domingo, 22 de setembro de 2019

Friends (1994-2004)

por Paulo Neto

Nas palavras de Sérgio Godinho cantadas pelo próprio e/ou "Os Amigo do Gaspar": "É tão bom uma amizade assim, ai faz tão bem saber com quem contar..." Quem não concorda que a amizade é uma das coisas mais belas desta vida? Por isso, não é de estranhar que uma das sitcoms mais lendárias de sempre tenha sido sobre a amizade.





Criada por Dave Crane e Martha Kauffman, "Friends" estreou na televisão americana a 22 de Setembro de 1994 e durou dez temporadas, com o último capítulo transmitido a 6 de Maio de 2004. Ao longo de dez temporadas acompanhámos um grupo de seis jovens amigos nos seus altos e baixos da sua vida pessoal, profissional e amorosa, ao ponto do telespectador sentir que também era amigo deles e quase que podia sentir o aroma do café e o cabedal do sofá no qual o grupo se reunia para conversar no café Central Perk.

Eis os seis amigos (por ordem de aparição no genérico):



Rachel Green (Jennifer Anniston): é a personagem com maior evolução. No primeiro episódio, ela surge ainda vestida de noiva a fugir de um casamento quando percebe que a vida que parecia ser traçada para ela como mulher de um tipo endinheirado por entre as futilidades da alta sociedade não é que ela quer. Depois de um começo rocambolesco como desastrada empregada de mesa no "Central Perk" -o que lhe vale é que o seu chefe Gunther (James Michael Tyler) tem um grande crush por ela-, Rachel vai aos poucos navegando fora da vida protegida que sempre teve e com determinação e alguma sorte vai subindo na vida pelo seu próprio pulso. E claro, ao longo da série, há os avanços e recuos telenovelescos da sua relação com Ross. A certa altura, um dos seus penteados tornou-se um dos mais icónicos dos anos 90, requisitado em muitos salões de cabeleireiro por esse mundo fora - embora a própria Anniston não gostasse nada.   



Monica Geller (Courteney Cox): a haver alguém que pode ser considerado líder do grupo, é ela. Chef profissional, Monica costuma transladar o seu perfeccionismo para outras partes da vida, desde a arrumação do apartamento aos festejos cuidadosamente planeados de ocasiões como Dia de Acção de Graças. Por detrás dessa obsessão pela perfeição, está um passado algo doloroso onde sofreu com o bullying por ter sido gorda na infância e adolescência e pelos pais não esconderem a preferência pelo irmão. A sua relação mais significativa é com Richard (Tom Selleck) que não só é um homem mais velho como amigo da família, até que de forma inesperada Monica descobre que Chandler pode ser muito mais que um bom amigo.



Phoebe Buffay (Lisa Kudrow): com uma mãe que se suicidou, um pai que a abandonou e vários anos a viver praticamente como sem abrigo, seria de esperar que Phoebe se tornasse uma pessoa amarga e egoísta como a sua irmã gémea Ursula (que também apareceu na série "Doido Por Ti"), mas na verdade é um espírito optimista e alegre. E apesar de ser a última adição ao grupo dos seis, o seu jeito inconvencional e fora da caixa é como que o ingrediente secreto do grupo. Massagista de ofício e cantora de vocação, é autora do hit "Smelly Cat" (cuja tradução portuguesa deu nome a um certo célebre colectivo de humor no nosso país - não é preciso dizer qual, pois não?). Mas após ter vivido uma vida tão fora da caixa, Phoebe apercebe que também precisa de algo convencional na sua vida e por isso, quando o amor surge entre ela e Mike (Paul Rudd) - que vai-se tornando o mais parecido com um sétimo amigo do grupo - após alguns altos e baixos da relação, não hesita em aceitar o seu pedido de casamento.



Joey Tribbiani (Matt Leblanc): o típico pateta alegre, que ora parece ser uma criança em ponto grande e burro que nem uma porta, ora revela surpreendentes rasgos de extrema maturidade e inteligência. Actor em busca do seu grande papel, conquistador básico mas eficiente (nunca subestimar o poder de um sorridente "How you doin'"!) e comedor incansável, Joey tem no grupo de amigos o seu porto de abrigo, tanto para lhe acarinhar como para lhe dar as palmatórias que precisa. Apesar de se apaixonar por Rachel numa temporada mais avançada, é com Phoebe que Joey terá mais química, onde por vezes pinta um clima de sedução entre ambos, embora nunca ao ponto de comprometer a amizade. 



Chandler Bing (Matthew Perry): quando se é filho de um transsexual e de uma escritora de romances apimentados e se cresce com vários tormentos interiores e exteriores, é possível que essa pessoa faça do sarcasmo uma forma de arte. E embora o temperamento ácido e a sua casca dura tenham ajudado Chandler a ser bem-sucedido financeira e profissionalmente, sendo executivo numa empresa (que não se sabe bem de quê), esses modos têm-lhe provocado alguns dissabores e é no seio do grupo de amigos que ele tem o seu porto de abrigo, sendo prova do poder da amizade. Antes de amizade com Monica passar a amizade colorida e mais tarde a amor, a mulher mais constante na sua vida (quer ele  e os outros amigos queiram, quer não) é Janice (Maggie Wheeler), dona do riso mais irritante que os tímpanos humanos já ouviram.



Ross Geller (David Schwimmer): Paleontólogo de profissão, dizer que o irmão de Monica tem uma vida amorosa atribulada é dizer pouco. Quando a série começa, a sua ex-mulher Carol (Jane Sibbett) deixou-o por outra mulher Susan (Jessica Hecht), quando esperava o filho de ambos, Ben. E depois há a alucinante história com Rachel, por quem sempre foi apaixonado: a alegria da amizade gradualmente transformada em amor, a triste incidente que acabou com a relação e imortalizou o bordão "We were on a break!", dizer o nome de Rachel durante a cerimónia do seu casamento com Emily (Helen Baxendale), o casamento com Rachel regado a álcool que ambos julgavam não ser válido mas afinal era e a filha que resultou disso e a reconciliação final. ("I got off the plane.") E depois há Marcel, o seu endiabrado macaco de estimação...

Claro que algumas piadas envelheceram mal, claro que o decurso da série teve os seus momentos menos brilhantes e de lazy writing, claro que as críticas de falta de diversidade no elenco terão a sua validade, mas não há dúvida que na sua essência, "Friends" continua a ser uma série que se vê com bastante agrado.

Em Portugal, começou a ser exibida na RTP em 1995 mas só teve uma exibição regular quando a RTP2 passou a exibir desde o seu início de segunda a sexta feira à hora do jantar. Recordo-me que em 1998, na estreia de uma das temporadas, experimentou-se uma dobragem em português (por exemplo com Maria João Luís a fazer a voz de Monica e Rui Paulo a de Joey) mas o resultado foi tão mal recebido pelo público que essa experiência só durou três episódios. 



E agora eis alguma trivia aleatória:
- Entre os títulos considerados para série estavam "Six Of One" e "Insomnia Café".
- Na primeira temporada, os seis protagonistas ganhavam 22500 dólares (antes das filmagens Matt Leblanc só tinha 11 dólares na sua conta). Nas duas últimas temporadas, cada um ganhava um milhão por episódio.
- Courteney Cox era uma das primeiras opções dos autores da série para fazer de Rachel mas ela pediu para fazer de Monica.
- A moldura dourada que se vê na porta do apartamento de Monica era de um espelho que um membro da equipa de filmagens partiu por acidente.
- "Shiny Happy People" dos R.E.M. esteve quase para ser o tema do genérico.
- O último episódio da série continua a ser o programa não-desportivo com a taxa de publicidade mais cara nos seus intervalos no Reino Unido.
- Quase todos os episódios da série têm um título que começa por "The One...". As únicas excepções foram o 100.º episódio ("The Hundredth One") e o último ("The Last One").
- Lisa Kudrow estava grávida nos episódios em que Phoebe está grávida de trigémeos. Mesmo assim, teve de usar uma barriga falsa.
- Na cena em que se descobre que Monica e Chandler foram para a cama juntos, o público presente nas gravações aplaudiu durante quase meio minuto. 
- Gunther é a personagem que aparece em mais episódios depois dos seis protagonistas. O actor James Michael Tyler pintou o cabelo de louro ao longo de toda a série e diz que foi escolhido para o papel porque foi o único figurante contratado no piloto que sabia trabalhar com a máquina do café.
- Entre nomes famosos que entraram na série estão Brad Pitt, Julia Roberts, Bruce Willis, Reese Witherspoon, Hugh Laurie, Jennifer Grey, Helen Hunt (na sua personagem de "Doido Por Ti"), Hank Azaria (que fez duas audições para o papel de Joey), Ellen Pompeo, Jean-Claude Van Damme, Ben Stiller, Winona Ryder, Sean Penn, Danny DeVito, Anna Faris, George Cloonet e a ex-Duquesa de York Sarah Ferguson.

Genéricos de todas as temporadas


"I'll Be There For You" The Rembrandts





sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Buck Rogers (1979-81)







O herói Buck Rogers nasceu nas páginas das novelas pulp em 1928, cinco décadas antes da série de finais dos anos 70. Em 1929 passou para a banda desenhada com tal sucesso que surgiram muitos imitadores desse estilo de aventura e exploração espacial, como o famoso "Flash Gordon". O seu criador foi Philip Nowlan que provavelmente não imaginava que quase um século depois ainda subsistissem várias adaptações do seu herói em meios tão diversos como a rádio, os filmes em folhetins, videojogos ou séries de televisão, além das formas impressas, é claro.

Nos anos 50 já tinha existido uma série, mas a maioria das pessoas vivas recorda é claro a que hoje nos ocupa, estreada no dia 20 de Setembro de 1979 até Abril de 1981, ao longo de duas temporadas.
A sonda carregando o corpo congelado de Buck Rogers só aterrou em Portugal, a 10 de Março de 1984, na RTP-1, ás 18h dos Sábados. Pelo menos foi a data mais recuada de que encontrei registos, até ao momento. E a meio do ano já andava em exibição os episódios da segunda temporada. As emissões prolongaram-se até o final de 1984, até 17 de Novembro. Na semana seguinte, as aventuras de Buck Rogers deram lugar ás aventuras do "Automan - O Homem Automático" e o seu carro que fazia curvas de 90 graus (no ar na RTP até Fevereiro de 1985 tempo suficiente para emitir os 12 episódios desta série cancelada prematuramente).
Tal como produtos como "Galactica", "Buck Rogers In The 25Th Century" - ambos produzidos por Glen A. Larson ("O Justiceiro", "Automan", "Magnum P.I", "Manimal", etc) - foi desenvolvido para aproveitar o filão aberto por "A Guerra das Estrelas" em 1977. E tal como "Galactica", "Buck Rogers" testou a aceitação do conceito nas salas de cinema primeiro e depois no formato de episódios semanais, neste caso um total de 37 episódios. 

O filme "Buck Rogers no Século 25" (segundo o IMDB teve estreia em Portugal a 12 de Outubro de 1979) foi editado, com cenas suavizadas, outras cortadas e também acrescentadas para o transformar nos primeiros episódios da série. O plot é simples: numa missão espacial no futurista ano 1987, o astronauta capitão William Rogers, "Buck" para os amigos, sofre um acidente que o deixa inanimado por 500 anos. Buck é reanimado em 2491 e tem que se adaptar à vida com os humanos sobreviventes de um cataclismo nuclear, que além de reconstruir o planeta são ameaçados por extraterrestres hostis. 

Entre os vilões destaca-se a bela Princesa Ardala (Pamela Hensley), apostada em conquistar a Terra e o mulherengo Buck Rogers interpretado pelo galã Gil Gerald (conhecido basicamente pelo desempenho de...Buck Rogers. E pouco mais). 

A companheira de aventuras e possível interesse amoroso ficou a cargo da modelo Erin Gray, como a coronel Wilma Deering.



E o que recordo melhor da série que devo ter visto muito novo é o irritante sideckick "Twiki" o robot amigo/criado dos defensores do planeta. Pelo menos nas minhas memórias é irritante, como uma versão criança do C3-PO ou o Alpha 5 dos Power Rangers. Sinceramente não faço ideia, nunca mais revi os episódios desde que os vi lá para inícios dos anos 80 na RTP. E consegui recentemente confirmar, a minha sensação que entre nós a grafia do título da série era "Buck Rogers no Século XXV".


A segunda temporada trouxe uma grande mudança de estilo mais perto da "Star Trek" - em busca de antigas colónias da Terra a bordo da nave Searcher - entre outras que contribuíram para o cancelamento em 1981. 



Consegui localizar no "Diário de Lisboa" a crítica de Jorge Leitão Ramos ao filme:



terça-feira, 10 de setembro de 2019

Anúncio Campanha Anti-Tabagista (1988)

por Paulo Neto




Eu confesso que não sou uma pessoa que tem máximos cuidados com a saúde, mas pelo menos existe uma coisa saudável de que me orgulho ter praticado ao longo da minha vida: não fumar. Nunca fumei um cigarro inteiro na vida e creio que não devo ter dado mais de sete ou oito passas. Pura e simplesmente o tabaco nunca me atraiu, não gosto do sabor e odeio o cheiro, e com todos os malefícios que se conhecem e o preço cada vez mais galopante dos maços, não será agora que vou começar.   

Seja como for e apesar de tudo, o tabaco ainda é bastante consumido no nosso país. O que não impede que aqueles que fumam possam deixar de o fazer se assim quiserem e que o Estado organize periodicamente campanhas para alertar contra os malefícios do tabaco (desde o mau-estar imediato às doenças mais possíveis de serem contraídas devido ao seu consumo). Se hoje em dia, a lei actual proíbe o acto de fumar em espaços fechados e coloca outro tipo de restrições, nos anos 80, podia-se fumar em muitos mais sítios, o que estava a tornar-se um problema de saúde pública quer para os fumadores quer para os que tinham de lidar com o fumo deles, até porque foi nesta altura que ficou provado que aqueles, que não fumando, frequentavam ambientes cheios de fumo de tabaco eram mais afectados pelos seus malefícios do que os próprios fumadores. 


Foi por isso que em 1987, o Ministério da Saúde lançou aquela que seria a sua maior campanha de publicidade institucional anti-tabagista sob o slogan "Não Fume Pela Saúde" e tendo como logótipo a imagem de um coração asfixiado por um cigarro, que se prolongou ao longo dos anos seguintes e que resultou em diversos cartazes nas ruas e estabelecimentos de saúde e anúncios publicitários que passavam na RTP. Eis um deles:



O canal do YouTube de Vasco Ferreira publicou recentemente aquele que para mim e para muitos foi o anúncio mais marcante dessa campanha, inserido neste mini-bloco publicitário de Dezembro de 1988.Como é na adolescência que a maioria das pessoas começa a consumir tabaco, este anúncio destinava-se sobretudo para a sensibilizar o público mais jovem. (0:11-0:51 neste vídeo)





Uma linda rapariga loirinha sai do antigo Museu da Cidade (actual Museu de Lisboa) em Campo Grande. Enquanto ela se prepara para ir-se embora de mota, chegam dois rapazes: um louro de casaco vermelho e um moreno com uma camisola azul que diz "Mr. Wonderful" (e que doravante irei referir-me a ele com esse nome). O louro e o Mr. Wonderful, que entretanto acende um cigarro, tentam chamar a atenção da loirinha que lhes devolve apenas um breve olhar e um tímido sorrido antes de arrancar na mota. 
Mas eis que mal ela arranca, o material escolar da loirinha cai da mota e os rapazes têm a oportunidade perfeita de impressioná-la. Os dois apressam-se a apanhar os livros e os cadernos caídos e correm freneticamente atrás da mota até que o Mr. Wonderful, sempre com o cigarro na mão, pára todo exausto enquanto o louro continua até alcançar a loirinha na mota. Esta tira o capacete, faz um cinematográfico sacudir de cabelo e sorri para ele.

E enquanto o louro e a loirinha engraçam um com o outro (quiçá atraídos pela loireza um do outro), o ainda ofegante Mr. Wonderful, sentindo-se tudo menos maravilhoso, olha para o cigarro na mão, deita-o ao chão e esmaga-o com o pé (na altura ainda não se pagava multa por atirar beatas ao chão). O anúncio termina em freeze-frame com o close-up do cigarro esmagado no chão aos pés do rapaz, a voz que debita o slogan "Não fume, pela sua saúde",  e aparição no ecrã do dito slogan, do logótipo da campanha e das palavras "Conselho de Prevenção do Tabagismo". Inclusivamente esse frame final acabou por ser utilizado como cartaz da campanha, que me recordo de ver em hospitais, centros de saúde e em outdoors.



Gosto de imaginar que devido a este anúncio, muito rapaz terá pensado duas vezes antes de acender um cigarro, não fosse terem de correr com um amigo atrás de uma rapariga e ficarem para trás...

    
Entretanto, no Facebook da "Enciclopédia de Cromos", o nosso seguidor Pedro Henriques referiu que a loirinha do anúncio era uma jovem sueca que na altura estudava na Escola Americana em Lisboa.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Anúncios da Prevenção Rodoviária Portuguesa (Anos 80)


por Paulo Neto



Infelizmente, o nosso país é conhecido pelos seus elevados índices de sinistralidade rodoviária. E se hoje em dia os números não são favoráveis, nos anos 80, quando havia bem menos regulação, registavam-se níveis verdadeiramente preocupantes. Foi nessa década que a Prevenção Rodoviária Portuguesa lançou diversas campanhas institucionais com anúncios que ficaram na memória de todos.



Quem não se recorda nos idos de 1988 do Pepito equilibrista da campanha "Vamos & Vivos"? Num desenho animado algo tosco, uma voz circense anuncia o número do equilibrista que no percurso de volta, emborca uma caneca de cerveja (um cópito para ganhar córagem!) e estatela-se no chão, como uma metáfora para os efeitos do álcool durante a condução automóvel. 



Um anúncio do qual confesso que já não me lembrava era este de 1989, com imagens de um jogo de futebol (ao que parece da Selecção Nacional) aparentemente diante de um Estádio Nacional no Jamor praticamente vazio. Tudo isto para assinalar os alarmantes números de sinistralidade rodoviária que se verificava na altura, chegando ao ponto de encher um estádio. 



Regressando aos malefícios do álcool, este anúncio de 1986 com um lápis a percorrer uma maqueta de estrada com árvores e tudo até ao inevitável partir do bico (isto é, despiste na estrada) é um dos mais míticos que se fizeram sob a premissa do ainda mais mítico slogan "Se conduzir não beba!"


Outro anúncio lendário tinha como slogan "dê mais tempo a quem precisa" e tinha como protagonista um simpático casal de idosos. Um senhor de bengala vê-se em palpos de aranha para atravessar uma rua e ir ter com a senhora que o espera do outro lado. Esta assiste com ar assustado ao esforço do companheiro a avançar lentamente no meio dos carros que não abrandam nem sequer parecem dar conta que ele está ali a tentar atravessar. Finalmente um carro pára para que o idoso atravesse sem mais problemas e se reúna com a senhora. Uma vez juntos, ambos agradecem o gesto.



Os ciclistas também não foram esquecidos nas campanhas da PRP e este anúncio de 1989 advertia para uma nova legislação que obrigava a que os velocípedes sem motor, vulgo bicicletas, a incluir diversos apetrechos reflectores, nomeadamente na rectaguarda, nos pedais e nas rodas (que podiam ser três reflectores de forma circular e ou dois em forma de coroa circular). E de facto, a partir deste anúncio, comecei a reparar mais nas bicicletas com que eu ia-me deparando para ver se tinham os reflectores nas rodas. Esta campanha gerou mais um célebre slogan: "Quem me avista, meu amigo é".



Já este anúncio alertava para os perigos do vandalismo de sinais de trânsito. Existe uma outra versão em que um grupo de jovens passeia alegremente na rua e decidem passar uma lata de tinta de graffiti sobre um sinal de sentido proibido, ao passo que neste vídeo vemos alguém a investir directamente num sinal de STOP com uma marreta. Mais tarde, em plena noite, devido a esse gesto, ocorre uma violenta colisão entre dois carros, sendo possível ver uma figura feminina de balandrau negro, a representar a Ceifeira. E em voz-off e escrito no ecrã surge a frase: "Não faças dos sinais a morte".



Um anúncio que eu me recordo bastante bem é aquele sobre a importância de utilizar o cinto de segurança. Um casal tipicamente eighties - ele de bigode, ela de permanente - entra no carro e enquanto o homem coloca o cinto de segurança, a mulher parece mais preocupada com as aparências, ao ponto de querer usar o espelho retrovisor para retocar a maquilhagem. A senhora acaba por pagar caro a sua vaidade pois enquanto está distraída a olhar para o espelho da pala lateral enquanto aplica batom nos lábios, há uma travagem e a mulher bate de cabeça no pára-brisas. Ao ver a esposa inanimada, a primeira reacção do ileso senhor de bigode é agarrar com força no cinto e o anúncio termina com a frase "Há um cinto que o prende à vida" dita em voz-off e a aparecer escrita no ecrã. (Esperemos que a sua  reacção seguinte é verificar como estava a mulher e chamar ajuda. Também me recordo de haver depois uma versão bem mais ligeira do anúncio onde o homem lembra a mulher para colocar o cinto e ela obedece, e o anúncio termina aí com a frase final no plural: "Há um cinto que OS prende à vida."     






Como à partida, todos nós andamos a pé na rua, os peões foram sempre um dos mais importantes alvos das campanhas da PRP . Por acaso, também não me lembrava destes dois anúncios de 1988 em que uma rapariga sardenta e de cabelo encaracolado observa os comportamentos correctos e incorrectos de pessoas ao caminhar na rua, dando o sinal de aprovação quando eles procedem bem e abanando a cabeça quando fazem mal, como é o caso num dos vídeos em que um senhor decide dar uma de radical e atravessar uma atarefada praça fora das passadeiras.





Para terminar e depois de anos antes terem dado cara a uma campanha contra a droga, em 1989 os Ministars abraçaram a causa de prevenção rodoviária dos pedestres sob a forma do tema "Só Se Vive Uma Vez", que depressa se tornou tema original mais popular do grupo e um videoclip onde eles surgiam dentro de sinais de trânsito e que me lembro de passar várias vezes ao dia, por exemplo antes da "Rua Sésamo", pelo que eu e os meus colegas de escola tínhamos bem presente o refrão: "Todos somos iguais/de vez em quando/ somos peões neste xadrez/ e só vivemos uma vez".  

Espero que um dia também venha a surgir na internet outro anúncio mítico da PRP, o do "Comigo o miúdo vai sempre atrás."
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