sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Super Pai (2000-2002)

por Paulo Neto

Nem só de telenovelas foi feita a avalanche de ficção nacional que a TVI levou a cabo no início deste século. Nesse rol estiveram também incluídas algumas séries como "Criança SOS" e sobretudo "Super Pai", uma sitcom que gozou de tanto sucesso como as telenovelas que a estação de Queluz ia exibindo na altura. A premissa da série era bastante simples: a história de um viúvo que se vê a criar sozinho três filhas.






Vasco Figueiredo (Luís Esparteiro) é dono de um bem-sucedido negócio de roupa interior feminina que após a morte da sua esposa devido a um cancro fulminante, tem de criar sozinho as suas três filhas: Camila (Madalena Brandão) de 18 anos, a rebelde primogénita, indecisa sobre o que fazer da vida, Carmo (Sofia Arruda) de 13 anos, que vive as típicas crises de início de adolescência e Clarinha (Filipa Maló Franco) de 8 anos, adorável e brincalhona. Como é habitual entre irmãos, as três manas por vezes andam às turras entre elas, mas estão sempre prontas a apoiar umas às outras e ao pai delas. Apesar da sua dedicação para cuidar das filhas e do apoio do seu amigo de infância Joca (João Didelet), dono de um ciber-café, e da sua cunhada Dulce (Luzia Paramés), uma professora de piano um pouco neurótica com a condição de quarentona solteira e que por vezes se intromete demais na educação das sobrinhas, Vasco não consegue gerir a casa e o trabalho ao mesmo tempo, pelo que contrata Isabel (Sandra Faleiro), uma jovem humilde e simpática natural da Serra da Estrela para ser a governanta da casa. Isabel não tarda a cativar Vasco e as filhas e vai-se tornando como que um novo membro da família. E como se não bastasse tanta mulher lá em casa, existe ainda Nina, a cadela da família, de quem Clarinha é inseparável.


Apesar de fiel enquanto casado, Vasco sempre teve uma veia namoradeira e após a sua viuvez, não faltam mulheres que se interessam por ele, como a atraente modelo Mafalda (Sofia Aparício) e a elegante e altiva Cristina Prata (Sónia Brazão), dona de uma cadeia de lojas, para não falar em Luísa (Sofia Marques), a eficiente secretária de Vasco que nutre uma paixão secreta pelo patrão. Mas os telespectadores cedo se aperceberam que mais cedo ou mais tarde seria Isabel a conquistar Vasco, o que aconteceu no final da série, com o casamento de ambos.


Entre outras personagens contam-se Rui (Rodrigo Saraiva), o estafeta estróina e preguiçoso da empresa de Vasco que este nunca despede apenas por ser filho de um grande amigo e porque aos poucos, acaba por vê-lo como o filho varão que nunca teve; Nelson (Joaquim Guerreiro), um electricista apaixonado por Isabel, que tal como esta também veio do Interior; João (Pedro Górgia) e Manuel (Pedro Granger), namorados de Camila respectivamente na primeira e na segunda temporada; Hugo (Márcio Ferreira), namorado de Carmo; Carolina (Soraia Robalo) sobrinha de Vasco que passa a viver com o tio e as primas depois da morte da sua mãe; e Dinis (Rogério Samora), outro grande amigo de Vasco. A série contou também com participações especiais de Ana Bustorff, Ana Nave, António Rocha, Carla Chambel, Cláudia Cadima, Guida Maria, José Pedro Vasconcelos, Julie Sargent, Inês Castel-Branco, Lurdes Norberto, Maria Emília Correia, Pêpê Rapazote e Sílvia Rizzo entre outros.



"Super Pai" teve duas temporadas, exibidas entre 2000 e 2002, a primeira com 74 episódios e a segunda com 100. A série era sobretudo exibida aos fins de semana mas recordo-me que houve alturas em que também dava durante a semana.
Tal como certas telenovelas, a série também foi prejudicada pela sua prolongação excessiva ao longo de dois anos e 174 episódios, esticando a trama para além do necessário. Mas apesar da trama muito vista, a série valia pelos momentos de humor e pela química entre Luís Esparteiro e as três jovens actrizes que faziam das suas filhas. Aliás Sofia Arruda afirma que entre os quatro criou-se um elo quase familiar que perdurou e que ainda hoje se reúne com as suas duas "irmãs" da série. Enquanto Sofia Arruda e Madalena Brandão continuaram a ser presença assídua na televisão, enquanto Filipa Maló Franco deixou os seus dias como estrela infantil da representação (estreou-se aos dois anos na sitcom da TVI "Trapos & Companhia") para se dedicar aos seus estudos de medicina dentária (ou não fosse ela uma Maló).




Capa do disco da banda sonora


A parte musical da série esteve a cargo de Rui Fingers, que foi o autor da inesquecível música do genérico interpretada por Ricardo Afonso.

Super Pai, alguém tem
tantas vidas coloridas
sem saber bem por quem
Super Pai, há alguém 
que consiga nesta vida
ser pai e ser mãe.

A série foi reexibida recentemente na TVI Ficção.

Genérico:


Tema completo do genérico:


1.º episódio:



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Anjo Selvagem (2001-03)

por Paulo Neto

Hoje em dia, não é invulgar as telenovelas nacionais serem esticadas e prolongadas durante mais de um ano (no caso de "A Única Mulher" até chamam a esses esticões de temporadas), mas durante muito tempo era invulgar uma telenovela, nacional ou estrangeira, ter mais de 200 episódios. Até que em 2001, a TVI estreou uma telenovela que se prolongaria por quase ano e meio, atravessando três anos civis, num total de 366 episódios.



Após o sucesso de "Jardins Proibidos" e "Olhos De Água", a TVI percebeu que a ficção telenovelesca nacional era um produto a explorar ao máximo e por isso em Setembro de 2001, na sua nova grelha da rentrée, a estação de Queluz estreou nada menos do que três telenovelas: "Filha do Mar" e "Nunca Digas Adeus" no horário nobre (ao qual se encaixava ainda a terceira edição do "Big Brother") e "Anjo Selvagem" para antes do "Jornal Das Oito". Sim, foi a partir daqui que a TVI começou a atafulhar o seu horário nobre  com mãos-cheias de telenovelas, algo que se verifica ainda hoje. 

Embora tivesse sido considerada pela crítica a mais fraca dessas três telenovelas (algo com que devo concordar), "Anjo Selvagem" foi a que obteve mais sucesso junto do público, ao ponto de eventualmente ter passado também a ser exibida no horário nobre e a ser prolongada para além do previsto. Estreada a 3 de Setembro de 2001, só terminou a 21 de Fevereiro de 2003.

José Carlos Pereira (Pedro) e Paula Neves (Mariana)

   
A telenovela era uma adaptação de um original argentino de 1998, "Muñeca Brava". "Anjo Selvagem" era a história de Mariana de Jesus (Paula Neves), uma jovem órfã que foi criada num convento. De dia, Mariana porta-se como uma autêntica maria-rapaz que brinca com os miúdos da aldeia perto do convento, mas de noite gosta de fugir para ir dançar às discotecas com São (Teresa Tavares), a sua melhor amiga.

Álvaro (Alexandre Sousa) e Helena (Manuela Carona)


Isabel de Castro (Angélica)

Paula Neves (Mariana) e António Pedro Cerdeira (Francisco)

Luísa Ortigoso (Rosa) e Manuel Cavaco (Luciano)


Quando Mariana completa 18 anos, vê-se obrigada a sair do convento e a arranjar emprego. E é assim que ela vai parar à Quinta da Nossa Senhora do Carmo. Os donos da quinta são Álvaro Salgado (Alexandre de Sousa) e Helena Brandão (Manuela Carona), que há vários anos vivem um casamento de fachada, já que Álvaro aceitou casar-se com Helena para que o pai desta salvasse a sua família da ruína, renunciando assim à sua paixão proibida por Rosário, uma empregada da quinta. Os seus filhos são Pedro (José Carlos Pereira), um jovem boémio e mulherengo, e a presunçosa Marta (Sara Moniz). Infelizes com o rumo das suas vidas, Helena refugia-se no álcool e Álvaro mantém um relacionamento com Andreia (Vera Alves), a sua secretária, que planeia um golpe do baú. 
Na quinta vivem ainda Angélica (Isabel de Castro), mãe de Álvaro, uma idosa saudosista e dois irmãos de Helena, o ambicioso Marcelo (Eduardo Viana) e Francisco (António Pedro Cerdeira), que vive preso a uma cadeira de rodas após um acidente em que perdeu a mãe e a noiva.

Quando Mariana chega à quinta para trabalhar como empregada, reconhece Pedro de uma das suas saídas nocturnas no qual se gerou uma atracção mútua. Após algumas picardias, em que ele lhe chama de "trinca-espinhas" e ela de "bacalhau seco", Pedro e Mariana acabam por se apaixonar. Mas os obstáculos são muitos, desde a legião de mulheres interessadas em Pedro e dispostas a tudo para o seduzir, além de que Mariana também não é indiferente a Francisco, passando pela diferença de classes sociais. Mas a principal barreira será a possibilidade dos dois serem irmãos, quando Álvaro desconfia que Mariana possa ser a filha que teve com Rosário. Essa situação esclarece-se a certo ponto, quando Helena revela que Pedro não é filho de Álvaro, mas sim fruto de um caso extraconjugal, e Mariana confirma que não só é mesmo filha de Álvaro e Rosário como também tem um irmão gémeo, João (Hugo Sequeira). No final, depois de se livrarem de Pilar (Sofia de Portugal), uma das ex-namoradas de Pedro que se revela uma psicopata e que toma medidas tresloucadas para os separar, Pedro e Mariana casam-se e têm uma filha. Na última cena, vê-se a filha de ambos responder a um miúdo que lhe chama trinca-espinhas: "Trinca-espinha, o caraças", tal como dizia Mariana.  
Outro par romântico da telenovela era formado por Marta e Zeca (Pedro Giestas), o motorista dos Salgado. A princípio ela faz troça dele e das suas desajeitadas declarações de amor, ao ponto de nem sequer tratá-lo pelo nome verdadeiro mas sim por Leonel, um nome que ela acha mais chique para um motorista. Mas aos poucos Marta vai perdendo a pose de menina queque e acaba por ceder à paixão do motorista.

Bruno Nogueira numa participação especial


Do elenco principal fizeram ainda parte Maria Dulce (Madre Superiora), Cristina Cavalinhos (Irmã Bochechas), Manuel Cavaco (Luciano), Luísa Ortigoso (Rosa), Canto E Castro (Padre Manuel), Paula Luís (Anabela) e Madalena Bobone (Lina), além de participações ao longo da telenovela de nomes como Margarida Vila Nova (Bárbara), Márcia Leal (Inês), Joaquim Nicolau (Amílcar), Sofia Grilo (Carolina), Vítor Norte (Pierre), Pedro Lima (Paulo), Rui Santos (Alex) e de um então desconhecido Bruno Nogueira (Joca).  

Para ser sincero, "Anjo Selvagem" não foi uma telenovela que gostei por aí além e nunca percebi bem o porquê de todo o sucesso que alcançou, e muito menos porque foi prolongada durante tanto tempo, até porque praticamente não havia nenhuma trama além da principal e era mais que certo que o casalinho principal iria terminar junto. Muitos também apontaram o double standard de Mariana manter-se casta até ao fim da telenovela, enquanto Pedro volta e meia acabava na cama com as suas outras pretendentes. 

Mas reconheço que o grande trunfo da novela foi sem dúvida o desempenho de Paula Neves como protagonista, de tal modo carismático que ainda hoje ela é recordada como a Mariana de "Anjo Selvagem", revelando o potencial que demonstrava desde "Riscos".
Mas salvo algumas excepções como Pedro Giestas, Sara Moniz, Luísa Ortigoso, Eduardo Viana, Teresa Tavares ou Rui Santos, no geral a prestação do elenco tivesse foi algo fraco, em grande parte devido à excessiva caricaturização das personagens e da fragilidade do guião. E claro está, foi "Anjo Selvagem" com que José Carlos Pereira passou de estudante de Medicina a galã de telenovelas e ícone da imprensa cor-de-rosa, já que a sua vida real tem-se mostrado mais atribulada do que os seus papéis nas novelas.

"Anjo Selvagem" foi também a primeira telenovela portuguesa a ter um episódio filmado em directo, exibido a 20 de Fevereiro de 2002, para as comemorações do 9.º aniversário da TVI. Em 2006, a TVI adaptou outra célebre telenovela dos mesmos autores originais de "Anjo Selvagem": "Doce Fugitiva."

O tema do genérico inicial da novela era interpretado pelos Maxi, uma boyband de Leiria, que à custa desse tema ainda continua no activo e pode de vez e quando ser vista num dos programas de Domingo à tarde. Ainda se lembram como era o refrão?

Só a ti vou-me entregar
Só a ti eu vou-me dar
Meu anjo selvagem!
Só a ti vou amar...
Pede a Lua, pede o Sol
Pede o mundo se quiseres
Nada eu te vou negar
Meu anjo selvagem!


"Anjo Selvagem" foi reexibida em 2012 na TVI Ficção numa versão mais condensada.

Genérico:


1.º episódio:



Excerto do episódio em directo (20/2/2002):


Participação de Bruno Nogueira:



Maxi "Anjo Selvagem": 







quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O Fantasma


O Fantasma [The Phantom], "O Espírito que Anda", o herói criado em 1936 por Lee Falk [Leon Harrison Gross (1911-1999)], foi adaptado a diversos meios áudio-visuais, desde serials, a séries animadas e um filme em 1996. O Fantasma foi o primeiro herói da BD a usar um uniforme justo ao corpo, e a máscara sem pupilas, que se tornaram padrão em aventuras dos super-heróis posteriores. Desde o século XVI, o manto do Fantasma passa de pai para filho, alimentando a lenda que diz que o Fantasma é imortal. É recorrente ver no inicio das histórias a origem do Fantasma:
Um resumo eficaz! Há quatrocentos anos um navio mercante é atacado pelos piratas Singh. O único sobrevivente deu à costa e depois de recuperado jurou sobre o crânio do assassino do seu pai devotar a "vida à destruição de todas as formas de pirataria, ganância e crueldade. Os meus filhos, e os filhos dos meus filhos seguirão". E a lenda nasceu, com o seu traje roxo (ás vezes vermelho ou azul, conforme o país onde foi editado), o par de pistolas e o anel com a marca da caveira que os criminosos não podem apagar da pele. O Fantasma contemporâneo - o 21º da linhagem - e protagonista da maioria das histórias é Kit Walker - tal como os seus antepassados - e na luta contra o mal dispõe de imensos recursos materiais e humanos, que gere a partir da Caverna da Caveira na selva de Bengalla. Além do cavalo Herói, o Fantasma tem um lobo de estimação com o sugestivo nome de Diabo (Capeto para os brasileiros) que muitas vezes o acompanha até quando viaja incógnito com uma gabardine, chapéu e óculos de sol sobre o uniforme. E como um herói não pode viver isolado para sempre, depois de um longo noivado, casou numa tira dominical de 1977 com a bela Diana Palmer, amiga de infância. O casal tem dois filhos, Kit e Heloise.
Mais detalhes sobre a personagem, na Wikipedia: "O Fantasma".

Como fã de aventuras, e deste personagem em particular, considero urgente um reboot cinematográfico, depois do recente naufrágio televisivo [trailer].
Vamos entretanto fazer uma breve retrospectiva sobre o percurso do Fantasma no cinema e televisão, que começou a carreira em 17 de Fevereiro de 1936 nas tiras de jornais ( publicadas até hoje):


The Phantom (1943) - Serial em 15 partes, protagonizado por Tom Tyler. Uma sequela foi filmada em 1955, com outro elenco, mas devido aos direitos do personagem terem expirado, "Return of the Phantom" foi transformado em "The Adventures of Captain Africa". Disponível no Youtube. Parte 1.


The Phantom (1961) - Desta série de TV apenas o episódio piloto foi filmado, mas nem sequer foi exibido. O Fantasma foi interpretado por Roger Creed. O episódio está disponível no Youtube: Parte 1 e Parte 2.


Kızıl Maske (1968) - Protagonizado por  Ismet Erten. Filme turco não autorizado. [no Youtbe: video com a música do Batman???]


Kızıl Maske (1968) - Protagonizado por Irfan Atasoy. Filme turco não autorizado. Filme no Youtube (completo).


Kızıl Maske'nin Intikamı (1971) - Filme turco não autorizado.


Defenders of the Earth (1986-1987) - [intro] - Série animada clássica dos "anos cromos", o 27º  Fantasma (Peter Mark Richman) fazia parte de uma equipa de heróis que defendiam o planeta: Mandrake (também criado por Lee Falk) e Flash Gordon, que tal como o Fantasma são personagens da editora King Features.


Phantom 2040 (1994 - 1996) - [intro 1] [intro 2] - Outra série animada, relata as aventuras do 24º Fantasma (voz de Scott Valentine), ambientadas no ano 2040. 


The Phantom (1996) - [trailer] - Protagonizada por Billy Zane, Kristy Swanson e Catherine Zeta-Jones, esta versão live action não se saiu bem na bilheteira, tal como os anteriores The Rocketeer (1991) e The Shadow (1994), também adaptações de aventuras pulp ambientadas na primeira metade do séc. XX.


The Phantom (2009)[trailer] - Uma mini-série em duas partes protagonizada por Ryan Carnes  no papel do 22º Fantasma, ambientada no inicio do século XXI.

Existe um projecto para recomeçar a saga no cinema, intitulado "The Phantom Legacy". A nível de documentários temos: "The Phantom: Comic strip crusader" (1996), "History of the Phantom" (2008) e "Making of The Phantom", de 1996, um especial da HBO para promover o filme com Billy Zane.
Além disso, o Fantasma já apareceu em diversos cameos e paródias em animações e séries de humor, vários musicais, videojogos, e até teve direito a uma atracção interactiva num zoo suíço, a "Fantomenland", entre 1986 e 2010.




Como mencionei acima, o Fantasma - que já foi dos heróis mais conhecidos a nível mundial - iniciou o seu reinado nas tiras de jornais com a história "The Singh Brotherhood". Lembro-me bem de acompanhar as aventuras do 21º Fantasma nas páginas do "Correio da Manhã" comprado por um irmão da minha mãe. Mas também há abundância de histórias do fantasma fora do formato tira, tanto em novelas como em revistas de banda desenhada. Neste ultimo meio, a personagem passou por várias editoras - e artistas - ao longo das décadas, incluindo Ace Comics, Harvey Comics, Gold Key, King Comics, Charlon Comics, DC Comics, Marvel Comics, Moonstone, Dynamite Entertainment e Hermes Press. Tudo isto apenas nos Estados Unidos.
No nosso pais tivemos acesso a boa dose das aventuras do Espírito-Que-Anda tanto em material editado nacionalmente como importado do Brasil. Aliás, foi graças às edições da Globo dos anos 80/90 que conheci melhor o herói.

 Mas nos últimos anos fui encontrando em feiras de velharias alguns números de colecções mais antigas, mencionadas no parágrafo seguinte:
"Em Portugal O Fantasma surgiu nas páginas de O Pirilau (número 34, de 33 de junho de 1940), reaparecendo na Coleção Condor (número 18, de 1952), mas também em Condor Popular, Ciclone, Coleção Tigre, Seleções, Mundo de Aventuras, Jornal do Cuto (1972), O Grilo, O Fantasma e Heróis Inesquecíveis (1997-1998), sem esquecer a publicação em tiras diárias no Correio da Manhã nos anos 90 do século XX" in Infopedia.


Claro que ao longo de tantos anos, uma imensidão de merchandising foi sendo colocada à venda, incluindo os inevitáveis action figures, como esta da fase animada "Defenders of the Earth":

Há alguns anos aventurei-me a criar a minha própria figura customizada, mas infelizmente não consegui completar a cabeça, e o Fantasma ainda jaz decapitado algures numa caixa escura da arrecadação...

Queremos saber: temos leitores fãs do "Fantasma", o "Espírito-Que-Anda"? Comentem!

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

Deixo em seguida uma amostra das capas da minha colecção revistas de banda desenhada portuguesa e brasileira do "Fantasma":
Fantasma Nº 4 Hiquafi-Editora

Fantasma Extra Nº 4 Globo

Mundo de Aventuras 499

Mundo de Aventuras 1052

Mundo de Aventuras 1217

Mundo de Aventuras 1234

Mundo de Aventuras 1241

Selecções edição Mundo de Aventuras 29

Selecções edição Mundo de Aventuras 82

Selecções edição Mundo de Aventuras 107

Selecções edição Mundo de Aventuras 136

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

"Children" Robert Miles (1995)

por Paulo Neto

Nem sempre a música precisa de palavras para nos tocar e em 1996, um tema instrumental de música electrónica acabou por tocar muita gente dentro e fora das pistas de dança.

Algo pouco habitual na altura, o ano de 1996 viu três temas instrumentais serem campeões de vendas um pouco por todo o mundo. Dois deles já eram bem conhecidos: o tema da série "Ficheiros Secretos" de Mark Snow, que foi finalmente editado em single nesse ano e uma versão do tema de "Missão: Impossível" por parte de Adam Clayton e Larry Mullen Jr. dos U2 para o primeiro filme da saga cinematográfica protagonizada por Tom Cruise que adaptava a célebre série de televisão. E o terceiro foi "Children" do DJ/compositor italiano de origem suíça Robert Miles, originalmente editado em Novembro de 1995 mas que nos meses seguintes foi subindo pelos tops europeus acima até ser o single mais vendido na Europa no ano de 1996.



Robert Miles, de seu verdadeiro nome Roberto Concina, nasceu a 3 de Novembro de 1969 em Fleurier na Suíça francófona, onde os seus pais estavam emigrados, tendo-se mudado aos 10 anos para Itália com a família, onde cedo aprendeu a tocar piano, iniciando-se na actividade musical como compositor, DJ e animador de rádio.

Uma versão inicial de "Children" de 1994 era uma simples composição de sintetizador e guitarra acústica. Porém a faixa viria a ser convertida num tema de "dream house" com uma inconfundível melodia de piano. Miles apontou duas inspirações para o tema: fotos de crianças vítimas da guerra na Bósnia (daí o título) e a intenção de criar algo para acalmar os ânimos dos frequentadores de raves no final das festas, de forma a evitar acidentes de viação no regresso a casa. A imprensa italiana tinha na altura dado destaque ao elevado índice de sinistralidade rodoviária relacionado com a cultura rave, já que se verificava semanalmente um preocupante número de acidentes, um pouco por todo o país, entre pessoas vindas das raves, por adormecimento ao volante ou por efeitos do consumo de álcool ou drogas, num fenómeno que os media italianos rotularam de "strage de sabbato sera" (matança de sábado a noite). Para evitar esse tipo de acidentes, Robert Miles e outros DJ's passaram a incluir temas de "dream house" no seu repertório para diminuir a adrenalina dos ravers ao fim da noite, uma iniciativa bem recebida pelas autoridades.



"Children" foi originalmente editada numa compilação do célebre DJ Joe T. Vanelli, que promoveu o tema nas discotecas de Miami e de Ibiza e cujo sucesso requereu uma edição oficial em single. Gradualmente, o tema tornou-se um sucesso comercial, tendo chegado ao top 5 em praticamente todos os países da Europa, atingindo o primeiro lugar do top em Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Suécia e Suíça. Também foi top 30 nos Estados Unidos. 

"Children" teve dois videoclips: um deles a cores, que juntava imagens de crianças a brincar e pessoas a dançar (as duas inspirações do tema), mas o mais famoso é aquele a preto e branco, filmando uma viagem de carro pelos olhos de uma menina que vai no banco de trás.







Após o sucesso de "Children", repetiu a fórmula no single seguinte "Fable", que era algo semelhante. A principal diferença é que apesar da versão principal ser instrumental, havia também uma versão cantada (a "Message Version"), com voz de Fiorella Quinn. Depois foi lançado o álbum "Dreamland", que chegou a ser n.º 1 em Portugal.



O terceiro single contou com a presença da cantora inglesa Maria Nayler. "One & One" foi escrito pelos célebres compositores Billy Steinberg e Rick Nowels em parceria com a cantora argentina Marie-Claire D'Ubaldo. A cantora polaca Edyta Gorniak foi a primeira a gravar a canção mas a sua versão só foi editada posteriormente. A versão de Miles e Nayler foi mais outro sucesso europeu. Em 1997, Robert Miles recebeu o prémio BRIT para Melhor Revelação Internacional.


Em 1997, Robert Miles editou o segundo álbum "23 am" do qual se destaca o belíssimo tema "Freedom", interpretado por Kathy Sledge das Sister Sledge.


Robert Miles em 2014


Robert Miles continua no activo, dividindo-se actualmente entre Londres e Ibiza, mas foi-se gradualmente afastando da ribalta, preferindo enveredar por sonoridades mais experimentais nos seus três álbuns seguintes (o mais recente é de 2011). Tem também a sua label discográfica e uma estação de rádio que transmite a partir de Ibiza. Miles também tem composto música para filmes documentários e publicidade.
Enquanto isso "Children" continua a ser objecto de várias versões, samples, remisturas e a ser utilizado no cinema, televisão e publicidade, sendo apontado como o tema responsável por trazer o sub-género do trance para o grande público. E muitos, incluindo eu, incluem-no na banda sonora pessoal dos seus momentos mais felizes dos anos 90.  

ACTUALIZAÇÃO (Maio 2017): Robert Miles faleceu no dia 9 de Maio de 2017. 
   

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Romeu + Julieta (1996)

por Paulo Neto

Vistas bem as coisas, é estranho que a mais popular história de amor da literatura mundial seja um insta-love entre uma pita de 13 anos e um rapaz de 15 anos que até momentos antes dizia-se perdida e completamente apaixonado por outra. Mas a verdade que "Romeu e Julieta" de William Shakespeare tem persistido ao longo dos séculos como uma das maiores histórias de amor alguma vez contadas. E a história dos dois apaixonados de Verona que vêem o seu amor contrariado pelo ódio das respectivas famílias e por uma série de acontecimentos infelizes e mal-entendidos que resulta no fim trágico de ambos já foi por diversas vezes contada, recontada, reconvertida e adaptada ao cinema.
Acredita-se que a primeira adaptação da peça para o cinema seja uma curta-metragem de 1908, nos tempos do cinema mudo. Entre as versões mais famosas estão a de 1936 realizada por George Cukor e sobretudo a de 1968 por Franco Zefirelli e a adaptação directa mais recente da peça é de 2013. Isto para não falar nas diversas variações, como "West Side Story".




Mas para quem cresceu nos anos 90, a adaptação cinematográfica mais marcante é sem dúvida a de 1996 realizada por Baz Luhrmann (com o título estilizado como "Romeu + Julieta") com Leonardo Di Caprio e Claire Daines como protagonistas. Embora muito do texto original fosse mantido, tratava-se de uma modernização da peça, com a acção a decorrer nos anos 90 numa fictícia Verona Beach. Com as espadas substituídas por pistolas, perseguições automóveis, um Mercúcio drag queen e os Capulets e Montagues como famílias mafiosas, não seria de espantar se William Shakespeare desse algumas voltas no túmulo. 
Além de Di Caprio e Daines, do elenco também faziam parte Paul Sorvino (Capulet), Brian Dennehy (Montague), Christina Pickles (Lady Montague), Diane Venora (Lady Capulet), Pete Postelthwaite (Father Lawrence), Harold Perrineau (Mercúcio), John Leguizamo (Tebaldo), Miriam Margoyles (Ama), Paul Rudd (Paris) e Vondie Curtis Hall (Captain Prince, o equivalente do Príncipe de Verona).



Apesar de todas as modernices, lembro-me de ter apreciado bastante esta adaptação nineties da peça e de gostar de alguns detalhes como o coro introdutório da peça lido por uma pivot de telejornal. Algo me dizia que se Shakespeare fosse realizador de cinema em 1996, criaria algo semelhante. Leonardo Di Caprio, que desde muito cedo tinha dado provas do grande actor que era em filmes como "A Vida Deste Rapaz" ou "Gilbert Grape" (que lhe valeu a sua primeira nomeação para um Óscar aos 19 anos), foi muito elogiado pelo seu desempenho tenho ganho o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim e este papel foi uma espécie de antecâmara para a sua ascensão a superestrela de Hollywood com "Titanic" (onde Claire Daines também chegou a ser considerada para a protagonista feminina).

"Romeu + Julieta" foi a primeira vez que Portugal reparou em Claire Daines, até porque só depois da estreia do filme é que passou por cá a série "Que Vida Esta!" que a tinha revelado nos Estados Unidos, pelo que antes só a conhecíamos como uma das "Mulherzinhas" da adaptação cinematográfica de 1994. Lembro-me de na altura, antes de ver o filme, eu achar que Daines não era suficientemente bonita para ser uma Julieta mas a cena do baile em que surge numa indumentária literalmente angelical fez-me mudar de opinião. Mesmo sem nunca ter tido grandes píncaros de fama, Claire Daines continuou bastante activa em Hollywood e voltou a ter papel marcante em televisão em "Homeland - Segurança Nacional". (Inicialmente, o papel de Julieta foi atribuído a uma Natalie Portman de 14 anos, mas foi substituída por parecer demasiado nova até para um Di Caprio de 21 anos).

"Romeu + Juliet" foi nomeado para o Óscar de Melhor Direcção Artística e ganhou prémios BAFTA para Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Banda Sonora.

Banda sonora essa que aliás foi outro dos grandes trunfos do filme. O álbum, editado antes da estreia do filme, continha canções de Radiohead, Garbage, Everclear, The Wannadies, Kym Mazzelle e Stina Nordenstam, além do conhecido "Lovefool" dos Cardigans.


Porém a canção mais marcante do filme é sem dúvida o tema romântico do filme, "Kissing You" interpretado por Des'Ree que aparece no filme a cantar essa canção durante a cena mais famosa do filme quando Romeu e Julieta vêem-se pela primeira vez através de um aquário. 
Destaque também para duas versões gospel interpretadas por Quindon Traver de "When Doves Cry" de Prince e "Everybody's Free To Feel Good" de Rozalla. 
Esta última foi a base para o tema "Everybody's Free (To Wear Sunscreen)" de 1999, composto por Baz Luhrmann inspirado num artigo de jornal de Mary Schmich e declamado pelo actor Lee Perry, que se tornou um inesperado hit nesse ano, tendo sido n.º 1 do top britânico e alvo de uma versão parodiada de Chris Rock.

Trailer:



Quindon Traver "Everybody's Free (To Feel Good)" (versão curta)


Baz Luhrmann "Everybody's Free (To Wear Sunscreen)" (versão longa)




   


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