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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Natal dos Hospitais 1989

Pelo terceiro ano consecutivo, a Enciclopédia de Cromos promove um deep dive a uma edição do Natal dos Hospitais, um intemporal clássico da época natalícia em Portugal. Desta vez vamos até à recta final dos anos 80, para acompanhar a edição de 1989, que teve lugar no dia 21 de Dezembro no Hospital Pulido Valente em Lisboa, além de ligações ao Porto e à Madeira. (Por algum motivo, nesse ano não houve também a habitual ligação aos Açores.) 

Em 2009, quando a RTP Memória reexibiu esta edição no dia de Natal desse ano, alguns momentos tornaram-se virais na internet. A RTP Memória voltaria a exibir esta edição no Natal de 2014. Além dos links para visualização na RTP Arquivos, estão também incluídas as atuações desta edição disponíveis no YouTube. 






Parte 1: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-i-4/

No princípio da emissão, somos brindados com imagens de José Franco, um oleiro de Sobreiro (Mafra), a moldar figuras que farão parte do presépio que vai ilustrar as vinhetas desta edição. Somos depois, saudados pela mítica dupla de apresentadores, Eládio Clímaco e Ana Zanatti, que além de lembrarem a longa parceria da RTP com o jornal "Diário de Notícias" e a Philips portuguesa para a realização de mais uma edição do "Natal dos Hospitais", deixam os seus votos de Boas Festa.
Vítor de Sousa relembra a história do evento que remonta a 1944, tendo a primeira transmissão da RTP acontecido em 1959 e passando a ser regular a partir de 1962, seguindo-se o primeiro momento musical com o Coro Polifonia.

E vamos agora para a Madeira:
- O Coro de Câmara da Madeira, dirigido pelo maestro Victor Costa, canta "Jesus Que Volta".
- A apresentadora Clô Diogo recebe os telespectadores e anuncia o próximo artista, Luís Gonzaga, com uma canção da sua autoria, "Que Será De Nós Dois".
- Segue-se uma rapsódia de Natal em sintetizador e clarinete por parte de João e Cláudio, dois alunos do Conservatório de Música da Madeira. 
- O apresentador Juvenal Xavier anuncia a actuação do célebre cançonetista madeirense Gabriel Cardoso com "Tu Sabes". 
- Para terminar, regressa a palco o Coro de Câmara da Madeira para interpretar "Romaria Velha".

Eládio Clímaco anuncia agora a ligação até ao Hospital da Prelada no Porto:
- Duas míticas apresentadoras da RTP Porto, Ivone Ferreira e Maria João Carreira recebem os telespectadores e anunciam o primeiro bloco de artistas.
- Começamos logo com um muitíssimo jovem Luís de Matos, que já começava a construir um currículo que o elevaria como o mais conceituado ilusionista português de sempre. No ano seguinte, Luís de Matos seria ele o apresentador do segmento do Porto do "Natal dos Hospitais".



- E foi aqui no Porto que o incomparável José Cid se apresentou nesta edição, cantando um medley com vários dos seus hits,  "A Minha Música", "Verdes Trigais", "Um Grande, Grande Amor", "A Cabana Junto À Praia", "O Meu Piano" e "Os 20 Anos". 
- Um momento de mímica com Óscar Branco, intitulado "O Ladrão". 



- Os Ban, a banda do futuro presidente do Boavista, levaram um dos seus mais famosos hits, "Dias Atlânticos".
- Maria João Carreira anuncia o seguinte bloco de artistas, que começa com a atuação da Brigada Victor Jara, o conhecido grupo de música tradicional portuguesa, que trazem o tema "Bento Airoso". 
- Um número de fantoches da autoria de Margarida Henriques e Raul Constante Pereira. Este último esteve envolvido na criação nas míticas séries infantis "A Árvore dos Patafúrdios" e "Os Amigos Do Gaspar", na manipulação e voz das personagens Tomé e Romão, respetivamente. Aliás a "Canção dos Abraços" que encerrou este número vinha de um episódio de "Os Amigos Do Gaspar". 
- E continuando com abraços, o vimarenense José Alberto Reis canta "Abraça-me Assim".
- Dos abraços aos beijos com este número de dança por parte dos alunos da Escola de Bailado Fátima Valle de Veiga ao som de "Memórias De Um Beijo" dos Trovante.
- Ivone Ferreira anuncia o bloco final do Porto, começando pelos incontornáveis GNR que nesse ano lançaram o álbum "A Valsa Dos Detectives", cujo primeiro single foi este "Impressão Digital". (Se bem se lembram no artigo sobre a edição de 1990, os GNR levaram o outro hit deste álbum "Morte Ao Sol"). 
- Óscar Branco regressou para mais um número de mímica. 



- Para terminar a Cool Jazz Orchestra, com "Messing With The Kid". E quem é o vocalista? Nada menos que Pedro Abrunhosa, e sem óculos! Abrunhosa tinha então 29 anos e estava ainda a cinco anos antes da ascensão à fama ao lado dos Bandemónio, pelo que não tinha construído a persona artística com que se daria a conhecer ao grande público. Como tal esta deve ter sido a única ocasião onde foi possível ver em televisão os olhos do cantor de "Tudo O Que Eu Te Dou".
- A Cool Jazz Orchestra cantou ainda mais um tema natalício de um compositor dinamarquês. Como se tratava de um tema instrumental, Abrunhosa limitou-se a marcar o acompanhamento com palmas para o público e os outros artistas que regressaram ao palco. 




Parte 2https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-ii-4/

Regressamos ao Hospital Pulido Valente em Lisboa, onde somos recebidos pela saudosa Alice Cruz, acompanhada por Mário Figueiredo e Eládio Clímaco, que leem respetivamente as mensagens de Natal da RTP, da RDP e do "Diário De Notícias".
- De seguida, Fialho Gouveia anuncia as atuações do próximo bloco, a começar pela presença indispensável do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras, dirigido pelo maestro César Batalha. Por enquanto, eles trouxeram "Um Feliz Natal" mas claro que estarão de volta mais tarde para o seu grande hit.  
- Segue-se um ícone do nacional-cançonetismo, Maria José Valério, que não se limitou a cantar "Raparigas De Lisboa" com distribuiu algumas flores pelos membros do público. Na altura, Maria José ainda não ostentava a sua lendária madeixa verde-Sporting, mas apresentou-se com um look num estilo bem eighties.


- "És Importante", disse a cantar José Marques neste tema da sua autoria. 



- Um dos grandes hits desse ano foi a "Lambada" dos Kaoma e os Onda Choc trouxeram a sua versão, em português tuga, extraída do seu então mais recente álbum "A Mais Bonita". (O único rapaz do grupo presente nesta actuação ainda não tinha a coreografia muito bem decorada, pois não?).
- Maria Mendes trouxe o fado "Noite", popularizado por António "Ó Tempo Volta P'ra Trás" Mourão. Natural de Unhais da Serra, Maria Mendes foi emigrada em França. Se estão recordados, na edição do "Natal Dos Hospitais" do ano seguinte, ela trouxe um tema assaz diferente. 



- Dino Meira trouxe um tema bem animado "Boa Viagem". Na altura ainda não se sabia que infelizmente só teríamos Dino Meira por mais quatro anos neste mundo. 

Outro momento tradicional desta era do "Natal Dos Hospitais": o sorteio de televisores Philips para serem ofertados às diversas instituições de saúde, lares de idosos e estabelecimentos prisionais por esse país fora. O primeiro envelope sorteado foi retirado pelo neto da então Primeira-Dama Maria Barroso (cujo nome era o mesmo do seu avô e então Presidente da República) que deu um televisor à Santa Casa de Misericórdia de Mértola. O seguinte televisor sorteado pela ilustre Maria Cavaco Silva (ela própria uma futura Primeira-Dama) foi também para o distrito de Beja, para a Santa Casa da Misericórdia de Serpa. Dinis de Abreu, director do "Diário de Notícias" retirou o terceiro envelope, premiando o Hospital Distrital de Évora. 

- A iniciar o seguinte bloco de artistas, o Coro Mamasu com o "Natal De Elvas". 
- António Albernaz trouxe uma "Boa Nova", um clássico de Frederico Valério. 
- Apesar de ainda muito jovens, os irmãos Nuno e Henrique Feist eram presença habitual no "Natal Dos Hospitais". Segundo a introdução de Fialho Gouveia, eles na altura estavam a estudar em Londres e levaram uma canção com música do próprio Nuno e letra de António Sala, "Crescendo". 
- Ainda a uns anos da consagração com "Perfume De Mulher", Ágata trouxe "Amor Latino", acompanhada pela Banda Órbita. Como pudemos constatar no artigo sobre o Natal Dos Hospitais de 1990, Ágata também aí interpretou este tema, mas no bloco dos Açores (e sem banda). 
- Rui Rocha interpretou acapella "Olhos De Água". (Não, nada a ver com a música do mesmo nome do Toy.) Algo de errado deve ter acontecido pois só se ouviu a voz dele e nada da guitarra que ele tocava.
- O grupo Ultimatum, que incluía os três antigos Queijinhos Frescos filhos de Ana Faria, com "Se Fores No Meu Carro", uma versão em português de "Get Out Of My Dreams, Get Into My Life" de Billy Ocean. 
- A encerrar este bloco um número de bailado ao som de "Adesti Fideles" na voz de Luciano Pavarotti, numa coreografia de Jorge Trincheiras com os bailarinos Alexandra Pinto, Carla Pereira, Jorge Mira, Liliana Mendonça, Sandra Rosado e uma bem jovem Catarina Furtado! (É a que tem o maiô azul escuro.)

 


Parte 3: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-iii-4/

Ana Zanatti e Eládio Clímaco anunciam os artistas do bloco seguinte:
- Começamos sob o signo de fado, com Lena Maria a cantar "Sou Eu".
- O eterno António Calvário levou "Santa Luzia".
- No ano em que se assinalavam dez anos da sua vitória no Festival da Canção e do top 10 na Eurovisão com "Sobe Sobe Balão Sobe", Manuela Bravo marcou presença com o tema "Nunca É Demais", com que participou em 1988 no Festival da Canção de Lisboa, em que as canções a concurso tinham como tema a capital do nosso país. Contudo, este tema não foi incluído no álbum que Manuela Bravo editara nesse ano de 1989 "Óculos De Sol".
- Clemente trouxe uma "Canção De Recordar".
- Dois anos antes, eles tinham deixado a sua marca com um dos hits mais brilhantemente bizarros do Portugal dos anos 80 com "Zuvi Zeva Novi" e agora os Miler Ife Dada apresentavam-se aqui com "Choro Do Vento E Das Nuvens", a faixa de abertura do seu segundo álbum "Espírito Invisível", editado nesse ano de 1989. Esta terá sido uma das últimas aparições em televisão com Anabela Duarte enquanto vocalista, que deixaria a banda no ano seguinte para se dedicar a um projecto a solo, tendo sido substituída por Sofia Amendoeira. O baixista Nuno Rebelo seria aquele com maior notoriedade após o final da banda em 1991, ao compor o tema oficial da Expo 98. Desde 2003, quando foi lançado um álbum best of que incluía uma regravação de "Zuvi Zeva Novi", os Miler Ife Dada têm se reunido e actuado esporadicamente. 
- A consagrada fadista Lenita Gentil cantou "Tão Longe Daqui".
- "A Vida Vai Mudar" disse Toy a cantar, que dava aqui ainda os seus primeiros passos na sua carreira mas a sua vida efetivamente iria mudar rumo a enormes sucessos ao longo de mais três décadas. 
- A encerrar este bloco, o grupo de música tradicional Luar De Janeiro trazendo um "Vapor Novo". 

Mário Figueiredo regressa ao palco, desta vez acompanhado por Elisa Portugal, anunciam o sorteio de mais três televisores Philips, conduzido por Manuela Paulino. Depois do seu neto, agora foi mesmo a Primeira-Dama Maria Barroso que retirou o subscrito que premiou a Misericórdia de Freixo-De-Espada-À-Cinta, distrito de Bragança. Veiga Anjos, o presidente do conselho de administração do "Diário De Notícias" retirou o subscrito que contemplou a Secção de Pediatria do Hospital da Horta. Pela mão de Humberto Melo Pereira, um dos mais ilustres nomes da história da RTP, o terceiro prémio foi para o Algarve, mais concretamente para o Centro de Dia de Mexilhoeira Grande, no concelho de Portimão. Ao longo do sorteio, Manuela Paulino salientou que em vez de um televisor, as instituições contempladas poderiam requerer antes um videogravador, naturalmente também da marca Philips. 



- A abrir o bloco seguinte, "A Turma Da Kika", o projeto de Cristina Paço D'Arcos, nitidamente decalcado da brasileira Xuxa. Sob este avatar, ela editou alguns discos e deu vários espectáculos até meados dos anos 90, sendo o momento mais notório a sua participação no Festival da Canção de 1990 com o terceiro milénio. Depois disso, dedicou-se a várias causas sociais. Infelizmente, em Maio deste ano, foi anunciado que Cristina Paço D'Arcos tinha falecido aos 64 anos de idade. 
- Presença habitual no "Natal Dos Hospitais" deste tempo era o Mendes Harmónica Trio, composto pelo virtuoso da harmónica Raúl Mendes (reza a lenda, que tal era a sua mestria que foi inúmeras vezes campeão mundial de harmónica, chegando a um ponto em que a organização desse campeonato teve de lhe pedir para deixar de participar!) e as suas filhas Ana Paula e Maria Luísa, acompanhando-o com umas mega-harmónicas. Nesse ano, o trio levou uma versão de "Memory" a mais célebre canção do musical "Cats".  
- Ela ainda estava a quatro anos de cantar sobre quando cai a noite na cidade, mas apesar dos seus 13 anos, Anabela já dava cartas tanto em Portugal como além fronteiras. Com esta "Nova Mensagem De Amor", tinha alcançado o segundo lugar no Festival da UNICEF, realizado nos Países Baixos e apresentado por Audrey Hepburn, bem como o prémio de Melhor Interpretação.
- Outro momento viral desta edição: José Malhoa e Ana Malhoa com "A Nossa Lambada". Ana Malhoa tinha então somente dez anos mas já então revelava ser toda uma "máquina de fiesta". 
- Já falámos dela no artigo sobre a edição de 1990, e ela também esteve presente neste ano. Lília Kramer, cantora portuguesa residente na Alemanha, interpretou "Criança Com Sede Amor".
- Os Ministars tinham acabado de lançar o quarto álbum "De Mão Em Mão", no qual estava incluído este "Telenovelando", uma adaptação do tema de abertura da telenovela brasileira "Sassaricando", interpretado por Rita Lee. Nesta altura, um dos membros do grupo era Pedro Moutinho que, tal como seus irmãos Camané e Hélder Moutinho, faria carreira no fado. (É o da camisa aos quadrados verdes e lilás.)
- Por fim, o grupo de dança jazz do Ginásio Clube Português



Parte 4: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-iv-4/

Fialho Gouveia e Alice Cruz recebem-nos de volta e apresentam o seguinte bloco. 
- José da Câmara, do ilustre clã fadista, trouxe "Canto O Fado". Fialho Gouveia fez questão de referir que foi uma espécie de padrinho da carreira de José Câmara, tendo este estreado na revista "Lisboa Tejo E Tudo", da autoria do próprio Fialho com Raul Solnado e César Oliveira.
- O primeiro de dois casais a atuar neste bloco: Paula Ribas (1942-2023) e Luís N'gambi. Ela nascida em Faro sob o nome Ilídia Dias Ribas, era considerada como a "Rainha do Twist" em Portugal. Ele, natural de Angola, fez parte do pioneiro conjunto Os Rocks, que incluía Eduardo "O Vento Mudou" Nascimento. Depois de viverem dezassete anos no Brasil, Ribas e N'gmabi regressavam agora em Portugal nesse ano de 1989, em que gravaram um álbum para a editora Discossete que incluía este "Amar Vocês". 
- Paco Bandeira trouxe a "Lengalenga do Zé", do álbum "Em Lisboa".
- "Sou Sincero" disse a cantar Luís Filipe Reis, naquela que foi uma das suas primeiras aparições em televisão. 
- E eis o outro casal musical: Armando Gama e Valentina Torres com "Maria Linda". Como se sabes, eles estavam juntos desde 1983 quando além do bilhete para Munique para ir nos representar na Eurovisão com "Esta Balada Que Te Dou", Armando também conquistou o coração de Valentina Torres no Festival da Canção. Acho que nesta altura, Valentina ainda era locutora de continuidade na RTP mas já dava os seus primeiros passos a acompanhar Armando na música. Uma união  que duraria na música e na vida até 2010.  


- Cândida Branca-Flor trouxe "Banho De Lua", uma versão em português de "Tintarella Di Luna", da cantora italiana Mina. A cantora brasileira Celly Campelo popularizou a versão em português do Brasil, que além de Cândida Branca-Flor, foi versionada por vários artistas como Os Mutantes de Rita Lee. 
- A fechar este bloco, Nuno Faria, Jorge Galvão e Eugénio "Gimba" Lopes, que é como quem diz, os Afonsinhos Do Condado um dos mais irreverentes bandas portugueses dos anos 80, graças a hits como "A Salsa Das Amoreiras" e "Rolar No Chão". Aqui trouxeram o tema que dava título ao EP que editaram nesse ano de 1989, "No Parque Mayer". A banda manteve-se activa até 1991.

Serenella Andrade conduziu o terceiro sorteio de televisores Philips (ou vídeos, conforme a preferências da instituições contempladas). Maria Cavaco Silva retirou o primeiro envelope, correspondente ao Hospital de Santa Cruz em Linda-A-Velha. Melo Pereira sorteou o envelope seguinte, premiando um centro de dia em Carcavelos. Ramiro D'Ávila, director do Hospital Pulido Valente, retirou o terceiro subscrito, contemplando o Hospital Geral de Santo António, no distrito do Porto. 

- Iniciando este novo bloco, o coro de funcionários dos TLP (Telefones de Lisboa E Porto, 1968-1994) com o "Natal Do Infantário", da autoria do maestro Manuel Rodrigues.
- Durante décadas, Marco Paulo foi presença indispensável no "Natal Dos Hospitais". Nesse ano, ele trouxe a "Joana", um dos seus inúmeros hits emblemáticos. 
- Seguiu-se Alexandra com "Por Amor". 
- Assim como Jorge Fernando com uma "Bandeira De Paz".
- Carlos Zel, Lena Coelho e Carlos Quintas interpretaram músicas do espetáculo "A Severa". 



Parte 5: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-v-3/


Ana Zanatti e Eládio Clímaco apresentam o seguinte bloco de artistas.
- E começamos com um número de ilusionismo com Jorge Soriac, ilusionista espanhol radicado no nosso país.
- Outra vez um momento de fado, agora com António Pinto Basto e "Sabes Maria", incluído no álbum desse ano "Maria", que sucedia ao êxito do álbum "Rosa Branca". 
- Numa altura em que não eram muitas os artistas e bandas nacionais que cantavam primordialmente em inglês, Teresa Maiuko era uma das excepções já que os seus maiores hits eram neste idioma. Acompanhada por dois bailarinos, a cantora natural de Moçambique interpretou "The Beat Of The Heat", faixa incluída no seu único LP, "Mood Waves" de 1988. 
- Rita Ribeiro apresentou um número do espectáculo que encabeçava na altura no Casino Estoril, "What Happened To Madalena Iglesias?", por sinal, um tributo à lendária cantora de "Ele E Ela". 

O quarto e último sorteio de televisores Philips foi conduzido pela saudosa Isabel Wolmar. O Eng.º Sales Grade, da administração do "Diário De Notícias", retirou o envelope que premiou um centro de dia de idosos do distrito do Porto. Jorge Simões, representante da Philips, sorteou o envelope do Hospital Distrital de Viana Do Castelo. Por fim, Ana, uma menina presente na assistência tirou o subscrito que contemplou outro centro de idosos, desta vez em Chaves. 

- E eis-nos chegados ao bloco final, iniciado com Maria Antónia Esteves cantando "Rema".
- Na altura, apesar de algumas aparições em televisão em programas como "A Quinta Do Dois" e "Canto Alegre", Marina Mota era sobretudo conhecida como atriz de teatro e cançonetista. Aliás foi nesse ano de 1989 que ela participou no Festival da Canção com "Partir De Mim", ficando apenas atrás do "Conquistador" dos Da Vinci. Tal como "Partir De Mim", este "Se Eu Não Tivesse Este Amor" foi incluído no seu álbum "Coisas De Amor". 
- Nuno Da Câmara Pereira interpretou um standard do fado nacional, "Lisboa À Noite" ("Lisboa ouviu cantar o fado, rompia a madrugada quando ela adormeceu.")
- Lena D'Água trouxe "Tu Aqui", faixa que deu título ao álbum editado desse ano, que incluía com cinco temas inéditos escritos por António Variações, três dos quais ("A Teia", "A Culpa É Da Vontade" e "Já Não Sou Quem Era") seriam recuperados em 2004 no álbum do projecto Humanos. 
- Raúl Indipwo , que então atuava como Raúl Ouro Negro (ecoando o seu legado como metade do Duo Ouro Negro), levou ao palco "Cidrália", acompanhado pelos Irmãos Verdade
- Um dos nomes mais sonantes do fado naquela altura, Vasco Rafael (1949-1998) cantou "Ai D. José, D. José".
- Um dos auges de cada edição do Natal dos Hospitais era a participação de Herman José. Nesse ano, Herman apresentou-se uma vez mais acompanhado por Ana Bola e Vítor de Sousa e recuperou a sua lendária personagem do Serafim Saudade. Uma apresentação inevitável e caoticamente arrebatadora onde não faltou o tema homónimo, com um grupo de crianças a participar na coreografia e até um colocar de peruca num dos pacientes do hospital. 
- Rão Kyao, acompanhado por Renato Júnior, António Chainho, Quim Mjojo e Bondó, trouxe uma versão bem curiosa de "A Minha Machadinha".
- Ana Zanatti, Alice Cruz e Eládio Clímaco despedem-se com os votos de boas festas e o final não podia ser outro senão com o Coro de Santo Amaro de Oeiras a cantar o "A Todos Um Bom Natal". 

Revendo esta edição de 1989 do "Natal dos Hospitais" para este artigo, creio que ela encapsula perfeitamente a televisão, os artistas e até o Natal em Portugal nessa era, e que não foi por acaso que foi reexibida duas vezes na RTP Memória, nos Natais de 2009 e 2014. Aliás entre esses anos, houve uma curta tradição de transmitir nesse canal uma edição do "Natal Dos Hospitais" a cada véspera de Natal (a de 1986 em 2010, a de 1987 em 2011, a de 1997 em 2012 e a de 1981 em 2013). É pena que essa tradição tenha sido descontinuada com o rebranding da RTP Memória de 2015.  

Os artigos dos deep dives às edições do "Natal dos Hospitais" de 1985 (link) e 1990 (link). 


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

O Natal dos Hospitais 1990

O "Natal dos Hospitais" é há várias décadas uma instituição da quadra natalícia em Portugal, tendo gerado vários artigos aqui no blogue da "Enciclopédia de Cromos". Desde o início deste século que a RTP transmite esta telemaratona na primeira quinzena de Dezembro, mas quem nasceu e cresceu nos anos 70, 80 e 90 sabe que nesses tempos o "Natal dos Hospitais" costumava ser uns dias antes da noite da Consoada, dando um elã extra às nossas férias de Natal em petizes. 


No ano passado, a "Enciclopédia de Cromos" fez um deep dive na edição de 1985 do "Natal dos Hospitais" e este ano propõe uma revisita a outra edição, a saber a de 1990, também ela disponível para visualização no portal de Arquivos da RTP. 
Esta edição, organizada como era hábito em esforço conjunto pela RTP, o Diário de Notícias e a Philips portuguesa, teve lugar no dia 21 de Dezembro de 1990, tendo como ponto principal o Hospital São Francisco Xavier em Lisboa, mas com ligações ao Porto e aos arquipélagos da Madeira e dos Açores. 

Uma particularidade desta edição do "Natal dos Hospitais" é que teve a sua própria theme song, que foi cantada várias vezes ao longo do evento, e como vão perceber, fica no ouvido. Pergunto-me se havia a intenção de fazer deste o tema oficial do "Natal dos Hospitais" para os anos vindouros, mas pelo que me lembro só foi utilizada neste ano. E eis o refrão que se vai ouvir bastante ao longo desta maratona e garanto-vos que, se a ouvirem, não vos sairá da cabeça até ao Dia de Reis!

Natal, Natal, Jesus é nosso guia
Natal, Natal, que seja qualquer dia
Em coro abençoado, cantemos por igual,
A paz ao nosso lado é Natal! 



Parte 1https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-i-2/ 

O programa começa com a chegada nessa tarde chuvosa de uma ambulância para o Hospital Francisco Xavier e após uma imagem da fachada do dito hospital, dá-se a ligação para o palco onde a banda residente interpreta a versão completa do tema da edição, com os músicos em vestimentas a fazer lembrar os Reis Magos e as vocalistas em trajes de anjos.  
- A imbatível dupla Eládio Clímaco e Ana Zanatti dá as boas vindas aos telespectadores,
- A primeira actuação é a de um rancho folclórico que ficou por identificar, mas creio que deveria ser oriundo das redondezas da Serra da Estrela, já que esta é mencionada na cantiga.
- Dois funcionários da Rádio Difusão Portuguesa, Jorge Afonso e Maria Júlia Guerra, dão as suas saudações a todos os que estejam a assistir, sobretudo os mais infortunados. Referem também que a transmissão deste evento pela Antena 1 não será em directo mas será transmitida em diferido no dia de Natal. 
- Sucede-se a ligação ao Porto, mais concretamente ao Hospital Magalhães Lemos, que começa com um número de dança de temática natalícia pelo Grupo de Bailado do Boavista Futebol Clube
- Este bloco no Porto vai decorrer sob o signo da magia, com a presença de um muito jovem Luís de Matos. O nosso mais renomeado ilusionista tinha então somente 20 anos mas já era então uma presença ocasional nas produções da RTP Porto. Em palco, Luís de Matos manobrou uma bengala flutuante e vários maços de cartas que apareciam e desapareciam do nada. Entre as actuações no Porto, Luís de Matos efetuou vários truques de magia. 
- Em voz-off (à qual Luís de Matos referia como "voz mistério"), a apresentadora Madalena Balça anuncia actuação do Septeto Jazz do Porto com o tema "Do Nothin' Until You Hear From Me". 
- Depois de um truque de Luís de Matos com uma folha de jornal, um jarro de leite e uma lâmpada e alguns dados sobre o Hospital Magalhães Lemos (cujo nome homenageia um dos principais nomes da psiquiatria em Portugal), a actuação da fadista portuense Sara Pinto, ou simplesmente Sara, com "Malhão Do Sul". Natural do Bonfim, nesse ano de 1990 Sara editou o seu primeiro álbum "Raminho De Violetas" e participou no Festival da Canção com "Deixa Lá (O Pior Já Passou)". Após a actuação, Sara ajudou Luís de Matos num truque com cartas...e uma espada! (Infelizmente, Sara Pinto faleceu de doença prolongada em 2023.)
- O grupo Sol Nascente trouxe um tema popular, Luís de Matos transformou leite num lenço branco e depois em vários confetes brancos e seguiu-se a actuação do grupo Terramar. Este projecto portuense, com Luísa Saraiva como vocalista, lançou em 1991 o seu único álbum "Não Me Sigas Na Calçada", cuja faixa-título foi a canção mais conhecida. (Durante a actuação vê-se as míticas duas cruzinhas, que a RTP utilizava para anunciar um novo programa a começar na RTP2.)
- Um sketch de humor com Óscar Branco e José Raposo, como o Irmão Morcão e o seu acólito e depois, José Alberto Reis (aka o Júlio Iglesias de Guimarães) canta "Uma Noite Juntos".
- Graças ao coelho Artur de Júlio Iglesias, ficamos a saber que a próxima actuação era a dos GNR, que levaram aquela que é pessoalmente uma das minhas canções favoritas deles, "Morte Ao Sol", a faixa que abra o álbum "Valsa Dos Detectives" de 1989. 
- Depois de só termos ouvido a voz dela, finalmente Luís de Matos fez Madalena Balça (então uma das apresentadoras do programa matinal "Ponto De Encontro" - nada a ver com o futuro programa da SIC do mesmo nome) surgir em carne e osso no palco. Os dois chamam de novo ao palco todos os artistas que actuaram no Porto.
- Um Pai Natal entregou a Madalena Balça uma carta que diz que o Boavista Futebol Clube oferecia um videogravador ao Hospital Magalhães Lemos. Para terminar em beleza este bloco do Porto, a actuação da Tuna Universitária do Porto.



Parte 2https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-ii/

Nesta segunda parte, havia a habitual ligação às Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, mas também incluiu algumas actuações em Lisboa.
- Novamente a actuação da banda residente com o tema desta edição.
- Um sketch com o actor Rui Luís vestido de Pai Natal e o artista João Canto e Castro, conhecido por imitar vozes (aliás poderão reconhecer a sua voz, tanto a real como a das imitações dos bonecos do "Contra Informação"). Confrontado com a impossibilidade de poder tocar no "Natal dos Hospitais", João Canto e Castro liga a "Cavaco Silva" e "Alberto João Jardim" para intercederem a seu favor.
- E por falar em jardim, passamos para a Madeira onde somos recebidos pelo Coro de Câmara da Madeira, dirigido por Vítor Costa, com a canção "Da Serra Veio Um Pastor". 
- A apresentadora anuncia agora a actuação do grupo Outra Banda com o tema "Ser Ilhéu". (E olhem, até gostei da canção, merecia ter sido um hit!)
- Não, não é o Clark Kent madeirense, é João Miguel Pires a cantar sobre a menina "Pintucina". 
- Ricardo Spínola, uma voz que tinha levado a Madeira além-fronteiras, interpretou "Jogo Em Ti A Vida". Mas não seria a cantar que a voz de Ricardo Spínola ficaria imortalizada, mas sim na dobragem do "Dragon Ball" - foi ele a voz do Tartaruga Genial! 
-  Uma banda com o curioso nome de Salsinhas de Abalada levou um tema em inglês, "December 24".
- A ligação à ilha da Madeira termina com os votos de Natal da apresentadora e o coro infantil da Madeira com "Vai Ser Natal Outra Vez". 
- De volta a Lisboa, novamente a theme song e vemos chegar as duas Primeiras Damas da nação: Maria Barroso (acompanhada pelo neto petiz) e Maria Cavaco Silva
- João Canto e Castro volta a tentar a sua sorte e desta vez liga para o Vaticano para falar com o "Papa João Paulo II" himself!
- E vamos agora aos Açores, sob a apresentação de Vítor Cruz, para ouvir "Reis Do Faial" do grupo Bela Aurora
- O Coro Doutor Edmundo Machado de Oliveira cantou "A Lira", tema tradicional da Ilha Terceira, e "We Wish You Merry Christmas".  
- À guitarra e à viola, José Pracana e Alfredo Gabo da Câmara tocaram a "Canção de Alcipe" do filme "O Bocage" e depois acompanharam Piedade Rego Costa no fado "És Tudo Para Mim". Seguiu-se o grupo Os Serrotes com "Dias de São Miguel".
- Para terminar em beleza esta ligação aos Açores, ninguém menos que Ágata! Sim, mesmo não sendo açoriana, foi lá que a artista de verdadeiro nome Fernanda de Sousa marcou presença nesta edição do "Natal dos Hospitais" com "Amor Latino". Na altura, ela já actuava há três anos sob o nome Ágata, e tinha um álbum editado em 1989, mas ainda estava a três anos do disco "Perfume de Mulher", que a catapultaria para o estrelato.   
- De regresso ao Hospital São Francisco Xavier, Rui Castelar e Dina Isabel deixam os seus votos e anunciam a próxima actuação: o "Auto Do Menino Sagrado" por parte do Grupo Juvenil da Cruz Vermelha Portuguesa. (Ai, Jesus, aquela flauta!)
- Ana Zanatti e Eládio Clímaco leem a habitual mensagem de Natal do "Diário de Notícias". Segue-se o coro do Hospital de São José, primeiro com um tema colectivo e depois com o Dr. Pedro Vasconcelos como solista na conhecida ária napolitana "Funiculi Funicula".  
- Outra vez a canção: "Natal, Natal, Jesus é nosso guia…"
- Atuação da cantora Ilda de Castro, que uns anos antes teve um grande hit com "Beijinho Português" ("Ai, beija um, beija dois e beija três, como é que gostoso o beijinho português.") e aqui levou outro tema de que eu até me recordo bem "Bom Dia, Bom Dia". Infelizmente não consegui encontrar grande coisa sobre Ilda de Castro na net além da sua discografia disponível online, (certamente não é Ilda Teresa Castro que vem na Wikipédia) e a última publicação na sua página oficial do Facebook é de Março de 2022, anunciando a sua ida ao programa "Casa Feliz" da SIC. 
- 1990 foi um ano triunfante para Rui Veloso cujo álbum "Os Mingos E Os Samurais" foi todo um campeão de vendas, pelo que ele também não poderia faltar. Veloso cantou "A Paixão (Segundo Nicolau da Viola", que juntamente com "Não Há Estrelas No Céu", andava então na boca toda a gente. 
- Segue-se o cantor José Reza, a cantar sobre um amor de um Verão passado. 




Parte 3https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-iii-2/

A partir de José Reza, quase todos os artistas que doravante pisaram o palco, traziam uma prenda para a Árvore de Natal, recebida por umas assistentes com uniforme de enfermeira (tendo em conta que a saia de uma delas nem se via por debaixo da bata, não estou em crer que fossem de facto enfermeiras), certamente para depois ser entregues aos pacientes do São Francisco Xavier. 
- Actuação de Tila Maria em lamés dourados, que afirmou cantando "Eu Sou De Lisboa". 
- Seguiu-se o cantor madeirense Gabriel Cardoso que disse cantando que as três coisas que ele (e toda a gente) mais quer na vida: "Saúde, Dinheiro E Amor". 
- Segundo a sua apresentação, Maria Mendes tinha vivido em Paris mas apostava então numa carreira por cá. Em tons azul de forte, cantou em portunhol "Canta Corazón". 
- Acompanhado pela sua banda, o intemporal Toy trouxe a canção com que concorreu ao Festival da Canção, "Mais E Mais", tendo ficado em terceiro lugar e valendo-lhe o Prémio de Melhor Interpretação. (E confesso que era a minha preferida do Festival desse ano.) 
- Outra vez a canção composta expressamente para este "Natal Dos Hospitais".
- Maria Júlia Guerra e Jorge Afonso leem a mensagem de Natal da Rádio Difusão Portuguesa.
- Após um percalço com a música, o Grupo de Bailado de Jorge Trincheiras dançou "Credo da Missa Crioula" numa ária interpretada por José Carreras. Entre os nomes dos bailarinos, notei o de Leonor Keil que viria a tornar-se uma consagrada bailarina contemporânea e o de Ana Bacalhau (mas não creio que fosse a conhecida cantora desse nome).  
- Não, não é a Rogue dos "X-Men", é Lília Kramer, artista vinda da Alemanha, para cantar "Quem Fui Eu?"
- Silêncio que se vai cantar o fado, primeiro com Gonçalo da Câmara Pereira e "São Rosas" e depois com Lena Maria e a "Criança".
- E por falar em crianças, um grupo de quinze crianças dos 3 aos 13 anos esteve em palco para acompanhar Alexandra Cruz em "Uma História de Natal". 
- Rui Rocha (não o líder da Iniciativa Liberal) trouxe "Um Amor E Um Desejo".
- Os moinhos de maré do Seixal inspiraram o tema "Moinho De Passagem", trazido pelo grupo Luar De Janeiro.
- Eládio Clímaco e Ana Zanatti leem a mensagem de Natal da RTP. Segue-se mais uma vez a theme song, desta vez sem a presença da vocalista principal. (Já se verá mais adiante porquê.)
- O Trio Odemira trouxe o seu magnum opus "O Anel De Noivado" (também conhecido como "A Igreja estava toda iluminada"). Foram também vistas imagens do Trio a visitar os pacientes do São Francisco Xavier.  
- Por estas alturas, Jorge Fernando tinham deixado de lado o fado para enveredar por uma onda mais de música ligeira ("Umbadá", a sua entrada no Festival da Canção de 1985, será o exemplo mais emblemático desta fase). Aqui levou um tema com mensagem religiosa, mas cujo título desconheço (arriscaria "De Onde Vem Esta Voz").
-  Ó minha Lenita Gentil que partiste tão cedo para vir ao Natal dos Hospitais cantar "Lisboa Cidade Sol"! Enquanto isso o cantor Manuel Clemente Azevedo, ou simplesmente Clemente, trouxe "Baila Cigana".
- E está explicado porque é que a vocalista principal do tema desta edição do "Natal dos Hospitais", que respondia pelo nome de Ariane, não estava presente na última performance da banda residente: ela também teve a sua própria actuação a solo, cantando "Maria do Mar" (num timbre a lembrar Edith Piaf) acompanhada por António Chainho e Pedro Nóbrega.    
- Para terminar esta terceira parte, a actuação de um grupo de danças e cantares tradicionais composto por… empregados bancários! 



Parte 4https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-iv-2/

Ana Zanatti e Eládio Clímaco procedem ao habitual sorteio de televisores Philips a serem entregues a diversas unidades hospitalares e/ou estabelecimentos prisionais por todo o país. O Pai Natal (Rui Luís) entra em palco com um pónei e Maria Barroso foi convidada a retirar os sobrescritos sorteados (ela ainda perguntou ao neto, que tinha o mesmo nome do seu célebre avô, se ele também queria fazê-lo mas o petiz recusou). Os televisores a cores foram para a Misericórdia de Anadia, o Centro de Dia de Santa Tecla (distrito de Braga) e a Maternidade Bissaya Barreto em Coimbra. 
O seguinte bloco de actuações foi dedicado ao público infantil:
- Primeiro os Ministars com "A Namoradinha de Roque", versão de "Jailhouse Rock", do álbum "É De Caras".
- Seguiram-se três meninas a cantar uma canção sobre a esperança: a Sara, a Joana e a Inês. (Foi também anunciado um rapaz chamado Duarte mas ele não apareceu).
- O palco foi pequeno para todos aqueles que, trajados a rigor, acompanharam Cristina Paço D'Arcos a.k.a Kika em "Namorar". Com então claras pretensões de ser a Xuxa portuguesa, Kika tinha participado nesse ano no Festival da Canção com "Terceiro Milénio", tendo-se quedado pelo último lugar. Grande parte do repertório de Kika esteve a cargo nada menos de Eugénio Lopes a.k.a. Gimba. 
- Segue-se uma muito jovem Ruth Marlene, ainda a uns anos dos seus primeiros grandes hits como "Só À Estalada" e "A Moda do Pisca-Pisca", numa canção em que diz que gosta muito de estudar, mostrar do que é capaz, cantar, dançar e viver em paz. 
- Os Onda Choc com a faixa-título do seu então mais recente álbum "Feira Popular", uma versão de "Puppet On A String" de Sandie Shaw. E a vocalista principal nesta canção era nada menos que Joana Seixas, então com somente 14 anos, que viria tornar-se numa reconhecida actriz. 
- Para terminar este bloco, Rita Andreia pedindo um "Natal Sem Guerra". 


Parte V: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-v-2/

Tempo para mais um sorteio de televisores a cores Philips. (Ainda valeria a pena referir, no ano do Senhor de mil novecentos e noventa, se um televisor era a cores? Estou em crer que, mesmo apenas dez anos após a televisão a cores ter chegado a Portugal, já não se deveria fabricar ou vender por cá televisões a preto e branco, pelo menos novinhas em folha.) Maria Cavaco Silva retirou os três envelopes que contemplaram o centro de dia da Santa Casa da Misericórdia da Guarda, Centro de Dia de Três Povos (no distrito de Castelo Branco) e a Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Condeixa-A-Nova. 
- Manuela Paulino anuncia a próxima actuação, precisamente a dos seus dois filhos Nuno e Henrique Feist, então com 19 e 18 anos com "Crime Of Passion". Desde tenra idade que os manos Feist mostravam grande talento para a música, onde têm construída uma vastíssima carreira. E, claro, para além do seu extenso currículo como cantor, Henrique Feist ficaria para sempre conhecido por ser a voz portuguesa do Son Goku do "Dragon Ball".  
- A saudosa Cândida Branca Flor, também ela vista a visitar os pacientes do São Francisco Xavier, num "Bailinho Português". 
- Quem também infelizmente já não está entre nós é Roberto Leal, o artista sempre com um pé em Portugal e outro no Brasil. 
- Quem na altura estava em início de carreira era Rita Guerra, anunciada como a "revelação musical de 1990", mas que viria a confirmar-se como uma das melhores cantoras da nossa praça. Neste "Natal dos Hospitais" ela trouxe a canção que deu título do seu primeiro álbum "Pormenores Sem A Mínima Importância".
- Um interessante diálogo musical entre violino e guitarra com Pedro Teixeira da Silva e Tó Gonçalves
- Acompanhada ao piano por Raúl Camacho, a grandiosa Simone de Oliveira cantou "Tango Ribeirinho". 
- Altura agora para as danças indianas com o Grupo Baghini (que em hindu significa "fraternidade"). 
- Mais um sorteio de televisores Philips, agora com o Dr. Veiga Anjos, em representação do Diário de Notícias, a retirar os envelopes sorteados, para a Maternidade Alfredo da Costa, a Cadeia das Mónicas no distrito de Lisboa e o Hospital Distrital de Amarante.
- Acompanhados pela banda residente, Luísa Oliveira cantou "Se Não És Tu" e Tony Jackson  versionou "How Am I Supposed To Live Without You" de Michael Bolton, "What A Wonderful World" de Louis Armstrong e "Isn't She Lovely" de Stevie Wonder. Ambos participariam futuramente no Festival da Canção: ela em 1993 sob o nome de Liza Mayo com "Talvez Noutro Lugar", ele vencendo em 2001 como metade do duo MTM com Marco Quelhas e "Eu Só Sei Ser Feliz Assim", participando depois no Festival da Eurovisão desse ano em Copenhaga. 
- Nesse ano, e ao contrário do que era (e continua a ser) hábito, o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras não trouxe o seu perene hit "A Todos Um Bom Natal", mas sim outra cantiga de Natal, este "Um Feliz Natal". 
- Paco Bandeira foi outro dos artistas a visitar os pacientes do hospital. Ao palco levou o tema "Chamavam-lhe Feiticeira".
- Ainda vivendo o ponto alto da sua carreira iniciado com o incontornável "Conquistador" no ano transacto, os Da Vinci tinham editado nesse ano o álbum "A Dança Dos Planetas" de onde foi retirado este "Eu Nasci Em Portugal", sonoramente muito semelhante a "Conquistador". Iei-Or, Pedro Luís e companhia foram ainda vistos a visitar a secção de pediatria do hospital. De referir que nesta fase os Da Vinci contavam nos coros com Maria João Silveira, que mais tarde seria apresentadora na RTP e RTP África, com destaque para a temporada de 1998 dos "Jogos Sem Fronteiras". 
- Seguiu-se Lena D'Água com "Já Não Sou Quem Era", um dos cinco temas inéditos de António Variações, por ela gravados para o álbum "Tu Aqui" de 1989. (Mais tarde esse tema seria recuperado em 2004 pelo projecto Humanos.) Os vinte anos seguintes seriam pessoalmente conturbados para Lena D'Agua, mas felizmente ela ainda está cá para as curvas e lançou este ano um novo álbum "Tropical Glaciar".
- Despedimo-nos de Marco Paulo no mês passado e agora recordamo-lo aqui, ele que foi durante décadas a fio um dos pontos altos de cada edição do "Natal Dos Hospitais". Durante a sua actuação com "Ai, Ai, Ai, Meu Amor", Marco Paulo foi visto a abençoar um recém-nascido na secção de maternidade do hospital. 




Parte 6https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-vi-2/

O último sorteio dos televisores Philips, pela mão de precisamente o representante da Philips Portuguesa, que foram para o Centro Paroquial Social de Chaves, a Santa Casa da Misericórdia de Castelo de Vide e a Santa Casa da Misericórdia de São Pedro do Sul. 
- Após as despedidas com votos de boas festas por parte de Eládio Clímaco e Ana Zanatti, veio o coro infantil da Escola Sueca em Portugal, com uma cantiga sobre o dia Santa Luzia, comemorado na Suécia a 13 de Dezembro. Nesse dia, as procissões realizadas um pouco por todo esse país são lideradas por uma rapariga vestida de branco com uma coroa de velas acesas na cabeça, como a jovem que é vista no centro do palco. E seguiu-se uma versão em sueco do tema oficial deste Natal dos Hospitais. 
- O nosso mais aclamado tenor lírico Carlos Guilherme com a sua versão de "Teus Olhos Castanhos".
- Da revista "A Grande Festa" no Teatro Variedades, uma rábula humorística com Sandra Marina e Paula Cruz, esta conhecida da TV pela telenovela "Passerelle" e a série "Pisca-Pisca Tudo Na Maior". 
- A voz poderosa de Teresa Maiuko num tema bem ritmado, cujo título desconheço. 


Parte 7: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/natal-dos-hospitais-parte-vii/

- Este último bloco fecha o evento com chave de ouro, sob o signo do humor. Primeiro com Fernando Pereira, sob o avatar de um cantor cigano, num medley portunhol com "Volare", "As Pombinhas Da Catrina", "Três Pombinhas A Voar", "Candeeiros Bem Bonitos", "Atirei O Pau Ao Gato" e "Ó Elvas, Ó Elvas". 
- Carlos Alberto Moniz com o mítico tema do concurso "Arca De Noé", que na altura ia na sua segunda temporada. "Vamos fazer amigos entre os animais…"   
- Para fechar com chave de ouro, só podia ser ele: Herman José. Acompanhado por Ana Bola (que ostentava uns vistosos leggings com estrelas) e Vítor De Sousa, e sob o seu lendário alter ego de José Estebes, os três tiveram um pequeno apontamento de humor antes de se lançar no seu grande hit: "Vamos Lá Cambada!" (um hino tão colossal que já teve o seu próprio artigo aqui no blogue). No final, além de algumas crianças da audiência, os outros artistas também surgiram em palco, que Herman aproveitou para interpolar "O Anel De Noivado" e "Trocas E Baldrocas". 
- Nesse ano, não houve o "A Todos Um Bom Natal" a fechar o "Natal Dos Hospitais", mas sim novamente o tema desta edição, já com Ariane de volta ao coro. Cantemos mais uma vez: Natal, Natal, Jesus é nosso guia…




Eu tinha algumas memórias de ver a edição de 1990 do "Natal Dos Hospitais" mas, como é óbvio, recordei muitas coisas de que já não me lembrava. Para mim, foi mais uma bonita recordação dos meus tempos da infância e pré-adolescência, quando o "Natal dos Hospitais" era mais um dos ingredientes que tornavam a quadra natalícia tão fascinante para mim (acho que o programa começou a perder a sua magia quando passou a ser feito na primeira quinzena de Dezembro, quando antes era a poucos dias da Consoada). Ao rever esta edição, duas coisas se destacaram para mim.
- Primeiro, a assistência nesse ano estava particularmente animada, batendo energicamente as palmas em cada canção e as câmaras a captarem vários espectadores (em especial crianças e jovens) a dançarem ao som das canções apresentadas. Mas ao contrário do que era frequente em muitos anos, não foram vistos na plateia muitos pacientes em macas e cadeiras de rodas e funcionários do hospital (sobretudo comparado com a edição de 1985 aqui analisada no ano anterior, onde podiam ser vistos bem perto do palco). Suponho que se tenha decidido que não valia a pena transportar um grande número pacientes para o palco, dado o frio e a chuva nesse dia poder afectar a sua recuperação. 
- Depois, talvez por ser o início dos anos 90, esta edição introduziu para a nova década algumas novidades relativamente aos anos anteriores, embora a maioria delas apenas tenham acontecido nesse ano. A mais óbvia foi a já amplamente referida theme song. Depois, a ordem de ligações até então costumava ser Açores, Madeira, Porto, Lisboa e nesse ano foi Porto, Madeira, Açores, Lisboa. Houve a iniciativa de ter alguns artistas a visitar os pacientes do hospital, com essas imagens captadas durante as respectivas actuações e o gesto dos artistas entregarem uma prenda para a árvore de Natal presente em palco. Não houve uma chamada de novo ao palco no final de cada bloco dos artistas que aí actuaram (à excepção da ligação ao Porto), como era habitual nas edições dos anos 80, tal como não houve o "A Todos Um Bom Natal" no fim. Essas alterações não tornaram o "Natal Dos Hospitais" de 1990 melhor nem pior, apenas um pouco diferente.    


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Natal dos Hospitais (Partes 2, 4 e 6 redux)

por Paulo Neto

Devido às vicissitudes do Youtube, alguns dos vídeos de três artigos dedicados ao "Natal Dos Hopsitais" não se encontram mais disponíveis e por isso decidi condensar esses três artigos (referentes às partes 2, 4 e 6) aqui. 


Pela sua longevidade e tradição, ainda que se diga que já não é o que era nem coisa que se pareça, a verdade é que tem o seu quê de reconfortante saber que em breve a RTP levará a cabo mais uma edição do "Natal dos Hospitais". Todos nós temos memórias das edições dessa lendária emissão natalícia nos anos 80 e 90, que nos mantinha presos à televisão a assistir ao interminável desfile de artistas. Não sei se é pelo o açúcar que o tempo adiciona às nossas memórias, mas dava a ideia que mesmo os cantores mais pimba avant-la-lettre eram mais dignos que os cantores pimba actuais, que havia mais artistas e grupos prestigiados outrora e que as horas da maratona televisiva custavam menos a passar. Também tenho pena que desde há mais de dez anos que o programa seja emitido ainda em período escolar, pois recordo ver o "Natal dos Hospitais" em tempo das sempre deliciosamente ansiadas Férias de Natal, onde era um dos vários pontos altos desse sublime período.

A primeira edição do "Natal dos Hospitais", iniciativa do "Diário de Notícias" e da RDP, teve lugar em 1944. Entre os artistas presentes estiveram, como se vê na foto em baixo, Vasco Santana e Mirita Casimiro (a eterna Maria Papoila), então casados.



Recordemos agora algumas actuações nos Natais dos Hospitais dos anos 80 e 90:


Em 1989, Catarina Furtado era uma jovem de 17 anos, finalista da Escola de Dança do Conservatório Nacional. No Natal dos Hospitais desse ano, longe de se imaginar que iria apresentar futuras edições do programa na RTP, marcou presença num número de dança coreografado por Jorge Trincheiras, ao som de "Adestes Fidelis" na voz de Luciano Pavarotti. Catarina é a segunda a entrar em palco, dançando com outros colegas do seu curso: Alexandra Pinto, Carla Pereira, Liliana Mendonça, Jorge Mira e Sandra Rosado. Reconheci esta última, a ruiva, do filme "Rasganço".


De 1989, o futuro presidente do Boavista, João Loureiro com a sua banda, os Ban, num dos seus mais famosos hits "Dias Atlânticos".

Ainda em 1989 com a actuação dos GNR, todos eles vestidos de forma bem formal, sobretudo Rui Reininho de papillon e camisa de folhos. Nesse ano, o Grupo Novo Rock (que é o que quer dizer a sigla do grupo) lançara o álbum "A Valsa dos Detectives" que continha duas das minhas canções preferidas da banda: "Morte Ao Sol" e este "Impressão Digital".



Continuando em 1989, José Cid canta um medley dos seus hits, incluindo "Um Grande Grande Amor", "Na Cabana Junto À Praia", "Os 20 Anos" e "A Minha Música".


Na batalha Onda Choc vs. Ministars, eu pendia para o lado destes. Tive os três primeiros álbuns deles (contra apenas uma cassete dos Onda Choc) e quando nunca surgiam na televisão com menos de três rapazes (o que significava que era mais d'homem gostar dos Ministars que dos Onda Choc). Muitos de vós reconhecerão esta versão de "I Wanna Dance With Somebody". E serei o único a lembrar-me desta árvore de Natal giratória do cenário do "Natal dos Hospitais" de 1987?


Seguindo para 1997, ainda no campo dos grupos infanto-juvenis que versionavam temas estrangeiros, quem não se lembra da Malta Pop (com uma aceitável quota de dois rapazes) que nos anos 90 ousaram desafiar o domínio dos Onda Choc (por esta altura, os Ministars já tinham ido à vida). 

 

Recuando até 1991, is Fernando Mendes (quando ainda só vestia no máximo o tamanho L), numa rábula da recista "Vamos A Votos" com Rosa Villa ou o encontro entre uma mulher "discreta" e um homem que tem sempre as (duas) palavras certas para dizer! 


Afinal eu não estava equivocado quando eu tinha memórias que uma das edições do "Natal dos Hospitais" não teve o habitual palco de auditório mas sim numa escadaria do hospital. Foi em 1992, creio que no Santa Maria, em que os cantores iam descendo um lance de escadas até ao palco improvisado. Foi o caso da malograda Cândida Branca-Flor que cantou "Ei Rosinha", uma adaptação de um tema tradicional de Cabo Verde.


No Natal de 1992, Anabela ainda estava a alguns meses de vencer o Festival da Canção com o incontronável "A Cidade (Até Ser Dia)". Mas desde tenra idade que a cantora natural da Cova da Piedade já tinha dado provas do seu talento. Nesse de ano 1992, não só Anabela tinha editado um novo álbum "Encanto" do qual se incluía este "Histórias de Encantar" como fazia parte do elenco da telenovela "Cinzas" como uma jovem aspirante a fadista.


Lena D'Água editou nesse ano de 1992 um álbum de temática infantil "Ou Isto Ou Aquilo" em que musicou poemas da poetisa brasileira Cecília Meirelles. É o caso deste "Todos Querem Ser Pastores" onde Lena surgiu acompanhada por um grupo de crianças.



Em 1997, Fernando Monteiro (quem?) num comovente tributo à população idosa, tão negligenciada pela nossa sociedade, no tema "A Velhinha No Passeio".



 A quadra natalícia também propiciava que vários artistas se reunissem numa cantiguinha de Natal, como se sucede neste caso que junta nomes como Marante, Maria Lisboa, José Alberto Reis e Filipa Lemos numa fase pré-Santamaria.


Ou ainda em 1997, esta canção onde andaram de mãos dadas vários cantores como Mónica Sintra, Claudisabel e Chiquita.


Foi em finais de 1997 que os Excesso irromperam para preencher a lacuna de boybands nacionais e também não podia deixar de marcar presença no Natal Dos Hospitais com o seu grande hit "Eu Sou Aquele". Ao que parece, os cinco rapazes andavam tão atarefados de um lado para o outro que alguns até se esqueceram de vestir camisas! 

De regresso aos anos 80, duas figuras imortais: Fernando Pessa e Amália Rodrigues. (E um cameo da "Senhora De Cavaco Silva")



E para terminar, como não podia deixar de ser, Herman José no seu avatar José Estebes, em 1990 acompanhado por Ana Bola e Vítor de Sousa, a cantar o imortal "Vamos Lá Cambada". A certa altura, outros artistas também surgem no palco e Herman aproveita para cantar excertos de outras canções deles como "O Anel de Noivado" dos Trio Odemira e "Trocas Baldrocas" de Cândida Branca-Flor. 


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Natal dos Hospitais (parte 5)


Uma das imagens da época natalícia é o evento televisivo "Natal dos Hospitais". Já muito foi escrito, também aqui na Enciclopédia pelo Paulo Neto: "Natal dos Hospitais - Enciclopédia de Cromos". Actualmente, não tem o impacto de outros tempos, mas continua a ser uma tradição da televisão pública.

Consegui deitar a mão - literalmente - a umas gravações de uma emissão do final dos anos 80, mais concretamente o "Natal dos Hospitais 1987", uma gravação infelizmente incompleta e com vários problemas sonoros. Os apresentadores desta edição foram Alice Cruz e Eládio Clímaco, emitida numa  Terça-Feira, 22 de Dezembro de 1987, entre as 14:30 e 19:20, no "1º Programa", a RTP-1:
"Diário de Lisboa" Programação da Semana [18-12-1987]
Lembro-me bem de nesta época ter a TV ligada toda a tarde, na sala da casa de uma tia, com presépio, árvore de Natal e guloseimas em redor e aquela sensação de que já faltavam poucos dias para a abertura das prendas!

Este excertos da recta final da edição de 1987 do "Natal dos Hospitais" começam com a actuação de Paulo de Carvalho e o seu êxito "Mãe Negra".


Prelúdio (Mãe Negra) - Paulo de Carvalho - Natal dos Hospitais 1987:

Falo por mim e por muitos quando digo que o momento mais aguardado - para os mais novos também, além dos Onda Choc e Ministars - da maratona televisiva do Natal dos Hospitais era a actuação de Herman José. Neste ano Herman fez a sua entrada a cavalo, na boa tradição dos Monty Python, e depois da vénia à "realeza" da altura, na primeira fila, incluindo Amália Rodrigues e Maria Cavaco Silva; dispara as piadas, incluindo palavras pouco ouvidas na TV para referir o anús e encerra de forma dinâmica a cantar o super êxito "Bamos lá, cambada!", de 1986. Quando abordou essa canção na Enciclopédia, o artigo do Paulo Neto incluia um video da actuação no Natal dos Hospitais de 1990.



Herman José - Anedotas e Bamos Lá, Cambada - Natal dos Hospitais 1987:






"E finalmente" - anúncia Irene Cruz, pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras, o hino "Gloria in excelsis Deo" (Glória a Deus nas alturas), dirigido pela maestro César Batalha. No Youtube também está a versão do ano anterior.





Mas depois da tradicional actuação do coro mais famoso de Portugal, chega Fernando Pereira e sua imitação de "We Are The World", o hit global de 1985 do colectivo USA For Africa, criado por Michael Jackson e Lionel Ritchie e gravado com 45 artistas da cena musical norte-americana para angariar dinheiro para ajudar a combater a fome no continente africano. O Coro de Santo Amaro de Oeiras acompanha o ritmo. O som desta gravação está péssimo, foi o melhor que consegui gravar a partir de uma velha cassete VHS. 


Recorde todos os artigos do blog sobre este tema: "Natal dos Hospitais - Enciclopédia de Cromos".

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Natal dos Hospitais (parte 3)

por Paulo Neto



Hoje a RTP transmite mais uma edição dessa instituição que é o "Natal dos Hospitais", uma iniciativa do jornal "Diário de Notícias" iniciada há setenta anos e que tem transmissão televisiva desde 1958. A Enciclopédia de Cromos já dedicou ao certame dois artigos (ver aqui o de 2012 e o de 2013) e pretende continuar a tradição este ano. Porém, ao contrário de outros anos, não tem surgido na internet novo material sobre actuações em edições dos anos 80 e 90. Contudo, depois de esgravatar mais fundo, acabou por encontrar mais alguns cromos. Vamos então recordar:



Recuamos até 1981 e é António Sala himself que nos oferece este cromo através do seu canal do YouTube. Nesta altura, a sua carreira musical incidia como membro do sexteto vocal Maranata, que também incluía a sua esposa Elisabete. O grupo é sobretudo conhecido pela sua versão em português de "Hallelujah", a canção vencedora do Festival da Eurovisão de 1979, mas aqui apostam numa onda entre o country e o disco cantando "Blue Jeans". Escreve António Sala na caixa de informação: " Visto a esta distância no tempo, cabelos, casacos, calças, óculos e os penteados dão vontade de rir. Mas na altura...era muito giro. Não sei não?!!!"


Ainda em 1981, o saudoso Carlos Paião com "Ga-Gago" um dos temas mais divertidos do seu genial repertório.


BETAMAX Marco Paulo Natal dos Hospitais 1985 por LUSITANIATV

Reparo agora que nos dois artigos anteriores, nunca houve uma menção ao rei Marco Paulo, sem dúvida um dos artistas cuja actuação era das mais aguardadas em cada edição. Colmatando essa lacuna, aqui o temos em 1985 em toda a sua glória vintage, cantando "Se Deus quiser". E como bom cavalheiro que é, termina a sua atenção com beijo na mão da apresentadora Alice Cruz.


Nos anos 80, Adelaide Ferreira passeou penteados estratosféricos. Como é o caso daquele que usou durante a sua actuação na edição de 1986 enquanto cantou "Coqueirando", o mais estival dos seus hits. É vê-la a percorrer o palco, também ela interagindo com Alice Cruz, bem como com diversos elementos da assistência, incluindo um paciente acamado.


Em miúdo, um dos meus momentos preferidos era o bloco das actuações dos grupos infantis como os Ministars e os Onda Choc. Eis aqui estes últimos em 1987 com a sua famosa versão de "La Bamba", onde se fala de gambas, cacilheiros, graxa, muchachas e da Ria de Aveiro.


Ainda em 1987, Paulo Gonzo ainda de bem farta cabeleira numa cover de "Stay", o love theme da famosa mini-série italiana "Cinderela 80".



Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é certamente e chuva não bate assim. Fui ver: era o Avô Cantigas no "Natal dos Hospitais" de 1988 a musicar o célebre poema "Balada da Neve" de Augusto Gil.





Ainda em 1988, silêncio que se vai cantar o Fado de Coimbra. A Toada Coimbrã interpreta "Trova de um Amor Perdido.



Agora um mega-tesourinho. Em 2002, o cantor Alex entrou no imaginário nacional com o seu hit "Mister Gay" e o anúncio de casamento com o seu namorado de então, oito anos antes da legislação portuguesa o permitir. Mas cinco anos antes, Alex já deixava um prenúncio do que estava para vir quando actuou com um apessoado quarteto de bailarinos para cantar "Ida e volta baby", uma versão de "Love Really Hurts Without You" de Billy Ocean.





Para terminar, só o podíamos fazer da forma como acabava o Natal dos Hospitais nos seus anos dourados com Herman José dando um ar da sua imensa graça (1990) encarnando o mítico José Estebes e acompanhado por Ana Bola e Vítor de Sousa, e o Coro de Santo Amaro de Oeiras, cantando "A Todos Um Bom Natal" (1989). Que é igualmente o que a Enciclopédia de Cromos deseja a todos os seus leitores e fãs do Facebook.

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