segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

What's Love Got To With It (a canção: 1984, o filme: 1993)

por Paulo Neto

No passado dia 26 de Novembro, Tina Turner completou três quartos de século de vida, cimentando a sua reputação como a mais sexy septuagenária do mundo. Apesar da sua longa carreira, quando se fala no repertório de Tina Turner, é inevitável não mencionar "What's Love Got To Do With It", que em 1984 ressuscitou a sua carreira, elevando-a de glória do passado a superestrela da década de 80. 


"What's Love Got To Do With It" é uma daquelas canções que andaram de mão em mão a serem atribuídas a vários artistas e editoras até finalmente serem gravadas e espalharem a sua magia. Foi inicialmente entregue a Cliff Richard, depois a Phyllis Heyman e Donna Summer. Os britânicos Bucks Fizz chegaram a gravar uma versão mas entretanto, Roger Davies convenceu Tina Turner a gravá-la, embora esta inicialmente não tivesse acreditado muito no tema. O resto foi história, com a canção a ser um êxito mundial (n.º 1 nos Estados Unidos, Canadá, Austrália) e a catapultar aos 44 anos carreira de Tina Turner para alturas nunca antes atingidas. Em 1985, "What's Love Got To Do With It" ganhou o Grammy para Disco do Ano e Tina não hesitou em chamar Roger Davies para receber o prémio com ela, visto que foi ele que a convencera a gravar o tema. 
Na altura, como eu nada sabia de inglês, vá-se lá saber porquê (talvez por causa do gato que aparecia na capa do disco), eu julgava que ela estava a cantar sobre um gato, e eu cantava algo como "What's love, Gato du, Gato du miau..."   
Além disso, o respectivo videoclip, na sua simplicidade de ter apenas Tina a saracotear por Nova Iorque, também se tornou lendário. 


Depois vários hits se seguiram, cimentando-a como uma das grandes divas da música. E em 1993, surgiu o filme sobre a sua vida, intitulado (como era óbvio) "What's Love Got To Do With It" (um dos poucos filmes que em Portugal mantiveram o título original sem nenhuma achega em português) que se tornou um dos êxitos-surpresa desse ano, com realização de Brian Gibson e com Angela Bassett no papel de Tina.



O filme começa quando Tina Turner era a pequena Anna Mae Bullock (Rae'ven Larrymore Kelly) numa pequena cidade do Tennessee, onde desde logo se destaca pela sua voz no coro de igreja. Criada pela avó devida ao abandono de ambos os pais, Anna Mae reúne-se anos mais tardes com a mãe e a irmã em Saint Louis. Durante uma actuação aberta num concerto, ela capta a atenção de Ike Turner (Laurence Fishburne), o carismático líder da banda Kings Of Rhythm e depressa a relação profissional se transforma em romântica, acabando a banda por mudar o nome para Ike & Tina Turner Review.


À medida que o sucesso da banda aumenta, Ike, com ciúmes do talento da esposa e um crescente vício em cocaína, torna-se cada vez mais abusivo e violento com Tina, que recorre ao budismo como escape para o seu sofrimento. Após mais uma briga feia a bordo de um avião, Tina consegue fugir do controlo de Ike. Após um complicado divórcio, onde apenas fica com o direito de manter o seu nome artístico, Tina ganha a vida a cantar em hotéis e bares até um encontro com Roger Davies muda de novo a sua vida, tornando-se seu agente e ajudando-a a concretizar os seus sonhos de se tornar estrela do rock. 



Apesar de algumas alterações aos factos verídicos (como o facto de Craig, o primeiro filho de Tina, não ser na verdade filho de Ike mas de outro músico da banda) e de uma personagem ficcionada Jackie (interpretada por Vanessa Bell Calloway, que curiosamente também entrara no videoclip de "What's Love Got To Do With It"), uma amiga que apoia Tina nos seus piores momentos e que a inicia no budismo, o filme foi um êxito e introduziu a história da vida de Tina Turner aos seus fãs mais jovens que não conheciam a fase inicial da sua carreira. Angela Bassett e Laurence Fishburne (que recusou cinco vezes o papel de Ike até saber que Bassett ficara com papel de Tina) foram nomeados para os Óscares e as suas carreiras ganharam um enorme fôlego. 

O álbum da banda sonora foi igualmente um sucesso, com Tina Turner a regravar os seus êxitos antigos, juntamente com temas inéditos incluindo "I Don't Wanna Fight" que se tornou mais um êxito mundial.

Trailer:

"I Don't Wanna Fight":

              

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