quarta-feira, 8 de julho de 2015

The Outfield "Your Love" (1985)

por Paulo Neto

Eis um clássico dos anos 80...que não me lembro de ouvir nos anos 80. Mas talvez exista um bom motivo para isso: é que apesar da banda ser britânica, a sua popularidade, nomeadamente com esta canção, limitou-se quase só aos Estados Unidos e na altura não tiveram grande impacto na Europa. (Enquanto o tema chegou ao n.º 6 do top americano, foi apenas n.º 83 no Reino Unido). 



A primeira vez que me recordo de ouvir "Your Love" dos The Outfield foi já no final dos anos 90, numa das minhas primeiras saídas à noite em Coimbra, nos meus anos de estudante universitário. E na altura, pareceu-me ser uma canção dos The Police (a voz do vocalista tem alguns momentos em que se assemelha à de Sting) e pensei que o título era "Tonight". E como na altura a internet não fornecia tantas respostas rápidas como hoje, só vários meses depois é que acabei por descobrir o nome da banda e o verdadeiro título da canção.



Portanto, tal como existem filmes dos anos 80 que não tiveram assim muito sucesso na altura mas que posteriormente ganharam adeptos e são agora vistos como clássicos da década (como por exemplo "Estrada De Fogo"), pode dizer-se que "Your Love" foi uma canção que beneficiou do efeito cápsula do tempo para ganhar todos os méritos que hoje lhe são atribuídos, tendo-se tornado imprescindível no alinhamento de músicas em festas temáticas dos anos 80 e de compilações de música dessa década. O que não é de estranhar pois o tema tem todos os ingredientes que faziam o rock dos anos 80 ser particularmente delicioso, tanto despertando as saudades dos mais nostálgicos como a curiosidade dos mais jovens. 

A formação original dos The Outfield era composta por Tony Lewis (voz, baixo), John Spinks (guitarra) e Alan Jackman (bateria), todos oriundos de Manchester. Depois de terem colaborado juntos em várias bandas nos anos 70, decidiram formar a sua própria banda em 1984, sob o nome The Baseball Boys, mas o manager convenceu-os a arranjar outro nome, tendo decidido por The Outfield. Em 1985, gravaram o álbum de estreia "Play Deep". Como o manager da banda era americano, apostou-se na promoção do disco nos Estados Unidos onde o álbum foi tripla platina, sobretudo devido ao sucesso de "Your Love" , o segundo single, editado em já 1986. A banda também abriu na altura concertos para bandas como Journey e Starship. Os dois álbuns seguintes, "Bangin' " (1987) e "Voices Of Babylon" (1989) também tiveram algum sucesso nos Estados Unidos. Além do seu maior hit, entre os temas mais populares da banda contam-se "All The Love In The World", "Voices Of Babylon" e "For You".

Com o êxito a escassear nos anos 90, a banda fez uma pausa ao longo da década, tendo-se reunido em 1998 com Simon Dawson na bateria. Desde então, os The Outfield continuaram a dar concertos um pouco por todo o mundo e editar discos (o mais recente é de 2011), capitalizando na redescoberta de "Your Love" pelas novas gerações, com o baterista original Alan Jackman a regressar em 2009. John Spinks faleceu em 2014 de cancro de fígado, mas a banda planeia voltar ao activo em breve.

Enquanto isso, o legado do "Your Love" continua imparável. Além das compilações, o conto do homem que tenta engatar uma rapariga enquanto a sua namorada Josie está de férias já foi usada em vários filmes, programas de televisão, no jogo "Grand Theft Auto: Vice City" e como música de acompanhamento de vários jogadores de baseball. O tema foi versionado por Wyclef Jean & Eve (numa versão reggae para o filme "A Minha Namorada Tem Amnésia"), Bon Iver, Bruno Mars e Emma Burgess. Katy Perry gravou uma versão cuja letra é do ponto de vista da mulher a ser engatada pelo namorado de Josie, sob o título "Use Your Love", que foi o lado B de um dos seus primeiros singles.




Mas uma das mais curiosas reutilizações de "Your Love" é sem dúvida a do conhecido tema funk brasileiro "Rap das Armas", cuja versão mais conhecida é a de 2007 de Cidinho & Doca, por ter sido incluída no filme "Tropa de Elite", com o famoso "pa ra pa pa pa" a ser entoado com a mesma melodia do início de "Your Love".     


O tema também já teve diversas versões e remixes de dance-music, como por exemplo esta de 2013 pelo DJ americano Morgan Page para a qual os The Outfield regravaram novos arranjos vocais.




ACTUALIZAÇÃO: O vocalista da banda Tony Lewis faleceu em 2020.
       


      

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Grão a Grão (1984)



"Grão a Grão" foi um programa composto maioritariamente por desenhos animados que substituiu o "Janela Mágica" a 7 Março 1984 - uma quarta-feira, o dia do Festival da Canção 84 - durante toda a semana.
O último registo que encontrei foi no Domingo 17 de Junho, substituído durante a semana seguinte por "Infantil" [ de 21 de Junho de 1984 até 14 de Janeiro de 1985, quando regressou o mítico "Tempo dos Mais Novos" (até 12 Outubro de 1986)].

Recortes de "Diário de Lisboa" 7 Março e 17 de Junho de 1984.


Sem informação adicional é difícil saber o que mudou ou não na estrutura em relação ao programa anterior. Graças aos arquivos do "Diário de Lisboa" vemos que obviamente desenhos animados foram "herdados" do "Janela Mágica" e reparei que no inicio das emissões foi trocado o dia em que eram exibidos "Bell e Sebastião" e "D. Quixote", por exemplo.
Actualização: O leitor João Galvão  conta-nos nos comentários que o Grão a Grão "era gravado em directo no estúdio 4, dos antigos estúdios da RTP, no Lumiar. Era apresentado por um pivô jovem (12 anos) de seu nome: João Carlos."


Sábados - Dividido em dois blocos, das 11:00h ás 13:00h e das 13:10h às 15:00h.

"Diário de Lisboa" 16 Março 1984

"Era Uma Vez O Espaço", "D. Quixote de La Mancha", "Jornalinho", "Animação", "Uma Casa na Pradaria", "História da Conceição", "Oficina do Drama" ("desenvolvimento da expressão dramática sob orientação de João Mota"), "Gaveta dos Sonhos", "Rua dos Pombos" ("Pigeon Street"), "Professor Baltazar", "Calimero", "Contos de Andersen" ("Andersen Monogatari"), "Pintor Louco". 



Domingos - Dividido em dois blocos, das 11:00h ás 13:00h e das 13:10h às 14:30h.

"Diário de Lisboa" 31 Março 1984
"Bell e Sebastião", "Marco Polo" ("Aventuras de Marco Polo"*), "Necos e Bonecos", "Gostosuras e Travessuras", "A Hora dos Talentos**", "A Casa da Floresta", "Canções", "Patamar da Brincadeira", "Jornalinho" (apenas a 29 de Abril), "Hawkmoor, o Falcão dos Pântanos" (série da BBC de 1978), "1,2,3, Mais uma vez" (peça infantil pelo grupo Máscara, com Rui Pisco e Pedro Wilson). 



Dias de Semana, ás 18:10h (entre 9 e 30 de Abril, ás 15:00horas)
"D'Artacão e os Três Moscãoteiros", "O Pequeno Lord"***, "Dias Felizes" (terceira temporada de "Happy Days"), Candy, Candy", "Cláudio e Carolina", "Vasco Granja apresenta... filmes para todos", "História no Jardim", "Férias em ritmo", "Enquanto é tempo", "Histórias de Sempre", "Maré Negra", "Conan, O Rapaz do Futuro". 

"Diário de Lisboa" 31 Março 1984

Numa das páginas da programação semanal (acima) surge um programa indicado como sendo apresentado por Manuel Luís Goucha e Luzia Paramés: "Gaveta dos Sonhos", mas o programa de curta vida nem surge em qualquer "filmografia" de Goucha ou Luzia Paramés ("Duarte e Companhia", "Sebastião Come Tudo", A Mala de Cartão"). O primeiro foi também o autor e apresentador de "Gostosuras e Travessuras".

* Curiosamente, nesta época também aos Domingos a RTP estava a exibir a mini-série em imagem real "Marco Polo" (1982).

** "A Hora dos Talentos" - No Youtube há vários vídeos deste programa de jovens talentos, destaco este "A música através dos tempos" em que a partir dos 6:40 minutos dançam mascarados de robots ao som de "Hey You" dos Rocksteady Crew

*** "Pequeno Lord", provavelmente a mini-série de 1976 "Little Lord Fauntleroy" que adapta o famoso livro homónimo.

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sábado, 4 de julho de 2015

Chocolate Nestlé (1987)



Sempre invejei os putos dos reclames a guloseimas que podiam papar sozinhos gigantescas barras de chocolate. Quando acontecia ter acesso a chocolates tão grandes lá tinha que partilhá-los com a família. O reclame do dia é precisamente ás barras de chocolate mais desejadas, as da Nestlé, que começaram a ser fabricadas em Portugal em 1985.


A acompanhar a ilustração do "Gulliver Júnior" (ou um puto entre miniaturas) a deliciosa descrição:
"Aqui para nós: já alguma vez sonhaste com uma tablete de chocolate feita de quadradinhos brilhantes, compactos, aveludados, deliciosos, a partirem muito certinhos, um a um, e a desfazerem-se muito devagar na tua boca? Deixando um gostinho que nunca mais acaba...
Cada tablete Nestlé é um bocadinho desse sonho que tu poderás tornar realidade...
Porque o chocolate Nestlé está agora entre nós!"
"Chocolate Nestlé, o país do chocolate".

Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 172, de 1987. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

Actualização:
Imagem do topo retirada da revista Mickey Nº 68, de 1986. Digitalizada e Editada por Enciclopédia de Cromos.

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Woodpeckers From Space (1984)


"Woodpeckers From Space" foi mais um exemplar do Eurodisco, na sua variedade Italodisco ("Tarzan Boy", "Comanchero", "Vamos a la playa"). Apesar da denominação, não era necessário ser italiano para fazer italodisco, como demonstra este duo holandês, os "Video Kids" (Peter Slaghuis e Bianca Bonelli). O forte da música electrónica nunca foi a letra, que neste caso foi complementado com as horripilantes gargalhadas . Se Slaghuis não tivesse falecido em 1991, talvez o duo tivesse gerado mais hits. Ou não.
Aparentemente, segundo o bizarro e assumidamente ridículo videoclip - que mistura live action com animação - os Pica-paus do Espaço têm o bico perfurante...no rabo. O belo penteado de Peter Slaghuis no vídeo só é superado pelo de Limahl no de "A História Interminável".
Alguns dos efeitos sonoros foram gerados pelo computador infantil "Speak & Spell" (que foi usado pelo E.T. para construir o equipamento para "telefonar para casa") e mais descaradamente um sample do famoso riso do personagem "Woody Woodpecker", o "Pica-pau".


Na capa frontal do vinil, um computador Philips VG 8000, a primeira experiência da marca nos computadores MSX. Consta que os joysticks pertencem a outra versão MSX.

Ambos os temas foram escritos e produzidos por A. Adams e Fleisner, como se pode ver nas etiquetas do 45 rotações:


FACE A
- Woodpeckers From Space

Existe também uma versão mais longa. Porquê? Dinheiro, aparentemente. Podem ouvir aqui: Video Kids - Woodpeckers from space (Extended Version).

FACE B
- Rap and sing along

Em retaliação contra o apartheid, o duo recusou lançar o single de êxito na África do Sul, mas a oportunidade foi agarrada pela banda de covers "Café Society" que vendeu bastante da sua versão:



E se pensavam que o tema não podia ficar mais intragável, em 2003 o grupo norueguês Spritney Bears - subtil -  "refez" "Woodpeckers from Space":


Nos primórdios da "Caderneta de Cromos" Nuno Markl recordou a canção - apelidada de "ornitologia futurista" ( e "praga") no programa "Caderneta de Cromos Nº 62 - Pica-Paus do Espaço [Ouvir/Download Mp3]". Vale a pena ouvir de novo.



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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Herman's Head - Uma Questão de Consciência (1991-1994)

por Paulo Neto

Séries televisivas de que só eu me lembro, capítulo #749. É provável que muita gente não se recorde desta série, que eu descobri em 1993 na RTP2 e que segui durante umas férias de Carnaval que passei em convalescença. Mas eu ousaria dizer que os autores do novo filme da Disney "Divertida-Mente" devem ter bebido inspiração nesta série.
"Uma Questão de Consciência" (no original "Herman's Head") foi emitida nos Estados Unidos entre 1991 e 1994, em três temporadas. Por cá, as duas primeiras passaram de segunda a sexta à tarde na RTP 2 e a terceira na RTP 2 aos domingos à noite. Os autores da série eram Andy Guerdat e Steven Greinberg





A série contava a vida de Herman Brooks (William Ragsdale), um jovem executivo que trabalha no departamento de pesquisa de um importante império de publicações em Manhattan. Aparentemente parece o típico yuppie, ambicioso e astuto, mas facilmente se descobre que não é bem assim. No fundo Herman é inseguro, tem muito medo de arriscar e costuma meter água nos seus relacionamentos amorosos.



Isto porque a sua mente é controlada por quatro entidades que dirigem as suas decisões: Angel (Molly Hagan), é a sua sensibilidade e representa o seu lado feminino, geralmente a mais calma dos quatro, mas que sabe manipular os outros a seu favor; Animal (Ken Hudson Campbell), é sua luxúria e representa os seus desejos mais mundanos, e basicamente só se interessa por sexo e comida; Wimp (Rick Lawless) é a sua ansiedade, cheio de paranóias e manias, sendo particularmente útil em situações críticas, já que está sempre à espera do pior; Genius (Peter Mackenzie) é o seu intelecto e representa o raciocínio lógico, costuma olhar os outros com superioridade mas também ele comete os seus lapsos. Algumas vezes os quatro agem em sintonia, sobretudo em situações de dor, mas a maioria das vezes andam às turras, o que explica todos os dilemas de Herman.



O melhor amigo de Herman é Jay Nichols (Hank Azaria), um mestre de engate embora nem sempre tenha sucesso. Herman admira a sua auto-confiança mas vai descobrindo que Jay também tem as suas inseguranças. Herman também é grande amigo de Louise Fitzer (Yeardley Smith), a secretária do departamento, que tanto tem de simpática e honesta como de sarcástica e nervosa. Na terceira temporada, Louise inicia uma relação intermitente com Jay. Heddy Newman (Jane Sibbett) é a elegante e empertigada colega de Herman, com quem frequentemente entre em disputa, já que é obcecada em subir na vida e não hesita em passar por cima de qualquer um para ficar bem vista, recorrendo à manipulação e à bajulação. No entanto, os seus planos saem sempre furados. Tal como Jay, Heddy também é hábil no engate embora sem muitos resultados no que toca a arranjar um bom partido. Com o avançar da série, a animosidade entre Herman e Heddy dá lugar a atracção mútua.
Paul Bracken (Jason Bernard) é o chefe do departamento, e apesar da sua faceta de chefe autoritário e abrasivo, no fundo é um homem justo e sabe bem como são os seus subalternos, daí que valorize Herman pela sua ética de trabalho e não se deixe levar quando Heddy lhe dá graxa.

Num dos episódios, existiu uma quinta entidade na mente de Herman, a Inveja (Bobcat Goldthwait), quando ele e a sua irmã competiram pelo mesmo emprego, mas fez tantos estragos que os outros quatro expulsaram-no imediatamente. Leslie Neilsen e Jennifer Anniston tiveram participações especiais na série, ele como Deus, ela como um dos interesses amorosos do protagnista. Se a série tivesse continuado, os autores consideraram criar um quarteto mental similar para Heddy. 



De referir ainda que dois dos actores da série, Hank Azaria e Yeardley Smith, também faziam parte do elenco de vozes de "Os Simpsons" (sendo Smith particularmente conhecida pela voz de Lisa Simpson), houve alguns paralelos entre as duas séries. A personagem de Louise foi algumas vezes referida como tendo uma voz de desenho animado, e personagens de "Os Simpsons" com vozes de Azaria e Smith mencionaram "Uma Questão de Consciência". Num dos episódios chegou mesmo a haver um semelhante coro na cabeça de Lisa.

Para terminar, um facto interessante: foi durante o intervalo de um dos episódios de "Uma Questão de Consciência" em 1991 que o primeiro anúncio publicitário a preservativos foi emitido nos Estados Unidos.

Genérico 1.ª temporada:


Génerico 2.ª e 3.ª temporada:



terça-feira, 30 de junho de 2015

Janela Mágica (1983-1984)

Antes de ser um dos brindes do Bollycao, "Janela Mágica" foi o programa para os mais pequenos que substituiu "O Tempo dos mais novos" a partir de Outubro de 1983.


Quando comecei a investigar sobre este espaço televisivo a única migalha de informação que consegui encontrar online foi precisamente o genérico animado, com o estilo inconfundível de PAT (Álvaro Patrício), responsável por imensas animações dos anos cromos ["Genéricos de Álvaro Patrício PAT"].




Tudo o resto sobre o programa só encontrei da minha busca no inestimável arquivo do "Diário de Lisboa".
A grelha televisiva mudou a 17 de Outubro de 1983, e "Janela Mágica" começou no dia seguinte as emissões durante os dias de semana por volta das 18 horas. 
No fim de semana continuou a exibição de alguns dos programas d'"O Tempo dos mais novos" , mas ao contrário deste - que aos Sábados dividia a emissão em duas partes - "Janela Mágica" ficou relegado ao horário de antes de almoço.
Durante a semana eram emitidos programas como "Esquadrão das Estrelas" ("X-Bomber"/"Star Fleet" série japonesa de marionetas e ficção cientifica, ao estilo dos "Thunderbirds"), "A Pequena Nell", "Os Polis", "Canta Connosco", "Contos de Andersen", "Cláudio e Carolina", "Candy, Candy", "D'Artacão e os Três Moscãoteiros", "Histórias de Sempre", "Estrumpfes", "Belfy e Lillibit" (as aventuras de um par de duendes da floresta), "O Bicho-do-Conto", "As aventuras de Tom e Jerry", "Histórias do Paquiderme" e "O Aranhiço".
Ao fim de semana os pequenos espectadores eram brindados com séries do calibre de "Conan, O Rapaz do Futuro", "A Abelha Maia", "Bell e Sebastião", "Era Uma Vez O Espaço", "Jornalinho" ("autoria de António Santos, apresentação de Manuela Sousa Rama, Jorge Passarinho, Carlos Ribeiro e o boneco Elias") ou "D. Quixote de La Mancha" (a série espanhola de 1979), "Floresta Portuguesa" (de João Ponces de Carvalho. No vídeo o episódio 5, "A Floresta e o Lazer" emitido a 19 de Novembro de 1983), "O Jardim do Celestino", "Vasco Granja apresenta... filmes para todos", "Musti" (a primeira série do gatinho belga Musti, de 1969), "Rei Rolo" (a adaptação animada dos livros sobre o infantil King Rollo), "O Segredo do Abrigo de Montanha" e "Uma noite na Montanha" (não descobri animações com esse nome, mas poderão ser uma gralha porque estavam na lista junto a "Bell e Sebastião" que tem um episódio com um desses nomes). 

O "Jardim do Celestino", programa do comediante brasileiro-português Badaró, que na opinião do responsável pelos comentários à programação do "Diário de Lisboa" em menos de 2 meses é despromovido de "...revelação" a "execrável" :
Saiba mais sobre o programa no site "Brinca Brincando" - "Jardim do Celestino".

Gostava de destacar a programação da véspera do Natal de 1983 com uma hora de emissão dedicada a "Vasco Granja apresenta... filmes para todos", com o título "Natal na Animação". No bloco estavam incluídas três animações: "O Natal dos Cachorrinhos" ("The Pups' Christmas" (1936) de Rudolf Ising), "A Estrela de Belém" ("The Star of Bethlehem" (1956) de Lotte Reininger) e "O Príncipe Feliz" ("The Happy Prince", adaptação de 1974 do conto de Oscar Wilde por Michael Mills).
No primeiro dia de 1984, um Domingo, a emissão da "Janela Mágica" foi alargada para incluir o 26º "Sequim D'Ouro". Esse "Zecchino d'Oro 1983" teve direito a dois primeiros qualificados ex aequo: "Evviva noi" cantado por Elisa Gamberini da Roménia, e "O che bella balla" por Salome Hadji Neophytou para o  Chipre.

"Janela Mágica" foi depois substituída a 7 de Março de 1984 por "Grão a Grão", uma quarta-feira. Curiosamente, nessa segunda e terça-feira (de Carnaval) a designação "Janela Mágica" foi trocada por "Desenhos Animados" (a designação do programa que abria a RTP2 durante a semana) ás 17:30 e na terça-feira de Carnaval o "Janela Mágica" foi ao ar pela última vez, às 11 horas como ao Domingo.


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sábado, 27 de junho de 2015

Top 5 Canções das Doce

por Paulo Neto

Já há algum tempo que não se faz por aqui um top 5, não é verdade? Como tal, para recuperar a rubrica nada como recordar as minhas cinco canções preferidas das Doce, o quarteto feminino que deixou uma marca incontornável na música portuguesa dos anos 80 e uma das primeiras girlbands, (tal como esse conceito é actualmente entendido) do mundo. Mais uns anos e provavelmente teriam tido um vasto merchandising como os grupos femininos dos anos vindouros: lancheiras, bonecas, mochilas, material escolar e etc.


Tudo começou em 1979 quando, finda a actividade do seu grupo Gemini, Tozé Brito decidiu criar um novo projecto, inspirado nos grupos femininos dos anos 60 como as Supremes e as Shangri-Las mas com um toque actual e ousado. Para tal angariou três cantoras que em diferentes períodos integraram os Gemini: Teresa Miguel, Fátima Padinha e Lena Coelho, às quais foi adicionada (dizem as más línguas que sobretudo por motivos estéticos) Laura Diogo, que tinha sido Miss Fotogenia no concurso Miss Portugal. Reza a lenda que o nome do grupo surgiu durante almoço entre Tozé Brito e as quatro cantoras, quando um empregado de mesa, para perguntar o que queriam para sobremesa, disse apenas: "Doce?"
É certo que já existiam as Cocktail, outro conhecido grupo feminino da altura, mas as Doce venceram sobretudo por apostarem na ousadia, dos vistosos figurinos concebidos pelo então pouco conhecido estilista José Carlos às letras que tinham como tema recorrente os prazeres do amor e da paixão, trazendo novas cores a um Portugal ainda bem cinzentão. Juntando-se a isso duas mãos cheias de hits que imediatamente cativaram o público, de miúdos a graúdos, uma dose de controvérsia (como por exemplo um célebre rumor que terá alegadamente envolvido Laura Diogo e o futebolista Reinaldo) e todos os ventos de mudança do Portugal dos anos 80, e o grupo gozou de uma frutuosa carreira aos longo dos oito anos de existência, deixando um legado que prospera até hoje. São ainda muitas as canções das Doce que perduram na jukebox mental dos portugueses, até daqueles que nasceram bem depois do auge do grupo.

Como é habitual, foi bastante difícil reduzir a lista a apenas cinco canções, e vários clássicos das Doce tiveram que ficar de fora, como "Quente, Quente, Quente", "Jingle Tónico", "For The Love Of Conchita", "OK, KO" ou "O Barquinho Da Esperança". Mas vamos então ao top 5.

#5 "É Demais" (1981)
Por incrível que pareça, ao longo da existência do grupo (1979-1987), as Doce só editaram dois álbuns de originais: "OK, KO" (1980) e "É Demais" (1981). As Doce eram portanto mais um grupo de "singles". Todavia, a faixa-título do segundo álbum é um dos maiores hits do quarteto. A letra no refrão apoteótico não deixava dúvidas sobre o que cantavam Fá, Laura, Lena e Teresa: "Então estamos sós enfim, é demais,/ A noite tão quente assim, é demais, / Lençóis de cetim e champanhe para dois, é demais!/ Da varanda, vê-se o mar, é demais/ Roupas pelo chão, pelo ar, é demais,/ O cheiro da erva nas noites de verão, é demais!" Juntando-se a isso um videoclip onde as quatro envergavam sensuais fatos de cabedal, e calculo que muito homem na altura tenha ficado com o sangue a borbulhar. Em 2000, por alturas da edição de um álbum de tributo às Doce onde participaram boybands e girlbands da altura como os Milénio, as Tayti, as Baby, os D'Arrasar bem como nomes como Mónica Sintra e o brasileiro Netinho, Teresa Miguel e Lena Coelho regravaram esta canção em parceria com Carlos dos Excesso.

Actuação no programa "Sabadabadu":




#4 "Bem Bom" (1982)
Não podia faltar a esta lista a canção com que as Doce venceram o Festival da Canção, uma pérola pop com um pé no disco e outro no malhão. O grupo participou quatro vezes naquele que durante muito tempo foi o maior certame da música nacional, primeiro em 1980 com "Doce", no ano seguinte com a canção que vem a seguir nesta lista, tendo ganho à terceira em 1982 e ainda tentando mais uma vez a sorte em 1984 com "O Barquinho da Esperança", com letra de Miguel Esteves Cardoso. Foi portanto com "Bem Bom" que triunfaram por cá e representaram Portugal no Festival da Eurovisão de 1982 em Harrogate (Inglaterra) vestidas de mosqueteiras. Por lá ficaram pelo 13.º lugar mas a actuação deixou a sua marca na história do evento. (Por exemplo, na gala que se realizou este ano em honra do 60.º aniversário da Eurovisão, a única referência a Portugal foi um excerto da performance das Doce). E claro, está em Portugal, "Bem Bom" continua a ser uma das nossas canções eurovisivas mais populares de sempre e não há tuga que não tenha trauteado o refrão "Uma da manhã/ Ei! Bem bom, duas da manhã./ Bem bom, já três da manhã./ Ei! Bem bom, quatro da manhã/Bem bom, cinco da manhã./ Ei! Bem bom, já seis da manhã./ Bem bom, sete da manhã. / Ei! Bem bom, oito da manhã. / Bem bom, café da manhã para dois sem saber o que irá depois./Bem bom." Em 2003, uma nova versão do tema foi usada para promover mais um álbum best of, "Doce Mania", que reunia os principais hits das Doce e novas remisturas e em 2008, Rui Reininho fez uma inesperada e curiosa versão para o seu primeiro álbum a solo.

Actuação no Festival da Eurovisão de 1982:




#3 "Ali Babá (Um Homem Das Arábias)" (1981)
Mais um dos grandes hits do grupo. "Ali Babá (Um Homem Das Arábias)" foi o tema com que as Doce concorreram ao Festival da Canção de 1981, e como se impunha, actuaram vestidas de odaliscas. Ficaram-se desta vez pelo quarto lugar mas o tema fez bastante sucesso e é daqueles que vem logo a memória quando se fala nas Doce e que toda a gente já trauteou. Tudo graças a uma fusão de sons orientais com batida pop, o refrão básico e repetitivo "Ali Babá, Babá Bali" e claro, mais uma letra em que as quatro entoavam em uníssono versos como: "Fui a tua serpente tão enfeitiçada, com música mágica na tua flauta encantada". Recordo-me que na dobragem portuguesa do Dragon Ball Z, houve altura em que a personagem do Bubu, interpretada por Joaquim Monchique, fazia negaças a Songoku e companhia cantando: "Ali Bubu, Bubu Buli...

Actuação no programa "Eu Show Nico":



    

#2 "Amanhã De Manhã" (1980)
Foi o primeiro single das Doce, mesmo no início da década, e marcou o padrão do repertório do quarteto: batida dançável, letra sobre os prazeres do amor a dois e refrão pegadiço. E o resto foi história. Mais uma vez, não haverá ninguém neste país que  nunca resistiu a cantar o refrão: "Vamos acordar e ficar a ouvir/ A rádio no ar, a chuva a cair./ Eu vou-te abraçar e prender-te então/ No corpo que é meu, na cama, no chão/ Os nossos lençóis, a colcha de lã/ Eu vou-te abraçar amanhã de manhã." O tema teve um breve ressurgimento em 2003, não só pela sua inclusão na já referida compilação "Doce Mania" editada nesse ano, mas também por fazer parte da banda sonora da telenovela da TVI "Queridas Feras", nomeadamente nas cenas da personagem interpretada por Inês Castelo Branco. E em 2007, num momento único, Teresa Miguel, Fá Padinha e Lena Coelho reuniram-se para cantar "Amanhã de Manhã" no programa "Febre de Sábado de Manhã".

Actuação no programa "O Tal Canal":



     

#1 "Starlight" (1983)
Surpreendidos com esta minha escolha para o n.º 1? Certo, não será das canções da Doce que vêm logo à mente, mas é a minha preferida. Após a participação no Festival da Eurovisão de 1982, surgiram vários convites para actuações no estrangeiro, em países como Espanha, Brasil e Estados Unidos. Como tal, visando uma eventual projecção internacional, as Doce gravaram alguns temas em inglês. Um deles é este "Starlight" do qual não me recordava na altura mas que mais tarde descobri e tornou-se a minha canção favorita das Doce. Basicamente, é a canção que os ABBA e os Ultravox fariam se alguma vez juntassem esforços. Para quem não conhece este tema, recomendo vivamente a sua audição.

Actuação no programa "O Foguete":




Além dos quatro membros oficiais, havia ainda uma Doce suplente, que não era ninguém menos que Fernanda Sousa (Ágata), que substituiu Lena Coelho durante a gravidez desta e depois Fá Padinha, quando esta anunciou em 1986 a sua saída do grupo para uma tentativa carreira a solo. O fim das Doce deu-se em 1987 com o lançamento do álbum best of "Doce 1979-1986" que reunia os singles do grupo e alguns temas inéditos e com uma emotiva actuação final em televisão no "Clube Amigos Disney". E depois? Como é sabido, Fá Padinha foi a primeira esposa do primeiro ministro Pedro Passos Coelho, de quem teve uma filha. Laura Diogo dedicou-se ao outro lado da indústria musical, utilizando a sua experiência nas suas funções de manager nas doce, agenciando artistas como os Sitiados e Sara Tavares e co-apresentou algumas sessões do programa da RTP "Os Reis do Estúdio" com Luís Varatojo e vive já há vários anos nos Estados Unidos onde exerce psicologia. Lena Coelho esteve envolvida em vários projectos musicais (do pop/rock da banda "Lena Coelho & Sucesso" ao fado, seguindo as pisadas da sua mãe, a fadista Helena Tavares) e de representação (no teatro de revista e séries televisivas como "Ricardina & Marta" e "O Bairro da Fonte") e em 2007, formou uma versão júnior das Doce, as Doce Mania, que chegaram a actuar no Rock In Rio de 2008. Teresa Miguel continua a cantar esporadicamente e sempre que os media querem relembrar as Doce, ela marca sempre presença. Nessas entrevistas, Teresa revela amiúde que ainda se surpreende como passados tantos anos, a música e o legado das Doce continua tão vivo e a conquistar novas gerações.

"Rainy Day/O Barquinho da Esperança", actuação no programa "Clube Amigos Disney":

  

    
   

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Maria Barroso (1925-2015)



Maria de Jesus Simões Barroso Soares (1925-2015)

Como habitual, quando um notável ou famoso adoece ou tem um acidente, os media atropelam-se para ser os primeiros a avançar a notícia da alta ou do falecimento. Edição: Tenho a assinalar que entretanto, das poucas reportagens que vi, os jornalistas até se têm comportado decentemente.
Previsivelmente, Maria Barroso é noticiada como "a mulher de Mário Soares". Certamente que a sua temporada como Primeira Dama de Portugal é a mais recordada actualmente, mas Maria Barroso alcançou notoriedade bem antes. Mas nos anos cromos a sua faceta mais visível foi mesmo a de Primeira Dama - entre 1986 e 1996; e mais tarde como Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa e representante de varias causas sociais, acumulando prémios e condecorações.
Actualização: Maria Barroso faleceu na madrugada de 7 de Julho, depois de estar em coma deste 26 de Junho, em consequência de traumatismo craniano.

Curiosamente só descobri ao preparar este texto que Maria Barroso nasceu na minha vizinha Fuseta, concelho de Olhão, por via de um post no Facebook. Mas depressa a minha surpresa por esse facto foi abafado pela quantidade abjecta de comentários deprimentes e lamentáveis à figura da senhora que tinham como alvo o marido. O 25 de Abril já foi há mais de 40 anos mas o rancor vive ainda no coração de muita gente. Creio que é o preço que se paga por ter alguma notoriedade. 
Como disse antes, Maria Barroso já tinha alguma fama antes do casamento com Mário Soares, por via da sua actividade como actriz de teatro (Aparências) - e mais tarde, de cinema, colaborando com cineastas como Manoel de Oliveira e Paulo Rocha - e na cultura e política que lhe valeu interrogatórios pela polícia política e a proibição de exercer como professora - no ensino público e no privado. Antes de ser Primeira Dama foi membro fundador do Partido Socialista e deputada na Assembleia da República. Teve dois filhos, Isabel e João Soares (advogado e político).
Mais detalhes: "Maria Barroso - Wikipédia"


Na Enciclopédia há uns meses incluímos um conjunto de calendários da campanha das Eleições Presidenciais de 1986, em que Maria Barroso surge ao lado do marido, e do famoso slogan "Soares É Fixe":

Podem ver em mais detalhe: "Calendários Soares Presidente" (1986)



Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".
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