Tal como a RTP no início dos anos 90 exibiu algumas telenovelas brasileiras aos fins-de-semana (com destaque para "Felicidade", "Despedida de Solteiro" e "Araponga"), a partir de 1997 a SIC também optou por emitir algumas telenovelas aos sábados e domingos. A primeira a ocupar esse espaço da grelha foi "Salsa E Merengue", exibida no Brasil entre 1996 e 1997, que tinha a particularidade de ser a primeira telenovela escrita pelo conhecido actor Miguel Falabella (o eterno Caco Antibes de "Sai De Baixo"), em parceira com Maria Carmen Barbosa, sob direcção de Wolf Maya. Era uma telenovela pela grande dose de humor, embora também abordasse temas sérios como a corrupção e foi uma das poucas a ter um tema não brasileiro no genérico, o célebre "1, 2, 3, Maria" de Ricky Martin, o primeiro grande êxito internacional do cantor porto-riquenho. Aliás, Martin gravou uma versão especial para a telenovela em que vez de "um pasito pa'lante, Maria", cantava "baila salsa e merengue, Maria". No Brasil, há ainda quem se lembre de "Salsa E Merengue" como a "novela Uepa!".
Anabel (Arlete Salles)
Anabel Muñoz (Arlete Salles) é uma cubano-brasileira, proprietária de um salão de festas na Travessa do Vintém, um bairro típico do Rio de Janeiro. Viúva há vários anos, Anabel tem cinco filhos: o sedutor e ambicioso Valentim (Marcos Palmeira) que gere uma escola de condução, a agitada Remédios (Bia Nunes), a melancólica Amparo (Thaís de Campos), a sensual Assunção (Gabriela Alves) e o simpático António (Alexandre Barillari). Na casa de Anabel vive ainda a sua sogra Imaculada (Estelita Bell). Anabel guarda um segredo: antes de se casar com o pai dos seus filhos, teve um caso com o malfeitor Urbano (José Wilker), de quem teve outro filho que teve de abandonar no hospital por não ter condições para o criar.
Amparo (Thaís de Campos), Remédios (Bia Nunes), Assunção (Gabriela Alves), Imaculada (Estelita Bell), António (Alexandre Barillari) e Neném (Maria Gladys)
Esse filho é Eugénio Amarante Paes (Marcelo Antony), perfilhado por um casal rico, Guilherme (Walmor Chagas) e Bárbara (Rosamaria Murtinho). Para poupar o desgosto da mulher, que deu à luz um nado-morto, Guilherme decidiu levar o bebé abandonado por Anabel e fazê-lo passar pelo filho de ambos. Eugénio tornou-se um homem educado e altruísta, que não julga as pessoas apenas por aquilo que têm, e que se prepara para suceder ao pai no negócio da exploração de minérios. O seu único dissabor é Teodora Bentes da Gama (Débora Bloch), a sua ex-mulher que não se conforma com o divórcio e azucrina-lhe constantemente para retomarem a relação.
Numa viagem à estância de Roseira Santa, Eugénio conhece Madalena (Patrícia França) e os dois rapidamente se apaixonam. Para ficar mais perto de Eugénio e para expandir o seu negócio nas artes têxteis, Madalena muda-se para a Travessa do Vintém e Valentim fica interessado nela. Entretanto, Eugénio descobre tem leucemia e precisa de um transplante de medula de um familiar. É então que a verdade vem ao de cima e Eugénio descobre que não é filho de Guilherme e Bárbara. À medida que a história avança, descobre-se que o único que pode salvar Eugénio é Valentim, precisamente o seu rival pelo amor de Madalena.
Adriana (Cristiana Oliveira) e Heitor (Victor Fasano)
Ruth (Laura Cardoso) e Gilda (Ariclê Perez)
Para complicar ainda mais as coisas, existe Adriana Queiroz (Cristiana Oliveira), uma sensual manequim, disposta a tudo para subir na vida, encorajada pela sua mãe Gilda (Ariclê Perez) e a sua tia Ruth (Laura Cardoso). Como tal, envolve-se com Guilherme e alia-se ao sócio deste, Heitor (Victor Fasano) que pretende roubar-lhe a liderança da empresa. Isto para além de também estar metida com o trapaceiro Edgar (Dartagnan Júnior). E como se não bastasse, quando Adriana conhece Valentim, surge uma paixão escaldante entre ambos.
Bolla (Oswaldo Loureiro) e Marinelza (Zézé Polessa)
António e Kelly (Maria Maya)
Candinho (Marcos Oliveira) e Socorro (Stella Miranda)
Além da família Muñoz, a Travessa do Vintém é a morada de várias e divertidas personagens: a desbocada Neném (Maria Gladys) entre beijos e turras com Lázaro (Luís Salem); a doceira Dayse (Rosi Campos) que apesar da dedicação do seu jovem e bem-parecido marido Moa (Johnny Rudge), é bastante insegura; Socorro (Stella Miranda) a fofoqueira do bairro, casada com o avarento Candinho (Marcos Oliveira); Walmir Bolla (Oswaldo Loureiro), o manda-chuva do bairro, a sua fogosa esposa Marinelza (Zezé Polessa) e a sua filha Kelly (Maria Maya), eterna apaixonada de António. Igualmente divertidas eram as cenas de Teodora com a sua criada arraçada de índia Sexta-Feira (Mara Manzan).
Sexta-Feira (Mara Manzan)
Vasco (Paulo Pires) e Adriana
"Salsa & Merengue" contou ainda com a participação de dois actores portugueses, Marques D'Arede e Paulo Pires, respectivamente no papel de Rodolfo e Vasco Tavares Quintais. Rodolfo é um empresário português amigo dos Amarante Paes que acaba por se encantar por Anabel. Já o seu filho Vasco, aparentemente um rapaz exemplar, é na verdade um bandido, envolvido no tráfico de droga e vai ser mais um que se envolve com Adriana. Do elenco fizeram ainda parte nomes como Cláudio Cavalcanti (Dr. Olavo), Diogo Vilela (Caio), André Gonçalves (Walter), Ricardo Petraglia (Tito), Chico Diaz (Ramiro), Adriana Garambone (Clarice), Mônica Torres (Lídia), Jacqueline Laurence (Eglantine), Juliana Baroni (Inês), Marcos Paulo (Gaspar) e Nelson Xavier (Bento). Suzana Vieira teve uma participação especial no papel de uma actriz de telenovelas que se refugia na Travessa do Vintém após um escândalo sexual.
A história acabou por tomar rumos diferentes do que aqueles inicialmente pensados pelos autores, já que o público preferiu Madalena com Valentim e como tal os dois ficam juntos no final. Teodora, inicialmente pensada como a vilã principal, passou a antiheroína cómica. Numa tentativa de reconquistar Eugénio, faz uma inseminação artificial para o convencer que está grávida dele, mas o plano sai furado ao dar à luz dois bebés negros! Mesmo assim, Teodora acaba de novo ao lado do ex-marido, recuperado da doença, criando juntos o casal de gémeos. Elevada a vilã principal, Adriana também acaba bem no fim: consegue a sua parte na herança de Guilherme, com quem entretanto se casara, livra-se das chantagens de Heitor e mantém Vasco como seu amante. Curiosamente o papel de Adriana era para ser de Malu Mader, mas esta recusou por motivos pessoais, sendo esta a segunda vez que Cristiana Oliveira tomava um papel original de Mader, depois da Tatiana de "Quatro Por Quatro".
Embora tenha tido tanto sucesso por cá como no Brasil, a exibição de "Salsa & Merengue" em Portugal ficou um pouco desgastada pelo arrastamento da exibição ao longo de vários meses, por vezes com episódios de três horas, o que acabou por cansar aqueles que acompanhavam a telenovela por cá. No entanto, "Salsa & Merengue" primou pelos diálogos cheios de humor, pela óptima realização e por boas interpretações do elenco. A banda sonora da telenovela gerou três discos: além dos habituais álbuns com os temas nacionais e internacionais da telenovela, foi editado ainda "Bailando Salsa E Merengue" com vários temas de...pois claro, salsa e merengue.
Apesar de "O Bocas" ou "As Aventuras do Bocas" (no Brasil "Olé, Ollie") ser um anime - animação japonesa - "Geragera Bus Monogatari" de final dos anos 80 - exibida originalmente entre 7 de Abril de 1987 e 29 de Março de 1988 - que se espalhou pelo mundo através da Saban ("Power Rangers") "Ox Tales", começou como uma co-produção holandesa e japonesa. Alias, o material de origem é holandês, a banda desenhada - ou melhor, as tiras "Boes", criadas por Wil Raymakers e Thijs Wilms em 1980 e ainda em publicação, segundo consta.
A Wikipedia menciona que apesar de estas tiras sem diálogos serem "para toda a família", incluíam alguns gags escatológicos e sexuais. Não me lembro disso na versão televisiva!
O genérico inicial:
Cá por Portugal fomos brindados com uma bela dobragem em português, com o elenco encabeçado por Canto e Castro ("Abelha Maia", "Heidi", "A Esfera Ki", "Duarte e Companhia", etc) como Bocas, o boi protagonista que anda em duas patas e calça socas de madeira, e Irene Cruz ("As Aventuras de Tom Sawyer", "A Volta ao Mundo de Willy Fog", etc) na voz de Ted, a tartaruga amiga de Bocas. Curiosamente, nas versões holandesa e italiana Ted é uma tartaruga fémea. Apesar da dobragem para a nossa língua, o genérico manteve a canção em holandês (que até ao dia de hoje julgava ser em alemão...).
O título em inglês - "Ox Tales" - aparenta ser um trocadilho com a famosa receita "Ox Tails" - o Rabo de Boi. Humor negro, imaginem chamar "Arroz de Pato" aos "Duck Tales (1987-90)". A única explicação que me vem à cabeça para escolherem chamar "Bocas" ao boi é que na canção de abertura "Boes" soa a "Bouche", que é "boca" em francês... Mas isso é a minha teoria...
Basicamente a acção do desenho animado decorria na quinta do Bocas, um local que mais parecia um jardim zoológico dada a variedade de bicharada que Bocas acolhia, de tartarugas a polvos, leões, gorilas, golfinhos, zebras e muitos mais. Na quinta aconteciam todo o tipo de situações bizarras e cómicas que Bocas e Ted tentavam resolver - mas que sempre se complicavam - ao longo dos episódios de 12 (ou 15) minutos de duração, num total de 102. Creio que em Portugal se terá seguido a tendência de exibir dois episódios de cada vez. Como foi parcialmente editada em VHS e mais tarde em DVD entre nós, é por enquanto fácil de encontrar videos dos episódios em português do "Bocas" no Youtube.
Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".
Quando a pesquisa sobre um cromo te faz descobrir outro cromo...Foi o que aconteceu enquanto procurava imagens e vídeos no YouTube para o meu texto sobre o filme "Splash - A Sereia". Link puxa link, fui dar a um trailer de um filme de 1986 do qual as únicas e muito remotas memórias que eu tinha era de ver exemplares em VHS nos clubes de vídeo da minha terra. Como a premissa era semelhante à de um dos meus tesourinhos dos anos 80 preferidos, "Reckless - Jovens Sem Rumo", fiquei com curiosidade para vê-lo e acabei por visualizá-lo na íntegra num daqueles uploads manhosos do YouTube, com o ecrã aumentado e a música acelerada.
"Fogo Com Fogo" (no original "Fire With Fire", "Brincando Com O Fogo" no Brasil) foi realizado por Duncan Gibbins e protagonizado por Virginia Madsen e Craig Sheffer e é uma fusão ao estilo eighties de duas arreigadas narrativas fílmicas, a da boa moça e do bad boy que se perdem de amores e a dos jovens apaixonados em luta contra tudo e contra todos.
Joe Fisk (Sheffer) é um jovem do lado errado da lei que vai parar a um acampamento/reformatório para rapazes problemáticos algures no estado do Oregon, comandado pelo autoritário agente Duchard (Jon Polito), que nunca se separa da sua espingarda e nunca hesita em ameaçar de dar a provar o gosto da pólvora aos jovens detidos. Durante um exercício numa floresta, Joe depara-se com uma bela jovem a flutuar no lago. Essa beldade é Lisa Taylor (Madsen), uma aluna exemplar de um colégio de freiras local, que está a fazer um trabalho fotográfico onde ela recria o quadro "Ophelia" de John Everett Millais e que fica igualmente fascinada por Joe.
Os dois voltam a encontrar-se durante uma ida ao cinema (para ver "Sexta-Feira 13 - Parte V") e ao perceber que Joe é um dos rapazes do reformatório, Lisa propõe à direcção um baile no colégio para os rapazes da instituição, como um gesto da caridade para com esses jovens desfavorecidos. Surpreendentemente, e apesar de milhares de regras e a ameaça de qualquer atrevimento ser cortado logo pela raiz, as freiras do colégio aceitam a proposta. Obviamente que tanto as alunas do colégio como os rapazes do reformatório recebem a notícia com grande entusiasmo e o baile decorre animadamente ao som de vários hits da época. Joe e Lisa finalmente conversam enquanto dançam e esse contacto só faz arder ainda mais a paixão que surgiu entre ambos.
Mesmo com o colégio e o reformatório a proibirem qualquer contacto com membros do sexo oposto, os dois jovens vão arranjando maneira de se contactarem e de se encontrarem, acabando por consumar a paixão num mausoléu do cemitério local. Mas quando a relação é descoberta, Joe e Lisa lançam-se numa fuga contra as autoridades, até ao confronto final com Duchard.
"Fogo Com Fogo" foi mais um daqueles filmes que tiveram um sucesso modesto nos cinemas mas que se popularizaram através da venda e aluguer em vídeo, gerando posteriormente edição em DVD e BlueRay. Não é um filme em que se veja algo de muito original, profundo ou verosímil (embora ao que parece seja baseado em factos verídicos) mas que entretém e beneficia bem do efeito cápsula do tempo. A minha cena preferida é a do baile onde são tocados hits de Prince (deve ser o único filme além de "Purple Rain" onde se ouviu "Computer Blue"), Huey Lewis & The News, John Waite, Stephanie Mills e Bryan Ferry, para além do tema-título do filme, interpretado pelos Wild Blue.
Virginia Madsen e Craig Sheffer, apesar de já na altura estarem bem na casa dos vinte, têm bastante química e são convincentes como o casal adolescente protagonista. A irmã do actor Michael Madsen já tinha no currículo dois papéis icónicos: a princesa Irulan em "Dune" e a violoncelista objecto da paixão do computador Edgar em "Elctric Dreams - Amor e Música".
Jon Polito, famoso pela sua participação em vários filmes dos irmãos Coen (e falecido em Setembro passado), é o único secundário que rouba algum destaque ao parzinho protagonista como o autoritário chefe do reformatório (que por algumas cenas com Sheffer, fiquei com a ideia que umas das razões daquela agressividade toda para com Joe era por não poder deitar-lhe a mão de outra forma). Destaque ainda para Myron, o amigo de Joe (J.J. Cohen), conhecido como "The Mapmaker", e para três experientes actrizes no papel de três freiras do colégio: Kate Reid, Jean Smart e Ann Savage, com esta última, um ícone do cinema série B dos anos 40, a regressar aos filmes após mais de trinta anos, para fazer da madre superiora do colégio. Foi também o primeiro filme do actor D.B. Sweeney ("A Bela Memphis", "Jardins de Pedra", "Taken 2") como outro dos rapazes detidos no reformatório.
Convém ainda salientar a fotografia de Hiro Narita, sobretudo nas cenas da floresta, filmadas no estado canadiano da Columbia Britânica. E se o filme parece ter muito de videoclip, não é à toa, já que o realizador Duncan Gibbins era um conhecido realizador de videoclips (Eurythmics, Wham!, George Michael, Bananarama, Communards). Infelizmente, Gibbins faleceria em 1993 num incêndio.
Craig Sheffer e Virginia Madsen na actualidade
Craig Sheffer continua activo em cinema e na televisão, destacando-se o seu desempenho no filme "Duas Vidas E Um Rio", ao lado de Brad Pitt, no clássico de culto de terror "Nightbreed" e na série "One Tree Hill". A carreira posterior de Virginia Madsen continuou a ser bastante prolífica no cinema e na televisão (actualmente está na série "Designated Survivor") mas só conseguiu de novo grande notoriedade com o seu papel em "Sideways" (2004), para o qual foi nomeada para um Óscar e recebeu várias distinções. Consagrava-se assim finalmente aquela que, apesar de alguns papéis icónicos, nunca esteve no mesmo pedestal de outras louras de Hollywood suas contemporâneas, embora não ficasse a dever em nada à maioria delas em beleza e talento.
Um achado numa revista insuspeita da Disney: publicidade aos action figures dos clássicos Transformers da Geração 1, na época com a série animada em exibição na RTP aos Sábados de manhã: "Transformers Em Acção (1984-87)"! A revista "As Melhores Histórias Nº 36" é de Dezembro de 1990, mesmo a tempo da época natalícia desse ano! O que eu desejei ter um "Optimus Supremo (Optimus Prime) o Líder dos Heróis Autobóticos" no sapatinho! Também não me queixava se me oferecessem um "Megatrão - O Diabólico Líder dos Decépticos".
"Transformers: Robots Que Se Podem Transformar".
Imagem Digitalizada da revista "As Melhores Histórias" Nº 36 (20/12/1990) e Editada por Enciclopédia de Cromos.
Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".
Segundo reza a lenda, foi João Allain, o guitarrista da Go Graal Blues Band, que teve a ideia para o célebre stagename do cantor nascido em Lisboa a 1 de Novembro de 1956 sob o nome de Alberto Ferreira Paulo. Como o seu colega vocalista da banda adorava o Gonzo dos "Marretas" (e porventura pressentindo que o apelido Paulo seria mais musical que o primeiro nome Alberto), inscreveu-o para o primeiro concerto do Coliseu sob o nome de Paulo Gonzo. Consta que o dito a princípio não gostou muito da brincadeira mas cedo mudou de ideias e é por esse nome que todos conhecem o nosso maior crooner nacional.
Após mais de dez anos de actividade, a Go Graal Blues Band queimava os últimos cartuchos quando Paulo Gonzo decidiu aventurar-se a solo em 1986 com o álbum "My Desire", totalmente em inglês numa era em que tal era raro. Além dele, apenas Teresa Maiuko alcançou notoriedade nos anos 80 cantando na língua de Shakespeare. O disco de estreia foi marcado pelo hit "So Do I", mostrando que a voz de Paulo Gonzo era feita à medida para interpretar baladas. Em 1987, editou uma versão de "Stay", o tema principal da série "Cinderela 80".
Em 1992 fez a transição de cantar em português com o álbum "Pedras Da Calçada". Inicialmente a faixa-título e o single "Caprichos Da Lua" tiveram maior destaque mas nos anos seguintes, seria outro tema desse álbum que lentamente tornar-se-ia a canção-assinatura de Paulo Gonzo e que o catapultaria para um sucesso estrato-esférico. Uma certa canção onde ele cantava o seu desejo de fazer parte da intimidade física e espiritual da mulher amada. O seu título, "Jardins Proibidos".
A primeira vez que ouvi "Jardins Proibidos" foi em 1994 no concurso "Com A Verdade M'Enganas" de Herman José, que sucedeu à "Roda Da Sorte". A minha prova preferida do concurso era aquela onde um convidado musical cantava uma das suas canções com alterações à letra feitas pelo próprio Herman, tendo os concorrentes de descobrir qual a palavra errada e corrigir esse erro. Como essas letras alternativas feitas pelo Herman eram (obviamente) bastante cómicas, era frequente os cantores convidados desmancharem-se a rir quando tinham de cantá-las. Paulo Gonzo não foi excepção, pois recordo-me que ele largou uma risada ao cantar "rasga-se o Abreu e lá vou eu p'ra me perder". Também me recordo que um dos concorrentes acertou em todos os erros da canção, afirmando que aquela era a sua canção preferida.
A partir dessa altura, comecei a ouvir mais vezes "Jardins Proibidos" na rádio, e nem mesmo com o lançamento de um novo álbum de Paulo Gonzo em 1995, "Fora d'Horas" (que incluía temas como "Acordar", escrito por Pedro Abrunhosa e ainda hoje a única canção a mencionar Guronsan na letra, e "Leve Beijo Triste"), perdeu força.
E o tema continuou a ser uma escolha para vários programas de cantigas. Por exemplo, era uma das canções obrigatórias em quase todos os programas do "Cantigas Da Rua", e no programa da RTP "Selecção Nacional", através do qual foram seleccionados os cantores para o Festival da Canção de 1995, "Jardins Proibidos" foi a escolha do concorrente Ed Sant'Ana.
E como é óbvio, "Jardins Proibidos" tornou-se também daquelas canções inevitáveis nas várias noites de karaoke por esse país fora, havendo sempre quem quisesse perder a sua voz nesses recantos.
Por fim em 1997, chegou a consagração definitiva de Paulo Gonzo com o álbum "Quase Tudo", uma espécie de best of, contendo temas dos álbuns "Pedras Da Calçada" e "Fora d'Horas" mais dois temas inéditos e uma regravação de "Jardins Proibidos" em dueto com Olavo Bilac.
Desde então, a versão de 1997 tornou-se a versão definitiva de "Jardins Proibidos" e a de 1992 tem sido como que varrida debaixo do tapete. Basta dizer que demorei imenso tempo a encontrar a versão de 1992 no YouTube. (Eu tive-a numa cassete da colectânea "Romantic Rock"). O que é pena pois é esta versão que eu prefiro. A versão de 1997 pode ser mais tecnicamente mais bem produzida e vocalmente melhor executada mas acho que perdeu a da intensidade da versão original, onde Paulo Gonzo canta o refrão quase em falsete mas com mais emoção. E embora as vozes de Gonzo e Bilac conjuguem muito bem, acho que um dueto desta canção é um pouco estranho, como se os dois quisessem a mesma mulher e não se importassem de a partilhar. Até gosto mais do solo de saxofone da versão original.
Seja como for, graças ao sucesso de "Jardins Proibidos 97" e o inédito "Dei-Te Quase Tudo", o álbum "Quase Tudo" foi um arrasador campeão de vendas, chegando aos seis discos de platina (quando cada um equivalia ao dobro das vendas de um disco platinado actual), algo impressionante mesmo durante aquele que foi o período mais áureo das vendas discográficas em Portugal, e cimentando o estatuto de super-estrela nacional de Paulo Gonzo. "Jardins Proibidos 97" foi também escolhida para representar Portugal numa colectânea da Sony Music lançada em 1999 com música de artistas de todo o mundo associados a essa editora.
Em 2000, a telenovela da TVI "Jardins Proibidos" cimentou de vez a canção no seu lugar de honra na baladaria nacional. Desde então e após os irrepetíveis píncaros de 1997, a carreira de Paulo Gonzo continua bastante bem-sucedida. Actualmente ele pode ser ouvido a cantar com Raquel Tavares o tema de abertura da telenovela "Amor Maior" e tem novo álbum, "Diz-Me".
Filmes que eu vi na "Sessão da Noite", o espaço de cinema da RTP1 das noites de sexta-feira do início dos anos 90 - capítulo 283. "Splash - A Sereia" teve a particularidade de ser o primeiro filme produzido pela Touchstone, a chancela da Walt Disney para filmes de conteúdo mais adulto ou pelo menos não tão infantil quanto isso. O filme de 1984 foi realizado por Ron Howard e protagonizado por Tom Hanks e Daryl Hannah. Este era apenas o segundo filme de Hanks, que até então tinha trabalhado sobretudo em teatro e televisão, ao passo que Hannah já tinha sido notada em filmes como "Blade Runner" e "Amantes de Verão" e nesse mesmo ano, fora vista em "Reckless - Jovens Sem Rumo" e "Iniciação Ao Crime". Trata-se de uma comédia romântico-fantástica, livremente inspirada pelo famoso conto de "A Pequena Sereia".
Em 1964, ao viajar num barco em Cape Cod com a família, o pequeno Allen Bauer fica fascinado por algo que vê na água, acabando por cair ao mar. Sem saber nadar, ele é salvo por uma misteriosa menina que respira debaixo de água (que na verdade é uma sereia) e uma ligação imediata é estabelecida entre os dois até que Allen é recolhido por um dos marinheiros do barco.
Anos mais tarde, Allen (Hanks) gere um negócio de comércio grossista de frutas e legumes com o seu irmão Freddie (John Candy). Apesar de dizer que o seu encontro de infância como uma sereia foi uma alucinação de quase morte, nunca esqueceu a ligação que teve com ela, o que tem prejudicado a sua vida amorosa. Para combater um período depressivo, Allen regressa a Cape Cod onde conhece o excêntrico cientista Walter Kornbluth (Eugene Levy) que procura estranhas criaturas marítimas. Após um acidente de barco, ele encontra na praia onde naufragou uma bela mulher completamente nua (Hannah) que lhe beija antes de entrar no mar. Essa mulher é a sereia que ele conheceu na infância.
Ao achar a carteira de Allen, a sereia decide procurá-lo em Nova Iorque, acabando por ser presa quando aparece toda nua junto à Estátua da Liberdade. Allen é contactado pela polícia e acaba por ficar a cargo da sereia. Esta acaba por aprender a falar inglês através da televisão e revela que pode ficar em Nova Iorque seis dias. Ao ver um letreiro da Avenida Madison, decide adoptar Madison como seu nome. (Uma das minhas cenas preferidas é quando ela tenta dizer o seu nome de sereia e emite uns ruídos tão agudos que partem tudo o que é televisão em volta.) Apesar de alguns comportamentos bizarros dela, os dois apaixonam-se.
Entretanto, o Dr. Kornbluth, que vira Madison na sua forma de sereia e percebeu que ela era a mulher que surgiu nua junto à Estátua da Liberdade, persegue o casal, tentando encharcá-la com água para provar a existência de sereias. Após várias e hilariantes tentativas falhadas, finalmente consegue-o durante um jantar de cerimónia em que Allen e Madison estão presentes. Ela é capturada por agentes federais, liderados pelo Dr. Ross (Richard B. Shull), o rival de Kornbluth.
Apesar de chocado com o segredo de Madison, Allen percebe que ainda a ama e decide salvá-la de ser dissecada, com a ajuda de Freddie e de um arrependido Kornbluth, que só queria provar que não estava louco. Allen e Madison são perseguidos pelo exército americano até que ele decide deixar a terra e viver para sempre junto da sua amada sereia no mar.
"Splash - A Sereia" foi um dos sucessos cinematográficos de 1984. Recebeu ainda nomeações para o Óscar de Melhor Argumento e para o Globo de Ouro para Melhor Filme de Comédia/Musical, com Daryl Hannah a ganhar o prémio Saturn para Melhor Actriz. Ajudou também a estabelecer o potencial de Tom Hanks como estrela de cinema e de Ron Howard como realizador de primeira linha. E claro, será difícil imaginar uma sereia cinematográfica mais bela do que uma Daryl Hannah no auge da sua beleza (que aos 56 anos, ainda está bem preservada), isto apesar do papel ter sido recusado por nomes como Sharon Stone, Kathleen Turner, Michelle Pfeiffer ou Diane Lane. Ao que parece, a cauda de sereia que Hannah usou no filme era totalmente funcional e a actriz conseguia nadar perfeitamente com ela.
O filme deixou ainda um legado inesperado, ao popularizar Madison como nome feminino nos Estados Unidos. Embora no filme a personagem de Tom Hanks diga à de Daryl Hannah que Madison não é um nome a sério, o certo é que nos anos após a estreia do filme nos cinemas e mais tarde na edição em vídeo, a popularidade do nome Madison subiu em flecha até ser o segundo nome mais popular para raparigas nascidas nos Estados Unidos em 2001 e 2002. Em 2015, ainda era o 11.º nome mais popular nos Estados Unidos, com 10038 recém-nascidas a receber esse nome.
Em 2016, o produtor Brian Grazer revelou que está a trabalhar num remake do filme, mas desta vez o par romântico será uma mulher humana e um homem sereia. Channing Tatum terá sido apontado para o protagonista masculino.
Anúncio ao "Magnífico Concurso Gresso Flintstones" Leite com Chocolate (1991).
"Os Flintstones" personagens cujo êxito atravessam décadas são os protagonistas deste concurso Gresso. O grande apelo era o prémio principal: uma viagem à Disneyworld, em Orlando, visto que ainda não tinha sido aberta a Disneyland Paris, bem mais perto de nós.
A lista dos outros prémios incluíam produtos bem "apetitosos": aparelhagem Hifi Pioneer S555, computador Commodore Amiga 500(um computador pessoal "barato" que em 1991 já tinha 4 anos desde o lançamento e sucedido pelo modelo Amiga 500+), leitor de Compact Disc Philips-CD-380, bicicletas BMX 20, malas escolares Gresso e bonecos Flintstones. Nota: visto que o leitor de CDs da Philips surge repetido na lista de prémios, imagino que o 5º prémio fosse na realidade um Walkman Philips, referido nos outros 3 sorteios. Recordo-me de ver as embalagens de leite com chocolate Gresso com os Flintstones mas não sei se concorri ou não...
Imagem Digitalizada da revista "Detective Mickey" Nº 23 (24/09/1991) e Editada por Enciclopédia de Cromos.
Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".
O slogan "O que é Nacional, é bom!" está marcado no cérebro dos portugueses, mas está ausente deste reclame a um grupo de vários clássicos produtos alimentares da marca Nacional: Cream Crackers, bolacha Aveia e bolachas Wafers. O slogan é: "é delas que eu gosto mais".
A estrela do anúncio em estilo banda desenhada é uma formiga - ou um formigo - que em vez de carregar migalhas para o formigueiro carrega logo as embalagens completas para junto de uma formiga que parece confusa.
Em detalhe as embalagens da época das Cream Crackers, Aveia e Wafers:
Imagem Digitalizada da revista "Detective Mickey" Nº 23 (24/09/1991) e Editada por Enciclopédia de Cromos.
Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".