quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quatro por Quatro (1994-1995)

por Paulo Neto

Ao contrário da RTP, que nos anos 80 fazia questão de apresentar uma telenovela à hora de almoço (como por exemplo "Cambalacho" e "A Gata Comeu"), esse hábito só a espaços é que foi preenchido na SIC assim que a estação de Carnaxide adquiriu a exclusividade das telenovelas da Rede Globo, e normalmente com a reposição de telenovelas antigas. Daí que "Quatro por Quatro" exibida na SIC em 1995 tenha ficado na memória como a mais popular telenovela da hora do almoço nos anos 90. Sucesso aliás que vinha já do Brasil, onde estreara no ano anterior, ao ponto de ter sido esticada para um total de 233 episódios, sem dúvida uma das mais longas telenovelas da Globo fora do horário nobre.



Escrita por Carlos Lombardi e realizada por Ricardo Waddington e Alexandre Avancini, o sucesso vinha de uma história cheia de humor, ao estilo sitcom com um pouco de nonsense e de um par romântico cuja química contagiou o público e estendeu-se para a vida real.

Mas primeiro a história: Abigail (Bete Lago), Auxiliadora (Elisabeth Savalla), Babalú (Letícia Spiller) e Tatiana (Cristiana Oliveira) são quatro mulheres sem quase nada em comum, excepto num aspecto: cada uma delas quer vingar-se de um homem. Abigail "Bibi" desistiu da sua carreira de psicóloga para se tornar a mulher troféu do famoso médico Gustavo (Marcos Paulo), um homem cruel que humilha a mulher e o filho de ambos, Ralado (Marcelo Faria). Auxiliadora ajudou o seu marido Alcebíades (Tato Gabus Mendes) a tornar-se um bem-sucedido empresário da panificação para ver-se trocada pela jovem e interesseira Elisa Maria (Lizandra Souto). Tatiana é uma mulher tímida que é abandonada no altar pelo seu noivo, o meliante Fortunato (Diogo Vilela). Babalú é uma manicure perdidamente apaixonada pelo mecânico bonitão Raí (Marcello Novaes), cujo amor é totalmente correspondido. Só que Raí não consegue resistir as atenções de outras mulheres e Babalu jura vingança quando o apanha na cama com outra mulher.
As quatro mulheres conhecem-se na prisão, por se verem envolvidas num incidente de trânsito e fazem um pacto de entreajuda para os seus planos de vingança. Alguns deles envolvendo disfarces: Bibi faz-se passar por Calpúrnia, irmã de Alcebíades, para azucrinar Elisa Maria e expô-la como interesseira e também pela  loira Sharon para seduzir Raí. Auxiliadora também tem um disfarce hilariante como a mulata Maria do Socorro enquanto Babalú faz-se passar por uma mulher fatal que namora Ralado para impressionar Gustavo. 


Com o avançar da trama, as quatro mosqueteiras vão vendo os seus planos tomarem rumos inesperados e com alguns obstáculos: Bibi cruza-se com o espião secreto Samuel (Kadu Moliterno) que se interessa por ela; Auxiliadora quase sucumbe aos encantos de Gustavo; Babalú não consegue deixar de amar Raí e Tatiana, depois de uma transformação de visual e de ganhar confiança para se livrar de Fortunato, apaixona-se por Bruno (Humberto Martins).


Bruno é um homem bondoso mas amargurado, que não se perdoa por não ter conseguido salvar a sua esposa Mércia após ter dado à luz, tendo-se refugiado na Amazónia. Bruno regressa ao Rio para conquistar  o amor da filha Ângela (Tatyane Goulart) que foi criada por Gustavo e que é a única pessoa por quem este sente algum afecto. Tatiana tenta ajudá-lo a conquistar o amor da filha mas também terá de lutar contra Suzana (Helena Ranaldi), a irmã de Mércia, que usa as suas grandes parecenças com a irmã e as culpas de Bruno para o seduzir e manipular.


Apesar de inicialmente o principal par romântico ser Bruno e Tatiana, o casalinho que encantou o público e que acabaria por ganhar mais protagonismo foi Raí e Babalú (alguns ainda recordam "Quatro por Quatro" como "a novela da Babalú"). A química escaldante entre Marcelo Novaes e Letícia Spiller fez com que o público se deliciasse com os altos e baixos da relação, entre discussões tormentosas e cenas de tórrida paixão, entre rupturas e reconciliações. Embora Novaes já fosse conhecido de novelas como "A Rainha de Sucata", foi em "Quatro por Quatro" que foi elevado a sex-symbol, enquanto Spiller ganhou direito a ser incluída nesse selecto grupo de mulheres que eram para casar e para coiso. A química entre ambos passou para a vida real já que os dois actores apaixonaram-se, casaram-se e tiveram um filho. A união durou cinco anos. 

Entre as outras personagens, destacam-se Dona Fátima (Bete Mendes) e Seu Santinho (Jorge Dória), mãe e  padrasto de Babalú; Danilo (Marcelo Serrado) a quem várias mulheres da novela causam-lhe um constante "volume" sob a sua calça de pijama; a rebelde Duda (Luana Piovani) por quem Ralado se apaixona e Maria Bataglia (Tássia Camargo), a falsamente casta filha de Seu Santinho. 

A banda sonora estava repleta de êxitos internacionais como "Short Dick Man" dos 20 Fingers, "Always" dos Bon Jovi, "It's a rainy day" de Ice MC e "Goodnight girl" dos Wet Wet Wet. O tema do genérico era "Picadinho de Macho", interpretado por Sandra de Sá.



Para terminar, a jeito de curiosidade, refira-se que nenhuma das actrizes protagonistas tinha sido a primeira escolha para o seu papel. Inicialmente estava previsto que Abigail, Auxiliadora, Babalú e Tatiana fossem interpretadas respectivamente por Vera Fisher, Regina Duarte, Adriana Esteves e Malu Mader, mas por vários motivos, todas acabaram por recusar. Mas sem dúvida que as quatro suplentes fizeram um óptimo trabalho, mesmo sendo esta a primeira telenovela de Bete Lago e Letícia Spiller e de Elisabeth Savalla ter andado vários anos afastada de trabalhos em televisão.  


  
      

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