segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Anúncios da Prevenção Rodoviária Portuguesa (Anos 80)


por Paulo Neto



Infelizmente, o nosso país é conhecido pelos seus elevados índices de sinistralidade rodoviária. E se hoje em dia os números não são favoráveis, nos anos 80, quando havia bem menos regulação, registavam-se níveis verdadeiramente preocupantes. Foi nessa década que a Prevenção Rodoviária Portuguesa lançou diversas campanhas institucionais com anúncios que ficaram na memória de todos.



Quem não se recorda nos idos de 1988 do Pepito equilibrista da campanha "Vamos & Vivos"? Num desenho animado algo tosco, uma voz circense anuncia o número do equilibrista que no percurso de volta, emborca uma caneca de cerveja (um cópito para ganhar córagem!) e estatela-se no chão, como uma metáfora para os efeitos do álcool durante a condução automóvel. 




Um anúncio do qual confesso que já não me lembrava era este de 1989, com imagens de um jogo de futebol (ao que parece da Selecção Nacional) aparentemente diante de um Estádio Nacional no Jamor praticamente vazio. Tudo isto para assinalar os alarmantes números de sinistralidade rodoviária que se verificava na altura, chegando ao ponto de encher um estádio. 



Regressando aos malefícios do álcool, este anúncio de 1986 com um lápis a percorrer uma maqueta de estrada com árvores e tudo até ao inevitável partir do bico (isto é, despiste na estrada) é um dos mais míticos que se fizeram sob a premissa do ainda mais mítico slogan "Se conduzir não beba!"


Outro anúncio lendário tinha como slogan "dê mais tempo a quem precisa" e tinha como protagonista um simpático casal de idosos. Um senhor de bengala vê-se em palpos de aranha para atravessar uma rua e ir ter com a senhora que o espera do outro lado. Esta assiste com ar assustado ao esforço do companheiro a avançar lentamente no meio dos carros que não abrandam nem sequer parecem dar conta que ele está ali a tentar atravessar. Finalmente um carro pára para que o idoso atravesse sem mais problemas e se reúna com a senhora. Uma vez juntos, ambos agradecem o gesto.



Os ciclistas também não foram esquecidos nas campanhas da PRP e este anúncio de 1989 advertia para uma nova legislação que obrigava a que os velocípedes sem motor, vulgo bicicletas, a incluir diversos apetrechos reflectores, nomeadamente na rectaguarda, nos pedais e nas rodas (que podiam ser três reflectores de forma circular e ou dois em forma de coroa circular). E de facto, a partir deste anúncio, comecei a reparar mais nas bicicletas com que eu ia-me deparando para ver se tinham os reflectores nas rodas. Esta campanha gerou mais um célebre slogan: "Quem me avista, meu amigo é".



Já este anúncio alertava para os perigos do vandalismo de sinais de trânsito. Existe uma outra versão em que um grupo de jovens passeia alegremente na rua e decidem passar uma lata de tinta de graffiti sobre um sinal de sentido proibido, ao passo que neste vídeo vemos alguém a investir directamente num sinal de STOP com uma marreta. Mais tarde, em plena noite, devido a esse gesto, ocorre uma violenta colisão entre dois carros, sendo possível ver uma figura feminina de balandrau negro, a representar a Ceifeira. E em voz-off e escrito no ecrã surge a frase: "Não faças dos sinais a morte".


     




Como à partida, todos nós andamos a pé na rua, os peões foram sempre um dos mais importantes alvos das campanhas da PRP . Por acaso, também não me lembrava destes dois anúncios de 1988 em que uma rapariga sardenta e de cabelo encaracolado observa os comportamentos correctos e incorrectos de pessoas ao caminhar na rua, dando o sinal de aprovação quando eles procedem bem e abanando a cabeça quando fazem mal, como é o caso num dos vídeos em que um senhor decide dar uma de radical e atravessar uma atarefada praça fora das passadeiras.







Para terminar e depois de anos antes terem dado cara a uma campanha contra a droga, em 1989 os Ministars abraçaram a causa de prevenção rodoviária dos pedestres sob a forma do tema "Só Se Vive Uma Vez", que depressa se tornou tema original mais popular do grupo e um videoclip onde eles surgiam dentro de sinais de trânsito e que me lembro de passar várias vezes ao dia, por exemplo antes da "Rua Sésamo", pelo que eu e os meus colegas de escola tínhamos bem presente o refrão: "Todos somos iguais/de vez em quando/ somos peões neste xadrez/ e só vivemos uma vez".  

Infelizmente já não está no YouTube, um anúncio que eu me recordo bastante bem é aquele sobre a importância de utilizar o cinto de segurança. Um casal tipicamente eighties - ele de bigode, ela de permanente - entra no carro e enquanto o homem coloca o cinto de segurança, a mulher parece mais preocupada com as aparências, ao ponto de querer usar o espelho retrovisor para retocar a maquilhagem. A senhora acaba por pagar caro a sua vaidade pois enquanto está distraída a olhar para o espelho da pala lateral enquanto aplica batom nos lábios, há uma travagem e a mulher bate de cabeça no para-brisas. Ao ver a esposa inanimada, a primeira reacção do ileso senhor de bigode é agarrar com força no cinto e o anúncio termina com a frase "Há um cinto que o prende à vida" dita em voz-off e a aparecer escrita no ecrã. (Esperemos que a sua  reacção seguinte é verificar como estava a mulher e chamar ajuda.) Também me recordo de haver depois uma versão bem mais ligeira do anúncio onde o homem lembra a mulher para colocar o cinto e ela obedece, e o anúncio termina aí com a frase final no plural: "Há um cinto que OS prende à vida."

Espero que um dia também venha a surgir na internet outro anúncio mítico da PRP, o do "Comigo o miúdo vai sempre atrás."

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Promoção Rodelas de Chocolate Tartarugas Ninja (1993)





Em 1993 as Tartarugas Ninja ainda estavam em grande, a série de TV ainda a 3 anos de terminar, com um filme novo e toneladas de merchandising empurrados para a pequenada. A Imperial foi uma das marcas mais reconhecidas pelos portugueses, e apesar dos favoritos Pintarolas, Fantasias (de Natal) não era uma marca associada a "fixe", com os seus chocolates mais clássicos. Mas em 1993 a Imperial lançou uma promoção com as quatro tartarugas mais fixes do planeta.
Para ganhar os milhares de prémios bastava juntar "8 Pratinhas das Rodelas de Chocolate TARTARUGAS NINJA" e enviar pelo correio.
Como não tinha sorteio, alegadamente, os primeiros envelopes a chegar (até 31 de Dezembro de 1993) ganhavam os melhores prémios e os últimos um porta-chaves de compensação.
A lista dos prémios, por ordem de chegada:
20 Turtle Tanks
20 Helicópteros
20 Motos
100 Relógios Digitais
50 Bonecos Turtles
10000 Porta-Chaves.
Podem apreciar as imagens de todos esses produtos de sonho neste adorável desdobrável que adquiri recentemente para a minha colecção:


A partir do envelope nº 10211 já não tinha direito a prémio, temos pena. Algum dos nossos leitores participou nesta promoção e ganhou alguma coisa? Contem nos comentários!
Lembro-me vagamente destas Rodelas de Chocolate Tartarugas Ninja, mas nesta época tínhamos os jovens Tarta-Heróis estampados em practicamente tudo o que possam imaginar...



terça-feira, 20 de agosto de 2019

Blocos publicitários RTP (Julho 1992)

por Paulo Neto



Há já algum tempo que não fazemos um artigo de análise a blocos publicitários de outrora e infelizmente com o cancelamento do canal Lusitania TV e seu restabelecimento, vai demorar algum tempo até que muitos destes artigos estejam operacionais de novo. Mas existem outros canais que têm publicado intervalos publicitários das nossas televisões no YouTube, como é o caso do canal de Vasco Ferreira, que nos traz três vídeos de intervalos da RTP 1 e RTP2 de 23 e 24 de Julho de 1992, naquele que foi o último Verão da RTP como única estação de televisão em Portugal e em que um dos principais pontos altos foram os Jogos Olímpicos de Barcelona que começariam no dia 25 desse mês.



0:00 Começamos de forma um bocado abrupta com imagens de que parece ser o mais conhecido anúncio ao leite Matinal com uma mulher no jardim. Logo de seguida, temos um anúncio ao Brise Electrofresh, um dos primeiros ambientadores que se ligação à corrente eléctrica a serem comercializados em Portugal, prometendo 30 dias de frescura e bons cheiros. A cantar o jingle estava Gustavo Sequeira que na altura era o cantor mais procurado para interpretar jingles publicitários, deixando vários para a história como por exemplo, "Selvagem, uma dentada em Lion"
0:29 Parodiando os anúncios aos automóveis, a Trinaranjus (que a minha mãe ainda hoje chama TriLaranjus!) promovia o seu novo modelo 33cl, "isento de seguros e impostos".
0:38 Um par de pés dança alegremente enquanto o seu dono lê o Expresso refastelado no sofá. Desde 1973 que este semanário faz parte das aquisições de muitos portugueses a cada Sábado.
0:59 Há já várias décadas que Pronto é a marca líder no que toca a limpar objectos de madeira. Neste anúncio vemos uma família em que o pai constrói um mini roupeiro de madeira para a filha enquanto a mãe limpa os móveis com Pronto. Sim, será um perpetuar dos clichés dos papéis domésticos mas não deixa de ser ternurento o momento em que a menina leva o mini armário acabado de ser feito para a mãe passar com Pronto.
1:19 A actriz Kelly McGillis terá sempre o seu lugar na história do cinema graças ao seu papel em "Top Gun". Embora ela tenha desde então evitado papéis sensuais, McGillis, tal como várias outras actrizes, aceitou dar a cara nesta campanha da Lux, promovendo o seu gel de banho em que a vemos num relaxante banho de imersão. (Já não me lembrava de quando os produtos Lux tinham este logótipo)
1:51 "Prémios, prémios e mais prémios!" Era o que prometia o Jornal de Notícias, vulgo JN, no seu Jogo de Verão. 
1:57 Um cenário montanhesco para comparar o poder de refrigeração dos frigoríficos Hoover.
2:06 Será que tal como em 1992, quando se pensa em mousse de chocolate pensa-se logo na marca Alsa? Neste anúncio, um grupo de crianças joga um jogo de computador onde uma personagem tem de apanhar taças e pacotes de mousse enquanto saboreiam uma tigela de mousse Alsa. 
2:36 Neste anúncio ao Citroen ZX, uma mulher misteriosa de cabelo ruivo ao volante do dito veículo é perseguida por dois homens noutro carro. No final, ela consegue livrar-se deles atraindo-os para uma sucata e fazendo com que o carro deles seja apanhado pelo íman gigante.
3:07 Anúncio à revista Guia com um especial dedicado às brincadeiras entre pais e filhos.
3:15 Um dos mais icónicos anúncios das tintas Robbialac, dedicado à gama Stucomat. "Stucomat é uma grande tinta, Stucomat é Robbialac!"
3:32 Promo a um novo episódio da famosa série "Dinastia", sobre as intrigas e manias de duas famílias milionárias. Na verdade, tratava-se de um epílogo especial de dois episódios exibidos nos Estados Unidos em 1991, dois anos após o fim da série propriamente dita. Nesta promo vemos a intrigante imagem de Krystle, a personagem de Linda Evans, a apontar uma pistola a Blake (John Forsythe).            



0:00 Mudamos agora para a RTP 2, com a vinheta da RTC.
0:04 E agora sim, temos o anúncio ao Leite Matinal na íntegra, com voz off de Ana Zanatti, e uma elegante mulher a cuidar do seu canteiro de tulipas. E para sempre ficou o slogan: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?"
0:35 Outra voz muito comum em anúncios publicitários, a inconfundível voz do actor Canto e Castro, num anúncio animado ao Ezalo, na altura a marca de excelência para acabar com o eterno flagelo estival das melgas em casa. E mais um bordão publicitário para a eternidade: "Vai t'embora, ó melga!"
0:51 Os Jogos Olímpicos de Barcelona teriam a sua cerimónia de abertura no dia seguinte e a Kodak era um dos patrocinadores oficiais. Em Janeiro de 2011, o mundo foi surpreendido pelo anúncio de bancarrota por parte deste gigante da tecnologia fotográfica, mas a marca reemergiu em 2013.
1:01 Um belíssimo anúncio ao turismo em Portugal mostrando várias cenas e paisagens do nosso país, ao som de uma versão de "Verdes São Os Campos", um poema de Luís de Camões originalmente musicado por Zeca Afonso. 
1:47 Um destaque na RTP 2 para a exibição do filme "Sarilhos Com Marujos" com o mítico comediante francês Fernandel (1903-1971). Pelo que pude aparar, trata-se de um filme de 1934, de título original, "Les Bleus de la Marine".



0:00 Em 1992, o gel de banho Tahiti Duche com as suas embalagens cúbicas e coloridas ainda estava à venda em Portugal. Na altura, anúncios publicitários onde eram descomplexadamente exibidos seios femininos já não eram novidade, mas ainda eram relativamente raros, daí que estas imagens de uma jovem tomar alegremente banho num cenário tropical devem ter sido recebidos com algumas sobrancelhas (e não só) erguidas! Mas meses mais tarde, a SIC logo no seu advento faria de imagens de maminhas ao léu no programa "Água Na Boca" um dos sinais de que Portugal entraria num admirável mundo novo televisivo. 
0:22 Uma bonita jovem dá a cara pelo iogurte Yoplait magro (apesar da sua notória falta de jeito para representação).
0:42 Anúncio à peça "Apanhados no Divã" de Joe Orton (1933-1967) então em cena no Teatro da Cornucópia, em que podemos ver actores como Luísa Cruz, Márcia Breia e Camacho Costa em trajes menores. O título original é "What The Butler Saw" e foi levada a cena pela primeira vez em Londres em 1969, dois anos após a morte do dramaturgo.
0:50 Apenas uma embalagem de champô Palmolive traz cor a este estiloso anúncio a preto e branco.
1:20 Uma mulher e um homem (João Baião) procuram algo no que se vem a descobrir ser um gigante pacote de arroz Saludães! Enviando pelo correio três marcas de embalagens, na altura era possível ganhar um dos cinco cheques de mil contos (5000 euros) e jogos de vídeo.
1:41 Em 1992, Macau ainda era território nacional (só estaria de novo sob vigência da China sete anos mais tarde), daí se justificar este destaque da RTP 2 para a exibição da eleição da Miss Macau desse ano. Pelo que descobri, a eleição da mais bela deste território do Extremo Oriente realizava-se desde 1986 e nesse ano a coroa da vitória foi parar à cabeça de uma jovem de seu nome Ho Lok-I. Por curiosidade, entre as vencedoras deste título constam quatro irmãs: Guilhermina, Isabella, Geraldina e Guiomar Madeira da Silva Pedruco foram coroadas respectivamente em 1989, 1993, 1995 e 1996. 
2:09 Mesmo no fim, a imagem da actriz brasileira Beth Goulart na mini-novela "Riacho Doce" (1990) então exibida na RTP2. Nos principais papéis estavam Vera Fischer, Carlos Alberto Riccelli, Fernanda Montenegro e Herson Capri.       


terça-feira, 13 de agosto de 2019

American Pie - A Primeira Vez (1999)

por Paulo Neto

O final dos anos 90 viu nascer uma nova vaga de filmes sobre adolescentes, uma temática que esteve em alta nos 80 mas que foi esmorecendo no início da década seguinte. Mas a partir de "Scream" - que por si só trouxe sangue novo, salvo seja, ao cinema de terror - houve um renascer da temática do cosmos do high school americano em vários géneros, sobretudo no terror mas também no melodrama e na comédia. E em 1999, ano em que estrearam outros títulos como "Nunca Fui Beijada", "10 Coisas Que Odeio Em Ti", "Mistério Na Faculdade", "As Virgens Suicidas", "Mitos Urbanos" (e uma sequela de "Carrie" que ninguém tinha pedido), um filme recuperou um subgénero esquecido dos anos 80, a comédia sexual adolescente.
Falo, é claro, de "American Pie - A Primeira Vez", escrito por Adam Herz e realizado pelos irmãos Chris e Paul Weitz.



Jim Lavenstein (Jason Biggs), Kevin Myers (Thomas Ian Nicholas), Chris "Oz" Ostreicher (Chris Klein) e Paul Finch (Eddie Kay Thomas) são quatro amigos do estado de Michigan que fazem um juramento em perder a virgindade antes de terminarem o liceu, uma demanda que os levará por caminhos ora emotivos ora hilariantes. Além de encararem a perda da virgindade como um passo essencial rumo à idade adulta, os quatro amigos pretendem também acabar com as troças do fanfarrão Steven Stifler (Seann William Scott), que apregoa aos quatro ventos a sua experiência, e a quem eles e todos na escola toleram por causa das festas que costuma dar sempre que os pais costumam estar fora de casa. Para piorar, corre a notícia de que até o irritante Chuck Sherman (Chris Owen) já perdeu os três numa dessas festas. 



Aparentemente, Oz e Kevin são quem tem a tarefa mais facilitada: o primeiro é uma das estrelas da equipa de lacrosse e atenções femininas não lhe faltam, enquanto o segundo tem um namoro de longa data com a bonita Vicky Lathum (Tara Reid). Mas as coisas não são assim tão simples: a pressão que Kevin e Vicky sentem para terem sexo leva-os a questionar seriamente a relação e, após uma desastrosa tentativa de engatar uma universitária, Oz conclui que precisa de ser mais sensível e de entender o sexo feminino, o que o leva a juntar-se ao coro da escola onde conhece a angelical Heather Gardner (Mena Suvari), interessando-se por ela. A rapariga até lhe corresponde mas conhece bem a reputação dele e como tal, recusa os seus avanços.   






Para Finch e Jim, as coisas são ainda mais complicadas. A aura intelectual e sofisticada de Finch não surte grande sucesso entre as raparigas e o rapaz acaba por pagar a Jessica (Natasha Lyonne), a melhor amiga de Vicky, para espalhar rumores sobre as suas proezas sexuais. A princípio o plano parece resultar, mas quando uma rapariga dá tampa a Stifler por estar de olho em Finch, Stifler vinga-se pondo laxante no café de Finch, fazendo-o passar por uma enorme humilhação escatológica. 




Como se não bastasse a sua falta de sucesso com as raparigas, Jim também tem de lidar com o seu compreensivo mas inconveniente pai Noah (Eugene Levy), que parece aparecer sempre nas piores ocasiões, incluindo na famosa cena em que o rapaz decide "explorar" uma apetitosa tarte de maçã. As coisas parecem melhorar quando Nadia (Shannon Elizabeth), uma bela estudante de intercâmbio da República Checa (ou será da Eslováquia?), parece interessar-se por Jim. Mas uma tentativa de sexo entre ambos, acidentalmente transmitida pela internet, que termina em dupla ejaculação precoce, deita tudo a perder. Por desespero, Jim acaba por convidar a aparentemente inocente flautista Michelle Flaherty (Alyson Hannigan) para o baile de finalistas. 

"This one time, at band camp..."

Jim, Kevin, Oz e Finch chegam ao baile de finalistas não só ainda virgens mas desolados. Mas quando, questionada por Vicky, a rapariga que alegadamente teria dormido com Sherman esclarece diante de toda a escola que isso era mentira, deixando-o humilhado (e molhado), as coisas acabam por correr inesperadamente pelo melhor durante a festa em casa de Stifler após o baile. Michelle revela-se sexualmente agressiva (e que não usa a sua flauta só para fazer música) e o sexo entre ambos é altamente desastrado, mas Jim fica longe de se importar com isso. Kevin e Vicky, apesar de concluírem que é melhor iniciar uma nova etapa na universidade sem estarem presos um ao outro, têm uma última noite apaixonada. Oz revela a Heather que renunciou ao pacto de perder a virgindade porque se apaixonou mesmo por ela, mas os dois acabam por fazer amor junto ao lago. E Finch acaba nos braços da maduramente atraente mãe de Stifler (Jennifer Coolidge), para choque deste. 
Na manhã seguinte, no café do costume, os quatro amigos brindam ao próximo passo na vida.





Eu tenho um fraquinho por filmes com a temática do high school americano, até porque os liceus dos States servem muitas vezes como uma placa de Petri da sociedade americana e desde que o vi no cinema, "American Pie" é um dos meus preferidos do género. Gosto de como o filme não tem falsos puritanismos nem medo de pisar a linha do badalhoco - e ainda assim quase todos os gags terem realmente piada. E lembro-me de ter ido ver o filme pensando que ia ser uma comédia desempoeirada e desmiolada, e surpreendi-me pela forma como o argumento e a realização conseguiu conferir alguma sensibilidade sob este manto de piada adolescente-badalhoca e como, apesar de alguma excessiva caricatura, o espectador podia-se facilmente identificar com as personagens. (Apesar de nunca me ter envolvido com a mãe de um colega, identifiquei-me sobretudo com o Finch). 
"American Pie" foi um dos grandes êxitos de bilheteira de 1999 e deixou para a história da cultura pop vários bordões ("Say my name, b*tch!", "This one time, at bad camp...", "S*** me, beautiful!") bem como o enraizamento do termo MILF - referido no filme pelas personagens de John Cho e Justin Isfeld. O filme gerou três sequelas oficiais: "American Pie 2 - O Ano Seguinte" (2001), "American Pie - O Casamento" (2005) e "American Pie - A Reunião" (2012) bem como quatro sequelas spin-off produzidas directamente para o mercado de vídeo. Um quinto filme chegou a ser anunciado em 2012, mas a produção nunca mais arrancou. 

Reunião do elenco em 2019


Trailer:


Cena da tarte:




terça-feira, 30 de julho de 2019

Top 6 canções de Kate Bush

por Paulo Neto




Existem seres que são tão únicos e geniais que até custa a crer que pertencem a este mundo como o resto dos mortais. Kate Bush é uma dessas pessoas, cujo talento para a música marcou um antes e depois no que diz respeito a mulheres na música. O sua obra é marcada pelo misticismo das suas composições e interpretações vocais e pela forma como se alia a outras formas de arte, sobretudo a literatura, a dança e o cinema. É incontável o número de artistas (e não apenas na música) que a citam como influência ou que expressaram admiração pelo seu trabalho.
Catherine Bush nasceu a 30 de Julho de 1958 em Bexleyheath no condado inglês de Kent. Aos 11 anos, inspirada pelo envolvimento do pai e dos irmãos na música, aprendeu sozinha a tocar piano e a compor canções. Reza a lenda que, quando ainda adolescente assinou um contrato discográfico graças a uma demo produzida por David Gilmour, a EMI pagou-lhe para passar dois anos a aperfeiçoar o seu material e sem dúvida que foi uma aposta ganha dado o sucesso do seu álbum de estreia, "The Kick Inside" em 1978.
Mas afinal quais são as minhas canções preferidas de Kate Bush? Como é habitual, várias canções tiveram de ficar de fora deste top 5 (que na realidade é um top 6) mas que merecem ser mencionadas: "The Man With The Child In His Eyes" ( que ela escreveu quando tinha 13 anos, do álbum "The Kick Inside"), "Wow" (de "Lionheart", 1979), "Army Dreamers" (de "Never For Ever", 1980), "Suspended In Gaffa" (de "The Dreaming", 1982), "The Big Sky" (de "Hounds Of Love", 1985), "The Sensual World" (do álbum do mesmo nome de 1989), "Rubberband Girl" e "Moments Of Pleasure" (de "The Red Shoes, 1993) e "King Of The Mountain" (de "Aerial" que em 2005 marcou o seu regresso aos discos após doze anos). Também não decidi incluir "Don't Give Up", o célebre dueto com Peter Gabriel, já que na sua essência é um opus deste. Queria também ainda referir a sua cover com laivos de reggae de 1991 de "Rocket Man", para o álbum "Two Rooms" de tributo às canções de Elton John e Bernie Taupin, porque foi ouvi a versão de Bush antes do original de Elton John.   



N.º 5 (ex-aqueo) "Hounds Of Love" e "Cloudbusting": Eu não consegui deixar uma destas duas canções de fora pelo que optei antes por um empate. Curiosamente ambas são do mesmo álbum, "Hounds Of Love" de 1985. Depois de quatro álbuns entre 1978 e 1982 e dada a (então) fraca recepção do último álbum "The Dreaming", Bush retirou-se do olhares públicos durante três anos para regressar com este disco que viria a ser considerado o seu melhor álbum, bem como o mais bem-sucedido comercialmente. Na verdade, pode-se dizer que se trata de um disco 2-em-1: quatro das cinco faixas do lado A (incluindo estas duas) seriam os singles do álbum enquanto o lado B, intitulado "The Ninth Wave" era um conjunto conceptual de canções sobre alguém à deriva no mar.
A faixa-título "Hounds Of Love" é sobre o medo de se apaixonar, comparando essa sensação à de se ser perseguido por uma matilha de cães. Kate Bush costuma afirmar que a maioria das suas canções não são autobiográficas mas apetece pensar se ela experimentou este sentimento na sua relação da altura com o também músico Del Parker. O videoclip (realizado pela própria) era uma homenagem a Hitchcock (sobretudo ao filme "Os 39 Degraus). Em 2005, a banda rock britânica Futureheads fez uma versão de "Hounds Of Love", apresentando-a a uma nova geração. Outras versões incluem as das bandas australianas Frente! e The Church, dos 30 Seconds To Mars e de Patrick Wolf.


"Cloudbusting" foi inspirado na biografia de Peter Reich sobre o seu pai, o filósofo e psicanalista Wilhelm Reich, contando memórias de quando ambos usavam uma máquina para fazer chuva, de forma a manipular uma energia esotérica da atmosfera e da tristeza que Peter sentiu quando o seu pai foi preso. O videoclip era toda uma curta-metragem e chegou a ser exibido em cinemas no Reino Unido: nele, o actor Donald Sutherland fazia de Whilelm Reich e Kate Bush de Peter.
"Cloudbusting" viria a ganhar uma nova vida em 1992 quando foi samplado para o tema "Something Good" do grupo electro-pop Utah Saints (uma nova versão foi editada em 2008), que até incluía algumas cenas do videoclip original.





N.º 4 "Babooshka": O tema mais conhecido do álbum de 1980 "Never For Ever", "Babooshka" conta a história de uma mulher obcecada em testar a fidelidade do seu marido, enviando-lhe cartas assinadas sob o nome do título (Bush não sabia na altura que a palavra queria dizer "avó" em russo), e o marido vai ficando cativado por essa personagem, por ser tão semelhante à esposa quando era mais nova. A primeira vez que eu ouvi esta canção foi quando a RTP a utilizava na rubrica "Fora de Casa" e como então eu não dominava em inglês (e à semelhança do que Nuno Markl referiu na "Caderneta de Cromos") a ideia que eu tinha era a de que a canção era sobre uma mulher que estava a sempre a cair ou a ir contra móveis e que o refrão relatava o seu sofrimento: "Ai, ai! Catrapus! Catrapus! Catrapus! Catrapus! Ai, ai!". E o som de um vidro a partir-se que se ouve na recta final da canção parecia corroborar.
A canção também é marcante pelo seu videoclip, onde no refrão Kate Bush surge como uma sensual guerreira mitológica, quase uma Xena avant-la-lettre.     






N.º 3 "This Woman's Work": Incluído no álbum "The Sensual World" de 1989, "This Woman's Work" já era uma canção conhecida pois no ano anterior fez parte da banda sonora do filme "She's Having A Baby" (título em Portugal: "A Vida Não Pode Esperar") de John Hughes e utilizada precisamente na cena do parto. Kate Bush compôs a canção a partir dessa cena já filmada e escreveu a letra do ponto de vista de um pai que assiste às dificuldades sofridas no parte por parte da mãe e do criança por nascer. (Só cerca de uma década mais tarde é que a própria Kate Bush passaria pela experiência de dar à luz, aquando do nascimento do seu filho Bertie em 1998, que viria a colaborar nos discos mais recentes da mãe e a terá encorajado a voltar aos concertos em 2014, quase 35 anos depois.) Algo despercebido durante a sua edição como segundo single do álbum, "This Woman's Work" viria com o tempo a ser uma das canções mais amadas de Kate Bush e um verdadeiro hino a todas mulheres que já foram mães e/ou ultrapassaram problemas de saúde. Em 1997, o cantor Maxwell gravou uma excelente versão para o seu concerto de MTV Unplugged e uma versão de estúdio foi incluída no seu álbum de 2001 "Now". Desde então ambas as versões têm sido utilizadas em vários programas de televisão. Recomendo a visualização de uma lindíssima coreografia da versão americana de "Achas Que Sabes Dançar" ao som da versão de Maxwell.





N.º 2 "Wuthering Heights": Este foi o single de estreia de Kate Bush e mais de quarenta anos depois, mantém-se como a sua canção mais emblemática. Como o nome indica, "Wuthering Heights" é sobre o famoso clássico da literatura "O Monte dos Vendavais" de Emily Bronte. Aos 18 anos, Bush viu uma adaptação do romance a uma minisérie da BBC e depois leu o livro, descobrindo que tal como ela, Emily Bronte nascera a 30 de Julho. Com a letra do ponto de vista da heroína (que também se chamava Catherine), a canção consegue ao longo dos quatro minutos resumir toda a essência da obra, da paixão ao negrume. "Wuthering Heights" atingiu o primeiro lugar do top britânico, provando que a EMI tinha ganho em apostar na jovem cantora/compositora. Foi também n.º 1 na Austrália, Irlanda, Itália e Nova Zelândia. Existem dois videoclips oficiais para a canção: um gravado em estúdio com Kate Bush interpretando a canção e a coreografia vestida de branco e outro gravado num bosque com Bush vestida de vermelho. Em 1986, Kate Bush regravou uma nova versão para o seu álbum best of de 1986 "The Whole Story" (e essa é a versão que tenho no meu leitor de mp3). Lembro-me de ouvir bastante esta canção na rádio nos anos 90, até porque foi amplamente utilizada em programas de televisão como "Cantigas da Rua", "Mini Chuva de Estrelas" e "Chuva de Estrelas" - aliás à quarta edição do programa foi ganha por Jessi Leal imitando Kate Bush nesta canção.    

  



N.º 1 "Running Up That Hill (A Deal With God)": Sucede que a minha canção preferida de Kate Bush é também a primeira canção dela que eu me lembro de ouvir, mas foi só no final dos anos 90, quando comprei uma colectânea de músicas dos anos 80, que eu ouvi mais atentamente e desde então tornou-se a minha favorita dela.  
O primeiro single de "Hounds Of Love", "Running Up That Hill" viria a tornar-se o maior sucesso de Kate Bush nos anos 80, atingindo o top 10 em vários países e sendo o single mais bem-sucedido nos Estados Unidos. A letra da canção afirma que um homem e uma mulher só se poderiam compreender verdadeiramente um ao outro se fizessem um acordo com Deus para trocarem temporariamente de corpos e perceberem realmente como é ser-se do outro sexo. O título original era aliás "A Deal With God", mas a editora estava receosa que uma canção com a palavra "God" no título fosse boicotada pelas rádios e Bush aceitou alterar o título. Mas em edições posteriores, a faixa tem o título original entre parêntesis.
Como a letra fala também em corrida e auto-superação, o tema também tem sido volta e meia utilizado em eventos desportivos, nomeadamente na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 2012. No momento entre a entrada dos atletas no estádio e o início da cerimónia das medalhas da maratona masculina, foi exibida uma nova versão regravada por Kate Bush de propósito para o evento, que posteriormente chegou ao n.º 6 do top britânico.
O respectivo videoclip é também um dos mais emblemáticos da sua carreira, no qual Bush dança com o bailarino Michael Hervieu e numa cena, os dois são separados por uma multidão de estranhos com máscaras com as caras de ambos.
Entre as várias versões de "Running Up That Hill", a mais conhecida é a dos Placebo de 2003. Recentemente descobri uma versão da cantora americana Meg Myers com um videoclip muito interessante. Recomendo também a audição de "Under The Ivy", o lado B do single. 



Kate Bush em 2014, no seu regresso aos concertos


domingo, 21 de julho de 2019

Notting Hill (1999)

por Paulo Neto

Cinco anos depois de "Quatro Casamentos e Um Funeral", outra comédia romântica britânica escrita por Richard Curtis e protagonizada por Hugh Grant fez grande sucesso, ao qual não era estranha a presença de uma estrela do calibre de Julia Roberts. Falo, claro está, de "Notting Hill", filme realizado por Roger Mitchell que contava a inesperada história de amor entre um pacato livreiro da zona londrina que dá nome ao título do filme e uma estrela de Hollywood.



Anna Scott (Roberts) é uma famosa actriz americana que se encontra em Londres a promover o seu mais recente filme "Helix". Por acidente, ela choca contra Will Thacker (Grant) que lhe entorna sumo de laranja em cima, o que o leva a convidar para ir a casa dele trocar de roupa e num impulso os dois beijam-se na despedida. Este encontro agita a existência solitária de Will, que partilha a sua casa com o hilariante desmiolado Spike (Rhys Ifans). E o quão famosa é Anna Scott? Tão famosa que até o próprio Will sabe quem ela é, e ele é alguém que julga que Leonardo Di Caprio é um realizador italiano.



Por agradecimento, Anna convida-o a encontrar-se com ela durante uma ronda de imprensa no hotel Ritz. Confundido com um jornalista e após entrevistar os outros actores (incluindo uma muito jovem Mischa Barton) com resultados hilariantes, Will convida a Anna a irem à festa de aniversário da sua irmã Honey (Emma Chambers), onde a apresenta aos seus amigos Bernie (Hugh Bonneville), Bella (Gina McKee) e Max (Tim McInnerny). Apesar de eufóricos com a presença de Anna, todos ficam porém a saber através dela que a sua vida de fama e glamour em Hollywood não é tão feliz como julgam. O clima de romance entre Anna e Will vai crescendo até que o namorado dela (Alec Baldwin) surge em Londres e ela tem de voltar para Los Angeles.



Meses mais tarde, Anna aparece em casa de Will procurando refugiar-se do escândalo da publicação de fotos nuas suas tiradas antes da fama. Porém após uma noite de amor, e devido a um descuido de Spike, na manhã seguinte os paparazzis estão todos à porta da casa dele. Julgando que ele se aproveitou dela, Anna vai-se embora furiosa. Outros mal-entendidos se sucedem entre ambos mas no fim Will e Anna acabam por ter o seu happy ending hollywoodesco.



"Notting Hill" foi um dos maiores sucessos de 1999 junto do público e da crítica e foi um "boost" na carreira de Grant e Roberts, ambos recém-saídos de um período de flops e de dramas na sua vida privada. (E tenho de destacar o desempenho de Rhys Ifans que rouba todas as cenas que entra com o seu Spike.) Foi na altura o filme britânico com melhor receita de sempre e um dos vinte filmes mais rentáveis de 1999. Recebeu o prémio do público nos BAFTA e foi nomeado para três Globos de Ouro.   

"Notting Hill" foi triunfou também com a sua banda sonora que foi disco de platina em vários países (eu tive uma cópia gravada em cassete). Quatro canções foram hits nesse ano: "When You Say Nothing At All" de Ronan Keating, "From The Heart" dos Another Level, "She" de Elvis Costello e "You've Got A Way" de Shania Twain, incluindo ainda temas de Texas, Pulp, Lighthouse Family, Al Green, 98 Degrees e dois temas da partitura original de Trevor Jones.

Trailer:


Ronan Keating "When You Say Nothing At All"


Elvis Costello "She"


Another Level "From The Heart"


Shania Twain "You've Got A Way"





sábado, 20 de julho de 2019

O Homem Chegou À Lua (20-07-1969)


No dia 20 de Julho de 1969 os seres humanos pisaram solo fora do planeta Terra pela primeira vez. O destino foi a Lua, o nosso satélite. O Mundo parou para ver as emissões em mais ou menos directo e apesar de a Humanidade não regressar lá desde os anos 70, foi um momento histórico. 
Recordo a capa do "Diário de Lisboa" do dia seguinte:
"Sonho tornado realidade - O Homem já chegou à Lua."
"Armstrong e Aldrin caminharam 2 horas sobre o solo lunar."
 Podem aumentar as imagens para ler o resto das reportagens dedicadas à chegada do Homem à Lua:




sábado, 13 de julho de 2019

Live Aid (1985)

por Paulo Neto



O filme "Bohemian Rhapsody" com o seu clímax na recriação quase a papel químico da actuação dos Queen no Live Aid avivou as memórias desse grande acontecimento, que teve lugar a 13 de Julho de 1985 em Londres e Filadélfia, uma mega-espectáculo de dimensões deveras impressionantes, mesmo para os dias de hoje, e que foi um marco na história da música.


No seguimento do enorme sucesso do single all-star britânico "Do They Know It's Christmas" no Natal de 1984 e do seu equivalente americano "We Are The World" no início de 1985, em prol de angariar fundos para ajudar as vítimas da fome na Etiópia, surgiu a ideia da criação de um concerto para o mesmo objectivo onde actuariam os maiores nomes da música de ambos os lados do Atlântico. Bob Geldoff e os empresários Harvey Goldsmith e Bill Graham levaram a cabo a realização do evento nos dois países e a lista de nomes a actuar no evento, quer daqueles que faziam sucesso na altura, quer de algumas glórias do passado, foi aumentando.
O concerto, uma das maiores transmissões televisivas por satélite a grande escala de todos os tempos, terá sido visto por 1900 mil milhões de pessoas em 150 países e teve a duração total de 16 horas.

Eis o alinhamento em ambos os locais:

Londres, Estádio de Wembley
Status Quo: "Rockin' All Over The World", "Caroline", "Don't Waste My Time"


Style Council: "You're The Best Thing", "Big Boss Groove", "Internationalists", "Walls Come Tumbling Down"
Boomtown Rats: "I Don't Like Mondays", "Drag Me Down", "Rat Trap", "For He's A Jolly Good Fellow"



Adam Ant
: "Vive Le Rock"
Ultravox: "Reap The Wild Wind", "Dancing With Tears In My Eyes", "One Small Day", "Vienna"
Spandau Ballet: "Only When You Leave", "Virgin", "True"
Elvis Costello: "All You Need Is Love"
Nik Kershaw: "Wild Boy", "Don Quixote", "The Riddle", "Wouldn't Be In Good"
Sade: "Why Can't We Live Together", "Your Love Is King", "Is It A Crime"


Sting e Phil Collins: "Roxanne", "Driven To Tears", "Against All Odds (Take A Look At Me Now)", "Message In A Bottle", "In The Air Tonight", "Long Way To Go", "Every Breath You Take"

Howard Jones: "Hide And Seek"
Bryan Ferry (com David Gilmour na guitarra): "Sensation", "Boys And Girls", "Slave To Love", "Jealous Guy"
Paul Young: "Do They Know It's Christmas/Come Back And Stay", "That's The Way Love Is" (com Alison Moyet), "Everytime You Go Away"
U2: "Sunday Bloody Sunday", "Bad"


Dire Straits: "Money For Nothing" (com Sting), "Sultans Of Swing"
Queen: "Bohemian Rhapsody", "Radio Ga Ga", "Hammer To Fall", "Crazy Little Thing Called Love", "We Will Rock You", "We Are The Champions"

David Bowie: "TVC 15", "Rebel Rebel", "Modern Love", "Heroes"
The Who: "My Generation", "Pinball Wizard", Love Reign O'er Me", "Won't Get Fooled Again"
Elton John: "I'm Still Standing", "Bennie And The Jets", "Don't Go Breaking My Heart" (com Kiki Dee), "Don't Let The Sun Go Down On Me" (com Wham!), "Can I Get A Witness"

Freddie Mercury e Brian May: "Is This The World We Created"
Paul McCartney: "Let It Be"
Band Aid: "Do The Know It's Christmas"





Filadélfia, Estádio John F. Kennedy



Bernard Watson: "All I Really Want To Do", "Interview"
Joan Baez: "Amazing Grace", "We Are The World"
The Hooters: "And We Danced", "All The Zombies"
Four Tops: "Shake Me, Wake Me (When It's Over)", "Bernadette", "It's The Same Old Song", "Reach Out I'll Be There", "I Can't Help Myself"
Billy Ocean: "Caribbean Queen", "Loverboy"
Black Sabbath: "Children Of The Grave", "Iron Man", "Paranoid"

Run DMC: "Jam Master Jay", "King Of Rock"
Rick Springfield: "Love Somebody", "State Of The Heart", "Human Touch"
REO Speedwagon: "Can't Fight This Feeling Anymore"
Crosby, Stills & Nash: "Southern Cross", "Teach Your Children", "Suite: Judy Blue Eyes"
Judas Priest: "Living After Midnight", "The Green Manalishi", "You've Got Another Thing Commin'"
Bryan Adams: "Kids Wanna Rock", "Summer Of '69", "Tears Are Not Enough", "Cuts Like A Knife"

Beach Boys: "California Girls", "Help Me, Rhonda", "Wouldn't It Be Nice", "Good Vibrations",
George Thorogood & The Destroyers: "Who Do You Love" (com Bo Diddley), "The Sky Is Crying", "Madison Blues"
Simple Minds: "Ghost Dancing", "Don't You (Forget About Me)", "Promised You A Miracle"
Pretenders: "Time The Avenger", "Message Of Love", "Stop Your Sobbing", "Back On The Chain Gang", "Middle Of The Road"
Santana com Pat Metheny: "Brotherhood", "Primera Invasión", "Open Invitation", "By The Pool", "Right Now"
Ashford & Simpson: "Solid", "Reach Out And Touch Somebody's Hand" (com Teddy Pendergrass)
Madonna: "Holiday", "Into The Groove", "Love Makes The World Go Round"


Tom Petty & The Heatrbreakers: "American Girl", "The Waiting", "Rebels", "Refugee"
Kenny Loggins: "Footloose"
The Cars: "You Might Think", "Drive", "Just What I Needed", "Heartbeat City"
Neil Young: "Sugar Mountain", "The Needle And The Damage Done", "Helpless", "Nothing Is Perfect", "Powderfinger"
Power Station: "Murderess", "Get It On"
Thompson Twins: "Hold Me Now", "Revolution" (com Madonna e Nile Rogers)


Eric Clapton: "White Room", "She's Waiting", "Layla"
Phil Collins: "Against All Odds", "In The Air Tonight"

Led Zeppelin: "Rock And Roll", "Whole Lotta Love", "Stairway To Heaven"


Foi a primeira actuação dos Led Zeppelin desde a morte de John Bonham

Crosby, Stills, Nash & Young: "Only Love Can Break Your Heart", "Daylight Again/ Find The Cost Of Freedom"
Duran Duran: "A View To A Kill", "Union Of The Snake", "Save A Prayer", "The Reflex"
Patti LaBelle: "New Attitude", "Imagine", "Forever Young", "Stir It Up", "Over The Rainbow", "Why Can't I Get It Over"

Daryl Hall & John Oates, Mick Jagger, Eddie Kendricks, David Ruffin e Tina Turner : "Out Of Touch", "Meneater", "Get Ready", "Ain't Too Proud To Beg", "The Way You Do The Things You Do", "My Girl", "Lonely At The Top", "Just One Night", "Miss You", "State Of Shock", "It's Only Rock & Roll (But I Like It)"
Bob Dylan, Keith Richards e Ron Wood: "Ballad Of Hollis Brown", "When The Ship Comes In", "Blowin' In The Wind"
USA For Africa: "We Are The World"



O apresentador britânico Richard Skinner foi o primeiro a subir ao palco para anunciar a presença do Príncipe Carlos e da Princesa Diana em Wembley. Entre os nomes presentes para anunciar as actuações estiveram Jack Nicholson, John Hurt, Griffin Rhys-Jones, Mel Smith, Bette Midler, Chevy Chase, Don Johnson e Dionne Warwick.

No mesmo dia, outros concertos pela mesma causa tiveram lugar em Moscovo, Toronto, Sydney, Viena, Belgrado, Moscovo, Tóquio e Colónia e algumas actuações foram exibidas durante a transmissão do Live Aid, bem como a actuação de BB King em Haia. Uns dias mais tarde, no âmbito da campanha nacional "Um Abraço A Moçambique", alguns nomes da música portuguesa participaram de um concerto no Coliseu dos Recreios. 

Algumas curiosidades:
- Phil Collins foi o único artista que actuou tanto em Londres como em Filadélfia, tendo apanhado um voo do Concord entre os dois países. Nesse voo, ele encontrou a cantora Cher que não sabia dos concertos, mas que decidiu ir também a Filadélfia assistir ao espectáculo e acabou em palco durante a actuação final de "We Are The World".


- Apesar do extremo calor que se fazia sentir em Filadélfia, Madonna actuou com um casaco vestido e declarou que hoje ela "não iria tirar m*rda nenhuma", numa alusão à recente publicação de fotos suas em nudez na Penthouse e na Playboy.
- Durante os dois primeiros minutos da sua interpretação de "Let It Be", o microfone de Paul McCartney avariou e não foi possível ouvi-lo.


- Os U2 tocaram uma versão de 14 minutos de "Bad" durante a qual Bono Vox pegou uma rapariga na assistência para dançar com ele. Em 2005, essa rapariga, Kal Khalique, revelou que ela estava a ser esmagada contra a vedação pelas pessoas atrás dela. Bono reparou nisso e uma vez que os seguranças não o ouviam, ele próprio pegou nela e tirou-a dali (provavelmente salvando-lhe a vida).


- Enquanto ambos cantam "It's Only Rock & Roll", Mick Jagger rasgou a saia do vestido de Tina Turner deixando-a com uma espécie de body. 
- As ausências mais notadas foram Bruce Springsteen, Cyndi Lauper, Diana Ross, Michael Jackson e Stevie Wonder que cantaram partes míticas em "We Are The World". Os Eurythmics estavam previstos para actuar mas desistiram porque Annie Lennox estava com dores de garganta. Prince não apareceu mas enviou uma filmagem de uma versão acústica de uma canção sua que foi exibida em Filadélfia. 
- No dia seguinte, a comunicação social divulgou que o concerto angariou entre 40 e 50 milhões de libras para o fundo. Segundo Bob Geldoff, a Irlanda foi o país com mais donativos per capita e a maior doação individual foi de um membro da família governante do Dubai que deu 1 milhão de libras.
- No entanto, investigações nos anos seguintes terão descoberto que parte que muito do dinheiro acabou por ir parar ao regime de Mengistu Haile Mariam que governava a Etiópia na altura, que terá usado esses fundos para comprar armas. No entanto, o Live Aid impulsionou muitas outras campanhas de solidariedade no combate à fome nos países africanos.




- O Live Aid foi editado em DVD em 2004, a partir das filmagens arquivadas pela BBC e a MTV. Algumas actuações não foram incluídas, quer por vontade expressa dos artistas, quer por não restarem imagens, já que o concerto nunca foi gravado na totalidade e muitas televisões apagaram parte das suas transmissões. O DVD já não está à venda mas em 2018 foi criado um canal no YouTube com todas as actuações incluídas.
- Em Portugal, segundo os arquivos do Diário de Lisboa, a RTP1 transmitiu o concerto entre as 17:00 e as 18:45 desse dia, e depois das 22:00 até ao fecho da emissão. No YouTube, é possível encontrar actuações de Patti Labelle e Mick Jagger da transmissão da RTP que não foram incluídas no DVD.



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