domingo, 19 de maio de 2019

Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma (1999)


Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante...
Mais especificamente em 19 de Maio de 1999, e numa galáxia no outro lado do Atlântico que a Guerra das Estrelas (Star Wars) voltou ao grande ecrã com "Star Wars: Episode I - The Phantom Menace". Este primeiro capítulo (cronologicamente o primeiro, mas o quarto a ser produzido) ou episódio, foi um fenómeno global, antecipado e presente em todo o tipo de mídias e produtos. Aqui pelo estaminé, o Paulo Neto já o tinha listado nas "20 coisas que aconteceram há 20 anos (1999)" e eu  já tinha abordado nos cromos sobre as minhas cassetes VHS da Guerra das Estrelas, na Colecção de Cromos Pepsi e o site oficial da época. Espero ainda fazer um cromo dedicado à fabulosa banda sonora, mas mais sobre isso abaixo. Em Portugal estreou em 1 de Outubro de 1999 - segundo o IMBD - com o título "Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma" que substitui o velhinho "A Guerra das Estrelas" pelo inglês "Star Wars" como forma de homogeneizar a marca.
Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Os fãs estavam à mingua de Star Wars nos cinemas desde 1983 (Episódio VI: O Regresso de Jedi), um fome que não era morta mas multiplicada pelos imensos desenvolvimentos no Universo Expandido (agora Lendas, desde a compra pela Disney) em livros, banda desenhada, jogos, etc e todo o tipo de merchandising possível e imaginário. Li há tempo sobre um artigo de 1977 que despertou a ira de Gorge Lucas, e como ele proibiu a continuação da fabricação dos baratuchos "cintos de utilidades" que pouco tinham a ver com os acessórios mostrado nos filme. Mas o dólar (ou milhões de dólares) falam mais alto e ainda hoje é possível encontrar a marca Star Wars associada a todo o tipo de produto, de qualidade mais ou menos duvidosa.
Como qualquer produção famosa que se preze, a mera existência desta continuação - que foi o primeiro capitulo da trilogia para contar como se chegou na trilogia original - despertou a ira dos supostos verdadeiros fãs. Actores perseguidos e humilhados, caíram na depressão e até em pensamentos suicidas. Algo que desde a multiplicação do acesso à Internet e da aceitação da cultura geek só piorou para todo o tipo de filmes, séries, banda desenhada, etc.
No ano que estreou o "Regresso de Jedi" tinha apenas 4 anos, mas na altura em que os cinemas nacionais exibiram as Edições Especiais não assisti a nenhum. Não me lembro, mas talvez simplesmente não tenham passado na pequena sala local. Portanto, o Episódio I foi a primeira vez que vi um filme da Guerra das Estrelas no grande ecrã. Nos meses que antecederam devorava e coleccionava todo e qualquer artigo de jornais, revistas - até alemãs - relacionado com o tema. Vi e revi até gastar a cassete onde gravei - creio que do TOP+ - o videoclip (que dobra como making-of) do fabuloso e operático tema principal, "Duel Of The Fates". Confesso sem vergonha que ainda circula por todos os meus leitores de Mp3.

Boatos e noticiários davam contam de imensos espectadores que compram bilhetes para os filmes que tinham sido seleccionados para passar antes o primeiro trailer do Episódio 1, e que depois de visto, imediatamente abandonaram a sala sem ver o filme. Creio que o vi pela primeira vez no noticiário. Graças à Internet não precisam de comprar bilhete para assistir:

E falando nisso, em 1998, a Internet já permitiu a mais de 10 milhões assistir a esse trailer, estabelecendo um recorde. Recorde batido pelo trailer seguinte:

O criador do universo "Star Wars", George Lucas, várias vezes declarou que o primeiro "Star Wars" - que mais tarde ganhou os subtítulos "Episode IV: A New Hope" ("Episódio 4: Uma Nova Esperança") - era apenas uma parte da história da saga "planeada" para 9 filmes.

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
E apesar do sucesso das continuações nos Episódios V e VI creio que muito poucos seres humanos teriam certeza que veriam novos Star Wars no grande ecrã, muito menos que a segunda trilogia fosse uma prequela da trilogia original. Depois dos trailers, que não entregaram muitos detalhes, a reacções foram geralmente positivas. Belos designs, acção épica e um título ao estilo dos serials e pulps do antigamente que estiveram na origem da saga. Depois da estreia o resultado desiludiu muita gente. Um plot mais complexo, que conjuga ao mesmo tempo elementos políticos e mais subtis, com elementos mais infantis e escatológicos, além de várias referências aos filmes futuros. O universalmente odiado Jar Jar Binks cumpre a sua função de comic relief, e é um triunfo da tecnologia da altura, e até de racista a personagem foi acusada, devido ao seu sotaque. Foi visível que deslumbrado pelas possibilidades do digital, Lucas começou a trocar os efeitos práticos por green screen, e pessoalmente, apesar de lamentar o progressivo uso dos computadores em detrimento de efeitos práticos que poderiam funcionar melhor, considero injustas as acusações que os efeitos digitais eram frios. Neste capítulo, houve um grande esforço em conjugar o melhor dos dois mundos, analógico e digital, e mesmo através das animações CGI sente-se a artesania de uma grande casa de efeitos como é a ILM. A nível de design e estilo, se a imagem de marca da trilogia original era o "espaço usado" (o oposto de Star Trek e Espaço 1999 por exemplo) nesta nova trilogia optou-se por mostrar novos planetas, localizações e tipos de naves mais polidos de "tempos mais civilizados" antes da queda dos Jedi e da decadência corrupta do Império. Obviamente que as zonas mais pobres e corruptas já existiam - e foram desenvolvidas nas séries animadas como "Clone Wars" - mas nesta nova trilogia o público foi apresentado a locais e situações quase impossíveis de recriar com os efeitos dos anos 70 e 80. E muito importante, até as lutas de lightsabers foram coreografadas de formas mais dinâmicas, num constraste com a trilogia original onde as lutas eram mais decalcadas dos samurais adorados por Lucas, e protagonizadas por velhos, aleijados e jovens sem treino formal. Na época do Episódio 1 a organização dos Jedi, embora já em decadência, ainda era forte e com muitos membros pela galáxia. E de bónus, regressam - além do jovem Obi-Wan - os dróides favoritos dos fãs: C-3PO e R2-D2.
Sinopse:
Décadas antes dos eventos de "A Nova Esperança", somos reapresentados a Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), nesta época ainda um jovem aprendiz, e o seu Mestre, Qui-Gon Jinn (Liam Neeson). São os enviados Jedi para tentar resolver uma disputa comercial no planeta Naboo, que está a ser bloqueado pela Federação do Comércio. A hospitalidade da Federação depressa se revela enganadora e ambos Jedi conseguem escapar para a superfície do planeta a bordo de uma das naves invasoras.

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
No terreno são auxiliados por uma das criaturas mais desastradas e irritantes do cinema, o mestre do slapstick Jar Jar Binks (Ahmed Best), que Qui-gon salvou do exército robótico a caminho da capital de Naboo.

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
Depois de uma rápida passagem pelo reino subaquático dos compatriotas de Jar Jar, os Jedi conseguem resgatar a Rainha Amidala e a sua entourage de que se destaca uma jovem aia, Padmé (Natalie Portman). Obrigados a parar em Tatooine para reparar a nave, localizam as peças numa sucata onde travam amizade com o jovem escravo Anakin Skywalker (Jake Lloyd), o futuro Darth Vader. O Mestre Jedi rapidamente percebe o poder de Anakin na manipulação da Força e faz uma aposta com o dono deste para o libertar. Anakin vence a corrida de podracers (a reencarnação espacial das quadrigas de "Ben-Hur") e Qui-Gon a aposta.

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
De regresso à nave são atacados por um misterioso inimigo, Darth Maul (Ray Park). Conseguem escapar para a capital da República, o impressionante planeta-cidade Coruscant. Anakin é apresentado ao Conselho Jedi que pressente o perigo, e proíbe Qui-Gon de lhe ensinar os caminhos da Força. Também frustrada fica a Rainha Amídala que vê o Senado ignorar os pedidos de ajuda ao seu planeta, e resolve regressar a Naboo, acompanhada por Obi-Wan e Qui-Gon para lhe garantirem a segurança e descobrir mais sobre o Sith que os atacou. Com a ajuda de Jar Jar, os Gungan unem forças com os combatentes de Amídala e graças à intervenção de Anakin aos comandos de uma nave, conseguem vencer o exército de robots da Federação de Comércio. E apesar de o filme acabar em festa, nem tudo termina bem: Darth Maul consegue mata Qui-Gon em duelo de lightsabers. E apesar de Obi-Wan vingar o seu Mestre, e de o Conselho Jedi o promover a Cavaleiro, o espectador sabe que o seu novo aprendiz Anakin e a sombra do futuro Imperador mancham a celebração final...Mas isso, é outra história...
Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)

Fonte: The Making of Episode I The Phantom Menace (1999)
Foi um evento global, e apesar de não ser de bom tom admitir tal em público, o "Episódio I" é dos meus favoritos da saga e abriu a porta a todos os filmes, séries e etc que se seguiram. No ano em que escrevo, faltam meses para a estreia do Episódio IX, o encerramento da Saga dos Skywalkers nos cinemas, prometido por George Lucas tantos anos atrás.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Top Música & Som 27 Setembro 1982

TOP Música & Som

Fonte: "TV Top Nº 82" [27 de Setembro a 3 de Outubro de 1982]


No final do segundo trimestre de 1982, este foi o TOP das mais vendidas, entre singles e albuns portugueses e estrangeiros:



Nacional/Internacional - TOP 20 SINGLES:

1- More Than This - Roxy Music [Vídeo].
2- Cambodja - Kim Wilde [Vídeo].
3- Amor - Heróis do Mar [Vídeo].
4- Ebony and Ivory - Paul McCartney, Stevie Wonder [Vídeo].
5- Hungry Like The Wolf - Duran Duran [Vídeo].
6- Temptation - De Blanc [Vídeo].
7- Cama e Mesa - Roberto Carlos [Vídeo].
8- Love Is In Control - Donna Summer [Vídeo].
9- Classic - Adrian Gurvitz [Vídeo].
10- Da Da Da - Trio [Vídeo].






11- Never Again - Classix Nouveaux [Vídeo].
12- Words - F-R David [Vídeo].
13- Talk Talk - Talk Talk [Vídeo].
14- Say Hello Wave Goodbye - Soft Cell [Vídeo].
15- Aurora - Nova [Vídeo].
16- Adios Fraulein - Frederic Monteil [Vídeo].
17- Tonight I'm Yours - Rod Stewart [Vídeo].
18- Just Like A Woman - Rod Stewart [Vídeo].
19- My Own Way - Duran Duran [Vídeo].
20- Poison Arrow - ABC [Vídeo].




Quase a fechar o top, Rod Stewart fez dobradinha, tal como os Duran Duran, que ao contrário do rouco Rod nesta semana conseguiram encaixar um single no Top 5.



Nacional/Internacional - TOP 10 ALBUNS

1-   Avalon - Roxy Music [Vídeo].
2-   Roberto Carlos - Roberto Carlos [Vídeo].
3-   Disco de Ouro - Marco Paulo [Vídeo].
4-   Peter Gabriel - Peter Gabriel [Vídeo].
5-   The Concert In Central Park - Simon and Garfunkel [Vídeo].
6-   Too-Rye-Ay - Dexy's Midnight Runners [Vídeo].
7-   Soul Music - Vários [Vídeo].
8-   Love And Dancing - The League Unlimited Orchestra [Vídeo].
9-   Rio - Duran Duran [Vídeo].
10- The Lexicon Of Love - ABC [Vídeo].



Nacional - TOP 10 SINGLES


1-   Amor - Heróis do Mar [Vídeo].
2-   Minha Quinta Sinfonia - Paco Bandeira [Vídeo].
3-   Fantasmas - Da Vinci [Vídeo].
4-   Cristina - Roquivários [Vídeo].
5-   Eles Foram Tão Longe - Lenita Gentil [Vídeo].
6-   Latin'America - Jafumega [Vídeo].

7-   Caminhos de Portugal - Mário Gil [Vídeo].
8-   Fado É Fixe - Vasco Rafael [Vídeo].
9-   Pop Snob - Popeline Beije [-].
10- Canção Dos Teus Cabelos - Clemente [Vídeo].  



Desta lista de singles nacionais o que me chamou a atenção foi o "O Fado É Fixe", que com um título desses só podia ser uma criação de Carlos Paião. E atenção, não confundir o grupo de Cascais "Popeline Beije" com os "Popeline" dos anos 90.


Nacional - TOP 5 ALBUNS 


1-   Disco de Ouro - Marco Paulo [Vídeo].
2-   Perto De Ti - Lena d'Água [Vídeo].
3-   Fora De Moda - Rui Veloso [Vídeo].
4-   Nabraza - Trabalhadores Do Comércio [Vídeo].
5-   Aspectos Humanos - Beatnicks [Vídeo].


Na imagem abaixo - que podem ampliar - consegue-se ver as novidades, as descidas e subidas das tabelas, a permanência no top e a etiqueta responsável pela edição de cada disco, assim como alguns erros nos nomes dos artistas e canções:
Fonte: Revista "TV Top Nº 82" [27 de Setembro a 3 de Outubro de 1982]

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Festival da Eurovisão 1989

por Paulo Neto


À medida que se aproxima o Festival da Eurovisão deste ano com Conan Osíris a representar Portugal, porque não recordarmos mais uma edição deste lendário evento? Desta vez recuamos trinta anos até ao 34.º Festival da Eurovisão que decorreu no Palácio Beaulieu em Lausana a 6 de Maio de 1989. 33 anos depois de ter acolhido a primeira edição do Festival, a Suíça voltava a receber o certame na virtude da vitória da Céline Dion em representação daquele país no ano anterior. Aliás foi Dion quem abriu o espectáculo cantando a canção vitoriosa do ano anterior, "Ne Partez Pas Sans Moi", e "Where Does My Heart Beat Now", um dos seus primeiros hits em inglês. Os apresentadores foram Lolita Morena e Jacques Deschenau e foi a última edição até agora em que o certame foi principalmente conduzido em francês.



Com o regresso de Chipre, ausente no ano anterior, 22 países competiram nesta edição. Os comentários para a RTP estiveram a cargo de Ana Zanatti e Margarida Mercês de Melo foi a porta-voz dos votos de Portugal. 

Como é habitual, vamos recordar as canções pela ordem inversa à da classificação final.

Daniel Agust (Islândia)

A Islândia participava pela quarta vez e depois de ter ficada em 16.º lugar nas suas três primeira participações, desta vez experimentava a amargura do último lugar sem qualquer ponto. Um resultado algo injusto para sua canção "Pad sem enginn ser" ("o que ninguém vê") interpretada por Daniel Agust Haraldsson. Daniel viria obter sucesso internacional como membro do grupo Gus Gus.

Pan (Turquia)

Nos anos 80 e 90, podia-se contar com a Turquia para trazer algo exótico e diferente aos ouvidos da Europa Ocidental e este ano não foi excepção com o quarteto Pan e o tema "Bana, bana" ("a mim, a mim"). A letra podia ser bastante repetitiva mas a canção estava bem ao estilo das sonoridades da Ásia Menor. Porém, a Turquia não obteria mais do que o 21.º lugar com cinco pontos. Uma das parcelas femininas do grupo, Arzu Ece, viria a representar o país a solo em 1995.

Park Café (Luxemburgo)

O Luxemburgo ficou em 20.º lugar com oito pontos. Nesse ano, fizeram-se representar pelos Park Café, uma banda luxemburguesa, mas cuja vocalista Maggie Parke era natural de Salt Lake City nos Estados Unidos (o que explica a sua peculiar pronúncia do francês), interpretando a canção "Monsieur".

Este foi um dos anos em que a Bélgica se fez representar pela vertente flamenga do país, na voz de Ingeborg Sargeant que cantou "Door de vind" ("através do vento") acompanhada no coro pelo autor da canção Stef Bos. Mas como este país costumava sair-se bastante melhor quando cantava em francês, desta vez ficou-se pelo 19.º lugar com 13 pontos. Ingeborg viria a ser mais conhecida no seu país como apresentadora de televisão.

Kiev Connolly & The Missing Passengers (Irlanda)

A Irlanda tinha sido o país anfitrião no ano anterior mas teria de esperar mais três anos até voltar a vencer e trazer de novo o Festival para as suas terras. Desta vez ficou-se pelo modesto 18.º lugar (21 pontos) com a canção "The Real Me", um tema sonoridades bem ao estilo da pop dos anos 80, interpretado por Kiev Connolly & The Missing Passengers.

Britt Synnove (Noruega)

Britt Synnove Johansen foi a representante da Noruega, cantando "Venners naerhet" ("a proximidade dos amigos"), uma balada sobre a amizade, ficando em 17.º lugar com 30 pontos. O momento alto da actuação foi quando um dos cantores lhe deu uma rosa. Britt viria a fazer carreira mais no teatro e espectáculos musicais do que como artista de estúdio. Ainda assim, na sua discografia contam um disco de homenagem a Edith Piaf e outro de tangos noruegueses.

Da Vinci (Portugal)

Portugal ficou-se pelo 16.º lugar com 39 pontos com mais uma canção daquelas que o país inteiro conhece e canta de cor. O colonialismo até pode ser um assunto demasiado sério para dourar a pílula numa canção pop, mas não há como negar toda a verve contida em "Conquistador" interpretada pelos Da Vinci, em especial o imortal refrão: "Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, /Angola, Moçambique, Goa e Macau./Ai fui até Timor, já fui um conquistador!" Acompanhando o casal fundador do grupo, Pedro Luís e Iei-Or, estiveram as irmãs Sandra e Dora Fidalgo, que mais tarde fariam coros para os Delfins.  O co-autor da canção, Ricardo Landum, hoje conhecido como compositor de sucessos para nomes como Tony Carreira, deveria ter acompanhado os Da Vinci mas semanas antes sofrera um acidente de viação que o impossibilitou de viajar para a Suíça. Os Da Vinci tiveram vários hits tanto antes como depois mas "Conquistador" foi incontestavelmente o ponto alto da sua carreira.

Justine Pelmelay (Holanda)

Reza a lenda que anos antes, Justine Pelmelay teve um sonho em que participaria no Festival da Eurovisão pela Holanda. Esse sonho realizou-se em 1988 quando fez coro na canção holandesa cantada por Gerard Joling mas só se tornou verdadeiramente premonitório no ano seguinte, quando foi a vez dela de defender a canção dos Países Baixos, intitulada "Blijf zoals je bent" ("continua a ser como és"), ficando em 15.º lugar com 45 pontos. Justine foi sobrevivente do naufrágio do navio Costa Concordia em 2012.

Nino De Angelo (Alemanha)

Dieter Bohlen dos Modern Talking foi o compositor de duas canções presentes a concurso. Uma delas foi obviamente a do seu país, a Alemanha. Nino De Angelo tinha tido alguns êxitos entre 1983 e 1984, incluindo "Jenseits von Eden" que foi n.º 1 do top alemão, e regressava à ribalta para cantar "Flieger" ("voadores"), ficando em 14.º lugar com 46 pontos (mas é uma das minhas canções preferidas deste ano). Embora sem nunca igualar o seu sucesso dos anos 80, Nino De Angelo continua activo na música. Em 1996 colaborou com o grupo pop Mr. President (os de "Coco Jamboo") para a canção "Olympic Dreams".

Marie-Louise Werth/Furbaz (Suíça)

Como se sabe, são quatro as línguas oficiais da Suíça: francês, alemão, italiano e romanche. E depois de já ter enviado canções nas três primeiras (para além de uma em inglês), fazia sentido que o país fosse representado em casa por uma canção na língua oficial que faltava, o enigmático romanche, falado apenas por 0,7% da população. O grupo Furbaz, liderado por Marie-Louise Werth, é altamente creditado como um dos principais responsáveis por manter vivo o legado desta língua e em Lausana cantaram "Viver senza tei", obtendo o 13.º lugar com 47 pontos.   

Gili & Galit (Israel)

Embora oficialmente a canção de Israel fosse um dueto entre Gili Netanael e Galit Burg-Michael, na verdade o primeiro, de apenas doze anos e com uma voz de querubim, era a estrela do tema "Derekh hamelekh" ("a estrada do Rei") com a segunda a fazer pouco mais que vocais secundários. Infelizmente no dia da actuação, a prestação de Gili ressentiu-se do nervosismo e de ter estado doente alguns dias antes e a magia da versão de estúdio não foi recriada em palco. Ainda assim, um 12.º lugar com 50 pontos não foi nada mau.

Fani Polymeri & Yannis Savvidakis (Chipre)

Já a canção de Chipre não foi um dueto, foi praticamente um casamento. Isto porque Fani Polymeri e Yannis Savvidakis apresentaram-se em palco como se tivessem acabado de casar numa igreja ali próxima, ela de vestido branco, ele de smoking, para cantar "Apopse as vrethume" ("vamos nos encontrar esta noite"). Esta boda musical agradou particularmente ao júri islandês, que deu doze pontos dos 51 que a canção cipriota recebeu, ficando em 11.º lugar.

Fausto Leali & Anna Oxa (Itália)

Itália e Grécia partilharam o nono lugar com 56 pontos. A Itália, o primeiro país a actuar, foi mais outro país que levou um dueto, "Avrei voluto" ("eu queria") nas vozes de Anna Oxa e Fausto Leali, ambos com carreiras já bastante bem-sucedidas tanto antes como depois. Dizem as más-línguas de Oxa e Leali andaram meio de candeias às avessas durante o périplo por Lausana, mas na hora de subir ao palco, as divergências foram postas de lado.

Marianna Esftratiou (Grécia)

Marianna Esfratatiou tinha feito coro na canção grega de 1987 e dois anos volvidos, cabia-lhe agora a responsabilidade de representar o seu país com o tema "Te diko sou asteri" ("a tua própria estrela"), acompanhada pelo flautista Filippos Tsemperoulis. Marianna viria a representar a Grécia novamente em 1996.
Natahlie Pâque (França)

E como se não bastasse o jovenzinho israelita, as responsabilidades de representar a França ficaram nesse ano sobre o pequenos ombros de Nathalie Pâque, que só completaria doze anos de idade cinco dias depois. (No ano seguinte, seria implementada a regra que estabelecia os dezasseis anos como a idade mínima para participar no certame.) No entanto, a jovem cantora belga esteve à altura do desafio interpretando irrepreensivelmente o tema "J'ai volé la vie" ("eu roubei a vida"), alcançando o oitavo lugar com 60 pontos. Nem de propósito, o primeiro verso da canção era: "Não posso dizer-vos a minha idade". Segundo consta, além de alguns discos dos anos 90, Nathalie tem-se dedicado ao teatro musical tanto na França como na Bélgica. 

Anneli Saaristo (Finlândia)

Tal como Portugal, a Finlândia era um país pouco habituado ao topo da classificação, mas nesse ano obteve o seu melhor resultado desde 1975, com o sétimo lugar (76 pontos), na altura apenas superado por um sexto lugar em 1973 (até à célebre vitória em 2006 com os Lordi). Anneli Saaristo cantou "La dolce vita", um tema que evocava sonoridades mais mediterrânicas do que nórdicas. Entre o vasto repertório de Anneli Saaristo, há que destacar uma versão em finlandês de "Silêncio e Tanta Gente", a canção de Portugal do Festival da Eurovisão de 1984.

Nina (Espanha)

Este foi também um ano de bom resultado para a vizinha Espanha, que ficou em sexto com 88 pontos. Envergando uma frondosa cabeleira, a catalã Anna Maria Agustí, ou simplesmente Nina, deu tudo no baladão "Nacida para amar". Apesar de ter carreira na música desde muito cedo, cantando sobretudo em catalão, Nina tinha ficado conhecida uns anos antes em Espanha como assistente da versão espanhola do concurso "1, 2, 3". Anos mais tarde, voltaria a ter destaque como a directora da academia nas primeiras três temporadas do programa "Operación Triunfo", tendo também protagonizado as adaptações espanholas de musicais como "Mamma Mia" e "Cabaret". 

Thomas Forstner (Áustria)

O actual sistema dos "douze points" estava em vigor desde 1975, mas foi preciso chegar até 1989 para se ouvir pela primeira vez: "Austria, twelve points. Autriche, douze points!" E ouviu-se três vezes, contribuindo para que a Áustria ficasse em quinto lugar com 97 pontos, o melhor resultado deste país desde 1976. Tudo graças à canção "Nur ein Lied" ("só uma canção") interpretada por Thomas Forstner e que, tal como a canção alemã, tinha música de Dieter Bohlen dos Modern Talking. Thomas Forstner voltou ao Festival pela Áustria em 1991 mas o resultado foi o pior possível, não tendo qualquer ponto.

Tommy Nilsson (Suécia)

A Suécia ficou em quarto lugar com 110 pontos com o tema "En dag" ("um dia") interpretado por Tommy Nilsson. Além de uma carreira bem-sucedida desde o início dos anos 80, Nilsson também é conhecido pelo seu trabalho nas dobragens tendo sido a voz sueca do John Smith em "Pocahontas" e de Patrick Star em "Spongebob Squarepants".

Birthe Kjaer (Dinamarca)

Com mais um ponto que a Suécia, a Dinamarca repetiu o terceiro lugar do ano anterior. Birthe Kjaer, uma veterna do showbiz dinamarquês, cantou "Vi maler byen rod" ("pintamos a cidade de vermelho"). O compositor da canção, Soren Bundgaard, que também acompanhou Birthe no palco, tinha participado como parte do duo Hot Eyes em 1984, 1985 e 1988. Uma curiosidade foi que a meio da canção, o orquestrador Henrik Krosgaard foi para o palco para se juntar ao coro, sendo substituído por outro maestro. 

Ray Caruana / Live Report (Reino Unido)

Também o Reino Unido repetiu o segundo lugar de 1988, desta vez com o grupo Live Report e a balada "Why do I always get it wrong", onde brilhou a voz do vocalista Ray Caruana, com um timbre semelhante ao de Chris De Burgh. Obteve 130 pontos incluindo o doze de Portugal. 

Riva (Jugoslávia)

Mas desde muito cedo que a Jugoslávia tomou a liderança e nunca mais a largou, somando 137 pontos. Tal como nos dois anos anteriores, o país apostou na mesma fórmula: uma banda pop croata com uma vocalista carismática a cantar um tema animado. E à terceira foi de vez com o grupo Riva, liderado por Emilija Kokic, com "Rock me". Foi uma vitória algo inesperada e embora seja sem dúvida uma canção bem agradável, creio que não era das melhores e questiono-me o que é que a canção da Jugoslávia tinha que a de Portugal não tinha.
Seja como for, foi um dos últimos triunfos da Jugoslávia antes do seu violento desmembramento poucos anos depois. Os Riva terminariam em 1991 mas desde então que Emilija Kokic tem a sua carreira a solo.

Festival da Eurovisão 1989 (comentários da BBC)




terça-feira, 30 de abril de 2019

Festival da Eurovisão 1994

por Paulo Neto



Aproxima-se mais uma edição do Festival da Eurovisão e temos mais uma edição para recordar. Desta vez recuamos até 1994, para o 39.º Festival da Eurovisão que teve lugar no Point Theatre em Dublin a 30 de Abril do dito ano, sendo a última vez até agora que o evento se realizou no mês de Abril. Na virtude da vitória em casa no ano anterior, a Irlanda organizava o evento pelo segundo ano consecutivo (quinta vez até então) e desta vez o certame voltava à capital. A apresentação ficou a cargo de Cynthia Ni Mhurchu e Gerry Ryan.



Este foi o ano em que a Eurovisão acolheu a Europa de Leste, com sete países a estrearem-se no Festival: Eslováquia, Estónia, Hungria, Lituânia, Polónia, Roménia e Rússia. No entanto a participação destes países fez com que os países que tinham ficado pior classificados no ano anterior (Bélgica, Dinamarca, Eslovénia, Israel, Luxemburgo e Turquia) não pudessem competir neste ano e Chipre só participou devido à desistência da Itália.




Mas o principal legado desta edição do Festival da Eurovisão foi o número que foi apresentado no intervalo, o do espectáculo "Riverdance" que pouco depois se tornaria um fenómeno internacional. O impressionante número coreográfico, liderado pelos bailarinos Michael Flately e Jean Butler, galvanizou o público, mas infelizmente a RTP não o transmitiu. 
Este foi também o primeiro ano em que os porta-vozes deram os seus votos via satélite, sendo a primeira vez que os telespectadores podiam vê-los. No caso de Portugal, foi Isabel Bahia quem a Europa viu a dar os nossos pontos, com Eládio Clímaco a fazer os comentários para a RTP. Uma outra particularidade é que os telespectadores da RTP podiam escolher através de chamada telefónica qual a sua canção preferida (incluindo a portuguesa que obviamente venceu por larga margem essa sondagem, seguida de Alemanha, Irlanda, Reino Unido e Áustria), num prenúncio do televoto que seria utilizado na Eurovisão uns anos mais tarde. 

Como sempre, iremos analisar as canções por ordem inversa à classificação.

Ovidjus Vysniauskas (Lituânia)

Tal como Portugal trinta anos antes, a Lituânia teve uma estreia amarga na televisão, não conseguindo qualquer ponto. Ovidijus Vysniauskas tinha sem dúvida uma voz marcante mas a sua "Lopsine mylimaj" ("canção de embalar para a minha amada") não convenceu a Europa. Talvez por isso, a Lituânia só voltaria ao Festival cinco anos mais tarde.

Silvi Vrait (Estónia)

A outra nação báltica presente em Dublin, a Estónia, não teve muito mais sorte, quedando-se pelo penúltimo lugar com somente dois pontos dados pela Grécia. Mas para a sua estreia, fez-se representar por uma das suas cantoras mais lendárias, Silvi Vrait, que tinha sido uma importante figura durante a Revolução Cantada do final dos anos 80, quando o país procurava a independência da União Soviética. Pessoalmente creio que a canção "Nagu merelaine" ("como uma onda do mar") merecia melhor resultado, mas nos anos vindouros a Estónia viria a conseguir melhores resultados e em 2001 tornou-se o primeiro dos sete países estreantes deste ano a vencer. Infelizmente Silvi Vrait faleceu em 2013.

Willeke Alberti (Holanda)

Outra canção que creio foi injustiçada foi a da Holanda, que ficou em 23.º lugar com apenas 4 pontos (vindos da Áustria). A representante dos Países Baixos era uma velha glória nacional, Willeke Alberti, que fizera sucesso como cantora e actriz nos anos 60 e 70, cantando a balada "War is de zon?" ("onde está o sol?"). Entre os três ex-maridos de Alberti contam-se o futebolista dinamarquês Soren Lerby, que fez parte da equipa do PSV Eindhoven que derrotou o Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus em 1988 e John De Mol, o dono e fundador do império audiovisual da Endemol.   

CatCat (Finlândia)

A Finlândia apostou num dance-pop com o tema "Bye Bye Baby" interpretado pelo duo CatCat, formado pelas irmãs Katja (a morena) e Virpi (a loura) Kätka que surgiram em palco envergando coloridos corpetes e acompanhadas por dois enérgicos bailarinos. Ainda assim, ficaram-se pelo 22.º lugar com 11 pontos.

Dan Bittman (Roménia)

Um lugar acima com 14 pontos ficou a Roménia, mais um dos países estreantes deste ano. Dan Bittman era um ícone do rock romeno dos anos 80, vocalista de várias bandas até se fixar nos Holograf com os quais continua até hoje. Esta participação na Eurovisão foi uma das suas raras incursões a solo, interpretando o tema "Dincolo de nori" ("para além das nuvens").


Duilio (Suíça)

Tublatanka (Eslováquia)

A Eslováquia e a Suíça partilharam o 19.º lugar com 15 pontos. Pelas cores helvéticas estava o cantor Duilio Di Cicco que cantou em italiano a balada "Sto pregando" ("estou rezando") naquele que foi o seu único momento de fama, dentro e fora da Suíça.
Já a Eslováquia, que era mais um dos países estreantes deste ano, levava uma das suas mais famosas bandas rock, os Tublatanka com o tema "Nekonecna piesen" ("canção interminável") que pelo menos agradou bastante ao júri de Malta, que lhes atribuiu 12 pontos. Formados em 1982 em Bratislava, a banda continua ainda hoje no activo com o vocalista Martin Durinda ainda a liderar.

Alejandro Abad (Espanha)

A participação da vizinha Espanha teve uma participação algo discreta nesse ano, obtendo o 18.º lugar com 17 pontos. Nascido no Chile, Alejandro Abad interpretou "Ella no es ella". Abad viria mais tarde a ter mais fama como compositor, tendo sido o autor da canção espanhola de 2001.

Petra Frey (Áustria)

Com apenas 15 anos, Petra Frey, a representante da Áustria, foi a mais jovem intérprete desse ano. A Dublin, ela cantou a balada "Fur den Frieden der Welt" ("pela paz no mundo"), com a qual obteve 19 pontos e o 17.º lugar. Petra Frey continua com carreira activa no seu país.

Toni Cetinski (Croácia)

Depois da estreia no ano anterior, a segunda participação da Croácia esteve na voz de Tony Cetinski que cantou a balada "Nek ti bude ljubav sva" ("podes ter todo o amor"), ficando em 16.º lugar com 27 pontos. Ainda hoje Cetinski é um dos cantores mais populares do seu país.

Alma & Dejan (Bósnia Herzegovina)

Quem também participava pela segunda vez era a Bósnia-Herzegovina, ainda afectada pela sua guerra civil. Mas ao contrário das atribulações do ano anterior, onde a comitiva voou debaixo de balas, desta vez as coisas correram mais serenamente. O duo composto por Alma Cardzic e Dejan Lazarevic cantou mais uma balada, "Ostani kraj mene" ("fica comigo"). Tais foram os aplausos quando entraram em palco que Dejan atrapalhou-se a cantar os primeiros versos por não ouvir bem a música. Ainda assim, obtiveram 39 pontos e o 15.º lugar. Alma Cardzic regressaria ao Festival em 1997.

Kostas Bigalis & The Sea Lovers (Grécia)

Acompanhado pelo grupo The Sea Lovers, Kostas Bigalis foi o representante da Grécia. O tema "To Trehandiri" (nomes de uns barcos tipicamente gregos) tinha as sonoridades tipicamente gregas e ficou em 14.º lugar com 44 pontos.

Marie Bergman & Roger Pontare (Suécia)

A Suécia foi o primeiro país a actuar nesse ano, com mais uma balada (pessoalmente uma das minhas preferidas). Marie Bergman de chapéu (que fez parte do grupo Family Four que representou o país em 1971 e 1972) e Roger Pontare de vestes índias e mohawk na careca faziam um par insólito mas as vozes poderosas de ambos conjugaram-se bem para cantar "Stjärnona" ("as estrelas") e a canção merecia mais do que o 13.º lugar com 48 pontos. Roger Pontare voltaria a representar a Suécia em 2000.

Sigga (Islândia)

Sigridur Beinteinsdottir, ou simplesmente Sigga, representava a Islândia pela terceira vez. Primeiro em 1990 como metade do duo Stjórnin, depois em 1992 como parte do grupo Heart 2 Heart e desta vez a solo para cantar "Naetur" ("noites"). Ao contrário das outras participações onde ficou no top 10, desta vez ficou-se pelo 12.º lugar com 49 pontos.


Evridki (Chipre)


Também o Chipre se fazia representar por uma veterana destas andanças. Evridiki Theokleous fez coro nas canções cipriotas de 1983, 1986 e 1987 e pudera finalmente participar como vocalista principal em 1992. Mas se dois anos antes, a sua actuação primou pela sensualidade, desta vez a sua interpretação puxou mais ao dramatismo, com Evridiki dando tudo para cantar "Ime anthropos ki ego" ("também sou humana"). No coro esteve acompanhado por Demos Van Beke e Kyriakos Zymboulakis, os representantes cipriotas do ano anterior. Curiosamente, tal como em 1992, ficou em 11.º lugar ainda que com menos seis pontos (51) do que dois anos antes. Evridki regressou uma terceira vez ao Festival da Eurovisão por Chipre em 2007.   

Frances Ruffelle (Reino Unido)

Se houve vezes em que o Reino Unido tinham resultados melhores que a qualidade das suas canções, neste ano o 10.º lugar (63 pontos) soube algo a pouco, tal a qualidade do tema defendido por Frances Ruffelle, "We will be free (Lonely symphony)". A canção era uma fusão interessante de r&b com música new age. Este foi o momento mais célebre de Frances Ruffelle enquanto cantora pois tem feito sobretudo carreira como actriz, sobretudo no teatro musical, mas também em cinema e televisão. Já a sua filha, Eliza Doolittle, teve algum sucesso como cantora pop no início desta década com hits como "Skinny Genes" e "Pack Up".

Youddiph (Rússia)

A Rússia foi mais um país que se estreou neste ano, ficando em nono lugar com 70 pontos. Maria Katz participou sob o nome de Youddiph para cantar "Vechny strannik" ("eterno errante"). Além da sua sentida interpretação vocal, a sua actuação foi marcada pela forma como pegava no seu vestido cor-de-tijolo, transformando-o por exemplo num capote improvisado. Entre os vários trabalhos musicais que Maria Katz fez posteriormente, há que destacar ter sido a voz russa do filme animado "Anastasia".

Sara Tavares (Portugal)

Este foi o ano em Portugal obteve um dos seus melhores resultados de sempre, o 8.º lugar com 73 pontos (incluindo 12 de Espanha), graças àquela que é pessoalmente a minha preferida das nossas canções eurovisivas. E creio que não estou sozinho em afirmar que "Chamar A Música" na voz de Sara Tavares é uma das melhores e mais amadas canções que Portugal levou ao evento. Sara era na altura uma estrela em gloriosa ascensão, tendo ganho a primeira edição do "Chuva de Estrelas" imitando Whitney Houston e a sua canção, com letra de Rosa Lobato de Faria e música de João Carlos de Oliveira, tinha vencido de forma esmagadora o Festival da Canção, com a pontuação máxima de todos os distritos. E apesar dos seus 16 anos, voltou a brilhar em Dublin, evidenciado todo o seu talento. Desde então, e embora o seu percurso tenha seguido por caminhos diferentes daqueles que "Chamar A Música" antevia, Sara Tavares tem tido uma carreira de enorme sucesso. No ano passado, com o Festival da Eurovisão em Lisboa, participou na actuação de intervalo da grande final, juntamente com Branko, Dino D'Santiago, Plutónio e Maira Andrade. 

Nina Morato (França)

Um lugar acima com mais um ponto, ficou a França com aquela que era de longe a mais alternativa das canções a concurso. Nina Morato foi precisamente a última a actuar e sem dúvida que fechou com arromba, interpretando "Je suis un vrai garçon" ("sou mesmo um rapaz") com uma (para a altura) bem ousada indumentária e uma postura em palco bem irreverente. Mas ainda assim, era uma proposta bastante interessante. A canção também se destacou por ser uma das poucas canções da história do Festival da Eurovisão a incluir um palavrão não-censurado (o equivalente francês do nosso "f...-se!"). Nesse ano, Nina Morato também entrou no filme "Uma Separação" com Isabelle Hupert e Daniel Auteuil. Embora não lance nenhum álbum desde 1999 (que foi influenciado pela trágica morte da sua filha), ela continua activa na música e no teatro.

Jan Werner Danielsen & Elisabeth Andreasson (Noruega)

A canção da Noruega não podia ser mais meta, pois chamava-se "Duett" e era cantada em dueto. E a parte feminina do dueto, Elisabeth Andreasson, estava habituada a duetos pois foi assim que tinha participado antes na Eurovisão, em 1982 pela Suécia integrando o duo Chips com Kiki Danielsson e sobretudo, vencendo em 1985 pela Noruega com Hanne Krough sob o nome de Bobbysocks. Já o seu parceiro, Jan Werner Danielsen, com 18 anos recém-completados dava os seus primeiros passos na música. Apesar da diferença de idades, a conjugação das vozes de Andreasson e Danielsen resultou muito bem e valeu-lhes o sexto lugar com 76 pontos. Elisabeth Andreasson voltaria a representar a Noruega, finalmente a solo, em 1996 e continua com uma carreira muito activa, e ainda não desistiu de regressar à Eurovisão tendo voltado a competir várias vezes nas finais suecas e norueguesas. Já Jan Werner Danielsen faleceu tragicamente em 2006 aos trinta anos, vítima de ataque cardíaco.  

Chris & Moira (Malta)

Malta também se fez representar por um dueto, que neste caso era também um casal na vida real. E a história de amor entre Christopher Scicluna e Moira Straface começou precisamente no Festival do ano anterior em Millstreet, quando ambos participaram na canção maltesa, ele a tocar guitarra e ela no coro. Um ano depois, os dois cantaram "More Than Love" que obteve um quinto lugar com 97 pontos, que permanece como um dos melhores resultados do país (embora eu pessoalmente ache que talvez não merecesse tanto como outros países). Chris e Moira regressariam à Eurovisão em 1999 como autores e fazendo coro da canção maltesa desse ano. 

Frederika Bayer (Hungria)

No ano da sua estreia, a Hungria ia fazendo furor pois os três primeiros países a votar (Suécia, Finlândia e Irlanda) deram-lhe os 12 pontos e liderou até à sexta votação, altura em que o país vencedor tomou a liderança para nunca mais a largar. Ainda assim, ficou num excelente quarto lugar com 122 pontos, ainda hoje o melhor o resultado da nação magiar no certame. Frederika Bayer cantou "Kinek mondjam el vetkeimet?" ("A quem posso contar o meus pecados?"), uma balada melancólica onde a voz de Frederika soava angelical e etérea, isto apesar da letra falar de alguém que terá sido abandonada pelo amante (e abortado o filho que esperava dele). Frederika foi uma das mais populares cantoras do seu país nos anos 90 mas agora dedica-se sobretudo a música gospel e religiosa.  

MeKaDo (Alemanha)

A Alemanha obteve o terceiro lugar com 128 pontos com um dos temas mais animados da noite. Numa das raras vezes em que o país não organizou uma final nacional, tendo antes confiado no compositor Ralph Siegel para fazer uma canção para competir expressamente na Eurovisão, o tema apresentado foi "Wir geben 'ne Party" ("vamos dar uma festa"), interpretado pelo trio feminino MeKaDo. O nome vinha da primeira sílaba dos nomes de cada um dos membros: Melanie Bender (filha de Steve Bender, um dos membros dos Dschinghis Khan que representaram a Alemanha em 1979), Kati Karney e Dorcas Kiefer. Segundo consta, nos ensaios as três tiveram algumas dificuldade em coordenar os movimentos mas na noite da actuação, tudo correu pelo melhor.

Edyta Gorniak (Polónia)

Dos sete países estreantes deste ano, o mais bem-sucedido foi a Polónia obtendo o segundo lugar com 166 pontos, ainda hoje de longe o melhor resultado deste país. Com um talento vocal ao estilo de Céline Dion, Edyta Gorniak interpretou a balada "To nie ja" ("Não fui eu") impressionando a Europa, nomeadamente os júris de Áustria, Estónia, França, Lituânia e Reino Unido. No entanto, as coisas estiveram mal paradas para as cores polacas, pois no ensaio geral, Edyta decidiu cantar metade da canção em inglês quando as regras ainda obrigavam os países a cantar nas suas línguas oficiais. Seis países assinaram uma petição a pedir a desqualificação da Polónia por este motivo, mas como eram precisos pelo menos treze, a petição não surtiu efeito e a Polónia foi autorizada em competir. Edyta Gorniak conseguiu anos mais tarde algum sucesso internacional, inclusivamente em Portugal. 


Paul Harrington e Charlie McGettigan (Irlanda)

No entanto, a Irlanda acabou por vencer em casa de forma destacada com 226 pontos. Era a primeira vez (e até agora única) que um país venceu três anos consecutivos e com esta sexta vitória, a Irlanda tornava-se o país com mais vitórias no Festival da Eurovisão (estatuto que consolidou com uma sétima vitória em 1996 e que se mantém até hoje). Desta vez, o triunfo foi conquistado por Paul Harrington e Charlie McGettigan, com este à guitarra e aquele ao piano a cantarem "Rock 'n' roll kids", uma balada sobre um amor que nasceu ao som do rock 'n' roll mas que com o passar dos anos parece ter perdido o fulgor. Embora a qualidade do tema seja indiscutível, não sei se se justificava mais uma vitória irlandesa.  

Actuação "Riverdance":


Festival da Eurovisão 1994 (transmissão da RTP):





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...