domingo, 5 de abril de 2015

Palavras Cruzadas (1987)


Geralmente na Enciclopédia de Cromos, as telenovelas costumam ser do departamento do Paulo Neto, mas tendo em consideração que já fiz o Mini-Cromo no Tumblr, gravei os genéricos na RTP Memória, e até tenho acompanhado alguns episódios da reposição que terminou hoje; decidi ser altura de integrá-la nas páginas virtuais da Enciclopédia.

"Palavras Cruzadas", telenovela portuguesa do horário nobre de 1987, com 120 episódios gravados no ano anterior.
"Diário de Lisboa 12 Janeiro 1987"

O primeiro episódio foi para o ar a 12 de Janeiro de 1987, uma segunda-feira; e a terminou a 29 de Junho do mesmo ano, sendo substituída pela série brasileira "Dona Santa".

"Diário de Lisboa 29 Junho 1987"

Segundo a Wikipédia foi criada por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (a dupla de autoras dos livros “Uma Aventura”, da série "O Anel Mágico") e o site "Brinca Brincando" indica Ângela Sarmento (pseudónimo de "Tareka", a mãe de Ana Maria Magalhães e Tozé Martinho) e Céu Roldão na escrita. No genérico de abertura, apenas Ângela Sarmento é creditada como "ideia original". O Imbd indica também o filho desta, Tozé Martinho como co-autor, e a mulher deste, Ana Rita Martinho como revisora de diálogos. E foi realizada por Nicolau Breyner ("Origens", "Verão Quente", etc). Além de ser a primeira produção da Atlântida Estúdios de Tozé Martinho ("Homens da Segurança"), sucedeu à novela portuguesa "Chuva na Areia" (1985). No elenco, alguns nomes consagrados ao lado de novatos, como podemos ver no genérico:

Armando Cortez, Manuela Maria, Tozé Martinho, Carlos César, Luísa Barbosa, Jacinto Ramos, Morais e Castro, Rita Ribeiro, Rosa Lobato Faria, Curado Ribeiro, Natalina José, Tareka, Manuela Marle, Maria João Lucas.
E ainda: Carmen Mendes, Rui Luís, Luís Mata, José de Caralho, Álvaro Faria, Isabel Mota, Manuela Carlos, David Silva, Jorge Nery, Lia Senna, Célia David, Cláudia Cadima, Cristina Oliveira, João Manuel, Filomena Gonçalves, Rosa do Canto. Apresentação de Gonçalo Ferreira, Manuel Maria, António Miguens.

No genérico final, o créditos dos actores e a equipa técnica:



Não incluídos no genérico principal, os actores Adelaide João, Alexandra S. Pereira, Ângela Ribeiro, Luís Esparteiro, Carlos Costa, Fernando Mendes, Henrique Santos e José de Carvalho.

Como qualquer novela que se preze, o principal ponto de conflito entre personagens são as famílias, como atesta esta sinopse do site oficial da RTP:
"O enredo desta novela gira em torno da vida de três famílias portuguesas de diferentes estratos sociais, que acabam por se conhecer e cruzar quer profissionalmente, quer por via dos dramas amorosos e financeiros que se vão sucedendo com o desenrolar da intriga.
São elas: a família Salgado, da alta burguesia; a família Esteves, da baixa burguesia, e a família Vieira, pequenos comerciantes.
Paixões não correspondidas, morte, doenças, bons e maus casamentos e lutas entre famílias de estratos diferentes são os ingredientes de uma novela portuguesa de grande qualidade..."
Além dos habituais fait divers folhetinescos, foram incluídos elementos que reflectiam a sociedade da altura e os seus problemas, como a SIDA, toxicodependência, etc....

O Genérico Inicial:


Genérico Final e Cenas dos próximos capítulos:


No Facebook da Enciclopédia o Paulo Neto transcreveu a "inesquecível a música do genérico" inicial, interpretada por Elisabete Sala (ás vezes anunciada como Elizabeth Sala, neste vídeo com o marido, António Sala"Noite de Natal da RTP 1 em 1988", ou aqui no Natal dos Hospitais de 1981, como membros do sexteto "Maranata"):

"Palavras cruzadas, caminhos cruzados
Sem hora marcada pelo coração
Olhares que se cruzam, dedos que se tocam
Escondem segredos na palma da mão
Palavras cruzadas, destinos cruzados
Acasos, pecados, sonhos, ilusão
São parte da história da vida de todos
NÓOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOS!
Palavras cruzadas de amor e paixãaaaao!
Palavras cruzadas no meu coraçãaaaao!"

Curiosamente, no genérico final, a mesma letra e um arranjo musical muito diferente, foi cantada por Isabel Campelo ("Boa noite, Vitinho!"; "Malmequer do Campo", etc), creditada singelamente como Isabel. Nos créditos finais, é ainda indicado como o responsável pela música original Tozé Brito ("Bana e Flapi", "Abelha Maia", "Super-Homem Português"); e da orquestração e arranjos Mike Sergeant ("O Cowboy da Reboleira"). Nos episódios também é audível uma versão instrumental do mesmo tema principal.

Efectivamente, a canção do genérico era das minhas melhores recordações deste folhetim nacional, mas no aspecto musical é uma delícia ter a TV ligada na RTP Memória e ouvir variados temas ao longo dos episódios: de Heróis do Mar a Rão Kyao. Encontrei vários comentários na Internet sobre telespectadores que recordam vários temas e artistas que se ouviam na novela, e a decepção quando vários não foram incluídos na banda sonora oficial, incluindo os Heróis do Mar, Jafumega, Francis, Rádio Macau ou Jorge Palma, como indica o blog "O Covil do Vinil".


No LP e na cassete estavam incluídos os seguintes temas:


A lista de músicas fora do lançamento da banda sonora, segundo o site "Brinca Brincando":



O site "Brinca Brincando" tem também uma grande dose de curiosidades e detalhes interessantes sobre a novela, que aliás abasteceram boa parte do conteúdo da página na Wikipédia: "Palavras Cruzadas - Brinca Brincando".

A telenovela não chegou a ser abordada na "Caderneta de Cromos", mas sim na rubrica "Máquina do Tempo" da rádio M80: "Palavras Cruzadas - Ouvir/Download Mp3]".


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".


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6 comentários:

  1. Dessa telenovela recordo sobretudo duas personagens: Rosa Lobato Faria, como a snob Helena Salgado envolvida numa rede de tráfico de jóias e a "spoiled brat" Mina (Célia David) que todos os dias no genéricos via-se a dar uma estalada na Natalina José.
    De referir ainda a participação do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho num pequeno papel como um dos capangas da rede de tráfico.

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    1. Rodrigo Guedes de Carvalho está na Wiki creditado como "Vítor, laranjinha". imagino que laranjinha fosse o apelido de bandido. Badass! :D
      Infelizmente só comecei a ver alguns episódios na RTP Memória no final, gostava de ouvir a BSO,e adorava a Manuela Marle a tratar as pessoas por "você" :D li algures que na altura ela foi criticada por falar assim :D

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    2. "Porém, fez uma perninha como ator na novela Palavras Cruzadas, da RTP1, realizada por Nicolau Breyner. "Foi uma participação muito curta", diz Nico, como é carinhosamente tratado pelos amigos. "Fez um assassino que andava sempre com uma laranja na mão", recorda Nicolau Breyner. O convite surgiu durante um jantar porque a ex-mulher de Rodrigo Guedes de Carvalho, a jornalista Paula Moura Pinheiro, e a ex-mulher de Nicolau Breyner eram amigas. "Precisava de um tipo com o aspecto físico dele e cara de mau", brinca o ator." http://www.jn.pt/revistas/ntv/interior.aspx?content_id=3457084

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  2. Actores cedidos pelo Teatro Nacional.
    "Olha, leva aqui estes, e não digas que vais daqui!"

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  3. Uma novela bem bonita e interessante.
    Por acaso, acompanhei a novela recentemente na RTP/Memória. A minha mãe lembrava-se da canção do genérico, que era espectacular, e depois também começou a acompanhar a novela.
    Sinceramente, posso dizer que não foi uma das melhores de sempre, mas também não foi uma das piores de sempre. Gostei de ver a novela inteira, apesar do final trágico da personagem da Margarida, gostei das permomances do Rui Luís no vilão Osvaldo, que metia nojo aos cães, do Curado Ribeiro, no papel do patriarca da família, da Rosa Lobato de Faria, no papel da snob e estúpida Helena, que se meteu no contrabando de jóias, e também dos momentos humorísticos da grande Luísa Barbosa como a criada da família Julieta, ao lado da estúpida Alice, que era a Cristina Oliveira, uns quilinhos mais nova, que veio a ganhar o Totobola e teve um casamento enlutado com o seu querido Pompeu, desempenhado espectacularmente pelo José de Carvalho.
    As personagens que também me surpreenderam foi a do Francisco, desempenhado por Álvaro Faria, que agiu de uma maneira estúpida com o irmão, o João, que era o Tozé Martinho, e depois de jurar que esqueceria a Margarida, já com a namorada nova, enfermeira do hospital, que era a magnífica Filomena Gonçalves, mal vê a mulher na casa da outra, fica zangado e escorraça a nova namorada como se fosse pessonha.
    Também me surpreendeu a personagem da Kika, desempenhada pela Célia David, que sempre agiu com desdém para aqueles que a criaram, que eram a Natalina José e o Carlos César, que ficaram célebres com a estalada que Natalina levou da Kika, e com a bondade cega que levou quase Óscar à cegueira, e que era um retrato da nossa realidade. No fim, ela acaba casada com o advogado, e no fim, todos dizem que ela tinha o cu virado p'rá lua, e verdade seja dita, a Célia David tinha um traseiro... IH JESUS! hehehe.
    Também gostei da vilã secreta, desempenhada pela Manuela Maria, que foi magnífica, de tal maneira que sómente no final da novela se veio a descobrir o quanto ela era má, e ela era a chefa do contrabando. Tal aconteceu também na 2ª novela portuguesa, a novela "Origens", com a personagem do Curado Ribeiro, que durante a novela desempenhava o papel de um banana, e no último episódio, vai-se a ver, era o vilão principal da novela, ao contrário da personagem extraordinária da Florbela Queiroz, que era pior do que ele!
    Uma novela que ficou para a história da nossa TV, e que foi moderada, ou seja, nem boa nem má! Uma novela que todos gostam, com desempenhos cativantes e uma história deveras interessante.

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