sábado, 13 de maio de 2017

TOP 16 Festival Eurovisão da Canção (David Martins)


A Enciclopédia tem já uma quantidade apreciável de artigos sobre os Festivais da Canção e da Eurovisão [com direito a página dedicada e tudo] e o Paulo Neto é o nosso especialista no assunto, mas visto que há uns anos escrevinhei um Top do Festival da Canção - custou muito escolher as "finalistas"! - mais tarde ou mais cedo tinha que vir o meu Top do Festival da Eurovisão.
Obviamente, não vi ao vivo todos os escolhidos, no ano de alguns deles eu ainda estava "espalmado", mas conheci-os de retrospectivas do Festival ou por terem entrado para a cultura pop.
Nota: Enquanto estava a terminar este artigo estava a ouvir na televisão a votação do Festival da Eurovisão de 2017 e o impensável sucedeu: Portugal ganhou, com a canção "Amar pelos dois" interpretado pelo peculiar Salvador Sobral. Em 49 participações, desde 1964, algum dia tinha que ser!
Vamos então ver a minha lista pessoal, por nenhuma ordem especial, o meu TOP 16 do Festival da Eurovisão:


"Waterloo" ABBA (1974)

Semanas antes da Revolução dos Cravos, os suecos ABBA desencadeavam uma revolução musical do palco da Eurovisão para o Mundo.


"Dschinghis Khan" (Gengis Khan) - Dschinghis_Khan (1979)


Como a Alemanha Ocidental não podia levar uma canção sobre o Führer levaram esta extravagancia dançável baseada no sex symbol (!), herói, líder, genocida mongol Gengis Khan, pela banda homónima. Ficou em 4º lugar.



"Puppet on a String" Sandie Shaw (1967)


A entrada britânica que se tornou um êxito internacional, com direito até um cover da grande Simone de Oliveira: "Marionette".



"Yo soy aquel" Raphael (1966)


A sexta participação da Espanha no Festival saldou-se com o 7º lugar. Os nossos leitores menos velhos poderão reconhecê-la como a canção do genérico da novela portuguesa "Vingança". Essa mesmo, cantada pelos Anjos. Os jovens do antigamente decerto recordam a versão "Eu sou aquele" de Tony de Matos (obrigado ao Paulo Neto que mo recordou).


"Après Toi" Vicky Leandros (1972)


Tenho impressão que tenho este vinil algures cá por casa, que "emigrou" de França para Portugal no final dos anos 70.



"L'Oiseau Et L'Enfant" Marie Myriam (1977)


A representar a França, a cantora luso-francesa Marie Myriam (Myriam Lopes Elmosnino) que conquistou o primeiro lugar no certame desse ano em Londres.



"Hallelujah" Gali Atari e Milk and Honey (1979)


Contagiante tema, até para os ateus! Cá no burgo, António Sala versão bigodaça e o grupo Maranata fizeram a versão em português: "Aleluia".


"Un banc, un arbre, une rue" Séverine (1971)


Mais um que me parece bem familiar, talvez tenha ouvido muito pequeno.



"L'amour Est Bleu" Vicky Leandros (1967)


A primeira participação da grega Vicky Leandros na Eurovisão, aqui a representar o Luxemburgo, ficou em 4º lugar, mas continua a ser uma das músicas de mais sucesso dos anos 60 e com muitas versões.


"Nocturne" Secret Garden (1995)


Quase totalmente instrumental, o tema do duo irlando-norueguês (Fionnuala Sherry e Rolf Løvland) hipnotizou a plateia. E quando a voz da convidada Gunnhild Tvinnereim se ouve, arrepia...



"J'aime La Vie" Sandra Kim (1986)


Clássico dos anos 80. O Paulo Neto já lhe dedicou um cromo aqui na Enciclopédia.




"A-Ba-Ni-Bi" Izhar Cohen e Alphabeta (1978)


O ritmo parece um pouco tolo, mas é divertida. Não faço ideia sobre o que é a letra.

"La La La" Massiel (1968)


Nuestros hermanos levaram provavelmente a canção mais repetitiva de sempre, mas fica no ouvido.



"Poupée de cire, poupée de son" France Gall (1965)


Cantada por uma jovem "bonequinha" a letra da canção - de Serge Gainsbourg  - é cheia de duplos sentidos irónicos e cínicos.




"Save Your Kisses for Me" Brotherhood of Man (1976)


O Reino Unido sagrou-se campeão com esta música simpática e  que fica no ouvido.

Menções Honrosas:








segunda-feira, 8 de maio de 2017

Festival da Eurovisão 1987

por Paulo Neto

Na semana em que tem lugar o Festival da Canção deste ano na Ucrânia (boa sorte para o nosso Salvador Sobral!), voltamos a revisitar mais uma edição antiga deste certame, nomeadamente aquela que se realizou há trinta anos atrás na Bélgica.



O 32.º Festival da Eurovisão teve lugar a 9 de Maio de 1987 no Palais du Centenaire em Bruxelas, na virtude da vitória alcançada pela muito jovem Sandra Kim no ano anterior (que continua a ser a única vitória da Bélgica até ao momento). A apresentação esteva a cargo de Sonia Dronier, uma cantora e actriz franco-belga que respondia pelo nome artístico de Viktor Lazlo (sim, como a personagem de "Casablanca") e que durante o intervalo cantou o seu tema "Breathless".



Foi a maior edição até então em termos de países participantes, com o regresso da Itália e Grécia, ausentes no ano transacto, num total de 22 países. Como a Bélgica é uma das pátrias da banda desenhada, os postais ilustrados incluíam uma interacção entre os cantores de cada país e uma personagem de BD, como Tintin, Spirou ou (no caso de Portugal) Gaston. Maria Margarida Gaspar fez os comentários para a RTP e Ana Zanatti foi a portadora dos votos de Portugal.



Seyyal Tayer & Lokomotif (Turquia)
Plastic Bertrand (Luxemburgo)

Como sempre, iremos recordar as canções por ordem inversa à classificação. Infelizmente há sempre alguém que tem de ficar em último e neste ano, a palma calhou à Turquia que não teve um pontito sequer. O que é pena pois a canção turca, "Sarkim Sevgi Ustune", ("a minha canção é sobre amor") era bastante animada e Seyyal Taner, uma consagrada cantora e actriz turca, teve uma performance cheia de energia em palco, acompanhada pelo grupo Lokomotif. 
O Luxemburgo meio que tentou jogar em casa em Bruxelas, pois foi representado pelo cantor belga Plastic Bertrand, que em 1978 teve um hit internacional com "Ça Plane Pour Moi". Na Bélgica, o cantor de seu verdadeiro nome Roger Jouret percorreu energicamente por todo o palco no seu vistos casaco fuschia com o tema "Amour Amour", mas não convenceu a Europa que só lhe deu quatro pontos (dois dos quais de Portugal).

Gary Lux (Áustria)
Patricia Kraus

Gary Lux, o representante da Áustria, já era um veterano nestas andanças, contando já a sua quarta participação no Festival da Eurovisão, a segunda como solista. Infelizmente e ao contrário do respeitável oitavo lugar que conseguiu dois anos antes, desta vez quedou-se no antepenúltimo lugar com oito pontos, cantando "Nur Noch Gefühl" ("apenas emoção").
A vizinha Espanha ficou na posição seguinte, 19.º com dez pontos (todos dados pela Grécia!). A sua representante foi Patricia Kraus que cantou "No Estás Solo". Filha do famoso tenor Alfredo Kraus, Patricia apresentou-se em palco com um look completamente eighties, da maquilhagem carregada à écharpe verde-lima, passando por um corpete preto.

Nevada (Portugal)
Carol Rich (Suíça)

Portugal não conseguiu muito melhor que nuestros hermanos, já que não fomos além do 18.º lugar com 15 pontos (8 de Espanha, 5 da Grécia e 2 da Alemanha). "Neste Barco À Vela" do grupo Nevada, duo composto por Alfredo Azinheira e Jorge Mendes, não é das nossas canções eurovisivas mais recordadas, mas devo admitir que até acho um tema bem interessada por misturar sonoridades eighties com acordes de fado. Após o Festival, Jorge Mendes deixou o projecto para uma carreira a solo e Alfredo Azinheira ainda continuou a actuar sob o nome Nevada, com as cantoras que fizeram o coro. 
A Suíça foi o último país a actuar, e para não variar, foi uma actuação bem enérgica e com roupas bem anos 80. Carol Rich e os seus acompanhantes não pararam quietos em palco a interpretar "Moitié Moitié" ("metade-metade"), obtendo o 17.º lugar com 26 pontos. Após o Festival, Carol Rich chegou a vir a Portugal, actuando no "Clube Amigos Disney". Embora este seja o momento mais notado da sua carreira, ela continua activa na música.

Halla Margaret (Islândia)
Vicky Rosti (Finlândia)

Após a estreia na Eurovisão no ano anterior, a Islândia elegeu para a sua segunda participante a angelical Halla Margaret que cantou a balada "Haegt Og Hljott" ("lenta e silenciosamente"), que repetiu a mesma posição da Islândia no ano anterior, o 16.º lugar, mas desta vez com mais pontos, num total de 28. Hoje em dia, a canção é recordada sobretudo pela parte em que parece que Halla diz "anus, anus in the air". Actualmente, Halla Margaret é cantora de ópera.
A participação da Finlândia marcava o regresso à vida artística, Vicky Rosti, uma das principais estrelas do rock finlandês dos anos 70, após uma longa pausa para maternidade. Acompanhada pelo grupo Boulevard, Rosti cantou "Sata Salamaa" ("cem relâmpagos"), obtendo o 15.º lugar com 32 pontos. Na minha opinião, merecia bem mais.  

Christine Minier (França)
Rikki (Reino Unido)

Foi um pouco por acaso que Christine Minier acabou a representar a França nesse ano, já que na altura trabalhava como cabeleireira e as cantigas eram pouco mais que um hobby. Ainda assim, foi escolhida como a representante gaulesa, cantando "Les Mots D'Amour N'Ont Pas De Dimanche" ("as palavras de amor não têm domingos", ficando em 14.º lugar com 44 pontos. 
Por incrível que pareça, o 13.º lugar do Reino Unido foi o pior resultado deste país até então, que aliás ainda só tinha ficado fora do top 10 em 1978, malgrado o esforço do intérprete, o escocês Rikki Pebbles, e da coreografia dos coristas.

Lotta Engberg (Suécia)
Liliane Saint-Pierre (Bélgica)

Originalmente, a canção da Suécia chamava-se "Fyra Buga & En Coca-Cola" ("quatro pastilhas e uma Coca-Cola"), mas por devido às normas da publicidade internacional, foi alterada para "Boogaloo". Apesar de ser sueco, o tema remetia para sonoridades tropicais. A cantora Lotta Engberg fizera coro na canção sueca que venceu em 1984 e desde então tem tido uma bem-sucedida carreira no seu país. Em Bruxelas, a Suécia ficou em 12.º lugar com 50 pontos.
Em 11.º lugar  com 56 pontos ficou a canção do país da casa. A representante da Bélgica era Liliana Saint-Pierre, na altura já uma veterana, e uma das mais famosas cantoras da Bélgica flamenga. Como o título indica, "Soldiers Of Love" era cantado em flamengo mas tinha alguns versos em inglês. Em palco, os dois guitarristas que a acompanhavam fizeram alguns movimentos coreográficos em que as guitarras eram como armas.

Bang (Grécia)
Kate Gulbrandsen (Noruega)

Ausente no ano anterior, a Grécia teve um bom regresso ao Festival, abrindo o top 10 com 64 pontos. O duo Bang era composto por Thanos Kaliris e Vassilis Dertilis. Embora o grupo produzisse sobretudo temas electro-pop, "Stop", o tema que levaram à Eurovisão, remetia a sonoridades dos anos 50 e 60 e à banda sonora de "Grease". Uma das cantoras do coro, Marianna Efstathiou, seria a representante da Grécia em 1989 e 1996. Entre finais dos anos 80 e inícios dos anos 90, os Bang foram o grupo grego com maior notoriedade internacional, até ao seu fim em 1992 quando Thanos Kalliris enveredou por uma carreira a solo.
A Noruega foi o país que abriu o desfile de canções, terminado depois em nono lugar com 56 pontos. Apesar do seu visual de roqueira que culminava num penteado absolutamente estratosférico, Kate Gulbrandsen cantou uma bonita e emotiva balada "Mitt Liv" (minha vida").  

Lazy Bums (Israel)
Alexia (Chipre)

A canção de Israel gerou muito controvérsia no seu país, ao ponto do ministro da Cultura local ter ameaçado sair do cargo caso se confirmasse "Shir Habatlanim" ("a canção dos preguiçosos") como o tema representante israelita em Bruxelas, mas tal não aconteceu. A actuação dos comediantes Avi Kushner e Natan Datner, sob o nome Lazy Bums, foi absolutamente hilariante, fazendo lembrar os Blues Brothers e esse humor convenceu, dando a Israel 73 pontos e o oitavo lugar.
Depois do último lugar no ano anterior, as coisas correram melhor a Chipre em 1987, conseguindo o sétimo lugar com 80 pontos. Alexia Vassilou fez parte do grupo Island, que em 1981, foram os primeiros representantes cipriotas na Eurovisão, e seis anos depois, voltava a solo, interpretando o tema "Aspro Mavro" ("branco-preto"). A sua actuação foi uma espécie de passagem de testemunho já que a acompanhá-la em palco estavam três futuros representantes de Chipre no Festival: o bailarino Anastasio (1990) e as cantoras do coro Elena Patroclou (1991) e Evridiki (1992, 1994 e 2007).  

Marcha (Holanda)
Anne-Cathrine Erdorff & Banjo (Dinamarca)

Holanda e Dinamarca repartiram o quinto lugar com 83 pontos. A Holanda fez-se representar pela cantora Marga Bult, que para a sua participação eurovisiva actuou sob o nome de Marcha, para cantar "Rechtop In De Wind" ("direita contra o vento"). Desde 2000, Marcha tem actuado nos Países Baixos e além fronteiras com outras duas representantes eurovisivas holandesas sob o nome de Dutch Divas. 
Anne-Catherine Erdorf foi a representante dinamarquesa. Acompanhada pelo grupo Banjo, cantou "En Lille Melodie" ("uma pequena melodia"). Esta participação foi o ponto de partida carreira de Erdorf que desde então tem-se repartido entre o canto e a representação.

Novi Fosili (Jugoslávia)
Raf & Umberto Tozzi (Itália)
Wind (Alemanha)

Representando a Jugoslávia esteve o grupo croata Novi Fosili que levou a Bruxelas o tema "Ja Sa Zam Ples" ("quero uma dança"). Com uma divertida actuação em palco, onde se destacou a simpatia da vocalista Sanja Dolezal, a Jugoslávia obteve o quarto lugar com 92 pontos, o melhor resultado até então do país. 
A Itália apostou forte num dueto entre dois dos seus cantores mais famosos da altura, Umberto Tozzi e Raffaele "Raf" Riafolli. Curiosamente, ambos tiveram um dos seus maiores hits versionados pela cantora americana Laura Brannigan ("Gloria" e "Self Control"). Em Bruxelas, Tozzi e Raf uniram forças e vozes num belíssimo tema "Gente Di Mare", que lhes valeu o 3.º lugar com 103 pontos, incluindo 12 de Portugal. 
O grupo Wind tinham conseguido o segundo lugar para a Alemanha na Eurovisão em 1985, e não é que dois anos mais tarde ficaram em segundo outra vez? No entanto, apenas três elementos da formação de 1985 continuavam em 1987, a vocalista Petra Scheeser, o teclista Alexander Heiler e o baterista Sami Kalifa. A acompanhá-los em palco, nos coros e na guitarra, estava Rob Pilatus que anos mais tarde seria parte do infame duo Milli Vanilli. O tema "Lass Die Sonne In Dein Hertz" ("deixa entrar o sol no teu coração" foi composto pela dupla Ralph Siegel e Bernd Meinunger, autores da canção que dera a vitória a Alemanha em 1982. Desta feita, a participação germânica ficou com o segundo lugar com 141 pontos. Os Wind voltariam para uma terceira participação em 1992.

Johnny Logan (Irlanda)



Mas o Festival da Eurovisão em 1987 seria marcado pela vitória da Irlanda, a terceira do país...e a segunda do intérprete, Em 1980, o irlandês de origem australiana Johnny Logan alcançara a vitória com "What's Another Year" e sete anos depois, voltou a ganhar o certame em 1987 com a esmagadora balada "Hold Me Now", que reuniu 172 pontos. Foi a primeira vez e até agora única que o mesmo cantor ganhava duas vezes o Festival da Eurovisão. Esse feito tornou Johnny Logan num dos mais lendários ícones da Eurovisão, ganhando o epíteto de "Senhor Eurovisão". Como se não bastasse, Logan obteria uma terceira vitória em 1992, como autor da canção vencedora "Why Me", interpretada por Linda Martin.

Festival da Eurovisão 1987 na íntegra (comentários em holandês)


Excertos da transmissão para a RTP (comentários de Maria Margarida Gaspar):















quinta-feira, 4 de maio de 2017

Hey Bumboo (1985-86)

por Paulo Neto

Apesar de só ter sido exibida em Portugal apenas uma vez, há ainda quem recorde bem da série de animação japonesa "Hey Bumboo" e que decerto sonhou um dia possuir um carro falante tão adorável como o Bumboo. A série foi produzida pela Nippon Animation em 1985 e foi exibida em Portugal entre 1988 e 1989, de segunda a sexta-feira à tarde no "Brinca Brincando". Ao todo foram 130 episódios de curta duração (dez minutos), sendo que em Portugal a série teve a particularidade de ter sido exibida sem genérico. Segundo o site Brinca Brincando, cada episódio começava logo com a exibição do seu título. 



A série narrava o périplo de Bumboo, um carro amarelo falante que nasceu de um ovo (?) numa fábrica de automóveis. Com a ajuda de um rapaz chamado Quim e do seu cachorrinho Buzina, Bumboo lança-se numa senda para encontrar a sua mãe. (Ou seja, o automóvel-fêmea que pôs o ovo de onde ele nasceu...certo...)



Pelo caminho, Bumboo vai descobrindo o mundo que o rodeia, encontrando mesmo outros carros falantes, e tentar escapar às várias armadilhas do malvado Professor, que o quer capturar para ganhar um dinheiro com a exploração deste automóvel-falante. Bumboo descobre ainda que sempre que cheira flores, torna-se mais rápido e ágil em corridas.
No final, como é óbvio, tudo acaba em bem com o reencontro entre viatura-mãe e carro-filho.



Apesar da bizarria da história, é fácil perceber porque é que "Hey Bumboo" deixou tantas memórias naqueles que tiveram a oportunidade de ver a série quando foi exibida. Qual era o miúdo que não desejaria estar na pele do Quim e dar umas voltas em cima daquele bólide amarelo-falante-descapotável?
Como é hábito, o trabalho de dobragem da versão portuguesa foi excelente, sobre a direcção de António Montez, que dava a voz ao Professor. Luísa Salgueiro era a voz do Boumbo enquanto Natália Luiza foi a voz de Quim, tendo mais tarde sendo substituída por Margarida Rosa Rodrigues. A dobragem contou ainda com as vozes de Cláudia Cadima, Fernanda Figueiredo e José Raposo. 



Infelizmente, não consegui encontrar excertos da versão portuguesa no YouTube, mas existem disponíveis episódios noutras línguas, como em francês e alemão.

Episódio 80 em português



Episódio 59 em francês:




Episódio de Natal em castelhano:






terça-feira, 2 de maio de 2017

"Coco Jamboo" Mr. President (1996)


"Coco Jamboo", um dos tais temas omnipresentes nas rádios e compilações em CD na segunda metade da década de 90, mas que só (re)descobri o nome exacto ("Jamboo" e não "Jambo") ao pesquisar no bendito Youtube para outro cromo da mesma época. Viagem instantânea aos anos 90!

A canção foi o maior êxito do alemães “Mr. President” (antes de 1993 conhecidos como "Satellite One", que começou com um duo de DJs [Jens Neumann e Kai Matthiesen], a que juntaram mais tarde vocalistas e depois do primeiro sucesso, uma mudança de nome e afastamento dos ritmos dance tradicionais), que aqui misturam o eurodance com influências reggae, foi o principal single retirado do seu segundo álbum “We See the Same Sun”.

No videoclip - gravado na Venezuela - os membros da banda deambulam numa praia e casa de férias brasileira, com sequências intercaladas na animação do Carnaval. Nesta encarnação da banda os membros  que davam a cara eram a ruiva Daniela Haak (Lady Danii), a loura Judith Hinkelmann (T-Seven) Delroy Rennalls (Lazy Dee). Este último substituía George Jones (Sir Prophet) que abandonara o projecto recentemente. Se ele adivinhasse....




Ouçam no Youtube a versão de Natal: "Christmas Coco Jamboo".


Como habitual neste género musical a letra é de somenos, importa é o ritmo - contagiante neste caso - mas, se traduzi bem, um dos versos inclui a expressão "enquanto faço xixi" ("while I take a pee") ou "enquanto faço xixi abrigado do vento" ("while I take a pee lee"). Ou então "lee" será só para rimar...
Apesar de alguns sucessos na esteira deste Coco Jamboo, nomeadamente "I give you my heart" e "Show me the way", do mesmo álbum.





Seguiram-se os álbuns "Nightclub" e "Space Gate", as compilações best-off. Entre esses discos veio a público a acusação de que as vozes dos temas dos "Mr. President" não pertenciam aos vocalistas. Neumann e Matthiesen - os produtores e músicos na origem no projecto - vieram a terreiro explicar que as vozes eram corrigidas e alteradas em pós-produção.
Mas depois de um hiato e várias entradas e saídas no alinhamento, e alguns singles, em 2008 foi anunciada a separação dos "Mr. President". Continuam na activa T-Seven e Lazy Dee.

Versão original do texto no Tumblr da Enciclopédia: "Mr. President - Coco Jamboo".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

segunda-feira, 1 de maio de 2017

"Star Wars Theme / Cantina Band" Meco (1977)

por Paulo Neto

Como já disse anteriormente, eu não sou um aficionado do universo Star Wars. Sei a história por alto, sei reconhecer alguns dos aspectos do universo, mas nunca me interessei por aí além e o único filme que vi por completo foi o infame episódio 1, o tal do Jar-Jar Binks (o que não ajudou a aumentar o meu interesse). Seja como for, não há como negar que a saga criada por George Lucas revolucionou o cinema e que a estreia do primeiro filme (que hoje é oficialmente denominado como o "Episódio IV - Uma Nova Esperança") em 1977 foi um acontecimento de proporções épicas. E um dos efeitos colaterais do sucesso do filme foi o disco de que se fala hoje aqui. 

Não é do meu apanágio recuar aos anos 70, até porque não nasci nessa década, mas recentemente descobri o canal do YouTube Todd In The Shadows, em que uma das suas rubricas é analisar one hit wonders. E eis que descobri que em 1977, alguém não só adaptou o famoso tema da saga da "Guerra das Estrelas" de John Williams para uma versão disco, como essa versão chegou ao n.º 1 do top americano, vendendo mais que o single do próprio tema original. E o nome desse alguém se escrevia com quatro letrinhas apenas: Meco. Todo um cenário cromo demais para ignorar.



Além de ser um nome de uma praia portuguesa, Meco é também o nome artístico do músico americano Domenico Monardo, nascido a 29 de Novembro de 1939 no estado da Pensilvânia. Começou na música desde muito novo, influenciado pelo pai que tocava trombone. Mais tarde, recebeu educação em música clássica e jazz e foi tocando em alguns conjuntos de jazz, até que também começou a colaborar na música pop, com artistas como Tommy James, Neil Diamond, Gloria Gaynor e Diana Ross (por exemplo é Meco que toca o solo de trombone no final do hit "I'm Coming Out").




Tal como milhares de americanos e sendo um inveterado fã sci-fi, Meco ficou tão fascinado com o primeiro filme da "Guerra das Estrelas" que decidiu fazer uma versão disco do tema de John Williams. Com o aval da editora do tema original, reuniu um conjunto de produtores e músicos com quem colaborara anteriormente (um deles era Tony Bongiovi, primo de Jon Bon Jovi) e em apenas três semanas o álbum "Star Wars And Other Galactic Funk" foi gravado e arranjado em apenas três semanas. O álbum continha versões em disco de toda a partitura do filme, três composições inéditas e duas versões do tema que fundia o tema principal e o da banda da cena da cantina, daí o título misto "Star Wars Theme / Cantina Band".




Numa altura em que o disco-sound reinava na América e não só e parecia que qualquer coisa com uma batida disco seria um hit instantâneo desde Beethoven a um grasnar do Pato Donald, não tardou até que milhares de americanos dançassem alegremente ao som do filme do momento. "Star Wars Theme / Cantina Band" foi n.º 1 nos Estados Unidos, onde vendeu mais de dois milhões de cópias, permanecendo ainda como o instrumental mais vendido de sempre na América, e no Canadá. Chegou também ao n.º 7 do top britânico e ao top 5 em países como Austrália, África do Sul, Bélgica, Irlanda e Nova Zelândia. O álbum foi nomeado para o Grammy de Melhor Álbum Pop Instrumental mas perdeu para a banda sonora original de John Williams. 
Na altura, chegou mesmo a haver uma banda que fazia algumas actuações ao vivo da música do disco, mas cujos elementos não estiveram envolvidos na criação do mesmo.




Com a Força do boogie do seu lado, Meco explorou ao máximo o filão compondo também versões disco-sound da música de outros filmes como "Encontros Imediatos Do Terceiro Grau", "O Caminho das Estrelas", "Super Homem", "O Feiticeiro De Oz", "Um Lobisomem Americano Em Londres" e, como não podia deixar de ser, "O Império Contra-Ataca" e "O Regresso do Jedi". Também editou um álbum de originais em 1979, "Moondance". Ele produziu ainda um álbum especial de Natal de Star Wars, encomendado por George Lucas himself, que é o primeiro registo em disco em que Jon Bon Jovi esteve e que continha ternurentos temas natalícios como este:


Quando essa força desvaneceu, Meco retirou-se da indústria musical em meados dos anos 80, 
reaparecendo apenas em 2000 para uma revisitação dos seus temas relacionados com a "Guerra Das Estrelas", por ocasião da estreia do filme "Episódio 1 - A Ameaça Fantasma", havendo ainda um álbum online editado em 2005. Actualmente Meco vive no estado da Flórida.

O episódio de Todd In The Shadows que inspirou este texto:


Número de dança ao som de "Star Wars Theme / Cantina Band"
no programa holandês "TopPop"



"Empire Strikes Back" (1980)


"Superman Theme" (1979)



Entretanto o David Martins, quando soube que estava a fazer este cromo, indicou-me esta cover japonesa da autoria de Masato Shimon, que é absolutamente inacreditável.


 
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