domingo, 31 de março de 2013

Alta Voltagem (1996)


Cá está, um daqueles programas enterrados na memória dos anos cromos. E a causa deste "desenterrar" foi o próprio autor e apresentador do programa, num texto no seu Facebook. O seu nome é Rui Unas, e o programa o "Alta Voltagem" da RTP1. No texto (aqui) o próprio convida os internautas a fazer pouco da sua inexperiência de então, no seu primeiro trabalho como apresentador. 
Portanto aqui fica a introdução da primeira emissão, e o genérico de "Alta Voltagem":


Aqui temos Unas sem barba e numa "perspectiva jovem, feita por jovens, para jovens", em que fala sobre a linguagem e o estilo jovem (sim, jovem), informal e espontâneo do programa:


O tema inicial e a banda sonora do programa é da autoria do músico José Carlos Matos.
Um excerto de 10 minutos de um programa, que inclui actuação ao vivo, entrevista numa piscina a Rui Duarte da banda de metal Ramp:


Actualização: Uma promo de Abril de 1997 - com a convidada da semana, Margarida Pinto Correia - colocada online pelo canal LusitaniaTV:

E do canal oficial do próprio Unas, uma reportagem de 1996 sobre uma novidade da altura, pelo menos para a maioria da população:


Apesar de na altura eu também ser jovem, não acompanhava com fervor (mas assistia) os programas com música na TV ou temáticas para os jovens, preferindo gravar cassetes das músicas que passavam na rádio, pirataria old school, ou ler sobre esses assuntos. Por isso não tenho mais recordações concretas deste "Alta Voltagem", mas ficou-me a ideia que foi algo diferente do panorama da altura, e isso é sempre de louvar!

No Facebook há uma página"Eu sou do tempo Alta Voltagem". Ainda só tem 19 "Gostos", vão  e cliquem!

Vejam a lista das faixas do duplo CD "Alta Voltagem" (MCA Music Entertainment, Lda): "Vários - Alta Voltagem", que incluía sucesso como Fire Water Burn (Bloodhound Gang), Se A Vida É (Pet Shop Boys)Don't Speak (No Doubt), etc e vários temas de bandas portuguesas como os Xutos & Pontapés, Moonspell, Blasted Mechanism, Entre Aspas, etc.
Verso do CD (Foto do blog "Under Review")

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segunda-feira, 25 de março de 2013

DuckTales (1987-1990)


Ao contrário de 98% das pessoas que conheço não passei a infância a devorar filmes da Disney. Não ia ao cinema, não tinha leitor de VHS, só via alguns que passavam na TV, e só comecei a ler BD da Disney relativamente tarde. MAS havia uma série animada de que era um ávido devorador: Duck Tales! Woo-oo!
É não é? A música do genérico* ainda está cravada na vossa mente! Pelo menos na minha está.


"DuckTales" no original, "Pato Aventuras" em Portugal e "Duck Tales, Os Caçadores de Aventuras" no Brasil. Foi criada por Jymn Magon e Carl Barks, o criador do Tio Patinhas (Uncle Scrooge) em 1947.
Precisamente o que mais me atraia era a vertente aventura, na altura em que eu consumia quantidades industriais de banda desenhada, e livros policiais, de mistério, fantástico e sci-fi.

Os protagonistas eram o Tio Patinhas - o pato mais rico do Mundo - e os seus sobrinhos-netos Huginho (Huey), Zezinho (Dewey) e Luisinho (Louie), vestidos de vermelho, azul e verde, respectivamente. Outros personagens recorrentes eram o pelicano Capitão Boeing (Launchpad McQuack, o desastrado piloto de avião), o inventor Professor Pardal (Gyro Gearloose), o mordomo Leopoldo (Duckworth), a Madame Patilda (Mrs. Bentina Beakley), a ama dos patinhos e a avó de Patrícia (Webby Vanderquack), a jovem amiga de Huginho, Zezinho e Luisinho, que também os acompanha nas aventuras. Os vilões de serviço são Flintheart Glomgold (o segundo pato mais rico do Mundo e eterno rival do Tio Patinhas ), a Maga Patalógica (Magica De Spell), os Irmãos Metralha (The Beagle Boys) e o Mancha Negra (The Phantom Blot). Estes e mais personagens estavam constantemente envolvidos em buscas de objectos lendários, viagens a locais exóticos, competições,  e até viagens no tempo.

A Wikipedia refere que os argumentos dos episódios, entre originais e adaptações das BDs do próprio Barks, em boa parte eram baseados em histórias clássicas, lendas, além de bastantes referências a personagens históricas  e de ficção e a cultura pop.
As aventuras do Tio Patinhas e companhia, com um orçamento superior à maioria das séries animadas da época, duraram 100 episódios ao longo de 4 temporadas, além do filme "DuckTales the Movie: Treasure of the Lost Lamp" (DuckTales O Filme - O Tesouro da Lâmpada Perdida), que fez pouco mais dinheiro que o orçamento e causou que arquivassem os planos dos outros filmes previstos. A série foi a mais bem sucedida da Disney e passou em Portugal pela primeira vez em 1988, e repetiu novamente em 1991. Desde o inicio do século XXI já repetiu várias vezes em diversos canais.



Além de banda desenhada (em Portugal tivemos das edições brasileiras da Abril) e merchandising variado, para aproveitar o êxito da série foram lançados 3 videojogos: Duck Tales (1989), Duck Tales: The Quest for Gold (1990) e Duck Tales 2 (1993).

O jogo original para o NES foi recentemente remasterizado e será comercializado no final de 2013: "DuckTales Nintendo Game..."
DuckTales deu ainda origem ao spin-off "Darkwing Duck", mas isso fica para outro cromo!

Actualização: Em 2017, por altura do 30º aniversário da estreia da série original, uma nova série dos "Duck Tales" vai surgir nos pequenos ecrãs, com o regresso do mesmo elenco de personagens, mais o Pato Donald. ["Hello Giggles"].

* Tema escrito por Mark Mueller e cantado por Jeff Pescetto.

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sexta-feira, 22 de março de 2013

Master System II (1992)

A fantástica consola de jogos da SEGA, a Master System II (a minha primeira consola oficial) irá decerto ter direito a um cromo mais detalhado no futuro, mas por enquanto, deixo aqui este anúncio de 1992, em página dupla.
Clique nas fotos para aumentar:

Os dois packs disponíveis, o BASIC a 16.295$ e o SONIC PACK a 21.295$.

Grande variedade de jogos!
Detalhes das páginas:



Página retirada da revista "Nova Gente" nº 846 - Dezembro de 1992.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Joel Branco "Uma Árvore, Um Amigo" (1984)

por Paulo Neto

Hoje é 21 de Março, o Dia Mundial da Floresta também conhecido como o Dia da Árvore. Lembro-me de que quando estava na escola primária, o Dia da Árvore era um dos dias mais aguardados pela petizada, quanto mais não fosse por ser um dia que interrompia a habitual rotina de aulas. Geralmente as escolas um pouco por todo o país programavam algo como uma visita a um bosque ou plantar algo nos canteiros da escola ou em terrenos das imediações. Lembro-me que numa dessas actividades, no meu 4.º ano, foi uma das raras ocasiões em que peguei num sacho.

Ao que pude apurar, a criação deste dia é atribuída a John Stirling Morton. Em 1872, este americano do estado do Nebraska conseguiu induzia a população a consagrar um dia no ano à plantação ordenada de diversas árvores para resolver o problema de escassez de material lenhoso. A iniciativa depressa se estendeu a outros países. A primeira Festa da Árvore em 1907 em Portugal foi celebrada no Seixal, tendo-se tornado uma iniciativa nacional em 1913. Em 1972 o dia 21 de Março, geralmente o primeiro dia de Primavera no Hemisfério Norte, foi designado como o Dia Mundial da Floresta. (Nos países do Hemisfério Sul, como o Brasil, celebra-se a 21 de Setembro.)

Em 1984, as comemorações do Dia Mundial da Floresta desse ano ficaram marcados por uma campanha de sensibilização com o patrocínio da Nesquik, contando com a aparição do Cangurik, a mascote da altura. Vários produtos foram distribuídos na altura, como livros de banda desenhada e jogos didáticos, como o da Quinta do Cangurik.


Mas o maior legado dessa campanha (que foi importante para sensibilizar a petizada da minha geração para as questões ecológicas) foi uma canção que marcou a minha infância e a de muitos daqueles que foram crianças nos anos 80. Infelizmente hoje em dia essa canção é pouco recordada e julgo que merecia estar no Panteão de músicas infantis nacionais ao lado de títulos imortais como "Eu Vi Um Sapo" e "O Areias". Falo obviamente de "Uma Árvore, Um Amigo", composta pelo génio prolífico que era Carlos Paião e interpretada por Joel Branco.




Este tema terá sido o momento de maior glória da carreira Joel Branco, apesar da sua longa carreira como actor e de algum sucesso como recording artist, com temas como "Algodão Doce", "Olho Vivo e Zé de Olhão" (com Herman José) e uma das duas versões de "Rita, Rita Limão" presentes no Festival da Canção de 1977. Lembro-me de quando Joel Branco interpretou uma personagem obscura e mal encarada na telenovela "A Grande Aposta" (1996), tive dificuldade em acreditar que aquele actor era o mesmo senhor simpático que aparecera anos antes na televisão a cantar sobre as árvores. Actualmente Joel Branco pode ser visto na série "Sinais de Vida" da RTP.

"Uma árvore, um amigo" tornou-se a banda sonora de todos os Dias da Árvore dos anos 80 e era uma daquelas canções que coros espontaneamente formados podiam desatar a cantar nos recreios da escola. Lembro-me até de que quando nas aulas se falava em árvores, costumava haver alguém da turma a afirmar "uma árvore é um amigo!"

O disco tinha como Lado B o tema "Piquenique, Piquenique" e como se indicava na capa do disco, tinha como oferta um puzzle didático:



    



terça-feira, 19 de março de 2013

Pet Shop Boys (2.ª parte - Anos 90)

por Paulo Neto




Eis-nos chegados à segunda parte do cromo sobre os Pet Shop Boys, um dos projectos mais inovadores e duradouros da música pop. Esta parte analisará os seus maiores êxitos da década de 90, com algumas referências ao seus repertório do século XXI.

 

Os Pet Shop Boys abrem os anos 90 com o álbum "Behaviour", que forneceu duas faixas que depressa se tornaram favoritas dos fãs. Provando mais uma vez a sua inovação, o duo lançou um mash-up numa altura onde nem sequer existia esse termo e mais de uma década antes da fusão de dois temas conhecidos se tornasse algo comum e popularizado. "Where The Streets Have No Name (Can't Take My Eyes Off Of You)" misturava o célebre hit dos U2 com o tema de 1967 de Frankie Valli (embora a faixa seja sobretudo influenciada pela versão disco de 1981 dos Boys Town Gang). Segundo Neil Tennant, o plano inicial era fazer uma versão dançável do tema dos U2 mas ele descobriu algumas semelhanças com a melodia de "Can't Take My Eyes Off Of You" e o duo decidiu misturar as duas canções. Consta que inicialmente os U2 não gostaram lá muito da versão, mas entretanto entenderam-se.

 

Também de "Behaviour" foi retirado "Being Boring", aquela que será provavelmente a minha canção preferida dos Pet Shop Boys. Neil Tennant himself também é categórico em afirmar que é uma das melhores musicas que ele e Chris  Lowe fizeram. Embora a inspiração seja algo triste (um amigo de infância de Tennant que morreu de SIDA), é uma daquelas canções que parecem tornar tudo mais colorido e reconfortante. E creio que poucas canções sabem tão bem serem ouvidas em dias de grande calor, tal a sua frescura perpétua. E ainda hoje, quando vejo o videoclip, só tenho vontade de saltar lá para dentro e juntar-me àquela farra.


 

Em 1991, os PSB editam o seu primeiro álbum best of, "Discography", onde a par de todos os seus êxitos, foram incluídos dois temas inéditos, incluindo este "Was It Worth It?", um tema poderoso e altamente dançável, com um certo travo do revivalismo do disco-sound que se observou na década de 90.

 

Em 1993, os PSB somam um dos seus mais conhecidos hits com "Go West". Originalmente gravado em 1979 pelos Village People, a versão dos Pet Shop Boys é de longe a mais popular. A mescla de techno-pop com coros masculinos a lembrar os cânticos soviéticos (aliás o vídeo explora bastante a iconografia da U.R.S.S.) resultou na perfeições e não tardou a que desde então o tema tenha sido trauteado a plenos pulmões por multidões em vários sítios como estádios de futebol e celebrações estudantis. "Go West" vinha do álbum "Very", sem dúvida a fase mais croma do duo, pelo menos a julgar pelas roupas que usavam nos vídeos para os singles deste álbum. (Vide "Can You Forgive Her?" e "I Wouldn't Normally Do This Kind Of Thing")


 

1996, álbum "Bilingual", mais um grande hit para os PSB. Do álbum, que tinha assumidas influências latino-americanas, destacou-se "Se A Vida É (That's The Way Life Is)". Como o título indica, incluía umas quantas palavras em português e foi uma das canções que marcou o Verão desse ano e ainda hoje sabe muito bem ouvir na época estival. O vídeo (onde aparece uma então pouco conhecida Eva Mendes) é outro que também dá vontade de saltar lá para dentro. (Este álbum também incluía "Red Letter Day" que parece ser uma sequela de "Go West")


 

Os Pet Shop Boys fecham a década com o álbum "Nightlife" de 1999, do qual foi extraído aquele que é o último grande êxito do duo, "New York City Boy", um tema contagiante e claramente influenciado pelo disco-sound do refrão com vozes tipo Village People ao videoclip que recria toda a mística do lendário Studio 54. Neste álbum, Tennant e Lowe adoptaram mais uma imagem bizarra, como é visível neste videoclip mas sobretudo no do outro single "I Don't Know What You Want But I Can't Give It Anymore".

Embora sem reproduzir o sucesso massivo dos anos 80 e 90, os Pet Shop Boys continuaram altamente produtivos no século XXI tendo editado mais quatro álbuns de originais, dois álbuns best of e dois discos de remisturas. Um novo álbum já está na calha ainda para este ano, o primeiro fora da sua editora de sempre, a Parlophone. Também têm colaborado intensamente com outros artistas como Robbie Williams e remisturando temas de Madonna, Yoko Ono, Rammstein e Lady Gaga

Em jeito, de despedida fica o tema "Miracles" de 2003, um dos temas inéditos do álbum best of "PopArt", cujo vídeo foi filmado na Gare do Oriente em Lisboa e nas imediações do Parque das Nações, com os votos para que Neil Tennant e Chris Lowe continuem a fazer excelente música durantes muitos e bons anos.

   
   

Nota: Podem ver a primeira parte do artigo aqui:  Pet Shop Boys (1.ª parte - Anos 80).

domingo, 17 de março de 2013

Rahan (1986)



 
 
Rahan
1986-1987
26 Episódios


Selos e texto por Paulo Gomes
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Com origem em 1969, esta é a história de Rahan, um homem pré-histórico, numa saga onde, tal como é descrito no primeiro episódio de 1986, "Rahan nunca pertencerá a ninguém, nem a nenhum grupo, Rahan será como um filho de todos os clãs e de todos os grupos! Rahan irá a todo o lado, passará por tudo, verá tudo e aprenderá de tudo!" E assim será, e até hoje assim é, com a nova série de animação de 2009. Obra de Roger Lecureux (argumento) e André Chéret (desenho), foi continuada por Jean-François Lecureux (argumento), após a morte do pai. Começou como é habitual em França, como parte de uma revista de banda desenhada e rapidamente ganhou vida própria e expandiu para uma publicação regular. Contava em 2005 com 100 histórias ao longo de mais de 30 anos e 3300 páginas de ilustrações.








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Gigi (Minky Momo 1982-1983)


 

Gigi - Fairy Princess Minky Momo 1982
1982-1983
63 Episódios


Selos e texto por Paulo Gomes
mais selos no facebook em Caderneta de Selos


 
O meu amor de infância, sim era uma série para meninas, mas eu senti uma verdadeira atracção física pelo sexo feminino com esta Gigi (a versão mais antiga de Magical Princess Minky Momo de 1982). Via sempre a cena de transformação com um ligeiro formigueiro no "sitio" o que é espantoso pois estava na fase anti-meninas em 85... mas já sabia do que gostava... quase erótico para mim nessa altura, recomendo que vejam ou revejam. ♥

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sábado, 16 de março de 2013

“People Are People” - Depeche Mode (1984)


Lançado em 1984, “People Are People”, foi o 10º single da banda britânica Depeche Mode
O tema, descrito pela Wikipedia como um hino anti-preconceito foi o seu primeiro grande êxito nos EUA, e  até aos dias de hoje tem sido alvo de vários covers e versões (mais detalhes aqui).
Esta música voltou a estar no meu radar ao surgir recentemente no anúncio a uma marca conhecida de automóveis (aqui)*.

O video original de "People Are People":

Quem gosta de extended remixes pode ouvir aqui: People Are People (different mix).

A capa do single “People Are People”:


O lado B do single tinha o tema “In Your Memory” (aqui), e foi incluído no álbum ”Some Great Reward”, o primeiro grande êxito comercial dos Depeche Mode.

Gosto bastante do aspecto "futurista" desta capa de um álbum do Reino Unido de 1986 que inclui a canção:

* Anúncio do novo Golf, da VolksWagen.

Texto original publicado no MiniCromo "People Are People".

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terça-feira, 12 de março de 2013

Pet Shop Boys (1.º parte - anos 80)

por Paulo Neto




Certo dia em 1981, numa loja de discos e instrumentos, Neil Tennant e Chris Lowe encontraram-se por acaso. Desse encontro nasceria uma dos mais influentes parcerias da música pop dos últimos trinta anos, que continua até hoje (o mais recente álbum é de 2012), embora sem o êxito que conheceu nos anos 80 e 90, mas que continua fazer boa música. Eis o tributo a um dos meus grupos preferidos, os Pet Shop Boys.
Dada a extensão e produtividade da sua carreira, o tributo terá duas partes sendo que a primeira será dedicado aos seus êxitos dos anos 80.

 

"West End Girls" foi o primeiro hit do duo. Originalmente gravado em 1984 e produzido pelo reputado Bobby Orlando, obteve algum sucesso moderado. Mas foi com uma regravação de 1985 que se tornou um hit internacional, tendo sido n.º 1 no Reino Unido, Estados Unidos, Noruega e Nova Zelândia. Inspirado no poema "The Wasteland" de T.S. Elliott, é tido como a canção-assinatura do grupo, havendo mesmo na Suécia uma banda de tributo aos Pet Shop Boys denominada precisamente "West End Girls". O duo cantou esta canção na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 (tendo sido também uma das canções utilizadas durante os desfiles dos atletas na cerimónia de abertura).

 

"Opportunities" é uma das canções dos PSB mais recordadas na América, muito por culpa do refrão "I've got the brains, you've got the looks, let's make lots of money" que soava a um reflexo do boom económico e da classe yuppie. Um dos primeiros exemplos da ironia bastante presente nas letras das canções do duo.

 

"Suburbia" continua a ser a melhor canção de sempre com uma introdução com cães a ladrar. O single final do álbum de estreia do grupo, "Please", foi inspirado pelo filme "Suburbia" de 1984 e alguns casos reais de violência suburbana. 

 

"It's a sin" foi o primeiro single do álbum "Actually" e é um dos temas mais populares do grupo. Apesar de adorar a canção, lembro-me do vídeo meter-me bastante medo e repulsa, nomeadamente as personagens que representavam os sete pecados mortais. Ainda hoje repugnam-me as javardices da actriz que fez do pecado da Gula. (E sim, a actriz que representa o pecado da Soberba é mesmo a Geena Davis).

 

"What have I done to deserve this" foi uma colaboração com a antiga estrela dos anos 60, Dusty Springfield, um ídolo de infância de Neil Tennant. Este dueto causou um renovado interesse do público na carreira de Springfield, cujo o álbum de regresso de 1990, "Reputation" teve duas canções escritas pelos PSB.

 

Reza a lenda que "Heart" foi escrito para ser gravado por Madonna. Mas segundo Neil Tennant, não tiveram coragem para enviar o tema à rainha da pop tal era o medo de uma possível rejeição e decidiram gravar a canção eles mesmos. O vídeo foi filmado na Eslovénia e conta com a participação de Ian McKellen no papel de um vampiro.


"Always on my mind" tem imensas versões (originalmente gravada em 1972 por Brenda Lee) mas duas versões perduram na memória colectiva, a de Elvis Presley e a dos Pet Shop Boys. A versão do PSB foi originalmente interpretada durante um tributo ao 10.º aniversário da morte de Presley e posteriormente gravada para o álbum "Introspective". É uma das canções utilizadas na longa-metragem musical do duo, "IT Couldn't Happen Here".


 

Por fim, temos "Domino Dancing" que com as suas sonoridades pop latinas, foi uma das músicas que refrescaram o Verão de 1988. O videoclip filmado em Porto Rico é um dos mais famosos do grupo, contando a história de dois rapazes seduzidos por uma bela ninfeta. Devido à cena final de luta na praia entre os dois protagonistas, a revista Rolling Stone como um dos vídeos mais homoeróticos de sempre.

O tema teve um novo fogacho de popularidade em Portugal no início dos anos 90, devido à sua utilização na telenovela brasileira "O Salvador da Pátria".
Para além do seu repertório, o duo desde sempre também compôs e produziu para outros artistas. Foi o caso de "I'm Not Scared", um hit europeu em 1988 para a banda Eighth Wonder, liderada pela actriz Patsy Kensit, que vimos em filmes como "Absolutamente Principiantes" e "Arma Mortifera 2".

Os Pet Shop Boys também produziram o álbum "Results" de Liza Minnelli (1989), destacando-se este "Losing My Mind", escrito por Stephen Sondheim. 


A segunda parte deste artigo, a ser publicada brevemente, falará dos êxitos dos Pet Shop Boys nos anos 90. Nota: Já podem encontrá-lo disponível em: Pet Shop Boys (2.º parte - anos 90)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Xica da Silva (1996-97)

por Paulo Neto

Conforme o David vaticinou no artigo que ele escreveu sobre os 20 anos da TVI, a Enciclopédia aborda hoje a telenovela "Xica da Silva", que foi como o primeiro sinal que a estação de Queluz de Baixo estava decidida a deixar para trás o epíteto de "Canal de Igreja" dos seus primórdios.



Produzida pela extinta Rede Manchete, a telenovela foi exibida tanto no Brasil como em Portugal entre 1996 e 1997. A telenovela ficou na memória pelas cenas de erotismo e violência frequentemente exibidas ao longo dos 231 episódios da trama. Também fez história por ser a primeira telenovela brasileira a ter uma protagonista negra, Taís Araújo.


Inspirada em factos verídicos, a novela narrava a vida de Xica da Silva (Taís Araújo) uma bela e ousada escrava do século XVIII. A jovem sofre às mãos do seu dono, Cabral (Carlos Alberto) e da filha deste, Violante (Drica Moraes). A sua sorte muda quando o novo contratador real das minas de diamantes, o garboso João Fernandes (Victor Wagner) chega à cidade e fica fascinado pela escrava, apesar de estar noivo de Violante. Para provar o seu amor, assim que consegue comprar Xica, João dá-lhe a carta de alforria como prova de amor. Livre, Xica começa a viver vida de rainha ao lado do contratador e torna-se a mulher mais influente da região. Apesar da população não se conformar em ver uma ex-escrava com tanto poder, muitas personagens acabavam por recorrer a Xica quando têm algum problema. Xica vai ajudando aqueles que ela julga merecerem o seu auxílio e castigando cruelmente aqueles que ousam afrontá-la. A sua principal opositora é Violante que, inconformada por ter perdido o seu noivo para Xica, fará tudo para destruí-la.



De entre as restantes personagens há a destacar:


- Zé Maria (Guilherme Piva), que mal disfarça a sua homossexualidade, daí ser conhecido como "Zé Mulher".  Bondoso e simpático, torna-se um dos melhores amigos de Xica e vive um confuso e divertido triângulo amoroso com Olívia (Giovanna Antonelli) com quem é forçado a casar e o escravo Paulo (Déo Garcez).
- Ursúla (Rita Ribeiro), sobrinha do padre Aguiar (José Steinberg), tida como uma moça virtuosa, conhecida até como a "Santinha", mas que na verdade é obcecada por sexo, falando frequentemente da "serpente" dos homens. Sem nunca manchar a reputação, vive um tórrido romance com Xavier (Matheus Petinatti).


- Martim (Murilo Rosa) e Das Dores (Carla Regina) formaram um dos principais pares românticos, como dois apaixonados de famílias rivais.
- Outro par romântico era vivido entre Micaela (Teresa Sequerra) e Luiz Felipe (Fernando Eiras), que viviam um amor proibido pois eram madrasta e enteado.


- Havia também uma família portuguesa, os Pereira, composta por actores portugueses. Teodoro (António Marques) era o patriarca, Guiomar (Lídia Franco) era a sua mulher (que tinha chiliques quando via um escravo em tronco nú) e Joaquina (Rosa Castro André) e Graça (Anabela Teixeira) as suas filhas. Ambas eram apaixonadas por Felix (Jayme Periard) que apesar de amar Graça, vê-se obrigado por tradição a casar com Joaquina. Mais tarde, descobre-se que os Pereira eram judeus que tinham fugido para o Brasil para escapar à Inquisição, dando a oportunidade de Félix e Graça fugirem juntos. 
- O português Gonçalo Dinis também entrou na telenovela, como o soldado Macário.
- Do elenco ainda fizeram parte nomes como Adriane Galisteu, Myriam Pires, Ângela Leal, Dalton Vigh e Alexandre Lipiani (que viria a falecer num acidente de viação duas semanas antes do fim das filmagens). Zézé Motta, que tinha feito de Xica numa adaptação cinematográfica em 1976, fez de Maria da Silva, mãe de Xica.

Como foi dito, a novela não se poupou em cenas de violência e sexo. Houve várias cenas de tortura, violação e assassinato. Também houve várias cenas ousadas que ficaram na retina, como uma bruxa que gostava de deixar cair cera quente em cima dos seios ou um grupo de noviças possessas que atacam sexualmente os homens da região e muitas actrizes do elenco surgiram de maminhas ao léu. Curiosamente, Taís Araújo só o pode fazer assim que completou 18 anos de idade, quando já tinham sido gravados cinquenta capítulos. Ah! E até houve espaço para uma participação especial de Cicciolina herself, no papel de uma charlatã que se fazia passar por princesa genovesa.


O último episódio teve cenas filmadas em Lisboa, onde João Fernandes casa com Violante (abandonando-a logo de seguida) para salvar Xica.

A telenovela tornou Taís de Araújo uma estrela, tendo sido prontamente requisitada para os quadros da poderosa Rede Globo, onde também seria a primeira protagonista negra de algumas novelas da estação, como "Da Cor do Pecado" e "Viver a Vida". 

Genérico:


Cena com as actrizes portuguesas:






    

Revendedora Avon (1988)

Esta é a ultima publicidade das Selecções de Julho de 1988. Terminamos esta fase com um anúncio a um tipo de emprego que ainda é comum ver nos dias de hoje, o recrutamento de revendedoras "Avon".


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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domingo, 10 de março de 2013

CIE (1988) # 2

Já tínhamos visto um publicidade da "CIE" ( "uma marca portuguesa de projecção mundial") na Enciclopédia (ver aqui), mas o anúncio acima precede-a por um mês. Curiosamente, ambas as publicidades têm pernas femininas em grande destaque.

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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sábado, 9 de março de 2013

Micro Ondas Moulinex (1988)

O produto mais marcante da Moulinex - para mim - foi o famosa picadora 1,2,3, adorava ver aquilo picar carne e outros alimentos. Mas como o anúncio acima ilustra também tinham por exemplo, micro ondas, o que na altura devia parecer algo da ficção cientifica.


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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