quarta-feira, 12 de junho de 2019

Anúncios dos anos 80 - Marcas de hoje, anúncios de outrora

por Paulo Neto

Neste artigo, voltamos a explorar o espólio do canal do YouTube 1980s90stv, que teve o seu auge no tempo da Enciclopédia de Cromos. No artigo anterior, recordámos produtos e marcas existentes dos anos 80 que ou desapareceram completamente do mercado ou já não têm tanto destaque como tinham na altura. Desta vez, vamos recordar anúncios de marcas e produtos que ainda hoje existem, alguns deles com tão ou mais força do que nos anos 80, e (re)descobrir como é que a TV os anunciava então.





 Pelos vistos nos idos de 1985, uma das modas dos anúncios televisivos eram jingles adaptados de conhecidas canções da altura. É o caso destes anúncios da Scheweppes, da 7Up e do desodorizante 8x4 cujos jingles adaptavam respectivamente "Every Breath You Take" dos Police, "Bette Davis Eyes" de Kim Carnes (pareceu-me a voz da Lara Li no jingle?) e "Xanadu" de Olivia Newton-John com os Electric Light Orchestra.



 A cerveja Sagres continua em força, batendo-se eternamente com a Super Bock pelo título da mais popular cerveja nacional. De 1985, vem este anúncio melodramático com jingle a condizer, com o drama de um casal em vias de separação com o homem a sair porta fora e a mulher lavada em lágrimas. Felizmente, logo a seguir dá-se o final feliz com ele a voltar para casa e ela a correr para os seus braços. No entanto, o anúncio termina numa nota algo dúbia com a mulher a olhar para a câmara enquanto segura uma garrafa de cerveja na mão, e embora ela esteja aparentemente feliz e sorridente, não custa nada a imaginar ela a dar-lhe com a garrafa na cabeça, a fazê-lo pagar pelo desgosto.



E já que falamos de cervejas, depois da dicotomia Sagres/Super Bock, a cerveja Cristal será porventura a terceira cerveja nacional mais popular. Em 1985, promovia-se com este anúncio com gente a fazer "rafting" e o slogan "cerveja leve para gente activa"! 





Em 1985 tal como hoje, a Coca-Cola continua a ser amplamente consumida em Portugal e no mundo inteiro. Nos anos 80, o slogan era "Coca-Cola é que é." Primeiro vemos dois anúncio bem veranejos numa praia cheia de gente jovem e bonita. Depois outro alusivo a uma colecção de "Copos Sem Fronteiras" com as várias designações de "Coca-Cola" por esse mundo fora, com cada copo a ser obtido após reunir seis tampas de garrafas de litro. Algum de vós teve estes copos?


Do Brasil vinha este anúncio às Chiclets Adams onde uma beldade do país irmão descreve com subliminar sensualidade o seu consumo das ditas pastilhas.



As origens do licor holandês Pisang Ambon remontam à receita à base de banana de uma antiga destilaria indonésia, quando esse país fora colonizado pelos Países Baixos. Pisang quer dizer banana nas línguas indonésia e malaia e Ambon é a capital de uma província da Indonésia. Apesar de ainda hoje seja consumido por todo o mundo, incluindo em Portugal (embora nos anos 90 houve quem promovesse um boicote ao licor por causa da questão de Timor), este foi o único anúncio televisivo (1988) ao Pisang Ambon que me recordo: num cenário exótico, uma elegante senhora de cabelo curto (que me faz lembrar a cantora Enya) recebe uma garrafa de licor e um bilhete vindo de um homem que a observa a distância com um olhar algo creepy.  



As Ruffles da Matutano continuam a ser uma das marcas de batatas fritas mais populares por cá, mas eu ainda sou do tempo em que batatas fritas com um corte ondulado eram uma surpreendente novidade. Foi em 1987 que as Ruffles chegaram cá e é curioso que inicialmente eram designadas como "Pala-Pala Ruffles", recordando a outra marca clássica. A cereja em cima do bolo era este anúncio super jovem com acrobacias bicicletas e um jingle cantado por dois veteranos deste género: Gustavo Sequeira e Nucha.   



Old Spice continua a ser uma marca líder nos after-shave e durante anos a fio um dos seus bastiões eram os anúncios ao som de "Carmina Burana" de Carl Orff, geralmente envolvendo uma actividade marítima bem viril. É o caso deste anúncio de 1987 com uma homem a fazer surf e uma mulher loura com uma expressão extasiada.  



Para terminar e porque foi anos 80 que começaram a surgir em Portugal os primeiros hipermercados, um anúncio de 1988 do Continente. Na altura, creio que só havia três desta franchise do grupo Sonae: na Amadora, em Matosinhos e em Vila Nova de Gaia. Mas rapidamente foram-se as médias e grandes superfícies comerciais do grupo foram-se massificando um pouco por todo o país. Mas em 1988, o conceito de um supermercado gigante com todo o tipo de produtos era esmagador, ainda para mais com anúncio de encher o olho como este.


Anúncios dos anos 80 - Produtos e marcas desaparecidos (ou quase)

por Paulo Neto

Nos tempos da "Caderneta de Cromos" da Rádio Comercial, o canal do YouTube 1980s90stv era amiúde referido na rubrica pela quantidade de arqueologia audiovisual que disponibilizava de excertos de programas e sobretudo anúncios dos anos 80. No entanto, com o fim da "Caderneta de Cromos", já lá vão sete anos, esse canal deixou de fornecer mais vídeos mas os existente continuam disponíveis para visualização.

Neste artigo, vamos recordar alguns desses vídeos de anúncios desse canal, destacando sobretudo anúncios a produtos e/ou marcas que hoje em dia já desapareceram ou então persistem ainda à venda mas bem longe do fulgor desses tempos.


Em 1983, este anúncio aos televisores Newcolor apregoava ser "o melhor da técnica". Não fosse o facto de ser, como o nome indica, um televisor a cores (Portugal começara a ter emissões de televisão a cores apenas três anos antes) e a música apresentada, e eu até acharia que o modelo apresentado era dos anos 70.


Hoje com as questões de blackface e whiteface, anúncios como este de 1988 ao chocolate "Branco e Negro" da Regina dificilmente seriam feitos. Não sei se cheguei alguma vez a provar este chocolate enquanto ele foi produzido mas acho que uma barra que combinava chocolate branco e chocolate negro ainda seria hoje uma ideia vencedora.


Outro chocolate de efémera vida no mercado foi o chocolate Crown, com este anúncio de 1987 protagonizado por uma alegada jovem dos Alpes.



Quando se pensa em marcas de óleo em Portugal, hoje em dia tal como nos anos 80, pensamos logo nas duas marcas líderes, Fula e Vegê. Mas ao longo dos tempos, outras marcas quiseram desafiar desse domínio binómico. Em 1987, temos o óleo Tianica que como não podia deixar de ser, é ao som de uma versão instrumental de "Tia Anica de Loulé". Em 1988, temos o óleo de amendoim Sol do Campo com garantia de qualidade. Também evocando a sua qualidade (premiada em concurso) em jeito de arraial, eis o óleo Pima em 1985. (Será que estas marcas ainda existem para aí?)
Mas ainda em 1988, e sem nomear uma marca específica, temos este anúncio épico de dois minutos com uma visão do futuro (quiçá do então longínquo ano de 2019?) que elevava o óleo de soja ao "óleo do futuro". Adoro como o computador falante a certa altura perde a compostura para exclamar "Oh, que maionese!". 



Um clássico dos anos 80, as sandálias de plástico coloridas. Havia até quem ia tomar banho à praia com elas calçadas para evitar picadas do peixe-aranha. Eu acho que cheguei ter umas azuis quando eu tinha para aí uns quatro ou cinco anos. Entre os fabricantes deste tipo de calçado estava a Jhol que vencia com este anúncio de 1985 onde várias crianças brincam numa réplica gigante de uma sandália enquanto se ouve o apelativo jingle: "É lindinho, tem cheirinho, é fofinho, Jhol!/ Sapatinhos Jhol é bom!"


Em 1985, os lençóis bordados "Ninho" ("o lençol do lar feliz") tinham um concurso destinado às noivas de Portugal. E estes oito segundos do anúncio deixam tantas questões no ar: que prémios estavam em jogo nesse concurso? Será que os lençóis Ninho eram mesmo um factor importante na felicidade conjugal dos casais portugueses da altura? E seria possível um anúncio assim hoje? 


Dois anúncios a uma marca de vestuário que me recordo dos anos 80: a Traffic. Um de 1985, muito estiloso numa pedreira com modelos em poses dramáticas que a certa altura desatam a fugir sabe-se lá para onde, até pegando bruscamente nas duas crianças ali presentes.
Outro de 1987 que mesclava estáticas americanas dos anos 50 e 80, tendo o filme "Grease" como óbvia inspiração. A minha parte preferida é quando uma das raparigas pretende rebentar à chapada o enorme balão de pastilha elástica que um dos rapazes fabrica.


Outro clássico dos anos 80 e que me recordo ver na minha casa e nas dos meus familiares: as embalagens cúbicas e bicolores do gel de banho Tahiti Duche. E anúncios alegres, coloridos e cheios de belas moçoilas como este de 1985 eram um apelo extra.


Assim que cliquei no play, recordei-me logo deste anúncio ao perfume Audace, em que uma jovem mulher de écharpe azul e vestido cor-de-rosa desperta a atenção de um homem pensativo numa varanda ao som de "I wanna be loved by you" de Marilyn Monroe. 


Como já disse aqui antes, nutro um fascínio forasteiro por anúncios a pensos higiénicos e tampões por serem produtos que eu nunca tive nem alguma vez terei de usar na vida. Na minha casa, apenas a minha mãe era consumidora de tais produtos mas não me recordo de alguma vez ela ter comprado pensos higiénicos da marca Stayfree mas recordo-me de ver as embalagens com uma mulher a correr numa praia nas prateleiras dos supermercados nos anos 80. Quanto este anúncio de 1985 aos "pensos da mulher activa", é daqueles que grita "ESTAMOS NOS ANOS 80, POÇA!". 



 Outro produto que me lembro dos anos 80: a embalagem em forma de sapato de Búfalo Sport, um detergente especial para calçado. A marca Búfalo continua por aí na sua gama de graxas e ceras para calçado, mas nunca mais vi esta icónica embalagem.


 

Em 1985, um marido atrasa um pouco a sua ida para ao trabalho para apreciar mais uma vez a suavidade da pele da sua esposa, devidamente lavada com o sabonete com óleo de amêndoas doces Bedum, perdão, Cadum!


Por acaso lembro-me vagamente na altura de uma marca de produtos para a barba chamada Williams, mas já há décadas que nunca mais vi nada. Fica este simpático anúncio de 1983, onde num convento franciscano, um monge confia na espuma de barbear Williams para deixar a sua careca bem rapada sem cortes. (Outros monges provavelmente usaram outra marca e não tiveram tanta sorte). 




Ainda hoje existem pelo país fora vários contentores destinados à reciclagem de matérias como o vidro, o papel e o plástico (os chamados Ecopontos ou Ilhas Ecológicos). Mas em 1985, Portugal dava os primeiros passos para este processo essencial para a preservação do meio ambiente e foi por essa altura que começaram a surgir no país os primeiros contentores para a reciclagem do vidro, os chamados vidrões, que eram arredondados, bastante avolumados e eram brancos para o vidro transparente e verdes para o vidro tingido desta cor. Nos anos seguintes os vidrões fizeram parte da paisagem urbano-rural nacional até serem substituídos por outros de formato mais moderno e integrados com outros destinados à reciclagem de outros materiais. Para a história fica este anúncio, o primeiro que alertou os portugueses para a reciclagem, com o slogan "vidro velho vira novo". Ó mãe, olhó vidrão!    









Para terminar, ainda hoje existe a Lotaria Nacional, mas tirando a tradicional Lotaria do Natal, não me recordo de fazerem actualmente anúncios televisivos. Porém nos anos 80, havia quase um anúncio todas as semanas dedicados aos mais variados temas. Lembro-me por exemplo de haver lotarias dedicadas a cada um dos signos do Zodíaco. Nestes cinco exemplos acima referidos, temos: a Lotaria de Santo António de 1985 com, como não podia deixar de ser, um manjerico e uma quadra alusiva; a Lotaria Especial de Agosto de 1985 com o actor Carlos Miguel, o eterno "Fininho", com fato de mergulhador à beira de uma piscina; a Lotaria do Verão de 1985 com um alegre casalinho a veranear pela praia (na altura a taluda era de 54 mil contos, uns ainda hoje apetecíveis 270 mil euros); a Lotaria do Coração de 1988 relembrando todas as actividade solidárias da Santa Casa da Misericórdia que os apostadores apoiam ao jogar na lotaria; e para terminar a Lotaria das Férias Grandes de 1988 com um anúncio de animação em que uma família em partida de férias não só fica mais rica ao ganhar a lotaria como se transformam todos em super-heróis (incluindo o gato, o pássaro e o carro!). Será que com 100 mil contos (cerca de 500 mil euros), dá para comprar superpoderes? (Resultou com o Batman!) 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Mulheres Apaixonadas (2003)

por Paulo Neto

Tempo para recordar mais uma telenovela brasileira, neste caso já deste século, e esta foi mais um novelão com um elenco de luxo com mais de cem personagens! Exibida tanto no Brasil como em Portugal ao longo do ano de 2003, "Mulheres Apaixonadas" era mais uma telenovela da autoria de Manoel Carlos, célebre por dar o nome de Helena às protagonistas das suas telenovelas. A Helena desta telenovela foi interpretada por Christiane Torloni, mas ao contrário das outras Helenas, não era uma protagonista muito central, era mais como que o principal elo de ligação entre as várias histórias que exploravam os diferentes papel da mulher na sociedade (outro tema recorrente do autor) e algumas dessas histórias acabaram por ser mais marcantes que o percurso da protagonista.
Para manter a actualidade das temáticas abordadas da telenovela, era frequente algumas cenas serem gravadas no dia em que o respectivo episódio era exibido. 



Helena Moraes (Torloni) é professora de História e directora da Escola Ribeiro Alves, um reputado colégio liceal, casada há vários anos com Téo Ribeiro Alves (Tony Ramos), um músico de jazz com quem adoptou Lucas (Victor Curgula). Mas sob essa aparente felicidade, Helena passa por uma fase de dúvidas em questiona se é realmente feliz. E o reencontro com César Andrade Melo (José Mayer), uma paixão antiga, vai desencadear mudanças na vida de Helena e dos que a rodeiam. Viúvo no início da novela, César é pai de dois filhos, o problemático Rodrigo (Leonardo Miggiorin) e a alegre Marcinha (Pitty Webo), que estuda na Escola Ribeiro Alves. Tem também uma ligação extraconjugal com uma colega da clínica, Laura (Carolina Kasting), que espera que César assuma a relação após a viuvez. Mas a reaproximação entre Helena e César estraga-lhe os planos, e após várias reviravoltas, no final da telenovela, Helena e César casam-se e Téo e Laura acabam por ficar juntos.

Téo (Tony Ramos) e Helena (Christiane Torloni)

Durante este período de mudanças, Helena descobre um segredo de Téo: Lucas é seu filho biológico com Fernanda (Vanessa Garbelli), uma ex-prostituta. A ligação de ambos foi breve mas Téo e Fernanda ficaram amigos e cada um costuma recorrer ao outro quando está com problemas. Fernanda é também mãe da encantadora Salete (Bruna Marquezine), que sente uma ligação especial com Téo e Lucas. Numa das cenas mais marcantes da telenovela, Fernanda morre e Téo fica paraplégico devido a balas perdidas num tiroteio no trânsito, deixando Salete à mercê da sua avó Inês (Manoelita Lustosa), uma mulher pérfida e insensível, que negligencia a neta e que só a acolheu com olho na fortuna de Téo. Mas apoiada por visões do espírito da sua mãe e de anjos, Salete sonha com uma vida melhor e tudo muda quando fica provado que ela também é filha de Téo, que prontamente a assume e que passa a viver com Lucas e Laura. Este foi o primeiro papel da actriz Bruna Marquezine aos oito anos, ela que mais tarde viria a ser uma grande celebridade no Brasil, tanto dentro das novelas, como fora delas, nomeadamente devido à sua relação intermitente com o futebolista Neymar.

César (José Mayer) e Helena (Christiane Torloni)

Laura (Carolina Kasting)

Salete (Bruna Marquezine) e Fernanda (Vanessa Garbelli)


Lorena Ribeiro Alves (Suzana Vieira), irmã de Téo e dona do colégio dirigido por Helena, é uma mulher alegre e de muitas paixões. Tem dois filhos, Diogo (Rodrigo Santoro) e Vidinha (Júlia Almeida) do seu ex-marido Rafael (Cláudio Marzo), com quem continua a se dar bem. Um dia ao encontrar Expedito (Rafael Calomeni), filho do caseiro da sua fazenda, Lorena acaba por viver uma história ao estilo de Pigmaleão, onde ela transforma o jovem provinciano num belo modelo pronto a fazer sucesso no mundo da moda carioca e os dois acabam por se envolver romanticamente.

Lorena (Suzana Vieira) e Expedito (Rafael Calomeni)

Marina (Paloma Duarte)
Diogo (Rodrigo Santoro) e Luciana (Camila Pitanga)

Além de Lucas e Salete, Téo é pai de Luciana (Camila Pitanga), fruto de uma relação com a cantora Pérola (Elisa Lucinda), anterior ao seu casamento com Helena. Luciana é estagiária na clínica de César (com quem terá um breve envolvimento) e foi sempre apaixonada pelo primo Diogo, apesar do rapaz ser um mulherengo bon-vivant. Por isso, Luciana não se conforma quando Diogo aceita casar com Marina (Paloma Duarte) quando esta revela que está grávida dele e as duas chegam a ter várias cenas de briga. Porém o casamento fica logo condenado ao fracasso, sobretudo depois de Marina perder o bebé. Desesperada, Marina acaba por seduzir Expedito, roubando-o à sogra, enquanto Diogo conclui que Luciana foi sempre a mulher da sua vida. Lorena acabará por encontrar consolo nos braços de outro jovem (participação especial de Reynaldo Gianechini).
Na altura em gravava esta telenovela, Rodrigo Santoro fazia sucesso em Hollywood pois nesse ano de 2003, estrearam três filmes em que ele entrou: "Os Anjos de Charlie 2", "300" e "O Amor Acontece."

Hilda (Maria Padilha), Helena (Christiane Torloni)
e Heloísa (Giulia Gama)
Leandro (Eduardo Lago) e Hilda (Maria Padilha)

Helena tem duas irmãs, Hilda (Maria Padilha) e Heloísa (Giulia Gam). As três irmãs são muito unidas e confidentes umas das outras. Hilda vive um casamento longo e feliz com o seu marido Leandro (Eduardo Lago) de quem tem uma filha, Elisa (Gisele Policarpo) e é dona de um delicatessen num hotel de luxo, mas a vida prega-lhe um enorme golpe quando descobre que sofre de cancro da mama. Heloísa é mais problemática das três, já que sofre de ciúmes doentios do marido, Sérgio (Marcelo Antony), acusando-o constantemente de traição e desconfiando de todas as mulheres que se aproximam dele. Apesar dos conselhos das irmãs e das juras de amor e de fidelidade do marido, Heloísa entra numa espiral de obsessão cada vez maior cometendo actos cada vez mais tresloucados e o inevitável acontece: Sérgio acaba por deixá-la e envolve-se com Vidinha. A Heloísa chega a ser internada num hospital psiquiátrico e no fim, só lhe resta fazer terapia num grupo de apoio a mulheres que amam demais.

Heloísa (Giulia Gam) e Sérgio (Marcelo Antony)

Raquel (Helena Ranaldi) e Marcos (Dan Stulbach)


Outra história marcante desta telenovela foi a de Raquel (Helena Ranaldi), vinda de São Paulo para recomeçar a vida no Rio de Janeiro, dando aulas de Educação Física na Escola Ribeiro Alves. Na verdade, ela fugiu do seu marido abusivo, Marcos (Dan Stulbach), que a certa altura vai ter com ela, jurando estar mudado e pedindo reconciliação. Mas cedo se descobre que Marcos não mudou nada e volta a agredir a mulher, tendo uma raquete de ténis como sua arma de eleição. Para complicar as coisas, Raquel tinha-se entretanto envolvido com um dos seus alunos, Fred (Pedro Furtado). Marcos acaba por atrair o rapaz para um emboscada em que ambos morre, deixando Raquel sozinha e grávida de Fred.

Fred (Pedro Furtado)

Cláudio (Erik Marmo) e Edwiges (Carolina Dieckman)
Edwiges (Carolina Dieckman), irmã de Expedito, é uma jovem simpática e dinâmica que se desdobra em vários empregos para ajudar a família. Um deles é a tomar conta de cães e é durante uma situação atribulada que ela conhece Cláudio (Erik Marmo), um amigo de Diogo e os dois rapidamente se apaixonam, vivendo algumas das cenas mais românticas da telenovela ao som de "Velha Infância" dos Tribalistas. No entanto, não só a mãe do rapaz é contra o namoro por a rapariga ser pobre, como Edwiges insiste em manter-se virgem até ao casamento. A moçoila acaba por não resistir às pressões e termina o namoro e Cláudio acaba por ceder aos avanços de Gracinha (Carol Castro), a filha dos empregados da família, que volta e meia arrasta a asa ao rapaz. Gracinha acaba por engravidar, o que complica a vida do rapaz. Mesmo assim no final, Cláudio e Edwiges acabam por casar e a rapariga tem finalmente a sua primeira vez. 

Leopoldo (Oswaldo Louzada), Dóris (Regiane Alves)
e Flora (Carmem Silva)
Dóris (Regiane Alves) e Carlão (Marcos Caruso)

Uma das personagens mais odiadas da telenovela foi Dóris (Regiane Alves), com a qual o autor quis retratar o tema dos maus-tratos a idosos. Furiosa pelo seu pai Carlão (Marcos Caruso), sem dinheiro para pagar um lar, ter decidido acolher os seus pais Leopoldo (Oswaldo Louzada) e Flora (Carmem Silva) no já pequeno apartamento da família, obrigando-a a ter de partilhar um quarto com o irmão Carlinhos (Daniel Zettel), a rapariga maltrata constantemente os avós, chamando-os de estorvos e chegando a roubar-lhes o dinheiro da reforma. Por amor à neta, o casal de idoso esconde tudo do filho e da nora, até que Carlão descobre as patifarias de Dóris e numa das cenas mais marcantes, chega a bater nela com um cinto. No final, Leopoldo e Flora vão para um lar para artistas aposentados.

Por fim, houve a história de amor entre duas alunas do colégio, Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli). Apesar da oposição dos pais da primeira, as duas lutam para assumir a relação e no final, trocam um beijo durante uma actuação de "Romeu e Julieta" no colégio. 

Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli)

Outras histórias:
- Santana (Vera Holtz), professora de Geografia na Escola Ribeiro Alves, e os seus problemas de alcoolismo.
- Sílvia (Natália do Valle), mãe de Marina, descontente com a negligência do marido, dá por si num tórrido e hilariante affair com o taxista Caetano (Paulo Coronato).
- Estela (Lavínia Vlasak), prima de Helena e suas irmãs, é uma socialite que vive uma vida de luxo até que reencontra o padre Pedro (Nicola Siri), que lhe dera a primeira comunhão, no casamento de Diogo e Marina e acaba por se apaixonar por ele, levando-a pôr em causa a futilidade com que vivia a sua vida. Embora obviamente ao início o sacerdote recuse os avanços da jovem, mais tarde acabará por lhe corresponder.
- Depois de Dóris e Heloísa, a personagem mais irritante era Paulinha (Ana Roberta Gualda), outra aluna do colégio, sempre de sete pedras na mão, que despreza o pai Oswaldo (Tião D'Avila) por ser o porteiro da escola e que insulta Clara e Rafaela pela sua ligação.

Santana (Vera Holtz)

Sílvia (Natália do Valle) e Caetano (Paulo Coronato)

Estela (Lavínia Vlasak) e Padre Pedro (Nicola Siri)
Paulinha (Ana Roberta Gualda) e Oswaldo (Tião D'Ávila)


Do elenco, ainda fizeram parte nomes como Serafim Gonzales (Onofre), Marly Bueno (Marta), Chaguinha (Ivan), Paulo Figueiredo (Afrânio), Guilhermina Guinle (Rosinha), Walderez de Barros (Alzira) e Regina Braga (Ana). Três dos jovens actores do consagrado filme "A Cidade Do Deus" - Roberta Rodrigues (Zilda), Diego Gonçalves (Jairo) e o já referido Daniel Zettel - estrearam-se aqui em termos de televisão.

O genérico tinha a particularidade de ter várias fotografias de pessoas comuns em cenas familiares. Algumas dessas fotos foram enviadas por telespectadores e chegou a haver 15 versões diferentes do genérico.

"Mulheres Apaixonadas" foi a primeira telenovela da SIC a ser exibida com uma legendagem adaptada para surdos. A autora dessa legendagem era a Prof.ª Maria Auta de Barros, que na altura também leccionava a minha pós-graduação em Legendagem de Audiovisuais na UAL.  

A banda sonora da telenovela teve Rodrigo Santoro na capa da edição brasileira e Carolina Dieckman na da edição portuguesa, que incluía temas de artistas portugueses como Paulo Gonzo, Pedro Miguéis e EZ Special. 


Genérico de abertura:



Tribalistas "Velha Infância" (cenas de Cláudio e Edwiges):




domingo, 19 de maio de 2019

Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma (1999)


Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante...
Mais especificamente em 19 de Maio de 1999, e numa galáxia no outro lado do Atlântico que a Guerra das Estrelas (Star Wars) voltou ao grande ecrã com "Star Wars: Episode I - The Phantom Menace". Este primeiro capítulo (cronologicamente o primeiro, mas o quarto a ser produzido) ou episódio, foi um fenómeno global, antecipado e presente em todo o tipo de mídias e produtos. Aqui pelo estaminé, o Paulo Neto já o tinha listado nas "20 coisas que aconteceram há 20 anos (1999)" e eu  já tinha abordado nos cromos sobre as minhas cassetes VHS da Guerra das Estrelas, na Colecção de Cromos Pepsi e o site oficial da época. Espero ainda fazer um cromo dedicado à fabulosa banda sonora, mas mais sobre isso abaixo. Em Portugal estreou em 1 de Outubro de 1999 - segundo o IMBD - com o título "Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma" que substitui o velhinho "A Guerra das Estrelas" pelo inglês "Star Wars" como forma de homogeneizar a marca.
Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Os fãs estavam à mingua de Star Wars nos cinemas desde 1983 (Episódio VI: O Regresso de Jedi), um fome que não era morta mas multiplicada pelos imensos desenvolvimentos no Universo Expandido (agora Lendas, desde a compra pela Disney) em livros, banda desenhada, jogos, etc e todo o tipo de merchandising possível e imaginário. Li há tempo sobre um artigo de 1977 que despertou a ira de Gorge Lucas, e como ele proibiu a continuação da fabricação dos baratuchos "cintos de utilidades" que pouco tinham a ver com os acessórios mostrado nos filme. Mas o dólar (ou milhões de dólares) falam mais alto e ainda hoje é possível encontrar a marca Star Wars associada a todo o tipo de produto, de qualidade mais ou menos duvidosa.
Como qualquer produção famosa que se preze, a mera existência desta continuação - que foi o primeiro capitulo da trilogia para contar como se chegou na trilogia original - despertou a ira dos supostos verdadeiros fãs. Actores perseguidos e humilhados, caíram na depressão e até em pensamentos suicidas. Algo que desde a multiplicação do acesso à Internet e da aceitação da cultura geek só piorou para todo o tipo de filmes, séries, banda desenhada, etc.
No ano que estreou o "Regresso de Jedi" tinha apenas 4 anos, mas na altura em que os cinemas nacionais exibiram as Edições Especiais não assisti a nenhum. Não me lembro, mas talvez simplesmente não tenham passado na pequena sala local. Portanto, o Episódio I foi a primeira vez que vi um filme da Guerra das Estrelas no grande ecrã. Nos meses que antecederam devorava e coleccionava todo e qualquer artigo de jornais, revistas - até alemãs - relacionado com o tema. Vi e revi até gastar a cassete onde gravei - creio que do TOP+ - o videoclip (que dobra como making-of) do fabuloso e operático tema principal, "Duel Of The Fates". Confesso sem vergonha que ainda circula por todos os meus leitores de Mp3.

Boatos e noticiários davam contam de imensos espectadores que compram bilhetes para os filmes que tinham sido seleccionados para passar antes o primeiro trailer do Episódio 1, e que depois de visto, imediatamente abandonaram a sala sem ver o filme. Creio que o vi pela primeira vez no noticiário. Graças à Internet não precisam de comprar bilhete para assistir:

E falando nisso, em 1998, a Internet já permitiu a mais de 10 milhões assistir a esse trailer, estabelecendo um recorde. Recorde batido pelo trailer seguinte:

O criador do universo "Star Wars", George Lucas, várias vezes declarou que o primeiro "Star Wars" - que mais tarde ganhou os subtítulos "Episode IV: A New Hope" ("Episódio 4: Uma Nova Esperança") - era apenas uma parte da história da saga "planeada" para 9 filmes.

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
E apesar do sucesso das continuações nos Episódios V e VI creio que muito poucos seres humanos teriam certeza que veriam novos Star Wars no grande ecrã, muito menos que a segunda trilogia fosse uma prequela da trilogia original. Depois dos trailers, que não entregaram muitos detalhes, a reacções foram geralmente positivas. Belos designs, acção épica e um título ao estilo dos serials e pulps do antigamente que estiveram na origem da saga. Depois da estreia o resultado desiludiu muita gente. Um plot mais complexo, que conjuga ao mesmo tempo elementos políticos e mais subtis, com elementos mais infantis e escatológicos, além de várias referências aos filmes futuros. O universalmente odiado Jar Jar Binks cumpre a sua função de comic relief, e é um triunfo da tecnologia da altura, e até de racista a personagem foi acusada, devido ao seu sotaque. Foi visível que deslumbrado pelas possibilidades do digital, Lucas começou a trocar os efeitos práticos por green screen, e pessoalmente, apesar de lamentar o progressivo uso dos computadores em detrimento de efeitos práticos que poderiam funcionar melhor, considero injustas as acusações que os efeitos digitais eram frios. Neste capítulo, houve um grande esforço em conjugar o melhor dos dois mundos, analógico e digital, e mesmo através das animações CGI sente-se a artesania de uma grande casa de efeitos como é a ILM. A nível de design e estilo, se a imagem de marca da trilogia original era o "espaço usado" (o oposto de Star Trek e Espaço 1999 por exemplo) nesta nova trilogia optou-se por mostrar novos planetas, localizações e tipos de naves mais polidos de "tempos mais civilizados" antes da queda dos Jedi e da decadência corrupta do Império. Obviamente que as zonas mais pobres e corruptas já existiam - e foram desenvolvidas nas séries animadas como "Clone Wars" - mas nesta nova trilogia o público foi apresentado a locais e situações quase impossíveis de recriar com os efeitos dos anos 70 e 80. E muito importante, até as lutas de lightsabers foram coreografadas de formas mais dinâmicas, num constraste com a trilogia original onde as lutas eram mais decalcadas dos samurais adorados por Lucas, e protagonizadas por velhos, aleijados e jovens sem treino formal. Na época do Episódio 1 a organização dos Jedi, embora já em decadência, ainda era forte e com muitos membros pela galáxia. E de bónus, regressam - além do jovem Obi-Wan - os dróides favoritos dos fãs: C-3PO e R2-D2.
Sinopse:
Décadas antes dos eventos de "A Nova Esperança", somos reapresentados a Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), nesta época ainda um jovem aprendiz, e o seu Mestre, Qui-Gon Jinn (Liam Neeson). São os enviados Jedi para tentar resolver uma disputa comercial no planeta Naboo, que está a ser bloqueado pela Federação do Comércio. A hospitalidade da Federação depressa se revela enganadora e ambos Jedi conseguem escapar para a superfície do planeta a bordo de uma das naves invasoras.

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
No terreno são auxiliados por uma das criaturas mais desastradas e irritantes do cinema, o mestre do slapstick Jar Jar Binks (Ahmed Best), que Qui-gon salvou do exército robótico a caminho da capital de Naboo.

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
Depois de uma rápida passagem pelo reino subaquático dos compatriotas de Jar Jar, os Jedi conseguem resgatar a Rainha Amidala e a sua entourage de que se destaca uma jovem aia, Padmé (Natalie Portman). Obrigados a parar em Tatooine para reparar a nave, localizam as peças numa sucata onde travam amizade com o jovem escravo Anakin Skywalker (Jake Lloyd), o futuro Darth Vader. O Mestre Jedi rapidamente percebe o poder de Anakin na manipulação da Força e faz uma aposta com o dono deste para o libertar. Anakin vence a corrida de podracers (a reencarnação espacial das quadrigas de "Ben-Hur") e Qui-Gon a aposta.

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
De regresso à nave são atacados por um misterioso inimigo, Darth Maul (Ray Park). Conseguem escapar para a capital da República, o impressionante planeta-cidade Coruscant. Anakin é apresentado ao Conselho Jedi que pressente o perigo, e proíbe Qui-Gon de lhe ensinar os caminhos da Força. Também frustrada fica a Rainha Amídala que vê o Senado ignorar os pedidos de ajuda ao seu planeta, e resolve regressar a Naboo, acompanhada por Obi-Wan e Qui-Gon para lhe garantirem a segurança e descobrir mais sobre o Sith que os atacou. Com a ajuda de Jar Jar, os Gungan unem forças com os combatentes de Amídala e graças à intervenção de Anakin aos comandos de uma nave, conseguem vencer o exército de robots da Federação de Comércio. E apesar de o filme acabar em festa, nem tudo termina bem: Darth Maul consegue mata Qui-Gon em duelo de lightsabers. E apesar de Obi-Wan vingar o seu Mestre, e de o Conselho Jedi o promover a Cavaleiro, o espectador sabe que o seu novo aprendiz Anakin e a sombra do futuro Imperador mancham a celebração final...Mas isso, é outra história...
Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
Foi um evento global, e apesar de não ser de bom tom admitir tal em público, o "Episódio I" é dos meus favoritos da saga e abriu a porta a todos os filmes, séries e etc que se seguiram. No ano em que escrevo, faltam meses para a estreia do Episódio IX, o encerramento da Saga dos Skywalkers nos cinemas, prometido por George Lucas tantos anos atrás.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Top Música & Som 27 Setembro 1982

TOP Música & Som

Fonte: "TV Top Nº 82" [27 de Setembro a 3 de Outubro de 1982]


No final do segundo trimestre de 1982, este foi o TOP das mais vendidas, entre singles e albuns portugueses e estrangeiros:



Nacional/Internacional - TOP 20 SINGLES:

1- More Than This - Roxy Music [Vídeo].
2- Cambodja - Kim Wilde [Vídeo].
3- Amor - Heróis do Mar [Vídeo].
4- Ebony and Ivory - Paul McCartney, Stevie Wonder [Vídeo].
5- Hungry Like The Wolf - Duran Duran [Vídeo].
6- Temptation - De Blanc [Vídeo].
7- Cama e Mesa - Roberto Carlos [Vídeo].
8- Love Is In Control - Donna Summer [Vídeo].
9- Classic - Adrian Gurvitz [Vídeo].
10- Da Da Da - Trio [Vídeo].






11- Never Again - Classix Nouveaux [Vídeo].
12- Words - F-R David [Vídeo].
13- Talk Talk - Talk Talk [Vídeo].
14- Say Hello Wave Goodbye - Soft Cell [Vídeo].
15- Aurora - Nova [Vídeo].
16- Adios Fraulein - Frederic Monteil [Vídeo].
17- Tonight I'm Yours - Rod Stewart [Vídeo].
18- Just Like A Woman - Rod Stewart [Vídeo].
19- My Own Way - Duran Duran [Vídeo].
20- Poison Arrow - ABC [Vídeo].




Quase a fechar o top, Rod Stewart fez dobradinha, tal como os Duran Duran, que ao contrário do rouco Rod nesta semana conseguiram encaixar um single no Top 5.



Nacional/Internacional - TOP 10 ALBUNS

1-   Avalon - Roxy Music [Vídeo].
2-   Roberto Carlos - Roberto Carlos [Vídeo].
3-   Disco de Ouro - Marco Paulo [Vídeo].
4-   Peter Gabriel - Peter Gabriel [Vídeo].
5-   The Concert In Central Park - Simon and Garfunkel [Vídeo].
6-   Too-Rye-Ay - Dexy's Midnight Runners [Vídeo].
7-   Soul Music - Vários [Vídeo].
8-   Love And Dancing - The League Unlimited Orchestra [Vídeo].
9-   Rio - Duran Duran [Vídeo].
10- The Lexicon Of Love - ABC [Vídeo].



Nacional - TOP 10 SINGLES


1-   Amor - Heróis do Mar [Vídeo].
2-   Minha Quinta Sinfonia - Paco Bandeira [Vídeo].
3-   Fantasmas - Da Vinci [Vídeo].
4-   Cristina - Roquivários [Vídeo].
5-   Eles Foram Tão Longe - Lenita Gentil [Vídeo].
6-   Latin'America - Jafumega [Vídeo].

7-   Caminhos de Portugal - Mário Gil [Vídeo].
8-   Fado É Fixe - Vasco Rafael [Vídeo].
9-   Pop Snob - Popeline Beije [-].
10- Canção Dos Teus Cabelos - Clemente [Vídeo].  



Desta lista de singles nacionais o que me chamou a atenção foi o "O Fado É Fixe", que com um título desses só podia ser uma criação de Carlos Paião. E atenção, não confundir o grupo de Cascais "Popeline Beije" com os "Popeline" dos anos 90.


Nacional - TOP 5 ALBUNS 


1-   Disco de Ouro - Marco Paulo [Vídeo].
2-   Perto De Ti - Lena d'Água [Vídeo].
3-   Fora De Moda - Rui Veloso [Vídeo].
4-   Nabraza - Trabalhadores Do Comércio [Vídeo].
5-   Aspectos Humanos - Beatnicks [Vídeo].


Na imagem abaixo - que podem ampliar - consegue-se ver as novidades, as descidas e subidas das tabelas, a permanência no top e a etiqueta responsável pela edição de cada disco, assim como alguns erros nos nomes dos artistas e canções:
Fonte: Revista "TV Top Nº 82" [27 de Setembro a 3 de Outubro de 1982]

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Festival da Eurovisão 1989

por Paulo Neto


À medida que se aproxima o Festival da Eurovisão deste ano com Conan Osíris a representar Portugal, porque não recordarmos mais uma edição deste lendário evento? Desta vez recuamos trinta anos até ao 34.º Festival da Eurovisão que decorreu no Palácio Beaulieu em Lausana a 6 de Maio de 1989. 33 anos depois de ter acolhido a primeira edição do Festival, a Suíça voltava a receber o certame na virtude da vitória da Céline Dion em representação daquele país no ano anterior. Aliás foi Dion quem abriu o espectáculo cantando a canção vitoriosa do ano anterior, "Ne Partez Pas Sans Moi", e "Where Does My Heart Beat Now", um dos seus primeiros hits em inglês. Os apresentadores foram Lolita Morena e Jacques Deschenau e foi a última edição até agora em que o certame foi principalmente conduzido em francês.



Com o regresso de Chipre, ausente no ano anterior, 22 países competiram nesta edição. Os comentários para a RTP estiveram a cargo de Ana Zanatti e Margarida Mercês de Melo foi a porta-voz dos votos de Portugal. 

Como é habitual, vamos recordar as canções pela ordem inversa à da classificação final.

Daniel Agust (Islândia)

A Islândia participava pela quarta vez e depois de ter ficada em 16.º lugar nas suas três primeira participações, desta vez experimentava a amargura do último lugar sem qualquer ponto. Um resultado algo injusto para sua canção "Pad sem enginn ser" ("o que ninguém vê") interpretada por Daniel Agust Haraldsson. Daniel viria obter sucesso internacional como membro do grupo Gus Gus.

Pan (Turquia)

Nos anos 80 e 90, podia-se contar com a Turquia para trazer algo exótico e diferente aos ouvidos da Europa Ocidental e este ano não foi excepção com o quarteto Pan e o tema "Bana, bana" ("a mim, a mim"). A letra podia ser bastante repetitiva mas a canção estava bem ao estilo das sonoridades da Ásia Menor. Porém, a Turquia não obteria mais do que o 21.º lugar com cinco pontos. Uma das parcelas femininas do grupo, Arzu Ece, viria a representar o país a solo em 1995.

Park Café (Luxemburgo)

O Luxemburgo ficou em 20.º lugar com oito pontos. Nesse ano, fizeram-se representar pelos Park Café, uma banda luxemburguesa, mas cuja vocalista Maggie Parke era natural de Salt Lake City nos Estados Unidos (o que explica a sua peculiar pronúncia do francês), interpretando a canção "Monsieur".
Ingeborg (Bélgica)

Este foi um dos anos em que a Bélgica se fez representar pela vertente flamenga do país, na voz de Ingeborg Sargeant que cantou "Door de vind" ("através do vento") acompanha no coro pelo autor da canção Stef Bos. Mas como este país costumava sair-se bastante melhor quando cantava em francês, desta vez ficou-se pelo 19.º lugar com 13 pontos. Ingeborg viria a ser mais conhecida no seu país como apresentadora de televisão.

Kiev Connolly & The Missing Passengers (Irlanda)

A Irlanda tinha sido o país anfitrião no ano anterior mas teria de esperar mais três anos até voltar a vencer e trazer de novo o Festival para as suas terras. Desta vez ficou-se pelo modesto 18.º lugar (21 pontos) com a canção "The Real Me", um tema sonoridades bem ao estilo da pop dos anos 80, interpretado por Kiev Connolly & The Missing Passengers.

Britt Synnove (Noruega)

Britt Synnove Johansen foi a representante da Noruega, cantando "Venners naerhet" ("a proximidade dos amigos"), uma balada sobre a amizade, ficando em 17.º lugar com 30 pontos. O momento alto da actuação foi quando um dos cantores lhe deu uma rosa. Britt viria a fazer carreira mais no teatro e espectáculos musicais do que como artista de estúdio. Ainda assim, na sua discografia contam um disco de homenagem a Edith Piaf e outro de tangos noruegueses.

Da Vinci (Portugal)

Portugal ficou-se pelo 16.º lugar com 39 pontos com mais uma canção daquelas que o país inteiro conhece e canta de cor. O colonialismo até pode ser um assunto demasiado sério para dourar a pílula numa canção pop, mas não há como negar toda a verve contida em "Conquistador" interpretada pelos Da Vinci, em especial o imortal refrão: "Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, /Angola, Moçambique, Goa e Macau./Ai fui até Timor, já fui um conquistador!" Acompanhando o casal fundador do grupo, Pedro Luís e Iei-Or, estiveram as irmãs Sandra e Dora Fidalgo, que mais tarde fariam coros para os Delfins.  O co-autor da canção, Ricardo Landum, hoje conhecido como compositor de sucessos para nomes como Tony Carreira, deveria ter acompanhado os Da Vinci mas semanas antes sofrera um acidente de viação que o impossibilitou de viajar para a Suíça. Os Da Vinci tiveram vários hits tanto antes como depois mas "Conquistador" foi incontestavelmente o ponto alto da sua carreira.

Justine Pelmelay (Holanda)

Reza a lenda que anos antes, Justine Pelmelay teve um sonho em que participaria no Festival da Eurovisão pela Holanda. Esse sonho realizou-se em 1988 quando fez coro na canção holandesa cantada por Gerard Joling mas só se tornou verdadeiramente premonitório no ano seguinte, quando foi a vez dela de defender a canção dos Países Baixos, intitulada "Blijf zoals je bent" ("continua a ser como és"), ficando em 15.º lugar com 45 pontos. Justine foi sobrevivente do naufrágio do navio Costa Concordia em 2012.

Nino De Angelo (Alemanha)

Dieter Bohlen dos Modern Talking foi o compositor de duas canções presentes a concurso. Uma delas foi obviamente a do seu país, a Alemanha. Nino De Angelo tinha tido alguns êxitos entre 1983 e 1984, incluindo "Jenseits von Eden" que foi n.º 1 do top alemão, e regressava à ribalta para cantar "Flieger" ("voadores"), ficando em 14.º lugar com 46 pontos (mas é uma das minhas canções preferidas deste ano). Embora sem nunca igualar o seu sucesso dos anos 80, Nino De Angelo continua activo na música. Em 1996 colaborou com o grupo pop Mr. President (os de "Coco Jamboo") para a canção "Olympic Dreams".

Marie-Louise Werth/Furbaz (Suíça)

Como se sabe, são quatro as línguas oficiais da Suíça: francês, alemão, italiano e romanche. E depois de já ter enviado canções nas três primeiras (para além de uma em inglês), fazia sentido que o país fosse representado em casa por uma canção na língua oficial que faltava, o enigmático romanche, falado apenas por 0,7% da população. O grupo Furbaz, liderado por Marie-Louise Werth, é altamente creditado como um dos principais responsáveis por manter vivo o legado desta língua e em Lausana cantaram "Viver senza tei", obtendo o 13.º lugar com 47 pontos.   

Gili & Galit (Israel)

Embora oficialmente a canção de Israel fosse um dueto entre Gili Netanael e Galit Burg-Michael, na verdade o primeiro, de apenas doze anos e com uma voz de querubim, era a estrela do tema "Derekh hamelekh" ("a estrada do Rei") com a segunda a fazer pouco mais que vocais secundários. Infelizmente no dia da actuação, a prestação de Gili ressentiu-se do nervosismo e de ter estado doente alguns dias antes e a magia da versão de estúdio não foi recriada em palco. Ainda assim, um 12.º lugar com 50 pontos não foi nada mau.

Fani Polymeri & Yannis Savvidakis (Chipre)

Já a canção de Chipre não foi um dueto, foi praticamente um casamento. Isto porque Fani Polymeri e Yannis Savvidakis apresentaram-se em palco como se tivessem acabado de casar numa igreja ali próxima, ela de vestido branco, ele de smoking, para cantar "Apopse as vrethume" ("vamos nos encontrar esta noite"). Esta boda musical agradou particularmente ao júri islandês, que deu doze pontes dos 51 que a canção cipriota recebeu, ficando em 11.º lugar.

Fausto Leali & Anna Oxa (Itália)

Itália e Grécia partilharam o nono lugar com 56 pontos. A Itália, o primeiro país a actuar, foi mais outro país que levou um dueto, "Avrei voluto" ("eu queria") nas vozes de Anna Oxa e Fausto Leali, ambos com carreiras já bastante bem-sucedidas tanto antes como depois. Dizem as más-línguas de Oxa e Leali andaram meio de candeias às avessas durante o périplo por Lausana, mas na hora de subir ao palco, as divergências foram postas de lado.

Marianna Esftratiou (Grécia)

Marianna Esfratatiou tinha feito coro na canção grega de 1987 e dois anos volvidos, cabia-lhe agora a responsabilidade de representar o seu país com o tema "Te diko sou asteri" ("a tua própria estrela"), acompanhada pelo flautista Filippos Tsemperoulis. Marianna viria a representar a Grécia novamente em 1996.
Natahlie Pâque (França)

E como se não bastasse o jovenzinho israelita, as responsabilidades de representar a França ficaram nesse ano sobre o pequenos ombros de Nathalie Pâque, que só completaria doze anos de idade cinco dias depois. (No ano seguinte, seria implementada a regra que estabelecia os dezasseis anos como a idade mínima para participar no certame.) No entanto, a jovem cantora belga esteve à altura do desafio interpretando irrepreensivelmente o tema "J'ai volé la vie" ("eu roubei a vida"), alcançando o oitavo lugar com 60 pontos. Nem de propósito, o primeiro verso da canção era: "Não posso dizer-vos a minha idade". Segundo consta, além de alguns discos dos anos 90, Nathalie tem-se dedicado ao teatro musical tanto na França como na Bélgica. 

Anneli Saaristo (Finlândia)

Tal como Portugal, a Finlândia era um país pouco habituado ao topo da classificação, mas nesse ano obteve o seu melhor resultado desde 1975, com o sétimo lugar (76 pontos), na altura apenas superado por um sexto lugar em 1973 (até à célebre vitória em 2006 com os Lordi). Anneli Saaristo cantou "La dolce vita", um tema que evocava sonoridades mais mediterrânicas do que nórdicas. Entre o vasto repertório de Anneli Saaristo, há que destacar uma versão em finlandês de "Silêncio e Tanta Gente", a canção de Portugal do Festival da Eurovisão de 1984.

Nina (Espanha)

Este foi também um ano de bom resultado para a vizinha Espanha, que ficou em sexto com 88 pontos. Envergando uma frondosa cabeleira, a catalã Anna Maria Agustí, ou simplesmente Nina, deu tudo no baladão "Nacida para amar". Apesar de ter carreira na música desde muito cedo, cantando sobretudo em catalão, Nina tinha ficado conhecida uns anos antes em Espanha como assistente da versão espanhola do concurso "1, 2, 3". Anos mais tarde, voltaria a ter destaque como a directora da academia nas primeiras três temporadas do programa "Operación Triunfo", tendo também protagonizado as adaptações espanholas de musicais como "Mamma Mia" e "Cabaret". 

Thomas Forstner (Áustria)

O actual sistema dos "douze points" estava em vigor desde 1975, mas foi preciso chegar até 1989 para se ouvir pela primeira vez: "Austria, twelve points. Autriche, douze points!" E ouviu-se três vezes, contribuindo para que a Áustria ficasse em quinto lugar com 97 pontos, o melhor resultado deste país desde 1976. Tudo graças à canção "Nur ein Lied" ("só uma canção") interpretada por Thomas Forstner e que, tal como a canção alemã, tinha música de Dieter Bohlen dos Modern Talking. Thomas Forstner voltou ao Festival pela Áustria em 1991 mas o resultado foi o pior possível, não tendo qualquer ponto.
Tommy Nilsson (Suécia)


A Suécia ficou em quarto lugar com 110 pontos com o tema "En dag" ("um dia") interpretado por Tommy Nilsson. Além de uma carreira bem-sucedida desde o início dos anos 80, Nilsson também é conhecido pelo seu trabalho nas dobragens tendo sido a voz sueca do John Smith em "Pocahontas" e de Patrick Star em "Spongebob Squarepants".

Birthe Kjaer (Dinamarca)


Com mais um ponto que a Suécia, a Dinamarca repetiu o terceiro lugar do ano anterior. Birthe Kjaer, uma veterna do showbiz dinamarquês, cantou "Vi maler byen rod" ("pintamos a cidade de vermelho"). O compositor da canção, Soren Bundgaard, que também acompanhou Birthe no palco, tinha participado como parte do duo Hot Eyes em 1984, 1985 e 1988. Uma curiosidade foi que a meio da canção, o orquestrador Henrik Krosgaard foi para o palco para se juntar ao coro, sendo substituído por outro maestro. 

Ray Caruana / Live Report (Reino Unido)

Também o Reino Unido repetiu o segundo lugar de 1988, desta vez com o grupo Live Report e a balada "Why do I always get it wrong", onde brilhou a voz do vocalista Ray Caruana, com um timbre semelhante ao de Chris De Burgh. Obteve 130 pontos incluindo o doze de Portugal. 

Riva (Jugoslávia)


Mas desde muito cedo que a Jugoslávia tomou a liderança e nunca mais a largou, somando 137 pontos. Tal como nos dois anos anteriores, o país apostou na mesma fórmula: uma banda pop croata com uma vocalista carismática a cantar um tema animado. E à terceira foi de vez com o grupo Riva, liderado por Emilija Kokic, com "Rock me". Foi uma vitória algo inesperada e embora seja sem dúvida uma canção bem agradável, creio que não era das melhores e questiono-me o que é que a canção da Jugoslávia tinha que a de Portugal não tinha.
Seja como for, foi um dos últimos triunfos da Jugoslávia antes do seu violento desmembramento poucos anos depois. Os Riva terminariam em 1991 mas desde então que Emilija Kokic tem a sua carreira a solo.

Festival da Eurovisão 1989 (comentários da BBC)



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