quinta-feira, 6 de abril de 2023

Festival da Eurovisão 1974

Tempo para recordar mais uma edição anterior do Festival da Eurovisão, e esta talvez seja a mais histórica de sempre. Isto apesar de na altura não ter granjeado grandes elogios na imprensa por essa Europa fora, com o Diário de Lisboa (que nunca foi muito com a cara do evento) a sentenciar: "E depois do Festival, fica-nos a desoladora impressão de nenhuma das canções ter ficado no ouvido…" Mas agora sabemos que não foi bem assim, pelo menos quanto à canção vencedora…


O Luxemburgo tinha vencido pela segunda vez consecutiva no ano anterior mas como o grão-ducado não quis acolher novamente o certame, pela quarta vez a BBC britânica chamou a si os seus deveres para organizar o Festival quando o país vencedor do ano anterior não tinha vontade ou capacidade de o fazer. Algo que voltará a acontecer este ano com a cidade britânica de Liverpool a acolher o evento na impossibilidade da Ucrânia poder fazê-lo devido à guerra que tem assolado o país. 




O 19.º Festival da Eurovisão teve lugar a 6 de Abril de 1974 no Teatro Dome em Brighton, cidade na costa meridional de Inglaterra. Katie Boyle (1926-2018) foi a apresentadora, tal como em 1960, 1963 e 1968. O grupo de bonecos The Wombles foram a atração do número de intervalo. Artur Agostinho fez o comentário para a RTP e Henrique Mendes foi o porta-voz (em francês) dos votos do júri português. 



Como o sistema actual dos "douze points" só entraria em vigor no ano seguinte, em 1974 a votação procedeu-se assim: cada país tinha um júri composto por dez elementos com cada um dar o seu voto à sua canção preferida (que não a do próprio país). Este sistema de votação tinha sido utilizado entre 1957 e 1961 e mais tarde entre 1967 e 1970. Pela primeira vez, além da ordem de actuação, a ordem de votação também foi sorteada, mas curiosamente em ambos os casos a Finlândia foi sorteada em primeiro lugar e a Itália em último. Por isso, o quadro de pontuações foi o primeiro a indicar qual era o país a votar. Os postais ilustrados desse ano começavam por mostrar uma imagem de cada país (o Terreiro do Paço por Portugal quando na altura era um imenso parque de estacionamento) e depois imagens dos respectivos artistas nos ensaios ou a posar para as câmaras nas imediações do teatro. 

Como é habitual, iremos analisar as canções por ordem inversa à classificação.

Dani (França)

Mas antes disso, há que mencionar a França que deveria competir com a canção "La vie à vint-cinq ans" interpretada por Danièle Graul, mais conhecida simplesmente como Dani, tendo sido sorteada para atuar em 14.º lugar. No entanto, quatro dias antes do dia do Festival, o presidente da França, Georges Pompidou, faleceu inesperadamente e com o país em luto nacional, a televisão francesa retirou-se da competição. O que é pena porque a canção era bastante boa e provavelmente teria um bom resultado. Além de cantora, Dani (1948-2022) também era actriz tendo entrado em dois filmes de François Truffaut: "A Noite Americana" e "Amor Em Fuga". Em 2001, Dani teve um inesperado hit com "Comme Un Boomerang" em dueto com Etienne Daho.   

Cindy & Bert (Alemanha)
 

Nesse ano quatro países repartiram o último lugar, cada qual tendo recebido três pontos.
A Alemanha foi representada pelo casal Jutta "Cindy" Gusenberger e Norbert "Bert" Berger" (1945-2012) com "Die Sommermelodie" ("a melodia de Verão"), onde ao contrário deles próprios na altura, falava de um casal de apaixonados contrariados pelo facto de um deles não ser livre. Cindy e Bert divorciaram-se em 1988 e nesse ano Cindy foi segunda na pré-selecção alemã, e desde então que tem tido uma carreira a solo. (Adoro o nome ultra-alemão do orquestrador: Werner Scharfenberger!)

Piera Martell (Suíça)

A Suíça também se apresentou em alemão com "Mein Ruf nach dir" ("o meu apelo a ti") por Piera Martell (1943-). Após mais algumas participações nas finais nacionais helvéticas, Piera Martell retirou-se da música em 1981.

Anne-Karine Strom (Noruega)


A loiríssima Anne-Karine Strom (1951-) já tinha participado pela Noruega no ano transacto como parte do quarteto The Bendik Singers. Agora regressava a solo, ainda que acompanhada nos coros pelos irmãos Bjorn e Philipp Kruse, os seus anteriores companheiros de grupo. Em Brighton, cantou em inglês "The first day of love". A meu ver, das quatro canções empatadas em último lugar, apenas a da Alemanha e da Suíça mereceriam a cauda da tabela, com as da Noruega e do quarto país a serem nitidamente superiores e injustiçadas. Anne-Karine Strom voltou a representar as cores norueguesas em 1976, mas - infelicidade! - mais uma vez ficou injustamente em último lugar. 

Paulo de Carvalho (Portugal)

O quarto país do quarteto dos últimos foi, claro está, Portugal. Mas a canção que nos representou para Portugal ganharia um significado muito maior que a Eurovisão. Paulo de Carvalho (1947-) tornou-se conhecido nos The Sheiks como vocalista e baterista, antes de iniciar a sua carreira a solo em 1969. Competiu nos Festivais da Canção de 1970, 1971 e 1973, até vencer à quarta tentativa em 1974. No Festival da Canção desse ano, houve tripla participação de José Cid a solo ("A Rosa Que Te Dei") e com os Green Windows ("Imagens" e sobretudo, "No Dia Em Que O Rei Fez Anos"), além de nomes como Artur Garcia ("Senhora e Dona da Boina"), Duo Ouro Negro ("Baila Dos Trovadores") e Helena Isabel ("Canção Solidão"). "E Depois Do Adeus" tinha letra de José Niza e música e orquestração de José Calvário e se no Festival passou discretamente, semanas mais tarde cumpriria o seu lugar na História de Portugal. No dia 24 de Abril de 1974, às 22:55, a canção passou na emissão radiofónica dos Emissores Associados de Lisboa. Mas ninguém suspeitava que se tratava de uma senha para as forças armadas se prepararem para aquela que seria a revolução na manhã seguinte que poria fim ao regime do Estado Novo. E depois desse adeus, a liberdade…
A carreira de Paulo de Carvalho continuou a somar grande sucesso até aos dias de hoje, onde pontificam outros grandes temas como "Flor Sem Tempo", "Nini Dos Meus Quinze Anos", "Os Meninos de Huambo" e "Mãe Negra", para além de mais um regresso à Eurovisão em 1977 com Os Amigos.   

Carita (Finlândia)

Tal como no ano anterior, a Finlândia foi o primeiro país a atuar. Sentada ao piano, Carita Holmström (1954-) cantou "Keep Me Warm", ficando em 13.º lugar com 4 pontos. 

Korni (Jugoslávia)

A Jugoslávia foi representada pelo grupo sérvio Korni. Liderada por Kornelije Kovac (1942-2022), era uma das bandas pioneiras do rock jugoslavo, inclusivamente com alguma notoriedade fora do país. Com Zlatko Pejakovic (1950-) como vocalista principal, os Korni defenderam em Brighton o tema "Moja generacija" ("minha geração"), que no Festival foi apresentado sob o título "Generacija '42". A letra falava daqueles nascidos em 1942, tal como Kovac, durante a ocupação nazi da Sérvia. A canção jugoslava ficou em 12.º lugar com 6 pontos. Ainda nesse ano, a banda terminou, ainda que tenha tido uma breve reunião em 1987. 

Marinella (Grécia)

Apesar de alguns cantores gregos já terem participado por outros países (nomeadamente Vicky Leandros que venceu em 1972 pelo Luxemburgo), foi nesse ano que a Grécia participou pela primeira vez no Festival da Eurovisão. Nesta sua estreia, foi representada por Kyriaki Papadopolou, mais conhecida como Marinella (1938-), que cantou "Krasi, thalassa ke t'agori mou" ("Vinho, mar e o meu namorado), um tema como sonoridades inconfundivelmente gregas, ficando em 11.º lugar com 7 pontos. Com a sua carreira iniciada em 1957, Marinella já era uma das cantoras mais populares da Grécia, popularidade que continuou pelas décadas seguintes, tendo mesmo actuado na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 2004 em Atenas. (E tal como Portugal, mais tarde nesse ano a Grécia também sairia de um regime autoritário, após o fim da junta militar que governava o país desde 1967, a quem chamavam "a ditadura dos coronéis"). 

Jacques Hustin (Bélgica)

Com dez pontos cada, Espanha e Bélgica repartiram o nono lugar. Pela Bélgica, Jacques Hustin (1940-2009) cantou "Fleur de liberté" (por acaso, seria essa flor um cravo?). Além da música, Hustin também se destacou como pintor, tendo aliás abandonado a carreira de cantor no final dos anos 80 para se dedicar exclusivamente à pintura até ao final da sua vida.

Peret (Espanha)


Já a vizinha Espanha foi representada por Pedro Pubill Calaf, ou simplesmente Peret (1935-2014), com "Canta y se feliz" uma tema em ritmo de rumba. Aliás Peret foi um dos maiores músicos da rumba catalã. Como na altura em que ainda não havia microfones handsfree, para ter mais liberdade nos movimentos enquanto cantava e tocava guitarra ao mesmo tempo, Peret actuou com um microfone preso na gravata. Após um interregno na música onde esteve envolvido num culto evangélico, Peret actuou na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 1992.

Tina Reynolds (Irlanda)

O sétimo lugar também foi compartido entre dois países, com Irlanda e Israel a receberem onze pontos cada. Pela Irlanda, esteve Tina Reynolds (1949-), de seu verdadeiro nome Philomena Quinn, uma das cantoras mais populares do país nos anos 70, cantando "Cross Your Heart". 

Kaveret / Poogy (Israel)

Após a estreia no Festival no ano anterior, Israel participou pela segunda vez com o grupo Kaveret (que competiu sob o nome Poogy), uma das bandas pioneiras do rock israelita. Como na Eurovisão só é permitido um máximo de seis pessoas em palco em cada actuação, seis membros da banda subiram ao palco e o sétimo dirigiu a orquestra. Em Brighton, cantaram "Natati la chiaiai" ("eu dei a minha vida por ela"), que à superfície parece ser sobre um romance falhado, mas a letra continha algumas mensagens políticas, nomeadamente críticas à então primeira-ministra de Israel Golda Meir e defendendo a convivência entre um estado da Palestina e outro de Israel. A canção continua a ser um clássico da música israelita e até teve uma versão em francês de Joe Dassin. Por entre mudanças de formação e vários projetos a solo, os Kaveret ainda actuam juntos ocasionalmente. 

Romuald (Mónaco)

E como se já não houvessem bastantes empates, três países repartiram o quarto lugar com 14 pontos: Reino Unido, Luxemburgo e Mónaco. Dez anos depois, o francês Romuald Figuier (1938-) voltava a representar o principado do Mónaco (tendo de representado o Luxemburgo em 1969), interpretando "Celui qui reste et celui qui s'en va" ("aquele que fica e que aquele que parte"), num resplandecente fato de lantejoulas. Segundo a Wikipedia, Romuald estava habituado a representar vários países em festivais de música: em 1968 representou Andorra no Festival de São Paulo e o Luxemburgo no Festival de Sopot na Polónia e em 1973, ficou em segundo lugar pela França no Festival Viña Del Mar no Chile com "Laisse-moi le temps", que teria uma versão em inglês produzida por Paul Anka e gravada por Frank Sinatra. 

Ireen Sheer (Luxemburgo)

O Luxemburgo era famoso por importar cantores de várias nacionalidades nas suas participações na Eurovisão e nesse ano, a sua representante foi a britânica Ireen Sheer (1949-), radicada na Alemanha desde 1970. "Bye bye I love you", que apesar do título era sobretudo cantada em francês, marcou a primeira participação do compositor alemão Ralph Siegel no Festival da Eurovisão, tendo composto muitas outras canções concorrentes no evento ao longo das décadas seguintes, sobretudo pela Alemanha, nomeadamente a canção vencedora do certame em 1982, mas também para Luxemburgo, Suíça, Montenegro e São Marino. Ireen Sheer regressaria à Eurovisão mais duas vezes, em 1978 pela Alemanha e em 1985 novamente pelo Luxemburgo. 

Olivia Newton-John (Reino Unido)

Como país anfitrião, o Reino Unido apostava forte, fazendo-se representar por Olivia Newton-John (1948-2022), que então já gozava de grande sucesso internacional. Apesar de ter crescido na Austrália, Olivia Newton-John nasceu em Cambridge, pelo que representava o seu país de nascimento com o tema "Long live love". Esta participação na Eurovisão acabou por ser apenas um fait-divers na gloriosa carreira de Olivia Newton-John, com os seus dois maiores auges ainda por acontecer: o filme "Grease" em 1978 e o álbum "Physical" em 1981.  

Mouth & MacNeal (Países Baixos)

Com quinze pontos, os Países Baixos ficaram em terceiro lugar, graças ao tema "I see a star", defendido pelo duo Mouth & MacNeal, composto por Willem "Big Mouth" Duyn (1937-2004) e Sjoukie "Maggie MacNeal" Van 't Spijker  (1950-), que atuava junto desde 1971. Foi uma actuação bem disposta da canção em que não faltou um realejo que ao manobrar, fazia girar dois bonecos representando a dupla. Ainda nesse ano Mouth e MacNeal terminaram a colaboração, com ele continuando com uma nova parceira, Little Eve, e ela numa carreira a solo. Em 1980, Maggie MacNeal voltou à Eurovisão representando os Países Baixos em Haia com "Amsterdam". 

Gigliola Cinquetti (Itália)

Em 1964, Gigliola Cinquetti (1947-) tinha dado à Itália a primeira vitória no Festival da Eurovisão com o intemporal "Non ho l'etá". E dez anos depois, quase que ganhava novamente, ficando em segundo lugar com 18 pontos. Agora Cinquetti já tinha idade para amar e cantou "Sí". Porém, o Festival só seria transmitido em Itália mais de um mês depois, isto porque em Maio de 1974 houve em Itália um referendo sobre o divórcio. Os italianos foram consultados sobre se queriam que o divórcio, legalizado em 1971, voltasse a ser ilegalizado. Como a canção tinha o título "sim" repetido várias vezes, para não haver acusações de influência subliminar, a RAI só transmitiu o Festival e a canção só passou na rádio pública após o referendo (que deu a vitória ao "não", mantendo o divórcio legalizado). Gigliola Cinquetti continuou a ter uma carreira consagrada e regressou ao Festival da Eurovisão nas próximas duas vezes que o evento se realizou em Itália: em 1991 em Roma, como apresentadora (infelizmente contaminada pela condução desastrosa do seu coapresentador Toto Cutugno) e em 2022 em Turim, onde voltou a cantar "Non ho l'etá".  

ABBA (Suécia)

Desde início que a Suécia tomou a liderança para não mais largar, e 24 pontos asseguraram a primeira vitória para o país nórdico. Tendo em conta a canção que é, dá ideia que a vitória foi retumbante mas mesmo sempre liderando nunca se distanciou muito dos seus rivais e só assegurou o triunfo na última votação. Além disso, segundo a imprensa da época, a canção sueca não fazia parte dos principais favoritos e não faltou quem dissesse que foi uma vitória imerecida. 

Essa canção era, claro está, "Waterloo" dos ABBA. E a história do quarteto maravilha sueco é sobejamente conhecida: em 1972, unidos pela música e pelo amor, Agnetha Faltskog, Björn Uelvaus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad juntaram-se para um projecto conjunto ao qual deram o nome das suas iniciais. Após terem ficado em terceiro lugar na final sueca de 1973 com "Ring Ring", no ano seguinte conquistaram tudo e todos, com uma sonoridade e uns visuais ao estilo do glam rock, onde nem faltou o orquestrador Sven-Olof Walldoff vestido à Napoleão. A letra de "Waterloo" comparava a rendição de Napoleão na célebre batalha da dita localidade a alguém render-se a um novo amor. Curiosamente, a canção não recebeu quaisquer pontos do Reino Unido, a nação vencedora da batalha, nem da Bélgica, o país onde actualmente está situada Waterloo. "Waterloo" teve grande sucesso internacional, atingindo o primeiro lugar do top de vários países como o Reino Unido e a Alemanha e até chegando ao sexto lugar do top americano. 



Nos anos seguintes, os ABBA tornar-se-iam um dos mais bem-sucedidos grupos de sempre, somando hits intemporais como "Dancing Queen", "Mamma Mia" e "The Winner Takes It All", e deixando um legado tão marcante na história da música popular que o seu regresso aos discos em 2021 com o álbum "Voyage", após quarenta anos de interregno, foi todo um acontecimento. "Waterloo" é ainda hoje considerada a mais importante canção da história do Festival da Eurovisão, tendo sido eleita como a melhor canção eurovisiva de sempre numa votação pública por ocasião da gala dos 50 anos do Festival em 2005. 

Festival da Eurovisão 1974 (sem a actuação dos ABBA)





sexta-feira, 17 de março de 2023

Os Goonies (1985)

Recentemente, com o Óscar de Ke Huy Quan por "Tudo, Em Todo O Lado, Ao Mesmo Tempo" num regresso triunfal após vários anos afastado da representação, houve interesse em recordar os tempos em que o actor americano de origem vietnamita foi um actor juvenil (por vezes utilizando também o nome de Jonathan Ke Quan), revelado no papel de Short Round em "Indiana Jones E O Templo Perdido". 



O seu filme seguinte foi também um clássico do cinema-pipoca dos anos 80. "Os Goonies" é uma comédia de aventuras de 1985 realizado por Richard Donner e escrito por Chris Columbus a partir de uma história de Steven Spielberg e além de Quan, o elenco incluía nomes outras estrelas juvenis da altura como Josh Brolin, Sean Astin e Corey Feldman.  


Na cidade de Astoria, no estado americano do Oregon, a pequena comunidade de Goon Docks está à beira de ser hipotecada para a ampliação de um campo de golfe para a elite da cidade. Quatro jovens amigos dessa comunidade, que se autointitulam os Goonies, decidem passar um último fim de semana juntos antes de serem forçados a mudar de casas. São eles Mikey Walsh (Astin), o líder do grupo, Clark Deveraux (Feldman) cuja atitude desbocada lhe valeu a alcunha de Mouth, Richard Wong (Quan) ou Data, o asiático especialista em engenhocas e Lawrence Cohen (Jeff Cohen) ou Chunk, o gorducho do grupo, tão conhecido pelo seu apetite voraz como gostar de inventar histórias mirabolantes.

Ao vasculhar pelo sótão da casa, Mikey descobre um mapa de tesouro pertencente ao pirata One-Eyed Willie. Vendo que isso pode ser uma oportunidade para impedir a execução da hipoteca, Mikey e os amigos decidem investigar a localização do tesouro, convencendo Brand (Brolin), o irmão mais velho de Mike, a acompanhá-los. Pelo caminho, Andy Carmichael (Kerri Green), uma colega de Brand interessada nele, e a sua amiga Stef Steinbrenner (Martha Plimpton) juntam-se a eles. 


O grupo descobre que a localização do mapa coincide com a de um restaurante abandonado junto à costa. Esse restaurante é o covil dos Fratellis, uma família de malfeitores: a pérfida Mama (Anne Ramsey) e os seus filhos Francis (Joe Pantoliano) e Jake (Robert Davi). Enquanto o resto do grupo desce pela cave de restaurante que dá a um labirinto de grutas, Chunk, que tinha ficado para trás para alertar a polícia, é capturado pelos Fratellis e aprisionado junto com Sloth (John Matuszak), um terceiro irmão Fratelli com a cara grotescamente deformada. Mas após o susto inicial, Chunk simpatiza logo com Sloth e este ajuda-o a libertar-se. 


Enquanto isso, os Goonies vão passando pelas várias de galerias de grutas, encontrando vários desafios onde os talentos de cada um deles é posto à prova. Por exemplo, como é a única que sabe tocar piano, Andy tem de manobrar uma espécie de órgão que abre caminho a uma passagem mas que pode abrir buracos no chão se a tecla errada for tocada. Por fim, chegam até ao barco do pirata One-Eyed Willy com todos os seus tesouros. O pior é que os Fratellis estiveram sempre no seu encalço e parecem levar a melhor, mesmo quando chegam Chunk e Sloth, que se virou contra a família que o maltratava. A gruta acaba por desabar e com ela o tesouro e todos vão parar à praia onde a polícia e as famílias dos jovens os esperam.

No final tudo se resolve: os Fratelli são presos, Andy e Brand trocam um beijo, Sloth é acolhido pela família de Chunk e a empregada dos Walsh descobre que os berlindes que Mikey tinha tirado do navio e posto num saco são afinal pedras preciosas cujo valor ajudam para salvar as Goon Docks da hipoteca. 


A minha experiência de ver este filme foi algo sui generis. Em 1989, estava eu no 4.º ano, na semana antes das férias de Natal, a Câmara Municipal da minha cidade organizou sessões de cinema para os alunos das duas escolas primárias da cidade. No dia em que a minha turma era para ir a uma sessão, a nossa professora faltou, mas fomos com duas turmas do 2.º ano com as respectivas professoras a supervisionar a nossa também. Por sinal, o filme que fomos ver era "Os Goonies" (lembro-me que antes passaram um trailer do filme "O Abismo" de James Cameron) mas no intervalo, as professoras do 2.º ano acharam que o filme era demasiado assustador para os seus alunos e decidiram ir-se embora, e como a minha turma também estava à responsabilidade delas, também tivemos de ir. Nenhum de nós protestou mas o sentimento geral era de que preferíamos ter ficado a ver e que as justificações dadas pelas professoras eram algo exageradas.
Não só foi alguns anos mais tarde que acabei por ver o filme na íntegra durante uma exibição televisiva, como acabei por descobrir que naquela de sessão de cinema na primária tinham cortado para os primeiros quinze minutos do filme, o que fez com que tivéssemos ido embora sem sequer saber como se chamava o filme. Uma colega minha até teimou dias mais tarde que o filme era "O Abismo" embora nenhum dos atores e cenas do trailer tivessem depois aparecido. 

Quanto ao filme, tem toda aquela essência do filme de aventuras juvenis dos anos 80 e apesar de Richard Donner ter uma realização segura (com alguns piscares de olho ao filme "Super Homem" que também realizou), dá bem para ver o dedo de Steven Spielberg na produção. O grande trunfo para mim é a grande química entre os sete jovens protagonistas, cada um com o seu momento para brilhar e é interessante como as dinâmicas entre os pré-adolescentes (Mikey, Data, Mouth e Chunk) e os adolescentes (Brand, Andy e Stef) são distintas entre si mas convergem habilmente. 

Jeff Cohen (Chunk) e Ke Huy Quan (Data)
na atualiade


O filme foi filmado praticamente todo em sequência e a reação dos jovens atores quando viriam o navio pirata era genuína. Como era costume, nos anos 80, a banda sonora do filme continha temas de vários cantores e bandas populares da altura como Bangles, REO Speedwagon, Teena Marie e Luther Vandross, com o tema principal "The Goonies R Good Enough" a ser interpretado por Cyndi Lauper, com o respectivo videoclip a ter aparições de wrestlers famosos da altura como Lou Albano, Roddy Piper e André The Giant. No entanto, a partitura de Dave Grusin só foi disponibilizada numa edição especial da banda sonora em CD em 2010. 

Trailer: 


Cyndi Lauper "Goonies R Good Enough"





 

 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

30 Programas da TVI


Tal como há meses a propósito do 30.º aniversário da SIC, uma vez que este mês a TVI comemora 30 anos de emissões, impunha-se também fazer um artigo mencionando trinta dos programas da TVI. 



Foi a 20 de Fevereiro de 1993 que a Televisão Independente ou TVI iniciou as suas emissões, e a sua fundação compreendia várias entidades ligadas à Igreja Católica como a Rádio Renascença e a União das Misericórdias Portuguesas. Nesse período inicial o canal usava também a denominação de "a 4", com o famoso logótipo inicial de um quatro em forma de cruz estilizada. O canal definia-se como uma televisão de "inspiração cristã" e por um breve momento até teve programas conduzidos por figuras clericais como os Padres Vítor Melícias e Feytor Pinto. A TVI chegou às Ilhas ainda antes da SIC em e foi o primeiro canal português a transmitir em Pal Plus 16:9 em 1994 e a ter um website oficial em 1995.
Porém cedo se verificou que as ideias iniciais do seu conceito não tinham muitas pernas para andar, e a estação passou por vários anos de indefinição em termos de estratégia. Em 1997, foi adquirida pelo Grupo Media Capital e no ano seguinte a Igreja Católica deixava o projecto. Porém foi só a partir do ano 2000 que se verificou um ponto de viragem que fez subir as audiências e acabar com o domínio que a SIC detinha.
Mas mesmo que a TVI pós-2000 tenha tido mais sucesso e mesmo eu sendo um acérrimo fã da SIC dos anos 90, também guardo boas memórias da TVI/4 nos anos 90 e parece-me um pouco estranho, até irreal, que a TVI de agora seja o mesmo canal desses medianos mas simpáticos princípios.  

Tal como no artigo da SIC, eu procurei ser diversificado em termos cronológicos e dar primazia à produção nacional. Embora tenham sido um dos bastiões dos anos iniciais da TVI, resolvi não incluir séries americanas como "Ficheiros Secretos", "Já Tocou" ou "Marés Vivas" nem séries animadas como "A Cinderela" e "Zorro". A lista está por ordem alfabética é um misto de alguns dos programas da TVI que mais me marcaram ao longo destes trinta anos e de outros sugeridos pelos seguidores da Enciclopédia de Cromos no Facebook. Caso haja algum artigo do blogue sobre o programa, vai haver um link.  

Academia de Estrelas (2002) 



Ainda antes do "Ídolos" na SIC e da "Operação Triunfo" na RTP, a TVI avançou com um talent show com uns pozinhos de reality show. Baseado no original francês "Star Academy", esta "Academia de Estrelas" reunia catorze concorrentes que viviam juntos numa casa onde tinham aulas de canto, dança e representação e a cada terça-feira, havia uma gala onde eles apresentavam vários números musicais e de representação, bem como a indicação dos nomeados e do concorrente expulso a cada semana. Houve alguns resquícios do "Big Brother" com a casa da Venda do Pinheiro a ser reaproveitada para o programa e sobretudo com Teresa Guilherme a apresentar. O vencedor foi Joaquim Crestejo, mais conhecido como Mané, que acabou por viver um romance na casa com a segunda classificada, Lília Matos. Porém os concorrentes que ficaram mais conhecidos foram a terceira classificada Vanessa Silva e o actor Manuel Melo.  



Sem dúvida o primeiro programa ex-libris da TVI. Olga Cardoso dava o salto da rádio para a televisão para conduzir este concurso. Na primeira parte, os concorrentes tinham de evitar de dizer "sim" ou "não" durante um minuto de conversa com a amiga Olga, para não levarem com o toque do gongo dourado deferido pelo rapaz que a acompanhava (um dos que exerceram tal função foi o futuro actor Ricardo Trêpa) e na segunda parte, tinha de responder a perguntas de cultura geral para depois escolher entre o dinheiro que Olga entregava em mãos ou a chave que abria um cacifo com um prémio. Para a história ficaram os entusiásticos "UAU!" de Olga Cardoso e o bordão "O dinheiro ou a chave?".  





Hoje por hoje, as telenovelas arrastam-se por meses e meses a fio e até têm "temporadas", mas em 2001 era inaudito uma novela portuguesa estar no ar por mais de um ano e ter mais de 400 episódios. Mas foi o que aconteceu com "Anjo Selvagem", uma adaptação do original argentino "Muñeca Brava", onde de Setembro de 2001 a Fevereiro de 2003, narrou os inúmeros altos e baixos do romance entre a Mariana "Trinca-Espinhas" (Paula Neves), uma jovem de pelo na venta criada num convento, e Pedro Salgado (José Carlos Pereira), o filho playboy dos donos da mansão em que ela vai trabalhar como criada. Pelo meio há a hipótese de eles serem irmãos, o tio dele que também se interessa por Mariana, as inúmeras outras pretendentes de Pedro, as cómicas tentativas do motorista Zeca (Pedro Giestas) de conquistar Marta (Sara Moniz), a irmã de Pedro, um irmão gémeo de Mariana (Hugo Sequeira) que surge do nada… Como a trama era bastante linear e havia poucos núcleos, sempre achei um exagero terem alargado tanto a telenovela, mas as audiências assim o ditaram. Foi ainda a primeira telenovela a ter um episódio filmado totalmente em directo, no dia do 9.º aniversário da TVI. 
Do elenco fizeram também parte nomes como António Pedro Cerdeira, Alexandre Sousa, Manuel Cavaco, Maria Dulce, Cristina Cavalinhos, Teresa Tavares, Paula Luís, Rui Santos, Carlos Areia, Isabel de Castro, Luísa Ortigoso e, num pequeno papel que marcou a sua estreia em televisão, Bruno Nogueira. 

Batatoon (1998-2002, 2006-07)



O palhaço Batatinha já era conhecido da pequenada, tendo feito várias aparições televisivas, em parceria com outros palhaços: Croquete, Soneca e sobretudo Companhia, com quem conduzira o programa "Alegria" na RTP e o respectivo reboot na TVI denominado "Vamos Ao Circo". Mas a sua zénite televisiva foi no Batatoon, o espaço infantil de segunda a sexta (e a espaços estendido aos fins de semana) onde além de emitir várias séries animadas, a dupla animava a pequenada presente em estúdio e a assistir em casa com números musicais e circenses e também dando prémios por telefone aos pequenos telespectadores. O "Batatoon" gerou também uma enorme gama de merchandising (revistas, discos, vestuário, material escolar, lancheiras, insufláveis…) e lançou o bordão "Comando na mão e carrega no botão" e o cântico "Ba! Bata! Batatoon!".
O programa também ficou marcado pela lenda urbana de que os dois palhaços se teriam altercado em directo, o que ditou a saída de Companhia do programa. Contudo este tem afirmado que o seu problema era com a produção do programa. O Batatinha continuou a conduzir o programa a solo por mais uns meses bem como o breve reboot entre 2006 e 2007 que passava aos domingos de manhã.  Entretanto, já há alguns anos que Batatinha e Companhia restabeleceram a parceria. 

Big Brother (2000-03, 2020-)



É assaz consensual de que o "Big Brother" foi um programa divisor de águas na história do canal e de que havia uma TVI antes de e outra após. O reality show originalmente concebido nos Países Baixos em 1999 onde um grupo de pessoas ficava fechado sem praticamente qualquer contato com o exterior numa casa apetrechada de câmaras por todo o lado estava a dominar audiências em vários países e era inevitável que o formato também chegasse a Portugal. Com a SIC, a habitual freguesa da produtora Endemol, relutante em adquirir o programa (com muitas justificações a terem sido dadas desde então para tal, nenhuma delas muito concreta), José Eduardo Moniz, então o director-geral da TVI, aproveitou a oportunidade e comprou o programa e paulatinamente o público foi aderindo até se tornar um dos programas mais impactantes da história da televisão portuguesa. Quatro edições com concorrentes anónimos e duas com famosos fizeram parte da primeira era do "Big Brother" entre 2000 e 2003, com a segunda a decorrer desde 2020. 
Mas tal como certos amores, para a maioria dos portugueses não houve "Big Brother" como o primeiro: o do Zé Maria a conquistar tudo e todos como o outcast mais à vontade com as galinhas do que com os outros, o do pontapé do Marco à Sónia, o da loura Susana que tanto era o sol como uma nuvem meio tristonha na casa, o dos altos e baixos do parzinho Célia e Telmo, o da movimentação debaixo do edredom entre Marta e Marco, o do Mário mais preocupado com a aparência do que com as tarefas domésticas…   

Casa Do Tio Carlos, A (1993-94) 



O primeiro espaço infantil da TVI foi "A Casa Do Tio Carlos" conduzido por Carlos Alberto Moniz onde além da emissão de séries animadas tinha momentos de música com o próprio Tio Carlos e outros convidados, para gáudio da pequenada presente no estúdio. O cenário recriava um típica casa açoriana. E claro, havia a canção: "A casa do Tio Carlos tem janelas de magia/ uma porta encantada, no telhado a fantasia/ os muros têm feitiços, nas cortinas baila o vento/ e as estrelas à noitinha nunca dormem ao relento/ na casa do Tio Carlos há festa todo o dia".




Série brasileira baseada numa peça da autoria da actriz Maria Mariana que relatava as alegrias e dramas da adolescência de quatro irmãs: Diana (Maria Mariana), Bárbara (Georgiana Goés), Natália (Daniele Valente) e Carol (Déborah Secco), sob o olhar ora atento e afectuoso, ora frustrado do pai Paulo (Luiz Gustavo). Goés, Valente e Secco vieram mesmo a Portugal promover a série aquando da estreia na TVI
A RTP viria depois a exibir uma segunda temporada, já com Camila Campucci a substituir Déborah Secco no papel de Carol.    

Contra-Ataque (1994-2010)



Alguns dos seguidores da Enciclopédia de Cromos sugeriram este programa, o magazine desportivo da TVI, sobretudo na era de a 4, mas eu não me lembrava muito bem por isso recorri aso blogues "Ainda Sou Do Tempo" e "O Cabelo do Aimar" para saber mais. Segundo este, dava aos finais das manhãs de sábado, e dividia-se entre a antevisão à jornada do campeonato nacional desse fim-de-semana e reportagens sobre outras modalidades.
o primeiro apresentador foi Nuno Ferreira (que depois foi director da Sport TV) mas os mais marcantes foram José Carlos Soares e José Gabriel Quaresma, sem esquecer também o toque feminino de Brigitte Martins nas suas reportagens e José Roberto Tedesco, um jornalista vindo da Rede Bandeirantes, a fazer a cobertura do campeonato brasileiro. 

Docas (1996-97) 
Dava aos sábados à noite e era uma espécie de "Saturday Night Live" à portuguesa, com vários sketches humorísticos e momentos musicais. Júlio César, Margarida Marinho, Manuel Lourenço e Maria Henrique compunham o elenco fixo, ao qual se juntava um convidado especial em cada episódio (entre esses estiveram Dulce Pontes, Joaquim de Almeida e Ana Zanatti) e um convidado musical. Recordo sobretudo os sketches do concurso "Ora Diga Lá", onde nem com todos os esforços do apresentador os concorrentes acertavam nas perguntas e a crónica social de Natacha ou "Náná, Tátá, sei lá" encarnada por Maria Henrique. Os monólogos iniciais dos convidados e as actuações musicais eram filmados num bar das Docas de Lisboa, daí o nome.
Uma segunda temporada, precisamente intitulada "Docas 2", passou na RTP em 1998 com Fernando Mendes a substituir Júlio César no elenco fixo, ainda que este tenha sido o convidado num dos episódios.

Equador (2008-09)


A série que adaptava o romance best-seller de Miguel Sousa Tavares foi uma das maiores produções de sempre da televisão portuguesa, com um custo de 5,7 milhões de euros e filmagens em cinco países. 
"Equador" era a história de Luís Bernardo Valença (Filipe Duarte), um jovem empresário lisboeta no início do século XX, que é nomeado governador-geral de São Tomé & Príncipe pelo rei D. Carlos, com a missão de averiguar se ainda há trabalho escravo na colónia e onde se vê numa dura luta contra os poderosos produtores de cacau de São Tomé, sobretudo Mário Maltez (Nicolau Breyner), ao mesmo tempo que se apaixona pela inglesa Ann (Maria João Bastos). O elenco era luxuosíssimo com nomes como Alexandra Lencastre, Almeno Gonçalves, Ana Bustorff, Dalila Carmo, Eunice Muñoz, Fernando Luís, José Pedro Gomes, Lídia Franco, Marco D'Almeida, Marco Horácio, Mariana Monteiro, Nuno Melo, Paulo Pires, Pedro Granger, Rogério Samora, Ruy de Carvalho, Vítor Norte e Victor de Sousa. O próprio Miguel Sousa Tavares teve uma participação especial como o Conde de Mafra, um antepassado seu. "Equador" teve 30 episódios exibidos nos domingos à noite entre 2008 e 2009. 

Inspector Max (2004-06, 2016-17, 2019)



Com a série austríaca "Rex, O Cão Polícia" a fazer sucesso na SIC, não demorou até que alguém pensar em porque não fazer uma série semelhante em Portugal. E em 2004, surgiu o "Inspector Max" onde o titular cão pastor-alemão acompanhava os inspetores do DIC de Setúbal Jorge Mendes (Fernando Luís) e Sérgio Calado (Rui Santos) nas suas investigações, ao mesmo tempo que também traz nova vida à família do primeiro, que inclui os filhos Catarina (Sara Butler) e Tiago (Afonso Maló) e o sogro João (Ruy de Carvalho). Isto sem esquecer as personagens femininas regulares como a chefe Graça (Fátima Belo), a jornalista Júlia (Sandra Celas) e a doutora Sílvia (Bárbara Norton de Matos). 
Após duas temporadas exibidas entre 2004 e 2006, a série teve duas reboots em 2016 e 2019, nas quais o inspetor Jorge Mendes agora era casado com a advogada Joana (Patrícia Tavares), o inspetor Sérgio aparecia não só divorciado de Júlia como também de Elsa (Gabriela Barros) e o Max era um dos filhos do canídeo original. 
Aliás, na verdade, eram quatro os cães que foram utilizados para o papel de Max consoante as cenas e era relativamente fácil que um cão que aparecia numa cena não era o mesmo que aparecia noutras. 

Jardins Proibidos (2000-01) 



A primeira telenovela portuguesa da TVI foi "Telhados De Vidro" emitida nos seus primórdios e da qual a estação não parece muito orgulhosa em recordar. 
O regresso da TVI às telenovelas portuguesas deu-se no ano 2000 com "Jardins Proibidos" que serviu um pouco de antecâmara para a indústria que desenvolveria nos anos seguintes. Escrita por Manuel Arouca, a trama narrava a história de Teresa (Vera Kolodzig), uma jovem de 15 anos criada pelos avós que descobre que, ao contrário do que pensava, os seus pais estão vivos e decide procurá-los. A jovem acaba por descobrir que foi o fruto de uma enorme paixão entre Clara Ávila (Ana Nave), pertencente a uma das mais ricas e poderosas famílias de Azeitão, e Lourenço Miranda (Almeno Gonçalves), um dos trabalhadores da propriedade da família. Porém Emília (Lurdes Norberto), a autoritária mãe de Clara, acabou com o romance, despedindo Lourenço e ordenando o seu empregado Xavier (Luís Alberto) que entregue o bebé que a filha deu à luz a uma instituição. Em vez disso, Xavier e a sua mulher Nazaré (Manuela Cassola) fugiram para Lisboa e criaram a recém-nascida como se fosse sua neta.
Quinze anos depois, Clara está num casamento infeliz com Jaime (Sérgio Silva) sofrendo por não ter tido mais filhos e Lourenço regressou a Portugal após a morte da mulher com quem casou na Suíça e com quem teve dois filhos. A entrada de Teresa na vida destas duas famílias vai avivar memórias e reabrir feridas.
O elenco contou ainda com nomes como Rita Salema, Pedro Granger, Lídia Franco, Dalila Carmo, Fernanda Serrano, Nuno Homem de Sá, Irene Cruz, Sara Moniz, José Raposo, Maria João Abreu e uns muito jovens Daniela Ruah, Diogo Valsassina, Maya Booth e Teresa Tavares. 
Em 2014, "Jardins Proibidos" teve uma sequela com vários actores da telenovela anterior a recuperarem os seus papéis mas a trama só emplacaria numa fase mais adiantada, quando já não restavam muitas referências à trama anterior. 




Um dos programas mais marcantes da era "a 4" da TVI, "O Jogo Do Ganso" era um concurso espanhol (no original "El Gran Juego de la Oca" que por cá gerou a famosa piada do "Oca Game") onde quatro concorrentes, cada um vestido de uma cor, movimentavam-se por um enorme cenário a recriar o Jogo da Glória, enfrentando vários tipos de provas, sobretudo físicas mas não só, segundo a sorte ou o azar ditado pelos dados. Embora houvesse uma casa da Morte muito perto da casa final que obrigava o concorrente que lá caísses a voltar ao princípio, a casa mais temida era a do barbeiro, onde inevitavelmente as concorrentes acabavam com o cabelo muito curto e os concorrentes levavam com uma valente máquina zero, uma vez que era impossível acertar na última das três perguntas que os podiam salvar de tal destino. Emilio Aragón, Lydia Bosch e Patricia Perez eram os apresentadores espanhóis e António Cordeiro e Maria de Lima faziam os comentários em português.
O concurso acabou por ter duas ligações a Portugal: Olga, a vencedora de uma das sessões teve uma prova final em Lisboa (reunir 500 pessoas vestidas de azul, a sua cor no concurso, na Praça do Município) e dois concorrentes portugueses, Miguel e Ana Cristina, participaram numa das emissões mas não só apanharam com as provas mais difíceis (e ele levou com a carecada na casa do barbeiro) como foi um concorrente espanhol a ganhar.  

Jornal Nacional (1995-97, 2000-2011, 2023-)



O espaço de informação da TVI no horário nobre utilizou pela primeira vez a designação "Jornal Nacional" entre 1995 e 1997, mas foi com a nova grelha para a rentrée 2000/01, que também foi acompanhada de uma renovação nos grafismos, que o "Jornal Nacional" causou impacte no grande público. Entre a condução do jornal, impossível não referir Manuela Moura Guedes no seu estilo inconfundível, mas recordo também, entre outros, Pedro Pinto, Ana Sofia Vinhas e Lurdes Baeta e aos fins-de-semana, João Maia Abreu e Júlio Magalhães. Trouxe ainda a inovação de notícias a passarem em rodapé durante a emissão, que depois seria emulado pelas outras estações, e sobretudo, os comentários da actualidade (e sugestões de livros) aos domingos com o professor Marcelo Rebelo de Sousa que não tardou a criar uma empatia com o público, um capital social que se verificou decisivo quando finalmente assumiu as intenções de se candidatar à Presidência da República. 
O "Jornal Nacional" manteve esta denominação até Maio de 2011, quando foi renomeado "Jornal das 8", sendo agora recuperada no dia do 30.º aniversário da TVI.  



Paralelamente às brasileiras e portuguesas, as telenovelas latino-americanas, sobretudo mexicanas e venezuelanas, tiveram o seu público nos anos 90. A TVI transmitiu várias nos anos 90, como por exemplo "Lágrimas (La Revancha)", "Estrela (Cara Sucia)" ou "Morena Clara". Mas a única que segui mais de perto, durante umas férias de Verão, foi "Kassandra", uma produção de 1992 para a Rádio Caracas Televisión (RCTV), que passou duas vezes na TVI em 1995 e 1997, protagonizada pela venezuelana Coraima Torres e o porto-riquenho Osvaldo Rios. 
Ela foi a personagem titular, que cresceu num acampamento cigano que gere um circo, desconhecendo que na verdade é herdeira de uma família rica e que foi trocada à nascença pela madrasta da sua mãe. Ele encarnou os gémeos, Luís David, o bom, e Ignacio, o mau, filhos dessa madrasta. Apesar de prometida em casamento a Randu (Henry Soto), o líder da tribo, Kassandra apaixona-se por Luís David. Mas aproveitando a ausência deste e descobrindo que ela é herdeira da fortuna do padrasto, Ignacio convence Kassandra a casar-se com ele, alegando que é ele o seu amado. Porém, ele é assassinado pouco tempo depois e  Luís David faz-se passar pelo irmão para tentar saber se foi Kassandra quem matou Ignacio.   
"Kassandra" é uma das telenovelas venezuelanas mais exportadas e teve uma versão mexicana e outra argentina. Ah, e nunca esqueci a canção do genérico: "Amor eterno, eres para mi, Kassaaaaaaandra!"




Inspirado pelo sucesso da brasileira "Malhação", em 2003 a TVI apostou num produto de ficção destinado ao público jovem e o sucesso foi imediato. "Morangos Com Açúcar" teve nove temporadas, subdivididas entre a época lectiva e a de férias de Verão, com um elenco praticamente renovado a cada temporada. De lá saíram vários nomes que viriam a dar cartas na ficção nacional como Cláudia Vieira, Rita Pereira, Benedita Pereira, Pedro Teixeira, João Catarré, Diogo Valsassina, Ana Guiomar, Diana Chaves, Mariana Monteiro, Jéssica Athaíde, Filipa Areosa, Sara Prata, Lourenço Ortigão, Isaac Alfaiate e Sara Matos, apoiados por nomes mais consagrados nos papéis de professores e familiares. Os Morangos também lançaram vários nomes para o mundo da música como os D'ZRT, os 4 Taste e as Just Girls. Isto para não falar de todo o tipo de merchandising
Sem desprimor para as outras, mas pessoalmente, as três primeiras temporadas foram as mais marcantes: na primeira, recordo o casal protagonista, Pipo e Joana, as tropelias do trio infantil composto por Daniel Martins, Carolina Castelinho e Núria Real e o pérfido professor Sapinho; a segunda teve um casal ainda mais icónico, Simão e Ana Luísa, e a génese dos D'ZRT; e a terceira foi marcada por dois acontecimentos com impacte na vida real: a trágica morte do actor Francisco Adan, o Dino, num acidente de automóvel e um caso de histeria colectiva onde, após uma trama sobre um misterioso vírus que se propagava pelo colégio, dezenas de jovens em vários pontos do país foram parar ao hospital queixando-se de sintomas semelhantes aos que as personagens manifestavam na novela, tendo esse caso sido até objeto de estudo da comunidade médica internacional.  

Ninguém Como Tu (2005)


Mesmo na imensidão de telenovelas nacionais que a TVI emitiu durante os anos 2000, poucas atingiram o sucesso e a qualidade como "Ninguém Como Tu". 
Alexandra Lencastre brilhou como a ambiciosa e calculista Luiza Albuquerque, que ante a falência do negócio do marido Mário (Vítor Norte), aponta o alvo a António Paiva Calado (Nuno Homem de Sá) e decide terminar o casamento deste para o engatar e manter o seu nível de vida. Mas quando consegue o objectivo, António frustra-lhe os planos até ser misteriosamente assassinado. Livre e novamente endinheirada, Luiza decide então reconquistar um amor antigo, Pedro (Ricardo Carriço), que se casou com a sua irmã Dulce (Manuela Couto), ao mesmo tempo que misteriosas dores de cabeça a assolam.
Existem ainda as filhas de Luiza, Isabel (Liliana Santos), uma cópia da mãe, e Teresa (Benedita Pereira), honesta e idealista, que se perde de amores por Miguel (José Fidalgo), um jovem humilde; Júlia (Dalila Carmo), a outra irmã de Luiza que criou o pequeno e rebelde Jaime (João Pedro Cary) como seu filho; Alexandre (Joaquim Horta) que com os seus dons de cartomante vai influenciar a vida de várias personagens; João (Frederico Barata), filho de Pedro e Dulce, que questiona a sua sexualidade; Mariana (Cláudia Aguizo), uma jovem que sofre com o excesso de peso e o desprezo da sua mãe Guida (Sofia Aparício), amiga de Luiza; Gabriel (Pedro Lima), que se vem a saber ser o verdadeiro pai de Jaime, cirurgião plástico que vive um tórrido caso com a divertida oportunista Leonor (São José Correia); Luciano (Sinde Filipe), pai de Luiza, Dulce e Júlia, sempre com ideias mirabolantes para negócios; e Lurdes (Maria Simões), empregada de Luiza, a quem atura estoicamente os insultos. 
Com uma vilã icónica, uma escrita bem apurada do autor Rui Vilhena, várias tramas cativantes e o mistério de "Quem matou o António" a intrigar o público, "Ninguém Como Tu" foi um grande sucesso. No último capítulo, a 20 de Dezembro de 2005, até se fez a gimmick do transporte em carro blindado da cassete que continha o último capítulo, onde se se revelaria o verdadeiro assassino. (Que era Guida.)  



E mais uma telenovela icónica, aquela que cimentou a TVI como bastião da ficção nacional no início deste século. 
"Olhos de Água" era a história das gémeas Leonor e Luísa Negrão, interpretadas por Sofia Alves, separadas em tenra idade durante a descolonização de Moçambique. Luísa passou a viver com a restante família, criada pelos tios Henrique (Sinde Filipe) e Natália (Eunice Muñoz), e tornou-se uma bem-sucedida gestora da empresa da família. Leonor acabou por ser acolhida por Angelina (Cremilda Gil), uma retornada que regressou à sua aldeia na terra da Lousã e a criou como sua filha. As duas desconhecem a existência uma da outra até que Leonor decide mudar-se para Lisboa e as duas acabam por se encontrar por acaso. Mesmo com a oposição dos familiares, elas ficam decididas a se reencontrarem e a descobrir os segredos do seu passado. Enquanto isso, Leonor apaixona-se por Ricardo (Pedro Lima), um advogado mulherengo, e Luísa e o seu ex-marido Duarte (António Pedro Cerdeira) vão percebendo que, sob todas as animosidades e rancores que resultaram do fim do casamento, ainda gostam um do outro. Por outro lado, o público fica a saber que o indigente Bicas (Manuel Cavaco) é o pai das gémeas. 
O elenco contou ainda com nomes como Ruy de Carvalho, Sílvia Rizzo, Joaquim Nicolau, Orlando Costa, Anita Guerreiro, Rita Salema, Tozé Martinho (um dos autores da novela) e Estrela Novais, bem como Fernando Cabral, um concorrente do Big Brother 2.     
E claro, havia o tema do genérico cantado pelo Toy. 




Um concurso que era uma guerra dos sexos em que duas equipas de três elementos, uma masculina e outra feminina, disputavam várias provas. Mas o mais engraçado eram as picardias entre os apresentadores, Rogério Samora pelos homens e Margarida Reis e mais tarde Mila Ferreira pelas mulheres. O meu primo Ricardo esteve na assistência de uma das emissões e disse que as gravações duraram o dia inteiro desde as dez da manhã até já bem de noite, com muitos tempos mortos. 

Rita Catita e o Ursinho Oops (2000-01)



Um inovador programa infantil, adaptado de um original dinamarquês, em que os pequenos telespectadores podiam interagir com as duas personagens titulares, a Rita Catita (voz de Marta Madeira) e o Ursinho Oops (voz de Luís Ramos) e jogar os diversos jogos usando as teclas do telefone, tipo Hugo. O mais engraçado era que a cada criança era atribuída uma personagem animada ao acaso que mexia a boca para se assemelhar o mais possível com aquilo que cada criança dizia. De permeio, Rita Catita interagia com outras personagens recorrentes. 

Secret Story - A Casa Dos Segredos (2010-18)



Depois do quarto "Big Brother" em 2003, houve uma espécie de hiato de reality shows do género pessoas fechadas numa casa até que em 2010, a TVI apostou num formato semelhante, adaptado de um original francês. Tal como no "Big Brother", também havia pessoas fechada numa casa na Venda do Pinheiro, havia barracos e polémicas, mas além das habituais nomeações e expulsões do público, havia outra premissa: cada concorrente tinha um suposto segredo que os outros tinham de descobrir para adicionar mais um extra ao seu eventual prémio final. Houve sete temporadas, sem contar as edições extra "Desafio Final" e afins, a primeira apresentada por Júlia Pinheiro, a última por Manuel Luís Goucha e as restantes por Teresa Guilherme. Eu ainda acompanhei as três primeiras, mas depois não só a produção começou a fazer mexidas sem parar (formas diferentes para nomear, imunidades, muitos concorrentes que já se conheciam entre si e que reflectiam mais a cultura das "nights" urbanas do que o típico tuga comum, várias interferências do exterior) como os concorrentes iam ficando mais fixados nas intrigas do que no jogo e em descobrir os segredos, e deixou de me interessar ainda que a sétima temporada tenha sido um ligeiro "back to basics". A meu ver, a segunda temporada foi a que gerou mais figuras icónicas como Fanny Rodrigues (mais o pai Fernando e o futuro ex-namorado Dioguinho), Marco Costa, João Mota e Cátia Palhinha.  



Nem só de telenovelas vivia a ficção nacional da TVI no início dos anos 2000, com esta sitcom a tornar-se mais um sucesso de audiências. O Super Pai era Vasco Figueiredo (Luís Esparteiro), um empresário viúvo que cria sozinho três filhas, Camila (Madalena Brandão), Carmo (Sofia Arruda) e Clarinha (Filipa Maló do Canto), de 18, 14 e 8 anos cada uma passando pelas manias da idade. Embora fiel enquanto casado, Vasco sempre teve fama de namoradeiro e apesar de se encantar com várias presenças femininas, por muitas voltas que a trama deu ao longo de mais de cem episódios, desde cedo ficou muito claro que ele iria acabar com Isabel (Sandra Faleiro), uma discreta beirã que é contratada como empregada da casa e que desde logo conquista as três meninas.
Segundo os próprios, na série criou-se uma grande amizade entre o "pai" Luís Esparteiro e as "irmãs" Madalena Brandão, Sofia Arruda e Filipa Maló do Canto (esta já há muito afastada da representação) que dura até hoje. 



O conceito do "Survivor" foi criado pelo britânico Charlie Parsons em 1992 e alguns programas semelhantes surgiram ainda nos anos 90, como "Expedition Robinson" na Suécia em 1997. Porém, foi com a estreia da primeira temporada americana que "Survivor" passou a fazer parte da história da televisão mundial, creditado juntamente com a franchise do "Big Brother" como um dos grandes marcos da revolução sociocultural dos reality shows na viragem do século. 
No "Survivor" um grupo de pessoas era reunido num lugar selvagem e inóspito algures no mundo e tem de viver como Robinsons Crusoes dos tempos modernos, para obter recompensas que no mundo real podem ser banais mas que costumam ser preciosas naquele lugar, e evitarem o risco de serem expulsos. De início, os concorrentes são divididos em duas ou mais tribos sendo que a certa altura, geralmente a partir da segunda metade da temporada, os concorrentes restantes são reunidos numa única tribo até ao confronto final. O programa não só continua a fazer sucesso nos Estados Unidos, onde já vão em mais de quarenta temporadas, como em vários países. 
Porém, Portugal teve uma única temporada do Survivor, filmada no Panamá no Verão de 2001, e exibida na TVI no Outono do mesmo ano, com Paulo Salvador a ser o apresentador no local e Teresa Guilherme a conduzir os resumos diários. Porém passou algo despercebido por vários factores: a catadupa de estreias que a TVI lançou na rentrée de 2001, como muitas telenovelas e o terceiro Big Brother, a ausência de intervenção do público (os concorrentes eram expulsos pelos próprios membros da tribo e o vencedor era também eleito por um conselho de concorrentes eliminados) e de um momento icónico que tivesse gerado furor no público e o facto dos concorrentes portugueses não terem alinhado muito em jogos de estratégia, intriga e alianças, que se tornaram o prato forte nas edições estrangeiras. Como tal, existe pouca informação online sobre este Survivor tuga e não houve mais nenhuma edição. 
Mesmo assim, lembro-me de ver e de ter gostado. Pedro Besugo foi um merecido vencedor, e também recordo concorrentes como António Gamito (que viria a namorar com Alexandra Lencastre) e Aida Duque. 

Tempo De Viver (2006-07)


Era difícil superar o sucesso de "Ninguém Como Tu", mas a telenovela seguinte de Rui Vilhena foi também um grande sucesso. Alexandra Lencastre voltou como protagonista, mas desta vez para fazer de Fátima, uma mulher honesta e trabalhadora, ao contrário da sua filha Maria Laurinda (Margarida Vila-Nova) que despreza a vida humilde da família e sonha em ascender socialmente, lançando as suas garras a Afonso (Hugo Tavares), membro da abastada família Martins de Mello. Só que o rapaz tem um certo segredo: é bissexual e um dos homens com quem se encontra é Bruno (José Fidalgo), amante ocasional de Maria Laurinda e que trabalha numa rede prostituição de luxo até conseguir um partido rico, homem ou mulher, que o sustente. Enquanto isso, após ter cumprido pena de prisão por assumir a culpa de um crime de tráfico de droga cometido pela filha, Fátima dá a volta por cima e cria um empresa de limpezas de sucesso ao mesmo tempo que é disputada por Fernando (Marcantónio Del Carlo) e Bráulio (Marco Delgado). A trama abordou ainda outros temas fracturantes como o swing e visões sobrenaturais e também teve um mistério: quem era o Tubarão que ameaçava o poderoso joalheiro Fausto Martins de Mello (José Wallenstein).
O elenco contou ainda com muitos mais nomes sonantes como Ana Guiomar, Benedita Pereira, Cristina Homem de Melo, Dânia Neto, Débora Monteiro, Joana Solnado, Manuela Couto, Marco D'Almeida, Maria João Bastos, Maria José Paschoal, Pedro Teixeira, Rita Blanco e Ruy de Carvalho.    

Todo O Tempo Do Mundo (1999-2000)



Com 52 episódios, exibidos ao fim-de-semana, "Todo O Tempo Do Mundo" foi uma mini-telenovela, com um certo ritmo de série, que se revelou o primeiro passo numa nova era de teledramaturgia nacional que a TVI aperfeiçoaria nos anos seguintes até se tornar uma pedra basilar da sua liderança de audiências. 
Com o título retirado da canção de Rui Veloso do mesmo nome e com a autoria de Tozé Martinho e Sarah Trigoso, "Todo O Tempo Do Mundo" narrava a história de Leonardo Serra (Ruy de Carvalho), um idoso que vive há vários anos numa clínica psiquiátrica mergulhado numa apatia e profunda depressão, dedicando-se a cuidar dos pássaros da clínica. Quando o seu amigo cauteleiro Manuel (Manuel Cavaco) conta que Leonardo ganhou dois milhões de escudos na lotaria, este pede ao cauteleiro que lhe procure os familiares usando o dinheiro do prémio para os recursos necessários. É assim que aos poucos, Leonardo vai encontrando os seus irmãos Carminda (Delfina Cruz) e Orlando (Orlando Costa) e as netas Filomena (Inês Filipa) e Mónica (Rita Calçada Bastos). Mais difícil é o reatar com a filha Leonor (Sara Gonçalves), uma prostituta. Por fim, o derradeiro objetivo de Leonardo será reencontrar-se com Maria Sá Couto (Eunice Muñoz), a sua paixão de juventude que nunca deixou de amar. Pianista consagrada, Maria também nunca esqueceu Leonardo, de quem há muito deixou de ter notícias e ignora o paradeiro. 
Outra trama importante é a da relação entre dois psicólogos da clínica: Miguel (Virgílio Castelo) e Benedita (Margarida Marinho). Não só ela descobre que é seropositiva e por causa disso, hesita em continuar o romance com Miguel, como a ex-mulher deste, Isabel (Ana Padrão), fará tudo para os afastar. Aliás Isabel revela-se a grande vilã, aliando-se a Ana Carlota (Joana Seixas), uma das acionistas da clínica que quer encerrá-la e vender o terreno a uma construtora para aí se construir um empreendimento comercial.   
O elenco contou ainda com nomes como Dalila Carmo, Florbela Queiróz, Helena Isabel, Henrique Viana, Marco Delgado, Maria João Bastos, Pedro Lima e o autor Tozé Martinho. Um João Catarré pré-Morangos Com Açúcar aparecia no genérico. Com uma história cativante e boas prestações do elenco, sobretudo dos lendários protagonistas Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz, "Todo O Tempo Do Mundo" foi o preâmbulo de uma revolução na teledramaturgia nacional.

Trapos & Companhia (1994-95)



Um dos raros produtos de ficção nacional da TVI entre "Telhados de Vidro" e "Todo O Tempo Do Mundo", "Trapos & Companhia" foi uma sitcom adaptada de um original britânico "The Rag Trade" com 66 episódios exibidos de segunda à sexta-feira. Apesar disso, a adaptação tinha vários toques de humor à portuguesa. 
A série passava-se na titular fábrica de têxteis, narrando o dia-a-dia e as desventuras dos seus trabalhadores: a contestatária Zé (Maria Vieira), a acesa Paulinha (Paula Pedregal), a agitada jovem mãe Olívia (Ana Brito E Cunha), a recatada e ligeiramente xexé Berta (Manuela Maria) e o pachorrento Viriato (Carlos Miguel). que dão água pela barba ao patrão Cunha (António Assunção), ele próprio com uma relação complicada com a mulher e a sogra. 
Infelizmente não existem muitos vestígios de "Trapos & Companhia" na internet, mas eu lembro-me de ver com o meu irmão e de acharmos muita graça.  

Tua Cara Não Me É Estranha, A (2012-19)



Adaptado do original espanhol "Tu Cara Me Suena", era uma espécie de "Chuva de Estrelas" dos famosos onde estes imitavam diversos cantores, vestindo-se e maquilhando-se tal como eles. Até ao momento "A Tua Cara Não Me É Estranha" teve seis edições regulares, uma com duplas e uma versão kids, fora mais alguns programas extras para ocasiões especiais como o fim de ano e o 25.º aniversário da TVI. Por lá passaram nomes como João Paulo Rodrigues, FF, Luciana Abreu, Romana, Toy, Maria João Abreu, Merché Romero e Wanda Stuart. Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha foram os apresentadores de todas as temporadas, excepto a mais recente conduzida por Maria Cerqueira Gomes. Também marcante era o júri originalmente composto por Luís Jardim, Alexandra Lencastre, José Carlos Pereira e António Sala. 

Uma Canção Para Ti (2008-2011, 2022)


Continuando com mais um programa musical, desta vez para pequenos cantores dos 8 ao 15 anos, adaptado do original italiano "Ti Lascio Una Canzone". E se no meu tempo, os pequenos cantores da Gala da Figueira da Foz e afins cantavam como crianças, em "Uma Canção Para Ti", os petizes participantes eram tão precocemente talentosos que pareciam Célines Dions e Michaels Bublés em ponto pequeno. 
Manuel Luís Goucha apresentou as cinco edições produzidas até ao momento, as três primeiras com Júlia Pinheiro, a quarta com Cristina Ferreira e a quinta com Maria Cerqueira Gomes. 
Rita Pereira integrou o júri nas cinco edições, acompanhada nas três primeiras por Luís Jardim, Helena Vieira e Pedro Granger. O nome mais conhecido de entre os então pequenos concorrentes é o de Bárbara Bandeira, que participou na quarta temporada, mas recordo também os vencedores das duas primeiras, Miguel Guerreiro e David Gomes. 

Você Na TV (2004-2020)


Os mais atentos já teriam visto Cristina Maria Jorge Ferreira nos ecrãs da TVI durante os resumos diários do Big Brother, já que a TVI tinha uma redação só para o programa (sim, a sério) e por vezes era ela era a porta-voz da redação, e depois trabalhou com a do programa "Diário da Manhã". 
Mas claro que a ascensão de Cristina Ferreira a rainha do audiovisual nacional que é hoje deu-se no talk show matinal da TVI, "Você Na TV", estreado em 2004. Ao princípio, parecia contentar-se em ser a sidekick de Manuel Luís Goucha na condução do programa, mas com o tempo foi passando a ombrear de igual para igual e a facilidade como passava do modo "Saloia da Malveira" para o modo "apresentadora empática com o cidadão comum" e/ou modo "Girl Boss" conquistou o público. A dupla Goucha/Cristina durou catorze anos e atravessou alguns momentos-chave das suas vidas (ele assumiu a relação com Rui Oliveira, ela teve um filho com António Casinhas). Com a badalada transferência de Cristina Ferreira para a SIC em finais de 2018, Maria Cerqueira Gomes ocupou o seu lugar mas a nova dupla não vingou e o "Você Na TV" acabaria em 2020.    



Épica produção da TV Manchete, a telenovela brasileira "Xica Da Silva" causou furor pelas cenas de sexo e violência, sinal de que os ideais católicos da génese da TVI estavam rapidamente a ir pelo cano abaixo. (Não tardou para que o único resquício da Igreja na programação do canal fosse a transmissão da missa dominical.)
Baseado em factos históricos, "Xica Da Silva" conta a história da personagem titular, uma bela e astuta escrava (Taís de Araújo) por quem o contratador João Fernandes (Victor Wagner) se apaixona, passando a viver uma vida faustosa e tornar-se a mulher mais influente da região, não olhando a limites para punir todos aqueles que a maltrataram enquanto escrava. Quem não se conforma com isso é Violante (Drica Moraes), que estava noiva do contratador, e que fará tudo para os separar. Entre outras histórias, houve o amor igualmente sofrido entre Martim (Murilo Rosa) e Das Dores (Carla Regina), as desventuras de Zé Maria (Guilherme Piva), um gay reprimido, as dissimulações de Úrsula (Rita Ribeiro) que todos tomam por uma jovem casta e pura mas que é secretamente obcecada pela "serpente" dos homens e o segredo da família Pereira, judeus portugueses perseguidos pela Inquisição. Os actores portugueses António Marques, Lídia Franco, Anabela Teixeira e Rosa Castro André interpretaram a família Pereira e um então desconhecido Gonçalo Dinis fez do soldado Macário. O elenco contou ainda com Adriane Galisteu, Giovanna Antonelli, Miriam Pires, Dalton Vigh e até uma participação especial de Ilona Staler, a Cicciolina herself. O actor Alexandre Lippiani, que fazia do Padre Eurico, faleceu tragicamente semanas antes do final das gravações num acidente de viação.   

Existe mais algum programa que acham que devia ser mencionado? Que outros programas da TVI constam da vossa memória afectiva? Contem tudo nos comentários e no Facebook da Enciclopédia de Cromos. E muitos parabéns à TVI pelo seus 30 anos! 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

White Town "Your Woman" (1996)

Existem canções que surgem à frente do seu tempo. Existem canções que teimam em não envelhecer uma ruga. E existem canções que conseguem inesperadamente conjugar o passado, o presente e o futuro em si. É o caso de "Your Woman" de White Town, que encapsulava tão bem os três que subiu ao primeiro lugar do top britânico no início de 1997 e é um dos mais inconvencionais hits clássicos da década. Por exemplo, em 2010 a revista Pitchfork considerou-a uma das 200 melhores canções dos anos 90 (em 158.º lugar).



Como acontece na génese de tantos projectos musicais, White Town começou por ser uma banda mas acabou por ser um pseudónimo para o espólio musical de apenas uma pessoa. Neste caso, o de Jyoti Mishra, nascido a 30 de Julho de 1966 na cidade indiana de Rourkela, que aos três anos mudou-se com a família para Derby em Inglaterra. Crescendo como um jovem indiano introvertido numa cidade predominantemente branca (daí o seu pseudónimo musical), Mishra encontrou refúgio na música. 

A actual foto de perfil de Jyoti Mishra no Twitter


Inspirado por um concerto dos Pixies, Jyoti Mishra decidiu formar uma banda de rock alternativo com mais três amigos da universidade em 1989 a quem deu o nome de White Town, mas um ano depois, já estava sozinho no projecto colaborando ocasionalmente com outros músicos.
O primeiro álbum de White Town, "Socialism, Sexism & Sexuality" foi editado em 1994 e, apesar de algumas boas críticas da crítica especializada e do lendário radialista da BBC John Peel ter tocado uma faixa, "Heather's Party", passou despercebido. 

Com a tecnologia ao serviço de criação de música a evoluir, em 1996 Jyoti Mishra decidiu criar novos temas com um sampler, um microfone, um gravador de oito faixas e um CD-ROM que vinha numa revista. Hoje em dia, é bastante comum para músicos, dos mais famosos ao mais amadores, criar música nos seus quartos com todo o tipo de programas digitais em vez de ir para estúdio, mas nos anos 90, tal prática ainda estava no início. Enfim, armado com todo esse arsenal digital, Mishra compôs quatro faixas que fizeram parte do EP "Abort, Retry, Fail?", assim chamado porque foram essas palavras que apareceram quando o seu computador crashou enquanto mixava as faixas do disco, o que levou a que passasse os próximos três dias a reformatar tudo. 
Um das faixas do EP era "Your Woman", que continha algo que se revelaria o principal ingrediente para o seu sucesso: um sample de "My Woman", uma canção originalmente gravada em 1932 de Lew Stone & His Monseigneur Band e cantada por Al Bowlly (que curiosamente nasceu em Lourenço Marques, Moçambique). (Não, ao contrário do que muitos julgam, esse sample não era da "Imperial March" da trilogia "A Guerra das Estrelas"!) Jyoti Mishra lembrava-se de "My Woman" de ter visto a minissérie musical da BBC "Pennies From Heaven" (1978) com Bob Hoskins, que fazia playback de "My Woman", em especial do solo inicial de trompete que seria samplado em "Your Woman".



Aos poucos, "Your Woman" foi chamando a atenção das rádios britânicas, que foram tocando até que a EMI ofereceu um contrato a Mishra e o tema foi reeditado como single no início de 1997, tendo chegado ao n.º1 do top do Reino Unido e mais tarde de Espanha, Islândia e Israel, e até chegou ao n.º 23 do top americano, numa altura em que não eram muitos os artistas britânicos singravam nos States. 

Para além do infecioso sample, outros dois factores chamaram a atenção do público. O videoclip filmado em Derby a preto e branco que era uma homenagem (com uma pitada de paródia) aos filmes do cinema mudo, que contava a competição (por vezes literal) entre a heroína ingénua e andrajosa e a vamp vilã pelo afecto de um homem algo empertigado e onde Jyoti Mishra aparecia em ecrãs de televisão. A outra foi a própria letra, pois tratava-se de um homem a cantar que nunca poderia ser a mulher de alguém. Surgiram muitas interpretações (Um homem apaixonado por uma lésbica? Um gay apaixonado por um heterossexual?) com Mishra a afirmar que podia haver muitas válidas. Mas a interpretação mais consensual é a que a letra é do ponto de vista de uma mulher que está a aperceber-se de que o seu amado não passa de um escroque pretensioso (e possivelmente um marxista performativo). Mishra terá sido inspirado por conhecidas suas nessa situação e por ele achar que a composição musical do ponto de vista masculino é enviesado pela dualidade santa/meretriz pela qual os homens costumam ver as mulheres. 



O álbum "Women In Technology" saiu em 1997, mas a recusa de Jyoti Mishra em fazer as típicas promoções como actuações em programas de televisão (por exemplo o "Top Of The Pops") e entrevistas para revistas generalistas, aliada à incapacidade da editora em conseguir promover um material que não se encaixava num género específico, levou a um desempenho modesto em termos de vendas, apesar de críticas positivas. O single "Undressed" ainda chegou ao n.º 57 do top britânico, mas "Wanted", uma das três faixas cantadas por Ann Pearson, passou completamente ao lado.

Sem qualquer surpresa, Mishra rescindiu com a EMI e desde então lançou mais cinco álbuns independentemente (o mais recente em 2021), continuando a imprimir à sua obra um cunho experimentalista e o activismo político. Por exemplo, no seu álbum de 2006, "Don't Mention The War", existe uma faixa, "These Are The MPs", que é uma lista dos nomes dos deputados do parlamento britânico que aprovaram a participação do Reino Unido na invasão ao Iraque em 2003. 


E mesmo se não guarda muitas saudades do seu breve momento na ribalta, Jyoti Mishra continua orgulhoso do impacto que "Your Woman" teve no público. Não só ainda canta regularmente o tema ao vivo como por vezes comenta no YouTube a agradecer em vídeos que falam  sobre a canção, como aquele de um dos meus YouTubers preferidos, Todd In The Shadows. Em 2017, houve uma nova versão chamada "Your Woman 1917" com instrumentos comuns em 1917.  

E o legado de "Your Woman" estendeu-se a outras obras: não só inúmeras covers em variadíssimos géneros, como o sample foi utilizado por exemplo em "Power Woman" pela dupla alemã Mark Van Dale & Enrico em 1998, por Naught Boy com Wiley e Emeli Sandé em "Never Be Your Woman" de 2010 e em "Love Again" de  Dua Lipa em 2020. Em 2007, uma comédia romântica com Michelle Pfeiffer e Paul Rudd recebeu o título de "I Could Never Be Your Woman" (curiosamente em Portugal, o título para o filme nestas bandas, "Nem Contigo Nem Sem Ti" foi escolhido por entre sugestões do público!).

Undressed


"Wanted" (com Ann Pearson)



Lew Stone Monseigneur Band com Al Bowlly "My Woman"





terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Estrada Larga (1987-88)

"Estrada Larga" é uma série parte ficcionada, parte documental, originalmente exibida na RTP1 aos sábados de manhã em treze episódios entre 17 de Outubro de 1987 e 9 de Janeiro de 1988, tendo sido reposta no Verão de 1990 e depois mais algumas vezes na RTP Memória. A autoria era de Maria João Lucas e Manuel Pavese e a realização de José Manuel Tudela.



A série narrava as viagens da família Sousa Alves, composta pela mãe Catarina (Maria João Lucas), o pai António (João Mota), o Avô (Canto E Castro) e os filhos Luís Miguel (Pedro Jardim), Ana (Rita Salema) e André (Paulo Bernardo). Desejosa de quebrar a rotina e o ritmo acelerado de quem vive em grandes cidades, esta família decide ir passar um fim-de-semana à Serra da Estrela e a princípio fica desapontada quando constatam que não há neve. Porém, descobrem que existem alternativas igualmente divertidas como esqui de relva e de água. A partir daí, decidem fazer-se à estrada a cada fim-de-semana para descobrir os encantos naturais de Portugal e divertidas actividades de tempos livres. Por exemplo, rappel no Penedo da Amizade em Sintra, espeleologia na Serra da Arrábida, catamaran e esqui aquático na barragem de Montargil e cicloturismo no Alentejo.



Além dos seis membros da família, o elenco principal incluía um narrador, Luís Vicente (o eterno Átila de "Duarte e Companhia"), referido como "o sétimo personagem". Também houve participações especiais dos actores Almeno Gonçalves, Antonino Solmer, Alfredo Laranjinha e Manuela Carlos, bem como do coautor Manuel Pavese, no papel de um instrutor de mergulho.

Eu lembro-me de ver a série na sua exibição original e foi aí que vi que reparei pela primeira vez em Rita Salema, que apesar de fazer de adolescente na série, na altura já tinha 21 anos. Nesse ano de 1987, Maria João Lucas, coautora da série, tinha ficado no olho do público pelo seu papel marcante de Margarida na telenovela "Palavras Cruzadas".  

"Estrada Larga" encontra-se disponível para visualização na RTP Arquivos


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