segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ABBA "Gold:Greatest Hits" (1992)

por Paulo Neto

Com a estreia da sequela de "Mamma Mia" dez anos depois do primeiro filme e o anúncio surpresa de que os quatro membros do grupo se reuniram ao fim destes anos todos para gravar duas canções inéditas a serem lançadas no final deste ano, porque não recordar aqui na Enciclopédia de Cromos a música dos ABBA, que sem dúvida redefiniram a música pop nos anos 70 e inícios dos anos 80?


Em 1983, Agnetha Faltskog, Bjorn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lynstaad anunciavam que o grupo iria fazer uma pausa na actividade para se dedicarem a outros projectos. Agnetha e Frida recuperaram as carreiras a solo, Benny e Bjorn direccionaram os seus talentos de songwriting para outras paragens (como o musical "Chess") e paulatinamente ia ficando claro que a pausa temporária dos ABBA era na verdade permanente.
Entretanto o seu repertório continuava a ser ocasionalmente tocado nas rádios e começava a ser objecto de tributos como o musical "Abbacadabra", a banda de tributo Bjorn Again ou, já nos anos 90, o EP "ABBA-esque" dos Erasure. Mas em 1992, quando a Polygram adquiriu a editora dos ABBA (Polar Music) e com ela os direitos ao catálogo do grupo, editou uma compilação reunindo dezanove dos maiores sucessos do quarteto sueco intitulada "Gold: The Greatest Hits".


Editada já a pensar no mercado natalício desse ano, "Gold" tornou-se um campeão de vendas e apresentou a música dos ABBA a uma nova geração enquanto permitiu às anteriores recordarem as canções daquele tempo. Nas suas mais diversas edições e reedições, "Gold" vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo. (A edição que eu tenho é a de 1999, comemorativa dos 25 anos da vitória no Festival da Eurovisão com "Waterloo", que contém as assinaturas dos quatro membros impressas na caixa do CD.) A edição desta compilação foi também importante pois nessa altura as anteriores compilações do grupo tinham sido descontinuadas e apenas os álbuns de originais continuavam à venda, pelo que era então a oportunidade única para novos e velhos fãs terem reunidos num só disco os principais êxitos dos ABBA.
Claro está que sendo os ABBA uma banda tão prolífica, reduzir para dezanove as canções a serem incluídas em "Gold" foi tarefa complicada e implicou deixar de fora alguns hits e/ou canções favoritas dos fãs como por exemplo "Summer Night City", "When I Kissed The Teacher", "I Do, I Do, I Do, I Do, I Do" ou "Angeleyes", que seriam incluídas na compilação subsequente "More Gold". Mas sem dúvida que as 19 canções de "Gold" são sem dúvida uma boa amostra das canções mais emblemáticas dos ABBA e da sua mestria para a composição de música pop em vários registos.
Vamos então analisá-las uma a uma, pela ordem de alinhamento do disco:



1. Dancing Queen (1976, "Arrival"): Começamos em beleza com aquela que é sem dúvida uma das canções mais emblemáticas dos ABBA. "Dancing Queen" é uma daquelas canções que é uma alegria ouvir da primeira à última nota, com a harmonia das vozes de Agnetha e Frida a soar divinal por entre as camadas de arranjos instrumentais e de sintetizadores, bebendo influências ao "Wall Of Sound" de Phil Spector e aos ritmos do disco-sound americano. Os quatro membros afirmaram que se havia canção da qual tinham certeza de que seria um grande hit enquanto a gravavam era "Dancing Queen". E não se enganaram, já que o tema foi n.º1 em mais de uma dúzia de países, notavelmente sendo o seu único single n.º 1 nos Estados Unidos. Em alguns países como o Reino Unido, "Dancing Queen" foi reeditado em single para promover "Gold". E claro está, teve imensas versões de Kylie Minogue aos U2 e foi um dos singles dos A Teens no seu álbum de versões dos ABBA. A revista Rolling Stone colocou-o em n.º 174 das 500 melhores canções de sempre.
Apropriadamente, os ABBA interpretaram pela primeira vez "Dancing Queen" na gala que antecedeu o casamento do Rei Carlos Gustavo da Suécia com a futura rainha Sílvia. A primeira vez que me recordo ter ouvido "Dancing Queen" foi no especial "ABBAcadabra", na canção da Rainha Má interpretada por Lenita Gentil.     
2. Knowing Me, Knowing You (1977, "Arrival"): Eu ouvi pela primeira vez "Knowing Me, Knowing You" pela primeira vez no 7.º ano porque uma colega de turma tinha "Gold" em cassete e ela costumava fazer coreografias com as canções do ABBA com outras raparigas da turma, algumas delas para serem apresentadas durante as festas da 100.ª lição das disciplinas.
Na altura, os dois casais dos ABBA ainda estavam juntos mas já sabiam como cantar o fim de uma relação e todos os dramas inerentes. Mais uma vez, as harmonias de Agnetha e Frida são um ponto alto (completadas no refrão pelos "hã hã" de Bjorn e Benny) mas a minha parte preferida são os solos de guitarra. Foi o sexto n.º 1 consecutivo dos ABBA na Alemanha Ocidental, tendo chegado ao lugar cimeiro no Reino Unido, Irlanda, México e África do Sul. Entre os nomes que já o cantaram ao vivo ou em disco, estão Elvis Costello, Evan Dando e Right Said Fred. 


3. Take A Chance On Me (1978, "ABBA-The Album"): Famoso pelo seu início em acapella, "Take A Chance On Me" foi o principal sucesso do álbum que acompanhou "ABBA - O Filme", a longa-metragem semi-documentário, semi-ficção realizado pelo conhecido realizador Lasse Halstrom, que realizou vários dos videoclips do grupo. Fazendo jus à letra da canção que fala de uma mulher que decide mostrar ao objecto da sua afeição que ela é aquela que ele procura numa parceira, o videoclip mostrava Agnetha e Frida mais sedutoras que nunca, dançando para os respectivos parceiros sentados numa cadeira e piscando os olhos sensualmente para a câmara.
Graças à sua actuação num especial de Olivia Newton-John para a televisão americana, "Take A Chance On Me" foi o segundo maior sucesso dos ABBA nos Estados Unidos, chegando ao n.º 3 do top americano, tendo sido n.º 1 no Reino Unido, Áustria, Bélgica, Irlanda e México. Foi ainda a mais popular das quatro canções do EP "Abba-Esque" dos Erasure que foi n.º 1 do top britânico. 


4. Mamma Mia (1975, "ABBA"): Se este já era uma das canções mais emblemáticas dos ABBA, após a edição "Gold", "Mamma Mia" tornou-se ainda mais mítica, dando o nome ao famoso musical que viria a ser convertido em filme e foi o primeiro single dos A Teens (que chegaram a editar o single na Suécia sob o nome de ABBA Teens ao que rapidamente os ABBA originais objectaram) em 1999. O famoso hino às relações "nem contigo nem sem ti" não estava previsto ser editado em single mas a exibição do videoclip na Austrália gerou tanto interesse que a edição não se fez esperar e o sucesso nos Antípodas alastrou-se ao resto do mundo, tendo chegado ao n.º 1 no Reino Unido, Irlanda, Suíça e Alemanha.
Tal como "Knowing Me, Knowing You", eu ouvi pela primeira vez "Mamma Mia" durante os ensaios de uma coreografia de umas colegas da minha turma do 7.º ano.
5. Lay All Your Love On Me (1980, "Super Trouper"): Um dos temas mais dançáveis dos ABBA, com uma letra que fala sobre como ninguém está imune de ser assolado por ciúmes, "Lay All Your Love On Me" foi editado apenas como um single de 12 polegadas, o que não impediu de chegar ao n.º 7 do top britânico, onde tornou-se até então o single mais vendido neste formato. De entre as versões existentes, duas em particular firmaram o tema com um clássico do ABBA: a dos Erasure em 1992, incluída no EP "Abba-Esque" e a de Amanda Seyfried e Dominic Cooper no filme "Mamma Mia".

6. Super Trouper (1980, "Super Trouper"): Isto da fama e da fortuna não são só rosas, e foi também o lado mais solitário da fama que os ABBA evocaram na faixa-título do álbum de 1980. Embora Frida fosse a vocalista principal no tema, sem dúvida que os sentimentos da letra diziam sobretudo mais a Agnetha, que nunca escondeu que preferia o processo criativo das gravações à azáfama das digressões. "Super Trouper" foi o último dos nove n.º 1s dos ABBA no Reino Unido.
A primeira vez que ouvi o "Super Trouper" foi num clube de vídeo em finais de 1992 onde tinha ido com o meu pai, uma vez que o dono tinha posto o CD de "Gold" a tocar. Meses mais tarde, no final do meu 8.º ano, houve na minha escola um desfile de moda em que vários alunos do 9.º ano desfilaram com roupas das diferentes décadas e apesar de já ser de 1980, "Super Trouper" foi a música utilizada para o desfile dos anos 70.
Confesso também ter um fraco pela versão dos A Teens, que foi o seu segundo single.
7. I Have A Dream (1979, "Voulez-Vous"): Uma das mais amadas canções do ABBA, a balada "I Have A Dream" destaca-se também por ser o único tema a incluir vozes que não as dos quatro membros do grupo, já que o ponto alto da canção é o coro de crianças da Escola Internacional de Estocolmo que se ouve a partir do segundo refrão. (O verso "I beliiiiiiiiiiieve...in angels!" é mítico).
O tema foi n.º 1 na Bélgica, Áustria, Holanda e Suíça e n.º 2 do Reino Unido onde outra canção com um famoso coro infantil ("Another Brick In The Wall") impediu-o de ser o último n.º 1 dos anos 70 em terras britânicas. Mas em 1999, a boyband irlandesa Westlife gravou uma versão que foi n.º 1 no Natal desse ano, tornando-se o último n.º 1 dos anos 90 (e do século XX, se se ignorar que de facto o século XXI começou em 2001 e não em 2000) no Reino Unido. 


8. The Winner Takes It All (1980, "Super Trouper"): Agnetha e Bjorn separaram-se em 1979 ao fim de oito anos de casamento e por isso era irresistível querer associar a temática desta canção ao fim da união de ambos. Claro que os dois sempre negaram que "The Winner Takes It All" seria algum reflexo do que se passara entre eles e fizeram sempre por afirmar que, para bem dos filhos, o divórcio de ambos foi pacífico e civilizado, sem vencedores nem vencidos.
Mas não só a letra fala de uma mulher que por muito afirme ao ex-amado que já superou o fim do amor comum, acaba por admitir que não é bem assim, a voz de Agnetha soa profundamente emotiva e melancólica, e a mudança para um ritmo mais rápido ao longo da canção só acentua mais essas emoções. Assim como o videoclip, que mostrava Agnetha a cantar para a câmara com ar taciturno e com várias cenas em que ela aparece com ar triste enquanto os outros três estão todos risonhos. Foi aliás através do videoclip (no espaço da MTV com Catarina Furtado nos primórdios na SIC) que eu ouvi "The Winner Takes It All" pela primeira vez e desde então que é uma das minhas canções preferidas dos ABBA. Também é o meu momento preferido do filme "Mamma Mia" quando uma Meryl Streep à beira das lágrimas canta a canção a Pierce Brosnan.   
9. Money Money Money (1976, "Arrival"): É certo e sabido que o dinheiro não traz felicidade, mas que ajuda bastante, ajuda. É sobre essa arreigada premissa que os ABBA compuseram "Money Money Money", sobre uma mulher que sonha que um dia há de encontrar um homem rico ou ganhar uma fortuna no jogo e deixar para trás os seus tormentos financeiros. O tema proporcionou uma das mais poderosas interpretações de Frida, com a sua voz a imprimir todo o dramatismo que se impõe.


10. S.O.S. (1975, "ABBA"): "S.O.S." é tido como o primeiro grande hit mundial dos ABBA após "Waterloo". Os singles que se seguiram tiveram sucesso relativo em alguns países (por exemplo, gerando já algum culto na Austrália e na Nova Zelândia) mas foi com "S.O.S." que voltaram a conhecer o sucesso global, atingindo o n.º 1 no Reino Unido, Austrália, Irlanda, Alemanha, Bélgica, França e Nova Zelândia e ao top 20 dos Estados Unidos. O tema tem alguns fãs inesperados: por exemplo, Björn Ulvaeus referiu que Pete Townsend dos The Who lhe disse certa vez que era sua canção pop preferida. Agnetha Faltskog gravou também uma versão a solo em sueco e das muitas covers e recriações de "S.O.S." que existem (por nomes que vão desde Peter Cetera aos Portishead), destaco "Bring Me Edelweiss" de 1989, do grupo austríaco Edelweiss, uma mistura ultra-louca de house, hip hop e canto tirolês.   
11. Chiquitita (1979, "Voulez-Vous"): O primeiro single do álbum "Voulez-Vous", "Chiquitita" é uma das baladas mais famosas dos ABBA, em que Agnetha canta para alegrar a amiga que sofre de um desgosto amoroso. Quer na versão em inglês, quer em espanhol, "Chiquitita" tornou-se um dos seus singles mais vendidos do grupo. Foi esta canção que o quarteto cantou na gala da UNICEF para o Ano Internacional da Criança e ainda hoje, 50% dos lucros da canção são revertidos a favor da UNICEF. A primeira vez que ouvi esta canção foi na versão dos Onda Choc, "A Mais Bonita".


12. Fernando (1976, "Greatest Hits"): Inicialmente "Fernando" estava apenas pensado para ser uma faixa em sueco para o álbum a solo de Frida, mas o sucesso local encorajou-os a gravar uma versão em inglês para o primeiro álbum "Greatest Hits" da banda. Se na versão em sueco, a temática da letra é semelhante à de "Chiquitita", na versão em inglês, invoca-se as memórias de dois combatentes na Revolução Mexicana. (Na sua rubrica "As Baladas do Doutor Paixão, Nuno Markl sugeriu que estes dois antigos combatentes poderão ter tido um momento "Brokeback Mountain"). Seja como for "Fernando" vendeu mais de seis milhões de cópias só no ano de 1976. No segundo filme de "Mamma Mia", Cher canta uma versão acompanhado por Andy Garcia.     
13. Voulez-Vous (1979, "Voulez-Vous"): Um dos mais populares temas disco dos ABBA, "Voulez-Vous" é única canção do grupo que foi gravada fora da Suécia: foi composto durante uma viagem às Bahamas e gravada em Miami, o que sem dúvida se reflecte na atmosfera quente do tema. Em alguns países, "Voulez-Vous" também foi reeditado como single durante o lançamento de "Gold" e eu lembro-me de ser o vídeo mais escolhido para representar a compilação no "Top +". 


14. Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight) (1979, "Greatest Hits vol. 2"): Hoje em dia é conhecida como a canção que foi utilizada como sample em "Hung Up" de Madonna, mas "Gimme Gimme Gimme..." (muito gostavam os ABBA de títulos repetitivos!) já era uma das suas mais populares faixas dançáveis. Um dos temas inéditos do seu segundo álbum de "Greatest Hits" o tema foi mais um hit global para o grupo e o seu single mais bem-sucedido no Japão. A versão dos A Teens foi o terceiro single do seu álbum de covers dos ABBA e a actriz Amanda Seyfried gravou uma versão para promover a banda sonora de "Mamma Mia", embora não seja essa a versão incluída no filme. E serei o único a pensar em música de câmara quando ouço o famoso solo de sintetizador?

15. Does Your Mother Know (1979, "Voulez-Vous"): O mais famoso single dos ABBA em que o vocalista principal é Björn, com Frida e Agnetha a limitarem-se aos coros, "Does Your Mother Know" é capaz de ter sido uma das primeiras canções dos ABBA que eu ouvi, já que estava incluído numa compilação que os meus pais tinham em casa, que também tinha por exemplo canções de Elton John, Gemini e Sidney Magal. A letra fala sobre um homem hesitante entre ceder aos avanços de uma rapariga bem mais jovem ou de pôr um termo à situação. No filme "Mamma Mia", esses papéis são famosamente invertidos evidenciando o caso da personagem de Christine Baranski com um jovem.


16. One Of Us (1981, "The Visitors"): O derradeiro álbum de originais do grupo, "The Visitors" é o único álbum dos ABBA que me recordo de ver em minha casa. (A minha mãe disse-me certa vez que ela e o meu pai tinham outros, mas que estes foram emprestados e nunca mais devolvidos.) O único tema deste álbum a ser incluído em "Gold" é a balada "One Of Us". Nesta altura, os dois casais estavam separados, com o divórcio de Benny e Frida a ser oficializado nesse ano e é um dos temas do álbum que reflectem o tema da separação amorosa. Tal como o outro casal, também Benny e Frida asseguraram que a separação em nada afectava a amizade e a parceria musical entre ambos. No entanto, embora seja Agnetha a voz principal em "One Of Us" e a protagonista do videoclip, a imagem mais impactante deste é a de uma Frida invulgarmente tristonha, mostrando que a sua vida passava por um mau bocado. "One Of Us" foi o último single dos ABBA a chegar ao n.º1 algures (Alemanha, Bélgica, Holanda e Irlanda). Nas suas actuações ao vivo, era costume os Silence 4 iniciarem o seu hit "Borrow" com David Fonseca a cantar o refrão de "One Of Us". Recomendo também a versão orquestral do grupo alemão Dune.   
17. The Name Of The Game (1977, ABBA - The Album"): "The Name Of A Game" foi a primeira canção dos ABBA a ter autorização para ser usada como sample, a saber em "Rumble In The Jungle" dos Fugees. É uma das suas composições mais elaboradas, com Agnetha e Frida a terem cada uma parte cantada a solo além do refrão com as harmonias de ambas.
18. Thank You For The Music (1977, ABBA - The Album"): Originalmente incluída em "ABBA - The Album", "Thank You For The Music" era uma das quatro canções que compunham o mini-musical "The Girl With Golden Hair" que os ABBA interpretavam durante a digressão deste álbum. Em 1983, quando já sentia que a pausa dos ABBA era na verdade o seu cair do pano, alguns países resolveram editar o tema como single à laia da despedida e para promover uma compilação da Epic Records. E de facto, "Thank You For The Music" já cumpriu por diversas vezes a função de fecho com chave de ouro: no filme "ABBA-The Movie", era tocado nas cenas finais, era a canção final do musical "ABBAcadabra" (que em português teve o curioso título de "Não Basta Ralhar"), mas aqui em Portugal recordamos sobretudo a imagem do final de cada sessão do "Chuva de Estrelas" em que cada um dos concorrentes cantava à vez: "Vivo para a música, canções que canto, com a alegria e o encanto...

19. Waterloo (1974, "Waterloo"): E o disco termina com o princípio. Em 1973, os ABBA tentaram a sua sorte em representar a Suécia no Festival da Eurovisão com "Ring Ring" (então ainda sobre o nome de Bjorn & Benny, Agnetha & Anni-Frid). Mas foi em 1974 que então já com o nome que se lhes conhecem que foram à Eurovisão, dando à Suécia o seu primeiro triunfo no certame (que nesse ano se disputou na cidade inglesa de Brighton) com "Waterloo". Os figurinos da banda, inspirados no glam-rock, não deixaram ninguém indiferente e nem sequer faltou o chefe da orquestra Sven-Olof Waldoff vestido como Napoleão. No seu livro "Eurovisão: de ABBA a Salvador Sobral", Nuno Galopim refere um facto curioso: embora a vitória dos ABBA tivesse sido concludente, liderando desde o princípio e terminando a seis pontos da Itália que ficou em segundo lugar, não foi propriamente esmagadora, pois "Waterloo" não recebeu nenhuns pontos da Bélgica (o país onde actualmente fica Waterloo) nem do Reino Unido (o país vencedor da dita batalha). Seja como for, "Waterloo" tornar-se-ia a canção mais icónica do Festival da Eurovisão (em 2005, venceu uma eleição da melhor canção de sempre do certame) e tornou-se um êxito global, chegando mesmo ao top 10 americano. Eu não tenho a certeza se ouvi primeiro o original dos ABBA ou a versão de 1986 dos Doctor & The Medics, cujo videoclip parodiava a actuação dos ABBA na Eurovisão e que passou várias vezes no "Countdown" do Adam Curry. 

Depois da primeira edição de 1992, "Gold" teve quatro reedições: a edição remasterizada de 1999 (que é a que eu tenho), a do 10.º aniversário em 2002, a de 2008 por ocasião da estreia do primeiro filme de "Mamma Mia", a de 2010 com um DVD com os videoclips e a edição especial de 2014 que inclui os dois discos "Gold" e "More Gold", além de um terceiro disco com vinte lados B.



Em Abril deste ano, foi anunciado que os ABBA gravaram duas canções novas a serem apresentadas num especial televisivo no final deste ano. Sabe-se que os títulos são "I Still Have Faith In You" e "Don't Shut Me Down". Serão elas dignas de figurar no panteão das canções que os ABBA no deram no passado?

Anúncio a "ABBA Gold" na televisão brasileira:


Bónus: ABBA "The Last Video" (2004)


domingo, 5 de agosto de 2018

KITT do Jardim Zoológico (1990)




Hoje ao ver uma reposição dos pequenos documentários "Bairros Populares de Lisboa", de 1990, reparei que no episódio "Sete Rios", no obrigatório excerto sobre o Jardim Zoológico de Lisboa, uma das diversões para os mais pequenos que foram mostradas, além das pistas de automóveis, carrosséis, foram estas pequenas diversões que trabalham com uma moeda e enquanto a criança se senta no interior se abanam ao som de uma música que invariavelmente se desgastava com o passar do tempo. Aqui na minha terra tínhamos direito a uma Abelha Maia pronta a ser montada por trocos à porta de um quiosque. Mas no Zoo os visitantes eram brindados com pelo menos um Batmobile do filme de 1989 e aquele que me chamou a atenção: uma réplica relativamente realista do famoso K.I.T.T. o fantástico bólide de Michael Knight, da série "O Justiceiro" (1982-86).



Quando publiquei no Facebook da Enciclopédia o excerto com o vídeo do carro, o leitor David Lamy partilhou uma foto que encontrou na Net, com o interior da viatura, e acrescentou que: "Tinha pedais fazia sons quando acelerávamos era uma maravilha!"
Nota: Entretanto fui investigar e a foto é do interior de um carro na Finlândia, fabricado por Falgas.
Foto do Exterior:
Parece ser o mesmo modelo do "lisboeta".


Este documentário deve ter sido filmado mais ou menos na época que eu e a família fomos visitá-lo. Infelizmente já não devia ter idade e tamanho para entrar no KITT e imaginar que ia aplicar um Turbo-Boost á viatura dos bandidos.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Fantasmas Luminosos da Matutano


Estes "Fantasmas Luminosos", os fantasmas que brilham no escuro são um clássico brinde da Matutano que muitos recordam com saudade, além das raspadinhas, Pega-Monstros, os Dinossauros, as Caveiras Luminosas. E a fase de "coisas que brilham no escuro" foi tão grande, basta recordar o esqueleto de dinossauro do Planeta Agostini que brilha no escuro e obviamente outra colecção da Matutano, de mais autocolantes luminosos, mas com animais: "Feras Luminosas". Via-se disto colado em todo o lado, cadernos e livros escolares, janelas, etc. Acho os meus poucos sobreviventes desta colecção estão agarrados ás capas de livros, a assombrá-los há mais de duas décadas... Lembro-me de ficar fascinado a apreciar o brilho começar a desvanecer na escuridão...
Obrigado ao Hugo Fernandes que confirmou o nome de ambas colecções, "Fantasmas Luminosos" e "Feras Luminosas". Os fantasmas eram 30 diferentes para coleccionar e eram representações de fantasmas nas mais diversas actividades ou profissões: músico, garçom, cavaleiro, bombeiro, marrão, etc...
Foto: Catarina Baptista.

Foto: Catarina Baptista.

Foto: Catarina Baptista.

Foto: Hugo Fernandes.

Foto: Hugo Fernandes.
Instruções no verso do cartão com o autocolante recortado:
"Chega o fantasma à luz por uns instantes e logo verás como brilha no escuro! Repete quantas vezes quiseres.
Colecciona os terríveis fantasmas da Matutano! Há 30 diferentes!"


Mais alguns exemplos:


Foto: O Sótão do Chico.

Os nossos agradecimentos a Catarina Baptista e Hugo Fernandes pelas fotos e informações.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Com A Verdade M'Enganas (1994)

por Paulo Neto

Após o (literalmente) explosivo final de "Roda da Sorte", transmitido no último dia de 1993, Herman José estreou pouco depois, no início de 1994, o seu novo concurso, "Com A Verdade M'Enganas" (sim, com o pronome apostrofado), onde fez-se acompanhar com os seus comparsas da "Roda da Sorte", Cândido Mota e Ruth Rita no mesmo horário de fim de tarde da RTP1 onde nos três anos anteriores girou a Roda.



Ao contrário da "Roda" que era adaptado de um original americano, este concurso era um conceito original, num cenário cheio de referências à banda desenhada e à pop-art de Roy Lichtenstein e afins. 
Cada programa tinha duas equipas de dois concorrentes formadas por sorteio prévio, pois cada um dos quatro concorrentes inscrevia-se individualmente e era constituído por cinco jogos e um puzzle final. Existem vários episódios do concurso no YouTube mas para servir de exemplo, vamos recorrer à prata da casa e utilizar o programa disponibilizado na Enciclopédia TV (subscrevam no YouTube, SFF!), que foi precisamente a primeira sessão do concurso a ser exibido na RTP. Trata-se da primeira de cinco sessões experimentais exibidas na semana de estreia, onde dois convidados famosos formava equipas com pessoas anónimas, neste caso Ana Bola e um rapaz chamado Miguel formaram a equipa A e Vítor de Sousa e uma rapariga chamada Cristina compunham a equipa B.



Jogo 1: Com A Verdade M'Enganas



No primeiro jogo, os membros de uma equipa tinham de adivinhar se duas afirmações sobre cada um dos concorrentes da equipa adversária eram verdade ou mentira. Cada resposta acertada valia 20 pontos.
Neste jogo, ficámos a saber que Ana Bola odeia feijão verde, que Miguel trazia boxers às riscas cor-de-rosas (que obviamente mostrou), que Vítor de Sousa tem mais de 200 miniaturas de cavalos e que Cristina odeia a cor lilás e arroz de polvo.

Jogo 2: Perguntas de cultura geral



O segundo jogo eram perguntas de cultura geral com três hipóteses de resposta. Para serem os primeiros a responder, as equipas usavam um botão que simulava um manípulo detonador de bombas. Cada resposta certa valia 20 pontos.

Leilões de letras


Depois de cada jogo, tinham lugar os leilões de letras. Ruth Rita surgia trazendo letras ora dentro de um carrinho de gelados ora de um carrinho de cabides e Herman escolhia um ou duas letras que fariam (ou talvez não) parte do puzzle final. As equipas licitavam os pontos que tinham até então sendo as letras arrematadas pela equipa que oferecesse mais pontos.

Jogo 3: Erros do Texto

No terceiro jogo, Cândido Mota lia um texto no original (neste caso um poema) e depois uma versão com erros, que as equipas tinham de detectar e corrigir e cada correcção acertada valia 20 pontos.
Neste programa por exemplo, em vez de "viu-se num outeiro com casas e árvores espalhadas", a nova versão dizia "sentou-se num outeiro com vacas e árvores empalhadas". 

Jogo 4: Sala das torturas
Um dos elementos de cada equipa seguia para outro parte do cenário onde se sentavam numas cadeiras a fazer lembrar as cadeiras eléctricas para jogar o quarto jogo em que à vez, um concorrente tinha 30 segundos para fazer rir o outro.
Nesta sessão experimental, Vítor de Sousa conseguiu resistir às tentativas de Ana Bola mas esta desmanchou-se a rir mal o seu colega proferiu o seu mítico bordão "Sobral do Monte Agraço já tem um parque infantil!", vindo de um anúncio do detergente Tide.
Neste jogo o concorrente que fizesse o adversário rir em menos tempo ganhava 40 pontos para a sua equipa. Caso nenhum dos concorrentes se risse ao fim dos 30 segundos, seria a assistência do programa a desempatar.
Nas sessões iniciais, os concorrentes geralmente não iam além de contarem anedotas ou dizer insistentemente "ri-te lá!" mas com o tempo, e sob apelo do Herman, os concorrentes começaram a preparar melhor este jogo, alguns trazendo alguns adereços. Recordo-me de uma concorrente que tentou recriar um anúncio de champô (o "Cabeça e Ombros", em alusão à marca "Head & Shoulders" - actual "H&S"- então recentemente chegada ao mercado português) pegando num frasco enorme e deitando partículas de esferovite sobre o cabelo.

Jogo 5: Letras aldrabadas

O quinto jogo era de longe o meu preferido e uma das principais razões porque mantive memórias deste concurso. Em cada sessão, um convidado musical, acompanhado ao piano por Pedro Duarte (que dava os apontamentos musicais ao vivo ao longo do programa), cantava uma canção do seu repertório e depois uma versão com erros na letra que os concorrentes tinham de detectar e corrigir, ganhando 20 pontos por cada correcção. Escusado será dizer que estas letras aldrabadas eram extremamente hilariantes e quase sempre os cantores ficavam perdidos de riso (e de algum embaraço) a tentar cantar as novas palavras. Para completar a farra, os membros da assistência que se viam ao fundo neste jogo costumavam fazer umas coreografias para acompanhar a canção.
Nesta sessão experimental, o convidado foi Clemente que cantou um dos seus temas mais emblemáticos, "Vais Partir" e viu-se depois a cantar "vais dormir (partir) naquela estrada" e "nuvens de alegria e mil gaitas (ventos) a cantar".     

Eis algumas das mais famosas letras aldrabadas que me recordo
Paulo Gonzo "Jardins Proibidos": "Rasga-se o Abreu (o céu) e lá vou eu"
Anabela "A Cidade (Até Ser Dia)": "De madrugada saio para a rusga (rua)", "entre um tiro (gin) e um beijo", "parto (sinto) tudo o que vejo, há um sarilho (brilho) no ar."
Dulce Pontes "Os Índios da Meia-Praia": "Vou fazer uma chinesa (casinha)", "com sete palmos de whisky (terra) se constrói uma bezana (cabana)"
Armando Gama "Esta Balada Que Te Dou": "Um sonho, uma curte (um livro)" (Aliás, foi neste programa que descobri que afinal ele não dizia "um sonho lindo".)
Manuela Bravo "Sobe Sobe Balão Sobe": "Nem uso preservativo (passaporte)"
Ágata "Perfume de Mulher": "Que eu morro de urticária (ciúme)", "Leva o soutien (perfume) da outra mulher."

Outras memórias:
- Quando Simara foi ao programa, Herman não resistiu em aproveitar o facto de ela ser brasileira para na versão aldrabada de uma canção que ela cantou substituir "saudades" por uma célebre palavra utilizada para definir um estado de excitação sexual que é semi-palavrão em Portugal mas que não tem essa conotação no Brasil (e que aliás os portugueses tinham ouvido regularmente na música do genérico da telenovela "Tieta"). E numa outra sessão com Dina, esta viu-se a cantar uma palavra semelhante mas que não é asneira e aliás faz parte da mitologia grega.
- Da mesma forma, quando Io Apolloni foi ao programa, Herman aproveitou as origens dela para introduzir palavras em italiano na versão aldrabada que ele retirou de uma revista de automóveis, como "sospensioni" e "servo freno".


Puzzle final

A equipa com mais pontos ao fim dos cinco jogos jogava o puzzle final onde tinha de adivinhar uma palavra-chave formada a partir de outras sete palavras que um dos concorrentes tinha de explicar por mímica, tendo como ajuda as letras que adquiriu durante os leilões, em 120 segundos.
Nesta sessão, Ana Bola fez a mímica das palavras (eram permitidos sons, como o que ela usou para a palavra "surdo" mas não podia dizer quaisquer palavras) que Miguel adivinhou correctamente, sendo que a palavra-chave do puzzle era corifeu.
Caso a equipa acertasse na chave-final, cada um dos elementos ganhava 600 contos (cerca de 3000 euros), caso contrário ganhavam os pontos que tinham acumulado em contos. A outra equipa recebia como prémio de consolação pequenos electrodomésticos (ou não fosse o concurso patrocinado pelas então inevitáveis Lojas Singer) como walkmans ou máquinas de pregar botões.



Ao contrário da "Roda da Sorte", "Com A Verdade M'Enganas" durou apenas alguns meses mas mesmo assim era um concurso agradável de se ver e ao qual Herman José imprimia todo o seu génio.
E já agora, o que será feito de Ruth Rita? Em 2008, quando a SIC recuperou brevemente a "Roda da Sorte", Herman José referiu que ela estava a tirar um curso de enfermagem e um artigo de 2011 do site do Correio da Manhã refere que ela tinha uma loja de roupa em Telheiras.

Ruth Rita em 2008 no programa Episódio Especial da SIC: Link
Além do Youtube, as sessões do programa estão disponíveis na RTP Play

domingo, 15 de julho de 2018

Whitney Houston na final do Mundial de Futebol 1994


por Paulo Neto

Depois de um artigo sobre a cerimónia de abertura do Mundial de Futebol de 1994 nos Estados Unidos, porque não outro sobre a cerimónia de encerramento do mesmo certame? Especialmente se a protagonista dessas festividades era nada menos que Whitney Houston.

O Estádio Rose Bowl em Pasadena recebeu a final do Mundial de Futebol de 1994


No dia 17 de Julho de 1994, após 51 jogos disputados, Brasil e Itália disputavam a final do Mundial de Futebol no Estádio Rose Bowl na cidade californiana de Pasadena, um dos municípios do condado de Los Angeles. Quem quer que ganhasse seria o primeiro país a alcançar o tetra já que tanto os canarinhos como os azzuri contavam com três vitórias no palmarés. Pelo lado do Brasil, estavam jogadores como Romário, Bebeto, Dunga, Cafu e Tafarel enquanto a Itália tinha no seu plantel nomes como Baresi, Maldini, Donadoni e Roberto Baggio (que não tinha qualquer parentesco com o colega de selecção Dino Baggio).

Mas antes do jogo, e tal como aconteceu na cerimónia de abertura, o ambiente do estádio foi preenchido com música e dança. Na altura, Whitney Houston ainda colhia os frutos do sucesso do filme "O Guarda-Costas", estava prestes a rodar o seu segundo filme, "Quatro Mulheres Apaixonadas" e tinha dado à luz a sua filha no ano anterior. Decerto que ninguém imaginaria que ela estaria apenas mais dezoito anos neste mundo.

Whitney Houston entrou no estádio de mão dada com Pelé


Whitney Houston entrou no Rose Bowl de mão dada com Pelé himself e subiu ao palco para interpretar uma medley de algumas das suas canções mais conhecidas. Eis o vídeo da sua actuação na transmissão da televisão italiana:



- Houston começou com aquele que foi talvez o seu maior hit dos anos 80, "I Wanna Dance With Somebody". Tal como no espectáculo de abertura, o relvado estava cheio de bailarinos e de figurantes. Estes seguravam bandeiras coloridas que continham o código FIFA de cada um dos vinte e quatro países participantes no Mundial. A certa altura entram mais figurantes cada um trazendo uma bandeira de cada um dos 147 países que disputaram a qualificação para este Mundial (aos 3:38 é visível a bandeira de Portugal).

- A actuação e a coreografia continuou ao som "How Will I Know".
- E claro que não podia faltar um dos temas mais emblemáticos, "I Will Always Love You". (Atenção ao rapaz de boné e T-shirt atrás de Houston que no clímax da canção, desata a fazer lipsynching).


- Ao som de "I'm Every Woman", o relvado enche-se agora de bolas insufláveis. Os bailarinos no círculo central do campo formaram também uma bola com painéis pretos e brancos.
- O espectáculo continuava com "So Emotional" e aos 11:52 vê-se novamente a bandeira de Portugal.



- Segue-se um momento UNICEF com Houston a cantar "The Greatest Love Of All" rodeada de crianças com equipamento de futebol (nem sequer faltou um petiz com uma camisola mega-fluorescente semelhante àquelas envergadas por Jorge Campos, o guarda-redes da selecção mexicana).
- A terminar em beleza, seiscentas crianças correm pelo relvado fora, são formadas duas bandeiras do Brasil e de Itália e milhares de balões coloridos são largados no estádio ao som de foguetes



Quanto ao jogo em si, esteve longe de ter a emoção deste início de festa, uma vez que não se registaram golos ao fim dos 90 minutos regulamentares e dos 30 de prolongamento, sendo por isso a primeira final de um campeonato do Mundo a ser decidida nas grandes penalidades.
Franco Baresi e Márcio Santos falharam os primeiros penaltis mas os cinco que se seguiram foram convertidos por brasileiros e italianos até que o remate de Daniele Massaro foi defendido por Taffarel ao passo que Dunga facilmente marcou na baliza de Gianluca Pagliuca. As esperanças italianas estavam agora na sua maior estrela, Roberto Baggio, que na altura ostentava o seu icónico look do rabo de cavalo com trancinhas (naqueles tempos, só mesmo um italiano para usar um penteado desses e mesmo assim exalar virilidade por todos os poros). Mas Baggio remataria ao alto e o tetra foi para o Brasil.
Enquanto um Baggio destroçado permanecia imóvel diante da baliza, os canarinhos comemoravam no relvado não faltando sequer uma homenagem a Ayrton Senna, falecido a 1 de Maio desse ano.   

Roberto Baggio foi o resto da tristeza italiana pela derrota
A homenagem da selecção brasileira ao então recém-falecido Ayrton Senna







quinta-feira, 5 de julho de 2018

Top 5 Canções de Cyndi Lauper

por Paulo Neto

Cyndi Lauper é sem dúvida uma das cantoras mais icónicas dos anos 80 e mesmo sem nunca mais se aproximar do auge da fama que teve nessa década, onde chegou a andar taco-a-taco em níveis de popularidade com Madonna, continua a ter uma carreira bem activa na música, para além de algumas incursões na representação e no activismo de várias causas que defende como os direitos da comunidade LGBT. É daquelas cantoras que, mesmo sem o êxito de outrora, toda a gente gosta de saber que ainda anda por aí a cantar e muitos artistas da actualidade citam-na como influência. Eu tenho o seu álbum de 2008, "Bring Ya To The Brink" e tenho imensa pena que este disco não tenho sido um renascimento para Lauper como "Believe" foi para Cher. 



Para este top 5 restringi-me à discografia da carreira de Cyndi Lauper no século XX, mas mesmo assim tive de deixar algumas canções na categoria de menção honrosa: "The Goonies R Good Enough" (1985), "True Colours" (1986), "The World Is Stone" (1992), "Sally's Pigeons" (1993), "I'm Gonna Be Strong" (1994) e "You Don't Know" (1996). Também não vou incluir o "We Are The World", embora as partes que ela canta sejam uma das minhas favoritas de toda a canção


5 "I Drove All Night" (1989)

Primeiro single do seu terceiro álbum "A Night To Remember", "I Drove All Night" foi o último grande hit de Cyndi Lauper nos Estados Unidos, recebendo uma nomeação para um Grammy. Escrita pela dupla Billy Steinberg e Tom Kelly, a mesma que lhe compôs "True Colours", o tema foi originalmente gravado por Roy Orbinson em 1987 mas a sua versão só seria editada em single postumamente em 1992 (com um vídeo protagonizado por Jason Priestley e Jennifer Connelly). 
No vídeo, Lauper surgia com uma imagem mais polida, abandonando as roupas espampanantes e os cabelos de cores garridas, mas mantendo alguns elementos que eram a sua imagem de marca como os seus movimentos espalhafatosos a dançar. Outra versão bastante conhecida é aquela gravada por  Céline Dion em 2003, num registo dance-pop.





4 "Change Of Heart" (1986)

O segundo single do álbum "True Colours" contava com umas convidadas bem conhecidas, as Bangles, que gravaram os coros para este "Change Of Heart", onde Cyndi Lauper canta a possibilidade de que uma amizade se torne algo mais a alguém que hesita em dar esse passo. O videoclip foi filmado na Praça Trafalgar em Londres, mas apesar disso "Change Of Heart" não fez muito sucesso em terras britânicas; em contra-partida, foi um dos seus singles mais bem-sucedidos em França. O tema continua a ser um favorito dos fãs, pelo que Lauper canta-o frequentemente nos seus concertos numa versão acústica. 



3 "She Bop" (1984)

Os anos 80 popularizaram uma mão cheia de canções sobre... o amor solitário ("Turning Japanese", "Dancing With Myself", "Shock The Monkey") e Cyndi Lauper adicionou uma perspectiva feminina a esse rol com "She Bop", um dos singles do icónico álbum "She's So Unusual". Apesar as alusões a masturbação serem facilmente perceptíveis e de até ter sido incluído na lista das quinze canções mais condenáveis pela comissão PMRC liderado por Tipper Gore, o tema passou nas rádios sem grandes censuras. O respectivo videoclip é um dos mais emblemáticos da cantora nova-iorquina com participações especiais dos wrestlers Lou Albano e Wendy Richter (na altura, Lauper era presença regular em eventos da WWF), um cenário em que um restaurante de fast food transforma pessoas em clones zombie e uma sequência em animação. Anos mais tarde, Cyndi Lauper revelou que gravou esta canção em topless e que os risos que se ouvem resultaram de cócegas auto-infligidas. 


2 "Time After Time" (1984)

Indubitavelmente uma das grandes referências na baladaria dos anos 80, "Time After Time" foi uma das últimas canções a serem escritas para o álbum "She's So Unusual". A editora inicialmente queria que este fosse o primeiro single mas Lauper opôs-se, não querendo que a sua primeira imagem junto do público fosse a de uma cantora romântica. Segundo ela, a ideia para o título surgiu-lhe enquanto folheava uma revista de televisão e deparou-se com o filme de ficção científica de 1979 "Time After Time" (título em Portugal "Os Passageiros do Tempo"). 
A canção foi escrita por Cyndi Lauper em parceria com Rob Hyman dos The Hooters, que também providenciou a voz masculina que se ouve no refrão. O videoclip contava com a participação da sua mãe Cathy, do seu irmão Butch e David Wolff, então seu namorado e manager. Tanto a escrita da canção como as lágrimas reais de Cyndi no final videoclip resultaram das dificuldades da sua relação com Wolff, que terminou em 1988. (Lauper encontraria a felicidade conjugal pouco tempo depois junto do actor David Thornton, com quem é casada desde 1991 e de quem tem um filho).

"Time After Time" foi n.º 1 nos Estados Unidos e no Canadá e é a canção de Lauper mais versionada por outros artistas, como por exemplo Miles Davis, INOJ, Novaspace, Everything But The Girl, Willie Nelson, Eva Cassidy e Anna Kendrick.



1 "Girls Just Wanna Have Fun" (1983)

Sem surpresas, a canção de Cyndi Lauper que ocupa o n.º 1 na minha lista é aquela que é sem dúvida a sua canção-assinatura. Mas sabiam que aquele que é tido como um dos grandes hinos femininas da música pop é uma versão e foi inicialmente gravada por um homem?
Robert Hazard escreveu "Girls Just Wanna Have Fun" (reza a lenda que a ideia surgiu-lhe quando estava numa banheira) e gravou-a num estilo punk-rock em 1979. Nesta versão, o ponto de vista é masculino e a "diversão" que as raparigas querem era um tempo bem passado no quarto dele. Por causa disso, Cyndi Lauper estava renitente em gravar uma versão até que ela e o produtor Rick Chertoff tiveram a ideia de, com alguns retoques na letra, convertê-la num hino feminista, com Lauper a cantar a plenos pulmões que as mulheres têm tanto ou mais direito à diversão que os homens. Certos do sucesso que o tema teria, Lauper e David Wolff convenceram a editora a lançar "Girls Just Wanna Have Fun" como o primeiro single em vez de "Time After Time" e a opção resultou, tendo sido n.º 1 na Austrália, Irlanda, Noruega e Nova Zelândia e n.º 2 nos Estados Unidos e no Reino Unido e nomeado para dois Grammys. O respectivo videoclip, vencedor de um Grammy e de um Prémio MTV, é igualmente lendário, com Cyndi Lauper a conduzir um grupo de raparigas que se transforma numa multidão para uma festa privada no seu quarto, para desespero dos seus pais (novamente Lou Albano e Catrine Dominique, a mãe de Cyndi). A roupa que ela usa no vídeo era de Screaming Mimi's uma loja de roupa vintage onde trabalhou antes de assinar o contracto discográfico.
Em 1994, Cyndi Lauper regravou a canção num estilo reggae sob o título "Hey Now (Girls Just Wanna Have Fun)" para promover o seu álbum best of "Twelve Deadly Cyns". O tema foi ainda versionado por mais de trinta artistas e foi usado em inúmeros filmes e programas de televisão.


Bónus: "Into The Nightlife" (2008)




terça-feira, 26 de junho de 2018

Saber Amar (2003)


por Paulo Neto

Sem dúvida que um dos trunfos da TVI na sua revolução do panorama televisivo no início do século XXI foi a sua aposta em telenovelas nacionais que a partir de títulos como "Jardins Proibidos", "Olhos de Água" e "Anjo Selvagem" começaram a enfrentar e eventualmente derrubar o até então inabalável domínio das telenovelas brasileiras. Em 2003, a máquina de telenovelas da TVI já estava bem oleada e por entre as estreias do género desse ano, destaca-se "Saber Amar" cuja exibição atravessou todo esse ano civil (20 de Janeiro a 6 de Dezembro).



Da autoria de Maria João Mira e do colectivo Casa De Criação, a trama da novela inspirava-se na história de "Sabrina", uma peça teatral de Samuel A. Taylor famosamente adaptada em filme em 1954 com Humphrey Bogart, Audrey Hepburn e William Holden, e na remake de 1995. 

Depois de seis anos a estudar Biologia Marinha nos Estados Unidos, Diana Alfarroba (Leonor Seixas) regressa ao Algarve onde cresceu para trabalhar no Zoo Marinho (na verdade, o famoso parque oceanográfico ZooMarine em Albufeira) onde pretende desenvolver uma terapia de golfinhos para crianças problemáticas.

Rodrigo (Rodrigo Menezes) e
Diana (Leonor Seixas)


Em tempos, Diana era uma menina sonhadora, filha dos caseiros da abastada família Macedo Vaz, que costumava assistir do alto de uma árvore às faustosas festas dadas pelo clã e com uma paixoneta especial pelo jovem Rodrigo (Rodrigo Menezes). Agora uma mulher bonita e determinada, o seu regresso vai desencadear um teia de paixões e intrigas.

Jorge (Ruy de Carvalho), o patriarca dos Macedo Vaz é conhecido tanto pelo seu olho para os negócios como pela sua excentricidade. Tem um longo e feliz casamento com Helena (Maria Emília Correia) embora esta, mais ligada ao status quo, fique frequentemente exasperada com a exuberância do marido, piorando a sua gaguez. Aposentado, Jorge passa o comando dos seus negócios ao filho mais velho João Pedro (Marcantónio Del Carlo), que herdou o talento do pai. Já os outros filhos têm outras ideias: Carolina (Patrícia Ribeiro) quer traçar o seu próprio rumo e Rodrigo não tem intenção de abandonar a sua vida irresponsável de playboy.

Rita (Dina Costa Félix)


Rodrigo está noivo de Rita Higgins (Dina Félix da Costa), filha de Mary Higgins (Ana Zanatti) uma inglesa snob há muito radicada em Portugal. O noivado dos dois jovens é essencial para selar um importante negócio e salvar os Higgins da ruína. Rita é apaixonada por Rodrigo mas este não lhe liga muito, preferindo continuar a sua vida desregrada. Contudo quando reencontra Diana, Rodrigo fica fascinado por ela e decide ir contra a família, tentando conquistá-la e rompendo o noivado, para choque de Helena e Mary. Mas vai ter um rival de peso: o próprio irmão!

João Pedro (Marcantónio Del Carlo)

Desde que a sua mulher Carmo (Ana Nave) desapareceu anos antes, João Pedro tornou-se um homem frio e taciturno, vivendo apenas para o trabalho e para os filhos. Mas Diana vai mexer com o seu coração. E com Diana dividida entre a antiga paixão por Rodrigo e os inesperados sentimentos por João Pedro, a jovem passará por alguns tormentos pessoais e profissionais, sobretudo quando Carmo regressa, tornando-se a sua principal antagonista.

Outro par romântico de destaque é o de Tião (Sérgio Praia) e Lúcia (Lúcia Moniz). Sebastian Higgins, mais conhecido como Tião, jovem empreendedor, não liga nada a convenções sociais, ao contrário da mãe e da irmã. Por isso, apaixona-se por Lúcia Vidal, prima de Diana, que trabalha como guia turística. Lúcia faz parte da divertida família Vidal que também é composta pelos pais Gracinda (Ângela Pinto) e Tolentino (Pompeu José) e os seus irmãos João (Ricardo Pereira), Joana (Joana Dias) e Óscar (Manuel Melo), mais conhecido como o "Girafa".

Girafa (Manuel Melo)


"Girafa" é uma espécie de mini Zezé Camarinha que gosta de lançar o seu bizarro mas eficiente charme às turistas, mas é Íris (Sílvia Rizzo), a dona do bar da praia, uma mulher misteriosa vinda de Lisboa quem o impressiona mais.
O actor Manuel Melo obteve este papel devido à sua participação no programa "Academia de Estrelas" sendo que duas outras concorrentes, Cláudia Marques e Vanessa Silva, tiveram também pequenos papéis na telenovela. 

Outra personagem cómica é Ana Simão, a Nicas (Inês Rosado), estudante de Arqueologia que trabalha nas ruínas da Boca do Mar. Nicas interessa-se por Tião e pretende subir na vida através dos Higgins mas os seus planos saem sempre furados, muito por culpa da atracção incontrolável que nasce entre ela e o bonitão Luís Miguel (Rui Santos), cujo fulgor fá-los passar por algumas situações comprometedoras...
O elenco da telenovela contou ainda com Milton Lopes (Zé Café), Orlando Costa (Emanuel), Ângela Ribeiro (Josefa), Margarida Cardeal (Elisete), Marco Delgado (Guga) e Gonçalo Diniz (Rui).   

Com uma trama romântica com vários laivos de humor e bonitas paisagens algarvias filmadas no Burgau, "Saber Amar" foi outra telenovela da TVI que fez sucesso na altura e cimentou o triunfo da sua aposta na teledramturgia nacional. Segundo a Wikipedia, é a telenovela mais exportada da TVI, tendo sido exibida na Rússia, na Ucrânia e em vários países da América Latina.







Além do tema do genérico que também dava nome à telenovela, "Saber Amar" dos Delfins - uma versão de 1997 de um original dos brasileiros Paralamas do Sucesso - a banda sonora incluía um tema do actor Rodrigo Menezes, "Se Tu Existes", que ilustrava as cenas românticas da sua personagem com Diana. Uns meses antes, o actor tinha editado aquele que seria o seu único álbum em vida, "Um Amor Não Morre Assim", tendo desde então preterido a música a favor da representação, tendo entrado em várias outras telenovelas da TVI (por exemplo "Doce Fugitiva" e "Meu Amor") até ao seu falecimento prematuro em 2014 aos 40 anos. Um segundo álbum foi editado postumamente. 

Rodrigo Menezes (1974-2014)
    Genérico de abertura:


Promos da estreia





Excertos da telenovela:







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