sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A Minha Mãe É Uma Sereia (1990)

por Paulo Neto

Embora a TVI tivesse iniciado as emissões a 20 de Fevereiro de 1993, para mim só começaram quase nove meses mais tarde, quando certo dia em finais de Novembro desse ano, decidi ir ao manual de instruções da nossa televisão e perceber como se sintonizavam os canais. Até porque, como já disse aqui algumas vezes, só no Natal anterior é que o nosso televisor deixou de ter apenas a RTP1 sintonizada. Por isso foi com satisfação que vi surgir no ecrã o 4 que era o primeiro logótipo da TVI, sinal de que a partir de agora também eu podia ir ver "A Amiga Olga", o "Parker Lewis", o "Queridos Inimigos" e tudo o mais que esta estação, então ligada à Igreja, pudesse oferecer na sua programação.



Tudo isto para dizer que o primeiro filme transmitido pela TVI que eu vi, em princípios de Dezembro de 1993, foi "A Minha Mãe É Uma Sereia" (simplesmente "Mermaids" no original), filme de 1990 realizado por Richard Benjamin, protagonizado por Cher, Bob Hoskins e então duas jovens actrizes, Winona Ryder e Christina Ricci.



Baseado no romance de Patty Dann, trata-se de uma comédia dramática que tem lugar em 1963. Rachel Flax (Cher) é uma mulher excêntrica sempre a saltar entre aventuras amorosas, duas das quais resultaram no nascimento das suas filhas: Charlotte (Ryder) de 15 anos e Kate (Ricci) de oito. A relação entre mãe e as filhas é algo bizarra, já que Rachel é uma mulher de trinta e muitos com a mentalidade de vinte e poucos e bastante displicente -embora nunca negligente- nas suas funções como mãe. Além disso, nenhuma das filhas a trata por mãe: Kate trata-lhe pelo nome e Charlotte por Mrs. Flax, e as três nunca tomam as refeições juntas à mesa, preferindo ir cada uma para o seu lado.
Kate é um prodígio de natação, tendo aprendido a nadar desde bebé. Charlotte é obcecada pela religião católica (embora tenha sido educada como judia), pela vida dos santos e pelo pai que nunca chegou a conhecer e de quem guarda preciosamente as suas duas únicas recordações dele: uma fotografia rasgada e um par de botas que ela usa sempre.



Quando as coisas correm mal no caso de Rachel com o seu patrão casado, as três mudam-se para uma pequena cidade do estado de Massachussetts, para uma casa perto de convento, que exacerba ainda mais os fascínios de Charlotte, que passa a idolatrar as freiras que lá vivem. Mas Charlotte também fica fascinada por Joe Peretti (Michael Schoeffling), um rapaz de 26 anos que trabalha como jardineiro do convento e como condutor do autocarro da escola. Como tal, a adolescente vê-se um turbilhão de emoções e alucinações, como pensar que está grávida após ter sido beijada por Joe. Entretanto, o dono da sapataria local, Lou Lansky (Hoskins) interessa-se por Rachel e engraça com as suas filhas, mas apesar de lhe corresponder, Rachel hesita em aprofundar a relação, temendo mais uma desilusão.
Através de uma sucessão de acontecimentos, alguns cómicos, outros trágicos (como o assassinato do Presidente Kennedy), Rachel e Charlotte vão crescer e aprender a superar a tensão na só na relação entre ambas, mas também com os outros.





Não sendo nada do outro mundo, "A Minha Mãe É Uma Sereia" é um filme que se vê com agrado e cuja história parece simples mas que acaba por abordar questões bastante pertinentes e universais como dinâmicas familiares, problemas psicológicos e dores de crescimento. Sem dúvida que o melhor do filme são as contracenas entre Cher, Winona Ryder (nomeada para o Globo de Ouro neste papel) e Christina Ricci (que já então mesmo com 10 anos já mostrava que era uma senhora actriz), com Bob Hoskins a contribuir também com a sua habitual competência. Este foi também o penúltimo filme de Michael Schoeffling, conhecido pelo seu icónico papel de Jake Ryan em "Dezasseis Primaveras", que deixaria a representação em 1991.


Outro factor de sucesso do filme foi a banda sonora, cheia de clássicos dos anos 60, bem como duas versões interpretadas por Cher, sendo que uma delas, "The Shoop Shoop Song (It's In His Kiss)", originalmente gravada por Betty Everett, tornou-se um hit mundial, tendo sido n.º 1 na Áustria, Irlanda, Noruega e no Reino Unido, e quiçá até então o seu maior hit na Europa desde o clássico "I Got You Babe". E como não podia deixar de ser, as suas "filhas" do filme Winona e Christina participaram do videoclip.  


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