sábado, 22 de setembro de 2012

Righeira "Vamos a la Playa" (1983)

por Paulo Neto

Conforme foi noticiado, o Verão de 2012 terminou hoje às 15:46, se bem que continue o calor e de há vários anos para cá, os climas típicos de cada estação estarem cada vez mais baralhados.

Foram várias as canções que marcaram os Verões da nossa infância. No meu caso, uma delas é "Vamos a la Playa" do duo italiano Righeira. Isto porque era uma das canções de uma cassete que o meu pai punha a tocar no carro nos idos de 1986 e 1987 e que acabei por associar às idas da nossa família à praia: aos Domingos com a manhã na praia da Vieira de Leiria e tardes na praia do Pedrógão e nas férias no Algarve em Setembro na praia da Alagoa (Altura, Castro Marim). Afinal de contas, que melhor canção para ilustrar uma ida à praia do que uma que repete ad infinitum "Vamos a la playa, oh oh oh..."?


Graças ao título, refrão e a batida electro-pop solarenga, o tema de 1983 tornou-se rapidamente um hino de Verão e uma das faixas mais míticas do italo-disco (quiçá somente ultrapassado pelo "Comanchero" dos Moon Ray, esse épico sobre índios, cowboys e catarro do fumador que o David José Martins já abordou aqui no blogue). Apesar do duo ser italiano, o tema é integralmente cantado em espanhol. Uma vez apercebido o resto da letra, verifica-se que por detrás da superfície estival e despretensiosa, está uma mensagem sarcástica sobre bombas atómicas e poluições nas praias, ou não estivéssemos nós nos anos 80, com a Guerra Fria na ordem do dia e o despertar social para as questões ecológicas. 

Na primeira estrofe, logo sem rodeios, fala-se de uma bomba que estalou no mar e que "as radiações torram" a pele. Na segunda estrofe, recomenda-se que quem quiser ir à praia terá de usar um sombrero porque "o vento radioactivo despenteia os cabelos". Na terceira e última estrofe, declara-se que por fim o mar está limpo, porque se acabaram os peixes "hediondos" (mutantes?) e agora no mar não há senão "água fluorescente". Fantasia apocalíptica pós-Guerra Fria ou hipotético cenário futurista pós-aquecimento global?


Os Righeira eram formados por Stefano Rota e Stefano Righi, naturais de Turim. "Vamos a la Playa" foi o primeiro single do duo sob esta designação e foi composto pelos irmãos Carmine e Michelangelo La Bionda, dois dos mais afamados produtores do movimento italo-disco. O tema foi um sucesso um pouco por toda a Europa, tendo mesmo chegado ao n.º 1 do top de singles na Suíça e é desde então (por razões óbvias) um tema de alta rotação nas rádios espanholas. Não existe nenhum vídeo oficial do tema, mas existem no YouTube várias vídeos de actuações do duo, que surge munido nos pulsos de uns espectaculares híbridos de relógio, microfone e rádio com antenas e dançando com uns movimentos que só visto.


O duo continuou o sucesso internacional com o tema de 1984 "No Tengo Dinero" (uma crítica ao capitalismo), mas desde então tem-se concentrado mais a nível interno. Foram n.º 1 em Itália em 1985 com "L'estate sta finiendo" e participaram no Festival de San Remo de 1986 com "Innamorantissimo", ficando em 15.º lugar. Continuaram editar singles até 1990. Em 2001, um álbum best of proporcionou o reformar do projecto e uma re-edição de "Vamos a la Playa". O último álbum dos Righeira data de 2007. 


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4 comentários:

  1. Gosto sempre de quando um post não é só informação mas também um andar pelas memórias de infância de quem o escreveu :)

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    1. Obrigado Hugo :) Esse foi mesmo um dos objectivos de criar o blog, e ainda por cima o Paulo tem memórias pessoais bem mais giras e detalhadas que as minhas :D

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  2. E por favor acaba com o captcha aqui nos comentários, isso só inibe pessoal de comentar.

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    1. Vou dar uma olhada nisso, tive que por assim para evitar comentários anónimos e de spam...

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