terça-feira, 2 de agosto de 2016

Carlos Lopes campeão olímpico (1984)

por Paulo Neto

Já falámos aqui há dias dos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles, a propósito da primeira maratona feminina olímpica onde Rosa Mota foi uma das ocupantes do pódio. Com a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro esta semana e a notícia do falecimento do Professor Mário Moniz Pereira, impõe-se um regresso a esses Jogos da 23.ª Olimpíada e recordar aquela que é uma das páginas mais gloriosas do desporto português.



Os Jogos Olímpicos de 1984 foram bastante decisivos para o Movimento Olímpico. Com as últimas edições a serem marcadas por boicotes e outras influências políticas, pesadas facturas financeiras e até mesmo um acto terrorista em 1972, havia cada vez menos interesse em cidades e países acolherem uns Jogos Olímpicos. Aliás, além de um efémero interesse por parte de Teerão, Los Angeles foi a única cidade candidata aos Jogos de 1984, pelo que organizou o evento pela segunda vez, após ter-se estreado em 1932.
Entendendo que a viabilidade económica dos Jogos Olímpicos passava por aí, o comité organizador liderado por Peter Ueberroth desenvolveu várias parcerias com empresas patrocinadoras, como por exemplo a Coca-Cola e a MacDonald's, minimizou os custos de construções das infraestruturas e negociou contractos de direitos de transmissão televisiva. Como tal, os Jogos Olímpicos de Los Angeles foram os primeiros economicamente lucrativos e esse sucesso suscitou as ambições de cidades um pouco por todo o mundo em também serem cidades olímpicas.
Além disso foram os primeiros Jogos onde as portas foram abertas aos atletas profissionais: por exemplo os futebolistas profissionais que nunca disputaram um Mundial de Futebol podiam ser convocados para a selecção olímpica do seu país.


Em retaliação ao boicote de liderado pelos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980, a União Soviética e os seus países aliados boicotaram os Jogos de 1984, com a notável excepção da Roménia, cuja delegação foi das mais aplaudidas na cerimónia de abertura. Ainda assim, um número recorde de 140 países marcaram presença, incluindo a República Popular de China pela primeira vez desde 1952. Além da maratona, houve pela primeira vez provas exclusivamente femininas no tiro e no ciclismo, bem como a estreia olímpica da ginástica rítmica e da natação sincronizada.
Portugal esteve representado por 39 atletas e obteve em Los Angeles a sua melhor participação olímpica até então, conquistando três medalhas. Tal como Rosa Mota na maratona, António Leitão conquistou a medalha de bronze nos 5000m numa corrida em que ele e Ezequiel Canário dominaram por bastante tempo. Outros bons resultados foram o 6.º lugar de Aurora Cunha nos 3000m e o 7.º lugar de Alexandre Yokochi nos 200m bruços, que se mantém como a única presença de um português numa final olímpica de natação. A única grande decepção foi Fernando Mamede, que semanas antes batera o recorde mundial dos 10000m, mas que mais uma vez cedeu à pressão psicológica que o assaltava em grandes competições e abandonou a corrida.

António Leitão ganhou a medalha de bronze nos 5000m

Mas o ponto alto da participação nacional estava marcado para o último dia e para a derradeira prova dos Jogos de Los Angeles. 107 atletas de 59 países apresentaram-se na linha de partida para a maratona olímpica aos 12 dias de Agosto de 1984. Mesmo com o boicote de Leste, o contingente era bastante forte, mas havia três favoritos principais: o australiano Robert de Castella, campeão do mundo em 1983, o japonês Toshihiko Seko que não perdia uma maratona desde 1979 e o americano Alberto Salazar que vencera três vezes consecutivas a maratona de Nova Iorque. Porém nenhum deles chegou às medalhas. (Castella foi quinto, Seko 14.º e Salazar 15.º).





Carlos Lopes, que já tinha uma medalha de prata olímpica em 1976 nos 10000m, tinha então 37 anos e só completara antes apenas uma maratona, a de Roterdão em 1983, onde perdeu apenas para De Castella. Duas semanas antes da sua partida para Los Angeles, Lopes foi atropelado por um Mercedes-Benz quando treinava na Segunda Circular, mas felizmente escapou praticamente ileso. Aos 37km, o português seguia na frente juntamente com o irlandês John Treacy e o britânico Charles Spedding quando desferiu um ataque à liderança que não mais largou. Carlos Lopes cortou a meta ao fim de 2 horas, 9 minutos e 21 segundos, um recorde olímpico que durou até 2008. Treacy foi segundo e Spedding terceiro. A única outra maratona que Lopes venceu foi a de Roterdão em 1985 onde bateu recorde do mundo. Lopes venceu somente duas maratonas na sua carreira, mas que duas!







Charles Spedding (GBR) e John Treacy (IRL)

Foi portanto em plena cerimónia de encerramento, ao fim de 16 dias de glória em terras californianas, que pela primeira vez um atleta português recebeu uma medalha de ouro olímpica e ouviu-se "A Portuguesa" em solo olímpico. Embora tradicionalmente a cerimónia protocolar da maratona masculina seja a última dos Jogos Olímpicos, Carlos Lopes não foi o último campeão olímpico de 1984 a ser condecorado, pois logo a seguir, numa daquelas patriotices à americana, teve lugar a cerimónia protocolar numa prova de hipismo, ganha por um americano, onde os medalhados entraram montados a cavalo no Coliseu de Los Angeles.



Ao longo dos mais de 42 quilómetros da maratona e no momento de consagração, não foi apenas o Carlos Lopes natural de Vildemoinhos (Viseu) que correu e que subiu ao pódio para receber o ouro, mas sim todo um país então pouco habituado a vitórias, desportivas e não só. Foi também a confirmação dos frutos semeados pelo trabalho do Prof. Mário Moniz Pereira, que como técnico do Sporting, revolucionou o atletismo nacional (para não dizer mesmo o desporto português em geral) e forjou atletas excepcionais como Lopes, Mamede e os gémeos Domingos e Dionísio Castro, provando que com as condições e as orientações certas para treinar e a mescla acertada de talento, disciplina e trabalho duro, os atletas portugueses eram capazes de feitos tão gloriosos quanto os dos outros países. E desde então têm sido vários os atletas nacionais a encher o nosso país de orgulho, nomeadamente em solo olímpico.  

Mário Moniz Pereira (1921-2016)







Momentos finais da maratona masculina:






Paródia à vitória de Carlos Lopes em "Os Simpsons"





sábado, 30 de julho de 2016

Coisas Irritantes dos Anos Cromos





É comum ver muitos textos ou expressões de nostalgia que por vezes são confundidos como saudosismo.
Mas, obviamente nem tudo "no antigamente" era bom, como hoje e sempre. E já algum tempo que me dediquei a compilar alguns desses incómodos, chatices, que originavam problemas maiores ou menores ou simples irritações momentâneas. Comecei por indicar as que senti na pele, depois anotei queixas recorrentes e conto com os nossos leitores para ampliar esta lista.
Apresento então em seguida uma lista de coisas quotidianas em outros tempos que já não afligem as gerações actuais ( ou pelo menos da forma que incomodava antes).


CHATICES TECNOLÓGICAS:
    Falhas de energia; prolongadas e com reparações à hora dos desenhos animados!


    Discos riscados, ou quando saltava a agulha. Pior, quando descobriam que o vosso disco favorito dos Baltimora foi partido pelo vosso irmão mais novo que andou a jogar frisbee.

    O drama quando o leitor de vídeo ou o leitor de cassetes de música comiam ou partiam as fitas. Se não ficassem inutilizadas sempre podíamos usar um lápis ou uma caneta para as enrolar...

    Quando o animador da radio falava por cima da musica que estávamos a gravar. Lembro-me de insultar a viva voz o locutor da Rádio Cidade depois de minutos em espera com o dedo no botão do "Rec" para gravar os singles do Godzilla de 98 e ver a gravação interrompida com conversa. Não era fácil ser pirata.

    Ter que rebobinar cassetes para encontrar cena do filme ou musica especifica. Ou pior, trazer a cassete do clube de vídeo e não estar rebobinada!
    Quando a cassete não dava para gravar o filme ou disco inteiro!!
    Querer alugar "aquele" filme e não estar disponível nenhuma cópia.

    Tirar fotografias. Além de caro era demorado, tanto as foto passe como as caseiras. 
    A ansiedade de esperar até acabar o rolo para as poder revelar.
    Ir revelar as fotos (com rolos no máximo de 36!) e saírem fotos desfocadas, com um dedo na frente ou o jackpot de uma dupla exposição!
    O Spectrum a carregar os jogos durante uma eternidade. Nunca tive Spectrum mas tive que esperar com ansiedade na casa de um amigo que o Comando carregasse... Pior ainda, se desse erro de carregamento!

    Não poder salvar o progresso dos jogos.  O Sonic ficava sem vidas quase no fim do nível? Começavas tudo de novo!

    Deixar cair uma caixa de disquetes ao chão. E teres que voltar a repartir o conteúdo por mais 25 disquetes novas.
    Telefone de disco. Não tinha sido mais fácil inventar logo com os botões?

    E quando acabava a chamada nas cabines públicas por falta de moedas?
    Já em finais dos 90, com a Internet em casa, com o modem a demorar séculos a estabelecer a ligação com aquele som de perfurar tímpanos.

    Receber uma conta enorme da Internet...Mãe, juro que não fui eu...

    CHATICES TELEVISIVAS:

    Moscas na TV, interferências, o vento mexer a antena. Pesadelo distante para a geração da TV de alta definição.



    Levantar o rabo do sofá para mudar de canal. Apesar de existirem "lá fora" desde os anos 50, imagino que boa parte dos portugueses só lá para os anos 90 teve um comando remoto para a televisão.



    Quando a programação não tinha 24 horas,  que era chato para quem sofria de insónias ou acordava muito cedo.
    "Problemas técnicos" que causavam os enchimento de chouriço com videoclips, ou desenhos animados ( que quando os problemas eram resolvidos eram impiedosamente interrompidos).

    Esperar pelo fim da mira técnica (apito irritante, até começar música) e esperar pela abertura. Odiava Formula 1 aos Domingos ou programas especiais no lugar dos bonecos.
    Actividades ou imprevistos à hora dos desenhos animados (Sábados e Domingos principalmente) ou alguma coisa especial. Porque nem toda a gente tinha gravador VHS - ao contrário da popular belief - e perder um programa podia significar ficar sem saber como acabava uma série adorada, que podia nunca mais repetir na TV. Não podíamos correr para o Youtube ou voltar com a TV atrás. Como eu odiava as minhas aulas de ginástica ao sábado de manhã!
    Sintonizar os diferentes canais. Passava horas a tentar sintonizar o melhor possível os canais espanhóis, cheguei a apanhar 11 no total.
    Quando o guia TV estava errado. O drama, a tragédia, o horror!
    Quando o teu favorito perdia no "Agora Escolha"... Em compensação sempre tinhas visto uma bonecada enquanto esperavas.
    O suspense do final do "1,2,3" era insuportável. O carro? A casa? Um contentor de 1000 martelinhos de S. João?
    Esperar cerca de dois anos para rever um filme na TV, só tive VHS no final dos anos 90, portanto na maioria da juventude restava-me esperar..


    MODAS IRRITANTES. OU PARVAS:
    Calças de flanela e outros tecidos que picavam a pele.
    Casacos de penas. No gélido Algarve também foram moda...
    Fatos de treino berrantes. Porquê?

    Enchumaços no ombros. Porquê senhoras, porquê?

    Cabelos armados, permanentes e guedelhas. Por todo o lado se viam clones da Margaret Tatcher, das senhoras do Dallas ou do guedelhudo MacGyver!






    CHATICES ESCOLARES:
    Ser o caixa-de-óculos da turma. Tenho impressão que hoje em dia quase 90% dos miúdos é míope.
    Comprar toneladas de material para trabalhos manuais que nunca usavas. Gostava de usar o picotador, mas quase nunca acontecia. E no ano seguinte, toca a comprar tudo outra vez! (Actualmente, desconheço se continua a acontecer).
    Cantar o hino nacional na escola, entre outros resquícios do tempo da "outra senhora"...
    Castigos corporais na escola. Felizmente só apanhei com uma cana ao de leve na cabeça, por estar distraído. Mas fui testemunha de uma professora partir uma grossa régua de madeira escura na mão de um colega.

    Fazer trabalhos escolares à mão. Ou escrito à máquina. Tudo a correr bem, e no último parágrafo da página enganavas-te e começava tudo de novo. Abençoados computadores com corrector ortográfico!




     CHATICES AVULSAS:
    A praga da Macarena. Do Samba. E do....enfim, já perceberam....

    Não conseguir completar a colecção de cromos. Só saia repetidos e não tinhas dinheiro ou não ias a
    tempo de encomendar os que faltavam...
    Ir ver o KITT numa exposição e não ter uma fotografia para recordar!
    Resistir as borrachinhas e coisas com cheirinhos e aspecto apetitoso que davam vontade de comer, mas que se tinhas mais de 3 anos e não eras idiota sabias que não devias ingerir... 

    A chatice de passar a fronteira. Nas viagens a Ayamonte ao regressar ao barco primeiro tinha que se passar a revista em busca de tabaco, e outros contrabandos...
    Não conseguir completar o Cubo de Rubbik ( e deprimentemente descolar os autocolantes para  parecer que sim. Não fui eu. contaram-me.)

    O buraco do ozono. Ele queria destruir-nos mas parece que conseguimos fechá-lo. Valeu a pena deitar fora o frigorífico velho e as latas de laca da mãe...

    O receio da bomba atómica e que a Guerra Fria descambasse num Holocausto Nuclear.


    Consumia-se tabaco em todo o lado. Ninguém, crianças e adultos, estava livre das baforadas carregadas de tóxicos.
    Abrir conservas com uma chave antes das latas de abertura fácil. Para mim nunca muito fácil porque até hoje tenho um pavor de cortar os dedos na lateral da tampa...

    Caros leitores, gostaram de recordar estas coisas irritantes dos anos 70, 80 e 90? Se tiverem lembranças ou exemplos que queiram partilhar com a Enciclopédia contactem pelas mensagens da nossa página de Facebook ou por correio electrónico: cine31@gmail.com.


    Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".














    quinta-feira, 28 de julho de 2016

    Euronico (1990)

    por Paulo Neto

    Hoje não é bem assim, mas em 1990 a então Comunidade Económica Europeia inspirava bastante optimismo juntos dos seus países membros, nomeadamente Portugal que entrara para a CEE quatro anos antes, com a ideia de uma grande família europeia com um mercado comum e a livre circulação de pessoas e mercadorias dentro do seu espaço.
    No entanto, tal não impedia de que, sobretudo através do humor, fossem apontadas as taras e manias de cada um dos países da CEE e os aspectos menos eufóricos dessa união.



    Depois de "Nicolau No País das Maravilhas" e duas encarnação do "Eu Show Nico" (1981 e 1987) e depois do sucesso da apresentação do concurso "Jogo de Cartas", Nicolau Breyner voltava aos programas de humor com "Euronico", onde o tema principal era precisamente a CEE e os seus então doze países membros. Do elenco principal faziam parte  também Fernando Mendes (quando ainda era somente um tamanho L no máximo), Rosa do Canto, Morais e Castro, Estrela Novais, Luís Aleluia e Mafalda Drummond. Alguns skteches fixos contavam também com a presença de nomes como Cristina Homem de Mello, Aristides Teixeira, o cantor Paulo Alexandre e as duas assistentes do "Jogo de Cartas", Maria João Lopes e Felipa Garnel (que com o seu aspecto nórdico, era ideal para fazer de Dinamarca), isto além de participações especiais de gente como Francisco Nicholson, Florbela Queiroz, José Raposo, Luís Esparteiro e Cristina Areia. Além do próprio Nicolau Breyner, os textos eram da autoria de Rosa Lobato Faria, Thilo Krassman e Nuno Nazareth Fernandes.




    Estreado a 20 de Setembro de 1990 e exibido nas noites de quinta-feira da RTP1, cada programa de "Euronico" era dedicado a um dos países da CEE, sendo que o 13.º e último foi um compacto dos melhores momentos do programa. Aqui em baixo, está a lista da data de exibição de cada programa, com a referência ao país que servia de tema ao respectivo episódio e os convidados musicais.



    1.º programa 20/9/1990 - Grécia - Paco Bandeira
    2.º programa 27/9/1990 - França - Carlos Mendes
    3.º programa 4/10/1990 - Luxemburgo - Elvira Ferreira
    4.º programa 11/10/1990 - Dinamarca - João Braga
    5.º programa 18/10/1990 - Reino Unido (erroneamente referido como Inglaterra) - Adelaide Ferreira
    6.º programa 25/10/1990 - Itália - Paulo de Carvalho
    7.º programa 1/11/1990 - Espanha - Luís Represas
    8.º programa 8/11/1990 - Holanda - Simone de Oliveira
    9.º programa 15/11/1990 - Bélgica - Eugénia Melo e Castro
    10.º programa 22/11/1990 - Irlanda - Jorge Palma
    11.º programa 29/11/1990 - Alemanha - Mara Abrantes
    12.º programa 5/12/1990 - Portugal - Marco Paulo
    13.º programa 12/12/1990 - best of

    Eis alguns do sketches recorrentes:



    Bate o Pau e Sobe o Pano: Simeão (Breyner), líder carismático da sociedade recreativa "Bate o Pau e Sobe o Pano" pretende levar a cabo uma encenação teatral de fazer encher o olho às altas autoridades europeias. O pior é que o resto da companhia não está pelos ajustes: Salgado (Castro) insiste que em vez das ideias estrangeiras de Simeão (que mudam consoante o país-tema de cada episódio), deveriam representar a peça da "Micas Coxa Rainha da Madragoa" (o que por fim acontece no último episódio); o Catita (Mendes) não ata nem desata, a não ser que o assunto seja futebol e pelo meio vai recomendando a todos um chazinho da sua ervanária; as três mulheres da companhia, a empertigada Carolina (Novais), a brejeira Dadá (Drummond) e a ingénua Alicita (do Canto), disputam o protagonismo; e o dono do bar (Aleluia) vai mandando as suas bocas. No final, suspira Simeão: "Ai, Europa, Europa, andamos a mangar com a tropa".

    O Sertório: Em jeito de cantiga, o Sertório (Breyner) promove alterações no mapa da Europa diante de 12 representes dos países da CEE. E no final, cantam todos: "Todos, todos, a cantar de pé/ Viva, viva, viva a CEE/ A Grécia, a França, a Holanda, a Alemanha, a Bélgica e o Luxemburgo/ A Europa avança e o Sertório acerta tudo./ Todos, todos, a cantar de pé/ Viva, viva, viva a CEE/ A Inglaterra, a Irlanda, a Dinamarca e Portugal/ A Espanha e a Itália, união sensacional"




    Zizi Porcalheira e Dona Carlota: os sketches destas duas matrafonas encarnadas por Nicolau alternavam entre si: numa semana era a crónica social de Zizi Porcalheira directamente da sua chiquérrima barraca para relatar os eventos mais "in" do seu bairro de lata, noutra eram as lamúrias da Dona Carlota, telefonista do Parlamento Europeu, saudosa dos encantos de Portugal.

    Senhor Doutor: um sketch recorrente musical numa sala de aula com Breyner no papel de professor e Rosa do Canto e Mafalda Drummond como as alunas. Em cada episódio e consoante o país-tema, os três cantavam a variação de uma canção que tinha como refrão: "Senhor Doutor, por favor/ Não acha tudo um horror?/Pois para mim, está em enfim, tudo assim-assim/Está nem não nem sim".



    Figuras históricas: consoante o país-tema, Nicolau parodiava conhecidas figuras históricas: por exemplo um Hans Christian Andersen com pouca paciência para aturar criancinhas, um Henrique VIII que conhece a próxima dama a quem vai cortar a cabeça desposar mas está de olho fisgado na intérprete e um imperador Nero que em vez de harpa toca guitarra eléctrica durante os seus delírios incendiários.



    Carlos Grosso: numa paródia ao célebre repórter da RTP Carlos Fino, o repórter Carlos Grosso (Breyner) informa as últimas sobre os acontecimentos europeus. O que seria tudo muito bem, não fosse ele fazer jus ao nome e andar sempre grosso.

    Dia Mundial: a cada episódio é anunciado que aquele era o dia mundial de alguma coisa, geralmente relacionada com o país-tema do respectivo programa. Houve por exemplo o Dia Mundial do I Grego, da Casca de Cebola, da Roda Dentada, da Candonga, do Queijo Flamengo e da Couve de Bruxelas. Seguia-se um inquérito de rua onde se perguntavam a pessoas reais sobre esse respectivo dia mundial (com a resposta mais habitual a ser "Inventam Dias Mundiais para tudo!") e um interlúdio musical onde alguém do elenco fixo ou o convidado musical cantava um curto trecho sobre o objecto desse Dia Mundial. Seguramente que Eugénia de Melo e Castro nunca se imaginara a cantar sobre couves de Bruxelas ou Simone de Oliveira sobre queijo flamengo (ainda que ela já tivesse cantado um fado sobre iscas.)  

    Dueto Musical: em cada semana Nicolau Breyner cantava um dueto com o convidado musical, geralmente um tema do repertório deste último. Nestes vídeos vemo-lo a cantar "Dava Tudo" com Adelaide Ferreira e o "Fado Do Estudante" com João Braga.







    Mercado Comum: um sketch onde os 12 países da CEE eram representados por doze vendedores de um típico mercado, cada um vestido com um fato tradicional do respectivo país e também sempre em jeito de cantiga. 




    Os Piratas: recuperando o sketch da segunda vaga do "Eu Show Nico", tínhamos de novo Nico a chefiar um bando de piratas numa ilha perdida algures no Atlântico. A cada semana, chegava à ilha um cidadão do país-tema de cada programa, mas quando este revelava as piratarias mais sofisticadas que andou a fazer pela Europa, todos exclamam "Ah, e os piratas somos nós" e expulsam o forasteiro da ilha, seguindo-se mais uma variação da cantilena do célebre refrão: "Somos piratas, somos piratas/ Só não trazemos as gravatas/ Não sabemos fazer nós/ Há mais piratas e com gravatas/ Que usam luvas mas os piratas somos nós."



    http://videos.sapo.pt/mfFrDrGVUNYmuvgn5ZsU

    ACTUALIZAÇÃO: O programa encontra-se disponível no portal de arquivos da RTP.

    sexta-feira, 22 de julho de 2016

    "How Bizarre" OMC (1995)

    por Paulo Neto

    Existem canções que parecem mesmo feitas para o Verão. Sim, também poderão ser ouvidas num dia invernoso mas não é a mesma coisa. E nos anos 90, houve uma canção cujo sucesso correspondeu à transição do Verão do Hemisfério Sul para o Hemisfério Norte. Um percurso que poder-se-ia dizer algo...bizarro. 

    OMC são as iniciais de Otara Millionaires Club, um nome irónico já que Otara é um dos subúrbios mais pobres de Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia. O grupo era na sua essência formado pelos irmãos Phil e Pauly Fuemana, que vinham de experiências em bandas rock e colectivos de rap, e pelo produtor Alan Jansson. Porém, apenas Pauly dava a cara pelo grupo.



    Em finais de 1995, lançaram o seu primeiro single "How Bizarre" que rapidamente tornou-se um hit na Nova Zelândia, ao ponto de terem de gravar um videoclip à pressa por meia dúzia de tostões para ter algo para enviar às televisões. No início de 1996, "How Bizarre" era n.º 1 na Nova Zelândia e na Austrália e quando o Verão desse ano chegou ao Hemisfério Norte, a atmosfera solarenga do tema não tardou a conquistar a Europa e América do Norte, chegando também ao n.º 1 dos tops de Áustria, Irlanda e Canadá.



    No entanto, devo dizer que "How Bizarre" foi uma canção que me custou muito a assimilar: se por um lado gostava da parte instrumental, dos arranjos ao estilo mariachi e das partes da voz feminina, interpretadas por Sina Saipaia, irritava-me um pouco a voz de Pauly Fuemana, que soava como se estivesse a fazer um grande frete ao gravar a canção.

    Capa do álbum

    Apesar do álbum, também intitulado "How Bizarre", ter sido bem recebido pela crítico e ter sido platina nos Estados Unidos, todo o sucesso subsequente dos OMC ficou praticamente restringido à Nova Zelândia, nomeadamente o single de 1998 "Land Of Plenty". Entretanto Pauly Fuemana e Alan Jansson entraram em disputa em tribunal sobre os direitos de autor, onde o primeiro ganhou os direitos sob o uso do nome OMC. Porém em 2005, após a morte do irmão Phil Fuemana por ataque cardíaco, Fuemana e Janson fizeram as pazes e voltaram a fazer música juntos. O single de 2007 "4 All Of Us" teve a participação especial da actriz Lucy Lawless, a eterna Xena.

    Infelizmente, o projecto terminou em 2010 com a morte de Pauly Fuemana aos 40 anos por uma doença crónica semelhante a esclerose múltipla a 31 de Janeiro desse ano. Em sua homenagem, "How Bizarre" foi reeditado e regressou aos tops na Nova Zelândia. 
    Fuemana deixou o seu legado como um dos percursores do hip-hop e r&b polinésio e como um dos criadores de uma das canções que mais refrescaram o Verão de 1996 ao longo de todo o solstício planetário.

    Pauly Fuemana (1969-2010)

    "How Bizarre" foi considerada em 2001 a 34.ª melhor canção de sempre da Nova Zelândia e continua ser o maior êxito internacional de um artista daquele país, pelo menos até ao "Royals" de Lorde em 2013.

    Outros temas dos OMC:


    "On The Run"


    "Land Of Plenty"






       
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