segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Top 5 Canções de Boybands dos anos 90

por Paulo Neto

Já existiam antes, continuaram a existir depois, mas não há dúvida que a década de 90 foi um ponto alto do fenómeno das boybands, onde parecia que tais grupos floresciam que nem cogumelos. Além daqueles que conseguiam atingir o sucesso à escala global, praticamente cada país do mundo ocidental teve a sua própria dose de boybands para consumo nacional - e Portugal não foi excepção.
Aliás a receita era simples: pegava-se nuns quantos rapazes com um palminho de cara e de corpo (e de preferência, que não cantassem muito mal), ensinavam-lhes uma coreografias sincronizadas, faziam-se umas músicas com refrões orelhudos e uns videoclips com os seus peitorais trabalhados à mostra e voilá! - uma multidão de miúdas adolescentes aos gritos e milhares de discos (e merchadising a condizer) vendidos que nem pãezinhos quentes enquanto um diabo esfrega um olho.
Eu, tal como qualquer rapaz adolescente da época, não o admitia mas a verdade é que certas canções de boybands nos anos 90 acabavam por me alegrar os tímpanos e entrar na minha jukebox mental e há cinco delas que venho por este meio destacar. Além disso, deixo algumas menções honrosas: "Tearing up my heart" dos N'Sync (1997), "I want you for myself" dos Another Level (1999), "Love is everywhere" dos Caught In The Act (1995), "Thunder" dos East 17 (1996) e "Flying without wings" dos Westlife (1999).

#5 "No matter what" Boyzone (1998)


Os Boyzone eram cinco, mas na verdade podiam ser só dois, o louro Ronan Keating e o moreno Stephen Gately, pois eram os únicos que cantavam nas canções remetendo os outros três, Mickey Graham, Keith Duffy e Shane Lynch para o simples papel de vozes de coro (como um concorrente do Britain's Got Talent demonstrou certa vez). Porém o quinteto irlandês teve alguma longevidade entre 1994 e 2000. De entre o seu repertório, contam-se várias covers, algumas delas pouco felizes como as de "Father and son" de Cat Stevens e "Baby can I hold you tonight" de Tracy Chapman. De entre os seus temas originais, o melhor deles foi sem dúvida "No matter what" de 1998, cuja dignidade era reforçada por ser um tema de Andrew Lloyd Webber para o que era então o seu mais recente musical "Whistle down the wind".
Ronan Keating prosseguiu depois uma bem-sucedida carreira a solo. Stephen Gately, depois de assumir a homossexualidade, também teve projectos a solo cujo ponto alto foi o tema do filme "Billy Elliott". Os Boyzone reuniram-se em 2008 para uma tournée e novo álbum de best of, mas no ano seguinte, Stephen Gately faleceu, quando já trabalhavam num novo álbum de originais.



#4 "Where do you go?" No Mercy (1996)


O nome do produtor alemão Frank Farian estava semi-proscrito devido à controvérsia com o Milli Vanilli quando se descobriu que as vozes não correspondiam às caras. Mas tal não o impediu de formar outro grupo pop que conseguiu pelo menos um hit global. Os No Mercy eram três americanos de origem porto-riquenha radicados na Alemanha, o vocalista principal Marty Cintrón e os gémeos Ariel e Gabriel Hernandez. Em 1996, versionaram "Where do you go?" (originalmente gravado pelos La Bouche), com uma combinação de guitarra latina e sobretudo a batida do famosíssimo remix de "Missing" dos Everything But The Girl (do qual o trio também fez uma versão) e o êxito não se fez esperar, chegando ao top 5 um pouco por todo o mundo, inclusivamente chegando o n.º 1 na Irlanda e na Dinamarca. Os No Mercy ainda tiveram algum sucesso com singles subsequentes como a balada "When I die", mas após o segundo álbum, caíram no esquecimento embora continuem ainda no activo.



#3 "Eu sou aquele" Excesso (1997)




Em 1997, o produtor Nuno Carvalho descobriu a pólvora e criou a primeira boyband made in Portugal, os Excesso formada por João Portugal, Carlos Santos, Fernando Melão, Gonçalo "Gonzo" Sousa e Miguel "Duck" Moredo. O sucesso não fez esperar e logo as pitas de então gritavam pelos Excesso como o faziam com os grupos estrangeiros. O álbum de estreia foi tripla platina e tiveram direito a um vasto merchandising incluindo um perfume e uma linha de roupa assinado por João Rolo. Além disso, novos grupos formaram-se rapidamente em Portugal aproveitando o filão descoberto como os Sétimo Céu, os Milénio e os D'Arrasar. Porém, o sucesso alcançado depressa levou a tensões dentro do grupo e quando o segundo álbum saiu em 1999, já sem Carlos na formação, começou o declínio. Todos os cinco elementos tiveram projectos a solo com mais ou menos sucesso, destacando-se João Portugal que foi autor e intérprete dos temas musicais de várias edições do Big Brother.
De entre o reportório dos Excesso, o destaque vai obviamente para a sua canção-assinatura "Eu sou aquele", que certa vez cantei com mais quatro colegas meus durante uma praxe do meu ano de caloiro na Universidade de Coimbra. Pouca gente sabe disto, mas a autora de letra era Célia Lawson que em 1997 foi a representante portuguesa no Festival da Eurovisão (onde foi corrida a zeros).


#2 "Pray" Take That (1993)



Nos anos 80, os New Kids On The Block tinham sido os primeiros a seguir a fórmula de "como fazer uma boyband", mas os britânicos Take That levaram o conceito a novas alturas. Por exemplo, o seu agente Nigel Martin-Smith foi o primeiro a apostar no apelo da comunidade gay. Ao contrário do que é habitual, o sucesso dos Take That foi-se formando gradualmente desde 1991 mas a partir de 1993, Gary Barlow, Mark Owen, Howard Donald, Robbie Williams e Jason Orange já eram rostos amplamente conhecidos. O tema mais famoso dos Take That é sem dúvida "Back for good" de 1995, o seu único hit nos Estados Unidos. Porém sempre tive uma preferência por "Pray" de 1993, um dos videoclips que marcaram a minha descoberta da MTV nesse Verão do curto período em que a minha família foi proprietária de uma antena parabólica. É uma daquelas canções que para mim têm toda a essência de uma música de Verão e ainda hoje gosto muito do videoclip, filmado no México.
Como é sabido, Robbie Williams deixou a banda em 1995 rumo a uma extremamente bem-sucedida carreira a solo. Em 2006, após um hiato de dez anos os outro quatro membros reuniram-se para uma tournée que teve tão sucesso que justificou um regresso aos discos que se vai mantendo até hoje, inclusivamente com Robbie Williams a bordo no álbum "Progress" de 2010.



#1 "Everybody (Backstreet's back)" Backstreet Boys (1997)



Pressentindo que a Europa estaria mais receptiva na altura ao género do que a América, o manager Lou Perlman pegou no projecto que tinha em mãos, os Backstreet Boys, compostos por A.J. McLean, Brian Littrell, Howie Dorough, Kevin Richardson e Nick Carter e decidiu promover o material na Alemanha. O sucesso não se fez esperar por essa Europa e em 1996 somavam hits como "We've got it goin' on", "I'll never break your heart" e "Quit playing games (with my heart)". (Perlman repetiria a mesma fórmula com outro grupo, nada menos que os NSync).
Um dos pontos altos do repertório é sem dúvida "Everybody (Backstreet's back)", um dos últimos hits resultantes da união dos dois gurus suecos da música pop, Max Martin e Denniz PoP, antes da morte deste, com um daqueles refrões que ficam logo incrustados nos ouvidos à primeira audição: "Everybody, yeah, rock your body, yeah, everybody rock your body right. Backstreet's back, alright!". Igualmente inesquecível é o videoclip onde cada um dos membros encarna uma personagem monstruosa. No ano seguinte, o sucesso chegou por fim aos Estados Unidos.
Com alguns hiatos pelo caminho, os Backstreet Boys continuam no activo e a editar álbuns. Em 2011, fizeram um álbum e uma digressão conjuntamente com os New Kids On The Block.


   

  

    

sábado, 27 de setembro de 2014

Teenage Mutant Hero Turtles: The Coin-Op! - Spectrum (1991)


"Teenage Mutant Hero Turtles: The Coin-Op" é um beat-em-up na sua versão para o computador Spectrum.
A origem do jogo remonta a 1989, quando foi lançado nas máquinas de arcada pela Konami com o título  "Teenage Mutant Ninja Turtles", e baseado na clássica série animada das Tartarugas Ninja. Em 1991, foi convertido e publicado pela Image Works para ZX Spectrum ( e outros sistemas de computador caseiro). Nessa altura, na Europa o título foi mudado para "Teenage Mutant Hero Turtles: The Coin-Op!", devido á censura da palavra Ninja na franquia; o mesmo motivo pelo qual muito do material das Tartarugas vendido em Portugal dizia Hero e não Ninja. "Coin-op" é a versão curta de "coin-operated video game", as máquinas de arcada (que inclui videojogos e outro tipo de maquinetas).

A capa da caixa do jogo.
 Tal como a arcada - que podem ver na imagem abaixo - o jogo suportava 2 jogadores simultâneos. Repare-se no detalhe delicioso de que a caixa - vendida para o Spectrum - exibe imagens do jogo para outra plataforma, obviamente de melhor qualidade gráfica. Mas, tem o aviso "Screen Shots: Amiga".
No verso da caixa de cartão (acima) os objectivos do jogo: salvar April O'Neil de um edificio em chamas, e libertar o Mestre Splinter, raptado por Bebop e Rocksteady, os capangas do vilão Shredder.
Comparem as imagens acima com as do jogo para Spectrum:


E dentro da caixa, a cassete com o jogo:


Um video com o gameplay:


Estas imagens foram capturadas e enviada pelo meu caro sócio do CINE31, o Bruno Duarte, ao qual agradeço! Recordo novamente o site dele, o Grand Temple, onde o Bruno fala de cinema e tem "Videos Caseiros de Qualidade Duvidosa". True story!

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

História de Portugal - Caderneta de Cromos (1969)


"História de Portugal", a lúdica e educativa caderneta de cromos da Agência Portuguesa de Revistas. Segundo o anúncio, "não existe acontecimento ou figura histórica da lusa pátria que alguém não aprenda de cor e salteado!". E os cromos para colar na caderneta eram vendidos a 5 tostões, cada 3 cromos. "Coleccionar...é aprender!"
Esta colecção de cromos foi editada pela primeira vez em 1953, e durante as duas décadas seguintes foi reeditada várias vezes. A primeira edição era composta por 203 cromos, mas a edição que nos ocupa, de 1969, era a 15ª edição e contava com 205 cromos, ilustrados por Carlos Alberto Santos.
Podem fazer download de caderneta a cores aqui: Caderneta Cromos - História de Portugal (1969).

Cromo da página 44 - D. Afonso VI.

Cromo da página 44 - A guerra da Restauração.
Algumas imagens da edição de 1969:



 Claro que não podia faltar o cromo lambe-botas do doutor Oliveira Salazar:

Retirado da revista "Mundo de Aventuras" #1018, Agência Portuguesa de Revistas (APR) de 1969.

 Actualização:



"Já não receio <> em História... sei a História de Portugal de ponta a ponta! Com o belo álbum História de Portugal não existe acontecimento ou figura histórica da lusa pátria que eu não saiba de cor e salteado! É uma maravilha"
 
Retirado da revista "Tarzan - Suplemento Mundo de Aventuras" #06, Agência Portuguesa de Revistas (APR) de 1969.



Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Tulicreme e livrinhos Astérix (1969)

Cinco anos após o lançamento, o "Tulicreme" associou-se à imagem de uma famosa personagem: o intrépido gaulês Asterix. estou a escrever isto antes do pequeno-almoço e esta imagem já me deu fome...
Aliás, podem reparar na inscrição "coleccione mais 6 novos livrinhos". Exacto, segundo o blog "História dos Quadradinhos", a colecção começou em 1968, e consistia em 17 livrinhos de 5x5 centímetros!
Um das capas destas edições da Ibís:
Fonte: BDPortugal

Anúncio retirado da revista "Mundo de Aventuras" #1018, Agência Portuguesa de Revistas (APR) de 1969.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

domingo, 21 de setembro de 2014

Colecções Cow-Boy e Seis Balas (1969)

O que é quase tão bom como uma "oferta grátis"? Só uma "oferta quase grátis". Neste caso "das duas mais populares colecções de aventuras do Oeste americano", "Cow-Boy" e "Seis Balas", com 64 páginas e 6 desenhos. Procurei mais detalhes sobre estes livrinhos de segmento económico, e encontrei no textos "A Agência Portuguesa De Revistas - Um Tempo de Livrinhos (1962-1968) "  e ""APR - Anos de Ouro (1958-1962) - Parte II"" de João Manuel Mimoso. Alás, recomendo a leitura do site todo para quem quiser entender melhor a história da APR e outros assuntos interessantes.

Capas:
"6 Balas Nº 1"
Fonte: A História da Agência Portuguesa de Revistas

"Cow-Boy Nº 21"
Fonte: A História da Agência Portuguesa de Revistas

Anúncio retirado da revista "Mundo de Aventuras" #1018, Agência Portuguesa de Revistas (APR) de 1969.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

sábado, 20 de setembro de 2014

Slam 'n Jam '95 (1995)


"Slam 'n Jam '95" é um videojogo de 1995 (duh) para 3DO Interactive Multiplayer (3DO para os amigos), que a Wikipedia indica ter sido a primeira consola doméstica de 32-bits (fabricada por várias empresas, sendo o mais famoso o da Panasonic).

Não sou grande gamer, e ainda pior a nível de jogos desportivos jogos desportivos (além dos de futebol, só me lembro de experimentar o NBA JAM. Bons tempos do aluguer barato de jogos!), por isso, abordei este porque encontrei entre os meus recortes dos anos 90, uma página da revista "Correio da TV" ( do Jornal Correio da Manhã) com a rúbrica "Videojogos", escrita por Pedro Amaral.
E o jogo dessa semana era portanto o "Slam 'n Jam '95", um simulador de basquetebol:


"É capaz de provocar um impacto visual considerável, mesmo em quem está habituado à qualidade dos títulos para esta máquina, contudo, em termos de jogabilidade, podia ter-se ido mais longe". "A Crystal Dynamics conseguiu trazer para o ecrã todo o espectáculo e emoção que rodeiam cada partida, com pavilhões sempre cheios de um público entusiástico", basicamente meia dúzia de pixels aos saltos, mas que na época, comparado com o existente, acredito que fosse boa qualidade gráfica. E apesar de indicar que as opções disponíveis são o habitual, e  que o nível de dificuldade é elevado, Pedro Amaral conclui que estamos "perante um excelente simulador de basquetebol, que curiosamente, oferece mais espectáculo a quem assiste do que a quem está a jogar.", e atribui uma nota global de 85%. Parece divertido, para quem gosta de jogos de basquetebol.


Video do utilizador "Nice and Games":



Como bónus, deixo aqui o rodapé da página dos "Videojogos", com o correio dos leitores. Desta vez, um leitor de Tomar enviou códigos de acesso para os níveis dos jogos "Krusty's Fun House", "Slider", "Chuck Rock", "Lemmings", "Pengo" e "Shinobi", todos para Game Gear. Outro leitor, de Queluz, anúncia que vende ou troca a consola Master System II.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Trabalhos Manuais - Parte 2

Já falei dos meus Trabalhos Manuais, e de como nunca tive oportunidade de experimentar com metais e argila, visto que só tive um ano dessa disciplina. Hoje vamos dar uma olhada aos trabalhos mais avançados, da Ana Trindade.


Dois trabalhos da disciplina de Trabalhos Manuais, do 5º Ano, o bordado e a moldura:
 Não me perguntem que ponto ou tipo de bordado é, isso é chinês para mim!

Resultado das aulas de Trabalhos Oficinais - Mecanotecnia (7º ou 8º Ano): um chaveiro em metal. A Ana Trindade diz que este ainda está em uso.

Uma bonita prateleira com cavalos marinhos,  fruto da disciplina de Trabalhos Oficinais - Madeiras:

Um banco em dois sentidos, este banco-mealheiro, feito em Trabalhos Manuais - Madeiras ( provavelmetne no 6º Ano). A Ana Trindade acrescenta que "neste ano fiz ainda uma caixa em madeira. Estava tão gira que foi das poucas que foi vendida numa venda de solidariedade organizada pela escola...". Ao pé deste, o meu saleiro do 5º ano é uma vergonha...

E para finalizar, o que julguei ser um álbum de fotografias, é um Bloco de Folhas, e "serviu para recolher as assinaturas e versos de final de ano":
Como podemos ver na foto seguinte:
Na maior parte das vezes, a minha turma dava os cadernos ou livros para serem assinados... Um bloco só para isso foi muito bem pensado!


Leia ou releia:


Mais cromos da Ana Trindade: "Enciclopédia de Cromos - Ana Trindade".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Livros Escolares - 5ª Ano de Escolaridade (Anos 80)


Para os jovens estudantes, a fase seguinte à conclusão do ensino Primário é o ensino Preparatório. Pessoalmente foi uma mudança que temi muito, pois ouvia histórias horríveis sobre o que faziam aos novatos chegados á escola, conhecida simplesmente por "O Ciclo" em Olhão. Tais eram os relatos, que eu imaginava a necessidade de começar as aulas envolto numa armadura medieval. Não consegui arranjar uma, mas não foi assim tão mau como esperava, apesar do nível de bulling subir em flecha. No primeiro dia de aulas somente recordo de uns empurrões que "acidentalmente" me encheram a mochila e conteúdo de iogurte líquido. Recordo ainda que na sexta-feira de apresentação do ano lectivo de 1989/90 caiu uma chuvada épica que enchia as ruas de água. Felizmente arranjámos boleia de automóvel, mas ficámos encharcados na mesma.
Mas, não vão ser os meu livros que vamos ver hoje, mas os da Ana Trindade:

"Nova Gramática Viva" - 5º e 6º Anos de Escolaridade

"Portugal: A Terra e a Gente" - Estudos Sociais

 "Os Segredos da Palavra 1"

"Tempo de Recriar" - Trabalhos Manuais
De notar que estes quatro primeiros livros, sendo da mesma editora (Edições Asa) mantém uma identidade visual uniforme.


"Investigar e Aprender" - Ciências da Natureza

"Hitch-Hickers" - Iniciação à Língua Inglesa

"Aprender Matemática 1"

Chamo a atenção para esta ilustração:
Além das tradicionais pastas escolares, os mais modernos dossiers debaixo do braço, e o walkman enfiado nas jeans e os headphones a bombar os êxitos da época. A capa que demonstra que matemática é divertida! (publicidade enganosa!)

Leia ou releia:

Mais cromos da Ana Trindade: "Enciclopédia de Cromos - Ana Trindade".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

Oito e Oitenta (1990)

por Paulo Neto

Os Jogos Sem Fronteiras eram sem dúvida o ponto alto da época estival em termos de televisão, mas ocasionalmente havia outros programas que tentavam reproduzir a dinâmica dos JSF, mas a uma escala menor. Recordo por exemplo os "Jogos de Água" e as "Belezas de Verão" (este nos primórdios da SIC). Mas o exemplo mais memorável foi talvez "Oito e Oitenta" que foi talvez o mais parecido com uns Jogos Sem Fronteiras infantis que se realizou em Portugal. Filmado em Tróia e apresentado por Júlio Isidro, "Oito e Oitenta" foi exibido ao longo de Verão de 1990 aos Domingos à tarde.




Em cada programa, duas equipas formadas por crianças e jovens de dois distritos de Portugal defrontavam-se num total de onze jogos (que eram sempre os mesmos, mas cuja ordem variava a cada programa). Cada equipa tinha oito elementos (quatro rapazes e quatro raparigas) mais um suplente entre os 6 e os 12 anos, sendo que quatro dos elementos tinham de ter entre 6 e 8 anos (designados os "oitos") e os outros quatro entre 9 e 12 (os "oitentas"). O programa também tinha duas mascotes que, surpresa das surpresas, eram o Oito (um boneco gorducho, baixote e caixa de óculos) e a Oitenta (que pelo contrário era uma boneca alta e esguia com dois totós na cebeça). 

Estes eram os onze jogos:

Olhó Passarinho: Os concorrentes tinham de ir trocar de roupa numas vestiários e vestir trajes de praia à moda antiga para tirar uma fotografia à la minute

Gaivotas Em Terra: Os concorrentes (dois "oitos" e dois "oitentas" por equipa) tinham de fazer um percurso num quadriciclo e pelo caminho tinham de fazer algumas provas como fazer corrida de sacos, soprar balões até estes rebentarem ou tirar uma bolacha com a boca num prato com farinha.

Sempre A Aviar: Os "oitentas" deslocavam-se pela piscina numa jangada até chegar a um barco viking para apanhar e transportar mantimentos, atirados pelos "oitos", no percurso de volta. Elementos da equipa adversária lançavam canhões de água para dificultar-lhes a prova.

O Piquenique: Deslizando por uma rampa numa chávenas com rodas, dois "oitos" e dois "oitentas" de cada equipa transportavam os alimentos para o piquenique numa toalha no chão, ganhando a equipa que mais depressa colocasse os alimentos nos lugares indicados na toalha e tivesse os quatro elementos sentados em cada um dos lados da toalha.



Maxi Bilhar: Numa mesa de bilhar em grande escala, três elementos de cada equipa manejam um enorme taco de bilhar e respectiva base, tentando enfiar as bolas em cada um dos buracos da mesa. Era habitual que alguns dos petizes, pouco familiarizados com as regras do bilhar, confundissem o taco por um stick de hóquei e batessem as bolas de lado. 

Dança das Matrafonas: Calçados com uns sapatos gigantes e aos pares de mãos dadas, os concorrentes têm de fazer um percurso e vestir uns fatos gigantes reproduzindo trajes tradicionais. A cada uma das três rondas, há sempre um par que fica de fora pois há sempre menos dois fatos que o número de concorrentes.

Esquimó Fresquinho: Vestidos com casacos de esquimó e calçados com umas raquetas nos pés, quatro elementos de cada equipa tentavam construir um iglu com blocos a imitar blocos de gelo.

Há Mar e Mar: Numa piscina, as duas equipas tinham que fazer um percurso de bóias flutuantes e colocar peças num recipiente.

Os Vegetais Fugitivos: Uma equipa vestida com fatos em forma de vegetal entrava num recinto e alguns segundos depois, a outra equipa tinha que os apanhar. 

Torneio do Balancé: Os "oitos" de cada equipa, montados num balancé, tinham que arrebentar balões com umas varas enquanto os "oitentas" ajudavam-nos a dar impulso puxando umas cordas. 

O Tesouro dos Vikings: Primeiro as equipas tinham que acertar com umas bolas num buraco na barriga de um viking. De seguida tinham de pôr uns sacos numa jangada, atravessar a piscina e chegar a um barco. Lá recebiam uma chave e faziam o percurso de volta para abrir a arca do tesouro

Em cada jogo, a equipa vencedora ganhava oitenta pontos e a equipa vencida oito pontos. No final, a equipa com mais pontos acumulados ao longo dos jogos recebia as faixas de campeão e cada um dos elementos da equipa ganhava uma bicicleta, um skate, um walkman, um barco de borracha e uma mala térmica da Coca-Cola, o patrocinador do programa. Cada elemento da equipa vencida recebia uma faixa de vice-campeão e os mesmos prémios excepto o barco de borracha. Além disso, ambas as equipas tinham direito a um prémio surpresa consoante um símbolo escolhido, que podia ir de oito frisbees a oitenta pacotes de ovos de chocolate. Ah, e os concorrentes eram vestidos pela Cenoura, como não podia deixar de ser!   

Se eu já aqui lamentei nunca ter havido uma equipa de Torres Novas nos Jogos Sem Fronteiras, eu lembro-me que pelo menos no "Oito e  Oitenta", a equipa de Santarém tinha dois rapazes do meu concelho. E também me lembro de ficar muito orgulhoso da abada que a equipa de Santarém deu à congénere de Beja, ganhando nove dos onze jogos. 

Na finalíssima apuraram-se as equipas de Santarém e Lisboa, as equipas que tinham obtido a maior pontuação ao longo das onze emissões oficiais (a primeira sessão transmitida foi uma sessão experimental com crianças da zona de Tróia). Mas aí Santarém acabou por ceder perante a equipa lisboeta (da qual faziam parte uma Diana Chaves com apenas oito anos e a sua irmã Petra, nadadora olímpica em 1996, como poderão ver no video aí em baixo). 
Além dos jogos, cada sessão do programa tinha um convidado musical. Por lá passaram nomes como GNR, Peste & Sida, Miler Ife Dada, Onda Choc e Adelaide Ferreira.

Eu lembro-me de ter acompanhado o programa e de gostar dele. Num tempo onde se andava a outra velocidade, aqueles jogos divertidos e a habitual simpatia de Júlio Isidro eram mais que suficientes para encher o olho ao meu eu de 10 anos. Só mais tarde ao rever o programa na RTP Memória (actualmente está em exibição neste canal) é que percebi que afinal não era assim tão grandioso e elaborado. Por exemplo, os jogos "Sempre a Aviar" e "Tesouro dos Vikings" eram basicamente o mesmo jogo e vários props eram usados para diversos jogos. No entanto, não deixava de ser uma bom programa e foi pena que, apesar do potencial, o programa não teve continuidade nos anos seguintes.

Informações sobre o programa (agradecimento a Miguel Meira pelos dados fornecidos):
PROGRAMA 01 – 24/06/1990 – Sessão experimental - DA VINCI 
PROGRAMA 02 – 01/07/1990 – Aveiro vs. Porto - GNR
PROGRAMA 03 – 08/07/1990 –  Faro vs. Guarda - PESTE & SIDA
PROGRAMA 04 – 15/07/1990 – Viana do Castelo vs. Vila Real - ADELAIDE FERREIRA
PROGRAMA 05 – 22/07/1990 – Bragança vs. Viseu - TRABALHADORES DO COMÉRCIO
PROGRAMA 06 – 29/07/1990 – Beja vs. Santarém - BAN
PROGRAMA 07 – 05/08/1990 – Castelo Branco vs. Coimbra - ONDA CHOC
PROGRAMA 08 – 12/08/1990 – Braga vs. Setúbal - UHF
PROGRAMA 09 – 19/08/1990 – Leiria vs. Lisboa - DELFINS
PROGRAMA 10 – 26/08/1990 – Funchal vs. Horta - LENA D’ ÁGUA
PROGRAMA 11 – 02/09/1990 – Angra do Heroísmo vs. Évora - MLER IF DADA
PROGRAMA 12 – 09/09/1990 – Ponta Delgada vs. Portalegre - XUTOS & PONTAPÉS
PROGRAMA 13 – 16/09/1990 – Finalíssima: Lisboa vs. Santarém - RUI VELOSO


Início da finalíssima com a apresentação dos concorrentes:


Vários momentos dos diversos jogos do programa:





quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Livros Escolares - 4ª Classe (Anos 80)


No final do artigo podem encontrar as ligações para os artigos anteriores sobre este tema dos livros escolares dos anos cromos, todos cortesia da Ana Trindade. Como bónus, a maioria dos manuais deste ano estão forrados com plástico transparente de padrões com linhas, lembram-se?

"Aos Quatro Ventos" - Leituras e Fichas de Trabalho

"A Minha Gramática" - Até agora foi este o único manual escolar que reconheci sem sombra de dúvida, lembro-me bem desta ilustração na capa:

"Novo Quadrado Mágico 4"

"Matemática Individualizada"

 Duas páginas interiores de "Matemática Individualizada" com as Fichas de Verificação:

"Borboleta Azul 4" - Meio Físico e Social

"Colecção Natureza" - Fichas de Avaliação Final

E novamente, uma Tabuada, muito bem ilustrada (pelo menos na capa):


Leia ou releia:

Mais cromos da Ana Trindade: "Enciclopédia de Cromos - Ana Trindade".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...