sábado, 4 de setembro de 2021

Sledge Hammer! - O Ás Da Polícia (1986-88)

por Paulo Neto

Esta série é um daqueles cromos que têm andado pendentes na minha mente há vários anos, mas que por algum motivo tinha ficado em águas de bacalhau. Porém, ao ter recentemente juntado ao grupo do Facebook Saudade Nostálgica, reavivei as memórias relacionadas com ela. "Sledge Hammer!" passou na RTP1 nas tardes de um Verão no início dos anos 90 (1991, se não estou em erro) exibindo os 41 episódios das duas temporadas de segunda a sexta-feira, tendo sido originalmente exibida nos Estados Unidos entre 1986 e 1988, sob o título de "O Ás Da Polícia".




Tratava-se de uma série que parodiava a trope do polícia agressivo insubordinado com tendência para disparar primeiro e interrogar depois, da qual os filme da saga Dirty Harry com Clint Eastwood são o exemplo mais emblemático. 



David Rasche desempenhava a personagem titular, o agente Sledge Hammer, que é tão bronco e alucinado que faria o próprio Harry Callaghan parecer um anjinho. O seu bem mais precioso é sua pistola com quem ele dorme, toma banho e até fala, cuja pega tem gravada a imagem de uma marreta (em inglês, um literal "sledgehammer"). O seu bordão, repetido várias vezes, é "Trust me, I know what I'm doing" ("confie em mim, eu sei o que faço"), muito embora ele raramente saiba realmente o que está a fazer. Outro bordão recorrente de Hammer é "Don't confuse me!", sempre que alguém lhe tenta dizer algo que a sua tacanhez não consegue entender.  
Devido à sua falta de vergonha, desrespeito pelas hierarquias, tendência para disparar sem necessidade e opiniões chauvinistas e tacanhas, que lhe vale incontáveis suspensões e processos disciplinares, o certo é que Hammer acaba sempre por apanhar os bandidos de cada episódio (ainda que só muito ocasionalmente tal seja por mérito próprio). 


A única que consegue pôr Hammer minimamente na linha é a sua colega Dori Doreau (Anne-Marie Martin), uma agente elegante e astuta, hábil tanto a disparar armas como a dar golpes de karaté. Inesperadamente, Doreau e Hammer acabam por trabalhar bem em conjunto e é frequente ser ela a resolver os casos e a safar Hammer dos sarilhos em que ele inevitavelmente se mete. Apesar da bronquice e  do machismo do colega, por vezes Doreau dá ideia de estar atraída por Hammer mas a relação entre os dois mantém-se profissional, ou no máximo dentro de uma amizade.   
Quem fica sempre em palpos de aranha por causa de Hammer é o Capitão Trunk (Harrison Page), o chefe da esquadra, a quem a indisciplina de Hammer deixa-o em cólera permanente. 
Entre outras personagens recorrentes, destaque para o Dr. Norman Blates (Kurt Paul), o médico legista da esquadra e a metediça repórter Lisa Ellerblub (Diane Saint-Marie), a quem Hammer costuma mandar algumas bocas machistas. Adam Ant, estrela rock do início dos anos 80, entrou num episódio como um agente secreto britânico com quem Hammer tem de medir forças. 

Há dois episódios de que me recordo particularmente: 
- Um homem, Miles Hammer, surge na esquadra afirmando ser irmão de Sledge, ao que este, mesmo diante das provas, recusa a aceitar. Para piorar, todos simpatizam com Miles, que até convence Doreau a sair com ele, mas ela acaba por descobrir que ele é um impostor. Quando Dori e Trunk investigam a genealogia de Hammer, descobrem que entre os seus antepassados estão Ivan O Terrível, Gengis Khan e Ghandi ("a ovelha negra da família"). 
- O exército barrica a esquadra com toda a gente lá dentro, incluindo Trunk, Dori e Sledge, por suspeitas de que foram infectados por um gás perigoso cujos efeitos secundários incluem letargia e alucinações (no caso de Hammer, a sua pistola fala com ele usando o cano como boca). Trunk acaba por descobrir que a razão pela qual ele é o único que não foi afectado pelo gás é por ele estar sempre furioso. Por isso, para os "curar", Trunk irrita Dori, chamando-a de burra, e Hammer, atacando a sua masculinidade. 

Genérico:






quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Capitão Power e os Soldados do Futuro (1987-88)


 
"Capitão Power e os Soldados do Futuro", a tradução literal de "Captain Power and the Soldiers of the Future" (não traduziram "Power" porque...já chegamos lá!) estreou a 1 de Setembro de 1987. Enquanto puto não vi esta série. Pronto, está dito. Pelos comentários que leio na Internet devo ter sido o único da minha geração que não viu, e no entanto tenho a certeza que se tivesse assistido ia ter adorado. Não posso voltar atrás no tempo e forçar-me a assistir aos episódios desta produção canadiana e norte-americana que passaram na RTP em 1988, mas para colmatar essa grave falha na minha educação televisiva de finais dos anos 80, posso encomendar os episódios para assistir e comentar aqui. Quer dizer, em 2014 comecei a ver a série, com intenção de fazer um mini-resumo de cada um para a Enciclopédia. Mas acabei por não ver mais nenhum e congelei esse projecto. Temporariamente?

O plot é extremamente complexo e.. não, não é. Mundo pós-apocalíptico dominado por exércitos mecânicos. E obrigatoriamente, existe uma Resistência humana. E a elite dessa resistência é a equipa de soldados do Capitão Power, "Jonathan Power" (Tim Dunigan, o Face original de "Os Soldados da Fortuna"). O arqui-inimigo a abater para salvar os sobreviventes da Humanidade é o cyborg "Lord Dread" (David Hemblen, "Terra: Conflito Final", "Nikita"). E dos restantes "Soldados do Futuro" destacam-se o Major Matthew "Hawk" Masterson (Peter MacNeill, que também vimos em "Psi Factor"); Michael "Tank" Ellis (o actor culturista Sven-Ole Thorsen), Sargento Robert "Scout" Baker (Maurice Dean Wint, "Psi Factor", "Robocop: Prime Directives") e a Cabo Jennifer "Pilot" Chase (Jessica Steen, "Earth 2"). Vamos ignorar que em VHS e outras edições de homevideo que encontrei no Google a única mulher dos "Soldados do Futuro" vinha baptizada como Tiffany...

O épico genérico inicial de "Captain Power and the Soldiers of the Future":

 

Os uniformes e equipamentos lembram um pouco os dos "Centurions: Power Extreme", e até são bem catitas.  Um dos motivos do cancelamento foi o elevado orçamento por episódio (estimado em 1 milhão de dólares), e acabou por ficar numa temporada única de 22 episódios. Mas também decisivos foram os elementos mais adultos e violentos que o habitual no género, que geraram críticas negativas e as baixas audiências pioradas pelos péssimos horários de exibição. Alguns dos brinquedos conseguiam interagir - de forma limitada à tecnologia dos anos 80 - com alguns momentos dos episódios. De momento tenho apenas uma figura que adquiri há poucos anos. Não tem faz nada de especial, mas é cromada e bem esculpida e detalhada. E tenho também a colecção de 27 calendários de bolso da Impala, que é bem catita.
Na RTP foi exibida no primeiro canal, nas tarde de Sábado, entre Março e Julho de 1988. Segundo os registos da programação do "Diário de Lisboa" (com a designação "Capitão Pawer"), apenas 16 dos 22 episódios foram exibidos, pelo menos consecutivamente. 
A lista das datas de exibição de "Capitão Power" na RTP-1 é a seguinte:
  • Episódio 1 - 26 de Março de 1988 
  • Episódio 2 - 2 de Abril de 1988 
  • Episódio 3 - 9 de Abril de 1988 
  • Episódio 4 - 16 de Abril de 1988 
  • Episódio 5 - 23 de Abril de 1988 
  • Episódio 6 - 30 de Abril de 1988 
  • Episódio 7 - 7 de Maio de 1988 
  • Episódio 8 - 14 de Maio de 1988 
  • Episódio 9 - 21 de Maio de 1988 
  • Episódio 10 - 28 de Maio de 1988 
  • Episódio 11 - 4 de Junho de 1988 
  • Episódio 12 - 11 de Junho de 1988 
  • Episódio 13 - 18 de Junho de 1988 
  • Episódio 14 - 25 de Junho de 1988 
  • Episódio 15 - 2 de Julho de 1988 
  • Episódio 16 - 9 de Julho de 1988
Excerto do "Diário de Lisboa" no dia de estreia:

A legenda, com algumas incongruências: "Capitão Power, Coronel Nathan, Major <<Falcão>> Masterson, Tritor e outros personagens integram esta série, de 26 episódios, em desenhos animados, vivendo aventuras incríveis de ficção cientifica. Uma série dedicada aos jovens e a todos os apaixonados do género.". A menção de 26 episódios é interessante, visto que a temporada previa 24 episódios, e na altura que começou em Portugal foi na véspera de terminar nos EUA.

No Youtube, o Canal "Toy Galaxy" faz um bom apanhado da série e do merchandising que gerou.
 
Uma série à frente do seu tempo, mas em que até agora falhou nos vários projectos para a ressuscitar. 
"Power ON!"
 
NOTA:
Em 2014 quando vi o primeiro episódio escrevi apenas uma ráoida anotação:
"Episódio 1 - Dá impressão que estão mesmo empenhados em causar ataques epilépticos nos miúdos. O plot do vamos-usar-alguém-do-passado-para-fazer-uma-emboscada-e-apanhar-o-herói-desprevenido fez novamente uma aparição..."

Canções da Rua Sésamo - Cassete (1990)

 


O Paulo Neto já escreveu na enciclopédia sobre a icónica versão portuguesa da "Rua Sésamo (1989-96)" e em mais detalhe sobre as "Canções da Rua Sésamo". Eu 1989, do alto dos meus 10 anos de idade  eu já achava a Rua Sésamo muito infantil, e acabei por assistir mais vezes ás repetições, geralmente na parte da tarde, enquanto aguardava por outras séries e desenhos animados. E apesar de não ser fã hardcore havia lá muito material de qualidade, como a Alexandra Lencastre e os sketches e canções de que ainda recordo excertos tantos anos depois. 

E claro, que não ia deixar passar a oportunidade de agarrar numa feira de velharias a cassete áudio que nos ocupa hoje:

"Canções da Rua Sésamo". Em som Estéreo.


 

Na capa frontal, os icónicos Poupas e Ferrão num recanto da rua mais famosa do planeta. E na dobra traseira, a listagem dos 31 temas que foram espremidos na cassete. Lançado em 1990, já enverga o logotipo com as cores da segunda temporada.

No interior do folheto/capa, de novo a lista das 31 faixas, mas com a informação relativa aos créditos dos autores das respectivas letras, músicas e arranjos:

Os arranjos foram da autoria do histórico Ramon Galarza, que também tratou de compor a maioria das canções do álbum. 

A lista das faixas:

FACE A:

  1. Tema "Rua Sesamo".
  2. Passear a pé.
  3. Formas de escrever.
  4. O Telefone.
  5. O Hospital.
  6. Lá vão eles.
  7. Atravessar a rua.
  8. Paragens.
  9. Luminárias.
  10. Mar, Maré e Poesia.
  11. Esta Rua é divertida.
  12. Ferrão Fadista 1ª Parte.
  13. Ferrão Fadista 2ª Parte.
  14. Só eu.
  15. Parabéns.
  16. Os cinco.

FACE B:

  1. Quando eu.
  2. O zangão 1ª Parte.
  3. O zangão 2ª Parte.
  4. Teatro de Janela - O cinco.
  5. De fio a pavio.
  6. O passeio.
  7. O combóio dos R's.
  8. Rádio Disparate 1ª Parte.
  9. Rádio Disparate 2ª Parte.
  10. Canção do Zé Maria.
  11. Notas só.
  12. Dez-Zero.
  13. Os gatos lavam os dentes.
  14. Indo eu.
  15. Os gatos lavam os dentes (reprise).


Vindo de uma marca tão grande, se vendeu o álbum em cassete, naturalmente vendeu o disco de vinil homónimo, com o mesmo número de faixas da versão em fita (ou melhor dito, a cassete consegui ter o mesmo número de faixas do vinil). A Wikipédia afirma que um total de 4 volumes de "Canções da Rua Sésamo" foram publicados em CD, Vinil e cassete.

ACTUALIZAÇÃO: O canal do YouTube Máquina Do Tempo postou um vídeo com todas as canções deste disco.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

O Diário Da Princesa (2001)

 por Paulo Neto

Desde pequenos que nos contaram histórias sobre príncipes e princesas, e decerto que todos nós já imaginámos como seria pertencer à realeza e como tal viver uma vida com o respectivo fausto. Isto apesar da realidade também nos ter apresentado histórias sobre a realeza um pouco por todo o mundo que nos confirmam que um título monárquico e fortuna a condizer não são sinónimos de felicidade. 


Seja como for, histórias sobre realeza dão sempre pano para mangas e em 2001, surgiu um filme com a chancela da Disney sobre a premissa de uma adolescente comum que de repente descobre que é uma princesa. "O Diário Da Princesa" foi dirigido por Garry Marshall (para sempre recordado como o realizador de "Pretty Woman"), baseado no romance jovem-adulto de Meg Cabot publicado no ano anterior, com Anne Hathaway e Julie Andrews nos principais papéis. Whitney Houston foi um dos três nomes na lista de produtores. 


Amelia Mignonette Thermopolis (Hathaway), ou simplesmente Mia, é uma adolescente que vive com a sua mãe Helen (Caroline Goodall), uma artista plástica, e o seu gato Fat Louie numa estação de bombeiros abandonada em São Francisco. Mia frequenta um colégio particular onde os seus únicos amigos são a excêntrica Lily Moscovitz (Heather Matarazzo) e o irmão dela, Michael (Robert Schwartzman), que toca numa banda. Devido ao seu aspecto nerd e à sua timidez, Mia é semiexcluída pelos outros alunos do colégio, passando despercebida aos olhos de Josh Bryant (Erik von Detten), por quem tem um fraquinho, e sofrendo bullying por parte da arrogante Lana Thomas (Mandy Moore), a namorada de Josh.



Até que certo dia, Mia conhece a sua avó paterna Clarisse Renaldi (Andrews), que não é nada menos que a Rainha-Mãe do pequeno reino europeu de Genóvia (que aparentemente é um misto de Andorra e Mónaco), que lhe revela que, devido à morte do seu pai Philippe, ela é a herdeira ao trono. No passado, Helen e Philippe apaixonaram-se mas separaram-se antes de Mia nascer porque ele quis ficar em Genóvia e ela queria seguir a carreira artística, tendo combinado que ela ficaria com a filha na América para que Mia tivesse uma infância normal, só lhe revelando a verdade quando ela atingisse a idade adulta. 



Chocada com tantas revelações, Mia a princípio rejeita a herança e em ter lições de como ser princesa com Clarisse, mas persuadida pela mãe, aceita as lições e saber mais sobre o que significa reinar em Genóvia para tomar uma decisão.




A muito custo e perante a exasperação da avó, Mia lá vai aprendendo a se comportar como uma princesa e graças à arte de Paolo Puttanesca (Larry Miller), passa de uma caixa-de-óculos de cabelo superfrisado a uma bonita jovem. Além disso, Mia simpatiza com Joe (Hector Elizondo), o chauffeur de Clarisse, que se torna uma figura paterna para ela.  Apesar da sua mudança de visual causar algum burburinho no colégio, a verdade só vem ao de cima quando, após Paolo ter dado com a língua nos dentes, os paparazzi começam a perseguir Mia. Tudo isto levam-na, entre outras coisas, a descurar da amizade com Lily. 
As coisas pioram ainda mais quando numa festa na praia Josh aproveita-se de Mia para se tornar famoso, beijando-a à frente dos fotógrafos e Lana humilha-a fazendo com que Mia seja fotografada usando nada além de uma toalha.

Mas quando tudo parece perdido, Mia acabará por demonstrar que afinal tem a coragem e a nobreza para subir a um trono, e pelo caminho, descobre que é de Michael que ela realmente gosta. 

Do elenco ainda fizeram parte Sandra Oh como a Vice-Directora Gupta, Sean O'Bryan como o professor de Inglês de Mia que se interessa por Helen e Patrick Flueger, um colega de Mia e Lily com talento para truques de magia. Gerald Hathaway, pai de Anne na vida real, fez de Philippe em fotos e flashback. É um filme bem simpático que cumpre plenamente a sua função de entreter.

"O Diário da Princesa" foi um inesperado sucesso de bilheteira, catapultando Anne Hathaway para o estrelato e apresentado Julie Andrews a uma nova geração. Devido ao filme e à série de livros dos quais foi adaptado, Meg Cabot tornou-se uma das principais referências da literatura young adult. 

Em 2004, surgiu a sequela "O Diário da Princesa - Noivado Real". Segundo consta, um terceiro filme está na calha. 

Trailer:

domingo, 8 de agosto de 2021

Transformers O Filme (1986)

 


Desde que os robots brinquedos japoneses que se convertiam em carros, aviões ou objectos do quotidiano, foram americanizados unidos sob a marca "Transformers" nasceu um sucesso nos brinquedos, na banda desenhada, na série animada e todo o merchandising que correu o mundo. E se a série animada era basicamente meia-hora de reclames às novas figuras (a seguir o exemplo de "He-Man e os Masters do Universo" e aproveitando o relaxe das leis que protegiam os menores de publicidade) o passo lógico seguinte seria a invasão das salas de cinema; uma táctica que o os "Masters do Universo" (1987) tentariam no ano seguinte, mas em imagem real. E portanto, a 8 de Agosto de 1986 , "Transformers: The Movie" e os robots gigantes de Cybertron aterravam nos cinemas americanos e traumatizaram uma geração de jovens fãs dos robots em disfarce. Porquê? Porque para apresentar aos consumidores as novas personagens que podiam ir pedir aos pais para comprar nas lojas, decidiram fazer espaço e massacrar os queridos personagens que tão bem conheciam da série de TV. O filme era obviamente mais violento que a série e robots protagonistas como Ironhide, Ratchet ou Prowl foram despachados impiedosamente pelos lacaios do maléfico Megatron. Mas o maior choque veio mais à frente quando no duelo final entre Megatron e Optimus Prime, o heróico líder dos Autobots é assassinado à traição. Imagino a quantidade de crianças a chorar nos cinemas. Mais tarde, Optimus voltaria à vida na série, mas a inocência já estava perdida. O filme além de introduzir um ror de novos personagens, mais ou menos carismáticos, contava com um elenco de estrelas que eclipsaram, pelo menos nos créditos iniciais, os tradicionais artistas de voz da série. Entre eles, O próprio Sr. Spock, Leonard Nimoy como Galvatron, a reformatação de Megatron, criado pelo vilão da fita, o planeta mecânico Unicron, com a voz do lendário Orson Welles. A qualidade da animação é bastante superior à feita para televisão, e outro elemento de destaque na película é a sua banda sonora com canções rock e metal e as faixas instrumentais com sintetizadores de  Vince DiCola. Continuam a ser clássicos a versão do tema de abertura pela banda Lion ou os clássicos "The Touch" e "Dare" por Stan Bush. E também o "Weird Al" Yankovic e o seu "Dare to be stupid". 

Rápida sinopse:
É o longínquo ano de 2005, Cybertron foi conquistado pelos Decepticons e os Autobots estão em modo guerrilha de resistência. Uma emboscada na Terra reduz ainda mais o número de Autobots que perdem o seu líder. E as coisas só pioram com a chegada do gigantesco planeta "Unicron", o devorador de planetas a caminho de Cybertron.

O trailer:

 

No topo do artigo, imagens da edição portuguesa de "Transformers O Filme" em DVD - "falado em português" (pormenor que não reparei quando a comprei em promoção no Pingo Doce há bem mais de uma década). Tenho também algumas versões em VHS que não tenho de momento a jeito para fotografar. É um filme que conhecia de nome, mas só assisti já adulto e apesar de mudar alguns elementos se pudesse, é bastante entretido e com momentos excelentes. No entanto para quem como eu não viu o filme e quando a terceira temporada estreou com montes de robots novos e o Rodimus Prime como o recém entronado líder dos Autobots, ficou um bocado confuso...

A descrição e mote da edição de 2005 da Prisvideo em DVD:
"Para além do bem.
Para além do mal.
Para além da tua imaginação.

Durante os anos 80 uma série de animação dominou os céus e a era dos robots...os Transformers.
Este filme de animação retrara na sua plenitude a luta do bem [Autobots] contra o mal [Decepticons].
Os Autobots tem que estar sempre preparados para salvar o planeta da máxima entidade do mal que é Unicron, ao mesmo tempo que têm que estar preparados para os constantes ataques do Decepticons.
As aventuras nunca param num clima estonteante que nos prende ao ecrã do primeiro ao último minuto."

Era Uma Vez… (1987)

por Paulo Neto 

Muita história se contou nos espaços da programação infantil da RTP nos anos 80: ele foi o mítico "Uma História Ao Fim Do Dia" e seus sucedâneos, ele foi o "Ora Agora Conto Eu", ele foi aquele programa em que à medida que uma voz off narrava uma história, alguém ia desenhando as diversas cenas no ecrã, ele foram vários outros programas, incluindo este "Era Uma Vez…"



Conduzida pela actriz Lurdes Norberto, esta série recreava várias histórias infantis interpretadas por um grupo de catorze alunos a quem ela dava aulas na Escola de Teatro do Centro Cultural de Benfica. Segundo o sempre imprescindível site "Brinca Brincando", "Era Uma Vez…" foi originalmente exibido entre 14 de Outubro a 30 Dezembro de 1987 às quartas-feiras no espaço "Brinca Brincando" e reposto entre 1988 e 1989 aos fins-de-semana (estou em crer que foi aí que vi) e novamente em 1990 durante a semana.

A cada episódio, Lurdes Norberto narrava a história enquanto os jovens alunos representavam de acordo com os textos de Noémia Rocha. Além disso havia ainda um convidado musical que musicava as letras de Maria Alberta Méneres para a história correspondente. Além das canções para o segundo episódio, Carlos Alberto Moniz cantou também o tema do genérico (onde podiam ser vistas as suas filhas Lúcia e Sara, então bem petizas).

Estes foram os episódios:


1. "O Capuchinho Vermelho" com Jorge Fernando
2. "O Coelhinho Branco" com Carlos Alberto Moniz
3. "O Pinto Borrachudo" com Tó Sequeira
4. "O Gato Das Botas" com Carlos Paião (o único que em vez de uma guitarra utilizou um sintetizador)
5. "A Cacheirinha" com Dina
6. "O Caldo De Pedra" com Carlos Alberto Vidal
7. "O Sabor Dos Sabores" com Paco Bandeira
8. "Os Dez Anõezinhos Da Tia Verde-Água" com Rui Veloso
9. "A Bela Adormecida" com Tozé Brito
10. "Os Três Ursinhos" com Raul Indipwo
11. "Branca De Neve" com Ana Faria e João Faria Lopes (o mais velho dos seus Queijinhos Frescos).

Pelo que pude rever do programa, era mais um caso de um programa onde o entusiasmo e a dedicação dos envolvidos compensava a falta de meios. Lurdes Norberto era da mesma opinião, declarando à TV Guia que foi "um excelente trabalho, agradável, alegre...", apesar de algumas dificuldades e improvisos, como por exemplo no facto da jovem protagonista da história do Coelhinho Branco ter de interpretar a personagem sem fato. 

Eu recordo-me ainda do gag recorrente da série em que a jovem actriz volta e meia expressava a sua impaciência por representarem "A Branca De Neve", já que seria o seu momento de brilhar no papel da personagem titular. Como não podia deixar de ser, esse foi o último episódio (onde em vez de ser beijada pelo Príncipe, este simplesmente retira o pedaço de maçã que lhe entalava a boca), terminando tudo com a pequena actriz a exclamar "Ai, como é bom ser Branca De Neve!". 

Infelizmente os créditos do programa não indicavam os nomes dos jovens actores, pelo que não dá para saber como se chamava a aspirante a Branca De Neve ou os outros colegas. Se alguém sabe ou se alguns deste actores (que actualmente devem estar já na casa dos quarenta!) estiver a ler este texto, por favor queiram ter a amabilidade de nos contar como foi participar neste programa nos comentários ou no Facebook da Enciclopédia de Cromos.   

"Era Uma Vez…" está disponível no portal de arquivos da RTP


segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Fernanda Ribeiro campeã olímpica (1996)

por Paulo Neto

Cem anos depois dos primeiros Jogos Olímpico da Era Moderna em Atenas, os Jogos da XXVI Olimpíada tiveram lugar em Atlanta, capital do estado americano da Geórgia, entre 19 de Julho e 4 de Agosto de 1996




Um recorde de 10320 atletas de 197 países competiram nas vinte e seis modalidades. As antigas repúblicas soviéticas competiram todas como países independentes, bem como a República Checa e a Eslováquia. Entre outros países estreantes contaram-se as nações lusófonas de Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé & Príncipe, bem como a Palestina. O vólei de praia, o softbol e o ciclismo em BTT fizeram a sua estreia olímpica e houve pela primeira vez competição feminina no futebol, no triplo salto, na prova de espada em esgrima, assim como provas de grupos na natação sincronizada e na ginástica rítmica. Porém os Jogos seriam ensombrados por um ataque bombista na praça principal do evento, o Centennial Park, que matou duas pessoas. 

Portugal levou a sua maior comitiva de sempre até hoje com 106 atletas, incluindo uma equipa de futebol que incluía nomes como Nuno Gomes, Rui Jorge, Emílio Peixe, Daniel Kenedy, Calado, Dani, Beto, Costinha e Nuno Espírito Santo, marcando a primeira presença portuguesa num torneio olímpico de futebol desde 1928. Portugal acabaria por ficar em quarto lugar perdendo no jogo para o bronze contra o Brasil com uns humilhantes 5-0. A medalha esteve também muito perto na estreia do vólei de praia com a dupla Miguel Maia e João Brenha no quarto lugar. Entre outros resultados de relevo, houve o sexto lugar de Carla Sacramento nos 1500m e os sétimos lugares de Manuela Machado na maratona e de João Rodrigues na classe da vela Mistral. 

Porém, persistia a pressão mediática pelas medalhas que teimavam em não chegar e a poucos dias da cerimónia do encerramento, já se temia que, tal como em Barcelona quatro anos antes, Portugal saísse de Atlanta com as mãos a abanar. Até que no dia 1 de Agosto, Hugo Rocha e Nuno Barreto garantiram a medalha de bronze na vela (categoria 470), a primeira medalha olímpica para Portugal nesta modalidade desde 1960. Mas seria o dia seguinte a trazer um dos mais gloriosos momentos olímpicos de Portugal.


Maria Fernanda de Oliveira Ribeiro nasceu aos 23 dias de Junho de 1969 em Penafiel, crescendo na localidade de Novelas. Desde cedo revelou grande talento para as corridas e aos onze anos, surpreendeu tudo e todos numa corrida na Nazaré onde foi segunda apenas atrás de Rosa Mota. Quando aí lhe perguntaram se ela queria ser como Rosa Mota e Aurora Cunha, respondeu categórica: "Quero ser melhor que elas." Os seus primeiros Jogos Olímpicos foram logo os de Seul em 1988, ano em que se sagrou vice-campeã mundial júnior. Por lá e por Barcelona 1992, o seu desempenho foi discreto.       

Quando em 1993, João Campos se torna o seu treinador, o seu caminho para a glória começa a ser definitivamente pavimentado.  Em 1994, Fernanda sagrou-se campeã da Europa dos 3000m em pista coberta em Paris e dos 10000m ao ar livre em Helsínquia. Em 1995, bateu o recorde do mundo dos 5000m em Bruxelas e nos Mundiais de Atletismo desse ano em Gotemburgo, alcançou o ouro nos 10000m e a prata nos 5000m. Com estes pergaminhos, Fernanda Ribeiro assumia-se como a nossa maior possibilidade de uma medalha de ouro olímpica em Atlanta. 

Porém, o caminho até lá foi bastante espinhoso. Durante um estágio de preparação em Manaus, Fernanda começou a sentir fortes dores no tendão de Aquiles. Ao examiná-la, o médico da Federação de Atletismo lá presente declarou secamente que essa lesão terminava a sua carreira de atleta. Porém, o fisioterapeuta e o novo médico que o substituiu eram da opinião que não era bem assim, aconselhando-a a não desistir. Mas foi só de regresso ao Porto, com os tratamentos de Rodolfo Moura, o célebre massagista da equipa de futebol do FCP, entre os treinos, que a atleta recuperou o ânimo e os sonhos do ouro olímpicos.

E no dia de cerimónia de abertura dos Jogos de Atlanta, foi ela que encabeçou a entrada dos atletas lusos no estádio levando a bandeira de Portugal. Para os Jogos Olímpicos, Fernanda prescindiu dos 5000m, devido à lesão e ao calendário, preferindo focar-se nos 10000m. No dia 2 de Agosto de 1996, Fernanda Ribeiro foi uma das vinte atletas presentes em pista para a final dos 10000m. Também presentes estavam adversárias de peso, como as etíopes Gete Wami e Derartu Tulu, esta campeã dos Jogos de Barcelona 1992, as quenianas Tegla Laroupe e Sally Barsosio (que tinha sido medalhada de bronze dos Mundiais de 1993 com 14 anos!) e sobretudo, a chinesa Wang Junxia.

Wang foi uma das chinesas que desde 1992 esmagaram os recordes mundiais nas provas do fundo e meio-fundo, treinadas de forma ditatorial por Junren Ma, cujos métodos iam de castigos corporais a refeições de sopas de sangue de tartaruga e ensopado de cão. Em 1995, as atletas de Ma, fartas dos maus-tratos e não receberem os prémios monetários conquistados, revoltaram-se e deixaram-no, regressando à obscuridade. Apenas Wang Junxia, que em 1993 se tornou a primeira mulher a correr os 10000m em menos de 30 minutos, continuou sob a orientação de um novo treinador. Em Atlanta, Wang venceu os 5000m e apesar de apenas cinco dias de diferença entre as duas provas, apostava em fazer a dobradinha.

A irlandesa Catherina McKiernan tomou as despesas iniciais da prova, marcando o ritmo nos quatro quilómetros iniciais. Quando o passo abrandou a meio da prova, Fernanda Ribeiro e a espanhola Julia Vaquero decidiram ir para a frente e manter o ritmo rápido. Aos 600m do fim, Wang Junxia arrancou para a frente e chegou a ter uma vantagem de vinte metros sobre Fernanda. Na recta de meta, quando parecia que a portuguesa iria no máximo garantir a medalha de prata, Fernanda Ribeiro desferiu um formidável sprint à chinesa e cruzou a meta em primeiro lugar, num tempo de 31 minutos, 1 segundo e 63 centésimos, novo recorde olímpico. Wang ficou com a prata e Gete Wami da Etiópia com a de bronze. 


Fernanda Ribeiro entre Gete Wami e Wang Junxia


Estava assim garantida a terceira medalha de ouro olímpica para Portugal, a primeira fora da maratona. Fernanda Ribeiro deu a volta de honra ao estádio com uma bandeira de Portugal que lhe foi entregue pelo saltador à vara Nuno Fernandes. Mesmo com dificuldades a andar, Fernanda ainda comemorou com a delegação portuguesa no McDonald's da aldeia olímpica antes de se ir deitar e dormir o sono dos justos.



Meses depois, Fernanda Ribeiro foi a pé de Penafiel até ao santuário de Fátima para agradecer a recuperação que lhe permitiu sagrar-se campeã olímpica. Em 2012, esclareceu que não foi ela que fez a promessa mas sim o seu treinador João Campos e o massagista Rodolfo Moura, mas que cumpriu de bom grado.  

E o que foi de Wang Junxia após os Jogos Olímpicos? Em 1998, o governo chinês finalmente lhe entregou o Mercedes que ela tinha ganho como prémio da sua vitória nos Mundiais de cinco anos antes e em 2008, soube-se que vivia com o seu marido no estado americano do Colorado. Desde 2012, têm surgido documentos que alegadamente comprovam que afinal além do sangue de tartaruga e do ensopado de cão, Junren Ma obrigava as suas pupilas a tomarem substâncias menos "naturais"…

Já Fernanda Ribeiro continuou a somar medalhas em grandes competições e nos Jogos Olímpicos de 2000 em Sydney, ainda conseguiu a medalha de bronze, com aliás um tempo mais rápido do que aquele com que fora campeã olímpica quatro anos antes. Ainda correu nos Jogos de 2004 em Atenas e no seu último ano de competição em 2010, ainda foi terceira na meia-maratona de Lisboa. 




Thundercats (1985-88)

 

"ThunderCats". Quem não se recorda das lutas destes felinos liderados por Lion-O contra a terrível múmia Mumm-Ra que queria conquistar o mundo? Nos EUA estreou em 23 de Janeiro de 1985, e em Portugal passou nos nossos pequenos ecrãs com o nome “Os Super Gatos” em finais dos anos 80 na RTP1, mais concretamente desde o dia 1 de Novembro de 1988, substituindo "Histórias Fantásticas de Ray Bradbury" nas terças-feiras  à tarde. 
 
 No "Diário de Lisboa" de 29-10-1988, a programação para o dia em que estreou:
Na programação do jornal "Comarca de Arganil" está referenciado como "Thunder Cats":


O vídeo do genérico e a música ainda me arrepiam a espinha…
 


"Thunder! Thunder! Thundercats! Hooooo!"

 

No meio da década de 80, a série animada ultra-popular do He-Man e seus amigos musculosos estava no fim e ThunderCats emergiu como uma das alternativas a conquistar os fãs, e vender bonecos e merchandising, é claro.
Como vimos acima, começava com um genérico inicial bem dinâmico, fruto da animação do estúdio japonês "Pacific Animation Corporation" ("Silverhawks").
Outra vantagem sobre o He-Man é que tinha nudismo. Mais ou menos, porque no primeiro episódio, podemos ver Cheetara e os companheiros em pelota, afinal, os gatos não usam roupa (e geralmente não andam em duas patas e nem têm tecnologia avançada. 
 

Pelo menos os meus gatos só comem e dormem)... Mas depressa ficam púdicos e vestem-se a rigor para combater a múmia imortal Mumm-Ra e os seus mutantes malignos ao longo de 130 episódios repartidos por 4 temporadas. 

 
Em 2011 estreou uma maravilhosa série que recontava a história dos Thundercats para um público mais velho, mas infelizmente foi cancelada por baixas audiências. [Vídeo
Em 2020 foi arquitectada uma nova versão, direccionada a "bebés" que não consegui ver mais que 5 minutos. E teve o mesmo destino da de 2011, o cancelamento.


Mais recentemente consegui completar a colecção de calendários de bolso da Impala, que eu havia começado a juntar no final dos anos 80. Além dos calendários, existiu em Portugal a obrigatória caderneta de cromos, e os bonequinhos monocromáticos incrustados nos bolinhos de chocolate, que tantas saudades deixaram.
Não tirei fotos dos meus exemplares da colecção de monocromáticos, mas podem apreciar os da colecção de Paulo Fajardo (do podcast "VHS"):


Entre outros elementos da minha colecção pessoal de Thundercats, aprecio bastante estes pequenos PVCs que comprei na França:

Tenho também um storybook em versão britânica que hei-de partilhar noutra altura.


Um pequeno documentário com a história da criação dos Super Gatos, Thundercats:





Texto original publicado no Tumblr da Enciclopédia de Cromos: "ThunderCats" (1985-88)
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