domingo, 31 de janeiro de 2016

Willy Fog No País das Fantasias - Concurso (1984)

 Anúncio ao "Concurso Willy Fog No País das Fantasias" que decorreu em 1984 e 1985, com dois sorteios: 21 Dezembro 1984 e 19 Abril 1985. As fantasias em questão - como se depreende da deliciosa  ilustração, são as Fantasias de chocolate da Imperial. As mesma das "Fantasias de Natal", que também estão presentes no desenho.
Digitalizado e Editado por Enciclopédia de Cromos


Este anúncio adornou bastantes revistas, cadernetas de cromos, e prometia a quem completasse a caderneta "A Volta Ao Mundo Com Willy Fog" muitos e "valiosos prémios".

Detalhe da ilustração, com maior qualidade:

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sábado, 30 de janeiro de 2016

"Wonderful Life" Black (1986)

por Paulo Neto

Janeiro de 2016 tem sido uma enorme ceifa em termos de óbitos de nomes conhecidos, em Portugal e no estrangeiro, em várias áreas. Neste mês já nos despedimos de David Bowie, António Almeida Santos, Alan Rickman e René Angelil, bem como dos actores Abe Vigoda e José Boavida, dos músicos Glenn Frey (Eagles) e Paul Kantner (Jefferson Airplane), do realizador Ettore Scola, do esquiador campeão olímpico Bill Johnson e da fundadora da Associação SOL Teresa Almeida

Neste mês faleceu também o cantor inglês Colin Vearncombe que não resistiu aos danos cerebrais de um acidente de viação e faleceu no passado dia 26 aos 53 anos. Por este nome talvez ninguém o conheça e até o seu nome artístico Black pode não parecer familiar, mas certamente que todos conhecem a sua canção mais conhecida, "Wonderful Life", que se tornaria uma canção intemporal. 



Inicialmente Black era de facto o nome de um grupo, fundado em 1981 por Vearncombe. Entre 1982 e 1984, o grupo também integrou Dave Dickie e Jimmy Sangster, tendo editado os singles "More Than The Sun" e "Hey Presto", que apesar dos elogios da crítica e de alguma atenção na Austrália, não tiveram sucesso comercial. Em 1985, com a saída oficiosa dos outros elementos, Black passaria a tornar-se efectivamente um stagename para Vearncombe.



"Wonderful Life" foi originalmente editado em 1986, tendo chegado ao n.º 72 do top britânico e o single seguinte, "Everything's Coming Up Roses" ainda ficou mais abaixo. Porém, o terceiro single "Sweetest Smile" foi um inesperado sucesso tendo chegado ao n.º 8. Foi então que "Wonderful Life" foi re-editado e não só igualou a posição do single anterior no Reino Unido como tornou-se um sucesso internacional, tendo sido n.º 1 na Áustria e n.º 2 na Alemanha, França e Suíça.

Em "Wonderful Life", Vearncombe canta a sua solidão onde até parece que o sol que brilha parece fazer troça disso, mas ainda assim constata no refrão que não vale a pena fugir, rir ou chorar porque no fundo, a vida é maravilhosa. A música encaixa-se perfeitamente no tom agridoce e melancólico da letra e da melodia e talvez por isso, a canção soe tão transcendente ao seu tempo: é uma canção dos anos 80 mas que também podia ser feita nos anos 70 ou 90. 



O respectivo videoclip a preto e branco, filmado na estância de Southport, é igualmente belíssimo e não fossem as roupas claramente anos 80 de alguns dos figurantes, quase que também era difícil de adivinhar em que altura é que teria sido feito. Realizado por Gerard De Thame, o vídeo ganhou um prémio no Festival de Cinema de Nova Iorque.

Na altura Black foi comparado a Bryan Ferry e a Morrissey. Apesar de nunca mais ter igualado o sucesso de "Wonderful Life", Black continuou a actuar e a editar música até ao abrupto fim da sua vida, com apenas um interregno em meados dos anos 90. Regressou ao activo em 1999, quando fundou editora independente Nero Schwarz (nome super-apropriado já que são as palavras em italiano e alemão para a cor preta), onde editou o seu material quer sob o nome Black, quer pelo nome verdadeiro. O último álbum foi "Blind Faith" de 2015.
Entre o repertório posterior a "Wonderful Life", destacam-se "Paradise" (1988), "The Big One" (1988), "Now You're Gone" (1989) e "Feel Like Change" (1991). 

Mas ao longo destes anos "Wonderful Life" tem continuado o seu sucesso intemporal, tendo sido utilizado em vários anúncios e séries de televisão e até mesmo numa campanha das Nações Unidas contra o tráfico humano. O tema também foi versionado por nomes como Lara Fabian, Tina Cousins, Katie Melua, Ace Of Base e Zucchero.



Apesar de curta e tragicamente findada, pode-se dizer que a vida de Black foi maravilhosa, já que viveu a fazer a música nos seus próprios termos, preferindo a sua liberdade criativa ao sucesso imposto pela indústria musical. E deixou-nos uma canção que haverá de tornar a vida de muitos outros mais maravilhosa, pelo menos durante quatro minutos e meio.

"Sweetest Smile"



"Everything's Coming Up Roses"

   

   
  

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Batman: The Animated Series - Figuras da série animada (1995)


A série animada de culto do "Batman" [1992-95] teve direito a várias figuras de acção, e as do anúncio foram mais algumas das que chegaram ás costas lusitanas. O slogan deste reclame ás figuras da Hasbro: "Batman. Um herói fora de série!"


As figuras desta série da linha incluíam os vilões Poison Ivy, Killer Croc, Clayface, Scarecrow, Bane e Mr. Freeze.
 A vilã/heróina Catwoman foi colocada na mesma fileira de uma das variações dos uniformes do Batman e do Robin.

Leitores, quem brincou com estes?

Publicidade fotografada e editada por Enciclopédia de Cromos, retirada da revista que adaptou o filme em banda desenhada "Batman Para Sempre" (1995), da Editora Abril.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Trio Odemira "O Anel De Noivado" (1982) e "Ana Maria" (1985)

por Paulo Neto

Os Trio Odemira são um caso de extraordinária longevidade, até mesmo a nível mundial pois em 2015 completaram 60 anos de carreira. Tudo começou em 1955 quando os irmãos Carlos e Júlio Costa venceram sob o nome de Odemira Dois um concurso de novos talentos promovido pelo lendário radialista Igrejas Caeiro. Passaram a ser os Trio Odemira com a entrada de José Ribeiro e desde então têm actuado por todo o país e por todo o mundo.
Há duas coisas que sempre me fascinaram no Trio Odemira: primeiro foi o estilo "old school" que sempre cultivaram e que resistiu intacto ao longo dos anos e a segunda era a sua entoação a cantar, que dava algo para o espanholado, a que não era estranho o facto de terem no repertório vários temas em castelhano e algumas adaptações de tema espanhóis.

Apesar de uma carreira tão longa e bem-sucedida, os anos 80 foram sem dúvida o ponto alto dos Trio Odemira. Foi nessa década que se compôs a formação actual com os irmãos Costa e Mingo Rangel e alcançaram os seus dois maiores hits que para sempre ficaram na jukebox mental dos portugueses.



Em 1982, editaram o seu mais celebrado opus "O Anel De Noivado", que é uma daquelas canções que toda a gente conhece mas não se sabe muito bem o título (tal como por exemplo "Planície" de Mafalda Veiga que ainda hoje muita gente julga que a canção se chama "Pássaros Do Sul"), pelo que talvez seja mais conhecido pelo primeiro verso "A igreja estava toda iluminada".
O tema começava com uma interpolação da marcha nupcial de Wagner (conhecida no mundo anglo-saxónico como "Here Comes The Bride"), anunciando que a letra iria abordar a temática matrimonial. "O Anel De Noivado" contava-se a história de um homem que assiste na tal igreja toda iluminada (presume-se que por velas) ao casamento da sua mulher amada, sem dúvida numa de masoquismo.

A igreja estava toda iluminada
Muita gente convidada
Eu também fui para ver 
Ninguém sabe a dor que eu sentia
Pois nesse mesmo dia
Casava a mulher amada

Porém na segunda estrofe, quando o homem vai ter com a noiva para desejar-lhe felicidades descobre-se que, ao contrário da "Joana" do Marco Paulo, não foi ela que o deixou por outro mas sim que o amor deles não conseguiu vingar e a noiva também sofre por não casar com o homem que ela queria. Ou como cantam os Trio Odemira, "e foi chorando sem notar que o seu pranto, seu vestido vai molhando ao chorar de amor por mim." Fica a ideia que o amor deles foi impossível, provavelmente por serem de diferentes classes sociais, mostrando que nem sempre a máxima do "love conquers all" é correcta.
O videoclip da canção que foi filmado durante um casamento a sério com direito a actuação dos Trio Odemira durante a boda, onde os noivos parecem mais preocupados em comer do que em ouvi-los. Um comentário no YouTube diz que o casamento foi na Igreja Matriz de São João de Loureiro, em São João da Madeira.
      




"Ana Maria", editado em 1985, tornou-se outro grande hit dos Trio Odemira e é uma excepção às suas habituais sonoridades, abraçando um ritmo electro-pop. Porém essa inédita sonoridade acabou por encaixar bem na voz de Júlio Costa, secundado por um coro de vozes femininas. No entanto, tal como em "O Anel De Noivado", narra-se uma história triste, desta vez de adultério e traição.
No tema, Costa canta as infidelidades da Ana Maria do título com o melhor amigo. Gosto sobretudo do facto de ser uma das raras canções portuguesas que usa a palavra "estúpido" já que o amigo da onça é descrito na canção como "esse estúpido que sempre me jurava sua amizade." E a letra vai desfiando o rosário de sofrimento do marido traído em versos "que parvo fui, não entendo como não vi" ou "estou numa de palhaço de saber o que fazer" ou mesmo "ainda sinto nas entranhas esse choque que sofri" (sendo também uma das raras canções nacionais com a palavra "entranhas").  Também gosto como no refrão o nome da adúltera Ana Maria é dito com as vogais todas abertas: "Á-Ná-Má-Riá":

Maldita tu, Ana Maria
Tu só tu, Ana Maria
Sim, Ana Maria
Tu simplesmente desprezaste 
Tanto amor que eu te dei 
Maldita tu, Ana Maria
Tu só tu, Ana Maria
Sim, Ana Maria
E bem te rias e fingias
E dizias ser feliz comigo

Trocando o nome por "Addison" a letra quase que podia ser a história do Dr. Sheppard de "Anatomia de Grey" antes de conhecer a Meredith.
E claro está, na altura, muita Ana Maria deste país teve que ouvir essa canção a ser-lhe trauteada. Por exemplo a minha professora do 3.º ano da primária tinha esse nome e lembro-me de alguns colegas cantarem "Á-Ná-Má-Riá" à socapa. Será que também foi o caso da irmã do David Martins?

Não sei se a canção tem algum videoclip oficial, o mais parecido que encontrei foi esta actuação num programa da RTP. Gosto sobretudo do facto de nos quererem fazer acreditar que o solo de sintetizador vem da guitarra eléctrica e que a canção tem guitarra acústica.



Infelizmente não encontrei na internet o tema "Mar De Rosas", uma colaboração que em 1988 juntou os Trio Odemira a Carlos Paião, para aquele que seria o último disco deste, "Intervalo".





Os Trio Odemira nunca conseguiriam replicar o sucesso deste seus dois hits, mas ainda hoje continuam bem activos a actuar no país e no estrangeiro e não é difícil imaginá-los assim durante mais uns bons anos.

Extra:

"Tu E Eu/Guantanamera" (actuação na Praça de Alegria, 2011)





  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

10 Coisas Que Odeio Em Ti (1999)

por Paulo Neto

O tempo passa sempre a correr e foi com algum espanto que me dei conta que já passaram oito anos desde a morte do actor australiano Heath Ledger. A 22 de Janeiro de 2008, terminava apenas aos 28 anos a vida deste talentoso actor que apesar da sua vida curta ainda teve uma carreira bastante prolífica e elogiada, entrando em filmes como "O Patriota", "Coração de Cavaleiro", "Monster Ball - Depois Do Ódio" ou "Casanova" e deixando a sua marca com os seus papéis icónicos em "O Segredo de Brokeback Mountain" e "O Cavaleiro Das Trevas", este último distinguido com um Óscar póstumo.



Por isso, não deixa de ser curioso lembrar que o primeiro filme de Ledger em Hollywood foi a comédia adolescente de 1999 "10 Coisas Que Odeio Em Ti" ("10 Things I Hate About You") realizada por Gil Junger e que além de Ledger, tinha Julia Stiles, Joseph Gordon-Levitt, Larisa Oleynik e Andrew Keegan nos principais papéis. 
E sabem de algo ainda mais curioso? Eu vi este filme nas aulas não numa mas sim em duas cadeiras durante o meu 3.º ano da Universidade. Primeiro na cadeira de Cultura Norte-Americana, pois como já referi antes, o trabalho do primeiro semestre consistia em analisar a sociedade americana através de cinco filmes passado no high school e depois na cadeira de Literatura Inglesa II, que nesse ano era exclusivamente dedicada a William Shakespeare e o filme era uma adaptação livre e modernizada de "A Fera Amansada", uma das peças do bardo estudadas nessas aulas.



Cameron James (Gordon-Levitt) é um aluno recém-chegado ao Liceu de Padua, na região de Seattle, e desde logo fica apaixonado pela adorável porém algo fútil Bianca Stratford (Oleynik). Mas não só Bianca está mais interessada no popular e convencido Joey Donner (Keegan), como está proibida pelo seu pai Walter (Larry Miller) de namorar. Sobreprotector com as suas filhas desde que a sua esposa abandonou a família e obsessivamente preocupado com gravidez adolescente, devido ao número de casos a que assiste no seu trabalho com obstetra, Walter estabeleceu que Bianca só pode namorar ou ter encontros até que a sua irmã mais velha Kat (Stiles) o faça.



O problema é que Kat é uma rapariga tão arisca e anti-social que nenhum rapaz quer sequer aproximar-se dela, o que impossibilita a vida amorosa da irmã. Vendo no rebelde e insubordinado Patrick Verona (Ledger) um possível par ideal para a feroz Kat, Cameron e Joey convencem-no a amansar a fera e assim libertar Bianca da proibição de sair com rapazes. Patrick aceita mediante o dinheiro dado por Joey (que está apenas sexualmente interessado em Bianca) e aos poucos, Kat deixa-se conquistar e o que parecia ser um simples engate torna-se em algo mais para ambos. Entretanto, Bianca acaba por aceitar Cameron e dispensar Joey, sobretudo quando Kat lhe confidencia uma dolorosa memória do passado, que fez com que ela mudasse de atitude. No final, esclarecidos os mal-entendidos e perdoadas as intenções iniciais, Kat e Patrick assumem a paixão.



Outras personagens que se destacam no filme são Michael Eckman (David Krumholtz), o amigo geek de Cameron, Mandella (Susan May Pratt), a amiga de Kat obcecada por Shakespeare em quem Michael está interessado, Chastity Church (Gabrielle Union) a amiga de Bianca que no fim revela-se uma amiga da onça e Mrs. Perkey (Allison Janney), a conselheira escolar que aspira a ser escritora de literatura erótica.




Com desempenhos competentes de todo o elenco, vários momentos de humor (por vezes até nonsense) e várias referências shakespereanas, "10 Coisas Que Odeio Em Ti" cumpre plenamente a sua função de divertir e entreter e ainda hoje é uma referência no sub-género da comédia adolescente. Heath Ledger e Julia Stiles deixam antever o potencial que demonstrariam nas respectivas carreiras, assim como Joseph Gordon-Levitt, que até então era mais conhecido pelo seu trabalho em televisão sobretudo em "Terceiro Calhau A Contar Do Sol", tendo os três recebido várias distinções e nomeações para prémios de jovens actores.   

Em 2008, o filme foi adaptado a uma série de televisão de vinte episódios onde Larry Miller recuperou o seu papel como o pai das das irmãs Stratford.

Trailer:


Heath Ledger "Can't Take My Eyes Off Of You"






quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Darkwing Duck - O Pato da Capa Preta [ 1991-92]


Como já mencionei várias vezes, as minhas séries favoritas da Disney sempre foram as de aventura, como “Duck Tales” e “Chip ‘n Dale Recue Rangers”, e este “Darkwing Duck” não foi excepção. 

Basta ver o genérico inicial para constatar que todo o visual e situações são paródias explicitas aos heróis pulp, principalmente o vigilante “The Shadow” ("O Sombra", que teve um filme fraquinho nos anos 90, além dos filmes da década de 1940), mas os agentes secretos e heróis como o Batman também são parodiados ao longo dos  91 episódios das três temporadas emitidas entre 1991 e 1992. Passou na RTP lá para meio dos anos 90, com o nome "O Pato da Capa Preta".


Genérico Inicial de "Darkwing Duck":



Originalmente, a série começou a ser desenvolvida como um spin-off - ou derivado - de  “Duck Tales”, protagonizada pelo piloto desastrado da mesma, Capitão Boing (Launchpad McQuack). No entanto, mais à frente durante a produção foi criado um novo protagonista - Drake Mallard, o alter-ego de Darkwing Duck, o obcecado e egotista super-herói que com recurso a grande entusiasmo e engenhocas combate o crime na cidade. No processo, o Capitão Boing foi relegado para piloto e ajudante do herói. 
Quando não andava mascarado a correr atrás de bandidos, Drake Mallard vivia nos subúrbios de St. Cannard ( que a Wikipedia indica como uma paródia da Gotham City do Batman) com a filha adoptiva Gosalyn Mallard (acho que tirando o Pateta, nenhum personagem principal da Disney tem filhos biológicos, porque isso implicaria...sexo cartoonistico. Dai o recurso habitual a sobrinhos para justificar a existência dos mais novos nas histórias), uma criança hiperactiva que auxilia o Darkwing Duck tanto em vários disfarces de heroína como à civil.

A frase de apresentação de Darkwing Duck aos bandidos era sempre "I am the terror that flaps in the night..." ("Eu sou o terror que voa na noite...") completada com uma metáfora improvisada e o "...I am Darwing Duck" ("Eu sou o Darkwing Duck"). O outro bordão é "Let's get dangerous".
Os vilões incluem por exemplo o "Nega Duck" (uma versão maligna do herói, com tácticas e uniforme semelhantes), ou Dr. Reginald Bushroot (capaz de controlar plantas), e uma lista comprida que inclui mutantes, extaterrestres, etc: Vilões. Felizmente Darwing Duck também pode contar com o auxílio de bastantes aliados e heróis.

A voz original de Darkwing Duck foi Jim Cummings (o Dr. Robotnick da série do "Sonic"; e uma das vozes do "Shredder" na série clássica das Tartarugas Ninja). Para o sideckick Capitão Boing, regressou o homem da voz original do personagem em “Duck Tales”, Terry McGovern, que entre outros trabalhos de voz e em carne e osso, foi a "voz de controlo" em "THX 1138" (1971) a primeira longa-metragem do jovem George Lucas, o criador da Guerra das Estrelas. Gosalyn teve a voz de Christine Cavanaugh (Chuckie dos "Rugrats", Dexter de "O Laboratório de Dexter"). Talvez por ser um caixa-de-óculos recordo-me melhor do "Honker" Muddlefoot, o melhor amigo de Gosalyn e muito inteligente para a idade. Honker teve a voz de Katie Leigh (a voz inglesa da Julieta do "Dartacão"), e claro do Robocop versão Disney que também transitou de “Duck Tales”: Gizmoduck (voz de Hamilton Camp), não um cyborg mas uma armadura usada por Fenton Crackshell para lutar contra o crime


Também faziam parte do elenco Morgana (Kath Soucie, a voz da Janine na série animada dos "Caça-Fantasmas" ou a soviética Linka do "Capitão Planeta") uma feiticeira, antiga vilã mas mais tarde namorada de Darkwing Duck; e o vilão Megavolt (Dan Castellaneta, o Homer Simpson himself).

Está previsto que em 2016 saia uma nova série de banda desenhada do personagem , bem como uma nova série animada programada para 2018. [via Nerdist] Consta que não será uma continuação, mas um reboot para começar tudo de novo.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

David Bowie "Absolute Beginners" (1986)

por Paulo Neto

Na semana passada, a morte de David Bowie surpreendeu o mundo inteiro, que assim perdia um dos músicos mais inovadores e brilhantes de sempre. O falecimento do artista britânico de seu verdadeiro nome David Robert Jones impôs uma redescoberta do seu extenso e variadíssimo repertório e nas redes sociais, muitos quiseram partilhar as suas canções preferidas de Bowie. No meu caso, o tema de David Bowie que mais me marcou, e que considero o meu favorito pessoal, não é dos seus hits mais recordados mas trinta anos depois ainda me arrepia como da primeira vez que o ouvi.  



Os anos 80 viram David Bowie na sua fase assumidamente mais comercial e acessível, onde somou hits como "Let's Dance", "China Girl", "Modern Love" e os duetos com os Queen em "Under Pressure" e com Mick Jagger numa versão de "Dancing In The Streets". Ao mesmo tempo, Bowie alargava o seu interesse pela representação e teve várias incursões na sétima arte. Por exemplo, formando com Catherine Deneuve um casal de vampiros insaciáveis em "Fome De Viver" (1983) ou na pele do Rei dos Gnomos em "Labirinto" (1986). Ou ainda no filme do qual esta canção era o tema principal.



"Absolute Beginners" (em português, "Absolutamente Principiantes"), um filme de 1986 realizado por Julien Temple, então conhecido pelo seu trabalho como realizador de videoclips, era uma adaptação do romance de 1959 de Colin McInnes, que retratava as transformações sociais da Inglaterra do final dos anos 50, onde surgiu a primeira geração de adolescentes tal como hoje se entende esse conceito. No livro, o nome da personagem principal nunca é mencionado pelo que no filme optou-se por dar ao protagonista o nome do autor do livro, Colin, desempenhado por Eddie O'Connell. Um jovem fotógrafo de 18 anos, Colin capta com a sua objectiva toda a ebulição cultural em Londres onde se notam as primeiras influências da comunidade de imigrantes africanos e caribenhos. Colin é apaixonado por Crepe Suzette (Patsy Kensit), uma aspirante a estilista que renuncia a esse amor para concretizar as suas ambições. Colin decide então subir na vida para reconquistá-la e acaba por se envolver nos esquemas do bem-falante Vendice Partners (David Bowie). Mas só durante os motins de Notting Hill causados pelos conflitos raciais entre os imigrantes negros e um grupo supremacista branco que os dois jovens recuperam o amor entre ambos. Do elenco fizeram ainda parte nomes como James Fox, Mandy Rice-Davies e Robbie Coltrane e músicos como Ray Davies dos Kinks e a cantora Sade Adu. Na altura, o filme foi um fracasso comercial e considerado um dos flops que, juntamente com "A Missão" e "Revolução", na altura quase arruinaram a indústria cinematográfica britânica. Eu vi o filme na universidade, na cadeira de Cultura Inglesa, e concluí que o filme sofria de querer ser muita coisa (musical, drama, comédia, romance de época) e acaba por não ser nada de concreto.   



O melhor do filme é sem dúvida a banda sonora, que tal como em "Dirty Dancing", misturava de forma inesperada mas eficaz, música do passado (neste caso, anos 50) com música claramente dos anos 80. Além do tema-título, David Bowie ainda atirava-se a uma versão do clássico italiano "Volare (Nel Blu Dipinto Di Blu)"
Porém o ponto alto da banda sonora é mesmo "Absolute Beginners", que aparece no genérico inicial do filme e onde a voz de Bowie surge sóbria e segura nas estrofes para explodir no refrão esmagador, secundada pela voz feminina de Janet Armstrong, terminando num excelente solo de saxofone. (E na percussão estava nada mais nada menos que Luís Jardim!).
Também recordo do videoclip a preto e branco onde David Bowie segue no encalço de uma misteriosa mulher-zebra, enquanto passam cenas do filme a cores. Recordo-me bastante de ver esse videoclip no programa "Countdown", em alguns tapa-buracos e nos programas matinais da RTP do início dos anos 90.    

Trailer "Absolutamente Principiantes":



domingo, 17 de janeiro de 2016

Lengalengas - Parte 2





Em finais de 2012 fiz um post sobre algumas lengalengas que fui ouvindo desde a infância [post aqui]. Se fiquei surpreendido com o feedback ao artigo foi a ausência de reacções. Talvez estas lengalengas sejam muito locais, ou quem sabe, até inventadas na minha família há muitas décadas. Se alguém tiver informações sobre a origem delas, ou outras variações, comunique nos comentários ou directamente no email.
Vamos então a mais algumas que sempre ouvi a minha mãe ou familiares contar:


Diálogo entre dois compadres:
- Compadre Romão!
- Hão?
- Tá dormindo ou acordado?
- Tou acordado compadre!
- Então empreste-me lá um cruzado(1)!
- Tou dormindo!
- Tá dormindo e tá falando?
- Tou sonhando que nã me paga!
(1) - Cruzado - moeda portuguesa em circulação entre os séculos XV e XIX.


"Arre Burrinho"
Esta disse-me a minha mãe que uma vizinha cantava enquanto se fazia uma espécie de baloiço comigo ou a minha irmã em cima dos joelhos. Uma simples pesquisa no Google devolveu várias versões desta lengalenga ou ladainha com a estrutura:
"Arre burrinho
para S. Martinho
carregadinho
de pão e vinho."
Repetindo depois com localidades e cargas diferentes.

Do que a minha mãe recorda da versão da minha vizinha seria algo assim:

"Arre burrinho 
carregadinho de vinho 
(...)
Arre burrinho
para Olhão
carregadinhode carvão"

"No Centro larento"
Outra lengalenga que encontrei online com algumas diferenças [aqui e aqui]

"Lá no centro larento
da Avenida larida
um pinote larote
escorregou larou
agarrou-se larou-se
ao meu vestido larido
nem um prega larega
lhe deixou larou"

"Se visses o que eu vi"
Esta tem inúmeras versões, a minha mãe recorda-se desta:

"Se visses o que eu vi
fugias como eu fugi
a minha sogra em cuecas
a fugir atrás de mim"
A minha tia Aura indicou-me mais um par delas:

"Se visses o que eu vina Rua do Tio GaianaUm pássaro a fazer ninhonas barbas da tua mana."

"Se visses o que eu viLá na casa de jantarO copo e a garrafaTodos os dois a namorar"


E mais outra:

"Tenho fé no café
Esperança no chocolate
Tenho fé que hás-de ser minha
Antes que o teu pai me mate"
"Antes que o teu pai me mate
E a tua mãe me tire a vida
A minha palavra está dada
A minha mãe comprometida"
A segunda quadra foi acrescentada pela minha tia Aura.
 

"A-A-A-Todos cantamos cá"
A minha mãe aprendeu esta para cantar numa festa no Colégio Nossa Srª de Fátima (Asilo das Meninas), onde as docentes eram freiras:
"A-A-A-Todos cantamos cá
A cantar com alegria
vai correndo o nosso dia
A-A-A-Todos cantamos cá
E-E-E-Que lindo que isto é
E-E-E-Que lindo que isto é
I-I-I- Foi para Deus que nasci
Faço toda a sua vontade
Sou feliz na Eternidade
I-I-I- Foi para Deus que nasci
O-O-O- Eu nunca ando só
Tenho um anjo meu amigo
que me guarda de todo o perigo
O-O-O- Eu nunca ando só
U-U-U- Porque não cantas tu?
U-U-U- Porque não cantas tu?"

Mais alguns excertos:

"Três vezes nove são vinte e sete
Quem matou o cão foi o baeta" 
---
"Serra madeira
Carapinteira
Debaixo do chão
Está uma velha 
a vender figuinhos
a meio tostão"
---
"Preta da Guiné
lava a cara com café
Tem vergonha de ir à missa
com sapatos de cortiça"
Esta última deve ter sido cantada muito tempo antes de a minha mãe e as outras crianças da zona verem (ou saberem sobre o que estavam a cantar) pela primeira vez uma pessoa de pele negra. A terra era pequena e eram outros tempos...


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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

"Cara & Coroa" (1995-96)

por Paulo Neto

Já é sabido que a Enciclopédia De Cromos gosta de recordar telenovelas dos anos 80 e 90, e esta tinha sido a mais pedida pelos leitores para um próximo artigo. Não foi uma telenovela que segui com muita atenção mas de cuja popularidade eu efectivamente me recordo.



"Cara & Coroa" teve a autoria de António Calmon e foi exibida no Brasil entre 1995 e 1996, tendo nesse mesmo ano sido exibida em Portugal pela SIC no horário do final da tarde. A telenovela era protagonizada por Christiane Torloni que encarnou duas mulheres fisicamente parecidas mas de personalidade completamente diferentes: Fernanda Gusmão Santoro e Vitória "Vivi" Figueiredo.

Christiane Torloni como Fernanda e Vivi


Fernanda é uma mulher sedutora mas emocionalmente instável que semeia paixões e ódios na cidade costeira de Porto do Céu. A sua instabilidade amorosa é tal que deixa o seu noivo Rubinho (Luís Mello) a poucos dias do casamento para viver com Miguel Âlcantara Prates (Victor Fasano) com quem casa e tem um filho, Pedro (Thierry Figueira). Mas pouco tempo depois, Fernanda acaba por trocar Miguel pelo irmão deste, Mauro (Miguel Falabella), uma escolha de qual se arrepende amargamente, pois Mauro revela-se um homem cruel e sem escrúpulos, que a trai com a igualmente pérfida e ambiciosa Heloísa (Maitê Proença). Após uma violenta discussão entre os dois onde um tiro disparado por ele mata um desconhecido, Mauro incrimina Fernanda, que vai para a cadeia condenada por esse homicídio.

Maitê Proença (Heloísa) e Miguel Fallabella (Mauro)
Victor Fasano (Miguel) e Lucía Veríssimo (Nadine)

Quem acaba por para a essa mesma prisão é Vivi, uma mulher humilde criada num orfanato em São Paulo, que acabou presa juntamente com a sua amiga Margô (Rosi Campos) por um assalto que elas não cometeram. Quando a poucos dias da libertação, Fernanda sofre um derrame cerebral, Mauro e Heloísa, que entretanto casaram-se e tiveram uma filha, Belinha (Luiza Curvo), oferecem uma possibilidade às duas amigas de saírem da prisão mas para tal Vivi terá de se fazer passar por Fernanda, obedecer às ordens deles e servir os seus interesses que passam por se apoderarem da fortuna que seria de Fernanda após o divórcio de Miguel.
Sem outro remédio, Vivi aceita e passa por uma transformação onde fica totalmente idêntica a Fernanda. 

Thierry Figueira (Pedro) e Juliana Baroni (Júlia)
Alessandra Negrini (Natália) e Arlete Salles (Cacilda)

A sua chegada a Porto Do Céu é cheia de animosidade, pois todos na cidade odiavam Fernanda. Mas mesmo na sua nova identidade, o carácter bondoso de Vivi prevalece e vai gradualmente corrigindo os estragos deixados pela sua sósia: a relação dura com a sua mãe Guilhermina (Marilena Ansaldi), a revolta do seu filho Pedro, que a julgava morta, e os despeitos amorosos de Miguel e Rubinho. Apesar de também não ser indiferente a este último, Vivi acaba por se apaixonar por Miguel. Este, que começava a corresponder à paixão da médica Nadine (Lúcia Veríssimo), espantado pela aparente transformação de Fernanda, cede à antiga paixão e os dois têm uma filha, Nandinha. Com o tempo, Miguel descobre a farsa mas acaba por perdoar Vivi.

Luis Mello (Rubinho)

Entretanto, a verdadeira Fernanda recupera e apercebe-se do estratagema. Após muitas reviravoltas e trocas de identidade entre as duas sósias, Fernanda, com ajuda de Vivi e Miguel, lança uma vingança contra um Mauro cada vez mais perigoso e desvairado, que até chega a matar Heloísa. Na recta final, as duas mulheres descobrem que afinal são irmãs gémeas, quando Vivi pensa que uma mulher chamada Constança (Maria Helena Dias) pode ser a sua verdadeira mãe, só que esta confessa antes de morrer que, revoltada por ter perdido a sua filha no parto, ela tinha roubado uma das duas filhas que Guilhermina dera à luz. No final, Vivi fica feliz junto de Miguel, Pedro e Nandinha, e Fernanda, que todos achavam morta no mesmo acidente de avião que matou Mauro, regressa para ficar junto de Rubinho, a quem afinal nunca deixou de amar.      

Os momentos de humor estiveram sobretudo assegurados pelo casal Aníbal (Hugo Caravana), pai de Fernanda e ex-marido de Guilhermina, e Cacilda (Arlete Salles), a sua actual mulher, que estão convencidos da existência de actividade extra-terrestre em Porto Do Céu.

Márcio Garcia (Guiga) e Alessandra Negrini (Natália)


Com uma trama de suspense, belas paisagens e muita gente bonita, "Cara & Coroa" foi uma bem-conseguida novela estival. Tal como Glória Pires em "Mulheres De Areia" anos antes, Christiane Torloni teve aqui um desempenho de alto nível, captando os pormenores das personalidades de cada uma das sósias/gémeas, que por vezes até dava a impressão que eram actrizes diferentes. Também recordo que em certas cenas a personagem do Miguel Fallabella era mesmo assustadora. Para demónio, só lhe faltavam os chifres!

Na altura, lembro-me que as minhas colegas eram particularmente adeptas da parte masculina do elenco, nomeadamente Guiga (Márcio Garcia), um ex-modelo internacional que assentou arraiais na cidade, sendo disputado pelo mulherio local, isto para além de actores como Marcos Pasquim, Carmo Della Vecchia, Heitor Martinez e Alexandre Frota (pré-porno).
Mas os rapazes também não tinham razões de queixa pois o elenco também incluía beldades como Alessandra Negrini (na sua primeira telenovela após a polémica série "Engraçadinha - Seus Amores E Seus Pecados"), Juliana Baroni, Cláudia Liz, Mónica Fraga e Natália Lage.
Do elenco faziam ainda nomes conhecidos como Mauro Mendonça, Cláudia Alencar, Wolf Maya, Carlos Zara e Louise Cardoso.            

Na banda sonora da telenovela, destacou-se o tema "Primeiros Erros" cantada pela antiga estrela infantil Simony de A Turma Do Balão Mágico.

Genérico:



Simony "Primeiros Erros"





quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Topo Gigio Mini Mosaico

De entre as toneladas de produtos derivados do adorável Topo Gigio, hoje vamos ver uma publicidade ao  "Mini Mosaico", que basicamente consistia numa grelha negra em que se encaixa os pinos de diferentes cores, de forma a criar um desenho. O desenho sugerido na caixa é um retrato do próprio Topo Gigio.

Digitalizado e Editado por Enciclopédia de Cromos
Uma melhor visão da caixa do Mini Mosaico:

Digitalizado e Editado por Enciclopédia de Cromos
Actualização:
Entretanto encontrei online um scan em melhor estado:
Revista Pateta 26 (1982)
Digitalizador original desconhecido. Editado por Enciclopédia de Cromos


O reclame informa ainda o produto foi fabricado em Portugal por "Dinamização". Hoje em dia uso uma aplicação para telemóvel que permite o mesmo efeito, criar desenhos estilo "pixelizado".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Canções das Eleições Presidenciais de 1986

por Paulo Neto

Estamos actualmente em campanha eleitoral para a Presidência da República onde Portugal elegerá o seu próximo chefe de Estado para um mandato de cinco anos. Na democracia portuguesa, a regra geral foi um candidato ser eleito ou reeleito à primeira volta. A grande excepção foram as eleições presidenciais de 1986, que sem dúvida que foram um dos actos eleitorais mais espectaculares de sempre. Essas também foram as primeiras eleições de qualquer tipo que me lembro de acompanhar e de saber para o que eram. E também foram as primeiras eleições em que eu votei, apesar de só ter na altura cinco anos. Já falo disse mais adiante. 

As eleições presidenciais de 1986, ano em que Portugal entrou para a CEE, tiveram quatro candidatos: Diogo Freitas do Amaral (candidato CDS e apoiado pelo PSD), Mário Soares (pelo PS), Francisco Salgado Zenha (candidato do PRD e com algum apoio do PCP) e Maria de Lurdes Pintassilgo, como candidata independente. Depois de ter sido a primeira (e até agora única) mulher a chefiar um governo em Portugal entre Agosto de 1979 e Janeiro de 1980, Pintassilgo tornava-se assim também a primeira mulher candidata à Presidência, algo que só se verificaria de novo nestas eleições de 2016, com as candidaturas de Maria de Belém e Marisa Matias. Um quinto candidato, Ângelo Veloso do PCP, desistiria em favor de Salgado Zenha.

  
 



A primeira volta realizou-se a 26 de Janeiro de 1986 com Freitas do Amaral em primeiro lugar com 46,31 %, falhando por pouca a vitória à primeira volta. Mário Soares ficou em segundo lugar com 25,43%, apurando-se assim para a segunda volta, até ao momento a única vez que tal aconteceu em eleições presidenciais em Portugal. 

Foi aí que a campanha tornou-se mesmo interessante, dividindo o país quase em metade entre os Team Freitas e os Team Soares, havendo relatos de várias escaramuças entre apoiantes de ambos os candidatos um pouco por todo o país e de amigos e parentes que cortaram relações por defenderam facções rivais. Aliás o próprio Soares foi alvo de um episódio de agressão durante uma acção de campanha na Marinha Grande. Por outro lado, Freitas Do Amaral ditou uma moda com o sobretudo verde que envergava durante a campanha. 
E lembro-me que na altura, era habitual ouvir na rua  alguém gritar "P'rá Frente Portugal", o slogan de Freitas do Amaral e "Soares É Fixe", o slogan de Mário Soares. Para não falar que havia autocolantes das duas campanhas colados em tudo o que era sítio.



A segunda volta realizou-se 16 de Fevereiro de 1986. Nesse dia, acompanhei os meus pais ao local de voto, na Escola Secundária Maria Lamas, e a minha mãe levou-me com ela até à cabine de voto e ela deixou-me pôr a cruz no quadrado correspondente a Mário Alberto Nobre Lopes Soares, pelo que posso dizer que esta foi a primeira vez em que votei. (Oficialmente, o meu primeiro voto como cidadão eleitor foi no referendo de 1998 sobre a regionalização.)
Beneficiando de uma união da esquerda à segunda volta (até Álvaro Cunhal foi forçado a engolir um sapo e apoiar Soares) e - dizem - do episódio da Marinha Grande, Mário Soares acabaria por vencer com 51,18%, somente mais 140 mil que Freitas do Amaral. Apenas três meses após ter deixado de ser primeiro-ministro e com apenas 5% de intenções de votos aquando a entrega da sua candidatura, Mário Soares tornava-se o 16.º Presidente da República Portuguesa, tendo sido reeleito em 1991. Tentou ainda uma terceira candidatura em 2006. 

Outro campo onde a campanha das eleições presidenciais de 1986 foi na música, tal como foi falado em três cromos da "Caderneta de Cromos" da Rádio Comercial.



Freitas do Amaral tinha o seu grande hino com o título do seu slogan "P'rá Frente Portugal" que me lembro de ser absolutamente épico, cantado pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras e vários artistas como Nicolau Breyner, com letra de Torquato da Luz, música de Rui Ressurreição e arranjos de Thilo Krassman. O refrão era assim: "País do Sol/ Terra do sal/ Pátria do Sul/P'rá frente Portugal/Pela paz, pela riqueza em Portugal/ Para à frente, para à frente Portugal!" 
Infelizmente, não achei a versão original, apenas esta versão soul-jazz, cantada por Diogo Ribeiro para a candidatura de Paulo Freitas do Amaral - sim, aquele primo de Diogo Freitas do Amaral que participou em "A Quinta" - à Câmara Municipal de Oeiras em 2013.


Além disso, foi editado um álbum, "O Povo Canta Freitas do Amaral" onde foram adaptadas cantigas populares para incluir o nome de Freitas do Amaral, disco esse em que Nicolau Breyner também participou. Por exemplo, no disco era possível ouvir algo como "Todos o querem, queremos só um, queremos o Freitas, não queremos mais nenhum!"

Esse método foi também aplicado na campanha de Mário Soares, que teve a sua adaptação da mais famosa canção das Janeiras (de seu verdadeiro título "O Natal dos Simples", versionado por Zeca Afonso, entre muitos outros), algo que depois foi recuperado para a sua campanha de reeleição de 1991. Recordo-me que a parte do "pa rara riri pa rara riri pom pom pom" rezava assim em 1986: "Vamos votar nele, vamos notar nele/ Vamos votar/ Para Presidente, para Presidente/ Mário Soares" e em 1991: "Vamos votar nele, vamos notar nele/ E quando votares/ Volta à Presidência, volta à Presidência/ Mário Soares".



Mas o grande hino da campanha de Soares, a fazer jus ao slogan "Soares É Fixe", foi o "Rock Da Liberadade", cantado e composto por Rui Veloso, com letra de António Pedro Vasconcelos (sim, o realizador de cinema), que foi disco de prata. Na capa do disco, vinha escrito: "Aí está o nosso hino! Uma batida para curtir!" (Gostava de imaginar Mário Soares a dizer isso!)



Enquanto Mário Soares foi presidente durante dez anos, Freitas do Amaral deixou o CDS em 1990 e foi Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas entre 1995 e 1996. Em 2005, provando que são muitas as voltas a vida dá, acabaria por ser eleito deputado pelo... PS.

Caderneta de Cromos - Eleições Presidenciais 1986: 1.ª parte:
Caderneta de Cromos - Eleições Presidenciais 1986: 2.ª parte - "Rock da Liberdade: http://podcastmcr.iol.pt/rcomercial/cdc02_0308.mp3 
Caderneta de Cromos - Eleições Presidenciais 1986: 3.ª parte - "O Povo Canta Freitas do Amaral"http://podcastmcr.iol.pt/rcomercial/cdc_260710_1.mp3

Entretanto o David Martins descobriu no arquivo do Diário de Lisboa este cartaz de 29 de Novembro de 1985 anunciando uma convenção nacional de apoio a Freitas do Amaral que contava com a presença de muitos nomes conhecidos.





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