sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Sugus - 10 mil prémios (1983)


Meses atrás publiquei nas páginas da Enciclopédia uma publicidade aos caramelos "Sugus" de 1981. A de hoje é dois anos mais nova, com um desenho muito semelhante, mas com o aliciante "pormenor" de anunciar 10 mil prémios!

E para ser o vencedor destes prémios bastava comprar embalagens de Sugus, verificar o prémio incluído na etiqueta interior e enviá-la num postal até 30 de Junho de 1983. Segundo a ilustração e o texto que a acompanha, os prémios incluíam: "Mini Game vira +1 Sugus", cartas de jogar e casinhas Sugus. (pelo desenho a casinha parece ser aparentada às peças de LEGO).

Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 56, de 1983. 

Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

007-GoldenEye (1995)

por Paulo Neto

Nos anos 90, ao fim de trinta anos, a saga cinematográfica 007 continuava a ter muitos fãs mas chegava uma encruzilhada. Primeiro, porque o mundo entretanto tinha mudado bastante desde o último opus "Licença Para Matar" (1989), com a queda do muro de Berlim e o colapso da União Soviética, pelo que já não fazia sentido ter James Bond a limpar o sebo a uns quantos "camaradovskis". Depois porque estávamos nos períodos em que os blockbusters de acção eram cada vez mais sofisticados e não faltava quem questionasse se a personagem ainda seria relevante no mundo moderno e se não seria melhor deixá-la ficar como relíquia do passado. Por fim, porque os cinco filmes da saga nos anos 80, protagonizados por um já bem veterano Roger Moore e depois por um competente mas pouco carismático Timothy Dalton (para além do título não oficial "Nunca Mais Digas Nunca" onde Sean Connery fazia de um James Bond na pré-reforma), foram bem recebidos mas não inspiravam a mística dos filmes das décadas anteriores. A produção para o terceiro filme protagonizado por Timothy Dalton, o último do seu contracto, iniciou-se em 1990, mas por entre estas questões e várias disputas legais que surgiram entretanto, acabaram por adiar o projecto, e Dalton renunciou oficialmente ao papel de Bond em 1994.





Como tal, para assegurar a continuidade do sucesso da saga, foram precisas várias mudanças. Mas quando "007-GoldenEye" estreou em 1995 e renovou o interesse na saga, quer nos fãs convictos quer entre uma nova geração, as dúvidas foram dissipadas. O filme, realizado por Martin Campbell, marcou a estreia de Pierce Brosnan como o quinto actor no papel de James Bond. Entre outras novidades, contava-se Judi Dench como a primeira mulher no papel de M e Samantha Bond como a nova Miss Moneypenny. Já Desmond Llewynn desempenhou o papel de Q pela décima quinta vez. Quanto às duas Bond Girls, a escolha recaiu em duas desconhecidas beldades europeias: a holandesa Famke Janssen e a sueca de origem polaca Izabella Scorupco. E o vilão era nada menos que o agente 006, interpretado por Sean Bean.



No filme, James Bond investiga a associação criminosa Janus, nome pelo qual o misterioso líder é conhecido. Um dos mais temíveis membros do grupo é Xenia Onatopp (Janssen), uma antiga agente da força aérea soviética de origem georgiana, uma mulher literalmente fatal, que tem especial prazer em matar as suas vítimas asfixiando-as com as suas pernas. Onatopp e seus cúmplices atacam um centro espacial na Sibéria para se apoderarem do controlo dos satélites GoldenEye, que na verdade são umas armas clandestinas desenvolvidas pela União Soviética. Os únicos sobreviventes desse ataque são a programadora Natalya Simonova (Scorupco) e o seu chefe Boris Grishenko (Alan Cumming), que se revela um cúmplice de Janus. 
Em São Petersburgo, Bond descobre que Janus é Alec Trevelyan (Bean), o ex-agente 006 do MI6 e seu antigo amigo, que tinha supostamente morrido numa missão com Bond em Arkhangelsk, na sequência inicial do filme. Trevelyan pretende atacar o Reino Unido por quem culpa pela morte dos seus pais e causar um colapso financeiro global roubando o Banco de Inglaterra. Com a ajuda de Simonova, a quem obviamente lança o seu mítico charme, Bond persegue Trevelyan e Grishenko até Cuba para impedir o ataque do segundo satélite.




"007-GoldenEye" (o nome da propriedade jamaicana onde Ian Fleming escreveu muitos dos seus livros da série James Bond) foi um sucesso, contribuindo para a revitalização e relevância da saga 007. O desempenho de Pierce Brosnan foi elogiado por trazer uma dimensão mais psicologicamente profunda à personagem sem perder o humor e o jeito para o engate que a caracterizam. E claro, o público feminino de todas as idades não ficou indiferente ao bom aspecto do actor irlandês, então com 42 anos. Por exemplo, a minha mãe, sempre que via Brosnan na televisão ou nas revistas, dizia sempre "Olha o giraço!".  
Portugal também não escapou a todo o hype que rodeou a estreia do filme. A TVI exibiu a série "Remington Steele" que Brosnan protagonizara nos anos 80 (com o infeliz título de "Quase Modelo, Quase Detective") e a SIC exibiu todos os filmes da saga 007 por ocasião das estreias quer no cinema quer na televisão, creio que em 1997.



Outra célebre marca dos filmes da saga é o tema da abertura. E para "007 - GoldenEye", a escolha foi mais uma vez certeira com Tina Turner a interpretar o tema homónimo, escrito por Bono e The Edge dos U2. Outra inovação foi a criação de um jogo de vídeo inspirado no filme, lançado em 1997 para grande aceitação do público e da crítica, tendo sido o terceiro jogo mais vendido de sempre para a Nintendo 64 e ainda hoje visto como uma das grandes referências dos "shooter games".



E o que é feito das duas Bond girls? Ao contrário do filme, a vilã é que levou a melhor com Famke Janssen a ter o seu papel mais célebre como Jean Grey dos filmes da saga X-Men, para além de também deixar a sua marca nos filmes da trilogia "Taken" e na série "Nip/Tuck". Quanto a Izabella Scorupco, entrou em "Limite Vertical", "Reino De Fogo" e "O Exorcista: O Princípio" mas embora ainda resida nos Estados Unidos, desde 2007 que a sua carreira voltou a ser baseada na Suécia.

Trailer:



Tina Turner "Goldeneye"

Videoclip:


Sequência de abertura:



Abertura do jogo de vídeo:



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Madi - "Lição de Português" (1980)



Enquanto navegava pela Internet deparei com um artigo no Facebook da Lena D'Água dando conta do falecimento do cantor sul-africano Madi (de 70 anos de idade) que foi concorrente a representar Portugal na Eurovisão, alcançando o terceiro lugar no Festival RTP da Canção de 1980, com o tema "Lição de Português".  Lena D'Água também adianta que ela e Lara Li fizeram as os coros dessa actuação.
Madi Nelson, segundo o JN, faleceu de leucemia na sua terra natal,  Johanesburgo, em 22 de Outubro de 2015. O jornal adianta um pequeno lamiré da vida do artista, que também conseguiu alguma notoriedade como integrante do duo "Sérgio e Madi", em conjunto com Sérgio Wonder (nome artístico do moçambicano Fernando Manuel):

"Madi surgiu na cena musical moçambicana em 1969, com Sérgio Wonder, participando em vários espetáculos, sendo posteriormente o duo convidado para atuar em Lisboa.
Entre outros discos, o duo gravou um single com versões de "Reconsider me" e de "Look what you"ve down to my heart", e um outro com "A não ser que", "Espadas nuas" e "My only one". Depois de um percurso que se cruzou com várias bandas, o duo gravou o single "Cry to me", que conheceu edição internacional."
A Wikipédia acrescenta mais alguns detalhes sobre a dupla: "Sérgio e Madi".

Regressando ao inicio do texto, ao ler a noticia recordei imediatamente que tenho o single dessa canção na minha colecção de discos de vinil de há alguns meses a esta parte. Vasculhando no arquivos, apresento as capas.

A capa frontal:

A estilosa capa traseira, com os créditos:

Na Face A, "Lição de Português", um tema a meio caminho caminho entre a canção de amor e um canção da Rua Sésamo sobre as peripécias de aprender uma língua nova - português, no caso deste sul-africano - para declarar o amor.

O vídeo da participação no Festival RTP da Canção de 1980, apresentado por Ana Zannatti e Eládio Clímaco, "Madi - Lição de Português":


A canção número 4, com letra de António Sala, música de Luís Pedro Fonseca, orquestração de Fernando Correia Martins, conforme os créditos na capa traseira do single de vinil [foto acima]. No disco, Luís Pedro Fonseca surge como o responsável a solo do tema da Face B  e dos arranjos base e coros. A produção esteve a cargo de António Sala.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Não Se Esqueça Da Escova De Dentes - parte 2 (1995-1996)

por Paulo Neto

O David Martins já falou aqui sobre este célebre programa da SIC que marcou a televisão dos anos 90. Mas sendo um programa tão mítico e cheio de situações surpreendentes, merece ser abordado de novo aqui na Enciclopédia.



"Não Se Esqueça Da Escova De Dentes" era uma adaptação de um original britânico, "Don't Forget Your Toothbrush", foi exibido na SIC em duas temporadas entre 1995 e 1996, apresentado por Teresa Guilherme, assistida por Humberto Bernardo e por vezes também por uma petiza chamada Patrícia Calado que não devia ter mais de dez anos. Até então, embora já tivesse anteriormente apresentado concursos na SIC como "Labirinto" ou "Destino X", foi este programa que afirmou Teresa Guilherme como apresentadora de entretenimento já que então ainda era mais conhecida pelos talk-shows "Eterno Feminino" e "Olha Que Dois" na RTP e "E O Resto É Conversa" já na SIC.




O título aludia ao facto de um dos objectos mais esquecidos em casa quando se vai de viagem é a escova de dentes. O prémio final era portanto uma viagem, que qualquer um dos pares concorrentes presentes na assistência (com escovas de dentes nas mãos) estavam habilitados a ganhar na recta final do programa. Consoante o êxito ou o fracasso dos concorrentes no quiz final, estes seguiam directamente viagem numa limusina ou para um cobiçado destino internacional ou para uma localidade portuguesa de nome semelhante (por exemplo: Rio de Janeiro ou Rio Maior, Seychelles ou Seixal, Costa Rica ou Costa da Caparica). Era recorrente ao longo do programa, Teresa Guilherme perguntar à audiência "Para onde querem ir?" ao que respondiam em uníssono o destino paradisíaco, para depois TG perguntar "Para onde é que não, não querem ir?" e a resposta unânime era o destino nacional. Por aquilo que eu recordo, acho que só por duas vezes é que o par contemplado acabou por viajar em solo nacional.




Mas obviamente que em cada semana, até chegar a esse quiz final, tudo podia acontecer. Aliás outro gag recorrente do programa era Teresa Guilherme surgir em palco em cada programa de uma forma diferente: de pára-quedas, de tractor, numa empilhadora, num carro de bombeiros, numa marcha popular, no trenó do Pai Natal e por aí fora.

Claro está, o momento mais icónico do programa foi aquele em que um jogo onde os concorrentes tinham de tirar uma peça de roupa em jeito de leilão com a melhor oferta a levar uma mala com 300 contos (cerca de 1500 euros) terminou com dois homens completamente nús e uma mulher em topless. Uma situação que espantou toda a produção sobretudo Teresa Guilherme, que viria a declarar mais tarde que nem na mais mirabolante das hipóteses imaginou que a ousadia dos portugueses iria chegar a tal ponto. Até porque segundo a mesma, na versão britânica do concurso, a vitória nesse jogo e o máximo da ousadia tinha ido para uma mulher que tinha retirado o soutien sem despir a camisa. A partir daí, depois de transposta essa barreira tão nua e crua, surgiram mais jogos ao longo das duas temporadas onde outros concorrentes também se viram em pelota para ganhar algum prémio. Podem ler AQUI as palavras de Teresa Guilherme na primeira pessoa sobre esse famoso episódio. 

Além do quiz final, a rubrica mais recorrente do programa era o quiz Superfan, onde o convidado musical de cada programa competia com um dos seus maiores fãs. A maioria das vezes os fãs acabavam por saber mais coisas dos ídolos que os próprios. Outro hábito do programa era o convidado musical cantar duas canções: uma do seu repertório e uma versão de uma canção que não a sua. Recordo-me sobretudo de Simone De Oliveira ter-se atirado ao "Without You" de Harry Nilsson, na altura repopularizado por Mariah Carey. E no YouTube, temos Carlos do Carmo a dar uma de Sinatra e a interpretar "I've Got You Under My Skin". De referir ainda que nos coros da banda residente do programa liderada por Armindo Neves, estavam uns ainda pouco conhecidos Beto e Lúcia Moniz (esta alternando com Fernanda Lopes).

Outro gag recorrente do programa consistia em destruírem objectos muito queridos de alguns concorrentes como mobílias, instrumentos musicais ou até carros para no fim oferecerem uns substitutos novinhos em folha. Mas como conta Teresa Guilherme no seu livro "Isso Agora Não Interessa Nada", que reúne as suas crónicas para a revista TV Guia sobre memórias e segredos por detrás programas que produziu e apresentou, uma dessas situações foi particularmente dramática: um Sr. Asdrúbal hesitava bastante em aceitar o desafio de poder vir a perder o seu querido barco que tinha o nome dos filhos e só a muito custo aceitou, para no fim ver o seu barco acabar à machadada e afundado no lago do Campo Grande. O que o Sr. Asdrúbal e os telespectadores não sabiam é que o afundamento do barco tinha acontecido em diferido, antes da gravação do programa, partindo do princípio que a aceitação do desafio era garantida. Mas ao ver aflição do homem, a produção percebeu que tinha ido longe demais. Não só o Sr. Asdrúbal ganhou um barco novinho em folha como, arrependida da amargura dessas favas contadas, Teresa Guilherme fez questão em mandar restaurar o antigo.

Recordo-me também de um programa feito ao contrário que começou com todos a cantarem a música do final do programa e acabou com uma das entradas de Teresa Guilherme, sendo que pelo meio todos os concorrentes acabaram por ganhar uma viagem além de vários jogos feitos ao contrário do que era habitual. Houve também outro programa tipo "Ponto de Encontro" onde para além de prémios, promoveu-se o reencontro entre concorrentes e seus ente-queridos afastados pela distância, culminando num reencontro entre Sara Tavares, a convidada musical dessa semana, e o seu pai, radicado nos Estados Unidos, que já não via há largos anos.

Mas para mim, o momento mais bizarro de sempre do programa não envolveu ninguém a tirar a roupa mas sim gente que vestiu outra pele. Foi no episódio especial de Natal com um jogo que reunia oito concorrentes com nomes de figuras do presépio: um José, uma Maria, um Jesus, um Gaspar, um Baltasar, um Belchior e duas senhoras de apelido Ovelheira e Vacas. Primeiramente estas pessoas foram convidadas a vestir alguns adereços para formar um presépio vivo e depois reunidas para jogar um jogo em que tinham de apanhar uma enorme bola azul de borracha, a simbolizar o espírito de Natal. Quem ficasse com a bola ao fim de noventa segundos ganharia uma viagem a Belém, no estado do Pará no Brasil. Mas o que aconteceu a seguir foi surreal. Assim conta Teresa Guilherme no livro "Isso Agora Não Interessa Nada" sobre esse episódio:

"Só que não foi só o relógio que arrancou. Do outro lado do estúdio, as figurinhas do presépio também arrancaram na minha direcção, com esgares pouco natalícios. Eu, receando ser trucidada, escapei-me do palco.
A bola, que no ensaio tinha resistido a tudo e a todos, nas mãos da sagrada família não durou um segundo. Rebentou e dividiu-se em vários pedaços de borracha, esses sim, a roçarem o indestrutível. E o quadro que era para encher os nossos corações de amor, encheu o palco de pancada. 
Nossa Senhora batia no Menino Jesus para lhe arrancar um bocado de borracha azul. Belchior e Gaspar, os reis magos, pegaram-se numa real tareia com golpes de judo à mistura, enquanto seguravam com uma força sobre-humana o mesmo pedacinho de borracha. E, horror dos horrores...Baltazar arrastou S. José pelas barbas, de um lado ao outro do palco, porque o pai do Menino Jesus tinha mordido um bocadinho de bola, a que o rei mago queria também ferrar o dente. (...) 
No fim dos noventa segundos, muito a contragosto, lá resolvi a questão. Como castigo, ninguém deveria ter ido viajar, mas como era Natal todos ganharam uma semana em Belém do Pará. Um bicho do presépio, que até não se tinha portado tão mal, deu o toque natalício final a este quadro de horror, arrancando-me o microfone da mão e, quase num grito de guerra, disparou: "É a primeira vez na minha vida que não me importo de me chamar Vacas!" Era o bafo quente que nos faltava para aquecer o Natal do nosso descontentamento..."






Pelos vistos nem mesmo o espírito natalício conseguia refrear o espírito competitivo dos portugueses. 

Como também é sabido, no final de cada programa (excepto aquele já referido que foi feito de trás para a frente), TG, Humberto Bernardo, o convidado musical, os cantores da banda e todos na assistência cantavam a uma só voz o tema do concurso, que era uma adaptação do tema "Angel Eyes" dos ABBA. Eis aqui a letra para recordar: 

São férias para quem quiser.
São férias, aaaah!

Foi bom o programa das viagens
Da loucura, das imagens,
Das partidas, das miragens, 
Das perguntas que nos fazem confusão
Venha cá, com a escova
E o passaporte sempre à mão
Vai saber se o destino é bom ou não...

Com a escova de dentes vai
Malas, passaporte, e sai
Seja Bali ou Beja, Aveiro ou Hawai.
Com a escova de dentes vai
Malas, passaporte, e sai
Ora vou-me embora
Adeus, bye-bye

Foi bom o programa da loucura,
Da alegria e da ternura,
Do fascínio, da lonjura,
Onde o sonho é aventura de amanhã
Escutou boa música e o duelo que animou
Ahaa, convidado e super-fã.

Com a escova de dentes vai
Malas, passaporte, e sai
Seja Bali ou Beja, Aveiro ou Hawai.
Com a escova de dentes vai
Malas, passaporte, e sai
Ora vou-me embora
Adeus, bye-bye

Promos ao programa (1995)







Excertos de programas:









Ficheiros Secretos - The X-Files (1993-2002, 2016)




"The X-Files" no original, traduzido para "Ficheiros Secretos" em Portugal (e mais literalmente "Arquivo X" e "Expediente X", no Brasil e Espanha, respectivamente). Sempre tive pena de cá não terem mantido o icónico "X" no título. Muitas vezes desenhei eu o símbolo da série nos cadernos e livros da escola.... Tanto já foi escrito sobre este fenómeno televisivo, que reacendeu o interesse do público sobre os eventos estranhos, misteriosos, e conspirações de todo o tipo, que mais de uma década desde o final dos episódios ainda suscita curiosidade. A dupla protagonista foi elevado ao estrelato global, e no nosso país marcou o período de ouro da TVI, época em que além dos "Ficheiros Secretos" o canal exibia séries de qualidade em horário nobre ("Pretender", "Profiler", etc), antes de se render aos reality shows e telenovelas.

O tema da série descreve-se facilmente: Os agentes do FBI Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) estão encarregues de investigar os mais variados casos sem explicação, os "X-Files". Mulder é crente em todo o tipo de explicações sobre-naturais e Scully é a contra-parte que analisa os casos de forma cientifica.

No inicio da série o trabalho de Scully é manipulado para desacreditar as teorias de Mulder e rapidamente encerrar os casos. Mulder suspeita que Scully o esteja a vigiar, mas rapidamente a relação profissional  dá lugar à amizade e ao inevitável envolvimento romântico à medida que as temporadas decorrem. Também ao longo dos episódios, entremeado com a base do "monstro da semana" (de origem sobre-natural ou fenómenos pseudo-científicos), corria uma trama paralela de uma maior conspiração que envolvia extra-terrestres e o governo dos EUA, o antigo desaparecimento da irmã de Mulder, o rapto e gravidez relâmpago de Scully, etc, bem como o papel de figuras nebulosas como o pai de Mulder (Peter Donat) e do Canceroso (William B. Davis) nesses acontecimentos. Outros personagens recorrentes incluíam o superior hierárquico da dupla, Walter Skinner (Mitch Pileggi) que lida com a pressão de proteger os agentes e manter o X-Files abertos contra interesses poderosos; o assassino Krycek (Nicholas Lea); os enigmáticos "Garganta Funda" (Jerry Hardin) e "X" (Steven Williams) constantes fontes de informação, desinformação e manipulação. Uma série tão longa - algo inusitado para o género ficção-cientifica/sobrenatural - obviamente tem muito mais personagens do que é possível mencionar aqui sem provocar sono no leitor. Mas quero destacar John Doggett (Robert Patrick, o eterno T-1000 de "Exterminador Implacável 2" - que entrou em cena curiosamente na época em que comecei a ver os episódios intermitentemente, sem a paixão anterior) o novo parceiro de Scully na 8ªa temporada, com a missão inicial de encontrar Mulder depois do desaparecimento deste. Numa inversão de papéis, Doggett é o novo céptico da dupla, visto que Scully testemunhou tantos casos estranhos (fantasmas, mutantes, monstros, inteligência artificial, extra-terrestres, etc) ao longo dos episódios que se tornou uma "crente relutante". A Wikipédia refere ainda que apesar da resistência dos fãs ao "substituto" de Mulder - que regressou mais tarde como um protagonista intermitente - os críticos gostaram da abordagem mais séria e Robert Patrick até foi premiado pelo papel.

E para assinalar a chegada dos "Ficheiros Secretos" à RTP Memória - antes dos novos episódios de Janeiro de 2016 - fui vasculhar os meus próprios ficheiros "secretos", ou seja, os recortes e páginas de revistas relacionadas com a série e o culto. Além de material dos X-Files, fiquei abismado com a quantidade de recortes de temas do "oculto" que coleccionei, inspirado pelas aventuras de Mulder e Sculy. Mas esses, são outra história! 

Tenho também bastantes cassetes de VHS com os episódios gravados. No entanto, foi de uma cassete adquirida recentemente numa feira que consegui o seguinte vídeo.
O icónico genérico de abertura, no Canal EnciclopédiaTV. Recordem o inconfundível tema musical composto por Mark Snow:


A qualidade de imagem do vídeo não é dos melhores, mas podem ver mais ou menos como era para mim assistir aos episódios na TV, visto que durante muitos anos a qualidade de recepção do sinal da TVI na minha zona era muito má, cheia de moscas, desde que construíram um prédio nas redondezas- até ao surgimento da TDT.
NOTA: Como o Youtube não me deixa ter o video online, podem rever aqui:

 
Os screenshots da minha gravação:





Devemos ainda a "Ficheiros Secretos" expressões como "A verdade está lá fora" ("The Truth Is Out There"), "Quero Acreditar" ("I want to believe"), "Não confie em ninguém" ("Trust no one") que entraram para a cultura pop e quotidiana.

Alguns dos meus episódios favoritos ou que recordo melhor incluem "X-Cops" filmado como um episódio da série "Cops" que acompanha agentes da autoridade. A ameaça desse episódio não são assaltantes de bancos mas um monstro que mata as vítimas com o próprio medo. Outros são: "Pilot", "Squeeze" (a primeira aparição de Tooms), "Jose Cheung's  From Outher Space", "Home", "Tunguska - Part 1", etc.

Apesar da decadência dos últimos anos, a saída do protagonista masculino, "Ficheiros Secretos" conseguiu ultrapassar a marca dos 200 episódios, estendidos por 9 temporadas. Começou como um êxito no nicho dos espectador de ficção-cientifica, mas em pouco tempo conseguiu alcançar o grande público.
A caixinha da televisão era pequena para conter todo o fenómeno e transbordou para todo o tipo de merchandising - da banda sonora, a livros, etc - e dois filmes: "The X-Files: Fight The Future" (1998) e "The X-Files: I Want To Believe" (2008). Se o primeiro - encaixado entre as 5ª e 6ª temporadas - era basicamente um competente episódio com maior orçamento e melhores efeitos especiais, achei o segundo francamente mau. Além das incursões no cinema, em 2001 estreou o spin-off (derivado) "The Lone Gunmen", protagonizado pelo peculiar trio de teóricos da conspiração que já conhecíamos de vários episódios. Actualmente a série - de curta duração, com 13 episódios produzidos - é recordada pelo episódio piloto em que antecipou quase ao milímetro o atentado do 11 de Setembro [vídeo] causado por uma conspiração do Governo dos EUA para enviar um avião de passageiros contra as Torres Gémeas dar impulso à indústria de armas. Qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência? Melhor sorte teve outra série anterior do criador Chris Carter, "Millenium" que alcançou 67 episódios ao longo de três temporadas entre 1996 e 1999. Entre nós, a RTP exibiu-a já depois do final nos EUA.


Vamos então passar a alguns dos recortes que andam no arquivo cá de casa, e decerto vão render outros posts. Começo por uns scans que fiz lá para 2001, das minhas adoradas edições brasileiras da revista Wizard, que além de BD dedicava espaço a filmes e séries de culto.

Podem clicar sobre as imagens para as aumentar de tamanho e ler melhor.


"Abrindo o Arquivo X" - Artigo de 4 páginas com depoimentos do criador e argumentista Chris Carter e os protagonistas [in "Wizard" Nº1, 1996]::

"Arquivo X (...) já está em seu terceiro ano e criando um furor internacional que rivaliza com o início da mania de Jornada das Estrelas. A série também gerou um grupo de fanáticos usuários da Internet conhecidos como X-Philes (...) As pessoas têm demorado para descobrir o seriado, mas os fãs e as pessoas ligadas à produção do mesmo admitem que seus dias de cult series estão contados."
"(...) uma aura pegajosa, sombria e paranóica, que faz os momentos mais extremos de Twin Peaks parecerem normais".
"Eu queria ter histórias sobre transmorfos e comedores-de-fígado, mas a questão dos OVNIS sempre estaria espreitando, mesmo não sendo o plot principal." "Se as vidas dos personagens se tornarem o elemento principal da trama, acho que não estaremos fazendo um bom trabalho".
"As possibilidades para esta série são ilimitadas, tão ilimitadas quanto a imaginação dos escritores."
"A Verdade está na Internet" [in "Wizard" Nº1, 1996]:

Artigo sobre a presença da série na Internet, que na altura ainda era terreno inexplorado para a maioria da população mundial:



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Os nomes mais populares em 1980

por Paulo Neto


Se há algo que desde muito cedo sentimos como parte integrante daquilo que somos é o nosso nome. Gostemos ou não dele, o nosso nome é parte crucial da nossa identidade. Neste texto, resolvi analisar quais eram os nomes mais populares de 1980, o ano em que nasci. Este exercício é particularmente interessante pois nesse ano ainda estava em força uma revolução onomástica, uma das diversas revoluções causadas pelo 25 de Abril no nosso país. Pois foi a partir daí que se verificou uma divergência significativa em relação aos nomes da geração anterior, com o surgimento de nomes até então inéditos em Portugal e a ascensão de outros até aí raros entre os portugueses. Nunca antes se verificou uma disparidade entre os nomes  dos pais e os dos seus filhos. Na altura, alguns desses nomes indicavam logo que só se podia tratar de uma criança. E mesmo hoje em dia, quando se fala de pessoas chamadas Cátia, Ruben, Vanessa ou Márcio, ninguém imagina alguém com mais de quarenta anos e muito menos idosos. Por outro lado, embora certamente ainda existam portugueses com menos de trinta anos chamado Alzira, Ermelinda, Hermínio ou Juvenal, à menção desses nomes, muita gente pensará certamente tratar-se de gente de cinquenta anos para cima.     

Em 2012, o blogue "Nomes e Mais Nomes" publicou uma lista com os 10 nomes mais registados no ano de 1980 em Portugal para cada sexo, de acordo com o  Instituto de Registos e Notariado do Ministério da Justiça. Anteriormente a própria autora do blogue, Filipa Lopes, tinha elaborado um top 100 de nomes masculinos e femininos de 1980 a partir de dados de outra fonte, o SPIE. Como existem algumas divergências entre uns e outros dados decidi analisar vinte nomes de cada sexo da seguinte forma: os 10 da lista do Instituto de Registos e Notariado, que pressupõe-se ser uma fonte mais fidedigna, e os primeiros dez nomes do top 100 que a autora elaborou conforme dados do SPIE que não surgem na lista anterior, com a respectiva posição indicada a parêntesis. Eu arriscaria dizer que nenhuma turma com alunos nascidos em 1980 teria menos de 80% dos nomes aqui referidos.

De referir ainda que esta lista refere-se apenas a primeiros nomes.

Nomes femininos:
1) Ana - Sim, foi por esta altura que Ana destronou definitivamente Maria como o mais popular nome feminino. Ana era quase o equivalente onomástico de uma bengala pois servia para apoiar com qualquer outro nome. Rara era a turma que não tivesse pelo menos três Anas.  Entre as Anas havia duas facções: aquelas que gostavam mais de serem chamadas de Ana e aquelas que, dada a abundância de homónimas, preferiam ser tratadas pelo segundo nome. Entre as combinações mais comuns estavam Ana Filipa, Ana Isabel, Ana Margarida, Ana Rita e Ana Sofia. Era tão comum alguns segundos nomes serem precedidos por Ana que quando não era o caso, gerava-se alguma surpresa. Por exemplo, uma amiga minha de infância tinha de volta e meia esclarecer que era simplesmente Rita e não tinha Ana atrelado.  
2) Maria - Maria podia ter visto a sua primazia destronada e os tempos em que se alguém chamasse por uma Maria quase todas as mulheres presentes virar-se-iam já eram águas passadas, mas continuava a ser bastante comum. Quer por que continuava a ser um nome muito transmitido de geração em geração como também combinava com qualquer nome, fosse como primeiro ou segundo nome. Mas ao contrário do seu ressurgimento actual onde recuperou a liderança e o seu valor como nome isolado, no meu tempo de estudante as poucas Marias que conheci preferiam ser tratadas pelo segundo nome.
3) Joana - Joana foi um dos nomes que teve um boom nos anos 80 e nos anos 90 terá mesmo ultrapassado Maria para o segundo lugar do ranking. Lembro-me que quando nasciam filhas a conhecidos da nossa família, Joana era o nome mais frequentemente escolhido. Nem mesmo a provável hipótese de lhes ser cantado em jeito de troça o clássico "Joana Come A Papa" era um motivo dissuasor. Ainda hoje é um dos nomes desta lista que vão mantendo ainda a sua popularidade. 
4) Carla - Carla foi um dos nomes que "explodiram" nos anos 70, pelo que em 1980 ainda estava em força mas que entrou em declínio no final da década. Mas no meu tempo, havia muitas Carlas. As combinações mais populares eram Carla Alexandra, Carla Patrícia e Carla Sofia.
5) Andreia - Andreia foi mais um nome que se popularizou após o 25 de Abril, com a sua sonoridade e o seu estatuto de novidade a cativar muitos pais portugueses desde então. Cheguei a conhecer duas Andreas sem "i", e uma delas até preferia que o seu nome fosse pronunciado "ândria".
6) Sandra - Um derivado do nome Alexandra que ganhou vida própria, Sandra foi muito popular em Portugal nos anos 70 e inícios dos anos 80, (a cantora alemã Sandra também ajudou à associação do nome a essa década)  mas depois entrou em declínio. Mas no meu tempo de escola, ainda conheci várias, sobretudo nos binónimos Sandra Cristina e Sandra Sofia. Entre as filhas de emigrantes, era particularmente popular a variante Sandrina ou Sandrine, como pude constatar durante o meu curso de línguas na Universidade.
7) Susana - As Susanas dos anos 80 tiveram a sua canção tributo no tema dos The Art Company (do qual já falámos neste blogue) ou a respectiva versão nacional dos Queijinhos Frescos, e também foram muitas as Susanas que eu conheci dos meus tempos de escola. Embora muitas tivessem um segundo nome atrelado, este era também um dos nomes em que era mais comum vir isolado.
8) Tânia - Este é sem dúvida um dos nomes que mais associo aos meus tempos de escola, porque na minha turma do 6.º ano havia quatro Tânias: Tânia Alexandra, Tânia Marina, Tânia Raquel e Tânia Sofia. Mas tal como Sandra, é um dos nomes que rapidamente entraram em declínio com o avançar da década de 80 e que ganharam (não sem alguma injustiça) a conotação chunga.
9) Patrícia - Este é provavelmente o nome que eu teria se eu fosse rapariga e foi também um dos nomes considerados para o meu irmão antes de lhe conhecermos o sexo, pois foi sempre um dos nomes preferidos da minha mãe e se tivesse dado à luz uma filha, Patrícia seria a escolha mais evidente. Confesso que fiquei surpreendido de ver Patrícia no top 10 dos primeiros nomes pois recordo-o como um dos segundos nomes mais usuais entre as minhas colegas de escola, mas também conhecei algumas Patrícias de primeiro nome. E ainda hoje é um nome que eu gosto muito, até porque tenho grandes amigas com esse nome.
10) Cátia - Outro nome tipicamente anos 80 e tido como paradigma dos nomes que a certa altura foram considerados, com alguma injustiça, nomes "brega" e sem estilo. Por exemplo, o nome Cátia Vanessa foi frequentemente utilizado pela teledramaturgia nacional para nomear uma personagem pirosa e/ou loura burra. Pessoalmente nunca conheci nenhuma Cátia Vanessa, deparei-me sobretudo com a combinação Cátia Alexandra. Entre as Cátias, havia a prática comum de grafar o seu nome com K. E havia mesmo as Kátias com um legítimo K no nome, sobretudo filhas de ex-emigrantes.
Vera (3) - Outro nome muito comum por esta altura, ao ponto de ser inevitável de haver quase sempre pelo menos uma Vera em cada turma. As combinações mais frequentes eram, de longe, Vera Lúcia e Vera Mónica. Vera é outro nome que entrou em declínio após o final dos anos 80. Lembro-me que era comum as Veras do meu tempo queixarem-se de serem as últimas na lista de alunos da turma. Por exemplo, era hábito recebermos as notas dos testes por ordem alfabética e as Veras e quem mais tivesse nomes começados por V ficavam por isso mais tempo na expectativa do que a maioria dos colegas. (Se até eu achava que demoravam muito até chegarem ao meu nome...)
Sónia (5) - Versão eslava do nome Sofia, Sónia foi um nome bastante popular nos anos 70 e 80 mas a partir dos anos 90, entrou em declínio, quiçá preterido pela sonoridade mais suave de Sofia. Mas não sei bem porquê foi sempre um nome que eu gostei. Notei uma particularmente vasta variedade de segundos nomes nas Sónias que eu conheci, com uma ligeira predominância para Sónia Cristina.
Cláudia (8) - Este é outro dos nomes que a minha mãe equacionaria caso tivesse tido uma filha. Não há dúvida que os nomes femininos começados por C estavam em alta em 1980, e este apesar do significado ("coxo"), é um nome com uma sonoridade bonita e feminina, pelo que não admira que tenha sido a opção para muitos pais. Aliás, a top model Claudia Schiffer e a minha vizinha de infância Cláudia Teixeira, que foi primeira dama de honor de Miss Portugal fazem-me pensar em Cláudia como sendo nome de rapariga bonita. Mesmo aquém da popularidade dos anos 80, não se pode dizer que seja um nome datado. Cláudia Patrícia e Cláudia Sofia eram os binónimos mais frequentes com que me deparei.
Liliana (9) - Se a minha turma do 6.º ano tinha um quarteto de Tânias, a do meu 8.º ano contava com uma trindade de Lilianas: Liliana João (!), Liliana Margarida e Liliana Patrícia. Liliana (com o inevitável diminutivo Lili, quando ainda não era associado a Maria Alice Caneças) foi sem dúvida um hit dos anos 70 e 80, e é mais um daqueles que infelizmente se encontram actualmente em desuso, apesar de ser um nome algo habitual entre as celebridades da nossa praça.  
Marta (10) - Marta é um dos poucos nomes que têm mantido o nível popularidade semelhante dos anos 80 para cá. Também um dos poucos em que nunca verifiquei uma combinação predominante. Apesar de também ser nome do animal com o qual lamentavelmente se faziam casacos de pele, é outro nome que eu gosto devido a associação a amigas minhas com esse nome.
Sílvia (14) - Pode não ser dos nomes mais óbvios quando se pensa nos nomes mais populares desta altura, mas a verdade é que também me recordo de várias Sílvias ao longo da minha vida de estudante. Tal como Susana, era também daqueles nomes que mais dispensavam o segundo nome.
Paula (15) - À semelhança da variante masculina, Paula popularizou-se nos anos 60 e continuou em alta nos anos 70 e 80. As combinações mais frequentes eram Paula Alexandra e Paula Cristina. Sem a herança histórica de Paulo, as Paulas hoje em dia são escassas.    
Sara (16) - Não sei porquê, sempre gostei muito dos nomes começados por S e este é mais um deles. Pelo significado ("princesa"), pela sonoridade curta e feminina e por ser facilmente identificável em várias línguas, Sara continua tão popular como era nos anos 80 (embora sendo cada vez mais aqueles que preferem a grafia com H no fim, já permitida). E sim, também me lembro de algumas Saras no meu tempo de escola.
Mónica (17) - Mais do que a uma das minhas turmas de escola, é à turma da Mónica e as suas histórias aos quadradinhos a quem mais associo este nome. Foi um dos nomes que se popularizaram em Portugal após o 25 de Abril. É outro nome que pessoalmente gosto bastante.
Marisa (18) - Outro nome que associo bastante a beleza feminina, não só pela sua sonoridade ultra-feminina mas também devido a uma colega minha que tanto na primária como no secundário deixava muito rapaz impressionado pela sua beleza. E depois há a Marisa Cruz e as vozes de Mariza e Marisa Liz para perpetuarem essa associação. No entanto, o nome também suscitava uma questão fracturante: havia aqueles que pronunciavam Marisa e outros "Márisa". Também era uma popular escolha para segundo nome.
Catarina (20) - Eu bem que queria limitar a lista a vinte nomes, mas não consegui deixar este de fora, já que foram também muitas as Catarinas que conheci ao longo da vida e é daqueles nomes que tem estatuto de clássico, devidos a figuras desde Catarina, A Grande a Catarina Furtado. Tal como às Cátias, era costume ser atribuído às Catarinas o diminutivo Cáti.

Nomes masculinos: 
1) João - Ao contrário dos nomes femininos, os nomes masculinos têm maior perenidade e muitos deles atravessam gerações sempre em alta. Por isso não é de admirar que João fosse o nome mais popular de 1980 e houvesse pelo menos um João em cada turma. Na minha geração, as combinações mais populares eram João Carlos, João Manuel e João Pedro, mas tal como Ana, era um nome que se atrelava bem a qualquer outro. Mas não sei porquê, até porque tenho diversos amigos e familiares de nome João, nunca foi um nome que eu gostasse. Um dos motivos será porventura porque no passado algumas pessoas faziam confusão com o meu nome e chamavam-me João Paulo.  
2) Pedro - Pedro é outro nome intemporal e o único que em 1980 conseguia rivalizar com João. Aliás foram mais os Pedros do que os Joões que tive como colegas de turma. Embora também fosse um nome que se prestasse a várias combinações, de entre os Pedros que conheci os binónimos Pedro Miguel e Pedro Tiago eram os mais frequentes. 
3) Bruno - Não deixa de ser para mim uma surpresa ver o nome Bruno no pódio dos nomes mais populares de 1980, mas não há dúvida que é um nome típico dos anos 70 e 80. Era um nome que valia muito por si só mas a combinação Bruno Miguel era muito usual.  
4) Ricardo - Embora já houvesse Ricardos antes e continuaram a ver depois, não há dúvida que é um dos nomes que marcaram esta geração: não só tenho um primo com este nome como era raro não haver pelo menos um Ricardo em cada turma. Recordo-me que no 7.º ano, um colega meu descobriu que havia um aluno do 5.º ano com exactamente o mesmo nome completo que ele: Ricardo Manuel e os dois apelidos.   
5) José - Não é dos nomes que mais associo à minha geração, até porque nunca tive nenhum José na minha turma, pelo menos como primeiro nome. Mas não custa a crer ver José como 5.º nome mais popular de 1980, dada a intemporalidade do nome e ser dos mais herdados de pais para filhos.
6) Luís - Outro nome clássico que continuava em força em 1980, isto apesar de rimas pouco abonatórias como "Luís, tira o dedo do nariz". Entre as diversas combinações, imperavam Luís Filipe e Luís Miguel.
7) Nuno - Mais uma vez um nome histórico (basta lembrar D. Nuno Álvares Pereira) que teve um grande apogeu por esta altura. Em quase todas as turmas em que estive, o meu nome vinha a seguir a um Nuno. Como tal fui mais que uma vez emparelhado com um Nuno as aulas em que os professores insistiam em que a turma se sentasse por ordem alfabética. Nuno Miguel era a combinação mais frequente mas era um dos nomes que se emparelhavam bem com qualquer nome.  
8) Carlos - Tal como José, era um nome que se fazia valer da temporalidade e da herança familiar mais do que as modas para continuar a impor-se nos rankings. Carlos Manuel (como o futebolista da década de 80) e Carlos Miguel (como o eterno Fininho) eram as combinações que prevaleciam nesta época. 
9) Tiago - Um nome também muito associado aos anos pós-25 de Abril e que continuou a ter alguma popularidade até hoje, ainda que actualmente ultrapassado por Santiago. Aliás, acredita-se que o nome surgiu por derivação corrompida de Santiago, que no fundo é uma contracção de Santo Iago. E sim, conheço muitos Tiagos desta geração.  
10 Rui - Outro nome intemporal (o actor Ruy de Carvalho ainda é do tempo em que se escrevia com Y no fim), Rui era um nome que continuava em alta por estas alturas, em particular nas combinações Rui Filipe, Rui Miguel e Rui Pedro.
Paulo (6) - E eis-nos chegados ao meu nome que em 1980 apanhava os resquícios do boom de popularidade iniciado em finais dos anos 50. Entre as diversas combinações, os binómios Paulo Alexandre e Paulo Jorge eram de longe os mais populares. Mas apesar disso, só no 5.º ano é que não fui o único Paulo da minha turma. Havia outro Paulo no meu curso universitário, mas todos o tratavam pelo segundo nome (Micael), pelo que era efectivamente o único Paulo do curso.  
Apesar de gozar de alguma intemporalidade, devida à sua carga histórica e religiosa, nascem cada vez menos homónimos meus (ou como dizem os brasileiros, meus xarás) e a maioria dos Paulos que nascem actualmente (foram 93 em 2014) recebem o nome mais por herança familiar do que por gosto.
António (11) - Tal como outros nomes aqui, António continuava em alta nesta geração e é sem dúvida daqueles nomes que parecem sempre adaptar-se aos passar dos tempos. Na minha infância conheci um António José (inevitavelmente tratado por Tozé) e o meu irmão, nascido em 1988, tinha um colega na primária de nome António Pedro.  
Hugo (12) - Não consigo pensar no nome Hugo sem pensar no meu primo, nascido em 1989. Este foi mais um daqueles nomes que já tinham alguma frequência em Portugal mas que se massificaram nos anos pós 25 de Abril. E além do meu primo, conheci vários Hugos. Apesar da associação à famosa personagem do programa da RTP de jogos interactivos dos anos 90 e de ser visto hoje em dia como um nome algo datado, a verdade é que Hugo ainda goza de alguma popularidade.  
Sérgio (13) - Sérgio foi sempre um dos meus nomes preferidos (uma vez mais por motivos inexplicáveis) e se eu tivesse que escolher outro nome para mim que não o meu, provavelmente escolheria Sérgio. Foi mais um dos nomes que se massificaram nos anos 70 e continuaram a dar cartas até meados dos anos 90. 
Marco (14) - Outro clássico desta altura, sobretudo nas combinações imperiais Marco António e Marco Aurélio e na mais musical Marco Paulo, e como tal, foram diversos os Marco's que fui encontrando ao longo da minha vida de estudante. A série animada "Marco Polo" ajudou a prolongar a popularidade pelos anos 80 adentro. Hoje em dia é tido como um nome caído em desuso, pelo fiquei espantado ao descobrir que hoje em dia continua a ser mais comum que o supostamente mais trendy Marcos.  
Jorge (16) - Ao contrário de Paulo, o meu segundo nome teve sempre um pouco mais de status e adaptabilidade ao passar dos tempos, pelo que tenho vezes em que gosto mais de Jorge do que de Paulo. Sempre conheci Jorge mais como segundo nome, mas também conheci na minha infância um Jorge de primeiro nome.       
Filipe (17) - Tal como Jorge, também encontrei Filipe mais vezes como segundo nome do que como primeiro, mas sem dúvida que havia muitos Filipes de primeiro nome e tive um na minha turma no 8.º ano. Tal como Marisa, Filipe era daqueles nomes onde sempre rivalizavam duas pronúncias: os que diziam os Is todos e os que preferiam dizer "flip".   
Hélder (18) - Sim, este era dos nomes em grande ascensão nos anos 70 e 80 mas é um nome que não me traz as melhores memórias: desde o palhaço da turma da primária que tinha esse nome, aos evangelizadores de camisa branca com chapinha que se designam por Elder, à sonoridade que não me entra bem nos ouvidos, é um nome com o qual nunca fui à baila. Nem mesmo depois de ter tido um colega de trabalho chamado Hélder com quem até simpatizava.  
Vítor (19) - Este é dos outros nomes perenes que me espanta um pouco estarem nesta lista, pois embora não duvidasse que continuassem a nascer muitos Vítores nos idos de 1980, era definitivamente um nome que eu associava à geração anterior, até porque tenho um tio Vítor. Hoje em dia, a grafia Victor (com ou sem a pronúncia do C) parece ser mais atraente. E para mim, vem-me também à baila os anúncios dos anos 80 às camisas Victor Emanuel.      
Miguel (20) - Miguel é sem dúvida um nome bastante intemporal. Na minha infância, conheci com esse nome tanto miúdos mais novos que eu como um velhote que morava na minha rua, tendo brincado na rua com as suas netas. Na minha geração, Miguel era a massa de vidraceiro dos segundos nomes, dava para aplicar a seguir a qualquer nome. Por isso, conheci bem mais Miguéis de segundo nome (geralmente sufixado a Luís ou Pedro). Entre os binónimos que tinham Miguel como primeiro nome, destacava-se o artístico Miguel Ângelo.  

E se abri uma excepção na lista das raparigas para falar de Catarina, uso-a também nos rapazes para falar de David, o nome do meu colega da Enciclopédia de Cromos, 27.º na lista do SPIE. Juntamente com Duarte, era o nome masculino começado por D mais popular desta época e a popularidade tem resistido até hoje. Recordo-me que talvez por influência de estrelas internacionais como David Bowie, havia aqueles que gostavam de tratar os Davids pronunciando o nome à inglesa: "deivid".



Para terminar, e uma vez que sou da colheita de 1980, nada como uma auto-reflexão sobre o meu nome. Aqui estou eu nos idos de 1985, quando andava na pré-primária. No meu bibe, está bordado os meus dois nomes próprios: Paulo Jorge. Eram estes os nomes de dois tios meus, irmãos da minha mãe e gémeos entre si, sendo que o meu tio Jorge (de primeiro nome Abílio, mas compreensivelmente tratado por todos pelo segundo nome) é também o meu padrinho de baptismo. Durante a minha infância, praticamente toda a gente - pais, familiares, professores, colegas de escola - tratava-me por Paulo Jorge e foi apenas em plena adolescência que passei a ser tratado primordialmente apenas por Paulo. Por isso, nunca fui daqueles que só ouviam os pais ou outros adultos a chamarem pelos dois nomes quando não estavam em bons lençóis. (Percebia a iminência de perigo apenas pelos tons de voz).
Hoje por hoje, gosto do nome Paulo e até lamento ser cada vez menos popular. Pelo menos, ainda não vi nenhuma lata de Coca-Cola com o meu nome, ao invés das imensas latas que já vi com o nome Enzo - esse nome tipicamente português e popularíssimo há séculos. E como certamente a maioria das pessoas, também passei por uma fase em que não gostava do nome Paulo, em que o achava corriqueiro e sem mística e até tentei em vão que me tratassem apenas por Jorge. Em contrapartida, ouvi n vezes o meu irmão, que se chama Rogério como o nosso pai (e cujo segundo nome é...Paulo!) queixar-se de ser o único Rogério da escola e lamentar-se de não ser mais um entre os muitos Pedros ou Nunos. Mas eu sempre achei que o nome assentava-lhe bem, não só porque era algo que o distinguia daqueles da sua geração como creio que ele herdou muita da personalidade, do melhor ao pior, do nosso pai. E desde que o nosso pai faleceu, tenho a certeza que o meu irmão agora sente sobretudo muito orgulho em ter herdado o nome dele.       

Hoje muitos dos que nasceram em 1980 já têm filhos, as modas em termos de nomes são outras e não foram muitos os nomes desta lista, sobretudo os femininos, que conseguiram manter-se em alta. Será que no meio de tantas voltas que o mundo dá, alguns destes nomes, hoje tidos como datados e a evitar, recuperarão algures no futuro a popularidade que tinham em 1980?  
  

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Bontempi System 5 (1991) Orgãos Electrónicos



No inicio dos 90 os órgãos electrónicos musicais estavam na moda e numa enxurrada passaram dos palcos para o conforto do lar. Quantos ouvidos não foram torturados enquanto a irmã mais nova aprendia a tocar no teclado do órgão novinho em folha? Confesso que também me rendi à curiosidade e tentei executar o hit "Dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó-si-lá-sol-fá-mi-ré-dó", sem grande sucesso...
Mas esta publicidade de 1991, apresenta dois modelos Bontempi com o "novíssimo método" System 5: o KS 4600 e KS 5600 ("teclado profissional"), distribuídos por AUFERMA.
O site Weltenschule classifica o Bontempi KS 4600 como um dos piores órgãos do mundo, com um som péssimo. Queremos saber a opinião dos nossos leitores: era assim tão mau? Quais os vossos favoritos, desta ou outras marcas?

Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 279, de 1991. 

Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

Caro leitor, pode falar connosco nos comentários do artigo, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite-nos também no "Tumblr - Enciclopédia de Cromos".

terça-feira, 13 de outubro de 2015

All You Need Is Love (1994-1997?)

por Paulo Neto

O amor é fogo que arde sem se ver, mas em 1994, a SIC estreou um programa que pretendia deixar esse fogo bem visível no pequeno ecrã. "All You Need Is Love" foi uma das principais novidades da SIC para a nova grelha de 1994. Produzido pela Endemol a partir de um formato original holandês (dah!), o programa já fazia sucesso em diversos países europeus até chegar a Portugal. Segundo a Wikipedia, o programa teve três temporadas exibidas entre 1994 e 1997, mas eu tenho ideia que chegou a haver mais pelo menos mais uma em anos seguintes. A primeira temporada foi apresentada por Lídia Franco e as restantes por Fátima Lopes.







"All You Need Is Love" convidava os portugueses a expressarem os seus sentimentos amorosos das mais diversas formas. As comparações com "Perdoa-me", outro produto made in Endemol estreado cá uns meses anos, eram inevitáveis mas ao contrário deste, "All You Need Is Love" distinguia-se sobretudo por ter conteúdos muito diversificados. Eis alguns deles:

- Alguém desimpedido e disponível para conhecer uma pessoa para uma possível relação, gravava um vídeo, a ser exibido no programa. Os interessados em conhecer essa pessoa contactariam a produção. No programa seguinte à exibição do vídeo, a pessoa que gravou o vídeo (e foram pessoas de ambos os sexos e de várias idades a fazê-lo) conversava os possíveis candidatos a namorado ou namorada no bar do "All You Need Is Love", revelando a sua escolha no final do programa. Geralmente o número de candidatos não ia além da dezena, mas lembro-me de um caso na primeira temporada, onde uma jovem chamada Dina impressionou tanta rapaziada que surgiram para aí uns trinta rapazes no programa para a conhecerem!



- Com a ajuda do programa, vários portugueses e portuguesas faziam uma surpresa para confessarem o seu amor àquele ou àquela por quem estavam apaixonados. Por exemplo, no primeiro programa, um rapaz confessou o seu amor por uma amiga chamada Sofia através de um avião que sobrevoou a praia onde estava a dita Sofia com a mensagem: "Sofia, estou apaixonado por ti".

- Havia igualmente alguns segmentos a fazer lembrar o "Perdoa-Me", onde alguém tentava pedir perdão à pessoa amada, através de uma mensagem em vídeo. 

- E também havia segmentos tipo "Ponto De Encontro", onde se reuniam casais separados pela distância. No primeiro programa, uma senhora presente na assistência teve a oportunidade de falar por telefone com o marido, que supostamente estava na Austrália a trabalhar num navio de cruzeiro. Mas a meio da conversa, surgiu o marido em estúdio inesperadamente, dando-se um emotivo reencontro. Recordo-me também de um episódio em  que, durante uma suposta ligação ao estúdio do programa na Holanda, um holandês de olhos azuis chamado Guus declarava-se ainda apaixonado por uma portuguesa de olhos castanhos chamada Fernanda, com quem vivera um intenso romance em Amesterdão, ao longo do qual os dois se tratavam carinhosamente por "brown eyes" e "blue eyes". E nem por acaso, a Fernanda "brown eyes" estava presente na assistência do programa e enquanto esta gravava uma mensagem de resposta ao Guus "blue eyes", surgiu o holandês no estúdio em Portugal, pronto a restabelecer o romance em solo português.      

- Outra forma de alguém fazer uma surpresa à pessoa amada, era cantando-lhe uma canção conhecida com uma nova letra que espelhava a história de ambos. Recordo-me de um caso em que um homem cantou à sua esposa uma versão de "Hello" de Lionel Ritchie, que terminou com a esposa lavada em lágrimas e o homem lavado em suor que escorria em bica na sua cara não só com o calor do estúdio mas também do fato smoking que envergava.



- Nas temporadas mais adiantadas, havia um segmento onde se homenageavam as histórias de amor de alguns casais através de curta-metragens onde actores recriavam a respectiva história. Alguns desses mini-filmes eram mesmo muito elaborados, como por exemplo um que recriava a história entre um soldado português e uma angolana em plena Guerra Colonial, que parecia que tinha algumas cenas filmadas em Angola. 

- Também havia um momento musical onde as pessoas presentes na assistência formavam pares para dançar enquanto o cantor convidado cantava uma famosa balada.

Chegaram mesmo a marcar presença no programa alguns convidados internacionais como a italiana Laura Pausini, cantando o seu grande hit "La Solitudine".



Ao longo da sua emissão, deve ter havido portanto imenso casalinhos formados pelo programa. Apesar das críticas à exploração do desejo dos portugueses aparecerem na televisão, à exposição dos sentimentos da vida privada das pessoas e à veracidade dos casos apresentados, "All You Need Is Love" foi outro programa marcante da televisão portuguesa nos anos 90. 

Foram ainda editados dois CD oficiais do programa que continha várias baladas conhecidas, sendo que o primeiro continha a versão interpretada por Pedro Miguéis do tema dos Beatles que dava nome ao programa, versão essa que era usada no genérico.


Excerto do 2.º programa (18-09-1994)
(aos 12:13, o vídeo da Dina que teve mais 30 pretendentes no programa seguinte)








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