê-lo. É nesse momento que Julianne percebe que sente mais que amizade por Michael mas para grande decepção sua, Michael anuncia-lhe que se vai casar com Kimberly Wallace (Cameron Diaz), uma estudante universitária de 20 anos, filha de um magnata de Chicago. 



Decidida a fazer Michael ver que ela é que é a pessoa ideal para ele, Julianne viaja para Chicago e enquanto finge simpatizar com Kimmy e cumprir as suas funções de dama de honor, vai criando várias tramóias para separar os noivos. Ela chega mesmo ao ponto de fazer o seu editor e amigo gay George Downes (Rupert Everett) passar por seu noivo para causar em ciúmes em Michael. Mas os verdadeiros sarilhos acontecem quando Julianne revela a Michael que está apaixonada por ele na pior ocasião possível...





Mesmo sem um argumento brilhante, "O Casamento Do Meu Melhor Amigo" vale pelos vários momentos cómicos, realçados pela competência do elenco. Julia Roberts é exímia no papel da protagonista, com o espectador a acompanhar deliciosamente as suas vilanias e os seus tombos (alguns deles literais!), uma então ainda relativamente novata Cameron Diaz está muito bem no papel da jovem ingénua, Rupert Everett rouba as cenas em que entra naquele que continua a ser o seu papel mais famoso e até Carrie Preston e Rachel Griffiths dão um ar da sua graça como as espalhafatosas damas de honor Mandy e Samantha. O meu principal problema é com a personagem de Dermot Mulroney: se quando vi o filme pela primeira vez invejei o facto dele ser disputado por Julia Roberts e Cameron Diaz, quanto mais revejo o filme mais sou da opinião que a personagem dele é demasiado canastrona e não merecia ficar nem com uma nem com outra. Do elenco fazem ainda parte nomes como Susan Sullivan, Philip Bosco, M. Emmet Walsh e Christopher Kennedy Masterson

O filme também gerou várias cenas icónicas como Kimmy a desafinar como gente grande num bar de karaoke, o confronto entre Kimmy e Julianne numa casa de banho com várias mulheres animadas a assistir e sobretudo a cena onde, a propósito da história que George inventa sobre como se "apaixonou" por Julianne, todos os convidados desatam a cantar "I Say A Little Prayer For You". Aliás, uma versão desse tema interpretada pela jamaicana Diana King foi o principal tema da banda sonora do filme.





Em 2016, "O Casamento do Meu Melhor Amigo" foi alvo de um remake chinês.

Trailer:



Diana King "I Say A Little Prayer For You"



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Wonder Woman - As Aventuras da Super-Mulher (1975-79)


Um dos vértices da Santíssima Trindade da DC Comics: Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha.
Criada em 1941 nas páginas da revista All Star Comics, a mais poderosa amazona saltou para o pequeno ecrã em forma animada no inicio dos anos 70 e pouco tempo depois a "Mulher-Maravilha" ("Wonder Woman" no original) ganhou a sua série em imagem real.


Bem que se podia ter chamado "Mulher Maravilhosa" tal o carisma - e sex appeal - da protagonista, a Miss World USA 1972 [vídeo], a  linda (desculpem) Lynda Carter, que décadas depois ainda tem uma legião de fãs. 
Gal Gadot e Lynda Carter, a Mulher-Maravilha contemporânea e a dos anos 70.
Lynda Carter.
Lynda Carter - Miss World USA 1972.

Em Portugal a série foi exibida com o título "Super-Mulher", talvez por influência das revistas brasileiras da editora Orbis que publicou a Mulher-Maravilha com esse nome ou para tentar vendê-la como a contra-parte do "Super-Homem" - apesar das personagens de BD com o mesmo nome.



Curiosamente, a série nasceu(1) com um telefilme - "Wonder Woman" (1974) - protagonizado por Cathy Lee Crosby como uma Mulher-Maravilha loura. O filme serviria como episódio piloto para uma futura série, mas apesar de audiências razoáveis não foi escolhido para continuar. [Vídeo dos créditos.]
"Wonder Woman" (1974)
A opção seguida foi criar um novo telefilme, mais fiel à banda desenhada dos anos 70 (que recuperara recentemente elementos da BD dos anos 40, por oposição ao primeiro piloto que se inspirou na BD dos anos 60) e com mais humor, com o  título "The New Original Wonder Woman" (1975).


Depois do sucesso do novo piloto, foram encomendados dois especiais e posteriormente mais 11 episódios que comporiam - exibidos no período 1976-77 - a primeira temporada de "Wonder Woman". Como a série era ambientada na época da Segunda Guerra Mundial era uma produção cara, e enquanto o canal ABC hesitou em encomendar novos episódios, a produtora Warner Brothers negociou com o canal concorrente CBS, que exigiu que a acção da série decorresse no "presente", os anos 70. Ganhou o título "The New Adventures of Wonder Woman" (As Novas Aventuras da Mulher-Maravilha) e teve duas temporadas entre 1977 e 79.

Os genéricos iniciais das várias temporadas:


De forma similar ao cânone da banda desenhada, a amazona Diana (Lynda Carter) conheceu o piloto norte-americano Steve Trevor  (Lyle Waggoner ) quando o seu caça de combate caiu na Ilha Paraíso. Depois de recuperado dos ferimentos,a  Rainha das Amazonas e mãe de Diana, Hipólita decide organizar uma competição física para a vencedora acompanhar Steve de volta à civilização. Contra os desejos da mãe, Diana participa disfarçada e sagra-se campeã. Na posse do famoso uniforme vermelho, azul e dourado, Diana e Steve regressam aos EUA.


Diana adopta o disfarce de Diana Prince, a secretária de Steve para ao mesmo tempo com a identidade de Wonder Woman auxiliar na batalha contra os espiões do Eixo e outros criminosos avulso.

Na mudança de emissora mudou também o elenco, e apenas Lynda Carter (Linda Jean Córdova Carter) e Lyle Waggoner regressaram.


O pulo de 35 anos não afectou a Mulher-Maravilha, que envelhece muito lentamente - basta ver como ainda em 2017 a actriz continua muito bonita - , no entanto, Waggoner - que no piloto e primeira temporada encarnou o militar Steve Trevor, parceiro e interesse amoroso de Diana - nos novos episódios passou a representar Steve Trevor Jr, o filho do original. O foco passou das malfeitorias dos Nazis para as aventuras contra inimigos mais variados e poderosos.

A terceira temporada foi concebida com várias mudanças para tentar agradar à audiência adolescente, com mais humor, desportos radicais, o meio ambiente, etc. No final da temporada mais mudanças de cenários e personagens - incluindo um chimpanzé indestrutível - em preparação para uma quarta temporada que nunca arrancou, por causa das baixas audiências.


O momento mais recordado dos episódios é sem dúvida a transformação de Diana nas suas roupas civis ou militares para o uniforme de Wonder Woman, cujos poderes provém do cinturão, um par de braceletes indestrutíveis, uma tiara e do laço da verdade.


A tiara podia ser achatada e atirada como um boomerangue, por exemplo. E não podemos esquecer outro acessório mítico da maior heróina da BD: o avião invisível.


O criador da Mulher-Maravilha, William Moulton Marston é também famoso por ser o inventor do polígrafo - a "máquina da verdade", um dos poderes do laço dourado da heroína é obrigar a contar a verdade - e por ter sido um polígamo assumido, vivendo junto com as duas mulheres - as musas inspiradoras de Diana - e os filhos que teve com ambas. Marston passou para as histórias elementos de bondage e superioridade feminina, bem como ideais de justiça e amor por oposição ao mundo machista e violento da época, que não mudou tanto desde essas décadas...

"Diário de Lisboa" [1980-07-12] 
No Sábado 12 de Julho de 1980 estreia em Portugal a 2ª temporada com o título "As Aventuras da SuperMulher" por volta das 16 horas. Em 23 de Maio de 1981 regressa aos ecrãs portugueses, no horário das 15 horas, ainda com o nome "As Aventuras da SuperMulher", que no segundo episódio é mudado para "As Novas Aventuras da Supermulher" e que devem ser os episódios da terceira temporada apesar de o Diário de Lisboa indicar "II Série".

Só encontrei registos de 5 episódios exibidos até final de Outubro de 1981 e até ao momento não vi sinal dos episódios posteriores, nem de quando passaram na RTP os da primeira temporada...A investigação continua...


(1) Em 1967 a produtora da série de êxito do "Batman" gravou 5 minutos de um episódio piloto em tom de comédia, nunca terminado ou exibido. Mas claro que está na Internet: "Who's Afraid of Diana Prince? (1967)".

Nuno Markl dedicou um programa no tempo da "Caderneta de Cromos": Cromo Nº 165: "A Super Mulher" [Ouvir Podcast/Download].


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

segunda-feira, 29 de maio de 2017

"Blue Monday" New Order (1983)


por Paulo Neto

Há músicas que por vezes associamos a memórias passadas, algumas delas aparentemente inusitadas. Foi o que aconteceu comigo em relação a "Blue Monday", um dos temas mais emblemáticos dos New Order, que sempre que ouço penso em futebolistas a marcarem golos. Mas já vamos falar sobre isso.



Os New Order foram como que a fénix que renasceu das cinzas dos Joy Division. Após o suicídio de Ian Curtis em 18 de Maio de 1980 (com apenas 23 anos), os restantes membros dos Joy Division lamberam as feridas e continuaram sob o nome de New Order. Bernard Sumner, além das guitarras, foi promovido a vocalista, com Peter Hook no baixo e Stephen Morris na bateria, juntando-se Gillian Gilbert nas teclas. No início a banda manteve-se na mesma linha alternativa pós-punk dos Joy Division (o primeiro single, o excelente "Ceremony", era uma faixa semi-obscura dos Joy Division), mas acabaram por adicionar sonoridades mais electrónicas. E o sucesso não tardou a chegar, dissipando dúvidas que mesmo sem o génio poético e transtornado de Curtis, o projecto dos seus colegas tinha pernas para andar. Hoje em dia temas como "Bizarre Love Triangle", "True Faith", "The Perfect Kiss" ou "Regret" são clássicos incontornáveis e "World In Motion", criada como hino de apoio à selecção inglesa no Mundial de 1990, continua a ser uma das melhores canções sobre futebol de sempre.



"Blue Monday" é outro dos grandes clássicos dos New Order e ainda hoje se mantém como o single de 12 polegadas mais vendido de sempre. Reza a história de que a banda começou a escrever a canção como um tema para um encore dos concertos (sabem, aquela altura em que as bandas fingem que se vão embora mas depois ainda voltam e tocam mais uma ou duas canções), que desse para ficar a tocar num sintetizador quando regressassem ao palco e saíssem novamente dele. Porém, a ideia acabou por evoluir para um single. "Blue Monday" teve inspiração de quatro outros temas: a batida de "Our Love" de Donna Summer, a linha de baixo do clássico disco-sound "You Make Me Feel Mighty Real" de Sylvester, os arranjos de "Dirty Talk" dos Klein + MBO e os coros foram samplados de "Uranium" de Kraftwerk.  

Capa da edição de 1983


O single foi editado no Reino Unido em Março de 1983, chegando ao n.º 12 do top britânico. Porém um novo relançamento em 1985, ajudado pelo facto do tema não estar incluído no álbum subsequente "Power Corruption Lies", conseguiu ainda melhor chegando ao n.º 9 no Reino Unido e ao top 5 de países como a Alemanha, a Holanda e a Nova Zelândia. Porém a versão mais popular de "Blue Monday" será o remix de 1988 de Quincy Jones e John Potoker, ilustrada no famoso videoclip onde se vê um cão de raça Weimarenen a equilibrar-se numa bola de ténis. "Blue Monday 88" teve ainda mais sucesso comercial que a versão original chegando ao n.º 1 do top da Nova Zelândia, n.º 2 na Irlanda e n.º 3 no Reino Unido na Alemanha.

Capa da edição de 1988




E agora é que entra a minha história com esta canção. Quando eu andava no 3.º e 4.º ano da escola primária, entre 1988 e 1990, eu só tinha aulas de tarde, pelo que ocupava as minhas manhãs a fazer o que restava dos TPC e a ver televisão. Na altura a RTP abria as emissões com o espaço informativo "Bom Dia" e às segundas-feiras havia sempre espaço para um resumo da jornada do campeonato nacional de futebol decorrida no fim-de-semana anterior. Esse resumo terminava sempre com uma montagem de todos os golos marcados em cada jornada ao som de "Blue Monday" (ou então, agora que penso nisso, como não me recordo de ouvir a voz de Bernard Sumner nessas montagens, creio que terá sido antes utilizada a versão instrumental do tema, intitulada "The Beach"). Por isso, sempre que ouço "Blue Monday" vem-me logo à cabeça o Académico de Viseu, o lanterna vermelha da época 1989/1990, a ser goleado ou Mats Magnusson, o implacável artilheiro sueco do Benfica, a rematar impiedoso contra as balizas adversários.

Como na altura vivia-se num mundo pré-internet, só em 1993 é que descobri o título da música que eu até então apelidava de "a música dos golos da jornada" quando vi o videoclip na MTV.

Capa da edição de remisturas de 1995




Em 1995, "Blue Monday" foi reeditado com novas remisturas, da qual a mais destacada foi a dos Hardfloor, em promoção ao disco "The Rest Of New Order", um álbum de remixes dos principais temas da banda, que procedeu ao álbum best of de 1994.

Em 1998, a banda americana Orgy gravou um versão punk-metal de "Blue Monday" que serviu para introduzir o tema a uma nova geração nos Estados Unidos. A versão dos Orgy foi ainda incluída na banda sonora dos filmes "Ainda Sei O Que Fizeste No Verão Passado" e "Oh Não! Outro Filme de Adolescentes!".




Após um interregno a partir de meados dos anos 90 onde os membros da banda encetaram novos projectos pessoais, os New Order reformaram no início do século XX, tendo editado em 2001 o álbum "Get Ready". Desde então editaram mais três álbuns de originais (o mais recente, "Music Complete" em 2015) e fizeram algumas digressões. Com a saída de Peter Hook em 2007, actualmente a formação inclui os membros originais Sumner, Morris e Gilbert bem como Phil Cunningham e Tom Chapman.




sexta-feira, 26 de maio de 2017

Gelado "O Dedo" (1981-82)



"O Dedo". Este mítico gelado em forma de um punho com o dedo indicador esticado surgiu nos pontos de venda de gelados Olá no inicio dos anos 80, mais concretamente em 1981, como demonstra este cartaz do site da própria Olá


Ao lado do “O Dedo” podem ver a indicação “Novo”. Não dá para ver bem, mas creio que o preço de venda era 15 escudos.


Enquanto durou fez as delícias de pequenos e decerto muitos graúdos que não tivessem pudor de chupar dedos - com sabor a morango - em público. Esta peculiar delícia gelada já não consta no cartaz para a época balnear de 1983. (Estou naturalmente a assumir que assim que saem de cartaz saem também de circulação. excluindo é claro aqueles em stock nas arcas de restaurantes e cafés pelo país fora.) Por exemplo, na Espanha - a Frigo (o nome que a marca adopta no país dos nuestros hermanos) lançou o “Frigo Dedo” em 1980 (até 91, pelo menos), e entre 1988 e 1990 o gelado existiu em 3 sabores diferentes! Na França, era “Le Doigt” vendido pela Motta [anúncio], e no Reino Unido “The Finger”, obviamente. No Brasil a Gelato deu-lhe o pitoresco nome de “Fura Bolo”.

A vaga de gelado em forma de extremidades do corpo humano foi preenchida em 1987 com a chegada do “”, que se aguentou até 1990. Mas isso é uma história para outro cromo...

Despeço-me com este anúncio da época, que decerto vai deixar muitos de vós com água na boca:



O reclame era apenas a versão do mesmo anúncio já usado em vários países, mas a melodia parece-me estranhamente semelhante à "Formiga, Formiguinha" de Tó Maria Vinhas. Tô certo, ou tô errado?

Oh-la-la-la
Que bom que é
este giro, giro dedo
Huuum!
Oh-la-la
Já cá está.
Quero o dedo,
Agora lá.
Giro fresco é o dedo!
Olá dedo!
Vem já.


Um dos programas mais antigos da Caderneta de Cromos: "Caderneta de Cromos Nº10 O dedo" [Download/Ouvir Podcast].

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