segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Petite 600



Mais um dos anúncios emblemáticos da "era croma" da publicidade televisiva: "Petite"  a máquina de escrever da Concentra, destinada aos mais jovens. Aliás, os espectadores portugueses ouviam a frase "da Concentra" em vários anúncios televisivos ao longo dos anos cromos, identificando a empresa portuguesa cinquentenária de fabrico e representação de marcas e produtos famosos lá fora, cá dentro, como por exemplo, os "Masters do Universo", "Sindy", "Subbuteo", "Barbie", "Transformers", etc. Para um jovem, ver o anúncio da "Petite" era mais um dos sinais que se aproximava o Natal, como os anúncios das "Bom-Bokas", "Fantasias de Natal" ou "O Barco Pirata da Playmobil". Mas este era mais que um brinquedo, preparava a juventude para um futuro emprego num escritório a teclar até à idade da reforma. Lúdico e educativo, pensariam os paizinhos. Cá por casa a máquina de escrever era antiga, e sem as teclas e mecanismos em plástico da "Petite" cada tecla quase que tinha que ser martelada com a força para fixar um prego a uma tábua, e se tivesse tido uma Petite de certeza que estaria melhor preparado para a disciplina que tive na C+S de "Práticas Administrativas" ou algo do género, onde lidei com máquinas electrónicas.
O reclame em si, cativava pela originalidade (mais sobre isso à frente) e pelo ritmo dos jovens a tocarem música em máquinas de escrever de brincar mas que escreviam a sério. Mas a graça do anúncio é que os pequenos artistas estavam vestidos a rigor como de orquestra se tratasse, com maestro de batuta e tudo. No anúncio que vimos em Portugal, os jovens vão martelando as teclas ao ritmo do maestro e do acompanhamento dos "instrumentos invisíveis" e mudando de linha com um sonoro "plim" antes de carregar na alavanca. No final apoteótico o único rapaz dos executantes acaba atrasado e é imediatamente fulminado pelos olhares do maestro e das coleguinhas.

Anúncio português ao  modelo "Petite 600":



Neste link podem ver a versão francesa de 1986, "Petite: Machine a ecrire". Curiosamente na França o rapazinho  não recebe o olhar reprovador do maestro e colegas. Este outro vídeo ainda exibe mais modelos no final.


Podia jurar que me recordava de no anúncio a máquina ser em azul, talvez algum modelo anterior ou posterior, ou uma variação.
"Petite 600" dos anos 70:

Este não foi o primeiro modelo, na Internet existem muitos, até à venda em lugares como o Ebay, mas pouca informação encontrei sobre os criadores ou fabricantes, excluindo o site "Typewriters" (em alemão) que se o Google traduziu bem, no artigo sobre as "Petite Typewriters" identifica a "Byron Jardine Limited" como a criadora e já nos anos 70 os novos proprietários como "Dobson Park Engineering". Pelo nome do produto, sempre assumi que "Petite" fosse uma invenção tão francesa como a Torre Eiffel.
A máquina azul que recordo provavelmente será esta edição dos anos 90 da "Petite 600":



Não consegui identificar se o tema pertence a alguma obra já existente ou se foi criado para o anúncio, mas tenho quase a certeza que já o ouvi algures. 
Nota: Tinha este artigo em rascunho desde Outubro de 2012, mas entretanto, por mero acaso descobri no mural de um amigo no Facebook que este reclame foi inspirado por uma cena clássica do filme "Um Namorado com Sorte" (1963) do génio da comédia Jerry Lewis. [Vídeo aqui.] Obrigado pela dica João Bastos
Depois foi fácil descobrir o nome da música: "The Typerwriter" de 1950, do compositor americano Leroy Anderson e que tinha a peculiaridade de ser tocada com a inclusão de uma máquina de escrever na orquestra!

Um reclame da edição "para escritório":



A "Petite 990" também incluía a criançada precocemente no mundo dos negócios:


Um anúncio francês de 1979 ao modelo "Petite Super International", ideal para dactilografar falsificações para faltar à escola. Seria esta Martine a Anita original? ("Anita falta à escola").


Outro da mesma época: "La Petite : machine à écrire enfant". E lá nos finais de 80, os modelos de máquina de escrever electrónica. [vídeo] e que falava [vídeo].

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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Blocos Publicitários RTP2 (Agosto 1992)

por Paulo Neto

Regressamos hoje a uma das nossas favoritas rubricas aqui na "Enciclopédia de Cromos": analisar os blocos de publicidade que passaram nas nossas televisões nos anos 80 e 90. Neste caso, existe a particularidade de analisarmos pela primeira vez blocos da RTP 2, uma vez que se tratam dos espaços publicitários emitidos durante a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona. Jogos Olímpicos esses que, apesar de imensos grandes feitos desportivos e da excelência da organização por parte da capital da Catalunha, não deixaram nenhumas saudades a Portugal.


Como eu já referi algumas vezes, vivi a minha infância sem ter a RTP 2 sintonizada em minha casa até ao Natal de 1992, pelo que tudo aquilo que via do segundo canal até então fora em casa alheia, e as transmissões dos Jogos Olímpicos de Barcelona não foram excepção, pois eu lembro-me de ir ver o bloco das provas da tarde em casa de vizinhos. Recordo-me que foi aí, por exemplo, que vi uma japonesa (Kyoko Iwasaki) de 14 anos ter ganho os 200m bruços na natação e pensei: "Bolas! Ela é só dois anos mais velha que eu, algumas raparigas da idade dela ainda brincam com bonecas, e ela ganhou a medalha de ouro!"

Como já disse os blocos publicitários que se seguem foram emitidos pela RTP2 durante a cerimónia de encerramento dos Jogos de Barcelona a 9 de Agosto de 1992.



0:00 Lembro-me deste apresentador da programação desportiva da RTP mas não me recordo do nome dele. É ele que faz o preâmbulo antes do início da transmissão da cerimónia, referindo que mais de uma dezena de milhar de atletas "percorreram o caminho da glória", mas como é natural apenas uns quantos viram esse caminho terminar no pódio.
0:48 Vinheta RTC
0:53 Durante as transmissões dos Jogos Olímpicos de 1992, recordo-me que a RTP teve estes breves spots de perguntas e respostas sobre os Jogos, chamados de "Curiosidades Olímpicas" e ilustrados por sequências de animação de temática desportiva. Neste caso, com imagens de natação, devido à pergunta: "Quando foi a primeira vez que um nadador português participou nas Olimpíadas?"
(Aproveito a ocasião para elucidar que, ao contrário do que é referido nesse spot, Olimpíadas não é sinónimo de Jogos Olímpicos. Entende-se por Olimpíada o espaço de quatro anos entre Jogos Olímpicos, tal como sucedia na Grécia Antiga. Porém, cada edição dos Jogos Olímpicos é oficialmente designada consoante a Olimpíada previamente decorrida. Por exemplo, os Jogos Olímpicos de 1992 de Barcelona tiveram a designação oficial de Jogos da XXV (25.ª) Olimpíada.)
1:01 A Danone foi um dos patrocinadores dos Jogos de Barcelona, e como tal, os seus anúncios da altura tinham temática desportiva. É o caso deste em que duas mãos passam entre si uma colher, como que a reproduzir uma corrida de estafeta, completa com uma música muito semelhante à daquela do filme "Momentos de Glória". O David Martins já publicou aqui um anúncio sobre um concurso promovido pela Danone que encorajava os seus jovens consumidores a criar uma banda desenhada de temática olímpica, cujos prémios principais eram viagens à então recém-inaugurada Disneyland Paris e a Barcelona para ver os Jogos.
1:20 Anúncio à Gilette Sensor que possuía a então avançada tecnologia das lâminas gémeas sobremóveis para melhor se adaptarem às curvas do rosto daquele que as iria usar. E claro está, o mítico slogan "O melhor para o homem"!
1:51 Confesso que tenho um fraco por este tipo de anúncios de bebidas onde um grupo de malta jovem faz uma grande farra em clima de canícula, deixando-me com vontade de saltar também lá para dentro do anúncio. Há que louvar o facto de a Unicer não ter poupado esforços (e dinheiro) para produzir este anúncio que parece 100% americano (até o jingle cantava "In America"...) para a Snappy, aquela que é a eterna resposta nacional às gigantes marcas de bebidas gaseificadas de sabor a lima-limão como a Seven Up e a Sprite. Lembro-me também de ter visto na altura cartazes outdoors e calendários com o frame dos 2:10, onde uma moça faz um espectacular movimento capilar enquanto se encharca num jacto de água.
2:21 As Lojas Singer estavam em todo o lado nas nossas televisões, dos patrocínios a tudo o que era concurso aos anúncio criativos como este em que o protagonista de postura direita serve também para fazer o 1 de um gigante número 10. Isto para dizer que era possível comprar nas lojas Singer em dez prestações mensais sem juros. Gosto sobretudo do movimento de cabeça que o actor faz antes de repetir "Dez!".
2:37 Já falámos anteriormente deste anúncio da Dentagaard com um diálogo entre o castor animado e um campista em boxers.
2:57 Uma mulher misteriosa conduz habilmente o seu Citroen ZX e no fim ainda faz cheque aos seus perseguidores, cujo carro é apanhado por uma grua com um íman gigante.
3:24 Cenas de corridas de vela ilustram este anúncio da Omega, uma das mais míticas marcas da relojoaria suíça.
3:40 Anúncio ao iogurte líquido Yop da Yoplait som do clássico "I Got You (I Feel Good)" de James Brown. Se bem se lembram, o Yop foi o primeiro iogurte líquido a ser comercializado em Portugal numa embalagem em formato de garrafinha, algo que agora é lugar-comum no mercado dos iogurtes líquidos.
3:55 Um escritor redige uma cena do seu livro em que o protagonista encontra uma mulher no bar pela primeira vez. Ele não consegue decidir se ela era morena ou loura, ou vestida de vermelho ou de azul. Mas uma coisa é certa: o protagonista bebia cerveja Buckler sem álcool. (E agora reparo que o actor deste anúncio é o mesmo do célebre anúncio dos produtos Insignia).
4:26 Outro marca mítica da publicidade dos anos 80 e 90: os produtos Domplex ("É qualidade e utilidade"). Por curiosidade, faz em 2017 cinquenta anos que esta célebre marca de produtos em plástico foi criada pela empresa Plastidom.
4:40 Outra vez o anúncio da Omega.
4:53 Mais um divertido anúncio das Lojas Singer, em que dois lutadores de sumo se lançam num combate mas um deles fica mais interessado nas imagens de um televisor Sony. O outro é que não parece tão entusiasmado.
5:11 Anúncio da série discográfica "O Melhor De..." da EMI-Valentim de Carvalho dedicada à obra de nomes da história da música portuguesa como é o caso de Carlos Ramos (ouvindo-se a sua canção-assinatura "Não Venhas Tarde"), Max (com "Pomba Branca) e Carlos Paião (ao som de "Pó De Arroz"). Os meus pais tiveram este disco do Carlos Paião em cassete.
5:23 E a resposta à pergunta do spot animado do início do bloco: "Nas 8.ªs Olimpíadas em Paris em 1924". (Acrescento que esse primeiro nadador olímpico português chamava-se Mário Silva Marques e nadou os 200m bruços).



0:00 Vinheta RTC
0:02 Mais um anúncio da Danone de inspiração desportivo, com um lançamento da colher a fazer lembrar o lançamento do dardo.
0:23 E mais uma vez o anúncio da Gilette Sensor.
0:52 Também já falei sobre este vistoso anúncio ao Porto Ferreira Tawny, num texto anterior.
1:38 Além de ser marca líder na lingerie feminina, pelos vistos na altura a Triumph apostava também na roupa desportiva.
1:47 No Portugal de 1992, anúncios com animação 3D ainda eram raros pelo que este anúncio das Tintas Barbot deve ter sobressaído na altura.
1:55 Mais uma variação numa série dos anúncios aos desodorizantes Axe em que uma mulher fica inebriada com o cheiro a Axe do garboso desconhecido de quem inadvertidamente se aproxima e dá uma snifada. Neste caso, havia a particularidade de que agora já estava disponível a variedade de desodorizante em stick.
2:16 Anúncio à Renault ilustrado por dois carros de Fórmula 1.
2:46 E como não há duas sem três, eis de novo o anúncio à Omega.
3:00...e outra vez o anúncio do YOP
3:17 A Coca-Cola também é um patrocinador olímpico de longa data (desde 1928) e por alturas dos Jogos de Barcelona, emitiu este anúncio com imagens de várias crianças a praticarem desporto. Porque como diz a voz off, nem todas verão o interior de um estádio olímpico ou saberão o que é ser o melhor do mundo, mas todas as crianças podem descobrir o que têm de melhor.
3:48 Anúncio do champô Vidal Sassoon protagonizado pelo atleta olímpico Manuel Barroso onde este é visto a praticar quatro dos cinco desportos da sua modalidade, o pentatlo moderno (esgrima, tiro, natação, equitação e corrida). Manuel Barroso participou em quatro Jogos Olímpicos entre 1984 e 1996, e em Barcelona 1992 fez um brilharete ao vencer a prova de corrida, o que porém não fez com que conseguisse melhor que o 53.º lugar final.
4:17 E como não há três sem quatro...
4:33 O cantor brasileiro radicado no nosso país (e dono de uma espectacular mullet encaracolada) João Marcelo editava o novo álbum "Quando Fala Um Coração". João Marcelo ficou sobretudo conhecido pela sua versão de "Aguenta Coração", tema da telenovela "Barriga de Aluguer" originalmente interpretado por José Augusto.
4:53 Em 1992, a Sega Mega Drive era a consola de topo com os seus "revolucionários" 16 bits!



0:00 Vinheta RTC
0:02 Este anúncio também já foi mencionado num texto anterior. Uma elegante senhora chega a um aeroporto e fica rapidamente na mira de homens de várias nacionalidades. No entanto, um cavalheiro misterioso já a esperava no bar com um whiskey Ballantines.
0:31 Anúncio à revista "Basquetebol" dedicada ao mundo do basquetebol. (Obviamente!)
0:42 Vários rostos sorridentes ilustram o anúncio ao iogurte líquido da Mimosa, que então era designado por You. (Que pelo nome e pelo formato em garrafa, parecia um ataque de concorrência directa ao Yop).
1:12 Várias imagens desportivas ilustram o anúncio à bebida Isostar. Embora nunca tenha sido um grande praticante desportivo e adepto da exercício, lembro-me de beber algumas vezes esta bebida.
1:32 Novamente o anúncio à Triumph Sportswear
1:42 E novamente o anúncio das Tintas Barbot
1:56 Anúncio ao desodorizante Nivea, protagonizado por uma pena.
2:04 Mais um pot-pourri de imagens desportivas, desta vez para um anúncio ao relógios Seiko. Gostava de destacar aos 2:06 a imagem da corredora mexicana Enriqueta Basilio, que acendeu a pira olímpica nos Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México, a primeira vez que uma mulher teve tal honra.
2:24 Se não estou em erro, este foi o primeiro anúncio ao gelado Magnum ( ainda antes do famoso anúncio do "é meu, é meu e só meu até ao fim") em que uma mulher que come um Magnum ajuda um empregado de uma joalharia a decidir qual o colar a pôr na montra, elegendo o colar mais simples.
2:55 De novo o anúncio infanto-olímpico da Coca-Cola
3:24 Foi no início dos anos 90 que o mercado nacional dos champôs recebeu a revolução dos champôs 2 em 1 com amaciador, com a Vidal Sassoon na proa dessa revolução. Recordo-me bem deste anúncio num ginásio, onde uma jovem desespera com o seu cacifo emperrado onde tem o seu champô e amaciador lá dentro. Mas basta um empréstimo do Vidal Sassoon da amiga para ela se converter aos 2 em 1.
3:54 E como não há quatro sem cinco...
4:10 Sapong, o jogo que fez sucesso nas praias nacionais no Verão de 1992! (Só que não.)
4:20 Já falei noutro tópico sobre o cantor brasileiro radicado em Portugal Jorge Luís, que nesse ano de 1992 conseguiu algum sucesso com o álbum "Paz Na Cama" em que versionava populares canções de terras de Vera Cruz, como o tema-título, "Pense Em Mim" e "É O Amor", para além de versão brasileira do megahit "Borbujas De Amor" ("Quem me dera ser um pei-chi!").
4:40 Breve excerto de um número coreográfico durante a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 1992.



0:00 Vinheta RTC
0:02 Anúncio à edição de 1992 de uma das mais populares séries de compilações de dance music dos anos 90 da editora Vidisco, os "16 Top World Charts". Este tomo tinha a aliciante de conter dois dos maiores êxitos das pistas de dança da altura: "Everybody's Free (To Feel Good)" da cantora zambiana Rozalla e uma versão de "Please Don't Go" dos italianos Double You, que se tornou tão popular quanto o original de 1980 dos KC & The Sunshine Band.
0:17 De novo anúncio ao iogurte líquido You da Mimosa.
0:33 Anúncio à cerveja Tuborg, onde um cavalheiro com um copo da dita cuja assiste à cena de ver uma senhora a levantar o vestido para ajustar uma das meias altas.
0:48 Nos quentes dias do Verão, seja de 1992 ou 2017, serão muitos que gostariam de se condicionar ao ar condicionado. E porque não com este aparelho de ar condicionado da Tensai?
0:58 De novo o anúncio do Nivea Deo com a pena.
1:07 E como não há cinco sem seis...
1:22 Continuamos com repetições de anúncios já mencionados neste texto, desta vez o da Isostar.
1:42 Idem aspas, Domplex.
1:57 Hoje é um ex-libris incontornável da região algarvia, mas na altura o parque temático ZooMarine acabava de celebrar um ano de existência (foi inaugurado a 3 de Agosto de 1991). Desde então que o complexo localizado na Guia (Albufeira) tem divertido muitos turistas com as suas atracções e espectáculos com golfinhos, focas e aves tropicais. Com o tempo, também desenvolveu parcerias com investigações e iniciativas em prol da vida marinha.
2:28 E continuamos com repetições, desta vez o americanizado anúncio da Snappy.
2:59 Imagens finais da cerimónia de encerramento
3:05 Com o cair do pano dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, o apresentador do início do primeiro bloco faz o epílogo, referindo que para as cores portuguesas, estes foram os "Jogos do nosso descontentamento", uma vez que apesar de Portugal ter apresentado a sua maior delegação de sempre, não conseguiu obter uma medalha. Nem mesmo no hóquei em patins, que foi modalidade de demonstração nestes Jogos, onde Portugal era o campeão europeu e mundial em título e quedou-se por um quarto lugar. O inesperado sexto lugar de José Garcia na canoagem e o sétimo lugar de Manuela Machado na maratona não disfarçaram uma prestação nacional algo medíocre. O apresentador despediu-se com um "Até Atlanta 1996!" (onde as coisas correriam bem melhor para Portugal).

Extras

Excerto da cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992


Anúncio Snappy


Anúncio Sega Mega Drive


Anúncio Sapong



Anúncio Coca-Cola



Anúncio Citroen ZX


Rozalla "Everybody's Free (To Feel Good)"


Double You "Please Don't Go"



terça-feira, 8 de agosto de 2017

Masters do Universo (1987)




As primeiras figuras de acção que apresentaram He-Man e os Mestres do Universo ao Mundo (e que têm uma conturbada história de origem, que ainda hoje não é totalmente clara) chegaram ás prateleiras das lojas de brinquedos em 1982, incluindo o fenomenal play set do Castelo de Grayskull. A primeira série animada , "He-Man and The Masters Of The Universe" esteve no ar entre 1983 e 1985, enquanto novas figuras continuavam a chegar ao mercado, mas o filme só chegou ás salas de cinema já numa fase descendente de popularidade.
Um belíssimo poster ilustrado pelo mestre Earl Norem.

Nos Estados Unidos a estreia foi no dia 7 de Agosto de 1987, e só chegou a Portugal quase um ano mais tarde, em 1 de Julho de 1988 ( depois da mostra no Fantasporto em Fevereiro de 1988), classificado para "Maiores de 6 anos" (segundo o IMDB e o Diário de Lisboa) e com um dos nomes porque a saga era conhecida entre nós: "Masters do Universo". Podiam ter escolhido Mestres do Universo (como no Brasil), Donos do Universo... ou como decerto a petizada dizia, o "filme do He-Man".

"Diário de Lisboa" [01-07-1988]
Sendo o "filho mais novo" de uma propriedade super-popular parida no Império Americano, a crítica do Diário de Lisboa só poderia ser negativa. "Os "heróis" de "Masters of Universe" continuam imbativelmente maus, sob todos os aspectos..." dizia-se na secção das Estreias da Semana:
"Diário de Lisboa" [01-07-1988]

E quando vi o filme, já no inicio do século XX (num aluguer de uma gasta fita VHS no extinto videoclube do Centro Comercial Al Hain),  a minha opinião também foi muito negativa. Além da expectativa de que o He-Man merecia um filme mais épico com valores de produção a condizer, na época senti logo como batotice desviar a acção da fita para o Planeta Terra e os seus vulgares subúrbios norte-americanos em vez dos cenários mate-paintings extraterrestres de Eternia...só isso e alguns personagens que não conhecia dos desenhos animados arrefeceram-me logo os ânimos.

Mas espero que num próximo visionamento, poder apreciar melhor o que foi feito nas condições possíveis. A Cannon teria esperanças de criar um novo filão à la Star Wars para ordenhar, mas o fraco box office depressa desfez essa ideia. Nos EUA nem conseguiu cobrir os custos de produção, que se estimam em 22 milhões de dólares (mais ou menos o mesmo que outros filmes de 1987 como "A Mais Louca Odisseia No Espaço" ou "O Micro-Herói"). A banda sonora esteve a cargo de Bill Conti ("Rocky", "Karate Kid") e a realização de Gary Goddard.

Sinopse:
No planeta Eternia, o vilão com cara de caveira Skeletor (Frank Langella) concretizou o seu objectivo de conquistar o Castelo de Grayskull e planeia usar os seus segredos para aumentar o seu poder. Quando o que sobra dos defensores de Grayskull se reunem para contra-atacar, o hiper-musculado herói He-Man (Dolph Lundgren,"Rocky IV", "The Punisher (Fúria Silenciosa)"), Man-At-Arms (John Cypher) e Teela (Chelsea Field) usam um aparelho de teleporte criado por Gwildor (Billy Barty) para entrar à socapa no Castelo e resgatar a Feiticeira. A operação corre mal e ao fugirem pelo portal criado pela invenção de Gwildor os heróis ficam retidos no planeta Terra, nos Estados Unidos, obviamente, onde os cenários são mais baratos. A engenhoca é perdida à chegada e recuperada por dois teenagers Julie (uma jovem e bela Courteney Cox, no seu segundo papel no cinema e na época na TV era a namorada de Michael J. Fox em "Quem Sai aos Seus" ) e Kevin (Robert Duncan McNeill, "Star Trek: Voyager"). A segunda em comando de Skeletor, Evil-Lyn (Meg Foster) detecta o sinal do aparelho e envia para a terra os capangas Beast Man, Saurod, Blade e Karg. Os heróis têm que auxiliar os jovens terráqueos e conseguir voltar a Eternia para impedir Skeletor de aumentar o seu poder.  

O Trailer:


A crítica redutora de Rodrigues da Silva:
"Diário de Lisboa" [08-07-1988]
Nota ainda para a crítica de Jorge Leitão Ramos, que além dos parágrafos sobre o filme e a sua curiosa origem (geralmente os filmes inspiram os bonecos e não o contrário. Outro exemplo semelhante é o "Transformers: The Movie" do ano anterior, mas em animação), dedica algumas linhas à situação das salas portuguesas e a "periclitante situação financeira" da produtora deste filme, a mítica Cannon, responsável por um universo de filmes de baixo e médio orçamento e que fechou portas 1994).


"Diário de Lisboa" [08-07-1988]
Quem sabe o que poderia ter sido se produzido por um grande estúdio?

Um video sobre a atribulada produção de "Masters Of The Universe", excerto do documentário "Toy Masters":



Imagens do filme retiradas do site He-Man.Org.

Recordem também alguma publicidade nacional ao "Castelo de Grayskull - Enciclopédia de Cromos", fotos do Castelo (aqui), a série animada e o resto da franquia: "He-Man e os Mestres do Universo". E o artigo sobre os "Calendários das Pastilhas Elásticas Dutlim: He-Man e os Masters do Universo". 

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sábado, 5 de agosto de 2017

Castelo de Grayskull (1982)

Finalmente, depois de décadas de espera, "By the Power of Grayskull... I have the Power!"
A minha modesta colecção de Masters do Universo sofreu em 2011 um upgrade brutal! O Castelo de Grayskull ("Grayskull Castle", ou Castelo do He-Man para a petizada portuguesa), um dos brinquedos mais desejados por quem era criança nos anos 80! (Para mim, ainda mais desejado que o Barco Pirata da Playmobil) E décadas depois,tenho em minha posse a fortaleza de He-Man e os seus aliados que defendem Eternia das forças do malvado Skeletor!
Chega de conversa, ai ficam as fotos, podem clicar para as ampliar. As fotos têm o logo do meu blog de colecções, o "Cine31 Collector's Edition". Se o texto abaixo tem muito pontos de exclamação é apenas reflexo do meu entusiasmo com a recente aquisição.


A frente do Castelo, com a icónica caveira.

Vista lateral.

As traseiras da fortaleza.

O interior.

As forças de Skeletor invadiram!

Roboto vigia o horizonte!

O interior quase completo!
Um exemplar completo, visto na Net!

O trono.

Armadilha! O trono acciona um alçapão!

A parte de baixo do alçapão.



O elevador ainda funciona!

O portão está aberto!



Embalagem de Castle Grayskull.
Reclame televisivo ao Castelo de Grayskull:

Recordem também alguma publicidade nacional ao "Castelo de Grayskull - Enciclopédia de Cromos", a série animada e o resto da franquia: "He-Man e os Mestres do Universo". E o artigo sobre os "Calendários das Pastilhas Elásticas Dutlim: He-Man e os Masters do Universo". 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

1º Concurso Clube Mimosa Zoo (1991)

Anúncio ao "1º Concurso Clube Mimosa Zoo".


Não era apenas o Rato Mickey que tinha um Clube para a criançada (o "Clube Amigos Disney"), a Mimosa tinha o "Clube Mimosa Zoo". Este clube também tinha cartão de sócio, e o sortudo consumidor do leite com chocolate "Mimosa Zoo" podia habilitar-se a "prémios fabulosos" conforme o seu talento para desenhar e habilidade para colar numa folha 4 animais que recortou das embalagens de "Mimosa Zoo". O "Grande Sorteio" tinha como prémio uma aparelhagem "Sony Hi-Fi Midi com CD"! Os outros prémios consistiam em vários Rádio Walkman Sony, Máquinas Fotográficas, Livros de Animais e Bolsas de Cintura Mimosa Zoo.

Aspecto das embalagens do Leite com Chocolate "Mimosa Zoo", um sortido de animais selvagens que incluia elefantes, pandas, leões, golfinhos, etc.


Anúncio do vasto espólio da Lusitania TV:


Imagem Digitalizada da revista "Detective Mickey" Nº 23 (24/09/1991) e Editada por Enciclopédia de Cromos.


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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Flock Of Seagulls "I Ran (So Far Away)" & "Wishing (If I Had A Photograph)" (1982)

por Paulo Neto

É lugar comum dizer-se que os anos 80 foram a década dos maus penteados, onde nunca antes como jamais depois produtos capilares como laca, gel e tinta para o cabelo foram usados de forma tão massivamente abundante e desregrada. Devem ser muito poucos aqueles que olham para o seu estado capilar em fotos dos anos 80 sem sentir uma dose de embaraço.

E foi nos anos 80 que a banda britânica new wave A Flock Of Seagulls deixou a sua marca por duas razões: um repertório interessante do qual se destacam dois hits que perduraram no tempo e o espectacular penteado do vocalista Mike Score, uma escultura capilar incrível mesmo para a fasquia dos anos 80.



Segundo Score, o nome da banda formada em 1980 em Liverpool derivava de um verso da canção "Toiler On The Sea" dos The Stranglers. Antes de se virar para a música, Mike Score trabalhou como cabeleireiro (o que explica muita coisa). Na altura do auge da fama, o alinhamento dos A Flock Of Seagulls, além de Mike Score na voz e nas teclas, era formado pelo seu irmão Alister Score na bateria, Paul Reynolds na guitarra e Frank Maudsley no baixo.

Os A Flock Of A Seagulls lançaram o álbum de estreia, que tinha o nome da banda em 1982. Graças a um vídeo talhado para os primórdios da MTV, o segundo single "I Ran (So Far Away)" acabou por fazer sucesso nos Estados Unidos e desde então é considerado um clássicos eighties nos States, uma daquelas canções que são essenciais em qualquer festa temática dos anos 80 ou nas listas de one hit wonders dos anos 80 que se fazem lá na América (embora tecnicamente não sejam one hit wonders, já que tiveram três singles no top 30 americano). Por exemplo, no filme "La La Land", é uma das canções tocadas pela banda de covers dos anos 80 em que a personagem de Ryan Gosling trabalha.


Pelo que se pode apurar pela letra, Mike Score canta sobre um encontro imediato com uma estranha mas atraente rapariga, da qual ele desata a fugir assim que descobre indícios de que ela possa ser de um planeta que não a Terra.

Curiosamente, na altura do vídeo de "I Ran", Mike Score ainda não tinha o seu penteado característico, tendo em vez disso uma permanente loura lateral. Esse seu mítico penteado seria estreado no vídeo seguinte "Space Age Love Song".



No entanto, apesar do sucesso de "I Ran" nos Estados Unidos e noutros países como a Austrália, onde chegou ao n.º 1 do top, foi um hit menor em terras britânicas. No seu país, o maior hit dos A Flock Of Seagulls, ainda nesse ano de 1982, foi o primeiro single do segundo álbum "Listen", "Wishing (If I Had A Photograph)", o único da banda a chegar ao top 10 britânico. Pessoalmente, gosto ainda mais de "Wishing", nomeadamente por causa do seu épico solo de sintetizador.



Este singular bando de gaivotas continuou por mais uns anos mas apesar de terem ganho um Grammy em 1983, nunca mais conseguiram reeditar o sucesso dos seus dois grandes hits. Eventualmente, com a perda de direcção de sonoridade, o fraco sucesso e desentendimentos entre os irmãos Score, a banda terminou em 1986.

No entanto, desde 1988 que Mike Score voltou a actuar sob o nome de A Flock Of A Seagulls com vários músicos constantemente renovados e em 1995, editaram o adiado quinto álbum da banda. Em 2003, os quatro membros originais reuniram-se para a série VH1 "Bands Reunited" e chegaram a dar alguns concertos juntos posteriormente. Actualmente Mike Score continua a liderar as gaivotas com um conjunto de músicos que se mantém junto desde 2004. O próprio já afirmou várias vezes que deixou de gostar de "I Ran", mas que continua a cantá-la a cantar nos concertos por que continua a ser um sucesso junto do público. O tema já foi versionado por nomes como Tori Amos e Nickleback.
Em 2000, os A Flock Of Seagulls foram uma das bandas dos anos 80 convidadas a participar num álbum de tributo a Madonna, com uma cover de "This Used To Be My Playground".

Além dos Seagulls, Mike Score editou em 2014 um álbum a solo. E claro está, já há muito que abandonou o seu penteado de marca, até porque hoje não tem cabelo nenhum.


 
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