sábado, 30 de julho de 2016

Coisas Irritantes dos Anos Cromos





É comum ver muitos textos ou expressões de nostalgia que por vezes são confundidos como saudosismo.
Mas, obviamente nem tudo "no antigamente" era bom, como hoje e sempre. E já algum tempo que me dediquei a compilar alguns desses incómodos, chatices, que originavam problemas maiores ou menores ou simples irritações momentâneas. Comecei por indicar as que senti na pele, depois anotei queixas recorrentes e conto com os nossos leitores para ampliar esta lista.
Apresento então em seguida uma lista de coisas quotidianas em outros tempos que já não afligem as gerações actuais ( ou pelo menos da forma que incomodava antes).


CHATICES TECNOLÓGICAS:
    Falhas de energia; prolongadas e com reparações à hora dos desenhos animados!


    Discos riscados, ou quando saltava a agulha. Pior, quando descobriam que o vosso disco favorito dos Baltimora foi partido pelo vosso irmão mais novo que andou a jogar frisbee.

    O drama quando o leitor de vídeo ou o leitor de cassetes de música comiam ou partiam as fitas. Se não ficassem inutilizadas sempre podíamos usar um lápis ou uma caneta para as enrolar...

    Quando o animador da radio falava por cima da musica que estávamos a gravar. Lembro-me de insultar a viva voz o locutor da Rádio Cidade depois de minutos em espera com o dedo no botão do "Rec" para gravar os singles do Godzilla de 98 e ver a gravação interrompida com conversa. Não era fácil ser pirata.

    Ter que rebobinar cassetes para encontrar cena do filme ou musica especifica. Ou pior, trazer a cassete do clube de vídeo e não estar rebobinada!
    Quando a cassete não dava para gravar o filme ou disco inteiro!!
    Querer alugar "aquele" filme e não estar disponível nenhuma cópia.

    Tirar fotografias. Além de caro era demorado, tanto as foto passe como as caseiras. 
    A ansiedade de esperar até acabar o rolo para as poder revelar.
    Ir revelar as fotos (com rolos no máximo de 36!) e saírem fotos desfocadas, com um dedo na frente ou o jackpot de uma dupla exposição!
    O Spectrum a carregar os jogos durante uma eternidade. Nunca tive Spectrum mas tive que esperar com ansiedade na casa de um amigo que o Comando carregasse... Pior ainda, se desse erro de carregamento!

    Não poder salvar o progresso dos jogos.  O Sonic ficava sem vidas quase no fim do nível? Começavas tudo de novo!

    Deixar cair uma caixa de disquetes ao chão. E teres que voltar a repartir o conteúdo por mais 25 disquetes novas.
    Telefone de disco. Não tinha sido mais fácil inventar logo com os botões?

    E quando acabava a chamada nas cabines públicas por falta de moedas?
    Já em finais dos 90, com a Internet em casa, com o modem a demorar séculos a estabelecer a ligação com aquele som de perfurar tímpanos.

    Receber uma conta enorme da Internet...Mãe, juro que não fui eu...

    CHATICES TELEVISIVAS:

    Moscas na TV, interferências, o vento mexer a antena. Pesadelo distante para a geração da TV de alta definição.



    Levantar o rabo do sofá para mudar de canal. Apesar de existirem "lá fora" desde os anos 50, imagino que boa parte dos portugueses só lá para os anos 90 teve um comando remoto para a televisão.



    Quando a programação não tinha 24 horas,  que era chato para quem sofria de insónias ou acordava muito cedo.
    "Problemas técnicos" que causavam os enchimento de chouriço com videoclips, ou desenhos animados ( que quando os problemas eram resolvidos eram impiedosamente interrompidos).

    Esperar pelo fim da mira técnica (apito irritante, até começar música) e esperar pela abertura. Odiava Formula 1 aos Domingos ou programas especiais no lugar dos bonecos.
    Actividades ou imprevistos à hora dos desenhos animados (Sábados e Domingos principalmente) ou alguma coisa especial. Porque nem toda a gente tinha gravador VHS - ao contrário da popular belief - e perder um programa podia significar ficar sem saber como acabava uma série adorada, que podia nunca mais repetir na TV. Não podíamos correr para o Youtube ou voltar com a TV atrás. Como eu odiava as minhas aulas de ginástica ao sábado de manhã!
    Sintonizar os diferentes canais. Passava horas a tentar sintonizar o melhor possível os canais espanhóis, cheguei a apanhar 11 no total.
    Quando o guia TV estava errado. O drama, a tragédia, o horror!
    Quando o teu favorito perdia no "Agora Escolha"... Em compensação sempre tinhas visto uma bonecada enquanto esperavas.
    O suspense do final do "1,2,3" era insuportável. O carro? A casa? Um contentor de 1000 martelinhos de S. João?
    Esperar cerca de dois anos para rever um filme na TV, só tive VHS no final dos anos 90, portanto na maioria da juventude restava-me esperar..


    MODAS IRRITANTES. OU PARVAS:
    Calças de flanela e outros tecidos que picavam a pele.
    Casacos de penas. No gélido Algarve também foram moda...
    Fatos de treino berrantes. Porquê?

    Enchumaços no ombros. Porquê senhoras, porquê?

    Cabelos armados, permanentes e guedelhas. Por todo o lado se viam clones da Margaret Tatcher, das senhoras do Dallas ou do guedelhudo MacGyver!






    CHATICES ESCOLARES:
    Ser o caixa-de-óculos da turma. Tenho impressão que hoje em dia quase 90% dos miúdos é míope.
    Comprar toneladas de material para trabalhos manuais que nunca usavas. Gostava de usar o picotador, mas quase nunca acontecia. E no ano seguinte, toca a comprar tudo outra vez! (Actualmente, desconheço se continua a acontecer).
    Cantar o hino nacional na escola, entre outros resquícios do tempo da "outra senhora"...
    Castigos corporais na escola. Felizmente só apanhei com uma cana ao de leve na cabeça, por estar distraído. Mas fui testemunha de uma professora partir uma grossa régua de madeira escura na mão de um colega.

    Fazer trabalhos escolares à mão. Ou escrito à máquina. Tudo a correr bem, e no último parágrafo da página enganavas-te e começava tudo de novo. Abençoados computadores com corrector ortográfico!




     CHATICES AVULSAS:
    A praga da Macarena. Do Samba. E do....enfim, já perceberam....

    Não conseguir completar a colecção de cromos. Só saia repetidos e não tinhas dinheiro ou não ias a
    tempo de encomendar os que faltavam...
    Ir ver o KITT numa exposição e não ter uma fotografia para recordar!
    Resistir as borrachinhas e coisas com cheirinhos e aspecto apetitoso que davam vontade de comer, mas que se tinhas mais de 3 anos e não eras idiota sabias que não devias ingerir... 

    A chatice de passar a fronteira. Nas viagens a Ayamonte ao regressar ao barco primeiro tinha que se passar a revista em busca de tabaco, e outros contrabandos...
    Não conseguir completar o Cubo de Rubbik ( e deprimentemente descolar os autocolantes para  parecer que sim. Não fui eu. contaram-me.)

    O buraco do ozono. Ele queria destruir-nos mas parece que conseguimos fechá-lo. Valeu a pena deitar fora o frigorífico velho e as latas de laca da mãe...

    O receio da bomba atómica e que a Guerra Fria descambasse num Holocausto Nuclear.


    Consumia-se tabaco em todo o lado. Ninguém, crianças e adultos, estava livre das baforadas carregadas de tóxicos.
    Abrir conservas com uma chave antes das latas de abertura fácil. Para mim nunca muito fácil porque até hoje tenho um pavor de cortar os dedos na lateral da tampa...

    Caros leitores, gostaram de recordar estas coisas irritantes dos anos 70, 80 e 90? Se tiverem lembranças ou exemplos que queiram partilhar com a Enciclopédia contactem pelas mensagens da nossa página de Facebook ou por correio electrónico: cine31@gmail.com.


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    quinta-feira, 28 de julho de 2016

    Euronico (1990)

    por Paulo Neto

    Hoje não é bem assim, mas em 1990 a então Comunidade Económica Europeia inspirava bastante optimismo juntos dos seus países membros, nomeadamente Portugal que entrara para a CEE quatro anos antes, com a ideia de uma grande família europeia com um mercado comum e a livre circulação de pessoas e mercadorias dentro do seu espaço.
    No entanto, tal não impedia de que, sobretudo através do humor, fossem apontadas as taras e manias de cada um dos países da CEE e os aspectos menos eufóricos dessa união.



    Depois de "Nicolau No País das Maravilhas" e duas encarnação do "Eu Show Nico" (1981 e 1987) e depois do sucesso da apresentação do concurso "Jogo de Cartas", Nicolau Breyner voltava aos programas de humor com "Euronico", onde o tema principal era precisamente a CEE e os seus então doze países membros. Do elenco principal faziam parte  também Fernando Mendes (quando ainda era somente um tamanho L no máximo), Rosa do Canto, Morais e Castro, Estrela Novais, Luís Aleluia e Mafalda Drummond. Alguns skteches fixos contavam também com a presença de nomes como Cristina Homem de Mello, Aristides Teixeira, o cantor Paulo Alexandre e as duas assistentes do "Jogo de Cartas", Maria João Lopes e Felipa Garnel (que com o seu aspecto nórdico, era ideal para fazer de Dinamarca), isto além de participações especiais de gente como Francisco Nicholson, Florbela Queiroz, José Raposo, Luís Esparteiro e Cristina Areia. Além do próprio Nicolau Breyner, os textos eram da autoria de Rosa Lobato Faria, Thilo Krassman e Nuno Nazareth Fernandes.

    Estreado a 20 de Setembro de 1990 e exibido nas noites de quinta-feira da RTP1, cada programa de "Euronico" era dedicado a um dos países da CEE, sendo que o 13.º e último foi um compacto dos melhores momentos do programa. Aqui em baixo, está a lista da data de exibição de cada programa, com a referência ao país que servia de tema ao respectivo episódio e os convidados musicais.



    1.º programa 20/9/1990 - Grécia - Paco Bandeira
    2.º programa 27/9/1990 - França - Carlos Mendes
    3.º programa 4/10/1990 - Luxemburgo - Elvira Ferreira
    4.º programa 11/10/1990 - Dinamarca - João Braga
    5.º programa 18/10/1990 - Reino Unido (erroneamente referido como Inglaterra) - Adelaide Ferreira
    6.º programa 25/10/1990 - Itália - Paulo de Carvalho
    7.º programa 1/11/1990 - Espanha - Luís Represas
    8.º programa 8/11/1990 - Holanda - Simone de Oliveira
    9.º programa 15/11/1990 - Bélgica - Eugénia Melo e Castro
    10.º programa 22/11/1990 - Irlanda - Jorge Palma
    11.º programa 29/11/1990 - Alemanha - Mara Abrantes
    12.º programa 5/12/1990 - Portugal - Marco Paulo
    13.º programa 12/12/1990 - best of

    Eis alguns do sketches recorrentes:

    Bate o Pau e Sobe o Pano: Simeão (Breyner), líder carismático da sociedade recreativa "Bate o Pau e Sobe o Pano" pretende levar a cabo uma encenação teatral de fazer encher o olho às altas autoridades europeias. O pior é que o resto da companhia não está pelos ajustes: Salgado (Castro) insiste que em vez das ideias estrangeiras de Simeão (que mudam consoante o país-tema de cada episódio), deveriam representar a peça da "Micas Coxa Rainha da Madragoa" (o que por fim acontece no último episódio); o Catita (Mendes) não ata nem desata, a não ser que o assunto seja futebol e pelo meio vai recomendando a todos um chazinho da sua ervanária; as três mulheres da companhia, a empertigada Carolina (Novais), a brejeira Dadá (Drummond) e a ingénua Alicita (do Canto), disputam o protagonismo; e o dono do bar (Aleluia) vai mandando as suas bocas. No final, suspira Simeão: "Ai, Europa, Europa, andamos a mangar com a tropa".

    O Sertório: Em jeito de cantiga, o Sertório (Breyner) promove alterações no mapa da Europa diante de 12 representes dos países da CEE. E no final, cantam todos: "Todos, todos, a cantar de pé/ Viva, viva, viva a CEE/ A Grécia, a França, a Holanda, a Alemanha, a Bélgica e o Luxemburgo/ A Europa avança e o Sertório acerta tudo./ Todos, todos, a cantar de pé/ Viva, viva, viva a CEE/ A Inglaterra, a Irlanda, a Dinamarca e Portugal/ A Espanha e a Itália, união sensacional"

    Zizi Porcalheira e Dona Carlota: os sketches destas duas matrafonas encarnadas por Nicolau alternavam entre si: numa semana era a crónica social de Zizi Porcalheira directamente da sua chiquérrima barraca para relatar os eventos mais "in" do seu bairro de lata, noutra eram as lamúrias da Dona Carlota, telefonista do Parlamento Europeu, saudosa dos encantos de Portugal.

    Senhor Doutor: um sketch recorrente musical numa sala de aula com Breyner no papel de professor e Rosa do Canto e Mafalda Drummond como as alunas. Em cada episódio e consoante o país-tema, os três cantavam a variação de uma canção que tinha como refrão: "Senhor Doutor, por favor/ Não acha tudo um horror?/Pois para mim, está em enfim, tudo assim-assim/Está nem não nem sim".

    Figuras históricas: consoante o país-tema, Nicolau parodiava conhecidas figuras históricas: por exemplo um Hans Christian Andersen com pouca paciência para aturar criancinhas, um Henrique VIII que conhece a próxima dama a quem vai cortar a cabeça desposar mas está de olho fisgado na intérprete e um imperador Nero que em vez de harpa toca guitarra eléctrica durante os seus delírios incendiários.

    Carlos Grosso: numa paródia ao célebre repórter da RTP Carlos Fino, o repórter Carlos Grosso (Breyner) informa as últimas sobre os acontecimentos europeus. O que seria tudo muito bem, não fosse ele fazer jus ao nome e andar sempre grosso.

    Dia Mundial: a cada episódio é anunciado que aquele era o dia mundial de alguma coisa, geralmente relacionada com o país-tema do respectivo programa. Houve por exemplo o Dia Mundial do I Grego, da Casca de Cebola, da Roda Dentada, da Candonga, do Queijo Flamengo e da Couve de Bruxelas. Seguia-se um inquérito de rua onde se perguntavam a pessoas reais sobre esse respectivo dia mundial (com a resposta mais habitual a ser "Inventam Dias Mundiais para tudo!") e um interlúdio musical onde alguém do elenco fixo ou o convidado musical cantava um curto trecho sobre o objecto desse Dia Mundial. Seguramente que Eugénia de Melo e Castro nunca se imaginara a cantar sobre couves de Bruxelas ou Simone de Oliveira sobre queijo flamengo (ainda que ela já tivesse cantado um fado sobre iscas.)  

    Dueto Musical: em cada semana Nicolau Breyner cantava um dueto com o convidado musical, geralmente um tema do repertório deste último. Neste vídeo vemo-lo a cantar "Dava Tudo" com Adelaide Ferreira.



    Mercado Comum: um sketch onde os 12 países da CEE eram representados por doze vendedores de um típico mercado, cada um vestido com um fato tradicional do respectivo país e também sempre em jeito de cantiga. 




    Os Piratas: recuperando o sketch da segunda vaga do "Eu Show Nico", tínhamos de novo Nico a chefiar um bando de piratas numa ilha perdida algures no Atlântico. A cada semana, chegava à ilha um cidadão do país-tema de cada programa, mas quando este revelava as piratarias mais sofisticadas que andou a fazer pela Europa, todos exclamam "Ah, e os piratas somos nós" e expulsam o forasteiro da ilha, seguindo-se mais uma variação da cantilena do célebre refrão: "Somos piratas, somos piratas/ Só não trazemos as gravatas/ Não sabemos fazer nós/ Há mais piratas e com gravatas/ Que usam luvas mas os piratas somos nós."



    http://videos.sapo.pt/mfFrDrGVUNYmuvgn5ZsU

    sexta-feira, 22 de julho de 2016

    "How Bizarre" OMC (1995)

    por Paulo Neto

    Existem canções que parecem mesmo feitas para o Verão. Sim, também poderão ser ouvidas num dia invernoso mas não é a mesma coisa. E nos anos 90, houve uma canção cujo sucesso correspondeu à transição do Verão do Hemisfério Sul para o Hemisfério Norte. Um percurso que poder-se-ia dizer algo...bizarro. 

    OMC são as iniciais de Otara Millionaires Club, um nome irónico já que Otara é um dos subúrbios mais pobres de Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia. O grupo era na sua essência formado pelos irmãos Phil e Pauly Fuemana, que vinham de experiências em bandas rock e colectivos de rap, e pelo produtor Alan Jansson. Porém, apenas Pauly dava a cara pelo grupo.



    Em finais de 1995, lançaram o seu primeiro single "How Bizarre" que rapidamente tornou-se um hit na Nova Zelândia, ao ponto de terem de gravar um videoclip à pressa por meia dúzia de tostões para ter algo para enviar às televisões. No início de 1996, "How Bizarre" era n.º 1 na Nova Zelândia e na Austrália e quando o Verão desse ano chegou ao Hemisfério Norte, a atmosfera solarenga do tema não tardou a conquistar a Europa e América do Norte, chegando também ao n.º 1 dos tops de Áustria, Irlanda e Canadá.



    No entanto, devo dizer que "How Bizarre" foi uma canção que me custou muito a assimilar: se por um lado gostava da parte instrumental, dos arranjos ao estilo mariachi e das partes da voz feminina, interpretadas por Sina Saipaia, irritava-me um pouco a voz de Pauly Fuemana, que soava como se estivesse a fazer um grande frete ao gravar a canção.

    Capa do álbum

    Apesar do álbum, também intitulado "How Bizarre", ter sido bem recebido pela crítico e ter sido platina nos Estados Unidos, todo o sucesso subsequente dos OMC ficou praticamente restringido à Nova Zelândia, nomeadamente o single de 1998 "Land Of Plenty". Entretanto Pauly Fuemana e Alan Jansson entraram em disputa em tribunal sobre os direitos de autor, onde o primeiro ganhou os direitos sob o uso do nome OMC. Porém em 2005, após a morte do irmão Phil Fuemana por ataque cardíaco, Fuemana e Janson fizeram as pazes e voltaram a fazer música juntos. O single de 2007 "4 All Of Us" teve a participação especial da actriz Lucy Lawless, a eterna Xena.

    Infelizmente, o projecto terminou em 2010 com a morte de Pauly Fuemana aos 40 anos por uma doença crónica semelhante a esclerose múltipla a 31 de Janeiro desse ano. Em sua homenagem, "How Bizarre" foi reeditado e regressou aos tops na Nova Zelândia. 
    Fuemana deixou o seu legado como um dos percursores do hip-hop e r&b polinésio e como um dos criadores de uma das canções que mais refrescaram o Verão de 1996 ao longo de todo o solstício planetário.

    Pauly Fuemana (1969-2010)

    "How Bizarre" foi considerada em 2001 a 34.ª melhor canção de sempre da Nova Zelândia e continua ser o maior êxito internacional de um artista daquele país, pelo menos até ao "Royals" de Lorde em 2013.

    Outros temas dos OMC:


    "On The Run"


    "Land Of Plenty"






       

    quinta-feira, 21 de julho de 2016

    Gelado Polos (1986)

    Para tentar refrescar este Verão escaldante nada melhor que recordar um gelado de outras épocas: "Polos" da Royal, gelados para preparar em casa. A publicidade ocupa quase toda a página com uma imagem da caixa dos gelados Polos, existentes nos sabores Laranja, Ananás,  Morango e Cola. Decerto abasteceram muitos frigoríficos dos lares portugueses.
    "Muito fácil de preparar...até as crianças preparam."


    Publicidade retirada da revista Mickey Nº 76, de 1986. 
    Uploader original desconhecido. Imagem Editada por Enciclopédia de Cromos.


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    terça-feira, 19 de julho de 2016

    A primeira maratona olímpica feminina (1984)

    por Paulo Neto

    Hoje parece a coisa mais absurda do mundo, mas durante muito tempo acreditava-se que uma mulher, ao praticar corrida, estava a prejudicar a saúde. Não sem muita misoginia e presunção, nos anos 20 a comunidade médica era largamente da opinião de que entre outras consequências nefastas, mulheres que corriam teriam mais dificuldade em ter filhos ou envelheciam mais cedo. 
    Daí que a estreia do atletismo feminino nos Jogos Olímpicos de 1928 em Amesterdão não foi vista com muito bons olhos e, à parte uma atribulada prova de 800m nessa mesma edição, até 1960 as mulheres não correram mais que 200m em Jogos Olímpicos. E em 1980, a prova olímpica de maior distância ainda eram os 1500m.



    Mas entretanto, as corridas femininas de longa distância já começavam a afirmar-se solidamente no panorama desportivo e desde os anos 70 que as mais famosas maratonas do mundo, como Boston e Nova Iorque, já incluíam a vertente feminina. Daí que se impunha que a prova feminina da maratona fizesse parte do programa dos Jogos Olímpicos de 1984

    Reza a história que se pode dizer que a primeira mulher maratonista olímpica foi a grega Stamatha Revithi. Impedida de participar na prova da maratona nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em Atenas em 1896, nos quais apenas competiram homens, Revithi decidiu correr o mesmo percurso da primeira maratona olímpica no dia seguinte ao da prova oficial e apesar de ter parado várias vezes pelo caminho, chegou ao fim da corrida após cinco horas. Mas pelo menos, fez o percurso, o que não se pôde dizer de sete dos corredores da prova masculina. 



    88 anos depois, a primeira maratona olímpica feminina teve lugar no dia 5 de Agosto de 1984, com cinquenta atletas de 28 países na linha de partida. Para muita gente, o simples facto de tal prova acontecer foi motivo de grande emoção e a organização prestou as devidas honras no início da prova, com uma pequena cerimónia onde as atletas entraram no estádio atrás da bandeira do seu respectivo país. Por Portugal, estavam presentes Rosa Mota, Rita Borralho e Conceição Ferreira.

    Rosa Mota, campeã europeia da maratona em 1982 em Atenas (quando nunca antes tinha corrido mais de 20 quilómetros, nem sequer em treino!), era uma das candidatas ao pódio. Mas as principais favoritas eram a americana Joan Benoit, recordista mundial da distância, e a norueguesa Grete Waitz, campeã mundial em 1983. Havia ainda que contar com a também norueguesa Ingrid Kristiansen, recordista mundial dos 10000 metros, a italiana Laura Fogli e a neozelandesa Lorraine Moller.

    Joan Benoit (USA) a primeira campeã olímpica da maratona

    No entanto, a vitória ficou decidida bem cedo, com Joan Benoit a arrancar isolada da frente da corrida aos 14 minutos, tomando a liderança que nunca mais perdeu. Pensando que a americana tinha cometido um enorme risco em atacar tão cedo e que não tardaria ceder, nenhuma das outras corredores se atreveu a ir com ela. Mas foi mesmo Benoit foi a primeira a cortar a meta, com o boné branco que usara ao longo da corrida numa mão e uma bandeira americana na outra, com o tempo de 2 horas, 24 minutos e 52 segundos. Mais tarde Benoit declararia que ao entrar no túnel que dava para o estádio, pensou: "A minha vida vai mudar assim que eu passar este túnel."

    Medalha de prata para Grete Waitz (NOR)


    Rosa Mota (POR) ganhou a medalha de bronze


    Grete Waitz, que no dia anterior acordara com dores tão fortes nas costas que nem sequer conseguia manter-se de pé, terminou em segundo lugar, a cerca de minuto e meio de Benoit. Nos quilómetros finais, Rosa Mota conseguiu superiorizar-se a Ingrid Kristiansen para ser terceira, a apenas 39 segundos de Weitz.

    Gabriela Andersen-Schiess (SUI)


    No entanto, tanto quanto as três primeiras, a 37.ª classificada acabaria por fazer história na primeira maratona olímpica feminina. Vinte minutos depois de Joan Benoit, a suíça Gabriela Andersen-Schiess, então com 39 anos e a trabalhar como instrutora de esqui no estado americano do Idaho, entrou no estádio em sérias dificuldades, toda curvada, com o braço esquerdo suspenso e a perna direita rígida. Toda a gente presente no estádio ficou indecisa entre encorajar a atleta a terminar a prova ou pedir para que ela fosse auxiliada, mesmo que isso lhe custasse a desclassificação. Os membros do corpo médico repararam que ela transpirava abundantemente, o que era um bom sinal, e deixaram-na continuar. Sob a enorme ovação do público, a helvética terminou a volta final ao estádio em cinco minutos e 44 segundos, para cair nos braços dos socorristas que a esperavam na linha da meta. 
    Apesar do seu calvário, o estado de Andersen-Schiess não era tão grave como se pensava e recuperou rapidamente, recebendo alta médica ao fim de apenas duas horas.
    E que não se pense que Gabriela Andersen-Schiess era uma atleta incipiente, já que em 1983 vencera duas maratonas nos Estados Unidos, em Sacramento e Mineápolis, e era a recordista nacional dos 10000m. Apenas cinco semanas depois da maratona, a helvética participou numa corrida no estado do Utah onde parte do percurso era feito em corrida e outra a cavalo. A atleta referiria mais tarde que o seu estado deveu-se em parte por ter falhado o último posto de reabastecimento de água, que a deixou a sofrer as consequências de desidratação naquele dia de intenso calor. Desde então, foi aprovada uma regra que permite ao corpo médico tocarem nos atletas para prestar assistência sem que estes sejam desclassificados. 

    Curiosamente, as duas atletas que terminaram a corrida logo a seguir a Andersen-Schiess foram as portuguesas Rita Borralho e Conceição Ferreira que tinham feito todo o percurso juntas e que cruzaram a meta de mãos dadas.    

    Outra atleta que passou por tormentos semelhantes aos de Andersen-Schiess foi a neozelandesa Anne Audain. Sentindo-se mal aos 27km devido a desidratação e não encontrando nenhum posto de assistência médica, acabou por desmaiar antes de poder terminar a prova. Felizmente, desmaiou mesmo ao  pé de dois bombeiros que assistiam à corrida e que lhe prestaram os devidos socorros e levaram-na para um hospital.
    A brasileira Eleonora Mendonça foi a última atleta a concluir a prova, em 44.º lugar, quase 28 minutos depois de Joan Benoit. Mas outra corredora poderia também tê-lo feito, mas foi tramada pela sua lentidão. Leda Diaz das Honduras ficou desde muito cedo bem para trás na prova: aos 20km, já estava a mais de 27 minutos das restantes atletas. Mais preocupados em retomar o trânsito em Los Angeles e em cumprir os horários das provas do que com o ideal olímpico de que o importante é participar e chegar ao fim da corrida, os membros da organização da prova convenceram a hondurenha a desistir.    



    Voltando às três primeiras, o pódio da primeira maratona olímpica feminina acabou por ser altamente emblemático ao acolher três das melhores maratonistas de todos os tempos: Joan Benoit com o ouro, Grete Waitz (infelizmente falecida em 2011) com a prata e Rosa Mota com o bronze. A "menina da Foz" tornava-se assim a primeira mulher portuguesa a ganhar uma medalha olímpica, com o seu feito a inspirar as medalhas de bronze de António Leitão nos 5000m e de ouro de Carlos Lopes na maratona masculino, fazendo dos Jogos de Los Angeles uns dos melhores de sempre para as cores nacionais. Rosa Mota também transportou a bandeira portuguesa na cerimónia de encerramento.

    E claro está, nos quatro anos que se seguiram, Rosa Mota foi indiscutível a melhor maratonista do mundo, enchendo Portugal de orgulho com as suas conquistas que culminaram, já se sabe, na medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de 1988 em Seul.

    A prova da maratona feminina de 1984 no filme "16 Dias de Glória":



    Gabriela Andersen-Schiess revive a sua prova:


    Transmissão na íntegra da prova da maratona pela ABC:



    sexta-feira, 15 de julho de 2016

    Missão: Impossível (1996)

    por Paulo Neto

    Antes do mais, devo dizer que a "minha" série "Missão: Impossível" não é a original dos anos 60 e 70 (1966-1973), embora também a tenha visto quando foi reposta por cá na RTP2 há uns anos, creio que em finais dos anos 90 ou inícios deste século, mas sim uma remake actualizada de duas temporadas de 1988 a 1990, que passou na RTP1 em horário nobre no início dos anos 90. Ao que parece, a cadeia americana ABC teve a ideia de fazer esse remake por causa de uma greve de argumentistas de 1988 que dificultou a recepção de novos guiões para a grelha da rentrée desse ano, e decidiu reabilitar a série, que contou de novo com Peter Graves no papel de Jim Phelps e que entre outros, tinha no elenco Jane Badler, a inesquecível Diana, a extraterrestre apreciadora de ratazanas, de "V - A Batalha Final", como um do agentes da equipa. Como as despesas de produção desse modo assim o compensavam, essa remake actualizada de "Missão Impossível" foi toda filmada na Austrália.



    Se hoje em dia, Hollywood parece não querer fazer outra coisa senão remakes e revisitações de tudo e de mais um par de botas, nos anos 90 as coisas não eram bem assim. Por exemplo, não era incomum que alguns filmes fossem convertidos em séries de televisão ("M.A.S.H." era então o caso mais célebre) mas o inverso era coisa rara, senão nunca vista. Por isso, havia muita expectativa quanto a uma adaptação cinematográfica da série "Missão:Impossível", sobretudo por ter Tom Cruise no papel principal e o consagrado Brian De Palma como realizador.




    Cruise é Ethan Hunt, um dos agentes da IMF reunidos por Jim Phelps (Jon Voight) para uma missão, onde também participa Claire (Emmanuelle Béart), a esposa de Phelps. O que parecia ser uma missão relativamente simples - recuperar uma lista secreta de agentes da embaixada americana em Praga - acaba em desastre com todos os agentes mortos excepto Hunt. Este descobre que a missão era um embuste para apanhar um traidor dentro da IMF e que foi tramado para que se pensasse que fosse ele. Decidido a resolver o mistério e a limpar o seu nome, Hunt aposta no jogo duplo, aceitando a proposta de Max (Vanessa Redgrave), uma negociante de armas que esteve em contacto com o verdadeiro traidor sob o nome de código de Job, em entregar-lhe a lista dos agentes da IMF em troca de dinheiro e da verdadeira identidade de Job.


    Com a ajuda de Claire, que afinal está viva, e dois agentes dispensados da IMF, Luther Stickett (Ving Rhames) e Franz Krieger (Jean Reno), Hunt concretiza o seu plano e eventualmente, conclui que Phelps é o verdadeiro traidor e que Claire e Kriegel serão seus cúmplices...
    Do elenco fizeram também parte Kristin Scott Thomas, Emilio Estevez, Ingeborga Dapkunaité e Henry Czerny.

    A adaptação cinematográfica de "Missão: Impossível" foi um grande sucesso de bilheteira, sendo o terceiro filme de maior sucesso de 1996. Tom Cruise, que andava até então mais interessado em papéis dramáticos com Óscar fisgado, reabilitou o seu estatuto como action hero. Desde então, já desempenhou o papel de Ethan Hunt em mais quatro sequelas. Porém também houve algumas críticas quanto às poucas ligações com a série original e a falta de densidade do argumento e vários dos actores da série original lamentaram o facto de Jim Phelps, o protagonista original, ser o vilão do filme. (Por esse mesmo motivo, Peter Graves declinou o convite para recuperar a personagem no filme).



    A cena mais célebre do filme é aquele em que Ethan Hunt suspenso por cordas a aceder à lista dos agentes da IMF numa sala de segurança hipermáxima onde basta que uma gosta de suor caia ao chão para accionar os alarmes. Cena essa que foi depois amplamente replicada e parodiada, por exemplo por Ben Stiller e Jeaneane Garofalo nos MTV Movie Awards desse ano.



    Outro aspecto do sucesso do filme foi a banda sonora (ainda que apenas cinco das quinze músicas do álbum tivessem sido usadas no filme), nomeadamente a readaptação do tema original da série, da autoria de Lalo Schiffrin, por parte de Adam Clayton e Larry Mullen Jr. dos U2. Essa nova roupagem do tema foi um hit global e tem sido desde então usado em várias imitações e paródias da "Missão Impossível".









      
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