quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Topo Gigio Mini Mosaico

De entre as toneladas de produtos derivados do adorável Topo Gigio, hoje vamos ver uma publicidade ao  "Mini Mosaico", que basicamente consistia numa grelha negra em que se encaixa os pinos de diferentes cores, de forma a criar um desenho. O desenho sugerido na caixa é um retrato do próprio Topo Gigio.

Digitalizado e Editado por Enciclopédia de Cromos
Uma melhor visão da caixa do Mini Mosaico:

Digitalizado e Editado por Enciclopédia de Cromos
Actualização:
Entretanto encontrei online um scan em melhor estado:
Revista Pateta 26 (1982)
Digitalizador original desconhecido. Editado por Enciclopédia de Cromos


O reclame informa ainda o produto foi fabricado em Portugal por "Dinamização". Hoje em dia uso uma aplicação para telemóvel que permite o mesmo efeito, criar desenhos estilo "pixelizado".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Canções das Eleições Presidenciais de 1986

por Paulo Neto

Estamos actualmente em campanha eleitoral para a Presidência da República onde Portugal elegerá o seu próximo chefe de Estado para um mandato de cinco anos. Na democracia portuguesa, a regra geral foi um candidato ser eleito ou reeleito à primeira volta. A grande excepção foram as eleições presidenciais de 1986, que sem dúvida que foram um dos actos eleitorais mais espectaculares de sempre. Essas também foram as primeiras eleições de qualquer tipo que me lembro de acompanhar e de saber para o que eram. E também foram as primeiras eleições em que eu votei, apesar de só ter na altura cinco anos. Já falo disse mais adiante. 

As eleições presidenciais de 1986, ano em que Portugal entrou para a CEE, tiveram quatro candidatos: Diogo Freitas do Amaral (candidato CDS e apoiado pelo PSD), Mário Soares (pelo PS), Francisco Salgado Zenha (candidato do PRD e com algum apoio do PCP) e Maria de Lurdes Pintassilgo, como candidata independente. Depois de ter sido a primeira (e até agora única) mulher a chefiar um governo em Portugal entre Agosto de 1979 e Janeiro de 1980, Pintassilgo tornava-se assim também a primeira mulher candidata à Presidência, algo que só se verificaria de novo nestas eleições de 2016, com as candidaturas de Maria de Belém e Marisa Matias. Um quinto candidato, Ângelo Veloso do PCP, desistiria em favor de Salgado Zenha.

  
 



A primeira volta realizou-se a 26 de Janeiro de 1986 com Freitas do Amaral em primeiro lugar com 46,31 %, falhando por pouca a vitória à primeira volta. Mário Soares ficou em segundo lugar com 25,43%, apurando-se assim para a segunda volta, até ao momento a única vez que tal aconteceu em eleições presidenciais em Portugal. 

Foi aí que a campanha tornou-se mesmo interessante, dividindo o país quase em metade entre os Team Freitas e os Team Soares, havendo relatos de várias escaramuças entre apoiantes de ambos os candidatos um pouco por todo o país e de amigos e parentes que cortaram relações por defenderam facções rivais. Aliás o próprio Soares foi alvo de um episódio de agressão durante uma acção de campanha na Marinha Grande. Por outro lado, Freitas Do Amaral ditou uma moda com o sobretudo verde que envergava durante a campanha. 
E lembro-me que na altura, era habitual ouvir na rua  alguém gritar "P'rá Frente Portugal", o slogan de Freitas do Amaral e "Soares É Fixe", o slogan de Mário Soares. Para não falar que havia autocolantes das duas campanhas colados em tudo o que era sítio.



A segunda volta realizou-se 16 de Fevereiro de 1986. Nesse dia, acompanhei os meus pais ao local de voto, na Escola Secundária Maria Lamas, e a minha mãe levou-me com ela até à cabine de voto e ela deixou-me pôr a cruz no quadrado correspondente a Mário Alberto Nobre Lopes Soares, pelo que posso dizer que esta foi a primeira vez em que votei. (Oficialmente, o meu primeiro voto como cidadão eleitor foi no referendo de 1998 sobre a regionalização.)
Beneficiando de uma união da esquerda à segunda volta (até Álvaro Cunhal foi forçado a engolir um sapo e apoiar Soares) e - dizem - do episódio da Marinha Grande, Mário Soares acabaria por vencer com 51,18%, somente mais 140 mil que Freitas do Amaral. Apenas três meses após ter deixado de ser primeiro-ministro e com apenas 5% de intenções de votos aquando a entrega da sua candidatura, Mário Soares tornava-se o 16.º Presidente da República Portuguesa, tendo sido reeleito em 1991. Tentou ainda uma terceira candidatura em 2006. 

Outro campo onde a campanha das eleições presidenciais de 1986 foi na música, tal como foi falado em três cromos da "Caderneta de Cromos" da Rádio Comercial.



Freitas do Amaral tinha o seu grande hino com o título do seu slogan "P'rá Frente Portugal" que me lembro de ser absolutamente épico, cantado pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras e vários artistas como Nicolau Breyner, com letra de Torquato da Luz, música de Rui Ressurreição e arranjos de Thilo Krassman. O refrão era assim: "País do Sol/ Terra do sal/ Pátria do Sul/P'rá frente Portugal/Pela paz, pela riqueza em Portugal/ Para à frente, para à frente Portugal!" 

Versão principal:


Versão coral: 




Existe também esta versão soul-jazz, cantada por Diogo Ribeiro para a candidatura de Paulo Freitas do Amaral - sim, aquele primo de Diogo Freitas do Amaral que participou em "A Quinta" - à Câmara Municipal de Oeiras em 2013.


Além disso, foi editado um álbum, "O Povo Canta Freitas do Amaral" onde foram adaptadas cantigas populares para incluir o nome de Freitas do Amaral, disco esse em que Nicolau Breyner também participou. Por exemplo, no disco era possível ouvir algo como "Todos o querem, queremos só um, queremos o Freitas, não queremos mais nenhum!"

Esse método foi também aplicado na campanha de Mário Soares, que teve a sua adaptação da mais famosa canção das Janeiras (de seu verdadeiro título "O Natal dos Simples", versionado por Zeca Afonso, entre muitos outros), algo que depois foi recuperado para a sua campanha de reeleição de 1991. Recordo-me que a parte do "pa rara riri pa rara riri pom pom pom" rezava assim em 1986: "Vamos votar nele, vamos notar nele/ Vamos votar/ Para Presidente, para Presidente/ Mário Soares" e em 1991: "Vamos votar nele, vamos notar nele/ E quando votares/ Volta à Presidência, volta à Presidência/ Mário Soares".



Mas o grande hino da campanha de Soares, a fazer jus ao slogan "Soares É Fixe", foi o "Rock Da Liberdade", cantado e composto por Rui Veloso, com letra de António Pedro Vasconcelos (sim, o realizador de cinema), que foi disco de prata. Na capa do disco, vinha escrito: "Aí está o nosso hino! Uma batida para curtir!" (Gostava de imaginar Mário Soares a dizer isso!)



Enquanto Mário Soares foi presidente durante dez anos, Freitas do Amaral deixou o CDS em 1990 e foi Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas entre 1995 e 1996. Em 2005, provando que são muitas as voltas a vida dá, acabaria por ser eleito deputado pelo… PS.

Caderneta de Cromos - Eleições Presidenciais 1986: 1.ª parte:
Caderneta de Cromos - Eleições Presidenciais 1986: 2.ª parte - "Rock da Liberdade: http://podcastmcr.iol.pt/rcomercial/cdc02_0308.mp3 
Caderneta de Cromos - Eleições Presidenciais 1986: 3.ª parte - "O Povo Canta Freitas do Amaral"http://podcastmcr.iol.pt/rcomercial/cdc_260710_1.mp3

Entretanto o David Martins descobriu no arquivo do Diário de Lisboa este cartaz de 29 de Novembro de 1985 anunciando uma convenção nacional de apoio a Freitas do Amaral que contava com a presença de muitos nomes conhecidos.









sábado, 9 de janeiro de 2016

Tao Tao - Histórias de Animais de Todo o Mundo (1983)

por Paulo Neto

Uma das coisas mais consensuais entre aqueles que foram crianças nos anos 80 foi que a sua infância foi marcada por uma idade de ouro da animação, com personagens e séries tão marcantes que é impossível um actual trintão não ficar de olhos a brilhar de nostalgia à menção de séries como por exemplo "D'Artacão e Os Moscãoteiros", "Os Amigos Do Gaspar", "Tom Sawyer" ou "Candy-Candy".
Tal como já referi aqui a propósito das "Fábulas da Floresta Verde", várias da séries animadas dessa altura eram protagonizadas por animais, com pouco ou nenhuma intervenção humana. Outra inesquecível série desse rol foi "Tao Tao - Histórias de Animais de Todo O Mundo", um coprodução de 1983 do Japão, da Áustria e da Alemanha, também conhecida por cá como "O Panda Tao Tao".
Era assim a canção do genérico:

Longe num bosque da aurora
É onde hoje o sonho mora
E num segundo
Te oferece o mundo!

Anda conhecer o amigo
Panda, que fala contigo
E fico atento
Às flores e ao vento.

O Panda Tao Tao,
O doce Tao Tao
Escuta com muita atenção a mãe
Que conta histórias para ti também



A série passava-se "num país a que os homens chamam China" no vale Wai-San, onde o pequeno panda Tao Tao vive com a sua mãe. Além das alegres brincadeiras com os seus amigos, os macacos Kiki e Chon Chon, o coelho Puuh e o esquilo Purpur, o jovem panda também adora ouvir histórias contadas pela sua mãe. É habitual que os animais do vale se juntem para ouvir a Mãe Panda contar uma história a cada episódio, cuja moral é significativa para a situação mostrada no início de cada episódio.



Por exemplo no primeiro episódio, uma gralha macho amiga de Tao Tao está triste por não ter uma poupa vermelha como a fêmea pertencente a outra espécie de ave por quem está apaixonado e como tal, a família dele impede o namoro. A Mãe Panda contou então a história de quando o Criador deu cor a todos os animais, uma gralha que ainda não tinham sido colorida pelo Criador, com a paleta e o pincel deste pediu a uma amiga coruja para que lhe pintasse de modo a ser a ave mais colorida do bosque. Mas a coruja, invejosa, acabaria por pintá-la de preto e bege. No fim da história, todos os animais concordaram que mesmo que nem todos sejam muito coloridos, todos eles têm a sua beleza e a gralha decide aceitar-se tal como é e procurar uma fêmea da sua espécie.



O Hugo Silva, do blog "Ainda Sou Do Tempo", recorda-se particularmente da mensagem de "love conquers all" do episódio "O Rei Crocodilo" onde o dito cujo faz uma viagem perigosa para buscar um remédio para a sua esposa gravemente doente, sem imaginar que não passava de uma tramoia do malvado Ministro para chegar ao trono, fazendo com que o Rei não resistisse aos perigos da viagem.


Algumas das histórias contadas aos longo dos 52 episódios eram bem conhecidas como "Os Três Porquinhos", "O Gato Das Botas", "O Rato Do Campo E O Rato Da Cidade" e "O Patinho Feio", outras eram adaptações de lendas de vários locais do mundo, em especial da China e do Japão. Porém, o último episódio "O Elefante Dos Sonhos" não se tratava de uma história contada pela Mãe Panda, mas sim uma aventura vivida por Tao Tao e seus amigos.




A série estreou em Portugal em 1987 no "Brinca Brincando" e uma vez mais teve um excelente trabalho de dobragem, dirigida por António Montez e com nomes como Cláudia Cadima (que além de ser a voz do Tao Tao, foi a tradutora da versão alemã, que a RTP adquiriu), Ermelinda Duarte (Mãe Panda e a cantora do genérico), Fernanda Figueiredo (Puuh), Margarida Rosa Rodrigues (Kiki), Leonor Poeira (Chon Chon) e António Feio. "Tao Tao" também se fez destacar pela originalidade dos bonecos, diferentes do que era habitual ver na animação japonesa, e pela utilização de imagem real nos cenários.



Segundo o site Brinca Brincando, antes da série, houve um filme de 1981 sobre a vida de um panda também chamado Tao Tao e são imagens desse filme que surgiam no genérico final. Por exemplo, a fêmea panda que surge com Tao Tao sob um arco-íris não é a sua mãe mas sim uma panda companheira. 
De referia ainda que a música da série era da autoria do checo Karel Svoboda, o mesmo compositor de "A Abelha Maia" e "Nils Holgersson".




Como não podia deixar de ser, a série também gerou a inevitável caderneta de cromos, bem como livros de histórias e para colorir. Também por cá já houve alguma edições em DVD, nomeadamente a do Planeta De Agostini que em 2008 lançou a série completa com a dobragem original em 26 DVD.

Genérico:



O último episódio "O Elefante dos Sonhos" 


     

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Heidi no cinema e televisão - Parte 1 [1920-1974]



As gerações mais recentes ao ouvir dizer "Heidi" imediatamente ouvem na cabeça o genérico "avôzinho diz-me tu..." da série animada de êxito dos anos 70 [que estreou no Japão fez esta semana 42 anos]. Mas, desde que o livro foi publicado, várias outras versões, em imagem real ou desenho animado têm povoado a cultura popular de várias gerações.
O livro "Heidi", da autoria da suiça Johanna Spyri - foi publicado no longínquo ano de 1881. Cá por casa tenho uma edição que combina texto com banda desenhada. Estou certo que muitos leitores da Enciclopédia também a têm nas prateleiras da biblioteca caseira.




Heidi (1920) curta-metragem muda norte-americana, com Madge Evans no papel título. Veja um clip colorido à mão do filme: "Heidi Of The Alps.




Heidi (1937) Filme de imagem real, protagonizado pela jovem estrela de Hollywood Shirley Temple.
Trailer:

Filme completo no Youtube: "Heidi 1937" em cores.



Heidi (1952) Filme suíço realizado por Luigi Comencini e protagonizado por Elsbeth Sigmund, Heinrich Gretler e Thomas Klameth.
A versão em inglês no Youtube:




"Heidi and Peter" (1955) Sequela do filme de 1952, repete o elenco e equipa do original.




"A Gift For Heidi" (1958) Esta aventura de Verão da pequena Heidi (Sandy Descher) inclui um salvamento de um casal de noivos nas montanhas. Um excerto da versão espanhola:


"Heidi" (1959) Uma peça musicada por  William Friedberg.



"Heidi" (1965) Filme austríaco, com Eva Maria Singhammer como Heidi. Realizado por Werner Jacobs.
Filme completo no Youtube:






"Heidi" (1968) Telefilme norte-americano com Maximilian Schell, Jean Simmons e a pequena Jennifer Edwards como Heidi. O filme ficou famoso por interromper a emissão dos último momentos de um jogo de futebol americano, impedindo os espectadores de assistir aos golos que deram a vitória aos Oakland Riders; e também por alterar drasticamente as personalidades e relacionamentos familiares entre as clássicas personagens.

A banda sonora do mestre John Williams (Tubarão, A Guerra das Estrelas):



"Heidi" (1968) do mesmo ano do telefilme, uma dramatização ao estilo radiofónico. Heidi (Disneyland Storyteller Record):







"Heidi" (1974) chegamos finalmente à versão mais querida dos portugueses entre os anos 70 e a actualidade. Esta versão em anime vai ter claro um cromo especial na Enciclopédia. Já o preparo há muito tempo e vou recolhendo material, como livros, gravações em vhs, etc para partilhar convosco brevemente.




"Heidi" (1974) do mesmo ano do anime, mas uma produção da BBC em imagem real.

Brevemente a Parte 2, com as versões mais recentes, incluindo o filme de 2015 que estreia hoje em Portugal.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Natal na Enciclopédia - Parte 3


Mais um Natal na Enciclopédia de Cromos! E como hábito vamos reunir num post todos os cromos/artigos que este ano foram dedicados à época natalícia!




A do Natal 2014 Natal na Enciclopédia - Parte 2.

E do Natal 2013 Natal na Enciclopédia - Parte 1.




terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Acorrentados (2001)

por Paulo Neto

Para muitos, o princípio do fim do fulgurante domínio da SIC e da ascensão da TVI na luta pelas audiências, deu-se com o Big Brother que a estação de Queluz acolheu após a recusa da SIC. Dado o sucesso do programa, ficou rapidamente evidente que a SIC arrependera-se amargamente de ter rejeitado o Big Brother e em 2001, avançou para o contra-ataque com alguns reality shows.
O primeiro deles foi "Acorrentados", estreado logo no início do ano, a 20 de Janeiro de 2001, para fazer frente à segunda edição do Big Brother que estrearia em breve. Um formato originalmente estreado nos Estados Unidos mas, tal como o Big Brother, produzido pela Endemol, o concurso consistia em seguir a coabitação de cinco pessoas acorrentadas entre si, sendo que quatro desses indivíduos tentavam conquistar o quinto indivíduo, do sexo oposto, que por sua vez ia eliminando sucessivamente os pretendentes até escolher aquele que mais lhe impressionou.



Em Portugal, o programa teve quatro ciclos de duas semanas, exibidos sucessivamente. Havia a primeira gala a um sábado onde se conheciam os cinco concorrentes de cada ciclo: o/a líder e os/as seus/suas pretendentes. No sábado seguinte, o/a líder eliminava o/a primeiro/a pretendente, na quarta-feira-seguinte, eliminava mais um(a) e na última gala, tomava a sua decisão final e escolhia aquele ou aquela que mais lhe conquistou e como tal, iria acompanhá-lo/a numa viagem até à República Dominicana. No início de cada ciclo, o/a líder recebia uma mala com uma quantia de dinheiro o qual podia administrar e gastar como quisesse ao longo das duas semanas, desde despesas em restaurantes e lojas a quantias oferecidas aos pretendentes eliminados, podendo dividir o dinheiro que sobrava no fim de cada ciclo com o/a pretendente escolhido/a. As galas eram apresentadas por Artur Albarran e os diários e o momento da segunda eliminação eram conduzidos por José Figueiras, que também acompanhava os concorrentes em várias das suas saídas à rua.        



Não encontrei muitas informações sobre o programa e as minhas recordações dele não são muito concretas, até porque não acompanhei regularmente o programa.

Eis aquilo que me recordo ou que consegui descobrir sobre o programa:

- Nomes dos concorrentes de cada ciclo:

1.º ciclo: Líder - Daniela, Pretendentes - Filipe, Nuno, Paulo, Pedro
2.º ciclo: Líder - Nuno, Pretendentes - Ana, Catarina, Liliana, Sofia
3.º ciclo: Líder - Isabel, Pretendentes - Joaquim "Ravel", Jorge, Marco, Pedro
4.º ciclo: Líder - Pedro, Pretendentes - Carolina, Magda, Nádia e Zaida






As escolhas finais dos líderes Daniela, Nuno, Isabel e Pedro foram respectivamente Filipe, Liliana, Ravel e Zaida.


- Os cinco concorrentes estavam amarrados da seguinte forma da esquerda para a direita: pretendente 1 preso pelo braço a pretendente 2 preso pela perna a líder preso pelo braço a pretendente 3 preso pela perna a pretendente 4.



- Os cinco participantes iam viver para uma casa durante o ciclo. Embora não fossem vigiados 24 horas por dia como no Big Brother, as câmaras estavam presentes praticamente desde que acordavam até irem dormir. Na casa, tinham acesso a várias roupas com velcro para que se pudessem vestir sem o impedimento das correntes.

- No entanto, as correntes e respectivas algemas não eram assim tão fortes e impeditivas como pareciam. No segundo ciclo, durante uma discussão, a concorrente Sofia fez um movimento brusco que fez saltar a algema que tinha no braço.

- Embora o público pudesse votar nos seus pretendentes preferidos a cada ciclo por telefone ou na internet, todas as decisões de eliminação cabiam exclusivamente ao líder.

- O tema do programa, "Tu És O Único", era interpretado por Susana Guerra, actualmente conhecida como Suzy, nome pelo qual representou Portugal no Festival da Eurovisão de 2014 com "Quero Ser Tua". 

- Ao longo dos quatro ciclos, o grupo Impresa publicou uma revista semanal dedicada ao programa.

- Na memória de alguns, está também a Soraia, a esfuziante morena trajada com vestes misto de odalisca e dominatrix, que tinha como função colocar as correntes nos concorrentes. (ACTUALIZAÇÃO: Em 2019, Soraia Araújo participou no reality show "Quem Quer Namorar Com O Agricultor?")


Apesar da forte aposta da SIC, "Acorrentados" não convenceu o público. Não só o povo estava mais interessado na segunda edição do Big Brother como a dinâmica revelou-se pouco emocionante e não houve nenhum concorrente marcante, pelo menos na altura.
Se "Acorrentados" ainda hoje é recordado, é sobretudo porque foi lá que vimos pela primeira vez duas meninas que viriam a tornar-se bem conhecidas. A Liliana do segundo ciclo era Liliana Santos que mais tarde afirmar-se-ia como actriz em telenovelas e séries como "Morangos Com Açúcar", "Ninguém Como Tu", "Bem-Vindo A Beirais" e "Mar Salgado" e a Isabel do terceiro ciclo era nada menos que Isabel Figueira, que viria a ser uma das beldades reveladas pela revista MAXMEN e presença habitual na televisão, como apresentadora e mais tarde como actriz. Como será evidente, ambas têm evitado falar sobre a sua participação no programa.

A actriz Liliana Santos foi concorrente no 2.º ciclo de "Acorrentados"


 



O Pedro do terceiro ciclo foi um figurante recorrente na "Herman Enciclopédia": por exemplo no famoso sketch "Outros 10 Mandamentos", o tal do famoso bordão "não pirilamparás a mulher do próximo", onde personificou o mandamento "não ficarás vermelho de raiva". O Marco do terceiro ciclo era stripper (o seu stagename escrevia-se com K) e fez depois algumas aparições na televisão desempenhando essa actividade.



Vídeo de apresentação de Marco (3.º ciclo)


 

Apresentação de Marco (3.º ciclo) no estúdio (com a aparição da "acorrentadora" Soraia)

   

Tiazinha (artista brasileira que fazia sucesso na época nos dois lados do Atlântico) na casa dos Acorrentados (3.º ciclo)



Entrevista de apresentação a Pedro Martins (4.º ciclo)




Resumo diário (1.º ciclo, 30 Janeiro 2001)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Marco dos Apeninos aos Andes (1976)



Um dos motivos para ter demorado tanto a publicar o cromo sobre a série anime de êxito "Marco dos Apeninos aos Andes" [母をたずねて三千里, Haha o Tazunete Sanzenri] é que me lembro muito pouco dela. Quando estreou eu ainda não tinha nascido, e apesar de recordar alguns elementos de repetições posteriores não teve em mim o impacto que outras produções vindas do país do Sol Nascente. Mas visto que se comemora em 2016 o 40º Aniversário da estreia no canal "Tokyo Channel 12" a 4 de Janeiro de 1976, vamos falar um pouco desta animação parte do World Masterpiece Theater - a antologia de séries, que em cada ano adaptava um livro ou história clássica. Marco sucedeu a "Heidi" (1974) e "O Cão de Flandres" (1975) - e foi realizada pelo mesmo autor de "Heidi": Isao Takahata ("Ana dos Cabelos Ruivos", "Grave of the Fireflies","My Neighbors the Yamadas").


Ao longo de 52 episódios adaptados e expandidos a partir do capítulo "Dagli Appennini alle Ande" do livro "Cuore" ("Coração" - 1886 - de Edmundo de Amicis que - segundo a Wikipedia - devido às temáticas de pobreza e nacionalismo tornou o livro simultaneamente popular entre os socialistas e fascistas. Podem ler na integra aqui em italiano) a odisseia do pequeno Marco em busca da sua mãe estende-se por milhares de quilómetros, como o título português indicia: "Marco dos Apeninos aos Andes". Os Apeninos são a cordilheira de montanhas que percorre a Itália, e os Andes o seu equivalente mas oito vezes mais extensa ao longo da América do Sul. A sinopse deste drama animado é sobejamente conhecido - até pelas gerações mais novas, recordo-me que há alguns anos saiu a colecção em DVD e cromos. Mas para quem não conhece: em Génova, na Itália de finais do século XIX, devido a dificuldades económicas, a mãe de Marco emigra para a Argentina em busca de trabalho. Algum tempo depois, deixa de chegar correspondência. Segundo a 2ª parte da caderneta de cromos: "Marco, oprimido por uma terrível tristeza e sentindo que lhe era impossível resignar-se com a sua ausência, um belo dia, decidiu ir à procura de sua mãe à Argentina. Pedro, o pai, não queria nem ouvir falar nisso, mas, Marco, pouco a pouco conseguiu convencê-lo e, depois de algumas hesitações, deu o seu consentimento. De modo que, numa linda tarde de Primavera, Marco e Amédio, juntos, partiram num barco chamado Folgore"Amédio (Dominó na segunda dobragem) é o macaquinho de estimação de Marco. Várias peripécias se desenrolam ao longo dos 52 episódios - nunca editados por cá na integra - mas depois de tanta angústia Marco finalmente reúne-se com a mãe, doente e a precisar de ser operada. Depois de recuperada ambos regressam a Génova, lançando milhões de espectadores num pranto que ameaçou inundar o planeta de lágrimas.

O genérico em português:

Versos dramáticos: "vais-te embora mamã, não me deixes aqui.."


No dia do 40º aniversário de "Marco" a TVI passou uma pequena reportagem bastante acertada:



Em Portugal, chegou RTP no dia 22 de Maio de 1977, no Domingo às 20:30, a seguir à TV Rural e a substituir no nicho a também muito bem sucedida "Heidi". Claro que o sucesso entre os mais pequenos e graúdos se traduziu numa avalanche de produtos licenciados, desde os obrigatórios discos em vinil com a banda sonora, uma caderneta de cromos em 2 partes para poder cobrir tão extensa saga, figuras em PVC, banda desenhada, etc.

A Parte 2 da caderneta de cromos da Disvenda, constituída por 96 cromos coloridos, que na capa do verso dá logo um grande spoiler com a reunião de mãe  e filho:

A introdução da caderneta:










Numa das primeiras semana de exibição, na página de programação do "Diário de Lisboa" a série é descrita assim: "Marco- A Heidi de calças".

Além da caderneta, tenho na minha colecção um par de canecas:


Há tempos arranjei uma cassete VHS com episódios de Heidi e Marco. Imagino que sejam da edição dos anos 90, com uma nova dobragem da responsabilidade de António Feio, conforme informa o blog "Desenhos Animados", que aliás recomendo a leitura atenta, e não só sobre esta sére: "Desenhos Animados | Marco".

Os genéricos incluídos - de ambas as séries - não são os mais familiares ao portugueses, mas aqui ficam eles:
O genérico inicial (VHS) de "Marco dos Apeninos aos Andes":
O genérico final (VHS) de "Marco dos Apeninos aos Andes":


Na Enciclopédia já havíamos escutado a banda sonora de Marco, que na versão portuguesa esteve a cargo de Luís Pedro da Fonseca (da banda rock Salada de Frutas). Mais informação aqui: "Marco - Dos Apeninos aos Andes - Banda Sonora Original".


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sábado, 2 de janeiro de 2016

Nesquik - Grande Concurso Anos 90 (1990)



Ao re-ouvir alguns dos podcast da "Caderneta de Cromos", sobre o "Concurso Anos 90", fez-se um clique na minha memória como se tivesse encaixado o cabelo na cabeça de um Playmobil: eu tinha algures nos arquivos de imagens da Enciclopédia o anúncio sobre o "Grande Concurso Anos 90" que Nuno Markl menciona no podcast Caderneta de Cromos Nº 606 "Grande Concurso Anos 90" [Ouvir/Download MP3]
Continuamos a espantar-nos com a "generosidade" dos concursos dos anos 80 e 90, ainda para mais em comparação com os cada vez mais espartanos prémios oferecidos hoje em dia.
Vamos olhar melhor ao anúncio:


Para concorrer bastava enviar 4 pontos das embalagens de Nesquik ou 8 códigos de barras de leite achocolatado Nesquik. Os "fabulosos prémios" a que o consumidor de leite com chocolate se podia habilitar eram os seguintes:
10 câmaras de vídeo VHS Philips Camcorder;
8 Computadores Olivetti PCS 86 com monitor;
2 Viagens para 2 pessoas aos EUA [durante 9 dias com visitas ao Kennedy Space Center e Epcot Center (Dinsey World)]
1 Andar "anos 90" na Urbanização Pimenta & Rendeiro - Massamá (equipado com Telefax, fechadura electrónica, computador, antena parabólica, gravador de chamadas e alarme electrónico).

No podcast referido acima, Nuno Markl admite que na altura o seu prémio mais desejado do lote era sem dúvida uma das câmaras de vídeo. Confesso que na época o pequeno David também o preferisse, mas hoje em dia acho que não havia muita hesitação em preferir um apartamento com todas as mordomias modernas (nos anos 90). 


Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 246, de 1990. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.


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