segunda-feira, 30 de julho de 2018

Fantasmas Luminosos da Matutano



Estes "Fantasmas Luminosos", os fantasmas que brilham no escuro são um clássico brinde da Matutano que muitos recordam com saudade, além das raspadinhas, Pega-Monstros, os Dinossauros, as Caveiras Luminosas. E a fase de "coisas que brilham no escuro" foi tão grande, basta recordar o esqueleto de dinossauro do Planeta Agostini que brilha no escuro e obviamente outra colecção da Matutano, de mais autocolantes luminosos, mas com animais: "Feras Luminosas". Via-se disto colado em todo o lado, cadernos e livros escolares, janelas, etc. Acho os meus poucos sobreviventes desta colecção estão agarrados ás capas de livros, a assombrá-los há mais de duas décadas... Lembro-me de ficar fascinado a apreciar o brilho começar a desvanecer na escuridão...
Obrigado ao Hugo Fernandes que confirmou o nome de ambas colecções, "Fantasmas Luminosos" e "Feras Luminosas". Os fantasmas eram 30 diferentes para coleccionar e eram representações de fantasmas nas mais diversas actividades ou profissões: músico, garçom, cavaleiro, bombeiro, marrão, etc...
Foto: Catarina Baptista.

Foto: Catarina Baptista.

Foto: Catarina Baptista.

Foto: Hugo Fernandes.
Foto: Enciclopédia de Cromos.


Instruções no verso do cartão com o autocolante recortado:
"Chega o fantasma à luz por uns instantes e logo verás como brilha no escuro! Repete quantas vezes quiseres.

Colecciona os terríveis fantasmas da Matutano! Há 30 diferentes!"

Mais alguns exemplos:
Foto: Célia Nunes (Facebook).

Foto: Filipe Ramalho (Facebook).

Foto: O Sótão do Chico.

Os nossos agradecimentos a Catarina Baptista e Hugo Fernandes pelas fotos e informações.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Com A Verdade M'Enganas (1994)

por Paulo Neto

Após o (literalmente) explosivo final de "Roda da Sorte", transmitido no último dia de 1993, Herman José estreou pouco depois, no início de 1994, o seu novo concurso, "Com A Verdade M'Enganas" (sim, com o pronome apostrofado), onde fez-se acompanhar com os seus comparsas da "Roda da Sorte", Cândido Mota e Ruth Rita no mesmo horário de fim de tarde da RTP1 onde nos três anos anteriores girou a Roda.



Ao contrário da "Roda" que era adaptado de um original americano, este concurso era um conceito original, num cenário cheio de referências à banda desenhada e à pop-art de Roy Lichtenstein e afins. 
Cada programa tinha duas equipas de dois concorrentes formadas por sorteio prévio, pois cada um dos quatro concorrentes inscrevia-se individualmente e era constituído por cinco jogos e um puzzle final. Existem vários episódios do concurso no YouTube mas para servir de exemplo, vamos recorrer à prata da casa e utilizar o programa disponibilizado na Enciclopédia TV (subscrevam no YouTube, SFF!), que foi precisamente a primeira sessão do concurso a ser exibido na RTP. Trata-se da primeira de cinco sessões experimentais exibidas na semana de estreia, onde dois convidados famosos formava equipas com pessoas anónimas, neste caso Ana Bola e um rapaz chamado Miguel formaram a equipa A e Vítor de Sousa e uma rapariga chamada Cristina compunham a equipa B.



Jogo 1: Com A Verdade M'Enganas



No primeiro jogo, os membros de uma equipa tinham de adivinhar se duas afirmações sobre cada um dos concorrentes da equipa adversária eram verdade ou mentira. Cada resposta acertada valia 20 pontos.
Neste jogo, ficámos a saber que Ana Bola odeia feijão verde, que Miguel trazia boxers às riscas cor-de-rosas (que obviamente mostrou), que Vítor de Sousa tem mais de 200 miniaturas de cavalos e que Cristina odeia a cor lilás e arroz de polvo.

Jogo 2: Perguntas de cultura geral



O segundo jogo eram perguntas de cultura geral com três hipóteses de resposta. Para serem os primeiros a responder, as equipas usavam um botão que simulava um manípulo detonador de bombas. Cada resposta certa valia 20 pontos.

Leilões de letras


Depois de cada jogo, tinham lugar os leilões de letras. Ruth Rita surgia trazendo letras ora dentro de um carrinho de gelados ora de um carrinho de cabides e Herman escolhia um ou duas letras que fariam (ou talvez não) parte do puzzle final. As equipas licitavam os pontos que tinham até então sendo as letras arrematadas pela equipa que oferecesse mais pontos.

Jogo 3: Erros do Texto

No terceiro jogo, Cândido Mota lia um texto no original (neste caso um poema) e depois uma versão com erros, que as equipas tinham de detectar e corrigir e cada correcção acertada valia 20 pontos.
Neste programa por exemplo, em vez de "viu-se num outeiro com casas e árvores espalhadas", a nova versão dizia "sentou-se num outeiro com vacas e árvores empalhadas". 

Jogo 4: Sala das torturas
Um dos elementos de cada equipa seguia para outro parte do cenário onde se sentavam numas cadeiras a fazer lembrar as cadeiras eléctricas para jogar o quarto jogo em que à vez, um concorrente tinha 30 segundos para fazer rir o outro.
Nesta sessão experimental, Vítor de Sousa conseguiu resistir às tentativas de Ana Bola mas esta desmanchou-se a rir mal o seu colega proferiu o seu mítico bordão "Sobral do Monte Agraço já tem um parque infantil!", vindo de um anúncio do detergente Tide.
Neste jogo o concorrente que fizesse o adversário rir em menos tempo ganhava 40 pontos para a sua equipa. Caso nenhum dos concorrentes se risse ao fim dos 30 segundos, seria a assistência do programa a desempatar.
Nas sessões iniciais, os concorrentes geralmente não iam além de contarem anedotas ou dizer insistentemente "ri-te lá!" mas com o tempo, e sob apelo do Herman, os concorrentes começaram a preparar melhor este jogo, alguns trazendo alguns adereços. Recordo-me de uma concorrente que tentou recriar um anúncio de champô (o "Cabeça e Ombros", em alusão à marca "Head & Shoulders" - actual "H&S"- então recentemente chegada ao mercado português) pegando num frasco enorme e deitando partículas de esferovite sobre o cabelo.

Jogo 5: Letras aldrabadas

O quinto jogo era de longe o meu preferido e uma das principais razões porque mantive memórias deste concurso. Em cada sessão, um convidado musical, acompanhado ao piano por Pedro Duarte (que dava os apontamentos musicais ao vivo ao longo do programa), cantava uma canção do seu repertório e depois uma versão com erros na letra que os concorrentes tinham de detectar e corrigir, ganhando 20 pontos por cada correcção. Escusado será dizer que estas letras aldrabadas eram extremamente hilariantes e quase sempre os cantores ficavam perdidos de riso (e de algum embaraço) a tentar cantar as novas palavras. Para completar a farra, os membros da assistência que se viam ao fundo neste jogo costumavam fazer umas coreografias para acompanhar a canção.
Nesta sessão experimental, o convidado foi Clemente que cantou um dos seus temas mais emblemáticos, "Vais Partir" e viu-se depois a cantar "vais dormir (partir) naquela estrada" e "nuvens de alegria e mil gaitas (ventos) a cantar".     

Eis algumas das mais famosas letras aldrabadas que me recordo
Paulo Gonzo "Jardins Proibidos": "Rasga-se o Abreu (o céu) e lá vou eu"
Anabela "A Cidade (Até Ser Dia)": "De madrugada saio para a rusga (rua)", "entre um tiro (gin) e um beijo", "parto (sinto) tudo o que vejo, há um sarilho (brilho) no ar."
Dulce Pontes "Os Índios da Meia-Praia": "Vou fazer uma chinesa (casinha)", "com sete palmos de whisky (terra) se constrói uma bezana (cabana)"
Armando Gama "Esta Balada Que Te Dou": "Um sonho, uma curte (um livro)" (Aliás, foi neste programa que descobri que afinal ele não dizia "um sonho lindo".)
Manuela Bravo "Sobe Sobe Balão Sobe": "Nem uso preservativo (passaporte)"
Ágata "Perfume de Mulher": "Que eu morro de urticária (ciúme)", "Leva o soutien (perfume) da outra mulher."

Outras memórias:
- Quando Simara foi ao programa, Herman não resistiu em aproveitar o facto de ela ser brasileira para na versão aldrabada de uma canção que ela cantou substituir "saudades" por uma célebre palavra utilizada para definir um estado de excitação sexual que é semi-palavrão em Portugal mas que não tem essa conotação no Brasil (e que aliás os portugueses tinham ouvido regularmente na música do genérico da telenovela "Tieta"). E numa outra sessão com Dina, esta viu-se a cantar uma palavra semelhante mas que não é asneira e aliás faz parte da mitologia grega.
- Da mesma forma, quando Io Apolloni foi ao programa, Herman aproveitou as origens dela para introduzir palavras em italiano na versão aldrabada que ele retirou de uma revista de automóveis, como "sospensioni" e "servo freno".


Puzzle final

A equipa com mais pontos ao fim dos cinco jogos jogava o puzzle final onde tinha de adivinhar uma palavra-chave formada a partir de outras sete palavras que um dos concorrentes tinha de explicar por mímica, tendo como ajuda as letras que adquiriu durante os leilões, em 120 segundos.
Nesta sessão, Ana Bola fez a mímica das palavras (eram permitidos sons, como o que ela usou para a palavra "surdo" mas não podia dizer quaisquer palavras) que Miguel adivinhou correctamente, sendo que a palavra-chave do puzzle era corifeu.
Caso a equipa acertasse na chave-final, cada um dos elementos ganhava 600 contos (cerca de 3000 euros), caso contrário ganhavam os pontos que tinham acumulado em contos. A outra equipa recebia como prémio de consolação pequenos electrodomésticos (ou não fosse o concurso patrocinado pelas então inevitáveis Lojas Singer) como walkmans ou máquinas de pregar botões.



Ao contrário da "Roda da Sorte", "Com A Verdade M'Enganas" durou apenas alguns meses mas mesmo assim era um concurso agradável de se ver e ao qual Herman José imprimia todo o seu génio.
E já agora, o que será feito de Ruth Rita? Em 2008, quando a SIC recuperou brevemente a "Roda da Sorte", Herman José referiu que ela estava a tirar um curso de enfermagem e um artigo de 2011 do site do Correio da Manhã refere que ela tinha uma loja de roupa em Telheiras.

Ruth Rita em 2008 no programa Episódio Especial da SIC: Link
Além do Youtube, as sessões do programa estão disponíveis na RTP Play.

NOTA:
As emissões de "Com A Verdade M'Enganas" estenderam-se de 3 de Janeiro de 1994 a 5 de Julho de 1995.

domingo, 15 de julho de 2018

Whitney Houston na final do Mundial de Futebol 1994


por Paulo Neto

Depois de um artigo sobre a cerimónia de abertura do Mundial de Futebol de 1994 nos Estados Unidos, porque não outro sobre a cerimónia de encerramento do mesmo certame? Especialmente se a protagonista dessas festividades era nada menos que Whitney Houston.

O Estádio Rose Bowl em Pasadena recebeu a final do Mundial de Futebol de 1994


No dia 17 de Julho de 1994, após 51 jogos disputados, Brasil e Itália disputavam a final do Mundial de Futebol no Estádio Rose Bowl na cidade californiana de Pasadena, um dos municípios do condado de Los Angeles. Quem quer que ganhasse seria o primeiro país a alcançar o tetra já que tanto os canarinhos como os azzuri contavam com três vitórias no palmarés. Pelo lado do Brasil, estavam jogadores como Romário, Bebeto, Dunga, Cafu e Tafarel enquanto a Itália tinha no seu plantel nomes como Baresi, Maldini, Donadoni e Roberto Baggio (que não tinha qualquer parentesco com o colega de selecção Dino Baggio).

Mas antes do jogo, e tal como aconteceu na cerimónia de abertura, o ambiente do estádio foi preenchido com música e dança. Na altura, Whitney Houston ainda colhia os frutos do sucesso do filme "O Guarda-Costas", estava prestes a rodar o seu segundo filme, "Quatro Mulheres Apaixonadas" e tinha dado à luz a sua filha no ano anterior. Decerto que ninguém imaginaria que ela estaria apenas mais dezoito anos neste mundo.

Whitney Houston entrou no estádio de mão dada com Pelé


Whitney Houston entrou no Rose Bowl de mão dada com Pelé himself e subiu ao palco para interpretar uma medley de algumas das suas canções mais conhecidas. Eis o vídeo da sua actuação na transmissão da televisão italiana:



- Houston começou com aquele que foi talvez o seu maior hit dos anos 80, "I Wanna Dance With Somebody". Tal como no espectáculo de abertura, o relvado estava cheio de bailarinos e de figurantes. Estes seguravam bandeiras coloridas que continham o código FIFA de cada um dos vinte e quatro países participantes no Mundial. A certa altura entram mais figurantes cada um trazendo uma bandeira de cada um dos 147 países que disputaram a qualificação para este Mundial (aos 3:38 é visível a bandeira de Portugal).

- A actuação e a coreografia continuou ao som "How Will I Know".
- E claro que não podia faltar um dos temas mais emblemáticos, "I Will Always Love You". (Atenção ao rapaz de boné e T-shirt atrás de Houston que no clímax da canção, desata a fazer lipsynching).


- Ao som de "I'm Every Woman", o relvado enche-se agora de bolas insufláveis. Os bailarinos no círculo central do campo formaram também uma bola com painéis pretos e brancos.
- O espectáculo continuava com "So Emotional" e aos 11:52 vê-se novamente a bandeira de Portugal.



- Segue-se um momento UNICEF com Houston a cantar "The Greatest Love Of All" rodeada de crianças com equipamento de futebol (nem sequer faltou um petiz com uma camisola mega-fluorescente semelhante àquelas envergadas por Jorge Campos, o guarda-redes da selecção mexicana).
- A terminar em beleza, seiscentas crianças correm pelo relvado fora, são formadas duas bandeiras do Brasil e de Itália e milhares de balões coloridos são largados no estádio ao som de foguetes



Quanto ao jogo em si, esteve longe de ter a emoção deste início de festa, uma vez que não se registaram golos ao fim dos 90 minutos regulamentares e dos 30 de prolongamento, sendo por isso a primeira final de um campeonato do Mundo a ser decidida nas grandes penalidades.
Franco Baresi e Márcio Santos falharam os primeiros penaltis mas os cinco que se seguiram foram convertidos por brasileiros e italianos até que o remate de Daniele Massaro foi defendido por Taffarel ao passo que Dunga facilmente marcou na baliza de Gianluca Pagliuca. As esperanças italianas estavam agora na sua maior estrela, Roberto Baggio, que na altura ostentava o seu icónico look do rabo de cavalo com trancinhas (naqueles tempos, só mesmo um italiano para usar um penteado desses e mesmo assim exalar virilidade por todos os poros). Mas Baggio remataria ao alto e o tetra foi para o Brasil.
Enquanto um Baggio destroçado permanecia imóvel diante da baliza, os canarinhos comemoravam no relvado não faltando sequer uma homenagem a Ayrton Senna, falecido a 1 de Maio desse ano.   

Roberto Baggio foi o resto da tristeza italiana pela derrota
A homenagem da selecção brasileira ao então recém-falecido Ayrton Senna







quinta-feira, 5 de julho de 2018

Top 5 Canções de Cyndi Lauper

por Paulo Neto

Cyndi Lauper é sem dúvida uma das cantoras mais icónicas dos anos 80 e mesmo sem nunca mais se aproximar do auge da fama que teve nessa década, onde chegou a andar taco-a-taco em níveis de popularidade com Madonna, continua a ter uma carreira bem activa na música, para além de algumas incursões na representação e no activismo de várias causas que defende como os direitos da comunidade LGBT. É daquelas cantoras que, mesmo sem o êxito de outrora, toda a gente gosta de saber que ainda anda por aí a cantar e muitos artistas da actualidade citam-na como influência. Eu tenho o seu álbum de 2008, "Bring Ya To The Brink" e tenho imensa pena que este disco não tenho sido um renascimento para Lauper como "Believe" foi para Cher. 



Para este top 5 restringi-me à discografia da carreira de Cyndi Lauper no século XX, mas mesmo assim tive de deixar algumas canções na categoria de menção honrosa: "The Goonies R Good Enough" (1985), "True Colours" (1986), "The World Is Stone" (1992), "Sally's Pigeons" (1993), "I'm Gonna Be Strong" (1994) e "You Don't Know" (1996). Também não vou incluir o "We Are The World", embora as partes que ela canta sejam uma das minhas favoritas de toda a canção


5 "I Drove All Night" (1989)

Primeiro single do seu terceiro álbum "A Night To Remember", "I Drove All Night" foi o último grande hit de Cyndi Lauper nos Estados Unidos, recebendo uma nomeação para um Grammy. Escrita pela dupla Billy Steinberg e Tom Kelly, a mesma que lhe compôs "True Colours", o tema foi originalmente gravado por Roy Orbinson em 1987 mas a sua versão só seria editada em single postumamente em 1992 (com um vídeo protagonizado por Jason Priestley e Jennifer Connelly). 
No vídeo, Lauper surgia com uma imagem mais polida, abandonando as roupas espampanantes e os cabelos de cores garridas, mas mantendo alguns elementos que eram a sua imagem de marca como os seus movimentos espalhafatosos a dançar. Outra versão bastante conhecida é aquela gravada por  Céline Dion em 2003, num registo dance-pop.





4 "Change Of Heart" (1986)

O segundo single do álbum "True Colours" contava com umas convidadas bem conhecidas, as Bangles, que gravaram os coros para este "Change Of Heart", onde Cyndi Lauper canta a possibilidade de que uma amizade se torne algo mais a alguém que hesita em dar esse passo. O videoclip foi filmado na Praça Trafalgar em Londres, mas apesar disso "Change Of Heart" não fez muito sucesso em terras britânicas; em contra-partida, foi um dos seus singles mais bem-sucedidos em França. O tema continua a ser um favorito dos fãs, pelo que Lauper canta-o frequentemente nos seus concertos numa versão acústica. 



3 "She Bop" (1984)

Os anos 80 popularizaram uma mão cheia de canções sobre... o amor solitário ("Turning Japanese", "Dancing With Myself", "Shock The Monkey") e Cyndi Lauper adicionou uma perspectiva feminina a esse rol com "She Bop", um dos singles do icónico álbum "She's So Unusual". Apesar as alusões a masturbação serem facilmente perceptíveis e de até ter sido incluído na lista das quinze canções mais condenáveis pela comissão PMRC liderado por Tipper Gore, o tema passou nas rádios sem grandes censuras. O respectivo videoclip é um dos mais emblemáticos da cantora nova-iorquina com participações especiais dos wrestlers Lou Albano e Wendy Richter (na altura, Lauper era presença regular em eventos da WWF), um cenário em que um restaurante de fast food transforma pessoas em clones zombie e uma sequência em animação. Anos mais tarde, Cyndi Lauper revelou que gravou esta canção em topless e que os risos que se ouvem resultaram de cócegas auto-infligidas. 


2 "Time After Time" (1984)

Indubitavelmente uma das grandes referências na baladaria dos anos 80, "Time After Time" foi uma das últimas canções a serem escritas para o álbum "She's So Unusual". A editora inicialmente queria que este fosse o primeiro single mas Lauper opôs-se, não querendo que a sua primeira imagem junto do público fosse a de uma cantora romântica. Segundo ela, a ideia para o título surgiu-lhe enquanto folheava uma revista de televisão e deparou-se com o filme de ficção científica de 1979 "Time After Time" (título em Portugal "Os Passageiros do Tempo"). 
A canção foi escrita por Cyndi Lauper em parceria com Rob Hyman dos The Hooters, que também providenciou a voz masculina que se ouve no refrão. O videoclip contava com a participação da sua mãe Cathy, do seu irmão Butch e David Wolff, então seu namorado e manager. Tanto a escrita da canção como as lágrimas reais de Cyndi no final videoclip resultaram das dificuldades da sua relação com Wolff, que terminou em 1988. (Lauper encontraria a felicidade conjugal pouco tempo depois junto do actor David Thornton, com quem é casada desde 1991 e de quem tem um filho).

"Time After Time" foi n.º 1 nos Estados Unidos e no Canadá e é a canção de Lauper mais versionada por outros artistas, como por exemplo Miles Davis, INOJ, Novaspace, Everything But The Girl, Willie Nelson, Eva Cassidy e Anna Kendrick.



1 "Girls Just Wanna Have Fun" (1983)

Sem surpresas, a canção de Cyndi Lauper que ocupa o n.º 1 na minha lista é aquela que é sem dúvida a sua canção-assinatura. Mas sabiam que aquele que é tido como um dos grandes hinos femininas da música pop é uma versão e foi inicialmente gravada por um homem?
Robert Hazard escreveu "Girls Just Wanna Have Fun" (reza a lenda que a ideia surgiu-lhe quando estava numa banheira) e gravou-a num estilo punk-rock em 1979. Nesta versão, o ponto de vista é masculino e a "diversão" que as raparigas querem era um tempo bem passado no quarto dele. Por causa disso, Cyndi Lauper estava renitente em gravar uma versão até que ela e o produtor Rick Chertoff tiveram a ideia de, com alguns retoques na letra, convertê-la num hino feminista, com Lauper a cantar a plenos pulmões que as mulheres têm tanto ou mais direito à diversão que os homens. Certos do sucesso que o tema teria, Lauper e David Wolff convenceram a editora a lançar "Girls Just Wanna Have Fun" como o primeiro single em vez de "Time After Time" e a opção resultou, tendo sido n.º 1 na Austrália, Irlanda, Noruega e Nova Zelândia e n.º 2 nos Estados Unidos e no Reino Unido e nomeado para dois Grammys. O respectivo videoclip, vencedor de um Grammy e de um Prémio MTV, é igualmente lendário, com Cyndi Lauper a conduzir um grupo de raparigas que se transforma numa multidão para uma festa privada no seu quarto, para desespero dos seus pais (novamente Lou Albano e Catrine Dominique, a mãe de Cyndi). A roupa que ela usa no vídeo era de Screaming Mimi's uma loja de roupa vintage onde trabalhou antes de assinar o contracto discográfico.
Em 1994, Cyndi Lauper regravou a canção num estilo reggae sob o título "Hey Now (Girls Just Wanna Have Fun)" para promover o seu álbum best of "Twelve Deadly Cyns". O tema foi ainda versionado por mais de trinta artistas e foi usado em inúmeros filmes e programas de televisão.


Bónus: "Into The Nightlife" (2008)




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