terça-feira, 29 de agosto de 2017

Aneka "Japanese Boy" (1981) e Charlene "I've Never Been To Me" (1977)

por Paulo Neto

Hoje temos um cromo 2 em 1 em que vamos analisar o sucesso de duas cantoras que em comum terão talvez somente o facto de terem tido os seus quinze minutos de fama no início dos anos 80 com canções que foram n.º 1 do top britânico e de assinarem os respectivos temas com apenas um nome: Aneka e Charlene. A primeira era escocesa e obteve sucesso quando decidiu mudar o seu repertório e no processo trocando o tartan pelo quimono. A segunda é californiana e parecia destinada a ser uma no-hit-wonder quando uma feliz sucessão de eventos fez com que uma canção que gravara cinco anos antes escalasse os tops mundiais.



Mary Sandeman nasceu em Edimburgo 20 de Novembro de 1947. Começou nas lidas musicais ainda adolescente, cantando música tradicional escocesa, tendo mesmo ganho uma medalha de ouro no The Mód, o mais importante festival cultural da Escócia. Em 1979, editou um disco em seu nome próprio. Mas em 1981, quando lhe pediram para gravar um tema pop chamado "Japanese Boy", a sua editora ficou tão impressionada que soube que havia ali um hit. Como tal, Sandeman adoptou uma imagem oriental e o nome Aneka (que, segundo ela, descobriu numa lista telefónica) para promover o disco.
E tal como a editora previu, o tema em que Aneka lamentava a partida inesperada do seu amado japonês sem nenhuma razão aparente foi um sucesso instantâneo chegando ao n.º 1 do top não só do Reino Unido, mas também na Bélgica, Finlândia, Irlanda, Suécia e Suíça.
Apesar de existir um videoclip oficial bastante simplista, prefiro antes divulgar a actuação de Aneka no programa holandês TopPop, completa com turistas japoneses e lutadores de aikido.


Dado o sucesso de "Japanese Boy", a editora encomendou um álbum para Aneka ainda em 1981. O single seguinte "Little Lady" foi um flop no Reino Unido mas ainda obteve algum sucesso noutros países europeus. Para a promoção deste tema, Aneka fez algumas actuações vestida com as mesmas vestes orientais de "Japanese Boy" mas também vestida como uma dama do século XIX. Já o terceiro single "Ooh Shooby Doo Doo Lang" evocava a música dos anos 20 ao mesmo tempo que incluía uma referência a "Japanese Boy". 



Após mais um par de singles editados entre 1983 e 1984 que não foram a lado nenhum, Mary Sandeman deixou o alter-ego Aneka de lado e voltou ao seu verdadeiro nome e às suas origens da música tradicional escocesa. Actualmente, já retirada da cena musical, Sandeman vive na cidade escocesa de Stirling onde trabalha ocasionalmente como guia turística. 

Mary Sandeman/Aneka em 2011


"Japanese Boy" vendeu cinco milhões de cópias em todo o mundo, foi versionado por outros cantores em várias línguas. Em 2007 a girlband japonesa Shanadoo também fez uma cover, porém a julgar pelos comentários no YouTube, "Japanese Boy" está sobretudo nas memórias recentes devido à sua inclusão no jogo de vídeo "Grand Theft Auto - Vice City".
E o que é que os japoneses acham de "Japanese Boy"? Segundo Aneka/Mary Sandeman, foi-lhe dito que eles acharam a canção parecia "demasiado chinesa".  



Voamos agora da Escócia para a Califórnia, para falar sobre Charlene Marilynn D'Angelo, ou simplesmente Charlene, nascida a 1 de Junho de 1950 em Hollywood. Tendo assinado contracto com a Motown, Charlene manteve-se activa entre gravando demos para outros cantores e editando ocasionalmente alguns singles e um álbum em 1976, mas obtendo somente algum sucesso residual. Esse álbum também incluía a versão original de "I've Never Been To Me" que foi editada em single mas passou virtualmente despercebida. A Motown acabaria por dispensar Charlene em 1980 e ela mudou-se para Inglaterra onde casou-se pela segunda vez e dedicou-se à vida familiar.
Mas em 1982, o radialista Scott Shannon começou a tocar "I've Never Been To Me" no seu programa e a resposta dos ouvintes foi inesperadamente entusiasta. Talvez porque na altura, entre a ressaca dos dos anos 70 e os adventos da psicanálise e dos excessos capitalistas dos anos 80, o conto da prostituta de luxo que revela a uma dona-de-casa frustrada com a sua vida banal de que uma vida de glamour e luxo não lhe trouxe a felicidade que procurava acabou por soar mais pungente em 1982 do que aquele que obteve cinco anos antes. O videoclip da canção foi filmado em Norfolk, Inglaterra, com Charlene envergando o vestido que usou no seu segundo casamento. 





"I've Never Been To Me" foi reeditado em single, desta vez com a parte declamada ausente da edição original e tornou-se um sucesso internacional, chegando ao n.º 3 nos Estados Unidos e ao n.º 1 no Reino Unido, Canadá, Irlanda e Austrália. O sucesso fez com que fosse oferecido a Charlene um novo contracto com a Motown, mas à parte um dueto com Stevie Wonder, quer o seu novo material quer as reedições dos discos anteriores não obtiveram grande êxito. 
Entretanto "I've Never Been To Me" também foi gravado em várias línguas (do checo ao vietnamita) por vários artistas (a própria Charlene gravou uma versão em espanhol) e foi incluído em vários filmes e séries, nomeadamente na cena inicial de "Priscilla, A Rainha do Deserto"e em "Shrek 3".
Charlene, actualmente residindo de novo na sua Califórnia natal com a sua família, continua a compor e gravar música, disponibilizando o material ocasional no seu website. Gravou duas versões dançáveis de "I've Never Been To Me" em 2002 (com rap) e 2012.  

A cena de abertura do filme "Priscilla, A Rainha do Deserto":



Reportagem da TV holandesa sobre Charlene (2015):

Show Disney (1991)


Ainda maior que o Hiper Disney, Show Disney, com 384 páginas.

Imagem Digitalizada da revista "Edição Extra" Nº 23 (24/09/1991) e Editada por Enciclopédia de Cromos.

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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Hiper Disney (1991)



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domingo, 27 de agosto de 2017

Minicruzadas Disney (1991)



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sábado, 26 de agosto de 2017

Disney Aventura (1991)



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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Revistas Disney (1991)




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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Revistas do Pato Donald (1991)


 "Achas isto divertido? Não me faças rir... Tens de ler as Revistas do Pato Donald para saberes o que é mesmo divertido! Quack, Quack, Quack."

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Petite 600



Mais um dos anúncios emblemáticos da "era croma" da publicidade televisiva: "Petite"  a máquina de escrever da Concentra, destinada aos mais jovens. Aliás, os espectadores portugueses ouviam a frase "da Concentra" em vários anúncios televisivos ao longo dos anos cromos, identificando a empresa portuguesa cinquentenária de fabrico e representação de marcas e produtos famosos lá fora, cá dentro, como por exemplo, os "Masters do Universo", "Sindy", "Subbuteo", "Barbie", "Transformers", etc. Para um jovem, ver o anúncio da "Petite" era mais um dos sinais que se aproximava o Natal, como os anúncios das "Bom-Bokas", "Fantasias de Natal" ou "O Barco Pirata da Playmobil". Mas este era mais que um brinquedo, preparava a juventude para um futuro emprego num escritório a teclar até à idade da reforma. Lúdico e educativo, pensariam os paizinhos. Cá por casa a máquina de escrever era antiga, e sem as teclas e mecanismos em plástico da "Petite" cada tecla quase que tinha que ser martelada com a força para fixar um prego a uma tábua, e se tivesse tido uma Petite de certeza que estaria melhor preparado para a disciplina que tive na C+S de "Práticas Administrativas" ou algo do género, onde lidei com máquinas electrónicas.
O reclame em si, cativava pela originalidade (mais sobre isso à frente) e pelo ritmo dos jovens a tocarem música em máquinas de escrever de brincar mas que escreviam a sério. Mas a graça do anúncio é que os pequenos artistas estavam vestidos a rigor como de orquestra se tratasse, com maestro de batuta e tudo. No anúncio que vimos em Portugal, os jovens vão martelando as teclas ao ritmo do maestro e do acompanhamento dos "instrumentos invisíveis" e mudando de linha com um sonoro "plim" antes de carregar na alavanca. No final apoteótico o único rapaz dos executantes acaba atrasado e é imediatamente fulminado pelos olhares do maestro e das coleguinhas.

Anúncio português ao  modelo "Petite 600":



Neste link podem ver a versão francesa de 1986, "Petite: Machine a ecrire". Curiosamente na França o rapazinho  não recebe o olhar reprovador do maestro e colegas. Este outro vídeo ainda exibe mais modelos no final.


Podia jurar que me recordava de no anúncio a máquina ser em azul, talvez algum modelo anterior ou posterior, ou uma variação.
"Petite 600" dos anos 70:

Este não foi o primeiro modelo, na Internet existem muitos, até à venda em lugares como o Ebay, mas pouca informação encontrei sobre os criadores ou fabricantes, excluindo o site "Typewriters" (em alemão) que se o Google traduziu bem, no artigo sobre as "Petite Typewriters" identifica a "Byron Jardine Limited" como a criadora e já nos anos 70 os novos proprietários como "Dobson Park Engineering". Pelo nome do produto, sempre assumi que "Petite" fosse uma invenção tão francesa como a Torre Eiffel.
A máquina azul que recordo provavelmente será esta edição dos anos 90 da "Petite 600":



Não consegui identificar se o tema pertence a alguma obra já existente ou se foi criado para o anúncio, mas tenho quase a certeza que já o ouvi algures. 
Nota: Tinha este artigo em rascunho desde Outubro de 2012, mas entretanto, por mero acaso descobri no mural de um amigo no Facebook que este reclame foi inspirado por uma cena clássica do filme "Um Namorado com Sorte" (1963) do génio da comédia Jerry Lewis. [Vídeo aqui.] Obrigado pela dica João Bastos
Depois foi fácil descobrir o nome da música: "The Typerwriter" de 1950, do compositor americano Leroy Anderson e que tinha a peculiaridade de ser tocada com a inclusão de uma máquina de escrever na orquestra!

Um reclame da edição "para escritório":



A "Petite 990" também incluía a criançada precocemente no mundo dos negócios:


Um anúncio francês de 1979 ao modelo "Petite Super International", ideal para dactilografar falsificações para faltar à escola. Seria esta Martine a Anita original? ("Anita falta à escola").


Outro da mesma época: "La Petite : machine à écrire enfant". E lá nos finais de 80, os modelos de máquina de escrever electrónica. [vídeo] e que falava [vídeo].

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