sexta-feira, 19 de abril de 2019

Miss Universo 1989

por Paulo Neto

Quando a televisão parava o país, qualquer transmissão fora da programação habitual era algo aguardado com grande expectativa. Muitas dessas transmissões continuam até hoje, algumas ainda com alguma notoriedade como o Festival da Canção e o Festival da Eurovisão, outras já sem captar tanta atenção como outrora, como os concursos de beleza, em especial a eleição da Miss Universo.
Em alguns países, sobretudo na Ásia e na América Latina, ainda é um acontecimento (por exemplo, nas Filipinas, uma compatriota ganhar a Miss Universo está ao nível de Portugal ganhar uma grande competição de futebol), mas na Europa e até mesmo nos Estados Unidos, os concursos de beleza em geral sejam cada vez mais vistos como uma instituição decadente e que não se coaduna com aquilo que deve ser valorizado nas mulheres. Pessoalmente, embora ache extremamente injusto valorizar as pessoas, sobretudo mulheres, pelo seu aspecto físico, não creio que aquelas que participam em concursos de Misses sejam pessoas de pouca inteligência e substância e que estejam a ir contra os avanços das mulheres nas sociedade - até porque muito que a beleza ajude, só dá para ir a um certo ponto se não se tiver algo mais na cabeça do que um belo penteado. 

Seja como for, nos meus tempos de petiz devorador de televisão, lembro-me de aguardar com expectativa as transmissões da RTP primeiro da Miss Portugal e depois da Miss Universo, onde a nossa candidata iria participar. Já falei aqui sobre as vencedoras do título da mais bela do Universo nos anos 80, 90 e entre 2000 e 2004, mas agora decidi analisar uma dessas edições, que recordo-me de ter visto na altura na televisão e que teve bastantes momentos cromos.



A eleição da 38.ª Miss Universo, correspondente ao ano de 1989, teve lugar a 23 de Maio desse ano em Cancún no México. Os apresentadores foram dois actores da série "Dinastia", John Forsythe (também conhecido como a voz do famoso Charlie dos Anjos) e Emma Samms, e a Miss Universo 1982 Karen Baldwin a fazer o comentário dos bastidores.

John Forsythe

Portugal foi representado por Ana Francisca Sobrinho, que competiu com candidatas de outros 75 países: Alemanha, Argentina, Aruba, Austrália, Áustria, Bahamas, Bélgica, Belize, Bermudas, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia (do Sul), Costa Rica, Curaçao, Dinamarca, Equador, Egipto, El Salvador, Escócia, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Finlândia, França, Gibraltar, Grécia, Gronelândia, Guatemala, Guam, Haiti, Holanda, Honduras, Hong Kong, Ilhas Caimão, Ilhas Marianas do Norte, Ilhas Turks & Caicos, Ilhas Virgens Americanas, Ilhas Virgens Britânicas, Índia, Inglaterra, Irlanda, Islândia, Israel, Itália, Jamaica, Luxemburgo, Malásia, Malta, Maurícias, México, Nigéria, Nova Zelândia, Noruega, País de Gales, Paraguai, Peru, Polónia, Porto Rico, Portugal, República da China (Taiwan), República Dominicana, São Vicente & Grenadinas, Singapura, Sri Lanka, Suriname, Suécia, Suíça, Tailândia, Trinidad & Tobago, Turquia, Uruguai e Venezuela.



Nesse ano também as próprias candidatas também tiveram a oportunidade de fazer uns biscates como apresentadores. Aliás, as primeiras imagens da transmissão foram a de três candidatas: a do país anfitrião, Adriana Abascal do México, com um sombrero na cabeça, Camille Samuel expressando o seu orgulho em ser a primeira participante da nação caribenha de São Vicente e Grenadinas, e Joanna Gapinska da Polónia, o único país da Europa de Leste presente no certame. Seguiu-se depois aquela que terminaria o seu reinado nessa noite, a Miss Universo 1988, Porntip Nakhirunkanok da Tailândia. 



Como é habitual, o espectáculo arrancou com a famosa parada de nações com as 76 candidatas a dançar ao som de "Hot Hot Hot" envergando trajes típicos dos seus países. No entanto, ao contrário de anos anteriores, em que as concorrentes se apresentavam por ordem alfabética dos seus países, nesse ano, elas foram anunciadas por zonas continentais, começando pela América Norte e Central (onde curiosamente foi incluída a Miss Islândia), Ásia e Oceânia, Europa e Ilhas Britânicas (com a Miss Portugal trajada de noiva minhota), América do Sul, uma zona designada como As Ilhas que incluía nações insulares da Caraíbas, do Pacífico e do Índico e Mediterrâneo, África e Médio Oriente. Por fim foi anunciado que a Miss Brasil, Flávia Cavalcanti, venceu o prémio de melhor traje nacional. 

Depois vamos poder conhecer as 76 candidatas mais em pormenor num segmento filmado nas belíssimas paisagens de Cancún. Por exemplo, a Miss Hong Kong é actriz e apresentadora no seu país, a Miss Ilhas Caimão é uma mergulhadora certificada, a Miss Noruega é cinturão azul de karaté, a Miss Escócia pretendia ter a sua própria agência de publicidade, a Miss Sri Lanka adora filmes de terror, a Miss Guam é reservista no exército dos Estados Unidos e a Miss Trinidad & Tobago quer ser a primeira mulher do seu país a fazer skydiving.
Em seguida, Karen Baldwin explica como decorreram as provas preliminares para a escolha das dez semifinalistas e após uma demorada pausa, Emma Samms refere que ao longo daqueles dias, algumas das candidatas contaram as suas histórias para a produção. É o caso da Miss Porto Rico que em pequena via os seus irmãos com um livro nas mãos e ela decidiu fazer o mesmo e ainda hoje é os livros são o seu objecto preferido.

Após o intervalo, as quatro candidatas das Ilhas Britânicas (Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales) saúdam os telespectadores de volta.
Antes de anunciar as dez semifinalistas, John Forsythe anunciou que dois anos antes, aconteceu um feito histórico. Pela primeira vez, foi eleita uma Miss União Soviética, Julia Sukhanova - que vá-se lá saber porquê, Forsythe anunciou com "Forunova" - e imagens da sua coroação foram apresentadas ao som de uma estranha música que mais parecia que havia alguém literalmente a martelar na Cortina de Ferro. Devido à sua coroação tardia, Julia não esteve presente em Cancún mas deixou uma mensagem em que expressou a sua alegria de a partir do próximo ano, a Miss União Soviética poder competir na Miss Universo e o seu desejo de, no espírito de fraternidade, um dia ver uma edição da Miss Universo a ser realizada na União Soviética. (Esse dia chegaria em 2013 quando a edição da Miss Universo desse ano realizou-se em Moscovo, embora doze anos após o colapso da União Soviética).



E eis-nos chegados ao anúncio das dez semifinalistas que, como era hábito na altura, desceram pelo cenário para tomar o seu lugar no posto designado ao top 10 ao som de versões instrumentais canções populares da época.
Por ordem (aleatória) de anúncio, as dez semifinalistas foram: Miss Alemanha - Andrea Stelzer (ao som de "Together Forever" de Rick Astley), Miss Chile - Macarena Mina (ao som de "Get Out Of My Dreams, Get Out Of My Car" de Billy Ocean), Miss Jamaica - Sandra Foster, Miss Venezuela - Lisa Ljung, Miss Holanda - Angela Visser, Miss Estados Unidos - Gretchen Polhemus (ao som de "Tell It To My Heart" de Taylor Dayne), Miss Suécia - Louise Devrenstam, Miss Polónia - Joanna Gapinska (ao som de "You Came" de Kim Wilde), Miss Finlândia - Äsa Lovdahl (ao som de "I Heard A Rumour" das Bananarama) e Miss México, Adriana Abascal.

Estávamos portanto perante um confronto entre a Europa (Alemanha, Holanda, Suécia, Polónia e Finlândia) e as Américas (Chile, Jamaica, Venezuela, Estados Unidos e México). Ao contrário do ano anterior, onde foi o continente dominante, nenhuma representante da Ásia seguiu em frente e ao continente africano restou-lhe apenas o facto da Miss Alemanha ser de origem sul-africana. E podia-se dizer que a Suécia estava triplamente presente no top 10, pois além da Miss Suécia, a Miss Venezuela era de origem sueca e a Miss Finlândia pertencia à minoria sueca do seu país.  

Anunciado o top 10, Emma Samms referiu que a partir de agora a competição recomeçava do zero e revelou alguns dados históricos como o facto de nenhum país até então ter ganho dois anos consecutivos mas três das últimas das vencedoras forma da Venezuela (e este país seria de facto o primeiro país a vencer duas vezes seguidas em 2008 e 2009) e que a primeira Miss Universo, em 1952, era da Finlândia. Depois veio uma vinheta em que a Miss Holanda (que por motivos que mais adiante se saberão, teria muito destaque ao longo desta transmissão) refere que no seu país as mulheres tem um estatuto semelhante aos dos homens, em que muitas elas querem ter uma carreira embora também continuem a querer uma família como era o caso dela.



A competição final arranca com a prova da entrevista em que estas dez beldades terão a oportunidade de mostrar que não apenas umas carinhas larocas. Emma Samms explica que após cada entrevista, os telespectadores poderão ver as pontuações do júri e antes de ela acabar de falar, já Karen Baldwin assume a sua função de entrevistadora e chama a Miss Alemanha. Eis o que ficamos a saber sobre cada uma das dez candidatas.
- A Miss Alemanha está de momento a escrever um livro sobre a sua carreira como modelo e nos concursos de beleza.
- A Miss Chile acha que os filhos devem viver com os pais até aos 21/22 anos e é admiradora da poetisa chilena Gabriela Mistral.
- A Miss Jamaica estuda publicidade e quando confrontada com a ética na publicidade sobre convencer pessoas a comprar coisas que não precisam, respondeu que uma das alegrias na vida é poder usufruir de um pouco de luxo.
- Com apenas 18 anos e nascida na Suécia, a Miss Venezuela media 1,88m mas nunca se sentiu incomodada por isso. A injustiça deixa-a triste e uma conversa sincera fá-la feliz.
- A Miss Holanda fala cinco línguas: neerlandês, alemão, francês, espanhol e inglês. Comparado com o mexicano, ela considera o povo holandês mais moderado e menos temperamental.
(Pelo meio, há mais um confessionário onde a Miss Ilhas Caimão se queixa da coscuvilhice no seu país, por ser uma comunidade tão pequena.)
- Graças à Miss Estados Unidos, que vinha do Texas, ficamos a saber que o comércio e venda de gado não é assim muito diferente do que as actividades da bolsa. Curiosamente esta era quinta vez consecutiva que uma texana representava os Estados Unidos na Miss Universo. 
- A Miss Suécia é companheira de quarto da Miss Finlândia como vieram juntas até ao México, e quando perderam a ligação em Nova Iorque, alguém levou-as a visitar a Big Apple (vá lá que não foram intrujadas!). Na Suécia, ela é cabeleireira de profissão e não se faz rogada quando tem de explicar às clientes quando é impossível fazer-lhes um penteado exactamente igual ao das estrelas de cinema.
- A Miss Polónia teve uma arma secreta para se preparar para esta competição: foi praticante de ginástica durante nove anos. Como não podia deixar de ser, foram-lhe feitas perguntas sobre os países do bloco comunista, à qual foi muito diplomática a responder. Apesar de ter uma intérprete para lhe traduzir as perguntas em polaco, ela respondeu em inglês e teve alguns percalços, o que não a impediu de obter uma boa pontuação.
- A Miss Finlândia estuda economia e tem aulas de inglês e alemão, pois pretende representar empresas do seu país no estrangeiro. De acordo com ela os homens finlandeses são simpáticos, de sentimentos profundos e de confiança. (E será que chegou mesmo a conhecer Barbara Bush?).
- Claro que a Miss México foi recebida com uma grande ovação. Ela sonha em ser actriz e gostava mais de fazer de vilão do que boazinha.

Antes do intervalo, mais um confessionário com a Miss Irlanda que mostra o seu talento para o desenhando, esboçando o retrato de um operador de câmara mexicano.
E depois do intervalo, a Miss Austrália, Karen Wenden, e a Miss Ilhas Turks & Caicos, Sharon Simons, anunciam-se uma à outra como as vencedoras dos títulos de Miss Fotogenia e Miss Simpatia respectivamente.
Antes de começar a ronda do desfile em fatos de banho, John Forsythe revela quem são os membros do júri. E eis que acontece um percalço que certamente provocou palpitações na régie pois Forsythe não anunciou o segundo elemento do júri, o caracterizador Phil Richards. Mas parece que afinal que esse elemento não constava do teleponto pois viu-se uma mão a entregar-lhe um papel com o nome e a descrição desse elemento que faltava. 


Na ronda do fato de banho, as concorrentes ainda desfilavam então na passerelle com o fato de banho de uma peça, já que os biquínis só foram introduzidos na Miss Universo já bem nos anos 90. Enquanto desfilavam pelo palco, podíamos ouvir as candidatas a contaram mais coisas sobre si em voz off. Andrea (Alemanha) gostava de conhecer o Presidente do seu país. Macarena (Chile) voltou a referir a sua admiração pela poetisa Gabriela Mistral, Prémio Nobel da Literatura em 1945. Sandra (Jamaica) diz que por onde querem que andem, os jamaicanos quando se encontram é como se estivessem em casa. Lisa (Venezuela) sente-se mais próxima de cultura dos índios mexicanos desde que leu o livro "Azteca". Angela (Holanda) recomenda que se tivéssemos de conhecer apenas uma pessoa no seu país, seria a Rainha Beatriz. O objecto mais precioso de Gretchen (Estados Unidos) foi um anel que ela comprou aos onze anos com o primeiro dinheiro que ela ganhou e que ainda usa. Louise (Suécia) orgulha-se de ter conseguido o mais alto certificado como cabeleireira. Joanna (Polónia) enaltece a hospitalidade e o espírito de independência dos polacos. Äsa (Finlândia) aproveita para desmentir que os seus compatriotas sejam frios e tímidos. E Adriana (México) afirma que para os mexicanos a diversão é tão importante como comer e dormir e solta um Olé!
(Quando as dez candidatas se reúnem em palco, não há como notar que a Miss Chile parece tão baixinha diante das outras).
Pelo meio, mais um confessionário com a Miss Canadá (a primeira mulher de cor a representar este país) que discorda que os concursos de beleza sejam degradantes para as mulheres e que é um honra representar o seu país.


Mas o que será que a vencedora iria mesmo ganhar? Para além de vários prémios em dinheiro dos diversos patrocinadores, a Miss Universo do ano anterior vai apresentando toda a panóplia de prémios: duas viagens à sua escolha na companhia aérea Mexicana, óculos de sol, um ano de fornecimento em produtos capilares e pasta de dentes, muita roupa, uma máquina fotográfica Minolta, uma quantidade de produtos Vidal Sassoon, um relógio em ouro, dois casacos de peles (pois...), jóias de diamantes, um seguro de vida de 50 mil dólares e um luxuoso apartamento em Cancún! No total, o valor dos prémios estava avaliado em 250 mil dólares.


Segue-se uma espécie de videoclip musical com todas as candidatas, que é daquelas coisas que só podiam mesmo ser feitas dos anos 80. Vemos elas em vários sítios de Cancún, ora em situações corriqueiras como divertindo-se nas piscinas e nas lojas, ora em cenas mais inusitadas como a fugir de um touro ou a lutar com um bando de crianças piratas.E claro que tudo acaba numa enorme farra na piscina!
Após a apresentação de John Forsythe a um grupo de notáveis lá do sítio (incluindo uma senhora com ar de maus fígados), tempo para mais um confessionário com a Miss Nigéria, que admite que por estar envolvida no mundo da moda e dos concursos de beleza, deixou de ter tantos pretendentes, o que na verdade é um sossego para ela.



Depois do intervalo, a Miss Áustria e a Miss Gibraltar saúda-nos de volta, uma em alemão e outra em inglês, enquanto disputam um aceso conflito sobre quem pega no microfone.
E eis-nos chegados a um dos momentos que eu mais gostava quando via a Miss Universo na televisão. Entre 1983 e 1995, a ronda do vestido de noite era feita com a colaboração das Little Sisters: um grupo de meninas da cidade onde decorria o evento, cada uma designada para ser a "irmãzinha" local de cada uma das concorrentes e usar a faixa do seu país. Chegado este momento, as Little Sisters apareciam em palco cantando uma bonita canção e assim que uma das dez semifinalistas surgia em palco no seu vestido da noite, desfilava acompanhada pela sua "irmãzinha". Era sem dúvida um momento ternurento. 
A Miss Holanda com a sua "Little Sister"

Quanto aos vestidos das concorrentes, ainda reinavam os enchumaços, os folhos e as lantejoulas. O branco foi a cor de escolha da maioria, com a Miss Chile a optar pelo preto, a Miss Polónia pelo rosa e as Misses Venezuela e Finlândia pelo vermelho, a primeira num estilo a fazer lembrar Jessica Rabbitt. 


Antes de conhecermos as cinco finalistas, a Miss Universo reinante, Porntip Nakhirunkanok, (deixem lá essas piadas sobre o primeiro nome dela!) leva-nos numa visita guiada à região do Yucatán, onde fica Cancún, e às ruínas aztecas de Chichen Itza.
Mas afinal quem seriam as cinco finalistas? John Forsythe anuncia: México, Holanda, Polónia, Estados Unidos e Suécia.
Para o confessionário final, as concorrentes dizem o que vão fazer quando voltarem a casa: a Miss Argentina vai andar sem maquilhagem, a Miss Porto Rico vai comer chocolate e a Miss Irlanda vai beber uma caneca de Guinness.




Antes da decisão final, os júris podiam apreciar as finalistas uma última vez. Quem iria ganhar? Seria Adriana, a aspirante a actriz do México a ganhar em casa? Angela, a deslumbrante holandesa vinda de Roterdão? Joanna, dona de uma beleza de fazer derreter o gelo do inverno polaco? Gretchen, a texana que pretendia dar nova vitória à América nove anos depois? Ou Louise, a cabeleireira sueca que gostaria de repetir o sucesso da sua compatriota em 1984? 

Ainda antes da revelação dos resultados, John Forsythe chama a palco Christiane Martel, a Miss Universo 1953 pela França, que entretanto casou-se com um mexicano e não só adquiriu a nacionalidade deste país como aí fez carreira como actriz. De seguida, chegou o momento de Porntip ter o seu desfile final antes de entregar a coroa à sua sucessora, no qual ela reflecte sobre o seu ano de reinado, onde por exemplo, falou nas Nações Unidas e andou de camelo no Egipto. 



Por fim o momento mais ansiado da noite: os resultados finais. A Miss México fica em 5.º lugar (4.ª Dama de Honor), a Miss Polónia fica em 4.º lugar (3.ª Dama de Honor) e a Miss Estados Unidos em 3.º lugar (2.ª Dama de Honor). E no fim só restam apenas Holanda e Suécia. E quando Forsythe anuncia a Miss Suécia como a 1.ª Dama de Honor, a câmara foca o rosto de surpresa da Miss Holanda no momento em que ela se apercebe que é a vencedora. Quando dá por si, Angela Visser já tem a coroa na cabeça, o bouquet na mão e a faixa a tiracolo e está pronta para o seu primeiro desfile como Miss Universo 1989, sob a grande ovação de todos os presentes. Ao contrário do habitual, a feliz contemplada não chorou, mas caminhou de sorriso de orelha a orelha. 



Ainda hoje, Angela Visser é lembrada como uma das mais bonitas e emblemáticas Miss Universo. Após o seu reinado foi comentadora em quatro edições da Miss Universo (1991 a 1994) e teve pequenos papéis em séries como "Marés Vivas", "Blossom" e "Beverly Hills 90210".
E eis o que descobri sobre outras das candidatas:
- A Miss Suécia, Louise Devrenstam, viria a casar-se com Vince Camuto, um famoso empresário americano do ramo têxtil.
- A Miss Jamaica, Sandra Foster, venceu o título de Miss Intercontinental em 1990.
- A filha da Miss Estados Unidos, Gretchen Polhemus, tentou seguir as pisadas da mãe e concorreu em 2017 ao concurso nacional representando o estado do Utah, mas não passou às semifinais.
- A Miss México, Adriana Abascal, sonhava em ser actriz, mas acabou por ser mais bem sucedida como modelo e apresentadora de televisão. 

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A Lenda de Billie Jean (1985)

por Paulo Neto

Por vezes, em vez de procurar cromos para a Enciclopédia, são eles que me encontram. No outro dia estava a pesquisar pelo YouTube para ouvir uma canção de Pat Benatar quando os algorritmos me indicaram para outra canção dela que nunca tinha ouvido antes. A dita canção era "Invincible" e era o tema principal de um filme de que nunca tinha ouvido falar antes, "A Lenda de Billie Jean" de 1985.
Como eu tenho um fraco por filmes que gritam "ANOS 80!" por todos os poros, sobretudo de temática juvenil como "Reckless - Jovens Sem Rumos", "O Clube" ou "Fogo Com Fogo", quis saber mais sobre esse filme e felizmente que alguns uploads manhosos do filme estavam disponíveis do YouTube (incluindo dois dobrados em brasileiro).



Ao contrário do que o título possa indicar, "A Lenda de Billie Jean" não tem nada a ver com a canção de Michael Jackson nem com a célebre tenista Billie Jean King. Realizado por Matthew Robbins (que também realizou "O Milagre da Rua 8" de que já falei aqui), o filme tinha Helen Slater como a personagem-título, Christian Slater (sem parentesco com Helen, apesar de fazerem de irmãos no filme) no seu primeiro papel no cinema e Yeardley Smith num dos seus papéis mais notados antes de se imortalizar como a voz da Lisa Simpson. Não encontrei nenhuma data de estreia do filme em Portugal, pelo que por cá deve ter ido directamente para o mercado de vídeo.



Billie Jean Davy (Helen Slater) e o seu irmão Binx (Christian Slater) vivem na cidade texana de Corpus Christi com a sua mãe viúva (Mona Fultz). Durante um passeio de scooter, os dois irmãos são atacados pelo intratável Hubie Pyatt (Barry Tubb) e os seus esbirros. Binx enfrenta Hubie quando este assedia a irmã mas mais tarde o malvado vinga-se roubando e destruindo a scooter e enchendo Binx de porrada com a ajuda dos seus gunas.

Billie Jean apresenta uma queixa na polícia mas quando o tenente Larry Ringwald (Peter Coyote) desvaloriza o incidente, ela decide ir à loja do pai de Hubie (Richard Bradford) para que ele convença o filho a pagar o arranjo da mota. Mas sucede que Hubie tem bem a quem sair pois o Pyatt sénior também é um pérfido tarado que tenta violar Billie Jean. Binx e Ophelia (Martha Gehman), uma amiga dos irmãos que tem carro, chegam a tempo de concluir o que se passou e o rapaz pega numa arma na caixa registadora, atingindo o homem no ombro. Sabendo que serão incriminados por tentativa de assalto e que ninguém acreditaria neles, os dois irmãos tornam-se fugitivos acompanhados por Ophelia e outra amiga, Putter (Smith). Quando o tenente Ringwald percebe que devia ter ouvido Billie Jean, já é tarde demais. 




À medida que a fuga dos quatro jovens é acompanhada pela comunicação social por todo o Texas, Billie Jean torna-se um ídolo da juventude local pela sua coragem em desafiar o poder dos adultos e ela e os seus amigos vão sendo ajudados por vários jovens que encontram pelo caminho. Um deles é Lloyd Muldaur (Keith Gordon) o excêntrico e negligenciado filho de um governante local (Dean Stockwell) que os acolhe em sua casa. Ao ver um filme sobre Joana D'Arc, Billie Jean fica inspirada para gravar um vídeo no qual anuncia que se irá entregar se Pyatt lhe pedir desculpas e der o dinheiro para o arranjo da mota, não sem antes cortar o cabelo tal como a lendária mártir francesa. Mas à medida que a situação fica cada vez mais incontrolável e perigosa, a jovem sabe que só lhe resta confrontar Pyatt. 


Tal como outros filmes do género dos anos 80, "A Lenda de Billie Jean" pode não ser nada que se aproxime uma obra-prima e ter várias fragilidades ao nível do argumento e realização mas cumpre plenamente a sua função de entreter e também tem o forte efeito "cápsula do tempo". Todo o elenco tem desempenhos sólidos, nomeadamente Helen Slater que consegue facilmente navegar por entre todas as facetas da sua personagem, da rapariga doce e simpática à heroína badass.
O filme já foi editado em DVD e Blue-Ray com comentários de Helen Slater e Yeardley Smith. Aí Slater refere que teve de usar uma peruca para a regravação de algumas cenas em que a personagem ainda tinha o cabelo comprido e Smith revela que por aos vinte anos estar a fazer uma personagem de catorze (que inclusivamente tem a primeira menstruação), teve de usar faixas à volta do peito, que ficou com o urso que Putter trazia sempre consigo no fim, que a bofetada que a actriz que fazia de sua mãe lhe deu no filme foi a sério e deixou-lhe a cara dorida o resto do dia. 

No ano anterior, Helen Slater protagonizou a adaptação de "Supergirl" que foi um dos flops desse ano, pelo que "A Lenda de Billie Jean" ajudou a que sua carreira não tivesse ido logo para o esgoto, tendo depois entrado em filmes conhecidos como "Por Favor Matem A Minha Mulher", "O Segredo do Meu Sucesso" e "A Vida, O Amor e As Vacas". Anos mais tarde, regressaria ao universo da DC Comics com participações nas séries "Smallville" e "Supergirl". 

Como referi ao princípio, outro elemento marcante do filme era o tema "Invincible" de Pat Benatar, lançado antes da estreia do filme e com um videoclip que era basicamente um trailer do filme - uma técnica de marketing cinematográfico que na altura ainda era relativamente recente. A banda sonora também inclui, entre outros, temas de Billy Idol e dos The Divinyls. Curiosamente em concerto, antes de cantar "Invincible", Benatar costuma referir (crê-se que sarcasticamente) que é o tema do "pior filme de sempre". 

Trailer:


Pat Benatar "Invincible"


"Invincible" vídeo fanmade com cenas do filme


domingo, 31 de março de 2019

Festival da Eurovisão 1979

por Paulo Neto

Na virtude da vitória de Netta Barzilai na edição do ano passado em Lisboa, este ano o Festival da Eurovisão realiza-se pela terceira vez em Israel, desta feita em Telavive. Por isso, faz todo o sentido recordar uma das duas edições previamente realizadas em solo israelita, em 1979 e 1999. Decidi optar pela primeira, não só porque já falei resumidamente da edição de 1999 no texto "20 coisas que aconteceram há 20 anos (1999)" como também porque ainda não tinha abordado nenhuma edição dos anos 70 e porque musicalmente gosto bem mais da edição de 1979.



O 24.º Festival da Eurovisão teve lugar no Centro Internacional de Convenções de Jerusalém, a 31 de Março de 1979. Foi a primeira vez que o certame realizou em território geograficamente não europeu e a última vez que decorreu no mês de Março (desde então foi sempre em Abril ou Maio). 
Dos vinte países participantes no ano anterior, apenas a Turquia esteve ausente porque, apesar de ter uma canção escolhida ("Seviyorum" interpretada por Maria Rita Epik & 21. Peron), esse país acabou por ceder à pressão de outros estados árabes e não viajou para Israel. (No entanto, refira-se que a Turquia participou sem problemas em Jerusalém em 1999).



A apresentação esteve a cargo de Daniel Pe'er e de Yardena Arazi, sendo que esta tinha sido representante de Israel em 1976 e voltaria a sê-lo em 1988. Antes de cada actuação, foi exibido um postal ilustrado de recorte humorístico onde um grupo de actores representava em mímica algo característico do país em questão. (No caso de Portugal, vestiram-se de pescadores que deitavam a rede a uma garrafa de vinho de Porto ao som de "Uma Casa Portuguesa"). Os comentários para a RTP estiveram a cargo de Fialho Gouveia e o porta-voz dos votos de Portugal foi João Abel Fonseca. Além dos dezanove países concorrentes, o Festival foi exibido na Turquia, Islândia, Roménia, Jugoslávia e Hong Kong.

Como é hábito, segue-se uma descrição das canções por ordem inversa da classificação:

Christina Simon (Áustria)
Micha Marah (Bélgica)


Nesse ano, as dores do último lugar foram partilhadas entre dois países, cada um recebendo somente cinco pontos. A Áustria tentou apostar na diferença e no apelo aos anfitriões, com "Heute in Jerusalem" ("hoje em Jerusalém"), um tema jazz interpretado por Christina Simon, que ostentava um espectacular penteado. Porém ficou-se pelas intenções, com o último lugar e sem nenhum ponto de Israel.
Também em último ficou a Bélgica, cuja campanha até Jerusalém foi tão controversa que até o simples facto de Micha Marah subir ao palco para interpretar "Hey Nana" já foi espantoso. Isto porque a cantora (de seu verdadeiro nome Aldegonda Leppens), que tinha sido seleccionada para interpretar todas as canções da pré-selecção belga, não escondeu que tinha uma clara preferência por outra canção e o seu descontento quando "Hey Nana" foi escolhida, recusando-se a gravá-la em disco (a única gravação que existe é a do autor da canção). Diz-se que ela até tentou que a dita fosse desclassificada e fez tantas ameaças de que não iria a Israel cantar essa canção que a televisão belga chegou a recrutar outra cantora para a substituir caso Micha concretizasse as ameaças. Mas no fim, Micha Marah acabou por demonstrar o seu profissionalismo e interpretou a canção usando dois pendentes em forma de caracteres hebraicos que formavam a palavra "khai" ("viva") e pela sua cara e postura alegre em palco, ninguém diria que era uma canção que ela detestava. Mas depois de tanto mau karma, o fraco resultado foi algo evidente.

Ted Gardestad (Suécia)
Laurent Vaguener (Mónaco)


A Suécia ficou em 17.º lugar com 8 pontos. Ted Gardestad interpretou o tema "Satellit", que gerou algumas acusações de plagiar "Hold The Line" dos Toto, das as semelhanças com o solo de guitarra. Porém nenhum queixa foi levantada. Infelizmente, Gardestad faleceu em 1997 aos 41 anos.
Na posição acima ficou o Mónaco, que se fez representar pelo francês Jean Baudlot sob o pseudónimo Laurent Vaguener, com o tema "Notre vie c'est la musique". O facto de ter usado um pseudónimo terá sido por Baudlot ser mais conhecido como compositor para outros artistas como Joe Dassin. Nos anos 80 e 90, produziu música para jogos de vídeo e actualmente faz música para documentários. Esta foi a última participação do principado do Mónaco no Festival ao fim vinte anos (incluindo uma vitória em 1971), tendo regressado apenas brevemente ao evento entre 2004 e 2006.
    
Matia Bazar (Itália)

Katri Helena (Finlândia)

A Itália é um dos países mais habituados aos lugares cimeiros mas não foi o caso nesse ano, ficando-se pelo 15.º lugar com 27 pontos (incluindo oito de Portugal). O grupo genovês Matia Bazar foi formado em 1975 e já tinha três álbuns no repertório quando chegaram a Jerusalém para interpretar "Raggio di luna", tema interpretado pelos vocalistas Antonella Ruggiero e Carlo Marrale. A actuação da Itália fez também história na Eurovisão por ser a primeira vez que não foi utilizado qualquer tipo de orquestração, apenas os instrumentos tocados pela banda. Nos anos 80, os Matia Bazar conheceram algum sucesso internacional, sobretudo com o single de 1985 "Ti Sento". Actualmente o grupo ainda existe mas já sem nenhum dos membros originais. Antonella Ruggiero tem uma carreira a solo desde 1996.
A Finlândia fez-se representar por uma das suas cantoras mais célebres, Katri Helena. Com uma carreira de mais cinquenta anos, é a intérprete feminina finlandesa que mais discos vendeu no seu país. Em Jerusalém, cantou "Katson sineen taivaan" ("vejo o céu azul"), que obteve 38 pontos e o 14.º lugar. Katri Helena regressaria a Eurovisão em 1993.

Jeane Manson (Luxemburgo)
Xandra (Holanda)

Uma vez mais, o Luxemburgo recorreu à importação para o seu representante na Eurovisão, e neste ano a escolha recaiu sobre Jeane Manson, uma americana radicada em França. Nascida em Cleveland, Manson entrou em alguns filmes e foi a Playmate de Agosto 1974 para a Playboy. Nos anos seguintes, mudar-se-ia para França, onde fez carreira como cantora e actriz. O tema com que representou o grão-ducado chamava-se "J'ai dejá vu ça dans tes yeux" ("já vi isso nos teu olhos"), uma balada que ecoava influências blues e country do seu país natal, alcançando o 13.º lugar com 44 pontos. Em 1991, Jeane Manson integrou o elenco da telenovela "Riviera", uma produção de vários países europeus que pretendia emular as soap operas americanas, que passou na RTP.   
A cantora Sandra Reemer representou a Holanda pela terceira vez, depois de 1972 em dueto com Dries Holten (como Andres & Sandra) e depois a solo em 1976. Desta vez, usando o nome Xandra, esta cantora de origem indonésia interpretou "Colorado", composto pelos irmãos Rob e Ferdi Bolland que viriam a ser compositores e produtores de renome nos anos 80 e 90, ficando em 12.º lugar com 51 pontos. Sandra Reemer faleceu em 2017 de cancro da mama.

Anita Skorgan (Noruega)
Peter, Sue & Marc (Suíça)

Anita Skorgan, a representante da Noruega, também era repetente nestas andanças, tendo já representando o seu país dois anos antes, obtendo o quarto lugar. Desta vez, cantou um tema slow-disco "Oliver" envergando um vestido cor-de-rosa a fazer lembrar Karen Gorney, a protagonista de "Febre de Sábado À Noite" ao lado de John Travolta mas ficou-se pelo 11.º lugar com 57 pontos. Anita Skorgan regressaria à Eurovisão em 1982 e 1983, ao lado do seu futuro marido Jahn Teighen. 
Outros habituados à Eurovisão era o trio suíço Peter Reber, Sue Schell e Marcel Dietrich, ou simplesmente Peter, Sue & Marc. Esta já era terceira vez que participavam pelas cores da Suíça e curiosamente, sempre numa língua diferente: francês em 1971, inglês em 1976 e desta feita em alemão para cantar "Trödler und Co.", acompanhados por outro trio, Pfuri, Gorps & Kniri. Estes contribuíam fazendo sons a partir de objectos como mangueiras, ancinhos, regadores, panelas, sacos de plástico e tesouras de podar. (IO que deve ter sido passar aquilo tudo pela alfândega israelita!). Obtiveram 60 pontos, valendo o 10.º lugar. Peter, Sue & Marc regressariam uma quarta vez à Eurovisão em 1981, e novamente numa língua diferente, o italiano.

Manuela Bravo (Portugal)
Elpida (Grécia)

Depois de três anos consecutivos no top 10 entre 1971 e 1973, Portugal regressou novamente a essas altitudes (que como se sabe, é algo raro para o nosso país) pela quarta vez com umas das nossas canções eurovisivas mais célebres. Na altura, Manuela Bravo tinha 21 anos e dividia-se entre a sua carreira musical e os estudos de Direito quando foi escolhida para representar as cores nacionais com "Sobe, sobe, balão sobe" da autoria de Carlos Nóbrega e Sousa. Nesse ano, Portugal foi o primeiro país a actuar e bem se pode dizer que abrimos com chave de ouro, obtendo 64 pontos* e o nono lugar. "Sobe, sobe, balão sobe" tornou-se um dos nossos maiores clássicos eurovisivos e a canção-assinatura de Manuela Bravo, que continua activa na música.
* Durante a transmissão, o quadro de pontuações mostrou Portugal com 68 pontos, devido a uma confusão com a divulgação dos votos de Espanha, que parecia ter dado dez pontos a Portugal e Israel. O erro foi corrigido depois do espectáculo, mas os quatro pontos a menos de Portugal não alteraram a classificação final. 
Elpida Karaiyannopolou foi a representante da Grécia que interpretou "Sokrati", cuja letra, como o título indica, era um louvor ao famoso filósofo Sócrates, considerando-o um superstar e lamentando a injustiça do seu julgamento e suicídio forçado. A actuação grega obteve o oitavo lugar com 69 pontos (incluindo 10 de Portugal). A versão em inglês obteve algum sucesso internacional, incluindo Portugal. Elpida regressaria à Eurovisão em 1986 representando o Chipre mas ficaria em último lugar. 
Black Lace (Reino Unido)
Tommy Seebach (Dinamarca)

Se Portugal era (é) um país pouco habituado ao top 10 na Eurovisão, na altura o Reino Unido só tinha falhado os dez primeiros lugar pela primeira vez no ano anterior. Felizmente para as terras de Sua Majestade, nesse ano voltou tudo ao normal com o sétimo lugar e 73 pontos graças ao tema "Mary Ann" interpretado pelos Black Lace (um tema que pessoalmente acho que não merecia tanto). Os Black Lace viriam obter mais sucesso nos anos 80, quando Alan Barton era o único membro de entre os que estiveram em Jerusalém que continuava na banda, com temas kitsch como "Agadoo" de 1984, que em 2003 a revista "Q" considerou a pior canção de sempre. 
A Dinamarca ficou em sexto lugar com 76 pontos com uma daquelas canções que o título explica tudo: "Disco-Tango" interpretado por Tommy Seebach. Esta fusão de tango e disco-sound até era deveras interessante. Entre os membros do coro estave Debbie Cameron que em 1981 participaria em dueto com Seebach representando a Dinamarca. Tommy Seebach teve uma terceira participação na Eurovisão em 1993 e faleceu em 2003.

Cathal Dunne (Irlanda)

Dschinghis Khan (Alemanha)

Cathal Dunne cantou a balada "Happy Man" dando à Irlanda o quinto lugar com 80 pontos. Na altura, Dunne era sobrinho do primeiro ministro daquele país, Jack Lynch. Dunne vive actualmente nos Estados Unidos em Pittsburgh. 
Com 86 pontos, a Alemanha pode ter ficado no quarto lugar mas deixou um dos mais históricos clássicos da Eurovisão, "Dschinghis Khan" interpretado pelo grupo com o mesmo nome. Canção essa que - surprise, surprise! - era sob o mítico líder mongol Gengis Khan, enaltecendo tanto os seus dotes de guerreiro como de reprodutor (um dos versos dizia que ele fez sete filhos numa só noite). No entanto, Gengis Khan que esteve em palco (de seu verdadeiro nome Louis Hendrik Potgieter) exibiu os seus dotes de bailarino rodopiando agilmente pelo palco enquanto os restante cinco membros cantavam em uníssono. Foi também a primeira vez que se viram torsos masculinos desnudados na Eurovisão, que os quatro elementos masculinos do grupo orgulhosamente exibiram. 
"Dschinghis Khan" foi um sucesso comercial em vários países bem como o single seguinte "Moskau", que foi n.º 1 na Austrália em 1980. Potgieter, que era de origem sul-africana, faleceu de SIDA em 1993 e outro membro da banda, Steve Bender faleceu de cancro em 2006. Actualmente parece que existem duas bandas que actuam usando o nome Dschinghis Khan: uma que inclui as duas vocalistas da banda, Edina Pop e Henriette Strobel, e outra liderada por outro membro original da banda, Wolfgang Heichel. Na segunda semifinal do Festival de 2018 em Lisboa, durante um segmento de dança com as quatro apresentadoras, Sílvia Alberto dançou "Dschinghis Khan".

Anne-Marie David (França)
Betty Missiego (Espanha)

Em 1973, Anne-Marie David venceu o Festival da Eurovisão representando o Luxemburgo com "Tu te reconnaitras" e agora, seis anos volvidos, procurava nova vitória agora pelo seu país, a França. Não ganhou mas andou lá perto, chegando ao 3.º lugar com 106 pontos com "Je suis l'enfant-soleil" que contava a trágica história de amor entre uma jovem e um forasteiro que é acolhido pelo pai dela, que mais tarde vem-se a saber que é um fugitivo da prisão. Anne-Marie David retirou-se da música e da vida pública nos finais dos anos 70, mas desde 2003 que tem actuado em eventos relacionados com a Eurovisão.
Pela terceira vez na década, a vizinha Espanha ficou em segundo lugar (116 pontos) e desta vez, o sabor de uma terceira vitória espanhola esteve mesmo muito perto pois antes da última votação, precisamente o do júri espanhol, Espanha liderava sobre Israel por um ponto. Mas ao dar dez pontos a Israel, Espanha deu um tiro no pé. Nesse ano, nuestros hermanos estavam representados por Betty Missiego, cantora de origem peruana (tendo representado este país no Festival da OTI de 1972), com "Su canción". Betty surgiu em palco acompanhado por um coro de quatro crianças: Javier, Alexis, Beatriz e Rosalía, que no final da actuação empunharam faixas com a palavra "obrigado" em espanhol, francês, inglês e hebraico. Sem dúvida que a petizada foi o ponto forte da actuação, já que a postura e os movimentos robóticos de Betty Missiego faziam-na parecer mais uma bruxa má que uma fada-madrinha. 

Galit Atari e Milk And Honey (Israel)

Mas foi mesmo Israel que venceu em casa, sendo portanto o terceiro país a ganhar a Eurovisão em dois anos consecutivos (Espanha em 1968 e 1969, Luxemburgo em 1972 e 1973). E tal como "A-ba-ni-bi" do ano anterior, Israel venceu com mais uma canção que ficou para os anais do Festival da Eurovisão, "Hallelujah", um colaboração da cantora Galit Atari com o trio Milk And Honey. E era sem dúvida um tema contagiante e pegadiço, em crescendo até ao final apoteótico e mesmo quem não percebia patavina de hebraico podia facilmente trautear com alguns "aleluias" de premeio. A versão em inglês de "Hallelujah" foi n.º 1 na Irlanda, Finlândia, Suécia e Noruega. Em Portugal, a versão em português dos Maranata rivalizou em popularidade com o original. Quando o Festival da Eurovisão regressou a Jerusalém em 1999, no final todos os concorrentes, apresentadores e bailarinos reuniram-se em palco para cantar "Hallelujah" em memória das vítimas do conflito que na altura assolava as Balcãs, sobretudo no Kosovo. Galit Atari regravou a canção em 2018 com Eden Ben Zaken para as comemorações do 70.º aniversário do Estado de Israel.

Festival da Eurovisão 1979 (transmissão da TV israelita, sem comentários):




segunda-feira, 25 de março de 2019

Top Música 14 Janeiro 1989

TOP Música Singles e LPs.

Fonte: TV Guia Nº 519, de 14 a 20 de Janeiro de 1989.

Nota: Dados Fornecidos pela UNEVA. Sob Licença da RTC.




O "Top Música" do inicio de 1989 é povoado por êxitos do ano anterior. Destaque para a tripla de Tracy Chapman, com 1 LP e 2 singles na tabela. No Top de singles nem um artista nacional, ao contrário do Top dos LPs, com os Ministars e Onda Choc. Os outros êxitos portugueses da época ficaram relegados para as compilações. No Jackpot 88, Hit Parade e Superdisco encontramos UHF, Afonsinhos do Condado, Xutos e Pontapés, Trovante, Ban e mais alguns, entre uma multidão internacional.


SINGLES

1- Yes - Tim Moore (Nota: Tema Internacional da novela "Selva de Pedra", tema do par "Simone & Cristiano") [vídeo]

2- A Groovy Kind Of Love - Phil Collins (Da Banda sonora de "A Grande Golpada" ) [vídeo]

3- You Came - Kim Wilde [vídeo]

4- Desire - U2 [vídeo]

5- Fast Car - Tracy Chapman [vídeo]

6- The Only Way Is Up - Yazz [vídeo]

7- Till I Loved You - Barbra Streisand com Don Johnson. O Crockett de "Acção em Miami" [vídeo]

8- Yeke Yeke - Mory Kante. O primeiro single africano a vender mais de 1 milhão de cópias [vídeo]

9- Here I Am - Dominoe [vídeo]

10- Talkin' 'bout a Revolution - Tracy Chapman [vídeo]






LPs

1- Delicate Sound Of Thunder - Pink Floyd.

2- Jackpot 88 - Vários [vídeo]

3- Na Minha Idade - Onda Choc

4- As Mais Belas Canções Napolitanas - L. Pavarotti

5- Hit Parade - Vários

6- Love Songs - Placido Domingo

7- Money For Nothing - Dire Straits

8- É Altamente - Ministars

9- Tracy Chapman - Tracy Chapman.

10- Superdisco - Vários

Mais detalhes:
Fonte: TV Guia Nº 519, de 14 a 20 de Janeiro de 1989.





segunda-feira, 18 de março de 2019

A saga Academia de Polícia (1984-1994)

por Paulo Neto



"Academia de Polícia" é uma das mais prolíficas sagas cinematográficas da comédia americana. Decerto que quando o primeiro filme estreou em 1984 sobre um grupo de excêntricas personagens que ingressam na academia e contra todas as expectativas se tornam destemidos agentes da polícia, nunca se imaginaria que se seguiriam mais seis filmes, além de duas séries (uma de animação, que passou na RTP no início dos anos 90, e outra de live action em 1997).

Entre as várias personagens que surgiram ao longo da saga, há que destacar dez: Carey Mahoney (Steve Guttenberg), o protagonista dos quatro primeiros filmes, um vigarista matreiro de coração de ouro que é obrigado a entrar na Academia para evitar ir para a prisão e que descobre que a sua esperteza de rua é mais eficaz se utilizada no lado da Lei; Moses Hightower (Bubba Smith), um ex-florista cuja impressionante estatura e força descomunal escondem um ser extremamente bondoso; Eugene Tackleberry (David Graf), o agente obcecado por armas e como tal nunca sai à rua sem um bom arsenal a tiracolo; Zed McGlunck (Bobcat Goldthwait) o vilão do segundo filme que apesar da voz estridente e do aspecto tresloucado, no fundo até nem é mau rapaz; a diminuta e tímida Laverne Hooks (Marion Ramsey) que na hora do aperto revela sempre a sua grande coragem; a sensual e implacável Sargento Debbie Callahan (Leslie Easterbrook); o Comandante Eric Lassard (George Gaynes) que tem tanto de adorável como de pateta; o Capitão Harris (G.W. Bailey), o antagonista em cinco filmes, bruto e antipático mas que cai sempre na chacota de Mahoney e companhia e seu esbirro Carl Proctor (Lance Kinsey) que volta e meia, vai para inadvertidamente ao Bar Ostra Azul; e last but not least, o meu preferido, Larvell Jones (Michael Winslow) com a sua espantosa habilidade para imitar os mais diversos sons, que se revela muito útil não só para capturar bandidos mas sobretudo para pregar partidas.

Os seis primeiros filmes foram estreados anualmente entre 1984 e 1989, ao passo que o sétimo data de 1994. Desde 2006 que existem conversas sobre um oitavo filme, quer numa nova sequela com os mesmos actores, quer num reboot com um novo elenco, mas as coisas têm estado em águas de bacalhau. Em 2018, Steve Guttenberg anunciou que um oitavo filme vai acontecer, pelo que veremos em que moldes.

Eis os sete filmes ao momento, por minha ordem de preferência:

7.º Academia de Polícia: Missão Em Moscovo (1994)


Dirigido por Alan Metter, este é até ao momento o último filme da saga e apesar de ser o sétimo filme, a Warner Bros. achou que a saga já estava grande demais para continuar a ser numerada pelo que tecnicamente não tem o número 7 no título.
Neste tomo, o comandante policial russo Alexander Rakov (Christopher Lee) pede ao Comandante Lassard para que as autoridades americanas o ajudem a capturar o mafioso Konstantin Konali (Ron Perlman) e neutralizar o seu esquema diabólico: um jogo semelhante ao Tetris que desactiva os controlos de segurança de cada computador em que o jogo for jogado, permitindo vários roubos e esquemas de lavagem de dinheiro a nível mundial. Jones, Tackleberry, Callahan, Harris e o jovem cadete Kyle Connors (Charlie Schlatter), que quer provar o seu valor como polícia apesar do seu medo de alturas são os agentes enviados a Moscovo para capturar Konali e o seu bando.
Este foi o único filme da saga em que Marion Ramsey e Bubba Smith não apareceram como Hooks e Hightower, ao passo que George Gaynes, Michael Winslow e David Graf são os únicos actores a aparecerem nos sete filmes. Este foi também a estreia em cinema da actriz Claire Frolani como Katrina, uma agente russa e interesse amoroso de Connors.
Pergunto-me se o colapso da União Soviética foi o motivo pelo qual foi preciso esperar cinco anos pelo sétimo filme, enquanto os outros foram feitos praticamente um a seguir ao outro. Apesar de ser um dos primeiros filmes americanos a terem permissão para serem filmados na Rússia, a Warner Brothers fez uma distribuição muito escassa do filme nos cinemas pelo que é de longe o filme menos rentável da saga. E a opinião geral (incluindo a minha) é que este é o mais filme mais fraco da saga.



6.º Academia de Polícia 6: Cidade Sitiada (1989)

No sexto filme da saga, realizado por Peter Bonerz, a cidade de Wilson Heights está a ser assolado por uma onda de roubos minuciosamente calculados. Perante a incapacidade do Capitão Harris e de Proctor e sobre pressão do Governador e queixas dos munícipes, o Mayor (Kenneth Mars) da cidade decide pedir auxílio ao Comandante Lassard, para que com a ajuda do seu sobrinho Nick (Matt McCoy) e dos agentes Jones, Hightower, Tackleberry, Hooks, Callahan e Fackler (Bruce Mahler) investiguem quem está por trás desses roubos. Os agentes descobrem que os três membros do gang que tem feito os assaltos são burros demais para elaborarem crimes tão bem delineados e estarem sempre um passo à frente da polícia e que existe alguém bem superior por detrás disto tudo, uma figura misteriosa conhecida como Mastermind, que parece ter conhecimentos dos planos da polícia.
As coisas parecem perdidas quando Lassard é incriminado num roubo de jóias e a investigação dos agentes é arquivada. Ainda assim, Nick e os outros decidem continuar a investigar à revelia para limpar o nome do Comandante.
Num plot twist, fica-se a saber que o Mastermind é afinal o Mayor, que planeava baixar o valor da propriedade das zonas da cidade afectadas pelo roubo para depois obter grandes lucros na revenda.
Ausente do quarto e quinto tomos da saga, Bruce Mahler recuperou o seu papel como Douglas Fackler, um agente que inadvertidamente deixa um rasto de caos à sua volta. É também neste filme que vemos o filho de Tackleberry, Eugene Jr.




5.º Academia de Polícia 2: A Primeira Missão (1985)


No segundo filme da saga, realizado por Jerry Paris, o Capitão Pete Lassard (Howard Hesseman), irmão do Comandante Lassard, recruta Mahoney, Jones, Tackleberry, Hightower, Hooks e Fackler  para o ajudarem na sua esquadra, já que os seus agentes têm sido incapazes de deter a onda de crimes naquela zona e corre o risco de ser deposto da sua posição se as coisas não mudarem dentro de 30 dias.
Entre os crimes, os mais preocupantes são os roubos e vandalismos causados por um gang liderado por Zed McGlunck que aterrorizam os moradores locais, como o indefeso comerciante Carl Sweetchuk (Tim Kazurinsky). Além disso, o Tenente Mauser (Art Metrano) pretende sabotar os planos de Lassard para ser promovido e o novo chefe da esquadra, com a ajuda de Proctor. Entretanto, ficamos a saber que a fixação de Tackleberry por armas é um típico caso de compensação de virilidade, já que é virgem aos 28 anos. Mas felizmente, ele apaixona-se pela Sargento Kathleen Kirkland (Colleen Camp), tão obcecada por armas quanto ele, integra-se bem no seio da sua abrutalhada família e os dois casam no final do filme.
Este foi o único filme da saga em que Leslie Easterbrook não apareceu como Callahan.



4.º Academia de Polícia 3: De Volta Aos Treinos (1986)


Jerry Paris voltou a assinar o terceiro filme da saga. Devido a cortes orçamentais, uma de duas Academias de polícia - uma liderada por Lassard, outra por Mauser - será encerrada, pelo que aquela que obtiver maior sucesso no próximo curso de formação será a que vai continuar.
O Comandante Lassard chama então a Tenente Callahan e os agora Sargentos Mahoney, Jones, Hightower, Hooks, Tackleberry e Fackler para treinarem os novos recrutas. Entre eles estão Violet (Debralee Scott), a esposa da Fackler, Zed e Sweetchuk, personagens do segundo filme, Bud Kirkland (Andrew Paris), o cunhado de Tackleberry e Karen Adams (a ex-Miss Universo Shawn Weatherly) por quem Mahoney se interessa. O agente japonês Tomoko Nogata (Brian Tochi) em formação de intercâmbio chega à Academia de Mauser, mas este julgando-o incapaz, transefere-o para Academia de Lassard. Mas na verdade, não só Nogata revela-se um exímio polícia como surpreendentemente conquista Callahan. 
Para sabotar a Academia de Lassard, Mauser e Proctor conta com a ajuda de dois antagonistas do primeiro filme, os Sargentos Copeland (Scott Thompson) e Blankes (Brant von Hoffman).  Felizmente Mahoney e os outros aparam-lhe os golpes e retaliam de formas hilariantes. Mas será durante um assalto durante o baile do Governador que os cadetes formados da Academia de Lassard mostrarão a sua superioridade face aos de Mauser. 
A lendária actriz pornográfica Georgina Spelvin recuperou aqui o seu cameo do primeiro filme como uma prostituta amiga de Mahoney numa cena em que seguindo o plano deste, ela faz com que Proctor vá parar todo nu ao Blue Oyster Bar onde os clientes aparentemente costumam dançar o tango vestidos de cabedal, um gag recorrente nos quatro primeiros filmes. 



3.º Academia de Polícia 4: A Patrulha do Cidadão (1987)


Para colmatar a falta de recursos humanos e materiais das forças policiais, o Comandante Lassard decide que a sua Academia irá treinar um grupo de civis para que estes formem uma patrulha que ajude os polícias. Mahoney, Jones, Hightower, Callahan, Hooks, Tackleberry, Sweetchuk e Zed ficam encarregados de treinar os civis inscritos, que incluem a idosa Lois Feldman (Billie Bird) cujo fascínio por armas ganha a amizade imediata de Tackleberry, o obeso e sempre faminto Tommy Conklin (Tab Thacker) mais conhecido como "House", um vizinho de Hightower, dois skaters delinquentes, Kyle (David Spade) e Arnie (Brian Backer), a quem Mahoney, que reviu neles o seu passado de meliante, convence um juiz a integrá-los na formação e duas jornalistas infiltradas, Claire (Sharon Stone, sim ela!) e Laura (Corinne Bohrer) por quem respectivamente Mahoney e Zed vão se interessar. 

Já o Capitão Harris acha ridícula a ideia de uma patrulha de civis a ajudar os polícias e planeia sabotar a formação e quem sabe, tomar o posto de Lassard como o director da Academia. Aproveitando a ausência de Lassard em Londres, Harris assume o controlo da formação, mas apesar de tudo, os voluntários saem-se bem nos treinos e os agentes pregam-lhe muitas e hilariantes partidas. Contudo, o programa é suspenso quando alguns voluntários desmancham um operação policial secreta mas os civis mostram o seu valor quando inadvertidamente Proctor liberta os detidos de uma cadeia durante uma visita promovida por Harris, capturando os bandidos numa louca perseguição em balões de ar quente!
O "deus" do skate Tony Hawk participou neste filme como figurante e duplo da personagem de David Spade. Este foi o único filme de saga a ser nomeado para um Razzie, o de Pior Canção. 





2.º Academia de Polícia (1984)

1984 foi um ano antológico na cultura pop, sobretudo na música e no cinema, com o primeiro filme da saga a estrear neste ano, juntando-se a um sem-fim de filmes icónicos em vários géneros que lançados neste ano. 
Reza a lenda que o produtor Paul Maslansky teve a ideia para o filme quando viu em São Francisco um invulgar grupo de recrutas policiais que à primeira vista estariam longe de ser o tipo de pessoas que se alistariam na polícia a ser repreendido por um sargento e mais tarde veio a saber que tinha sido uma medida autárquica para criar uma força policial mais diversa. Então Maslansky pensou "e se estes polícias acabassem por ser bem-sucedidos?" e assim nasceu a ideia para o filme, longe de imaginar que se tornaria uma saga tão mítica. 
Neste primeiro filme, dirigido por Hugh Wilson, a Mayor de uma cidade não identificada resolve colmatar a falta de agentes policiais permitindo que todos os candidatos interessados se alistem, independentemente das capacidades físicas e níveis de educação. Muitos dos polícias, como o Chefe Hurst (George R. Robertson) e o Capitão Harris estão descontentes com essa decisão e esperam que muitos dos aparentemente incapazes novos recrutas falhem ou desistam da formação.
Carey Mahoney, um jovem que vive de pequenos golpes, é forçado a entrar no programa da Academia para fugir à prisão e tenta por todos os meios ser expulso de lá, mas em vão. Além dos recorrentes Jones, Tackleberry, Hightower, Hooks e Fackler (que se alista contra a vontade da esposa), entre os novos recrutas estão Karen Thompson (Kim Cattrall), uma socialite por quem Mahoney se interessa e o obeso e medroso Leslie Barbara (Donovan Scott) que quer aprender-se a defender do bullying que sofre pelo seu peso e por ter dois nomes femininos. Com a ajuda de Blankes e Copeland, dois cadetes mal-intencionados, Harris tenta forçar os novos recrutas a desistir, mas Mahoney e os outros respondem a cada reprimenda com hilariantes partidas. Hightower, por atacar Copeland que proferiu insultos racistas a Hooks, e Mahoney, ao defender Barbara durante uma briga na cantina, chegam a ser expulsos mas os dois bem como os outros recrutas mostram o seu valor quando ocorre um tumulto na cidade. 







1.º Academia de Polícia 5: Missão Em Miami (1988)


Foi um pouco difícil decidir qual o meu filme preferido da saga entre o primeiro e o quinto filme, mas acabei por optar por este, talvez por ter sido o primeiro filme da saga que eu vi e também um dos primeiros filmes que a minha família viu no nosso vídeo VHS e por isso é aquele do qual guardo memórias mais afectivas. 
Este foi o primeiro filme sem o protagonista Mahoney, uma vez que na altura Steve Guttenberg filmava "Três Homens E Um Bebé". Por isso, a sua personagem foi a modos que substituído pela de Nick Lassard, interpretada por Matt McCoy, com características semelhantes, como a astúcia e o gosto para pregar partidas. 
Neste filme realizador por Alan Myerson, o Comandante Lassard ruma a Miami acompanhado por Jones, Callahan, Hightower, Tackleberry, Hooks e House para uma convenção nacional da polícia onde vai receber o prémio de Polícia da Década e onde encontra o seu sobrinho Nick. Entretanto, o Capitão Harris descobre que Lassard passou a idade da reforma obrigatória e vê a oportunidade ideal para se mostrar como o novo líder da Academia. 
Durante a viagem, o Comandante leva inadvertidamente uma mala com diamantes roubados. Os traficantes roubaram as jóias (René Auberjonois e Archie Hahn) perseguem então os polícias para recuperar os diamantes e acabam por raptar Lassard, que julga que é tudo uma simulação policial que faz parte da convenção. Os polícias lançam-se numa perseguição aos bandidos pelos Everglades da Flórida e Lassard acaba por demonstrar a sua bravura apesar da idade e de um ou outro parafuso a menos e é dispensado da reforma obrigatória, para desespero de Harris.
Três cenas divertidas que me lembro deste filme: as bolas de golfe de Lassard a lançarem o caos no aeroporto, Hooks a levantar a voz durante uma simulação de uma manifestação ao ponto de assustar os polícias participantes e fazê-los cair numa piscina e Nick a escrever "DORK" com creme bronzeador no peito um adormecido Harris que o deixa com essa palavra marcada. 




E agora vocês, leitores, quais são os vossos filmes preferidos desta saga? Contem tudo nos comentários e/ou na página de Facebook da Enciclopédia de Cromos.

Bónus: Genérico da série animada



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