segunda-feira, 19 de julho de 2021

5 canções subvalorizadas das Doce

 por Paulo Neto



Há anos, já fiz aqui um artigo com o meu top 5 das canções da Doce. Mas agora com a recente estreia da biopic da nossa lendária girlband, resolvi ir mais ao fundo na discografia das Doce e revelar algumas das suas canções menos conhecidas mas que, a meu ver, não ficam atrás dos seus grandes hits e que merecem ser mais divulgadas. Quem quiser descobrir mais repertório das Doce para além da imortal trindade "Bem Bom", "Amanhã De Manhã" e "Ali Babá" e de hits como "OK, KO" ou "É Demais", estas canções são um bom ponto de partida.

Desta vez, não fiz um ranking, optando antes por apresentar estas cinco canções por ordem cronológica. 

"Doce Caseiro" (1980): Embora as Doce tivessem o seu tema epónimo com o qual concorreram ao Festival da Canção de 1980, esta faixa do primeiro álbum "OK/KO" será porventura o tema mais meta da Doce, com a letra a explicar, por entre metáforas de doçaria, a essência do grupo: o de quatro mulheres confiantes, sem medo de assumir uma postura de desafio às convenções da altura e dispostas a trazer mais cor a um Portugal ainda bem cinzentão, espelhada em versos como "Não temos qualquer segredo nem medo/ Ai nunca é tarde nem cedo/Sacode as ancas e dança" ou "Somos o doce da casa na brasa/Prova um pedaço de graça/Do nosso doce agressivo", sem esquecer o refrão "Doce caseiro, doce caseiro/Quem entra na dança?/Quem é o primeiro?". As Doce infelizmente pagariam o preço dessa ousadia mas o primeiro pontapé na porta estava dado e não haveria volta atrás. "Doce Caseiro" foi o lado B do single "OK, KO" e uma das suas raras performances em televisão é esta do programa "Eu Show Nico".



"Eu Sou" (1981): Um dos vários mitos que rodearam as Doce foi o de que a loiríssima Laura Diogo não cantava e que não ia além de ser a Miss do grupo e de fazer lipsync, escudada pelas vozes das outras três. O facto de não se ouvir a voz dela nos maiores hits do grupo e de que Ágata, que nos anos finais de grupo foi o membro suplente do grupo, ter afirmado ao longo dos anos que Laura actuava de microfone desligado, ajudaram a perpetuar esse mito. No entanto, há uma canção das Doce em que Laura Diogo é a voz principal. Aliás, no segundo álbum do grupo, "É Demais" de 1981, cada uma das Doce tinha um tema ao solo. No caso de Laura, a balada "Eu Sou". E se a faixa confirma que ela não tinha as amplitudes vocais das outras três, existe porém algo de cativante no registo Jane Birkin-esco que Laura imprime aos versos, sibilando palavras como "Eu sou o teu prazer/Já tenho o corpo a arder" e no seu contraste com a força do refrão quando as outras três se juntam. O único cringe é o verso "Eu sou a tua escrava" que obviamente envelheceu mal.
Seja como for, é impensável imaginar as Doce sem Laura Diogo, até porque foi o membro de grupo mais interveniente em alguns aspectos extramusicais como a negociação de contractos. Essa experiência seria determinante para a sua carreira após o fim do grupo como manager de vários artistas como os Sitiados e Sara Tavares.   


"Desatino" (1981): Como já referi, no álbum "É Demais", cada uma das Doce tinha o seu tema a solo. Além do já referido "Eu Sou" para Laura Diogo, houve também "Dói Dói" para Fátima Padinha (que ouvi pela primeira vez no telefilme da SIC "O Lampião Da Estrela") e "Uau!" para Lena Coelho (versionado em 2000 por nada menos que o brasileiro Netinho). Mas dos quatro temas, o meu preferido é aquele interpretado por Teresa Miguel, "Desatino". Aqui a ruiva das Doce imprime um registo rock, a fazer lembrar Pat Benatar, cantando a sua determinação em esquecer um ex-amado. "Não vou morrer, só para te perder/ Nem parar para te esperar/Vou-me esquecer de ti/Ficas a saber/ Que já não és o meu desatino". 


"Perfumada" (1982): Será consensual afirmar que o maior auge das Doce foi a vitória no Festival da Canção de 1982 com "Bem Bom" e a subsequente participação no Festival da Eurovisão desse ano na cidade inglesa de Harrogate. Quem teve o single de "Bem Bom", decerto que conhecerá o lado B, este "Perfumada", onde as Doce são a voz de uma mulher que se alinda e se perfuma toda para acolher o seu amado até que descobre que não é a única mulher que espera toda linda e perfumada por esse homem. No YouTube existem duas actuações desta canção: uma em que as quatro Doce surgem em coloridos vestidos de tule (uma das várias indumentárias que usaram no videoclip de "Bem Bom") e outra em 1986 no programa "Faz De Conta", já com Fá Padinha fora do grupo. 





"Choose Again" (1982): Após a participação no Festival da Eurovisão, as Doce editaram dois singles com canções em inglês, talvez numa tentativa de internacionalização. É o caso daquela que é pessoalmente a minha canção preferida das Doce, "Starlight", editado em 1983 e cujo lado B "Stepping Stone" também merece uma audição. Antes disso houve o single "For The Love Of Conchita" com sonoridades latinas, cujo lado B é este "Choose Again", mais uma pérola de synth-pop que, tal como "Starlight", viesse de um outro país europeu, teria sido um hit internacional. Existem duas actuações em televisão de "Choose Again" com uma das melhores coreografias do grupo: uma no programa "Já Cá Canta" e outra, em que as Doce se apresentam num visual bem 80's futurista, no concurso "Toma Lá, Dá Cá" que não consegui identificar.  

 




Vocês conheciam estas cinco canções da Doce? E que outro deep cut do grupo é que acham que devia ser mais reconhecido? Digam nos comentários.
                        

terça-feira, 6 de julho de 2021

Pearl Harbor (2001)

por Paulo Neto 


No Verão de 2001, um dos filmes que tinha mais expectativa em ver era "Pearl Harbor". Em teoria, tinha tudo para ser o blockbuster do ano e ser o novo "Titanic". Relatava um período marcante da história, o bombardeamento japonês à base naval americana de Pearl Harbor no Havai no dia 7 de Dezembro de 1941 (assinalavam-se então os 60 anos do ataque) que marcou o início do envolvimento dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, através de uma história de amor, o elenco tinha muitos nomes sonantes, prometia acção trepidante e até tinha também uma balada épica como tema principal. E nem sequer o nome de Michael Bay na realização levantava muitas suspeitas, já que então vinha de uma tripla de grandes blockbusters ("Os Bad Boys", "O Rochedo", "Armageddon"). No entanto, na prática não foi bem assim.


Mas primeiro a história: amigos desde infância, Rafe McCawley (Ben Affleck) e Danny Walker (Josh Hartnett) são tenentes do Exército sob o comando do Major Doolittle (Alec Baldwin). Durante um exame médico, Rafe engraça com a enfermeira Evelyn Johnson (Kate Beckinsale) e os dois não tardam a iniciarem um romance, que é interrompido quando ele informa que foi escolhido para integrar o Esquadrão Águia e que está de partida para uma missão na Europa. Durante essa missão, o seu avião é atingido e Rafe é dado como morto.


Desolada, Evelyn é apoiada por Danny e os dois acabam por se envolver. No dia antes do ataque japonês, Evelyn fica estupefacta quando Rafe surge à sua porta, tendo sobrevivido ao ataque do seu avião e na clandestinidade da França ocupada pelos nazis. Rafe fica indignado quando descobre que ela e Danny namoram mas antes que as coisas fiquem esclarecidas, na manhã seguinte o exército ataca a base de Pearl Harbour, semeando o terror entre a população. Uma das vítimas mortais é Betty (Jamie King), uma enfermeira amiga de Evelyn. 


No dia seguinte, o presidente Franklin Delano Roosevelt (Jon Voight) declara que vai decretar estado de guerra contra o Japão. Entretanto reconciliados, Rafe e Danny são recrutados para a missão de secreta do raid a Tóquio (que aconteceu a 18 de Abril de 1942), sob a liderança do agora tenente-coronel Doolittle. Antes de partirem para os treinos, Evelyn revela a Rafe que, embora ainda o ame, decidiu que vai ficar com Danny, de quem está grávida. Porém a missão no Japão vai testar como nunca a coragem e os laços que unem os dois amigos…



Do elenco do filme fizeram ainda parte nomes como Tom Sizemore, Jennifer Garner, Ewen Bremner, Michael Shannon, Sara Rue, Sean Faris, Dan Aykroyd e Eric Christian Olsen, bem como Cuba Gooding jr. no papel Dorie Miller, o primeiro soldado afro-americano a ser condecorado com a Cruz da Marinha pela sua bravura durante o ataque de Pearl Harbor. 



Comercialmente, "Pearl Harbor" não se saiu nada mal, sendo o sexto filme mais rentável de 2001 e foi nomeado para quatro Óscares, vencendo o de Melhor Edição de Som. Porém as críticas foram maioritariamente negativas, sobretudo no respeito ao argumento, ao ritmo da acção e às incorreções históricas. E quando vi o filme, embora achasse que me entreteve o suficiente, tive de concordar que a parra era bem mais que a uva: o desempenho dos actores (excepto Kate Beckinsale) não passou da mediania, a narrativa principal do triângulo amoroso não foi muito convincente, as outras histórias secundárias, como a de Dorie Miller, foram muito residuais, o ritmo era lento e a cena do ataque japonês era uma salganhada de explosões e efeitos especiais que seria paradigma da obra de Michael Bay, e o resto do filme após o ataque pareceu-me demasiado rápido. (E isto sem falar nos inevitáveis tons ultrapatriotistas made in USA.) Não pude deixar de sentir que havia potencial para muito mais. Hoje por hoje, a opinião de geral sobre "Pearl Harbor" está muito dividida, há quem goste muito e quem não goste nada, mas creio que não é tão recordado entre os filmes mais marcantes desta altura como poderia ter sido. 


E quando é lembrado, é sobretudo por causa do tema principal, "There You'll Be" interpretado por Faith Hill, que apesar de não ser nenhum "My Heart Will Go On" (aliás consta que foi também proposto a Céline Dion que recusou), cumpria bem a função de balada épica de blockbuster e tornou-se o maior hit desta cantora country na Europa. A canção foi nomeada por o Óscar, o Globo de Ouro e um Grammy e foi n.º 1 nos tops de Canadá, Suécia e...Portugal. No Reino Unido em 2008, devido à interpretação de uma concorrente no programa "X Factor", "There You'll Be" regressou ao top 10. 

Trailer: 


 "There You'll Be" Faith Hill

sábado, 3 de julho de 2021

Super Top Cornetto 96 (1996)

 

O Cornetto é dos mais duradouros clássicos dos gelados "Olá". E em 1996 deu o mote a esta compilação de êxitos: "Super Top Cornetto 96", com uma capa a cheirar a Verão e muitos Cornettos devorados por amigos e namorados.

A produção e distribuição a cargo da joint-venture EMI-Valentim De Carvalho.

O verso do CD:


Uma consulta da "contra-capa" permite ver as 10 faixas.
Podem ver os vídeos no link no nome da canção. Ou clique AQUI para uma Playlist com todos os vídeos.

1-Mamonas Assassinas - "Pelados Em Santos".
2-GNR - "Toxicidade".
3-General D E Os Karapinhas - "Black Magic Woman".
4-Kussondulola - "Dançam No Huambo".
5-Michael Learns To Rock - "That's Why(You Go Away)".
6-Rap - "Má Língua".
7-Simple Minds - "She's A River".
8-Clã - "Pois É!".
9-Fool's Garden - "Lemon Tree".
10-Making Ends - "Heartbeat".

 

Julgava que o folheto tinha letras das canções ou informação no interior, mas é apenas impresso nas duas faces exteriores.

E o CD propriamente dito limita-se a reproduzir a mesma ilustração da capa e contra-capa:


Só consegui este CD recentemente, mas recordo de ver a capa por ai, ou então alguma publicidade que usasse as mesmas imagens.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Sete Palmos De Terra (2001-05)

 por Paulo Neto

Se me dissessem ao meu eu antes de 2002 que uma das minhas séries favoritas de sempre seria sobre uma família de cangalheiros, eu rolaria os olhos em descrédito. Mas quando a RTP2 passou a exibir a partir desse ano a série "Sete Palmos Da Terra", rapidamente fiquei viciado e mais de quinze anos após o seu fim, mantém um lugar cativo entre as séries da minha vida.
No original "Six Feet Under", a série foi criada por Alan Ball, recém-consagrado como argumentista do oscarizado filme "Beleza Americana" e teve 63 episódios repartidos por cinco temporadas, exibidas nos Estados Unidos entre 2001 e 2005 e em Portugal na RTP2 entre 2002 e 2006 às segundas-feiras à noite. Como o título deixava antever o tema principal é a morte, mas também reflectia sobre as relações humanas, sobretudo as familiares.




A série acompanhava a família Fisher, proprietária de uma agência funerária em Los Angeles, após a morte do patriarca, Nathaniel Fisher Sr. (Richard Jenkins), inesperadamente falecido na véspera de Natal de 2000. Aliás, começando pelo seu óbito, cada episódio começava com uma sequência onde assistimos à morte de alguém, geralmente o próximo defunto "cliente" da Fisher & Sons, terminando com o nome e os anos de nascimento e morte da pessoa. Ao longo dos vários episódios estes óbitos foram bastante variados, alguns de forma cómica, outros de forma trágica, com defuntos de várias idades e posições sociais.   



Os membros da família Fisher são a matriarca, Ruth (Frances Conroy); o filho mais velho Nate (Peter Krause), o filho pródigo que com a sua vida um pouco à deriva decide deixar Seattle e assumir o negócio da família; David (Michael C. Hall), o filho do meio que ao início se debate com a sua homossexualidade reprimida, e a filha mais nova Claire (Lauren Ambrose), uma adolescente rebelde. Além deles, existem mais três personagens principais: Federico Diaz (Freddie Rodriguez), o funcionário hispânico da Fishers & Sons, Keith Charles (Matthew St. Patrick), o polícia negro com que começa como um caso secreto de David mas com quem eventualmente assume a relação e Brenda Chenowith  (Rachel Griffiths), uma mulher que tenta esquecer o seu passado problemático com quem Nate tem uma relação com vários altos e baixos.      


Ao longo da série, acompanhamos estas sete personagens, pelos seus altos e baixos, pelas suas decisões acertadas e outras assaz estúpidas, e a sua formas de encarar a vida, a morte e as suas relações com os outros. Frequentemente, existiam algumas sequências onde elas "conversam" com alguns dos mortos, como o Nate sénior ou outros defuntos em busca de respostas, ou que ilustram os seus sonhos e/ou alucinações.
Ruth, cuja vida foi marcada pela repressão, tenta refazer a vida e repensar na sua identidade para além de esposa e mãe. Na primeira série, vê-se num triângulo amoroso com Hiram (Ed Begley Jr.), um cabeleireiro com quem ela estava a ter um caso, e Nikolai (Ed O'Ross), um florista russo. Na quarta temporada casa-se com George (James Cromwell) um geólogo, cujo passado insiste em lhe perseguir. 
Uma vez assumida a sua homossexualidade, David vai-se descobrindo cada vez mais pessoalmente e, após vários avanços e recuos, a sua relação com Keith acaba por prosperar e terminam a série adoptando dois irmãos órfãos, Durrell e Anthony. Claire descobre um talento para as artes plásticas e vai navegando por algumas relações problemáticas, sobretudo com Billy (Jeremy Sisto), o irmão de Brenda com um grave distúrbio bipolar. O casamento de Rico com Vanessa (Justina Machado) passa por várias tensões, desde problemas com outros membros da família a infidelidades, mas quando parece irremediável, no fim os dois voltam a ficar juntos. Além dos altos e baixos da relação com Nate, Brenda tenta reconciliar-se com o passado, como a negligência dos pais, o apego semi-incestuoso do irmão e uma infância onde a sua inteligência sobredotada foi caso de estudo de vários psicólogos e relatada num livro famoso. E Nate descobre que tem um problema de saúde potencialmente fatal, uma malformação arteriovenosa, que lhe faz confrontar-se com a sua mortalidade. A meio da última temporada, um problema semelhante acaba por ser fatal e a recta final da série é dedicada à maneira como as restantes personagens principais lidam com a perda de Nate, sobretudo Brenda, que espera um filho dele.  

Além das personagens já referidos, há que mencionar ainda Sarah (Patricia Clarkson), a irmã artística e liberal de Ruth, por quem este sempre sentiu um misto de ressentimento e inveja, Lisa (Lili Taylor) uma amiga de Nate de Seattle com quem ele casa e tem uma filha, Maya, no início da terceira temporada mas que desaparece e é encontrada morta no final da dita,  Margaret (Joanna Cassidy) a egocêntrica mãe de Brenda e Billy e Joe (Justin Theroux), com quem Brenda namora durante a quarta temporada.


A série contou ainda com participações especiais de nomes como Kathy Bates (que realizou também dois episódios), Rainn Wilson, Michelle Tratchenberg, Mena Suvari, Ricardo Antonio Chaviria, Eric Balfour, Ileana Douglas, Catherine O'Hara, Peter Facinelli, Sandra Oh e Ben Foster


     

Para mim, existem dois episódios da série que me marcaram profundamente. Um deles foi o quinto da episódio da quarta temporada, "That's My Dog", onde David sofre às mãos de Jake (Michael Weston) a quem dera uma boleia na carrinha da agência, sendo brutalmente agredido e amarrado, obrigado a fumar crack e quase é morto. (Escusado será dizer que essa experiência vai deixar-lhe marcas traumáticas para o resto da série.) Quando terminou esse episódio, eu estava completamente destroçado e em lágrimas, como se eu também tivesse passado pelos mesmo tormentos que David.  



O outro foi o último episódio, "Everyone's Waiting", o único que começa não com uma morte, mas com um nascimento, o de Willa, a filha de Nate e Brenda. David e Keith compram a parte da agência de Rico, que quer ter o seu próprio negócio, e mudam-se para a casa da família Fisher com os dois filhos. Separada de George desde que este revelou problemas de demência, Ruth decide ir viver com a irmã. Brenda aceita um emprego como professora e investigadora do desenvolvimento de crianças sobredotadas. Claire tem uma proposta de emprego como assistente de um fotógrafo em Nova Iorque e apesar de entretanto essa proposta ficar sem efeito, encorajada pelo espírito de Nate, ela decide partir na mesma. Durante a sua viagem de carro, ao som de "Breathe Me" de Sia, vemos vários flash-forwards sobre os momentos finais das vidas dos protagonistas: Ruth morre de causas naturais em 2025, Keith morre alvejado em 2029, David de ataque cardíaco em 2044, Rico também de enfarte em 2049 durante um cruzeiro com Vanessa, Brenda durante uma conversa com Billy em 2051 e Claire morre de velhice aos 102 anos em 2085. Ainda hoje é considerado um dos melhores episódios finais de sempre de uma série televisiva e também fiquei destroçado no fim deste episódio mas da melhor maneira possível.


"Sete Palmos de Terra" recebeu nove Emmys, três Globos de Ouro e três prémios SAG e é considerada, juntamente com outras séries que estrearam pela mesma altura como "Os Sopranos" e "24", como uma das série responsáveis pelo início da elevação das séries televisivas como produto de ficção de excelência equiparável ao cinema.

Genérico de abertura:


Promoção à terceira temporada:



Promoção à quinta temporada:




   

domingo, 20 de junho de 2021

Cobra - O Braço Forte da Lei (1986)

Já por cá tínhamos tido um cromo sobre Cobras, daquelas de plástico e provavelmente com mais articulação que o protagonista do cromo:
 

Há uns tempos escrevi que gostava mais desse filme antes, quando só conhecia o trailer e a cena do supermercado. Mas, tem um belo poster! (no topo do artigo).
Estreou entre nós a 17 de Outubro de 1986, com o título "Cobra - O Braço Forte da Lei". No Brasil, foram literais com o poster que tem o nome do actor do mesmo tamanho que o título e baptizaram de "Stallone: Cobra".

Sobre o culto secreto de assassinos que são os vilões da fita ficamos a saber apenas que se gostam de reunir em armazéns para bater machados como se estivessem num concerto do Xutos, têm uma tatuagem para serem facilmente identificados (!) e que antes de morrerem começam a debitar a cassete "Nova Ordem e tal...não nos vão parar". Sobre a tal velha lenda cibernética que reza que o Cobra via televisão de óculos de sol à noite, é mentira, era de dia. Parem de espalhar essa fake news. Mas a cena do Stallone a cortar a pizza com um par de tesouras, cinco estrelas. E juntando a sequência do supermercado e mais alguns momentos jeitosos fazem valer a pena o visionamento. Não é uma obra prima perfeita como "Commando" mas também não é o "Paciente Inglês". Diz outra lenda que circula no submundo cópias incompletas do filme, mas como todo o material mais violento que foi cortado do produto final. E não é lenda ter sido nomeado para 6 prémios na edição de 1987 dos prestigiosos Razzie Awards.

Se eu tivesse visto isto há mais de trinta anos iria ter delirado. Pediria à mãe para me comprar um par de óculos espelhados, roubava alguns fósforos da cozinha e percorria as rua de Olhão em busca dos terríveis Bacalhaus, o gang juvenil que era o terror, vá, o inconveniente, de muita gente cá do burgo. E depois de me roubarem os óculos, os fósforos e o dinheiro do lanche eu fugiria para casa para chorar e ver O Dartacão.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Mundial de Futebol Sub-20 de 1991


por Paulo Neto


Há 30 anos, Portugal recebia um dos maiores eventos desportivos até então, ao organizar o Mundial de Futebol de Juniores, actualmente denominado Campeonato Mundial de Sub-20. Ainda estávamos a treze anos do Euro 2004 e a um quarto de século do nosso primeiro grande troféu sénior, aliás Portugal ainda não era o freguês habitual das grandes competições que viria a ser mas os alicerces da afirmação internacional do futebol português já estavam a ser estabelecidos. Além disso, as expectativas estavam altas em relação à seleção nacional sub-20 até porque Portugal era o então detentor do título após a excelente campanha na edição anterior, disputada dois anos antes na Arábia Saudita. 

O antigo Estádio da Luz em Lisboa, o Estádio das Antas no Porto, o Estádio D. Afonso Henriques em Guimarães, o Estádio 1.º de Maio de Braga e o Estádio São Luís em Faro receberam os jogos da competição que decorreu entre 14 e 30 de Junho de 1991. Além de Portugal, apuraram-se Espanha, Inglaterra, Suécia, República da Irlanda e União Soviética pela Europa, Brasil, Argentina e Uruguai pela América do Sul, México e Trinidad & Tobago pela América do Norte/Central, Egipto e Costa do Marfim por África e pela Ásia, Síria e uma equipa unificada das duas Coreias, competindo sob uma bandeira branca com um mapa azul da Península Coreana, com 10 jogadores do Sul e 8 do Norte. 



Inserido no Grupo A, Portugal venceu a República da Irlanda por 2-0 nas Antas, e depois a Coreia por 3-0 e a Argentina por 1-0 na Luz. Mesmo com nomes como Mauricio Pochettino e Juan Esnaider (que passaria pelo FC Porto), a prestação da Argentina foi bastante fraca, ficando em último lugar do grupo.  

Todos os jogos do Grupo B se disputaram nas Antas, com Brasil e México a superiorizarem-se à Suécia e à Costa do Marfim. Entre a selecção canarinha, destaque para Roberto Carlos, que integraria o Brasil campeão mundial de 2002, e Paulo Nunes, que passou pelo Benfica.
Braga e Guimarães repartiram os jogos do Grupo C onde a Austrália surpreendeu vencendo os três jogos do grupo contra a União Soviética, o Egipto e o Trinidad & Tobago (com um jovem Dwight Yorke). O Grupo D, com os jogos realizados em Faro, Espanha e Síria apuraram-se face a Inglaterra e Uruguai. Os uruguaios aliás não marcariam qualquer golo e ainda sofreram meia-dúzia da Espanha.

Nos quartos-de-final, Portugal bateu o México por 2-1 no prolongamento na Luz, o Brasil goleou a Coreia por 5-1 nas Antas, a Austrália superou a Síria nos penáltis em Braga após empate a uma bola, e os soviéticos venceram a Espanha por 3-1.

Momento tenso entre Luís Figo e Roberto Carlos


Com cinco golos, Sergey Cherbakov (URSS)
foi o melhor marcador do torneio


Nas meias-finais, o Brasil venceu a URSS por 3-0 em Guimarães e um golo de Rui Costa na Luz foi suficiente para apurar Portugal para a final, eliminando a Austrália. No jogo de apuramento do terceiro lugar, os soviéticos vingaram-se da derrota infligida pela Austrália na fase de grupos ao vencer nos penáltis após 1-1. O jogador mais em destaque desta jovem selecção soviética foi o ucraniano Sergey Cherbakov que com cinco golos, foi o melhor marcador do torneio e que viria a assinar com o Sporting no ano seguinte até que um acidente de automóvel em 1993 interrompeu bruscamente a sua carreira aos 22 anos, deixando os membros inferiores paralisado. 


Por fim, no dia 30 de Junho de 1991, o antigo Estádio da Luz, quando ainda tinha o terceiro anel, encheu-se por completo e mais de 120 mil pessoas assistiram à final entre Brasil e Portugal. Mas o jogo acabou por ser algo morno terminando sem golos após os 120 minutos de jogo pelo que a vitória foi decidida nas grandes penalidades e aí os portugueses foram os mais certeiros acertando quatro vezes na baliza canarinha enquanto os brasileiros falharam duas vezes as redes defendidas por Fernando Brassard. E assim Portugal se sagrava bicampeão mundial de sub-20 e se confirmavam os alicerces de uma geração que poria como nunca antes o futebol português no mapa e cujo legado as gerações seguintes souberam continuar. 



Comandados por Carlos Queiroz, os dezoito campeões mundiais de júnior foram Fernando Brassard, Gil, Luís Figo, Emílio Peixe (eleito o melhor jogador do torneio), Rui Costa, Jorge Costa, Abel Xavier, Paulo TorresLuís Miguel, Nelson, Rui Bento, Tó Ferreira, Capucho, João Vieira Pinto, Tulipa, Cao1, João Oliveira Pinto e Toni. Brassard e João Vieira Pinto também integraram a selecção campeã de 1989. 

1 Em 2002, vir-se-ia a descobrir que Carlos Fortes a.k.a Cao tinha na verdade 24 anos na altura do torneio, fora da idade do escalão júnior, mas nem o jogador (à parte ser-lhe retirada a nacionalidade portuguesa) nem a Federação Portuguesa de Futebol sofreram sanções




Mas mais até do que os jogos, a minha maior memória do Mundial de juniores de 1991 foi o hino que a equipa portuguesa gravou para o evento. Eis a letra para cantarem com os nossos craques:

O futebol é para nós a nossa festa
Foi com ele que aprendemos a sorrir
Fazemos golos com os pés e com a testa
Vamos em frente, não podemos desistir

Vamos viver, vamos sorrir
Vamos vibrar com nova emoções
Vamos cantar, vamos ganhar
Pois queremos ser de novo campeões.

Neste mundo de injustiças e de guerras
Nós escolhemos a melhor situação
Viver em paz, amor e harmonia
No seio da nossa selecção

Vamos viver, vamos sorrir
Vamos vibrar com nova emoções
Vamos cantar, vamos ganhar
Pois queremos ser de novo campeões.

Como se pode ver e ouvir, das duas uma, ou os nossos jogadores eram particularmente afinados ou então neste outro desporto das cantigas, foram feitas algumas "substituições". 

A campanha da selecção portuguesa:


Vídeo de um canal espanhol sobre a vitória portuguesa de 1991:


Episódio do "Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio




quarta-feira, 2 de junho de 2021

A Super Avozinha (1985-87)

 por Paulo Neto

Na minha infância, posso dizer que tive três avós. A minha avó materna, a Avó Ana, que foi a maior mestra de todos os tempos na confeção de broas de Todos-Os-Santos e que foi imortalizada no genérico da série "1986" onde surge numa foto com o meu eu petiz, precisamente a moldarmos a massa das broas. Já com a minha avó paterna, de seu nome Maria, não tive tanta convivência já que desde muito cedo foi afectada por graves problemas de saúde que a deixaram praticamente sem mobilidade e ela faleceu quando eu tinha oito anos. No entanto, pode-se dizer que eu devo duplamente a minha existência à minha Avó Maria, por trazer ao mundo o meu pai e por ter-lhe salvo a vida quando ainda muito petiz o meu pai caiu num tanque e, movida pelo instinto materno, ela lançou-se lá para dentro para o tirar mesmo sem saber nadar. E houve ainda mais uma senhora de origem madeirense para quem fui praticamente um neto, a Dona Corina, madrinha do meu tio Jorge, que tomava conta de mim enquanto a minha mãe trabalhava até aos meus cinco anos. Guardo duas memórias particulares da Dona Corina: os passarinhos que ela criava e de vermos televisão, num aparelho a preto e branco, onde por exemplo vi pela primeira vez o "Dartacão". Infelizmente, a Dona Corina nunca chegou a conhecer o meu irmão, falecendo um mês depois de ele nascer. 

Mas o facto de ter tido três avós, tal não me impedia de "adoptar" também avós fictícias como por exemplo a Avó Chica da "Rua Sésamo". E quando a RTP exibiu uma série britânica no ano de 1986, eu e muitos outros petizes sentimo-nos netos da "Super Avozinha". 

Baseada nos livros de Forrest Wilson e adaptada para televisão por Jenny McDade, a série (no original "Supergran") narrava as aventuras de uma senhora idosa que ao ser atingida por um raio, ganha super poderes e combate o crime numa pequena vila da Escócia. A série teve duas temporadas de treze episódios cada mais um episódio especial de Natal, exibidos no Reino Unido entre 1985 e 1987. Em Portugal, a série foi exibida na RTP em 1986 aos sábados à tarde. 

Granny Smith (Gudrun Ure) é uma idosa que vive na vila escocesa de Chiselton, a quem já faltam as forças e a audição para tomar conta do neto Willard (Iam Tomwell). Mas certo dia, enquanto assiste a um jogo de futebol do neto, é atingida por um raio que lhe confere poderes que transformam a frágil velhinha numa autêntica super heroína com força e velocidade sobrehumanas. O raio mágico era uma das invenções do excêntrico Inventor Black (Bill Shine), auxiliado pela sua neta Edison (Holly English). Graças aos seus novos poderes, Granny Smith, decide combater o crime em Chiselton, nomeadamente as malfeitorias de Scunner Campbell (Iain Cuthbertson) e do seu gang composto pelo jovem Tub (Lee Marshall) e os gunas The Muscles (Alan Snell e Brian Lewis), geralmente na companhia de Willard, Edison e do Inventor. Aliás foi Scunner e os seus capangas que fizeram disparar o raio que atingiu a Super Avozinha. Há ainda o narrador, na voz de Bill McAllister
Na segunda temporada, os papéis de Willard, Edison e Tub foram desempenhados por outros jovens actores, respectivamente Michael Graham, Samantha Duffy e Jason Carrelles

A Super Avozinho salvando o neto Willard e Edison.

Scunner Campbell e Tub com a máquina
que lançou o raio que deu puderes a Granny Smith.
A Super Avozinha detectando perigo nas redondezas
perante o olhar do Inventor Black.

O atractivo da série residia pois em ver aquela senhora idosa de boina e de saia em tartan toda cheia de destreza e força a aviar forte e feio nos bandidos e a levantar objetos pesados. Outro poder da Super Avozinha era a capacidade de ouvir se alguém estava em perigo, levantando os dedos mindinhos e indicadores até à altura da cabeça. Na verdade, Gudrun Ure não era assim tão idosa, pois tinha 59 anos quando a série começou e ela fez muitos dos seus stunts. Apesar da acção se passar na Escócia, a série foi filmada no Noroeste de Inglaterra e muitos dos actores eram da zona de Newcastle. A série teve ainda as participações especiais de nomes como a cantora Lulu, a antiga glória do futebol George Best e o actor Billy Connolly que também cantava o tema do genérico da série. A série inspirou ainda dois jogos de computador.  

George Best, o lendário futebolista da Irlanda do Norte,
numa participação especial na série

Gudrun Ure ainda é viva, tendo completado 95 anos no passado mês de Março. 

Genérico:


1.º episódio






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