terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Pequena Sereia (1989)

por Paulo Neto

Nos anos 80, a Disney passava por uma crise já que desde há vários anos que as suas longas-metragens animadas não conheciam o esperado sucesso junto do público e da crítica mas em 1989, um filme conquistou tudo e todos, inaugurando uma nova era dourada da Disney que se estendeu para o resto da década: "A Pequena Sereia".


O filme, realizado por Ron Clements e John Musker, adaptava o famoso conto de Hans Christian Andersen e marcava o regresso da Disney à adaptação de contos de fadas (o último tinha sido "A Bela Adormecida" em 1959) e ao uso da música como elemento-chave.



Ariel é uma bela e rebelde sereia, fascinada pelos seres humanos e que adora coleccionar objectos que eles deixam no mar, o que a faz sonhar em como seria ser humana. Ariel faz-se sempre se acompanhar pelo seu fiel amigo Flounder/Linguado e gosta também de ouvir as histórias da gaivota Scuttle/Sabidão que lhe transmite informações (erradas) sobre os objectos que ela encontra. Porém, o pai de Ariel, o Rei Tritão, é totalmente contra o contacto entre seres marinhos e humanos e ordena ao caranguejo Sebastião, o músico da corte, que espie a sua filha.
Certa noite, Ariel apaixona-se pelo Príncipe Eric e quando uma tempestade atinge o barco onde este seguia, ela salva-o, levando-o para terra. Porém, Tritão acaba por confrontá-la por ter desobedecido às suas ordens e os dois têm uma violenta discussão.
É então que Úrsula, a Bruxa do Mar, que esteve sempre atenta a estes acontecimentos, aproveita a fragilidade de Ariel para lhe convencer a fazer um acordo: ela tornar-lhe-à humana e terá três dias para fazer o Príncipe apaixonar-se por ela e beijá-la, dando em troca a sua voz. Senão o conseguir, voltará a ser sereia e ficará à mercê de Úrsula.
Pressionada, Ariel aceita o acordo e torna-se humana. É encontrada pelo Príncipe Eric que a acolhe no castelo. Apesar de não a reconhecer como aquela que o salvou pois ela agora não tem voz, Eric encanta-se com Ariel e os dois quase se beijam. Para garantir que será bem sucedida, Úrsula assume uma forma humana de uma rapariga chamada Vanessa enfeitiçando o príncipe.
No dia seguinte, Ariel e os seus amigos conseguem desmascará-la mas não conseguem impedir que Ariel volte a ser sereia e estar nas mãos de Úrsula. O Rei Tritão encontra-as e oferece-se para trocar de lugar com a filha. Ariel e Eric terão que enfrentar uma agora gigantesca e poderosíssima Úrsula.
Mas ao contrário do conto original de Andersen que terminava com a morte da sereia, o filme tem o inevitável happy ending à moda de Disney, com a morte da bruxa e com o casamento de Eric e de uma novamente humana Ariel.

Como só a partir de "O Rei Leão" em 1994 é que os filmes da Disney passaram a ter dobragens em português de Portugal, "A Pequena Sereia" passou pela primeira em vez no nosso país com dobragem em brasileiro - onde se destacava a actriz Zézé Motta na voz de Úrsula. É essa a dobragem que ficou no imaginário da uma geração, incluindo para mim e para o meu irmão visto que era essa versão a da cassete VHS do filme que tínhamos em casa e que vimos incontáveis vezes. Ao ponto que não consigo imaginar a Pequena Sereia e o Rei Tritão a falarem outra língua que não em brasileiro ("Já tenho dezesseis anos, não sou mais criança!""E se esse é o único jeito...que assim seja!") e ainda me lembro de um garfo ser referido pelo Sabidão como uma "brubuzumba"! E claro está, quando me recordo das canções do filme, é no português do país-irmão:

"Hoje eu tenho uma porção de coisas lindas nessa colecção..."




"Corações infelizes, precisam de mim..."





"Aqui no mar, aqui no mar, ninguém nos segue nem nos persegue para nos fritar..."




"O rapaz não vai, não vai beijar a moça!"




Em 1997, houve uma re-edição nos cinemas do filme, desta vez já com dobragens no nosso português, com as vozes de Diogo Infante, Mila Belo, Cucha Carvalheiro, Pedro Pinheiro e Paulo Oom, entre outros.

O sucesso de "A Pequena Sereia" reconciliou a Disney com o público e a crítica e deu início a uma nova era dourada onde pontificaram outros títulos como "A Bela e o Monstro", "Aladino", "O Rei Leão", "Pocahontas" e "Mulan". O filme ganhou dois Óscares para Melhor Banda Sonora (da autoria de Alan Menken e Howard Ashman) e Melhor Canção para "Under The Sea" ("Aqui No Mar") .

Posteriormente, o filme deu origem a uma série animada (1992-94) cuja acção se desenrola antes do acontecimento do filme e mais dois filmes comercializados em vídeo. Em 2007, surgiu também um musical da Broadway.



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