sábado, 29 de agosto de 2015

Ora Agora Conto Eu (1986-87)

por Paulo Neto

"Sim, eu sei que tudo são recordações. Sim, eu sei é triste viver de ilusões." Agora que cheguei a uma certa idade, dou comigo muitas vezes a soltar o Vítor Espadinha que há em mim e a verificar entre nostálgico e atónito o quanto o país e o mundo mudaram entretanto. Por exemplo, consigo lembrar-me ainda de forma extremamente nítida o tempo em que só havia a RTP e parece-me incrível como a televisão no nosso país se transformou tão profundamente desde então, nomeadamente no que diz respeito à programação infantil. Hoje em dia a oferta desse tipo de programas não podia ser mais vasta, pois não só os canais generalistas vão mantendo os blocos dedicados à animação, sobretudo nas manhãs de fim de semana, como existem diversos canais temáticos por cabo dedicados a esses programas, sem falar dos conteúdos disponíveis em DVD e na internet. Pelo que se torna espantoso olhar para trás e pensar que eu fui criança num tempo em que havia muito menos alternativas nesse campo.
No entanto, a programação infantil era algo que a RTP não descurava nos meus tempos de infância e o que não havia então de quantidade, recursos e sofisticação, compensava em criatividade e dedicação. Além disso, o público infantil era bem menos exigente. Por exemplo, um programa como "Cláudio e Carolina" seria certamente recebido pelos petizes de hoje com um enorme bocejo mas era mais que suficiente para encher o olho aos petizes dos idos de 1984.



Entre os diversos conteúdos infantis produzidos pela ou para a RTP nos anos 80, um bastante recorrente era de programas que contavam histórias. Por exemplo, aquele das histórias que se contavam antes do Vitinho ou "Era Uma Vez", um programa onde histórias infantis eram dramatizadas pelos jovens alunos da actriz Lurdes Norberto e com a participação de vários nomes da música portuguesa, nomeadamente de Carlos Alberto Moniz no tema do genérico. (Um programa a ser abordado aqui futuramente). Mas o programa que aqui vai ser recordado é "Ora Agora Conto Eu", exibido no famoso espaço "Juventude e Família" da RTP aos fins de semana entre 1986 e 1987, sendo reposto nos anos seguintes até 1990. 


O programa foi concebido por Natércia Rocha que fez uma selecção de dezoito contos, cada um deles contado em cada episódio por um actor diferente. No final de cada conto, havia um epílogo musical com Tó Sequeira (que é feito deste senhor que cantava várias cantilenas infantis à viola,  como o inesquecível "Fui De Visita À Minha Tia A Marrocos", a versão portuguesa da lendária cantilena country "She'll Be Singing Round The Mountain"?) a cantar uma canção com música da sua autoria e letra de José Fanha sobre o conto previamente narrado.

 
 


Outra particularidade do programa é que cada conto tinha uma forma diferente de ser contado: desde a dramatizações do conto quer por outros actores quer pelas crianças presentes no programa, à utilização de fantoches, desenhos, painéis iluminados, maquetas e até desenhos em tempo real. (Aliás, lembro-me que chegou a existir mais tarde um programa de contar histórias que era feito deste modo, com uma voz-off a contar uma história enquanto os desenhos eram entretanto feitos no ecrã).

Eis os 18 episódios:



1. Maria Vieira conta "O Rapaz e a Ponte": com a actriz a fazer tanto de velhota contadeira como do rapaz do dito conto.



2. Vítor de Sousa conta "O Lobo e a Raposa".



3. Óscar Acúrcio ("O Leão Da Estrela", "Os Verdes Anos", "Chuva Na Areia") conta "O Pedro das Malas-Artes".



4. Canto E Castro conta "A Romãzeira do Macaco": onde a narração foi feito com auxílio a painéis iluminados. 



5. João Mota ("Pós de Bem-Querer", "Uma Cidade Como A Nossa") conta "A Torre da Má-Hora". Este é um dos episódios que melhor me recordo: quatro dos jovens petizes da assistência dramatizaram a história: três rapazes a fazer de cavaleiros e uma rapariga a fazer de uma velha feiticeira, isto sem quaisquer figurinos (os quatro usavam as suas roupas normais e não houve nenhum esforço para "envelhecer" a rapariga que fazia de velha),  só com a narração a indicar que personagens é que desempenhavam e incluindo algumas cenas de luta em que paus de vassoura substituíam as espadas da história e notava-se que os rapazes, mesmo seguindo a história e sendo a fingir, tiveram dificuldade em mostrar-se vencidos pela rapariga.  

   

6. Adelaide João conta "O Macaco do Rabo Cortado"



7. Ângela Pinto conta "O Coelhinho Branco". A actriz manipulava uma maqueta enquanto contava a história.


8. Argentina Rocha (a voz do Benny Bunny em "Alice No País das Maravilhas") conta "A Macaquinha"



9. Fernando Gomes conta "A Gaita Milagrosa"



10. António Assunção conta "O Pinto Borrachudo". Conforme verão no vídeo ali em baixo, o actor vestiu literalmente a pele da personagem-título.



11. Amélia Videira conta "A Velha e as Crianças"



12. Melim Teixeira  ("Chuva Na Areia", "Sozinhos Em Casa", "A Ferreirinha") conta "Os Dois Compadres". O actor contou a história com auxílio de máscaras.


13. José Gomes conta "O Sapateiro e o Vizinho Rico"



14. Henriqueta Maia conta "O Grão de Milho". Ao longo da narração, houve várias figuras a "sobrevoar" o tecto do estúdio.



15. José de Carvalho ("Gente Fina É Outra Coisa", "Chuva Na Areia", "Palavras Cruzadas") conta "Os Três Porquinhos"



16. Álvaro Faria conta "Branca Flor"



17. Carlos Paulo conta "Dom Caio". O actor contou a história enquanto manipulava umas marionetas dentro de um "palco" embutido no fato que envergava. 



18. Cucha Carvalheiro conta "Os Sete Cabritinhos"

O site "Brinca Brincando" (de onde vêm as imagens utilizadas neste texto, pelas quais eu agradeço) refere ainda que entre as várias crianças que serviam de audiência às histórias contadas, esteve a actriz Cleia Almeida, decerto ainda longe de imaginar que seria uma actriz tão conhecida como muitos dos contadores que participaram no programa.



Excerto do 1.º episódio com Maria Vieira


Excerto do 10.º episódio com António Assunção


Excerto do 5.º episódio com Adelaide João



          

TOP 10 Carros Fixes dos anos cromos - Volume 1


Podem existir outros mais pitorescos e caricatos, mas estes são "fixes", estilosos ou carismáticos, no sentido que eu não hesitaria em ir tirar a carta para conduzir algum deles (quase). A maior parte deles são dos Anos 80, portanto o termo "fixes" é bastante apropriado.
Claro que este é o meu TOP pessoal, queremos saber os vossos, por isso, toca a comentar!
Deixo também a informação que estou a trabalhar já no Volume 2!

Se estiverem com preguiça, podem apenas ver o vídeo com os 10 escolhidos:
"Carros Fixes dos anos cromos - Volume 1":


E podem depois ler o resto do texto, com mais alguns detalhes e links, que decerto vão trazer-vos de volta algumas memórias deliciosas, de quando nos sentávamos no cinema ou em frente ao televisor para acompanhar as aventuras dos nossos heróis e os seus carros espectaculares!


"Thunder Hawk" | "M.A.S.K." (1985-86)
Recentemente o Paulo Neto recordou esta série que era um mix de Transformers e G.I.Joe, com as forças do Bem e do Mal a servirem-se de viaturas semi-transformáveis para traver uma guerra "onde a ilusão é a arma final". O meu favorito, do pouco que recordo da série, era este Chevrolet Camaro, um primo vermelho do DeLorean.


"The Pursuit Special" | Filmes da série "Mad Max" (1979, 1981 e 2015)
Também apelidado de "V8 Interceptor", o icónico carro de Max Rockatansky (Mel Gibson), rugiu o motor - e despachou muita bandidagem - ao longo da saga - com excepção do terceiro filme, aquele com a Tina Turner e o seu penteado pós-apocalíptico [Videoclip: "We Don't Need Another Hero"].  

"The Mean Machine" | "Wacky Races" (1968-69)
O vilão da lista tinha o carro/foguetão mais estiloso da série de desenhos animados. Pilotado por Dick Dastardly e o ajudante Muttley (com o seu riso inesquecível), o "Duplo Zero" era sempre derrotado, apesar de ser o carro mais veloz.

"Auto Car" | "Automan" (1983/84)
Célebre pelas curvas em 90º, anteriormente só possíveis em videojogos, este carro que desafiava as leis da física era a principal criação do holográfico herói desta série dos mesmos criadores da contemporânea "Manimal".



"Party Wagon" | "Teenage Mutant Ninja Turtles" (1987-96)
Uma das séries mais famosas dos anos 80 e 90, que viveu novas encarnações até à actualidade. Mas a primeira "Party Wagon" era magnifica. E fora do pequeno ecrã foi um dos brinquedos mais desejados. Pelo menos por mim. Como não havia dinheiro para devaneios desta categoria, na época construí a minha própria "PartyWagon" em cartão, conduzida pelas Tartarugas de plástico e com passageiros e inimigos construidos em papelão. Há pouco tempo, tive a felicidade de encontrar uma "real" quase completa, à venda numa feira de velharias!



"Citröen 2CV" | "Duarte & Companhia" (1985-89)
Finalmente, um veículo nacional, provavelmente o mais famoso: o "2 cavalos" vermelho. Não é glamouroso, nem possui armamento ou voz própria, mas ficou nos corações dos espectadores portugueses. Além de transportar os detectives mais incompetentes da história, pelo menos num episódio resgatou sozinho Duarte e Tó do covil dos vilões (como visto no vídeo acima).



"GMC Vandura" | "The A-Team" (1983-87)
A carrinha dos "Soldados da Fortuna", com a sua abertura de tecto "mágica" (presente nalguns episódios e ausente noutros) e conduzida pelo carismático B. A. Baracus (Mr. T) foi provavelmente o antepassado para "Party Wagon" das Tartarugas. O volume e peso não era impedimento para a carrinha atravessar obstáculos como se fossem feitos de gesso e esferovite!


"DeLorean" | "Back To The Future" 
Na trilogia "Regresso Ao Futuro", além de um visual magnifico, o carro dos heróis é a máquina do tempo mais fixe de sempre ( e pensar que o plano original era usar um frigorífico para viajar no tempo!). E no final do primeiro filme ainda ganha o upgrade de poder voar! Foi um choque - SPOILER - vê-lo destruído no encerrar da trilogia...



"Optimus Prime" | "The Transformers" (1984-87)
Optimus Prime, ou Optimus Supremo, o poderoso e sábio líder dos Autobots tinha como modo alternativo um camião terrestre. Na sua encarnação "Geração 1" - G1 - foi o brinquedo que mais desejei na infância, mas era coisa para custar mais de 10 contos. Foi um desejo que só concretizei recentemente, e bem mais barato!


"KITT" | "Knight Rider" (1982-86)
Acrónimo de "Knight Industries Two Thousand", a avançada Inteligência Artifical que habitava um poderoso carro, um TransAm modificado - conduzido pelo sex symbol David Hasselhoff - que deliciou as famílias ao longo de boa parte dos anos 80. O carro, não o Hoff. Quer dizer...


BÓNUS!
E o carro de bónus não podia ser outro que:


"KARR" | "Knight Rider" (1982-86)
O gémeo malvado do KITT, que o defrontou em dois épicos episódios da série clássica d'"O Justiceiro".


Gostaram do meu TOP de carros dos anos cromos? Queremos saber os vossos, comentem!


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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Raven (1992-1993)

por Paulo Neto

Depois de "Calor Tropical", cujo texto aqui na Enciclopédia avivou a memória de vários leitores do blogue, tempo para recordar outra série semi-esquecida de acção passada num local paradisíaco. "Raven" passou em Portugal nos primórdios da SIC entre 1992 e 1993, creio que aos sábados à tarde e era uma série que conjugava acção, mistério, artes marciais e humor.



Jeffrey Meek desempenhava a personagem-título, Jonathan Raven, cujos pais foram assassinados por uma temível sociedade criminosa secreta japonesa, os Dragões Negros. Movido pela vingança, Raven infiltrou-se nessa sociedade onde aprendeu as suas implacáveis artes marciais para poder eventualmente derrotá-los. Porém quando os Dragões Negros descobrem os seus planos, encetam uma perseguição a Raven para matar a ele e eventuais descendentes. Por causa disso, Aki, o amor da vida de Raven, antes de morrer ao dar à luz decide esconder o filho de ambos tanto do pai como dos Dragões a fim de proteger o recém-nascido. Depois de servir nos serviços secretos americanos sob o nome de Nick Henderson, Raven reforma-se e muda-se para o Havai após receber uma pista de que o seu filho poderá estar aí. 
A série acompanhava as aventuras de Raven no Havai à procura do seu filho ao mesmo tempo que tenta fugir aos ataques dos Dragões Negros e ajuda o seu velho amigo Herman "Ski" Jablonski (Lee Majors), um detective privado, a resolver os seus casos com a ajuda da sua experiência em artes marciais.





A série teve duas temporadas, exibidas nos Estados Unidos entre 1992 e 1993. A primeira temporada teve sete episódios e a segunda treze. Entre as aparições especiais contam-se a das actrizes de "Donas de Casa Deseperadas" Marcia Cross e Felicity Huffman bem como Terri Garber ("Norte & Sul") , Elizabeth Berkley ("Já Tocou", "Showgirls") e Kelly Hu ("O Rei Escorpião"). Só me lembro em concreto de dois momentos da série: um episódio onde Kelly Hu encarnava a deusa havaiana Pele para alertar Raven de situações perigosas e um divertido final de episódio onde Raven relaxava numa banheira quando de repente surge uma romaria de gente para agradecê-lo pelos seus serviços e só quando um garoto diz que Raven já está a ficar como uma ameixa enrugada é que se apercebem que o herói estava mortinho para sair da banheira sem que lhe observassem a nudez.

Em 1997, Jeffrey Meek recuperou a personagem para um telefilme "Raven and the Return of the Black Dragons". Meek continua a trabalhar activamente no teatro e na televisão (fez de Rayden na adaptação para série televisiva de "Mortal Kombat"). 

Genérico (versão alemã):


Cena de pancadaria entre Jeffrey Meek e Felicity Huffman:



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Dilogia trágico-amorosa de Mónica Sintra (1998-99)

por Paulo Neto 

Mónica Alexandra Correia Cachopo nasceu a 10 de Junho de 1978 em Lisboa, tendo adoptado como stagename o nome da cidade onde cresceu, Sintra. Embora inserida na gaveta da música pimba, muito por culpa da temática dos dois temas que analisamos hoje, Mónica Sintra foi sempre um caso atípico dentro do género, já que raramente foi vista a usar roupas demasiado reveladoras ou em bamboleios frenéticos em palco, preferindo fazer-se notar pelas suas interpretações vocais e pelo seu repertório. E ainda bem porque, para ser sincero, até acho que Mónica Sintra não é de todo má cantora. No entanto, o momento mais decisivo da sua carreira e que a tornou um nome conhecido junto do grande público é indubitavelmente também o mais cromo. Se como já vimos, ainda hoje o repertório de Ágata é sobretudo lembrado através da sua histórica trilogia trágico-conjugal, os dois grandes hits de Mónica Sintra compõem uma dilogia trágico-amorosa: "Afinal Havia Outra" e "Na Minha Cama Com Ela", as faixas-título dos seus álbuns de 1998 e 1999 respectivamente. Isto apesar de ter outros êxitos ao longo de uma carreira que se mantém solida até aos dias de hoje.    



Além de ter integrado em 1992 o grupo Jovens Cantores de Lisboa dirigido por Ana Faria e de já ter dois álbuns em nome próprio - "Tu És O Meu Herói" de 1995 e "Bola de Cristal" de 1997 - a afirmação de Mónica Sintra deu-se em 1998 com o seu terceiro álbum e a faixa que dava nome ao disco, "Afinal Havia Outra". Mas cá para mim, a canção devia chamar-se "Afinal Eu Era A Outra", pois nela Mónica Sintra cantava a sua desilusão ao descobrir, ao fim de ignorar os vários alertas que a preveniram de tal, que o seu amado era um aparentemente respeitável marido e pai de família e que a relação entre ambos era um part-time afectivo extra-conjugal.


Não consegui encontrar o videoclip no YouTube mas recordo-me de uma cena em que Mónica observava escondida o seu amásio a sair do carro com a sua legítima a dar-lhe o braço e duas crianças a brincarem com uma bola. O povo logo trauteava o refrão: "Afinal havia outra/ E eu sem nada saber, sorria/ E por ele andava louca/ P'ra ser sua mulher um dia/ Afinal havia outra/ Uma família, um lar, uma casa/ E eu era no fim de contas/O amor das horas vagas." e o disco vendeu-se que nem pãezinhos quentes, chegando à dupla platina. Eu até me lembro de ouvir uma personagem a cantar esse refrão na dobragem portuguesa da série animada "Life With Louie" que passava na altura na SIC.  



Em 2006, o tema voltou a ganhar destaque no programa dos Gato Fedorento "Diz Que É Uma Espécie de Magazine", quando David Fonseca cantou uma versão com tradução literal em inglês, provando como cantavam os Clã, "a língua inglesa fica sempre bem". Meses mais tarde, num concerto do David Fonseca na minha cidade, este confessou que teve um sonho em que ao cantar num concerto essa versão,  Mónica Sintra surgia de surpresa em palco e os dois terminavam a canção em dueto - pelo que tinha evitado fazê-lo desde então.


Tal sonho nunca se materializou, mas em 2009, no programa "5 Para A Meia-Noite", Mónica Sintra devolveu o favor a David Fonseca cantando-lhe uma versão em português de um dos seus temas. 



Após o sucesso de "Afinal Havia Outra", o disco seguinte não se fez esperar e em 1999 o dito foi editado de seu título "Na Minha Cama Com Ela". Lembro-me de pensar, antes de ouvir a canção e julgando apenas pelo título, que seria sobre alguma experiência de Mónica Sintra nos prazeres sáficos, quiçá derivada da desilusão narrada no anterior opus musical. Mas na verdade, tratava-se de mais outro devastador conto de traição e desilusão amorosa, onde ela se via agora do outro lado da barricada: desta vez ela era a mulher legítima que se deparava com o seu cônjuge no leito conjugal com outra flausina, apanhando um trauma para toda a vida.


O videoclip era bem ilustrativo mostrando Mónica Sintra numa sessão de psicoterapia recordando em flashback imagens desse fatídico momento e de ela a conduzir desnorteada sem destino. No papel do macho adúltero estava João Lourenço, que viria mais tarde a participar na terceira edição do Big Brother. E uma vez mais, repetiu-se o sucesso de vendas e o refrão que ficaria na memória: "Na minha cama com ela/ Tu e ela no meu quarto/ Perdido nos braços dela/ Mesmo em frente ao meu retrato/Na minha cama com ela/ Tu e ela na loucura/ Perdido nos braços dela/ E muito mais que uma aventura/O teu corpo junto ao dela/Na minha cama com ela".






De entre as versões do tema, há que destacar a paródia "Na Minha Marquesa Com Ela", interpretado por Maria Rueff no sketch "Carnaval dos Hospitais" do "Herman SIC" e uma versão de Bruno Nogueira para o seu aclamado projecto musical "Deixem O Pimba Em Paz" (que recomendo vivamente ser visto em concerto). 

Embora sem repetir tais picos de sucesso, a carreira de Mónica Sintra continua bem activa. A cantora tem também dado a cara para apoiar algumas causas como a dos bombeiros, ocupação que exerceu paralelamente aos inícios da sua carreira musical, e a luta contra os distúrbios alimentares, tendo assumido ter sofrido de episódios de anorexia e bulimia a partir da adolescência, que relatou no livro "A Um Passo Do Abismo".    


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Sugus (1981)

A figura de destaque neste anúncio impresso em 1981 imediatamente me fez recordar o genérico de abertura de "Os Amigos do Gaspar (1986)" [vídeo], com a banda a tocar e desfilar. Mas, esta publicidade é bem mais antiga, de 1981 e o tema são os famosos "Sugus".


A letra da canção: "...Sugus de fruta são os melhores...".
"SUGUS é caramelo natural, produzido segundo fórmula e processo original da Suchard - a conhecida marca Suíça."


Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 24, de 1981. 

Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Mortal Kombat (1995)


A sinopse é simples, como seria de esperar da adaptação ao cinema de um videojogo de luta:
Grupo de humanos praticantes de artes-marciais tem que ultrapassar as suas diferenças e trabalhar em equipa para sobrevir ao terrível torneio interdimensional em que o  destino do planeta Terra está em jogo.
Recordo bem a alegria de quando soube da existência do filme ao ver este poster, numa revista*:

Fui ver este filme no cinema aos  17 anos recém feitos, na época perfeita: nos anos antes tinha jogado até fartar o primeiro Mortal Kombat para Master System e depois o MK3 para Mega Drive (provavelmente na mesma época da estreia). Nunca fui um grande jogador de videojogos, se fiz alguma fatality** foi por acaso, mas além de jogar comprava revistas da especialidade (essas não, videojogos mesmo) e sabia bem as potencialidades ( e alguns truques) da saga, famosa pela violência dos combates. Foi portanto uma alegria rever tantos movimentos, cenários, personagens e frases mas no grande ecrã. Sinceramente, com todos os defeitos (algumas actuações e personagens desnecessários, e menos violência do que seria de esperar, tendo em conta o polémico material de origem), é a melhor adaptação de um jogo que assisti até hoje (principalmente depois das desilusões dos anteriores “Super Mario Bros” (1993) e “Street Fighter” (1994) e nem vamos recordar o aborto que foi a sequela, ou as séries de TV), que conseguiu casar bem os conceitos mais fantasistas do jogo com a realidade quotidiana, sem perder o sentido de diversão e piscadelas de olho aos fãs e uma realização dinâmica (de Paul W. S. Anderson, que veio a especializar-se em adaptar videojogos à sétima arte).
Tenho o filme aqui na prateleira de DVDs….e sempre que o apanho na TV sento-me a ver. É um filme honesto, entrega o que promete. 

O Trailer:


E aquele tema da banda sonora!!!
Das poucas músicas do género que aprecio: "Techno Syndrome (Mortal Kombat", do grupo belga "The Immortals".

Nos EUA o filme estreou em plena temporada de blockbusters de Verão, a 18 de Agosto de 1995; mas  o trio de heróis Liu Kang (Robin Shou, de "O Ninja de Beverly Hills"), Sonya (Bridgette Wilson, que se estreou no "O Último Grande Herói"), Johnny Cage (Linden Ashby, de "Melrose Place") e companhia só desembarcaram em Portugal no inicio do ano seguinte: 9 de Fevereiro de 1996, com o título "Combate Mortal". O meu personagem favorito da saga Mortal Combat sempre foi o Sub-Zero, e no filme, bem, podia ter sido pior... Na fita, o meu preferido foi o Raiden como foi interpretado pelo imortal Christopher Lambert (Highlander, Renault 19). Lembro-me que perto do final da fita, o clímax da luta de Liu Kang contra o metamorfo Shang Tsung (Cary-Hiroyuki Tagawa, que se especializou em... vilão asiático) foi ao mesmo tempo competente e frustrante. Queria ter visto uma maior demonstração do golpe especial de Liu Kang. Mas, a cena final - a remeter para a sequela - fez-me sair do cinema com um sorriso parvo que só foi esmagado em 1997 (1998 em Portugal) pela chegada da sequela "Mortal Kombat: Annihilation", que destruiu tudo o que o primeiro filme tinha acertado. Que desilusão... ao menos acho que só a vi numa cassete do clube de vídeo...

*Uma revista de cinema ou videojogos provavelmente.
** Os golpes de execução do adversário derrotado, nesse tempo, de uma brutalidade sem ímpar.




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