segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A Minha Agenda RTP 1988






"Olá! Cá estou eu de novo, a tua inseparável amiga nos 365 dias do ano. Aqui me tens para sugerir brincadeiras, recordar datas, ensinar truques e, acima de tudo, para ouvir, sempre calada, os segredos mais importantes que quiseres confiar-me. Quando os anos passarem e um dia te lembrares de me abrir outra vez, aqui irás encontrar, fielmente guardadas, as tuas melhores recordações deste ano de 1988. E, como sabes, recordar é viver."

Era assim que "A Minha Agenda RTP" de 1988 se apresentava ao sortudo petiz que a segurava nas mãos, depois de a desembrulhar na Véspera ou na manhã do Dia de Natal, e folhear nas páginas anteriores o clássico "Esta Agenda Pertence A:" (com campos para a morada e o nome dos pais!), o calendário dos a nos 1988 e 1989 e o Horário Escolar. Para mim "A Minha Agenda" parecia tão inacessível como o Castelo de Grayskull, nunca me foi colocada no sapatinho, não sei se seria assim tão cara ou se nunca expressei interesse  em ter uma... Em 2015 o Paulo Neto já tinha recordado esta mítica agenda, da Editorial O Livro e  licenciada pela RTC (o braço comercial da RTP).
Boa sorte para tirarem o jingle da cabeça!

Na primeira página da Agenda propriamente dita, o padrão que se repete pela totalidade dos 12 meses: 9 pequenos rectângulos, 8 deles com seis linhas cada, para as anotações diárias, e outro em branco para as "Notas" semanais. Depois em destaque nas duas páginas, a área com a sugestão de brincadeiras, receitas, etc. Neste caso, na primeira semana de Janeiro o destaque é "Dia Mundial da Paz" e as instruções para a construção de uma pomba da Paz em papel de lustro e cartolina.

Como um electrodoméstico ou gadget "A Minha Agenda RTP" incluía sugestões para a utilização da própria, como se vê na página da semana seguinte: 
"Começa por copiar, para esta agenda, o teu horário escolar, bem como as actividades em que habitualmente participas fora da escola: ginástica, natação, dança, música,... Regista depois os vários períodos de férias e o que planeias fazer em cada um deles: os locais onde pensas ir, os livros que tencionas ler, os amigos que pretendes encontrar, etc. Copia igualmente os números dos telefones dos teus familiares e amigos, bem como as datas dos seus aniversários"



Além do rectângulo para cada dia do ano, a Agenda incluía secções para fazer isso mesmo, o horário escolar, a lista telefónica, que veremos mais à frente.
Avançando, uma saudável receita de salame de chocolate:


Espaço ainda para a etiqueta, com o "comportamento à mesa", o que seria do agrado dos pais, visto que ninguém desejava criar um pequeno selvagem que não sabe em que lado do prato ficam os talheres ou levantar da mesa sem pedir licença. 

Instruções para a construção do "Cubo Mágico" em cartão. Mas não o Cubo Mágico que estão a pensar...

Depois da magia, não esperava encontrar dicas de coleccionismo, como este dedicado à colecção de caricas (lembram-se quando as caricas traziam no interior jogadores de futebol, o Tintin do Sumol ou o Homem-Aranha do Fruto Real?) quando ainda tinham fundo de cortiça?

Mais algumas dezenas de fotos depois deste link:

sábado, 22 de dezembro de 2018

"Fairytale Of New York" The Pogues & Kirsty MacColl (1987)

por Paulo Neto

O chavão de que o Natal é um tempo para partilhar a felicidade e o amor ao próximo e onde mesmo aqueles que atravessam um período menos feliz na vida podem encontrar algo com que minorar as suas agruras lá terá a sua verdade. Contudo, não há como negar que para muitas pessoas a quadra natalícia pode ser um tempo bastante duro e depressivo, com todo o aparato a servir apenas para exacerbar mais as suas infelicidades. Por isso, faz sentido que uma das canções de Natal mais amadas aborde esse lado menos feliz do Natal, sem no entanto tornar tudo lúgubre e depressivo e sobretudo, sem deixar de ser agradável de ouvir nesta quadra.



Falo, é claro, de "Fairytale Of New York" dos irlando-britânicos The Pogues em que o vocalista Shane McGowan (que - nem de propósito!- nasceu no dia de Natal de 1957) fez dueto com a cantora Kirsty MacColl, originalmente editado em 1987.




Os The Pogues formaram-se no início dos anos 80, ainda inseridos no movimento punk, ou não fosse o nome inicial da banda Pogue Mahone, uma versão anglicizada de póg mo thóin ("beija-me o rabo" em gaélico irlandês) antes de abreviarem para The Pogues. Mas desde logo souberam sobressair do resto da cena punk pelas demarcadas sonoridades celtas e pelas letras políticas que davam voz aos problemas vividos pela diáspora irlandesa, sobretudo em Inglaterra e nos Estados Unidos ao longo dos fluxos emigratórios da Irlanda que remontam a meados do século XIX.
Shane McGowan era o líder carismático, célebre por três características: uma boca que indiciava que ele provavelmente nunca se sentou numa cadeira de dentista, um estado de embriaguez quase permanente (reza a lenda que nos concertos até se faziam apostas para ver quantas canções é que MacGowan aguentaria até ao blackout) e uma voz que sabia cantar como poucas a alma do povo irlandês. A formação da banda no seu auge integrava ainda Spider Stacy, Jem Finer, James Fearnley, Andrew Ranken, Darryl Hunt, Terry Woods e Philip Chevron.

Depois de dois álbuns aclamados na cena independente, os Pogues finalmente alcançaram o sucesso mainstream em 1987, primeiro com uma colaboração com os The Dubliners para uma versão do clássico irlandês "The Irish Rover" e depois com "Fairytale of New York" que seria o primeiro avanço para aquele que seria o mais celebrado álbum da banda: "If I Should Fall From Grace With God", editado no ínicio de 1988.



Em "Fairytale Of New York", Shane MacGowan e Kirsty MacColl dão voz a um casal de imigrantes irlandeses em Nova Iorque que se apaixona numa véspera de Natal, e a letra vai sobrepondo as memórias dos primeiros tempos em que ambos eram jovens, apaixonados e cheios de sonhos a quem os sinos natalícios pareciam repercutir essa felicidade e a cruel realidade do presente, repleta de miséria, ressentimento e frustração, onde não falta uma lendária troca de insultos. Esta combinação agridoce das duas faces do Natal aliada ao excelente instrumental tornou "Fairytale Of New York" num clássico de Natal instantâneo. O tema chegou ao n.º 1 do top irlandês e n.º 2 do top britânico.

Em 1991, o alcoolismo de MacGowan tornou-se tão incomportável que foi despedido do resto da banda, com o flautista Spider Stacy promovido a vocalista principal. Foi já nesta fase que eu me recordo de ouvir uma canção dos Pogues, "Tuesday Morning" de 1993. No ano seguinte, vim a saber que o tema "Festa" dos Despe & Siga (o tal da garrafa de Casal Garcia) era uma versão de "Fiesta!" dos Pogues, o outro hit de "If I Should Fall From Grace With God". Entretanto, Shane MacGowan formou outra banda a que chamou Shane MacGowan & The Popes, numa óbvia alfinetada à sua banda anterior. 

No início deste século, o repertório dos Pogues entrou mais a fundo na minha vida devido a duas pessoas: um dos meus professores na Universidade de Coimbra que era irlandês e como uma das cadeiras que eu tive com ele foi a de Estudos Irlandeses, ele apresentava-nos algumas canções dos Pogues. E anos mais tarde, fiz amigo com um fanático dos Pogues, ao ponto de ter um PM de "Pogue Mahone" tatuado no braço, o seu nome no Facebook ser Shane e de me chamar Paulie cada vez que nos encontramos.

Kirsty MacColl 1959-2000


Infelizmente, a 18 de Dezembro de 2000, Kirsty MacColl faleceu aos 41 anos no México, ao salvar o filho mais velho de um barco a motor que entrou na área restrita do atol onde ela e os filhos nadavam, morrendo no embate. "Fairytale Of New York" será o seu momento mais marcante mas MacColl teve alguns hits nos anos 80 e 90, como "There's A Guy Works Down The Chipshop Who Swears He's Elvis", "A New England"e uma versão de "Days" dos The Kinks. Tendo sido casada de 1984 e 1994 com o célebre produtor Steve Lillywhite, MacColl interveio nos trabalhos deste para outros artistas, fazendo coros nas gravações. No ano da sua morte, Kirsty MacColl tinha editado o álbum "Tropical Brainstorm", que como o nome indica, era influenciado por música latino americana e caribenha e o single "In These Shoes" chegou a ter algum destaque.  


Entretanto Shane MacGowan e os restantes Pogues lá se voltaram a entender e reuniram-se para várias digressões entre 2001 e 2014 mas nenhum material novo resultou desta reunião, com apenas algumas compilações a serem editadas entretanto. Em 2005, "Fairytale Of New York" foi reeditado como single por alturas do Natal desse ano, permitindo que uma nova geração o redescobrisse. Desde então, com a era digital e mais tarde, a dos serviços de streaming, firmou-se definitivamente como um dos clássicos natalícios, tendo entrado no top 40 britânico todos os anos desde então. Talvez porque num mar de tantas canções alegretas de Natal cheias de sinos e guizos, ouvir algo mais agridoce tem o seu quê de confortante. 

Vídeos bónus dos The Pogues

"Irish Rover"


"Fiesta"


"Tuesday Morning"


Vídeos bónus de Kirsty MacColl

"A New England"


   "In These Shoes"



     

domingo, 16 de dezembro de 2018

Keri (1990) Publicidade a Roupa para Criança


Três jovens com um visual que não destoaria na capa de um disco dos Onda-Choc, e um cão com um enorme laçarote na publicidade ás vestimentas da marca Keri.
"Nós adoramos vestir roupas Keri. Keri marca o teu estilo!"


Imagem Digitalizada da revista "Pateta & Companhia" Nº 162 (10 Abril 1990) e Editada por Enciclopédia de Cromos.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

sábado, 15 de dezembro de 2018

7UP - Claro Numa Nice (1990) Publicidade

Na década de 90, Fido Dido, a mascote da "7Up" (licenciada em 1987 para a PepsiCo, apesar de criada em 1985) teve a sua figura estampada um pouco por todo o lado, desde as colectâneas em vinil e CD "Número 1", autocolantes, T-shirts, e claro nas publicidades ao próprio 7Up, neste caso com o famoso slogan: "Claro numa "nice"!". Muita gente não deve ter ficado contente com a divulgação de mais um anglicanismo na língua portuguesa. Ainda uso "nice" ocasionalmente, mas nunca serei tão cool como o Fido Dido no skate a rasgar literalmente as páginas da revista.



O curioso é que nesta revista exactamente o mesmo anúncio foi imprimido em 3 páginas: no verso da capa, no interior e no verso da contracapa. Esta campanha deve ter saído barata, deve...


Tenho em alguma das minhas cassetes um reclame com o Fido Dido desta época, espero brevemente colocá-lo online.

Imagem Digitalizada da revista "Pateta & Companhia" Nº 162 (10 Abril 1990) e Editada por Enciclopédia de Cromos.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Natal dos Hospitais (Parte 6)

por Paulo Neto




Já parece uma tradição quase igual à do próprio programa de falarmos aqui na Enciclopédia sobre o "Natal dos Hospitais". Mas ano após ano, o Youtube vai desenterrando vídeos das edições de antanho do "Natal dos Hospitais" e como tal, surgem novas memórias prontas a serem redescobertas. O nosso agradecimento aos canais de Rúben Lopes, Miguel Silva e Memórias em VHS.



Começamos em 1989 com a actuação dos GNR, todos eles vestidos de forma bem formal, sobretudo Rui Reininho de papillon e camisa de folhos. Nesse ano, o Grupo Novo Rock (que é o que quer dizer a sigla do grupo) lançara o álbum "A Valsa dos Detectives" que continha duas das minhas canções preferidas da banda: "Morte Ao Sol" e este "Impressão Digital".



Afinal eu não estava equivocado quando eu tinha memórias que uma das edições do "Natal dos Hospitais" não teve o habitual palco de auditório mas sim numa escadaria do hospital. Foi em 1992, creio que no Santa Maria, em que os cantores iam descendo um lance de escadas até ao palco improvisado. Foi o caso da malograda Cândida Branca-Flor que cantou "Ei Rosinha", uma adaptação de um tema tradicional de Cabo Verde.



Pergunta Rúben Lopes, uploadista destes  vídeos de 1992, quem era esta maria-rapaz que cantou este "Eu Sou Maria-Rapaz". Nos comentários, a resposta imediata: trata-se de Nani (não confundir o futebolista que na altura teria seis anos) que com esta canção ficou em quarto lugar no Festival da Canção desse ano. Tal como a canção vencedora desse ano, a letra era de Rosa Lobato de Faria, e se prestarem atenção à letra verão que ela encaixou algumas das frutas que não couberam em "Amor de Água Fresca". Nani lançaria um álbum pela editora Vidisco (que está no Spotify) mas pouco ou nada se sabe do paradeiro dela desde então.


Já que falamos do Festival da Canção, Anabela seria a vencedora do dito cujo no ano seguinte com o incontornável "A Cidade (Até Ser Dia)". Mas desde tenra idade que a cantora natural da Cova da Piedade já tinha dado provas do seu talento. Nesse de ano 1992, não só Anabela tinha editado um novo álbum "Encanto" do qual se incluía este "Histórias de Encantar" como fazia parte do elenco da telenovela "Cinzas" como uma jovem aspirante a fadista.



Pelos vistos, alguém chamou "Convencida" à jovem cantora Vanessa (não confundir com a cantora Vanessa Silva, que por vezes actua como Vanessa tout court). Tenho vagas memórias que Vanessa tinha então uma carreira como cantora infanto-juvenil e lembro-me que ela participou numa edição Festival dos Pequenos Cantores de Torres Novas que eu assisti. Imagino que ao fim destes anos, Vanessa hoje trabalhe algures numa repartição de finanças e só cante no chuveiro e para os filhos.



Lena D'Água editou nesse ano um álbum de temática infantil "Ou Isto Ou Aquilo" em que musicou poemas da poetisa brasileira Cecília Meirelles. É o caso deste "Todos Querem Ser Pastores" onde Lena surgiu acompanhada por um grupo de crianças.



Antigamente, o "Natal dos Hospitais" começava com um périplo pelos Açores, pela Madeira e pelo Porto até ao main show na capital. Hoje em dia, o espectáculo principal desdobra-se por Lisboa e Porto com algumas ligações às Ilhas de premeio. Em 1996, na ligação aos Açores, assistiu-se a uma actuação do núcleo de ginástica do clube micaelense Corpore Ginásio ao som de "Celebrate The Love" dos Zhivago.



De 1994, vindos de Portimão, temos o trio Super Kids com o "Super Puto". O rapaz do grupo era Sérgio Nunes que anos mais tarde daria nas vistas ao vencer uma das finais do concurso de talentos do "Big Show SIC" com o fado "A Lenda Da Fonte" (à semelhança de outro jovem fadista, João Pedro, na final nacional do "Bravo Bravíssimo"). A partir daí, Sérgio Nunes iniciou uma carreira como um dos mais jovens talentos do fado mas tragicamente, viria a falecer em 2001 aos 18 anos num acidente de viação.



De volta a 1996, com os Quinta Do Bill e um dos hits do álbum "No Trilho do Sul", "Se Te Amo".



E de seguida, o mítico colectivo all-star que se reuniu para gravar "Mãe Querida": Ágata, Armando Gama, Luís Filipe Reis, Romana, Tony Carreira, Tozé Morais e Valentina Torres.

Para terminar, de regresso aos anos 80, duas figuras imortais: Fernando Pessa e Amália Rodrigues. (E um cameo da "senhora de Cavaco Silva")



   

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Love Actually - O Amor Acontece (2003)

por Paulo Neto

O cinema do século XXI ainda não tem muitos clássicos de temática natalícia, pois não? Assim de repente só me lembro do "Grinch" versão Jim Carrey, "Elf", "The Polar Express" e o filme que hoje é abordado. "Love Actually" (título português "O Amor Acontece") continua pois a ser a principal referência deste subgénero nos últimos anos. Este filme de 2003 marcou a estreia na realização de Richard Curtis, o célebre argumentista de séries como "Black Adder", "A Vigária de Dibley" e "Mr. Bean" e filmes como "Quatro Casamentos e um Funeral" e "Notting Hill". Trata-se de um filme com dez histórias interligadas, ora divertidas ora mais dramáticas, sobre diferentes formas de amor por alturas da quadra natalícia (lembro-me de alguém dizer que parecia "Magnolia" versão positiva) e dizer que o elenco é luxuosíssimo é dizer pouco: Hugh Grant, Emma Thompson, Colin Firth, Liam Neeson, Laura Linney, Alan Rickman, Keira Knightley, Andrew Lincoln, Chiwetel Ejiofor, Martine McCutcheon, Bill Nighy, Martin Freeman, Rowan Atkinson, Rodrigo Santoro e a nossa Lúcia Moniz. E isto é só para começar...

Em Portugal, por razões óbvias, o cartaz do filme tinha a imagem de Lúcia Moniz no lugar de Martine McCutcheon.




Eis as histórias:

- Billy Mack (Nighy), uma antiga estrela rock, decide gravar uma versão de "Love Is All Around" na tentativa de chegar ao n.º 1 do top e promove essa campanha com a ajuda do seu manager pachorrento Joe (Gregor Fisher), chegando a prometer que se isso acontecer, vai actuar nu na televisão.


- Peter (Ejiofor) e Juliet (Knightley) casam-se umas semanas antes do Natal. Mark (Lincoln), o melhor amigo do noivo, assume as funções de padrinho e cameraman do evento e surpreende o casal com uma actuação de uma banda na igreja a cantar "All You Need Is Love". Mais tarde, Juliet pede a Mark pelo vídeo do casamento e descobre que a aparente antipatia que ele sentia por ela vinha do facto de Mark estar apaixonado por ela e não poder fazer nada por ser noiva do melhor amigo. Na noite de Natal, Mark afirma a Juliet que vai gostar sempre dela mesmo que tenha decidido não seguir essa paixão.

- Depois do casamento de Peter e Juliet, Jamie (Firth), um escritor de policiais, descobre que a namorada e o irmão estão a ter um caso. Destroçado, Jamie refugia-se numa casa de campo no sul da França onde Aurélia Barros (Moniz), uma imigrante portuguesa, trabalha como empregada doméstica. Embora ele não saiba falar português e ela inglês, um clima de romance nasce entre ambos. De volta a Inglaterra, Jamie decide aprender português e no Natal, regressa a França onde num português atabalhoada, pede Aurélia em casamento diante do pai (Hélder Costa) e da irmã  (Carla Vasconcelos) desta, bem como de toda a comunidade portuguesa da vila, que entretanto se aglomerou toda pelo caminho. A própria Aurélia entretanto também tinha estado a aprender inglês e aceita o pedido. 

- David (Grant) é o novo primeiro-ministro britânico. Entre o seu staff no n.º 10 de Downing Street está a jovem Natalie (McCutcheon), que desde logo lhe capta a atenção. Mas após uma cena inapropriada por parte do Presidente dos Estados Unidos (Billy Bob Thornton) e achando que a sua atracção pela moça será uma distracção para o seu trabalho, David decide transferir Natalie para outro emprego. Mas na noite de Natal, ele decide procurá-la e após uma série de acontecimentos, o beijo de ambos torna-se bem público.



- Karen (Thompson), a irmã de David, tem um casamento feliz com Harry (Rickman), dono de uma empresa de design gráfico, com quem tem dois filhos. Mas ultimamente, Harry parece estar receptivo aos avanços da sua secretária Mia (Heike Makatsch). Infelizmente, na noite do Natal, Karen descobre que o Harry lhe é infiel quando o marido lhe dá um CD de Joni Mitchell em vez do colar que ela o tinha visto a comprar (e que numa cena paralela vê-se Mia a usá-lo). A minha cena preferida de todo o filme é porventura a mais triste quando Karen vai para o quarto para dar largas ao desgosto enquanto ouve "Both Sides Now".


- A americana Sarah (Linney), que trabalha na empresa de Harry, está há muito tempo apaixonada pelo seu colega Karl (Santoro). Quando este finalmente lhe corresponde e tudo parece encaminhar para uma noite de paixão, um telefonema de Michael (Michael Fitzgerald), o irmão de Sarah que sofre de problemas mentais e vive numa instituição, rompe com o encanto.



- Recentemente viúvo, Daniel (Neeson) é agora responsável pelo seu enteado Sam (Thomas Sangster) que vive as suas primeiras angústias amorosas. Apaixonado por Joanna (Olivia Olson), uma colega de escola com grande talento para o canto, o rapaz decide aprender a tocar bateria para a impressionar na festa de Natal. Depois de uma breve decepção, Daniel encoraja Sam a ir ter com Joanna ao aeroporto antes que esta embarque para a América e lhe revele os seus sentimentos. Enquanto isso, Daniel conhece Carol (Claudia Schiffer), a mãe de um dos colegas do enteado, que é parecidíssima com a sua mulher de sonho: Claudia Schiffer.


- Frustrado pelas britânicas não lhe ligarem nenhuma, Colin (Kris Marshall) decide rumar aos Estados Unidos, certo que as americanas irão se derreter pelo seu sotaque britânico, apesar do seu amigo Tony (Abdul Salis) achar que ele está completamente iludido. Mas não é que ele mal aterra no Wisconsin, o seu sotaque deixa logo quatro beldades americanas - Stacey (Ivana Milicevic), Jeannie (January Jones), Carol Ann (Elisha Cuthbert) e Harriett (Shannon Elizabeth) - todas embeiçadas?


- John (Freeman) e Judy (Joanna Page) são contratados como body doubles para as cenas de sexo de um filme e desde logo surge uma química. Mas se para eles é fácil interagirem enquanto nus e a simular diferentes posições sexuais, confessarem os seus sentimentos são outros quinhentos. 


Destaque ainda para Rufus (Atkinson), personagem inicialmente pensada como uma espécie de Anjo de Natal que ajudaria as várias personagens ao longo da trama, mas que acabou apenas como o funcionário da loja em que Harry compra o colar, muito talentoso (e muito lento) a embrulhar presentes.

Segundo Curtiz, havia mais quatro histórias pensadas e duas delas chegaram a ser gravadas como a da directora do colégio de Sam e a sua companheira moribunda. Entre as cenas cortadas incluídas nos extras do DVD, estão duas pequenas cenas filmadas em África que demonstram que até mesmo aí o amor e o humor podem ser vividos de forma semelhante à dos países ditos mais desenvolvidos e uma divertida cena em que o filho de Karen (William Waldham) escreve uma redacção em que dizia que o seu desejo de Natal era que as flatulências de toda a gente fossem visíveis (até as da Rainha Isabel II!). E a cena de Sam a correr no aeroporto era suposto ter momentos de autêntico parkour. 

Apesar de gostar bastante de "Love Actually" (é o único filme que tenho tanto em VHS como em DVD), concordo com a opinião geral da crítica de que o filme sofre do complexo "Rossio na Betesga" ou seja quer ser e fazer tanta coisa ao mesmo tempo que é inevitável que algumas histórias sofram com isso e acabem por não ter a profundidade suficiente. (Também era dispensável aquele retrato dos portugueses como coscuvilheiros parolos.) Ainda assim, o sempre presente travo agridoce do humor britânico e o desempenho de todo o elenco ajudam a colmatar os aspectos negativos. E o que é certo é que "Love Actually" foi um enorme sucesso comercial e rapidamente juntou-se à lista do inevitáveis clássicos a ver por alturas da quadra natalício. Foi nomeado para dois Globos de Ouro e Bill Nighy ganhou o BAFTA para Melhor Actor Secundário. "Love Actually" também gerou uma espécie de franchising, com alguns países como a Polónia, Holanda e o Japão a criarem filmes semelhantes.

Outro triunfo do filme foi a banda sonora (que também adquiri) com as canções a adequarem-se perfeitamente às diferentes cenas. Vários canções foram editadas em single como as versões de "Jump (For My Love)" pelas Girls Aloud, "Love Is All Around" por Bill Nighy (sob o nome da sua personagem) e "All I Want For Christmas Is You" por Olivia Olson, bem como os inéditos "Too Lost In You" das Sugababes, "The Trouble With Love Is" de Kelly Clarkson e "I'll See It Through" dos Texas.



Em 2017, por ocasião do Red Nose Day, evento bianual de beneficência em terras britânicas, foi filmada uma curta-metragem como sequela com grande parte do seu elenco a recuperar os seus papéis, incluindo Lúcia Moniz.   

Trailer:


Selecção de cenas cortadas


A directora e a sua companheira



Redacção sobre flatulências



Cenas em África






    
   

domingo, 2 de dezembro de 2018

Ganha Portugal - Concurso 1996


Por pura coincidência, no dia que a lendária veterana do atletismo, Rosa Mota ganhou a mini-maratona de Macau, encontrei nos arquivos da Enciclopédia o anúncio  uma campanha de 1996 da Delta Cafés que contou com o apoio de Rosa Mota e Rui Costa.




"Tendo como tema os jogos Olímpicos de Atlanta em 1996 a Delta Cafés lançou uma Campanha de apoio à Selecção Portuguesa. A campanha contou com a colaboração da Rosa Mota e de Rui costa que personificavam a selecção nacional. 
Nesta promoção destacam-se os seguintes prémios: 16 viagens, com bilhetes e estadia, aos Estados Unidos da América para assistir aos jogos Olímpicos de Atlanta, 16 viagens, com bilhetes e estadia, a Inglaterra para assistir ao Campeonato Europeu de Futebol de 96 e 1 Automóvel Mercedes Benz.
Criou-se uma dinâmica comercial no ponto de venda que possibilitou aos nossos clientes habilitar-se ao sorteio dos prémios. 
A comunicação da campanha foi feita no ponto de venda e em imprensa, rádio e televisão."

Além das viagens e automóvel o anúncio indica ainda como prémios televisores. vídeos e Hi-fi.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Hit Parade 88 (1988)

por Paulo Neto



Por esta altura do ano, gostamos analisar algumas compilações de êxitos do passado e desta vez recuámos trinta anos para analisar o alinhamento da edição de 1988 da colectânea Hit Parade. No ano anterior, a editora Polygram portuguesa decidiu renomear as suas colectâneas de êxitos com esta nova designação, abandonando o célebre nome anterior "Polystar". Este era pois o segundo volume desta nova série de colectâneas (que continuaria até 1996) que reunia vinte canções que fizeram sucesso no ano de 1988. Embora já na altura tivesse sido editada em CD, o vinil ainda era o formato mais procurado para este tipo de discos. Eis o anúncio televisivo:




Disco 1
1. Hand In Hand - Koreana: Muito antes do "Gangnam Style" e dos diversos grupos de K-Pop, o único grande hit internacional oriundo da península coreana foi o tema oficial dos Jogos Olímpicos desse ano que se realizaram em Seul. Com o mago Giorgio Moroder na produção, "Hand In Hand" interpretado pelo quarteto Koreana estava sem dúvida à altura da grandiosidade e permanece como uma das melhores canções compostas para a ocasião de um Jogos Olímpicos. Por acaso, tive pena que a canção não tivesse sido recuperada para os Jogos Olímpicos de Inverno deste ano na cidade coreana de Pyeongchang.
2. Yeké Yeké - Mory Kanté: Tal como "Hand In Hand", outro dos grandes sucessos internacionais de 1988 veio de uma origem inusitada: a Guiné-Conakry. Oriundo de uma família de músicos, Mory Kanté já era uma estrela em toda a África Ocidental desde os anos 70, primeiro como vocalista da Rail Band, depois numa carreira a solo. Mas em 1987, um tema do seu terceiro álbum "Akwaba Beach" ultrapassou as barreiras do continente africano e tornou-se um grande hit na Europa. Esse tema era "Yeké Yeké" e apesar de ser cantado no indecifrável idioma Mandikan, tais eram sua energia e o seu ritmo contagiante que facilmente conquistou as pistas de dança europeias, chegando mesmo ao n.º 1 nos tops de Bélgica, Espanha, Finlândia, Holanda e Israel e tornado-se o primeiro single de um artista africano a vender mais de um milhão de cópias. Eu lembro-me de adorar a música e de dançar vigorosamente sempre que ouvia a canção na rádio ou via o videoclip na televisão. Mesmo sem nunca ter repetido a façanha, Mory Kanté continua até hoje a sua prestigiada carreira. Tido como uma das canções responsáveis por trazer a world music ao público geral, "Yeké Yeké" deixou também um legado duradoura nas pistas de danças com vários remixes a serem produzidos desde então, em especial um de 1995 por parte dos alemães Hardfloor
3. Long And Lasting Love (Once In A Lifetime) - Glenn Medeiros: Já falámos aqui sobre sobre a versão regada a azeita extra-virgem que o havaiano Glenn Medeiros fez de "Nothing's Gonna Change My Love For You", um original de George Benson, que conquistou os tops por esse mundo fora e que se mantém como um dos maiores clássicos da baladaria xaroposa dos anos 80. Embora o dito tema ainda estivesse em alta, Medeiros tinha entretanto o segundo álbum "Not Me", do qual este tema foi o primeiro single, que passou algo despercebido. Porém Glenn Medeiros ainda teria mais alguns momentos de glória, primeiro em França num dueto de 1989 com Elsa Lunghini, depois no seu país em 1990 noutro dueto, desta feita com Bobby Brown. 
4. I Know You're Out There Somewhere - The Moody Blues: Os Moody Blues são mais conhecidos pelo seu material editado nos anos 60, nomeadamente o clássico "Nights In White Satin", mas a banda britânica continua em actividade até hoje ainda que o último álbum originais seja de 2003. Nos anos 80, o grupo mantinha a maioria da sua formação inicial e ainda obtinha um hit ocasional, se bem que entretanto já tinham abandonado o seu som de rock progressivo por sonoridades mais condizentes à época. É o caso deste "I Know You're Out There Somewhere", o qual eu confesso não me lembrar de todo e que se encaixaria na perfeição na playlist de uma RFM ou de uma M80.  
5. Song For Nadim - Yann Andersen: Ora aí está uma canção que eu não ouvia há séculos! Hoje em dia, ninguém se lembra desta canção mas na altura isto foi um sucesso enorme nestas bandas. Eu lembro-me que o videoclip desta canção passava todos os dias na RTP após o Telejornal com legendas da tradução portuguesa e por isso, ao fim de cada dia lá levávamos com o calvário do pequeno Nadim cujo pai morreu na guerra, imagens de um Médio Oriente assolado pelos diversos conflitos e com a cantiga de paz e amor cantada por Andersen. Tudo isto e mais o facto das vendas do disco reverterem a favor da UNICEF fez com que "Song For Nadim" ficasse um recorde de 24 semanas (!) no n.º 1 do top nacional. Yann Andersen (que o Paulo de 1988 tinha dificuldade em perceber se era homem ou mulher, já que a sua voz deixava alguma margem para dúvidas) também gravou a canção em francês. Como não podia deixar de ser, os Ministars também fizeram a sua versão: "Temos De Ser Nós" que foi a faixa promocional do álbum "É Altamente!" que recebi no Natal desse ano. 
6. Missing You - Chris DeBurgh: Se eu vos pedir para dizerem uma música de Chris Davidson, mais conhecido pelo apelido nobiliárquico do avô materno, tenho toda a certeza que dirão o incontornável "The Lady In Red" e que muitos de vós terão dificuldade em indicar um segundo tema. Mas claro que Chris DeBurgh teve outros hits, em especial este "Missing You" que será porventura o seu segundo maior êxito da carreira e que o confirmou como mestre da baladaria embora os fãs mais atentos poderão testemunhar que o repertório de DeBurgh assentava sobretudo no rock. No passado dia 15 de Outubro, Chris DeBurgh completou 70 anos de vida. E sim, continua casado com a sua "dama de vermelho" há mais de quarenta anos.   
7. The Big One - Black: Já falámos aqui de Colin Vearcombe, mais conhecido pelo seu stagename de Black, por alturas do seu prematuro falecimento em Janeiro de 2016. Em 1988, o sucesso da sua canção-assinatura "Wonderful Life" no ano transacto ainda estava bem presente nas memórias, daí a inclusão neste disco deste tema do álbum seguinte "Comedy".
8. Angel Eyes - Wet Wet Wet: O terceiro single da banda escocesa que na altura vivia a sua primeira onda de fama, onde apesar da sua sonoridade mais madura do que, por exemplo, a de uns Bros, eram promovidos como ídolos de adolescentes. Este "Angel Eyes" é um dos temas mais conhecidos dessa fase inicial da banda. Nesse ano de 1988, os Wet Wet Wet atingiriam o n.º 1 do top britânico com uma versão de "With A Little Help From My Friends" que fazia parte de álbum de caridade em que várias bandas e artistas britânicos da altura gravaram cada um uma faixa do lendário álbum "Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos Beatles. Na verdade, a versão dos Wet Wet Wet era na verdade um duplo single que também tinha a cover de Billy Bragg de "She's Leaving Home". Quanto aos Wet ao cubo, maiores sucessos esperavam-nos na década seguinte. 
9. I Don't Wanna Go On Like You That - Elton John: Os dois anos anteriores tinham sido complicados para Elton John, com uma série de problemas legais e pessoais, nomeadamente uma cirurgia às cordas vocais em 1986 que alterou a sua voz. O seu álbum de 1988 "Reg Strikes Back" era o seu regresso após esse período e este tema desse álbum tornou-se inesperadamente o seu mais bem single sucedido dos anos 80 nos Estados Unidos. 
10. A Minha Casinha - Xutos & Pontapés: E terminamos o disco 1 em beleza com este clássico dos Xutos & Pontapés que punha um spin no original interpretado por Milú no filme "O Costa Do Castelo" e que rapidamente tornou-se um dos temas mais incontornáveis dos Xutos. Segundo consta, a banda tocou pela primeira vez esta versão no Rock Rendez Vous e já costumava tocá-la para encerrar os seus concertos anos antes de finalmente gravarem em estúdio para o álbum "88", que também incluía os clássicos "À Minha Maneira" e "P'ra Ti Maria". Em 2016, "A Minha Casinha" voltou a ter destaque como a música escolhida para as celebrações da vitória de Portugal no Euro 2016 e em 2018, durante um concerto em Lisboa, os Metallica homenagearam o recém falecido Zé Pedro ao tocar uma versão instrumental. 

Disco 2
1. Barcelona - Freddie Mercury & Montserrat Caballé: Com o filme "Bohemian Rapsody" em exibição nos cinemas e o falecimento de Montserrat Caballé no passado mês de Outubro, este esmagador dueto de Caballé e Freddie Mercury ganha outra dimensão. Em 1987, Montserrat, tida como pioneira na colaboração de canto lírico com outros estilos musicais, e Freddie, que nunca esconderam a sua admiração mútua, uniram as suas míticas vozes e o resultado só podia ser grandioso. Recordo-me da primeira vez que vi o videoclip gravado em Ibiza pois foi a primeira vez que vi Freddie Mercury sem bigode.
Como não podia deixar de ser, "Barcelona" foi reeditado em 1992 por altura dos Jogos Olímpicos na capital catalã. Em 1996, Caballé homenagearia Mercury com uma versão de "Bohemian Rapsody" em dueto com Bruce Dickinson. E agora, quero imaginar que Freddie acolheu Montserrat lá no Além e que os dois andam alegremente a cantar por lá.
2. Don't Call Me Baby - Voice Of The Beehive: Esta "voz da colmeia" era formada por duas abelhas mestras, as irmãs californianas Tracy e Melissa Belland, e quatro músicos britânicos, um deles o ex-baterista dos Madness Daniel Woodgate. O seu álbum de 1988 "Let It Bee" estava cheio de pérolas de pop-rock orelhudo, nomeadamente este "Don't Call Me Baby", onde as irmãs Belland cantavam os incómodos de encontrar ao acaso um ex-amante. Os Voice Of The Beehive tiveram mais uns quantos hits até à sua dissolução em 1996 e vários membros dedicaram-se a outros afazeres, como por exemplo Tracey Belland tornando-se professora. Em 2017, a formação original da banda reuniu-se para dois concertos em Londres. 
3. There's More To Love - Communards: Os Communards eram o ex-Bronski Beat Jimmy Sommerville e Richard Coles. Em 1986, a sua versão de "Don't Leave Me This Way" (com a conjunção do inconfundível falsete de Sommerville e da voz grave de Sarah-Jane Morris a ser um rasgo de maravilha) foi o single mais vendido nesse ano no Reino Unido e rapidamente tornou-se um clássico eighties. O segundo álbum "Red" é recordado sobretudo por outra celebrada cover "Never Can Say Goodbye". Este "There's More To Love" acabaria por ser o último single da dupla. Trinta anos depois e apesar dos inúmeros avanços quanto aos direitos da comunidade LGBT, a mensagem de que o amor não existe apenas entre indivíduos de diferentes sexos ainda soa pungente. Findo o projecto dos Communards, Jimmy Sommerville prosseguiu a solo e Richard Coles eventualmente tornou-se um padre anglicano. 
4. Rolar No Chão - Afonsinhos Do Condado: Eugénio Lopes, mais conhecido por Gimba, é há longos anos uma personalidade proeminente na indústria musical nacional. Mas o seu maior momento como recording artist continua a ser o tempo em que juntamente com Nuno Faria e Jorge Galvão integrou Os Afonsinhos Do Condado, projecto ímpar da música portuguesa que só podia ter mesmo acontecido nos anos 80. Em 1987, fizeram sucesso com o hit "A Salsa Das Amoreiras" e 1988 viu a edição do único álbum de originais do trio, "Açúcar!!!" dos quais este "Rolar No Chão" foi uma das faixas mais celebradas. Lembro-me de achar imensa graça às vozes femininas a dizerem "Duas e meia!" e "P'raaa ondeeee?". Mas embora nas actuações na televisão os Afonsinhos fizessem-se acompanhar por  umas moçoilas a fazerem playback das vozes femininas, já ouvi dizer que as ditas cujas eram afinal os Afonsinhos em falsete. Será verdade? 
5. Joe Le Taxi - Vanessa Paradis: Verdadeiro exemplo do ditado "É de pequenino que se torce o pepino", a parisiense Vanessa Paradis tem vivido no mundo do espectáculo desde que ela se entende por gente e aos 14 anos, alcançou um hit internacional com "Joe Le Taxi". De facto havia de algo totalmente encantador na voz pueril de Paradis a cantar sobre um taxista com uma vida secreta como músico de jazz ao som de saxofones e ritmo de rumba. E à semelhança de outros temas de língua francesa da altura como "Voyage Voyage" ou "Ouragon", "Joe Le Taxi" passou as barreiras do mundo francófono e fez sucesso em outros países, inclusivamente chegando a n.º 3 do top britânico. Ao contrário de outras estrelas infantis e adolescentes, Vanessa Paradis teve um transição bem-sucedida para a carreira como adulta, continuando a somar sucessos como cantora e actriz no seu país. Em 1992, teve mais um hit internacional com "Be My Baby" apesar de desde então o mundo não-francófono a conhecer sobretudo por ter sido a mãe de dois filhos de Johnny Depp. Vanessa Paradis continua ainda hoje a incluir "Joe Le Taxi" nos seus concertos e já regravou o tema mais algumas vezes noutros estilos. Para os mais afoitos, recomendo também a audição da bizarra versão da artista performativa japonesa Hanayo. 
6. Balla Balla vol. 2 - Francesco Napoli: Depois de ter feito sucesso em 1987 com a sua medley italo-disco de vários standards da música italiana intitulada "Balla Balla", Francesco Napoli voltava à carga com o volume 2. 
7. Balada Da Neve - Carlos Vidal: "Batem leve, levemente, como quem chama por mim..." Quem não conhece pelo menos a primeira estrofe do poema "Balada da Neve" de Augusto Gil? Em 1988, Carlos Vidal/Avô Cantigas musicou o poema. 
8. I Want To Be Needed - Shari Belafonte & Chris Norman: Ex-vocalista dos Smokie, o britânico Chris Norman vivia na altura um novo ponto alto da sua carreira desde que o seu single de 1986 "Midnight Lady" chegou ao n.º 1 na Alemanha. Desde então que Norman se focou em promover o seu material sobretudo na Alemanha e outros países da Europa Continental. Era o caso deste dueto com a cantora/actriz/modelo Shari Belafonte, filha do ídolo dos anos 50 Harry Belafonte.  
9. Stop Your Fussin' - Toni Childs: Das vinte canções deste disco, esta é a única que eu não me lembro de ter ouvido antes ou sequer ter reconhecido o nome da intérprete. Diz a Wikipedia que Toni Childs nasceu na Califórnia e que aos 15 anos fugiu de casa e dos seus pais ultra-religiosos para se tornar cantora. Acabaria por encontrar sucesso sobretudo na Austrália (onde viria a se radicar e a obter cidadania) e na Nova Zelândia. Mas pelos vistos, alguma da sua música chegou à Europa, como é o caso deste solarengo "Stop Your Fussin' ". Em 2004, Toni Childs ganhou um Emmy pela canção "Because You're Beautiful", incluída num documentário sobre o V-Day, uma plataforma contra a violência sobre as mulheres, fundada por Eve Ensler, a autora de "Os Monólogos da Vagina".  
10. Já Estou Farto - Café Lusitano: E terminamos com uma canção que eu fartava de ouvir na rádio na altura mas que desde então quase nunca mais ouvi. O projecto Café Lusitano era liderado por Orlando Mesquita e o seu único álbum contou com participações especiais de Rui Veloso, Tozé Brito e Mário Barreiros. E para sempre deixaram este conto de um indivíduo que deixou a sua aldeia do Norte algures na serra do Gerês para ir ganhar a vida para Lisboa mas que não se consegue adaptar à azáfama citadina e exclama volta e meia: "Já estou farto daqui estar, quero à minha aldeia voltar." 

Um agradecimento ao site Viva80 pelas informações sobre o alinhamento desta colectânea. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O Barco do Amor (1977-86) Parte 2



Não confundir com "O Cacilheiro do Amor". Agora a sério:



The Love Boat” (1977-86)
Ah, “O Barco do Amor” ou o “Barco das DST” como seria conhecido caso existisse no mundo real, tal a quantidade de marotice desprotegida a acontecer nas cabines do barco mais famoso a seguir ao “Titanic”. Curiosamente, a série foi baseada no tele-filme homónimo de 1976 e as sequelas “The Love Boat II” e “The New Love Boat”. 

Este ultimo serviu de episódio piloto para o “The Love Boat” que todo o Mundo conhece: 249 episódios das aventuras românticas e divertidas da tripulação e passageiros do cruzeiro “Pacific Princess”. Ainda mais curioso é que tudo teve origem no livro de não ficção “Love Boats” de Jeraldine Saunders, uma ex-directora de cruzeiros. O LA Times descrevia o livro assim: “Portos exóticos e jogos eróticos num mar de Sol, sexo e bebida”.

O genérico com o famoso tema:


É uma canção mesmo orelhuda, desde que comecei a pesquisar para este cromo não me sai da cabeça…
Os convidados especiais da série ao longo das nove temporadas, quatro especiais e um tele-filme é tão extensa que tem uma página dedicada na Wikipédia: “List of Love Boat guest stars”.
Sendo produzida por Aaron Spelling, “The Love Boat” cruzou-se com outras séries do mesmo produtor: “Os Anjos de Charlie”, “A Ilha da Fantasia”; e ainda rendeu várias continuações.


Publicado originalmente em 2016 no Tumblr da Enciclopédia “The Love Boat” (1977-86)".

Entretanto, o Paulo Neto publicou um artigo bem completo sobre a mecânica e elenco da série, e não posso evitar abordar o tema do episódio filmado em Portugal, com direito a tourada no campo pequeno. Por coincidência, alguns dias depois, a página "Voyeur da Tela" (que recomendo vivamente) partilhou com os internautas um cartaz a anunciar o evento. Sabendo a data, foi simples encontrar um exemplar no arquivo do "Diário de Lisboa":

Fonte: Diário de Lisboa [31 maio 1985]
  
"Grandiosa corrida com filmagens de um episódio da série Barco do Amor". Não vi o episódio, mas decerto terão usado imagens dos animais a ser agredidos, perdão, "lidados". Enfim, tempos menos civilizados, hoje Portugal no estrangeiro é sinónimo de Cristiano Ronaldo e ondas gigantes da Nazaré; nos anos 80 devia ser touradas e praias. Ou se calhar não, mas as séries americanas sempre gostaram de dar um gostinho das "tradições" dos exóticos destinos onde encenam a acção. Confesso que fiquei admirado não terem filmado a tourada na Espanha, com uma legenda "Lisboa" por cima da imagem. Geralmente o público só se recorda dos filmes filmados por cá como "A Casa dos Espíritos", "A Casa da Rússia" ou o James Bond "007 ao Serviço de Sua Majestade." mas afinal até a TV dos camones veio cá à terrinha.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Mulan (1998)

por Paulo Neto


Um dos principais traços da era dourada do Renascimento da Disney (que durou de 1989 a 1999) foi a preocupação de não retratar as heroínas das suas novas histórias como frágeis donzelas em apuros como em algumas das suas histórias iniciais. Assim sendo, vimos uma Bela sem medo do Monstro, uma Pocahontas determinada a impedir o conflito entre índios e colonos ou uma Esmeralda que se recusava a ceder mesmo sob cruel perseguição. Mas em 1998, a Disney revelaria uma das suas mais emblemáticas e corajosas heroínas na personagem titular de "Mulan".





Baseado na lenda chinesa de Hua Mulan, uma mulher que terá servido durante doze anos no exército disfarçada de homem durante a Dinastia Han e que se destacou pela sua bravura, o filme contava a história de Fa Mulan, uma jovem cujo temperamento irrequieto choca com os padrões esperados de uma mulher na China daquele tempo, impedindo o desejo da família de que ela encontre um marido e se torne uma boa esposa. Um desastroso com uma casamenteira autoritária ainda complica mais as coisas.

Entretanto a China é assolada pela invasão dos Hunos. Um dos líderes, Shan-Yu, é praticamente cruel e está disposto a destruir tudo e todos em seu caminho. Por ordem do Imperador, um homem de cada família deverá combater na guerra contra os Hunos. Temendo pela saúde e idade avançada do seu pai, Mulan decide ser ela a alistar-se no exército disfarçada de homem e tomando o nome de Ping. Os seus antepassados decidem enviar-lhe um espírito dragão como protecção mas por engano, quem acaba por ir com ela é um pequeno e desastrado dragão chamado Mushu.



No campo de treinos para soldados, Mulan/Ping tem várias dificuldades para se adaptar aos duros treinos comandados pelo garboso mas severo capitão Li Shang e pelo arrogante e misógino conselheiro Chi-Fu, mas eventualmente acaba por se destacar ao mesmo tempo que trava amizade com três outros inicialmente desastrados soldados, Yao, Ling e Chien-Po. Durante uma batalha, Mulan é ferida no peito por Shan Yu e Chi-Fu acaba por descobrir a sua mentira. Em vez de a executar, como manda a lei, Shang decide poupar-lhe a vida mas expulsa-a do exército.
Mas quando os Hunos ameaçam a Cidade Imperial, será a coragem e astúcia de Mulan que salvará a China.

Na versão original, as vozes de "Mulan" incluíam Ming Na Wen (Mulan), BD Wong (Li Shang), Eddie Murphy (Mushu), Miguel Ferrer (Shan Yu) e Pat Morita (Imperador da China). Na versão portuguesa, Mulan foi dobrada por Carla de Sá (Anabela nas canções), Shang por Carlos Macedo (Telmo Miranda nas canções), Mushu por Rui Paulo, Yao por Carlos Vieira D'Almeida e Ling por André Maia. Jackie Chan foi a voz de Shang nas três versões chinesas (Mandarim, Cantonês e Taiwanês).

"Reflection" Christina Aguilera


"True To Your Heart" 98 Degrees & Stevie Wonder



"Mulan" conseguiu superar crítica e comercialmente as duas anteriores longas metragens da Disney, "O Corcunda de Notre-Dame" e "Hércules" e a sua partitura musical de Jerry Goldsmith foi nomeada para o Óscar e o Globo de Ouro. Entre as canções destaque óbvio para "Reflection" interpretado por Christina Aguilera que lhe valeu um contrato discográfico que a lançaria como uma nova estrela pop no ano seguinte. Mas também há que destacar "I'll Make A Man Out Of You" na voz de Donny Osmond e "True To Your Heart" pelos 98 Degrees e Stevie Wonder.





"Mulan" teve um sequela em 2004 directamente editada em vídeo e uma longa-metragem em imagem real está prevista para estrear em 2020, com Yifei Liu no principal papel.   

Para terminar, devo dizer que a minha personagem preferida é a avó da Mulan, a Avó Fa. Basta ver este vídeo para perceber porquê.     



quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Lessons In Love - Level 42 [1986]



A minha lista mental de "Músicas que já ouvi mas desconheço nome ou artista" dos anos cromos é bem extensa, afinal não tínhamos o Google na ponta dos dedos e nem sempre apanhávamos o videoclip/emissão na rádio de inicio, com essa preciosa informação. Uma recente campanha da EDP foi agitar as nebulosas águas da memória com o tema que escolheram para o anúncio de TV. Reconheci a canção apesar de no video criado pela agência  Solid Dogma usarem uma versão produzida pelo DJ Xinobi, com vozes de Gundelach e Ana Miró, e só com uma intensa busca no Google com excertos da canção e vários falsos alarmes depois cheguei a "Lessons In Love" da banda "Level 42" lançado em 1986.

O teledisco oficial:



Capa do single:

Os Level 42 desta época - já com 6 anos de carreira - eram Mark King, Mike Lindup (ambos ainda na formação actual) e os irmãos Philip e Rowland "Boon" Gould
Esta banda britânica não é um caso de one-hit wonder ao contrário do que pensei antes de pesquisar, mas apesar de vários singles de sucesso, "Lessons in Love" permaneceu o maior êxito dos Level 42. O álbum de onde a canção foi extraída, "Running in the Family", o sétimo álbum de estúdio dos Level 42, deu origem a mais 4 singles, lançados durante 1987: "Running in the Family" cujo refrão também me parece familiar, "To Be With You Again", "It's Over" e "Children Say".
Como curiosidade, a versão da banda polaca Pslednja Igra Leptira, "Taksi" (Taxi):



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