segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Morangos Com Açúcar - 3.ª temporada (2005-06)

 por Paulo Neto

Já falei aqui sobre as duas primeiras temporadas de "Morangos Com Açúcar" e não tinha intenção de abordar outra, mas acabei por concluir que seria interessante falar dela primeiro porque nela participaram alguns jovens talentos que viriam a fazer carreira assinalável na representação, em especial na teledramaturgia nacional, e depois porque foi marcada por dois acontecimentos: um que extrapolou da novela para a vida real e uma tragédia da vida real que mudaria o rumo da novela.



Finda a parte de Verão da segunda temporada, a terceira temporada de "Morangos Com Açúcar", subtitulada "Geração Rebelde" estreou a 20 de Setembro de 2005 e prolongou até 16 de Junho de 2006, onde deu lugar à já habitual parte de Férias de Verão. Como era hábito algumas personagens da temporada anterior transitaram para esta temporada como foi o caso de Marta Navarro (Ana Guiomar) e Tojó Rochinha (Diogo Valsassina), Valter "Crómio" Matoso (Tiago Castro), e, nos primeiros episódios, Maria Vicente (Dânia Neto) bem como personagens introduzidas na parte das Férias de Verão, como Alice Esteves (Inês Castel-Branco), Fred Oliveira (Paulo Rocha), Dino (Francisco Adam) e Teresinha (Mariana Pacheco). Vítor Fonseca e Paulo Vintém dos D'ZRT também recuperaram os seus papéis de Zé Milho e Topê.

Esta série tinha ainda a particularidade de ter a acção dividida entre duas escolas, o Colégio da Barra das temporadas anteriores e o Colégio dos Navegantes, uma escola pública.   

Tiago e Matilde

O par principal desta temporada é composto por Matilde Gouveia (Joana Duarte) e Tiago Borges (Luís Lourenço): os dois conhecem-se durante umas férias em Cuba, quando ela o salva de um acidente de mergulho, e ficam logo fascinados, mas depois desse fugaz encontro, não se voltam a ver. Até que de regresso a Portugal, Matilde descobre que não só Tiago, que julgava ser estrangeiro, é português como começou a namorar com a sua irmã Bia (Mariana Monteiro), que vai causar muito atrito entre as duas. Bia e Matilde têm um irmão mais novo, Manuel (Tiago Felizardo), um jovem rebelde e indisciplinado. Os três ressentem-se da falta de atenção dos seus pais, Helena (Isabel Medina) e Luís (Rui Madeira), sempre mais dedicados à carreira do que aos filhos. Só depois do divórcio é que Helena decide dedicar-se mais a estabelecer uma relação com os filhos, ao mesmo tempo que Jorge (Rui Luís Brás), contratado como homem-a-dias, a faz despertar de novo para o amor.

Fila de cima: Becas, Tomé, Kiko, Susana, Mimi, Tojó, Michael, Dino, Marta, Catarina
Fila de baixo: Afonso, Bia, Matilde, Salomé, Cristiano, Crómio, Daniela


Tiago é filho de Julieta (Sónia Brazão), professora de Inglês no Colégio da Barra, casada em segundas núpcias com Sebastião Rodrigues (Jorge Silva), professor de Matemática nos Navegantes. Com eles vivem Francisco "Kiko" (João André), irmão de Tiago, Catarina (Filipa Oliveira), filha do casamento anterior de Sebastião e Gil (Salvador Vargas), o filho em comum de Julieta e Sebastião. 

O Colégio da Barra foi comprado por uma cooperativa de professores e agora a directora é Maria José Campos (Ana Zanatti), que tem dois filhos: Afonso (Francisco Corte-Real), o melhor amigo de Tiago e colega nas provas de downhill rancing, e Rebeca "Becas" (Sara Prata), uma jovem aguerrida que partilha os interesses de Manel e Kiko pelo graffiti e por causar sarilhos… Maria José também tem a guarda do seu sobrinho Tomé (Fernando Fernandes), um rapaz com talento para cantar mas com medo do palco. 

Tal como no passado, o Colégio da Barra tem um programa de bolsas para que alunos mais desfavorecidos, e uns desses bolseiros são Salomé Lisboa (Ciomara Morais), uma jovem cabo-verdiana, e Michael Sousa (Francisco Froes), vindo da África do Sul e que tem o desejo secreto de se tornar padre. Salomé e Michael ficam instalados em casa de Alice e Fred que agora são um casal. Dino, o irmão de Alice, continua armado em engatatão e protagoniza várias situações cómicas, para as quais costuma arrastar Tojó e Crómio. Mas a chegada de Susana Lopes (Diana Chaves), uma amiga de Fred que decide pôr um pausa na carreira como surfista para acabar o ensino secundário, vai fazer o seu coração bater mais forte… Outro jovem beneficiado pela bolsa é Cristiano Jesus (Miguel Bogalho), um jovem pobre e semi-indigente, que se apaixona por Bia. 

As Popstars Mónica, Mimi e Daniela

Mas é também no Colégio da Barra, que andam as terríveis Popstars (inspiradas nas Plastics do filme "Mean Girls"). Lideradas pela arrogante Mónica Teixeira (Helena Costa), elas divertem-se a fazer bullying com os mais frágeis, como a insegura Catarina. Acompanhando Mónica estão a desmiolada Maria Micaela "Mimi" Silva (Jéssica Athayde) e Daniela Xavier (Marta Faial). Daniela, que vive com a tia Vera (Paula Neves), uma professora de música amiga de Matilde, esconde um segredo: foi criada numa comunidade hippie, algo de que se envergonha. Tal como fica envergonhada quando Crómio se interessa por ela. Mónica namora com Nelson Pereira (João Cajuda, creditado como João Pedro Sousa), um rapaz presunçoso, rival de Tiago e Afonso no downhill e ex-namorado de Matilde, de quem ainda tenta arrastar a asa, embora convença Mónica de que é Matilde quem se mete com ele. 

Becas e Manel


Do corpo docente do Colégio da Barra, fazem parte Wei Min (Sofia Grilo), Durval Madureira (Luís Gaspar) e Diogo Castro (Ruben Gomes), que namora com Vera. Há ainda Carla Mergulhão (Oceana Basílio), a empregada do bar da escola, sempre metida em esquemas de dinheiro fácil.  

Rita e Sílvia


Dora / Pedro


A meio da temporada surgem novos alunos como Lourenço (Tiago Carreira), um rapaz meio desajeitado que se torna amigo de Tojó e Crómio, e as gémeas Rita e Sílvia Cruzeiro (Margarida e Mariana Martinho) que gostam de pregar partidas aos rapazes, Cláudia (Inês Simões), com quem Tiago vai namorar num período em que este e Matilde estão separados, e Dora (Cláudia Chéu), filha do novo professor de Matemática, Álvaro Paes (António Cordeiro), que devido a um segredo do passado, tem de se fazer passar por um rapaz mudo chamado Pedro. É também introduzida a banda 4Taste composta por Ed (Luke D'Eça), Link (Nelson Patrão), Sérgio (David Gama) e Jota (Francisco Borges). 

Os 4 Taste: Ed, Sérgio, Link e Jota


Poster da temporada de Verão da 3.ª série

Como já referi, esta temporada de "Morangos Com Açúcar" foi marcada por dois acontecimentos:

- A certa altura, houve um arco narrativo em que Vânia Campos (Carla Bolito), prima de Becas e Afonso, uma cientista está a fazer pesquisas no laboratório do Colégio da Barra e de repente deixa escapar um vírus perigoso que atinge vários alunos da escola, fazendo-os adoecer de forma misteriosa, até que Vânia e Crómio conseguirem criar um antídoto. Esta seria apenas uma história rocambolesca como tantas outras da teledramaturgia mas na altura em que os respectivos episódios foram exibidos, cerca de 300 jovens de catorze escolas um pouco por todo o país deram entradas em hospitais queixando-se de sintomas semelhantes aos que as personagens afectadas pelo vírus na telenovela apresentavam, lançando o pânico em algumas zonas e até o encerramento de algumas escolas. Contudo, veio-se a apurar que quase todos os casos eram psicossomáticos. Este incidente que viria a ser chamado de o "Vírus do Morangos" acabaria porém por ser estudado pela comunidade médica em todo o mundo como um dos mais mediáticos casos de histeria colectiva. 



Francisco Adam (1983-2006)

- No dia 16 de Abril de 2006, o actor Francisco Adam perdeu a vida aos 22 anos num acidente de viação. O carro seguia para Santa Cruz em Torres Vedras com três pessoas lá dentro até que um despiste vitimou imediatamente Adam. Um outro ocupante veio a falecer doze dias mais tarde enquanto o terceiro sobreviveu apenas com ferimentos ligeiros. A autópsia ao actor revelou a presença no organismo de cocaína e álcool. 
A notícia da morte prematura de Francisco Adam chocou o país, em especial a comunidade de fãs da série para quem a sua personagem, Bernardino "Dino" Esteves, era uma das mais populares desde a sua aparição na temporada de Verão da 2.ª série. Na altura, a sua personagem formava um par romântico com a de Diana Chaves (que aqui se estreava como actriz depois de ter participado no reality show "Primeira Companhia"), onde os dois revelavam grande química. (Consta que estava na calha Dino e Susana serem o principal par romântico da temporada de Verão desta 3.ª série, e após a morte do actor, foi a personagem Afonso quem se tornou o novo interesse amoroso de Susana.) Na telenovela, em vez de matarem a personagem, optou-se por dar a Dino uma despedida mais simbólica subindo aos céus num balão. 





Reencontro do elenco MCA3 em 2018


Mais umas notas:
- Foi nesta temporada dos Morangos que se revelaram nomes que fariam carreira na teledramturgia nacional como Mariana Monteiro, Diana Chaves, Jéssica Athaíde, Sara Prata e Oceana Basílio. Na parte de Verão (e transitando para quarta temporada lectiva), surgiu ainda Victoria Guerra, que tem dado cartas na televisão e no cinema. Em 2019, em parceria com Carlos Coutinho Vilhena, João André destacou-se na série do YouTube "O Resto Da Tua Vida".  
- Durante o Natal, houve uma storyline em que as personagens encontram Ana Maria (Lura) uma jovem mulher grávida que vive na rua e tentam ajudá-la com o apoio de Nicolau (Raúl Solnado), um simpático mas misterioso velhote. Nicolau ajudará Ana Maria a dar à luz na noite de Natal, mesmo a tempo de José, o marido dela ausente do país, reencontrar a mulher. 
- Na senda dos D'ZRT, mas num estilo mais rock, os 4Taste também atingiram grande sucesso no público, com temas como "Sempre Que Te Vejo", "Só Tu Podes Alcançar" e "Diz-me Que Sim". O seus dois álbuns foram disco de platina e actuaram no Rock In Rio.
- Também Fernando Fernandes conheceu grande sucesso na música sob o nome FF. O álbum que editou durante a emissão foi disco de platina. (Lembram-se de "O Meu Verão Não Acabou"?). E desde então que FF tem mostrado o seu talento na música, no teatro e na televisão.

Capa do CD da banda sonora

- Da banda sonora desta temporada recordo temas como "Brilhantes Diamantes" de Serial, "Hi Hello (My Name Is Joe)" dos Squeeze Theeze Pleeze, "I Really Am Such A Fool" dos EZ Special e na parte de Verão, "Love Show" de Skye. 

- Entretanto, descobri que o blogue que a Matilde escrevia na telenovela existia de facto na internet e ainda hoje pode ser lido: https://moranguitatvi.blogspot.com/


sábado, 18 de setembro de 2021

Teatro Infantil (1987)

Nunca fui grande apreciador de teatro, prefiro há muito o cinema, mas provavelmente assistia a estas peças de teatro destinado aos mais pequenos nos anos 80. Só tínhamos dois canais e a escolha era...limitada. Foram estas as peças emitidas em 1987, algumas por si só, outras em outros espaços infantis:

  • "O Palhaço Pobre e o Viajante do País de Sonho" de Ana Paula Portugal (1 Janeiro 1987).
  • "O Relógio Mágico" de Fernando Paços (1 Janeiro 1987).
  • "O Chapéu Mágico" de Carlos Correia* (31 Janeiro 1987).
  • "O Casamento do Robot" de Carlos Correia* (11 e 12 Fevereiro 1987).
  • "Olhar, Rir e Cantar" de Teresa Ricou (Teté) (18 Fevereiro 1987).
  • "N'Ovo de N'Ovo" de Cristina Magda, Elsa Galvão, João Martins, José Galvão, Tereza Ricou e Jorge Humberto (19 Fevereiro 1987).
  • "Sete Histórias de Primeiros Amores" tradução de M.G. Oliveira (19 Abril).
  • "Babine, O Parvo"** de Francisco Brás (12 e 18 Dezembro 1987).
  • "O Palhaço Pobre e o Viajante do País de Sonho" de Ana Paula Portugal (25 Dezembro 1987). 

Estas  11 emissões (em 1987) fazem parte do total de 28 classificadas como "teatro infantil". As restantes 17 estão separadas em rubricas que vão ter o seu próprio artigo: os "Contos Mágicos" e "Fui de visita à minha tia a Marrocos".

Fonte: Anuário RTP 1987. 


Vídeos no Youtube com  "O Palhaço Pobre e o Viajante do País de Sonho": PARTE 1 e PARTE2.

Algumas dessas peças na programação TV da época:

"O Relógio Mágico" na tarde do dia de Ano Novo de 1987:


No dia 11 de Fevereiro, "O Casamento do Robot" como parte do "Brinca Brincando":

Dias 18 e 19 de Fevereiro: "Teté - Olhar, Rir e Cantar", e "Teté - Novo de Novo".


Fonte: Diário de Lisboa.

* Carlos Correia - Link para teatro televisivo do autor: AQUI. Lembro-me tão bem do "A Revolta dos Micróbios" que também terá artigo próprio.

 ** Adaptado da peça homónima de Tolstoi.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Os Amigos Do Tejo (1987)

 por Paulo Neto

Já algum tempo tinha a expectativa que o portal de arquivos da RTP disponibilizasse esta série e não era para menos: um dos episódios tinha sido filmado numa aldeia do meu concelho natal. Lembro-me de por acaso apanhar esse episódio durante a reposição da série na RTP Memória precisamente no plano em que aparecia uma tabuleta a indicar o nome da aldeia, Lapas, e fiquei surpreendido porque não me lembrava da série quando foi originalmente exibida e ainda por cima com filmagens numa aldeia que eu visitava frequentemente pois é lá que morava (e ainda mora) a madrinha do meu irmão. No Portugal dos anos 80, um programa de televisão a filmar num concelho tão singelo como o de Torres Novas devia ter sido um acontecimento! 



Mas vamos por partes: "Os Amigos Do Tejo" foi uma série de quinze episódios, exibidos na RTP1 entre 11 de Abril e 18 de Julho de 1987 aos sábados de manhã, e seguia um grupo de jovens mais um cão que desciam o rio Tejo da fronteira com Espanha até Lisboa e visitavam as localidades por onde passavam. Mas ao contrário do programa "Conheces A Tua Terra", exibido no ano anterior e com uma premissa semelhante, em "Os Amigos Do Tejo" havia uma narrativa ficcionada a fazer lembrar as histórias de Enid Blyton ou da saga "Uma Aventura", com uma trama policial. A autoria e realização eram de Carlos Diogo

Desafiado pela sua amiga espanhola Carmen que pretende fazer uma empreitada semelhante na parte espanhola do curso do Tejo, João (João Vaz Ribeiro) escreve um relatório sobre a descida do Tejo que fez de canoa no Verão anterior com os seus amigos Miguel (Rui Renda da Costa), Susana (Patrícia Costa Alves), António (Miguel Costa Alves) e Inês (Joana Roque Lino), assim como a sua irmã Rita (Nádia Sousa Lopes) e o seu cão Tejo (Dick). É portanto pela voz e pelo olhar observador de João que nós somos guiados ao longo da série. Miguel é o culto do grupo, com grande conhecimento da História de Portugal; Susana é uma ecologista que recolhe amostras das águas do Tejo ao longo da viagem; António, irmão de Susana, é o tipo cool, que gosta de dormir e ouvir música (anda sempre com uma T-shirt dos U2); e Inês, irmã de Miguel, parece ser uma rapariga mais dada a vaidades do que aventuras na natureza mas acabará por mostrar o seu valor (e de permeio, deixa-se antever que João tem um fraquinho por ela). Chateada porque o irmão não a quis levar por ser muito pequena, Rita decide ir na viagem clandestinamente escondida numa das canoas com o Tejo


O grupo parte de comboio de Lisboa até Castelo Branco para iniciar a sua expedição no Rosmaninhal, e na estação descobrem Rita e o Tejo. João pensa em levá-la de volta a Lisboa mas António convence-o a deixar a irmã ir com eles pelo menos até Vila Velha do Ródão. O grupo acampa na foz do rio Erges, junto à fronteira, e quando dois homens tentam assaltar o acampamento, Rita e Tejo afugentam-nos, ganhando direito a fazerem a viagem com os mais velhos. 

Nos primeiros oito episódios, o grupo vai descendo o rio Tejo, encontrando ao longo das diversas passagens vários delegados da Juventejo, uma associação juvenil que promove a vigilância do rio. Passam por Vila Velha do Ródão, Amieira do Tejo, Belver, Abrantes, Tramagal, Constância, Praia do Ribatejo, Almourol, Tancos, Vila Nova da Barquinha, Quinta da Cardiga, Golegã e Chamusca. Sem saberem, os bandidos que os assaltaram seguem no seu encalço, roubando ou tentando roubar vários artefactos pelo caminho, mas só o Tejo os consegue pressentir. Em Belver, eles tentam envenenar o cão, o que causa alguma tensão entre os nossos heróis. Também ao longo do caminho vão testemunhando as diversas fontes de poluição que ameaçam o rio Tejo, das indústrias à cultura intensiva de eucaliptos. 
Na Praia do Ribatejo, Rita conhece um rapaz, Gonçalo (Rui Manuel Vidor), a quem lhe conta que foi raptada pelos outros. Acreditando nela, Gonçalo monta uma emboscada com os amigos na ilha do Castelo de Almourol para resgatar Rita dos seus "raptores", até que a petiza se vê obrigada a confessar a verdade. Mesmo assim, Gonçalo continua a segui-los até que é capturado pelos bandidos. 

E eis-nos chegados ao nono episódio passado nas Lapas, concelho de Torres Novas. Ao saberem do desaparecimento de Gonçalo, o grupo decide procurá-lo. António encontra-o amarrado no carro do chefe da quadrilha e acaba por se esconder com ele no porta-bagagens, enquanto o bandido conduz o carro até às Lapas. Aí chegados, António sai para avisar a polícia mas quando chegam, Gonçalo foi levado para as grutas. No entanto, chegam a tempo de salvar o rapaz e de apanhar os bandidos, vindo-se a descobrir que eles usavam as várias galerias e catacumbas da aldeia das Lapas para transportarem as mercadorias roubadas sem dar nas vistas. Na sua narração, João alerta para a extrema poluição dos rios Almonda e Alviela, afluentes ao Tejo. De regresso à Chamusca, o grupo é recebido por uma equipa de televisão e Rita quer logo dominar as atenções, declarando-se a principal responsável pela captura da quadrilha. 

Os restantes episódios percorrem Santarém, Almeirim, Muge, Escaroupim, Salvaterra de Magos, Azambuja, Vila Franca de Xira, Alhandra, Alcochete, Seixal e Almada. Após mais uma diabrura, Rita é levada de volta para Lisboa, mas inconformada, resolve fugir de casa e convencer o seu amigo Pedro (Carlos Miguel Chende Dias), exímio velejador, a subirem o Tejo no barco para ela se reencontrar com os outros, mas o plano por pouco que não dá para o torto. Pedro e Rita reúnem-se com os outros no Mochão do Lombo do Tejo, mas ainda cruzam-se com outro grupo de contrabandistas. E para espanto de todos, é Inês que tem um papel importante na sua captura. Na cena final, vemos João a contemplar o Tejo da janela do seu quarto antes de ir buscar Carmen a Santa Apolónia. 

No seu artigo sobre a série, o site Brinca Brincando (a quem tenho de agradecer pela enésima vez pela informação e imagens) conseguiu contactar Joana Roque Lino, a Inês da série, para lhe colocar algumas perguntas sobre a série. Aí, ela revela que foi escolhida para a série através da Associação Naval de Lisboa, onde ela praticava remo e canoagem; que filmaram ao longo de todo o Verão de 1986 de forma faseada mas que ainda gravaram algumas cenas depois disso; que o sítio por onde passaram que mais gostou de visitar foi a Casa-Estúdio Carlos Relvas na Golegã; e que os actores que faziam de António e Susana (que também eram irmãos na vida real) "eram um bocado difíceis de suportar".  


    

Ao rever a série, achei que estava muito bem conseguida, equilibrando bem a parte documental com a parte ficcionada, digna das aventuras de "Os Cinco" ou "Os Sete". Os jovens actores mesmo sem experiência (presumo que, tal como Joana Roque Lino, fossem todos praticantes de canoagem e tivessem sido selecionados através de diferentes associações desportivas), não se saíram mal, sobretudo a pequena Nádia Sousa Lopes. E até o cão Dick foi muito convincente nas cenas em que ele tinha de fazer de doente! Foi pena que só tenha sido reposta pela primeira vez em 2017, trinta anos depois da exibição original, na RTP Memória. Como referi ao princípio, a série encontra-se disponível no Portal de Arquivos da RTP, embora os episódios 4 e 5 estejam trocados.  

Genérico:


Excerto do 7.º episódio:



sábado, 11 de setembro de 2021

11 de Setembro (2001)


11 de Setembro
. Raras vezes uma data dispensa mais elaboração. Milhares e milhares de pessoas têm histórias de terror, os feridos e as famílias dos sobreviventes marcados para sempre. A minha história felizmente foi apenas o horror de ver em directo.

No inicio de 2021 o Paulo Neto fez o tradicional  rebobinar do ano 2001, que obviamente incluía um texto dedicado ao atentado terrorista que mudou o Mundo (ler aqui). Quando escrevo estas breves linhas, ouço na televisão discursos e testemunhos do 20º aniversário dos terríveis atentado em 11 de Setembro de 2001. E parece que foi ontem...

Até final dos 90s a questão da praxe era "onde estavas no 25 de Abril", mas já ouvi e fiz muitas vezes a pergunta "onde estavas no 11 de Setembro?". No meu caso, estava perto da televisão, momentos depois de terminar o almoço de terça-feira (em Nova Iorque ainda não eram 8 da manhã) Sei que estava a guardar algo na minha mochila quando a notícia chegou, uma "acidente" de avião em Nova Iorque.

No dia das horas de transmissão em loop dos diferidos do primeiro avião a embater no World Trade Center e do directo do segundo avião e o desmoronamento das duas torres, e nos dias seguintes no Mundo Ocidental só existia um assunto na agenda da comunicação social e das conversas dos cidadãos comuns. Após horas de imagens, informações de ultima hora misturada com boatos e especulações, eu pensava que a Terceira Guerra Mundial parecia eminente. Imagino que o desenrolar dos acontecimentos deve ter proporcionado uns flashbacks a quem já era adulto durante a Guerra Fria e à constante ameaça nuclear. Depois de décadas de engenhos armadilhados, os terroristas transformaram aviões em armas e ceifaram as vidas de quase três milhares, quase tudo em directo para o Mundo. A Guerra não foi mundial, mas veio e matou muitos mais civis e inocentes que os ataques ás torres; restrições de viagens aéreas foram estabelecidas; a privacidade do cidadão comum foi erodida sob a alçada do combate ao Terror, e nada se restringiu ás fronteiras dos EUA. As teorias da conspiração floresceram, como o racismo e o "patriotismo" mais bacocos semeados da revolta. E o 11 de Setembro deixou também uma marca profunda na sociedade ocidental, na sua cultura, e na sua arte e entretenimento.

sábado, 4 de setembro de 2021

Espaço: 1999 (1975-77)


 
13 de Setembro de 1999. Nesse passado recente, uma explosão nuclear de proporções gigantescas arrancou a Lua da sua órbita em redor da Terra. Na sua superfície, a Base Lunar Alpha e os seus habitantes tentam sobreviver aos perigos do espaço desconhecido. É essa a premissa de "Space: 1999", "Espaço: 1999" entre nós.
Cronologicamente entre os colossos "Star Trek" e "Star Wars", este clássico britânico e italiano (produção ITC e RAI) ainda hoje tem uma legião de fãs. Estreou originalmente no dia 4 de Setembro de 1975, e o ultimo dos seus 48 episódios foi lançado a 5 de Novembro de 1977. Duas temporadas bastante distintas, a segunda já sem a RAI a bordo. A encabeçar o elenco, um casal (na vida real) de norte-americanos já famosos através da "Missão: Impossível" original: Martin Landau ("Ed Wood", "Ficheiros Secretos") e Barbara Bain ("Missão: Impossível"), como "John Koenig" e "Helena Russel", respectivamente o líder da base lunar Alpha e a líder da secção médica. 
 

Lembro-me de ver a cores, não tenho idade para ter assistido ainda em preto e branco nos ecrãs nacionais, nos Sábados à tarde. A data de estreia que encontrei no guia de TV do Diário de Lisboa - 9 de Outubro de 1976 - apresenta um conflito com dados da própria RTP: 16 de Outubro de 1976
 

Na secção dedicada à emissão portuguesa da série, no site "Space 1999 Catacombs", Paulo Morgado recorda que "Espaço: 1999" foi a segunda série de ficção  cientifica exibida no nosso país, depois de "Gente do Amanhã" ("The Tomorrow People"). E, sim, "Star Trek" (O Caminho das Estrelas) só chegou à TV portuguesa depois de "Espaço: 1999", mais concretamente em 3 de Fevereiro de 1978.

Regressando à série britânica, o que recordo melhor, é a Maya (a bond girl Catherine Schell) - não a abelha nem a bruxa - e as suas transformações, na segunda temporada que consta é mais fraquinha e que chegou aos ecrãs da RTP no dia 6 de Agosto de 1977, com o episódio "Metamorfoses". 
 
Fonte: "Diário de Lisboa" 06/08/1977

Regressou em repetição aos televisores nacionais em 12 de Março de 1983  para substituir "Galáctica".
Apanhei alguns episódios na RTP Memória, mas confesso que o ritmo arrastado me fez começar a ouvir o tema do Vitinho... está na hora da caminha, vamos lá dormir... Espero brevemente dar-lhe nova chance. Todo o visual e design da série é fenomenal, boa parte criado para a segunda temporada - nunca materializada - de "UFO" e fortemente inspirado por "2001: Odisseia no Espaço". 
O design icónico dos uniformes dos habitantes da Base Alfa foi concebido pelo estilista austríaco Rudy Gernreich,  o criador do monoquini.
A banda sonora, principalmente o endiabrado tema de abertura da primeira temporada (Barry Gray, o responsável por musicar quase todas as séries produzidas por Gerry Anderson) é um clássico da ficção cientifica.

 
Genérico de abertura de "Space: 1999", Temporada 1:
 
Genérico de abertura de "Space: 1999", Temporada 2:
 
 


 
Fonte: Pinterest.


Como prova do sucesso entre nós, recordo que em Sines durante muito tempo miúdos e graúdos puderam desfrutar de uma "réplica" de grande dimensão de uma das famosas e icónicas naves espaciais "Eagle" (Águia), primeiro num desfile de Carnaval e depois como atracção no parque infantil (foto acima), até à sua "reforma" no inicio do século XXI, conforme relatado no blog "Cabo de Sines":



Em termos de merchandising, além da obrigatória colecção de cromos da APR, os habitantes da Base Lunar Alpha viveram aventuras na banda desenhada na revista "TV Júnior". E só bem mais tarde vieram as edições dos episódios em DVD.
 



Além das "Catacombs" aconselho a visita ao site "Espaço: 1999 em Portugal" em todo o seu glorioso visual de... 1999.
 

 Dos arquivos do "Diário de Lisboa" alguns recortes da exibição de "Espaço: 1999" entre nós:
Fonte: "Diário de Lisboa" 23/10/1976

Fonte: "Diário de Lisboa" 05/03/1977

Fonte: "Diário de Lisboa" 19/03/1977


 
Fonte: "Diário de Lisboa" 06/08/1977


Fonte: "Diário de Lisboa" 17/09/1977

Fonte: "Diário de Lisboa" 24/09/1977

Fonte: "Diário de Lisboa" 03/12/1977

Fonte: "Diário de Lisboa" 17/12/1977

Fonte: "Diário de Lisboa" 12/03/1983

Fonte: "Diário de Lisboa" 16/04/1983

Sledge Hammer! - O Ás Da Polícia (1986-88)

por Paulo Neto

Esta série é um daqueles cromos que têm andado pendentes na minha mente há vários anos, mas que por algum motivo tinha ficado em águas de bacalhau. Porém, ao ter recentemente juntado ao grupo do Facebook Saudade Nostálgica, reavivei as memórias relacionadas com ela. "Sledge Hammer!" passou na RTP1 nas tardes de um Verão no início dos anos 90 (1991, se não estou em erro) exibindo os 41 episódios das duas temporadas de segunda a sexta-feira, tendo sido originalmente exibida nos Estados Unidos entre 1986 e 1988, sob o título de "O Ás Da Polícia".




Tratava-se de uma série que parodiava a trope do polícia agressivo insubordinado com tendência para disparar primeiro e interrogar depois, da qual os filme da saga Dirty Harry com Clint Eastwood são o exemplo mais emblemático. 



David Rasche desempenhava a personagem titular, o agente Sledge Hammer, que é tão bronco e alucinado que faria o próprio Harry Callaghan parecer um anjinho. O seu bem mais precioso é sua pistola com quem ele dorme, toma banho e até fala, cuja pega tem gravada a imagem de uma marreta (em inglês, um literal "sledgehammer"). O seu bordão, repetido várias vezes, é "Trust me, I know what I'm doing" ("confie em mim, eu sei o que faço"), muito embora ele raramente saiba realmente o que está a fazer. Outro bordão recorrente de Hammer é "Don't confuse me!", sempre que alguém lhe tenta dizer algo que a sua tacanhez não consegue entender.  
Devido à sua falta de vergonha, desrespeito pelas hierarquias, tendência para disparar sem necessidade e opiniões chauvinistas e tacanhas, que lhe vale incontáveis suspensões e processos disciplinares, o certo é que Hammer acaba sempre por apanhar os bandidos de cada episódio (ainda que só muito ocasionalmente tal seja por mérito próprio). 


A única que consegue pôr Hammer minimamente na linha é a sua colega Dori Doreau (Anne-Marie Martin), uma agente elegante e astuta, hábil tanto a disparar armas como a dar golpes de karaté. Inesperadamente, Doreau e Hammer acabam por trabalhar bem em conjunto e é frequente ser ela a resolver os casos e a safar Hammer dos sarilhos em que ele inevitavelmente se mete. Apesar da bronquice e  do machismo do colega, por vezes Doreau dá ideia de estar atraída por Hammer mas a relação entre os dois mantém-se profissional, ou no máximo dentro de uma amizade.   
Quem fica sempre em palpos de aranha por causa de Hammer é o Capitão Trunk (Harrison Page), o chefe da esquadra, a quem a indisciplina de Hammer deixa-o em cólera permanente. 
Entre outras personagens recorrentes, destaque para o Dr. Norman Blates (Kurt Paul), o médico legista da esquadra e a metediça repórter Lisa Ellerblub (Diane Saint-Marie), a quem Hammer costuma mandar algumas bocas machistas. Adam Ant, estrela rock do início dos anos 80, entrou num episódio como um agente secreto britânico com quem Hammer tem de medir forças. 

Há dois episódios de que me recordo particularmente: 
- Um homem, Miles Hammer, surge na esquadra afirmando ser irmão de Sledge, ao que este, mesmo diante das provas, recusa a aceitar. Para piorar, todos simpatizam com Miles, que até convence Doreau a sair com ele, mas ela acaba por descobrir que ele é um impostor. Quando Dori e Trunk investigam a genealogia de Hammer, descobrem que entre os seus antepassados estão Ivan O Terrível, Gengis Khan e Ghandi ("a ovelha negra da família"). 
- O exército barrica a esquadra com toda a gente lá dentro, incluindo Trunk, Dori e Sledge, por suspeitas de que foram infectados por um gás perigoso cujos efeitos secundários incluem letargia e alucinações (no caso de Hammer, a sua pistola fala com ele usando o cano como boca). Trunk acaba por descobrir que a razão pela qual ele é o único que não foi afectado pelo gás é por ele estar sempre furioso. Por isso, para os "curar", Trunk irrita Dori, chamando-a de burra, e Hammer, atacando a sua masculinidade. 

Genérico:






quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Capitão Power e os Soldados do Futuro (1987-88)


 
"Capitão Power e os Soldados do Futuro", a tradução literal de "Captain Power and the Soldiers of the Future" (não traduziram "Power" porque...já chegamos lá!) estreou a 1 de Setembro de 1987. Enquanto puto não vi esta série. Pronto, está dito. Pelos comentários que leio na Internet devo ter sido o único da minha geração que não viu, e no entanto tenho a certeza que se tivesse assistido ia ter adorado. Não posso voltar atrás no tempo e forçar-me a assistir aos episódios desta produção canadiana e norte-americana que passaram na RTP em 1988, mas para colmatar essa grave falha na minha educação televisiva de finais dos anos 80, posso encomendar os episódios para assistir e comentar aqui. Quer dizer, em 2014 comecei a ver a série, com intenção de fazer um mini-resumo de cada um para a Enciclopédia. Mas acabei por não ver mais nenhum e congelei esse projecto. Temporariamente?

O plot é extremamente complexo e.. não, não é. Mundo pós-apocalíptico dominado por exércitos mecânicos. E obrigatoriamente, existe uma Resistência humana. E a elite dessa resistência é a equipa de soldados do Capitão Power, "Jonathan Power" (Tim Dunigan, o Face original de "Os Soldados da Fortuna"). O arqui-inimigo a abater para salvar os sobreviventes da Humanidade é o cyborg "Lord Dread" (David Hemblen, "Terra: Conflito Final", "Nikita"). E dos restantes "Soldados do Futuro" destacam-se o Major Matthew "Hawk" Masterson (Peter MacNeill, que também vimos em "Psi Factor"); Michael "Tank" Ellis (o actor culturista Sven-Ole Thorsen), Sargento Robert "Scout" Baker (Maurice Dean Wint, "Psi Factor", "Robocop: Prime Directives") e a Cabo Jennifer "Pilot" Chase (Jessica Steen, "Earth 2"). Vamos ignorar que em VHS e outras edições de homevideo que encontrei no Google a única mulher dos "Soldados do Futuro" vinha baptizada como Tiffany...

O épico genérico inicial de "Captain Power and the Soldiers of the Future":

 

Os uniformes e equipamentos lembram um pouco os dos "Centurions: Power Extreme", e até são bem catitas.  Um dos motivos do cancelamento foi o elevado orçamento por episódio (estimado em 1 milhão de dólares), e acabou por ficar numa temporada única de 22 episódios. Mas também decisivos foram os elementos mais adultos e violentos que o habitual no género, que geraram críticas negativas e as baixas audiências pioradas pelos péssimos horários de exibição. Alguns dos brinquedos conseguiam interagir - de forma limitada à tecnologia dos anos 80 - com alguns momentos dos episódios. De momento tenho apenas uma figura que adquiri há poucos anos. Não tem faz nada de especial, mas é cromada e bem esculpida e detalhada. E tenho também a colecção de 27 calendários de bolso da Impala, que é bem catita.
Na RTP foi exibida no primeiro canal, nas tarde de Sábado, entre Março e Julho de 1988. Segundo os registos da programação do "Diário de Lisboa" (com a designação "Capitão Pawer"), apenas 16 dos 22 episódios foram exibidos, pelo menos consecutivamente. 
A lista das datas de exibição de "Capitão Power" na RTP-1 é a seguinte:
  • Episódio 1 - 26 de Março de 1988 
  • Episódio 2 - 2 de Abril de 1988 
  • Episódio 3 - 9 de Abril de 1988 
  • Episódio 4 - 16 de Abril de 1988 
  • Episódio 5 - 23 de Abril de 1988 
  • Episódio 6 - 30 de Abril de 1988 
  • Episódio 7 - 7 de Maio de 1988 
  • Episódio 8 - 14 de Maio de 1988 
  • Episódio 9 - 21 de Maio de 1988 
  • Episódio 10 - 28 de Maio de 1988 
  • Episódio 11 - 4 de Junho de 1988 
  • Episódio 12 - 11 de Junho de 1988 
  • Episódio 13 - 18 de Junho de 1988 
  • Episódio 14 - 25 de Junho de 1988 
  • Episódio 15 - 2 de Julho de 1988 
  • Episódio 16 - 9 de Julho de 1988
Excerto do "Diário de Lisboa" no dia de estreia:

A legenda, com algumas incongruências: "Capitão Power, Coronel Nathan, Major <<Falcão>> Masterson, Tritor e outros personagens integram esta série, de 26 episódios, em desenhos animados, vivendo aventuras incríveis de ficção cientifica. Uma série dedicada aos jovens e a todos os apaixonados do género.". A menção de 26 episódios é interessante, visto que a temporada previa 24 episódios, e na altura que começou em Portugal foi na véspera de terminar nos EUA.

No Youtube, o Canal "Toy Galaxy" faz um bom apanhado da série e do merchandising que gerou.
 
Uma série à frente do seu tempo, mas em que até agora falhou nos vários projectos para a ressuscitar. 
"Power ON!"
 
NOTA:
Em 2014 quando vi o primeiro episódio escrevi apenas uma ráoida anotação:
"Episódio 1 - Dá impressão que estão mesmo empenhados em causar ataques epilépticos nos miúdos. O plot do vamos-usar-alguém-do-passado-para-fazer-uma-emboscada-e-apanhar-o-herói-desprevenido fez novamente uma aparição..."

Canções da Rua Sésamo - Cassete (1990)

 


O Paulo Neto já escreveu na enciclopédia sobre a icónica versão portuguesa da "Rua Sésamo (1989-96)" e em mais detalhe sobre as "Canções da Rua Sésamo". Eu 1989, do alto dos meus 10 anos de idade  eu já achava a Rua Sésamo muito infantil, e acabei por assistir mais vezes ás repetições, geralmente na parte da tarde, enquanto aguardava por outras séries e desenhos animados. E apesar de não ser fã hardcore havia lá muito material de qualidade, como a Alexandra Lencastre e os sketches e canções de que ainda recordo excertos tantos anos depois. 

E claro, que não ia deixar passar a oportunidade de agarrar numa feira de velharias a cassete áudio que nos ocupa hoje:

"Canções da Rua Sésamo". Em som Estéreo.


 

Na capa frontal, os icónicos Poupas e Ferrão num recanto da rua mais famosa do planeta. E na dobra traseira, a listagem dos 31 temas que foram espremidos na cassete. Lançado em 1990, já enverga o logotipo com as cores da segunda temporada.

No interior do folheto/capa, de novo a lista das 31 faixas, mas com a informação relativa aos créditos dos autores das respectivas letras, músicas e arranjos:

Os arranjos foram da autoria do histórico Ramon Galarza, que também tratou de compor a maioria das canções do álbum. 

A lista das faixas:

FACE A:

  1. Tema "Rua Sesamo".
  2. Passear a pé.
  3. Formas de escrever.
  4. O Telefone.
  5. O Hospital.
  6. Lá vão eles.
  7. Atravessar a rua.
  8. Paragens.
  9. Luminárias.
  10. Mar, Maré e Poesia.
  11. Esta Rua é divertida.
  12. Ferrão Fadista 1ª Parte.
  13. Ferrão Fadista 2ª Parte.
  14. Só eu.
  15. Parabéns.
  16. Os cinco.

FACE B:

  1. Quando eu.
  2. O zangão 1ª Parte.
  3. O zangão 2ª Parte.
  4. Teatro de Janela - O cinco.
  5. De fio a pavio.
  6. O passeio.
  7. O combóio dos R's.
  8. Rádio Disparate 1ª Parte.
  9. Rádio Disparate 2ª Parte.
  10. Canção do Zé Maria.
  11. Notas só.
  12. Dez-Zero.
  13. Os gatos lavam os dentes.
  14. Indo eu.
  15. Os gatos lavam os dentes (reprise).


Vindo de uma marca tão grande, se vendeu o álbum em cassete, naturalmente vendeu o disco de vinil homónimo, com o mesmo número de faixas da versão em fita (ou melhor dito, a cassete consegui ter o mesmo número de faixas do vinil). A Wikipédia afirma que um total de 4 volumes de "Canções da Rua Sésamo" foram publicados em CD, Vinil e cassete.

ACTUALIZAÇÃO: O canal do YouTube Máquina Do Tempo postou um vídeo com todas as canções deste disco.

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