quarta-feira, 1 de julho de 2015

Herman's Head - Uma Questão de Consciência (1991-1994)

por Paulo Neto

Séries televisivas de que só eu me lembro, capítulo #749. É provável que muita gente não se recorde desta série, que eu descobri em 1993 na RTP2 e que segui durante umas férias de Carnaval que passei em convalescença. Mas eu ousaria dizer que os autores do novo filme da Disney "Divertida-Mente" devem ter bebido inspiração nesta série.
"Uma Questão de Consciência" (no original "Herman's Head") foi emitida nos Estados Unidos entre 1991 e 1994, em três temporadas. Por cá, as duas primeiras passaram de segunda a sexta à tarde na RTP 2 e a terceira na RTP 2 aos domingos à noite. Os autores da série eram Andy Guerdat e Steven Greinberg





A série contava a vida de Herman Brooks (William Ragsdale), um jovem executivo que trabalha no departamento de pesquisa de um importante império de publicações em Manhattan. Aparentemente parece o típico yuppie, ambicioso e astuto, mas facilmente se descobre que não é bem assim. No fundo Herman é inseguro, tem muito medo de arriscar e costuma meter água nos seus relacionamentos amorosos.



Isto porque a sua mente é controlada por quatro entidades que dirigem as suas decisões: Angel (Molly Hagan), é a sua sensibilidade e representa o seu lado feminino, geralmente a mais calma dos quatro, mas que sabe manipular os outros a seu favor; Animal (Ken Hudson Campbell), é sua luxúria e representa os seus desejos mais mundanos, e basicamente só se interessa por sexo e comida; Wimp (Rick Lawless) é a sua ansiedade, cheio de paranóias e manias, sendo particularmente útil em situações críticas, já que está sempre à espera do pior; Genius (Peter Mackenzie) é o seu intelecto e representa o raciocínio lógico, costuma olhar os outros com superioridade mas também ele comete os seus lapsos. Algumas vezes os quatro agem em sintonia, sobretudo em situações de dor, mas a maioria das vezes andam às turras, o que explica todos os dilemas de Herman.



O melhor amigo de Herman é Jay Nichols (Hank Azaria), um mestre de engate embora nem sempre tenha sucesso. Herman admira a sua auto-confiança mas vai descobrindo que Jay também tem as suas inseguranças. Herman também é grande amigo de Louise Fitzer (Yeardley Smith), a secretária do departamento, que tanto tem de simpática e honesta como de sarcástica e nervosa. Na terceira temporada, Louise inicia uma relação intermitente com Jay. Heddy Newman (Jane Sibbett) é a elegante e empertigada colega de Herman, com quem frequentemente entre em disputa, já que é obcecada em subir na vida e não hesita em passar por cima de qualquer um para ficar bem vista, recorrendo à manipulação e à bajulação. No entanto, os seus planos saem sempre furados. Tal como Jay, Heddy também é hábil no engate embora sem muitos resultados no que toca a arranjar um bom partido. Com o avançar da série, a animosidade entre Herman e Heddy dá lugar a atracção mútua.
Paul Bracken (Jason Bernard) é o chefe do departamento, e apesar da sua faceta de chefe autoritário e abrasivo, no fundo é um homem justo e sabe bem como são os seus subalternos, daí que valorize Herman pela sua ética de trabalho e não se deixe levar quando Heddy lhe dá graxa.

Num dos episódios, existiu uma quinta entidade na mente de Herman, a Inveja (Bobcat Goldthwait), quando ele e a sua irmã competiram pelo mesmo emprego, mas fez tantos estragos que os outros quatro expulsaram-no imediatamente. Leslie Neilsen e Jennifer Anniston tiveram participações especiais na série, ele como Deus, ela como um dos interesses amorosos do protagnista. Se a série tivesse continuado, os autores consideraram criar um quarteto mental similar para Heddy. 



De referir ainda que dois dos actores da série, Hank Azaria e Yeardley Smith, também faziam parte do elenco de vozes de "Os Simpsons" (sendo Smith particularmente conhecida pela voz de Lisa Simpson), houve alguns paralelos entre as duas séries. A personagem de Louise foi algumas vezes referida como tendo uma voz de desenho animado, e personagens de "Os Simpsons" com vozes de Azaria e Smith mencionaram "Uma Questão de Consciência". Num dos episódios chegou mesmo a haver um semelhante coro na cabeça de Lisa.

Para terminar, um facto interessante: foi durante o intervalo de um dos episódios de "Uma Questão de Consciência" em 1991 que o primeiro anúncio publicitário a preservativos foi emitido nos Estados Unidos.

Genérico 1.ª temporada:


Génerico 2.ª e 3.ª temporada:



terça-feira, 30 de junho de 2015

Janela Mágica (1983-1984)

Antes de ser um dos brindes do Bollycao, "Janela Mágica" foi o programa para os mais pequenos que substituiu "O Tempo dos mais novos" a partir de Outubro de 1983.


Quando comecei a investigar sobre este espaço televisivo a única migalha de informação que consegui encontrar online foi precisamente o genérico animado, com o estilo inconfundível de PAT (Álvaro Patrício), responsável por imensas animações dos anos cromos ["Genéricos de Álvaro Patrício PAT"].




Tudo o resto sobre o programa só encontrei da minha busca no inestimável arquivo do "Diário de Lisboa".
A grelha televisiva mudou a 17 de Outubro de 1983, e "Janela Mágica" começou no dia seguinte as emissões durante os dias de semana por volta das 18 horas. 
No fim de semana continuou a exibição de alguns dos programas d'"O Tempo dos mais novos" , mas ao contrário deste - que aos Sábados dividia a emissão em duas partes - "Janela Mágica" ficou relegado ao horário de antes de almoço.
Durante a semana eram emitidos programas como "Esquadrão das Estrelas" ("X-Bomber"/"Star Fleet" série japonesa de marionetas e ficção cientifica, ao estilo dos "Thunderbirds"), "A Pequena Nell", "Os Polis", "Canta Connosco", "Contos de Andersen", "Cláudio e Carolina", "Candy, Candy", "D'Artacão e os Três Moscãoteiros", "Histórias de Sempre", "Estrumpfes", "Belfy e Lillibit" (as aventuras de um par de duendes da floresta), "O Bicho-do-Conto", "As aventuras de Tom e Jerry", "Histórias do Paquiderme" e "O Aranhiço".
Ao fim de semana os pequenos espectadores eram brindados com séries do calibre de "Conan, O Rapaz do Futuro", "A Abelha Maia", "Bell e Sebastião", "Era Uma Vez O Espaço", "Jornalinho" ("autoria de António Santos, apresentação de Manuela Sousa Rama, Jorge Passarinho, Carlos Ribeiro e o boneco Elias") ou "D. Quixote de La Mancha" (a série espanhola de 1979), "Floresta Portuguesa" (de João Ponces de Carvalho. No vídeo o episódio 5, "A Floresta e o Lazer" emitido a 19 de Novembro de 1983), "O Jardim do Celestino", "Vasco Granja apresenta... filmes para todos", "Musti" (a primeira série do gatinho belga Musti, de 1969), "Rei Rolo" (a adaptação animada dos livros sobre o infantil King Rollo), "O Segredo do Abrigo de Montanha" e "Uma noite na Montanha" (não descobri animações com esse nome, mas poderão ser uma gralha porque estavam na lista junto a "Bell e Sebastião" que tem um episódio com um desses nomes). 

O "Jardim do Celestino", programa do comediante brasileiro-português Badaró, que na opinião do responsável pelos comentários à programação do "Diário de Lisboa" em menos de 2 meses é despromovido de "...revelação" a "execrável" :
Saiba mais sobre o programa no site "Brinca Brincando" - "Jardim do Celestino".

Gostava de destacar a programação da véspera do Natal de 1983 com uma hora de emissão dedicada a "Vasco Granja apresenta... filmes para todos", com o título "Natal na Animação". No bloco estavam incluídas três animações: "O Natal dos Cachorrinhos" ("The Pups' Christmas" (1936) de Rudolf Ising), "A Estrela de Belém" ("The Star of Bethlehem" (1956) de Lotte Reininger) e "O Príncipe Feliz" ("The Happy Prince", adaptação de 1974 do conto de Oscar Wilde por Michael Mills).
No primeiro dia de 1984, um Domingo, a emissão da "Janela Mágica" foi alargada para incluir o 26º "Sequim D'Ouro". Esse "Zecchino d'Oro 1983" teve direito a dois primeiros qualificados ex aequo: "Evviva noi" cantado por Elisa Gamberini da Roménia, e "O che bella balla" por Salome Hadji Neophytou para o  Chipre.

"Janela Mágica" foi depois substituída a 7 de Março de 1984 por "Grão a Grão", uma quarta-feira. Curiosamente, nessa segunda e terça-feira (de Carnaval) a designação "Janela Mágica" foi trocada por "Desenhos Animados" (a designação do programa que abria a RTP2 durante a semana) ás 17:30 e na terça-feira de Carnaval o "Janela Mágica" foi ao ar pela última vez, às 11 horas como ao Domingo.


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sábado, 27 de junho de 2015

Top 5 Canções das Doce

por Paulo Neto

Já há algum tempo que não se faz por aqui um top 5, não é verdade? Como tal, para recuperar a rubrica nada como recordar as minhas cinco canções preferidas das Doce, o quarteto feminino que deixou uma marca incontornável na música portuguesa dos anos 80 e uma das primeiras girlbands, (tal como esse conceito é actualmente entendido) do mundo. Mais uns anos e provavelmente teriam tido um vasto merchandising como os actuais grupos: lancheiras, bonecas, mochilas, material escolar e etc.


Tudo começou em 1979 quando, finda a actividade do seu grupo Gemini, Tozé Brito decidiu criar um novo projecto, inspirado nos grupos femininos dos anos 60 como as Supremes e as Shangri-Las mas com um toque actual e ousado. Para tal angariou três cantoras que em diferentes períodos integraram os Gemini: Teresa Miguel, Fátima Padinha e Lena Coelho, às quais foi adicionada (dizem as más línguas que sobretudo por motivos estéticos) Laura Diogo, que tinha sido Miss Fotogenia no concurso Miss Portugal. Reza a lenda que o nome do grupo surgiu durante almoço entre Tozé Brito e as quatro cantoras, quando um empregado de mesa, para perguntar o que queriam para sobremesa, disse apenas: "Doce?"
É certo já existiam as Cocktail, outro conhecido grupo feminino da altura, mas as Doce venceram sobretudo por apostarem na ousadia, dos vistosos figurinos concebidos pelo então pouco conhecido estilista José Carlos às letras que tinham como tema recorrentes os prazeres do amor e da paixão. Juntando-se a isso duas mãos cheias de hits que imediatamente cativaram o público, de miúdos a graúdos, uma dose de controvérsia (como por exemplo um célebre episódio que terá alegadamente envolvido Laura Diogo e o futebolista Reinaldo) e todos os ventos de mudança do Portugal dos anos 80, e o grupo gozou de uma frutuosa carreira aos longo dos oito anos de existência, deixando um legado que prospera até hoje. São ainda muitas as canções das Doce que perduram na jukebox mental dos portugueses, até daqueles que nasceram bem depois do auge do grupo.

Como é habitual, foi bastante difícil reduzir a lista a apenas cinco canções, e vários clássicos das Doce tiveram que ficar de fora, como "Quente, Quente, Quente", "Jingle Tónico", "For The Love Of Conchita", "OK, KO" ou "O Barquinho Da Esperança". Mas vamos então ao top 5.

#5 "É Demais" (1981)
Por incrível que pareça, ao longo da existência do grupo (1979-1987), as Doce só editaram dois álbuns de originais: "OK, KO" (1980) e "É Demais" (1981). As Doce eram portanto mais um grupo de "singles". Todavia, a faixa-título do segundo álbum é um dos maiores hits do quarteto. A letra no refrão apoteótico não deixava dúvidas sobre o que cantavam Fá, Laura, Lena e Teresa: "Então estamos sós enfim, é demais,/ A noite tão quente assim, é demais, / Lençóis de cetim e champanhe para dois, é demais!/ Da varanda, vê-se o mar, é demais/ Roupas pelo chão, pelo ar, é demais,/ O cheiro da erva nas noites de verão, é demais!" Juntando-se a isso um videoclip onde as quatro envergavam sensuais fatos de cabedal, e calculo que muito homem na altura tenha ficado com o sangue a borbulhar. Em 2000, por alturas da edição de um álbum de tributo às Doce onde participaram boybands e girlbands da altura como os Milénio, as Tayti, as Baby, os D'Arrasar bem como nomes como Mónica Sintra e o brasileiro Netinho, Teresa Miguel e Lena Coelho regravaram esta canção em parceria com Carlos dos Excesso.

Actuação no programa "Sabadabadu":



#4 "Bem Bom" (1982)
Não podia faltar a esta lista a canção com que as Doce venceram o Festival da Canção, uma pérola pop com um pé no disco e outro no malhão. O grupo participou quatro vezes naquele que durante muito tempo foi o maior certamente da música nacional, primeiro em 1980 com "Doce", no ano seguinte com a canção que vem a seguir nesta lista, tendo ganho à terceira em 1982 e ainda tentando mais uma vez a sorte em 1984 com "O Barquinho da Esperança", com letra de Miguel Esteves Cardoso. Foi no entanto, vestidas de mosqueteiras que triunfaram por cá com "Bem Bom" e representaram Portugal no Festival da Eurovisão de 1982 em Harrogate (Inglaterra). Por lá ficaram pelo 13.º lugar mas a actuação deixou a sua marca na história do evento. (Por exemplo, na gala que se realizou este ano em honra do 60.º aniversário, a única referência a Portugal foi um excerto da performance das Doce). E claro, está em Portugal, "Bem Bom" continua a ser uma das nossas canções eurovisivas mais populares de sempre e não há tuga que não tenha trauteado o refrão "Uma da manhã/ Ei! Bem bom, duas da manhã./ Bem bom, já três da manhã./ Ei! Bem bom, quatro da manhã/Bem bom, cinco da manhã./ Ei! Bem bom, já seis da manhã./ Bem bom, sete da manhã. / Ei! Bem bom, oito da manhã. / Bem bom, café da manhã para dois sem saber o que irá depois./Bem bom." Em 2003, uma nova versão do tema foi usada para promover mais um álbum best of, "Doce Mania", que reunia os principais hits das Doce e novas remisturas e em 2008, Rui Reininho fez uma inesperada e curiosa versão para o seu primeiro álbum a solo.

Actuação no Festival da Eurovisão de 1982:



#3 "Ali Babá (Um Homem Das Arábias)" (1981)
Mais um dos grandes hits do grupo. "Ali Babá (Um Homem Das Arábias)" foi o tema com que as Doce concorreram ao Festival da Canção de 1981, e como se impunha, actuaram vestidas de odaliscas. Ficaram-se desta vez pelo quarto lugar mas o tema fez bastante sucesso e é daqueles que vem logo a memória quando se fala nas Doce e que toda a gente já trauteou. Tudo graças a uma fusão de sons orientais com batida pop, o refrão básico e repetitivo "Ali Babá, Babá Bali" e claro, mais uma letra em que as quatro entoavam em uníssono versos como: "Fui a tua serpente tão enfeitiçada, com música mágica na tua flauta encantada". Recordo-me que na dobragem portuguesa do Dragon Ball Z, houve altura em que a personagem do Bubu, interpretada por Joaquim Monchique, fazia negaças a Songoku e companhia cantando: "Ali Bubu, Bubu Buli...

Actuação no programa "Eu Show Nico":

    

#2 "Amanhã De Manhã" (1980)
Foi o primeiro single das Doce, mesmo no início da década, e marcou o padrão do repertório do quarteto: batida dançável, letra sobre os prazeres do amor a dois e refrão pegadiço. E o resto foi história. Mais uma vez, não haverá ninguém neste país que  nunca resistiu a cantar o refrão: "Vamos acordar e ficar a ouvir/ A rádio no ar, a chuva a cair./ Eu vou-te abraçar e prender-te então/ No corpo que é meu, na cama, no chão/ Os nossos lençóis, a colcha de lã/ Eu vou-te abraçar amanhã de manhã." O tema teve um breve ressurgimento em 2003, não só pela sua inclusão na já referida compilação "Doce Mania" editada nesse ano, mas também por fazer parte da banda sonora da telenovela da TVI "Queridas Feras", nomeadamente nas cenas da personagem interpretada por Inês Castelo Branco. E em 2007, num momento único, Teresa Miguel, Fá Padinha e Lena Coelho reuniram-se para cantar "Amanhã de Manhã" no programa "Febre de Sábado de Manhã".

Actuação no programa "O Tal Canal":

     

#1 "Starlight" (1983)
Surpreendidos com esta minha escolha para o n.º 1? Certo, não será das canções da Doce que vêm logo à mente, mas é a minha preferida. Após a participação no Festival da Eurovisão de 1982, surgiram vários convites para actuações no estrangeiro, em países como Espanha, Brasil, Estados Unidos e Filipinas. Como tal, visando uma eventual projecção internacional, as Doce gravaram alguns temas em inglês. Um deles é este "Starlight" do qual não me recordava na altura mas que mais tarde descobri e tornou-se a minha canção favorita das Doce. Basicamente, é a canção que os ABBA e os Ultravox fariam se alguma vez juntassem esforços. Para quem não conhece este tema, recomendo vivamente a sua audição.

Actuação no programa "O Foguete":




Além dos quatro membros oficiais, havia ainda uma Doce suplente, que não era ninguém menos que Fernanda Sousa (Ágata), que substituiu Lena Coelho durante a gravidez desta e depois Fá Padinha, quando esta anunciou em 1986 a sua saída do grupo para uma tentativa carreira a solo. O fim das Doce deu-se em 1987 com o lançamento do álbum best of "Doce 1979-1986" que reunia os singles do grupo e alguns temas inéditos e com uma emotiva actuação final em televisão no "Clube Amigos Disney". Depois, Fá Padinha foi a primeira esposa do primeiro ministro Pedro Passos Coelho, de quem teve uma filha. Laura Diogo dedicou-se ao outro lado da indústria musical, tendo sido manager de artistas como os Sitiados e Sara Tavares e co-apresentou algumas sessões do programa da RTP "Os Reis do Estúdio" com Luís Varatojo e vive já há vários anos nos Estados Unidos onde exerce psicologia. Lena Coelho esteve envolvida em vários projectos musicais (do pop/rock da banda "Lena Coelho & Sucesso" ao fado, seguindo as pisadas da sua mãe, a fadista Helena Tavares) e de representação (no teatro de revista e séries televisivas como "Ricardina & Marta" e "O Bairro da Fonte") e em 2007, formou uma versão júnior das Doce, as Doce Mania, que chegaram a actuar no Rock In Rio de 2008. Teresa Miguel continua a cantar esporadicamente e sempre que os media querem relembrar as Doce, ela marca sempre presença. Nessas entrevistas, Teresa revela amiúde que ainda se surpreende como passados tantos anos, a música e o legado das Doce continua tão vivo e a conquistar novas gerações.

"Rainy Day/O Barquinho da Esperança", actuação no programa "Clube Amigos Disney":

  

    
   

terça-feira, 23 de junho de 2015

Alice No País Das Maravilhas (1983)

por Paulo Neto

No que toca a adaptações em animação de clássicos infantis, o poderio da Disney é de tal forma dominante que quando pensamos nas personagens dos contos infantis, tendemos a imaginá-las conforme o estúdios da Disney rabiscaram-nas. Por exemplo, pensamos logo na Branca de Neve com o laçarote azul e vestido de mangas de balão, na Pequena Sereia com a longa e flutuante cabeleira ruiva, no Aladino com o colete roxo e o nariz à Tom Cruise ou na Malévola de "A Bela Adormecida" com o toucado em forma de chifres. 
Mas para quem cresceu anos 80, existe uma excepção: a Alice do País das Maravilhas. Sim, tal personagem lembra a Alice da Disney de cabelos louros e vestido azul, só que esta tem uma rival de peso na Alice da série anime dos anos 80, de chapéu e vestido vermelho e avental branco. É o meu caso pois, até como nunca vi o filme da Disney por completo, tendo a ver a Alice da série animada como a minha Alice definitiva e foi uma série que acompanhei com muito agrado. 

A série animada (Fushigi no kuni no Alice) era uma co-produção de 1983 entre Japão e Áustria e foi exibida pela primeira vez em Portugal em 1987, no incontornável "Brinca Brincando". Tal como o filme da Disney, adaptava as aventuras imaginadas por Lewis Carroll e publicadas em dois volumes: "Alice No País Das Maravilhas" e "Alice Do Outro Lado Do Espelho". De seu verdadeiro nome Charles Lutdwige Dodgson, Lewis Carroll foi durante a sua vida mais conhecido pelo seu trabalho como matemático. Reza a história que Carroll inventou essas histórias para entreter a pequena Alice Lidell e as suas irmãs ao longo de um passeio pelo rio Tamisa.

A série animada teve 52 episódios e apresentava algumas variações criativas em relação aos livros, nomeadamente o facto de Alice entrar e sair do País Das Maravilhas em cada episódio, o que faz do dito lugar mais um fruto da imaginação de Alice do que um universo paralelo dos livros e do filme da Disney.



Alice é uma menina de sete anos que vive nos arredores de Londres. Ao contrário da irmã Célia, que passa vida agarrada aos livros, Alice prefere brincar no jardim e aborrece-se com as formalidades impostas pelos seus pais. Um dia, ao visitar uma loja de antiguidades em Londres, Alice descobre dentro de um cartola um simpático coelhinho branco, o Benny Bunny que se torna o seu novo companheiro de brincadeiras. A certa altura, Alice descobre que Benny Bunny consegue falar e através dele, ela entre no País das Maravilhas onde conhece personagens tão estranhas como a Rainha de Copas, o Coelho Branco tio de Benny Bunny, o rei e a rainha dos Xadrez, os gémeos Tweedledee e Tweedledum, o dragão Jabberwocky ou o ovo Humpty Dumpty com quem vive bizarras e divertidas aventuras.



Outras diferenças da série consistiam na existência em personagens que não existiam nos livros como Benny Bunny ou Don Fernando (uma espécie de clone de Dom Quixote) bem como várias histórias que foram criadas propositadamente para série, o maior destaque à vida familiar de Alice (normalmente era uma situação vivida no núcleo da família de Alice que despoletava o tema de cada episódio) ou novas características das personagens originais. Por exemplo, embora aqui a Rainha de Copas fosse tão antipática e despótica como a dos livros e a do filme da Disney, era mais fácil de ser levada à razão, sobretudo por Alice, e embora passasse a vida a ameaçar cortar a cabeça de quem a desagradava, o máximo que fazia era aprisionar alguém por uns tempos. 



A dobragem portuguesa da série foi dirigida por João Lourenço e incluía nomes como Carmen Santos, Isabel Ribas, António Feio, Ermelinda Duarte, Luís Mascarenhas, Manuel Cavaco, Luísa Salgueiro e Argentina Rocha. Uma vez que a versão que a RTP adquiriu foi a alemã, ficou na memória o tema do genérico, interpretado na língua germânica por Lady Lily: "Alice, Alice im Wunderland..."

Durante a exibição da série em Portugal, foi comercializada a respectiva caderneta de cromos, distribuída pela Impala, cujas saquetas podiam conter senhas que podiam ser trocadas por bonecos de PVC. A série foi reexibida em 1989 na RTP e em 1994 na TVI e já teve várias edições em VHS e DVD, incluindo em 2005 uma edição de DVD da Planeta DeAgostini.




Genérico:



Tema do genérico (versão integral em inglês):


Excerto do episódio 37:




sábado, 20 de junho de 2015

Tubarão (1975)


Além de deixar os espectadores com um medo insuportável de ir à praia, piorar a fama dos tubarões e de apresentar ao Mundo o talento do então jovem realizador Steven Spielberg, o "Tubarão" ("Jaws" no original) inaugurou a época dos blockbusters. Claro que sempre existiram grandes êxitos e épicos de bilheteira, mas Tubarão e o primeiro Star Wars em 1977 levaram as bilheteiras a outro nível. A Wiki define blockbuster como um fenómeno cultural, entretenimento rápido mas que permanece com os espectadores. Exemplo disso é que passadas 4 décadas da estreia de "Tubarão", várias cenas, citações e a banda sonora são parte da cultura pop.
A minha homenagem ao icónico poster.


O filme estreou nos EUA a 20 de Junho de 1975, mas curiosamente, só chegou a Portugal quase 2 anos depois, no inicio de Abril de 1977. No entanto, a página do IMBD indica a estreia no nosso país a 25 de Março de 1977, mas os seguintes recortes de imprensa desmentem essa data. No nosso país vizinho, a estreia foi em finais de 1975. Hoje em dia, tanta dilatação de tempo entre a premiere a estreia em Portugal está reservada quase exclusivamente para fracassos de bilheteira. Foi uma situação estranha, um tão grande êxito internacional demorar tanto para chegar às nossas costas. Terão as bobines vindo a nado?

"Diário de Lisboa - 1 de Abril de 1977" - Crítica de Jorge Leitão Ramos

"Diário de Lisboa - 9 de Abril de 1977"

"Diário de Lisboa - 1 de Abril de 1977"



Como anunciado na imagem acima, "Não aconselhado a menores de 13 anos", "O Tubarão" é um dos filmes de terror mais famosos e tem um plot simples (mas com bastante nas entrelinhas): o serial killer é um gigantesco tubarão branco (Carcharodon carcharias). Mas ao contrário do senso comum e da opinião do sheriff  Brody (Roy Scheider , de "Blue Thunder", "2010", "SeaQuest DSV") o mayor da resort de Verão Amity Island decide manter as praias abertas ao público, para facturar com o feriado de 4 de Julho. Mas como os ataques não param, a "época de caça" é aberta e Brody recruta o oceanógrafo Matt Hooper (Richard Dreyfuss, de "Encontros Imediatos do Terceiro Grau") e Quint (Roberto Shaw, de "007 - Ordem Para Matar", "A Golpada", "O Abismo"), um pescador profissional de tubarões para pararem o predador de vez.
O material que deu origem à película foi o romance homónimo, o bestseller "Jaws" (1974), da autoria de Peter Benchley (também responsável pelo guião). Li há alguns anos, além das óbvias diferenças entre escrever um livro e adaptá-lo ao ecrã, o tom é bastante distinto, mais deprimente, nem recordo se cheguei a acabá-lo. 

O trailer da época:

Um trailer remontado por um fã, ao estilo actual, para assinalar o 40º Aniversário em 2015:


A icónica banda sonora, criada por John Williams - o premiado compositor que inspirou as gerações seguintes de artistas da música para cinema e televisão - é minimalista, mas inquietante. Junto com as imagens conseguiu criar um grande feito de antecipação e suspense. Uma das curiosidades mais famosas do filme é que o constante mal funcionamento do principal tubarão mecânico - apelidado de Bruce, se não me engano - obrigou a filmar de modo a mostrar o mínimo possível do "animal"; o que deu origem a várias cenas do ponto-de-vista do tubarão muito eficazes. É impossível alguém (a não que estivesse enterrado na areia nos últimos 40 anos) ouvir os simples acordes do "tema do tubarão" - tã-tã - (tocados numa tuba; e usado e homenageado até à exaustão num sem fim de filmes e séries), não sinta a presença ameaçadora de um tubarão prestes a arrastar-nos para as profundezas. 
O filme, além da vitória nos Óscares de Melhor Banda Sonora, Montagem e Som, foi premiado e nomeado para várias categorias dos BAFTA, Globos de Ouro (não os da SIC), WGA, Grammys, etc.
Como sabido, só tive leitor de VHS no final dos anos 90, e não sendo nascido na altura da estreia, só conhecia o "Tubarão" da televisão. Recordo de ver uma vez numa pequena TV a preto e branco, daquelas a bateria para levar de férias, numa noite de verão no escurinho da salinha de estar na casa da ilha e apanhar um cagaço gigantesco durante uma cena subaquática [aqui]. Que susto apanhei nessa noite! Curiosamente, a minha mãe diz que é essa mesma cena a que melhor se recorda, de quando viu o "Les Dents de la mer" em 1976 num cinema de Marsella. Invejo que viu este num ecrã gigante!

Leitores: viram no cinema ou TV? E ficaram com medo de ir à praia?

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sexta-feira, 19 de junho de 2015

"Boys (Summertime Love)" Sabrina (1987)

por Paulo Neto

Sabrina é um substantivo que evoca vários conceitos. Os sapatos rasos popularizados por Audrey Hepburn no filme de 1954 com esse nome, o antigo electrodoméstico para limpar alcatifas que alguns de nós ainda vimos em casa das nossas avós, a série juvenil da viragem do século com Melissa Joan Hart no papel principal, uma das colecções famosa editora de romances cor de rosa Harlequin, o stagename sob o qual a cantora Maria Teresa Vila-Lobos representou Portugal na Eurovisão em 2007...

No entanto, para aqueles que cresceram nos anos 80, o mais provável será que o nome Sabrina evoque a imagem da cantora italiana Sabrina Salerno que deixou a sua marca indelével na memória colectiva dos anos 80, com todos os seus argumentos (especialmente dois deles).


Norma Sabrina Salerno nasceu em Génova a 15 de Março de 1968. Depois de ter ganho um concurso de beleza na sua região de Liguria, iniciou uma carreira de manequim e em 1984, já dava o ar da sua graça na televisão italiana. Em mais um de tantos casos em que agentes discográficos indagaram "Ena, esta miúda é muito gira, será que sabe cantar? Se sim, toca a oferecer-lhe um contrato!", em 1985 enveredou pela carreira musical, lançando o seu single "Sexy Girl", que fez sucesso em Itália e na Alemanha. Tendo Sabrina a voz, o look e a predisposição de cantar em inglês, ficou bem claro para a sua editora que ela tinha o potencial para ser uma artista internacional. O resto foi história.

Lançado em Maio de 1987, "Boys (Summertime Love)" foi o primeiro single do seu álbum de estreia (originalmente intitulado "Sabrina") e sua batida italo-dance dançável e letra estival tornaram-no num dos hinos desse Verão um pouco por toda a Europa (N.º 1 em França e na Suíça, top 5 em quase todos os países da Europa ocidental). Mas claro está, o principal ingrediente para o sucesso foi o videoclip que perdurou na memória de todos aqueles viveram nesse tempo. (Reza a lenda que muitos rapazes tiveram pela primeira vez uma certa reacção anatómica ao verem o videoclip).


Ao ponto de ser difícil evocar os anos 80 sem recordar a imagem de Sabrina em alegre diversão numa piscina, envergando um biquini branco cuja parte de cima parecia gritar "Socorro, não consigo conter todo este peito!", pelo que volta e meia via-se Sabrina puxar a dita peça para cima. Certamente um estado de aflição que apenas as tangas de Kim Kardashian devem ter experimentado de forma semelhante... Mas apesar de todo o destaque dado a toda a acção do biquini branco de Sabrina, o videoclip continha mais duas imagens que ficaram na minha memória: a do empregado a entrar todo vestido piscina adentro para servir um cocktail a Sabrina e a de um figurante, entre avanços e recuos, a dar um caricato salto da prancha. O vídeo foi originalmente filmado como um segmento para um programa italiano de variedades, mas após uns retoques e adição de certos elementos para desviar um pouco a atenção da principal atracção do vídeo, foi utilizado como o videoclip principal. 
E claro, ficou também para a eternidade a famosa cantilena: "Boys, boys, boys, as mamas da Sabrina, boys, boys, boys, parecem gelatina."

 

O single seguinte foi "Hot Girl" que apesar de não ter tido tanto sucesso como "Boys", mais uma vez deixou a sua marca, pelo menos em Espanha. Isto porque durante uma performance no programa de passagem de ano de 1987 para 1988 da TVE, no meio de um rodopio coreográfico, o top de Sabrina foi incapaz de cumprir a sua função.



Mas aquele que será porventura o segundo maior hit de Sabrina é "All Of Me (Boy Oh Boy)", o primeiro single do seu segundo álbum de 1988 (com o também originalíssimo título de "Super Sabrina"), da autoria da mais requisitada equipa de compositores/produtores da altura os britânicos, os Stock, Aitken & Waterman. O tema foi particularmente bem sucedido na Finlândia, onde chegou ao n.º 2 do top local e assegurou que Sabrina não fosse uma one-hit wonder.

A partir daí, a carreira de Sabrina cingiu-se sobretudo ao seu país, com um ou outra sucesso fora de portas. Em 1996, esteve em Portugal para promover o álbum da altura "Maschio Dove Sei", tendo actuado em programas como "Parabéns" e "Big Show SIC". Além disso, aqui em Portugal, ainda temos bem presente a sua inesperada aparição no programa dos Gato Fedorento para o réveillon de 2007/2008, onde cantou o seu hit de assinatura e mostrou que, quase com 40 anos, ela ainda estava aí para as curvas. 



  

Sabrina em 2010
Actualmente, Sabrina continua bastante activa, actuando em eventos relacionados com os anos 80 um pouco por toda a Europa, participando em programas de televisão e editando ocasionalmente um ou outro single. Por exemplo em 2010, gravou uma versão do hit dos Blondie "Call Me" em dueto com a igualmente icónica Samantha Fox. Felizmente que esta colaboração entre as duas não aconteceu nos anos 80, senão muitos rapazes não teriam resistido a tamanho ataque de alvoroço hormonal.


  


ACTUALIZAÇÃO: O nosso seguidor Nuno Feijó referiu na página da Enciclopédia de Cromos a existência de um jogo de ZX Spectrum que tinha Sabrina como personagem central. O título é "Sabrina Walkthrough".








 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Batman Forever - Figuras e veículos (1995)

Para assinalar a semana em que se comemora - discretamente, porque as pessoas de bem não admitem que se divertiram - o 20º Aniversário da estreia norte-americana de "Batman Forever", que só chegaria a Portugal em Agosto com o título "Batman para Sempre"; fui vasculhar no arquivo fotográfico em casa e encontrei este anúncio à linha de brinquedos lançados pela Hasbro ("Transformers", "G.I. Joe") com o filme de Joel Schumacher.
Vejamos então as figuras e veículos desta colecção de 1995, que incluía o obrigatório Batmobile, o Batplane e as versões mini de Val Kilmer e Chris O'Donnell, respectivamente Batman e Robin:


"Depois de veres o filme "Batman Forever" no cinema, as aventuras continuam em tua casa. Com esta fantástica colecção de figuras e veículos de "Batman Forever", terás tudo o que precisas para recriar o espectacular ambiente de Gotham City. "Batman Forever" é diversão para sempre. Começa já a tua aventura."

Quem teve e brincou com estes?

Publicidade fotografada e editada por Enciclopédia de Cromos, retirada da revista que adaptou o filme em banda desenhada "Batman Para Sempre" (1995), da Editora Abril.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".
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