domingo, 16 de maio de 2021

Programação TV 2 a 8 Maio 1981

Programação TV 2 a 8 Maio 1981 extraída da TV Guia Nº 117, com Raul Solnado em destaque na capa. Pela proximidade temporal, obviamente tem uma grelha com muito em comum com a de Fevereiro de 1981.


Sábado, 2 de Maio de 1981.


 Domingo, 3 de Maio de 1981.


 

Segunda, 4 de Maio de 1981.


 

Terça, 5 de Maio de 1981.


 

Quarta, 6 de Maio de 1981.


 

Quinta, 7 de Maio de 1981.


 

Sexta, 8 de Maio de 1981.


 

 

 

 

sábado, 15 de maio de 2021

Brincadeiras (1981)

 

Espaço na RTP-1, parte do mítico "Tempo Dos Mais Novos" dos Domingos de manhã, "Brincadeiras" foi apresentado pela educadora infantil Conceição Lopes.
A emissão do dia 15 de Fevereiro de 1981 incluía uma história contada aos mais pequenos pelo saudoso actor António Feio.

Na secção de programação TV do dia 3 de Maio de 1981, a TV Guia descrevia assim:
"... e "Brincadeiras" hoje com uma história contada e ilustrada por José Viana.
O programa "Brincadeiras" tem, também, canções, jogos, trabalhos manuais, uma entrevista a uma professora primária, e ainda, a leitura de noticias enviadas pelos telespectadores.
Produção de Maria do Sameiro Souto. Realização de Maria de Lurdes de Carvalho."

Em 2015 numa entrevista, a Doutora Maria da Conceição Oliveira Lopes recorda:
"No inicio de 1980 apresentei uma proposta de programa para crianças, ao canal de televisão pública, a RTP, fiz provas e comecei a gravar “histórias contadas”, ao fim do dia que escrevia e apresentava. Ao domingo de manhã às 11 horas, a série de programas “brincadeiras”. A audiência era elevada e as criticas do Mário Castrim, favoráveis, um incentivo a continuar a estudar, criar e produzir."


terça-feira, 11 de maio de 2021

Os Marretinhas (1984-1991)

 por Paulo Neto


Eu ainda não era nascido quando Os Marretas chegaram à televisão nacional no final dos anos 70, embora tenha vista uma reposição aos fins da tarde do Verão de 1989 na RTP1 (quando também foi exibida a mininovela brasileira "O Vento Do Mar Aberto", a única produção da TV Cultura exibida em Portugal), pelo que a minha introdução às deliciosas personagens criadas por Jim Henson foi com esta série animada spin-off. 
"Os Marretinhas" (no original "Muppet Babies") retratava aventuras de versões infantis dos nossos Marretas preferidos. Ao todo teve oito temporadas exibidas nos Estados Unidos entre 1984 e 1991. Em Portugal, a RTP exibiu as duas primeiras temporadas aos sábados à tarde na RTP1 a partir de 12 de Abril de 1986, e nos anos seguintes foi exibindo temporadas subsequentes nos seus vários espaços infantis. 

Em "Os Marretinhas", nós víamos o Cocas, a Miss Piggy, o Gonzo, o Fozzie, o Rowlf, o Animal e o Scooter em versão infantil, bem como Skeeter, uma personagem inédita que era a irmã gémea do Scooter. Aqui eles são crianças numa creche, ao cuidado de uma humana a quem eles se referem apenas como Nanny e da qual nunca vemos a cara (na maior parte dos episódios só se viam os sapatos e as meias às riscas). 



Mas mesmo criancinhas, estes Marretinhas tinham as mesmas características dos seus equivalentes adultos: o Cocas é o líder introspectivo, a Piggy é a diva temperamental enamorada do Cocas, o Gonzo mete-se em esquemas mirabolantes, o Fozzie continua a ser um comediante incompreendido, o Rowlf é inseparável do seu piano, o Scooter gosta de engenhocas e o Animal comporta-se de forma… animalesca. Já a Skeeter, ao contrário do irmão, gosta mais de actividade física. Em alguns episódios, também apareciam versões infantis do Dr. Bunsen Honeydew e do Beaker. Outros Marretas também surgiram nas últimas temporadas como Janice e os Statler & Waldorf.  


Em cada episódio, os Marretinhas deixavam-se levar pela imaginação e viviam várias aventuras sem nunca sair da série, geralmente só voltando à realidade quando a Nanny aparecia para ver como estavam as coisas. Também era comum eles recriarem filmes e histórias conhecidos como "A Guerra Das Estrelas" e o "O Feiticeiro De Oz" e a série frequentemente incluía excertos de filmes e séries e um momento musical em cada episódio.

Alguns episódios de que me recordo:
- Ao tentarem fazer uma canção para dedicar à Nanny, os Marretinhas organizam uma espécie de Festival da Canção, mas no final devido a um acidente com a fita da gravação, o resultado final é uma mistura de todas as canções.
- Os Marretinhas decidem recriar a história da Branca de Neve e a Piggy fica furiosa quando os outros decidem que, em vez de Branca de Neve, ela deve fazer de Rainha Má e porque isso implica que o Cocas, no papel de Prinícipe, terá de beijar Skeeter. Mas no fim, a Piggy admite que foi mais divertido fazer de Rainha Má. 
- Uma estranha criatura chega na creche e os Marretinhas acham que é um extraterrestre vindo de Neptuno (porque foi para esse planeta que ele apontou quando lhe mostraram um desenho do sistema solar), mas na verdade era um koala bebé. 
- Os Marretinhas ficam em pânico quando ouvem a Nanny dizer que se quer livrar de um deles, sobretudo quando acham que vai ser o Fozzie. Mas afinal, a Nanny referia-se a um dos sofás da creche que queria doar para uma instituição. 

A série teve um total de 107 episódios e em 2018 teve uma reboot com animação em CGI.  


Genérico de abertura:


Excerto:






segunda-feira, 10 de maio de 2021

As Gárgulas / Gargoyles (1994-97)

 


Já várias vezes disse - e escrevi - que a minha série favorita da Disney foi o clássico dos anos 80 “Duck Tales” (1987-90). Mas corrijo agora, com este clássico dos anos 90: “As Gárgulas” (”Gargoyles”, estreou nos EUA a 24 de Outubro de 1994, e entre nós em 1997, na SIC) que apesar de produzido pela Disney é tão distante do tradicional universo de patos e ratos antropomórficos que durante anos nem fiz essa ligação. Gargoyles inovou com uma trama mais adulta e sombria que o habitual nas animações norte-americanas para TV; o drama, violência, alguma comédia, personagens, mitologias e arcos interessantes garantiram a esta série um lugar no coração dos fãs. Algumas cenas mais violentas e sangrentas até foram editadas a partir da sua segunda exibição nos States. Não sei ao certo que versão tivemos por cá, mas provavelmente antes de ser censurada.

O plot envolve uma série de criaturas - as gárgulas do título - que durante o dia se transformam em pedra e que de noite retornam à actividade. Este grupo específico - liderado por Goliath (Golias) - vive no século X num castelo escocês, até serem atacados e mortos por humanos. Os sobreviventes são amaldiçoados a permanecerem em forma de pedra até que mil anos depois, em 1994, ressuscitam e continuam a proteger o seu castelo - entretanto transladado para Nova Iorque - e as pessoas dos arredores.


Os primeiros cinco episódios foram recortados e editados num filme lançado no ano seguinte: "Gargoyles the Movie: The Heroes Awaken" (1995).


A Wikipedia indica que apesar do sucesso das 2 primeiras temporadas não consegui fazer frente comercialmente ao fenómeno dos 90: “Batman The Animated Series” (1992-1995); e com uma terceira temporada (com o título ”Gargoyles: The Goliath Chronicles”) com baixas audiências que ajudou a colocar a pedra em cima da produção de novos episódios. O criador da série, Greg Weisman, aponta numa entrevista como causa das fracas audiências as interrupções das emissões para transmitir directos do julgamento de O.J. Simpson, mais tarde a saída de produtores para a concorrência e na recta final a transferência do programa para o mesmo horário do colosso "Power Rangers".
Revejam o inesquecível genérico que apresenta todos os pontos chaves do argumento e personagens. E aquela banda sonora! Era de arrepiar! LINK
A versão do genérico que passou em Portugal (segundo este vídeo, que confirmou a minha memória) era bem mais interessante, sem narração para podermos ouvir o tema:


Sou tão fã dessa composição que mais de 2 décadas depois ainda cá anda no meu leitor de Mp3. E claro que está no meu "TOP15 de Genéricos de Desenhos Animados". 
 
Texto original: Gargoyles.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Festival da Eurovisão 1986

 por Paulo Neto


Na virtude da primeira vitória da Noruega no ano anterior, o 31.º Festival da Eurovisão teve lugar a 3 de Maio de 1986 no Grieg Hall de Bergen, a segunda maior cidade do país. Na assistência estava o Príncipe Harald, a cinco anos de ascender ao trono norueguês, com a sua esposa e os seus filhos.  Participaram vinte países, destacando-se a estreia da Islândia. Ausentes no ano anterior, Jugoslávia e Países Baixos regressaram enquanto Itália e Grécia ficaram de fora. A Grécia chegou a selecionar uma canção e chegou a ser sorteada para actuar em 18.º lugar mas acabou por não participar porque a data do Festival coincidia com a Páscoa ortodoxa.



A apresentação esteve a cargo de Ase Kleveland, que representara a Noruega em 1966 na Eurovisão, conseguindo o terceiro lugar, o melhor resultado do país até à vitória das Bobbysocks em 1985. O palco foi desenhado a lembrar um palácio de gelo. No intervalo entre as actuações e as votações, foi apresentado um número baseado na música tradicional norueguesa, na voz de Sissel Kykrjebo, que viria a tornar-se uma cantora com alguma notoriedade internacional. Antes de cada actuação foi apresentado um postal ilustrado com várias paisagens da Noruega onde no fim surgia um postal com a bandeira do país e o respectivo intérprete a interagir com uma imagem. Os comentários para a RTP estiveram a cargo de Fialho Gouveia, com Margarida Mercês de Melo como porta-voz dos votos de Portugal. 

Como é habitual, analisaremos as canções por ordem inversa à classificação:

Elpida (Chipre)

Nesse ano, foi Chipre que teve a infelicidade do último lugar, obtendo somente quatro pontos. Elpida Karayiannopolou tinha representado o seu país natal a Grécia em 1979 com "Sokratis" e agora representava a pátria-irmã de Chipre com o tema "Tora Zo" ("agora eu vivo"). Mas apesar do ritmo animado a fazer lembrar o samba, não conseguiu convencer e foi até ao momento a única lanterna de vermelha de Chipre. 

Moti Giladi & Sarai Tzuriel (Israel)

Israel não é um país muito habituado ao fundo da tabela, mas nesse ano não conseguiu melhor que o 19.º lugar com sete pontos. Moti Giladi e Sarai Tzuriel cantaram em dueto "Yavo Yom" ("chegará um dia"), acompanhados em palco por duas bailarinas e dois cantores de coro, um deles Reuven Gvritz, tinha feito parte do grupo Milk & Honey, que venceu em 1979 com "Hallelujah". Giladi e Tzuriel dividiam-se ambos entre a música e a representação: ele, entre vários filmes, entrou num dos tomos da famosa saga "O Gelado De Limão" e ela integrou o elenco da versão israelita da "Rua Sésamo" e do filme "Polícia Demolidor" com Chuck Norris. 

Timna Brauer (Áustria)

A Áustria foi o último país a sair do zero, mas lá arrecadou doze pontos, valendo o 18.º lugar. Filha do artista plástico israelita Arik Brauer, Timna Brauer cantou "Die Zeit Ist Einsam" ("o tempo é solitário"). Se a maioria das canções guardam o melhor para o fim, esta canção guardava o melhor para o meio. 

Cocktail Chic (França)

Com o 17.º lugar e 13 pontos, a França obteve nesse ano o seu pior resultado até então. O quarteto feminino Cocktail Chic cantou "Européennes" ("europeias"), louvando as belezas do Velho Continente e até mencionando Boy George e a Lady Di. O grupo era composto pelas irmãs Dominique Poulain e Catherine Bonnevay e as suas primas Martine Latorre e Francine Chantereau que no final dos anos 60 gravaram vários singles sob o nome de Les Fléchettes. Francine e Martine também fizeram coros para várias actuações anteriores da Eurovisão, sobretudo em quatro canções de 1978 em Paris. 


ICY (Islândia)

Com a sua televisão estatal RÚV a estabelecer finalmente as suas ligações de satélite com o resto da Europa, a Islândia por fim pôde participar no Festival da Eurovisão, que transmitia o certame em directo desde 1982 (e em diferido desde 1970). A defender pela primeira vez as cores islandesas, esteve o grupo ICY, formado por Palmi Gunarsson, Helga Moller e o ruivíssimo Eirikur Hauksson com o tema "Gleðibankinn" ("banco da alegria"). Na final nacional, o tema tinha sido interpretado a solo por Gunnarsson mas para a Eurovisão optou-se por ser cantado em trio. A Islândia ficou em 16.º lugar com 19 pontos. Eirikur Hauksson regressaria à Eurovisão em 1991 pela Noruega e em 2007 de novo pela Islândia. Ao que parece, esta é uma daquelas canções que na Islândia ainda hoje é trauteada pelo povo. 

Kari Kuivalainen (Finlândia)

A Finlândia ficou em 15.º lugar com 22 pontos. Kari Kuivalainen interpretou uma canção da sua autoria, originalmente intitulada "Päivä Kahden Ihmisen" ("o dia de duas pessoas") mas que para a Eurovisão optou-se por utilizar um título em inglês "Never The End", embora as únicas palavras em inglês da letra fossem só "the end". 

Dora (Portugal)

Nesse ano, Portugal foi o último país a actuar, algo que até agora só aconteceu duas vezes, (a outra em 1984) e para fechar o desfile com chave de ouro, tivemos a nossa Dora a cantar o "Não Sejas Mau Para Mim" com um look que ficaria para a história com a saia verde-alface e umas botas Doc Martens. (No seu comentário para a RTP, Fialho Gouveia fez questão de dizer que não gostou.) Escrita por Guilherme Inês, Luís Oliveira e Zé da Ponte e orquestrada em Bergen pelo inglês Colin Frechter, a canção vencera uma edição sui generis do Festival da Canção, que nesse ano foi intitulado "Uma Canção Para A Noruega". Em vez do modelo habitual de actuações ao vivo num único local, os quatro centros de produção da RTP (Lisboa, Porto, Açores e Madeira) concorreram cada um com três canções e apresentaram actuações gravadas. Ainda assim, participaram nomes sonantes como Carlos Alberto Moniz, Luís Filipe, Sérgio Borges (vencedor de 1970), Os Trabalhadores Do Comércio, Gabriela Schaaf, Né Ladeiras (que cantou "Dessas Juras Que Se Fazem" que viria a ser mais conhecida como "Jura" nas versões de Lara Li e Rui Veloso), Lara Li e a ex-Doce Fá Padinha. Perante uma escolha interna de 43 funcionários da RTP, sabe-se apenas que os três finalistas foram "O Vapor Da Madrugada" do grupo Rimanço (Açores), "Os Tigres da Bengala" dos Trabalhadores Do Comércio (Porto) e "Não Sejas Mau P'ra Mim" (Lisboa), com a escolha final a recair sobre esta.

Em Bergen, Portugal obteve 28 pontos, ficando em 14.º lugar. Quanto a Dora, viria a ter grande notoriedade  nos anos seguintes, regressando mesmo à Eurovisão em 1988. Após um período fora do país, regressou a Portugal no início dos anos 2000 e desde então tem aparecido em vários eventos musicais e programas de televisão, e no Festival da Canção deste ano, voltou a cantar "Não Sejas Mau P'ra Mim". Uma menção final a Mário Gramaço, responsável pelo solo de saxofone.

Frizzle Sizzle (Países Baixos)

Tal como a França, os Países Baixos também se fizeram representar por um quarteto feminino, mas este teve uma classificação melhor, o 13.º lugar com 40 pontos. O grupo Frizzle Sizzle era composto por Mandy Huydts, Marjon Keller e as irmãs Karin e Laura Vlasblom, com idades entre os 15 e os 18 anos. As quatro cantaram "Alles Heeft Ritme" ("tudo tem ritmo"). As Frizzle Sizzle continuaram a gravar música até 1990, com cada uma a dedicar-se a projectos diferentes. Laura Vlasblom tornou-se sobretudo conhecida por ser a voz neerlandesa de personagens animadas como Ariel de "A Pequena Sereia", a Princesa Jasmine de "Aladino", a Gloria de "Madagáscar" e a "Polegarzinha". 

Ketil Stokkan (Noruega)

Com 44 pontos, a Noruega, o país anfitrião, ficou em 12.º lugar. Ketil Stokkan cantou "Romeo", acompanhado em palco por um Romeu e uma Julieta trajados a rigor, encarnados por dois membros de uma trupe de drag queens, com os três a fazerem uma coreografia sincronizada. (Comentou Fialho Gouveia: "Como vão ver, a Julieta é colega da Lídia Barloff.")  Ketil Stokkan voltaria à Eurovisão quatro anos mais tarde.  

Doris Dragovic (Jugoslávia)


A Jugoslávia ficou em 11.º lugar com 49 pontos (incluindo um 12 de Chipre). Depois de ter integrado o grupo More, a croata Doris Dragovic iniciava  a sua carreira a solo. Em Bergen cantou "Zeljo Moja" ("meu desejo"). Doris continuou a ter bastante sucesso nos anos seguintes e em 1999, regressou à Eurovisão, desta vez pela Croácia independente.  

Cadillac (Espanha)


A vizinha Espanha teve 51 pontos e ficou em 10.º lugar. O grupo Cadillac foi fundado em Madrid em 1976 e editou o seu primeiro disco em 1981. O seu quarto álbum Funkyllac, de 1985, teve bastante sucesso e abriu caminho ao convite para a banda representar Espanha no Festival. A Bergen levaram o tema "Valentino" e a actuação teve um momento caricato quando as duas cantoras do coro simularam dar um estalo no membro masculino do coro. Contudo ainda em 1986, os Cadillac terminariam com a saída do baixista. 

Klips ve Onlar (Turquia)


À sua nona participação, a Turquia conseguiu por fim um lugar no top 10, mais precisamente no nono lugar com 53 pontos (incluindo um 12 da Jugoslávia). O grupo Klips ve Onlar levou a canção "Halley" que aludia à passagem pela Terra do famoso cometa nesse ano de 1986 ao fim de 76 anos. O tema foi liderado por duas vocalistas Sevingul Bahadir e Candan Erçetin, com esta a substituir vocalista original Seden Kutlubay perante a indisponibilidade desta.  

Ingrid Peters (Alemanha)

Ingrid Peters foi a representante da Alemanha com o tema "Uber die Brücke geh'n" ("atravessando a ponte"). Peters vinha tendo algum sucesso no seu país, onde dividia a sua carreira musical com a profissão de professora de Educação Física, e algumas das suas canções até tiveram versões portuguesas como "Viva La Mamma" ("Viva A Vida" por Suzy Paula) e "Tango" (por Manuela Bravo). A Alemanha ficou em oitavo lugar com 62 pontos, com um 12 do Reino Unido.

Ryder (Reino Unido)


E por falar no Reino Unido, este país ficou na posição logo a seguir com 72 pontos. O grupo Ryder defendeu o tema "Runner In The Night", que foi o único que não teve orquestração, utilizando apenas os instrumentos tocados pela banda. O vocalista Maynard Williams também teve algumas incursões na representação.
Lise Haavik (Dinamarca)


A Dinamarca ficou em sexto lugar com 77 pontos e nem por acaso fez-se representar por uma cantora norueguesa, Lise Haavik. Ela tinha-se mudado para a Dinamarca para estudar na Universidade de Odense em 1982 e no ano seguinte respondeu a um anúncio que procurava uma voz feminina para um duo musical. O autor do anúncio era John Hatting com que Lise formou o duo Trax e rapidamente também passaram a ser um casal na vida real. O título da canção era "Du Er Ful Af Logn" ("estás cheio de mentiras") e embora na edição do disco seja creditada aos Trax, a participação no Festival foi creditada como uma actuação a solo de Lise Haavik, com o seu marido, que escreveu a canção, no coro. Também presentes em palco estavam dois bailarinos, David e Mary Johnson, que tinham actuado no ano anterior na canção da Suécia. A Noruega, o país natal de Lise, atribuiria dez pontos à canção dinamarquesa.
Monica Törnell & Lasse Holm (Suécia)

Um lugar acima, com mais um ponto ficou a Suécia, com Lasse Holm e Monica Törnell a cantar "E De' Det Här Du Kaller Kärlek?" ("é isto que tu chamas de amor?"). Lasse Holm tinha sido o compositor das canções suecas de 1982, 1983 e 1985 mas desta feita também quis ser um dos intérpretes. Mas Lasse e Monica foram um pouco eclipsados durante a actuação pelos três membros do coro, todos trajados a rigor: um senhor com um fato, gravata e chapéu de coco, a senhora com fato de empregada e o outro senhor com um maiô amarelo e fita na cabeça, que a dada altura desatou aos pulos pelo palco. E durante o solo de guitarra, surgiu em palco um quarto elemento de peito nu e de guitarra em riste à volta do qual todos se juntaram.    

Luv Bug (Irlanda)


O grupo Luv Bug representou a Irlanda com o tema "You Can Count On Me", obtendo 96 pontos e o quarto lugar. Oriunda da Irlanda do Norte, a banda (da qual três dos cinco membros eram irmãos: Max, Hugh e a vocalista June Cunningham) vinha tendo alguns singles de sucesso na República da Irlanda. Aparentemente a banda ainda existe, tocando covers em eventos particulares. 

Sherisse Laurence (Luxemburgo)


O grão-ducado do Luxemburgo recorreu uma vez mais à importação de cantores e nesse ano foi representado pela cantora canadiana Sherisse Laurence, que apesar de ser da província anglófona de Manitoba, cantou em francês "L'Amour De Ma Vie". Aliás, foi a canção luxemburguesa a primeira a actuar, ficando em terceiro lugar com 117 pontos. Sherisse Laurence ainda continua no activo, agora sob o nome de casada Sherisse Stevens. 

Daniela Simmons (Suíça)


Trinta anos depois de ter vencido a primeira edição, a Suíça esperava conseguir a segunda vitória mas ficou em segundo lugar com 140 pontos. Sentada ao piano, Daniela Simmons cantou "Pas Pour Moi", uma balada sofisticada. O compositor da canção era Attila Sereftug, com quem Simmons veio a casar e que também comporia a canção que dois anos mais tarde finalmente traria o segundo triunfo na Eurovisão para as cores helvéticas.


Sandra Kim (Bélgica)


E o top 3 foi todo cantando em francês. Até então, a Bélgica era o único país dos sete que participaram no primeiro Festival da Eurovisão que ainda não tinha vencido o certame, mas nesse ano venceu de forma incontestável com 176 pontos, com Portugal a ser um dos cinco países que lhe deram os 12 pontos e a canção "J'Aime La Vie", na voz da bem jovem Sandra Kim, tornou-se rapidamente um dos grandes clássicos eurovisivos. (Aliás segundo o Fialho Gouveia no comentário da RTP, a delegação belga estava tão confiante na vitória que até já se debatia qual cidade do país iria receber o Festival no ano seguinte. Ostende era então a opção mais falada, contudo o evento seria na capital Bruxelas.)  
Embora na letra, Sandra cantasse que tinha quinze anos, na verdade na altura ainda não tinha sequer completado os catorze, pelo que com treze anos e meio, tornou-se a mais jovem vencedora de sempre da Eurovisão. Um recorde que certamente nunca mais será batido até porque a partir de 1990 foi imposta a idade mínima de 16 anos para um intérprete participar no Festival (para não falar que desde 2003 que existe uma spin-off júnior para cantores sub-16). Se Portugal tivesse escolhido a canção dos Trabalhadores do Comércio, João Médicis, o jovem membro da banda, seria outro cantor de treze anos presente no palco de Bergen.  


Após o triunfo na Eurovisão, Sandra Kim também cantou a versão original em francês do tema da série animada "Era Uma Vez A Vida" e ainda hoje continua activa na música. Em 2010, eu vi-a a actuar em Setúbal no Eurovision Live Concert onde além de "J'Aime La Vie" cantou uma medley de várias canções eurovisivas e nesse mesmo ano, recriou cena por cena o videoclip da canção. 
Eu lembro-me de nesse ano ter celebrado a vitória da canção belga como se fosse a do meu país e ainda hoje "J'Aime La Vie" é uma das minhas canções eurovisivas favoritas de sempre. 

Festival da Eurovisão 1986 (Transmissão da RTP) 




"Bergensiana" (interval act) 




domingo, 25 de abril de 2021

Óscar de Melhor Canção Original (1980-1989)

 por Paulo Neto


Depois das categorias principais (Filme, Realizador e as quatro categorias de representação), creio que a categoria dos Óscares que suscita mais interesse é o de Melhor Canção Original. E como os anos 80 foram a década onde a música teve um papel determinante no cinema como nunca o tivera até então, tive a ideia de analisar os vencedores e os nomeados de cada ano dessa década.

Antes de começar, há que referir duas coisas: primeiro, o ano que vou usar no texto é referente ao ano em que os filmes foram estreados e não o do ano em que cerimónia se realizou (por exemplo, a cerimónia referente de 1980 teve lugar a 31 de Março de 1981); segundo, o galardão nesta categoria é entregue aos autores e compositores da canção e o intérprete só o recebe se fez parte da sua composição. É por isso que por exemplo, Madonna e Céline Dion nunca ganharam um Óscar nesta categoria apesar de ambas terem interpretado cada uma duas canções que venceram o prémio.  

1980 "Fame" (Fama)





O filme que acompanha o percurso académico de um grupo de jovens alunos de uma escola de artes em Nova Iorque foi um dos filmes de maior sucesso de 1980 e claro, deu origem a uma série televisiva de ainda maior sucesso. No filme, o tema principal é tocado numa cena em que o pai taxista de Bruno Martelli (Lee Currieri) põe-o a tocar no meio da rua, e os alunos decidem dançar ali mesmo causando o pânico no trânsito. O tema era interpretado por Irene Cara, no papel da ambiciosa Coco Hernandez, cujos sonhos de fama a fazem cair em algumas armadilhas.
Apesar de, ao contrário de muito do elenco, Irene Cara não ter transitado para a série de televisão (o seu papel foi aí desempenhado por Erica Gimple), também interpretou a versão utilizada no genérico.
O Óscar foi entregue ao letrista Dean Pitchford e ao compositor Martin Gore, irmão da estrela dos anos 60 Lesley Gore, a cantora de "It's My Party" e "You Don't Own Me". Quanto a Irene Cara, não seria a última vez que cantaria uma canção oscarizada.

Outra canção de "Fama", também interpretada por Irene Cara, "Out Here On My Own", também esteve nomeada, assim como "9 To 5" (do filme Das Nove Às Cinco), uma das canções mais emblemáticas de Dolly Parton, "On The Road Again" do filme "Honey Suckle Road - Música Pelo Caminho" com Willie Nelson e "People Alone" de "A Competição" com Richard Dreyfuss e Amy Irving, composta por Lalo Schiffrin, famoso pelo tema de "Missão:Impossível"

1981 "Arthur's Theme (The Best You Can Do)" (Arthur - O Alegre Conquistador)



Christopher Cross é considerado a última grande estrela musical pré-MTV, quando ainda se podia ser um popstar tendo o aspecto do vizinho do terceiro esquerdo. O seu álbum homónimo de estreia de 1980, com um flamingo na capa, tornou-se um clássico do soft-rock e foi um campeão de vendas, graças a faixas como "Sailing" e "Ride Like The Wind", tendo até conquistado o Grammy de Álbum do Ano contra "The Wall" dos Pink Floyd. 
Mas no mesmo ano em que 1981 marcou o início da era musical onde imperavam os mais vistosos, Cross teve mais um fogacho de glória com "The Best You Can Do", tema principal do filme "Artur, O Alegre Conquistador" com Dudley Moore e Liza Minnelli. Além do n.º 1 do top americano e lugar cativo nos "Oceanos Pacíficos" dessas rádios pelo mundo fora, a canção valeu a Cross também o Óscar, que compôs em parceria com os lendários Burt Bacharach, Carol Bayer Sager e Peter Allen.

Christopher Cross, Burt Bacharach e Carol Bayer Sager


Os outros nomeados foram: "Endless Love" de Lionel Richie e Diana Ross (do filme "Um Amor Infinito" com Brooke Shields), "For Your Eyes Only", na voz de Sheena Easton, foi o segundo tema de um filme da saga 007 ("Missão Ultra Secreta") a ser nomeado para o Óscar, quatro anos depois de "Nobody Does It Better", o lendário Randy Newman foi nomeado para "One More Hour" do filme "Ragtime" e Joe Raposo, o luso descendente autor do tema da "Rua Sésamo", foi nomeado por "The First Time It Happens" de "Os Marretas Contra-Atacam".

1982 "Up Where We Belong" (Oficial E Cavalheiro)



O filme "Oficial E Cavalheiro" foi um dos filmes de 1982 e a sequência final em que Richard Gere carrega Debra Winger ao colo enquanto toca a balada "Up Where We Belong" tornou-se lendária.
Interpretada por Joe Cocker e Jennifer Warnes, "Up Where We Belong" venceu o Óscar que foi entregue a Jack Nietzsche e Buffy Sainte-Marie pela música e Will Jennings pela letra. (Jennings receberia outro Óscar em 1997 por "My Heart Will Go On".) "Oficial E Cavalheiro" também valeu um Óscar de Melhor Actor Secundário para Louis Gossett Jr. no papel do severo sargento instrutor. 

Os outros nomeados foram: "How Do You Keep The Music Playing" ("Loucuras De Um Casal"), "Eye Of The Tiger" ("Rocky III"), "It Might Be You" ("Tootsie") e "If We Were In Love" ("Yes, Giorgio" onde Luciano Pavarotti tentou dar uma de actor.)

1983 "What A Feeling" (Flashdance)



Um daqueles filmes que definiram a década de 80, "Flashdance" é tido como o primeiro filme (não baseado numa peça musical) pensado para uma banda sonora em vez do contrário. De entre as várias cenas de antologia, a mais emblemática é aquela em que a protagonista, interpretada por Jennifer Beals, faz a sua audição para entrar numa escola de dança ao som de "What A Feeling". Uma cena em que além de Beals, foram utilizados três duplos: Marine Jahan, que a substituiu em todas as sequências de dança do filme, a ginasta Sharon Shapiro para o plano de voo com cambalhota e Crazy Legs para o movimento de breakdance. "What A Feeling" era excepcionalmente interpretado por Irene Cara que assim cantava uma segunda canção oscarizada. E desta vez, co-creditada como autora da letra, Irene Cara recebeu a estatueta em conjunto com Keith Forsey e Giorgio Moroder.


O outro grande hit de "Flashdance", "Maniac" de Michael Sembello também foi nomeado, assim como duas canções do filme "Yentl", "Papa Can You Hear Me" e "The Way He Makes Me Feel" interpretadas por Barbra Streisand, que protagonizou e realizou o filme. A quinta nomeada foi "Over You" do filme "Amor E Compaixão" 

1984 "I Just Called To Say I Love You" (A Mulher De Vermelho)



A meu ver, 1984 é um dos anos mais lendários da cultura pop, com uma extensa quantidade filmes e canções icónicas que saíram nesse ano. Como tal, não é de admirar que as cinco canções fossem grandes hits desse ano, vindas da banda sonora de quatro filmes que fizeram sucesso. Mas a vitória foi indiscutivelmente para "I Just Called To Say I Love You" do filme "A Mulher De Vermelho". Mesmo para alguém que já tinha uma carreira tão gloriosa como Stevie Wonder, o tema foi todo um sucesso estrondoso, chegando ao primeiro lugar de tudo o que era top. 



Os outros nomeados foram dois temas de "Footloose", o tema-título de Kenny Loggins e "Let's Hear For The Boy" na voz de Deniece Williams, "Against All Odds (Take A Look At Me Now)" (de "Vidas Em Jogo") um marco no repertório baladeiro de Phil Collins e o tema de "Os Caça Fantasmas" interpretado por Ray Parker Jr. "Who you gonna call? Ghostbusters!"

1985 "Say You, Say Me" (O Sol Da Meia-Noite)



Abordando temas como a dança, a Guerra Fria e espionagem política, "O Sol Da Meia-Noite" era protagonizado por Mikhail Baryshnikov, Gregory Hines, Helen Mirren e Isabella Rossellini. Algumas cenas do filme foram filmadas em Lisboa. A sua banda sonora produziu dois temas que foram n.º1 nos Estados Unidos e ambos nomeados para o Óscar, tendo a vitória ido para "Say You, Say Me", escrito e interpretado por Lionel Richie, que toca nos créditos finais do filme. O outro nomeado de "O Sol Da Meia-Noite foi "Separate Lives", um dueto entre Phil Collins e Marilyn Martin.


Os outros três nomeados foram "The Power Of Love" de Huey Lewis & The News ("Regresso Ao Futuro"), "Miss Celie's Blues (Sister)" ("A Cor Púrpura" que celebremente não ganhou nenhum dos onze Óscares para que foi nomeado) e "Surprise Surprise" da adaptação cinematográfica do musical "A Chorus Line".  

1986 Take My Breath Away (Top Gun - Ases Indomáveis)



Contactado pelo produtor Jerry Bruckheimer para contribuir com uma canção para um tal filme chamado "Top Gun", Giorgio Moroder escreveu "The Danger Zone" para ser interpretado por Kenny Loggins e, sendo-lhe proposto também criar um canção para uma cena romântica. Essa canção seria "Take My Breath Away" que Moroder escreveu em parceria com letrista Tom Whitlock (que Moroder conheceu quando Whitlock, que trabalhava também como mecânico, arranjou os travões do seu Ferrari). A banda rock Berlin gravou a canção que foi um sucesso global e que se tornou um clássico da baladaria dos anos 80. Infelizmente, o seu sucesso ditaria o fim da banda, já que só a vocalista Terri Nunn gostava da canção e os outros membros achavam que não tinha nada a ver com o resto do seu repertório nem com o som da banda.  

As outras canções nomeadas foram "Somewhere Out There" ("Fievel - Um Conto Americano"), "Glory Of Love" ("O Momento Da Verdade 2"), "Mean Green Mother From Outer Space" ("A Lojinha Dos Horrores") e "Life In A Looking Glass" ("A Vida É Assim")

1987 "(I've Had) The Time Of My Life" (Dirty Dancing - Dança Comigo)



Apesar da acção do filme se passar em 1963 e de incluir várias canções dos anos 60, a banda sonora de "Dirty Dancing" também tinha algumas canções que soavam claramente a anos 80. Mas mesmo com esses anacronismos, ou se calhar por causa deles, essa fusão resultou, sobretudo na apoteótica sequência na final ao som de "(I've Had) The Time Of My Life", interpretado por Bill Medley (a metade mais grave dos Righteous Brothers, em contraponto com a metade aguda de Bobbie Hatfield que cantou "Unchained Melody") e Jennifer Warnes (que assim cantava mais uma canção oscarizada). A estatueta foi entregue aos três compositores da canção: Frank Previte (que também assinou a letra), John De Nicola e Donald Markowitz

Os outros nomeados foram "Shakedown" ("O Caça-Polícias 2"), "Cry Freedom" ("Grita Liberdade"), "Nothing's Gonna Stop Us Now" ("Manequim") e "Storybook Love ("A Princesa Prometida").

1988 "Let The River Run" (Uma Mulher De Sucesso)



Um olhar feminino sobre Wall Street, "Uma Mulher De Sucesso" foi nomeado para seis Óscares mas só venceria o de Melhor Canção, com "Let The River Run", escrita e interpretada por Carly Simon, que se ouve na belíssima sequência inicial que mostra vários trabalhadores na sua comuta diária para os seus diversos empregos em Nova Iorque.


Todas as canções que venceram o Óscar de Melhor Canção Original nesta década também venceram o correspondente Globo de Ouro, mas neste ano, "Let The River Run" partilhou o Globo de Ouro com "Two Hearts" do filme Buster, protagonizado por Phil Collins, na única vez que se registou um empate nesta categoria.
Estranhamente nesse ano, em vez das habituais cinco nomeações nesta categoria, houve apenas três, sendo que a terceira canção nomeada foi "Calling You" do filme "Café Bagdade"

1989 "Under The Sea" (A Pequena Sereia)



Depois de anos de tensões internas, flops de bilheteira e crises financeiras, "A Pequena Sereia" deu início àquela que seria conhecida como a Era do Renascimento da Disney, que se prolongaria pelos anos seguintes. Marcou também o início do domínio dos filmes da Disney nesta categoria do Óscar. "Under The Sea" a canção com a qual o caranguejo Sebastião tenta convencer a Ariel a deixar de lado o seu fascínio pelos humanos e apreciar a vida no fundo do mar foi a vencedora neste ano. Aqueles que cresceram com a versão dobrada em português do Brasil já estão a trautear: "Aqui no mar, aqui no mar, até a sardinha entra na minha e vem cantar…"

Outra canção de "A Pequena Sereia", "Kiss The Girl" foi nomeada, assim como "After All" ("Como O Céu Se Enganou"), "I Love To See You Smile" ("Lar Doce Lar... Às Vezes"), "The Girl That Used To Be Me" ("Shirley Valentine") 

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