sexta-feira, 25 de abril de 2014

Programação RTP 25 de Abril de 1980

por Paulo Neto

Quis o destino que eu viesse ao mundo no dia em que se comemorava o sexto aniversário da revolução de 25 de Abril. Graças aos exemplares online do Diário de Lisboa, disponíveis no site da Fundação Mário Soares, tive a oportunidade de descobrir como a RTP programou esse dia e impõe-se uma análise.




Na RTP1, a emissão iniciou-se às 10:55 precisamente com a transmissão das comemorações do sexto aniversário do 25 de Abril, em directo da Praça do Império em Lisboa. Seguia-se às 15:00 a transmissão da sessão plenária comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República, que ainda hoje é transmitida anualmente. 

Às 17:00, "Arte & Manhas", um programa para os mais novos idealizado por José Isidro, umas das primeiras vezes em que ele encarnou o seu semi-heterónimo do Tio Julião, uma espécie de tio porreiro da criançada nacional, algo que veio a perpetuar com outros programas como o "Clube Amigos Disney" e alguns livros como "As Histórias do Tio Julião". (Será que "O Tio João" que vem a seguir ao programa na página do Diário de Lisboa não era uma gralha?) Entre outros convidados, o programa contava com a participação de Adelaide Ferreira (no papel de uma vendedora ambulante) e Ana Bola. Eis um excerto:      



Ás 18:00 (precisamente quando eu estava a nascer), a emissão seguia para o antigo Estádio de Alvalade para um Sporting-Benfica...em atletismo. Às 19:30, informação regional no "País, País", um antepassado do actual "Portugal em Directo" e o Telejornal chegava, comme il faut, às 20:00.

Chegadas as 20:50, era hora da telenovela para mais um episódio de "Dancin' Days", a mítica telenovela de Gilberto Braga (que em 2012, viria a ser a primeira telenovela brasileira a ter uma adaptação portuguesa). Mais um capítulo onde acompanhávamos o percurso da ex-presidiária Júlia (Sónia Braga) para conquistar a sua filha Marisa (Glória Pires), que foi criada pela irmã Yolanda (Joanna Fomm), enquanto pelo caminho vivia um romance atribulado com Cacá (António Fagundes). Tudo isto ao som do disco-sound.







Às 21:35, era altura de saber o estado do tempo para o dia seguinte em "O Tempo". Ás 21:40, seguia-se um episódio da série documental da BBC "O Homem Verde" (The Botanic Man, 1978), apresentada por David Bellamy, um renomeado botânico e um dos primeiros eco-activistas, mostrando-nos várias maravilhas da Natureza. 




Às 22:10, um programa de informação "40:60". Ás 22:55, um programa de variedades, conduzido pelo cantor e compositor francês Claude Nougaro (1929-2004), que recebia no seu programa convidados do calibre de Georges Brassens, Michel Jonasz e Marie-Paule Belle. A fechar a emissão, às 23:55, um último bloco informativo com o "24 Horas".




Na RTP 2, a programação resumia-se a pouco mais de três horas, começando às 20:30 com um documentário sobre a história do cinema alemão, um espaço informativo e às 22:00, um telefilme francês de 1978 realizado por Edmond Seechan, "Fotografia Histórica", sobre um cirurgião interpretado por Jean-Claude Carrière, que começa a ver estranhas visões na fotografias de Polaroid tiradas por um dos seus pacientes e tenta decifrar qual a mensagem que essa máquina fotográfica, que parece ter vida própria, lhe quer transmitir.



Como se pode ver, foi um dia com uma programação bastante variada (algo que hoje em dia, com mais canais e programação ao longo das 24 horas do dia, não se pode dizer muitas vezes): informação, desporto, telenovela, programa infantil, documentários e cinema francês. 

25 de Abril - Trabalho Escolar

Hoje trago para o blog algo diferente e pessoal, um dos meus trabalhos escolares, sobre o tema "25 de Abril". Não me recordo se era um trabalho individual ou de grupo, se tinha mais páginas com texto ou se eram apenas estas oito ilustrações, mas recordo-me bem de desenhar estas páginas, usando como modelo pequenas fotos de enciclopédias e livros escolares sobre a Revolução dos Cravos.
Os desenhos, feitos para a disciplina de História, fizeram parte de uma exposição do "25 de Abril" que esteve afixada no rés do chão da escola C+S, algures nos anos 90. Ainda me consigo lembrar das folhas afixadas nas placas verticais de cortiça. O desenho do Salazar, além de um pouco estrábico, está amarrotado porque alguém - creio que a professora, ou alguém encarregue da exposição - achou boa ideia representar assim o "velho" Salazar por oposição à mudança de regime do 25 de Abril.
"O General Spínola, presidente da Junta de Salvação Nacional, lê o programa do M.F.A."

"Otelo Saraiva de Carvalho"

"Militares portugueses em Lisboa, na manhã do dia 25 de Abril"

"Militares portugueses em Lisboa, na manhã do dia 25 de Abril"

O cravo - o símbolo da revolução do 25 de Abril de 1974.

"António de Oliveira Salazar"

"Símbolo do M.F.A. (Movimento das Forças Armadas) largamente divulgado após o 25 de Abril de 1974."

"O cerco ao Quartel do Carmo onde se refugiara Marcelo Caetano"
Alguns dos nossos leitores ainda têm os vossos trabalhos escolares?

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quarta-feira, 23 de abril de 2014

X-Men (1995)

Anúncio ao lançamento das revistas "X-Men" em  formato americano em Portugal em Novembro de 1995. Nesta mini-série em 3 números, decritas como "edições de luxo", os "X-Men terça armas pela última vez contra o aqui-inimigo Magneto. Testemunha o fim de uma era e o início de outra dos teus heróis favoritos."
Foi nesta época em que o meu consumo de banda desenhada começou a decair, substituido pelas compras de revistas de cinema, mas ainda cheguei a adquirir vários destes números em "formato americano", ou seja, revista de maiores  dimensões e com menos páginas. O artista Jim Lee estava no auge de popularidade e o seu estilo é imitado até hoje.
Em maior detalhes as capas dos três primeiros números:


Publicidade retirada da revista Super Jovem Passatempos Nº 4, deNovembro de 1995.

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terça-feira, 22 de abril de 2014

Pocahontas - Edição Especial Super Jovem (1995)

Continuando com a publicidade a revistas da marca Super Jovem, a "Edição Especial Super Jovem" dedicadao ao filme da Disney desse ano: "Pocahontas". Esta "edição de coleccionador" tinha no seu interior "a história do filme em BD, toda a história dos bastidores da Pocahontas, a verdadeira história da Pocahontas (Como viviam os Powhatan, Chefes índios famosos)" e ainda a oferta de 22 autocolantes alusivos ao filme.

Publicidade retirada da revista Super Jovem Passatempos Nº 4, deNovembro de 1995.

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Homem-Aranha (1995)

Apesar de incluído num anterior anúncio a várias das revistas Marvel publicadas pela Editora Abril "agora em português", a revista de banda desenhada d' "O Homem-Aranha" tem direito a uma página inteira para recordar que a revista já está nas bancas e que "nunca o combate ao crime foi tão espectacular!". A acompanhar, uma singela imagem do Cabeça-de-Teia.

Publicidade retirada da revista Super Jovem Passatempos Nº 4, deNovembro de 1995.

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domingo, 20 de abril de 2014

Super Jovem Posters (1995)

Depois da agenda, mais um produto derivado da "Super Jovem": "Super Jovem Posters". Neste caso concreto, "Super Jovem Posters Nº 4", do mês de Novembro de 1995, com o preço de capa de 280$00.
Obviamente, o conteúdo da revista eram apenas posters, 15 posters gigantes. Não tenho aqui nenhum para medir o tamanho "gigante", mas nessa edição número 4, os idolos (do cinema, futebol e música) prontos a revestir as paredes dos quartos de adolescentes eram:
Vítor Baía, Ace Of Base, Boyzone, Domingos, Kevin Costner, Jeremy Jackson, RÀP, Keanu Reeves, Kussondolola, Folha, Stephen Dorf, Mariah Carey, Mick Jagger, Yasmine Bleeth e Nuno Gomes.
Sem dúvida que se comprasse a revista na altura era mesmo só pelo poster da Yasmine Bleeth, a Caroline das "Marés Vivas"...

Publicidade retirada da revista Super Jovem Passatempos Nº 4, deNovembro de 1995.

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sábado, 19 de abril de 2014

Agenda Super Jovem 1996 (1995)

Como hábito, qualquer revista faz publicidades à própria revista ou outros produtos do mesmo grupo de revistas, neste caso um derivado da "Super Jovem", a "Agenda Super Jovem 1996".
 O cliché da lâmpada para representar ideias luminosas serve para dizer que "só uma superagenda pode guardar as superideias que surgem na tua supercabeça!". E segundo a descrição, além de se tomar notas das brilhantes ideias da cabeça de um adolescente, a  "Agenda Super Jovem" indica os dias de aniversário dos ídolos da altura, além de fotos e previsões astrológicas e pensamentos avulso. No topo do artigo, podem ver a singela capa, e abaixo detalhes do interior da agenda:
 Caros leitores, quem teve (ou ainda tem) esta agenda?


Publicidade retirada da revista Super Jovem Passatempos Nº 4, deNovembro de 1995.

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Black Company "Nadar" (1994)

por Paulo Neto



Em 1994, o rap já há muito passara de género musical marginal para algo se ouvia na rádio com frequência em todo o mundo e até já se tinha tornado uma indústria milionária nos Estados Unidos. Outros países como França, Reino Unido e Alemanha também já tinham uma cultura rap e hip hop proeminente. Já em Portugal, existiam alguns artistas e colectivos, sobretudo oriundos das comunidades africanas da Grande Lisboa e da Margem Sul, que começavam a ganhar força, mas ainda não tinham passado para o grande público. Até que nesse ano foi editada a colectânea "Rapública" que reunia temas de alguns dos nomes mais promissores do rap português (como por exemplo, um jovem Boss AC) e o tema que serviu para apresentar o disco tornar-se-ia um dos maiores êxitos nacionais no ano seguinte.




Formados em 1992 no resquício de um colectivo inicial chamado Machine Gun Poetry, os Black Company já eram o nome mais sonante da cena rap da Margem Sul. E com um refrão pegadiço, que mencionava os nomes dos quatro membros conquistaram o país e tornaram-se estrelas nacionais. Pode-se de dizer que "Nadar" dos Black Company esteve para o rap em Portugal como o lendário "Rapper's Delight" do Sugar Hill Gang esteve para o rap americano. Por todo o Portugal, gente de todas as idades trauteava alegremente no verão de 1995:

Bantú não sabe nadar, yo!
KJB, não sabe nadar, yo!
Madnigga, não sabe nadar, yo!
Makxx, não sabe nadar, hey!



E de repente, para nosso choque, víamos os nossos pais e avós a dizer "yo!" e "tá-se bem". No final, o tema também fazia referência a outros nomes do rap nacional como General D, Boss AC, Kussondulola e Da Weasel, que também viriam a conhecer grande sucesso a partir dessa altura.

Os Black Company capitalizaram o sucesso, editando o seu álbum de estreia "Geração Rasca" do qual também foram extraídos mais dois hits, "Abreu" e "Pura Ressaca", e apareceram em todos os programas de televisão (chegando mesmo a apresentar um programa de apanhados). O hype já tinha desvanecido por altura do segundo álbum, "Filhos da Rua" (1998) mas ainda tiveram mais um hit com "Chico Dread", uma abordagem ao "Chico Fininho" de Rui Veloso.  

Nos anos seguintes, o grupo manteve-se separado cada membro envolvido nos seus projectos. O mais visível foi Augusto Armada (Bantú) que se reinventou como cantor de r&b sob o nome de Gutto e teve alguns hits na primeira década deste século como "Só Quero Dançar" e "Deixa Ferver" e produziu temas para outros artistas e a música para o polémico programa "Masterplan". Os Black Company reunir-se-iam em 2008 para o álbum "Fora de Série", onde o single de apresentação, "Só Malucos" contou com a inesperada colaboração de Adelaide Ferreira.



    
Videoclip "Nadar":







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