terça-feira, 21 de abril de 2020

Jackpot '86 (1986)

por Paulo Neto

Sem grandes ideias para outros textos num futuro imediato, resolvi recorrer a uma rubrica habitual de analisar discos de colectâneas de êxitos de outros tempos. E como tenho revisto a série "1986", em especial nos directos do YouTube no canal do Nuno Markl com os actores da série, pensei em recuar até ao dito ano e recordar uma colectânea que eu não tive, mas que eu me recordo bem da sua edição.
A série de colectâneas "Jackpot" teve o seu primeiro volume em 1979, com subsequentes edições anuais entre 1981 e 1988 durante o período natalício. Em alguns anos, houve também uma edição de Verão chamada "Top Jackpot". Foi sem dúvida predecessora da série de colectâneas "Número 1" dos anos 90.

 Editado pela EMI-Valentim de Carvalho, este "Jackpot '86" é sem dúvida um dos mais icónicos tomos da série, não só pela quantidade de êxitos desse ano nele contido como pela sua capa com a cartola e uma mão a agitar uma varinha mágica. Na altura, os volumes desta série ainda não tinham edição em CD, pelo que foi editada apenas em LP e cassete.
Entre grandes sucessos nacionais e internacionais e alguns temas mais obscuros, vamos portanto recordar as 28 faixas de "Jackpot '86".





Disco 1 Lado 1
1. Queen "Who Wants To Live Forever": Sendo eu ainda por nascer ou demasiado novo para me recordar do seu repertório anterior (à parte as duas canções mais famosas do álbum anterior "The Works", "Radio Ga-Ga" e "I Want To Break Free"), foi com o álbum de 1986 "A Kind Of Magic" que fiquei familiarizado com os Queen. Lembro-me de adorar o videoclip da faixa-título com Freddie Mercury vestido de Mandrake a entrar num teatro abandonado e a transformar aquilo tudo e até surgiam desenhos animados para cantar com eles e, apesar da letra algo foleira, "Friends Will Be Friends" é uma das minhas canções preferidas dos Queen. E é claro havia este épico que abre a colectânea. Escrito por Brian May para a banda sonora do filme "Duelo Imortal", "Who Wants To Live Forever" é tecnicamente um dueto de May e Mercury, mas por muito competente que seja o primeiro como vocalista, é só a partir da segunda estrofe na voz de Freddie que a canção ganha realmente vida para culminar no refrão final. Dada a temática da letra sobre a vida e a morte, não é de estranhar que "Who Wants To Live Forever" seja uma canção muito tocada em serviços fúnebres e que tenha ilustrado a cena do filme "Bohemian Rhapsody" em que Freddie Mercury inicia os primeiros tratamentos para o HIV. Entre as várias versões, destaque para a de Seal no concerto de tributo a Mercury, dos alemães Dune e de Sarah Brightman.   
2. Tina Turner "Typical Male": Depois do seu estrondoso regresso à ribalta em 1984 com o álbum "Private Dancer" e do filme "Mad Max 3", Tina Turner continuava em alta com o álbum "Break Every Rule" do qual o primeiro single foi este "Typical Male". Nunca me esqueci do divertido videoclip em que Tina tenta seduzir um advogado, que fica algo intimidado com as tácticas dela nem da versão dos Ministars no álbum "Muita Lôco", intitulada "Não Faz Mal Uma Noitada". O lado B do single era "Don't Turn Around" que viria a ser um hit nas versões dos Aswad e dos Ace Of Base. 
3. Rod Stewart "Every Beat Of My Heart": 1986 foi também regresso aos discos para Rod Stewart com o álbum "Every Beat Of My Heart", cuja faixa-título é uma das minhas preferidas dele, um épico de cinco minutos e um quarto onde não faltam gaitas de foles ou não fosse Stewart, apesar de nascido em Londres, muito ligado às suas raízes escocesas.
4. Rui Veloso "Porto Côvo": Eu nem sequer gosto de laranjas mas já decidi que se algum dia for a Porto Côvo, vou roer uma laranja na falésia tal como no primeiro verso desta canção que Rui Veloso dedicou a esta freguesia do concelho de Sines, em particular à Ilha do Pessegueiro (como reza o refrão "havia um pessegueiro na ilha..."). Era com esta faixa que abria o álbum homónimo de Rui Veloso, o quarto da sua discografia, com a capa dele a fumar num beco e que continha outros hits como "Porto Sentido", "O Negro do Rádio de Pilhas" e "Cavaleiro Andante". 
5. MC Miker G & Deejay Sven "Holiday Rap": Um dos êxitos mais kitsch de 1986, "Holiday Rap", Reza a lenda que Lucien Wittween (MC Miker G) e Sven van Veen (DJ Sven) conheceram-se numa discoteca na cidade holandesa de Hilversum, cujo DJ residente tinha um estúdio onde os dois gravariam a primeira versão de "Holiday Rap" com um sample de "Holiday" de Madonna. Mas para que o tema pudesse ser editado comercialmente e evitar maiores gastos com copyrights, o conhecido produtor Ben Liebrand gravou uma versão usando os mesmos tipos de instrumentos utilizados em "Holiday". Além do dito, o refrão de "Holiday Rap" era uma interpolação de "Summer Holiday" de Cliff Richard. Apesar dos sofríveis talentos de Wittween para o rap, o resultado final foi suficientemente apelativo para ser um hit em toda a Europa, chegando mesmo ao n.º 1 dos tops em França, Holanda, Alemanha e Suíça.
O David Martins já falou aqui em detalhe sobre a versão dos Onda Choc, intitulada "Férias No Algarve", onde a história de dois amigos que descobrem que tiveram um romance de Verão com a mesma rapariga esconde uma crítica ao turismo desenfreado que a dita região enfrenta todos os anos.
6. Pet Shop Boys "Suburbia": uma das canções mais marcantes dos Pet Shop Boys, a agradável melodia synth-pop esconde uma letra sobre as tensões vividas nas comunidades suburbanas de ambos os lados do Atlântico. Aliás, o título é uma referência ao filme de 1984 do mesmo nome. E na minha opinião, continua a ser a melhor canção de sempre a incluir cães a ladrar. 
7. Michael McDonald "Sweet Freedom": Michael McDonald é um daqueles cantores serão mais reconhecidos pela sua voz do que propriamente pelo seu nome. Nos anos 70, fez parte das bandas Steely Dan e Doobie Brothers e 1986 acabou por ser o ano de maior sucesso da sua carreira a solo graças a dois hits internacionais: "On My Own" em dueto com Patti LaBelle e este "Sweet Freedom" da banda sonora do filme "Running Scared" (em Portugal, "Dois Polícias À Solta") com Gregory Hines e Billy Crystal. Em 2002, McDonald gravou uma versão com os Safri Duo.

Disco 1 Lado 2
1. Duran Duran "Notorious": Os Duran Duran foram uma das maiores bandas do mundo na primeira metade dos anos 80 (senão mesmo a maior) mas mesmo sem todo esse fulgor, eles lá continuaram no activo e de vez em quando Simon Le Bon e companhia ainda se reúnem para um ocasional disco e digressão (o álbum mais recente é de 2015). A faixa-título do álbum "Notorious", com o grupo reduzido a um trio, é sem dúvida o seu maior hit da segunda metade da década graças ao seu refrão pegadiço "no-no-notorious!" e a produção de Nile Rodgers.   
2. The Pretenders "Don't Get Me Wrong": Embora já tivessem tido hits como "Brass In The Pocket" e "Back On The Chain Gang", bem como a colaboração de Chrissie Hynde com os UB40 na versão reggae de "I Got You Babe", não há como negar que a canção mais conhecida dos Pretenders, pelo menos em Portugal, é "Don't Get Me Wrong". O videoclip é bastante icónico recreando a série "Os Vingadores" com Hynde no papel da metade feminina da dupla e excertos de cenas de Patrick McNee.
3. Paul Simon "You Can Call Me Al": Apesar da sua extensa carreira, também aposto que se eu pedir a alguém aqui em Portugal para me dizer uma canção de Paul Simon, pelo menos a solo, decerto que maioria dirá esta. E mesmo quem não sabe o título da canção, reconhecerá o solo de instrumentos de sopro. O álbum de Simon de 1986 "Graceland" é sem dúvida um dos mais celebrados da sua carreira, influenciado pelos sons que ouviu durante uma viagem à África do Sul e que sem dúvida estão bem presentes neste "You Can Call Me Al", ainda que a letra fale sobre a crise conjugal e etária de um casal suburbano. O título da canção refere-se a um episódio da vida de Simon quando, durante uma festa, o compositor francês Pierre Boulez tratou-o erradamente por Al e a sua então esposa Peggy Harper por Betty. Tão célebre como a canção é o videoclip com o actor Chevy Chase faz o lipsync da voz de Simon enquanto este vai entrando e saindo do cenário trazendo vários instrumentos musicais. 
4. Paul McCartney "Press": Esta é uma das canções deste disco que nunca tinha ouvido antes de escrever este artigo. Talvez porque o álbum de 1986 "Press To Play" de Paul McCartney marcou a primeira vez que um disco seu teve fraca aceitação do público e da crítica. Mas pelo menos o single principal, "Press", gerou um divertido videoclip com o ex-Beatle a passear pelo metro de Londres em alegre convivência com as muitas pessoas que seguem com ele na carruagem.
5. Heróis do Mar "Fado": Um pouco como os Duran Duran mas à nossa escala nacional, os Heróis Do Mar tentavam estender o grande sucesso que tiveram na primeira metade dos anos 80 para a segunda metade. Após mudança de editora e o afastar de rumores que Rui Pragal da Cunha queria sair do grupo, lançaram o terceiro álbum "Macau" em 1986 do qual este "Fado" é a faixa mais conhecida. Os Heróis do Mar viriam a ter mais um hit em 1987 com "O Inventor" mas a recepção discreta ao álbum de 1988 "IV" ditou o fim da banda.
6. Nik Kershaw "Nobody Knows": A carreira do britânico Nik Kershaw é tão marcada pela sua trilogia de hits de 1984 "Wouldn't It Be Good", "I Won't Let The Sun Go Down On Me" e "The Riddle" que é fácil esquecer tudo o mais que ele fez e que continua no activo (o seu álbum mais recente é de 2012. Não tinha ouvido antes este "Nobody Knows", que marcou o fim do período áureo de Kershaw, já que foi o primeiro single a ficar fora do top 40 britânico (sem contar com a edição original de 1983 de "I Won't Let The Sun Go Down On Me").
7. Glass Tiger "Don't Forget Me (When I'm Gone)": 1986 foi o auge da banda rock canadiana Glass Tiger que com o seu primeiro álbum "The Thin Red Line" ganhou três prémios Juno, uma nomeação para o Grammy de Melhor Revelação e uma participação na parte europeia de uma digressão de Tina Turner. O seu maior hit foi este "Don't Forget Me (When I'm Gone)" que contava com um importante ingrediente secreto: o compatriota Bryan Adams nos coros. Os Glass Tiger continuaram com algum sucesso no seu país e após um hiato entre 1993 e 2003, continuaram em activo desde então ainda que só tenham editado mais um álbum e já em 2018.

Disco 2 Lado 1
1. Madonna "White Heat": É relativamente raro haver canções de Madonna em colectâneas de êxitos, já que a Warner Music, aquela foi durante muito tempo a sua editora, sempre foi algo relutante em ceder músicas dos seus maiores artistas para compilações de outras editoras e era particularmente protectora do repertório da sua maior estrela. Mas era impossível falar sobre a música de 1986 sem falar de Madonna, já que o seu terceiro álbum "True Blue" foi o álbum mais vendido do ano e o álbum de uma artista feminina mais vendido dos anos 80, graças a hits incontornáveis como "La Isla Bonita", "Papa Don't Preach" ou "Live To Tell", e haveria uma lacuna se não houvesse uma canção dela nas colectâneas editadas por essa Europa fora nesse ano. Talvez por isso, o compromisso foi licenciar para esses fins uma faixa do álbum que não foi single (embora tenha sido o lado B de "Open Your Heart" e mais tarde de "Who's That Girl"), este "White Heat" cujo título vinha do filme de 1949 do mesmo nome protagonizado por James Cagney, incluindo mesmo algumas das falas deste no filme.
A primeira vez que ouvi "White Heat" foi no meu 5.º ano quando houve um concurso de dança na minha escola no dia antes das férias do Carnaval e duas raparigas do 6.º ano dançaram ao som dessa canção. 
2. David Bowie "Underground": Um dos filmes de 1986 foi "Labirinto" um filme de fantasia protagonizado por uma jovenzinha Jennifer Connelly e por David Bowie no papel do Rei dos Gnomos, realizado por Jim Henson. (Mas apesar de dirigido pelo criador dos Marretas e ter bonecos, não se podia dizer que era um filme muito infantil ou bem-disposto!) Como não podia deixar de ser, David Bowie contribuiu para a banda sonora com cinco canções, em especial este "underground" que tinha nos coros estrelas da soul como Chaka Khan, Luther Vandross e Cissy (mãe de Whitney) Houston. Na altura, "Labirinto" foi um flop comercial mas rapidamente ganhou depois estatuto de culto. 
3. Peter Cetera "Glory Of Love": Continuando no cinema, um dos maiores filmes de 1986 foi o segundo filme da série "Karaté Kid" onde, como já falámos aqui, Daniel e o Mr. Miyagi vão até à ilha japonesa de Okinawa de onde o segundo é originário e são confrontados com velhos rancores e inimigos ainda mais perigosos que os Cobra Kai. (Ainda assim Daniel arranja tempo para namoriscar com a doce Kumiko.) Tão bem-sucedido como o próprio filme, foi o seu tema principal, "Glory Of Love" interpretado por Peter Cetera (originalmente escrita para o "Rocky IV"!) que se tornaria o maior sucesso a solo do ex-Chicago, chegando ao n.º 1 do top nos Estados Unidos e na Suécia e sendo nomeado para o Óscar de Melhor Canção.   
4. GNR "Efectivamente": Apesar das convulsões internas, que levariam à saída de Alexandre Soares, o álbum "Psicopátria" foi mais um passo em frente na ascensão dos GNR com canções como "Bellevue" ou "Pós-Modernos". Mas o grande hit deste álbum é sem dúvida "Efectivamente", que se tornou rapidamente outro grande clássico do Grupo Novo Rock, com Rui Reininho a cantar que adora as pulgas dos cães.
5. Sigue Sigue Sputnik "21st Century Boy": Formados em 1982 no auge do pós-punk e da new wave, os londrinos Sigue Sigue Sputnik tiveram em 1986 os seus quinze minutos de fama graças a dois hits produzidos pelo lendário Giorgio Moroder: "Love Missile F-11" e este "21st Century Boy". O álbum 1988, produzido pelos não menos lendários Stock, Aitken e Waterman, ainda teve algum sucesso no seu país (e no Brasil!), mas desde então que os dois dos membros fundadores da banda, Tony James e Neal X, continuam, entre vários hiatos, a manter o projecto activo até hoje, baseado nos seus dois hits.   
6. Francis "México": Tema instrumental do álbum "Stiletto" de Francis, que foi guitarrista dos Xutos & Pontapés entre 1981 e 1983. Neste disco participaram nomes como Guilherme Inês, Ricardo Camacho, Naná Sousa Dias, Zé Nabo e Isabel Campelo. Além de mais três álbuns a solo (o mais recente de 2015), Francis produziu discos para Jorge Palma e os Diva e integrou a formação de grupos como os Sétima Legião e os Ravel.  
7. Falco "The Sound Of Musik": O austríaco Johann Hölzl, mais conhecido como Falco, ficou sempre ligado ao seu grande hit global "Rock Me Amadeus" de 1985, provavelmente uma das canções em língua alemã mais famosas de sempre. Mas antes como depois, Falco teve uma prolífica carreira e continuou a editar música com algum sucesso nos países de língua alemã até à sua morte prematura em 1998 num acidente de viação na República Dominicana.  Este "The Sound Of Musik" (não, não tem nada a ver com o filme "Música No Coração") fazia parte do álbum seguinte, "Emotional".

Disco 2 Lado 2
1. A-Ha "I've Been Losing You": Depois do grande sucesso do seu primeiro álbum, "Hunting High And Low" de 1985, que continha hits como a faixa-título, "The Sun Always Shines On TV" e sobretudo "Take On Me", os noruegueses A-Ha não tardaram a avançar para o segundo álbum, "Scoundrel Days", do qual este foi o primeiro single.   
2. Grace Jones "I'm Not Perfect (But I'm Perfect For You)": Decerto que Serafim Saudade estaria de acordo se eu disser que a expressão "o verdadeiro artista", ou melhor, "A verdadeira artista" assenta que nem uma luva a Grace Jones. A obra da jamaicana, que já conta mais de sete décadas de vida, como modelo, actriz e cantora é amplamente conhecida e icónica e fortemente influente para muitos artistas da actualidade, da moda à música. E com o seu visual andrógino, não foi de estranhar que ela vivesse nos anos 80 o seu maior ponto alto da sua carreira musical, com temas como "Pull Up To The Pumper" e "Slave To The Rhythm". Este "I'm Not Perfect" era o primeiro single do álbum "Inside Story" e além da presença de nomes como Andy Warhol, Keith Hering, Nile Rogers e Timothy Leary, o videoclip tinha a particularidade de ter sido realizado pela própria Grace Jones. E não resisto a este apontamento final: ao pesquisar sobre Grace Jones para este texto descobri que o seu único filho chama-se...Paulo!   
3. Kate Bush "Experiment IV": 1986 foi ano de retrospectiva para Kate Bush que lançou o seu primeiro álbum best of, "The Whole Story"que continha onze dos seus maiores sucessos, uma nova regravação de "Wutering Heights" e uma faixa inédita, este "Experiment IV", que fala de um plano secreto militar para se criar um som tão horrível que até mata pessoas.   
4. Vitorino "Joana Rosa": Os anos 80 viram o alentejano Vitorino Salomé Vieira tornar-se num inesperado popstar graças à sua fusão de folclore tradicional com sonoridades pop que rendeu hits como "A Queda do Império", "Menina Que Estás À Janela" e "Leitaria Garrett". Este "Joana Rosa" foi um maxi-single com influências da morna caboverdiana, tendo Vitorino também gravado uma versão em crioulo. Versão essa que seria incluída no seu álbum seguinte "Fado Negro" de 1988 ".
5. Mike And The Mechanics "All I Need Is A Miracle": Numa pausa dos Genesis e com o colega Phil Collins ocupado com a sua carreira a solo, Mike Rutherford decidiu formar uma banda em part-time, os Mike & The Mechanics, com Paul Carrack e Paul Young (não confundir com o cantor de "Every Time You Go Away" do mesmo nome) a repartirem as funções de vocalista. O primeiro álbum da banda foi bem recebido nos Estados Unidos (não tanto no Reino Unido) graças a hits como este "All I Need Is A Miracle", cantado por Young. Os dois álbuns subsequentes trariam outros êxitos como "The Living Years" e "Over My Shoulder" (ambos interpretados por Carrack). Em 1996, por ocasião do primeiro álbum best of, regravaram uma nova versão de "All I Need Is A Miracle".    
6. Claudia "Classical Way": E eis-nos chegados à canção mais obscura deste disco. A internet não disse nada sobre quem é esta Cláudia sem acento que cantava este tema italo-disco à portuguesa. Sabe-se apenas que esta faixa foi gravada em Outubro de 1986, faria parte de um álbum intitulado "Missionary" que nunca viria a existir e que a produção era de alguém sob o nome Nice Tan que também produziu nesse o single "Latino Americano" do projecto Spunky, por quem dava cara e voz Paula Monteiro. 
7. Crowded House "World Where You Live": Foi em 1986 que os australianos deixaram para a posterioridade o clássico "Don't Dream It's Over", retirado do álbum homónimo de estreia, álbum esse que incluía também este "World Where You Live". Após um interregno entre 1996 e 2007 e por entre as carreiras a solo dos líderes da banda, os irmãos Neil e Tim Finn, os Crowded House continuam no activo. Outros hits da banda incluem "Weather With You", "Fall At Your Feet" e "Distant Sun". 

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Star Trek: Deep Space Nine (1993-1999)





No dia 3 de Janeiro de 1993 estreou a terceira série em imagem real do universo “Star Trek” e a primeira não passada a bordo de uma nave de exploração, mas da estação espacial que lhe dá título: “Deep Space Nine”. Apesar de sempre ter lido elogios dos críticos, e de gostar do design da estação, esta é provavelmente a série Star Trek que menos episódios assisti, porque a premissa nunca me agarrou. A estação espacial da Federação guardava um "buraco-de-minhoca" que permitia viajar ao outro lado da Via-Láctea. Mas o inimigo estava à espreita na outra extremidade da anomalia espacial e a série lidava com guerra, intrigas e políticas. Eu na época preferia as aventuras de Jean Luc Picard e a tripulação da sua Enterprise em viagem pela galáxia. Mas recordo bem ver "DS9" assinalada nas revistas de programação TV. “DS9”, menos episódica e um tom mais negro e ambíguo que as anteriores, é famosa também pelo primeiro protagonista não-branco no mundo do “Caminho das Estrelas”, o comandante/capitão Sisko (Avery Brooks). Aparentemente, “DS9″ tomou “emprestado” inspiração do projecto com uma premissa similar “Babylon 5″ (1993-98). Dessa acompanhei bastantes episódios. Provavelmente se tivesse dado uma chance a “DS9″ ter-me-ia tornado fan. Ao longo das suas 7 temporadas (176 episódios) “DS9″ teve alguns crossovers de personagens (por exemplo o icónico Worf) e acontecimentos com as outras séries "Star Trek" contemporâneas: “Next Generation” (1987-94)  e “Voyager” (1995-2001).


Genérico da abertura da primeira temporada. Onde está o entusiasmo, o drama, a aventura e emoção? Talvez com um genérico enganador tivessem conseguido angariar mais espectadores.




quarta-feira, 15 de abril de 2020

Kissyfur (1986-1990)



Estava há dias (em 2016, quando comecei este cromo) a ler uma lista de um site americano com desenhos animados bizarros quando revi o genérico de KissyFur e um click se fez na minha mente, a música, as imagens brotaram dos arquivos da memoria.

Pesquisando na imprensa da época, em Portugal foi exibido pela RTP aos Domingos de manhã, no espaço "Domingão", a partir do inicio de Abril de 1990 até 9 de Setembro. No dia 6 de Outubro esteve previsto para o 'Canal Jovem' de Sábado, e em Junho de 1991 regressou aos Domingos.

Segundo a Wikipedia em português, a animação foi cancelada duas vezes, mas  a versão em inglês adianta que a série foi antecedida por 4 especiais entre 1985 e 1986, e só em 1986 a série começou realmente. O site TV.Com também menciona o cancelamento e "ressureição". As duas temporadas foram ao ar entre 1986 e 1990, totalizando 26 episódios das aventuras dos ursos Kissyfur (Christopher) e Gus, pai e filho, respectivamente. Ambos fugiram da "vida maravilhosa" do circo e buscaram abrigo num pântano. Mas, entre secas, as traquinices de Kissifur e amigos, e outros dramas, a maior ameaça à pacifica vida no pântano são o par de aligátores Floyd e Jolene.

Esta "crocodila" sempre me fez lembrar a Cuca do Sítio do Picapau Amarelo. Gus e o filho, além de protegerem o pântano com as habilidades aprendidas no contacto com os humanos, também têm um negócio de taxi-aquático para transporte de carga e animais (como clientes, não carga...). Outros personagens recorrentes incluíam o castor Toot, o porco selvagem Duane, a coelha Beehonie, o porco-espinho Stuckey, a tartaruga Shelbie e o interesse romântico do víuvo Gus: a professora Emmie Lou, também uma ursa.

O genérico inicial de "Kissyfur":



Quem se lembra de ver na RTP?

terça-feira, 7 de abril de 2020

Pátio Da Fama (1994)

por Paulo Neto

O site dos arquivos da RTP permitiu-me recordar na íntegra o programa "Pátio da Fama" exibido na RTP1 em 1994. Tratava-se basicamente de um "Chuva de Estrelas" da representação, onde aspirantes a actores pretendiam tentar a sua sorte.


"Pátio da Fama" era apresentado por Diogo Infante, com o primeiro programa exibido a 11 de Julho de 1994 e a final no último dia do mesmo ano. Começou por dar às segundas-feiras mas a partir das semifinais passou para os sábados.





Ao todo foram 25 programas: 16 eliminatórias, 8 semifinais e uma finalíssima. Os concorrentes podiam competir sozinhos ou em equipa: geralmente competiam individualmente ou em duplas mas chegou a haver equipas de cinco ou seis actores. Concorreram pessoas de todo o país e de várias idades, sendo alguns até mais novos do que eu era na altura (tinha 14 anos). Também aconteceu que certas duplas e equipas concorrentes serem formadas por desconhecidos que se conheceram no casting e optaram por concorrer juntos.
Cada concorrente ou equipa escolhia uma cena de um filme, peça de teatro, série ou telenovela (sendo que alguns optaram por dramatizar poemas ou textos escritos), com cenário e figurinos o mais aproximadamente possíveis aos originais. Caso escolhessem uma cena de um filme estrangeiro, os concorrentes podiam optar entre actuar na língua original (inglês, francês, espanhol), com a produção a providenciar legendagem, ou em português. 
No final da actuação, os concorrentes ouviam as opiniões do júri que a cada programa era composto por dois convidados, ligados ao mundo do espectáculo, e pela actriz Carmen Dolores, que foi a júri residente em todos os programas. Na final, o júri teve vários elementos, muitos dos quais já tinham estado no programa. A directora de castings para o programa foi a realizadora Ana Luísa Guimarães
Nas eliminatórias, apresentavam-se cinco concorrentes/equipas dos quais eram escolhidos dois apurados para as semifinais. Em cada semifinal, reapresentavam-se quatro representações e era escolhido uma para ser um dos oito finalistas. Na final, foram anunciados os três primeiros classificados.  


Eis uma lista dos júris convidados e dos concorrentes em cada programa. (Em negrito os apurados)

1.º programa 11/7/1994
Júris convidados: João Perry e Margarida Pinto Correia
Fernando Pereira e Hélder Gonçalves - O Pátio das Cantigas (Vasco Santana e Ribeirinho)
Rúben Santos e Túlia Montes - A Rainha da Sucata (António Fagundes e Cláudia Raia)
Ricardo Fortunato - Serafim Saudade em Hermanias (Herman José)
Luís Carvalho e Márcio Correia - O Exterminador Implacável 2 (Arnold Schwarzengger e Edward Furlong)
Célia Faveiro - Mãe Coragem e Seus Filhos (Eunice Muñoz)

2.º programa 18/7/1994
Júris convidados: Lídia Franco e Mário Viegas
Isabel Almeida - Sktech "Olívia Costureira, Olívia Patroa" (Ivone Silva)
Claudina José e Marisa Butzke - Fera Ferida (Arlette Sales e Deborah Evelyn)
Alfredo Almeida e José Pedro Gomes - Drácula (Tom Waits e Richard E. Grant)
Marília Sousa e Vítor Manuel - Cena da cozinha em A Canção de Lisboa (Beatriz Costa e Vasco Santana)
Anabela Faustino - Dias Felizes de Samuel Beckett (Glicínia Quartim)

3.º programa 25/7/1994
Júris convidados: Virgílio Castelo e Isabel Castro
Nuno Nunes e Vítor Nunes - Sozinhos Em Casa (Miguel Guilherme e Henrique Viana)
Susana Simões e Gustavo Simões - A Castro de António Ferreira
Alexandra Gouveia e Maria Margarida Reis - Sktech "Cozinho Para O Povo" de O Tal Canal (Herman José e Margarida Carpinteiro)
Cláudia Costa e Luís Gaspar - Psycho (Janet Leigh e Anthony Perkins)
João e Tina - Cena da marcha A Canção de Lisboa (Vasco Santana e Beatriz Costa)

4.º programa  1/8/1994
Júris convidados: Miguel Guilherme e Joaquim Leitão
Rosária Alves e Joaquim Alexandre - Grande Noite (Paula Guedes e Fernando Mendes)
Micaela Ramos - Vamp (Patrícia Travassos)
Rui Pedro Bacelar - Poesia "O Monstrengo" e "Cântico Negro" (João Villaret)
Miguel Granja, Raquel Granja, Miguel Levy, Teresa Dias, Pedro Pinto - O Meu Pé Esquerdo (Daniel Day Lewis, Fiona Shaw, Adrian Dunbar)
Cláudia Chéu e Nelson Ramos - Cena "A Agulha e o Dedal" de A Canção de Lisboa (Beatriz Costa e António Silva)

5.º programa 8/8/1994
Júris convidados: Rui Mendes e Sofia Sá da Bandeira
Elizabete Almeida - Felizmente Há Luar de Luís Sttau Monteiro
Elsa Miranda, José Miranda, Alda Rodrigues e João Lima - Nico D'Obra (Ana Zanatti, Nicolau Breyner, Rosa do Canto e Fernando Mendes)
Luís Elias - José Estebes em O Tal Canal (Herman José)
Carla Gabriel, Maria João Afonso, Ana Batalha, Elisabete Silva e Alice Costa - O Costa do Castelo (Curado Ribeiro, Milú, Maria Matos, António Silva, Teresa Casal)
Hugo Tomás e Sara Rolo - O Silêncio dos Inocentes (Anthony Hopkins e Jodie Foster)

6.º programa 15/8/1994
Júris convidados: José Viana e Rita Ribeiro
Paula Pinto -  Cena da revista A Prova dos Novos (Marina Mota)
Lurdes Cristóvão e Jorge Martins - O Céu da Minha Rua (Amália Rodrigues e Varela Silva)
Ana Gago e Rui Gago - Sabadabadu (Ivone Silva e Camilo de Oliveira)
Júlia Martins e Maria João Gonçalves (Falcão) - Flores de Aço (Sally Field e Julia Roberts)
Paulo Santos - O Pátio das Cantigas (Vasco Santana)

7.º programa 22/8/1994
Júris convidados: Henrique Viana e Margarida Carpinteiro
Arminda Ferrão e Hugo Israel - Amor de Perdição (Carmen Dolores e Igrejas Caeiro)
Justina Valente e António Jorge - Canção Dentro de Pão de Raimundo Magalhães Júnior
Carla Silva e Jaime Contente - Antes de Começar de Almada Negreiros 
Joel Aleixo e Sara Aleixo - Sketch "Mona Lisa" de Hermanias Fim de Ano (Herman José e São José Lapa)
Patrícia Albano e Luís Miguel Silva - E Tudo O Vento Levou (Vivien Leigh e Clark Gable)

8.º programa 29/8/1994
Júris convidados: Ricardo Carriço e Alexandra Lencastre
Pedro Oliveira - JFK (Kevin Costner)
Paulo Celestino e Fernanda Coelho - "Agostinha e Agostinho" em Sabadabadu (Camilo de Oliveira e Ivone Silva)
Renata Romano, Vítor Fonseca e Maria José Duarte - A Canção de Lisboa (Dina Teresa, Vasco Santana e Beatriz Costa)
Ana Quintans e Itesh Parmur - A Lição de Eugene Ionescu
Lia, Luz e Tiago Francisco - Thelma & Louise (Geena Davis, Susan Sarandon e Jason Beghen)

9.º programa 5/9/1994
Júris convidados: Luís Lucas e Canto Castro
Alberto Candeias e João Guerreiro - Senhor Contente e Senhor Feliz (Herman José e Nicolau Breyner)
Pedro Assis - Crimes Exemplares de Max Aub
Inês Barradas - Sketch "Era Um Ovário" de Hermanias Fim-de-Ano (Herman José, Vítor de Sousa e Rosa Lobato Faria)
Sara Roby e João Ribeiro - Ligações Perigosas (Glenn Close e John Malkovich)
Andreia Oliveira e Tobias Coelho - O Diário de Anne Frank

10.º programa 12/9/1994
Júris convidados: Rogério Samora e Fernando Heitor
Lurdes Santos e Miguel Gião - A Forja de Alves Redol
Ana Ribeiro - Frei Luís de Sousa (Maria Dulce)
Nuno Jordão e Leonardo Varela Cid - O Padrinho II (John Cazale e Al Pacino)
Arnaldo Moreira - Os Malefícios do Tabaco de Anton Tchekov
Lassalete Duque e Miguel Ferreira - Cena de uma revista com Ivone Silva

11.º programa 23/9/1994
Júris convidados: Ana Bustorff e Maria Elisa
Sofia Cerveira e Casimiro Jorge - O Processo do Rei (Carlos Daniel e Aurelle Doazan)
Rui Ribeiro - Bip (Marcel Marceau)
Marco Neves, Ricardo Fernandes e José Artur - Perfume de Mulher (Al Pacino, Chris O'Donnell e James Rebhorn)
Natacha Marchand e Bruno Freitas - Perversões de David Mamet
Vanessa Pinto e Rui Coimbra - Máscara (Cher e Eric Stolz)

12.º programa 1/10/1994
Júris convidados: Nuno Melo e Sérgio Godinho
Dora António, Pedro Rosa e Joca Vidal - Marina, Marina
Alexandra Cruz - O Fim de António Patrício
Marieta Ferreira e Dulce Reis - Saltos Altos (Victoria Abril e Miriam Diaz Aroca)
Fátima Rodrigues e José Bagulho - Ivanov de Anton Techkov
Sofia Passo, Francis Ian e Mónica Costa - Quem Tramou Roger Rabbit (Jessica Rabbitt, Bob Hoskins, Joanna Cassidy)

13.º programa 8/10/1994
Júris convidados: Carlos Avilez e Margarida Marinho
José Correia - O Avarento de Molière
Catarina Valério e Joana Costa - Sketch "Momento Infantil" de O Tal Canal (Herman José e Lídia Franco)
Pedro Miguel Ribeiro - Bom Dia, Vietname (Robin Williams)
Miguel Ângelo - Entrevista Com O Vampiro 
Ivo Ferreira - O Contra-Baixo de Patrick Suskind

14.º programa  15/10/1994
Júris convidados: Alexandra Leite e Rita Blanco
Daniela Felisberto e José Armelindo - Sketch "Cantora Brasileira" em Hermanias Fim-De-Ano (Herman José e Vítor de Sousa)
Cláudia Almeida e Artur Silva - O Menino e o Caixote de Mário Henrique Leiria
Helga Brandão e Sérgio Vilhena - O Meu Primeiro Beijo (Anna Chlumsky e Macaulay Culkin)
Telma Marisa e António Igrejas - A Gaivota de Anton Tchekov (Alexandra Lencastre e José Wallenstein)
Ivandro Soares Monteiro e Ricardo Tomé - Uma Questão de Honra (Jack Nicholson e Tom Cruise)

15.º programa 22/10/1994
Júris convidados: Adriano Luz e Carlos Daniel
Catarina Leonardo e Sandra Ribeiro - O Auto da Índia de Gil Vicente
Marta Nogueira e Pedro Rebelo - Annie Hall (Diane Keaton e Woody Allen)
Luísa Almeida, Luís Almeida e Carla Alexandra - Toma Lá Revista (Marina Mota)
Luís Ramos - Poesia de Álvaro de Campos
Lina Xilra - O Tempo Aperta de Antonio Tabucchi

16.º programa 29/10/1994
Júris convidados: Cristina Carvalhal e Mónica Calle
Cristina Basílio e Flávio Rabaçal - Auto Da Fé de Tennessee Williams
Carina Santos e Joaquim Marques - Nikita (Anne Parillaud e Jean-Hugues Anglade)
Ana Figueiredo - Poesia e prosa de Eugénio de Andrade
Susana Gonçalves, Miguel Ângelo e Carlos Fernandes - Sketch "Conselheiro Matrimonial" de Monty Python (Carol Cleveland, Michael Palin e Eric Idle)
Ana Sofia e David Garcia Reis - O Silêncio dos Inocentes (Jodie Foster e Anthony Hopkins)

1.ª semifinal 5/11/1994
Júris convidados: Fernando Lopes e Isabel Ruth
Elizabete Almeida - Felizmente Há Luar
Cláudia Costa e Luís Gaspar - Psycho
Rúben Santos e Túlia Montes - A Rainha da Sucata
Pedro Miguel Ribeiro - Bom Dia, Vietname

2.ª semifinal 12/11/1994
Júris convidados: Vítor Norte e Susana Borges
Lurdes Cristóvão e Jorge Martins - O Céu da Minha Rua
Inês Barradas -  Hermanias Fim-de-Ano
Lia, Luz e Tiago Francisco - Thelma & Louise
Carla Silva e Jaime Contente - Antes de Começar

3.ª semifinal 19/11/1994
Júris convidados: João Lagarto e Teresa Roby
Telma Marisa e António Igrejas - A Gaivota 
Alfredo Almeida e José Pedro Gomes - Drácula
Ivo Ferreira - O Contra-Baixo
Marieta Ferreira e Dulce Reis - Saltos Altos

4.ª semifinal 26/11/1994
Júris convidados: António Feio e Maria João Seixas
Luís Ramos - Poesia de Álvaro de Campos
Miguel Granja, Raquel Granja, Miguel Levy, Teresa Dias, Pedro Pinto - O Meu Pé Esquerdo
Ana Quintans e Itesh Parmur - A Lição
Ivandro Monteiro e Ricardo Tomé - Uma Questão de Honra

5.ª semifinal 3/12/1994
Júris convidados: Hélder Costa e Lia Gama
Arnaldo Moreira - Os Malefícios do Tabaco
Ana Sofia e David Garcia Reis - O Silêncio dos Inocentes
Anabela Faustino - Dias Felizes 
Rui Pedro Bacelar - Poesia "O Monstrengo" e "Cântico Negro"

6.ª semifinal 10/12/1994
Júris convidados: António Fonseca e Zita Duarte
Luís Carvalho e Márcio Correia - O Exterminador Implacável 2
Ana Figueiredo - Poesia e prosa de Eugénio de Andrade
Marco Neves, Ricardo Fernandes e José Artur - Perfume de Mulher
Justina Valente e António Jorge - Canção Dentro de Pão

7.ª semifinal 17/12/1994
Júris convidados: Márcia Breia e Fernanda Lapa
Alexandra Cruz - O Fim 
Nuno Jordão e Leonardo Varela Cid - O Padrinho II
Alexandra Gouveia e Maria Margarida Reis - O Tal Canal
Pedro Assis - Crimes Exemplares 

8.ª semifinal 24/12/1994
Júris convidados: Rui Reininho e Lucinda Loureiro
Júlia Martins e Maria João Gonçalves (Falcão) - Flores de Aço
Lina Xilra - O Tempo Aperta 
Rui Ribeiro - Bip de Marcel Marceau
Hugo Tomás e Sara Rolo - O Silêncio dos Inocentes 

Final 31 de Dezembro 1994
Júris convidados: Ana Bustorff, Canto e Castro, Fernando Matos Silva, Glória de Matos, Isabel de Castro, Isabel Ruth, João Reis, Margarida Marinho, Nuno Melo, Teresa Roby e Virgílio Castelo
1.º lugar: Pedro Assis - Crimes Exemplares de Max Aub
2.º lugar: Pedro Miguel Ribeiro - Bom Dia, Vietname
3.º lugar: Anabela Faustino - Dias Felizes de Samuel Beckett

3.º lugar: Anabela Faustino
2.º lugar: Pedro Miguel Ribeiro

1.º lugar: Pedro Assis



Eis algumas das minhas opiniões e apontamentos sobre o programa:
- Eu lembro-me de ter acompanhado o programa com alguma regularidade e de achar um programa muito bem conseguido, e revendo-o 26 anos mais tarde, mantenho a mesmo opinião. Diogo Infante foi um excelente apresentador e os cenários e os figurinos das actuações eram bastante bons. Foi pena que o programa só tivesse tido uma única temporada.
- Os filmes de Hollywood, as comédias clássicas do cinema português e os sketches do Herman José eram as opções mais frequentes dos concorrentes mas houve espaço para todos os tipos de cinema e teatro. Foi neste programa que eu soube pela primeira vez de algumas peças e alguns dramaturgos como Ionescu e Tchekov. 
- Foi também oportunidade para recordar alguns dos actores que foram júris no programa mas que já faleceram: Mário Viegas, Carlos Daniel, Henrique Viana, José Viana, Nuno Melo, Isabel de Castro, Teresa Roby e António Feio. Já Carmen Dolores felizmente ainda está entre nós, a caminho do seus 96 anos. (ACTUALIZAÇÃO: Carmen Dolores faleceu em 2021.)
- Todos os finalistas ganharam viagens: intercontinentais para os dois primeiros, europeias para os outros, além da hipótese de fazerem estágios em escolas de actores em Portugal.   
- Pedro Assis foi um justíssimo vencedor já que a sua interpretação de "Crimes Exemplares" era absolutamente hipnótica e arrepiante. Como prémio principal, ganhou um curso para actores na prestigiada Escola Lee Strasberg em Nova Iorque. Tanto quanto sei, Pedro Assis continua a representar mas quase exclusivamente em teatro. No seu perfil no IMDB, além do "Pátio da Fama", constam só participações na série "Médico de Família" e no filme "António, Um Rapaz de Lisboa". 
- O segundo classificado, Pedro Miguel Ribeiro, veio a ter alguma notoriedade nos anos seguintes na RTP, onde apresentou o espaço infantil dos fins-de-semana (por vezes num pastiche da sua performance de "Bom Dia, Vietname" de "Pátio Da Fama") e o concurso "Casa Cheia". Actualmente, apesar de ainda alguns trabalhos de actor, dobragens e stand-up, Pedro Miguel Ribeiro dedica-se sobretudo à escrita de argumentos. Por exemplo, foi um dos guionistas do Festival da Eurovisão de 2018.
- Anabela Faustino, a terceira classificada, pode actualmente ser vista na telenovela "Nazaré" no papel de Paula. Ela também entrou, por exemplo, na telenovela "Anjo Meu" e nas séries "Riscos "e "Alves dos Reis". 
Luís Gaspar
Maria João Falcão (ao centro)

- Três concorrentes viriam a tornar-se rostos habituais nas nossas telenovelas (e não só): Luís Gaspar ("Psycho"), Maria João Falcão ("Flores de Aço", que concorreu como Maria João Gonçalves) e Nuno Nunes ("Sozinhos Em Casa"). Já Cláudia Chéu ("A Canção de Lisboa") também tem feito televisão, sendo sobretudo conhecido o seu papel em "Morangos Com Açúcar" de uma rapariga que se faz passar por rapaz, mas tem-se dedicado essencialmente ao teatro. Sofia Cerveira ("O Processo Do Rei") viria a destacar-se como apresentadora, começando em 1997 na "Meteorologia" da RTP. E decerto que vimos outros concorrentes na televisão, mas de momento não me recordo.
- Sara Rolo ("O Silêncio dos Inocentes") é actualmente casada com o autor e apresentador Luís Filipe Borges (durante muito tempo conhecido como "O Gajo da Boina"). Segundo o livro deste "O Playboy Que Escrevia Canções de Amor", os dois conheceram-se quando estudavam Direito, numa aula dada por Marcelo Rebelo de Sousa. 
- E por fim, as duas concorrentes que fizeram o sktech "Momento Infantil" de "O Tal Canal" não só eram da minha terra Torres Novas como andavam na altura na minha escola! A Joana era prima de um rapaz da minha turma e a Catarina morava no prédio ao lado do meu. Nos anos seguintes, eu tive algumas aulas com ela, pois ela era da outra turma de Humanidades. E o mais estranho, É QUE EU NÃO ME LEMBRAVA DISSO e só ao rever agora é que me recordei! Como foi possível um acontecimento destes ter-se me varrido da memória, logo eu que tanto me vanglorio da minha prodigiosa memória? Enfim, no melhor pano cai a nódoa.       


Link para todos os programas de "Pátio Da Fama" no site de arquivos da RTP:
https://arquivos.rtp.pt/programas/patio-da-fama/page/1/#filters


Algumas actuações no YouTube:











quarta-feira, 25 de março de 2020

Zarabadim (1985-86)

por Paulo Neto

Olhando para trás, percebo que uma das vantagens de ter sido criança nos anos 80 era que a oferta de entretenimento infantil, em todos os aspectos desde brinquedos a filmes e programas de televisão, era bem menor comparada com a actualidade mas que isso nos fazia apreciar o pouco que tínhamos. Não que eu ache errado que as crianças de hoje tenham muitas e sofisticadas opções de entretenimento (quem me dera que assim fosse no meu tempo!) mas por vezes pergunto-me se elas darão verdadeiramente valor a tudo aquilo que têm ao seu dispor.
Nos meus tempos de criança, claro que adoraria por exemplo que houvesse canais integralmente preenchidos com desenhos animados e séries infanto-juvenis, mas também havia algo de mágico naquela antecipação pela hora dos espaços infantis da RTP como "O Tempo Dos Mais Novos" ou "Brinca, Brincando". E depois, apesar dos poucos recursos, não há como negar que nos anos 80 fez-se produções infanto-juvenis em Portugal de qualidade. Ao rever alguns desses programas em adulto quer na RTP Memória quer na internet, constato como certas coisas que me encheram olho em miúdo agora parecem tão parcas, até rudimentares, ao meu olhar adulto mas ao mesmo tempo estavam cheias de dedicação e coração, e fico com a sensação de que em criança vivi num tempo e num espaço tão distantes do actuais, onde tudo decorria a uma velocidade bem menor. 



Recentemente graças ao site dos arquivos da RTP tive a oportunidade de rever alguns episódios de uma série que eu recordava vagamente desses meus tempos de petiz e dei comigo a dizer para mim próprio algumas vezes: "Tchi, já não me lembrava disto!". Trata-se de "Zarabadim", uma série infantil exibida entre 1985 e 1986 aos domingos no "Tempo do Mais Novos", da autoria de José Fanha e Dulce Fanha com canções de Carlos Alberto Moniz.
Mais uma vez, o meu olhar adulto ficou aquela duplicidade de sensações: por um lado, achei tudo tão datado e algo tosco (embora os cenários e figurinos até fossem assaz bons para o Portugal de 1985), por outro achei o conteúdo bastante didáctico, feito com muito esforço e dedicação de todos os envolvidos e perfeitamente capaz de entreter os petizes daquele tempo, como eu.



Mas o que era afinal o "Zarabadim"? Tudo começa quando dois jovens, a Joana (Ângela Pinto) e o João (José Wallenstein), decidem explorar os bastidores do teatro e espreitam um mágico (Zurc) a fazer truques com um chapéu. Os dois acabam por descobrir que se lançarem uns pozinhos de perlimpimpim e disserem a palavra mágica "Zarabadim!", tal como viram o mágico fazer, eles vão parar para dentro do chapéu e entrar num mundo mágico onde vão conhecer diversas personagens e aprender muitas coisas nas ruas desse universo. Os novos amigos que o João e a Joana vão fazer nesse mundo mágico são uma bailarina (Luzia Paramés), um palhaço (António Feio), um livro (Filipe Ferrer), um pinguim inventor (Francisco Pestana) e uma galinha (São José Lapa). E em cada episódio, eles visitam uma rua onde vão aprender coisas como formar palavras, as notas musicais ou formar novas cores a partir das cores primárias. E claro pelo meio, há várias cantigas. O último episódio foi uma retrospectiva dos anteriores. 


Mas as cantigas mais marcantes eram as dos genéricos: o de abertura ("Zarabadim, zarabadim, pozinhos de Zarabadim!") interpretado por Carlos Alberto Moniz e o genérico final ("Olha o céu lá no fundo do chapéu, olha o Sol e a Lua a namorar") na voz de uma muito jovem Lúcia Moniz. Aliás, algumas canções do programa foram editadas em disco.






Além dos actores já mencionados, houve outros que foram tendo vários papéis ao longo da série, consoante episódio, como Cláudia Cadima, José Jorge Duarte, Cecília Sousa e o próprio Carlos Alberto Moniz. A narração era de Cucha Carvalheiro.

Uma das coisas que eu fiquei espantado quando revi a série é que eu tinha a ideia de que os actores que faziam de João e Joana eram adolescentes e afinal tratavam-se de um José Wallenstein e uma Ângela Pinto já com vinte e muitos anos.

Em 2013, José Fanha adaptou textos da série para uma peça de teatro.



Como já referi, "Zarabadim" pode ser vista no site de arquivos da RTP. (Embora faltem alguns episódios, nomeadamente o primeiro.)
 

domingo, 22 de março de 2020

Festival da Eurovisão 1975

por Paulo Neto

Voltamos a recordar uma edição do Festival da Eurovisão e desta vez damos o maior salto temporal até 1975. Na virtude da histórica vitória dos ABBA com "Waterloo" no ano anterior, o 20.º Festival da Eurovisão teve lugar a 22 de Março de 1975 em Estocolmo, com apresentação de Karin Falck.




Esta edição é por vezes referida como o "Festival Azul" devido à predominância da cor azul no cenário. Dezanove países participaram no certame, destacando-se a estreia da Turquia e os regressos de França (que desistira em 1974 após a morte do Presidente Georges Pompidou) e de Malta (ausente desde 1972) e a ausência da Grécia, que se estreara no anterior, devido à participação da Turquia com quem estava em conflito na altura devido à ilha de Chipre. 
Mas esta edição da Eurovisão é sobretudo histórica por ter sido o primeiro ano em que foi o implementado o sistema de pontuação dos "douze points", nos quais o júri de cada país atribui 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10 e 12 pontos às suas dez canções preferidas, sistema esse, que com devidas alterações, se mantém até hoje. No entanto, ao contrário da ordem crescente de pontuação que viria ser procedimento a partir de 1980, as pontuações foram atribuídas por ordem de actuação dos países.
Importa ainda referir que na altura, os países tinham a opção de apresentar a canção num idioma que não o nacional e por isso vários países optaram por cantar parcialmente ou na íntegra em inglês. Existiu ainda a particularidade do trio vocal sueco The Dolls, que acompanharam o grupo Nova na participação da Suécia em 1973, ter feito coro em quatro canções: Bélgica, Suíça, Suécia e Portugal.
Antes de cada actuação, foi apresentado um segmento onde os intérpretes foram convidados a pintar um auto-retrato numa tela branca com a bandeira do país. Júlio Isidro foi o comentador para a RTP e Amadeu Meireles para a Antena 1.

Como é habitual, falaremos de cada canção por ordem inversa de classificação. (Cliquem sobre o nome do país para um link do vídeo com a actuação.)

Semiha Yanki (Turquia)

A Turquia não teve sorte de principiante, ao ficar em último lugar com três pontos, atribuídos pelo Mónaco (que até demoraram a surgir no quadro de pontuações!). O que é pena, porque a sua canção, "Seninle bir dakika" ("um minuto contigo"), era uma bonita balada interpretada por Semiha Yanki, então com 17 anos. Por curiosidade, na final nacional turca, duas canções ficaram empatadas em primeiro lugar, sendo a vitória decidida à sorte. A Turquia só regressaria à Eurovisão três anos depois.


Ellen Nikolaysen (Noruega)

A representante da Noruega, Ellen Nikolaysen, já tinha participado na Eurovisão como membros dos Bendik Singers em 1973. Optou-se por interpretar a canção em inglês com o título "Touch My Life (With Summer)" ficando-se pelo 18.º lugar com 11 pontos.

Joy Fleming (Alemanha)

O 17.º lugar da Alemanha com 15 pontos é, na minha opinião, uma das maiores injustiças de sempre do Festival da Eurovisão. Como foi possível os júris europeus terem ficado indiferente à verve da canção "Ein Lied kann ein Brucke sein" ("uma canção pode ser uma ponte") e ao poder da voz de Joy Fleming? Quem não esteve indiferente foi Rainer Pietsch, o director da orquestra, visivelmente entusiasmado ao longo da actuação. Mas infelizmente, nem mesmo com a recta final em inglês, evitou-se o parco resultado. De seu verdadeiro nome Erna Raad, Joy Fleming teve uma longa carreira, abraçando vários géneros do jazz ao rock, falecendo em 2017.

Duarte Mendes (Portugal)

Esta era a primeira participação de Portugal após o 25 de Abril (que aliás foi iniciado tendo como uma das canções-senha "E Depois Do Adeus", a canção representante de Portugal no Festival do ano anterior) e nem de propósito, o nosso representante foi um dos Capitães do Abril, Duarte Mendes, que fez parte do Movimento das Forças Armadas que desencadeou a Revolução dos Cravos. Além da carreira militar, Duarte Mendes teve também uma carreira de cantor, tendo participado em todos os Festivais da Canção entre 1970 e 1973. O Festival da Canção de 1975 foi marcado pela revolução, com prestações muito mais informais, onde participaram nomes como José Mário Branco, Jorge Palma, Paco Bandeira e Fernando Girão e com canções com títulos como "Com Uma Arma, Com Uma Flor", "Pecado (do) Capital" e "Batalha-Povo". E claro, a "Madrugada" de Duarte Mendes era uma evocação da Revolução, que foi como um acordar para o país pelo que é um bocado estranho que seja das nossas canções eurovisivas menos recordadas. Segundo consta, Duarte Mendes pretendia-se apresentar em palco com o seu uniforme, completo com uma arma com um cravo no cano mas foi dissuadido pelos organizadores. Pessoalmente gosto muito mais da versão ao vivo de "Madrugada" do que a versão do videoclip, com os coros das The Dolls em evidência. A canção portuguesa impressionou bastante o júri turco, que fez com que pela primeira vez se ouvisse "Portugal, 12 points!". Com mais dois pontos de Espanha e dois de França, Portugal totalizou 16 pontos, ficando pelo 16.º lugar.

Ann-Christy (Bélgica)

Na posição acima de Portugal com mais um ponto ficou a Bélgica, com a canção "Gelukkig Zijn (Could It Be Happiness)", apresentada em palco numa versão bilingue de flamengo e inglês. Além desses dois idiomas, a intérprete Ann-Christy gravou versões em francês e alemão. Segundo consta, Mary Boduin, a autora e compositora da canção, tinha inicialmente feito a música para o que seria o jingle de um anúncio de uma marca de jeans. Infelizmente, Ann-Christy (de seu verdadeiro nome Christianne Leenaerts), faleceu de cancro em 1984, com apenas 38 anos. 

Sophie (Mónaco)
Pepel I Kri (Jugoslávia)

O Mónaco e a Jugoslávia ficaram empatados no 13.º lugar com 22 pontos. A representar o principado esteve a cantor Sophie Hecquet com a canção "Une Chanson C'est Une Lettre" ("uma canção é uma carta"). Posteriormente mais dedicada ao trabalho como apresentadora de rádio e televisão, Sophie faleceu em 2012. A Jugoslávia foi representada pelo grupo esloveno Pepel I Kri (que no certame actuou sob a denominação inglesa Ashes And Blood) com o tema "Dan Ljubezni" ("um dia de amor"), com Ditka Haberl como voz principal. Seria a quarta e última vez que a Jugoslávia seria representada na Eurovisão por uma canção em língua eslovena, língua essa que só voltaria a ser ouvida no Festival em 1993, já sob a bandeira de uma Eslovénia independente. Quatro dos membros da banda fariam coro da canção italiana "Insieme 1992" que viria a vencer o Festival da Eurovisão de 1990.

Renato (Malta)

Depois de duas participações em 1971 e 1972, onde ficou em último lugar, a pequena nação mediterrânica de Malta regressava à Eurovisão e desta vez saiu-se bem melhor ao ficar em 12.º lugar com 32 pontos. Talvez o facto de ao contrário das duas anteriores participações em maltês, ter desta feita sido apresentada uma canção em inglês, a outra língua oficial do país, "Singing This Song", tenha ajudado. Além disso, o intérprete Renato Micalaeff não passou despercebido em palco com a sua camisola com enormes franjas. Mas apesar deste melhor resultado, Malta só voltaria à Eurovisão em 1991.

Shlomo Artzi (Israel)


Para a grande maioria dos cantores que passaram pela Eurovisão, a sua participação no certame foi o auge ou pelo menos um pico nas suas carreiras. Mas existem aqueles para os quais a Eurovisão não será muito mais que uma nota de rodapé. É o caso de Shlomo Artzi, o representante de Israel com a canção "At Va' Ani" ("tu e eu", que ficou em 11.º lugar com 40 pontos), que é uma das maiores lendas da música israelita. Tendo iniciado a carreira musical em 1970, por esta altura Artzi estava numa encruzilhada profissional em que os sucessos estavam a escassear. Em 1977, Shlomo Artzi decidiu gravar um último álbum para depois se retirar da música. Ironia das ironias, seria esse álbum, cujo título em português se pode traduzir como "um homem perdido" que salvaria a sua carreira e o catapultaria para um estrondoso sucesso nas décadas seguintes, sendo um dos raros cantores israelitas com mais de um milhão de discos vendidos. Ainda hoje, é habitual que os seus concertos durem mais tempo do que o inicialmente previsto, com o público a pedir mais e mais encores.

Sergio & Estibaliz (Espanha)

A vizinha Espanha ficou em 10.º lugar com 53 pontos, sendo representada pela canção "Tu Volverás" do duo Sergio & Estibaliz, ambos oriundos de Bilbau. Os dois eram um casal na vida real, tendo-se casado nesse mesmo ano de 1975. Os dois tinham feito parte inicialmente do grupo Mocedades, mas já não quando este foram representantes da Espanha no Festival da Eurovisão de 1973, tendo ficado em segundo lugar com o clássico "Eres Tu". Sergio e Estibaliz continuaram juntos na vida e na música, quer como duo, quer integrando mais tarde o grupo El Consorcio, até que a Morte os separou em 2015, quando Sergio Blanco faleceu de doença prolongada aos 66 anos.


The Swarbriggs (Irlanda)



A Irlanda fez-se representar pelos The Swarbriggs e a canção "That's What Friends Are For" (não confundir com a famosa canção de Dionne Warwick do mesmo título), ficando em nono lugar com 68 pontos. Os Swarbriggs eram dois irmãos, Tommy e Jimmy Swarbrigg, que regressariam à Eurovisão dois anos depois. A partir dos anos 80, os Swarbriggs viraram-se para uma carreira nos bastidores da música, na promoção e organização de espectáculos.

Lars Berghagen (Suécia)

Lars Berghagen (1945-2023) teve a responsabilidade de representar o país da casa, a Suécia. Curiosamente no ano anterior tinha ficado em segundo lugar atrás do ABBA na final nacional sueca. Em Estcolomo, cantou "Jennie, Jennie" tendo ficado em oitavo lugar com 72 anos. Lars Berghagen continua activo na música de 1965. Entre 1994 e 2003 apresentou "Allsang Pa Skansen", um lendário programa musical da televisão sueca que é transmitido todos os Verões.

Pihasoittajat (Finlândia)

Tal como Portugal, a Finlândia é um país pouco habituado a lugares cimeiros na Eurovisão, por isso em 1975 a terra dos mil lagos conseguiu alcançar um dos seus melhores resultados de sempre, um sétimo lugar com 74 pontos. A Finlândia foi mais um dos países que optou por apresentar a sua canção em inglês, com o título "Old Man Fiddle" cantado pelo grupo Pihasoittajat (que pode ser traduzido como algo como "os tocadores do jardim"), o que fazia sentido já que a canção tinha um certo travo a música country. Depois de um interregno, os Pihasoittajat reuniram-se em 1995 para várias actuações até à morte do membro Hannu Karlsson em 2000. Com uma nova formação, o grupo regressou ao activo em 2009.

Simone Drexel (Suíça)

Simone Drexel, a representante da Suíça, foi a primeira mulher a ser autora, compositora e intérprete de uma canção da Eurovisão, por sinal, a que levou a Estocolmo, "Mikado", obtendo o sexto lugar com 77 pontos. E sim, o tema, cantado em alemão, era sobre o famoso jogo dos pauzinhos coloridos. Em 1984, Simone Drexel fez uma pausa na música devido a maternidade só tendo regressado vários anos depois como vocalista do grupo Bluesonix.

Geraldine (Luxemburgo)

Devido à sua pequenez, era habitual o Luxemburgo recrutar a outras bandas os seus representantes para a Eurovisão. Desta feita, o grão-ducado fez-se representar por uma cantora irlandesa, Geraldine Brannigan, e o seu sotaque fez-se notar quando cantou "Toi" em francês. A canção luxemburguesa ficou em quinto lugar com 84 pontos e ficou para a história do certame por  receber os primeiros famigerados "douze points", atribuídos pelo primeiro júri, o dos Países Baixos. Ao que parece, Phil Coulter, um dos autores da canção, apaixonou-se por Geraldine quando a viu num anúncio à cerveja Guinness. Os dois casaram-se em 1998, já depois de terem tido seis filhos!

Nicole Rieu (França)

Os primeiros "douze points" de Portugal na Eurovisão foram para a canção da França, "Et Bonjour À Toi L'artiste", interpretada por Nicole Rieu, que ficou em quarto lugar com 91 pontos. Além do original em francês, Rieu gravou esta canção em inglês, alemão, espanhol, italiano e japonês! Entre os seus discos subsequentes, destaque para uma versão em francês de "Do You Know Where You're Going To" de Diana Ross. Após uma pausa na carreira para maternidade nos anos 80, Nicole Rieu ainda vai actuando e editando música esporadicamente.

Wess & Dori Ghezzi (Itália)

A Itália fez-se representar pelo duo Wess & Dori Ghezzi, ficando em terceiro lugar com 115 pontos. Wess, ou Wes Johnson, era um americano radicado em terras italianas e desde 1973 que ele e Ghezzi actuavam como duo. Mas ao contrário dos espanhóis, a relação deles foi simplesmente profissional. A sua canção "Era", a última a desfilar no certame, tinha um certo travo a reggae e falava sobre um casal que comparava o fulgor do início da relação à monotonia do presente. A parceria entre os dois durou até 1977, quando Dori Ghezzi teve uma filha. Em 1979 ela e o seu marido Fabrizio De André foram raptados na Sardenha. Ghezzi prosseguiu a solo até que parou a carreira em 1990 devido a problemas de saúde no seu aparelho vocal. Wess continuou no activo até à sua morte em 2009 em Nova Iorque aos 64 anos. A sua filha Romina Johnson também é cantora, sobretudo conhecida por ser a vocalista no hit de 2000, "Movin' Too Fast" dos Artful Dodger.

The Shadows (Reino Unido)

A lendária banda britânica The Shadows (famosos por temas instrumentais como "Apache", "Kon-Tiki" e "Dance On!") foram os representantes do Reino Unido. Por esta altura, a banda estava numa segunda encarnação onde passaram a editar temas cantados, numa formação que incluía o australiano John Farrar, conhecido pela sua colaboração com Olivia Newton-John. A canção que levaram à Eurovisão foi "Let Me Be The One" que teve 138 pontos e o nono de 14 segundos lugares do Reino Unido na história da Eurovisão. Os The Shadows continuaram no activo até 2015.  


Teach-In (Países Baixos)


Mas nesse ano, pela primeira vez, o vencedor foi o primeiro país a actuar. Os Países Baixos (a designação que o governo deste país tem feito questão a partir deste ano que seja usada em vez de Holanda) obtiveram a sua quarta vitória no Festival da Eurovisão com o bem-disposto tema "Ding-a- Dong" (onde não é difícil adivinhar as influências dos ABBA) interpretado pelo grupo Teach-In. A canção também é conhecida como "Dinge-Dong", o título do original em neerlandês, tendo-se optado no Festival por apresentar a versão em inglês. Entre várias mudanças na formação da banda, os Teach In duraram de 1969 a 1980. Na altura, a vocalista era Gertrude "Getty" Kaspers que era de origem austríaca. Como já foi referido, esta foi a quarta vitória holandesa na Eurovisão depois de 1957, 1959 e 1969 (em ex-aqueo com Espanha, França e Reino Unido) e como se sabe, foi preciso esperar até 2019 pela quinta vitória. 

Esta semana foi anunciado que devido à actual pandemia que assola o mundo, pela primeira na história do evento não se realizará o Festival da Eurovisão este ano, mantendo-se Roterdão como a cidade anfitriã para 2021. Segundo consta, estava previsto que Getty Kaspers fosse uma das convidadas a actuar cantando "Ding-a-Dong".

A alegria dos vencedores


Festival da Eurovisão de 1975 (na íntegra, sem comentários):





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