Texto de Pedro Marta - que já anteriormente colaborou com a Enciclopédia com o artigo "Camilo e Filho, Lda"- sobre a primeira novela Made In TVI: "Telhados de Vidro".
Foi na viragem do século que a TVI se impôs na ficção nacional com as novelas "Todo o Tempo do Mundo", "Jardins Proibidos" e "Olhos de Água", mas a sua primeira tentativa foi em 1993 com "Telhados de Vidro".
Escrita por Rosa Lobato de Faria e realizada por Carlos Coelho da Silva, "Telhados de Vidro" foi emitida entre 20 de fevereiro e junho de 1993, num total de 150 episódiosa ação inicia-se na empresa Vaz Hotel, propriedade de António Cortesão Vaz (Jacinto Ramos). A secretária, Maria Clara (Eugénia Bettencourt), sujeita-se a humilhações do patrão, sabendo que vai estar incluída no testamento. Com a ajuda do irmão Viriato (André Maia), António é morto. No entanto, o testamento está provado para diversas pessoas.
A novela foi produzida pelos Estúdios Atlântida, produtora de Tozé Martinho (que era diretor de atores e interpretava a personagem Henrique Batalha). Talvez por esse motivo é justificada a presença de vários atores de "Palavras Cruzadas", emitida na RTP em 1987, que foi a primeira produção da produtora, como, por exemplo: Filomena Gonçalves, Jacinto Ramos, Manuela Carlos, Manuela Marle ou Natalina José. Do elenco também fizeram parte outros nomes como Adriana Barral, Carmen Santos, Eugénia Bettencourt, José Boavida, Lourdes Lima, Mané Ribeiro, Margarida Reis, Rita Alagão, Sofia Grillo, Teresa Negrão e Vítor de Sousa.
Por ser um canal de baixas audiências - em 1993, no seu primeiro ano de emissão, contabilizava uma média de 6.6% de share - "Telhados de Vidro" não correspondeu às expectativas, no entanto, ainda foi reposta em 1995 e nunca mais voltou à antena, nem na TVI Ficção.
No arquivo da TVI há vinte e um anos, são escassas as imagens desta novela, que tem vindo a ser renegada, mas o seu genérico está presente no YouTube e é possível entoar a canção interpretada por Dina: “Telhados de vidro, telhados de vidro/Segredos, enredos que uma vida tem (...)”.
O nosso agradecimento ao Pedro Marta pela contribuição! Desta novela em particular creio que só me recordo de partes do genérico e do título que foi emprestado do provérbio "Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho.".
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A Enciclopédia de Cromos tem o prazer de apresentar um novo convidado especial - Pedro Marta - que quis partilhar com os leitores as suas memórias da série da SIC encabeçada por Camilo de Oliveira e Nuno Melo: "Camilo & Filho Lda." exibida entre 1995 e 1996. Vou então passar a palavra ao Pedro Marta:
No ano em que a SIC ultrapassou a RTP nas audiências, o popular ator Camilo de Oliveira foi uma das grandes 'contratações' do canal para a área do humor, juntando-se a Guilherme Leite que assinava o estrondoso sucesso "Os Malucos do Riso". A primeira série de Camilo na SIC chamava-se "Camilo & Filho Lda." e consistia nas peripécias entre um pai (Camilo Chumbinho) e um filho (Alberto Chumbinho, interpretado por Nuno Melo), que viviam numa casa com poucas condições e que geriam um negócio de sucata.
Adaptada do original inglês "Steptoe and Son" e considerada uma das séries de maior audiência, "Camilo & Filho Lda." estreou a 10 de outubro de 1995 e teve apenas uma temporada de vinte e seis episódios. Para além dos dois protagonistas, que segundo os rumores se detestavam, contou com a participação especial de artistas consagrados como Alberto Villar, Alina Vaz, Manuela Cassola, Rui Mendes, Henrique Viana, Carlos César ou Artur Agostinho. Para além destes, Camilo de Oliveira trabalhou com a sua atual companheira, Paula Marcelo, que no segundo episódio ("A Cama"), dava vida a uma das 'namoradas' de Alberto Chumbinho.
A série terminou a 3 de maio de 1996, quase um mês depois de ter sido eleito o melhor programa de ficção e comédia na primeira edição dos "Globos de Ouro", apresentada por Catarina Furtado, João Baião e Ana Malhoa. Em 2003, o formato foi reposto em horário nobre, conquistando audiências semelhantes às de 1995 (cerca de 26% de rating), o que deixou Camilo bastante satisfeito: "Tudo isto se deve ao profissionalismo de uma equipa – liderada pelo produtor e realizador Jorge Marecos, que considero um irmão – que servia o programa e não o contrário", disse, na altura, ao Correio da Manhã.
Com uma grande dose de disposição e gargalhadas, "Camilo & Filho Lda." é intemporal: "A vida está difícil!", dizia Camilo, no final de cada episódio, sendo um dos seus célebres bordões.
Acrescento ao texto do Pedro Marta o vídeo do primeiro episódio, disponível no Youtube, tal como o resto da série:
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Quem melhor para partilhar as suas memórias das quentes sessões de cinema de Verão nos longínquos anos 80, que Pedro Cinemaxunga - baptizado Pedro de Alarcão Lombarda - o notório blogger de cinema, que desde 2003 fascina a Internet com o seu estilo característico e inimitável de prosar sobre a sétima arte e a vida. E podem ter a certeza que são umas memórias interessantes! Depois do texto lido visitem o santuário xunga - "Cinemaxunga" - e digam que vão da nossa parte.
Menores de idade e pessoas impressionáveis, leiam de olhos fechados:
"1989, Agosto em Monte Gordo. Tinha acabado de recuperar a consciência daquilo que vim mais tarde a saber ser um black-out de 21 horas. Numa festa de Verão milhares de respeitosas donas de casa vibravam libidinosamente ao som de uma banda em palco. Demorei algum tempo a perceber o que se passava, o som enrolado em flanger e um forte sabor a laca Fiero que parecia escorrer em bica pelo esófago não ajudavam a melhorar a percepção. O Trio Odemira tocava o Anel de Noivado e fui apanhado desprotegido no meio das suas harmonias hipnóticas e na execução perfeita de uma música que já na altura era um velho clássico “Inundada no seu pranto. O seu vestido vai molhando, aochorar de amor por mim”, cantavam imperturbáveis pelos gritos histéricos, desmaios e apelos ao deboche adúltero. “Faz-me um filho”, gritava uma octogenária semi-nua estranhamente atraente que parecia acariciar-se ao meu lado. Não sei se foi do álcool, das drogas ou de uma cataplana de peixe que não me caiu nada bem, mas senti um capacete de eletricidade estática a massajar-me as têmporas, como tentáculos de ondas alfa e impulsos de telequinese, e os edifícios pareciam ondular ao ritmo dengoso dos baladeiros alentejanos. Tonico, no entanto, não parecia impressionado, estava de facto amuado porque o meteram a vender bebidas e petiscos numa noite em que passavam Delta Force 2 no cinema Mariani.
Esta não é tanto a minha história mas a história de Tonico, um jovem de 14 anos que trabalhava numa esquina de Monte Gordo a vender fruta. O seu único objectivo de Verão era ganhar o suficiente para ir ao cinema todos os dias. O Cinema Mariani na praia de Monte Gordo funcionava com dois filmes diários só a partir do pôr do sol porque metade da sala era esplanada. As doubles features eram compostas por um filme novo e um do dia anterior. Tonico via-os sempre duas vezes. Ele preferia Bud Spencer, porrada, ninjas, comédias badalhocas e blockbusters de anos anteriores, mas não recusava um Fellini que por vezes aparecia por engano, emuscuido em lotes Giallo, Spaghetti Western, slashers americanos e eróticos europeus. Não era grande fã de terror, mas era menos fã ainda de ficar em casa.
Em época de fervilhante animação, as noites animavam aquela zona obscura do vilarejo balnear com cinéfilos de todos os quadrantes. Se os turistas gostavam de comparecer a tempo e apreciar a experiência de imersão em cadeiras de madeira ao som da mastigação de sementes de girassol e gargarejar de Sucol e Frisumo, os locais tinham uma estratégia diferente na hora de comprar bilhete, dirigiam-se à bilheteira e perguntavam “Ouve lá mô, já mataram o mau?”. Em caso de resposta negativa compravam o bilhete e apreciavam o que restava da película ao balcão do bar com uma bela cervejinha.
Foram largas dezenas de filmes que vi com Tonico, que sendo pouco eloquente, se exprimia entre o “espectacular” e o “bué de fixe” (fichi, no dialeto local). Um jovem pouco exigente mas profundamente apaixonado pela sétima arte.
Acabado o Verão, Mariani abria aos fins de semana e com chuva, sol, trovoada ou queixas dos vizinhos à PSP o cinema continuava forte. Uma comunidade fiel em sessões animadas, em que se gritava, ria e comentava à boca cheia. No dia em que lá revi o Rocky IV não se ouvia o som vindo das colunas com a multidão aos gritos a apoiar o Italian Stallion. Havia pessoas de pé em frente ao ecrã e no final homens de barba rija, queimados pelo sol do sul, choravam copiosamente com a vitória de Balboa, a sua vitória, a nossa vitória, carago!
Foi difícil para mim ambientar-me ao Algarve, onde vivi 5 preciosos anos entre a adolescência e a juventude. Eu era do Norte, trocava os Vs pelos Bs, dizia “Queijo” em vez de “Quêjo”, tinha boas notas e não percebia uma palavra de espanhol. O cinema foi muito importante para me integrar com os locais que após uns meses de belas sessões de matança em cópias riscadas e bobines trocadas já não me davam surras nem me roubavam a carteira com tanta frequência."
Novamente, agradeço ao Pedro esta colaboração. Visitem o blog dele: "Cinemaxunga". P.S. - Como algarvio quero apenas declarar que nos anos 80 raramente roubava carteiras a forasteiros.
Recentemente recuperei antigas gravações em VHS do final dos anos 90/início do século XXI, entre as quais uma reportagem da TVI sobre Futebol Feminino e o Mundialito de Futebol Feminino, ou Algarve Cup [realizado desde 1994, no Algarve, com a participação das melhores selecções do mundo] e as estrelas dos relvados da época, com destaque para a superestrela Mia Hamm, a "Ronalda" como foi baptizada pelo canal, por referência ao astro Ronaldo (não o Cristiano, o "outro" Ronaldo, conhecido hoje por "Ronaldo Gordo").
Como já referi antes, os meus conhecimentos de futebol terminaram na altura em que o Chalana jogava no Benfica; portanto convidei para falar um pouco sobre o assunto uma assídua espectadora, a minha irmã, Ana Maria Martins, jogadora federada de futsal no "GDC Machados", campeãs distritais na época 2014/2015.
Passo-lhe então a palavra:
"A poucos dias do inicio de mais um Algarve Cup, a sua 22ª edição, relembro-me que desde a 7ª edição [ano 2000], corro os mais variados estádios algarvios. Outrora com 17 anos, de comboio, com amigos, por vezes sozinha, mas com o foco no que me fazia delirar a cada vez que via Mia Hamm e Carla Couto tocarem a maravilhosa bola. Entre faltar às aulas ou tirar dias de férias no trabalho, o que fosse, para ver na única oportunidade que existia e nas poucas que continuam a existir, as melhores do mundo ao vivo, a escassos metros de mim. Recordo a primeira vez que as vi pisarem os "nossos" relvados, com a emoção do passado - as #9 que sempre admirei e continuo a admirar passados tantos anos."
O vídeo da reportagem da TVI, pós-Mundialito de 1998 em que falava da "crise profunda" da modalidade em Portugal, na época com menos de 1000 atletas federadas, e das dificuldades da Selecção Nacional, que terminou o Mundialito em sétimo lugar, e que se preparava em seguida para o Campeonato da Europa de 2000. Também foi incluida na peça uma entrevista de 1997 à Seleccionadora Nacional, Graça Simões e a jogadora Bé.
Em contraste com o panorama nacional, em que "o futebol feminino é o parente mais pobre do desporto-rei, noutros países movimenta milhões e multidões", e no vídeo pode-se ver também uma retrospectiva dos primórdios da modalidade até aos tempos actuais, ao som do "Song 2" dos Blur (que me valeu logo um aviso do Youtube) e em mais detalhe, o mais profissional futebol feminino inglês, com mais de 1300 equipas e 21500 jogadoras federadas .
14 de Março 2000, Estádio S. Luís, em Faro. Com Mia Hamm.
14 de Março 2000, Estádio S. Luís, em Faro. Mia Hamm.
18 de Março 2000, Loulé. Com Carla Couto.
"Muitos anos passaram, e não tanto como quem ama futebol gostaria, mas muito mudou, felizmente. Este ano, com a participação da seleção do Brasil, espera-se a presença de mais assistência nos estádios para ver as melhores do mundo nas mais variadas seleções nacionais. Espera-se, pois às horas e dias de decorrer da competição, não é fácil ter mais assistência nos estádios. Mas a quem puder, fica o desafio, apareça para disfrutar de bom futebol e apoiar o futebol feminino!! Vamos acima de tudo apoiar as mulheres que defendem as cores da nossa nação! Eu cá, estou ansiosa por mais uma edição da Algarve Cup."
Sem dúvida que o futebol praticado por mulheres tem actualmente mais condições e destaque a nível global - ainda a distâncias astronómicas das contrapartes masculinas - mas ainda se nota muito o desinteresse dos meios de comunicação social tradicionais, como é exemplo o nosso país, com canais de tv e jornais desportivos que apenas percebem como desporto o futebol de homens e pouco mais. Mas, sempre há a Internet!
Agradeço à Ana a sua participação especial neste post, espero que volte para outros! Entretanto, se gostam de desporto, visitem o blog da equipa, "GDC Machados Futsal Feminino" (ou a página de Facebook), onde aAna escreve e até podem ver algumas colaborações gráficas minhas.
Alguma informação sobre a edição de 2015, realizada entre 4 e 11 de Março:
Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".
Voltamos a receber na Enciclopédia um convidado especial, o debute "crómó" de Pedro André Conde, que partilha com a comunidade a sua experiência com uma linha de figuras de acção da Mattel ("He-man e os Mestres do Universo", "Barbie"), os "Street Sharks" conhecidos entre nós como "Tubarões da Rua" (e no Brasil "Tubarões Urbanos"). Como podem ver pelo texto, o Pedro é um coleccionador entusiasmado:
Street Sharks – Figuras/Bonecos de Acção (Mattel) por Pedro André Conde
Apesar da serie dos Street Sharks (Tubarões da Rua em Portugal) em 1994, ter tido uma grande audência, os seus produtos também foram alvo de grande entusiasmo e divertimento para todas as crianças.
Lembro-me no meu tempo de míudo, as figuras que estavam à venda não eram os iniciais, mas sim os das “Linhas/Series” seguintes, e eram muito caros também. Isto ainda na altura do Escudo. Consegui ainda adquirir algumas figuras apesar desse problema.
Aqui vão as fotos dos que comprei até agora e os que consegui encontrar em casa.
O primeiro que sempre quis foi o vilão principal da serie: Dr. Luther Paradigm, também conhecido por Dr. Piranoid. Em que depois de muita luta para o comprar no Jumbo de Setúbal, ele não era a versão inicial que queria mas sim a seguinte, e isto porque os que apareceram à venda eram os das linhas seguintes e não os primeiros (e acho que nunca vi esses à venda em qualquer lado). Mas apesar disso, nunca deixei de brincar com ele ou gostar da figura em si.
Mais tarde comprei o Repteel também em Setúbal e o Killamari na antiga Feira Nova do Barreiro agora Pingo Doce e era a loja onde vendia imensos, mas acima de tudo, lembro-me que no ano seguinte houve uma promoção no mesmo Jumbo: 500 escudos cada figura dos Street Sharks! Aquilo foi de morrer: havia tantos míudos a querer comprar vários. Lembro-me que houve um que “derrubou” o paínel do Big Slammu para tentar apanhar o que queria. Consegui ainda comprar dois para mim: Series 2 Jab e o Ravenous Ripster; e para a minha irmã também: o Rox e o Radical Bends. Infelizmente não sei onde se esconderam o Ripster e o Bends, mas ainda hei-de encontrá-los.
Houve também outros conhecidos por “Ocean Warriors”: havia apenas quatro bonecos e eram imitações baratas mais pequenas e com outros acessórios do Jab, Slobster, Moby Lick e Strex.
Depois de tantos anos, encontrei no OLX em 2013, um dos mais raros: o Mecho Shark, completo e sem defeitos! Comprei-o logo sem pensar duas vezes, e mal me chegou às mãos, vieram-me as recordações de quando via os episódios e quando brincava com eles.
Naquela altura, a infância era do melhor quando se tinha bonecos como os Tubarões da Rua, e até o próprio nome em português era e é espectacular de ouvir.
Ainda hoje procuro mais figuras incluindo o Dr. Piranoid que tanto pretendo, só que pelos vistos o “meio virtual” mais possível de comprá-los é no Ebay, onde consegui adquirir o Slobster impecável ainda este mês e ano presentes (Dezembro de 2014).
Resumindo, não pude deixar de querer partilhar esta linha de brinquedos única que tanto entusiasmou muitas crianças e que já não se fazem assim hoje em dia, e eram acima de tudo... “JAWESOME”!!!
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Novamente, muito obrigado ao Pedro André Conde pela participação!
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Caros leitores, hoje trago-vos um texto especial (sobre um filme que nunca vi ) da autoria de Sofia Santos, a minha querida sócia do CINE31, que também anda a solo no Girl On Film. Mas já chega de conversa, passo a palavra à Sofia:
Sabiam que estão a pensar fazer um remake de Drop Dead Fred e que Russell Brant deverá ser Fred? A autora destas palavras, preferia não saber, acreditem!
Anos 90. Tinha eu uns 13 anos. Rebelde, irreverente e sem leis, uma das manipuladoras da turma, aquela que falsificava as assinaturas dos encarregados de educação e que seguia o carteiro para apanhar as cartas da escola primeiro que os pais. A sujeita que passava dias inteiros no café e não nas aulas. E, nos dias em que ia às aulas fazia de tudo para cansar os professores e vir para a rua – a “minha especialidade” era mesmo vir para a rua, sem falta. Ohhhhh que tempos gloriosos (ou não - depende dos dias e da disposição com que faço esta avaliação retrospectiva).
Falamos de uma época – fim dos anos 80 inicio dos 90 – dominados por “comédias light”. Comédias com“C” grande – aquelas que têm um espaço privilegiado na “gaveta” dos guilty pleasures de culto - Beetle Juice, Ferris Bueller's Day Off, Can't Buy Me Love, Don't Tell Mom the Babysitter's Dead, Honey, I Shrunk the Kids, The Money Pit e Look Who's Talking entre tantas outras,. Comédias que nos maravilharam com humor simples, fácil e eficiente. Falo de filmes que não nos esquecemos e que mesmo envelhecidos ainda nos fazem soltar umas belas e eternas gargalhadas.
São especiais não só pela sua simplicidade, mas também porque sempre que os vimos relembramos a nossa própria história e ressuscitamos alguns dos momentos que vivemos naquela época. Mas acredito sinceramente que a algumas pessoas, estes filmes/recordações, em vez de fazerem soltar gargalhadas, despertem as lágrimas do passado – penso, por exemplo, na minha professora de alemão. Coitada!
Mas no topo da lista cinematográfica da minha fase rebelde não podia estar outro filme que não Drop Dead Fred. O reflexo em tela daquilo que eu era e pretendia ser de forma esmerada. Fred era a versão melhorada de mim própria. Fred é o amigo imaginário mais cool de sempre.
Antes de me sentar a escrever estas singelas palavras, fiz uma leve pesquisa na internet e reparei - com alguma tristeza - que este deve ser um dos filmes mais odiados de sempre. Existem pessoas que acham ofensivo o comportamento tresloucado de Fred e fazem comparações absurdas, metáforas e dissabores em torno das doenças do foro psicológico. Na minha humilde opinião, acho que esta análise crítica, é mais ofensiva para as pessoas portadoras de doenças mentais do que propriamente para o filme, que é simplesmente e só, uma crítica à infância solitária e àquela fase em que brincamos com amigos imaginários ou simplesmente falamos sozinhos a brincar.
Porra... O gajo dizia asneiras, fingia vómitos chamava mega bitches a toda a gente. Tinha um penteado híper estranho e vestia um fato verde totalmente pop.
Símbolo da rebeldia e do inconsciente.
Realizado por Ate de Jong, Drop Dead Fred (1991) conta a história de Fred (interpretado por Rik Mayall) que vivia na mente infantil de Elizabeth (Phoebe Cates), uma criança cujos pais dedicavam pouca atenção - uma mãe manipuladora e um padrasto mulherengo. Fred era o seu melhor e quase único amigo.
Elizabeth, já adulta, recém-divorciada e sem trabalho, vê-se obrigada a regressar a casa dos pais. E com este “regresso ao passado”, também Fred regressa para a atormentar ou divertir. Assim o seu amigo imaginário de infância leva-a a cometer loucuras, chegando mesmo a ser catalogada como louca pelos outros.
Drop Dead Fred faz-me rir sempre. É idiotamente divertido. É a ver sem qualquer tipo de preconceito ou ideias pré-definidas. Aqueles que pretendem vê-lo uma primeira vez e que não percebam o conceito intrínseco e acharem que o filme é sobre possíveis problemas psiquiátricos de Elizabeth, é sintomático. Significa que talvez precisem de uma consulta na especialidade.
Podem ler mais escritos da Sofia Santos no Girl On Film e no CINE31. Obrigado Sócia, por esta viagem aos anos 90 :)
Caros leitores, temos hoje uma estreia na Enciclopédia, este texto da autoria deMafalda Martins, que recorda o programa "Queridos Inimigos", da fase inicial da TVI:
Queridos Inimigos (1993-1994)
Em 1993 nascia a TVI, ou melhor dizendo, (A) Quatro, pertencia à Igreja Católica, através da Rádio Renascença (que por vezes ao final da emissão disponibilizavam a rádio com a Mira Técnica, que provavelmente também foi das Miras Técnicas mais estranhas que se utilizou em televisão) e outras entidades ligadas à Igreja.
A Quatro, ainda recém-nascida, começava a apostar em alguns programas de entretenimento, como o caso da Amiga Olga (UAAAU) que passava à tarde depois do telejornal. Programas simples que entretinham o público português ainda nos primeiros tempos, porque talvez estávamos mais virados para o Canal 1 e para a ainda “bebé” SIC que nasceu em 1992.
Para além da nossa Amiga Olga, a Quatro contava com um outro concurso muito divertido para os primeiros tempos do canal, os Queridos Inimigos. Passava todas as Terças-Feiras à noite, com repetições aos Sábados e Domingos à tarde, um programa também simples e super divertido. Os apresentadores de serviço na primeira temporada em 1993 eram a Margarida Reis (que é feito dela?) e ainda Rogério Samora (que nesta altura gravava a novela “A Banqueira do Povo” no outro canal ao lado).
O programa ainda contava com dois assistentes, Nuno Graciano (o famoso Tio Careca) e Sandra Roque. O programa consistia em 2 equipas de 3 personalidades conhecidas no mundo da música, teatro, e televisão. As equipas formadas eram de um lado as mulheres e do outro os homens. Cada programa também contava com um tema definido para a emissão, como por exemplo “As Aventuras” ou “As Tradições”.
Momento divertido entre Mila Ferreira e Rogério Samora na segunda temporada dos “Queridos Inimigos” (1994)
As provas eram variadas, desde corridas, músicas, dança, mímica, televisão, telefonemas malucos para números ao calhas, e ainda a montra de prémios, e os carros onde tinham que descobrir onde estavam as chaves no meio do público. No final de cada prova decidiam quem deviam premiar, e a equipa vencedora recebia uma mascote do programa, que no final, na montra de prémios, as mascotes mais acumuladas das equipas convertiam-se em minutos para o jogo da montra, que consistia num painel em forma de “universo”, onde teriam que disparar para o planeta e ganhar os prémios. O cenário tinha muitos néons, muito decorado ao estilo 90’s da altura, e o público era abrangente, também divido assim como as equipas (mulheres de um lado, homens do outro), não esquecendo que em algumas emissões do programa contavam com a presença de uma tuna de estudantes.
Uma das provas mais engraçadas que revi e recordo, era telefonar para um número qualquer ao calhas duma lista telefónica e manter uma conversa activa pelo menos durante 2 minutos sem que a pessoa do outro lado desligue logo. Outra das provas que revi através de uns vídeos do YouTube foi a prova das videocassetes. Os concorrentes teriam que ir buscar várias cassetes que estavam escondidas no público e descobrir o genérico do programa. (imagino os videogravadores ficarem todos “marados” com tanta cassete a entrar e a sair do leitor)
O programa também contou com vários momentos musicais, como os Sitiados, Anabela e até mesmo Amália Rodrigues (vídeo) , e claro, momentos cómicos com o Óscar Branco.
Em 1994, veio a segunda temporada do programa. Saiu Margarida Reis, que foi trabalhar para a SIC, fazer o Mini Chuva de Estrelas, e entra Mila Ferreira para apresentar os últimos programas deste ano. Depois disso o programa acabou, Rogério Samora ainda apresentou um novo programa em substituição, o “Mano a Mano”, ainda na saudosa Quatro, e mais tarde ficou-se no ramo de actor em teatro e televisão. Mila Ferreira juntou-se ao Nuno Graciano para irem apresentar os “Doutores e Engenheiros” também na Quatro, e mais tarde mudou de ares para a SIC para apresentar a Roda dos Milhões ao lado de Jorge Gabriel. Actualmente está ligada à música e lançou um novo álbum.
O nosso leitor fiel Paulo Neto enviou para a "Enciclopédia" mais uma contribuição de um filme dos anos 80. O escolhido é "Jovens Sem Rumo", o título nacional de "Reckless". Mas, vou dar a palavra ao Paulo Neto:
Eu descobri este filme há uns anos por acaso, numa sessão de zapping, no canal TCM, e sempre que apanho nesse canal costumo ficar a ver. Não sei qual foi o título em Portugal (ou mesmo se chegou até cá), no Brasil é "Jovens sem rumo".
Datado de 1984, "Reckless" foi realizado por James Foley ("Homens À Queima Roupa"), escrito por Chris Colombus (que viria a realizar "Sozinho em Casa" e os dois primeiros filmes do Harry Potter) e protagonizado por Aidan Quinn (o seu primeiro filme) e Daryl Hannah.
A história é simples: numa cidade industrial do Ohio, a privilegiada e popular Tracy Prescott (Daryl Hannah) dá por si farta de ser a menina perfeita e da fanfarronice do seu namorado Randy (Adam Baldwin). John Rourke é o marginal da escola, em constante conflito com o pai (que o acusa pela fuga da sua mãe) e adora viver a vida ao limite, sobretudo acelerando na sua mota. Por causa da sua rebeldia, toda a gente o culpa dos sarilhos em que se mete, mesmo quando frequentemente a culpa não é dele.
Quando um sorteio para o baile da escola junta Tracy e John como par, a atracção é mútua e imediata. Numa noite, Tracy dá por si a experimentar os prazeres da transgressão (e do sexo) com John. Porém, Tracy depressa se deixa amedontrar pelo rumo da relação e afasta-se. Mas quando John, depois de perder tudo o resto, declara-se a ela no meio da escola, ela decide correr o risco.
Não se pode dizer que seja um filme muito brilhante, aliás foi um fracasso de bilheteira. Felizmente, o sucesso de "Desesperadamente Procurando Susan" assegurou a carreira de Quinn e Hannah voltaria a ser um ícone em "Splash - A Sereia". O argumento tem vários plotholes, a relação do par amoroso tem vários momentos estranhos e até agressivos (John tem um atitude de quase stalker) valendo-se sobretudo pela química entre os actores, e o final idílico (os dois na mota estrada fora ao som de "Roll me away" de Bob Seger) acentua ainda mais a estranha relação do par para além de deixar o espectador, mesmo em empatia com eles, com muitas questões em aberto, nomeadamente como é que eles vão fazer a seguir.
Depois do excelente texto sobre o mítico "Água na Boca", o
Paulo Neto enviou para a "Enciclopédia" mais uma contribuição, sobre um filme também mítico (que confesso, ainda não vi) :
"Existem alguns filmes que, mesmo gritando “Anos 80” por todos os poros, são intemporais. No sub-género dos filmes para adolescentes, um desses casos é o “The Breakfast Club”, ou no título português, simplesmente “O Clube”.
A permissa deste filme de 1985 de John Hughes é bastante simples: cinco adolescentes que mal se conhecem são obrigados, pelos mais variados motivos, a passar um sábado de castigo na escola. São eles Bender (Judd Hirsch), o marginal que nunca recua perante uma transgressão e não se faz rogado em enfrentar Dick Vernon (Paul Gleason), o enfastiado professor que os tem de vigiar nesse sábado; Claire (Molly Ringwald, esse ícone eighties), a menina popular e fútil; Brian (Anthony Michael Hall), o geek estudioso; Andrew (Emilio Estevez), o desportista; e Allison (Ally Sheedy), a miúda esquisitóide, que ao início nem sequer fala durante a primeira meia-hora do filme.
Ao princípio, como é óbvio, eles não se dão bem. Mas à medida que o dia avança, após muita conversa, alguma dança, uma corrida pelos corredores da escola e uns quantos charros, os cinco chegam à conclusão que têm muito mais em comum do que poderiam pensar e tornam-se amigos. E descobrem que por detrás de cada um dos estereótipos que eles tentam manter na vida escolar, estão as inseguranças e as pressões a que estão sujeitos. Claire sofre por ser utilizada como joguete na separação dos pais e tem problemas de intimidade; Brian acha que a sua vida ficou arruinada por ter tirado uma nota medíocre a Trabalhos Manuais que lhe estraga a média perfeita; Andrew é constantemente pressionado pelo pai para ser o melhor e pelos colegas para praticar bullying e assim não dar parte de fraco; Allison é ignorada por toda a gente, incluindo os pais, por isso age de forma errática para chamar a atenção; e Bender é vítima de maus-tratos por parte do pai. Pois é, ser adolescente é sempre lixado! No final, até surgem dois casalinhos improváveis: Claire com Bender e Andrew com Allison.
Mesmo com a forte hipótese que na segunda-feira seguinte, todos os eles voltem às suas máscaras e finjam que nunca se conheceram, o plano final de Bender de punho erguido, enquanto toca “Don’t you forget about me” dos Simple Minds, fica a ideia que aquele sábado foi um dia importante para todos.
Com outras roupas e outra banda sonora, não será difícil imaginar uma história como esta nos dias de hoje. E aí reside a intemporalidade de “The Breakfast Club”, porque o tema permanece actual: a dificuldade de ser adolescente. As pressões, as inseguranças, os estereótipos e a necessidade de projetar uma imagem (que muitas vezes não corresponde à realidade) continuam a ser as mesmas, com a agravante das novas tecnologias serem agora usadas como arma. Tudo isso pode ser bem sufocante para um adolescente. E no fundo, todos nós temos um pouco de marginal, marrão, princesa, desportista e caso perdido.
O impacto de “The Breakfast Club” tem sido vasto, influenciando outros filmes e peças e uma inevitável dose de paródias. Por exemplo, o videoclip de “Dancing Queen” dos A Teens, que até conta com a participação de Paul Gleason a reprisar o seu papel (não seria a única vez). Mas nem todas as adaptações têm sido pacíficas. Há uns anos, a peça “(O)Pressão” da autoria do actor Diogo Morgado suscitou polémica por causa das várias semelhanças com “The Breakfast Club”. E em 2005, por altura do 20.º aniversário do filme, a MTV atribuiu um prémio de excelência.
E por onde anda este Clube hoje em dia? Todos continuam activos na representação, mas longe do fulgor dos outros tempos. Ally Sheedy venceu a sua adição a comprimidos (que ajudou a compôr um dos seus papéis mais aclamados nos anos 90 como uma fotógrafa toxicodependente no filme “High Art”) e participou em séries como “CSI” e “Kyle XY”. Judd Nelson fez de patrão (e objecto de desejo) de Brooke Shields em “Suddenly Susan”. Anthony Michael Hall deixou de tentar afastar-se da imagem de geek que representou em vários filmes e fez de Bill Gates num telefilme e também entrou em “O Cavaleiro das Trevas”. Emilio Estevez optou por uma carreira mais discreta enquanto viu o seu irmão Charlie Sheen tornar-se mais famoso (e sobretudo mais infame). Molly Ringwald, no auge da sua fama, deu-se ao luxo de recusar os papéis principais em “Ghost – Espírito do Amor” e “Pretty Woman”, e a sua carreira acabou por tomar rumos mais discretos. Num acto de auto-paródia, fez um cameo no “Oh, Não! Outro Filme de Adolescentes!”. Onde Paul Gleason volta a fazer de Mr. Vernon."
O meu grande obrigado ao
Paulo Neto por mais esta bela adição à Enciclopédia!
Excelente texto do Paulo Neto sobre o concurso erótico-maroto "Água na Boca" (Colpo Grosso), que animava as noites de sábado na SIC no inicio dos anos 90:
"A 6 de Outubro de 1992, fazia-se história em Portugal. Com o seu hino interpretado por Dulce Pontes, Nucha, Tó Leal e Gustavo Simões e o seu logotipo colorido, a SIC, propriedade de Francisco Pinto Balsemão, iniciava a era da televisão privada em Portugal. Terminava assim o longo monopólio da RTP, quando o único zapping possível era entre dois canais e ás vezes nem isso. Aliás, foi a partir dessa época que se deu o boom das televisões com telecomando. Bem vistas as coisas, excepto para quem tinha parabólica (e mais tarde TV Cabo), mudar de canal tendo só dois canais com telecomando parecia um acto de preguiça extrema, podendo muito bem levantar-se do sofá e carregar nos botões, já com quatro canais um telecomando revelava maior utilidade.
No começo a SIC voou baixinho. Como tudo o que é novo cá, primeiro estranha-se, depois entranha-se com mais ou menos rapidez. Mas tal como “A Amiga Olga” no advento da TVI, um programa do início da SIC capturou logo a imaginação do povo portuga. Era um concurso cujo formato que desde 1989 tinha vários franchisings em vários países europeus e no Brasil. No Brasil era “Cocktail”, na Alemanha era “Tutti Frutti” (também acessível via parabólica), em Espanha era “Ay que Calor!”. Na SIC passava a versão italiana de título original “Il Colpo Grosso”, mas que em Portugal será sempre recordado pelo nome de “Água na boca”.
A permissa do programa? Maminhas! Nove anos depois do célebre episódio rocambolesco da transmissão do filme “Pato Com Laranja”, onde um plano de maminhas desnudadas causou enorme controvérsia, com a chegada da SIC, veio um programa onde vários pares de maminhas se punham alergamente à mostra por sessão, a um horário não tão tardio como isso.
O concurso era apresentado pelo comediante Umberto Smaila, um senhor que parecia um primo italiano do Pedro Barroso, secundado por uma moçoila de origem britânica chamada Amy. Não me lembro o apelido dela, mas o que ninguém esqueceu sobre Amy é que o tamanho dos seus peitos era equiparável à soma dos de Pamela Anderson e Samantha Fox juntos! Bem, talvez seja um exagero, pelo menos não eram seios tão grotescos como os de uma senhora já desaparecida que dava pelo nome de Lolo Ferrari, mas eram, digamos, bem impressionantes! Mas, por acaso, embora ela estivesse sempre vestida com vestes reduzidas e amplos decotes, não me recordo se alguma vez Amy mostrou os seus seios em toda a sua dimensão no programa. Mas não faltava quem o fizesse. A começar pelas assistentes, as raparigas Chin-Chin, cada uma representado uma fruta (morango, cereja, limão, tangerina, ananás, kiwi e mirtilo). Quem não se lembra do hino delas? Digamos que as Chin-Chin eram como que o elo perdido entre as Spice Girls e os Milli Vanilli, já que era bem claro que não eram elas que cantavam o seu tema.
Até porque eram de várias nacionalidades e o italiano delas devia estar limitado a meia dúzia de palavras. Pelo menos duas palavras elas sabiam, como se explicará adiante. Mas isso pouco importava, eram todas belas e esculturais, e como representavam cada uma um fruto, não era de admirar que ouvissem piropos como “Eh, fruta da boa” ou “Eu descascava-te toda”. E cada um dos telespectadores assíduos tinha a sua preferida. A minha era a da cereja, que estou em crer que se chamava Angélique.
O programa tinha um cenário a fazer lembrar um navio de cruzeiro e os jogos assemelhavam-se aos dos típicos jogos de casino, como o “vinte e um” e a “slot machine”. Havia dois concorrentes: um homem e uma mulher. Para angariarem mais dinheiro para apostarem nos jogos, havia dois recursos. Um deles era mandar despir as “estrelas internacionais” que vinham de vários pontos da Europa, sendo que cada peça que estas meninas tiravam significava mais crédito na conta dos concorrentes. O outro era os próprios concorrentes darem o corpo ao manifesto e subirem um palco para eles próprios despirem-se e depois continuarem o resto do jogo em roupão. Nos casos mais extremos, elas ficavam de mamas ao léu e em cuecas e eles num maillot tipo fato de banho nos anos 20. Sim, pode-se falar de tratamento desigual, mas como a maioria da audiência era masculina, não deviam haver muitas vozes a insugirem-se contra isso. Eu cheguei a ver senhores de uma certa idade como concorrentes e a terem de relutante e literalmente baixarem as calças em palco. Já as concorrentes eram sempre mulheres ainda relativamente jovens, se bem que algumas não tinham propriamente as formas esculturais das Chin-Chin.
E estas participavam activamente nos jogos mais famosos. Um deles era pura e simplesmente adivinhar qual delas albergava debaixo de soutien um estrela dourada autocolante a cobrir o mamilo (em vez do habitual autocolante do fruto correspondente). O outro era o jogo do “Quente e frio” e a dinâmica era semelhante ao do célebre concurso “Jogo de Cartas” da RTP. Mas em vez de adivinhar se a carta seguinte era para cima ou para baixa, os concorrentes tinham que descobrir se na carta seguinte uma moçoila aparecia com mais ou menos roupa, dizendo “frio” ou “quente”, conforme o caso. Ou melhor, diziam em italiano, “fredo” ou “caldo”. Atrás deles, as Chin-Chin davam os seus palpites para influenciar e/ou confundir, com umas a dizer em coro “Fredo!” e outras “Caldo!”. Pelo menos essas palavras em italiano, elas sabiam.
O último jogo era o da roleta e em caso da vitória, não só o concorrente levava o prémio final (que julgo que era um cruzeiro a sério) como o espectador tinha um bónus. Além das Chin-Chin e das estrelas internacionais, havia uma super-estrela que no final do programa atrevia-se a ir onde as outras não se atreviam, ou seja fazia um strip-tease integral. Nada de muito vulgar, limitava-se a tirar a tanga que todo o outro mulherio mantinha como barreira final.
“Água na boca” dava aos sábados à noite, depois da meia-noite. Nos serões de televisão ao sábado, o “Parabéns” do Herman José reinava supremo. (O Herman, como não podia deixar de ser, chegou a parodiar o “Água na boca”, dizendo que representava o fruto marmelo). Mas não eram os poucos que logo no início da SIC, trocavam a expectativa de saber se os concorrentes do Parabéns ganhariam o prémio final para apreciar o festim de maminhas, qual salada de frutas.
Mesmo na altura, vistas bem as coisas, o programa não tinha mais nada de emocionante e a maioria das piadas do Umberto Smaila perdiam-se na tradução. Mas com tanta animação e cor como o hino e o logotipo da SIC, o canal de Balsemão dava os seus primeiros passos rumo à forma como marcou o panorama audiovisual português para o resto dos anos 90. Era como se de repente, tivesse aparecido mais um novo sabor de Sugus."
O texto do Paulo Neto já tinha sido abordado no cromo sobre o Colpo Grosso:
No Sapo é possível aceder a vários (bastantes) vídeos dos momentos que todos os espectadores aguardavam: o striptease! SAPO - Colpo Grosso
Muito obrigado ao Paulo Neto pelo magnifico texto! Aproveito para dizer aos leitores que podem contribuir com sugestões, ou mesmo textos da vossa autoria, para aumentar a Enciclopédia de Cromos! Basta mencionar no Facebook da Enciclopédia ou para o meu e-mail cine31@gmail.com!