terça-feira, 13 de novembro de 2018

Feras Luminosas da Matutano




Houve uma altura em que Portugal foi invadido por feras. E de muitas espécies diferentes! O pais ficou cheio de elefantes, avestruzes, zebras, búfalos e leões! Mas não fugiram do Jardim Zoológico, foram libertadas dos pacotes das batatas-fritas e dos snacks Matutano. E tal como os fantasmas luminosos, esta colecção de pequenos autocolantes fluorescentes, "Feras Luminosas" brilhavam no escuro.

Mas contrário dos fantasmas anónimos, definidos pelas ocupações aparentes, as feras todas tinham nome, como o urso Piurso, a girafa Giraça, etc


Foto: Filipe Ramalho (Facebook).

Foto: Hugo Fernandes.



Foto: Catarina Baptista.


No verso das feras encontrávamos as "instruções" para as fazer brilhar no escuro:
"Chega a fera à luz por uns instantes e logo verás como brilha no escuro! Repete quantas vezes quiseres.
Colecciona as terríveis feras da Matutano! Há 30 diferentes, todas coloridas."



Os nomes de algumas das feras: Girafa Giraça, papagaio Louro, urso Piurso, tigre Tareco, leopardo Pintas, Xim-Pa-Zé, Lobo Maurício, Giboa, papa-formigas Pencas, Leónidas, Zé Brado, Sapudo, Búfalo Bill, abutre Píu-Píu, Caguinchas, Pascoalino, Trombinhas, Peixoto, Courato, Turbo-Lento, Raposódia, Omeleta, etc.

Muito obrigado aos leitores Hugo Fernandes, Catarina Baptista e Filipe Ramalho, que partilharam algumas fotos das suas feras.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O Barco Do Amor (1977-1987)

por Paulo Neto


Por incrível que pareça, a Enciclopédia ainda não tinha abordado esta mítica série que tanto encantou espectadores nos anos 70 e 80 (e depois) um pouco por todo o mundo. Isto porque tratava-se de uma série que misturava habilmente humor e romance num cenário tão apetecível como era o de um navio de cruzeiro e das paisagens por onde ele passava.



"O Barco do Amor" começou com um telefilme em 1976 inspirado no livro de memórias de Jeraldine Sanders, uma directora de cruzeiro. Mais dois telefilmes seguiram-se nesse ano até que em 1977 a cadeia americana ABC ter decidido converter o formato em série. Série essa que duraria nove temporadas até 1987 mas que ainda gerou mais quatro telefilmes entre 1987 e 1990. Em Portugal, a série passou na RTP em vários horários nos anos 80 (incluindo durante o "Agora Escolha"), na TVI nos anos 90 e na SIC Gold e SIC Comédia já neste século.

Genérico de abertura da 2.ª temporada (1979)



Genérico de abertura  da 5.ª temporada (1982) já com a Vicki no elenco fixo:



Em cada episódio "O Barco do Amor" tinha três histórias diferentes, cada uma escrita pela sua equipa de guionistas. Regra geral, uma das histórias passava-se entre os membros do elenco fixo, isto é da tripulação do navio (normalmente a mais cómica); outra entre um membro de tripulação e um dos passageiros; e a terceira (geralmente a mais dramática) entre passageiros da respectiva viagem. 



Os membros do elenco fixo eram: o Capitão Pacific Princess Merrill Stubing (Gavin McLeod); o médico do navio Adam Bricker (Bernie Kopell), Doc para os amigos; o camareiro Burl Smith (Fred Grander), mais conhecido como Gopher; o barman Isaac Washington (Ted Lange) e a directora do cruzeiro Julie McCoy (Lauren Tewes). A partir da terceira temporada, a filha do capitão Vicki (Jill Whelan) passou a integrar o elenco fixo, bem como o fotógrafo Ace Evans (Ted McGinley) na sétima temporada. Ainda na sétima temporada, com a saída de Lauren Tewes, Patricia Klous assumiu o papel de Judy McCoy, irmã de Julie, que a substituiu nas suas funções.   


Claro que a minha personagem preferida era a Vicki e o meu eu petiz achava-a que era a miúda mais sortuda do mundo por poder andar pelo mundo no navio. Mas também achava imensa graça ao Gopher e ao Doc que apesar de não serem lá muito atraentes, acabavam sempre a namoriscarem as passageiras. Até porque uma piada recorrente da série era a fama de mulherengo de Doc, que apesar do seu aspecto, já tinha sido várias vezes casado e não raras vezes as suas pacientes sucumbiam ao seu charme. (E serei o único achar que o actor era parecido com o  Willie do "Alf"?).
Outro mítico ingrediente da série era o tema do genérico interpretado por Jack Jones, que foi editado em single em 1979.



E claro está, a série teve um sem-fim de participações especiais ao longo dos seus 249 episódios. Eis aqui alguns exemplos: Kirstie Alley, Richard Dean Anderson, Kathy Bates, Sonny Bono, Joan Collins, Billy Crystal, Jamie Lee Curtis, Tony Danza, Patrick Duffy, Linda Evans, Michael J. Fox, Eva e Zsa Zsa Gabor, Pam Grier, Tom Hanks, David Hasselhoff, Janet Jackson, Gene Kelly, Janet Leigh, Heather Locklear, Leslie Nielsen, Ginger Rogers, Mickey Rooney, Frank Sinatra Jr., Jaclyn Smith, Lana Turner, Andy Warhol, Betty White, Vanessa Williams, Jane Wyman e muitos, muitos mais. Alguns como o actor Lorenzo Lamas, chegaram a fazer vários episódios em papéis diferentes. A própria Patricia Klous teve uma aparição num episódio da sétima temporada (num papel diferente) antes de entrar para o elenco fixo na temporada seguinte.

Geralmente os episódios decorriam durante cruzeiros na costa ocidental da América do Norte (Puerto Vallarta, no México, era o destino mais recorrente). Mas costumavam haver episódios, geralmente com duas partes, que decorriam noutras partes do mundo. Houve também alguns episódios de outras séries como "Os Anjos de Charlie" e "A llha Da Fantasia" que interligaram as suas narrativas com a de "O Barco do Amor".



A nona e última temporada teve algumas particularidades: o tema de abertura era agora cantado por Dionne Warwick, o navio passou a ter uma trupe residente de bailarinas, "The Love Boat Mermaids", que incluía Teri Hatcher, um dos episódios foi considerado em 1997 pela revista "TV Guide" um dos cem melhores episódios de séries de sempre e a segunda parte de um dos episódios teve cenas filmadas em Lisboa, mais concretamente na praça do Campo Pequeno, onde se encenou uma tourada (e só de escrever isto já consigo ouvir o David Martins a bufar). Isto porque uma das histórias era a de um neto (Lorenzo Lamas) de um famoso toureiro (César Romero) que hesita em seguir as pisadas do seu avô ao mesmo tempo que se interessa por uma escritora (Mary Crosby).

Lorenzo Lamas e Mary Crosby
numa cena filmada no Campo Pequeno
Eis um texto no site do Correio da Manhã: https://www.cmjornal.pt/tv-media/detalhe/quando-o-barco-do-amor-atraca-em-lisboa 

Genérico da 9.ª temporada (1986) com o genérico cantado por Dionne Warwick:



Para além das nove temporadas, a série teve ainda mais quatro episódios especiais entre 1986 e 1990. Um reboot da série "The Love Boat - The Next Wave" foi exibido nos Estados Unidos em duas temporadas entre 1998 e 1999, e incluiu um episódio de reunião do elenco da série anterior.

Reunião do elenco em 2017

Em 2014, foi concluída a demolição do navio Pacific Princess na Turquia, adquirido por uma empresa especializada em demolições navais, após os seus custos de manutenção inviabilizarem a sua utilização como navio de cruzeiros.

Pacific Princess ou MS Pacific (1971-2014)

terça-feira, 6 de novembro de 2018

"Voyage Voyage" Desireless (1986)

por Paulo Neto

Eu sou suspeito por ser licenciado em Estudos Franceses e Ingleses, mas adoro a língua francesa e a sua sonoridade. Até gosto do facto de a pronúncia de grande parte das suas palavras ser diferente daquela que as letras que as compõem sugerem (pelo menos aos olhos portugueses). Apesar de só ter começado a estudá-la no 7.º ano, já tinha algumas noções de língua de Voltaire através de um livro que os meus pais me compraram no Círculo de Leitores que ensinava algumas frases e palavras em francês e inglês. Confesso que o meu domínio do francês não é tão forte como o do inglês mas sempre que tenho oportunidade para falar, ouvir ou ler em francês, tento aproveitá-la ao máximo. 
E claro está, aprecio bastante a música francófona desde os tempos de ícones como Edith Piaf e Jacques Brel até à actualidade. E sendo um filho dos anos 80 tenho um carinho especial pelas três canções em língua francesa que se tornaram sucessos internacionais nessa década: a pop de sangue azul em "Ouragon" na voz da Princesa Stéphanie do Mónaco; "Joe Le Taxi" chilreada por uma muitíssimo jovem Vanessa Paradis; e "Voyage Voyage" interpretada pela parisiense Claudie Fritsch-Meintrop sob o nome de Desireless




Nascida na Cidade-Luz no dia de Natal de 1962, Claudie trabalhou como estilista nos anos 70 até que em 1982, uma viagem à Índia inspirou-a a enveredar pela música. Em 1984, integrou o grupo Air 89 que lançou um álbum e em 1986, lançou-se numa carreira a solo com o nome Desireless, compondo uma personagem andrógina e fria, sempre vestida de negro. Mas o seu aspecto mais marcante era sem dúvida o penteado com o cabelo todo em pé. 



Editado no final de 1986, o seu primeiro single "Voyage Voyage", um contagiante tema electro-pop. Na altura, eu ainda não percebia patavina de francês mas lembro-me de gostar de ouvir a música sempre que dava na rádio ou o videoclip na televisão. Ainda que o dito cujo, realizado pela famosa fotógrafa Bettina Reims, me metesse um pouco de medo: num salão de casarão mal iluminado (quiçá um manicómio), Desireless mostra slides com imagens de todo o mundo a um grupo de personagens bizarras incluindo três senhoras entretidas num frenético jogo de cartas, um casalinho de jovens que namora a um canto, um senhor alto que abana incessantemente a cabeça enquanto brinca com uma bola insuflável com o desenho do mapa-mundo com um senhor mais baixo e uma mulher que devora algo que nunca percebi bem o que era (batatas fritas? bolinhos?) que tem numa tigela. Essas estranhas personagens a princípio parecem desinteressadas nos slides até que de repente algo lhes chama a atenção e reúnem-se todas a ver as imagens que surgem no ecrã.  





Mais tarde, quando já dominava o idioma e quis saber o significado da letra, descobri que se tratava de um belíssimo poema sobre como viajar não só nos dá a conhecer o mundo mas como também nos conduz numa viagem ao nosso interior. Daí que quando Desireless canta "Voyage...et jamais ne reviens", não está a dizer para nunca mais regressarmos a casa mas sim para não voltarmos a ser quem éramos antes da viagem. Eis a minha tradução da letra:

No cimo do velhos vulcões
Desliza as asas pelos tapetes de vento
Viaja, viaja,
Eternamente.
Das nuvens aos pantanais,
Dos ventos de Espanha às chuvas do Equador,
Viaja, viaja,
Voa nas alturas. 
No alto das capitais, 
Das ideias fatais
Observa o oceano.



Viaja, viaja, 
Mais longe que a noite e que o dia.
Viaja
No espaço inaudito de amor.
Viaja, viaja
Sobre a água sagrada de um rio indiano.
Viaja
E nunca mais regresses.

Sobre o Ganges ou o Amazonas
Entre os negros, entre os sikhs, entre os asiáticos
Viaja, viaja
Por todo o reino.
Sobre as dunas do Sahara
Das ilhas Fiji ao Fujiyama
Viaja, viaja, 
Não te detenhas.
Sobre os arames farpados, 
Os corações bombardeados,
Observa o oceano. 

Viaja, viaja, 
Mais longe que a noite e que o dia.
Viaja
No espaço inédito de amor.
Viaja, viaja
Sobre a água sagrada de um rio indiano.
Viaja
E nunca mais regresses.

Em França, "Voyage Voyage" ficou-se pelo n.º 2 do top nacional, bloqueado no topo por "T'en Va Pas" da estrela adolescente Elsa Lunghini. Mas o tema era tão poderoso que não tardou a quebrar a  barreira linguística e fazer sucesso fora dos países francófonos, tendo chegado ao n.º 1 na Alemanha, Áustria, Noruega e Espanha ao longo de 1987. Em 1988, uma edição com remistura dos PWL  ajudou "Voyage Voyage" a tornar-se um dos raros temas cantados em francês a chegar ao top 10 no Reino Unido. Por essa altura, Desireless já tinha editado um novo single, "John", uma tema que falava sobre guerra e religião.


Com o prolongado sucesso de "Voyage Voyage" que levou Desireless a percorrer toda a Europa a promover o tema, o seu primeiro álbum, "François" (o nome do seu marido, François Meintrop), só veria a luz do dia em 1989, já quando o interesse na cantora tinha esmorecido. 
No entanto, mesmo sem nunca ter sequer aproximado o sucesso de "Voyage Voyage", Desireless nunca mais deixou de fazer música e actuar ao vivo. Desde 2012 que tem feito a sua carreira em dueto com o compositor Antoine Aureche e o seu disco mais recente, "Desirless Chante Apollinaire", é de 2017. Entretanto "Voyage Voyage" continua a ser incluído em várias festas e compilações dos anos 80 por esse mundo fora.  

Desireless em 2017

Desireless "L'expérience humaine" (2011)



De entre as versões do tema, destaque para a cover de 2008 da cantora belga Kate Ryan e a versão em espanhol de 1991 da boyband mexicana Magneto com o título "Vuela Vuela".  






terça-feira, 30 de outubro de 2018

Armageddon (1998)

por Paulo Neto

Volta e meia, sucede surgirem dois filmes semelhantes no mesmo ano. Por exemplo, duas adaptações de "Les Liaison Dangereuses" de Chorderlos de Laclos em 1989 ("Ligações Perigosas" e "Valmont"), duas bio-pics de Cristóvão Colombo em 1992 ("1492 - A Conquista" e "Cristóvão Colombo - A Descoberta"), dois filmes de animação 3D sobre insectos em 1999 ("A Formiga Z" e "Vida De Insecto") ou duas comédias românticas sobre amizades coloridas em 2011 ("Amor Sem Compromisso" e "Amigos Coloridos"). No ano de 1998, Hollywood providenciou dois filmes sobre um asteróide prestes a colidir com a Terra: "Impacto Profundo" e "Armageddon". Ainda não vi o primeiro que muitos dizem ser melhor e cientificamente mais verosímil mas sem dúvida que o segundo é o mais popular.



Hoje em dia, o realizador Michael Bay é tido como sendo o realizador que acha que efeitos especiais, explosões, movimentos frenéticos de câmara e planos sensuais de corpos femininos fazem por si só um filme. Mas na altura, Bay estava a criar status como realizador de blockbusters após o sucesso de "O Rochedo" e "Os Bad Boys", depois de ter-se iniciado com anúncios publicitários e videoclips (sendo o mais famoso deles "I'd Do Anything For Love" de Meat Loaf). Por isso, a expectativa era grande para "Armageddon", não só por causa de "Impacto Profundo" como também porque contava no elenco com nomes como Bruce Willis, Billy Bob Thornton, Steve Buscemi, Michael Clarke DuncanOwen Wilson, Liv Tyler e um recém-oscarizado (como argumentista) Ben Affleck. Isto para não falar noutro factor de antecipação, quiçá o mais importante.  



A NASA descobre que um asteróide do tamanho do estado do Texas está perto de colidir com a Terra o que certamente significará a extinção da raça humana, senão mesmo a destruição total do planeta. A equipa de cientistas da NASA, liderada por Dan Truman (Thornton), elabora um plano que consiste em recrutar uma equipa de experientes estivadores de perfuração petrolífera, liderada por Harry Stamper (Willis), para viajar no espaço até ao asteróide e perfurá-lo para lançar uma bomba que o fará partir-se em duas partes, que continuarão a sua rota longe da Terra. A equipa de Harry é composta por Chick (Will Patton), Oscar (Wilson), Bear (Duncan), Rockhound (Buscemi), Noonan (Clark Brolly), Max (Ken Campbell) e A.J. Frost (Affleck). Este último namora com Grace (Tyler), a bela filha de Harry, que não aprova a relação pois quer um futuro melhor para a filha do que o de esposa de um estivador.  

  

A equipa de Harry passa por um treino intensivo para a missão, na qual serão acompanhados por uma equipa de astronautas e que inclui uma passagem pela estação espacial russa habitada pelo cosmonauta Lev Andropov (Peter Stormare). Quando meteoritos provenientes do asteróide começam a atingir gravemente algumas cidades como Xangai ou Paris, o mundo aguarda ansiosamente pela salvação da Terra. E após uma série de acontecimentos trágicos durante a missão, a salvação final fica nas mãos e (possíveis sacrifícios) de Harry e AJ. 




O Paulo de 1998 viu "Armageddon" no cinema e gostou bastante, mas o Paulo de 2018 reviu-o recentemente e achou a parra bem maior que a uva, com os clichés apontados nos filmes de Bay bem presentes. A crítica também não foi nada favorável ao filme. No entanto, "Armageddon" foi o maior sucesso comercial de 1998 (sem contar com "Titanic" estreado ainda no ano anterior) e ganhou lugar cativo entre os maiores blockbusters de aventura e acção dos anos 90. 

Porém, está claro é que impossível falar de "Armageddon" sem falar no seu tema principal, "I Don't Want To Miss A Thing", interpretado pelos Aerosmith e escrita pela prolífica compositora Diane Warren. A escolha dos Aerosmith era por demais evidente não só pelo facto do vocalista Steven Tyler ser pai de Liv Tyler como por Michael Bay ter realizado um videoclip para a banda no ano anterior. 
Não só a épica powerballad tornou-se um dos hits do ano como deu à veterana banda o seu primeiro e único n.º 1 nos Estados Unidos. Foi ainda nomeada para o Óscar de Melhor Canção (e para o Razzie de Pior Canção). 
O videoclip de "I Don't Want To Miss A Thing" foi lançado umas semanas antes do filme, servindo como um trailer musical, que terá porventura sido maior chamariz junto do público para ver o filme, como foi o caso do Paulo de 1998. Em alguns países, incluindo Portugal, a edição em VHS de "Armageddon" incluía o videoclip na cassete, numa espécie de antevisão do que seriam os extras de DVD. 

Trailer:


Aerosmith "I Don't Want To Miss A Thing"



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Meteorologia SIC (1992-2000)

por Paulo Neto

Nós gostamos sempre muito de receber feedback dos leitores do blogue e/ou seguidores da página do Facebook e é sempre bom quando eles nos dão sugestões para artigos. Foi o caso do Bruno Miguel Neves Silva que nos propôs uma análise à meteorologia na SIC nos anos 90 e uma vez que estamos em mês de aniversário da SIC, é uma boa ocasião para tal recordação.

Hoje em dia, tal como nos outros canais generalistas, as previsões para o estado do tempo estão integradas nos espaços noticiosos, mas durante muito tempo a divulgação dos boletins meteorológicos tinham o seu espaço próprio. A RTP tinha essa instituição de décadas que era "O Tempo" e nos seus primórdios, a TVI tinha o seu espaço meteorológico a cargo do Professor Anthímio de Azevedo sob o título "As 4 Estações" (que aludia à designação inicial deste canal, "A 4").

No caso da SIC, este espaço era simplesmente intitulado "Meteorologia" e era filmado diante de um cenário croma onde se explicava os estados climáticos na Europa e de Portugal. Nos primeiros meses de emissões, foi na condução deste espaço que se estrearam duas das mais eternas caras da SIC, José Figueiras e Ana Marques. Havia uma terceira apresentadora durante este período inicial: Ana Paula Félix. Os três foram sido escolhidos de um casting de 600 candidatos






Mas para mim, falar da Meteorologia da SIC nos anos 90 é falar de três caras: Alexandra Fernandes, Cristina Möhler e Maria João Pinheiro. Eram estas as três beldades que nos tempos áureos da SIC nos informavam no estado de tempo ao longo da programação do canal. Surgiam geralmente vestidas de forma elegante, realçando a beleza de cada uma mas obviamente nunca de forma excessivamente sensual. Eram icónicos os momentos em que elas apareciam de corpo inteiro sobre um mapa da Europa, com os pés assentes no Norte de África. Eu lembro-me que uma vez estava num café com os meus pais quando dava um boletim meteorológico da SIC na televisão e perante a visão da apresentadora (não fixei qual delas era naquele dia) naquele cenário, um senhor certamente já com o grão na asa exclamou a viva voz: "Ai quem me dera ser Marrocos para o ver o que ela tem lá em baixo!". Um pormenor que eu particularmente gostava, como bom vexilófilo que eu sou, era quando aparecia as previsões do estado do tempo nas principais capitais da Europa (Amesterdão, Atenas, Berlim, Bruxelas, Londres, Madrid, Moscovo, Paris, Roma e Estocolmo) acompanhadas das respectiva bandeiras. Outro momento icónico era quando depois do boletim, havia a menção em voz-off: "As apresentadoras da meteorologia da SIC são vestidas por [nome da marca de roupa]." A mais célebre dessas vozes-off era a de José Carlos Malato de quem me recordo ouvir dizer que elas eram vestidas por Augustus, Alain Manoukian, Don Algodon ou Mexx.

Alexandra Fernandes era a mais vistosa das três e até havia quem lhe chamasse a Pamela Anderson da meteorologia. Nascida a 26 de Maio de 1971, além deste espaço e de aparições em vários programas, deu algumas pequenas incursões como actriz. O seu papel de maior destaque foi o da série da RTP "Um Estranho Em Caso" onde entrou em quatro episódios no papel de Margarida e também fez cameos nas séries "Médico de Família" e "Uma Aventura" e na telenovela "Tempo de Viver". Em 2005, foi uma das concorrentes da "Quinta das Celebridades". Embora tal como as outras suas ex-colegas esteja já há vários anos fora dos ecrãs da televisão é aquela que vai aparecendo mais nos eventos sociais.

Alexandra vestida a preceito para o calor de Julho de 1996:



Alexandra de botas altas no princípio da Primavera de 1997



E Alexandra num cenário com um design já algo diferente em Março de 2000



 Maria João Pinheiro era a mais recatada das três e havia algo de aristocrático na sua postura quando apresentava. Para além da meteorologia, co-apresentou com Rogério Samora o programa "Número Um" em que a cada programa se procurava eleger o melhor português numa determinada profissão. Teve cameos em "Médico de Família" e "Os Trapalhões Em Portugal" bem como presenças em vários programas e especiais da SIC. E terá sido certamente nos corredores da SIC que terá conhecido Miguel Esteves Cardoso, que nessa altura notabilizava-se no programa "A Noite Da Má Língua". Os dois casaram-se em 2000 e desde então que Maria João Pinheiro afastou-se da vida mediática, só voltando a ser notícia anos mais tarde por ter sobrevivido a um cancro da mama em 2009 e um tumor no cérebro em 2012. Antes, durante e depois dessas tormentas, Miguel Esteves Cardoso escreveu belíssimas e apaixonadas crónicas sobre a relação de ambos que podem ser lidas nos seus livros "Como É Linda A Puta Da Vida" e "Crónicas de um Português Arreliado".

Maria João de tranças para receber uma primavera antecipada em 1995


Maria João num arejado vestido de alças em contrapartida ao frio e chuva que sentia em Novembro de 1996



Como o seu nome indica, Cristina Möhler tinha uma fisionomia que remontava para terras germânicas. Nascida a 23 de Maio de 1975, foi aquela que teve uma carreira mais prolífica como apresentadora, apresentando também "Luna Park" e "O Templo dos Jogos" na SIC, "Ri-te, Ri-te" na TVI, "Quebra-Cabeças" e "Lux" na RTP, bem como o Festival da Canção de 2001. É casada desde 2006 com o ex-futebolista Paulo Sousa e a última vez que me lembro de a ver na televisão foi durante o sorteio dos grupos do Europeu Sub-21 de futebol de 2006, que se realizou em Portugal.

Cristina de vermelho, anunciando um solarengo dia primaveril em Abril em 1994.



Cristina de chapska branca, aludindo ao frio que se fazia sentir em Novembro de 1995.




Embora Alexandra, Cristina e Maria João fossem de longe as mais icónicas, não foram as únicas apresentadoras da meteorologia durante os anos dourados da SIC. No Youtube achei também blocos apresentados por Maria Gameiro e Anabela Rodrigues





E os leitores, que memórias guardam da "Meteorologia" da SIC? Qual das apresentadoras era a vossa favorita? Eu não me consigo decidir, cada uma tinha o seu estilo próprio e igualmente cativante. 

E claro está, se tiverem uma ideia para um cromo sobre algo que ainda não abordámos, façam como o Bruno e deixem as vossas sugestões aqui no blogue ou na página do Facebook. 

Vídeos no YouTube dos canais Lusitania TV, Vasco Ferreira e SIC Sempre Gold.


terça-feira, 16 de outubro de 2018

"Deixa-me Olhar" AlémMar (1998)

por Paulo Neto

Hoje em dia o conceito de fama é cada vez mais abstracto e aleatório. Parece que a qualquer momento cada um pode ter os seus quinze minutos warholianos sem sequer fazer algo meritório para tal. E claro está, com as novas tecnologias, existem outras plataformas de fama.
Mas eu cresci no tempo em que não só prevalecia a associação da fama ao mérito como o meu eu petiz acreditava que os famosos eram uns quantos escolhidos por alguma providência para se distinguirem do cidadão comum e viviam num universo paralelo que só episodicamente desciam ao mundo da gente comum para concertos ou algo assim. E para um miúdo que cresceu em Torres Novas esse universo paralelo podia muito bem ser Lisboa ou Porto. Qual era o famoso que quereria viver num município tão singelo como Torres Novas?
Bem, havia um famoso no concelho de Torres Novas e como tal, foi o primeiro famoso que eu vi na rua, fora de um contexto artístico: Pedro Barroso (o cantor, não o actor de telenovelas). Apesar de nascido em Lisboa, António Pedro da Silva Chora Barroso cresceu na freguesia dos Riachos e por lá continuou a residir mesmo quando a sua carreira como músico arrancou tendo sido um dos cantautores revelados pelo "Zip-Zip". Os anos 80 foram o seu período de maior sucesso da sua carreira por conta dos seus dois grandes hits: "Cantar Brejeiro" (mais conhecido como "Olha A Perninha Da Menina") em 1982 e "Menina Dos Olhos d'Água" em 1987.



Mas em 1998, vi-me a poucos graus de separação de gente famoso, porque foi nesse ano que se celebrizou uma banda com membros naturais do meu concelho. Isto porque foi nesse ano que os AlémMar editaram o seu primeiro álbum. E não só o vocalista era Nuno Barroso, filho de Pedro Barroso, como três dos membros da banda ou eu conhecia pessoalmente ou conhecia pessoas ligadas a eles. Era o caso de um dos guitarristas, Carlos Lima, cujo pai - que tinha o mesmo nome - era na altura meu professor de IDES (Introdução ao Desenvolvimento Económico-Social) no 12.º ano (e já tinha sido meu professor de Geografia no 10.º ano), e foi um dos professores mais marcantes da minha escolaridade; foi quase para mim o que a personagem de Robin Williams foi para o Clube dos Poetas Mortos. Na altura, além da banda, o Carlos Lima filho trabalhava também como criador dos bonecos do "Contra-Informação". Depois havia a cantora do coro, Ana Rita Damásio, que era da outra turma de Humanidades e por isso já tinha falado esporadicamente com ela - e que mesmo antes já emanava "star power". E havia também o baterista Samuel Henriques que eu conhecia também da escola, pois era amigo de alguns dos meus colegas de turma e de cujo irmão mais novo (também ligado à música) eu próprio viria tornar-me amigo anos mais tarde. Os outros membros da banda eram Ricardo Moreno (guitarra), Pedro Nunes (baixo) e Francisco Velez (teclas). 
O projecto tinha começado alguns anos antes sob o nome de Anúbis e como alguns dos membros andavam na mesma escola secundária que eu, eu ouvia aqui e ali relatos da evolução da banda e do interesse das editoras. Depois correu a notícia que em 1997 tinham assinado contrato com a MCA e que estavam a preparar um álbum a ser lançado no ano seguinte. Mas só mesmo quando ouvi "Deixa-Me Olhar" pela primeira vez na rádio da minha escola é que pensei: "É pá, eles podem ir longe."


E de facto, com a edição do single e do álbum homónimo da banda, o sucesso foi imediato e não tardou que a rádio tocasse "Deixa-me Olhar" com insistência e que os AlémMar aparecessem em todos os programas de televisão e actuassem por todo o país.


Não fosse o fenómeno Silence 4 pouco tempo depois, e teriam sido a banda nacional com a estreia mais auspiciosa do ano de 1998. Claro está, também os vi ao vivo em Torres Novas nesse ano numa noite chuvosa de Outubro.
"Deixa-me Olhar" obteve imediatamente lugar de honra no panteão da baladaria nacional e continua a ser até hoje um favorito nas noites de karaoke por esse país fora.

Entre as outras faixas do álbum, destacam-se "Carolina (Anda Cá)", "Cidades Não Chores Por Mim", "Zé Das Pintas" e outra powerballad "Já Não Há Mais Baladas".



O segundo álbum "Viver" saiu em Outubro de 1999, mas embora o tema "Sentimento Irreal" tenha tido alguma notoriedade, o disco esteve longe de repetir o sucesso do primeiro álbum.




Após alguns anos de interregno, a banda reuniu-se em 2004 para uma actuação na Festa da Bênção do Gado em Riachos e desde então que os AlémMar actua ocasionalmente com uma formação semi-renovada. Em 2007, editaram o terceiro álbum, "Acreditar" e regravaram "Deixa-me Olhar" para o genérico e banda sonora da telenovela da TVI "Deixa-me Amar".





Nuno Barroso tem tido paralelamente os seus projectos a solo. Ana Rita Damásio foi uma das vocalistas dos Madredeus após a saída de Teresa Salgueiro entre 2008 e 2010. Samuel Henriques foi o baterista na última digressão de José Cid.   


terça-feira, 2 de outubro de 2018

Cocoon - A Aventura dos Corais Perdidos (1985) / Cocoon II - O Regresso (1988)

por Paulo Neto

A "Sessão da Noite", espaço de cinema da RTP1 para as noites de sexta-feira, é parte essencial das minhas memórias cinéfilas, antes de começar a ir regularmente ao cinema. Foi ao longo dos três anos em que este espaço esteve no ar (1990-1993), que vi vários filmes dos anos 80 e alguns das décadas anteriores, muitos deles que já falei em outros artigos. Recordo-me bem de ver a primeira TV Guia do mês que tinha uma secção que indicava quais eram os filmes a serem exibidos pela RTP nesse respectivo mês para ver quais os filmes que iriam dar na "Sessão de Noite". E claro está, havia aquela maravilhosa sensação de deixar para trás uma semana de aulas e começar o fim-de-semana com um bom filme na noite de sexta-feira. 
Desta vez vou falar não sobre um mas sobre dois filmes da mesma saga que, se não me falha a memória, foram exibidos em duas sextas-feiras consecutivas. (E curiosamente o poster do primeiro aparecia no genérico da "Sessão da Noite").



"Cocoon" é daqueles filmes do qual ninguém se lembra do título em português ("A Aventura dos Corais Perdidos"). O filme de 1985 foi realizado por Ron Howard e era uma interessante mistura de ficção científica, comédia e drama para além de ter a particularidade de ter um elenco composto por actores veteranos e personagens idosas como protagonistas, em contra-corrente com a eterna obsessão de Hollywood pela juventude. 



Há milénios atrás, uma raça alienígena do planeta Antarea esteve presente na Terra para pesquisar este planeta, tendo a Atlântida como seu posto principal. Quando a Atlântida afundou, vinte Antareanos sobreviveram dentro de uma espécie de casulos rochosos. Na actualidade, um grupo de Anatreanos vem à Terra para recuperar esses casulos e levá-los de novo para esse planeta. Na sua verdadeira forma, os Antareanos são criaturas etéreas e extremamente luminosas, por isso, usam uma pele humana para não levantarem suspeitas e interagir com os humanos.


Eles estabelecem-se na Flórida onde alugam uma casa com piscina e recrutam a ajuda do barqueiro Jack Bonner (Steve Guttenberg) para recuperar os casulos do fundo do mar. Jack interessa-se por Kitty (Tahnee Welch), a única mulher do grupo, e descobre o segredo deles quando a vê a tirar a pele humana. Mas Walter (Brian Dennehy), o líder do grupo, assegura-lhe que são uma raça pacífica e Jack aceita manter o seu segredo. Com o tempo, Kitty admite gostar de Jack e não podendo fazer amor com ele à maneira humana, os dois têm um momento íntimo na piscina em que ela compartilha a sua energia vital. 




Entretanto, três amigos que vivem num aldeamento residencial para idosos ali perto, Art Selwyn (Don Ameche), Ben Luckett (Wilform Brimley) e Joe Finley (Hume Cronyn) decidem ir à socapa até à piscina da casa alugada pelos extraterrestres onde estão os casulos recuperados. A piscina está a ser utilizada pelos Antareanos para armazenar a energia que permitirá àqueles dentro dos casulos suportar a viagem de volta ao planeta e ao banharem-se nela, os três idosos curam-se dos seus problemas de saúde (por exemplo, Joe tinha um princípio de leucemia) e sentem-se as suas energias rejuvenescidas. Quando são apanhados por Walter na piscina, eles prometem manter segredo.
Ben e Joe renovam a paixão pelas respectivas esposas Alma (Jessica Tandy) e Mary (Maureen Stapleton) e Art ganha confiança para conquistar Bess McCarthy (Gwen Verdon). Também elas as três  acabam por saber do segredo e desfrutar dos benefícios da energia da piscina. Já um quarto amigo, Bernie Lefkowitz (Jack Gilford) é muito desconfiado dos ocupantes da casa e recusa-se a banhar na piscina e impede a sua mulher Rose (Herta Ware) de o fazer.  




Mas quando as atitudes rejuvenescidas dos três casais levantam demasiadas suspeitas no aldeamento, Bernie revela o segredo e os outros idosos precipitam-se para a piscina, estragando um dos casulos. Mas é Bernie que sofre a pior consequência quando leva uma Rose moribunda à piscina e não a consegue salvar pois os idosos consumiram toda a energia armazenada, impossibilitando os casulos de regressarem a Antarea. 



Walter propõe então aos idosos do aldeamento que venham com eles para Antarea, onde ninguém envelhece ou morre. A maioria aceita, incluindo Art, Bess, Ben, Mary, Joe e Alma, mas Bernie decide ficar. Ben e Mary têm uma despedida particularmente emotiva com o seu neto Ben (Barret Oliver) de quem sempre foram muito próximos. A partida é atribulada, sendo perseguidos pela Polícia, mas com a ajuda de Jack e David, extraterrestres e idosos conseguem chegar ao planeta.

"Cocoon" foi um inesperado êxito do Verão de 1985 (estreou em Portugal em Dezembro), sendo o sexto filme mais rentável desse ano e conquistando dois Óscares: o de Melhor Actor Secundário para Don Ameche e o de Melhores Efeitos Visuais. Ron Howard venceu também o Prémio Saturn para Melhor Realizador. Inicialmente era para ser Robert Zemeckis o realizador mas a 20th Century Fox  considerava-o na altura um realizador "veneno de bilheteira" e optou por Howard. (Zemeckis seria o último a rir quando  "Em Busca da Esmeralda Perdida", o filme que acabou por dirigir nessa altura, tornou-se um êxito, permitindo o arranque de um certo projecto seu até então constantemente rejeitado chamado "Regresso Ao Futuro".)



Três anos mais tarde surgiu a sequela, "Cocoon 2 - O Regresso", realizada por Daniel Petrie, com praticamente todo o elenco do primeiro filme. Cinco anos depois da acção do primeiro filme, os Antareanos regressam à Terra para recuperar os casulos perdidos. Com eles regressam também os idosos que tinham partido com eles, incluindo os três casais protagonistas, para decidirem se querem ficar na Terra e voltarem a envelhecer e a serem mortais ou ficar definitivamente em Antarea. O problema é que um dos casulos foi achado por um grupo de cientistas que o mantém num laboratório secreto. Ainda apaixonado por Kitty, Jack tenta recuperar o romance mas a Antareana garante que a relação deles não tem futuro e que teve uma visão de que ele vai casar com uma terrestre com um sinal em forma de coração no pescoço.




De volta a Terra, os três casais ficam felizes por saber que depois de uma longa depressão pela morte de Rose, Bernie parece ter encontrado de novo o amor com Ruby (Elaine Stritch). Mas para além da missão de recuperar os casulos, eles enfrentam novos dilemas. Bess descobre que está grávida de Art, Joe descobre que a sua leucemia regressou e Ben e Mary ressentem-se de terem passado tanto tempo longe dos seus ente queridos, sobretudo de David que passa por uma fase complicada da adolescência.  
A tragédia acontece quando Alma é atropelada por um carro para salvar uma criança e Ben decide sacrificar a sua energia vital que lhe resta para a salvar. Art, Ben, Jack, Kitty e David entram no laboratório para salvar o casulo detido pelos cientistas e são ajudados por Sara (Courteney Cox), uma cientista que se revolta quando descobre que os seus colegas pretendem entregar o extraterrestre do casulo ao Exército. 


Na hora da partida, Art e Bess escolhem voltar para Antarea para viverem o tempo suficiente para ver o seu filho crescer. Por seu turno, Ben e Mary escolhem ficar no Terra junto da família e amigos e deixar a vida seguir o seu curso natural. Alma opta também por ficar na Terra para aceitar a oferta de trabalho num ATL, onde as crianças locais adoram ouvir as suas histórias sobre o planeta Antarea.
Depois de Art, Bess e os Antareanos terem partido com os casulos deixados para trás na viagem anterior, Jack descobre que Sara tem um sinal em forma de coração no pescoço e que é ela a mulher da visão de Kitty. 

"Cocoon 2" foi um flop comercial e crítico, mas eu não achei assim tão inferior ao primeiro filme. Embora toda o elenco tenha regressado, Brian Dennehy só aparece no final com Walter. Dennehy tinha recusado participar na sequela, mas acabou por fazer essa participação especial por carinho e respeito pelos seus colegas de elenco. 

De entre os actores veteranos desta dilogia, apenas Wilford Brimley ainda é vivo aos 84 anos.   


Trailer "Cocoon - A Aventura dos Corais Perdidos":



Trailer "Cocoon 2 - O Regresso"




  
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