sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Nem O Pai Morre...(1990)

por Paulo Neto

Quando uma situação teima em não se resolver, lá diz o povo: "Nem o pai morre, nem a gente almoça." Foi a partir desta conhecida expressão popular que no Verão de 1990, estreou na RTP uma sitcom, sob uma ideia de Nicolau Breyner e desenvolvida por Rosa Lobato Faria. A série chamava-se apenas "Nem O Pai Morre...", embora muita da imprensa se referisse a ela nas suas páginas de programação televisiva pela expressão completa (como é o caso dos das duas imagens extraídas do "Diário de Lisboa" incluídas neste artigo).



A série de 13 episódios, estreada em Julho de 1990 aos sábados à tarde sendo posteriormente, segundo o site "Brinca Brincando", transferida para os domingos, centrava-se na história de um rico centenário, que apesar dos seus 103 anos, mantém tem uma lucidez e uma saúde de ferro, para desespero dos seus herdeiros que mal podem esperar pela morte do ancião para deitarem a mão à sua grande fortuna. Júlio César era o protagonista, desdobrando-se em dois papéis, o do dito centenário e o do seu secretário pessoal.

Júlio César como Nózinhos e D. Antão Torrado
O trio de "abutres": Carolina (Rosa Lobato Faria),
Albano (Armando Cortez) e Adelaide (Manuela Maria)

Aos 103 anos, D. Antão Torrado (Júlio César) goza de uma vitalidade fora de comum, o que vai adiando as perspectivas dos seus parentes mais próximos de beneficiarem da sua fortuna. Entre os principais interessados que o idoso bata as botas estão o seu sobrinho Albano (Armando Cortez) que apesar de ter 5% das empresas da família e ser o vice-presidente das ditas, não tem poder de decisão e nem dinheiro para deixar de viver à custa do tio; a mulher deste Carolina (Rosa Lobato Faria); e irmã solteirona Adelaide (Manuela Maria) que atribui ao tio a culpa de nunca ter casado, por este nunca ter permitido o seu casamento com um amor de juventude, um sapateiro. Ao longo da série, estes três vão congeminando planos para acelerar o falecimento do tio Antão, mas o ancião consegue sempre furar habilmente as conspirações contra eles, não só os dos sobrinhos como de outros pretensos herdeiros que vão surgindo e outros vigaristas que pretendem também deitar mão à sua fortuna.




Os principais aliados de Antão são Mafalda (Isabel Galvão), neta de Albano e Carolina mas que não herdou o oportunismo dos seus avós e, pouco dada a convenções, namora um carpinteiro chamado José; Chica (Natalina José), a fiel empregada da casa; e Francisco Xavier (Júlio César), também conhecido como o Nózinhos, o secretário particular e homem de confiança do magnata, que este o trata quase como o filho que nunca teve e que nutre um fraco por Mafalda. É a estes três que Antão recorre para pregar partidas àqueles que conspiram contra ele. 

No último episódio, Antão está gravemente doente e parece que a sua longa vida parece estar à beira do fim. Para acelerarem mais o processo, os sobrinhos contratam Maria Eugénia (Cláudia Cadima), uma simpática jovem, para cuidar do tio. A jovem carrega consigo uma estranha malapata: sempre que ela é contratada para cuidar de algum idoso, o dito cujo falece poucos dias depois. Mas no final, para espanto de todos, Antão deixa uma carta onde é revelado que não só ficou rapidamente restabelecido sob os cuidados de Maria Eugénia como fugiu com ela!
O "Diário de Lisboa" assinala a estreia da série





 
 

Fernando Mendes, Lídia Franco, Nicolau Breyner e Simone de Oliveira foram alguns dos actores
que tiveram participações especiais em "Nem O Pai Morre..."


Ao longo dos 13 episódios, a série contou com as participações especiais de nomes como Nicolau Breyner, Lídia Franco, Fernando Mendes, Adelaide João, Vera Mónica e Herman José, no papel de Gauguinat, um marchand de arte a quem Adelaide e Carolina tentam vender um quadro do tio, mas que acaba por vigarizá-las. Eis aqui esse episódio:



Não me lembro de ver a série quando estreou na altura, mas vendo alguns episódios na RTP Memória, constatei que era de facto uma série bastante interessante e com boas interpretações de todo o elenco. Será porventura o grande desempenho da carreira de Júlio César, pelo menos em televisão. 

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