"Achas isto divertido? Não me faças rir... Tens de ler as Revistas do Pato Donald para saberes o que é mesmo divertido! Quack, Quack, Quack."
Imagem Digitalizada da revista "Edição Extra" Nº 23 (24/09/1991) e Editada por Enciclopédia de Cromos.
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Mais um dos anúncios emblemáticos da "era croma" da publicidade televisiva: "Petite" a máquina de escrever da Concentra, destinada aos mais jovens. Aliás, os espectadores portugueses ouviam a frase "da Concentra" em vários anúncios televisivos ao longo dos anos cromos, identificando a empresa portuguesa cinquentenária de fabrico e representação de marcas e produtos famosos lá fora, cá dentro, como por exemplo, os "Masters do Universo", "Sindy", "Subbuteo", "Barbie", "Transformers", etc. Para um jovem, ver o anúncio da "Petite" era mais um dos sinais que se aproximava o Natal, como os anúncios das "Bom-Bokas", "Fantasias de Natal" ou "O Barco Pirata da Playmobil". Mas este era mais que um brinquedo, preparava a juventude para um futuro emprego num escritório a teclar até à idade da reforma. Lúdico e educativo, pensariam os paizinhos. Cá por casa a máquina de escrever era antiga, e sem as teclas e mecanismos em plástico da "Petite" cada tecla quase que tinha que ser martelada com a força para fixar um prego a uma tábua, e se tivesse tido uma Petite de certeza que estaria melhor preparado para a disciplina que tive na C+S de "Práticas Administrativas" ou algo do género, onde lidei com máquinas electrónicas.
O reclame em si, cativava pela originalidade (mais sobre isso à frente)e pelo ritmo dos jovens a tocarem música em máquinas de escrever de brincar mas que escreviam a sério. Mas a graça do anúncio é que os pequenos artistas estavam vestidos a rigor como de orquestra se tratasse, com maestro de batuta e tudo. No anúncio que vimos em Portugal, os jovens vão martelando as teclas ao ritmo do maestro e do acompanhamento dos "instrumentos invisíveis" e mudando de linha com um sonoro "plim" antes de carregar na alavanca. No final apoteótico o único rapaz dos executantes acaba atrasado e é imediatamente fulminado pelos olhares do maestro e das coleguinhas.
Anúncio português ao modelo "Petite 600":
Neste link podem ver a versão francesa de 1986, "Petite: Machine a ecrire". Curiosamente na França o rapazinho não recebe o olhar reprovador do maestro e colegas. Este outro vídeo ainda exibe mais modelos no final.
Podia jurar que me recordava de no anúncio a máquina ser em azul, talvez algum modelo anterior ou posterior, ou uma variação.
"Petite 600" dos anos 70:
Este não foi o primeiro modelo, na Internet existem muitos, até à venda em lugares como o Ebay, mas pouca informação encontrei sobre os criadores ou fabricantes, excluindo o site "Typewriters" (em alemão) que se o Google traduziu bem, no artigo sobre as "Petite Typewriters" identifica a "Byron Jardine Limited" como a criadora e já nos anos 70 os novos proprietários como "Dobson Park Engineering". Pelo nome do produto, sempre assumi que "Petite" fosse uma invenção tão francesa como a Torre Eiffel.
A máquina azul que recordo provavelmente será esta edição dos anos 90 da "Petite 600":
Não consegui identificar se o tema pertence a alguma obra já existente ou se foi criado para o anúncio, mas tenho quase a certeza que já o ouvi algures.
Nota: Tinha este artigo em rascunho desde Outubro de 2012, mas entretanto, por mero acaso descobri no mural de um amigo no Facebook que este reclame foi inspirado por uma cena clássica do filme "Um Namorado com Sorte" (1963) do génio da comédia Jerry Lewis. [Vídeo aqui.] Obrigado pela dica João Bastos!
Depois foi fácil descobrir o nome da música: "The Typerwriter" de 1950, do compositor americano Leroy Anderson e que tinha a peculiaridade de ser tocada com a inclusão de uma máquina de escrever na orquestra!
Um reclame da edição "para escritório":
A "Petite 990" também incluía a criançada precocemente no mundo dos negócios:
Um anúncio francês de 1979 ao modelo "Petite Super International", ideal para dactilografar falsificações para faltar à escola. Seria esta Martine a Anita original? ("Anita falta à escola").
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As primeiras figuras de acção que apresentaram He-Man e os Mestres do Universo ao Mundo (e que têm uma conturbada história de origem, que ainda hoje não é totalmente clara) chegaram ás prateleiras das lojas de brinquedos em 1982, incluindo o fenomenal play set do Castelo de Grayskull. A primeira série animada , "He-Man and The Masters Of The Universe" esteve no ar entre 1983 e 1985, enquanto novas figuras continuavam a chegar ao mercado, mas o filme só chegou ás salas de cinema já numa fase descendente de popularidade.
Um belíssimo poster ilustrado pelo mestre Earl Norem.
Nos Estados Unidos a estreia foi no dia 7 de Agosto de 1987, e só chegou a Portugal quase um ano mais tarde, em 1 de Julho de 1988 ( depois da mostra no Fantasporto em Fevereiro de 1988), classificado para "Maiores de 6 anos" (segundo o IMDB e o Diário de Lisboa) e com um dos nomes porque a saga era conhecida entre nós: "Masters do Universo". Podiam ter escolhido Mestres do Universo (como no Brasil), Donos do Universo... ou como decerto a petizada dizia, o "filme do He-Man".
"Diário de Lisboa" [01-07-1988]
Sendo o "filho mais novo" de uma propriedade super-popular parida no Império Americano, a crítica do Diário de Lisboa só poderia ser negativa. "Os "heróis" de "Masters of Universe" continuam imbativelmente maus, sob todos os aspectos..." dizia-se na secção das Estreias da Semana:
"Diário de Lisboa" [01-07-1988]
E quando vi o filme, já no inicio do século XX (num aluguer de uma gasta fita VHS no extinto videoclube do Centro Comercial Al Hain), a minha opinião também foi muito negativa. Além da expectativa de que o He-Man merecia um filme mais épico com valores de produção a condizer, na época senti logo como batotice desviar a acção da fita para o Planeta Terra e os seus vulgares subúrbios norte-americanos em vez dos cenários mate-paintings extraterrestres de Eternia...só isso e alguns personagens que não conhecia dos desenhos animados arrefeceram-me logo os ânimos.
Mas espero que num próximo visionamento, poder apreciar melhor o que foi feito nas condições possíveis. A Cannon teria esperanças de criar um novo filão à la Star Wars para ordenhar, mas o fraco box office depressa desfez essa ideia. Nos EUA nem conseguiu cobrir os custos de produção, que se estimam em 22 milhões de dólares (mais ou menos o mesmo que outros filmes de 1987 como "A Mais Louca Odisseia No Espaço" ou "O Micro-Herói"). A banda sonora esteve a cargo de Bill Conti ("Rocky", "Karate Kid") e a realização de Gary Goddard.
Sinopse:
No planeta Eternia, o vilão com cara de caveira Skeletor (Frank Langella)concretizou o seu objectivo de conquistar o Castelo de Grayskull e planeia usar os seus segredos para aumentar o seu poder. Quando o que sobra dos defensores de Grayskull se reunem para contra-atacar, o hiper-musculado herói He-Man (Dolph Lundgren,"Rocky IV", "The Punisher (Fúria Silenciosa)"), Man-At-Arms (John Cypher) e Teela (Chelsea Field) usam um aparelho de teleporte criado por Gwildor (Billy Barty) para entrar à socapa no Castelo e resgatar a Feiticeira. A operação corre mal e ao fugirem pelo portal criado pela invenção de Gwildor os heróis ficam retidos no planeta Terra, nos Estados Unidos, obviamente, onde os cenários são mais baratos. A engenhoca é perdida à chegada e recuperada por dois teenagers Julie (uma jovem e bela Courteney Cox, no seu segundo papel no cinema e na época na TV era a namorada de Michael J. Fox em "Quem Sai aos Seus" ) e Kevin (Robert Duncan McNeill, "Star Trek: Voyager"). A segunda em comando de Skeletor, Evil-Lyn (Meg Foster) detecta o sinal do aparelho e envia para a terra os capangas Beast Man, Saurod, Blade e Karg. Os heróis têm que auxiliar os jovens terráqueos e conseguir voltar a Eternia para impedir Skeletor de aumentar o seu poder.
O Trailer:
A crítica redutora de Rodrigues da Silva:
"Diário de Lisboa" [08-07-1988]
Nota ainda para a crítica de Jorge Leitão Ramos, que além dos parágrafos sobre o filme e a sua curiosa origem (geralmente os filmes inspiram os bonecos e não o contrário. Outro exemplo semelhante é o "Transformers: The Movie" do ano anterior, mas em animação), dedica algumas linhas à situação das salas portuguesas e a "periclitante situação financeira" da produtora deste filme, a mítica Cannon, responsável por um universo de filmes de baixo e médio orçamento eque fechou portas 1994).
"Diário de Lisboa" [08-07-1988]
Quem sabe o que poderia ter sido se produzido por um grande estúdio?
Um video sobre a atribulada produção de "Masters Of The Universe", excerto do documentário "Toy Masters":
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Finalmente, depois de décadas de espera, "By the Power of Grayskull... I have the Power!"
A minha modesta colecção de Masters do Universo sofreu em 2011 um upgrade brutal! O Castelo de Grayskull ("Grayskull Castle", ou Castelo do He-Man para a petizada portuguesa), um dos brinquedos mais desejados por quem era criança nos anos 80! (Para mim, ainda mais desejado que o Barco Pirata da Playmobil) E décadas depois,tenho em minha posse a fortaleza de He-Man e os seus aliados que defendem Eternia das forças do malvado Skeletor!
Chega de conversa, ai ficam as fotos, podem clicar para as ampliar. As fotos têm o logo do meu blog de colecções, o "Cine31 Collector's Edition". Se o texto abaixo tem muito pontos de exclamação é apenas reflexo do meu entusiasmo com a recente aquisição.
Não era apenas o Rato Mickey que tinha um Clube para a criançada (o "Clube Amigos Disney"), a Mimosa tinha o "Clube Mimosa Zoo". Este clube também tinha cartão de sócio, e o sortudo consumidor do leite com chocolate "Mimosa Zoo" podia habilitar-se a "prémios fabulosos" conforme o seu talento para desenhar e habilidade para colar numa folha 4 animais que recortou das embalagens de "Mimosa Zoo". O "Grande Sorteio" tinha como prémio uma aparelhagem "Sony Hi-Fi Midi com CD"! Os outros prémios consistiam em vários Rádio Walkman Sony, Máquinas Fotográficas, Livros de Animais e Bolsas de Cintura Mimosa Zoo.
Aspecto das embalagens do Leite com Chocolate "Mimosa Zoo", um sortido de animais selvagens que incluia elefantes, pandas, leões, golfinhos, etc.
Imagem Digitalizada da revista "Detective Mickey" Nº 23 (24/09/1991) e Editada por Enciclopédia de Cromos.
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É lugar comum dizer-se que os anos 80 foram a década dos maus penteados, onde nunca antes como jamais depois produtos capilares como laca, gel e tinta para o cabelo foram usados de forma tão massivamente abundante e desregrada. Devem ser muito poucos aqueles que olham para o seu estado capilar em fotos dos anos 80 sem sentir uma dose de embaraço.
E foi nos anos 80 que a banda britânica new waveA Flock Of Seagulls deixou a sua marca por duas razões: um repertório interessante do qual se destacam dois hits que perduraram no tempo e o espectacular penteado do vocalista Mike Score, uma escultura capilar incrível mesmo para a fasquia dos anos 80.
Segundo Score, o nome da banda formada em 1980 em Liverpool derivava de um verso da canção "Toiler On The Sea" dos The Stranglers. Antes de se virar para a música, Mike Score trabalhou como cabeleireiro (o que explica muita coisa). Na altura do auge da fama, o alinhamento dos A Flock Of Seagulls, além de Mike Score na voz e nas teclas, era formado pelo seu irmão Alister Score na bateria, Paul Reynolds na guitarra e Frank Maudsley no baixo.
Os A Flock Of A Seagulls lançaram o álbum de estreia, que tinha o nome da banda em 1982. Graças a um vídeo talhado para os primórdios da MTV, o segundo single "I Ran (So Far Away)" acabou por fazer sucesso nos Estados Unidos e desde então é considerado um clássicos eighties nos States, uma daquelas canções que são essenciais em qualquer festa temática dos anos 80 ou nas listas de one hit wonders dos anos 80 que se fazem lá na América (embora tecnicamente não sejam one hit wonders, já que tiveram três singles no top 30 americano). Por exemplo, no filme "La La Land", é uma das canções tocadas pela banda de covers dos anos 80 em que a personagem de Ryan Gosling trabalha.
Pelo que se pode apurar pela letra, Mike Score canta sobre um encontro imediato com uma estranha mas atraente rapariga, da qual ele desata a fugir assim que descobre indícios de que ela possa ser de um planeta que não a Terra.
Curiosamente, na altura do vídeo de "I Ran", Mike Score ainda não tinha o seu penteado característico, tendo em vez disso uma permanente loura lateral. Esse seu mítico penteado seria estreado no vídeo seguinte "Space Age Love Song".
No entanto, apesar do sucesso de "I Ran" nos Estados Unidos e noutros países como a Austrália, onde chegou ao n.º 1 do top, foi um hit menor em terras britânicas. No seu país, o maior hit dos A Flock Of Seagulls, ainda nesse ano de 1982, foi o primeiro single do segundo álbum "Listen", "Wishing (If I Had A Photograph)", o único da banda a chegar ao top 10 britânico. Pessoalmente, gosto ainda mais de "Wishing", nomeadamente por causa do seu épico solo de sintetizador.
Este singular bando de gaivotas continuou por mais uns anos mas apesar de terem ganho um Grammy em 1983, nunca mais conseguiram reeditar o sucesso dos seus dois grandes hits. Eventualmente, com a perda de direcção de sonoridade, o fraco sucesso e desentendimentos entre os irmãos Score, a banda terminou em 1986.
No entanto, desde 1988 que Mike Score voltou a actuar sob o nome de A Flock Of A Seagulls com vários músicos constantemente renovados e em 1995, editaram o adiado quinto álbum da banda. Em 2003, os quatro membros originais reuniram-se para a série VH1 "Bands Reunited" e chegaram a dar alguns concertos juntos posteriormente. Actualmente Mike Score continua a liderar as gaivotas com um conjunto de músicos que se mantém junto desde 2004. O próprio já afirmou várias vezes que deixou de gostar de "I Ran", mas que continua a cantá-la nos concertos por que continua a ser um sucesso junto do público. O tema já foi versionado por nomes como Tori Amos e Nickleback.
Em 2000, os A Flock Of Seagulls foram uma das bandas dos anos 80 convidadas a participar num álbum de tributo a Madonna, com uma cover de "This Used To Be My Playground".
Além dos Seagulls, Mike Score editou em 2014 um álbum a solo. E claro está, já há muito que abandonou o seu penteado de marca, até porque hoje não tem cabelo nenhum.
Mesmo uma memória televisiva vasta como a minha tem os seus lapsos e por isso, é com pena que tenho de afirmar que não tenho qualquer recordação desta série quando ela foi originalmente exibida, ainda que nesse altura eu já prestasse bastante atenção a quase tudo o que passava na TV, tendo-a só acompanhado recentemente na RTP Memória. E é estranho que eu não me recorde dela pois certamente uma série com um punhado de actores conhecidos, com uma intriga de mistério e sobrenatural e que tinha como tema principal um música tão popular da altura seria algo que o Paulo de 1986 guardaria no seu disco rígido mental. Mas vá-se lá saber como, tal não aconteceu e foi pelos olhos do Paulo de 2017 que acabei por vê-la.
"O Anel Mágico" foi originalmente exibido no "Brinca Brincando" às quartas-feiras entre Outubro de 1986 e Janeiro de 1987, embora tenha sido gravada e produzida em 1985. As autora da mítica colecção de livros "Uma Aventura", Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, dividiram a autoria da série com Maria Teresa Ramalho e João Mattos e Silva, e a realização foi de Jorge Cabral.
Vasco Cunha (Tozé Martinho) é um professor de ginástica do Ginásio Clube Português que certo dia descobre no sótão do velho solar da sua família um anel, na posse da sua família há várias gerações, que quando nas mãos de um membro solteiro da família, confere poderes mágicos. Tudo isto é explicado a Vasco pelo fantasma do seu tio Afonso (Varela Silva no primeiro episódio, Luís Horta nos restantes).
Entretanto, o mafioso italiano Luigi Ferratini (Carlos Wallenstein) pretende comprar a todo o custo o solar da família Cunha, uma vez que a sua proximidade do mar é ideal para levar a cabo os seus negócios sujos, como o tráfico de obras de arte. Mas tanto Irene (Irene Isidro), a avó de Vasco, e a sua irmã Beatriz (Mariana Rey Monteiro) não cedem às pressões de Ferratini. Vasco e Emília (Luísa Barbosa), a fiel empregada da família Cunha, também se opõem.
Por isso, Ferratini e seus comparsas Marcelo Pucci (Carlos César), Romano Calentano (Jorge Nery) e Mota (Henrique Pinho) decidem descobrir outros meios de fazer a família Cunha ceder. Além de saberem dos segredos do anel mágico após roubarem o diário da família, descobrem através de Óscar (Óscar Acúrcio), um detective privado de competência algo discutível, que a casa tem um subterrâneo, ideal para as suas operações ilícitas.
Entretanto, Vasco lança-se em aventuras para impedir os planos de Ferratini. Para tal conta com a ajuda de Óscar, que passa para o seu lado e de Marta Vaz (Manuela Marle), a secretária de Ferratini, que ao conhecer Vasco, passa a fazer jogo duplo. Uma dessas jogadas passará por raptar o gato Fritz, por quem Ferratini tem uma grande devoção.
O Paulo de 2017 viu "O Anel Mágico" rindo-se dos elementos de produção, rudimentares para os dias de hoje porém competentes para o Portugal de 1986, por isso não teve dúvida que se o Paulo de 1986 tivesse visto a série (às tantas até viu e esqueceu-se por completo) teria gostado bastante. Alguns dos pormenores mais divertidos para mim foi o facto de se ouvir Luciano Pavarotti a cantar sempre que alguma personagem mafiosa, como Ferratini ou Romano, entrava em cena, às vezes até se sobrepondo aos diálogos dos actores.
Mas o principal problema de "O Anel Mágico" terá sido a sua continuidade, com várias pontas soltas na história e personagens que desapareciam para dar lugar a outras. Por exemplo, como refere o site "Brinca Brincando", Varela Silva foi o fantasma do tio Afonso no primeiro episódio mas Luís Horta desempenhou esse papel nos outros episódios; a personagem de Irene Isidro deixa de aparecer depois do terceiro episódio, sendo substituído por aquela de Mariana Rey Monteiro; Marcelo, o secretário de Ferratini, deixa de aparecer no segundo episódio, aparecendo depois Romano como o principal aliado de Ferratini. Aliás, nem sequer se fica a saber o que acontece a Ferratini, pois o último episódio consiste em Vasco a salvar Beatriz e Emília do sequestro de Romano nos subterrâneos e o plano de fuga deste até Nápoles a nado...sendo apanhado ainda em Cascais. O próprio Romano surgiu na série com vários looks diferentes.
Tudo isto indica que as gravações da série decorreram ao longo de vários meses, com alguns tempos de intervalo, o que terá levado à indisponibilidade de alguns actores iniciais e às voltas do argumento.
O "Brinca Brincando" refere ainda que a casa que foi utilizada como o solar da família Cunha, na altura em avançado estado de degradação, foi entretanto recuperada e hoje a Casa da Guia é um conhecido espaço comercial de Cascais e que uma então desconhecida Custódia Gallego foi figurante no primeiro episódio, como uma das alunas de Vasco.
O tema da série era "A Canção da Manhã" de Rão Kyao, um dos temas mais populares deste música, que fazia parte do disco "Estrada de Luz", que chegou a ser n.º 1 do top nacional. Além de Rão Kyao e das árias de Luciano Pavarotti, a série também incluiu temas de António Pinho Vargas, Heróis Do Mar, Taxi, Rita Lee e Xokmaiô.