terça-feira, 30 de junho de 2015

Janela Mágica (1983-1984)

Antes de ser um dos brindes do Bollycao, "Janela Mágica" foi o programa para os mais pequenos que substituiu "O Tempo dos mais novos" a partir de Outubro de 1983.


Quando comecei a investigar sobre este espaço televisivo a única migalha de informação que consegui encontrar online foi precisamente o genérico animado, com o estilo inconfundível de PAT (Álvaro Patrício), responsável por imensas animações dos anos cromos ["Genéricos de Álvaro Patrício PAT"].




Tudo o resto sobre o programa só encontrei da minha busca no inestimável arquivo do "Diário de Lisboa".
A grelha televisiva mudou a 17 de Outubro de 1983, e "Janela Mágica" começou no dia seguinte as emissões durante os dias de semana por volta das 18 horas. 
No fim de semana continuou a exibição de alguns dos programas d'"O Tempo dos mais novos" , mas ao contrário deste - que aos Sábados dividia a emissão em duas partes - "Janela Mágica" ficou relegado ao horário de antes de almoço.
Durante a semana eram emitidos programas como "Esquadrão das Estrelas" ("X-Bomber"/"Star Fleet" série japonesa de marionetas e ficção cientifica, ao estilo dos "Thunderbirds"), "A Pequena Nell", "Os Polis", "Canta Connosco", "Contos de Andersen", "Cláudio e Carolina", "Candy, Candy", "D'Artacão e os Três Moscãoteiros", "Histórias de Sempre", "Estrumpfes", "Belfy e Lillibit" (as aventuras de um par de duendes da floresta), "O Bicho-do-Conto", "As aventuras de Tom e Jerry", "Histórias do Paquiderme" e "O Aranhiço".
Ao fim de semana os pequenos espectadores eram brindados com séries do calibre de "Conan, O Rapaz do Futuro", "A Abelha Maia", "Bell e Sebastião", "Era Uma Vez O Espaço", "Jornalinho" ("autoria de António Santos, apresentação de Manuela Sousa Rama, Jorge Passarinho, Carlos Ribeiro e o boneco Elias") ou "D. Quixote de La Mancha" (a série espanhola de 1979), "Floresta Portuguesa" (de João Ponces de Carvalho. No vídeo o episódio 5, "A Floresta e o Lazer" emitido a 19 de Novembro de 1983), "O Jardim do Celestino", "Vasco Granja apresenta... filmes para todos", "Musti" (a primeira série do gatinho belga Musti, de 1969), "Rei Rolo" (a adaptação animada dos livros sobre o infantil King Rollo), "O Segredo do Abrigo de Montanha" e "Uma noite na Montanha" (não descobri animações com esse nome, mas poderão ser uma gralha porque estavam na lista junto a "Bell e Sebastião" que tem um episódio com um desses nomes). 

O "Jardim do Celestino", programa do comediante brasileiro-português Badaró, que na opinião do responsável pelos comentários à programação do "Diário de Lisboa" em menos de 2 meses é despromovido de "...revelação" a "execrável" :
Saiba mais sobre o programa no site "Brinca Brincando" - "Jardim do Celestino".

Gostava de destacar a programação da véspera do Natal de 1983 com uma hora de emissão dedicada a "Vasco Granja apresenta... filmes para todos", com o título "Natal na Animação". No bloco estavam incluídas três animações: "O Natal dos Cachorrinhos" ("The Pups' Christmas" (1936) de Rudolf Ising), "A Estrela de Belém" ("The Star of Bethlehem" (1956) de Lotte Reininger) e "O Príncipe Feliz" ("The Happy Prince", adaptação de 1974 do conto de Oscar Wilde por Michael Mills).
No primeiro dia de 1984, um Domingo, a emissão da "Janela Mágica" foi alargada para incluir o 26º "Sequim D'Ouro". Esse "Zecchino d'Oro 1983" teve direito a dois primeiros qualificados ex aequo: "Evviva noi" cantado por Elisa Gamberini da Roménia, e "O che bella balla" por Salome Hadji Neophytou para o  Chipre.

"Janela Mágica" foi depois substituída a 7 de Março de 1984 por "Grão a Grão", uma quarta-feira. Curiosamente, nessa segunda e terça-feira (de Carnaval) a designação "Janela Mágica" foi trocada por "Desenhos Animados" (a designação do programa que abria a RTP2 durante a semana) ás 17:30 e na terça-feira de Carnaval o "Janela Mágica" foi ao ar pela última vez, às 11 horas como ao Domingo.


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sábado, 27 de junho de 2015

Top 5 Canções das Doce

por Paulo Neto

Já há algum tempo que não se faz por aqui um top 5, não é verdade? Como tal, para recuperar a rubrica nada como recordar as minhas cinco canções preferidas das Doce, o quarteto feminino que deixou uma marca incontornável na música portuguesa dos anos 80 e uma das primeiras girlbands, (tal como esse conceito é actualmente entendido) do mundo. Mais uns anos e provavelmente teriam tido um vasto merchandising como os actuais grupos: lancheiras, bonecas, mochilas, material escolar e etc.


Tudo começou em 1979 quando, finda a actividade do seu grupo Gemini, Tozé Brito decidiu criar um novo projecto, inspirado nos grupos femininos dos anos 60 como as Supremes e as Shangri-Las mas com um toque actual e ousado. Para tal angariou três cantoras que em diferentes períodos integraram os Gemini: Teresa Miguel, Fátima Padinha e Lena Coelho, às quais foi adicionada (dizem as más línguas que sobretudo por motivos estéticos) Laura Diogo, que tinha sido Miss Fotogenia no concurso Miss Portugal. Reza a lenda que o nome do grupo surgiu durante almoço entre Tozé Brito e as quatro cantoras, quando um empregado de mesa, para perguntar o que queriam para sobremesa, disse apenas: "Doce?"
É certo que já existiam as Cocktail, outro conhecido grupo feminino da altura, mas as Doce venceram sobretudo por apostarem na ousadia, dos vistosos figurinos concebidos pelo então pouco conhecido estilista José Carlos às letras que tinham como tema recorrente os prazeres do amor e da paixão. Juntando-se a isso duas mãos cheias de hits que imediatamente cativaram o público, de miúdos a graúdos, uma dose de controvérsia (como por exemplo um célebre episódio que terá alegadamente envolvido Laura Diogo e o futebolista Reinaldo) e todos os ventos de mudança do Portugal dos anos 80, e o grupo gozou de uma frutuosa carreira aos longo dos oito anos de existência, deixando um legado que prospera até hoje. São ainda muitas as canções das Doce que perduram na jukebox mental dos portugueses, até daqueles que nasceram bem depois do auge do grupo.

Como é habitual, foi bastante difícil reduzir a lista a apenas cinco canções, e vários clássicos das Doce tiveram que ficar de fora, como "Quente, Quente, Quente", "Jingle Tónico", "For The Love Of Conchita", "OK, KO" ou "O Barquinho Da Esperança". Mas vamos então ao top 5.

#5 "É Demais" (1981)
Por incrível que pareça, ao longo da existência do grupo (1979-1987), as Doce só editaram dois álbuns de originais: "OK, KO" (1980) e "É Demais" (1981). As Doce eram portanto mais um grupo de "singles". Todavia, a faixa-título do segundo álbum é um dos maiores hits do quarteto. A letra no refrão apoteótico não deixava dúvidas sobre o que cantavam Fá, Laura, Lena e Teresa: "Então estamos sós enfim, é demais,/ A noite tão quente assim, é demais, / Lençóis de cetim e champanhe para dois, é demais!/ Da varanda, vê-se o mar, é demais/ Roupas pelo chão, pelo ar, é demais,/ O cheiro da erva nas noites de verão, é demais!" Juntando-se a isso um videoclip onde as quatro envergavam sensuais fatos de cabedal, e calculo que muito homem na altura tenha ficado com o sangue a borbulhar. Em 2000, por alturas da edição de um álbum de tributo às Doce onde participaram boybands e girlbands da altura como os Milénio, as Tayti, as Baby, os D'Arrasar bem como nomes como Mónica Sintra e o brasileiro Netinho, Teresa Miguel e Lena Coelho regravaram esta canção em parceria com Carlos dos Excesso.

Actuação no programa "Sabadabadu":



#4 "Bem Bom" (1982)
Não podia faltar a esta lista a canção com que as Doce venceram o Festival da Canção, uma pérola pop com um pé no disco e outro no malhão. O grupo participou quatro vezes naquele que durante muito tempo foi o maior certame da música nacional, primeiro em 1980 com "Doce", no ano seguinte com a canção que vem a seguir nesta lista, tendo ganho à terceira em 1982 e ainda tentando mais uma vez a sorte em 1984 com "O Barquinho da Esperança", com letra de Miguel Esteves Cardoso. Foi portanto com "Bem Bom" que triunfaram por cá e representaram Portugal no Festival da Eurovisão de 1982 em Harrogate (Inglaterra) vestidas de mosqueteiras. Por lá ficaram pelo 13.º lugar mas a actuação deixou a sua marca na história do evento. (Por exemplo, na gala que se realizou este ano em honra do 60.º aniversário da Eurovisão, a única referência a Portugal foi um excerto da performance das Doce). E claro, está em Portugal, "Bem Bom" continua a ser uma das nossas canções eurovisivas mais populares de sempre e não há tuga que não tenha trauteado o refrão "Uma da manhã/ Ei! Bem bom, duas da manhã./ Bem bom, já três da manhã./ Ei! Bem bom, quatro da manhã/Bem bom, cinco da manhã./ Ei! Bem bom, já seis da manhã./ Bem bom, sete da manhã. / Ei! Bem bom, oito da manhã. / Bem bom, café da manhã para dois sem saber o que irá depois./Bem bom." Em 2003, uma nova versão do tema foi usada para promover mais um álbum best of, "Doce Mania", que reunia os principais hits das Doce e novas remisturas e em 2008, Rui Reininho fez uma inesperada e curiosa versão para o seu primeiro álbum a solo.

Actuação no Festival da Eurovisão de 1982:



#3 "Ali Babá (Um Homem Das Arábias)" (1981)
Mais um dos grandes hits do grupo. "Ali Babá (Um Homem Das Arábias)" foi o tema com que as Doce concorreram ao Festival da Canção de 1981, e como se impunha, actuaram vestidas de odaliscas. Ficaram-se desta vez pelo quarto lugar mas o tema fez bastante sucesso e é daqueles que vem logo a memória quando se fala nas Doce e que toda a gente já trauteou. Tudo graças a uma fusão de sons orientais com batida pop, o refrão básico e repetitivo "Ali Babá, Babá Bali" e claro, mais uma letra em que as quatro entoavam em uníssono versos como: "Fui a tua serpente tão enfeitiçada, com música mágica na tua flauta encantada". Recordo-me que na dobragem portuguesa do Dragon Ball Z, houve altura em que a personagem do Bubu, interpretada por Joaquim Monchique, fazia negaças a Songoku e companhia cantando: "Ali Bubu, Bubu Buli...

Actuação no programa "Eu Show Nico":

    

#2 "Amanhã De Manhã" (1980)
Foi o primeiro single das Doce, mesmo no início da década, e marcou o padrão do repertório do quarteto: batida dançável, letra sobre os prazeres do amor a dois e refrão pegadiço. E o resto foi história. Mais uma vez, não haverá ninguém neste país que  nunca resistiu a cantar o refrão: "Vamos acordar e ficar a ouvir/ A rádio no ar, a chuva a cair./ Eu vou-te abraçar e prender-te então/ No corpo que é meu, na cama, no chão/ Os nossos lençóis, a colcha de lã/ Eu vou-te abraçar amanhã de manhã." O tema teve um breve ressurgimento em 2003, não só pela sua inclusão na já referida compilação "Doce Mania" editada nesse ano, mas também por fazer parte da banda sonora da telenovela da TVI "Queridas Feras", nomeadamente nas cenas da personagem interpretada por Inês Castelo Branco. E em 2007, num momento único, Teresa Miguel, Fá Padinha e Lena Coelho reuniram-se para cantar "Amanhã de Manhã" no programa "Febre de Sábado de Manhã".

Actuação no programa "O Tal Canal":

     

#1 "Starlight" (1983)
Surpreendidos com esta minha escolha para o n.º 1? Certo, não será das canções da Doce que vêm logo à mente, mas é a minha preferida. Após a participação no Festival da Eurovisão de 1982, surgiram vários convites para actuações no estrangeiro, em países como Espanha, Brasil, Estados Unidos e Filipinas. Como tal, visando uma eventual projecção internacional, as Doce gravaram alguns temas em inglês. Um deles é este "Starlight" do qual não me recordava na altura mas que mais tarde descobri e tornou-se a minha canção favorita das Doce. Basicamente, é a canção que os ABBA e os Ultravox fariam se alguma vez juntassem esforços. Para quem não conhece este tema, recomendo vivamente a sua audição.

Actuação no programa "O Foguete":




Além dos quatro membros oficiais, havia ainda uma Doce suplente, que não era ninguém menos que Fernanda Sousa (Ágata), que substituiu Lena Coelho durante a gravidez desta e depois Fá Padinha, quando esta anunciou em 1986 a sua saída do grupo para uma tentativa carreira a solo. O fim das Doce deu-se em 1987 com o lançamento do álbum best of "Doce 1979-1986" que reunia os singles do grupo e alguns temas inéditos e com uma emotiva actuação final em televisão no "Clube Amigos Disney". E depois? Como é sabido, Fá Padinha foi a primeira esposa do primeiro ministro Pedro Passos Coelho, de quem teve uma filha. Laura Diogo dedicou-se ao outro lado da indústria musical, tendo sido manager de artistas como os Sitiados e Sara Tavares e co-apresentou algumas sessões do programa da RTP "Os Reis do Estúdio" com Luís Varatojo e vive já há vários anos nos Estados Unidos onde exerce psicologia. Lena Coelho esteve envolvida em vários projectos musicais (do pop/rock da banda "Lena Coelho & Sucesso" ao fado, seguindo as pisadas da sua mãe, a fadista Helena Tavares) e de representação (no teatro de revista e séries televisivas como "Ricardina & Marta" e "O Bairro da Fonte") e em 2007, formou uma versão júnior das Doce, as Doce Mania, que chegaram a actuar no Rock In Rio de 2008. Teresa Miguel continua a cantar esporadicamente e sempre que os media querem relembrar as Doce, ela marca sempre presença. Nessas entrevistas, Teresa revela amiúde que ainda se surpreende como passados tantos anos, a música e o legado das Doce continua tão vivo e a conquistar novas gerações.

"Rainy Day/O Barquinho da Esperança", actuação no programa "Clube Amigos Disney":

  

    
   

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Maria Barroso (1925-2015)



Maria de Jesus Simões Barroso Soares (1925-2015)

Como habitual, quando um notável ou famoso adoece ou tem um acidente, os media atropelam-se para ser os primeiros a avançar a notícia da alta ou do falecimento. Edição: Tenho a assinalar que entretanto, das poucas reportagens que vi, os jornalistas até se têm comportado decentemente.
Previsivelmente, Maria Barroso é noticiada como "a mulher de Mário Soares". Certamente que a sua temporada como Primeira Dama de Portugal é a mais recordada actualmente, mas Maria Barroso alcançou notoriedade bem antes. Mas nos anos cromos a sua faceta mais visível foi mesmo a de Primeira Dama - entre 1986 e 1996; e mais tarde como Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa e representante de varias causas sociais, acumulando prémios e condecorações.
Actualização: Maria Barroso faleceu na madrugada de 7 de Julho, depois de estar em coma deste 26 de Junho, em consequência de traumatismo craniano.

Curiosamente só descobri ao preparar este texto que Maria Barroso nasceu na minha vizinha Fuseta, concelho de Olhão, por via de um post no Facebook. Mas depressa a minha surpresa por esse facto foi abafado pela quantidade abjecta de comentários deprimentes e lamentáveis à figura da senhora que tinham como alvo o marido. O 25 de Abril já foi há mais de 40 anos mas o rancor vive ainda no coração de muita gente. Creio que é o preço que se paga por ter alguma notoriedade. 
Como disse antes, Maria Barroso já tinha alguma fama antes do casamento com Mário Soares, por via da sua actividade como actriz de teatro (Aparências) - e mais tarde, de cinema, colaborando com cineastas como Manoel de Oliveira e Paulo Rocha - e na cultura e política que lhe valeu interrogatórios pela polícia política e a proibição de exercer como professora - no ensino público e no privado. Antes de ser Primeira Dama foi membro fundador do Partido Socialista e deputada na Assembleia da República. Teve dois filhos, Isabel e João Soares (advogado e político).
Mais detalhes: "Maria Barroso - Wikipédia"


Na Enciclopédia há uns meses incluímos um conjunto de calendários da campanha das Eleições Presidenciais de 1986, em que Maria Barroso surge ao lado do marido, e do famoso slogan "Soares É Fixe":

Podem ver em mais detalhe: "Calendários Soares Presidente" (1986)



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terça-feira, 23 de junho de 2015

Alice No País Das Maravilhas (1983)

por Paulo Neto

No que toca a adaptações em animação de clássicos infantis, o poderio da Disney é de tal forma dominante que quando pensamos nas personagens dos contos infantis, tendemos a imaginá-las conforme o estúdios da Disney rabiscaram-nas. Por exemplo, pensamos logo na Branca de Neve com o laçarote azul e vestido de mangas de balão, na Pequena Sereia com a longa e flutuante cabeleira ruiva, no Aladino com o colete roxo e o nariz à Tom Cruise ou na Malévola de "A Bela Adormecida" com o toucado em forma de chifres. 
Mas para quem cresceu anos 80, existe uma excepção: a Alice do País das Maravilhas. Sim, tal personagem lembra a Alice da Disney de cabelos louros e vestido azul, só que esta tem uma rival de peso na Alice da série anime dos anos 80, de chapéu e vestido vermelho e avental branco. É o meu caso pois, até como nunca vi o filme da Disney por completo, tendo a ver a Alice da série animada como a minha Alice definitiva e foi uma série que acompanhei com muito agrado. 

A série animada (Fushigi no kuni no Alice) era uma co-produção de 1983 entre Japão e Áustria e foi exibida pela primeira vez em Portugal em 1987, no incontornável "Brinca Brincando". Tal como o filme da Disney, adaptava as aventuras imaginadas por Lewis Carroll e publicadas em dois volumes: "Alice No País Das Maravilhas" e "Alice Do Outro Lado Do Espelho". De seu verdadeiro nome Charles Lutdwige Dodgson, Lewis Carroll foi durante a sua vida mais conhecido pelo seu trabalho como matemático. Reza a história que Carroll inventou essas histórias para entreter a pequena Alice Lidell e as suas irmãs ao longo de um passeio pelo rio Tamisa.

A série animada teve 52 episódios e apresentava algumas variações criativas em relação aos livros, nomeadamente o facto de Alice entrar e sair do País Das Maravilhas em cada episódio, o que faz do dito lugar mais um fruto da imaginação de Alice do que um universo paralelo dos livros e do filme da Disney.



Alice é uma menina de sete anos que vive nos arredores de Londres. Ao contrário da irmã Célia, que passa vida agarrada aos livros, Alice prefere brincar no jardim e aborrece-se com as formalidades impostas pelos seus pais. Um dia, ao visitar uma loja de antiguidades em Londres, Alice descobre dentro de um cartola um simpático coelhinho branco, o Benny Bunny que se torna o seu novo companheiro de brincadeiras. A certa altura, Alice descobre que Benny Bunny consegue falar e através dele, ela entre no País das Maravilhas onde conhece personagens tão estranhas como a Rainha de Copas, o Coelho Branco tio de Benny Bunny, o rei e a rainha dos Xadrez, os gémeos Tweedledee e Tweedledum, o dragão Jabberwocky ou o ovo Humpty Dumpty com quem vive bizarras e divertidas aventuras.



Outras diferenças da série consistiam na existência em personagens que não existiam nos livros como Benny Bunny ou Don Fernando (uma espécie de clone de Dom Quixote) bem como várias histórias que foram criadas propositadamente para série, o maior destaque à vida familiar de Alice (normalmente era uma situação vivida no núcleo da família de Alice que despoletava o tema de cada episódio) ou novas características das personagens originais. Por exemplo, embora aqui a Rainha de Copas fosse tão antipática e despótica como a dos livros e a do filme da Disney, era mais fácil de ser levada à razão, sobretudo por Alice, e embora passasse a vida a ameaçar cortar a cabeça de quem a desagradava, o máximo que fazia era aprisionar alguém por uns tempos. 



A dobragem portuguesa da série foi dirigida por João Lourenço e incluía nomes como Carmen Santos, Isabel Ribas, António Feio, Ermelinda Duarte, Luís Mascarenhas, Manuel Cavaco, Luísa Salgueiro e Argentina Rocha. Uma vez que a versão que a RTP adquiriu foi a alemã, ficou na memória o tema do genérico, interpretado na língua germânica por Lady Lily: "Alice, Alice im Wunderland..."

Durante a exibição da série em Portugal, foi comercializada a respectiva caderneta de cromos, distribuída pela Impala, cujas saquetas podiam conter senhas que podiam ser trocadas por bonecos de PVC. A série foi reexibida em 1989 na RTP e em 1994 na TVI e já teve várias edições em VHS e DVD, incluindo em 2005 uma edição de DVD da Planeta DeAgostini.




Genérico:



Tema do genérico (versão integral em inglês):


Excerto do episódio 37:




sábado, 20 de junho de 2015

Tubarão (1975)


Além de deixar os espectadores com um medo insuportável de ir à praia, piorar a fama dos tubarões e de apresentar ao Mundo o talento do então jovem realizador Steven Spielberg, o "Tubarão" ("Jaws" no original) inaugurou a época dos blockbusters. Claro que sempre existiram grandes êxitos e épicos de bilheteira, mas Tubarão e o primeiro Star Wars em 1977 levaram as bilheteiras a outro nível. A Wiki define blockbuster como um fenómeno cultural, entretenimento rápido mas que permanece com os espectadores. Exemplo disso é que passadas 4 décadas da estreia de "Tubarão", várias cenas, citações e a banda sonora são parte da cultura pop.
A minha homenagem ao icónico poster.


O filme estreou nos EUA a 20 de Junho de 1975, mas curiosamente, só chegou a Portugal quase 2 anos depois, no inicio de Abril de 1977. No entanto, a página do IMBD indica a estreia no nosso país a 25 de Março de 1977, mas os seguintes recortes de imprensa desmentem essa data. No nosso país vizinho, a estreia foi em finais de 1975. Hoje em dia, tanta dilatação de tempo entre a premiere a estreia em Portugal está reservada quase exclusivamente para fracassos de bilheteira. Foi uma situação estranha, um tão grande êxito internacional demorar tanto para chegar às nossas costas. Terão as bobines vindo a nado?

"Diário de Lisboa - 1 de Abril de 1977" - Crítica de Jorge Leitão Ramos

"Diário de Lisboa - 9 de Abril de 1977"

"Diário de Lisboa - 1 de Abril de 1977"



Como anunciado na imagem acima, "Não aconselhado a menores de 13 anos", "O Tubarão" é um dos filmes de terror mais famosos e tem um plot simples (mas com bastante nas entrelinhas): o serial killer é um gigantesco tubarão branco (Carcharodon carcharias). Mas ao contrário do senso comum e da opinião do sheriff  Brody (Roy Scheider , de "Blue Thunder", "2010", "SeaQuest DSV") o mayor da resort de Verão Amity Island decide manter as praias abertas ao público, para facturar com o feriado de 4 de Julho. Mas como os ataques não param, a "época de caça" é aberta e Brody recruta o oceanógrafo Matt Hooper (Richard Dreyfuss, de "Encontros Imediatos do Terceiro Grau") e Quint (Roberto Shaw, de "007 - Ordem Para Matar", "A Golpada", "O Abismo"), um pescador profissional de tubarões para pararem o predador de vez.
O material que deu origem à película foi o romance homónimo, o bestseller "Jaws" (1974), da autoria de Peter Benchley (também responsável pelo guião). Li há alguns anos, além das óbvias diferenças entre escrever um livro e adaptá-lo ao ecrã, o tom é bastante distinto, mais deprimente, nem recordo se cheguei a acabá-lo. 

O trailer da época:

Um trailer remontado por um fã, ao estilo actual, para assinalar o 40º Aniversário em 2015:


A icónica banda sonora, criada por John Williams - o premiado compositor que inspirou as gerações seguintes de artistas da música para cinema e televisão - é minimalista, mas inquietante. Junto com as imagens conseguiu criar um grande feito de antecipação e suspense. Uma das curiosidades mais famosas do filme é que o constante mal funcionamento do principal tubarão mecânico - apelidado de Bruce, se não me engano - obrigou a filmar de modo a mostrar o mínimo possível do "animal"; o que deu origem a várias cenas do ponto-de-vista do tubarão muito eficazes. É impossível alguém (a não que estivesse enterrado na areia nos últimos 40 anos) ouvir os simples acordes do "tema do tubarão" - tã-tã - (tocados numa tuba; e usado e homenageado até à exaustão num sem fim de filmes e séries), não sinta a presença ameaçadora de um tubarão prestes a arrastar-nos para as profundezas. 
O filme, além da vitória nos Óscares de Melhor Banda Sonora, Montagem e Som, foi premiado e nomeado para várias categorias dos BAFTA, Globos de Ouro (não os da SIC), WGA, Grammys, etc.
Como sabido, só tive leitor de VHS no final dos anos 90, e não sendo nascido na altura da estreia, só conhecia o "Tubarão" da televisão. Recordo de ver uma vez numa pequena TV a preto e branco, daquelas a bateria para levar de férias, numa noite de verão no escurinho da salinha de estar na casa da ilha e apanhar um cagaço gigantesco durante uma cena subaquática [aqui]. Que susto apanhei nessa noite! Curiosamente, a minha mãe diz que é essa mesma cena a que melhor se recorda, de quando viu o "Les Dents de la mer" em 1976 num cinema de Marsella. Invejo que viu este num ecrã gigante!

Leitores: viram no cinema ou TV? E ficaram com medo de ir à praia?

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sexta-feira, 19 de junho de 2015

"Boys (Summertime Love)" Sabrina (1987)

por Paulo Neto

Sabrina é um substantivo que evoca vários conceitos. Os sapatos rasos popularizados por Audrey Hepburn no filme de 1954 com esse nome, o antigo electrodoméstico para limpar alcatifas que alguns de nós ainda vimos em casa das nossas avós, a série juvenil da viragem do século com Melissa Joan Hart no papel principal, uma das colecções famosa editora de romances cor de rosa Harlequin, o stagename sob o qual a cantora Maria Teresa Vila-Lobos representou Portugal na Eurovisão em 2007...

No entanto, para aqueles que cresceram nos anos 80, o mais provável será que o nome Sabrina evoque a imagem da cantora italiana Sabrina Salerno que deixou a sua marca indelével na memória colectiva dos anos 80, com todos os seus argumentos (especialmente dois deles).


Norma Sabrina Salerno nasceu em Génova a 15 de Março de 1968. Depois de ter ganho um concurso de beleza na sua região de Liguria, iniciou uma carreira de manequim e em 1984, já dava o ar da sua graça na televisão italiana. Em mais um de tantos casos em que agentes discográficos indagaram "Ena, esta miúda é muito gira, será que sabe cantar? Se sim, toca a oferecer-lhe um contrato!", em 1985 enveredou pela carreira musical, lançando o seu single "Sexy Girl", que fez sucesso em Itália e na Alemanha. Tendo Sabrina a voz, o look e a predisposição de cantar em inglês, ficou bem claro para a sua editora que ela tinha o potencial para ser uma artista internacional. O resto foi história.

Lançado em Maio de 1987, "Boys (Summertime Love)" foi o primeiro single do seu álbum de estreia (originalmente intitulado "Sabrina") e sua batida italo-dance dançável e letra estival tornaram-no num dos hinos desse Verão um pouco por toda a Europa (N.º 1 em França e na Suíça, top 5 em quase todos os países da Europa ocidental). Mas claro está, o principal ingrediente para o sucesso foi o videoclip que perdurou na memória de todos aqueles viveram nesse tempo. (Reza a lenda que muitos rapazes tiveram pela primeira vez uma certa reacção anatómica ao verem o videoclip).


Ao ponto de ser difícil evocar os anos 80 sem recordar a imagem de Sabrina em alegre diversão numa piscina, envergando um biquini branco cuja parte de cima parecia gritar "Socorro, não consigo conter todo este peito!", pelo que volta e meia via-se Sabrina puxar a dita peça para cima. Certamente um estado de aflição que apenas as tangas de Kim Kardashian devem ter experimentado de forma semelhante... Mas apesar de todo o destaque dado a toda a acção do biquini branco de Sabrina, o videoclip continha mais duas imagens que ficaram na minha memória: a do empregado a entrar todo vestido piscina adentro para servir um cocktail a Sabrina e a de um figurante, entre avanços e recuos, a dar um caricato salto da prancha. O vídeo foi originalmente filmado como um segmento para um programa italiano de variedades, mas após uns retoques e adição de certos elementos para desviar um pouco a atenção da principal atracção do vídeo, foi utilizado como o videoclip principal. 
E claro, ficou também para a eternidade a famosa cantilena: "Boys, boys, boys, as mamas da Sabrina, boys, boys, boys, parecem gelatina."

 

O single seguinte foi "Hot Girl" que apesar de não ter tido tanto sucesso como "Boys", mais uma vez deixou a sua marca, pelo menos em Espanha. Isto porque durante uma performance no programa de passagem de ano de 1987 para 1988 da TVE, no meio de um rodopio coreográfico, o top de Sabrina foi incapaz de cumprir a sua função.



Mas aquele que será porventura o segundo maior hit de Sabrina é "All Of Me (Boy Oh Boy)", o primeiro single do seu segundo álbum de 1988 (com o também originalíssimo título de "Super Sabrina"), da autoria da mais requisitada equipa de compositores/produtores da altura os britânicos, os Stock, Aitken & Waterman. O tema foi particularmente bem sucedido na Finlândia, onde chegou ao n.º 2 do top local e assegurou que Sabrina não fosse uma one-hit wonder.

A partir daí, a carreira de Sabrina cingiu-se sobretudo ao seu país, com um ou outra sucesso fora de portas. Em 1996, esteve em Portugal para promover o álbum da altura "Maschio Dove Sei", tendo actuado em programas como "Parabéns" e "Big Show SIC". Além disso, aqui em Portugal, ainda temos bem presente a sua inesperada aparição no programa dos Gato Fedorento para o réveillon de 2007/2008, onde cantou o seu hit de assinatura e mostrou que, quase com 40 anos, ela ainda estava aí para as curvas. 



  

Sabrina em 2010
Actualmente, Sabrina continua bastante activa, actuando em eventos relacionados com os anos 80 um pouco por toda a Europa, participando em programas de televisão e editando ocasionalmente um ou outro single. Por exemplo em 2010, gravou uma versão do hit dos Blondie "Call Me" em dueto com a igualmente icónica Samantha Fox. Felizmente que esta colaboração entre as duas não aconteceu nos anos 80, senão muitos rapazes não teriam resistido a tamanho ataque de alvoroço hormonal.


  


ACTUALIZAÇÃO: O nosso seguidor Nuno Feijó referiu na página da Enciclopédia de Cromos a existência de um jogo de ZX Spectrum que tinha Sabrina como personagem central. O título é "Sabrina Walkthrough".








 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Batman Forever - Figuras e veículos (1995)

Para assinalar a semana em que se comemora - discretamente, porque as pessoas de bem não admitem que se divertiram - o 20º Aniversário da estreia norte-americana de "Batman Forever", que só chegaria a Portugal em Agosto com o título "Batman para Sempre"; fui vasculhar no arquivo fotográfico em casa e encontrei este anúncio à linha de brinquedos lançados pela Hasbro ("Transformers", "G.I. Joe") com o filme de Joel Schumacher.
Vejamos então as figuras e veículos desta colecção de 1995, que incluía o obrigatório Batmobile, o Batplane e as versões mini de Val Kilmer e Chris O'Donnell, respectivamente Batman e Robin:


"Depois de veres o filme "Batman Forever" no cinema, as aventuras continuam em tua casa. Com esta fantástica colecção de figuras e veículos de "Batman Forever", terás tudo o que precisas para recriar o espectacular ambiente de Gotham City. "Batman Forever" é diversão para sempre. Começa já a tua aventura."

Quem teve e brincou com estes?

Publicidade fotografada e editada por Enciclopédia de Cromos, retirada da revista que adaptou o filme em banda desenhada "Batman Para Sempre" (1995), da Editora Abril.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

sábado, 13 de junho de 2015

Chuva Na Areia (1985)

por Paulo Neto

Na semana passada, o actor Nuno Melo faleceu aos 55 anos, vítima de cancro. Para trás deixou mais de trinta anos de carreira no cinema, teatro e televisão. No pequeno ecrã desempenhou uma mão-cheia de personagens memoráveis como o ingénuo Joaquim em "Alentejo Sem Lei", o ambíguo porteiro Alverca em "Casino Royal", o filho Alberto em "Camilo & Filho" e até impressionou no outro lado do Atlântico como o taxista Constantino na telenovela brasileira "Senhora do Destino". Porém, a sua personagem mais marcante em televisão será porventura o Caniço da telenovela "Chuva Na Areia", sobretudo pelo seu fim trágico que chocou o país nos idos de 1985.





"Chuva Na Areia" continua a ser um caso bastante atípico de entre todas as telenovelas produzidas no nosso país. Primeiro, porque nem sequer foi definida e promovida como uma telenovela mas sim como um "teleromance", sobretudo por vontade do autor, Luís de Sttau Monteiro, já que era uma adaptação de um romance inacabado da sua autoria, de título "Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão!". Segundo, porque teve somente 85 episódios, exibidos na RTP entre 7 de Janeiro e 3 de Maio de 1985. Terceiro, porque foi a primeira telenovela portuguesa de época, com a sua acção a decorrer nos anos 60 (se não estou em erro, apenas a telenovela "Anjo Meu", exibida na TVI em 2011, é a única outra telenovela portuguesa em que acção passava-se essencialmente numa época anterior à actualidade) . Quarto, porque a narrativa rompia em vários aspectos com aquela existente nas outras telenovelas portuguesas até então ("Vila Faia" e "Origens"). 
"Chuva Na Areia" foi também uma das raras telenovelas produzidas integralmente pela RTP sem recurso a outra produtora, tendo mesmo construída em Tróia uma cidade cenográfica para as filmagens. 

A acção da telenovela decorre num verão algures na década de 60, na fictícia aldeia piscatória de Vila Nova da Galé. Embora o Estado Novo ainda exerça toda a sua autoridade, Portugal começa a ser promovido como um atractivo destino turístico para os europeus e como tal, a população da aldeia assiste entre a apreensão e a expectativa, à chegada de turistas estrangeiros e às intenções de progresso por parte das autoridades que passará pela construção de sofisticados complexos hoteleiros. Paralelamente, existe uma trama de contrabando e os dramas pessoais de várias personagens. Não havendo um protagonista evidente, a trama focava-se sobretudo em quatro personagens: Guida (Natália Luiza), a protagonista do romance, uma jovem que estuda em Lisboa e vem passar férias à sua aldeia natal e deixa-se encantar pelos ventos de liberdade trazidos pelos turistas estrangeiros, chegando a envolver-se com um francês; Nunes (José Viana), o pai de Guida e dono da pensão local, preocupado tanto com as desventuras da filha como pela ameaça da construção de um hotel de luxo lhe arruinar o negócio; o tenente Ferreira (Rui Mendes), o pacato chefe de polícia que não se entende com a sua ambiciosa e enfastiada esposa Odete (Alina Vaz), que não suporta viver em Vila Nova de Galé e que acaba por trair o marido com Vilela (Henrique Viana), vendedor de terrenos para construção; e Caniço, rapaz pobre e desajustado que além estar envolvido nas manobras de contrabando, prostitui-se para mulheres e homens, como a americana Mabel (Maria Dulce) e o alemão neo-nazi Herr Neuber (Carlos Wallenstein), caminhando a passos largos para um cruel destino que nem o amor de Ana do Mar (Filipa Cabaço) consegue travar. 


Entre outras personagens destacam-se o casal Helena (Mariana Ruy Monteiro) e António Fontes (Virgílio Teixeira), veraneantes de longa data em Vila Nova da Galé; Leopoldo (Rui Luís) o dono da taberna onde se reúne a quadrilha contrabandista liderada por Peralta (Mário Segredas) que, farto dos constante desrespeito dos clientes, finalmente impõe-se à força; Mimoso (Rogério Paulo), cujo filho é perseguido pela PIDE; Malaquias (Luís Pinhão) que desespera com o pacto de silêncio com que a mulher Tiazinha (Maria Cristina) lhe vota após uma discussão e que durará até à morte desta; Augusta (Manuela Maria), esposa de Nunes e mãe de Guida; e Esteves (Armando Cortez) que não permite que a sua mulher Amélia (Mariana Vilar) saia à rua mas que não esconde o seu affair com uma espanhola (Manuela Carona), que lhe vai trazer consequências dolorosas. Do elenco também fizeram parte nomes como Adelaide João, António Lopes Ribeiro, António Rama, Carlos Daniel, Carlos César, Curado Ribeiro, Eduardo Viana, Filomena Gonçalves, Laura Soveral, Luísa Barbosa e Manuel Cavaco. 

Claro está que a cena pela qual "Chuva Na Areia" ficou na memória foi aquela em que Caniço deambulava desvairado e ensanguentado pela praia rumo à sua morte depois de ter cortado o seu próprio sexo, num acesso de vergonha pelos seus comportamentos. Na altura eu só tinha cinco anos e não tinha idade para perceber bem a trama da novela, mas recordo-me bem dessa cena ainda que só mais tarde é que percebi o motivo daquele sangue todo. E foi daqueles casos em que no dia seguinte, não se falava de outra coisa. Além das alusões à mutilação genital e a ligações homossexuais, "Chuva Na Areia" também teve outras particularidade muito à frente para época como cenas em topless na praia e o recurso a palavrões. Por exemplo, Odete referia-se a Vila Nova de Galé como "esta merda de terra" e Peralta comparava o vinho da taberna de Leopoldo a "mijo de burra".

A telenovela terminava fazendo jus ao título com Guida a correr para a praia enquanto começa a chover na areia, assinalando o fim do Verão. 



"Chuva Na Areia" foi reposta pela RTP em 1989 no horário da tarde e já foi reexibida diversas vezes na RTP Memória. Na altura da sua primeira exibição, foi publicada uma revista sobre a telenovela e o disco da sua banda sonora, com temas instrumentais e canções interpretadas por Carlos do Carmo, Teresa Silva Carvalho, Lena D'Água, Fernando Girão e Vicente da Câmara.  

Genérico(1):



Excerto:


Agradecimento ao site Brinca Brincando por muita da informação reunida para este texto. Gostaria também de sugerir este excelente artigo sobre a personagem do Caniço da autoria de Ricardo Martins Pereira para o site NewInTown.

NOTA:
(1) - Genérico realizado por Carlos Barradas ("Arco Íris", "Jáquitá", "Histórias Fantásticas") que também deu à geração croma o assustador genérico do "Tempo dos Mais Novos".

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Bem-Vindos Ao Jurassic Park - Livro Ilustrado (1993)


Como forma de assinalar o dia 11 de Junho (de 1993) como o 22º Aniversário do lançamento de um dos meus filmes favoritos, "Parque Jurássico" ("Jurassic Park"), resolvi digitalizar e editar este livro ilustrado que condensou em 24 páginas os pontos mais importantes do argumento do filme para os leitores mais jovens, e a acompanhar o texto em letras grandes, fotos de cenas do filme.

Todas as páginas:


Foi editado em Portugal pela Editorial Notícias em 1993 e foi traduzido do original da autoria de Mike Teitelbaum, que por sua vez adaptou o "argumento para o filme, de Michael Crichton e David Koepp. Baseado no romance de Michael Crichton.". A tradução do original "Welcome to Jurassic Park" esteve a cargo de Maria Isabel Ogeia.

A Capa:


Exemplos de outras páginas:



Podem fazer download gratuito no link seguinte, e lê-lo num computador ou tablet com um vulgar programa para ler banda desenhada:




Relacionado com o "Jurassic Park" na Enciclopédia de Cromos:

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segunda-feira, 8 de junho de 2015

True Lies - A Verdade da Mentira (1994)

por Paulo Neto

Depois de terem trabalhado juntos nos dois primeiros tomos da saga "O Extreminador Implacável", Arnold Schwarzenegger e o realizador James Cameron voltaram a unir esforços em 1994, desta vez para um blockbuster de acção com uns toques de comédia, "True Lies - A Verdade da Mentira", uma adaptação livre do filme francês de 1991 "La Totale!". Esta reunião entre os dois trazia água no bico: Schwarzie vinha do flop (para os padrões "schwarzeneggerianos" de então) "O Último Grande Herói" e pretendia voltar ao seu estatuto de rei do box office, enquanto Cameron contava com o sucesso do filme para a aprovação e financiamento do seu projecto seguinte, um modesto filme que dava pelo nome de "Titanic". O certo é que esta reunião entre os dois resultou, mas em grande parte devido a um inesperado trunfo, na pessoa de Jamie Lee Curtis.



Harry Tasker (Schwarzenegger) é um agente secreto que trabalha para uma unidade anti-terrorista conhecida como Omega Sector. Juntamente com os seus colegas Gib (Tom Arnold) e Faisal (Grant Heslov), Harry investiga uma nova e perigosa organização terrorista palestiniana liderada por Salim Abu Aziz (Art Malik), suspeita de ter adquirido armas nucleares. Para tal, ele aproxima-se de Juno Skinner (Tia Carrere), uma atraente marchande de arte de quem a Omega desconfia estar ligada a Aziz. 


Porém, Harry esconde esta sua vida de agente de secreto da sua esposa Helen (Jamie Lee Curtis) e da sua filha Dana (Eliza Dushku), que julgam que ele trabalha para uma empresa de informática (que funciona como fachada para o Omega Sector) e ressentem-se das suas constantes ausências devido ao trabalho. Farta das ausências do marido e ansiosa por mais emoção na sua vida, Helen começa a ir na conversa de um homem misterioso, Simon (Bill Paxton), que na verdade é apenas um vendedor de automóveis que costuma fingir que é um agente secreto para engatar mulheres. Ao saber disso, Harry usa os recursos da Omega num plano para afastar Simon e conferir um pouco de aventura à vida de Helen e assim revigorarem o casamento de ambos. Como tal, ele e os colegas organizam uma falsa missão para Helen em que ela terá de seduzir um negociante de armas num quarto de hotel. Mas é então que Helen e Harry, que esperava por ela no quarto, são capturados pelos homens de Aziz. 




Ao mesmo tempo que se vê obrigado a esclarecer a sua vida dupla diante de Helen, Harry confirma a ligação entre Aziz e Juno na compra de armas nucleares e entra numa corrida contra o tempo para evitar um ataque terrorista em Miami, sobretudo quando descobre Aziz raptou Dana...



O êxito de "True Lies" reforçou o estatuto de Schwarzenegger como o rei dos blockbusters, mas o desempenho de Jamie Lee Curtis acabou por ser o mais marcante do filme, tendo mesmo Curtis recebido o Globo de Ouro para Melhor Actriz em Comédia ou Musical. Por exemplo, para mim a cena mais marcante é a da dança sexy de Jamie Lee Curtis durante a falsa missão da sua personagem, não apenas porque demonstrava que Curtis estava em excelente forma na altura mas sobretudo por um inesperado acontecimento que fez salas de cinema inteiras a romper de riso.



Desde a sua estreia, tem-se falado volta e meia numa possível sequela do filme ou numa adaptação televisiva, mas por diversos motivos (como a eleição de Schwarzenegger como governador da Califórnia e o facto de que os ataques do 11 de Setembro tornaram o tema do terrorismo num assunto muito mais sensível), as intenções não têm saído do papel. 


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Anúncios a tintas (1986-1992)

por Paulo Neto

Uma vez que algures por este país haverá sempre a necessidade de alguém pegar num pincel, rolo ou trincha e aplicar uma demão de tinta numa parede, num soalho ou noutra coisa qualquer, faz todo o sentido que a publicidade a marcas de tinta continue a existir em toda a força. No entanto, parece-me que pelo menos em televisão, a publicidade a tintas já não é tão proeminente, nem tão criativa como o foi entre a segunda metade dos anos 80 e o início dos anos 90, período que nos deixou uma mão cheia de anúncios memoráveis, dos quais vou analisar cinco. Será porque foi por neste período que se iniciou a maior renovação de sempre do parque habitacional em Portugal? Seja como for, vamos lá analisar.

  
E começamos logo com um dos anúncios mais míticos, datado de 1986. A Robbialac seria porventura a marca mais atenta ao poder da publicidade televisiva, pelo que foi aquela que deixou mais anúncios para a memória colectiva. Como por exemplo este  da gama Tartaruga. Ao som de uma musiquinha tipo filme western, um homem de viola contava a história do amigo Costa que, surdo às recomendações, pinta a casa com uma qualquer ranhosice de tinta. Até que por fim, o Costa aceita o conselho cantado do amigo cantadeiro "Amigo, Tartaruga é a tinta!" e no final os dois juntam-se para cantar em uníssono e darem um passinhos de dança.


Também de 1986 e com chancela da Robbialac, o anúncio Stucomat deixou a sua marca não apenas na música como também visualmente. Liderados pelo capitão de macacão branco, um exército de pintores vestidos com macacões azuis, vermelhos e amarelos dirigem-se em passo militar para a missão de pintarem um prédio enquanto entoam a cantilena "Stucomat é uma grande tinta/ Stucomat é Robbialac/É tinta muito em conta para qualquer um/ É tinta com a qualidade Robbialac/Toda a gente pinta com Stucomat/ Stucomat é Robbialac" até terminarem todos a acenar com os rolos nas janelas do prédio.


Mas pensando bem, este regime militarizado dos pintores deste anúncio teria a sua razão de ser. Até porque neste anúncio de 1990, para a gama Rep da Robbialac, o protagonista é um pintor que se revela um verdadeiro ás do combate ao crime ao defender-se somente com a ajuda das suas tintas e dos seus utensílios de um bando de gangsters (daqueles mesmo saídos de um filme dos anos 40) armados até aos dentes. Foi neste anúncio que eu ouvi pela primeira vez a palavra "opaca".


No ano de 1987, a marca Dyrup comemorava 40 anos em Portugal. Para a efeméride, foi feito um anúncio minimalista mas nem por isso menos marcante, com um colorido arlequim a rodopiar por entre latas de tintas e no fim ouvindo-se uma voz operática a trautear "Dyrup, dyrup, dyru-dyru-pee".


De entre os anúncios das tintas CIN, recordo sobretudo este de 1992, referente à gama Colormix. Um anúncio bem colorido em estilo cena de filme musical enaltecia a variedade cromática desta gama. E quem não se lembra do início do jingle? "Só lilases, são quarenta/De amarelos outro tanto/Eu cá prefiro os azuis/Eu vou bem mais pelo branco!" (Ou seria "blanco" como parece que se ouve?)

Existe mais algum anúncio a tintas dos anos 80 e 90 que vos tenha ficado na memória? Se sim, é só dizê-lo nos comentários ou na página do Facebook.

Um agradecimento especial aos canais do YouTube LustaniaTV, materdnaxela e 1980s90stv pelo upload destes anúncios.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Desenhos Animados dos anos 70 e 80 regressam em novas séries



Nos últimos anos muitos dos nossos desenhos animados favoritos dos anos 70 e 80 foram ressuscitados em novas séries, que re-imaginam ou continuam a história original, muitas delas em animação por computador (CGI). 
Este novo vídeo da EnciclopédiaTV fez um apanhado das estreias em TV mais recentes. (As séries animadas e de imagem real adaptadas ao cinema ficam para outro vídeo)
Reparem como as animações em CGI com humanos ainda parecem...bizarros. O uncanny valey ainda não foi ultrapassado!

Actualização:
Entretanto, num assunto relacionado, foi anunciado um filme a partir das séries de 1981 e 1990 do "Dartacão e os Três Moscãoteiros". Detalhes: Annecy: BRB, Mili Unsheath ‘Dogtanian’.


Deixem nos comentários, no vídeo ou no Facebook a vossa opinião. Que séries esqueci de incluir no vídeo? Talvez se faça uma parte 2!

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