segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Marco dos Apeninos aos Andes (1976)



Um dos motivos para ter demorado tanto a publicar o cromo sobre a série anime de êxito "Marco dos Apeninos aos Andes" [母をたずねて三千里, Haha o Tazunete Sanzenri] é que me lembro muito pouco dela. Quando estreou eu ainda não tinha nascido, e apesar de recordar alguns elementos de repetições posteriores não teve em mim o impacto que outras produções vindas do país do Sol Nascente. Mas visto que se comemora em 2016 o 40º Aniversário da estreia no canal "Tokyo Channel 12" a 4 de Janeiro de 1976, vamos falar um pouco desta animação parte do World Masterpiece Theater - a antologia de séries, que em cada ano adaptava um livro ou história clássica. Marco sucedeu a "Heidi" (1974) e "O Cão de Flandres" (1975) - e foi realizada pelo mesmo autor de "Heidi": Isao Takahata ("Ana dos Cabelos Ruivos", "Grave of the Fireflies","My Neighbors the Yamadas").


Ao longo de 52 episódios adaptados e expandidos a partir do capítulo "Dagli Appennini alle Ande" do livro "Cuore" ("Coração" - 1886 - de Edmundo de Amicis que - segundo a Wikipedia - devido às temáticas de pobreza e nacionalismo tornou o livro simultaneamente popular entre os socialistas e fascistas. Podem ler na integra aqui em italiano) a odisseia do pequeno Marco em busca da sua mãe estende-se por milhares de quilómetros, como o título português indicia: "Marco dos Apeninos aos Andes". Os Apeninos são a cordilheira de montanhas que percorre a Itália, e os Andes o seu equivalente mas oito vezes mais extensa ao longo da América do Sul. A sinopse deste drama animado é sobejamente conhecido - até pelas gerações mais novas, recordo-me que há alguns anos saiu a colecção em DVD e cromos. Mas para quem não conhece: em Génova, na Itália de finais do século XIX, devido a dificuldades económicas, a mãe de Marco emigra para a Argentina em busca de trabalho. Algum tempo depois, deixa de chegar correspondência. Segundo a 2ª parte da caderneta de cromos: "Marco, oprimido por uma terrível tristeza e sentindo que lhe era impossível resignar-se com a sua ausência, um belo dia, decidiu ir à procura de sua mãe à Argentina. Pedro, o pai, não queria nem ouvir falar nisso, mas, Marco, pouco a pouco conseguiu convencê-lo e, depois de algumas hesitações, deu o seu consentimento. De modo que, numa linda tarde de Primavera, Marco e Amédio, juntos, partiram num barco chamado Folgore"Amédio (Dominó na segunda dobragem) é o macaquinho de estimação de Marco. Várias peripécias se desenrolam ao longo dos 52 episódios - nunca editados por cá na integra - mas depois de tanta angústia Marco finalmente reúne-se com a mãe, doente e a precisar de ser operada. Depois de recuperada ambos regressam a Génova, lançando milhões de espectadores num pranto que ameaçou inundar o planeta de lágrimas.

O genérico em português:

Versos dramáticos: "vais-te embora mamã, não me deixes aqui.."


No dia do 40º aniversário de "Marco" a TVI passou uma pequena reportagem bastante acertada:



Em Portugal, chegou RTP no dia 22 de Maio de 1977, no Domingo às 20:30, a seguir à TV Rural e a substituir no nicho a também muito bem sucedida "Heidi". Claro que o sucesso entre os mais pequenos e graúdos se traduziu numa avalanche de produtos licenciados, desde os obrigatórios discos em vinil com a banda sonora, uma caderneta de cromos em 2 partes para poder cobrir tão extensa saga, figuras em PVC, banda desenhada, etc.

A Parte 2 da caderneta de cromos da Disvenda, constituída por 96 cromos coloridos, que na capa do verso dá logo um grande spoiler com a reunião de mãe  e filho:

A introdução da caderneta:










Numa das primeiras semana de exibição, na página de programação do "Diário de Lisboa" a série é descrita assim: "Marco- A Heidi de calças".

Além da caderneta, tenho na minha colecção um par de canecas:


Há tempos arranjei uma cassete VHS com episódios de Heidi e Marco. Imagino que sejam da edição dos anos 90, com uma nova dobragem da responsabilidade de António Feio, conforme informa o blog "Desenhos Animados", que aliás recomendo a leitura atenta, e não só sobre esta sére: "Desenhos Animados | Marco".

Os genéricos incluídos - de ambas as séries - não são os mais familiares ao portugueses, mas aqui ficam eles:
O genérico inicial (VHS) de "Marco dos Apeninos aos Andes":
O genérico final (VHS) de "Marco dos Apeninos aos Andes":


Na Enciclopédia já havíamos escutado a banda sonora de Marco, que na versão portuguesa esteve a cargo de Luís Pedro da Fonseca (da banda rock Salada de Frutas). Mais informação aqui: "Marco - Dos Apeninos aos Andes - Banda Sonora Original".


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

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3 comentários:

  1. Desenhos animados que marcaram a infância de todos os portugueses daquela geração de 70, de uma maneira triste, pois se repararmos, a RTP depois do 25 de Abril começou uma cruzada de exibição de desenhos animados com histórias que até metem dó. O "Marco" era uma delas, ao lado da "Heidi". A única excepção era o "Wickie, o Viking", que recentemente vi na RTP2 com a nova dobragem nacional, e simplesmente adorei!
    Enfim... ao fim e ao cabo, são bonecos interessantes que marcaram a infância de muitos portugueses.

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    Respostas
    1. Essa carga dramática dos animes da época devia-se acho eu à origem dos livros que eram adaptados, do século 19 ou mais antigos. Modas :) Mas dramatismos à parte, parecem-me um pouco mais complexos e inteligentes que a maioria das animações actuais

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