sábado, 29 de setembro de 2012

Hermesetas Gold (1988)


"Hermesetas Gold" surgiu em plena loucura da multiplicação de produtos light. Este sucedâneo para substituir o açúcar, uma mistura das substâncias Aspartame e Acesulfame-K, compostos orgânicos sem calorias e com sabor semelhante a açúcar lançado em 1988 pela Hermes Sweetener Ltd. A data 1988 é indicada no site da própria empresa, apesar de um anúncio britânico de 1984 já mostrar o mesmo nome, com outro design: Anúncio Channel 4 - 1984 -a partir do minuto1:44


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

White Satin (1988)

"White Satin",  "o gin adulto". "...Desde 1770 segundo a fórmula original de Sir Robert Burnett."

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Videogravador Philips VR6943 (1988)

"Videogravador Philips VR 6943", VCR HI-FI.

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sorveteira Philips (1988)

Anúncio à "Sorveteira Philips" que anunciava: "acabaram os gelados sem gosto. Nova Sorveteira Philips. Gelados naturais ao sabor da sua imaginação"."...é fácil e divertido ter durante todo o ano sobremesas sempre sempre diferentes e tão económicas!"
O slogan da Philips nessa altura era "Quem tem Philips, tem tudo."

Encontrei no Youtube um anúncio, de 1992, sob o nome "Sorveteira Walita" (Philips Walita) de um modelo quase idêntico:



Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sailor Moon - A Navegante da Lua (1992-1997)

por Paulo Neto

Se bem que já muito tempo que muitas das nossas séries animadas preferidas eram feitas no Japão, foi nos anos 90 que o culto dos anime japoneses se estabeleceu em Portugal. Além de séries televisivas, o culto também estendia-se aos filmes que eram distribuídos no mercado do vídeo, dos quais se destacavam títulos como "Akira" e "Ghost in the Shell". Em termos televisivos, bastaria referir o fenómeno que foi saga "Dragon Ball", mas outra série quase tão mítica quanto foi "A Navegante da Lua" ("Sailor Moon" como título internacional e "Bishoji Shensi Sera Mun" no original).


A saga foi criada em 1992 por Naoko Takeuchi, a partir de um manga da sua autoria iniciada um ano antes, tendo sido criadas cinco séries que duraram até 1997. A autora tinha uma manga anterior, "Codename: Sailor V" que foi como um esboço da série, recuperando mesmo a protagonista que dá nome ao título para a personagem da Navegante de Vénus.

Embora o estilo e a premissa fizessem da série um produto destinado sobretudo ao público feminino, a verdade é que, tal como havia raparigas a seguirem avidamente o "Dragon Ball", não eram muitos os rapazes com vergonha de admitir que acompanhavam esta série. Por exemplo, eu e o meu irmão gostávamos de seguir a série, apreciando sobretudo os momentos de humor quando as personagens faziam alguma asneira e ficavam com umas caras exageradamente cómicas. Eis uns exemplos:



Aliás, além do equilíbrio entre momentos de humor burlesco e partes mais dramáticas, "Sailor Moon" e "Dragon Ball" tinham em comum o facto de terem um protagonista imperfeito. Enquanto a maioria da animação criada ou inspirada pelo mundo Ocidental apresentava-nos heróis perfeitos e imaculados, os protagonistas de séries intrinsecamente japonesas, apesar das qualidades de herói, têm as suas falhas de carácter. Por exemplo, heróis preguiçosos, indisciplinados, comilões e com uma dose considerável de imbecilidade, mas cuja bondade e coragem acabam por compensar largamente esses defeitos.

Era essa também o caso da protagonista de "Sailor Moon", Bunny (Usagi na versão original) Tsukino, uma rapariga de 14 anos sem aparentemente nada de extraordinário. Aliás é preguiçosa, má aluna, comilona e desastrada. Um dia, Bunny encontra um gato chamado Luna que revela que ela é a Navegante da Lua, a reencarnação de uma guerreira do Reino da Lua e que tem de combater os inimigos que ameaçam a Terra como outrora subjugaram a Lua. 
Os diversos inimigos que ela encontra ao longo de toda a saga têm por hábito sugar as energias dos humanos para conseguirem progredir no seu objectivo final (o típico "destruir e/ou dominar a Terra") e de invocarem os demónios de aspectos mais bizarros. 
Quando enfrentava um desses demónios, a Navegante da Lua dizia a lendária frase: "Em nome da Lua, vou castigar-te!". A sua arma inicial era uma tiara (que também levava à famosa frase: "Tiara, acção!"), mas ao longo da série, ela vai adquirindo novas armas. Paralelamente, Bunny vai descobrindo mais sobre a sua verdadeira identidade como reencarnação da Princesa da Lua e ganhando auto-confiança e maturidade (se bem que ainda vá fazendo alguns hilariantes desastres aqui e ali).



Na primeira série, surgem outras guerreiras navegantes para combaterem ao lado da Sailor Moon: Ami, a Navegante de Mercúrio, a mais madura e inteligente do grupo ("Espuma de sabão, espalha-te!"); Rita (Rei na versão original), a Navegante de Marte, desbocada e mandona, e quase sempre às turras com Bunny ("Alma de fogo, arde!"); Maria (Makoto na v.o.), a Navegante de Júpiter, excelente cozinheira e a pinga-amor do grupo ("Supremo trovão!"); e Joana (Minako na v.o.), a Navegante de Vénus, aspirante a estrela do voleibol e que tem uma gata mentora, Artemisa ("Raio crescente!"). Há também o Guerreiro Mascarado que ajuda sempre as Navegantes nos momentos de maior aperto, e que vem-se a saber que é Gonçalo (Mamoru na v.o.), o misterioso rapaz por quem Bunny se apaixona.




A segunda série (a série R) introduz Chibiusa, a miúda precoce e pespineta que se faz passar por irmã mais nova de Bunny, mas que na verdade é a reencarnação da filha da Princesa da Lua, e marca a breve aparição da Navegante de Plutão, Susana (Setsuna na v.o., "Grito da morte").
A Navegante de Plutão terá mais destaque na terceira série (Série S) onde também aparecem as restantes navegantes. Duas delas formam um casal lésbico: a arrapazada Haruka, a Navegante de Urano ("Abalo do Mundo!") e a feminina Mariana, a Navegante de Neptuno ("Megulho profundo!"). E por fim, a Navegante de Saturno, Octávia ("Hotaru na v.o."), que, à mercê das mãos erradas, poderá ser uma ameaça letal para as outras Navegantes.



Houve ainda mais duas séries (Super S e Stars). Na última delas, as Navegantes têm três aliados andróginos, os Navegantes das Estrelas, rapazes na forma civil e raparigas na forma guerreira (com seios incluídos!), usando roupas de combate que mais pareciam lingeries de dominatrixes. Um deles (ou delas?), Seiya, terá uma ligação próxima com Bunny.


Com vários ingredientes predestinados a cativar ao público jovem (fantasia, mistério, humor, romance, e apenas uma leve pitada de violência) "Sailor Moon - A Navegante da Lua" tornou-se uma das míticas séries anime dos anos 90 em todo o mundo. Estreou na SIC em 1994, no espaço de animação das tardes de segunda a sexta-feira, espaço esse que mais tarde seria ocupado pelo "Dragon Ball". Outra característica comum a estas duas séries é o facto de a dobragem portuguesa ter sido feita pela empresa Novaga e alguns dos seus actores, em especial António Semedo, Fernanda Figueiredo e Cristina Cavalinhos, terem feito vozes em ambas as séries.
Quem também emprestou a voz a esta série foi a antiga apresentadora televisiva Isabel Wolmar, que além do papel regular da Navegante de Mercúrio, também fazia a voz da maioria das vilãs. Para quem recordava Isabel Wolmar dos seus tempos de apresentadora, era com graça que se imaginava aquela senhora que o país conhecia pela sua postura respeitável a dizer coisas: "Aparece, Demónio!" ou "Entrega-me a tua energia!". E foi somente em Portugal que, por qualquer motivo obscuro, optou-se por trocar o sexo dos gatos. Sim, no resto do mundo o Luna era fêmea e a Artemisa era macho!

    
A série foi também exibida na TVI em 2000 e actualmente no Canal Panda. O tema do genérico em Português era cantado por Mafalda Sacchetti. (Sei de mais de um caso de quem tivesse sido afectado por um mondegreen que fazia parecer ouvir  "por essas calças esquecidas"!)

Além da manga e da série anime, a franchise Sailor Moon também já gerou três filmes, um musical e uma série com actores de carne e osso. Mais informação sobre a série no blogue "Desenhos Animados". E não resisto a recomendar o canal do YouTube "Sailor Pitas" com adaptações marotas (e supercómicas) da série. Eis um exemplo, referente ao primeiro episódio:

Actualização:Excerto do Episódio 23 da temporada "Sailor Moon S", dobrado em português, gravado por altura da emissão no Batatoon, no canal TVI:

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"

Sprite (1988)

Um anúncio simples, mas apelativo, com um casal jovem a curtir o Sol na piscina, mas refrescados pelo refrigerante Sprite . O Sprite foi criado em 1961 pela Coca Cola Company como resposta ao sucesso do 7Up, e está à venda em Portugal desde 1981.

Há bastantes anúncios desta época ao Sprite  no Youtube, mas gostava de destacar este, com a música em português:


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Portugal há 20 Anos - Grande Reportagem SIC


Portugal há 20 anos. Esse foi o objecto da Grande Reportagem SIC - "O Que Será, Será..." , emitido a 23/09/2012. Recordar as diferenças do Portugal de outrora, dos anos 90e compará-las com o país actual.

Veja a reportagem, com 38 minutos de duração:



No site da SIC, era assim definida a reportagem:

"O país dos emigrantes começava a transformar-se no país de imigrantes. Havia 38 mil barracas à volta de Lisboa e Porto. Falava-se do PER (Programa Especial de Realojamento) com a mesma naturalidade com que hoje se fala na Troika. O automóvel era acessível a 45% das famílias. Os telemóveis eram grandes e pesados. O cinto de segurança não era obrigatório. Os Porfírios ainda vestiam mais uma geração. A SIDA era uma sentença de morte intratável. Os homossexuais não casavam nem se mostravam. No país rural, o porco era morto em casa e, no prato, comiam-se "jaquinzinhos" sem infringir a lei. O lixo era todo no lixo: não havia pilhão, papelão ou aterros sanitários. Uma parte inquantificável de uma geração morreu agarrada a uma droga. O leite não era enriquecido e os tomates não eram cereja. Lembram-se deste país? Era Portugal há 20 anos.

Jornalista: Amélia Moura Ramos
Repórter de Imagem: Jorge Guerreiro
Editor de Imagem: Rui Rocha
Grafismo: Cláudia Ganhão"

Socigrupo (1988)

Publicidade ao "Socigrupo, Venda de Bens em Consórcio, Lda", que vende automóveis, motos, barcos  caravanas, casa pré-fabricadas, vídeos, etc, sem entradas e sem juros.

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

domingo, 23 de setembro de 2012

High Energy - Top-Hits '80 (1979)

Hoje trago-vos mais uma compilação, desta vez alemã, com os êxitos e  os artistas que estavam na berra na altura: "High Energy" com o subtítulo Top-Hits '80. Consistia em 20 temas em apenas 1 LP de vinil. Este vinil faz parte da colecção da família, vindo directamente da Alemanha, trazido por algum dos membros que lá esteve emigrado.


High Energy - Top-Hits '80 
1979
K-Tell Records


A capa frontal é bem colorida e cheia de "energia", com os títulos sobre uma cidade em festa à noite. No canto o tradicional aviso "Anunciado na TV e na Rádio", obviamente em alemão: "Aus der TV - und Radio - Werbung". Destaca ainda artistas como os Boney M. (que têm duas faixas no disco), Suzi Quatro, Blondie, Sister Sledge e alguns nomes menos recordados nos dias de hoje.


O outro lado tem a lista das faixas para ambos os lados e fotos dos artistas em destaque:


A track list (clique no nome da faixa para ouvir os temas ou videoclips):

Lado A:

  1. Gotta Go Home - Boney M. (Soa familiar? Duck Sauce - Barbra Streisand)
  2. Gloria - Humberto Tozzi (Ouvi mais vezes o cover de 1982: Gloria - Laura Branigan)
  3. She's In Love With You - Suzi Quatro (primeiro single do álbum 'Suzi...and Other Four Letter Words')
  4. Boy Oh Boy - Racey ( o quarto single do grupo britânico)
  5. Remember Then - Showaddywaddy (adoro o nome deste grupo britânico que se especializava em versões de êxitos dos anos 50 e 60, neste caso o Remember Then - The Earls)
  6. Rocking Son Of Dschinghis Khan - Dschinghis Khan (quarto single da banda alemã famosa pela sua participação no Festival da Eurovisão 1979 onde obteve o 4º lugar)
  7. Kingston, Kingston - Lou & The Hollywood Bananas (sucesso a solo do músico e produtor musical belga Lou Deprijck)
  8. Buy Mi Bananas - Eyes On Fire ( ver foto do terceiro single do grupo também conhecido por Eyes)
  9. The Part Of Me Thar Needs You The Most - Exile (retirado do segundo álbum da banda americana Exile, antes conhecidos por The Exiles)
  10. If I Said You Had A Beautiful Body Would You Hold It Against Me - Bellamy Brothers (o primeiro grande sucesso do grupo pop e country The Bellamy Brothers: David Bellamy e Howard Bellamy
    ainda em actividade)


Lado B:

  1. Dreaming - Blondie (o primeiro single do quarto álbum dos americanos Blondia: 'Eat to the Beat')
  2. Cars - Gary Numan ( o tema é considerado um marco do género sub-género new wave, e Numan um pioneiro da música electrónica comercial)
  3. Bird Song - Lene Lovich (um tema invulgar com um videoclip bizarro, que vale a pena ver)
  4. Fabulous Lover, Love Me - Amanda Lear (a canção aborda os rumores de que a cantora seria um  transsexual!)
  5. Codebreaker - Spitfire [não encontrei video, fotos ou informação sobre a banda ou o tema]
  6. Going Through The Motions - Hot Chocolate (tema extraído do 5º álbum de estúdio,  'Going Through The Motions', do popular grupo britânico)
  7. Lost In Music - Sister Sledge (o single que se segui ao enorme êxito "We Are Family", o maior desta banda feminina)
  8. You Cand Do It - Al Hudson & The Partners (pouco depois a banda, de R&B/funk, mudou o nome para "One Way featuring Al Hudson" e depois "One Way")
  9. We Gotta Get Out Of This Place - Gilla (Gilla era o nome artístico da austríaca Gisela Wuchinger, que aqui cantou uma cover do tema dos ingleses The Animals : "We Gotta Get Out Of This Place".)
  10. El Lute - Boney M. (lançado no mesmo single duplo com "Gotta Go Home", a canção conta a história de Eleuterio Sánchez, o homem mais procurado da Espanha, famoso por várias evasões, e que se declarava inocente das acusações de homicídio. Em 1981 foi solto e perdoado.)

Pure Care (1988)


Anúncio à gama de produtos "Pure Care", da Avon, para "o tratamento completo da pele", "Sem perfume. Sem álcool. Sem Corantes. Hipoalérgicos." 

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

sábado, 22 de setembro de 2012

Righeira "Vamos a la Playa" (1983)

por Paulo Neto

Conforme foi noticiado, o Verão de 2012 terminou hoje às 15:46, se bem que continue o calor e de há vários anos para cá, os climas típicos de cada estação estarem cada vez mais baralhados.

Foram várias as canções que marcaram os Verões da nossa infância. No meu caso, uma delas é "Vamos a la Playa" do duo italiano Righeira. Isto porque era uma das canções de uma cassete que o meu pai punha a tocar no carro nos idos de 1986 e 1987 e que acabei por associar às idas da nossa família à praia: aos Domingos com a manhã na praia da Vieira de Leiria e tardes na praia do Pedrógão e nas férias no Algarve em Setembro na praia da Alagoa (Altura, Castro Marim). Afinal de contas, que melhor canção para ilustrar uma ida à praia do que uma que repete ad infinitum "Vamos a la playa, oh oh oh..."?


Graças ao título, refrão e a batida electro-pop solarenga, o tema de 1983 tornou-se rapidamente um hino de Verão e uma das faixas mais míticas do italo-disco (quiçá somente ultrapassado pelo "Comanchero" dos Moon Ray, esse épico sobre índios, cowboys e catarro do fumador que o David José Martins já abordou aqui no blogue). Apesar do duo ser italiano, o tema é integralmente cantado em espanhol. Uma vez apercebido o resto da letra, verifica-se que por detrás da superfície estival e despretensiosa, está uma mensagem sarcástica sobre bombas atómicas e poluições nas praias, ou não estivéssemos nós nos anos 80, com a Guerra Fria na ordem do dia e o despertar social para as questões ecológicas. 

Na primeira estrofe, logo sem rodeios, fala-se de uma bomba que estalou no mar e que "as radiações torram" a pele. Na segunda estrofe, recomenda-se que quem quiser ir à praia terá de usar um sombrero porque "o vento radioactivo despenteia os cabelos". Na terceira e última estrofe, declara-se que por fim o mar está limpo, porque se acabaram os peixes "hediondos" (mutantes?) e agora no mar não há senão "água fluorescente". Fantasia apocalíptica pós-Guerra Fria ou hipotético cenário futurista pós-aquecimento global?


Os Righeira eram formados por Stefano Rota e Stefano Righi, naturais de Turim. "Vamos a la Playa" foi o primeiro single do duo sob esta designação e foi composto pelos irmãos Carmine e Michelangelo La Bionda, dois dos mais afamados produtores do movimento italo-disco. O tema foi um sucesso um pouco por toda a Europa, tendo mesmo chegado ao n.º 1 do top de singles na Suíça e é desde então (por razões óbvias) um tema de alta rotação nas rádios espanholas. Não existe nenhum vídeo oficial do tema, mas existem no YouTube várias vídeos de actuações do duo, que surge munido nos pulsos de uns espectaculares híbridos de relógio, microfone e rádio com antenas e dançando com uns movimentos que só visto.


O duo continuou o sucesso internacional com o tema de 1984 "No Tengo Dinero" (uma crítica ao capitalismo), mas desde então tem-se concentrado mais a nível interno. Foram n.º 1 em Itália em 1985 com "L'estate sta finiendo" e participaram no Festival de San Remo de 1986 com "Innamorantissimo", ficando em 15.º lugar. Continuaram editar singles até 1990. Em 2001, um álbum best of proporcionou o reformar do projecto e uma re-edição de "Vamos a la Playa". O último álbum dos Righeira data de 2007. 


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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Caderneta de Cromos Para Sempre!


Na semana final da Caderneta de Cromos este blog não podia ficar indiferente a tão importante acontecimento. Foi um choque inicial, confirmar o fim de uma rubrica tão querida de milhares de fãs, mas o show must go on!
Estou a planear ouvir a Caderneta de novo, por ordem, desde o Cromo nº1, emitido no longínquo dia 23 de Novembro de 2009, até ao Cromo nº 1162, datado de 21 de Setembro de 2012. Aposto que alguns leitores e fãs da Caderneta vão fazer o mesmo para matar saudades!
O novo projecto que vai ocupar o espaço da Caderneta  já tem título "Grandiosa História Universal das Traquitanas" e Facebookhttps://www.facebook.com/comunidadetraquitana Confio que nos esperam grandes coisas! Entretanto, há sempre cromos fresquinhos aqui na "Enciclopédia de Cromos"!

Durante esta semana final da Caderneta, Markl e Companhia refizeram os 10 cromos mais votados pelos fãs. 
Vejamos o TOP, com links para os podcasts dos programas refeitos e dos originais:


Gostava de recordar uma ocasião especial, a comemoração do Cromo 1000: "Caderneta de Cromos - Cromo nº 1000" . E podem recordar no arquivos da Enciclopédia os temas que já foram cromados na Caderneta: "Enciclopédia de Cromos - Caderneta de Cromos"
Não me vou demorar mais, porque já escrevi sobre o final do programa: "Caderneta de Cromos - O Fim", só queria acrescentar:
Caderneta de Cromos Para Sempre!



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Guarda-Costas (1992)

por Paulo Neto

Quando "O Guarda-Costas" ("The Bodyguard") estreou em 1992, não foi difícil prever que o sucesso estava mais que garantido. De um lado havia Kevin Costner, que estava no auge da sua carreira depois da glória alcançada nos Óscares com "Danças com Lobos" e continuada em "Robin Hood - Príncipe dos Ladrões". De outro lado, havia Whitney Houston, uma das maiores estrelas da música, no seu primeiro papel no cinema. Juntou-se a isto uma história de amor, aventura, mistério e brilho de Hollywood, mais uma banda sonora explosiva, e a receita não falhou. O que pouca gente sabe é que este era um projecto que vinha a ser concebido desde os anos 70 e que sofrera muitos avanços e recuos até a sua realização definitiva, sobre direcção de Mick Jakcson.



Mas primeiro a história: Frank Farmer (Costner) é um antigo agente dos Serviços Secretos americanos que fez parte da escolta de antigos presidentes dos Estados Unidos e que agora é um reputado guarda-costas privado. A sua próxima missão é proteger Rachel Marron (Houston), uma super-estrela da música e do cinema que tem recebido ameaças de morte.


Ao início, Frank e Rachel não se entendem. Frank pensa que ela é uma diva fútil e convencida e Rachel, desconhecendo a gravidade das ameaças, acha-o paranóico e muito intrusivo nas suas técnicas de protecção. Porém, quando Frank salva Rachel de um motim num dos seus concertos, os dois descobrem uma atracção mútua e vivem momentos românticos até que Frank, receoso que o romance prejudique a protecção dela, decide terminar a relação. Magoada, Rachel faz tudo para irritar Frank e ignora as regras e recomendações dele, até perceber finalmente que a sua vida corre bastante perigo.
Durante um retiro no chalé da montanha do pai de Frank, Herb (Ralph Waite), o perigo torna-se mais real do que nunca quando  Fletcher (DeVaughan Nixon), o filho de Rachel, quase morre devido a uma bomba num barco onde ele estava. Nikki (Michelle Lamar Richards), a irmã de Rachel, após tentar seduzir Frank, acaba por lhe confessar que foi ela que contratou o assassino que os perseguem (cuja identidade ela desconhece), devido à inveja que sempre teve da irmã. O atirador invade o chalé e acaba por matar Nikki.
Frank suspeita que o assassino voltará a atacar na cerimónia dos Óscares, onde Rachel está nomeada para Melhor Actriz. Quando todos já começam a acreditar que não passa de uma suspeita infundada, Frank descobre a identidade do atirador no último instante e salva Rachel. Na altercação que se sucede, Tony (Mike Starr) o presunçoso guarda-costas residente de Rachel acaba por se revelar bastante eficiente. No final, Frank e Rachel percebem que têm de seguir rumos diferentes, mas que nunca esquecerão o que sentiram um pelo outro.



Apesar das críticas negativas e de várias nomeações para os Razzies, "O Guarda-Costas" conquistou o público e foi um dos sucessos cinematográficos de 1992, prolongando o momento de glória de Kevin Costner e catapultando a carreira de Whitney Houston de estratosférica a sideral. Pessoalmente, é um filme que cumpre mas não deslumbra: não sendo mau, poderia ter sido muito melhor. Por exemplo, a química entre os protagonistas não é a que se esperaria num filme destes, apenas a suficiente para um mínimo de credibilidade.
Lawrence Kasdan escrevera a primeira versão do filme em 1976, destinado a ser protagonizado por Steve McQueen e Diana Ross, mas foi abandonado quando as negociações falharam, aparentemente porque McQueen não queria que o seu nome aparecesse depois do de Ross. Kevin Costner referiu que pretendia homenagear McQueen no seu desempenho, ao ponto de usar um corte de cabelo semelhante. 



Já nos anos 80, houve uma segunda tentativa, com Ryan O'Neil e de novo Diana Ross como protagonistas, já que os dois namoravam na altura, mas a relação terminou e o projecto foi novamente abortado. Ao longo de toda a saga, nomes como Emilio Estevez, Val Kilmer, Alec Baldwin, Robert Downey Jr. e Charlie Sheen foram considerados para o papel de Frank e nomes como Cher, Madonna, Kim Carnes, Olivia Newton-John, Janet Jackson e Deborah Harry para o papel de Rachel. Como curiosidade, a mansão de Rachel no filme é a mesma que foi usada no filme "O Padrinho" para a famosa cena da cabeça de cavalo.



O sucesso de "O Guarda Costas" porém acabou por causar um revés aos dois protagonistas. Desde então que a carreira de Kevin Costner tem pautado mais por flops ("Waterworld", "O Mensageiro", "Por Amor ao Jogo", "Dragonfly") do que por sucessos ("As Palavras que Nunca te Direi", "O Guardião") e Whitney Houston admitiu que o prolongado êxito do filme e da banda sonora intensificou o seu consumo de drogas, até então apenas esporádico. 


Mas falar de "O Guarda-Costas" é também falar da sua banda sonora, que com 45 milhões de cópias vendidas, é a mais vendida álbum de  um banda sonora de um filme e ainda um dos discos mais vendidos de sempre em formato CD. O disco contém temas de Kenny G, Joe Cocker, Aaron Neville, Lisa Stansfield, Soul System, Curtis Stigers e claro está, seis temas interpretados por Whitney Houston.
O tema mais célebre foi, obviamente, a versão de "I Will Always Love You", escrito e originalmente gravado por Dolly Parton. Segundo consta, os directores musicais do filme queriam uma cover de uma canção antiga para a cena final e Kevin Costner sugeriu esse tema, trazendo um disco uma versão de Linda Rondstadt. O tema viria a ser o maior sucesso da carreira de Houston (então já repleta de êxito), tendo sido n.º1 em tudo o que era top. E ainda hoje, a parte climática do refrão final continua a arrepiar.



As outras canções de Whitney Houston são uma versão de "I'm Every Woman" (curiosamente Houston cantou nos coros do original de Chaka Khan), "Run To You", "I Have Nothing" (estas duas nomeadas para o Óscar de Melhor Canção), "Queen of the Night" e o tema gospel "Jesus Loves Me". Se a Whitney-actriz cumpriu somente os serviços mínimos, a Whitney-cantora arrasou!

Tal como várias vezes o projecto do filme foi abortado ou recusado (67 ao todo!), também os vários planos para uma sequela ou remake de "O Guarda-Costas" têm vindo a cair em saco roto. Ainda nos anos 90, chegou-se a falar de Kevin Costner retomar o seu papel e desta vez contracenar com a top model Elle McPherson. No rescaldo da morte da Princesa Diana, correu o rumor de que ela teria aceitado fazer dela própria numa sequela também com Costner. Mais recentemente, falou-se de uma remake com Channing Tatum e Rihanna, mas esta afastou qualquer hipótese de participar. 




As Noites e os Faustos de Veneza (1988)


 Anúncio a "As Noites e os Faustos de Veneza", uma colecção de 24 Máscaras de Arte em Porcelana biscuit.

O cupão para subscrever a colecção das 24 Máscaras, 3.900$00 cada unidade mensal:

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Manimal (1983)


Cancelada ao fim de apenas oito episódios, a série norte-americana de aventura e fantasia  "Manimal" era protagonizada pelo actor britânico Simon MacCorkindale (como o doutor   Jonathan Chase) e Melody Anderson (que encarnou Dale Arden no filme "Flash Gordon" de 1980, aqui como a detective Brooke Mackenzie). Jonathan Chase é um professor de "Ciências do comportamento animal", que auxilia as autoridades como consultor para ajudar a resolver crimes, e que tem a habilidade de se transformar em diferentes animais. Durante a curta duração da série, foram exibidas apenas três transformações de humano em: falcão, pantera-negra e serpente. Offscreen transformou-se noutras ocasiões em periquito, gato, tubarão, golfinho, cavalo, urso pardo e  até em vaca. Os óbvios pontos altos dos episódios eram essas transformações, através dos efeitos especiais concebidos pelo premiado Stan Winston. Além de Brooke, só o seu amigo Ty Earl (Michael D. Roberts, e Glynn Turman no episódio piloto ) sabia dos poderes de Chase.

A transformação em pantera negra:

A série foi criada por Glen A. Larson e Donald R. Boyle. Glen A. Larson - que também produziu - já tinha dado ao mundo da televisão séries como "Galactica", "Buck Rogers" e "O Justiceiro", entre muitas mais. A banda sonora esteve a cargo de Alan Silvestri, que pouco depois iria compor os temas da trilogia "Regresso ao Futuro", "Predador", etc.

O video seguinte, além do genérico inicial, explica a origem dos poderes do protagonista, narrado por William Conrad:


Pouco mais me recordo da série que do genérico e as transformações, mas o cancelamento prematuro deveu-se às baixas audiências, visto que foi exibida no mesmo horário que o colosso "Dallas" da CBS. Curiosamente, na altura teve mais sucesso fora dos EUA, mas tornou-se uma série de culto e ainda é  bastante recordada.

Em 1998, o professor Chase teve uma aparição especial na série "Night Man" ( também de Glen A. Larson, que creio que foi exibida na TVI), aliando-se ao herói Night Man para parar o Jack O Estripador. Um curiosidade bastante famosa foi o facto de uma cena ter sido filmada simultaneamente de dois ângulos diferentes, uma para o "Manimal" e a outra para o "Automan", outra criação de Glen A. Larson, filmada na mesma altura, e que também teve um breve tempo de vida útil...

A transformação em serpente:

A transformação em falcão:

Soube-se em Setembro de 2012 que Sony Pictures Animation adquiriu os direitos para cinema, tencionando adaptar a série a um filme que mistura imagem real e efeitos por computador. [Fonte]


Nuno Mark já cromou a série:


T-Ball Acrobatic Team



 Publicidade ao brinquedo "T-Ball Acrobatic Team", da Concentra. Este "T-Ball - o saltitão que bate bem da bola" lembra uma bizarra fusão entre um pogo stick e uma pogo ball, e basicamente servia para... saltar:




Duas versões actuais deste género de brinquedo, uma grande bola de borracha, com uma base para os pés e um poste com manípulos:


Na Internet consegui encontrar pouca informação sobre estas T-Ball, mas em sites de patentes, há indicações que a marca "T-Ball Acrobatic Team" terá sido registada em 1996 (pedido ainda em 1994) pela MONDO S.P.A.. Em Portugal foi distribuída pela Concentra.

Um reclame francês da T-Ball Acrobatic Team, de 1995:

O anúncio foi publicado nas páginas de uma revista de banda desenhada e faz parte da grande colecção croma que a Ana Trindade  tem em exposição no Facebook.

Mais cromos da Ana Trindade: "Enciclopédia de Cromos - Ana Trindade"

Mais vídeos da Enciclopédia de Cromos: "Vimeo - Canal Enciclopédia de Cromos"


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

Pandy (1988)

 Novidade em 1988, o iogurte magro para beber "Pandy", da empresa de lacticínio Ancora ("a paixão da Qualidade").
A catchfrase: "é uma Pandyga!" (perceberam o trocadilho? a reunião de criativos para o anúncio deve ter sido uma "pandyga")

Os três aromas disponíveis, da esquerda para a direita: Frutos Silvestres, Frutos Tropicais e Morango:

Eu tenho um trauma com este género de iogurtes líquidos, que eram vendidos em copinhos. Tive a "sorte" de no primeiro dia de aulas no 5º ano (em 1989) ter a minha mochila encharcada em iogurte líquido, cortesia de um colega de me esborrachou a mochila com o iogurte lá dentro. Bons tempos!


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

OKICOM-E (1988)

Centrais telefónicas e telefones OKICOM-E, "fabricado pela OKI, líder mundial e fabricante nº 1 no Japão." e autorizados "oficialmente pelos CTT/TLP.

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

sábado, 15 de setembro de 2012

Isto Só Vídeo (1992-1998)

por Paulo Neto

Em 1992, a ideia de que as pessoas poderiam filmar coisas a partir dos telemóveis era para além de futurista. (Aliás a mera ideia de que qualquer um podia ter um telemóvel e comprá-lo como quem compra, sei lá, um relógio já seria estratosférica para essa altura).


Mas já em 1992, à boleia da massificação dos videogravadores nos lares portugueses, as câmaras de filmar também começavam a tornar-se também um objecto comum para as famílias portuguesas. No seu advento, eram bastante grandes e pesadas e uma pessoa filmava como quem carrega um tijolo ao ombro. Era o caso da câmara de filmar lá em minha casa, que o meu pai adquiriu no início dos anos 90 por motivos de trabalho, mas que depressa também serviu para documentar os acontecimentos familiares: o baptizado do meu irmão, os passeios em família e por aí fora.
E tal como nós, várias famílias portuguesas rendiam-se às delícias dos home videos para registar numa cassete de vídeo tudo e mais alguma coisa. Alguns casais mais afoitos terão mesmo aderido entusiasta e secretamente ao subgénero de vídeos caseiros do qual Tomás Taveira foi o grande pioneiro neste país. 
Enquanto as câmaras filmavam, era frequente que as mesmas captassem algum momento inesperado: a avó que cai da cadeira durante um serão de sardinhada, a noiva que tropeça à saída da igreja, a criança que puxa o rabo ao gato, o jovem que se espalha ao comprido ao fazer um cavalinho de bicicleta, o bolo de aniversário que aterra na cara do aniversariante, a bailarina do espectáculo da colectividade local que resvala para fora do palco, o cão que anda às voltas tentando apanhar a cauda...Enfim momentos que garantiam risota colectiva no momento do visionamento. 

Foi então que em 1992, surgiu um programa que fez com que os portugueses tivessem sempre vontade de pôr a câmara a funcionar, na esperança de conseguir apanhar um desses momentos divertidos. Falo obviamente do "Isto Só Vídeo", apresentado por Virgílio Castelo e que dava na RTP nas noites de terça-feira. O formato do programa já existia há algum tempo no estrangeiro, começando no Japão em 1986, depois nos Estados Unidos com o "America's Funniest Home Videos" em 1989, alastrando-se rapidamente a vários outros países. Aqueles que apanhavam a TVE já conheciam o equivalente espanhol "Videos de Primera". Portugal não perdeu pela demora e o sucesso foi imediato também aqui.


O programa era gravado no extinto Teatro Vasco Santana, perante uma audiência (normalmente composta por comitivas de escola e de colectividades locais) que visionava os vídeos sob os comentários cómicos de Virgílio Castelo e efeitos sonoros bem ilustrativos. Entre as exibições dos vídeos, havia vários planos de membros da assistência a rirem-se a bandeiras despregadas. Além dos vídeos estrangeiros de um pouco por todo o mundo, sobretudo oriundo dos Estados Unidos, Alemanha e Japão, havia naturalmente blocos com vídeos portugueses. E a cada semana era eleito o melhor vídeo pela produção, que dava direito a um prémio. Entre os prémios que recordo serem atribuídos estavam câmaras de vídeo, vales das lojas Singer e um leitor de CD interactivo, uma espécie de esboço dos leitores de DVD. Outra das rubricas mais populares era um bloco de vídeos ao som de uma canção portuguesa. (Eis aqui um exemplo ao som de "O Postal dos Correios" dos Rio Grande) 
E a partir de então, era ver os portugueses de câmara ao ombro (felizmente que estas iam tornando-se cada vez mais pequenas e leves), em busca de captar um momento digno de enviar para o "Isto Só Vídeo" e quiçá ganhar o prémio semanal.



Virgílio Castelo apresentou o programa até 1996. Depois chegou a haver uma temporada do programa, exibida entre 1997 e 1998, apresentada por Rute Marques, sem assistência e com vozes-off a ilustrarem os vídeos. 
Já neste século, têm sido vários os programas do mesmo género que passaram na SIC e na TVI ("Olhó Vídeo", "Tá a Gravar", "K7 Pirata", "Gosto Disto", "Vídeo Pop") mas nenhum recuperou a mística do "Isto Só Vídeo". Até porque hoje, graças ao YouTube e quejandos, o mundo inteiro pode agora visionar aquele jantar de família em que a dentadura do avô caiu para dentro da terrina do cozido à portuguesa...

Excerto do programa em 1992 com Virgílio Castelo


BETAMAX Isto Só Video Canal 1 RTP 199por LUSITANIATV

Excerto de Emissão de "Isto Só Vídeo" de 1997, com Rute Marques:






    

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Miss Universo (1990-1999)

por Paulo Neto

Top 6 Miss Universo 1994

Nos anos 90, os concursos de misses ainda atraíam algum público em Portugal mas, quiçá pelo facto das nossas candidatas nunca se destacarem nos certames internacionais como Miss Universo, Miss Mundo ou Miss Europa, o interesse era cada vez mais escasso. Isto apesar de algumas das nossas representantes  chamarem-se Carla Caldeira e Marisa Cruz. Mas a mais célebre eleição da Miss Portugal da década foi em 1997, devido a uma gaffe de Humberto Bernardo que anunciou erradamente a eventual vencedora, Icília Berenguel, como 2.ª Dama de Honor. (Momento imortalizado neste tesourinho deprimente do Gato Fedorento).
Em compensação, nos concursos internacionais de modelos, Portugal ia dando cartas, como provam o top 10 de Bárbara Elias em 1992 no Elite Model Look, e sobretudo a vitória de Diana Pereira no Supermodel Of The World de 1997, com apenas 14 anos!

As três finalistas de 1996

Ainda assim, Miss Universo continuou a ser o concurso de beleza mais popular em todo o mundo. Em 1996, o famoso multimilionário Donald Trump adquiriu o concurso. Diz-se que Trump o fizera como presente para a sua esposa na altura, Marla Maples, mas depressa ele percebeu o potencial do certame e contratou uma nova equipa de profissionais que conseguiu revitalizar a imagem do concurso quando já se notavam sinais de declínio.

Ronda do desfile em fato-de-banho em 1997

Durante a década de 90, a eleição processava-se com a eleição de dez semifinalistas, as quais desfilariam em fato de banho (os biquínis foram introduzidos nesta década) e em vestido de noite e passariam por uma entrevista dos apresentadores. Depois, seis candidatas eram escolhidas para a fase seguinte onde respondiam a perguntas do júri. Por fim, três finalistas eram eleitas e de entre eles, anunciava-se a vencedora e as duas damas de honor. Este formato durou, com uma ou outra alteração, até 2000.

Posto isto, quais foram as eleitas as mulheres mais belas do mundo de 1990 a 1999?


Vitória para a Noruega em 1990, graças a Mona Grudt, oriunda da cidade de Hell (que quer dizer "sorte" em noruegês). Durante o seu reinado, Mona entrou num episódio de "Star Trek - The Next Generation". Actualmente, é editora de uma revista de casamentos e vai fazendo algumas aparições regulares na televisão. Por exemplo, foi segunda na versão norueguesa do "Dança Comigo" e apresentou uma temporada de "Norway's Next Top Model".



A mexicana Lupita Jones seria a vencedora em 1991, tendo dominado facilmente a competição. Desde 1994, é ela a directora da organização de Nuestra Belleza Mexico, o certame que elege as representantes mexicanas para os principais concursos internacionais. O seu esforço deu finalmente frutos em 2010 quando outra mexicana, Ximena Navarrete, foi coroada Miss Universo.


Vitória bastante inesperada em 1992 para a Miss Namíbia Michelle McLean, pois todos previam que a vitória fosse disputada entre Índia, Colômbia e Venezuela. Michelle tornou-se a segunda africana a ser coroada Miss Universo, catorze anos depois da sul-africana Margaret Gardiner. Em 2009, apresentou o concurso de Miss Mundo desse ano na África do Sul.


Porto Rico alcançou a sua terceira coroa em 1993, graças a Dayanara Torres. O certame, que teve lugar no México, foi marcado por muitas vaias do público que não se conformou com a exclusão da candidata da casa do top 10. Viveu os cinco anos seguintes ao seu reinado nas Filipinas, onde coroou a sua sucessora e entrou em vários filmes, programas de televisão e anúncios publicitários. Dayanara foi casada com o cantor Marc Anthony, de quem teve dois filhos, e ela própria teve uma breve carreira musical.


1994 confirmou a Índia como a nova potência dos concursos de misses, com o triunfo de Sushmita Sen. E se foi difícil para Sushmita alcançar a coroa de Miss Universo, não foi nada menos fácil conquistar o título do seu país, pois ficou empatada com outra candidata no primeiro lugar e só venceu com uma pergunta de desempate. E quem era a outra candidata? Apenas Aishwarya Ray, que viria a vencer a Miss Mundo no mesmo ano e que tornar-se-ia uma das maiores estrelas de cinema de Bollywood de sempre. Sushmita também alcançou grande sucesso como actriz. Entre 2009 e 2012, foi a directora do concurso que elegia a representante indiana para a Miss Universo. De referir ainda que a primeira dama de honor, a colombiana Carolina Gomez, esteve em Portugal nesse mesmo ano para coroar a Miss Praia Nova Gente de 1994.


Em 1995, a americana Chelsi Smith tornou-se a segunda Miss Universo negra (a primeira tinha sido a tobaguenha Janelle Comissiong em 1977). Desde então, Chelsi tem tido uma carreira activa na televisão como actriz e apresentadora. Também deu uma perninha como cantora, ao gravar uma canção para a banda sonora do filme "A Coisa Mais Doce". De referir ainda a primeira dama de honor, a indiana Manpreet Brar, que ficou para a história como a miss que mais impressionou pelo seu cérebro do que pela sua beleza.


A mega-potência Venezuela viria a produzir mais uma Miss Universo em 1996 com Alicia Machado, que viria a ser a vencedora mais controversa da década. Não pela vitória em si, que foi indiscutível em toda a linha, mas porque logo a seguir engordou demasiado, ao ponto de a organização ter considerado retirar-lhe o título e houve até rumores de que estaria grávida. Alicia submeteu-se a uma dieta rigorosa e manteve o título. Foi protagonista de algumas telenovelas no seu país, como "Samantha", que passou na RTP. Actualmente, Alicia vive e faz carreira no México e em 2006 pousou para a Playboy local. Em 2005, participou na versão espanhola da "Quinta das Celebridades".


A coroa voltaria aos Estados Unidos em 1997, graças à havaiana Brook Lee. Então com 26 anos, Brook detém o recorde da mais velha Miss Universo a ser coroada (a idade limite máxima é de 27). Essencial para o seu triunfo foi a pergunta final. Quiçá em solidariedade com a sua antecessora Alicia Machado, quando questionada sobre o que ela faria se durante um dia ela pudesse fazer o que quisesse sem limitações nem consequências, Brook respondeu: "Comia de tudo a dobrar!". 


Segunda vitória para Trinidad & Tobago em 1998, o país que gerou a primeira Miss Universo negra. Wendy Fitzwilliam seguiu os passos da sua compatriota Janelle Comissiong e voltou a trazer a coroa para a nação caribenha. Após o seu reino, Wendy continuou envolvida em várias acções humanitárias, tendo sido nomeada Embaixadora da Cruz Vermelha para a juventude. Tem um programa de rádio com o seu nome e escreveu um livro onde relatou a sua experiência como mãe.


1999 foi um ano de várias surpresas. Pelo segundo ano consecutivo, foi coroada uma Miss Universo negra. O Botswana participava pela primeira vez e não é que acabaria logo por ganhar com a sua candidata Mpule Kwelagobe? O que significava que pela primeira vez, ganhava uma candidata africana negra (as outras duas Miss Universo africanas eram caucasianas). Mpule tem desde então sido uma proeminente activista de causas humanitárias e foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade pela ONU. De referir ainda que apenas pela segunda vez na história do certame, a Miss Estados Unidos ficou fora das semifinalistas e que pela primeira vez, Portugal não saiu de mãos a abanar pois Marisa Ferreira foi eleita Miss Simpatia.


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