quinta-feira, 27 de julho de 2017

O Caso Aquaparque (1993)

27 Julho 1993, a data da primeira morte, que no inicio se julgou um rapto. Mas dias depois, quando outra criança desapareceu, essa teoria foi posta de lado e depois de vazar a piscina foram encontrados os corpos de Cristina Elizabeth Caldas e Frederico Mendonça Duarte, ambos de nove anos de idade, que morreram afogados depois de terem sido sugados para o interior de uma tubagem desprotegida.


Uma tragédia que infelizmente se estendeu ainda mais para os familiares das vitimas numa processo que se arrastou  uma década em tribunais até serem pagas as indemnizações. Imagino que passadas mais de duas décadas ainda muito português tenho receio de frequentar ou levar os filhos a parques aquáticos por conta deste caso mediático de emocionou e revoltou a sociedade portuguesa.

Obviamente que a tragédia foi notícia "lá fora" e este artigo (de José Maria Moreiro) que recupero dos arquivos do jornal ABC faz um resumo razoável dos acontecimentos imediatos:
"Duas crianças morrem em um parque aquático em Lisboa em apenas 48 horas."


A minha tradução:
"Com um intervalo de quarenta e oito horas, duas crianças de nove anos morreram afogadas em um parque aquático no Restelo, um dos bairros mais elegantes de Lisboa, eventos que causaram consternação em toda a cidade. Um grande grupo de pessoas na madrugada de ontem exigiu explicações dos responsáveis pela instalações, resultando em distúrbios que obrigaram à intervenção das forças de segurança."

O artigo do ABC dá ainda conta de um outro acidente mortal noutro parque aquático português, no ano anterior.


Quando o processo avançava em tribunal contra os responsáveis do malfadado Aquaparque o caso foi dado como prescrito, salvando a administração e técnicos das acusações de homicídio involuntário. Demorou, mas a culpa não morreu solteira, sobrando para o Estado português que não tinha legislado sobre os parques aquáticos. A máquina do Estado recorreu e só em 2002, depois de ser novamente condenado pagou as indemnizações, uma "decisão histórica" (como define o Correio da Manhã) nove anos depois das mortes das crianças (artigo do Público).


Nesta reportagem da RTP é possível até ver os ataques de populares indignados que causaram alguns danos nas instalações do parque aquático:





Pode também aceder a uma transcrição desta reportagem aqui: "Caso Aquaparque - 1993".

Também existe no Youtube reportagem da época da SIC:


 E na TVI, com declarações do Ministro do Comércio de Turismo Faria de Oliveira e do Presidente da Câmara de Lisboa, Jorge Sampaio e algumas considerações sobre a falta de segurança nos parques aquáticos:



Uma das consequências do encerramento do Aquaparque foi por exemplo o fecho do concorrente Onda Parque na Costa da Caparica, que não resistiu às inspecções de segurança motivadas pela tragédia no Restelo e alegadamente sem fundos para esse investimento fechou em 1996 com uma dívida de 100 mil euros ao município, segundo artido do Diário de Notícias. O Onda Parque foi inaugurado em 1988, veja o video de promoção: "Ondaparque" e a reportagem de 2014 "Abandonados".

Em 2016, o DN adiantava que o local das antigas instalações do Aquaparque, que estiveram estas décadas abandonadas, iriam reabrir como um jardim. Se algum leitor de Lisboa nos esclarecer sobre o estado deste projecto, agradecemos.
O Correio da Manhã fez em 2016 uma compilação de imagens da inauguração do Aquaparque em 1989, mas no site só consta a imagem abaixo, creditada a António José: "Recorde a inauguração do Aquaparque do Restelo".



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