terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Os Exploradores (1985)


"Explorers" - "Os Exploradores" em Portugal e "Viagem ao Mundo dos Sonhos" no Brasil (porquê?) estreou nos cinemas norte-americanos a 12 de Julho de 1985.
Incrivelmente, até consegue parecer credivel que miudos tenham construido uma nave espacial com um circuito, um computador e sucata. E é isso apenas a sinopse do filme.


Quase logo de início imagens do ataque dos marcianos no clássico "War of the worlds" toca numa TV no quarto de Ben, que entretanto têm um pesadelo em que flutua no que parece uma versão com gráficos melhorados do mundo computorizado de "Tron". Assim que desperta, desenha no papel um dos circuitos que viu no pesadelo e no dia seguinte mostra o desenho ao amigo inventor Wolfgang, que consegue construir um prótotipo funcional. E personagens nerds/geeks significam que inevitavelmente vai acontecer uma dose saudável de bulling em ambiente escolar. E é assim que o trindade fica completa, quando Darren defende Ben dos agressores e se junta ao grupo. Na cave de Wolfgang o aparelho consegue criar uma pequena bolha de um campo de força electromagnético, imune á inércia e que os rapazes mais tarde conseguem aumentar de tamanho para servir de transporte. Depois de resolverem o problema do oxigénio para respirar dentro da bolha, levantam voo rumo ao espaço a bordo da nave espacial que improvizaram com sucata em redor de uma cadeira de carrossel. E na cadeira, mas de realizador, esteve Joe Dante ("Piranha", "O Micro-Herói"), o "aprendiz de Spielberg" que no ano anterior entregou ás audiências os monstros mais queriduchos de sempre: "Gremlins". Consta que Dante em várias ocasiões terá mencionado que a versão que saiu para os cinemas não é a versão que ele desejava, mas a que lhe permitiram, com cenas cortadas e sem tempo para afinar as que ficaram. Recomendo este artigo do site "Branded in the 80s" que compara o filme e a novelização de George Gipe, que caracterizou com mais detalhe e menos pressa as relações entre os três rapazes, a familia, o bullie da escola e o crush de Ben, Lori: "George Gipe | Branded in the 80s".



Boa parte do encanto do filme está no carismático trio de protagonistas Ben (o primeiro filme de Ethan Hawke) o obcecado com ficção-cientifica, Wolfgang (River Phoenix, que devem recordar como o jovem "Indiana Jones" de "Indiana Jones e a Última Cruzada") o compenetrado jovem cientista e Darren (Jason Presson).


Mas a partir do momento que entram na nave dos ETs, apesar de alguma tensão inicial, perde-se o senso de aventura, e a curiosidade dá lugar á patetice que até parece pertencer a outro filme. Realmente, no interior da nave o que se passa é inesperado... mas não funcionaram para mim as piadas com os aliens obcecados com a TV terrestre. Apesar disso, é um bom divertimento. Além dos filmes que surgem na TV do protagonista, uma das várias referências a autores e trabalhos de ficção cientifica que reconheci foi o das imagens do filme projectado no drive in: "Starkiller", que é uma referência ao nome original de Luke Skywalker na Saga Star Wars.


Em criança eu teria adorado os primeiros 2 terços do filme, sempre fui um aspirante a engenhocas, sem jeito para trabalhos manuais e com poucos recursos e materiais para usar, mas quem sabe se não teria construído um foguetão no quintal.
O finalzinho é mesmo a preparar terreno para uma sequela, mas na época de estreia a atenção dos espectadores estava fora do grande ecrã, no Live Aid, e o filme saiu rapidamente das salas. Mais tarde, vendeu melhor quando saiu em video e foi-se tornando um filme de culto.


Publicado originalmente no blog CINE31: "Explorers (1985)".

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Raspadinhas Matutano

Que flashback ao ver as fotos que Hugo Fernandes publicou no Facebook das raspadinhas dos pacotes de snacks Matutano! (podem ver parte da colecção dele no artigo "A história do português que é viciado em brindes da Matutano").

Raspadinha "Rota da Sorte", tinhamos que seguir as setas para encontrar o prémio nesta espécie de labirinto.


Raspadinha "Jogo da Moeda":



Nunca fui grande fã de jogatana, e hoje desespero com as filas de aficcionados das raspadinhas que fazem filas nos quiosques, mas lembro-me tão bem de raspar com moedas de 20 ou 10 escudos, e ver aparecer por exemplo, as setas que me fazem lembrar os códigos para desbloquear segredos ou batotices ou golpes secretos nos videojogos. Acho que o melhor prémio que ganhei neste tipo de raspadinhas foi ganhar outro pacote Matutano! E na mercearia perto de casa onde comprava quando saia Cheetos que não gostava trazia dos pequenos de batatas fritas!
Tenho na minha colecção algumas raspadinhas Star Wars, da época que saiu o "Episódio 1 - A Ameaça Fantasma", mais tarde posto as fotos no blogue.
Muito obrigado ao Hugo Fernandes pelas fotos!


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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Miracle On Ice (Jogos Olímpicos de Inverno de 1980)

por Paulo Neto

A história acabaria por recordar os anos 80 como a década do triunfo do capitalismo americano e do colapso do comunismo. No entanto, quando os anos 70 se despediram dando lugar a essa nova década, a previsão de que a mesma iria acabar com a América em alta e o Muro de Berlim derrubado parecia quase inconcebível. Com o seu poderoso exército, as suas nações-satélites e estabilidade política, a União Soviética parecia levar vantagem no xadrez da Guerra Fria enquanto os Estados Unidos estavam a braços com diversas crises, da recessão financeira aos reféns americanos no Irão, parecia que nada estava a dar certo para a América. Ainda por cima, com o presidente Carter a decretar um boicote aos Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscovo devido à presença soviética no Afeganistão, a única oportunidade dos americanos sentirem algum orgulho no campo desportivo estava nos Jogos Olímpicos de Inverno nesse mesmo ano, a ter lugar em casa, em Lake Placid.
Mas ao contrário dos desportos de Verão, na altura os Estados Unidos não eram das maiores potências de desportos de Inverno, onde pontificavam as nações nórdicas e leste-europeias, estas últimas beneficiando do estatuto de "amadores-profissionais" dos seus atletas, que no papel eram amadores mas na realidade eram pagos pelo Estado. Era o caso da equipa de hóquei no gelo da URSS, composta teoricamente por "estudantes" e "militares" mas que na prática se dedicava exclusivamente à actividade desportiva, e que dominava então a modalidade de forma esmagadora ao passo que os hoquistas profissionais da Liga Americana estavam impedidos de competir nos Jogos Olímpicos, pelo que as equipas olímpicas americanas eram habitualmente formadas nos circuitos universitários. Mas no dia 22 de Fevereiro de 1980, uma jovem, inexperiente e desfavorecida selecção americana alcançou um feito impensável que entrou para o imaginário do país e que muitos americanos apontam como tendo sido o ponto de viragem na recuperação do orgulho americano e na revolução socio-cultural dos anos 80 que acabaria por ser decisiva na vitória da Guerra Fria.




Os 13.ºs Jogos Olímpicos de Inverno decorreram de 13 a 24 de Fevereiro de 1980 em Lake Placid. Esta pequena cidade montanhosa do estado de Nova Iorque já tinha acolhidos os Jogos de Inverno de 1932, mas 48 anos depois o evento tinha ganho proporções bem maiores, além das possibilidade organizativas de uma cidade tão pequena (cerca de 2500 habitantes). Houve vários problemas de logística desde espectadores que esperaram horas no gélido frio pelos transportes para os diferentes locais de competição à impossibilidade de não se poderem comprar bilhetes por vender porque as bilheteiras estavam em locais onde só aqueles que já tinham bilhetes podiam aceder! Os atletas também fizeram várias queixas às condições da Aldeia Olímpica, que mais tarde iria ser convertida numa prisão.
1072 atletas de 37 países, incluindo a União Soviética e seus aliados, competiram em 10 disciplinas de Inverno. A  RDA foi o país que conseguiu um maior número de medalhas e a URSS um maior número de ouros, mas as seis medalhas de ouro dos Estados Unidos acabaram por ser dois grandes motivos de orgulho nacional.



O patinador de velocidade Eric Heiden, que prestara o juramento olímpico na cerimónia de abertura, dominou toda a competição vencendo as cinco provas masculinos (500m, 1000m, 1500m, 5000m e 10000m), tornando-se no primeiro atleta a ganhar cinco medalhas de ouro individuais em Jogos Olímpicos (quer de Inverno, quer de Verão). Heiden virou-se depois para o ciclismo e chegou a participar na Volta à França de 1986. A sua irmã Elizabeth também ganhou uma medalha de bronze nos mesmo Jogos, na prova de 3000m femininos.



E depois houve a inacreditável história da equipa americana de hóquei no gelo. Herb Brooks, que fez parte das equipas olímpicas americanas de 1964 e 1968 (e que falhou por pouco a selecção olímpica campeã em 1960), foi o seleccionador que teve a hercúlea tarefa de transformar uma equipa jovem (a idade média rondava os 22 anos) e inexperiente num colectivo capaz de ombrear com as maiores equipas do momento. Nove dos vinte jogadores eram da equipa da Universidade do Minnesota, treinada por Brooks. Conhecido como "o Khoimeni do gelo", Brooks levou a cabo um rigoroso método e forte disciplina para criar a coesão na equipa rendilhada. Um dos seus métodos de selecção foi um questionário psicológico de 300 perguntas para avaliar a capacidade de resolução dos jogadores sob pressão. 




Mas as coisas não estavam fáceis, até porque na primeira fase os Estados Unidos mediam forças com as mais fortes selecções da Suécia e da Checoslováquia. No primeiro jogo, a Suécia ganhava 2-1 a um minuto do fim mas Brooks arriscou em abdicar do guarda-redes para colocar em jogo mais um avançado. A 27 segundos do fim, um golo de Bill Baker a 55m da baliza para o jogo terminar em empate. Contra a Checoslováquia (7-3), a Noruega (5-1) e a RFA (4-2), os Estados Unidos começaram o jogo a perder mas acabariam por assegurar a vitória. Aliás, de todos os sete jogos do torneio, foi apenas contra a Roménia que os Estados Unidos marcaram o primeiro golo. 
Com o segundo lugar do grupo, os Estados Unidos apuraram-se para a poule de atribuição das medalhas com Suécia, Finlândia e União Soviética. Uma vez mais, os americanos empataram 2-2 contra a Suécia. Mas as expectativas estavam ao rubro no jogo com a URSS, com o recinto de 8500 lugares totalmente lotado e repleto de bandeiras americanas. 

Em princípio, este jogo parecia um confronto entre Davids americanos contra Golias soviéticos. Para terem uma ideia, entre 1964 e 1976, a União Soviética ganhou os quatro torneios olímpicos, vencendo 27 dos 29 jogos disputados, com 175 golos marcados e apenas 44 sofridos. E na preparação para os Jogos de 1980, não só esmagaram 10-3 a selecção olímpica americana num jogo de exibição como também ganharam à equipa all-star da liga profissional americana! Além disso, a URSS vinha de cinco vitórias fáceis no seu grupo. O treinador soviético estava tão confiante que prescindiu do guarda-redes Vladislav Tretyak (tido como um dos melhores guarda-redes de sempre da história do desporto) por Vladimir Malyshin no início da segunda parte. E para não destoar, a URSS marcou primeiro e vencia por 3-2 à entrada para a 3.ª parte. 




Mas nesse dia 22 de Fevereiro de 1980, com toda a nação já a par do percurso da equipa americana e acompanhar o jogo pela televisão (que curiosamente não foi transmitido em directo), o destino pareceu estar do lado das estrelas e listras. Animados por só estarem a perder por um golo a 20 minutos do fim, os americanos sentiam que a reviravolta era possível. E assim foi. Mark Johnson empatou, o capitão Mike Eruzione virou o marcador e o guarda-redes Jim Craig defendeu todos os contra-ataques soviéticos (39 defesas durante todo o jogo) até ao apito final. Ao que o comentador Al Michaels exclamou "Acreditam em milagres? SIM!" E assim acontecia o "Miracle On Ice" diante dos olhos de toda a América, eufórica por tão grande proeza no meio de tanta crise. Ainda hoje, tal como o assassinato do Kennedy e o 11 de Setembro, há quem pergunte nas terras do Tio Sam: "Onde é que estavas durante o Miracle On Ice?"



No entanto, tudo ainda estava a aberto. Dois dias mais tarde, havia o jogo final contra a Finlândia e uma derrota significava ainda a vitória da URSS e o terceiro lugar para os Estados Unidos. E os finlandeses estavam interessados em estragar a festa pois se perdessem ficavam fora das medalhas. E uma vez mais, os Estados Unidos entraram no terceiro tempo em desvantagem (2-1). Mas golos de Phil Verchota, Rob McClanahan e Mark Johnson fixaram o resultado em 4-2 e o ouro olímpico ia para os Estados Unidos. Enquanto os seus colegas abraçavam-se uns aos outros no ringue, o guarda-redes Jim Craig foi procurar o seu pai. Em 1992, Craig disse que ainda recebia 600 cartas de fãs a cada ano.

Em 1999, a revista Sports Illustrated considerou o "Miracle On Ice" como o acontecimento desportivo do século XX.  



Quando os Jogos Olímpicos de Inverno regressaram aos Estados Unidos em 2002 em Salt Lake City, foram os membros da selecção de hóquei no gelo no 1980, vestidos com os seus equipamentos, que acenderam a chama olímpica. Nesses mesmos Jogos, Herb Brooks treinou a equipa americana que ganhou a medalha de prata, a primeira medalha americana no hóquei no gelo masculino desde 1980. 
Infelizmente, Herb Brooks faleceria num acidente de viação no ano seguinte. Em 2005, o ringue onde se desenrolou o torneio olímpico de 1980 recebeu o nome de Herb Brooks Arena.



Logo em 1981, houve um telefilme sobre o "Miracle On Ice" com Steve Guttenberg no papel de Jim Craig. Em 2004, a Walt Disney produziu o filme "Miracle" com Kurt Russell no papel de Brooks.





O último minuto do jogo EUA-URSS:


Reportagem do Olympic Channel:




Trailer "Miracle" (2004):








quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Campanha Telecel (1998)



Em 1998 ainda faltavam alguns anos para os telefones portáteis chegarem à minha casa de família, mas em finais dos anos 90 a nossa televisão já estava repleta de publicidade ás possíbilidades dessas pequenas engenhocas que pareciam ficção científica pouco mais de uma década antes mas que aos poucos entraram na vida dos portugueses.
O reclame televisivo mais famoso relacionado com telémoveis será sem dúvida o "Tou xim? É pra mim!", mas graças ao Facebook de Herman José pude rever as publicidades que o artista protagonizou (em dose dupla,  ou tripla, em cada anúncio, a Maria e o Manel) para a Campanha Telecel de 1998. Na época, Herman estava em grande, com a genial "Herman Enciclopédia" no ar.


Está disponível no Canal de Youtube do Herman a compilação desses reclames, que têm como cenário comum diversos quartos de casal pelo país fora:



Que viagem no tempo! 1998 não parece ter sido há muito, mas já passaram 20 anos! Com locução de Jaime Fernandes, estes anúncios - para o panorama nacional da época, e mesmo o actual - estão muito bem produzidos e executados.


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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Chupa-chupas com espadas e espingardas


Não sei quem terá tido a ideia de lançar no mercado chupa-chupas (pirolito no Brasil) onde em vez do tradicional cabo simples, o rebuçado era colocado na extremidade de espadas ou espingardas em miniatura, feitas em plástico opaco ou semitransparente. Portanto, além de suportes para a petizada agarrar, tinham vida posterior como brindes. 

Fonte: "Tesouros da Infância".
Além das espingardas ou espadas, de vários estilos e modelos, creio recordar-me também de pás e guitarras, instrumentos ou o quer que se conseguisse representar num pausinho. Aposto que começou como forma de aproveitar palitos de cocktail. Ou vice versa? Um especialista em brindes que comente!
Falando por mim - e imagino que por muita petizada do século XX - além do mero acto de coleccionar os modelos diferentes, estes brindes eram muito úteis para armar as figuras de acção para as nossas brincadeiras. Quem diz que o He-Man não podia usar uma Metralhadora?!
Como não sobreviram nenhumas das que tive na minha posse, socorri-me de imagens online para ilustrar o post. E como tinha impressão, já existiam pelo menos na infância dos meus pais. Até acho que me recordo primeiro destes brindes do que os singelos pausinhos como os da Chupa-Chups por exemplo.

Fonte: "Tesouros da Infância".

O blog "Tesouros da Infância", de Francisco Palhinhas dos Santos, tem várias fotos de muitos exemplares dos anos 60: "Brindes dos Chupas, Anos 60, Portugal - Tesouros da Infância"
Hoje ainda vemos algo do género naqueles palitos para segurar os croquetes e rissóis nas festas:

Os nossos leitores também partilharam fotos das suas colecções, como esta imagem enviada para Página do Facebook pela leitora Ana Isabel Maia:

Ou estas, de Jose Quesado:



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domingo, 4 de fevereiro de 2018

Máscaras de Carnaval


As Máscaras de Carnaval, ainda actualmente existem em grande variedade, nomeadamente as de borracha, mas hoje quero recordar aquelas máscaras de plástico quase tão finas e frágeis como uma folha de papel, seguradas na cara do folião com um simples fio elástico, furinhos para os olhos e nariz, e ás vezes para a boca. 

A foto não é do Carnaval, e sim do Halloween americano, mas o efeito era o mesmo. No entanto, não me recordo de por cá as máscaras serem habitualmente vendidas junto com disfarce.

Tigres, macacos, Inspector Gadget ou Ulisses 31 (Estas imagens vieram de sites franceses, mas não me admira que algumas tenham sido comercializadas por cá)

Um pouco o upgrade daquelas que faziamos na escola em cartolina, igualmente presas com esses elásticos fininhos. Também se vendiam máscaras em cartão, mas acho que as de plástico em relevo eram mais interessantes, e tenho impressão que as vi ressurgir nas lojas do chineses.





Os temas incluiam figuras conhecidas dos desenhos animados ou banda desenhada, personagens e monstros de filmes de terror, figuras mais genéricas como palhaçõs, indios e cowboys dos westerns, etc.
No meio de piratas, diabos, bruxas, vemos por exemplo ALF, a Coisa do Outro Mundo.


Vários animais junto á bruxa, palaço, caveiras, etc.
O único tipo de máscara que recordo usar no Carnaval foi a mascarilha do Zorro, mas lembro-me que nunca gostei daquelas estilo Carnaval de Veneza, mas ficava fascinado com algumas dessas simples máscaras em plástico que via á venda. 





Na retrosaria da minha tia ela teve por exemplo do Snoopy, ou uma do Ultraman, que só passado muitos anos reconheci a figura quando a RTP deu alguns episodios da clássica série japonesa. Na altura devo ter pensado que era da Guerra das Estrelas!

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O Milagre da Rua 8 (1987)

por Paulo Neto

Filmes que eu vi na "Sessão da Noite", o espaço de cinema da RTP às sexta-feiras à noite no início dos anos 90 - Capítulo 728:
Lembro-me que quando este filme estreou em Portugal em Julho de 1988, eu ter achado muito piada aos pequenos robôs extraterrestres que se viam nos trailers e cartazes do filme e ter ficado com curiosidade para ver o filme. Contudo, tal só se concretizou uns anos mais tarde quando o filme passou na RTP no espaço acima referido.



"O Milagre da Rua 8", no original "Batteries Not Included", foi realizado por Matthew Robbins, tendo estreado na América na quadra natalícia de 1987. Trata-se de uma comédia de ficção científica sobre um grupo de pequenos robôs vindo do espaço que travam amizade com os habitantes de um prédio no East Village nova-iorquino. A história foi inicialmente pensada para um episódio da série "Contos Assombrosos" mas Steven Spielberg gostou tanto da ideia que a sua produtora decidiu antes avançar para um filme. Um dos argumentistas e produtores foi Brad Bird, actualmente conhecido como realizador de filmes de animação como "Os Incríveis" e "Ratatouille". 



Entre as pessoas que vivem num prédio antigo da Rua 8 em Nova Iorque, contam-se: o casal idoso Frank (Hume Cronyn) e Faye Riley (Jessica Tandy) que são os administradores do prédio e donos do café ; Marisa Esteval (Elizabeth Peña), uma jovem grávida de um músico em digressão; Mason Baylor (Dennis Boutsikaris) um artista frustrado; e Harry Noble (Frank McRae) um pugilista retirado que ganha a vida a fazer todo o tipo de consertos e reparações.



Lacey (Michael Greene), um empreiteiro sem escrúpulos, pretende demolir o prédio para levar a cabo o seu novo projecto de construção de um bloco de arranha-céus e tenta subornar os residentes para se irem embora. Alguns como Sid Hogenson (Tom Aldredge) e a sua esposa Muriel (Jane Hoffman), amigos de longa data dos Riley, aceitam o dinheiro e vão-se embora. Mas como os Rileys, Marisa, Mason e Harry recusam-se a sair, Lacey contrata Carlos (Michael Carmine) líder de um gang para intimidá-los, ameaçando-os e causando todo o tipo de estragos. Essa é a gota de água para Pamela (Wendy Schaal), a namorada de Mason, que vai-se embora farta de viver num prédio antigo e da carreira dele não ir a lado nenhum. Perante os vandalismos no café e a crescente debilidade mental de Faye (que confunde Carlos com o seu falecido filho Bobby), Frank considera também ir-se embora.




Mas certa noite, dois pequenos extraterrestres em forma de robô chegam ao prédio e consertam o café dos Riley. O casal de robôs rapidamente trava amizade com os residentes do prédio que lhes chamam de Fix-Its. Não só os Fix-Its reparam todos os estragos e ajudam na cozinha do café dos Riley como também afugentam Carlos quando ele vem para novas ameaças.
A Fix-it fêmea está grávida e dá à luz três crias, mas uma delas nasce já morta. Porém Harry consegue consertá-la e trazê-la à vida. Enquanto isso, nasce um romance entre Marisa e Mason.



Tudo parece perdido quando não só os Fix-Its decidem partir quando Carlos ataca o Fix-It pai e a segurança dos Fix-It filhos fica em risco como um cada vez mais impaciente Lacey contrata um incendiário, Kovacs (John Pankow), para dar cabo do prédio de uma vez por todas. Surpreendentemente, é Carlos quem salva Faye do incêndio e quando o prédio fica em escombros, o milagre acontece com milhares de Fix-Its a restaurá-lo de novo, acabando para sempre com os planos de Lacey.

Casados desde 1942, Hume Cronyn e Jessica Tandy voltaram a fazer de casal num filme dois anos após "Cocoon - A Aventura dos Corais Perdidos". Tandy ganhou o prémio Saturn para Melhor Actriz neste filme. 

Trailer:


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Estude-o (1988-89)

por Paulo Neto

Vários anos antes de Jesus Cristo ter reparado em Alexandra Solnado e ter pensado: "É precisamente esta pessoa que eu quero para canalizar a minha veia literária!", a filha de Raúl e mãe de Joana Solnado tinha-se notabilizado por apresentar dois programas infanto-juvenis da RTP nos anos 80: "Jaquitá" e "Estude-O".



Este último da autoria da própria Alexandra Solnado e do seu então marido Rui Madeira, era dirigido aos jovens que frequentavam o actual ensino secundário (10.º a 12.º ano). E era sem dúvida um programa que estimulava os conhecimentos e a criatividade dos jovens estudantes (algo raro ou nunca visto na televisão actual). Segundo o site "Brinca, Brincando", o Ministério de Educação enviou boletins de inscrições para o programa a todas as escolas secundárias do Continente e das Regiões Autónomas, tendo as 24 equipas que concorreram ao programa sido escolhidas por sorteio. 
"Estude-O" teve 14 emissões, transmitidas aos domingos ao início da tarde entre 6 de Novembro de 1988 e 26 de Fevereiro de 1989, gravadas nos estúdios da RTP Porto nas quintas-feiras antes do respectivo domingo onde eram exibidas. A primeira foi uma sessão experimental para explicar a dinâmica do concurso, as doze seguintes punham duas equipas de diferentes escolas num head to head e a última foi uma final entre as duas equipas que tiveram a maior pontuação ao longo dessas doze sessões. (Se não me falha a memória, a vitória final foi para a Escola Secundária de Pombal). Cada sessão tinha também um convidado musical. O genérico com a mascote do programa - um mocho - bem como os diferentes segmentos antes de cada prova estavam a cargo do lendário Álvaro Patrício

O David Martins deu-me a conhecer através do Anuário da RTP de 1988 quais foram as escolas que participaram nas primeiras cinco emissões e os respectivos convidados musicais: 

1.ª Sessão (experimental) 6/11/1988: Escola Fontes Pereira de Melo (Porto) vs Escola Soares dos Reis (Vila Nova de Gaia) - Café Lusitano e Rádio Macau
2.ª Sessão 20/11/1988: Monção vs. Santiago do Cacém - Johnny Johnny
3.ª Sessão 27/11/1988: N.º 1 de Loures vs. Valongo - Mafalda Veiga
4.ª Sessão 4/12/1988: Santa) vs. Pontinha - Ban
5.ª Sessão 11/12/1988: Escola D. Duarte (Coimbra) vs. Santa Maria do Olival (Tomar)

O júri residente do programa que avaliava todas as provas (excepto Qual A Pergunta e Troféu) atribuindo cada elemento uma pontuação de 1 a 10 era composto por Paulo Fernando, Clara D'Ovar e Fernando Costa. Não consegui informação sobre os elementos masculinos mas descobri que Clara D'Ovar (de seu verdadeiro nome Leolina Simões e tendo adoptado como nome artístico o seu segundo nome e a cidade onde nasceu) foi uma actriz e cantora que fez carreira entre Portugal e França, tendo falecido em 2002. 

Paulo Fernando, Clara D'Ovar, Fernando Costa


No YouTube está disponível na íntegra a 4.ª transmissão do programa, exibida a 4 de Dezembro de 1988, que opunha uma equipa da Escola Secundária de Santa Maria da Feira (Fátima Manta, Armando Gomes e Elsa Maria Sousa) contra a Escola Secundária da Pontinha (Alcides Semedo, Ana Ferreira e Sandra Leal) e é através dela que vamos analisar as várias provas do programa. Os convidados musicais desta sessão eram os Ban, liderados pelo actual presidente do Boavista.



Qual a Pergunta?
Nesta prova, Alexandra Solnado lia uma resposta e, conforme indica o nome, cada equipa tinha que adivinhar qual era a pergunta correspondente a essa resposta. Na primeira ronda, as respostas/perguntas eram de cultura geral ao passo na ronda seguinte eram sobre matérias dadas nas diferentes disciplinas lectivas do ensino secundário.


Prova Livre
Como o nome indica, é a prova em que os membros de cada equipa podiam dar largas à sua imaginação utilizando os recursos disponibilizados pela RTP para um segmento filmado de três minutos.
Nesta emissão, a equipa da Pontinha decidiu fazer uma transmissão especial do TV Rural dedicada a esse milagre da horticultura de rosas em Janeiro nos tempos de D. Dinis enquanto Santa Maria da Feira optou por uma entrevista no programa "Estúdio da Perdição" a uma bem atrevida Inês de Castro (onde não faltou uma alusão à censura ao programa "Humor de Perdição" por causa de um sketch de uma entrevista histórica). 
Lembro-me que numa sessão posterior do programa, chegou a haver uma equipa que fez como Prova Livre uma paródia ao próprio programa ("Estude-Um"), com as provas "Qual A Resposta" e "Segunda Página"

Teledisco
Nesta prova, cada equipa grava um teledisco a ser filmado na respectiva escola ou nas imediações por uma equipa de televisão, estando também encarregues de orientar a montagem.
Uma vez que Alcides, concorrente da equipa da Pontinha, era de raça negra, o teledisco da sua equipa passava uma mensagem contra o racismo e o bullying. Já a equipa de Santa Maria da Feira procurou capturar aquela sensação tão pungente a todos aqueles que são e foram estudantes que são aqueles momentos de seca durante as aulas.

Interrompemos esta emissão para uma pausa publicitária. Primeiro com anúncio informativo do Ministério das Finanças sobre o IRS (adoro o plano do homem ao computador com cachimbo na mão) e uma promoção da RTP à transmissão do Festival de Rock de Montreux com uma actuação das Bananarama.

Culinária
Cada equipa explica e executa uma receita culinária num decor de cozinha.
A equipa da Pontinha apresentou um "peixe do rio à moda das lavadeiras de Caneças" e a de Santa Maria da Feira um "arroz com natas".   

Primeira Página
Em alusão ao programa do mesmo nome então exibido na RTP conduzido por Margarida Marante, a prova recriava um programa de informação e entrevista em que um elemento de cada equipa encarnava uma personagem histórica. Ana, da equipa da Pontinha, fez de Luís de Camões e Armando, da equipa de Santa Maria da Feira, de Fernando Pessoa.


Troféu
A prova mais física do programa, onde num recinto com lama, os membros de cada equipa terão de apanhar um leitão e levantá-lo ao ar. A prova termina quando o leitão tiver as quatro patas fora do chão. A equipa que demorava menos tempo a levantar o leitão ganhava 10 pontos (neste caso, Santa Maria da Feira). 

Telenovela
Cada equipa tem de recriar um episódio de uma telenovela ("Doce Lar" sobre a família Pessoa dona de uma mercearia: a mãe Perpétua, o pai Provisória e o filho Fernando), de preferência pegando na continuidade deixada pelas equipas da emissão anterior. Além dos três membros de equipa mais três colegas de escola podem fazer parte do episódio. A equipa da Pontinha lançou suspeitas sobre a paternidade do Fernando quando um casal grã-fino entra na mercearia enquanto Santa Maria da Feira aprofunda o mistério de um fiscal desaparecido.

No final, a vitória nesta sessão com larga margem foi para a Escola Secundária de Santa Maria da Feira.

Algumas observações ao rever este programa:
- O júri era muito exigente! Como podem ter comprovado, eles não douravam pílulas, não se coibiam de apontar o que tinha corrido mal nas provas e apenas Clara D'Ovar deu uma pontuação acima dos cinco pontos (em dez).  
- Alexandra Solnado era boa apresentadora! Sim, também ela ostentava o look de funcionária de repartição de finanças que era comum às apresentadoras da RTP nos anos 80, mas conduzia o programa de forma segura e eficaz e tinha uma óptima interacção com os jurados, conseguindo que eles abandonassem um pouco a formalidade da sua função.  

Agradeço ao site Brinca Brincando pela informação e pelas imagens utilizadas neste texto e a Pedro Severino por ter colocado o vídeo da sessão descrita no YouTube. 



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