segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Marco dos Apeninos aos Andes (1976)



Um dos motivos para ter demorado tanto a publicar o cromo sobre a série anime de êxito "Marco dos Apeninos aos Andes" [母をたずねて三千里, Haha o Tazunete Sanzenri] é que me lembro muito pouco dela. Quando estreou eu ainda não tinha nascido, e apesar de recordar alguns elementos de repetições posteriores não teve em mim o impacto que outras produções vindas do país do Sol Nascente. Mas visto que se comemora em 2016 o 40º Aniversário da estreia no canal "Tokyo Channel 12" a 4 de Janeiro de 1976, vamos falar um pouco desta animação parte do World Masterpiece Theater - a antologia de séries, que em cada ano adaptava um livro ou história clássica. Marco sucedeu a "Heidi" (1974) e "O Cão de Flandres" (1975) - e foi realizada pelo mesmo autor de "Heidi": Isao Takahata ("Ana dos Cabelos Ruivos", "Grave of the Fireflies","My Neighbors the Yamadas").


Ao longo de 52 episódios adaptados e expandidos a partir do capítulo "Dagli Appennini alle Ande" do livro "Cuore" ("Coração" - 1886 - de Edmundo de Amicis que - segundo a Wikipedia - devido às temáticas de pobreza e nacionalismo tornou o livro simultaneamente popular entre os socialistas e fascistas. Podem ler na integra aqui em italiano) a odisseia do pequeno Marco em busca da sua mãe estende-se por milhares de quilómetros, como o título português indicia: "Marco dos Apeninos aos Andes". Os Apeninos são a cordilheira de montanhas que percorre a Itália, e os Andes o seu equivalente mas oito vezes mais extensa ao longo da América do Sul. A sinopse deste drama animado é sobejamente conhecido - até pelas gerações mais novas, recordo-me que há alguns anos saiu a colecção em DVD e cromos. Mas para quem não conhece: em Génova, na Itália de finais do século XIX, devido a dificuldades económicas, a mãe de Marco emigra para a Argentina em busca de trabalho. Algum tempo depois, deixa de chegar correspondência. Segundo a 2ª parte da caderneta de cromos: "Marco, oprimido por uma terrível tristeza e sentindo que lhe era impossível resignar-se com a sua ausência, um belo dia, decidiu ir à procura de sua mãe à Argentina. Pedro, o pai, não queria nem ouvir falar nisso, mas, Marco, pouco a pouco conseguiu convencê-lo e, depois de algumas hesitações, deu o seu consentimento. De modo que, numa linda tarde de Primavera, Marco e Amédio, juntos, partiram num barco chamado Folgore"Amédio (Dominó na segunda dobragem) é o macaquinho de estimação de Marco. Várias peripécias se desenrolam ao longo dos 52 episódios - nunca editados por cá na integra - mas depois de tanta angústia Marco finalmente reúne-se com a mãe, doente e a precisar de ser operada. Depois de recuperada ambos regressam a Génova, lançando milhões de espectadores num pranto que ameaçou inundar o planeta de lágrimas.

O genérico em português:

Versos dramáticos: "vais-te embora mamã, não me deixes aqui.."


No dia do 40º aniversário de "Marco" a TVI passou uma pequena reportagem bastante acertada:



Em Portugal, chegou RTP no dia 22 de Maio de 1977, no Domingo às 20:30, a seguir à TV Rural e a substituir no nicho a também muito bem sucedida "Heidi". Claro que o sucesso entre os mais pequenos e graúdos se traduziu numa avalanche de produtos licenciados, desde os obrigatórios discos em vinil com a banda sonora, uma caderneta de cromos em 2 partes para poder cobrir tão extensa saga, figuras em PVC, banda desenhada, etc.

A Parte 2 da caderneta de cromos da Disvenda, constituída por 96 cromos coloridos, que na capa do verso dá logo um grande spoiler com a reunião de mãe  e filho:

A introdução da caderneta:










Numa das primeiras semana de exibição, na página de programação do "Diário de Lisboa" a série é descrita assim: "Marco- A Heidi de calças".

Além da caderneta, tenho na minha colecção um par de canecas:


Há tempos arranjei uma cassete VHS com episódios de Heidi e Marco. Imagino que sejam da edição dos anos 90, com uma nova dobragem da responsabilidade de António Feio, conforme informa o blog "Desenhos Animados", que aliás recomendo a leitura atenta, e não só sobre esta sére: "Desenhos Animados | Marco".

Os genéricos incluídos - de ambas as séries - não são os mais familiares ao portugueses, mas aqui ficam eles:
O genérico inicial (VHS) de "Marco dos Apeninos aos Andes":
O genérico final (VHS) de "Marco dos Apeninos aos Andes":


Na Enciclopédia já havíamos escutado a banda sonora de Marco, que na versão portuguesa esteve a cargo de Luís Pedro da Fonseca (da banda rock Salada de Frutas). Mais informação aqui: "Marco - Dos Apeninos aos Andes - Banda Sonora Original".


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sábado, 2 de janeiro de 2016

Nesquik - Grande Concurso Anos 90 (1990)



Ao re-ouvir alguns dos podcast da "Caderneta de Cromos", sobre o "Concurso Anos 90", fez-se um clique na minha memória como se tivesse encaixado o cabelo na cabeça de um Playmobil: eu tinha algures nos arquivos de imagens da Enciclopédia o anúncio sobre o "Grande Concurso Anos 90" que Nuno Markl menciona no podcast Caderneta de Cromos Nº 606 "Grande Concurso Anos 90" [Ouvir/Download MP3]
Continuamos a espantar-nos com a "generosidade" dos concursos dos anos 80 e 90, ainda para mais em comparação com os cada vez mais espartanos prémios oferecidos hoje em dia.
Vamos olhar melhor ao anúncio:


Para concorrer bastava enviar 4 pontos das embalagens de Nesquik ou 8 códigos de barras de leite achocolatado Nesquik. Os "fabulosos prémios" a que o consumidor de leite com chocolate se podia habilitar eram os seguintes:
10 câmaras de vídeo VHS Philips Camcorder;
8 Computadores Olivetti PCS 86 com monitor;
2 Viagens para 2 pessoas aos EUA [durante 9 dias com visitas ao Kennedy Space Center e Epcot Center (Dinsey World)]
1 Andar "anos 90" na Urbanização Pimenta & Rendeiro - Massamá (equipado com Telefax, fechadura electrónica, computador, antena parabólica, gravador de chamadas e alarme electrónico).

No podcast referido acima, Nuno Markl admite que na altura o seu prémio mais desejado do lote era sem dúvida uma das câmaras de vídeo. Confesso que na época o pequeno David também o preferisse, mas hoje em dia acho que não havia muita hesitação em preferir um apartamento com todas as mordomias modernas (nos anos 90). 


Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 246, de 1990. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.


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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Passatempo Miluvit - Vitinho



Vez e outra vem parar-nos à mão publicidade a passatempos organizados para promover determinadas marcas. Recentemente consegui uma página - algo danificada - de publicidade ao passatempo dos flocos de cereais Miluvit, protagonizada pelo adorável Vitinho - o famoso personagem criado por José Maria Pimentel. Depois de digitalizar a página reparei-a o melhor que pude, e cá está ela para memória futura.
O discurso do anúncio é directo aos mais jovens na forma como explica o funcionamento do passatempo:
"Queres saber como é? vamos a isso. é muito fácil:
Dentro das embalagens do miluvit vêm peças que fazem parte de um puzzle. Junta as diferentes peças coloridas até completares o desenho.
Quando tiveres as 6 diferentes pelas coloridas, recorta-as e cola-as num postal dos CTT..."
O postal teria que ser enviado para a Milupa e depois de validado poderia ganhar um dos seguintes prémios:
Réguas, Autocolantes, Cadernos, Individuais, "Lata Mealheiro", Horários, calendários, Lanternas, Posters em Feltro, etc...


"nós e miluvit...amigos p'rá vida!"

Vitinho completa o puzzle:
As embalagens de Miluvit nas variedades; Multicereais, Maças, Mel e Arroz.


Como bónus, vídeos de anúncios ao Miluvit publicados no canal de Youtube do "Clube Vitinho":




Reparem no pormenor dos calendários do Vitinho que o rapaz tem na mão, neste anúncio em imagem real por oposição à animação dos anteriores:


Aconselho também a visita ao Facebook do "Clube Vitinho".

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O Papá Das Pernas Altas (1990)

por Paulo Neto

"O Papá Das Pernas Altas" foi uma série animada japonesa de 1990 que adaptava o romance do mesmo nome de Jean Webster, publicado em 1912 e que já teve diversas adaptações cinematográficas: a primeira em 1919 com a estrela do cinema mudo, a canadiana Mary Pickford, e a mais famosa num filme musical de 1955 com Leslie Caron e Fred Astaire, além de já ter tido uma versão indiana em 1984 e outra coreana em 2005. Aliás, já em 1979 foi objecto de uma adaptação para um telefilme anime japonês.



A série anime de 1990 de título original "Watashi No Ashinaga Ojisan" foi exibida em Portugal na TVI em 1994, com a particularidade de por cá ter passado a dobragem italiana com legendas em português. Além desta, a única série anime que me lembro ter passado em Portugal com dobragem italiana foi "A Minha Amiga Licia", exibida na RTP também em 1994.

A série conta a história de Judy Abbott, uma orfã com talento para a escrita, que tem a oportunidade de fazer o ensino secundário num prestigiado colégio, o Lincoln Memorial, sendo financiada por um misterioso benfeitor, sob o nome de John Smith, do qual tudo o que Judy conhece é a sua silhueta que ela viu uma vez, e como tal refere-se a ele como o "Papá das Pernas Altas". A única condição que o benfeitor impõe à jovem é  a de escrever-lhe todos os meses uma carta sobre a sua estadia e os seus estudos no Lincoln Memorial, sem esperar uma resposta.



Judy torna-se imediatamente amiga de uma das suas colegas de quarto, a tímida Sally McBride. Já com a outra colega de quarto, a empertigada Julia Pendleton, a relação não começa muito bem já que esta age com superioridade diante de Judy e Sally e não percebe como é que alguém de origem obscura como Judy conseguiu entrar no colégio. Mas gradualmente, Julia e Judy acabam também por se tornar amigas, sobretudo quando Julia apaixona-se, contra a oposição da sua família, por Jimmy, o irmão de Sally, um garboso universitário de Princeton e estrela do futebol americano.





No final, Judy descobre que o seu benfeitor é Jervis Pendleton, o tio de Julia, com quem sempre simpatizara durante as visitas deste ao colégio. Empresário bem-sucedido e excêntrico, Jervis desiludiu-se com a hipocrisia da alta sociedade, tendo dedicado a sua fortuna a ajudar os mais desfavorecidos. No final da série, uma relação amorosa nasce entre Judy e Jervis.

As vozes da dobragem italiana eram de Debora Magnaghi (Judy), Donatella Fanfani (Sally), Emanuela Pacotto (Julia), Diego Sabre (Jimmy) e Marco Balzarotti (Jervis).

Apesar da história ser ameninada, recordo-me de acompanhar a espaços a série e de achar particular graça às tranças da Judy, bem semelhantes à da Pipi das Meias Altas. 

Genérico*:



* Embora na versão que passou em Portugal, este fosse o genérico de abertura, a música usada tanto no genérico de abertura como no genérico final, era a música do genérico final japonês.

Excerto da versão italiana:




quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Litão de Natal

Quem já acompanha a Enciclopédia há algum tempo, sabe que sou de Olhão, no Algarve. A minha terra aparece na televisão de modo sazonal: reportagens sobre o Festival do Marisco, apreensão de drogas, iguarias como a Vila de Ameijoas e mais recentemente Bolos Reis gigantes. Mas um clássico de Olhão na altura do Natal, é a obrigatória reportagem televisiva sobre o prato tradicional: Litão. Sim, litão e não leitão.

Foto: "Flickr - Rui Costa"



Reportagem de 2013:

Reportagem da TVI de 2015: "Litão é o rei à mesa no Natal de Olhão"

Reportagem do jornal JN de 2015 : "O litão é o prato principal da Consoada das famílias de Olhão"

Litão é um pequeno tubarão que é seco, salgado e seco ao sol durante o Verão. A modalidade "à moda de Olhão" é em guisado. Em tempos idos era o prato da população mais pobre sem recursos para adquirir o caro bacalhau. Actualmente é muito mais dispendioso, mas as famílias fazem o esforço para o incluir no jantar mais importante do ano. E claro que a restauração local o inclui nas ementas natalícias.

Um exemplar de litão recém-capturado. Foto: APOS
O amor ao peixe é tão grande que alguns anos foi criada a Confraria Olhanense do Litão. Sim, daqueles grupos de fãs que usam uns chapéus engraçados. Espreitem a página do Facebook aqui.
Foto: Confraria Olhanense do Litão

O site da APOS descreve o Litão do seguinte modo:
"O nome mais usual em Portugal é leitão mas em Olhão chamamo-lo litão. Em inglês denomina-se blackmouth catshark, em francês chien espagnol, e em espanhol, pintarroja bocanegra.
Trata-se de um pequeno tubarão parecido com a patarroxa que se distribui pelo Mediterrâneo, e Atlântico Oriental (...) O peixe é geralmente aberto, passado por um pouco de sal e posto a secar ao Sol por 4 ou mais dias (dependente da radiação). Depois é guardado alguns meses até ser consumido. A pele seca era antigamente utilizada para lixa. Antes de ser consumido tem de ser demolhado durante cerca de 1 dia."

O peixe já seco, e pronto a vender.
Foto: Internet
O litão a secar ao ar livre. Imagem capturada na Doca de Olhão.
Foto: Internet
Já no prato:
Foto: Internet

Foto: Internet

Cá por casa, não falta na consoada, em versão guisado, e apesar da minha aversão a peixe (quando criança só comia as batatas e o molho no pão), tenho-o comido nos últimos anos e tenho que reconhecer que apesar de bastante salgado é agradável. Diz-me a minha mãe que também se faz em feijoada.
Espero depois da Ceia de Natal por aqui algumas fotos do litão já no prato.

No site "Can The Can" podem consultar uma sugestão de receita para preparar Litão: "Can The Can Lisboa - Litão".

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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Minha Agenda RTP (1985-2001)

por Paulo Neto

É uma verdade universal que a publicidade é arte de fazer algo parecer imprescindível, mesmo que na realidade a aquisição desse produto não seja de todo essencial à nossa existência. Um dos casos mais célebres do poder da publicidade foi a de uma série de anúncios que nos anos 80 e 90, por alturas do Natal, tornavam algo tão prosaico como uma agenda num dos presentes mais desejados no sapatinho pela petizada. Para tal bastava uma série de anúncios natalícios bem coloridos e um simples mas contagiante jingle:

"Para o Natal, 
o meu presente 
eu quero que seja
A Minha Agenda,
A Minha Agenda..."

E era o que bastava para cativar a petizada e para que uma parte dessas tivesse vontade de pedinchar "A Minha Agenda RTP"  para a sua lista de presentes de Natal. Eis um desses anúncios, de 1994, referente à edição de 1995.


Se não estou em erro, embora o anúncio fosse diferente a cada ano, a gravação audio, tanto do jingle como da voz-off que dizia "A Minha Agenda: jogos, magia, diário, receitas. E muitas ideias para todas as semanas do ano." rematando no célebre slogan "A prenda de Natal para o ano inteiro", foi sempre a mesma. Mas seja como for, durante anos a fio, os anúncios de A Minha Agenda RTP faziam parte da quadra, tal como o anúncio das Fantasias de Natal, o Natal dos Hospitais e os fritos na noite da Consoada.   
Não sei precisar, mas creio que a primeira edição de A Minha Agenda RTP que surgiu foi a do ano de 1986, editada no Natal de 1985 e pelo que pude apurar, a última edição foi a de 2001. A Minha Agenda era uma iniciativa conjunta da RTP e da Editorial O Livro, que era também a editora de famosos manuais escolares como os livros de Língua Portuguesa das séries do "Papu" e "Aos Quatro Ventos" no ensino primário ou os manuais de Educação Musical do 2.º ciclo "Ao Encontro Da Música". Aliás, notava-se que o ilustrador de A Minha Agenda era o mesmo desses manuais.





Agora a pergunta que se impõe: "Paulo, tu chegaste a receber A Minha Agenda RTP no Natal?". E a resposta é "Sim." No Natal de 1993, não me recordo da parte de quem e se foi por meu pedido ou não, a edição para 1994 figurou entre as minhas prendas dessa noite. Foi uma Consoada que recordo particularmente bem por ter sido a única onde toda a família se reuniu em minha casa e não em casa da minha Avó Ana, como tinha sido hábito até então e também por ter sido a única Noite de Consoada em que estive doente: tinha passado todo o dia de cama e só me levantei para ir para a sala nessa noite. 



Foi com agrado que recebi a "A Minha Agenda RTP" 1994 como presente, que como era habitual continha várias rubricas como receitas, actividades de trabalhos manuais, ideias para jogos e truques de magia e notas astrológicas. Lembro-me de ter recriado alguns jogos e truques de magia, já que a minha fraca habilidade manual impedia-me de aventurar em fazer as receitas ou trabalhos manuais mais elaborados.
Porém na sua principal função, a de agenda propriamente dita deixava ainda um bocado a desejar. Para já, a sua dimensão e peso não ajudavam muito para que fosse levada de um lado para o outro e depois o conteúdo em si já parecia um bocadinho infantil para os 13 anos que tinha na altura, pelo que nunca me atrevi a levá-la para a escola. Por fim, como não só o espaço disponível para escrever sobre o que se fazia em cada dia era pouco mas também a minha vida na altura era tudo menos preenchida, acabava por só escrever coisas mais sucintas que uma mensagem de Twitter: "Hoje tive teste de Físico-Química.", "Fui ao cinema ver 'A Família Addams 2' ", "A Liliana Margarida fez anos ontem.", "Vi o 'Jogo do Ganso" e o 'Nunca Digas Banzai' ", "Hoje fez muito frio." e por aí fora. Isto ao princípio, que chegado a Maio desse ano, deixei de escrever de todo.

Se já na altura era preciso aquele eficaz chamariz publicitário para convencer a petizada de que uma agenda era um atractivo presente de Natal, creio que hoje em dia nem com isso conseguiriam cativar a geração das apps e das redes sociais. Seja como for, A Minha Agenda RTP e os seus anúncios merece o seu lugar na memória colectiva dos Natais dos anos 80 e 90.

E claro está, em 2010, no auge da rubrica "A Caderneta de Cromos" da Rádio Comercial, uma edição de "A Minha Agenda" foi editada com vários elementos da rubrica de Nuno Markl. 


Actualização: a nossa seguidora Inês Martins enviou-nos pelo Facebook imagens de um exemplar da edição de 1993 que encontrou por entre as suas coisas de infância. À Inês, o nosso muito obrigado.






domingo, 20 de dezembro de 2015

Reguilas - Chocolates de Leite Aliança




 Recordo vagamente de ver à venda estas pequenas tabletes de chocolate de leite "Reguilas" da Aliança (responsáveis, entre outras iguarias, pelo "Chogurte"). Sinceramente, nunca me seduzi por tabletes tão minúsculas - 10 gramas - sem recheio e com tão pouco para comer. O slogan tenta ser modernaço "um chocolate muito louco" mas as diferentes ilustrações do papel que embrulha cada chocolate fazem recordar os desenhos de alunos da primária.



Imagens Digitalizadas e Editadas por Enciclopédia de Cromos.
Nota: Imagens substituidas em 2017 por novas digitalizações de melhor qualidade, retiradas da revista Mickey Nº 68, de 1986.


Não existe quase rasto digital da marca "Aliança" mas o site "Chocolate Wrapper Museum" tem várias amostras de embrulhos de chocolates, entre uns mais genéricos e outros como "Primavera", "Abelha Maia", "Paddington", "Crispy Crack", "Suidzo", "Feelings" ou o chocolate de cozinha "Bleuville". O excelente blog "Santa Nostalgia" também tem um reclame ao "Bleuville".
"Chocolate Wrapper Museum"  adianta ainda que "existiam muitas pequenas companhias de chocolate em Portugal como a Aliança, Celeste que fecharam em finais dos anos 80 e nos 90."
No fórum do Mistério Juvenil é possível encontrar um depoimento de um utilizador que recorda outros produtos fabricados pela Aliança: Zainy Crispy, Tofee Crispy, Bélinhas (as bolachas cobertas de chocolate, não as chapadas na testa), Shortcake...


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Pocahontas (1995)

por Paulo Neto

A Disney viveu uma nova era dourada das suas produções animadas, a chamada "Disney Renaissance" que se iniciou em 1989 com "A Pequena Sereia" e que se concorda ter terminado em 1999 com "Tarzan". Durante esse período, os estúdios Disney produziram uma obra animada em cada ano e à medida que os títulos iam se sucedendo com grande sucesso, havia anualmente altas expectativas sobre como iria ser a próxima longa metragem animada. Se nos Estados Unidos, esses filmes estreavam habitualmente no Verão, em Portugal os mesmos só chegavam cá em plena época natalícia e por isso eram mais um ingrediente a trazer mais alegria aos Natais portugueses dos anos 90, inclusive os meus, já que era costume ir ver esses filmes com o meu irmão durante as sempre ansiadas férias. Como já descrevi antes, esta nossa tradição começou em 1994, com "O Rei Leão" que vivemos com particular emoção. Por isso, era óbvio repetirmos a experiência no ano seguinte com "Pocahontas".



O filme, realizado por Mike Gabriel e Eric Goldberg, era inspirada pela história da colonização da América, narrando um encontro ficcionado entre a célebre nativa Pocahontas e o explorador inglês John Smith. Em 1607, um navio de colonos ingleses chega para fundar Jamestown. Entre eles está o Capitão John Smith. A expedição é liderada pelo pérfido John Ratcliffe, que pretende apoderar-se do ouro que acreditar existir naquelas terras para ascender na corte britânica. Entretanto, a nativa Pocahontas hesita em seguir o conselho do seu pai, o chefe Powhatan, de casar-se com o guerreiro Kocoum, que ela considera sério demais. Acompanhada pelos seus fiéis amigos animais, o beija-flor Flit e o guaxinim Meeko, Pocahontas procura de conselho junto da Avó Willow, uma árvore que também é uma criatura mística. Pouco depois, ela encontra John Smith e surge uma atração mútua entre ambos e um fascínio pelo mundo do outro.
As coisas complicam-se quando os dois são surpreendidos por Kocoum e por Thomas, um jovem colono, que desencadeiam uma série de acontecimentos trágicos e conduzem a um iminente conflito sangrento entre índios e colonos que Pocahontas terá de evitar.



Na versão original, o filme contou com as vozes de Irene Bedard (Pocahontas), Mel Gibson (John Smith), David Ogden Stiers (Ratcliffe), Christian Bale (Thomas) e Linda Hunt (Avó Willow), A versão portuguesa (foi o segundo filme Disney com dobragem em português de Portugal) tinhas as vozes de Manuela Couto, Miguel Ângelo, António Marques, Carlos Freixo, Fernando Luís e Anna Paula, respectivamente como Pocahontas, John Smith, Ratcliffe, Thomas, Chefe Powhatan e Avó Willow, sendo que uma então pouco conhecida Susana Félix era a voz da protagonista nas canções.    

Apesar de não ter tido as estrondosas receitas de "O Rei Leão", "Pocahontas" foi mais um sucesso dessa era Renaissance da Disney, apesar de ter recebido algumas críticas quanto à fragilidade da narrativa, o tratamento dos nativo-americanos e as inexactidões históricas. Por exemplo a verdadeira Pocahontas teria apenas 10 ou 11 em 1607. Tal como os outros filmes anteriores da era Renaissance, o filme também triunfou nas categorias musicais dos Óscares, ganhando a estatueta para melhor partitura, da autoria de Alan Menken, e melhor canção para "Colours Of The Wind", interpretada originalmente no filme por Judy Kuhn e numa versão pop por Vanessa Williams. Daniela Mercury gravou também uma versão do tema em português que foi incluído nos créditos finais das versões brasileira e portuguesa do filme.  


Mas ainda assim, apesar de não ter arrebatamento de "O Rei Leão", também gostei de "Pocahontas". Achei particularmente divertidas as cenas em que Meeko azucrinava Percy, o cão de estimação de Ratcliffe. E ainda hoje, para mim não restam dúvidas que a Pocahontas é a princesa Disney mais sexy.          


Susana Félix "As Cores Que O Vento Tem (Colours Of The Wind")


Trailer VHS Portugal


Trailer cinematográfica original



Vanessa Williams "Colours of the wind"


Jon Secada & Shanice "If I Never Knew You"





  
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